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GEOMETRIA PLANA

Manoel Ferreira de Azevedo Filho

2001

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3

Apresentação

Este é um trabalho que versa sobre Geometria Euclidiana Plana. A abordagem que apresentamos é totalmente intuitiva. Para compreen- são do texto, o leitor não necesitará de conhecimento prévio a não ser o da Matemática Elementar que consta no Ensino Fundamental. A Geometria é tratada de modo informal sem, contudo, perder o rigor que se espera haver num texto matemático. Tivemos a preocupação de selecionarmos para apresentação apenas os teoremas fundamentais da Geometria Eu- clidiana Plana, acompanhados de suas demonstrações, para não tornar o trabalho muito extenso. A obra está dividida em dez capítulos. Os seis primeiros tratam dos conceitos e teoremas básicos da geometria e os quatro restantes abor- dam sobre a noção de área e as relações métricas nos triângulos, polí- gonos regulares e circunferência. Algumas notas históricas estão pre- sentes. Quanto aos exercícios, eles foram seqüênciados, no nosso julga- mento, pelo ordem crescente de diculdade. Há vários deles que são de complementação da teoria. As respostas são dadas no nal do trabalho. Este material pode ser usado numa disciplina de geometria básica dos cursos de licenciatura ou bacharelado em Matemática bem como por leitores que tenham interesse pela matéria. Para nalizar, gostaríamos de agradecer a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a existência desta obra. Críticas ou sugestões serão bem vindas.

Forataleza, 2001

O Autor

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Sumário

  • 1 Conceitos Básicos

 

7

  • 1.1 Semi-Reta

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8

  • 1.2 Segmento de Reta .

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8

1.2.1

Medida de um Segmento

 

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9

  • 1.3 Semi-Plano

 

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10

Ângulo

  • 1.4 .

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10

1.4.1

Medida de Ângulo

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11

1.4.2

Bissetriz de um Ângulo

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13

1.4.3

Ângulos Opostos pelo Vértice

 

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13

  • 1.5 Exercícios

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14

  • 2 Triângulo

17

  • 2.1 Caso L.A.L. de congruência de triângulos

 

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18

  • 2.2 Soma dos ângulos de um triângulo

 

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20

  • 2.3 Outros casos de congruência de triângulos

 

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22

  • 2.4 Exercícios

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26

  • 3 Perpendicularismo e Paralelismo

 

29

  • 3.1 Mediatriz de um segmento

 

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30

  • 3.2 Paralelismo

 

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33

  • 3.3 Exercícios

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36

  • 4 Quadriláteros

39

  • 4.1 Paralelogramo

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40

  • 4.2 Retângulo, losango e quadrado

 

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43

  • 4.3 Trapézio

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45

  • 4.4 Baricentro

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48

  • 4.5 Exercícios

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49

  • 5 Polígonos

53

  • 5.1 Polígono convexo e polígono côncavo

 

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54

  • 5.2 Exercícios

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60

  • 6 Circunferência

 

63

  • 6.1 Posições relativas entre uma reta e uma circunferência

 

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67

  • 6.2 Posições relativas entre duas circunferências

 

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71

  • 6.3 Ângulos de uma circunferência

 

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73

  • 6.4 Quadriláteros inscritíveis e circunscritíveis

 

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78

  • 6.5 Exercícios

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82

6

SUMÁRIO

  • 7 Área

87

  • 7.1 Área do Retângulo

 

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89

  • 7.2 Área do Paralelogramo

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93

  • 7.3 Área do Triângulo .

 

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93

  • 7.4 Área do Losango

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93

  • 7.5 Área do Trapézio

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94

  • 7.6 Exercícios

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94

  • 8 Semelhança

97

Semelhança

  • 8.1 .

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97

  • 8.2 Casos de Semelhança

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101

  • 8.3 Razão entre as áreas de guras semelhantes

 

102

  • 8.4 Área do disco

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104

  • 8.5 O retângulo de ouro

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104

  • 8.6 Exercícios

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107

  • 9 Relações Métricas

113

  • 9.1 Teorema de Pitágoras .

 

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113

  • 9.2 Teorema da bissetriz interna

 

115

  • 9.3 Potência de um ponto

 

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116

  • 9.4 . . . . . . . . .

Trigonometria

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117

  • 9.5 Lei dos cossenos .

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119

Lei dos senos

  • 9.6 .

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120

Exercícios

  • 9.7 .

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120

10 Polígonos Regulares

 

125

  • 10.1 Polígonos Regulares

 

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125

  • 10.2 Comprimento da circunferência

 

127

  • 10.3 Medida de um ângulo em radianos

 

130

  • 10.4 Área de um setor circular

 

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131

  • 10.5 Cálculo do raio de nosso planeta

 

132

  • 10.6 Exercícios

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133

Respostas

133

Índice Remissivo

137

Capítulo 1 CONCEITOS BÁSICOS

Muitos e muitos séculos antes de Cristo (a.C.), o homem começou a fazer medidas, comparando as distâncias entre pontos, as formas e as dimensões de objetos. Povos antigos, como os egípcios, os assírios e os babilônicos, já conheciam algumas guras geométricas e a noção de ângulo, usadas na medida de áreas e na astronomia (ciência que estuda a posição e os movimentos dos astros). Cerca de 300 anos a.C, um sábio grego, o matemático Euclides, escreveu uma obra notável, dividida em treze livros, conhecida como os Elementos de Euclides. A partir das noções primitivas de ponto, reta, plano e espaço, Euclides, de modo claro, preciso e lógico, estabeleceu os fundamentos da geometria. Tão genial foi a obra de Euclides, que ela conta com mais de mil edições, em línguas diferentes. Os seis primeiros livros dos Elementos de Euclides tratam da ge- ometria plana elementar, assunto que vamos começar a estudar. A geometria está sempre presente em nossa vida, no nosso dia-a- dia. Em tudo, nas brincadeiras, nos brinquedos, nos esportes, nos obje- tos, nos aparelhos, em nossa roupa, nas moedas, na bandeira nacional, etc.

Comecemos pelo mais simples: o ponto. Podemos imaginar que um ponto é o pingo da letra i ou um furinho que fazemos com um alnete numa folha de papel. Já uma reta é um conjunto de uma innidade de pontos alinhados e ilimitado em quaisquer de seus dois sentidos. Um cordão que esticamos ou um risco feito numa folha de papel com o auxílio de uma régua podem ser imaginados como uma porção de uma reta. Usualmente, os pontos são representados por letras maiúsculas:

A, B, C, D,

e as retas por letras minúsculas: r, s, t, ...

... Para indicar que um ponto A pertence a uma reta r, usaremos a notação A r . Neste caso, podemos dizer também que a reta r passa pelo ponto A.

Pense em mais objetos que contenham formas ge- ométricas.

Um plano pode ser pensado como sendo a superfície de uma mesa lisa innita em todas as direções. Uma folha de papel estirada pode ser imaginada como uma porção de um plano. Para o estudo que vamos realizar, xaremos, como conjunto uni- verso, um determinado plano, isto é, todos os conjuntos de pontos com os quais trabalharemos, como retas, triângulos e outras guras geométricas, estarão contidas num mesmo plano, ou seja, serão coplanares. Todos os demais conceitos geométricos são denidos a partir dos

8

Conceitos Básicos

conceitos de ponto, reta e plano. É por esse motivo que ponto, reta e

plano são chamados de conceitos primitivos da geometria. Tecnicamente

falando, esses conceitos não têm denição, são apenas perceptíveis. Dado um ponto A, quan-

A
A

tas

retas

podem passar

por A?

Tantas quantas a gente desejar, não é mesmo?

Por dois pontos distintos

A e B ,

quantas retas

  • podemos traçar?

Conceitos Básicos conceitos de ponto, reta e plano. É por esse motivo que ponto, reta e

A

B

Você acertou. Realmente, é só uma linha reta. Por conseguinte,

dois pontos distintos determinam uma única linha reta.

A reta r ←→ que passa pelos pontos distintos A e B também pode ser

denotada por AB .

  • 1.1 Semi-Reta

Considere uma linha reta r e um ponto A r .

  • A

Qualquer um desses subconjuntos mais o ponto A chama-se semi-

reta de origem A.

Por conseguinte, um ponto A pertencente a uma reta r determi-

Note que esse ponto A determina dois subconjun-

tos de r : um constituído dos pontos que cam a um mesmo lado de A e o outro formado pelos pontos que se situam no outro lado de

A.

na duas semi-retas, de origem A, as quais são chamadas de semi-retas

opostas.

Se B é um ponto qualquer de uma −→ semi-reta de origem A, diferente

de A, denotaremos esta semi-reta por AB .

A B
A
B
  • 1.2 Segmento de Reta

Denição 1 Sejam A e B dois pontos distintos. Chama-se segmeto de

reta de extremidades A e B, o conjunto de todos os pontos da reta AB ←→

situados entre A e B, incluindo-se também os pontos A e B.

A B
A
B

e B.

Representaremos por AB o segmento de reta de extremidades A

Note que AB

−→

BA.

=

AB −→ ∩

Segmento de Reta

9

Chamaremos de prolongamento de um segmento de reta AB , qual-

quer uma das semi-retas oposta a BA −→ ou oposta a AB −→ .

A B
A
B
  • 1.2.1 Medida de um Segmento

Fixando-se, arbitrariamente, um segmento de reta u, entende-se por me-

dida de um segmento de reta AB ou o comprimento de AB ou distância

do ponto A ao ponto B, o número (inteiro ou não) de vezes, que esse

segmento xado, que é chamado de unidade de comprimento (u.c.), cabe

em AB .

u B A u u u u
u
B
A
u
u
u
u

Por exemplo, na gura ao

lado, a medida de AB é igual a 4 u.c.

A unidade de comprimento padrão chama-se metro. O metro é

igual à distância entre duas linhas paralelas existentes num protótipo

fabricado com platina e irídio e encontra-se depositado em Paris a uma

temperatura de zero grau centígrado.

O metro possui múltiplos e submúltiplos como unidade de com-

primento. Veja a seguinte tabela:

 

Unidade

Abreviatura

Valor

 

quilômetro

km

1000m

Múltiplos

hectômetro

hm

100m

decâmetro

dam

10m

Padrão

metro

m

1m

 

decímetro

dm

1/10m

Submúltiplos

centímetro

cm

1/100m

milímetro

mm

1/1000m

Há outras unidades de medida de comprimento usadas em nosso

dia-a-dia.

Você

sabe

quanto

vale

Bem, uma polegada equivale a 2,54cm e uma légua equivale a

uma polegada? E uma légua?

 

6km.

Denotaremos por AB a medida de um segmento AB .

Diremos que dois segmentos de reta são congruentes se eles têm

a mesma medida.

Usaremos a notação AB CD para indicar que dois segmentos

AB e CD são congruentes.

Chama-se ponto médio de um segmento AB o ponto M perten-

cente ao segmento AB situado a uma igual distância dos extremos A e

B. Conseqüentemente, o ponto médio de um segmento o divide em dois

segmentos congruentes.

B A M
B
A
M
Segmento de Reta 9 Chamaremos de prolongamento de um segmento de reta AB , qual- quer

10

Conceitos Básicos

  • 1.3 Semi-Plano

Toda reta r separa o plano em duas regiões: uma constituída dos pontos

que se situam a um mesmo lado da linha reta r e a outra formada pelos

pontos que se localizam no outro lado da linha reta r.

semi-plano r semi-plano
semi-plano
r
semi-plano

Qualquer uma dessas regiões mais a reta r chama-se semi-plano

determinado por r. Por conseguinte, toda reta r determina dois semi-

planos, os quais são chamados de semi-planos opostos em relação à reta. A B B r
planos, os quais são chamados de semi-planos opostos em relação à reta.
A
B
B
r
r
A
  • 1.4 Ângulo

Note que dois pontos dis- tintos A e B não perten- centes à linha reta r se situam num mesmo semi-

plano se AB não intercep- ta r e se situam em semi-

planos opostos se AB in- tercepta r .

Denição 2 Chama-se ângulo a abertura que duas semi-retas de mesma

origem fazem no plano.

O

B A
B
A

−→ −→

Se as semi-retas que formam o ângulo são OA e OB , representare-

mos o ângulo por A OB ˆ ou simplesmente por O ˆ .

−→ −→

As semi-retas OA e OB são chamadas de lados e O de vértice do

ângulo AÔB.

Um ângulo AÔB chama-se raso se seus lados são semi-retas opostas.

Conceitos Básicos 1.3 Semi-Plano Toda reta r separa o plano em duas regiões: uma constituída dos
Conceitos Básicos 1.3 Semi-Plano Toda reta r separa o plano em duas regiões: uma constituída dos
Conceitos Básicos 1.3 Semi-Plano Toda reta r separa o plano em duas regiões: uma constituída dos

A

O

B

Um ângulo AÔB chama-se nulo se seus lados são semi-retas coin-

cidentes.

O A B
O
A
B

Ângulo

11

Seja AÔB um ângulo tal que seus lados não sejam colineares, isto

é, não estejam contidos numa mesma linha reta. Indiquemos por E o

←→

semi-plano determinado por OA que contém B e por F o semi-plano

←→

determinado por OB que contém A.

B E E ∩ F O A F
B
E
E ∩ F
O
A
F
  • 1.4.1 Medida de Ângulo

Fixando-se arbitrariamente um ângulo u, entende-se por medida de um

ângulo AÔB o número (inteiro ou não) de vezes, que esse ângulo xado,

que é chamado de unidade de medida de ângulo (u.m.a.), cabe em AÔB.

Por exemplo, na gura a seguir, a medida de AÔB é igual a 4

u.m.a.

u
u

O

A u u u u B
A
u
u
u
u
B

Uma unidade de medida de ângulo muito empregada e que adotare-

mos daqui por diante chama-se grau. Ela é obtida quando dividimos o

ângulo raso em 180 partes iguais. O grau é, portanto, aquela unidade de

medida que cabe exatamente 180 vezes no ângulo raso.

Adotaremos a notação 180 o para indicar 180 graus. Assim como,

usaremos 60 o para denotar 60 graus. Enm, empregaremos a notação

a o para representar a graus.

Sendo assim, todo ângulo raso mede 180 o .

O aparelho desenhado a seguir chama-se transferidor e se presta

a calcular medida de ângulos.

Ângulo 11 Seja AÔB um ângulo tal que seus lados não sejam colineares, isto é, não

Temos: A OB ˆ = E F .

Concorda?

 

Você

sabe

utilizar

um

transferidor? Se não, tente descobrir como.

12

Conceitos Básicos

Representaremos por |A OB ˆ | a medida de um ângulo A OB ˆ .

O grau possui submúltiplos como unidade de medida de ângulo.

Ei-los: o minuto e o segundo de um grau.

Um minuto de um grau é a sexagésima parte de um grau, ou

seja, um grau contém exatamente 60 minutos. Um segundo, por sua vez,

é a sexagésima parte de um minuto, isto é, cada minuto equivale a 60

segundos.

Para representar a minutos usa-se a notação a 0 e para denotar a

Por conseguinte, um grau corresponde a 3600 segun- dos. De acordo?

segundos a notação a 00 . Utilizando esta simbologia, temos:

1 = 60 0

1 0 = 60 00

Diremos que dois ângulos A OB ˆ e A 1 O ˆ 1 B 1 são congruentes se têm

a mesma medida. Adotaremos a notação A OB ˆ A 1 O ˆ 1 B 1 para indicar

que os ângulos A OB ˆ e A 1 O ˆ 1 B 1 são congruentes.

Chamaremos de ângulo reto, agudo ou obtuso todo ângulo con-

forme sua medida seja igual, menor ou maior do que 90 o .

A O B
A
O
B

O

A B
A
B
A O B
A
O
B

Diremos que dois ângulos são complementares se a soma de suas

medidas é igual a 90 o . Neste caso, diremos ainda que um é complemento

do outro.

C A O B
C
A
O
B

Diremos que dois ângulos são suplementares se a soma de suas

medidas é igual a 180 o . Neste caso, diremos ainda que um é suplemento

do outro.

A C O B
A
C
O
B

Ângulo

13

  • 1.4.2 Bissetriz de um Ângulo

−→

Denição 3 Chama-se bissetriz de um ângulo AÔB a semi-reta OC ,

−→ −→

situada entre OA e OB , que divide o ângulo AÔB em dois ângulos con-

gruentes.

A C O B C A O B
A
C
O
B
C
A
O
B

Por exemplo, a bissetriz de um ângulo raso o divide em dois ângulos retos.

  • 1.4.3 Ângulos Opostos pelo Vértice

Dois ângulos não rasos são ditos opostos pelo vértice (o.p.v.) se os lados

de um são as semi-retas opostas aos lados do outro.

C B O D A
C
B
O
D
A

Na gura ao lado, os ân-

gulos A

OB ˆ e C

ˆ

OD são

ˆ

o.p.v., assim como B

OC

e A OD ˆ .

Teorema 4 Dois ângulos opostos pelo vértice são sempre congruentes.

Prova.

C B O D A
C
B
O
D
A

Na gura, temos que:

½

|A OB ˆ | + |B OC ˆ | = 180 o

|C OD ˆ | + |B OC ˆ | = 180 o

14

Conceitos Básicos

Daí, resulta que |A OB ˆ | + |B OC ˆ | =

se |B OC ˆ | em ambos os membros, decorre

|C OD ˆ | + |B OC ˆ |. Cancelando-

que |A OB ˆ | = |C OD ˆ |.

Conceitos Básicos Daí, resulta que | A OB ˆ | + | B OC ˆ |

Em matemática, chamamos de teorema toda propriedade passível

de uma prova, uma demonstração, como esta que acabamos de apresen-

tar.

Seja A OB ˆ um ângulo qualquer. Se OC é uma semi-reta que es-

−→ −→

−→

tá situada entre OA e OB , diremos que os ângulos A OC ˆ e C OB ˆ são

adjacentes ou consecutivos.

B C O A
B
C
O
A

Diremos que dois segmentos de reta são adjacentes ou consecutivos

quando eles têm, como interseção, apenas um extremo comum.

B

C A
C
A
Conceitos Básicos Daí, resulta que | A OB ˆ | + | B OC ˆ |
Conceitos Básicos Daí, resulta que | A OB ˆ | + | B OC ˆ |
Conceitos Básicos Daí, resulta que | A OB ˆ | + | B OC ˆ |

D

E

F

Os segmentos AB e BC são adjacentes, assim co-

mo DE e EF .

os

segmentos DE e DF não são.

Note que dois segmentos adjacentes AB e BC quaisquer determi-

−→ −→

nam um ângulo, a saber: aquele formado pelas semi-retas BA e BC .

B

C A
C
A

1.5 Exercícios

  • 1. Sejam A, B

e C três pontos distintos e não alinhados. Quantos

segmentos de reta podem ser obtidos com extremos nesses pontos?

Faça um desenho.

  • 2. Marque sobre uma linha reta r quatro pontos distintos A, B, C e

−→ −→

D de modo que as semi-retas AC e BD tenham interseção vazia.

Exercícios

15

  • 3. Marque sobre uma linha reta r quatro pontos distintos A, B, C e D

−→ −→

de modo que as semi-retas AC e BD tenham interseção não vazia.

  • 4. Marque sobre uma linha reta r três pontos distintos A, B e C, nesta ordem.

Determine: a) AB AC ; b) AB AC ; c) AC BC ; d)

AB BC .

  • 5. Marque sobre uma linha reta r três pontos distintos A, B e C tais

que AB = 5cm e AC = 4cm. O que pode ser AB AC e AB AC ?

  • 6. Um ângulo mais sua metade mede 52 o . Quanto vale sua medida?

  • 7. Um ângulo mais o dobro de seu complemento vale 130 o . Qual é sua medida?

  • 8. A semi-soma entre o triplo de um ângulo e 20 o , menos 2/5 do mesmo ângulo resulta na medida desse ângulo mais 15 o . Qual é sua medida?

  • 9. De um ângulo tira-se sua terça parte e depois a metade do suple- mento do que restou e obtém-se 20 o . Quanto vale sua medida?

  • 10. Determine a medida de dois ângulos adjacentes sabendo que um é o dobro do outro e o ângulo formado por suas bissetrizes mede 30 o .

  • 11. Determine a medida de dois ângulos adjacentes, sabendo que um é o triplo do outro e o ângulo formado por suas bissetrizes mede 20 o .

  • 12. Quantas retas são determinadas por 5 pontos três a três não coli-

neares?

  • 13. Quantas retas são determinadas por n pontos três a três não coli-

neares?

  • 14. A que horas, imediatamente após o meio-dia, os ponteiros de um

relógio formam

110 o ?

  • 15. Demonstre que complementos de ângulos congruentes são também

congruentes.

  • 16. Demonstre que suplementos de ângulos congruentes são também

congruentes.

  • 17. Demonstre que as bissetrizes de dois ângulos opostos pelo vértice formam um ângulo raso.

−→ −−→

0

  • 18. Sejam OA e OA

←→

semi-retas opostas e B / AA 0 . Demonstre que as

bissetrizes de A OB ˆ e A 0 OB ˆ formam um ângulo reto.

  • 19. Sejam A, B e C pontos distintos pertencentes a uma reta r, nesta

ordem. Sejam M e N, respectivamente, os pontos médios de AB e

BC . Demonstre que

MN =

AB + BC

2

16

Conceitos Básicos

  • 20. Sejam A, B e C pontos distintos pertencentes a uma mesma linha

reta, nesta ordem. Seja M o ponto médio de AB . Demonstre que

CM =

AC + BC

2

  • 21. Sejam A, B e C pontos distintos e colineares (isto é, pertencentes a uma mesma linha reta), nesta ordem. Seja M o ponto médio de

AC e suponha que AB > BC . Demonstre que

BM =

AB BC

2

Capítulo 2 TRIÂNGULO

Denição 5 Chamaremos de triângulo ou de trilátero a região do plano

limitada por 3 segmentos de reta AB , BC e CA, em que os pontos A, B

e C não são colineares.

A

B C
B
C

Adotaremos a notação ABC para representar o triângulo deter-

minado pelos segmentos AB , BC e CA.

Chama-se lado de um triângulo ABC qualquer um dos segmentos

AB , BC ou CA; ângulo interno ou simplesmente ângulo do triângulo

ABC qualquer um dos ângulos A, b B b ou C b e vértice qualquer um dos

pontos A, B ou C.

Chamaremos de perímetro de um triângulo a soma das medidas

de seus lados.

Um triângulo chama-se escaleno se as medidas de seus lados são

desiguais.

Capítulo 2 TRIÂNGULO De fi nição 5 Chamaremos de triângulo ou de trilátero a região do

Caso contrário, ou seja, se o triângulo tiver pelo menos dois lados

congruentes, diremos que ele é isósceles.

Capítulo 2 TRIÂNGULO De fi nição 5 Chamaremos de triângulo ou de trilátero a região do

18

Triângulo

Caso os três lados tenham a mesma medida, diremos que é equi-

látero.

Chamaremos de triângulo equiângulo todo aquele que tem os ân-

gulos com a mesma medida.

Um triângulo chama-se acutângulo se todos os seus ângulos inter-

nos são agudos.

Triângulo Caso os três lados tenham a mesma medida, diremos que é equi- látero . Chamaremos

Um triângulo chama-se obtusângulo se algum de seus ângulos in-

ternos é obtuso.

Triângulo Caso os três lados tenham a mesma medida, diremos que é equi- látero . Chamaremos

Um triângulo chama-se retângulo se um de seus ângulos internos

é reto.

Triângulo Caso os três lados tenham a mesma medida, diremos que é equi- látero . Chamaremos

Num triângulo retângulo os lados que formam o ângulo reto são

chamados de catetos e o terceiro de hipotenusa.

Num triângulo, um vértice e um lado são ditos opostos se o vértice

não é extremidade do lado.

A

B C
B
C

No triângulo ao lado, A e

BC são opostos assim co-

mo B e AC , e, C e AB .

Num triângulo, um ângulo e um lado são ditos opostos se o vértice

A b e

do ângulo e o lado forem opostos. No triângulo ABC, são opostos:

BC , B b e AC , e, C b e AB . Caso contrário, isto é, se o vértice do ângulo

for extremidade do lado, eles são chamados de adjacentes. Por exemplo,

A b e AB são adjacentes, assim como C b e AC .

Caso L.A.L. de congruência de triângulos

19

  • 2.1 Caso L.A.L. de congruência de triângulos

Denição 6 Dois triângulos ABC e A0B 0C 0 são ditos congruentes e

escrevemos ABC A 0 B 0 C 0 se A b A 0 , B B 0 , C C 0 , AB A 0 B 0 ,

b b

c b

c

BC B 0 C 0 e AC A 0 C 0 .

B

A A' C B'
A
A'
C
B'

C '

Dizer que dois triângulos são congruentes, signica que é possível

estabelecer uma correspondência entre os vértices de um e os vértices do

outro de tal forma que ângulos correspondentes são congruentes e lados

correspondentes são também congruentes. Se dois triângulos são con-

Faça a seguinte experiência com o auxílio de uma régua e um

transferidor.

Escolha uma medida de ângulo qualquer no transferidor. Desen-

he agora dois ângulos com essa mesma medida em locais distintos numa

folha de papel. Em seguida, escolha duas medidas de qualquer compri-

mento na régua. Marque cada medida em cada lado de um dos ângulos

gruentes, podemos imagi- nar que um, através de um deslocamento, pode ser colocado sobre o outro de modo a carem coinci- dentes.

a partir do vértice. Depois faça o mesmo com o outro ângulo.

A essa altura seus desenhos estarão mais ou menos assim:

B
B
B'
B'

A

  • C A'

C '

Agora, em cada ângulo ligue os dois pontos que você marcou e

recorte os triângulos ABC e A 0 B 0 C 0 de sua folha de papel. Em seguida,

tente pôr um sobre o outro de modo a carem coincidentes. Conseguiu?

Desta experiência podemos concluir que:

Tenho certeza que sim.

Para que dois triângulos sejam congruentes basta que dois lados

de um sejam, respectivamente, congruentes a dois lados do outro e os

ângulos formados por esses lados sejam também congruentes.

Em símbolos, temos:

AB A 0 B 0 , AC A 0 C 0 e A b A b 0 ABC A 0 B 0 C 0

Este

é

o

chamado caso

lado-ângulo-lado (obrevia- do por L.A.L.) de con- gruência de triângulos.

Teorema 7 (do triângulo isósceles) Num triângulo, ângulos opostos a

lados congruentes são também congruentes.

Prova. Seja ABC um triângulo em que AB = AC . Devemos

mostrar que B b C b . Considere a bissetriz do ângulo A. b Esta intercepta

20

Triângulo

BC num ponto D.

A

Triângulo BC num ponto D . A B B D C A C D Pelo caso

B

B

D

C

B D C A C D
B D C A C D
 

A

B D C A C D
 

C

D

Pelo caso L.A.L., podemos concluir que ABD ACD , logo, B b

C b .

Triângulo BC num ponto D . A B B D C A C D Pelo caso
  • 2.2 Soma dos ângulos de um triângulo

Vamos agora fazer uma experiência para determinamos quanto vale a

soma dos ângulos internos de um triângulo.

Desenhe numa folha um triângulo como este a seguir.

Depois recorte o triângulo e o corte seguindo as linhas pontilhadas.

Agora junte os ângulos do triângulo conforme mostramos a seguir.

É isso aí! A soma dos ângulos internos é igual a 180 .

Agora, posto que os ângulos de um triângulo equilátero têm a

mesma medida, decorre que cada um vale 60 .

Chamaremos de ângulo externo de um triângulo ABC qualquer

ângulo formado por um lado e o prolongamento de outro.

Conclua, à luz do teore- ma anterior, que os ângu- los de um triângulo equi- látero são congruentes en- tre si.

O que você conclui?

De acordo?

Veja um ao lado.

Observe: o ângulo externo C b é adjacente ao ângulo interno C b . Os

outros dois ângulos internos, A b e B b , não são adjacentes ao ângulo C b .

Soma dos ângulos de um triângulo

21

Uma propriedade interessante sobre ângulo externo de um triân-

gulo é a seguinte:

A medida de um ângulo externo é sempre igual à soma das medi-

das dos ângulos internos a ele não adjacentes.

Vejamos por que acontece. Sabemos que a soma dos ângulos in-

ternos é igual a 180 o , isto é:

| A| b + | B b | + | C b | = 180 o . Também é igual a 180 o a medida do ângulo

externo C b mais a medida do interno C b , ou seja: |A CD b | + |

C b | = 180 o .

Daí, segue-se que

|A CD b | + | C b | = | A| b + | B b | + | C b |

Cancelando-se | C b | membro a membro, obtém-se:

|A CD b | = | A| b + | B b |

Por exemplo, na gura an- terior, a medida do ângulo

b

externo C é igual à soma

dos internos

A b e B b .

Uma conseqüência

deste

resultado é a seguinte:

Num triângulo, todo ân- gulo externo é maior do que qualquer ângulo inter- no a ele não adjecente.

Teorema 8 Se, num triângulo, um lado é menor do que outro, então a

medida do ângulo oposto ao primeiro lado é menor do que a medida do

ângulo oposto ao segundo.

Prova. Seja ABC um triângulo, em que AB < BC . Provaremos

que | C b | < | A|. b Com efeito, seja D um ponto entre B e C tal que BA =

BD .

A

Vale também a recípro- ca deste resultado, isto é, se, num triângulo, dois ângulos têm medidas de- siguais, então ao maior ân- gulo opõe-se o maior la- do. A título de exercício, use os dois teoremas an- teriores, para demonstrar
D C esta recíproca.

B

Soma dos ângulos de um triângulo 21 Uma propriedade interessante sobre ângulo externo de um triân-

Considere o triângulo isósceles ABD. Pelo Teorema do triângulo

que B AD b B DA. b Como

B DA b é um ângulo externo

isósceles, segue-se

do triângulo ADC e C b é um ângulo interno não adjacente a B DA, b decorre

que |B DA| b > | C b |.

Desde que | C b | < |B DA| b = |B AD b | < | A|, b vem que

| C b | < | A|. b

Soma dos ângulos de um triângulo 21 Uma propriedade interessante sobre ângulo externo de um triân-

É também conseqüência do teorema imediatamente anterior, a

recíproca do Teorema do triângulo isósceles, ou seja, num triângulo, lados

opostos a ângulos congruentes são também congruentes.

Conclusão: um triângulo só é isósceles se possui dois ângulos con-

gruentes.

Podemos concluir ainda que num triângulo retângulo a hipotenusa

é seu maior lado. De acordo?

Soma dos ângulos de um triângulo 21 Uma propriedade interessante sobre ângulo externo de um triân-

Conclua também que to- do triângulo equiângulo é equilátero.

22

Triângulo

Considere agora dois pontos distintos A e B no plano:

A

Triângulo Considere agora dois pontos distintos A e B no plano: A B Qual é o

B

Qual

é

o

caminho mais

curto que liga A até B ?

Muito bem! Você acertou. É realmente dado pelo segmento de

reta com extremidades nos pontos A e B.

Por exemplo, a trajetória que apresentamos a seguir (partindo de

A até B passando por C ) é mais comprida do que a medida de AB .

C

A

Triângulo Considere agora dois pontos distintos A e B no plano: A B Qual é o

B

De acordo?

Assim sendo, podemos concluir que, num triângulo, a medida de

um lado qualquer é sempre menor do que a soma dos outros dois.

Certo?

Esse resultado é conhecido como desiguladade triangular.

É possível construir um triângulo de lados 1, 2 e 3?

Com o auxílio de uma régua e um compasso tente construir um.

Como foi? Conseguiu? Certamente não. Ex- plique por quê.

  • 2.3 Outros casos de congruência de triângulos

Vimos, através de uma experiência, que para dois triângulos serem con-

gruentes basta que dois lados de um sejam, respectivamente, congruentes

a dois lados do outro e os ângulos formados por esses lados sejam também

congruentes.

Este é o caso L. A. L. de congruência de triângulos. O qual diz

ser suciente a respectiva congruência desses três elementos (dois lados

e o ângulo formado por eles) em cada triângulo para se ter a respectiva

congruência dos outros três elementos (um lado e dois ângulos adjacentes

a esse lado) em cada triângulo, enm, a congruência dos dois triângulos.

Este não é o único caso de congruência de triângulos. Há mais

casos que veremos a seguir, formulados por teoremas. Leia com bastante atenção

Teorema 9 (Caso ângulo-lado-ângulo (A.L.A.) ) Para que dois triân-

os teoremas que se seguem

gulos sejam congruentes basta que em cada triângulo haja dois ângulos

e o lado adjacente a esses ângulos, respectivamente, congruentes. Em b c b c símbolos, ABC
e o lado adjacente a esses ângulos, respectivamente, congruentes. Em
b
c
b c
símbolos, ABC ≡ A 0 B 0 C 0 se B ≡ B 0 , BC ≡ B 0 C 0 e C ≡ C 0 .
A
A'
B
C
B'
C '

Outros casos de congruência de triângulos

23

Prova.

Pelo caso L. A. L. , basta provarmos que AC = A 0 C 0 .

Para isso, mostraremos que não é possível AC 6= A 0 C 0 . Veja bem, se o

fosse

teríamos AC < A 0 C 0 ou AC > A 0 C 0 . Digamos

que AC < A 0 C 0 . O

caso AC > A 0 C 0 seria discutido de modo análogo. Omitiremo-lo. Seja

A 00 entre A 0 e C 0 tal que C 0 A 00 = CA.

A A' A'' B C B' C ' c B 0 A 00 ≡ Pelo caso
A
A'
A''
B
C
B'
C '
c
B 0 A 00 ≡
Pelo caso L. A. L. , decorre que ABC ≡ A 00 B 0 C 0 , donde C 0
b
b
c
c
B 0 A 00 ≡ C 0
c
B . Mas, B
≡ C 0 B 0 A 0 e daí C 0
B 0 A 0 . Isto é um absurdo, pois
c
c
|C 0 B 0 A 00 | < |C 0 B 0 A 0 |. Conclusão: se ocorrese AC < A 0 C 0 chegaríamos a
essa contradição. Logo, não pode acontecer AC < A 0 C 0 . Nem tampouco
AC > A 0 C 0 . Portanto, só há uma saída:
AC = A 0 C 0 .
Teorema 10 (Caso lado-ângulo-ângulo oposto (L. A. A o .) ) Para que
dois triângulos sejam congruentes basta que em cada triângulo haja um
lado, um ângulo adjacente e o ângulo oposto a esse lado, respectivamente,
b
c
congruentes. Em símbolos, ABC ≡ A 0 B 0 C 0 se BC ≡ B 0 C 0 , B ≡ B 0 e
b
b
A ≡ A 0 .
A
A'
B
C
B'
C '
Prova. Sabemos que a soma das medidas dos ângulos internos
b
b
de um triângulo é igual a 180 ◦ . Assim sendo, temos: | C | = 180 ◦ − (| A| +
b
b
c
c
b
c

| B |) = 180 (| A 0 | + | B 0 |) = | C 0 |. Daí, C C 0 . Pelo caso A. L. A. ,

segue-se que ABC A 0 B 0 C 0 .

Outros casos de congruência de triângulos 23 Prova. Pelo caso L. A. L. , basta provarmos

Teorema 11 (Caso lado-lado-lado (L. L. L.) ) Para que dois triângu-

los sejam congruentes basta que os lados de um sejam, respectivamen-

te, congruentes aos lados do outro. Em símbolos, ABC A 0 B 0 C 0 se

24

Triângulo

AB A 0 B 0 , BC B 0 C 0 e

AC A 0 C 0 .

A

A'

Triângulo AB ≡ A B , BC ≡ B C e AC ≡ A C .

B

C

B'

C '

Prova. Considere a semi-reta BA 00 contida no semi-plano de-

←→

b

não contendo A de tal sorte que C BA 00

c

B 0 e

−−→

terminado por BC

BA 00 = B 0 A 0 . A B
BA 00 = B 0 A 0
.
A
B

A''

A'

C B' C '
C
B'
C '

Pelo caso L.A.L., decorre que A 00 BC A 0 B 0 C 0 . Daí, temos que

CA 00 = C 0 A 0 . Assim, os triângulos ABA 00 e ACA 00 são isósceles.

A

B

Triângulo AB ≡ A B , BC ≡ B C e AC ≡ A C .

A ''

C

e A 00

b

b

Pelo Teorema do triângulo isósceles, segue-se que A 00 AC A

c

b

c

A c 00 C

AB A A 00 B .

Desse modo, os ângulos B AC e B A 00 C são con-

gruentes. Por conseguinte,

pelo caso L. A. L., ABC A 00 BC . Como

A 00