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Castro Marim: um santuário na foz do Guadiana

Castro Marim: Un santuario en la desembocadura del Guadiana
1. Introdução
1. Introducción
As escavações arqueológicas levadas a efeito no Castelo de Castro Marim (Algarve,
Portugal) permitiram pôr a descoberto uma vasta área cujos vestígios, quer
arquitectónicos quer do ponto de vista da cultura material, remetem para um ambiente
eminentemente cultual. Esses vestígios existem em toda a diacronia sidérica, o que
parece evidenciar que, durante toda a Idade do Ferro, a área mais oriental da colina do
Castelo esteve dedicada ao culto. Parece ainda importante referir nesta breve Introdução
que quer neste aspecto concreto, quer também do ponto de vista da cultura material, a
ocupação do I milénio a.C. está intimamente relacionada com a que ocorre na mesma
sincronia no paleo estuário do Guadalquivir e no vale médio do Guadiana.
Las excavaciones arqueológicas llevadas a cabo en el Castillo de Castro Marim
(Algarve, Portugal) pusieron al descubierto una extensa área cuyos vestigios, tanto
arquitectónicos como desde el punto de vista de la cultura material, remiten a un
ambiente eminentemente cultual. Estos restos existen en toda la cronología de la Edad
del Hierro, lo que parece evidenciar que, durante toda esta época, el área más oriental
de la colina del Castillo estuvo dedicado al culto. También es importante referir en esta
breve introducción que tanto en este aspecto concreto, como también desde el punto de
vista de la cultura material, la ocupación del primer milenio a.C. en Castro Marim está
íntimamente relacionada con lo que ocurre en el mismo período en el paleo-estuario
del Guadalquivir y en el Valle medio del Guadiana.
2. Os espaços sacros da 1º metade do I milénio a.C.
2. Los espacios sacros de la 1ª mitad del 1er. Milenio a.C.
Os espaços sacros da 1º metade do I milénio a.C. documentados em Castro Marim
foram integrados nas fases III e IV de ocupação, balizadas entre a segunda metade do
século VII e o final do século VI a.C.. O deficiente estado de conservação dos níveis de
ocupação anteriores (Fases I e II, Bronze Final e 1ª metade do século VII a.C.,
respectivamente) impossibilitou uma correcta avaliação das funcionalidades dos espaços
construídos. Deve, no entanto, dizer-se que mesmo nas fases III e IV, as plantas totais
dos edifícios não foram delimitadas, o que dificulta o entendimento da organização
interna destes espaços e da sua relação com as restantes edificações definidas. A
funcionalidade cultual dos edifícios de ambas as fases é sugerida pela a arquitectura e
pelo cuidado posto na sua construção e desactivação, mas principalmente pelo
reconhecimento de complexas estruturas de combustão, cujos peculiares aspectos
construtivos permitem a sua interpretação como altares. Do edifício sacro da fase III,
conhecem-se cinco áreas, onde certamente tiveram lugar distintas actividades. O
compartimento 6 conservava um piso de conchas no seu interior, acedendo-se a este
espaço através da área 9, também pavimentado da mesma forma. O compartimento 11
destaca-se por possuir um piso de cor vermelha, bem como um altar de forma
quadrangular com uma cabeceira sobrelevada no seu lado oeste, tendo sido também

aqui que foi exumada a maior quantidade de espólio. Os materiais arqueológicos
recolhidos nos contextos destes espaços, nomeadamente a cerâmica de engobe vermelho
e as trípodes, sugerem uma cronologia de ocupação centrada na segunda metade do
século VII a.C. Do edifício sacro da fase IV conhecem-se dois compartimentos de
forma rectangular e anexos entre si. O maior destes, o 27, possui uma entrada composta
por dois degraus, um dos quais pavimentado com conchas. No seu interior,
identificaram-se bancos corridos adossados a duas das paredes e ainda com vestígios de
reboco. Ao centro encontrava-se um altar de forma rectangular, com um pequeno
orifício no canto noroeste, cuja construção foi antecedida pela deposição de uma urna
“Cruz del Negro”. Entre os materiais recolhidos, destaca-se a presença de, pelo menos,
um barril e a abundância de taças semi-hemisféricas simples, produzidas
indistintamente em cerâmica cinzenta, comum, de engobe vermelho, pintadas em
bandas e manual. O compartimento 26 conservava, a oeste uma área pavimentada com
conchas, não se documentando nenhuma estrutura no seu interior. Comparativamente ao
compartimento 27, onde se recolheram abundantes materiais arqueológicos, alguns
fragmentados in situ, este encontrava-se quase desprovido de espólio. Os materiais
recolhidos em ambos apontam para uma cronologia de ocupação centrada no século VI
a.C.
Los espacios sacros de la 1ª mitad del 1er. Milenio a.C. documentados en Castro
Marim se corresponden con las fases III y IV de ocupación, datadas entre la segunda
mitad del siglo VII y finales del siglo VI a.C. El deficiente estado de conservación de los
niveles de ocupación anteriores (Fases I y II, Bronce Final y 1º mitad del siglo VII a.C.,
respectivamente) imposibilitó una correcta evaluación de las funcionalidades de los
espacios construidos. No obstante, debemos decir que de las fases III y IV, las plantas
totales de los edificios no fueron delimitadas, lo que dificulta el entendimiento de la
organización interna de estos espacios y su relación con el resto de edificaciones
definidas. La funcionalidad ritual de los edificios de ambas fases es sugerida por la
arquitectura y por el cuidado puesto en su construcción y abandono, sobre todo por el
reconocimiento de complejas estructuras de combustión cuyos pecualires aspectos
constructivos permiten que sean interpretados como altares. Del edificio de culto de la
Fase III se documentaron cinco áreas, donde tuvieron lugar distintas actividades. El
compartimento 6 conservaba un piso de conchas en su interior, accediéndose a este
espacio a través del área 9, pavimentado de la misma forma. El compartimento 11
destaca por poseer un piso de color rojo y un altar de forma cuadrangular con una
cabecera sobre elevada en el lado oeste, siendo aquí obtenidos la mayor parte de los
materiales arqueológicos. Los materiales arqueológicos recogidos en los contextos de
estos espacios, en concreto la cerámica de barniz rojo y los trípodes, sugieren una
cronología de ocupación centrada en la segunda mitad del siglo VII a.C. Del edificio
ritual de la Fase IV se conocen dos compartimentos de forma rectangular y unidos
entre sí. El mayor de éstos, el 27, posee una entrada compuesta por dos peldaños, uno
de los cuales está pavimentado con conchas. En su interior se identificaron bancos
corridos adosados a dos de las paredes y con restos de reboco. En el centro se
encontraba un altar de forma rectangular, con un pequeño orificio en el lado noroeste,
cuya construcción fue precedida por la deposición de una urna tipo “Cruz del Negro”.
Entre los materiales recuperados, destaca la presencia de, por lo menos, un barril y
numerosas tazas semi-hemiesféricas simples, producidas indistintamente en cerámica
gris, común, de engobe rojo, con bandas pintadas y manual. El compartimento 26
conservaba al oeste una zona pavimentada con conchas, aunque no se documentó
ninguna estructura en su interior. A diferencia del compartimento 27, donde se

recuperaron abundantes materiales arqueológicos, algunos fragmentados in situ, en el
26 casi no aparecieron. Los materiales recogidos en ambos compartimentos indican
una cronología de ocupación centrada en el siglo VI a.C.
3.Os espaços sacros da segunda metade do I milénio.
3. Los espacios sacros de la segunda mitad del I milenio.
A Fase V, iniciada na segunda metade do século V, marca um corte, quase radical, com
o urbanismo anterior. Com efeito, neste momento, ocorreu uma profunda alteração
estrutural em termos arquitectónicos, tendo sido verificado que um outro aglomerado
populacional foi construído sobre os derrubes do anterior, tendo esses derrubes sido
colmatados através de um espesso estrato de aterro e nivelamento. Três enterramentos
infantis, em fossa, foram identificados neste mesmo estrato de aterro, o que parece
indicar que estamos perante um ritual necrolático e fundacional. Trata-se de neonatos,
cujo momento de falecimento se situa entre o nascimento e o primeiro mês de vida, não
sendo de excluir, em dois dos casos, a possibilidade de se tratar de nados-mortos. As
fossas onde foram depositados não apresentavam qualquer espólio. Contudo, numa vala
localizada em área próxima, e aparentemente construída em momento coevo aos
enterramentos, recolheram-se algumas contas de colar e vários objectos em metal
(pinças, agulhas e uma asa de um vaso de bronze), bem como o que parece ser um
fragmento de tecido. Há dados estratigráficos que autorizam defender que esta vala
continuou, pelo menos parcialmente, a ser utilizada durante os momentos posteriores.
No mesmo nível de aterro, que prepara o terrenos para as construções posteriores, foram
identificados três «buracos de poste». Não é impossível relacionar quer a vala quer os
«buracos de poste» com o mesmo ritual fundacional, se admitirmos que os referidos
«buracos de poste» possam ter servido para suster betilos, o que foi já verificado em
Cartago, onde estruturas negativas semelhantes serviram para este fim. Sobre o estrato
de aterro, dos «buracos de poste» e dos enterramentos, e em parte da vala, construiu-se
então um edifício composto por vários compartimentos. No 29, construído sobre os
enterramentos, havia um piso de xisto calcinado, ao qual estava associada uma estrutura
de combustão delimitada por blocos pétreos de média dimensão, que, dado o seu
contexto, não é impossível associar a actividades cultuais . Anexo a este compartimento,
documentou-se ainda um espaço de passagem (compartimento 30), sendo esta a área
onde se verificou a utilização parcial da fossa anteriormente descrita. Contínuo a este
espaço de passagem, encontra-se o compartimento 31, que parece corresponder a uma
área de armazenamento. Aqui documentaram-se vários contentores anfóricos, onde se
destaca a presença da forma Maña Pascual A4 e B/C 1 de Pellicer, assim como de
outros recipientes cerâmicos, concretamente áticos (Taças Cástulo, Stemless Cup, Plain
Rim Cup e Kylix), cerâmica comum e cerâmica cinzenta. Outros objectos, como contas
de colar, cossoiros, pesos de rede e metais, foram também exumados. Esta área, de
acesso provavelmente privado, parece corresponder a um bothros, cuja construção foi
também alvo de práticas de cariz cultual, uma vez que sob uma das estruturas que o
delimitam se documentou uma inumação de uma ave.
Dos últimos momentos de ocupação pré-romana do Castelo de Castro Marim, centrados
entre finais do séc. IV e a primeira metade do séc. III a.C., não obtivemos, infelizmente,
dados de cariz urbanístico ou arquitectónico que possam comprovar uma continuidade
funcional do espaço. Recolheram-se, contudo, alguns materiais dessa cronologia, em
cerâmica de “tipo Kuass” que, em outros sítios, surgem sistematicamente associados a
contextos de carácter votivo e/ou ritual. Trata-se de pratos de bordo moldurado, vários

tipos de taças e vasos possivelmente relacionados com a função de conter e verter
líquidos, como unguentos e perfumes. São formas relativamente raras no Ocidente
Mediterrâneo, sendo frequentemente associadas a possíveis contextos de tipo ritual, o
que permite colocar a hipótese de o carácter cultual do espaço escavado ter sobrevivido
ainda durante esse período. No âmbito destes contextos cultuais, não podemos deixar de
salientar a presença, embora descontextualizada, de alguns objectos de claro cariz
votivo, como é o caso dos dois fragmentos que identificámos como pertencentes a
askoi, ainda que o seu enquadramento numa outra forma de funcionalidade idêntica,
como é o caso dos kernos, não seja impossível. Num dos casos, o zoomorfo
representado parece tratar-se de um grifo. Também fora das áreas descritas, destacam-se
ainda as quatro cabeças femininas de vidro, cuja integração em qualquer tipo de peça é
ainda impossível, mas que pela singularidade e iconografia podemos englobar no
âmbito cultual.
La Fase V, iniciada en la segunda mitad del siglo V a.C., marca un ruptura, casi
radical, con el urbanismo anterior. En efecto, en este momento, se produjo un profundo
cambio estructural en términos arquitectónicos, habiéndose verificado que nuevas
estructuras habitacionales fueron construidas sobre los derrumbes de la anterior,
siendo colmatados esos derrumbes a través de un grueso nivel de tierra y nivelación
posterior. Tres enterramientos infantiles, en fosa, fueron identificados en este mismo
nivel de tierra, lo que parece indicar que estamos ante un ritual necrolático y
fundacional. Se trata de neonatos, cuyo momento de fallecimiento se sitúa entre su
nacimiento y el primer mes de vida, sin excluir, en dos de los casos, la posibilidad de
que nacieran ya muertos. Las fosas donde fueron depositados no presentaban ningún
material (ajuar). Aunque en una fosa localizada en la misma zona y aparentemente
construida en un momento coetáneo a los enterramientos, se recogieron algunas
cuentas de collar y varios objetos de metal (pinzas, agujas y el asa de bronce de un
vaso), así como lo que parece ser un trozo de tejido. Los datos estratigráficos permiten
decir que esta fosa continuó, por lo menos parcialmente, siendo utilizada durante algún
tiempo. En el mismo nivel de tierra que preparó el terreno para las construcciones
posteriores, fueron identificados tres “agujeros de poste”. Es posible relacionar tanto
la zanja como los “agujeros de poste” con el mismo ritual fundacional, si admitimos
que los mismo “agujeros de poste” pudieron servir para sustentar betilos, algo que ya
ha sido demostrado en otras fundaciones púnicas, donde estructuras negativas
semejantes sirvieron para este fin. Sobre el estrato de tierra, dos de los agujeros de
poste, dos de los enterramientos y parte de la zanja se construyó un edificio compuesto
por varios compartimentos. En el compartimento 29, construido sobre los
enterramientos, había un suelo de pizarra calcinada, que estaba asociado a una
estructura de combustión delimitada por bloques de piedra de mediana dimensión, que
dado su contexto es posible asociar también a actividades rituales. Anejo a este
compartimento, se documentó un espacio de paso (compartimento 30) donde se siguió
utilizando parcialmente la fosa anteriormente descrita. A continuación de esta zona de
paso se encuentra el compartimento 31 que parece corresponderse con una zona de
almacenaje. En ésta se documentaron varios contenedores anfóricos, donde destaca la
presencia de la forma Mañá-Pascual A4 y B/C 1 de Pellicer, así como de otros
recipientes cerámicos, concretamente áticos (tazas Cástulo, Stemless Cup, Plain Rim
Cup y Kylix), cerámica común y cerámica gris. Otros objetos, como cuentas de collar,
fusayolas, pesas de red y metales, también fueron exhumados. Esta zona, de acceso
posiblemente privado, parece corresponder a un bothros, en cuya construcción también

tuvieron lugar prácticas de carácter ritual, ya que sobre una de las estructuras que lo
delimitan se documentó la inhumación de un ave.
De los últimos momentos de la ocupación prerromana del Castillo de Castro Marim,
situados entre finales del siglo IV y la primera mitad del siglo III a.C., no se obtuvieron
datos de carácter urbanístico o arquitectónico que puedan probar una continuidad
funcional del espacio. De esta cronología se recuperaron algunos materiales, como
cerámica tipo Kuass que, en otros lugares, surgen asociados a contextos de carácter
votivo y/o ritual. Se trata de platos de borde moldurado, varios tipos de tazas y vasos
posiblemente relacionados con una función de contenedor y vertidor de líquidos, como
ungüentos y perfumes. Son formas relativamente raras en el Occidente Mediterráneo,
asociadas frecuentemente a posibles contextos de tipo ritual, que permite indicar la
hipótesis de un caracter ritual del espacio excavado, que aún habría continuado
durante este período. En el ámbtio de estos contextos rituales, no podemos dejar de
señalar la presencia, aunque descontextualizada, de algunos objetos de claro carácter
votivo, como es el caso de dos fragmentos que identificamos como pertenecientes a
askoi, aunque encuadrarlos en otra forma de funcionalidad idéntica, como es el caso de
los kernoi, también sea posible. En uno de los casos, el zoomorfo representado parece
ser un grifo.
También fuera de estas áreas descritas destacan cuatro cabezas femeninas de vidrio,
cuya adscripción a cualquier tipo de forma de momento no es posible, aunque por las
características e iconografía podemos englobarlas en este mismo ámbito cultural.
4.Considerações Finais
4. Consideraciones Finales
Todos os dados parecem conjugar-se no sentido de poder defender-se que esta área
correspondeu a um espaço cultual em ambiente urbano, em todos os momentos da
diacronia sidérica.
As estruturas rectangulares das fases III e IV, registadas no interior dos compartimentos
11 e 27, parecem corresponder a altares, e apresentam afinidades construtivas com as
que foram assim interpretadas na área do Guadalquivir, na Extremadura e em Castela.
Estes altares localizam-se no interior de edifícios de planta rectangular onde ocorrem
bancos corridos ao longo das paredes, que poderiam servir para depositar oferendas,
situação também verificada em vários santuários do Ocidente peninsular. Os pisos de
conchas identificados remetem também para um ambiente iminentemente ritual, à
semelhança do que se passa em outras áreas, como é o caso do Baixo Guadalquivir,
onde existem áreas pavimentadas com conchas no santuário de El Carambolo.
O carácter cultual do espaço continua presente na fase posterior. Com efeito, e ainda
que seja notória uma reestruturação arquitectónica da área, durante o século V, um
conjunto de evidências corrobora a nossa leitura. Em primeiro lugar, a existência de um
depósito deve destacar-se. O excelente estado de conservação dos materiais e as
características da formação desta unidade permite pensar que estamos perante um
bothros, anexo a uma área de culto. Esta pode corresponder ao compartimento 29, onde,
na área central do seu interior, foi possível reconhecer uma estrutura de combustão, a
que não parece, neste contexto, disparatado atribuir uma função religiosa. A reforçar
esta interpretação associa-se o facto de ter sido neste mesmo compartimento que foi
possível reconhecer os três enterramentos infantis já anteriormente descritos. A matriz
religiosa do espaço constituído pelo depósito e pelo compartimento 29 parece, assim,
inquestionável, atendendo ainda a que, junto ao depósito, foi encontrada uma pequena

fossa coberta por lajes de xisto, possivelmente fundacional, cujo conteúdo era
constituído exclusivamente por restos de aves.
O carácter religioso da área escavada em Castro Marim foi prolongado em épocas
posteriores. De facto, é também neste local que, durante a Época Moderna, se
constróem as duas Igrejas do Castelo.
Os modelos construtivos, concretamente a utilização dos adobes e os pisos pintados de
vermelho, para além naturalmente das plantas e do tipo de altares presentes, são de
matriz claramente oriental e a sua existência neste local reforçam o que já tinha sido
possível extrapolar através dos espólios recolhidos, ou seja que o sítio foi
profundamente marcado pela chegada ao litoral algarvio de populações oriundas da
região do Estreito de Gibraltar, integradas num movimento colonial das margens do
Atlântico.
Todos los datos indican que este área analizada se pudo corresponder con una zona de
culto en ambiente urbano, en todas fases de la ocupación de la Edad del Hierro.
Las estructuras rectangulares de las III y IV, registradas en el interior de los
compartimentos 11 y 27, parecen corresponder a altares, y presentan semejanzas
constructivas con las que fueron así interpretadas en el área del Guadalquivir, en
Extremadura y en Castilla. Los altares se localizaron en el interior de edificios de
planta rectangular donde existen bancos corridos a lo largo de las paredes que
pudieron servir para depositar las ofrendas, lo que también se ha verificado en varios
santuarios del Occidente Peninsular. Los pisos de conchas señalados también remiten a
un ambiente eminentemente ritual, a semejanza de lo que sucede en otras áreas, como
es el caso del Bajo Guadalquivir, donde existen áreas pavimentadas con conchas en el
santuario de El Carambolo.
El carácter cultual del lugar continúa presente en la fase posterior. En efecto, y aunque
es importante la reestructuración arquitectónica del área, durante el siglo V a.C., una
serie de evidencias corroboran nuestra lectura. En primer lugar, debe destacarse la
existencia de un depósito. El excelente estado de conservación de los materiales y las
características de formación de esta unidad permite pensar que estamos ante un
bothros anexo a una zona de culto. Ésta puede corresponder al compartimento 29,
donde, en la zona central de su interior, fue posible identificar una estructura de
combustión, a la que no parece, en este contexto, disparatado atribuir una función
religiosa. Reforzando esta interpretación se asocia el hecho de haber sido en este
mismo compartimento donde se reconocieron los tres enterramientos infantiles
anteriormente descritos. La función religiosa del espacio constituido por el depósito y
por el compartimento 29 parece así incuestinable, teniendo en cuenta además que,
junto al depósito, fue localizada una pequeña fosa cubierta de lajas de pizarra,
posiblemente fundacional y cuyo contenido era constituido exclusivamente por restos
de aves.
El carácter religioso del área excavada en Castro Marim fue continuado en épocas
posteriores. De hecho es también en este lugar en el que durante la época Moderna se
construyeron las dos iglesias del Castillo.
Los modelos constructivos, concretamente la utilización de adobes y los suelos pintados
de rojo, además naturalmente de las plantas y del tipo de altares presentes, son de
matriz claramente oriental y su existencia en este lugar refuerzan lo que ya había sido
posible extrapolar através de los materiales recogidos, es decir, que el sitio fue
profundamente marcado por la llegada al litoral del Algarve de poblaciones oriundas
de la región del Estrecho de Gibraltar, integradas en un movimiento colonial en ambas
áreas del Atlántico.

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