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Universidade Federal do Rio Grande do Sul

ESCOLA DE ENGENHARIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA ENG03070 Energia Eólica

Dimensionamento de Pás de um Aerogerador para Microgeração

Fernando Stein Brito

194879

Porto Alegre

Junho 2016

Sumário

1. Resumo

3

2. Considerações Iniciais

4

3. Perfis Aerodinâmicos

5

4. Comprimento de Corda

7

5. Ângulo de Torção

9

6. Conclusão

11

7. Referências

12

1. Resumo

Afim de dar continuidade ao primeiro trabalho da disciplina ENG03070 Energia Eólica, no qual foi avaliada a utilização de turbinas de microgeração no topo de prédios comerciais em Porto Alegre, o trabalho visa a obtenção de uma turbina de eixo horizontal mais eficiente que os modelos Iskra 5.1 kW e Travere TI 6/2.1 kW. Para atingir tal objetivo, foram utilizadas as equações da corda de um perfil aerodinâmico, avaliando-se o ângulo de ataque com melhor relação sustentação/arrasto, e ângulo de torção ao longo da pá. As pás são consideradas ideias, portanto não é representado nos cálculos as perdas devido ao Swirl, Arrasto de perfil e Ponto de Pá.

2. Considerações Iniciais

Para um bom desempenho na cidade de Porto Alegre, onde a velocidade média anual do vento encontra-se em torno de 6 m/s, é interessante que a velocidade nominal da máquina fique acima desse valor, porém não tão distante como nas máquinas estudadas anteriormente, com Vn = 12 m/s. É importante também estabelecer um valor coerente de Potência Nominal para o aerogerador, o qual permitirá que a máquina opere com um boa eficiência, considerando a baixa velocidade dos ventos nessa região. Para facilitar a fabricação e diminuir custos, sem perder muita estabilidade estrutural, foi optado por utilizar 2 pás, com lambda igual à 9. Por fim, o raio do hub também deve ser considerado nos cálculos, e através da comparação com máquinas similares, um valor de 0,5 m de raio foi escolhido.

Assim, os dados iniciais do projeto são definidos abaixo.

Potencia (W) v nominal (m/s) CP max Densidade do ar (kg/m³) Raio hub (m) Número de pás Lambda

3.00E+03

9

0.5

1.225

0.25

2.00

9.00

Através da Eq. (1) e Eq. (2), foi definido o Raio da Pá:

=

1

2

3

Logo,

á 2

2

2

= + (

2

Raio da pá (m) Diâmetro externo (m) Área Rotor (m^2)

2.08 4.15 13.44
2.08
4.15
13.44

)

. (1)

. (2)

3. Perfis Aerodinâmicos

Dois perfis de diferentes formas foram estudados, o perfil AH 93 -W-145 e o AH 93 -W- 257, ambos amplamente utilizados para geração de energia eólica.

AH 93 -W-145

utilizados para geração de energia eólica. AH 93 -W-145 Fig. 1: Perfil AH 93 -W-145. Fonte:

Fig. 1: Perfil AH 93 -W-145. Fonte: Airfoil Tools [1].

AH 93 -W-257

Perfil AH 93 -W-145. Fonte: Airfoil Tools [1]. AH 93 -W-257 Fig. 2: Perfil AH 93

Fig. 2: Perfil AH 93 -W-257. Fonte: Airfoil Tools [1].

Calculando o número de Reynolds para um comprimento de corda médio de 0,6 m e velocidade nominal do vento de 9 m/s, Reynolds fica em torno de 400.000. Assim, foram utilizadas as tabelas de Cd e Cl para Reynolds 500.000, fornecidas pela ferramenta Airfoil Tools [1].

Os resultados de Cl/Cd máximo, no qual o ângulo de ataque classificasse como ótimo segue abaixo.

AH 93 -W-145

AH 93 -W-145 Ângulo ideal (°) 8.25 CL 1.3572 Fig. 3: Gráfico de Cl x Ângulo
Ângulo ideal (°) 8.25 CL 1.3572
Ângulo ideal (°)
8.25
CL
1.3572

Fig. 3: Gráfico de Cl x Ângulo de ataque do perfil AH 93 -W-145. Fonte: Airfoil Tools

AH 93 -W-257

[1].

perfil AH 93 -W-145. Fonte: Airfoil Tools AH 93 -W-257 [1]. Ângulo ideal (°) 9.75 CL
Ângulo ideal (°) 9.75 CL 1.4982
Ângulo ideal (°)
9.75
CL
1.4982

Fig. 4: Gráfico de Cl x Ângulo de ataque do perfil AH 93 -W-257. Fonte: Airfoil Tools

[1].

4. Comprimento de Corda

O comprimento de corda de um perfil aerodinâmico pode ser definido pela Eq. (3),

de um perfil aerodinâmico pode ser definido pela Eq. (3), Eq. (3) Onde n é o

Eq. (3)

Onde n é o número de pás da turbina, lambda para duas pás foi considerado 9, r é o raio ao longo da pá e R é o raio máximo da pá.

Assim, para os diferentes perfis aerodinâmicos, pode-se construir a curva de comprimento de corda por raio da pá. No estudo, a pá foi seccionada em 10 partes iguais de 0,21 m de comprimento.

AH 93 -W-145

em 10 partes iguais de 0,21 m de comprimento. AH 93 -W-145 Fig. 5: Comprimento de

Fig. 5: Comprimento de corda ao longo da pá com perfil AH 93 -W-145.

AH 93 -W-257

AH 93 -W-257 Fig. 6: Comprimento de corda ao longo da pá com perfil AH 93

Fig. 6: Comprimento de corda ao longo da pá com perfil AH 93 -W-257.

Geralmente, o comprimento elevado da corda do perfil na base da pá impossibilita a sua construção conforme projeto, tendo a mesma que ser modificada a partir de um certo comprimento para que a pá possa ser construída e transportada. No entanto, para a microgeração em estudo, ambas as pás projetadas tem uma comprimentos de corda na base inferiores a 0,4 m. Assim, com um diâmetro de hub igual a 0,5 m, a utilização de duas pás com menos de 0,4 m de comprimento de corda na base torna-se viável.

5. Ângulo de Torção

Conforme o ponto de estudo da pá se afasta do hub, maior será sua velocidade tangencial. Devido a essa diferença de velocidade em razão do comprimento da pá, o ângulo de ataque ótimo do perfil varia, sendo necessário uma torção do perfil ao longo da pá, desde sua base até sua extremidade.

Tal ângulo de torção pode ser definido pela expressão da Eq. (4).

de torção pode ser definido pela expressão da Eq. (4). AH 93 -W-145 Eq. (4) Fig.

AH 93 -W-145

Eq. (4)

definido pela expressão da Eq. (4). AH 93 -W-145 Eq. (4) Fig. 7: Ângulo de torção

Fig. 7: Ângulo de torção ao longo da pá com perfil AH 93 -W-145.

AH 93 -W-257

AH 93 -W-257 Fig. 8: Ângulo de torção ao longo da pá com perfil AH 93

Fig. 8: Ângulo de torção ao longo da pá com perfil AH 93 -W-257.

6. Conclusão

Podemos perceber com os resultados demostrados nos gráficos anteriores que os dois perfis demonstram comportamentos diferentes ao longo da pá, e tem potencial de serem utilizados juntos para formar uma única peça.

O perfil AH 93 -W-145, de formato mais delgado, apresenta maior comprimento de corda na base com relação ao modelo AH 93 -W-257, mas quando é observado o seu comportamento na ponta da pá, a situação é inversa. Assim, pode-se afirmar que para uma

redução de custo de material e de massa da pá, seria indicado a utilização do perfil de final

257 para base da pá, enquanto que o modelo 145 poderia formar o perfil da ponta da mesma.

Podemos observar também que o perfil 257 necessita um maior ângulo de torção conforme se aproxima da extremidade da pá. Por questões de facilidade de fabricação e redução de

arrasto, é mais adequando fazer uma transição de perfil para, por exemplo, o modelo 145 que necessita menos ângulo de torção, e gera menos arrasto, reforçando a combinação do perfil

257 na base e 145 na extremidade.

Além desses dois perfis, poderiam ser adicionados outros de seções intermediárias, ou até mesmo de seções mais extremas, afim de reduzir o arrasto gerado pela pá, diminuir o tamanho da mesma, e consequentemente diminuir o custo de fabricação da máquina, possibilitando assim um investimento mais atraente ao consumidor.

7. Referências

[1] http://airfoiltools.com/. Acessado em 22/06/2016. [2] Notas de Aula ENG03070 Energia Eólica. Acessado em 22/06/2016. [3] Wind Turbines - Søren Gundtoft Junho 2009.