You are on page 1of 258

RELATÓRIO DE QUALIDADE AMBIENTAL

M E I O A M B I E N T E P A U L I S TA
RelatóRio

de

Qualidade ambiental 2011

M E I O A M B I E N T E PAU L I S TA

SECRETARIA DO
MEIO AMBIENTE

2011

ISBN 978-85-86624-91-9

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
S E C R E TA R I A D O M E I O A M B I E N T E

35656001 capa ok.indd 1

5/4/11 3:49 PM

Governo do estado de são Paulo
Geraldo Alckmin
Governador

secretaria do Meio aMbiente
Bruno Covas
Secretário

coordenadoria de Planejamento ambiental
Nerea Massini
Coordenadora

35656001 miolo.indd 1

15/4/2011 15:13:34

Ficha catalográfica – preparada pela
Biblioteca - Centro de Referências de Educação Ambiental

S24m São Paulo (Estado). Secretaria do Meio Ambiente / Coordenadoria de
Planejamento Ambiental. Meio Ambiente Paulista: Relatório de Qualidade
Ambiental 2011. Organização: Fabiano Eduardo Lagazzi Figueiredo. São
Paulo: SMA/CPLA, 2011.
256p. ; 21 x 29,7 cm.

35656001 miolo.indd 2

Vários autores.
Bibliografia.
ISBN – 978-85-86624-91-9

1 . Meio ambiente paulista 2. Qualidade ambiental – São Paulo (Est.) I. Título
II. Figueiredo, Fabiano Eduardo Lagazzi.

15/4/2011 15:13:34

Meio aMbiente Paulista
relatório de Qualidade ambiental 2011

organizador
Fabiano Eduardo Lagazzi Figueiredo

São Paulo, 2011
1ª edição

Governo do estado de são Paulo
secretaria do Meio aMbiente
coordenadoria de Planejamento ambiental

Instituto de Botânica

35656001 miolo.indd 3

INSTITUTO
FLORESTAL

15/4/2011 15:13:35

35656001 miolo.indd 4

15/4/2011 15:13:35

Governo do estado de são Paulo Geraldo Alckmin Governador secretaria do Meio ambiente Bruno Covas Secretário coordenadoria de Planejamento ambiental Nerea Massini Coordenadora departamento de informações ambientais Arlete Tieko Ohata Diretora centro de diagnósticos ambientais Fabiano Eduardo Lagazzi Figueiredo Diretor equipe técnica Aline Bernardes Candido – SMA/CPLA Denis Delgado Santos – SMA/CPLA Edgar Cesar de Barros – SMA/CPLA Eloisa Marina Gimenez Torres – SMA/CPLA Fabiano Eduardo Lagazzi Figueiredo – SMA/CPLA Fernando Augusto Palomino – SMA/CPLA Fredmar Corrêa – SMA/CPLA Gabriela Antoniol (Estagiária) – SMA/CPLA Heitor da Rocha Nunes de Castro – SMA/CPLA Marcio da Silva Queiroz – SMA/CPLA Nádia Gilma Beserra de Lima – SMA/CPLA Paulo Eduardo Alves Camargo-Cruz – SMA/CPLA Antonio Carlos Moretti Guedes – SMA/IG Claudio José Ferreira – SMA/IG Mara Akie Iritani – SMA/IG Maria José Brollo – SMA/IG Sonia Aparecida Abissi Nogueira – SMA/IG 35656001 miolo.indd 5 15/4/2011 15:13:35 .

35656001 miolo.indd 6 15/4/2011 15:13:35 .

Martins Marilda de Souza Soares Marta Conde Lamparelli Marta Pereira Militão da Silva Neide Araújo Nelson Menegon Jr.colaboradores Alfred Szwarc Ana Cristina Pasini da Costa Bernadette Cunha Waldvogel Boris Alexandre Cesar Carlos Eduardo Beato Carlos Eduardo Komatsu Carlos Eugenio de Carvalho Ferreira Carlos Ibsen Vianna Lacava Carmen Lúcia V. B. impressão e acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo 35656001 miolo.indd 7 15/4/2011 15:13:35 . Midaglia Claudia Conde Lamparelli Diego Vernille da Silva Eduardo Pires Castanho Filho Helena de Queiroz Carrascosa Von Glehn Hylder Barbosa Jean Paul Metzger João Luiz Potenza Luciana Martins Fedeli Britzki Marcello de Souza Minelli Marco Nalon Maria Helena R. Coelho Orelha da 1ª capa: Foto superior – Fausto Pires de Campos Foto inferior – Clayton Ferreira Lino Orelha da 4ª capa: Foto superior – Acervo do Instituto Florestal Foto inferior – Pedro Bernardo editoração eletrônica Teresa Lucinda Ferreira de Andrade ctP. Oswaldo Lucon Paulo Magalhães Bressan Priscila Costa Carvalho Renata Inês Ramos Ricardo Vedovello Richard Hiroshi Ouno Rodrigo Antonio Braga Moraes Victor Rosa Maria Mancini Rosângela Pacini Modesto Sinésio Pires Ferreira Thais Michelle Oliveira Tiago de Carvalho Franca Rocha Uladyr Ormindo Nayne Vanessa Gontijo de Oliveira Vera Lúcia Bononi Wanda Maldonado Projeto Gráfico Griphos Comunicação & Design capa Vera Severo Fotos da capa Capa: Foto superior – Vera Severo Foto inferior – Antonio Augusto da Costa Faria 4ª Capa: Maria do Rosário F.

35656001 miolo.indd 8 15/4/2011 15:13:35 .

com equidade social e preservação da qualidade ambiental. Bruno Covas Secretário Secretaria do Meio Ambiente 35656001 miolo. necessariamente. As linhas de atuação desta Secretaria são fortemente pautadas pelo respeito às condições socioambientais do território e passam. A conscientização da sociedade e a importância que a agenda ambiental assumiu no Brasil e no mundo. fruto do trabalho de seus técnicos em formular um documento sintetizador.indd 9 15/4/2011 15:13:35 . que reflita as ações desta Secretaria visando compatibilizar as exigências de um desenvolvimento econômico. pelo conhecimento do status ambiental do Estado. indicando os caminhos possíveis para a melhora da qualidade ambiental como um todo. tornam imprescindível a existência de um documento que balize a tomada de decisões. a Secretaria Estadual do Meio Ambiente apresenta o seu Relatório de Qualidade Ambiental 2011. caminhando juntos em busca da melhor qualidade de vida para o nosso Estado. ética e eficiente em suas ações.apresentação do secretário Buscando trazer à sociedade a situação do meio ambiente no Estado de São Paulo. O Relatório de Qualidade Ambiental tem aqui a sua função na sociedade paulista: a de prestar contas – através da apresentação de informações – e assegurar que a gestão ambiental paulista seja transparente. neste século XXI. permitindo o espaço às manifestações diversas e ao diálogo aberto com a sociedade.

indd 10 15/4/2011 15:13:35 .35656001 miolo.

demonstrado através dos dados. como recursos hídricos. solo. saneamento ambiental. particularmente no momento em que o meio ambiente tem um crescente relevo nas decisões sobre o desenvolvimento paulista. obtidas de diversos órgãos da administração pública. é o objetivo e sentido deste Relatório de Qualidade Ambiental. biodiversidade. possibilitando a revisão das linhas de ação em busca de maior eficiência do poder público na área ambiental. O Relatório de Qualidade Ambiental proporciona aos gestores públicos estaduais e municipais uma fonte de informações que auxilia diretamente nas decisões concernentes ao meio ambiente. Estas informações são complementadas por textos analíticos que permitem a construção de um cenário mais amplo. concentrados nos principais temas em que o ambiente paulista pode ser decomposto.indd 11 15/4/2011 15:13:35 . Oferecer à sociedade paulista um instrumento que possibilite a inserção da sustentabilidade ambiental como primordial nas discussões sobre o desenvolvimento no Estado de São Paulo. Nerea Massini Coordenadora Coordenadoria de Planejamento Ambiental Secretaria do Meio Ambiente 35656001 miolo. posicionamento e alerta. qualificando e harmonizando o processo decisório com a política ambiental paulista. ar. As informações contidas no Relatório.apresentação da coordenadora O Relatório de Qualidade Ambiental 2011 traz um panorama do meio ambiente do Estado de São Paulo. É fundamental que este documento cumpra o seu papel de orientação. retratam o estado em que o meio ambiente paulista se encontra e suas imbricações com os setores produtivos (agrícolas/ industriais). recursos pesqueiros. índices e indicadores que compõe o documento. mudanças climáticas e saúde ambiental. econômicos e com a saúde humana.

indd 12 15/4/2011 15:13:35 .35656001 miolo.

biodiversidade. O RQA completa-se ainda com um banco de dados que inclui extenso conjunto de variáveis e indicadores econômicos. sociais. 35656001 miolo. No Capítulo 4 são encontrados os textos analíticos. ar. mudanças climáticas e saúde ambiental. recursos pesqueiros. Após uma breve introdução (Capítulo 1).ambiente. com isso. o conceito de oferecer informações em múltiplos níveis para usuários e leitores com necessidades. econômicas e de ocupação do território. sociais e ambientais. disponibilidade e interesses diferenciados. No Capítulo 3 são compiladas informações referentes aos temas em que o status ambiental do Estado pode ser decomposto. 3 e 4) e por um banco de dados.gov. A estrutura do relatório reflete este conceito. saneamento ambiental. Segue-se. sp. apresentando dados que apontam as principais dinâmicas demográficas.br/cpla). que está disponível no site da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (www. apresentando-se descrições sumárias (diagnósticos) sobre a situação corrente e tendências futuras dos recursos hídricos.abordagem básica O Relatório de Qualidade Ambiental do Estado de São Paulo 2011 (RQA) é composto por três partes principais (Capítulos 2. solo. o Capítulo 2 traz uma descrição do Estado de São Paulo e das Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI) em que o mesmo se subdivide.indd 13 15/4/2011 15:13:35 . Trata-se de reflexões acerca de temas estratégicos que buscam compreender as relações entre desenvolvimento e meio ambiente no Estado de São Paulo.

Coordenadoria de Planejamento Ambiental CRHi .Conselho Nacional do Meio Ambiente CONDEPHAAT .Efetividade de Manejo de Áreas Protegidas EMBRAPA .Conferência Estadual de Saúde Ambiental CETESB .Área Reabilitada BEESP .Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais CLT .Centro de Previsão do Tempo e Estudos do Clima CPLA .Demanda Bioquímica de Oxigênio DNPM .Balanço Energético do Estado de São Paulo BINEV .Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNSA .Departamento Nacional de Produção Mineral EMAP .Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento CONAMA .Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas GCM .Consolidação das Leis do Trabalho CNPq .Conferência Nacional de Saúde Ambiental CNUMAD .Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo DBO .Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo FIPE .Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano CEDEC .Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico.Estado de São Paulo ETE .Área de Preservação Permanente AR .Avaliação Ecossistêmica do Milênio AI .Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo FAU .Faculdade de Arquitetura e Urbanismo FF .Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMPLASA .Associação Brasileira de Normas e Técnicas AC .siglas ABNT . Artístico e Turístico do Estado de São Paulo COP .Coordenadoria Estadual de Defesa Civil CESA .Companhia Ambiental do Estado de São Paulo CFEM .Gás de Efeito estufa 35656001 miolo.Modelos Globais Atmosféricos GEE .Estação de Tratamento de Esgoto FAPESP .Bolsa Internacional de Negócios da Economia Verde CBRN .Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano ESP .Convenção sobre a Diversidade Biológica CDHU .Área de Proteção Ambiental APP .Coordenadoria de Recursos Hídricos DAEE .indd 14 15/4/2011 15:13:35 .Área Contaminada sob Investigação AMR .Modelos Globais Acoplados Oceano-Atmosfera APA .Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica CPTEC .Área em processo de Monitoramento para Reabilitação AOGCM .Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais CDB .Área Contaminada AEM .

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBot .Instituto de Economia Agrícola IET .Modelo Climático Regional MMA .Política Estadual de Mudanças Climáticas PERH .Índice de Gestão dos Resíduos Sólidos IHME .Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICTEM .Institute for Health Metrics and Evaluation INPE .Ministério das Cidades MCR .Índice de Qualidade de Aterro de Resíduos IUCN .indd 15 15/4/2011 15:13:35 .Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPVS .Índice de Estado Trófico IF .Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPRS .Produto Interno Bruto 35656001 miolo.Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global MCidades .Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima IPEA .Plano Estadual de Recursos Hídricos PIB .União Internacional para a Conservação da Natureza IVA .Índice de Qualidade de Água para fins de Abastecimento Público IB .Novo Fundo Social OMM .Instituto de Botânica ICCA .Índice Paulista de Vulnerabilidade Social IQA .Índice Paulista de Responsabilidade Social IPT .Levantamento Censitário de Unidades de Produção Agrícola do Estado de São Paulo MBSCG .Indicador de Coleta e Tratabilidade de Esgoto do Município IDH .Ministério da Pesca e Aquicultura MS .Índice de Desenvolvimento Humano IEA .Índice de Atendimento de Água IAP .Ministério do Meio Ambiente MPA .IAA .Ministério da Saúde NFS .Índice de Qualidade de Usinas de Compostagem IQG .Projeto Ambiental Estratégico PCJ .Piracicaba/Capivari/Jundiaí PEMC .Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais IPAS .Instituto Florestal IG .Associação Internacional de Congressos e Convenções ICMS .Organização Meteorológica Mundial ONU .Organização das Nações Unidas PAE .Índice de Balneabilidade IBAMA .Índice de Qualidade de Água IQC .Instituto Geológico IGR .Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis IBGE .Indicador de Potabilidade das Águas Subterrâneas IPCC .Índice de Qualidade de Gestão de Resíduos Sólidos IQR .Índice de Qualidade de Água para proteção da Vida Aquática LUPA .

Relação Anual de Informações Sociais RL .Universidade Estadual Paulista UNICA .Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental TDSC .Unidade Hidrográfica de Gerenciamento de Recursos Hídricos UNESCO .Sistema de Informações da Qualidade do Ar RAIS .Padrão de Qualidade do Ar PRA .Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio SEADE .Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados SELT .Universidade Estadual de Campinas UPA .Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares PROZONESP .Unidade de Conservação UGRHI .Reserva Legal RMBS .United Nations Educational.Região Metropolitana de São Paulo RQA .Taxa de Mortalidade Infantil UC .Plano Preventivo de Defesa Civil PQAr .Programa Estadual de Prevenção a Destruição da Camada de Ozônio QUALAR .Universidade de São Paulo ZEE .Região Metropolitana da Baixada Santista RMC .PMS .Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo SNIS .Sistema Único de Saúde TCRA .Plano Municipal de Saneamento PNUMA .Relatório de Qualidade Ambiental RSD .União da Indústria da Cana-de-Açúcar UNICAMP .Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores PROMOT .Programa de Recuperação Ambiental PROCLIMA .Secretaria de Esporte. Scientific and Cultural Organization (Organização das Nações Unidas para a Educação.Sistema de Informações Hospitalares SMA .Zoneamento Ecológico Econômico 35656001 miolo.Sistema Nacional de Unidades de Conservação SRES .Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SDO .Unidade de Produção Agrícola USP .Região Metropolitana de Campinas RMSP .Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento SNUC .indd 16 15/4/2011 15:13:35 .Setor de Clima e Energia TMI .Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PPDC . Ciência e Cultura) UNESP .Substâncias Tóxicas SUS .Resíduos Sólidos Domiciliares SABESP .Programa Estadual de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo PROCONVE .Special Report on Emissions Scenarios ST . Lazer e Turismo do Estado de São Paulo SIH .

.................................................................................................................................................................................................... bioenergia e biotecnologia ............................. 170 3.................2 Caracterização das Dinâmicas Territoriais ...........1 Recursos Hídricos .... 123 3.1 O fortalecimento da segurança alimentar e ambiental no Estado de São Paulo na concepção do novo Código Florestal brasileiro .......... 107 3..............................5 Transição demográfica e envelhecimento populacional no Estado de São Paulo ..65 3..........................................44 3...............1 Caracterização das Bacias Hidrográficas ............................10 2..........indd 17 4/25/11 2:04 PM .......... 195 4...5 Biodiversidade...............sumário 1.......5 2.....................................63 3.........7 Mudanças Climáticas ........... DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO ......................................................................................144 3.................... VISÕES AMBIENTAIS ..................3 Desafios para São Paulo: biodiversidade................................................................ 101 3...................................................................................... 163 3...............................................................................................1 2..................206 4..........................................................................................6 Ar ........................................4 Solo .... INTRODUÇÃO ..224 4........................... CARACTERIZAÇÃO E DIVISÃO GEOGRÁFICA DO ESTADO DE SÃO PAULO ....................................229 35656001 miolo............................ 181 4...............................8 Saúde e Meio Ambiente....................................................................................216 4..................................4 A Alcoolquímica no cenário futuro da cana-de-açúcar....................................................2 Recursos Pesqueiros ....................................2 O Código Florestal tem Base Científica?...............................................................................................................................3 Saneamento Ambiental .................................................................................198 4.......................................................................

35656001 miolo.indd 18 15/4/2011 15:13:35 .

1 introdução 35656001 miolo.indd 1 15/4/2011 15:13:35 .

2 35656001 miolo.indd 2 15/4/2011 15:13:35 .

Nesse sentido. A despeito dos enormes desafios. desta forma. fazem do Estado de São Paulo o líder nacional e uma impor tante figura no cenário internacional. A metodologia utilizada se baseia também. A sociedade sabe o que significa e adere. É por isso que esta transição envolve também a maneira como Governo. O ponto de partida desta transição reside na pergunta formulada. interrompendo o processo de devastação da biodiversidade e diminuindo o uso da matéria e da energia necessários aos processos produtivos. ao preceito de que é necessário crescer e criar empregos. pela Avaliação do Milênio (UNEP. é menor a clareza sobre como fazê-lo de maneira sustentável.Num grande número de países atribui-se importância crescente para um processo de transição para o desenvolvimento sustentável. no Brasil e no Estado de São Paulo. no processo de transição para uma economia voltada ao uso sustentável dos recursos de que depende. a partir daí. mas também do setor privado e da sociedade civil. a inserção de suas atividades econômicas no contexto global e as medidas necessárias para intensificar a transição para o desenvol vimento sustentável. 3 35656001 miolo. no que preconiza uma das principais vertentes voltadas ao estudo do tema: a Avaliação Ecossistêmica do Milênio. onde os relatórios ambientais têm uma ambição claramente analítica. o maior objetivo do desenvolvimento sustentável consiste em promover o que diversos relatórios produzidos na Europa. cujo ritmo e cuja intensidade. Este conteúdo analítico visa apontar para relações causais que permitam compreender as razões da degradação ambiental. o esgotamento das fontes de água para abastecimento da população metropolitana.indd 3 15/4/2011 15:13:35 . com apoio das Nações Unidas. a concentração demográfica em áreas de risco. a instalação de novas fábricas ou plantações. a erosão em terras agrícolas ou a tão pequena parcela remanescente (e ameaçada) de Mata Atlântica. chamam hoje de desligamento ou descasamento entre produção e uso de recursos: crescer reduzindo a pressão sobre os recursos materiais dos quais dependem as sociedades humanas (VAN DER VOET. o engenho de seu empre sariado e o amadurecimento de suas instituições. contribuindo. No entanto. que insiste na constatação de que as sociedades humanas vivem hoje além de seus meios e que a capacidade de seus ecos sistemas garantirem a reprodução e o desenvolvimento humano está seriamente ameaçada. por exemplo. O protocolo que antecipou o fim das queimadas na colheita de cana-de-açúcar. Este processo não depende apenas do Governo. em geral sem hesitar. melhorar as políticas públicas que contribuem para o desenvolvimento sustentável. o método utilizado aqui vai na mesma direção com o que vem sendo feito na União Européia e no Japão. compreender os processos que explicam a maneira como se estabelece a relação entre sociedade e natureza e. Além disso. para o tão necessário processo de transição em direção ao desenvolvimento sustentável. desde 2010. encontram-se aquém da urgência que as evidências científicas não cessam de trazer à tona. a poluição hídrica. Os textos que compõem o atual RQA procuram fazer esta constatação. Sob a perspectiva econômica. desde o início desta década. compreender suas causas. 2003): qual o estado atual e as tendências referentes aos ecossistemas e como se associam ao bem estar humano? A resposta para o Estado de São Paulo inspira preocupação quando se leva em conta a qualidade do ar. procurando. a maneira como atualmente a sociedade paulista se organiza para enfrentar os problemas daí decorrentes. o surgimento de organizações públicas. Essa inovação metodológica na elaboração do RQA paulista se traduz na incorporação na apresentação dos textos analíticos. um programa de pesquisas lançado no início da década. tomou a decisão de modificar o conteúdo de seu Relatório de Qualidade Ambiental (RQA). mais do que expor informações sobre o estado do meio ambiente paulista. o Estado de São Paulo. reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. no Japão e nos Estados Unidos. a recuperação de 400 mil hectares em matas ciliares e o compromisso do Estado com a produção florestal sus tentável na Amazônia são exemplos expressivos desta transição. que compõe o Capítulo 4 deste documento. Acelerar a transição para o desenvolvimento sustentável é muito mais difícil que estimular a construção de estradas. a força da sociedade civil paulista. entre outros fatores. sociedade civil e setor privado se relacionam com as informações socioambientais. 2005). privadas e associativas voltadas à preservação e ao uso sustentável da biodiversidade.

sociais. No Capítulo 3 são compiladas informações referentes aos temas em que o status ambiental do Estado pode ser decomposto. disponibilidade e interesses diferenciados. agrupando as informações por Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos – UGRHI. Em seguida (Capítulo 3 – Diagnóstico Ambiental do ESP). O Capítulo 2 apresenta uma caracterização do Estado de São Paulo e das Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI) em que o Estado se subdivide.al.br/cpla).É importante ressaltar que a estrutura do RQA segue o conceito de oferecer informações em múltiplos níveis para usuários e leitores com necessidades. que está disponível no site da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (www. recursos pesqueiros. Os capítulos do relatório refletem este conceito. 3. o RQA completa-se com um banco de dados que inclui extenso conjunto de variáveis e indicadores econômicos. saneamento ambiental. 2003. sociais e ambientais. Primeiramente (Capítulo 2 – Caracterização e Divisão Geográfica do ESP) é dado um foco geográfico. Policy Review on Decoupling: Development of indicators to assess decoupling of economic development and environmental pressure in the EU-25 and AC-3 countries. É preciso assinalar que este trabalho não tem a ambição de produzir informações primárias originais. Os textos analíticos não pretendem “esgotar” os temas em que se inserem. Washington: Island Press. 4 35656001 miolo. as políticas (para o setor público. A Framework for Assessment. Os textos são estruturados em torno de informações coletadas junto a órgãos oficiais e de trabalhos produzidos pela comunidade científica de São Paulo (formada por Universidades. Ecosystems and Human Well-being.sp. Não se trata de um levantamento de todos os problemas ambientais. No Capítulo 4 podem ser encontrados os textos analíticos. Ester. os trunfos que permitem sua reversão e. 2. apresentando dados que apontam as principais dinâmicas demográficas. Trata-se de reflexões acerca de temas estratégicos que buscam apre ender as relações entre desenvolvimento e meio ambiente no Estado de São Paulo. et. DG Environment.indd 4 15/4/2011 15:13:35 . Os textos descritivos (Capítulos 2 e 3 do RQA) se subdividem em dois conjuntos.ambiente. no setor privado). em menor proporção. Conforme já observado. tanto quanto possível. ONGs e. Três observações iniciais são necessárias: 1. econômicas e de ocupação do território. Institutos de Pesquisa. privado e associativo) necessárias para fortalecer estes trunfos. apresentando-se descrições sumárias (diagnósticos) sobre a situação corrente e tendências futuras dos recursos hídricos. ar. solo. VAN DER VOET. mas de uma seleção passível de ser abordada nos limites de textos que procuram compreender as razões que provocam a degradação ambiental. mudanças climáticas e saúde ambiental. 2005. as informações são apresentadas por temas. nem tampouco oferecer visão completa ou definitiva sobre o estado em que se encontra a relação entre a sociedade paulista e os ecossistemas em que ela se apóia. biodiversidade.gov. Leiden: European Commission. referências UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME – UNEP.

indd 5 15/4/2011 15:13:36 .2 caracterização e divisão Geográfica do estado de são Paulo 5 35656001 miolo.

6 35656001 miolo.indd 6 15/4/2011 15:13:36 .

Sua importância é atestada através da consistência de indicadores que refletem tanto a grandeza de sua indústria. elaborado por SMA/CPLA (2010) Composto por 645 municípios e abrangendo uma área de 248.160 habitantes. com 41.Localizado na região Sudeste do Brasil (Figura 2. de suas atividades ligadas ao agronegócio e ao setor financeiro. de seu comércio internacional e de sua população. 21. somada em pouco mais de R$ 3 trilhões para o ano de 2008 (SEADE.6% do total de 190.indd 7 15/4/2011 15:13:37 . o que corresponde a apenas 2. 2010). o Estado de São Paulo é o ente federativo de maior peso econômico no País. para apoiar. fazer confiável e perpetuar o seu modelo de desen volvimento.9% do território nacional. O Estado também possui a maior população entre as unidades federativas.732. 1 reGiões e estados constitutivos do brasil Fonte: IBGE. quanto à capacidade de suas instituições de Pesquisa & Desenvolvimento promoverem avanços importantes em ciência e tecnologia.252. com um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 1 trilhão. perfazendo 33% de toda a riqueza produzida no país. FiGura 2.1).209 km2. São Paulo apresenta a maior economia do país. 2010a e IPEA. qualificar.694 habitantes contabilizados 7 35656001 miolo.

foram discutidas e aprovadas pelo Conselho 8 35656001 miolo. o maior aeroporto de cargas (Viracopos).5% do território (IF. além da capital. existem algumas cidades do interior do Estado. Estão estrategicamente situadas em locais dotados de boa infra-estrutura de transportes e de tecnologia.663/91). Santos e a capital São Paulo (SELT/FIPE. através de sua Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei Estadual nº 7. O tamanho da maior metrópole do país é similar ao da cidade norte-americana de Nova York e está entre as cinco maiores conurbações do mundo. adotou as bacias hidrográficas como unidades de gestão e planejamento. com o objetivo de propor formas de gestão descentralizada.3% do País. juntamente com as regiões do Vale do Paraíba. além de produzir cerca de 80% do PIB estadual e 27% do nacional. Com relação a sua biodiversidade. população de aproximadamente 20 milhões habitantes. contando com uma população de 11. como: Ribeirão Preto. Essa conformação é denominada Macrometrópole Paulista.7 milhão de habitantes. Pastagens para o gado. Vale também destacar o Estado de São Paulo como sendo um dos principais destinos turísticos do Brasil. Territorialmente. foram tomando conta dos espaços deixados pelos ecossistemas originais. A cidade de São Paulo. dentro de seus limites. Araçatuba.8 milhões e 1. Com um PIB maior que o da Argentina. é o estado que mais emite e mais recebe turistas no país. reflorestamento de espécies comerciais. o Estado de São Paulo se torna um ator de peso nos cenários nacional e internacional. o Estado de São Paulo. cinco estão em São Paulo: Praia Grande. Já a Região Metropolitana de São Paulo que. À época do descobri mento. Ubatuba. Apesar da envergadura desta macrometrópole. paisagística e de atrativos. Bauru. formada por 102 municípios. Barretos. a Universidade Estadual Paulista (UNESP). o maior porto (Santos) e parte das melhores rodo vias e infra-estrutura instalada. é composta por mais 38 municípios. Dos 30 destinos turísticos brasileiros mais visitados. Marília. capital homônima do Estado. de acordo com dados do Censo 2010. é a maior cidade do país e do Hemisfério Sul. se consolidando como importantes pólos regionais. 2010a). São cidades de porte grande ou médio espalhadas por todo o território paulista. Caraguatatuba. Araraquara. 2008). que estão entre as que mais crescem. além de inúmeras empresas e indústrias de grande importância nacional. O Estado de São Paulo conta ainda com as regiões metropolitanas de Campinas e da Baixada Santista. de Sorocaba e de Piracicaba. que possuem população estimada de 2. a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). 2010a). o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).indd 8 15/4/2011 15:13:37 . os biomas originais encontrados em território paulista são a Mata Atlântica e o Cerrado. uma população equivalente à da Espanha e ocupando uma área quase igual à do Reino Unido. Presidente Prudente. Tais comparações. Esta macrometrópole. possui. o que possibilita o desenvolvimento e a conexão das mesmas com outras regiões do Brasil. segundo a Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (EMPLASA. 2010).no Brasil. Com imensa di versidade cultural. fizeram com que esta região crescesse de forma vertiginosa nas últimas décadas. mostram a importância de São Paulo nos mais diversos âmbitos. com o restante sendo ocupado prin cipalmente pelo Cerrado e pelos campos naturais. indústrias e serviços que possui os maiores aeroportos de passageiros do país (Guarulhos e Congonhas). extensas áreas de cana-de-açúcar e áreas urbanizadas. res pectivamente (IBGE. São José do Rio Preto. universidades e institutos de pesquisa renomados como a Universidade de São Paulo (USP).2 milhões de habitantes. culturas agrícolas. 2008). Também estão localizadas na região. detém 11% do território do Estado e 0. um aglo merado de pessoas. A proximidade geográfica e os laços sociais e econômicos entre as três regiões metropolitanas e suas adjacên cias. entre outras. São Carlos. Dessa forma. apesar de generalistas. Abriga 70% da população paulista e 15% da brasileira. realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE. cujos remanescentes atualmente cobrem 17. a Mata Atlântica recobria aproximadamente 81% da área do Estado. situadas fora da mesma.

FiGura 2. que dispõe sobre o Plano Estadual de Recursos Hídricos. 9 35656001 miolo.2 que segue mostra a divisão hidrográfica do Estado. que tende a se espraiar para partes do interior que atualmente se encontram em processo de industrialização. O oeste paulista é predominantemente ligado a atividades do setor primário. 05. que integram a atual divisão hidrográfica do Estado. 22 Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI). A Figura 2.indd 9 15/4/2011 15:13:38 . 2 unidades de GerenciaMento de recursos Hídricos do estado de são Paulo e suas vocações econôMicas Fonte: São Paulo (2005).034/94. 07 e 02) têm perfil industrial. Mais adiante se abordará com maior detalhe as características gerais dessas UGRHI. pelo fato de possuírem significativos remanescentes de vegetação nativa.Estadual de Recursos Hídricos.663/91) e. em geral. 10. são formadas por partes de bacias hidrográficas ou por um conjunto delas. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota-se que as regiões mais urbanizadas (UGRHI 06. conforme definido na Lei Estadual nº 9. enquanto o sul do Estado. caracterizando as UGRHI quanto a sua vocação econômica. As UGRHI constituem unidades territoriais “com dimensões e características que permitam e justifiquem o gerenciamento descentralizado dos recursos hídricos” (artigo 20 da Lei Estadual n° 7. a Serra da Mantiqueira e o Litoral Norte têm vocação para a conservação.

2. As regiões hidrográficas nada mais são que as principais vertentes hidrográficas do Estado. Vale ainda destacar que são esses rios estruturantes que dão nomes às regiões hidrográficas. bem como apresentando algumas características gerais. delimitadas naturalmente pelos divisores de água e constituídas por seus rios estruturantes e tributários.1 caracterização das bacias Hidrográficas 2. 2005).1 regiões Hidrográficas O Estado de São Paulo possui em seu território sete bacias hidrográficas. Essas bacias são também comumente chamadas de regiões hidrográficas.3 mostra as regiões/bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. sendo. indicando quais UGRHI compõe as mesmas. FiGura 2. A Figura 2. elaborado por SMA/CPLA (2010) As tabelas que seguem apresentam um detalhamento das regiões hidrográficas do Estado. 3 reGiões HidroGráFicas do estado de são Paulo Fonte: São Paulo (2005).1. em virtude da importância que os mesmos têm para a formação das bacias. 10 35656001 miolo. que as 22 Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI) do Estado se inserem.indd 10 15/4/2011 15:13:39 . nestas sete regiões. definidas e delimitadas pelo Plano Estadual de Recursos Hídricos 2004 – 2007 (SÃO PAULO.

866.965 811.068 56.816 total Fonte: São Paulo (2005) e IBGE (2010a). elaborado por SMA/CPLA (2010) tabela 2.925 1.004 1.934 16 – Tietê/Batalha 13. 1 reGião HidroGráFica da vertente Paulista do rio ParanaPaneMa uGrHi área (Km2) População 2010 14 – Alto Paranapanema 22.335 total Fonte: São Paulo (2005) e IBGE (2010a).831 13 – Tietê/Jacaré 11.783 224. elaborado por SMA/CPLA (2010) tabela 2.783 224.234. 3 bacia HidroGráFica do rio tietê uGrHi área (km2) População 2010 05 – Piracicaba/Capivari/Jundiaí 14. 2 reGião HidroGráFica aGuaPeí/Peixe uGrHi área (Km2) População 2010 20 – Aguapeí 13.769 447.334 total Fonte: São Paulo (2005) e IBGE (2010a).845.149 512.510.779 1.749 666.182 06 – Alto Tietê 5.108. elaborado por SMA/CPLA (2010) tabela 2.802 04 – Pardo 8.740 51.196 363.716 09 – Mogi–Guaçu 15.868 19.993 1.153 Fonte: São Paulo (2005) e IBGE (2010a).829 1.830 23.861. 4 reGião HidroGráFica de são José dos dourados uGrHi 18 – São José dos Dourados total área (km2) População 2010 6.961 4. elaborado por SMA/CPLA (2010) 11 35656001 miolo.155 17 – Médio Paranapanema 16.480.689 722.472 08 – Sapucaí/Grande 9.077 15 – Turvo/Grande 15. 5 reGião HidroGráFica da vertente Paulista do rio Grande uGrHi 01 – Mantiqueira área (km2) População 2010 675 64. elaborado por SMA/CPLA (2010) tabela 2.200 12 – Baixo Pardo/Grande 7.594 10 – Sorocaba/Médio Tietê 11.tabela 2.450.986 21 – Peixe 10.594 72.185.833 1.082.395 478.391 29.199 19 – Baixo Tietê 15.178 5.indd 11 15/4/2011 15:13:39 .588 753.239 333.125 670.153 6.039 22 – Pontal do Paranapanema 12.934 total Fonte: São Paulo (2005) e IBGE (2010a).

992.778 07 – Baixada Santista 2. com 675 km2. o município é considerado pertencente à UGRHI em que sua sede municipal se situa. apenas três (Figura 2.indd 12 15/4/2011 15:13:39 . uma população de aproximadamente de 65 mil habitantes. aproximadamente 0.834 2. Estima-se que em 2020 sua população alcance 77 mil habitantes (SEADE.992. segundo dados do IBGE (2010a). e apre senta o menor contingente populacional dentre todas as bacias paulistas. como de conservação.120 total Fonte: São Paulo (2005) e IBGE (2010a). quanto à sua vocação. que contabilizou.468 14. a região abrange duas das mais importantes UGRHI do Estado: a do Alto Tietê e a do Piracicaba/Capivari/Jundiaí. Vale ressaltar que um determinado município pode compor mais de uma UGRHI. A seguir são apresentadas algumas características gerais das 22 UGRHI do Estado. o Estado de São Paulo se subdivide em 22 Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI). a da Mantiqueira é a de menor espaço territorial.tabela 2. 2010b). Está conformada pelo menor número de municípios.468 Fonte: São Paulo (2005) e IBGE (2010a).260 21. mas sim pelo seu divisor de águas. além do grande número de universidades e estabelecimentos de serviços.082 11 – Ribeira de Iguape/Litoral Sul 17.1.2 unidades de Gerenciamento de recursos Hídricos (uGrHi) Como já citado.818 1. elaborado por SMA/CPLA (2010) tabela 2.663. 7 reGião HidroGráFica da vertente litorânea uGrHi área (km2) População 2010 03 – Litoral Norte 1.948 281. 12 35656001 miolo. são marcadas pelo grande enfoque industrial de suas atividades econômicas.068 365. uGrHi 01 – Mantiqueira A UGRHI 01 – Mantiqueira está caracterizada. Quando isso ocorre. elaborado por SMA/CPLA (2010) Merece destaque a Bacia Hidrográfica do Rio Tietê. Das vinte e duas bacias hidrográficas que compõem o Estado de São Paulo.2% da população do Estado.444 1. 6 bacia do rio Paraíba do sul uGrHi 02 – Paraíba do Sul total área (km2) População 2010 14. já que esta divisão não é definida pelo limite territorial dos municípios. que além de serem as mais populosas. em 2010. Além disso. cada uma composta por diversos municípios. 2. que conta com mais de 29 milhões de habitantes (71% de toda população paulista) e ocupa quase de 30% do território estadual.4).310.444 1.

em sua maior parte. em sua boa parte. juntamente com uma visão panorâmica dos contrafortes e faldas da Serra da Mantiqueira. quartzito. 2010a). ditada pela condição de ser um dos mais importantes destinos turísticos do Estado e pela exploração. a economia da região. Campos do Jordão. embora promova o uso e a ocupação do solo rural destinando parte importante de seu território às pastagens. que caracteriza a principal atividade econômica da região. expõe extensa cobertura vegetal nativa. desenvolvidas em menor escala e voltadas.FiGura 2. Como uma região voltada à conservação. com intensidades de trabalho incapa zes de causar impactos ambientais significativos. A outra parte está ocupada. No mais. tem con sistente vida econômica. 2010). estão compostos. por parcelas menores destinadas ao reflorestamento e por vegetação natural. elaborado por SMA/CPLA (2010) Em um Estado pobre em águas de superfície. fato este que explica a sua condição de Bacia Hidrográfica com vocação para a conservação ambiental. são as de argila refratária. principalmente os de Campos do Jordão. tem como resultado uma pecuária de pouco significado. Seus sítios urbanos. é sempre importante ter-se em mente a disponibilidade hídrica de suas regiões constitutivas. com seus 48 mil habitantes (IBGE. ocorridos em virtude da densa ocupação. na maioria das vezes. Assim. para atender o mercado regional. 4 uGrHi 01 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). 13 35656001 miolo. que lhe confere. por topo­ grafia desenhada em fortes declives. A população é formada. ou 74% de toda população da bacia.indd 13 15/4/2011 15:13:40 . Outras atividades minerárias. de água mineral. um ambiente favorável ao desenvolvimento das atividades do turismo. por migrantes atraídos pelas possibilidades de trabalho propiciadas pela atividade turística e pelo conjunto de serviços associados a ela. dolomito e calcário. com não raros episódios de deslizamentos. em sua maioria. a UGRHI 01 convive com a confortável situação de seus mananciais de superfície e subterrâneos disporem juntos de 10 m³/s para cobrir uma demanda da ordem de 1 m³/s (SMA/ CRHi. em grande escala.

a demanda total gira em torno de 14 m³/s (SMA/CRHi. sua extensão territorial é de 14. 14 35656001 miolo. 5 uGrHi 02 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). 2010a). parte integrante da Macrometrópole Paulista.8 milhão de habitantes (IBGE. elaborado por SMA/CPLA (2010) Com relação ao balanço hídrico. São José dos Campos. A eles. Roseira. Jacareí. Está previsto que em 2020 a bacia apresentará uma população da ordem de 2. chegou a quase dois milhões de ha bitantes no ano de 2010. correspondendo a quase 5% do total do Estado. Caçapava. Pindamonhangaba. como pode ser visto na Figura 2. Alto Tietê.indd 14 15/4/2011 15:13:41 . 2010). juntam-se os municípios de Guararema e Santa Isabel (integrantes da Região Metropolitana de São Paulo). São 34 os seus municípios constitutivos. formado por 10 municípios (Aparecida. Guaratinguetá. Cruzeiro e Lorena. A área pólo do desenvolvimento da bacia é composta pelo Aglomerado Urbano de São José dos Campos. os números mostram uma situação muito confortável da região. 2010b). Taubaté e Tremembé). abrigam uma população de 1. a saber: para uma disponibilidade total de 93 m³/s.2 milhões de habitantes (SEADE. Potim. segundo o IBGE (2010a).5 que segue. como todas as demais bacias hidrográficas as sim consideradas (PCJ.444 km² e sua população. chama a atenção pela enorme po tencialidade que seus modelos de desenvolvimento têm de promover passivos socioambientais de toda ordem. FiGura 2. Baixada Santista e Sorocaba/Médio Tietê). Juntos. ou 90% do todo da população da bacia.uGrHi 02 – Paraíba do sul A UGRHI 02 – Paraíba do Sul está classificada como industrial e.

favorece o turismo de aventura. química. do Vale Histórico. de influência direta da Rodovia Presidente Dutra. praticado em Aparecida. Ao trabalharem para a consolidação da macrometrópole. pouco arejadas e. Caipira e Mantiqueira.948 km² e abriga quatro municípios (Figura 2.Suas indústrias aeroespacial. de celulose e papel. por conseguinte. totalizou quase 282 mil habitantes (IBGE. uGrHi 03 – litoral norte A UGRHI 03 – Litoral Norte tem por vocação explicitada a conservação. além da presença de um patrimônio histórico preservado em grande parte dos muni cípios. bem como à presença de antigas propriedades rurais. O Litoral Norte comporta 0. do Ribeira de Iguape/Litoral Sul e do Alto Paranapanema. Além disso. está prevista para chegar a 330 mil habitantes (SEADE. põem-se acompanhados por um conjunto importante de atividades de serviços.7% da população estadual. estruturam um corredor de indução da formação. observado principalmente pela alta con centração de casas de veraneio no entorno dos reservatórios. o ecoturismo e o turismo rural. Santa Branca. Cachoeira Paulista e Guaratinguetá. Ainda. à exceção da florescente silvicultura regional que a cada tempo ganha maior espa ço no todo dos sítios rurais da UGRHI. A paisagem das Serras da Mantiqueira. está direcionada a cumprir um papel importante na conservação dos ambientes naturais contínuos e conservados da Serra do Mar. 15 35656001 miolo. estão concentrados na bacia. Jaguari e Funil. Estão concentradas nas áreas conurbadas dos municípios da mencionada Aglomeração Urbana de São José dos Campos. conservadoras. que guardam a memória dos tempos áureos do ciclo do café. tipifica um Aglomerado Urbano. automobilística. 2010b). Quanto à realidade de cada um de seus municípios. que atravessa de forma ininterrupta a fachada atlântica do Estado. da ainda pouco visível. de baixo desenvolvimento tecnológico e pouco motivadas a um arranque em direção a qualquer melhor ponto futuro. são pobres. eles se equivalem e sua convivência.indd 15 15/4/2011 15:13:41 . não considerando as eventuais mudanças comportamentais de sua demografia. que irá surgir do encontro desta gigantesca metrópole paulista com a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. que favorece o turismo cultural e está entre os principais elementos da atratividade turística da região. Ainda vale destacar o turismo religioso. Juntamente com as da Baixada Santista. que se está a construir ao redor da capital do Estado. em 2020. diversos circuitos turísticos oficiais do Estado de São Paulo. que exigem uma mão-de-obra com alta especialização. pelas relações de complementaridade. Suas economias agropecuárias. o turismo. A presença do rio Paraíba do Sul. 2010a) e.6). devido aos extensos remanescentes de Mata Atlântica com potencial cênico notá vel. é uma atividade econômica que merece destaque na região. que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e que se constitui no principal eixo de desenvolvimento do uso e da ocupação do solo de todo o território da UGRHI. além de seus centros de pesquisas tecnológicas. tais como: Circuito Religioso. eletrônica e extrativista. que em 2010. Sua extensão territorial é de 1. mas bastante provável. favorece a prática de esportes náuticos. per correndo grande parte dos municípios da UGRHI e represado pelos reservatórios de Paraibuna/ Paraitinga. por força das iniciativas ligadas às atividades a serem desenvolvidas para a exploração de petróleo na camada pré-sal do Campo de Tupi. na Bacia de Santos. mecânica. pelo qual passou a região. megalópole. do Mar e da Bocaina.

Em Ubatuba. com vida noturna agitada. seja pela falta de iniciativas privadas mais consistentes nas áreas da economia que não sejam a da cadeia produtiva da construção civil. Segundo dados do IBGE (2007) a concentração de casas de veraneio. de muita capacidade e com grande perspectiva de crescimento. até recantos mais tranquilos e preservados. com características que o predispõem a se consolidar como ponto de atracação de navios de grande porte com alta capacidade de carga. com seu retroporto em expansão. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nesta UGRHI está situado o Porto de São Sebastião.indd 16 15/4/2011 15:13:42 . desde praias badaladas. Os quatro municípios do Litoral Norte são reconhecidos como estâncias balneárias. Já o Parque Estadual de Ilhabela tem natureza exuberante e atrai muitos visitantes para as suas cachoeiras e trilhas. tornam o litoral norte um lugar de incertezas econômicas. No Parque Estadual da Serra do Mar. em 2007. esta sim. por exemplo. que tem crescido muito em âmbito mundial. onde podem ser praticadas atividades de ecoturismo e turismo de aventura. com destaque para o Terminal Petrolífero Almirante Barroso. 16 35656001 miolo. toda a vida se dá num ambiente urbano caracterizado por uma voca ção de lazer de ocasião ou de segunda residência. Tais incertezas permanentemente conspiram contra a qualidade de vida da região. importante ponto de pas sagem de produtos. Com uma economia rural nada expressiva. com praias e ilhas desertas. seja porque pouco facilitam a tomada de decisão e implantação de políticas públicas que venham a melhorá-la.FiGura 2. a Mata Atlântica preservada é um valioso atrativo. A região reúne atrativos dos mais variados. da Petrobrás. além de reunir os atributos necessários para a prática de diversos esportes aquáticos. em temporadas bem definidas por um turismo de veraneio que domina a economia local e traz riscos permanentes de impactos socioambientais com proporções importantes. evidenciando a importância do turismo de segunda residência na região. Ubatuba e Caraguatatuba. 6 uGrHi 03 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). vale destacar o turismo de observação de aves. estão entre os 30 destinos mais visitados do Brasil. chegava a 47% dos domicílios particulares dos municípios da UGRHI. O comportamento sazonal de sua economia e sua condição de área de apoio ao porto.

A cidade pólo do desenvolvimento da bacia é Ribeirão Preto que. as vocações territoriais das vinte e duas bacias hidrográficas do Estado.indd 17 15/4/2011 15:13:43 . 2010a). vão-se desenhar. Nela.Esses desconfortos estão convivendo. Esse fato faz da região um local estratégico para hospedar. ou seja. 7 uGrHi 04 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). hoje. do Mogi-Guaçu. trabalha-se para fazer bem sucedido o processo de transição da vocação agropecuária para a industrial. com os possíveis avanços dos investimentos para a exploração do petróleo na camada pré-sal do Campo de Tupi.993 km². têm a função de atender uma demanda média total da ordem de 1. uGrHi 04 – Pardo A UGRHI 04 – Pardo vive o mesmo momento que as bacias hidrográficas do Sapucaí/Grande. Em boa parte.7% do total do Estado (IBGE. um esperado contingente de novos profissionais da cadeia do setor petroleiro. em definitivo. e na plataforma marinha de influência do Litoral Norte.4 m³/s (SMA/CRHi. conforme Figura 2. acompanhados de todos os serviços periféricos necessários para a sua acomodação ao novo local de moradia. Trabalha-se na região com uma segurança hídrica invejável. Para 2020. agora. 2010b). na Bacia de Santos. FiGura 2.7 a seguir.2 milhão de habitantes (SEADE. em 2010. na sua porção continental ou insular. É preciso considerar que suas áreas apropriadas à ocupação urbana têm dimensões que estão limitadas pelo mar e pela montanha. ou 55% do total da população da bacia.1 milhão de habitantes – 2. estima-se que seja algo próximo a 1. Com ele. são lindeiras a áreas de conservação de meia encosta. por aproximadamente 1. contava com 605 mil habitan tes. espalhados por 23 municípios. em 2010. do Baixo Pardo/Grande e do Tietê/Jacaré. Ocupa uma extensão de território de 8. inapropriadas à ocupação. seus 39 m³/s de disponibilidade hídrica total. 2010). e habitados. elaborado por SMA/CPLA (2010) 17 35656001 miolo.

de comércio e serviços existentes na bacia. 2009).Seu balanço hídrico apresenta uma disponibilidade hídrica total de 44 m³/s e sua demanda algo como 14 m³/s. Porém. economicamente expressivas e gerencialmente bem sucedidas. os outros três municípios de maior expressão na economia regional para os setores citados.178 km² que seu espaço territorial abarca. merece destaque o município de Ribeirão Preto. mesmo quando somadas. o PCJ comporta pouco mais de 12% da população paulista. Ribeirão Preto destaca-se com a realização de turismo de negócios e eventos. especialmente ligados ao setor sucroenergético. o que explica o esforço de concentrar nas culturas da cana a maior parte da produção agrícola. o Caminho da Fé. foi criado em 2003 para servir de apoio às pessoas que peregrinam ao Santuário de Nossa Senhora de Aparecida. uma população da ordem de 5. Em 2020. com maior capacidade de geração de riquezas. tem sua vocação definida como industrial. seguidos de Mococa. E essas mudanças se fazem ainda mais presentes quando se sabe que a Aglomeração Urbana de Ribeirão Preto já ostenta a condição de abrigar iniciativas importantes. por seus 57 municípios (Figura 2. Com relação ao segundo e ao terceiro setor.8). o PCJ. uGrHi 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí A UGRHI 05 – Piracicaba/Capivari/Jundiaí. são esperados 5. religioso e ecoturismo. 2010). 2010b). Verifica-se ainda na região. O setor primário de sua economia tem na cana-de-açúcar seu ponto forte. 39% do território da bacia hidrográfica. fazendo da UGRHI 04.1 mi lhões de habitantes (IBGE. Este quadro de situação revela. Essa mudança de perfil é importante para que se possa caracterizar os impactos ambientais que venham a ocorrer de agora em diante. o que já começa a tipificar uma situação de atenção quanto aos recursos. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA. tais como os das indústrias de instrumentação médico-hospitalar e odontológicos. característica esta que não se observa na maior parte das demais UGRHI. As grandes fazendas de café que foram prósperas no final do século XIX e início do século XX são atrativos de grande valor arquitetônico. como já citado anteriormente. No segmento do turismo religioso.indd 18 15/4/2011 15:13:43 . a existência de um potencial para o desenvolvimento turístico nos segmentos rural.7 milhões de habitantes (SEADE. espalhada. inspirado no Caminho de Santiago de Compostela. São José do Rio Pardo e Tambaú. A bacia hidrográfica do Pardo abriga nove usinas de açúcar e álcool. onde a pecuária tem expressão territorial maior que a das culturas – temporárias e perenes –. 2010a). de precisão e de automação. um pólo estratégico para a produção de energia limpa. só ela ocupava em 2009. que abriga grande parte dos estabelecimentos industriais. histórico e cultural. 18 35656001 miolo. enquanto todas as suas pastagens ocupavam emblemáticos 25%. Atualmente. em 2010. de Arranjos Produtivos Locais. já que a demanda representa pouco mais de 30% da vazão mínima registrada na bacia (SMA/CRHi. a condição da bacia hidrográfica do Rio Pardo de estar vivendo um mo mento em que transita de uma vocação marcadamente agropecuária para a realidade de uma região com uma economia que se apóia na força do binômio indústria/serviços. de aventura. Os 14. de forma muito desigual. este esforço por fazer-se uma região com vocação industrial esbarra numa segurança hídrica frágil. continham. sim. no qual o Estado se empenha com toda convicção.

para as dos rios Jundiaí (visando garantir o abastecimento de Jundiaí) e do Capivari (visando assegurar o completo abastecimento de Campinas). Mogi-Guaçu. 19 35656001 miolo. 2010). Limeira. Louveira. parte da Aglomeração Urbana de Piracicaba-Limeira2. Uma parte considerável deles. Hortolândia. Salto. Moji-Mirim. Campinas. porque se torna necessário alimentar. Campo Limpo Paulista. e da Aglomeração Urbana de Sorocaba-Jundiaí3. também. é transferida para o Sistema Cantareira (algo em torno de 30 m3/s). Santo Antônio de Posse. O mesmo ocorre. Conchal. 3 Atibaia. Nova Odessa. Engenheiro Coelho. Jundiaí. Esta situação crítica se revela bastante presente na distribuição das reservas de águas interiores na UGRHI 05. Bragança Paulista. Sorocaba. A UGRHI abriga a Região Metropolitana de Campinas e seus 19 municípios1. Santa Bárbara d’Oeste. Valinhos. Santa Gertrudes. Rio Claro. O PCJ trabalha com uma demanda total da ordem de 81 m³/s. Todos esses conjuntos de municípios – os postos na Região Metropolitana de Campinas e nas aglomerações urbanas citadas – são parte integrante da Macrometrópole Paulista. Itu. elaborado por SMA/CPLA (2010) Os recursos hídricos existentes na bacia hidrográfica não estão de todo disponíveis para saciar as suas demandas. Artur Nogueira. Paulínia. sendo responsável por 50% do abastecimento doméstico demandado pela Região Metro politana de São Paulo. Leme. 2 Araras. 8 uGrHi 05 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). Itatiba. Vinhedo. Jaguariúna. coberta sem qualquer segurança hídrica por uma disponibilidade hídrica total de 65 m³/s (SMA/CRHi. Holambra.indd 19 15/4/2011 15:13:44 . Cordeirópolis. Piracicaba. 1 Americana. Itupeva. um sistema de exportações internas. Porto Feliz. Indaiatuba. Monte Mor. pertencente ao do Rio Piracicaba. internamente.FiGura 2. Jarinu. Isso se dá pela transposição das águas da Bacia Hidrográfica do Piracicaba (com recursos de sua sub-bacia do Rio Atibaia). da sub-bacia do Atibaia para a do Baixo Piracicaba e da sub-bacia do Jaguari para as do Atibaia e do Baixo Piracicaba. Sumaré. Várzea Paulista. Cosmópolis. Pedreira. men cionada anteriormente. Estiva Gerbi. Cabreúva. Iracemápolis.

A bacia hidrográfica do PCJ consolidou-se como um lugar importante na opção por alternativas de localização
de indústrias da Região Metropolitana de São Paulo, quando esta passou a viver a transição de suas vocações
industriais, para assumir o seu status de núcleo de formulação de estratégias empresariais e financeiras, próprias
dos centros urbanos com expressão mundial.
Implantou-se, então, um parque industrial diversificado na bacia, com maior concentração nos municípios de
Indaiatuba, Paulínia e Sumaré, com destaque para produção de tecnologias e componentes para telecomunicações e informática, montadoras de veículos automotivos, refinarias de petróleo, fábricas de celulose e papel e,
como não poderia deixar de ser, indústrias alimentícias e sucroalcooleiras. Só de usinas de açúcar e álcool, a bacia
hidrográfica do PCJ abriga doze unidades. Este aglomerado de plantas industriais, com tão diversos objetivos,
tornou-se, por força de suas cada vez maiores exigências tecnológicas, um fornecedor confiável de oportunidades
a centros de pesquisa e universidades do País, na busca por alargar, de forma constante, suas capacidades de
gestão e de produção.
Essa transformação da região em um centro produtivo industrial com tais dimensões, foi acompanhada também
por uma imensa rede de serviços, com todas as exigências necessárias para fazer da região um espaço sul-americano de produção, produtividade e liderança.
A força de sua capacidade empreendedora, em nível urbano, não rouba a necessidade de empreender avanços e conquistas na sua agropecuária, dominada pela presença da cana-de-açúcar e da citricultura e que tem em Piracicaba o
centro de maior relevância na busca pela cada vez mais significativa produtividade para suas áreas plantadas.
Ainda vale destacar a presença de diversas estâncias hidrominerais, climáticas e turísticas na UGRHI 05, as
quais integram diversos circuitos turísticos paulistas. O Circuito das Frutas, formado por 10 municípios desta UGRHI, enfatiza a importância do turismo rural na região. Os produtores de frutas exploram a atividade
turísti ca através da visita às suas propriedades rurais, onde se pode vivenciar a produção artesanal do vinho e
de doces, a produção das frutas e a vida em contato com as raízes históricas e culturais do interior paulista. No
município de Holambra, que responde sozinho por um terço da produção de flores e plantas ornamentais do
país, pode-se testemunhar a influência holandesa na arquitetura e nos moinhos que compõem a paisagem. No
circuito das águas, que são conhecidas internacionalmente por seu poder de cura, fazem parte os municípios
de Amparo, Jaguariúna, Monte Alegre do Sul e Pedreira. Na Região Metropolitana de Campinas destaca-se o
potencial para o turismo de negócios e de ciência e tecnologia. Já o Circuito Turístico entre Serras e Águas, com
potencial para o turismo rural, ecoturismo e turismo de aventura nas exuberantes formações da Serra da Mantiqueira, conta com a participação de onze municípios da UGRHI 05 e dois da UGRHI 06.

uGrHi 06 – alto tietê

A UGRHI 06 – Alto Tietê e sua vocação industrial obrigam a Região Metropolitana de São Paulo a se aproximar cada vez mais de seu objetivo maior: o de ser um aglomerado urbano de expressão globalizada.
O que se tem de concreto é que a região está posicionada como o centro do sistema urbano contínuo que compõe os domínios da Macrometrópole Paulista, composta por 102 municípios, que contêm 70% da população do
Estado e gera 80% de suas riquezas.
Seu território, de 5.868 km², abriga população que, em 2010, conformou aproximadamente 20 milhões de habitantes (IBGE, 2010a), pouco mais de 47% do contingente populacional paulista do momento, a viver em seus 34
municípios (Figura 2.9). Calcula-se que sua população em 2020, chegará próximo aos 22 milhões de habitantes
(SEADE, 2010b).

20

35656001 miolo.indd 20

15/4/2011 15:13:44

FiGura 2. 9
uGrHi 06 e seus MunicíPios constitutivos

Fonte: São Paulo (2005), elaborado por SMA/CPLA (2010)

A UGRHI 06 vive um enorme desequilíbrio hídrico. A disponibilidade hídrica total da bacia é da ordem de 31
m³/s, enquanto sua demanda total de abastecimento é de 55 m³/s (SMA/CRHi, 2010). Como já registrado na
caracterização da UGRHI 05 – PCJ, esse déficit é superado por importações de vazões interbacias e intrabacias,
gerando um comportamento bastante peculiar.
É preciso que se registre que esse respeitável contingente de pessoas que habita a Região Metropolitana de São
Paulo guarda uma tradição que, felizmente, agora se esgota: o de crescer aos saltos.
Entre 1872 (com 30 mil habitantes) e 1900 (com 240 mil habitantes), o município de São Paulo viu sua população crescer oito vezes. Em 1920, já tinha 580 mil habitantes. Em 1940, 1 milhão e 300 mil, ou seja, 5,5 vezes
mais do que em 1900. Hoje, com 11 milhões de habitantes (IBGE, 2010), abriga população 8,5 vezes maior do
que a de 1940 (SÃO PAULO, 2007).
Como se não bastassem esses saltos populacionais, que por si só são obstáculos à construção de sua melhor qualidade de vida, é preciso considerar que 40% da ocupação humana ocorrida entre 1940 e 1990, primeiro em São
Paulo e depois em sua Região Metropolitana, se deu em áreas com restrições ambientais sérias. Soma-se a isso, o
fato de que entre 1990 e 1996, a população favelada da Região Metropolitana de São Paulo au mentou em 50%
seus números originais, sendo, em boa parte, acomodada em áreas de proteção de mananciais.
A tendência para a desconcentração econômica observada, que marca o passado recente e o presente da Região
Metropolitana de São Paulo, anotada já na caracterização da UGRHI 05 – PCJ, vem fazendo com que a região
perca de forma substantiva a sua par ticipação nos PIB nacional e do Estado.

21

35656001 miolo.indd 21

15/4/2011 15:13:45

Duas tendências trabalham para reverter a situação aqui colocada:
• Aproveitando a sua condição de centro financeiro e de decisão de estratégias empresariais, a Região
Metropolitana tenta conformar um centro de atividades do setor terciário avançado. De um lado, busca
gerenciar as atividades dos setores com plantas produtivas instaladas em regiões abarcadas por sua área
de influência, no interior do País. De outro lado, busca centralizar na região todo o gerenciamento da atividade econômica do agronegócio, um setor em sustentável desenvolvimento, pelo fato de se beneficiar da
condição do Brasil ser fornecedor de alimentos de um mundo em franca expansão do poder de compra
de parte significativa de suas, hoje ainda, populações periféricas; e
• Constata-se, desde 2004, uma participação crescente da indústria na formação do PIB metropolitano, o que surpreende porque as expectativas são as de que São Paulo caminhe para a condição de
metrópole pós-industrial, apontando para o fato de que vive a oportunidade de trabalhar formas de
convivência harmônica, possibilitando complementar as atividades industriais e terciárias avançadas
que pratica.
Contando com diversos circuitos turísticos, a UGRHI 06 se destaca, também, pela diversidade de atrativos, que abrangem praticamente todos os segmentos turísticos: ecoturismo, turismo rural, de saúde, de
aventura, religioso, de negó cios, de compras, de eventos, cultural, gastronômico, científico-tecnológico,
educacional, entre outros. A capital São Paulo, um dos principais destinos do país, possui o maior parque
hoteleiro no Brasil, concentra 75% das grandes feiras e realiza 90 mil eventos por ano. Em 2006 e 2007,
São Paulo foi a cidade das Américas que sediou o maior número de eventos internacionais vinculados à
Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA), tendo ficado em 23º lugar no mundo, superando destinos como Nova Iorque, Vancouver, Madri e Tóquio.

uGrHi 07 – baixada santista

A UGRHI 07 – Baixada Santista está classificada, também, como industrial e, está inteiramente formada pelos
municípios que integram a Região Metropolitana da Baixada Santista. É importante que se registre, também,
que é parte da Macrometrópole Paulista, já delineada quando aqui se tratou de analisar as características da
UGRHI 06.
Num território de 2.818 km², contemplando nove municípios, como pode ser visto na Figura 2.10, a Baixada
Santista tem população permanente de aproximadamente de 1,7 milhão de habitantes, 4% do total do Estado
(IBGE, 2010a). Como a bacia hidrográfica do Litoral Norte, convive também com população flutuante expressiva, como consequência de sua vocação turís tica de segunda residência ou para o lazer. Essa semelhança
se dá, também, quanto às suas áreas habitáveis, que se encontram comprimidas entre o mar e a serra e, como
o que ocorre no Litoral Norte, faz oportuna a apropriação de sítios impróprios à ocupação urbana, que são na
maioria das vezes áreas de risco, por serem manguezais ou terras com pouca estabilidade geológica situadas
em encostas de morro.

22

35656001 miolo.indd 22

15/4/2011 15:13:45

FiGura 2. 10
uGrHi 07 e seus MunicíPios constitutivos

Fonte: São Paulo (2005), elaborado por SMA/CPLA (2010)

Seu balanço hídrico apresenta uma situação de atenção, já que sua disponibilidade hídrica total é de 58 m³/s e a
demanda gira em torno de 18 m³/s (31% da vazão total disponível) (SMA/CRHi, 2010).
Com uma economia espremida entre as atividades portuárias, as do Pólo Industrial de Cubatão e as terciárias, de
apoio ao turismo de lazer, em muito incentivado pelo monumental complexo viário de acesso ao porto, a Baixada
Santista não conta com uma atividade agropecuária a ser considerada, dada a sua total inexpressividade.
O turismo é evidenciado principalmente nas estações do ano mais quentes (primavera e verão), devido à sua
orla marítima extensa. Além da forte expressão do turismo de segunda residência na região, podemos destacar a
presença do circuito turístico Costa da Mata Atlântica, que evidencia toda a riqueza natural do Parque Estadual
da Serra do Mar e conta com a participação de todos os municípios da UGRHI. Em Santos, a presença do porto, juntamente com um terminal de passageiros que tem capacidade para receber 6.500 pessoas por dia, é fator
essencial ao desenvolvi mento do turismo náutico no município.
Outro segmento que é observado na região é o turismo cultural, favorecido devido à região ter vivenciado momentos marcantes da história do Brasil. Merece destaque São Vicente, primeira cidade brasileira, fundada em
1532 pelo navegador português Martim Afonso de Sousa.
O turismo religioso desponta também como um importante segmento na região, o que é evidenciado pelo projeto “Caminhos de Anchieta”, que visa desenvolver o turismo nos lugares de passagem e peregrinação do Beato
José de Anchieta, fundador da cidade de São Paulo. A região ainda dispõe de espaços estruturados para eventos
e convenções de grande porte, um parque hoteleiro em grande crescimento e uma gastronomia diversificada.

23

35656001 miolo.indd 23

15/4/2011 15:13:47

Da mesma forma que o Litoral Norte, está a viver momentos de mudança dessas expectativas econômicas pouco
ágeis. A exploração previsível do Campo de Tupi, e suas copiosas reservas de petróleo das camadas pré-sal da Bacia de Santos, está a desenhar um futuro de empreendedorismo dinâmico para a região. Nela, muito se acredita
em seus desdobramento a curto prazo, tanto assim que já se registram mudanças importantes nas estratégias do
mercado imobiliário de Santos, a trabalhar agora com mudanças visíveis de tendências para o uso e a ocupação
de seu solo urbano, e isso não pode ser visto como um acontecimento localizado.
O município de Santos apresentou, na década que agora se encerra, comportamento populacional com números
que trabalham na direção de uma estabilização de seu desenvolvimento. Assim, em 2000, tinha quase 418 mil
habitan tes e, em 2010, 420 mil. Porém, esta previsão está sendo desmentida pelos reflexos das possibilidades de
se incrementar a economia regional a partir da atividade petroleira, num futuro quase que imediato.
Para o todo da bacia da Baixada Santista, está prevista uma população de aproximadamente 1,9 milhão de habitantes em 2020 (SEADE, 2010b), sem se considerar, como ocorre com a do Litoral Norte, eventuais fluxos
migra tórios significativos em direção à região, por força das iniciativas para a exploração do Campo de Tupi.

uGrHi 08 – sapucaí/Grande

A UGRHI 08 – Sapucaí/Grande tem sua vocação definida como predominantemente agrária, mas em transição
para ser parte das que têm, no Estado, perfil industrial.
Com um território de 9.125 km², é composta por 22 municípios (Figura 2.11), que abrigavam uma população, em 2010, de 670 mil habitantes (1,6% do Estado), com quase a metade dela residindo em Franca (IBGE,
2010a). Em 2020, a previsão é de que a população da bacia chegue a 780 mil habitantes (SEADE, 2010b).
FiGura 2. 11
uGrHi 08 e seus MunicíPios constitutivos

Fonte: São Paulo (2005), elaborado por SMA/CPLA (2010)

24

35656001 miolo.indd 24

15/4/2011 15:13:48

6 milhão de habitantes (SEADE. 25 35656001 miolo.12 que segue. Leme. Estiva Gerbi. um Arranjo Produtivo Local. segundo IBGE (2010a). suas áreas de pastagem. Igarapava. um objetivo estratégico: superar a concorrência internacional. Os municípios de Aramina. era de 1. Sua população. 2010b). em 2010. prevê-se que tenha 1. que abriga o conjunto de suas fábricas. plantada em 4. Miguelópolis. por exemplo. marcado pela paisagem da região do rio Grande. assim. vide Figura 2.004 km² e é composto por 38 municípios. São eles: Araras. imbatível quando para suprir o mercado de calçados de média e baixa qualidades. Segundo o IEA (2009). Ituverava. Seu território cobre uma área de 15. Pedregulho e Rifaina fazem parte do Circuito Turístico dos Lagos. dominado de maneira absoluta pela China. cobrindo cerca de 2 mil km². Mogi Guaçu e Mogi Mirim. Um conjunto importante de seus municípios está listado entre os que compõem a Macrometrópole Paulista. onde estão localizadas oito usinas de açúcar e álcool. em especial. perfazendo 3. à pecuária bovina de corte. o que representou 22% do território da Bacia em 2009. O ecoturismo pode ser praticado nas matas preservadas da região. buscar capacidade competitiva nos mercados de produtos com desenho e acabamento de alta sofisticação.indd 25 15/4/2011 15:13:48 . ou 50% do território. dá-se pelo desenvolvimento do Pólo Calçadista de Franca. Buritizal. enquanto que a demanda está próxima de 5 m³/s (SMA/CRHi.6 mil km². as plantas industriais das empresas periféricas de seus fornecedores e as instituições destinadas à formação de mão-de-obra especializada. uma fronteira nova para os negócios do calçado brasileiro. Seus mentores têm hoje. A tendência à industrialização que se verifica. mais bem explicitadas do que as da UGRHI 08.Sua segurança hídrica se mostra em situação de relativo conforto. estão destinadas. Em 2020. todas essas instituições voltadas a suprir suas necessidades de produção. embora suas características estejam. em função da existência de um patrimônio histórico e cultural preservado na região. Conchal. uGrHi 09 – Mogi-Guaçu A UGRHI 09 – Mogi-Guaçu também está classificada como em transição para a condição de industrial. Sua disponibilidade total é de 46 m³/s. pertencentes ao Aglomerado Urbano de Piracicaba-Limeira. Ainda existe um potencial para a prática do turis mo cultural.5 milhão de habitantes. nesse sentido. 2010).5% do total da população do Estado. Resta ao Brasil. Estas áreas são supera das pela presença da cana-de-açúcar. onde há cachoeiras e grutas.

episódios críticos. formada pelos municípios de Aguaí. Mogi Mirim e Santa Cruz da Conceição. são destaques de desempenho econômico diferenciado as Estâncias Hidrominerais de Águas de Lindóia. Estiva Gerbi. ainda vale frisar.indd 26 15/4/2011 15:13:50 . Engenheiro Coelho. além do setor de celulose e papel. uGrHi 10 – sorocaba/Médio tietê A UGRHI 10 – Sorocaba/Médio Tietê. A prática de esportes de aventura merece destaque nesses municípios. tem os municípios de Cabreúva. como parte da Macrometrópole Paulista. Conchal. 12 uGrHi 09 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). Mogi Guaçu. apresentando uma disponibilidade hídrica total de 72 m³/s e uma demanda de aproximadamente 19 m³/s (SMA/CRHi. com grande presença do setor de açúcar e álcool. elaborado por SMA/CPLA (2010) Um fato relevante a ser considerado é que a maior parte de sua população está localizada na sub-bacia do Alto Mogi (com cerca de 600 mil habitantes). de vocação industrial. Serra Negra e Socorro. conhecido internacionalmente pelo poder de cura de suas águas. com ênfase. Lindóia. Leme. 2010). Por suas sub-bacias ocorrem. hoje numa boa situação. frigoríficos e bebidas. originários indistintamente de atividades industriais ou de uso doméstico. Itu. óleos vegetais. No mais. que Serra Negra faz parte da rota de motoqueiros.FiGura 2. Porto Feliz e Sorocaba. que conta com mais de 30 usinas instaladas. 26 35656001 miolo. que fazem parte do Circuito das Águas. pertencentes ao Aglomerado Urbano de Sorocaba-Jundiaí. onde se concentra o forte de seu desempenho econômico. Araras. Socorro é conhecida pela prática do rafting. Espírito Santo do Pinhal. que ameaçam o seu equilíbrio hídrico. verifica-se a ocorrência do off-road na Serra do Brejal e. já em Águas de Lindóia. A pressão por água de abastecimento doméstico na região vem se somar àquela de sua produção agroindustrial.

Sua popu lação. intensifi cando-se a partir dos anos 1980. com uma disponibilidade total de 39 m³/s e uma demanda de 12.13) abrigavam uma população. saindo de uma São Paulo que começava a apresentar sucessivas dificuldades ao desenvolvimento de seu parque industrial. 27 35656001 miolo. 13 uGrHi 10 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). com empreendimentos industriais de grande porte: Alumínio. de 1. seus 33 municípios (Figura 2. 2010b). se instalassem grandes complexos industriais de base mineral – o alumínio e o cimento –. em suas regiões mais industrializadas se desenvolvessem centros diversificados e sofisticados de serviços. Com isso. abriu-se espaço para que. Itu e Sorocaba. A bacia do Sorocaba Médio/Tietê começou a industrializar-se a partir da década de 1970. em 2010. Este fato propiciou que. 4.829 km². Sorocaba e Votorantim. convivem seus três municípios com maior presença na atividade secundária. com especial destaque aos centros universitários de Botucatu. em 2020. deslocaram-se para o interior.Com um território de 11. FiGura 2. está prevista para chegar a 2.2 milhões de habitantes (SEADE. Sua região de melhor desempenho econômico é a da sub-bacia do Médio Sorocaba.5% da população estadual (IBGE.8 milhão de habitantes. 2010). quando recebeu boa parte das indústrias que.indd 27 15/4/2011 15:13:51 . a prática de uma agropecuária consistente e reservas minerais abundantes.4 m³/s (SMA/CRHi. na bacia. en contrando na UGRHI 10. o que acelerou sobremaneira o seu significado econômico para o desenvolvimento do Estado. 2010a). elaborado por SMA/CPLA (2010) Seu balanço hídrico apresenta uma situação de atenção. Nela. dando prioridade às regiões dotadas de infra-estrutura viária e de fácil acesso a matérias-primas.

Encontra-se ainda na região.068 km². A presença de vastas áreas com florestas plantadas de Pinus e Eucalipto. Porto Feliz e Tietê. na foz do rio Ribeira de Iguape.Em concomitância com esses avanços. também contempla a região. que tem a mina de ouro mais antiga do Brasil. a região foi se tornando um espaço importante para a implantação de cadeias produtivas com base na agropecuária. também inclui Araçariguama. segundo IBGE (2010a). datada de 1605. com seu cenário diferenciado de formações rochosas. turismo de aventura e rural. ideal para a prática de ecoturismo. 2010b). o Circuito Turístico Itupararanga. perfazendo 0. receberam o título de estâncias turísticas do Estado de São Paulo. entre outras razões porque divide com a bacia hidrográfica do Alto Paranapanema. fazendo com que a presença das pastagens diminua. a maior parte da infraestrutura turística está concentrada nos municípios de São Roque e Ibiúna. Suas florestas plantadas dividem o solo rural da região com a cana-de-açúcar. de mesma vocação. que vai assumindo partes importantes dessas paragens. por própria conta. por onde as antigas expedições bandeirantes passaram a partir do século XVI. Itu. São 23 os seus municípios. serve para sinalizar a importância do setor agroindustrial de papel e celulose. reunindo cidades às margens do Rio Tietê. Outro roteiro que merece destaque é o do Pólo Cuesta. que em 2020 deverão contar com aproximados 420 mil habitantes (SEADE.14.9% do total estadual. mas não se torne menos importante nos espaços de produção agropecuária da bacia. Com atrativos voltados para o ecoturismo. Estes dois municípios.indd 28 15/4/2011 15:13:51 . juntamente com Itu. vide Figura 2. Sua população alcançou 365 mil habitantes em 2010. uGrHi 11 – ribeira de iguape/litoral sul A UGRHI 11 – Ribeira de Iguape/Litoral Sul está classificada como de conservação. das regiões que compõem o Vale do Ribeira e do Complexo Lagunar Estua rino de Iguape e Cananéia. em busca de metais preciosos e apresamento de índios. 28 35656001 miolo. O Roteiro Turístico dos Bandeirantes. As represas existentes e o Rio Tietê são elementos ideais para a prática da pesca e de esportes náuticos. Além de Cabreúva. Sua extensão territorial é de 17. o turismo rural e o de aventura. a defesa da ambiência natural da Serra do Mar e. formado pelas cidades localizadas na área de influência da APA de Itupararanga.

O Vale do Ribeira é uma região considerada por muitos como o paraíso dos ecoturistas.FiGura 2.indd 29 15/4/2011 15:13:52 . o de serviços. Já os sítios arqueológicos. elaborado por SMA/CPLA (2010) A bacia vive uma despreocupada relação com sua segurança hídrica. tombada pela Organização das Nações Unidas para a Educação. gastronomia e bens tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico. artesanato. No Pólo Turístico de Lagamar. quilombos. A disponibilidade hídrica total é de 229 m³/s. dunas e zonas balneares se destacam no cenário. Já sua atividade primária está baseada na produção de banana e de chá. os lagos à beira-mar formam uma paisagem diferenciada. da prática de turismo de sol e praia no Lagamar à prática do espeleoturismo nas cavernas do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). Existe na UGRHI uma grande diversidade de atividades turísticas que podem ser desenvolvidas. Sua economia tem atividade secundária de muito pequena expressão. cascading. etc. espeleoturismo. rafting. 2010). a biodiversidade da Mata Atlântica. Os Parques Estaduais de Jacupiranga e da Ilha do Cardoso são representantes desse bioma e apresentam grande potencial para a prática do ecoturismo. onde pode ser praticada a pesca esportiva. o que também se reflete na atividade do setor terciário. bóia-cross. 14 uGrHi 11 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). Em Ilha Comprida. rapel. Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) fazem parte dos atrativos culturais da região. por possibilitar a prática de grande variedade de esportes de aventura. trekking. Ciência e Cultura (UNESCO) como Patrimônio Natural da Humanidade é um dos principais atrativos. como canyoning. enquanto a demanda chega a pouco mais de 3 m³/s (SMA/CRHi. 29 35656001 miolo. No Vale do Ribeira.

exposições e gastronomia compõem o atrativo. já que sua disponibilidade hídrica total é de 31 m³/s e sua demanda alcança pouco mais de 12 m³/s. 15 uGrHi 12 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). considerada a maior festa de rodeio do Brasil.15). evidencia uma potencialidade da região que deve ser estimulada cada vez mais pelo poder público.Essa gama de atrativos. 2010b). shows com artistas renomados. atraindo centenas de milhares de visitantes todos os anos. aliada à vocação conservacionista. que ocupam os seus 12 municípios (Figura 2. mais que 30% da vazão disponível (SMA/CRHi. No município de Barretos acontece a internacionalmente conhecida Festa do Peão Boiadeiro. elaborado por SMA/CPLA (2010) Sua segurança hídrica expressa uma situação de atenção. observado ao longo da última década. Em 2020 espera-se contar com 350 mil habitantes (SEADE. 0. uGrHi 12 – baixo Pardo/Grande A UGRHI 12 – Baixo Pardo/Grande está classificada como a que busca a sua industrialização. FiGura 2.indd 30 15/4/2011 15:13:53 . Sua dimensão territorial é de 7. Além do espetáculo dos peões nas provas de rodeio. 2010). como também de suas atividades terciárias. Sua população em 2010 era de 333 mil habitantes. 2010a).239 km². 30 35656001 miolo. O que explica a bacia ter como vocação deixar de ser agropecuária e caminhar em direção a sua condição de industrial. se deve ao grande aumento do número de indústrias de transformação.8% da população de São Paulo (IBGE.

em Araraquara. com quase 1.16). em Jaú e Bocaina. conformava 3.indd 31 15/4/2011 15:13:54 . de origem bovina. A cana ocupava algo como 54% de todo o território da UGRHI em 2009 e. uGrHi 13 – tietê/Jacaré A UGRHI 13 – Tietê/Jacaré é uma bacia hidrográfica vivendo em transição da condição de produtora agropecuária para industrial.779 km².5 milhão de habi tantes (IBGE.7 milhão de habitantes (SEADE. de celulose e papel e de bebidas em Agudos. A extensão de seu território é de 11. em 2020. cana-de-açúcar. 31 35656001 miolo.Nas atividades primárias. pois está ditado por uma vazão total disponível de 50 m³/s e uma demanda total de 24 m³/s (SMA/CRHi. FiGura 2. de suco de laranja. 2010). As usinas de açúcar e álcool localizadas na bacia somam 22 unidades. elaborado por SMA/CPLA (2010) Seu balanço hídrico também apresenta uma situação de atenção. abrigada em seus 34 municípios (Figura 2. 2010a). está estimada para ser de quase 1. 2009). no mesmo ano as pastagens se estendiam por 14% do território (IEA. 2010b). com usinas instaladas nas regiões de entorno de Araraquara e Jaú.6% do total estadual. 16 uGrHi 13 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). Sua população em 2010. laranja e pastagens dominam o uso e a ocupação de seu solo rural. O setor primário da UGRHI 13 – Tietê/Jacaré trabalha no apoio às cadeias produtivas para a produ ção de açúcar e álcool. Araraquara e Bauru e de couro. Sua população.

São componentes fortes do setor secundário da região o Pólo Calçadista de Jaú. o turismo de negócios e científico-tecnológico são os principais segmentos. é dotada de grande beleza paisagística e é hoje referência para a prática de turismo de aventura e ecoturismo. As nascentes do Paranapanema estão nos contrafortes da Serra do Mar. Em Barra Bonita. por vocação. como já se registrou quando se tratava de caracterizar a bacia hidrográfica do Ribeira de Iguape/Litoral Sul. principalmente. E em São Carlos. propícios à realização de passeios. prática de esportes náuticos e pesca esportiva. além da Hidrovia Tietê-Paraná. que propicia à região contar com uma estrutura intermodal de serviços portuários. É composta por 34 municípios. da existência de diversos centros de pesquisa de geração de tecnologia.indd 32 15/4/2011 15:13:54 . que ostentaram uma população. em função. os feitos para a conservação do ambiente natural. Vale ainda destacar. Além disso. que é explorada turisticamente. O município de Brotas é conhecido como a capital da aventura e a hidrografia da região é ideal para a prática de canoagem e rafting. em 2020. a eclusa. e que fomenta a atividade econômica na região. de acordo com a Figura 2. Sua extensão territorial é de 22. o que lhe confere a condição de objetivar. a região oferece cenário e clima agradáveis. de 722 mil habitantes (1. é o principal atrativo. juntamente com os esportes náuticos e atividades recreativas que são praticados na represa. a existência de um Pólo Industrial de Alta Tecnologia no município de São Carlos. a identidade histórica e a força do setor agrícola propiciam a prática do turismo rural na região. estan do previsto que. 32 35656001 miolo.689 km². Os Circuitos Caminhos do Tietê. o Arranjo Produtivo Local de bordados de Ibitinga. em 2010. a bacia deva ter uma população de 820 mil habitantes (SEADE 2010b). uGrHi 14 – alto Paranapanema A UGRHI 14 – Alto Paranapanema está classificada como de conservação. além do Pólo Turístico de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê. em sua fachada que se volta para o inte rior.8% do total do Estado) segundo o IBGE (2010a). marcada por grandes eventos históricos da época dos bandeirantes e auge do café. Cortada pelo rio Tietê. A Chapada Guarani. Chapada Guarani e Centro Oeste Paulista.17 a seguir. localizada em Pederneiras. reúnem os principais atrativos turísticos desta UGRHI.

17 uGrHi 14 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). Suas atividades econômicas estão divididas. A presença de pastagens na região também merece destaque. capacitando-a para cumprir o que estabelece a sua classificação vocacional.FiGura 2. Sua disponibilidade total é de 114 m³/s. Guapiara. enquanto sua demanda anda por volta de 10 m³/s (SMA/CRHi. Têm destaque as de calcário. vale destacar a presença da cana. Florestas Nacionais. em 2009. Ribeirão Branco e Ribeirão Grande. Florestas Estaduais e Parques Estaduais – cobrem cerca de 15% de seu território e invadem bordas das bacias hidrográficas circunvizinhas. já que ocupavam no mesmo ano. 28% do território. 2009). A região possui um grande potencial hídrico e um dos maiores índices de biodiversidade do planeta. 2010). Itapeva. Nova Campina. elaborado por SMA/CPLA (2010) Seu balanço hídrico aponta para uma folgada situação de segurança. em Guapiara e Itapeva. As atividades que podem ser praticadas pelos turistas vão desde uma simples caminhada e contemplação 33 35656001 miolo. uma área de 911 km² ou 4% do total do território. e em Ribeirão Branco para a fabricação de cimento. Entre as Unidades de Conservação que se concentram nesta UGRHI. Com relação ao uso e ocupação do solo na bacia.indd 33 15/4/2011 15:13:55 . entre as voltadas à agropecuária e às de mineração. basicamente. equivalente a 6. para a fabricação de cal hidratada. Estações Eco lógicas. Estações Experimentais. se destacam o Parque Estadual de Intervales. As áreas legalmente protegidas da Bacia – Áreas de Proteção Ambiental.300 km² (IEA. o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). o Parque Estadual Carlos Botelho e a Estação Ecológica de Xituê. As atividades de mineração estão baseadas na exploração de minerais não metálicos e se concentram nos municípios de Bom Sucesso de Itararé. que ocupava.

No trecho paulista. FiGura 2. 18 uGrHi 15 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005).da natureza. a cultura e os cenários da época em que bens de consumo eram trazidos a São Paulo nos lombos de burros.925 km².3 milhão de habitantes (SEADE. o roteiro vai de Itararé a Sorocaba.indd 34 15/4/2011 15:13:57 . em 2010. Para 2020 sua população está estimada em 1. cavernas e corredeiras oferecem o am biente propício para isso. riachos. Seus 64 municípios (Figura 2. elaborado por SMA/CPLA (2010) Sua segurança hídrica é tida como em estado de atenção. pois sua disponibilidade hídrica total é de 39 m³/s. uGrHi 15 – turvo/Grande A UGRHI 15 – Turvo/Grande está classificada como de vocação agropecuária. 34 35656001 miolo. Sua extensão territorial é de 15.2 milhão de habitantes.18) abrigavam uma população. As cachoeiras. 2010a). 2010b). 2010). circuito turístico que conta com a participação de 14 municípios desta UGRHI e outros oito da UGRHI 10. e proporciona ao visitante a oportunidade de reviver a história. O Caminho dos Tropeiros. foi criado em 2003. mais de 30% do total disponível. de 1. o que corresponde a quase 3% da população de São Paulo (IBGE. enquanto as demandas por consumo são da ordem de 17 m³/s (SMA/CRHi. ao turismo cultural e prática de esportes de aventura.

Nessas empresas prepondera a produção de bens não duráveis relativos às indústrias de bebidas. 19 uGrHi 16 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). móveis. para 2010. material elétrico (transformadores de energia) em Fernandópolis e fundição e autopeças de borrachas em Monte Alto. A cana vai alimentar as 18 usinas de açúcar e álcool da região. papel.149 km².19). são destaques as indústrias de eletrodomésticos. a alimentar frigoríficos e laticínios da região. Seu território mede 13. localizado em São José do Rio Preto. de 512 mil habitantes (1. Em 2020 sua população deve somar algo como 550 mil habitantes (SEADE. com população calculada. de acordo com a o IBGE (2010a). elaborado por SMA/CPLA (2010) 35 35656001 miolo. etc.2% do total da população paulista). eletrodomésticos. É também importante a presença da pecuária.A atividade primária de sua economia tem na cana-de-açúcar e na laranja seus principais produtos. Está composto por 33 municípios (Figura 2. A laranja vai abastecer unidades de esmagamento para a produção de suco na região de Catanduva. confecções e metalúrgicas (carrocerias) em Votuporanga. móveis.indd 35 15/4/2011 15:13:57 . em Catanduva. 2010b). Das atividades industriais de sua economia. graças aos atributos hidrográficos da região. contando com centenas de indústrias. artefatos de borracha. que convivem com um parque industrial diversificado e dinâmico. Existe ainda nesta UGRHI um grande potencial para o desenvolvimento do turismo de esportes náuticos e de atividades recreativas aquáticas. FiGura 2. uGrHi 16 – tietê/batalha A UGRHI 16 – Tietê/Batalha também está classificada como de vocação agropecuária.

em 2010. 2010a). Matão. Sua população. 2010). 1. 2010b). A Hidrovia Tietê-Paraná é um atrativo potencial para que seja desenvolvido o turismo náutico nesta UGRHI. Novo Horizonte e Taquaritinga concentram a força industrial e. 2009).6% da população do Estado (IBGE. de rebanhos bovinos. A Estância Hidromineral Ibirá oferece a possibilidade da prática de atividades de lazer e de turismo de saúde. Sua extensão territorial é de 16. As cidades de Itápolis. por consequência. em escala preponderante.Seu balanço hídrico mostra-se na posse de uma situação confortável.749 km². Eles se acomodam em seus 42 municípios (Figura 2. girava em torno de 666 mil habitantes. nove usinas de açúcar e álcool. enquanto 26% a áreas de pastagens (IEA. além de algumas unidades esmagadoras de laranja e frigoríficos de porte. estão instaladas na ba cia. FiGura 2. elaborado por SMA/CPLA (2010) 36 35656001 miolo. 20 uGrHi 17 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). as questões da agropecuária se desenvolvem na maior porção de suas áreas rurais. que deverão abrigar. uGrHi 17 – Médio Paranapanema A UGRHI 17 – Médio Paranapanema está classificada como agropecuária. apoiadas nas atividades do cultivo da cana-de-açúcar e da laranja e criação. Lins.indd 36 15/4/2011 15:13:59 . Assim. presumíveis 750 mil habitantes (SEADE. a força dos serviços da bacia. com sua disponibilidade total sendo de 40 m³/s e sua demanda registrando um nível aproximado de consumo de 8 m³/s (SMA/CRHi. Na sua economia.20). em 2020. São partes de cadeias produtivas que buscam agregar valor a produtos primários. nas fontes hidrominerais com propriedades terapêuticas. Cerca de 31% da área da bacia está destinada ao plantio da cana.

uma bacia hidrográfica agropecuária. por vocação. As represas no rio Paranapanema possibilitam a prática de atividades de lazer e entretenimento aquático e a prática de esportes náuticos. Para 2020. É composta por 25 municípios. atingiu 224 mil habitantes.5% do total do Estado (IBGE. que mantém.21. Seu segmento mais expressivo é o da cadeia produtiva do setor sucroalcoleiro. Contando com as Estâncias Turísticas de Avaré e Paraguaçu Paulista.A bacia goza de confortável condição em relação à sua segurança hídrica. como o Pólo Cuesta e o Circuito Oeste Paulista. Tem uma população que. A grande força de sua economia está depositada nas atividades desenvolvidas pelo setor primário. elaborado por SMA/CPLA (2010) 37 35656001 miolo. 21 uGrHi 18 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). Tem uma extensão territorial de 6. agropecuário. 17 usinas em atividade. pois sua vazão total disponível é de 82 m³/s e sua demanda total de água de 8 m³/s (SMA/CRHi. com a Estância Climática de Campos Novos Paulista e a Estância Hidromineral de Águas de Santa Bárbara. abarcando 0. esta UGRHI participa ainda de circuitos turísticos oficiais do Estado de São Paulo. 2010). Seu município pólo é Jales.783 km². o que representou 21% do todo da população da UGRHI (IBGE. 2010a). que contou com população de 47 mil habitantes no ano de 2010. na região.indd 37 15/4/2011 15:13:59 . Ainda merecem destaque a bovinocultura e a suinocultura que têm grande representatividade no segmento para o todo do Estado. a bacia deve contar com uma população estimada em 235 mil habitantes (SEADE. 2010a). 2010b). vistos na Figura 2. uGrHi 18 – são José dos dourados A UGRHI 18 – São José dos Dourados é. em 2010. FiGura 2.

2010a). Sua vazão total disponível é de 36 m³/s e sua demanda total de água para consumo é de 4 m³/s (SMA/CRHi. uGrHi 19 – baixo tietê A UGRHI 19 – Baixo Tietê tem por vocação a agropecuária. 2010). 38 35656001 miolo. Seu território abrange uma área de 15. tem na cana-de-açúcar. de 754 mil habitantes. Nesta UGRHI. enquanto sua demanda de consumo chega a pouco mais de 5 m³/s. FiGura 2. as suas culturas predominantes.indd 38 15/4/2011 15:14:00 . totalizando uma população. elaborado por SMA/CPLA (2010) Seu balanço hídrico sugere que a bacia hidrográfica viva confortavelmente.588 km². Fazem parte dela 42 municípios (Figura 2. que é voltado para a prática de atividades recreativas e náuticas.8% da população do Estado (IBGE. espera-se que a bacia tenha uma população de aproximados 790 mil habitantes (SEADE. além da pesca esportiva. 1.22). em 2010. as Estâncias Turísticas de Ilha Solteira e Santa Fé do Sul destacam-se pelo turismo desenvolvi do na Represa de Ilha Solteira. Em 2020. Elas dividem com sua pecuária – de corte e de leite – o conjunto forte da produção de riquezas da região. já que sua disponibilidade hídrica total é de 16 m³/s. que alimenta suas cinco usinas de açúcar e álcool. 22 uGrHi 19 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). 2010). 2010b).Sua segurança hídrica se encontra em estado de atenção. e na laranja. 32% do total disponível (SMA/CRHi. Com uma economia basicamente agropecuária.

Estão situadas num mesmo sítio geográfico.indd 39 15/4/2011 15:14:00 . porém muito cara.São ambientes pólos de seu desenvolvimento o Aglomerado Urbano de Araçatuba e Birigui. uma paisagem tradicional da região. 21 e 22 com a bacia hidrográfica de São José dos Dourados (UGRHI 18) são evidentes. Sua extensão territorial é de 13. por sua vez.9% da população paulista). ou 46% da população existente na bacia neste ano (IBGE. Neles estão concentrados. de 364 mil habitantes (0. uma vez que tem sua história ligada à chegada dos imigrantes japoneses em 1920. As represas possuem grande potencial para a prática de atividades recreativas. às margens da Hidrovia Tietê-Paraná. do transporte rodoviário. segundo o IBGE (2010a). estando previsto que não passará de 375 mil habitantes em 2020 (SEADE. Penápolis e Andradina. Esta UGRHI apresenta grande potencial para desenvolvimento do turismo náutico e de pesca esportiva. As semelhanças das UGRHI 20. O plantel do gado criado em suas pastagens vai servir às necessidades dos frigoríficos. Os 63 mil habitantes calculados para 2010 conformam aproximados 17% do todo da população da bacia. em 2010. que produzem fios cirúrgicos e equipamentos hospitalares. que hoje se destaca pelas indústrias da área médica. que foram atraídos para trabalhar nas fazendas da região. Toda essa cana plantada é trabalhada para atender à demanda das 28 usinas de açúcar e álcool instaladas na bacia. em função da presença de seu Porto Hidroviário. ainda pouco explorado por razões das mais diversas. com todos os seus municípios convivendo com plantios de cana. uGrHi 20 – aguapeí A UGRHI 20 – Aguapeí está classificada também como de vocação agropecuária. A Estância Turística de Tupã é seu município pólo. além do município de Penápolis. A Estância Turística de Pereira Barreto tem potencial para a prática do turismo cultural e rural. e pelas pastagens. Birigui. Em Araçatuba. que produz calçados para o público infantil e artefatos de couro sintético. e as incertezas nas operações das combalidas malhas ferroviárias e do Complexo Hidroviário do Estado. instalados nos municípios de Araçatuba.23) abrigavam uma população. a dependência da estrutura de alta qualidade. verificam-se oportunidades de diversificação de seu parque industrial. entre as terras ocupadas pela cultura da cana-de-açúcar. mas infinitamente mais baratos que o rodoviário. em números de 2010. Birigui. grosso modo.196 km². especialmente nos municípios localizados às margens do rio Tietê. dos curtumes e da indústria de leite em pó. 2010a). Seu espaço rural está dividido. 39 35656001 miolo. 2010b). Seus 32 municípios (Figura 2. 348 mil habitantes. abriga o Arranjo Produtivo Local Calçadista. São eles: as distâncias que as separam dos centros de maior consumo e das áreas portuárias de exportação de seus produtos. possuem mesmas características paisagísticas e vivem a braços com mesmos problemas logísticos.

elaborado por SMA/CPLA (2010) A segurança hídrica da UGRHI está avaliada como bastante confortável pelos números que apresenta. cobriam 41% de seu espaço territorial (IEA. Letos. sua vazão total disponível é de 41 m³/s. seus principais produtos agropecuários. A Estância Turística de Tupã recebeu grande influência das colônias que se instalaram naquela região na época do cultivo do café. portugueses. A cana cobria em 2009. 2010). 23 uGrHi 20 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). 2009).indd 40 15/4/2011 15:14:01 . Assim. espanhóis e sírios ajudaram a escrever a história do município que hoje é propenso ao desenvolvimento do turismo cultural e rural. Lazer e Turismo do Estado de São Paulo (SELT) um dos 16 municípios indutores estaduais do turismo. guarda as mesmas semelhanças já detectadas em relação às especificidades das bacias hidrográficas de São José dos Dourados e Aguapeí. por sua vez. Boa parte da região apresenta grande potencial para a prática da pesca esportiva. do turismo náutico e de atividades recreativas nas águas dos rios Paraná e Aguapeí. 15% do todo do território da bacia. O uso e ocupação de solo da Bacia se dão segundo as culturas da cana-de-açúcar e da bovinocultura. eleito recentemente pela Secretaria de Esportes.FiGura 2. também agropecuária. japoneses. 40 35656001 miolo. italianos. uGrHi 21 – Peixe A UGRHI 21 – Peixe. Merece destaque o município de Panorama. garantindo a sustentação da produção das oito usinas instaladas na região. As pastagens. russos. enquanto sua demanda é algo como 3 m³/s (SMA/CRHi.

2010b). 2010).1% da população total de São Paulo. Atualmente comporta cerca 1. FiGura 2.769 km². tinha uma população. Seu desempenho econômico está muito próximo àquele observado na bacia hidrográfica do Aguapeí. bem superior aos 2 m³/s da demanda por suas águas (SMA/CRHi. Suas pastagens ocupavam. em 2009. Existe ainda um grande potencial para a prática da pesca esportiva e de atividades voltadas para o turismo náutico no rio do Peixe. não indo além de 500 mil. 2010a). espalhados por 26 municípios (Figura 2. quando em 2020 (SEADE. de 448 mil habitantes (IBGE. 2009). A cana cobria no mesmo ano 16% do território e abastecia suas seis usinas de açúcar e álcool (IEA.indd 41 15/4/2011 15:14:03 . 41 35656001 miolo. Seu município pólo é Marília. elaborado por SMA/CPLA (2010) Sua segurança hídrica está assegurada. com população de 217 mil habitantes em 2010 ou 48% do todo da bacia (IBGE. 24 uGrHi 21 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). 50% do todo da área da bacia. com sua força de produção agropecuária dividida entre a cultura da cana-de-açúcar e a bovinocultura. em 2010. Sua disponibilidade hídrica total é de 38 m³/s.Com extensão territorial de 10.24). 2010a).

com aproximadamente 33 mil hectares. O Parque Estadual Morro do Diabo. era de 208 mil habitantes ou 43% da população total da bacia (IBGE. estando estimado que. em 2010. 2010). abarcando 1.2% da população do Estado (IBGE. Nos rios Paraná e Paranapanema podem ser praticadas atividades de recreação.uGrHi 22 – Pontal do Paranapanema A UGRHI 22 – Pontal do Paranapanema é também classificada como de vocação agropecuária. Aguapeí e Peixe. 18% do seu território. 2010a). Sua disponibilidade hídrica total é de 47 m³/s. Suas nove usinas de açúcar e álcool tiveram à sua disposição uma safra de cana. Seu município pólo é Presidente Prudente. 2010b). 42 35656001 miolo. Sua população.25) habitados em 2010 por uma população de 479 mil habitantes. que ocupou. em 2020. Sua extensão territorial é de 12. aqui. FiGura 2.indd 42 15/4/2011 15:14:04 . localizado no município de Teodoro Sampaio. com destaque para a região da Estância Turística de Presidente Epitácio. elaborado por SMA/CPLA (2010) Em relação à sua segurança hídrica vive situação confortável. São 21 municípios (Figura 2. com uma ascendência muito forte sobre os demais municípios da UGRHI. além de ser o maior fragmento de floresta de todo o oeste paulista. 25 uGrHi 22 e seus MunicíPios constitutivos Fonte: São Paulo (2005). pesca esportiva e esportes náuticos.395 km². suas pastagens ocupavam 71% do território no mesmo ano. Ainda. em 2009. segundo o IEA (2009). oferece o cenário ideal para a prática do ecoturismo. 2010a). e sua demanda total gira em torno de 1 m³/s (SMA/CRHi. Repete-se. esta população não deva ultrapassar os 510 mil habitantes (SEADE. as questões de similaridade levantadas para as bacias hidrográficas de São José dos Dourados.

SÃO PAULO (Município). Disponível em: <http://www. Dados fornecidos. gov. Acesso em: dez. Relatório de Pesquisa.2010. São Paulo. Coordenadoria de Recursos Hídricos. Recursos Hídricos e Saneamento.br>. Conselho Estadual de Recursos Hídricos.2010. Disponível em: <http://www.ipeadata. INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA: Banco de dados. 2010.gov.seade.gov. Contagem Populacional. São Paulo. Disponível em: <http://www. 2010a. 2010. LAZER E TURISMO DO ESTADO DE SÃO PAULO / FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONÔMICAS – SELT/FIPE. 2010. SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO – SMA/SP. 2007. 2010. São Paulo: SMA/CRHi. Histórico Demográfico do Município de São Paulo.iea. 2009. 2008. – EMPLASA. Caracterização da demanda turística do Estado de São Paulo. Censo Demográfico. Plano Estadual de Recursos Hídricos 2004-2007.gov. Macrometrópole Paulista – Indicadores 2008. Secretaria Municipal de Planejamento/ Departamento de Estatística e Produção de Informação.seade. 2010a. Secretaria de Energia. SÃO PAULO (Estado).indd 43 15/4/2011 15:14:04 . SECRETARIA DE ESPORTES.referências EMPRESA PAULISTA DE PLANEJAMENTO METROPOLITANO S. 2010. Acesso em: dez. Disponível em <http://www.br>. 2005. Dados fornecidos não publicados. Projeções Populacionais.br>. 2010b.br>.gov. DAEE.A.sp. INSTITUTO FLORESTAL – IF.ibge. São Paulo. São Paulo: EMPLASA. Acesso em: nov. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA – IPEA.ibge. 2005. Produto Interno Bruto.br>.br>. Disponível em <http:// www. 43 35656001 miolo. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Acesso em: nov. Banco de Dados. FUNDAÇÃO SISTEMA ESTADUAL DE ANÁLISE DE DADOS – SEADE.gov. Inventário Florestal da Vegetação Natural do Estado de São Paulo 2008/2009. 2007. 2008. Acesso em: dez. São Paulo. Acesso em: nov. 2010.sp. FUNDAÇÃO SISTEMA ESTADUAL DE ANÁLISE DE DADOS – SEADE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. não publicado. 2010.sp. Disponível em <http://www.

conforme dados do Censo 2010 realizado pelo IBGE. podemos perceber uma grande discrepância quanto à distribuição espacial da população. é a cidade mais populosa do país. subsidiando o poder público na tomada de decisões e elaboração de novas políticas relacionadas ao ordenamento territorial. todas vizinhas da bacia do Alto Tietê e que também contam com população expressiva (Figura 2. Se compararmos as 22 UGRHI do Estado.indd 44 15/4/2011 15:14:04 . 02 (Paraíba do Sul). com 2. a de Campinas (19 municípios) e a da Baixada Santista (9 municípios). 10 (Sorocaba/ Médio Tietê) e 07 (Baixada Santista).27. o adensamento populacional no território implica em uma maior pressão sobre o meio ambiente.6% da população total do Brasil. levando a sociedade a emitir respostas. é imprescindível que se conheça as dinâmicas que ocorrem na sociedade e no território que ela ocupa. pressões estas que vão alterar seu estado. Vale destacar a UGRHI 06 (Alto Tietê).9% do território nacional. que alcança pouco mais de 190. que apresenta a distribuição da densidade demográfica dos municípios paulistas. Nesse sentido. retratadas pelas dinâmicas demográficas. seja por meio da elaboração de novas políticas públicas ou produção de informação como subsídio a tomada de decisão. 44 35656001 miolo. De todas as unidades federativas.2 caracterização das dinâmicas territoriais Para que se avalie a qualidade ambiental de qualquer região. sendo fundamental conhecer as condições dessa ocupação. As atividades humanas. respectivamente.2 milhões de habitantes. ou 2. O município de São Paulo.2 milhões de pessoas.8 e 1. sendo também o núcleo da Região Metropolitana de São Paulo. Além desta.7 milhões de pessoas. produzem pressões no ambiente. que contempla o município de São Paulo e conta com 19. O Estado conta ainda com duas outras regiões metropolitanas. somando 41. Esse adensamento populacional pode ainda ser verificado na Figura 2.7 milhões de habitantes. o Estado de São Paulo ocupa 248.5 milhões de habitantes.26). composta por 39 municípios e ocupada por 19.2. merecem também destaque as UGRHI 05 (Piracicaba/Capivari/Jundiaí).2. ou 47% da população total do Estado. 2.1 dinâmica demográfica e social Localizado na região Sudeste do Brasil.209 km2.7 milhões de habitantes. capital do Estado. podendo gerar impactos na saúde humana e nos ecossistemas. é aquela com a maior população. econômicas e de ocupação do território. ficando evidenciado um grande adensamento populacional no entorno da cidade de São Paulo e nas bacias mais próximas a mesma. Isso representa 21. com 11. sociais.

33 0.FiGura 2. 72 0. elaborado por SMA/CPLA (2010) 45 35656001 miolo. 28 0. 36 0. 11 0. 99 1. 75 0. 45 0. 08 Milhões de habitantes 16 6 1. 66 1. elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 2. 22 0. 67 0. 37 0. 23 1.indd 45 15/4/2011 15:14:07 . 26 20 19 . 48 1.5 1 PoPulação do estado de são Paulo Por uGrHi eM 2010 18 14 12 10 8 5. 67 0. 85 1. 06 4 2 0 6 5 2 10 7 13 9 15 4 19 14 8 17 16 22 21 11 20 12 3 18 1 UGRHI Fonte: IBGE (2010a). 45 1. 51 0. 27 densidade deMoGráFica dos MunicíPios do estado de são Paulo eM 2010 Fonte: SEADE (2010c). 48 0.

tabela 2.0 1.1 1.Apesar da maior população entre todos estados. podemos identificar uma diminuição gradual da taxa geométrica de crescimento populacional do Estado entre 1980/1991 e 2000/2010. como visto na Figura 2. 8 ParâMetros coMPonentes do iPrs dimensão Riqueza Longevidade Escolaridade componentes contribuição para o indicador Consumo anual de energia elétrica residencial 44% Consumo anual de energia elétrica no comércio.8 1. que por sua vez. se analisarmos a evolução do crescimento da população paulista. o IPRS considera variáveis de três dimensões: riqueza municipal. e com alguns aperfeiçoamentos. médio ou alto).1 2. longevidade e escolaridade.5 1. FiGura 2.5 2. corresponde a um determinado nível de qualidade (baixo. elaborado por SMA/CPLA (2010) Para avaliar as condições de vida da população.0 0. calculado pela Fundação SEADE. O resultado em cada uma delas é um número entre zero e 100.indd 46 15/4/2011 15:14:07 . 28 taxa GeoMétrica de cresciMento PoPulacional do estado de são Paulo entre 1980/1991 e 2000/2010 % ao ano 2. tomamos como referência o Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS).5 0.8 mostra os parâmetros que compõe o IPRS em cada dimensão considerada e a contribuição de cada um deles no valor final. A Tabela 2. agricultura e nos serviços 23% Rendimento médio do emprego formal 19% Valor adicionado fiscal per capita 14% Taxa de mortalidade perinatal 30% Taxa de mortalidade infantil 30% Taxa de mortalidade de pessoas de 15 a 39 anos 20% Taxa de mortalidade de pessoas de 60 anos e mais 20% Porcentagem de pessoas de 15 a 17 anos que concluíram o ensino fundamental 36% Porcentagem de pessoas de 15 a 17 anos com pelo menos quatro anos de estudo 8% Porcentagem de pessoas de 18 a 19 anos que concluíram o ensino médio 36% Taxa de atendimento à pré-escola entre crianças de 5 a 6 anos 20% Fonte: SEADE (2011) 46 35656001 miolo.0 1980/1991 1991/2000 2000/2010 Fonte: SEADE (2010c). Inspirado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).28.

enquanto os melhores índices de escolaridade estão concentrados mais a oeste do Estado e os de longevidade nas regiões central e norte. Podemos constatar que a riqueza está concentrada nas regiões mais populosas. 2004.9 mostra os indicadores sintéticos das três dimensões do IPRS em 2002. elaborado por SMA/CPLA (2011) As Figuras 2. Podemos observar uma melhora nas três dimensões que compõe o índice para o período analisado.29. 2006 e 2008.A Tabela 2.indd 47 15/4/2011 15:14:08 . tabela 2. elaborado por SMA/CPLA (2011) 47 35656001 miolo.31 mostram a distribuição desses indicadores nos municípios paulistas para o ano de 2008. 2. FiGura 2. 29 distribuição do indicador de riQueza Por MunicíPio eM 2008 Fonte: SEADE (2011). para o Estado de São Paulo. 9 indicadores sintéticos do iPrs do estado de são Paulo de 2002 a 2008 diMensão 2002 2004 2006 2008 50 (alto) 52 (alto) 55 (alto) 58 (alto) Longevidade 67 (médio) 70 (médio) 72 (médio) 73 (médio) Escolaridade 52 (médio) 54 (médio) 65 (médio) 68 (médio) Riqueza Fonte: SEADE (2011).30 e 2.

indd 48 15/4/2011 15:14:11 . 31 distribuição do indicador de escolaridade Por MunicíPio eM 2008 Fonte: SEADE (2011). 30 distribuição do indicador de lonGevidade Por MunicíPio eM 2008 Fonte: SEADE (2011).FiGura 2. elaborado por SMA/CPLA (2011) 48 35656001 miolo. elaborado por SMA/CPLA (2011) FiGura 2.

o que representa 33.indd 49 15/4/2011 15:14:11 . e é responsável por 50% dos empregos formais no Estado (Tabela 2.4% 29. 2.062. Podemos observar que o setor de serviços responde pela maior parcela do valor adicionado. Compreende tanto aquelas moradias sem condições de serem habitadas devido à precariedade das construções ou em virtude de terem sofrido desgaste da estrutura física e que devem ser repostas.Com relação à questão habitacional. utilizamos aqui o conceito de déficit habitacional. Se compararmos com o número verificado para o Brasil (5.366 moradias. em 2008. o Estado de São Paulo apresentou.00. que está ligado diretamente às deficiências do estoque de moradias. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: Consideramos aqui a atividade de construção civil um subsetor da indústria enquanto o setor de comércio e da administração pública inseridos no setor de serviços. 69%. do valor adicionado do Estado de São Paulo em 2008.572.12%) se encontra na Região Metropolitana de São Paulo. O indicador de déficit habitacional expressa a quantidade de novas unidades domiciliares necessárias para comportar a população urbana existente nos municípios. decorrente da coabitação familiar ou da moradia em locais destinados a fins não residenciais. FiGura 2. que totalizou R$ 826. em 2008.10). por setor da economia. 49 35656001 miolo.580. um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 1 trilhão (preços correntes).32 mostra a distribuição percentual. sendo que quase a metade (48.2.0% Fonte: SEADE (2010c). como também aspectos relacionados à necessidade de incremento do estoque.1% de tudo que foi produzido no país no mesmo ano. 32 distribuição do valor adicionado do estado de são Paulo Por setor da econoMia eM 2008 1. revelando as contradições e disparidades sociais existentes.313 moradias). Segundo dados do Ministério das Cidades (2010a). um déficit de 1. A Figura 2.2 dinâmica econômica O Estado de São Paulo apresentou.5% Agropecuária Indústria Serviços 69. constatamos que o déficit habitacional do Estado de São Paulo representa pouco mais de 19% do total observado para o país. Vale frisar que o valor adicionado equivale ao PIB menos os impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

53 100.00 Agropecuária Comércio Construção Civil Indústria Serviços Fonte: SEADE (2010c).000.47 50.00 1. 10 distribuição do eMPreGo ForMal no estado de são Paulo Por setor da econoMia eM 2009 agropecuária comércio construção civil indústria serviços total número de vínculos empregatícios 372. muito pela exigência de maior qualificação por parte dos trabalhadores.500.71 930. Dos 30 destinos turísticos brasileiros mais visitados pela população.885. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: O número de empregos apresentado refere-se. Dados de 2006 revelam que o Estado recebeu 29% do fluxo turístico doméstico brasileiro. vale destacar a atividade turística do Estado de São Paulo. 2008).69 1. informados pelos estabelecimentos quando da elaboração da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS.575 2.000.400.00 2. A Figura 2.451 2.714. seguido do setor de serviços. cinco estão em São Paulo: Praia Grande. ao total de vínculos empregatícios remunerados. desde que formalmente contratados. Com 645 municípios e imensa diversidade cultural.00 1.00 0. é o Estado que mais emite e recebe turistas no país.tabela 2.326 6.00 1. Santos e a capital São Paulo (SELT/FIPE. elaborado por SMA/CPLA (2010) Dentro do setor de serviços.390 566.33 mostra o rendimento médio mensal por setor da economia no Estado de São Paulo em 2009.16 2.500.00 Fonte: SEADE (2010c). em uma determinada data. 50 35656001 miolo. do Ministério do Trabalho.indd 50 15/4/2011 15:14:11 .131 Parcela do total (%) 3.66 500. Podemos observar que a indústria é responsável maior rendimento médio. paisagística e de atrativos. Caraguatatuba.23 4.389 12. FiGura 2. que é um dos principais destinos turísticos do Brasil.08 19. Ubatuba. 33 rendiMento Médio Mensal Por setor da econoMia no estado de são Paulo eM 2009 2.103.69 22.076. estatutários (funcionários públicos) e trabalhadores avulsos.296.02 Reais (R$) 1. efetivamente ocupados por trabalhadores com carteira de trabalho assinada (regime da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT).322.079. sendo também responsável pela emissão de 41% dos turistas para as outras unidades da federação. temporários e outros.

reflexo da crise econômica ocorrida no período.4% e 3. Além disso. 2006). A cidade de São Paulo é o principal destino de negócios do Brasil e da América Latina (FIPE. Ainda com o objetivo de caracterizar a dinâmica econômica do Estado. podemos verificar na Figura 2. elaborado por SMA/CPLA (2010) Vale ressaltar a participação expressiva do modal rodoviário no consumo energético final do Estado. Porém. com um aumento de aproximadamente 0. Peruíbe e Mongaguá. Ribeirão Preto. Tendo em mente que o consumo energético traz impactos ao meio ambiente.146 x 103 toe (tonne of oil equivalent ou tonelada equivalente de petróleo). A maior parte do consumo se deu no setor industrial (27. 51 35656001 miolo. estado ou país. Desse total. 2006). economias de alta intensidade energética andam na contramão do desenvolvimento sustentável. enquanto os setores comercial e residencial cresceram 3. considerando todos setores consumidores. Itanhaém. concentrando mais de 20% dos estabelecimentos hoteleiros do país. o Estado possui o maior parque hoteleiro do Brasil. A intensidade energética é um indicador que expressa a quantidade de energia empregada para produzir cada unidade de PIB de uma região.34. Praia Grande. representando 86% do consumo do setor de transportes e 28% do consumo total.9% Setor Energé co 3. A Figura 2. 99% chegam por via aérea e 1% por via marítima. entre outros. entre outras.5% em relação ao ano anterior. Santos. O setor de transportes apresentou um aumento no consumo de energia final de 1. Podemos observar dessa relação uma nítida preferência pelos destinos do litoral paulista. Observamos.35 que segue mostra a evolução da intensidade energética de 2005 a 2009. um consumo energético da ordem de 58. De acordo com a FIPE (2006).6% 7. os destinos mais visitados de São Paulo são: a capital. A maior parte dos turistas que visita os destinos paulistas é proveniente do próprio Estado de São Paulo (74%). neste ano. Ubatuba. seja pela exploração de recursos naturais ou pela geração de resíduos e efluentes.8% Industrial Fonte: São Paulo (2010). O turismo de negócios também é representativo em cidades como Campinas. seguido pelos estados vizinhos de Minas Gerais.indd 51 15/4/2011 15:14:11 .7% observado no consumo do setor industrial em relação ao ano anterior.5% 32.0% respectivamente.085 x 103 toe) e de transportes (19. vale destacar o recuo de 0.5%. Paraná e Rio de Janeiro (FIPE. São Paulo é a porta de entrada para 47% dos turistas estrangeiros que visitam o país. recebendo cinco milhões de turistas/ano em feiras.040 x 103 toe) que.6% Residencial Comercial Público Agropecuário Transportes 46.Contando com três aeroportos internacionais e com o maior porto brasileiro. convenções. Sorocaba. Caraguatatuba. juntos. FiGura 2. representaram quase 80% do consumo energético final. Santos. a participação de alguns setores no consumo energético final de São Paulo em 2009. Bauru.8% 1.8% 1. 34 ParticiPação dos setores no consuMo enerGético Final do estado de são Paulo eM 2009 5. Aparecida. Guarujá. Santo André.

35 intensidade enerGética no estado de são Paulo de 2005 a 2009 0. 52 35656001 miolo. industrial e conservação.3 dinâmica de uso e ocupação do solo Quando se analisa o conjunto das UGRHI agrupadas por meio de suas vocações socioeconômicas (Figura 2. a adoção de medidas mais eficientes no uso da energia para desacoplar o crescimento econômico do consumo energético. especialmente nas zonas urbanas. as transformações e o crescimento econômico que vêm ocorrendo nessas bacias certamente levarão a um incremento significativo da população ao longo dos próximos anos.075 10³ toe/ 106 R$ 0. Com 42% da área do Estado. Ocupam uma quinta parte (21%) da área do Estado e 12% da população. elaborado por SMA/CPLA (2010) Verifica-se que a intensidade energética no Estado de São Paulo vem se mantendo constante ao longo dos últimos anos. Delas fazem parte as três regiões metropolitanas paulistas e muitas cidades de elevada relevância econômica.5% da população. 73% de toda a população do Estado se encontra nas UGRHI de vocação industrial. Entretanto. indicando que o aumento do Produto Interno Bruto estadual tem sido proporcional ao aumento do consumo de energia. concentrado primeiramente na cidade de São Paulo. as UGRHI estão divididas em quatro categorias de vocação: agropecuária. Como definido na Lei Estadual nº 9. em industrialização. já que as bacias com essa vocação ocupam tão somente 20% de todo o território.indd 52 15/4/2011 15:14:12 . Como se verifica na Figura 2.2). possibilitando. sendo necessária.070 0. O contrário acontece nas UGRHI de vocação agropecuária. ou seja. possuem somente 11% de toda a população. 2. em industrialização. evidenciando um grande adensamento demográfico nessas áreas. percebe-se que a relação entre a distribuição espacial da população e a área ocupada pelo grupo dessas UGRHI é muito desigual.071 0. especialmente desde o início do processo de industrialização brasileiro.065 0.070 0. a diminuição da intensidade energética no Estado. Já as UGRHI com vocação conservacionista ocupam 17% do território e contam com 3. assim.071 0. desta forma.071 0.FiGura 2.36.071 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: São Paulo (2010). Atenção especial merece o grupo das UGRHI que estão em processo de transição socioeconômica.034/94. Isso se dá conforme todo o histórico de uso e ocupação do território paulista.2. que dispõe sobre o Plano Estadual de Recursos Hídricos.

2% 17. 36 Percentual de área e PoPulação Por vocação das uGrHi no estado de são Paulo eM 2010 População 80% Área 73.8% 12. 53 35656001 miolo. que. no futuro. “os Estados poderão.1% 11.37 e detalhada mais adiante. Entre estas três regiões formou-se um corredor de cidades de médio porte. ocasionando o surgimento de uma densa malha viária.0% 60% 42. O cenário econômico mais recente. com o avanço do processo de conurbação entre as cidades da região.5% 0% Industrial Em industrialização Agropecuária Conservação Fonte: São Paulo (2005) e IBGE (2010a). baseado em critérios da Fundação SEADE (2006) e da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano –EMPLASA (2008). o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum” (Constituição art. aglomerações urbanas e microrregiões. mediante lei complementar. para integrar a organização.3% 3. resultou em uma refuncionalização do território do ponto de vista da ocupação urbana.25 § 03). passaram a existir as Regiões Metropolitanas de Campinas e da Baixada Santista. associado a um planejamento governamental que priorizou a descentralização econômica. mercadorias e serviços. De acordo com a Constituição da República. elaborado por SMA/CPLA (2010) áreas urbanas Nas últimas décadas. Nesse sentido.indd 53 15/4/2011 15:14:12 . consideramos aqui três classificações para as regiões urbanizadas do Estado: regiões metropolitanas. constituídas por agrupamentos de Municípios limítrofes.0% 19.1% 40% 20% 21. destacada na Figura 2. aglomerações urbanas e centros urbanos. estabelecendo-se fluxos de pessoas. houve no Estado de São Paulo a priorização do modal rodoviário em detrimento da ferrovia. faz-se necessário o entendimento da rede urbana paulista. uma megalópole – espaço urbano contínuo entre as metrópoles do Rio de Janeiro e São Paulo. instituir regiões metropolitanas. fazem com que vários autores e instituições passem a trabalhar com o conceito da Macrometrópole Paulista. o que impulsionou a localização dos principais eixos industriais para novas áreas próximas às rodovias. Além da já existente Região Metropolitana de São Paulo. bem como suas relações econômicas e institucionais. As rela ções de complementaridade urbana destas cidades. contribui para configurar. altamente urbanizadas e dotadas de importantes parques industriais.FiGura 2. Outra relação importante de complementaridade urbana está em curso na região urbano-industrial do Vale do Paraíba. De forma complementar à análise dos principais vetores de desenvolvimento urbano do Estado.

Serrana. Mirassol e São José do Rio Preto. Itanhaém. Gavião Peixoto. Hortolândia. Caieiras. Nova Odessa. Artur Nogueira. Santo Antônio da Posse. Porto Feliz. Araraquara. Santa Bárbara d’Oeste. Salesópolis. Jundiaí. 11 reGiões MetroPolitanas. Fonte: SEADE (2006) e EMPLASA (2008). oito aglomerações urbanas – sem normas específicas que as criam – e 10 centros urbanos. São José do Rio Preto 3 Bady Bassit . Conchal. Piracicaba-Limeira 12 Araras. como pode ser visto na Tabela 2. Pindamonhangaba. MogiGuaçu. Carapicuíba.37. Salto. Campinas. Guaratinguetá. Cajamar. Holambra. Além destas. Sertãzinho. Sorocaba-Jundiaí 13 Atibaia. Tatuí. Jarinu. Estiva Gerbi. Caçapava. Potim. centros urbanos número de municípios regiões Metropolitanas 10 Municípios Barretos. Mairiporã. Santo André. Cravinhos. Santos. Itatiba. Juquitiba. Pedreira. Dumont. Rio Claro e Santa Gertrudes. elaborado por SMA/CPLA (2010) 54 35656001 miolo. Mauá. Mogi das Cruzes. Leme. Ribeirão Preto 8 Barrinha. Itapecerica da Serra. Monte Mor. Pradópolis. Roseira. Itaquaquecetuba. Poá. Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista. consideramos que existem ainda. Monguaguá. Jaguariúna.indd 54 15/4/2011 15:14:12 . Bauru 4 Agudos. Ferraz de Vasconcelos. aGloMerações urbanas e centros urbanos reGionais do estado de são Paulo número de municípios Municípios São Paulo 39 Arujá. Paulínea. existem três regiões metropolitanas legalmente instituídas: a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Araçatuba 2 Araçatuba e Birigui. Araraquara-São Carlos 5 Américo Brasiliense. Campinas 19 Americana. São Lourenço da Serra. Cubatão. Suzano. Ribeirão Preto. Campo Limpo Paulista. Vinhedo. Osasco. São José dos Campos. São Paulo. Jaú.Em São Paulo. Embu-Guaçu. Sorocaba e Várzea Paulista. Barueri. Franco da Rocha. Cabreúva. Valinhos. Piracicaba.11 e na Figura 2. Jandira. Itupeva. Pirapora do Bom Jesus. Baixada Santista 9 Bertioga. Indaiatuba. Itapetininga. Guatapará. Guarujá. Presidente Prudente. Cotia. aglomerações urbanas número de municípios Municípios São José dos Campos 10 Aparecida. Cosmópolis. Praia Grande. Itapevi. Biritiba-Mirim. Cordeirópolis. Diadema. Santa Isabel. Ourinhos. Bragança Paulista. Itu. Guarulhos. São Bernardo do Campo. Ibaté e São Carlos. Jacareí. Marília. Franca. Louveira. Rio Grande da Serra. Ribeirão Pires. São Caetano do Sul. São Vicente. Limeira. Botucatu. Embu. Iracemápolis. Catanduva. Moji-Mirim. a Região Metropolitana de Campinas (RMC) e a Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS). municípios que funcionam como pólos regionais. Sumaré. tabela 2. Lençóis Paulista e Pederneiras. Peruíbe. Guararema. Bauru. Taubaté e Tremembé. Francisco Morato. Santana de Parnaíba. Engenheiro Coelho.

803.978.415.798.2% regiões Metropolitanas São Paulo 19.9% Araraquara-São Carlos 500. respectivamente.592 3.1% São José do Rio Preto 476.2% 2.6% 41.96 0.FiGura 2.327 1.5% 4.0% 2.894 3.99 3.12). elaborado por SMA/CPLA (2010) 55 35656001 miolo.582 47.57 1.00% 248.8% Sorocaba-Jundiaí 1.359.3% Araçatuba 290.867.0% aglomerações urbanas São José dos Campos 1.477 6.8% 3.566. o conjunto das três regiões metropolitanas concentrava quase 60% da popula ção do Estado.32 1.252. As regiões metropolitanas da Baixada Santista e de Campinas concentravam. 37 reGiões MetroPolitanas.475 3. somente a Região Metropolitana de São Paulo concentrava 48%.645. aGloMerações urbanas e centros urbanos reGionais do estado de são Paulo Fonte: SEADE (2006) e EMPLASA (2008).61 1.849 1.230 4.7% 7.160 100.803 2. tabela 2.697.3% Bauru 481.7% 1.83 2.70 0. 12 – PoPulação e área das áreas urbanas do estado de são Paulo eM 2010 unidade População (hab) % área (km²) % 3. segundo o IBGE (2010a).525.12 1.6% Piracicaba-Limeira 1.672.78 1. sendo que.43 100.340 0.5% Baixada Santista 1.0% 2.7% 1.327.8% 4.2% 3.53 0.indd 55 15/4/2011 15:14:13 .174.00% centros urbanos Total estado de são Paulo Fonte: SEADE (2010c) e IBGE (2010a).8% 8.082 4.82 Campinas 2.663.422.209.041.2% 784. elaborado por SMA/CPLA (2010) Em 2010. 4% e 7% da população (Tabela 2.67 1.581.943.3% 5.555 1.2% Ribeirão Preto 846.

de Campinas e da Baixada Santista. o panorama de ocupação do território paulista evidencia algumas discrepâncias regionais. conjuntos de cidades de médio porte. de acordo com o estudo da FAU/USP. Desse perfil resulta. de início com os subúrbios e depois com áreas desconexas dos núcleos principais. 56 35656001 miolo. passam a ser organizados de modo integra do. Já no eixo do Vale do Paraíba. juntamente com os Aglomerados Urbanos de Piracicaba-Limeira. que nada mais é do que a conformação das Regiões Metropolitanas de São Paulo. houve a formação de um eixo entre as regiões metropolitanas do Estado. portanto. entre 1970 e 1990. a Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (EMPLASA. além das regiões metropolitanas oficiais. ainda. 2008). de São José dos Campos e de Sorocaba-Jundiaí. um estudo organizado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU/USP (REIS. A Baixada Santista também apresenta elevado grau de urbanização e adensamento populacional. de Jundiaí. os novos padrões de grande dispersão4. Apesar de concentrar expressivos 60% da população. as regiões adjacentes de São Jose dos Campos. causando a formação de áreas periféricas. Limeira e Rio Claro. atrelados a essa nova configuração. de Sorocaba e Itu. as três regiões metropolitanas ocupam juntas. o aumento da demanda por espaços e equipamentos urbanos e a consequente elevação dos preços da terra edificável. Especificamente abordando a distribuição espacial do uso do solo urbano no Estado de São Paulo. A Figura 2. A grande concentração urbana se define.Como já visto anteriormente. Se considerarmos. A mudança no padrão do tecido urbano torna-se evidente principalmente nestas regiões do Estado. como um “Sistema Integrado de Regiões Metropolitanas” e envolve. somente 6% do território do Estado. todos os municípios tipicamente urbanos citados acima. A maior concentração populacional acompanha os eixos da Rodovia Anhanguera (SP-330) e da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro.38 mostra a Macrometrópole Paulista e as regiões que a compõe. como uma área metropolitana. além de outros eixos ligando a RMSP a Sorocaba e ao Vale do Paraíba. 2006) indica que. em maior escala. em direção ao Rio de Janeiro. que ocupam uma área de apenas 19% de todo território. observamos mais de 80% da população paulista vivendo nesses municípios. como subsídio ao planejamento territorial do Estado.indd 56 15/4/2011 15:14:14 . Caminhando no mesmo sentido. uma grande concentração demográfica em poucas áreas do Estado. abrangendo um total 102 municípios. de Piracicaba. definiu a Macrométropole Paulista. Esse fenômeno pode ser chamado de urbanização difusa ou dispersa. 4 Entende-se por novos padrões de dispersão urbana áreas de ocupação residenciais voltadas ao lazer que se consolidam como núcleos de habitação permanente. de Mogi Mirim e Mogi-Guaçu e de Atibaia. a mancha urbanizada desenvolveu-se ao longo da Rodovia Presidente Dutra (BR-116). como no Vale do Paraíba e no entorno de Campinas. sendo que a urbanização deste vetor apresenta. tendo como centros as cidades de São José dos Campos e Taubaté. Diante disso. configurando-se simultaneamente bairros industriais e complexos comerciais. com a aceleração do processo de ocupação.

ocupam uma área de pouco menos de 20% do total do Estado.39. como podemos observar na Figura 2. que somados. 38 a MacroMétroPole Paulista e suas reGiões constitutivas Fonte: EMPLASA (2008). 2008).indd 57 15/4/2011 15:14:14 . fica ainda mais evidente a distribuição desigual da população paulista em seu território. mais de 80% de sua população vive em municípios tipicamente urbanos. 57 35656001 miolo. no qual.FiGura 2. elaborado por SMA/CPLA (2010) A importância desta macrometrópole é confirmada quando observamos que a mesma abriga 70% da população paulista em apenas 11% do território e produz cerca de 80% do PIB estadual (EMPLASA. Desta forma.

áreas rurais O setor primário da economia. as atividades ligadas à agropecuária e à silvicultura são as principais.6% Demais Aglomerados Urbanos Centros Urbanos 0% Macrometrópole Restante do Estado Fonte: SEADE (2010c) e IBGE (2010a). nas UGRHI de vocação conservacionista (Litoral Norte.3% 3. e que. ou seja. 39 Percentual de PoPulação e área da MacroMetróPole Paulista e do restante do estado eM 2010 População Área 100% 80% 80. Ribeira de Iguape/Litoral Sul e Alto Paranapanema). não apresentam suas atividades econômicas ligadas exclusiva ou predominantemente ao setor primário da economia.indd 58 15/4/2011 15:14:15 . 2005) realizou um estudo. integrando dados do IBGE (Censo 2000) com informações obtidas por meio da interpretação de imagens de satélite (LANDSAT 2000-2001). mais de 75% do total de municípios existentes. se localizem fora das regiões metropolitanas e aglomerados urbanos. que alguns municípios considerados rurais de acordo com os critérios descritos acima. Esses municípios têm potencial para a conservação e para o setor terciário da economia. estimativas realizadas para o ano de 2020 (MIRANDA et al. independentemente de sua densidade demográfica.3% 6. todos aqueles municípios com população de até 50 mil habitantes. No Estado de São Paulo. mapeando as áreas efetivamente urbanizadas em todo o país. Contudo. Estes ocupam 76% da área do Estado e concentram o grosso das atividades agropecuárias paulista. a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA (MIRANDA et al.8% 70. 2005) apontam que a tendência de elevada con centração populacional permanecerá nas áreas do entorno das regiões metropolitanas e aglomerações próximas a elas.1% 60% 40% 20% 19. vale frisar.8% 3. desta forma. Esses municípios.FiGura 2. e se localizam. a região da Macrometrópole Paulista. os municípios rurais somam 488. o setor ligado diretamente às atividades rurais é vigoroso e participa de modo importante na economia estadual. publicado em 1999 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). elaborado por SMA/CPLA (2010) Confirmando a tendência de concentração populacional e de uso urbano do solo no entorno das regiões metropolitanas. se localizam principalmente no interior. sobretudo. ou com população entre 50 e 100 mil habitantes e densidade demográfica abaixo de 80 hab/km². De acordo com a metodologia adotada pelo IBGE. Mantiqueira. 58 35656001 miolo. Neste estudo. e da dispersão urbana ao longo dos eixos viários que partem da capital rumo a outros centros importantes do Estado. como o turismo. consolidando. embora espalhados por todo o território do Estado. são considerados rurais.7% 11.3% 4. ainda. Para a maioria dos municípios paulistas. nas UGRHI com vocação agropecuária. apresentada no trabalho “Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil”.

As dedicadas a lavouras temporárias (incluindo a cana-de-açúcar) aumenta ram.799 unidades.6% 29. FiGura 2. Em 2007/2008. notadamente o eucalipto e pinus. café. as Unidades de Produção Agrícola (UPA) que cultivavam a cana cresceram de 70. elaborado por SMA/CPLA (2010) Ao longo da última década.1 milhão de hectares (evoluíram de 23% para 33% do todo do solo rural).Cana-de-açúcar e pastagens: a predominância no uso do solo A predominância na ocupação e uso do solo no Estado de São Paulo se dá pela cultura canavieira e pelas pastagens. se destacam também as produções de laranja.2% Laranja Café Soja Eucalipto Pinus 2. no mesmo período.886. as Unidades com pastagens para criação bovina decresceram para 14.111 unidades para 99. Segundo as mesmas fontes.2 milhões de hectares (recuaram de 51% para 40% das áreas totais rurais). De acordo com dados do Levantamento Censitário de Unidades de Produção Agrícola do Estado de São Paulo (LUPA) 2007/2008 (SÃO PAULO. de 1995/1996 até 2007/2008.indd 59 15/4/2011 15:14:15 . com média de 73 cabeças de gado por UPA. em relação ao todo utilizado nos anos 90. 2008). das atividades antrópicas. a cana-de-açúcar tem crescido cada vez mais e ocupado áreas de pastagens.6% 3.0% 3. no período. 59 35656001 miolo. à medida que ilustram a dinâmica de uso dos recursos naturais e. as pas tagens declinaram em 2.40. com média de 121 cabeças por UPA. em 1996/1997. na busca por melhor utilizar espaços disponíveis cada vez mais exíguos. como pode ser observado na Figura 2.7% 0.7% do todo.3% do todo. Um acréscimo de 42. houve um significativo recuo das áreas de pastagens e um incremento dos canaviais em seu lugar.3%. Embora a cana-de-açúcar e as pastagens ocupem de modo majoritário a área total do Estado. registrou-se um aumento importante da produtividade em sua atividade. acabam refletindo os padrões de evolução do uso e ocupação do solo numa determinada região. Como se vê. em 1. principalmente. cobertura vegetal natural As alterações da área de cobertura vegetal nativa. um aumento de 90.497. predominantemente do gado bovino. milho e a silvicultura.0% Milho Outros usos 0. de maneira geral. Sua área plantada aumentou de 2.139 ha. Quanto às pastagens.313 ha para 5.9% Fonte: São Paulo (2008). as UPA que se dedicaram à criação de bovinos representaram 62.1% Cana-de-açúcar Pastagem 36. Esse avanço se dá principalmente em direção ao Oeste Paulista. 40 PrinciPais usos do solo aGrícola no estado de são Paulo eM 2008 22. No período.5%.5% 1. soja. As demais atividades mantiveram-se em mesmas proporções de ocupação.

No Estado de São Paulo.0 Milhões de hectares 7. elaborado por SMA/CPLA (2010) Destes remanescentes.41 que segue mostra a evolução da área de cobertura vegetal nativa ao longo dos anos. 60 35656001 miolo. indicando também o percentual em relação à área total do Estado para os anos considerados. que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Cerrado no Estado. o que determinou a descoberta de novos remanescentes florestais que não podiam ser vistos no mapeamento anterior. fato que compromete severamente sua sustentabilidade futura e que levou o Governo a promulgar.0 5. dispostas principalmente no contínuo da Serra do Mar. Ainda segundo Kronka et al (2005). e a vegetação de várzea.343.8%.9% 3. ao fato de o novo mapa de cobertura vegetal ter sido produzido com imagens de satélite de alta resolução.5% 17. se deve. Já conforme o Inventário Florestal de Vegetação Natural do Estado de São Paulo 2008/2009.0 13. desde 1962 até 2009.4% 13. 2010).0 1.9% da área total do Estado. retomando o seu crescimento entre 1992 e 2001. Os outros ecossistemas encontrados são: o Cerrado.9%.7% 4.indd 60 15/4/2011 15:14:16 . decaindo progressivamente até a década de 90 quando começou a apresentar uma tendência de recuperação.301 hectares. elaborado pelo Instituto Florestal (IF. De acordo com os dados do Inventário Florestal de Vegetação Natural do Estado de São Paulo 2005 (KRONKA et al. 3. Ainda. resta hoje aproximadamente 1%. o que se pretende aqui. em 2001.3% 6. correspondendo a 17. ou 13. Do Cerrado. observa-se a predominância das matas e capoeiras (vegetação florestal atlântica em processo de regeneração). o Estado conta hoje com 4.5% de sua superfície. É importante ressaltar que as metodologias utilizadas ao longo dos anos. principalmente.0 29. é mostrar apenas a tendência da taxa de desmatamento no Estado e não comparar as áreas de cobertura vegetal em valores absolutos. A Figura 2. foram diferentes. os remanescentes de vegetação natural tiveram um decréscimo de 46. quando observa-se um acréscimo de 3. em 2009. que já ocupou 14% da superfície do Estado. portanto. a Lei Estadual 13. como exemplo.718 hectares de cobertura vegetal nativa.0 0. para o período de 1962 a 1992.0 2. demonstrando uma estabilização da taxa de desmatamento. 2005). a área total dos remanescentes de vegetação contabilizou.0 1962 1971/1973 1990/1992 2000/2001 2008/2009 Fonte: Kronka et al (2005) e IF (2010). os ecossistemas costeiros (restinga e manguezais).457.0 17. podemos destacar que a variação observada entre 2001 e 2009. a cobertura de florestas nativas já chegou a ocupar mais de 80% de seu território. 41 evolução da área cobertura veGetal nativa no estado de são Paulo Área de cobertura vegetal na�va 8.550/09. FiGura 2.

elaborado por SMA/CPLA (2010) referências EMPRESA PAULISTA DE PLANEJAMENTO METROPOLITANO S. muito em função do processo histórico de ocupação do território.indd 61 15/4/2011 15:14:18 .gov. Índice Paulista de Responsabilidade Social – IPRS. Acesso em: fev. e nas Unidades de Conservação administradas pelo poder público. Informações dos municípios paulistas. verifica-se a diminuição dos índices de cobertura vegetal natural e o aumento da fragmentação dos remanescentes. pode-se constatar que a vegetação remanescente está distribuída de forma heterogênea e se concentra nas áreas de maior declividade. 2010c. Disponível em: <http://www. os quais são descritos com mais detalhes no Capítulo 3 (item 3. FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONÔMICAS – FIPE.seade.A. Macrometrópole Paulista – Indicadores 2008. 2006. 2011. Já no interior do Estado.42 mostra os remanescentes de vegetação natural existentes no Estado divididos por tipo de vegetação.6) deste documento.gov. Subsídios à Elaboração do Plano Habitacional do Governo do Estado de São Paulo. 2011. 2006. Os maiores remanescentes são encontrados nas escarpas da Serra do Mar. 61 35656001 miolo. no Litoral. 2010). São Paulo. no Vale do Ribeira.sp.2010. São Paulo: EMPLASA. FUNDAÇÃO SISTEMA ESTADUAL DE ANÁLISE DE DADOS – SEADE. FUNDAÇÃO SISTEMA ESTADUAL DE ANÁLISE DE DADOS – SEADE. CDHU.br>. FUNDAÇÃO SISTEMA ESTADUAL DE ANÁLISE DE DADOS – SEADE. 2008. Relatório técnico.Ainda segundo dados do Inventário Florestal de Vegetação Natural do Estado de São Paulo 2008/2009 (IF.br>. FiGura 2. A Figura 2.sp. Disponível em: <http://www. 42 reManescentes de veGetação natural do estado de são Paulo eM 2008/2009 Fonte: IF (2010). Relatório Final do Turismo.seade. São Paulo: FIPE. – EMPLASA. Acesso em: nov.

Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Disponível em: <http://www.br>. FAU - USP/FAPESP. 2010. Instituto de Economia Agrícola.LUPA 2007/2008. Arquitetura e Preservação. GOMES. G. F. SÃO PAULO (Estado). GUIMARÃES. E. São Paulo. MINISTÉRIO DAS CIDADES – MCidades.br>. Mapeamento e estimativa da área urbanizada do Brasil com base em imagens orbitais e modelos estatísticos. 2008. Déficit Habitacional 2008.2010. São Paulo. 2008. 2005. Inventário Florestal da Vegetação Natural do Estado de São Paulo 2008/2009. 2010. DAEE. Censo Demográfico. E. 2010a. Caracterização da demanda turística do Estado de São Paulo. São Paulo. São Paulo: SSE/SP. 2005. Dados fornecidos não publicados.embrapa.br>. Relatório de Pesquisa. M. Plano Estadual de Recursos Hídricos 2004-2007. et al. 2006. 2010a.indd 62 15/4/2011 15:14:18 . Acesso em: jan. Secretaria de Energia. Acesso em: dez. Acesso em: nov. J. Imprensa Oficial. São Paulo. 2010. SÃO PAULO (Estado).sp.cnpm. Disponível em <http:// www.ibge. LAZER E TURISMO DO ESTADO DE SÃO PAULO / FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONÔMICAS – SELT/FIPE. Levantamento censitário de unidades de produção agrícola do Estado de São Paulo . MIRANDA. 2005. 2005. São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente/Instituto Florestal.gov. N. Laboratório de Estudos sobre Urbanização. Acesso em: nov. SECRETARIA DE ESPORTES. Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. G. Disponível em <http://www. INSTITUTO FLORESTAL – IF.cati. SÃO PAULO (Estado). Notas sobre a Urbanização Dispersa e Novas Formas de Tecido Urbano. 62 35656001 miolo. Inventário Florestal da Vegetação Natural do Estado de São Paulo 2005.cidades. N. São Paulo: SAA/CATI/IEA. E. 2010.INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. REIS. Recursos Hídricos e Saneamento. Balanço Energético do Estado de São Paulo 2010: Ano Base 2009. não publicado. KRONKA. Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Secretaria de Saneamento e Energia. Campinas: Embrapa Monitoramento por Satélite.urbanizacao. 2011.gov. Disponível em: <http://www.gov.br/projetolupa>.

3 diagnóstico ambiental do estado de são Paulo 63 35656001 miolo.indd 63 15/4/2011 15:14:18 .

64 35656001 miolo.indd 64 15/4/2011 15:14:19 .

podemos citar a implementação da Lei de Águas. se repete em diferente escala no território paulista. representa 53% da produção de água doce do continente sul-americano (334 mil m³/s) e 12% do total mundial (1. No Estado de São Paulo. A desigualdade na distribuição da água. de 1997. sendo que 29% se transformam em escoamento superficial. regiões de baixa ou baixíssima densidade demográfica. Assim. o volume anual de chuva atinge um valor em torno de 10.indd 65 15/4/2011 15:14:19 .488 milhões de m³/s). ainda. como os grandes centros urbanos. 65 35656001 miolo. presente em território nacional. Paraná. Existem. de um lado. quando se analisa a distribuição da água associada à concentração populacional. representando uma disponibilidade hídrica superficial de cerca de 3.1 recursos Hídricos O Brasil destaca-se no cenário mundial pela grande descarga de água doce dos seus rios. grandes reservatórios de água. segundo Rebouças (2006). irrigação. com o intuito de mediar possíveis conflitos através de uma política de gestão integrada das águas. existem regiões pouco populosas com alta disponibilidade hídrica e regiões populosas com grande demanda e pouca disponibilidade de água. Entre os instrumentos desta política. e de outro. de forma descentralizada e compartilhada. No entanto. transporte aquaviário. Para fins de planejamento e gestão dos recursos hídricos. além de pequenas bacias litorâneas.120 m³/s (SÃO PAULO. que escolheram formar um único comitê. O princípio básico que norteia esta divisão é a utilização da bacia hidrográfica como unidade territorial de gestão. por sua vez.3. os problemas de abastecimento no Brasil decorrem. como a Amazônia e o Centro-Oeste. 2005). além de promover a utilização adequada e racional pelos múltiplos usos – abastecimento público. da combinação do crescimento exagerado das demandas localizadas e da degradação da qualidade das águas (REBOUÇAS. regiões populosas. exceto as UGRHI Aguapeí e Peixe.840 m³/s. com grandes bacias continentais (Amazonas. O Brasil apresenta uma rede hidrográfica densa. levando à necessidade de transferências de águas entre bacias. permanece o problema da distribuição. Existem. No entanto. além da criação da Agência Nacional de Águas em 2000.1 apresenta um mapa com a divisão do Estado em UGRHI. cuja produção hídrica. Isto significa que. 178 mil m³/s e mais 73 mil m³/s da Amazônia internacional. entre outras). dos recursos hídricos na sua área de atuação. geração de energia elétrica. Cada UGRHI. de maneira geral. 2006). como os aquíferos subterrâneos. A Figura 3. fundamentalmente. se refere à necessidade de garantir o abastecimento atual sem comprometer o uso da água pelas gerações futuras. nos quais há muita gente para pouca água. há água em abundância. o Estado de São Paulo está dividido em 22 Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI). São Francisco. com fartura de recursos e pouca infraestrutura de utilização. responsável pela gestão. é representada politicamente por um comitê de bacia. entre outros. A desigualdade na distribuição e nos graus de utilização da água levou a uma definição de regras para o seu uso. A aqui chamada ‘gestão integrada’. Paraguai.

sendo de extrema importância a gestão integrada dos recursos hídricos.1. 06 (Alto Tietê).FiGura 3. Sorocaba/Jundiaí e Piracicaba/Limeira e. 2) o restante do Estado. como Ribeirão Preto. como também de seus usos e conflitos. o suprimento 66 35656001 miolo. em sua maioria. composta pelas Regiões Metropolitanas de São Paulo. responde por 80% do seu PIB e contempla áreas das UGRHI: 02 (Paraíba do Sul). 1 unidades de GerenciaMento de recursos Hídricos do estado de são Paulo Fonte: São Paulo (2005). Campinas e Baixada Santista. é grande consumidora de água.3) a Macrometrópole Paulista é composta por 102 municípios. Presidente Prudente e Araçatuba. que possui. o potencial explotável dos mananciais subterrâneos é muito bom. devido à existência de importantes aquíferos de extensão regional e local. Como já visto no Capítulo 2 (item 2. quando as demandas são compatíveis com vazões menores. detém 70% da população do Estado.2. Mesmo nas áreas menos favoráveis do ponto de vista hidrogeológico. Bauru. 3. onde está situada a “Macrometrópole Paulista”. extensas áreas agrícolas e um padrão de urbanização mais disperso. No Estado de São Paulo. pode-se dividir o Estado em duas grandes áreas: 1) o setor mais a leste. 05 (Piracicaba/Capivari/Jundiaí). contando com a presença de alguns grandes centros urbanos.indd 66 15/4/2011 15:14:20 . em pelo menos 2/3 do Estado. bem como pelos Aglomerados Urbanos de São José dos Campos. publicado pelo Governo do Estado de São Paulo em 2005.1 águas subterrâneas Segundo o Plano Estadual de Recursos Hídricos 2004-2007. 09 (Mogi-Guaçu) e 10 (Sorocaba/Médio Tietê). Por ser a região mais industrializada e urbanizada do Estado. São José do Rio Preto. seja do ponto de vista da distribuição. quanto a demanda por água. 07 (Baixada Santista). elaborado por SMA/CPLA (2010) A questão da água no Estado de São Paulo não representa uma situação homogênea.

onde a água circula pelos poros existentes entre os grãos. Bauru. pela produção de água.2. propriedades rurais e pequenas indústrias com água subterrânea pode ser atraente. cujas áreas de afloramento podem ser vistas na Figura 3. sendo que.indd 67 15/4/2011 15:14:21 . Os gnaisses. geradas quando rochas ígneas ou sedimentares forma submetidas a mudanças significativas de temperatura e pressão. as águas subterrâneas vêm adquirindo um crescente valor econômico. as águas subterrâneas no Estado de São Paulo se distribuem pelos diferentes aquíferos existentes no território. Taubaté. Segundo Iritani e Ezaki (2008). sendo amplamente utilizadas para abastecimento público e industrial. O grupo dos Aquíferos Sedimentares é aquele constituído por sedimentos depositados pela ação dos rios. podemos reunir os aquíferos em dois grandes grupos: os Aquíferos Sedimentares e os Fraturados. No Estado. os Aquíferos Guarani. São Paulo e Tubarão (IRITANI e EZAKI. baixo custo de extração. 2 unidades aQuiFeras do estado de são Paulo Fonte: DAEE. não apresentando espaços vazios entre os minerais. FiGura 3. 2008). No Estado de São Paulo destacam-se os Aquiferos Serra Geral e o Cristalino(IRITANI e EZAKI. como por exemplo tipo de rocha e forma de circulação da água. quartzitos e metacalcários são exemplos de rochas metamórficas. elaborado por SMA/CPLA (2010) 67 35656001 miolo. grau de deterioração da qualidade das águas superficiais (cujo uso vem exigindo investimentos cada vez maiores). a água circula pelas fraturas formadas durante e após o resfriamento. O grupo dos Aquíferos Fraturados reúne aqueles formados por rochas ígneas e metamórficas. As rochas ígneas são formadas pelo resfriamento do magma. IG. IPT e CPRM (2007). sendo o granito o mais comum. xistos. São rochas maciças e compactas. vento e mar. 2008). No Estado de São Paulo destacam-se. os quais se distinguem por suas características hidrogeológicas.de pequenas comunidades. Em virtude da abundância e qualidade de suas águas (que dispensam tratamentos custosos).

Quanto a qualidade das águas subterrâneas. com indicação da substância que possui concentração acima do padrão de potabilidade do Ministério da Saúde.1 apresenta o Indicador de Potabilidade de Água Subterrânea. onde foi detalhado para as UGRHI e para os aquíferos do Estado de São Paulo. Segundo o relatório.1 – 67%) e Boa (67. 68 35656001 miolo. a CETESB. crômio. Em 2010. em 2010. além dos parâmetros microbiológicos. o período de 2007 a 2009 não apresentou mudança significativa na qualidade das águas subterrâneas em relação ao período anteriormente analisado. O indicador foi divido em três classes que indicam a qualidade das águas subterrâneas: Ruim (0 – 33%). que ocorreram de forma sistemática em todas as UGRHI. o IPAS foi publicado no Relatório de Qualidade das Águas Subterrâneas (CETESB. A Tabela 3. publicou o “Relatório de Qualidade das Águas Subterrâneas do Estado de São Paulo: 2007-2009”.indd 68 15/4/2011 15:14:21 . Os parâmetros nitrato. foi instituído o Indicador de Potabilidade das Águas Subterrâneas (IPAS). 2010a). Em 2009. coliformes totais e bactérias heterotróficas.1 – 100%). Regular (33. durante os anos de 2004 a 2006. que apresenta os resultados do monitoramento da rede de qualidade das águas subterrâneas para o triênio 2007-2009. por UGRHI e para o Estado de São Paulo. fluoreto e bário continuam apresentando desconformidades em maior número. de 2006 a 2009. que representa o percentual das amostras de águas subterrâneas coletadas em conformidade com os padrões de potabilidade e de aceitação ao consumo humano da Portaria do Ministério da Saúde nº 518/04.

Escherichia coli - crômio. coliformes totais crômio.5 83. bactérias heterotróficas.4 81.0 79. manganês Parâmetros em não conformidade ferro. bactérias heterotróficas bário.5 62.0 08 – sapucaí/grande 56. nitrato - - bactérias heterotróficas bactérias heterotróficas bactérias heterotróficas. nitrato. ferro.0 100.3 100. bactérias heterotróficas - fluoreto. coliformes totais crômio. ferro alumínio. nitrato.8 90.0 87. coliformes totais. manganês. manganês.0 10 – sorocaba/Médio tietê 83. coliformes totais 84.6 82. nitrato.0 ferro.5 iPas (%) crômio. coliformes totais . nitrato.0 79.6 iPas (%) fluoreto. bactérias heterotróficas bactérias heterotróficas alumínio. coliformes totais 65. fluoreto.4 73. coliformes totais.5 91. coliformes totais. coliformes totais alumínio. bactérias heterotróficas crômio.5 58.5 100. bactérias hetotróficas - ferro.0 83.3 nitrato.0 100. sódio.0 100. fluoreto. elaborado por SMA/CPLA (2010) alumínio.0 50.0 75. ferro. manganês.8 100. manganês. crômio. nitrato. manganês.3 71.indd 69 15/4/2011 15:14:21 - 76. coliformes totais fluoreto. chumbo.5 65. bactérias heterotróficas - nitrogênio amoniacal ferro.7 87.0 77. bactérias heterotróficas 62. coliformes totais crômio. bactérias heterotróficas e coliformes totais alumínio ferro.2 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí manganês. ferro.7 90. bactérias heterotróficas. ferro.0 90.5 iPas (%) 02 – Paraíba do sul uGrHi indicador de Potabilidade das áGuas subterrâneas Por uGrHi de 2007 a 2009 tabela 3. coliformes totais 62. sódio. manganês Parâmetros em não conformidade 2008 Fonte: CETESB (2010a). fluoreto. bactérias heterotróficas - nitrato. manganês 14 – alto Paranapanema 91. manganês.0 85. coliformes totais arsênio.5 75. manganês.9 78.0 12 – baixo Pardo/Grande 13 – tietê /Jacaré 78. nitrato. ferro.69 35656001 miolo.2 06 – alto tietê 70. fluoreto.3 81.9 arsênio. bactérias heterotróficas. bactérias heterotróficas bário. bário. nitrato bário crômio.3 alumínio.7 ferro crômio.1 90.7 04 – Pardo 2007 Parâmetros em não conformidade 15 – turvo/Grande 62. Escherichia coli arsênio. manganês.0 85. nitrogênio amoniacal.2 92.7 79. manganês. coliformes totais alumínio 17 – Médio Paranapanema 81.0 19 – baixo tietê 20 – aguapeí 21 – Peixe 22 – Pontal do Paranapanema estado de são Paulo - 100. manganês.fluoreto.9 alumínio. coliformes totais 69.0 nitrato crômio alumínio. manganês. crômio. coliformes totais alumínio. nitrato.5 18 – são José dos dourados 100. coliformes totais 80.9 62. coliformes totais 100. ferro. bactérias heterotróficas. sódio.0 65. 1 2009 80. coliformes totais 75.7 84.1 bário.6 09 – Mogi-Guaçu - 16 – tietê /batalha 100.

Para o Aquífero Bauru o indicador mostra boa qualidade das águas apesar das elevadas concentrações de nitrato e crômio detectadas. coliformes totais. bactérias heterotróficas 87. o IPAS passou de 86.9% em 2006 para 80.2). bactérias heterotróficas 28. Escherichia coli serra Geral 91. nitrato. fluoreto. Nos demais aquíferos a qualidade permaneceu boa durante o triênio. As águas dos Aquífero Pré-Cambriano e Taubaté apresentaram qualidade regular em dois.7 80. 2010a) ainda destaca: a tendência de aumento do nitrato. nitrogênio amoniacal.7 alumínio. manganês. ferro. bactérias heterotróficas Précambriano taubaté são Paulo estado de são Paulo 75.1% em 2009 e apesar desse índice apresentar queda. nitrato. crômio.0 alumínio. coliformes totais. ferro. coliformes totais. no entanto em 2007 e 2009 as águas apresentaram boa qualidade (Tabela 3.1 fluoreto. ferro. bário.3 alumínio. demonstrando elevadas concentrações de crômio e nitrato. nitrato. coliformes totais 92. bactérias heterotróficas.2 alumínio. nitrato. chumbo.7 bário. sódio.No Estado de São Paulo. manganês. manganês. manganês.9 ferro 66.3 bactérias heterotróficas Guarani 92. 19 (Baixo Tietê) e 21 (Peixe) apresentaram qualidade regular em um dos três anos. principalmente no Aquífero Bauru. sódio 60. coliformes totais. 2 indicador de Potabilidade das áGuas subterrâneas Por aQuiFeros de 2007 a 2009 aquiferos iPas (%) 2007 Parâmetros desconformes iPas (%) 2008 Parâmetros desconformes iPas (%) 2009 Parâmetros desconformes bauru 76. bactérias heterotróficas 77.7 79. com qualidade ruim das águas.2 manganês. fluoreto.6 ferro. manganês 77. bactérias heterotróficas. tabela 3. coliformes totais 67.indd 70 15/4/2011 15:14:22 . ferro. fluoreto. bactérias heteotróficas. manganês.9 alumínio. fluoreto. elaborado por SMA/CPLA (2010) O Relatório de Qualidade das Águas Subterrâneas. nitrato. As UGRHI 02 (Paraíba do Sul). a presença de crômio em concentrações acima do padrão de potabilidade.8 arsênio. As UGRHI 19 e 21 apresentam a tendência de piora da qualidade das águas subterrâneas. Escherichia coli 66. coliformes totais 56. dos três anos monitorados. ferro. chumbo.6 bário. manganês.5 alumínio. os menores valores do IPAS foram registrados nos aquíferos Pré-Cambriano (Cristalino). crômio.0 bactérias heterotróficas 89. ferro.0 bário. coliformes totais. 06 (Alto Tietê). manganês. (CETESB. nitrogênio amoniacal. manganês. principalmente em relação às UGRHI 16 (Tietê/Batalha). crômio. nitrato.0 ferro. bactérias heterotrofias. arsênio. 70 35656001 miolo. A pior situação foi encontrada no Aquífero São Paulo em 2008. coliformes totais 80. nitrato. ferro. manganês. bactérias heterotróficas 91. bactérias heterotróficas tubarão 67. Taubaté e Bauru.7 alumínio.9 alumínio.7 ferro.9 alumínio. bactérias heterotróficas 90. triênio 2007 a 2009. arsênio. sódio. 10 (Sorocaba/Médio Tietê) e 18 (São José dos Dourados) apresentaram qualidade regular em dois dos três anos monitorados e as UGRHI 14 (Alto Paranapanema).1 Fonte: CETESB (2010a). que é utilizado para abastecimento público de água e como solução alternativa de abastecimento na região oeste do Estado. As demais apresentaram boa qualidade nos três anos. de acordo com a CETESB (2010a). as águas subterrâneas do Estado de São Paulo ainda são classificadas como de boa qualidade. Quanto aos aquíferos. São Paulo. coliformes totais 85. ferro 90. coliformes totais 82.

químicas e isótopos estáveis. 2005). e Guarulhos. nas UGRHI 05 (PCJ) e 06 (Alto Tietê).2 águas superficiais e litorâneas A poluição das águas superficiais no Estado de São Paulo se deve a diversas fontes. desenvolvido pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. urbano e rural. na UGRHI 10 (Sorocaba/Médio Tietê) e no PréCambriano. que foram derivados com base em risco à saúde humana. no Aquífero São Paulo. desenvolvido pelo Instituto Geológico. guardando uma relação direta com o uso e a ocupação do solo.indd 71 15/4/2011 15:14:22 . os efluentes industriais e os deflúvios superficiais. nas UGRHI 13 (Tietê/Jacaré). trazendo a necessidade de transferências de água entre UGRHI vizinhas (SÃO PAULO. frente aos padrões de ocupação urbana dos municípios da região de estudo. 17 (Médio Paranapanema) e 20 (Aguapeí). fugas das redes de esgoto). no Aquífero Pré-Cambriano. 3. podemos citar: a implementação da rede de monitoramento integrada de qualidade e quantidade das águas subterrâneas. Esses valores foram ultrapassados nos pontos de monitoramento dos municípios de Bananal e Lindóia. realizada em conjunto entre a CETESB e o DAEE. porém a maioria dessas ocorrências não ultrapassaram os valores de investigação da Resolução CONAMA nº 420/09. e difusão de informações sobre as águas subterrâneas do Estado. Centro-Oeste do Estado de São Paulo”. destacou-se que podem estar associadas aos sistemas de tratamento de esgotos nas áreas próximas aos pontos monitorados e à deficiência sanitária dos perímetros de proteção dos poços. Verificou-se ainda que os parâmetros alumínio e ferro ultrapassaram os valores de intervenção definidos com base no padrão de aceitação para consumo humano da Portaria nº 518/04 do Ministério da Saúde. dentre as quais se destacam os efluentes domésticos. tem como objetivo promover a proteção dos aquíferos do Estado de São Paulo identificando as áreas críticas e sensíveis em termos de qualidade e quantidade. Já o projeto “Padrões de Ocupação Urbana e Contaminação por Nitrato nas Águas Subterrâneas do Sistema Aquífero Bauru. tem como objetivo principal avaliar as tendências de incremento nas concentrações de nitrato nas águas subterrâneas.18 (São José dos Dourados) e 21 (Peixe). a proposição de norma para áreas de alta vulnerabilidade de aquíferos à poluição. a proposição do anteprojeto de lei específica da Área de Proteção e Recuperação de Mananciais (APRM) do Aquífero Guarani. 71 35656001 miolo. Centro-Oeste do Estado de São Paulo”. Como ações já realizadas. elaboração de mapas de uso e ocupação do solo e estimativas das cargas potenciais de nitrato. concentrações de bário acima do valor máximo permitido nos aquíferos livres Bauru e Guarani. ao longo do tempo e espaço. Das ações realizadas pelo Estado para melhorar a qualidade das águas subterrâneas podemos destacar: o Projeto Ambiental Estratégico (PAE) Aquíferos e o projeto “ Padrões de Ocupação Urbana e Contaminação por Nitrato nas Águas Subterrâneas do Sistema Aquífero Bauru. bem como a realização de capacitações de agentes técnicos envolvidos na gestão de recursos hídricos subterrâneos. As atividades previstas compreendem o cadastro das fontes potenciais de contaminação (fossas sépticas e negras. o desenvolvimento alavanca um crescimento populacional que pode requerer alocações de água incompatíveis com as disponibilidades locais. O PAE Aquíferos. Além disso. bem como estabelecer critérios e recomendações que permitam nortear os poderes públicos na elaboração de programas de proteção dos aquíferos no Estado de São Paulo. dos poços tubulares e/ou cacimbas. coleta de amostras de água subterrânea para análises físico–químicas.1. Quanto as desconformidades dos parâmetros microbiológicos. desconformidades para fluoreto nos aquíferos Tubarão. Acredita-se que os resultados deste estudo possam definir relações entre as densidades de ocupação e saneamento e as concentrações de nitrato. verificadas sistematicamente em todas as UGRHI. a criação de um sistema integrado de gestão para a regionalização de diretrizes de utilização e proteção das águas subterrâneas nas bacias do leste do Estado.

podendo variar de zero a 100 e. • Índice de Balneabilidade (IB). Coliformes Termotolerantes. a CETESB publicou o “ Relatório de Qualidade das Águas Superficiais no Estado de São Paulo 2009”. Número de Células de Cianobactérias (Ambiente Lêntico). a CETESB é responsável pelo acompanhamento da qualidade dos rios e reservatórios. Fósforo Total.4. químicas e biológicas tanto da água quanto do sedimento. Em 2010. como pode ser visto na Tabela 3. Ferro Dissolvido. Fósforo Total. que dizem respeito tanto à qualidade da água quanto à disponibilidade hídrica e sua respectiva demanda. • Índice de Qualidade de Água para proteção da Vida Aquática (IVA) e. Oxigênio Dissolvido. pH. ib Coliforme Termotolerante ou E. como consequência. A Tabela 3. Fonte: CETESB (2010b) índice de Qualidade de água (iQa) Para o cálculo do IQA são consideradas variáveis de qualidade que indicam o lançamento de efluentes sanitários nos corpos d’água. Zinco. Oxigênio Dissolvido. Nessa publicação são apresentados diversos índices que proporcionam uma visão geral da qualidade da água do Estado de São Paulo. • Índice de Estado Trófico (IET). Resíduos Totais e Turbidez. as tomadas de decisão relativas ao tema. a informação sobre a qualidade da água é necessária para que se conheça a situação dos corpos hídricos com relação aos impactos antrópicos na bacia hidrográfica. O intenso uso da água e a conseqüente poluição gerada contribuem para agravar sua escassez e provocam. desta forma. a CETESB opera desde 1974 a rede de monitoramento de águas superficiais. Cromo. Chumbo. Cromo Total. No Estado de São Paulo. Mercúrio e Níquel. Alumínio Dissolvido. No Estado de São Paulo. 2006).A avaliação da situação dos recursos hídricos é apresentada por meio de uma série de indicadores.3 apresenta as variáveis analisadas em cada um dos índices considerados. subsidiando. Nitrogênio Total. coli. O índice é calculado através de uma fórmula matemática. Surfactantes. Níquel. iet Clorofila a e Fósforo Total. a necessidade crescente do acompanhamento das alterações de sua qualidade. Cádmio. fornecendo uma visão geral sobre as condições de qualidade das águas superficiais. Os principais indicadores utilizados e que serão apresentados aqui são: • Índice de Qualidade de Água (IQA). • Índice de Qualidade de Água para fins de Abastecimento Público (IAP). Cobre. em função do valor obtido. Cádmio. Clorofila a e Fósforo Total. Chumbo. Resíduos Totais e Turbidez. Nitrogênio Total. iva Oxigênio Dissolvido. Toxicidade. 3 variáveis Medidas nos índices de Qualidade de áGua índice variáveis de qualidade iQa Temperatura. com o objetivo de avaliar a evolução da qualidade das águas superficiais do Estado. 72 35656001 miolo. sendo essencial para que se planeje sua ocupação e para que seja exercido o devido controle sobre os impactos (BRAGA et al. Fenóis. tabela 3. Demanda Bioquímica de Oxigênio. Zinco. Cobre Dissolvido. Demanda Bioquímica de Oxigênio. por meio das análises de variáveis físicas. pH.indd 72 15/4/2011 15:14:22 . pH. Potencial de Formação de Trihalometanos. o IQA pode ser classificado em cinco classes de qualidade da água. iaP Temperatura. Mercúrio. Manganês. Coliformes Termotolerantes. Assim.

Enquanto 15% dos pontos monitorados foram classificados nas categorias Ruim e Péssima. Considerando a média anual do IQA. A Figura 3. A Tabela 3. 54% dos corpos d’água do Estado de São Paulo foram enquadrados na categoria Boa em 2009.indd 73 15/4/2011 15:14:22 . Vale frisar que para este gráfico foi considerado o conjunto de pontos onde foi possível o cálculo do IQA para todos os anos (2004 a 2009). 181 pontos. mas com predomínio desse índice na categoria Boa. assim. 73 35656001 miolo. 3 distribuição Percentual do iQa no estado de são Paulo de 2004 a 2009 Péssima 100% 90% Ruim Regular 9 9 10 54 56 59 21 16 14 10 13 6 2004 Boa 9 Óma 13 10 52 53 18 18 20 12 14 12 13 5 6 6 6 3 2005 2006 2007 2008 2009 80% 70% 60% 53 50% 40% 30% 20% 10% 0% Fonte: CETESB (2010b) A distribuição de qualidade do IQA apresentou uma pequena variação ao longo dos cinco anos analisados. 4 classes do iQa intervalo Qualidade das águas iQa ≤ 19 Péssima 19 < iQa ≤ 36 ruim 36 < iQa ≤ 51 regular 51 < iQa ≤ 79 boa 79 < iQa ≤ 100 ótima Fonte: CETESB (2010b) Em 2009. FiGura 3.tabela 3.3 apresenta o a distribuição percentual anual dos pontos de amostragem enquadrados nas classes do IQA para o Estado de São Paulo no período de 2004 a 2009. foi possível o cálculo do IQA para todos os 338 pontos da rede básica da CETESB.5 apresenta a distribuição percentual do IQA por UGRHI em 2009. totalizando-se.

respectivamente. as UGRHI 01 (Mantiqueira). as UGRHI 01 e 14 têm vocação para conservação. 19 (Baixo Tietê) e 20 (Aguapeí) apresentaram 100% dos pontos monitorados na categoria Boa. Por outro lado. 18 (São José dos Dourados). enquadrados nas classes do IQA. em 2009. porém também conta com atividade agrícola expressiva. agropecuárias. Dessas. juntamente com as UGRHI 09 (Mogi-Guaçu). as UGRHI 04 e 12 são consideradas em industrialização e as demais.indd 74 15/4/2011 15:14:22 . em 2009. apresentando alguma atividade industrial importante. porcentagens na categoria Ruim. a UGRHI 10 também tem grande atividade industrial.tabela 3. 12 (Baixo Pardo/Grande). 10 (Sorocaba/Médio Tietê). 16 (Tietê/Batalha). Ressalta-se que as UGRHI 05 e 06 são intensamente industrializadas e possuem elevada densidade populacional. porém em menor escala se comparada ao PCJ e ao Alto Tietê. 15 (Turvo/Grande) e 22 (Pontal do Paranapanema). 74 35656001 miolo. 14 (Alto Paranapanema). com 4% e 13%.4 apresenta a distribuição dos pontos de monitoramento do Estado. enquanto nas UGRHI 15 e 22 predomina a atividade agropecuária e uma baixa densidade populacional. apresentaram. Além disso. A Figura 3. Já a UGRHI 09 se encontra em fase de industrialização. 5 distribuição Percentual do iQa Por uGrHi eM 2009 uGrHi número de pontos de amostragem % de pontos em cada faixa de qualidade Péssima ruim regular boa ótima 01 – Mantiqueira 2 100 02 – Paraíba do sul 19 16 63 21 03 – litoral norte 30 17 73 10 04 – Pardo 4 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 80 4 21 44 100 31 06 – alto tietê 48 13 31 13 38 07– baixada santista 15 13 87 08 – sapucaí/Grande 13 15 77 09 – Mogi-Guaçu 39 5 33 62 10 – sorocaba/Médio tietê 21 14 33 43 11 – ribeira de iguape/litoral sul 10 20 80 12 – baixo Pardo/Grande 2 13 – tietê/Jacaré 7 14 – alto Paranapanema 8 15 – turvo/Grande 10 88 30 30 75 3 100 18 – são José dos dourados 1 100 19 – baixo tietê 8 50 3 22 – Pontal do Paranapanema 5 estado de são Paulo 12 40 4 6 10 86 16 – tietê/batalha 20 – aguapeí 8 100 14 17 – Médio Paranapanema 21 – Peixe 6 25 50 100 34 338 3 20 20 12 24 33 33 60 54 7 Fonte: CETESB (2010b) Observa-se que as UGRHI 05 – Piracicaba/Capivari/Jundiaí e 6 – Alto Tietê foram as únicas que apresentaram corpos d’água na categoria Péssima. 04 (Pardo). 17 (Médio Paranapanema).

75 35656001 miolo. 4 Fonte: CETESB (2010b).indd 75 15/4/2011 15:14:26 FiGura 3. elaborado por SMA/CPLA (2010) distribuição dos Pontos de MonitoraMento enQuadrados nas classes do iQa no estado de são Paulo eM 2009 .

uma das variáveis do indicador. 76 35656001 miolo. o IAP pode ser classificado em cinco classes de qualidade da água. A Figura 3. as substâncias tóxicas e as variáveis que afetam a qualidade organoléptica5 da água. ser realizada com essa freqüência. Neste gráfico foram considerados apenas os 32 pontos de captação em que foi possível o cálculo do índice para todos os anos avaliados (2004 a 2009). a CETESB calculou o IAP para 65 pontos de monitoramento da rede básica. 5 distribuição Percentual do iaP no estado de são Paulo de 2004 a 2009 Péssima 100% Ruim Regular 3 3 41 41 Boa 3 Óma 6 3 90% 80% 31 25 70% 47 41 60% 50% 38 41 31 40% 38 16 34 30% 20% 19 10% 0% 25 19 13 28 13 9 6 6 9 6 6 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: CETESB (2010b) 5 Características organolépticas são as variáveis que afetam o odor.indd 76 15/4/2011 15:14:26 . Além disso. em função do valor obtido. o sabor e a cor das águas.5 apresenta a distribuição percentual anual dos pontos de amostragem enquadrados nas classes do IAP para o Estado de São Paulo no período de 2004 a 2009. podendo variar de zero a 100 e. O índice é calculado através de uma fórmula matemática. 6 classes do iaP intervalo Qualidade das águas iaP ≤ 19 19 < iaP ≤ 36 36 < iaP ≤ 51 51 < iaP ≤ 79 79 < iaP ≤ 100 Péssima ruim regular boa ótima Fonte: CETESB (2010b) Ressalta-se que o IAP é calculado somente em quatro meses (dos seis em que os mananciais são monitorados). Em 2009. tabela 3. além das variáveis consideradas no IQA. devido à análise do potencial de formação de trihalometanos.6. como pode ser visto na Tabela 3. de fontes difusas.índice de Qualidade de água para fins de abastecimento Público (iaP) O IAP avalia. advindas. principalmente. vale também destacar que o IAP é calculado apenas nos pontos onde existem captações de água para abastecimento público. FiGura 3.

com apenas 25% dos pontos neste ano. colaborando para a elevação da média anual do potencial de formação de Trihalometanos. quatro apresentam apenas um ponto de amostragem. UGRHI 05 (PCJ) e 06 (Alto Tietê).Observa-se que em 2007 e 2009. com 75% dos pontos de amostragem nas classes Ótima e Boa. a categoria Ruim representa 25% e 28% dos pontos monitorados respectivamente.indd 77 15/4/2011 15:14:26 . Essas substâncias húmicas são responsáveis pela formação de compostos organoclorados leves (como por exemplo. verificamos que 34% dos pontos de amostragem do Estado foram classificados na categoria Ruim e 9% na Péssima. que em 2009. clorofórmio) durante o processo de cloração da água. Em 2009. a 15 – Turvo/Grande (Boa). e a 16 – Tietê/Batalha (Regular). respectivamente 48% e 36% dos pontos de amostragem nas classes Ruim e Péssima. Observa-se que a UGRHI 03 – Litoral Norte se destaca por apresentar todos os seus pontos de amostragem nas classes Ótima e Boa. os chamados Trihalometanos. Vale ressaltar ainda. 7 distribuição Percentual do iaP Por uGrHi eM 2009 uGrHi número de pontos de amostragem % de pontos em cada faixa de qualidade Péssima ruim regular ótima 37 37 75 25 8 03 – litoral norte 4 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 21 9 38 48 5 9 27 36 27 06 – alto tietê 11 07– baixada santista 3 09 – Mogi-Guaçu 1 10 – sorocaba/Médio tietê 5 13 – tietê/Jacaré 1 15 – turvo/Grande 1 16 – tietê/batalha 1 17 – Médio Paranapanema 2 25 boa 02 – Paraíba do sul 67 100 20 60 20 100 100 100 50 19 – baixo tietê 3 20 – aguapeí 2 50 21 – Peixe 2 50 50 65 9 34 estado de são Paulo 33 33 50 33 33 50 31 20 6 Fonte: CETESB (2010b). Considerando a média anual do IAP. houve uma queda considerável do percentual de pontos enquadrados na categoria Boa. que das UGRHI monitoradas. Portanto. Destaca-se ainda a UGRHI 02 – Paraíba do Sul. deve-se considerar o potencial de formação desses compostos. correspondendo as maiores porcentagens dessa categoria no período. contribuindo. Destaca-se também que a UGRHI 10 – Sorocaba/MédioTietê não registrou nenhum ponto nas classes Ótima e Boa. 25% e 75%. a 09 – Mogi-Guaçu (Regular). Por outro lado. Essa variável está associada à carga difusa. desta forma. a 13 – Tietê/Jacaré (Ruim). apresentaram. o índice pluviométrico do Estado de São Paulo foi elevado.7 apresenta a distribuição percentual do IAP por UGRHI em 2009. as UGRHI com os maiores números de pontos de amostragem. para a avaliação do IAP do manancial em relação à quantidade de precursores de Trihalometanos. elaborado por SMA/CPLA (2010) 77 35656001 miolo. principalmente a parcela associada ao arraste de material vegetal. A classe Regular representou 31% dos pontos. tabela 3. Verificou-se. ainda. Vale destacar que o IAP é fortemente influenciado pelo potencial de formação de Trihalometanos. respectivamente. para a piora na média anual do IAP no mesmo ano. A Tabela 3.

visto que.De acordo com a CETESB (2010b). 78 35656001 miolo. devido ao aumento do volume operacional do Reservatório de Santa Branca e regime das vazões do Rio Paraíba do Sul efetuada de forma programada e mais criteriosa.6 apresenta a distribuição dos pontos de monitoramento do Estado. A Figura 3. em 2009. a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Areão/SABESP que trata 100% dos esgotos coletados dos dois municípios somente entrou em operação em março de 2010.indd 78 15/4/2011 15:14:26 . sem tratamento dos esgotos sanitários. devido principalmente ao aumento populacional dos municípios de Taubaté e Tremembé. sendo que dos 65 pontos de captação monitorados. e. a maior parte dos pontos de amostragem do IAP não apresenta tendência de melhora ou piora. enquadrados nas classes do IAP. que aumentaram a capacidade de diluição dos lançamentos. outro ponto localizado na mesma UGRHI. um ponto localizado na UGRHI 02 apresentou tendência de melhora. apresentou tendência de piora.

6 Fonte: CETESB (2010b).79 35656001 miolo.indd 79 15/4/2011 15:14:29 FiGura 3. elaborado por SMA/CPLA (2010) distribuição dos Pontos de MonitoraMento enQuadrados nas classes do iaP no estado de são Paulo eM 2009 .

o IET foi calculado pela CETESB com os valores de Fósforo Total e Clorofila a em 73 pontos e somente com Fósforo Total em 269 pontos. Observa-se no gráfico uma tendência de aumento na eutrofização em 2009. 8 classes do iet intervalo classe iet > 67. FiGura 3.5 ultraoligotrófico Fonte: CETESB (2010b) Em 2009.5 < iet ≤ 63. Para o cálculo do IET.índice de estado trófico (iet) O Índice de Estado Trófico classifica os corpos d’água em diferentes graus de trofia. 2 e 3. Este índice é calculado para todos os pontos da rede básica.5 < iet ≤ 59. 7 distribuição Percentual do iet no estado de são Paulo de 2004 a 2009 Hipereutrófico 100% 90% 3 Supereutrófico 9 8 Ultraoligotrófico 6 15 24 34 35 46 42 39 41 40% 33 18 17 20% 0% 5 Oligotrófico 14 50% 10% 7 25 70% 30% Mesotrófico 20 80% 60% Eutrófico 17 9 17 10 5 2 2004 2005 14 15 15 11 12 9 2 5 6 12 2006 2007 2008 2009 Fonte: CETESB (2010b) 80 35656001 miolo.5 Mesotrófico 47. sendo que neste ano. Ressalta-se que neste histórico foram considerados apenas os pontos enquadrados nas classes especial. que. tabela 3.5 < iet ≤ 67. A Tabela 3.5 oligotrófico iet ≤ 47. dentre outras destinações prevê a proteção da vida aquática. 44% dos pontos avaliados ficaram entre Eutróficos e Hipereutróficos.5 Hipereutrófico 63. segundo a legislação.7 apresenta o a distribuição percentual anual dos pontos de amostragem enquadrados nas classes do IET para o Estado de São Paulo no período de 2004 a 2009.5 eutrófico 52. A Figura 3. 1.5 supereutrófico 59. assim. são consideradas as variáveis Clorofila a e/ou Fósforo Total. avalia a qualidade da água quanto ao enriquecimento por nutrientes e seu efeito relacionado ao crescimento excessivo das algas ou ao aumento da infestação de macrófitas aquáticas. 341 pontos de amostragem no Estado de São Paulo. ou seja. totalizando.indd 80 15/4/2011 15:14:30 .5 < iet ≤ 52.8 apresenta a distribuição das classes do IET.

Dentre essas. tabela 3.9 apresenta a distribuição percentual dos valores médios anuais do IET. 9 distribuição Percentual do iet Por uGrHi eM 2009 uGrHi número de % de pontos em cada classe pontos de amostragem Hipereutrófico supereutrófico eutrófico Mesotrófico oligotrófico 01 – Mantiqueira 2 100 02 – Paraíba do sul 19 32 03 – litoral norte 30 04 – Pardo 4 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 80 41 36 06 – alto tietê 49 33 14 07– baixada santista 15 08 – sapucaí/Grande 13 09 – Mogi-Guaçu 38 3 10 – sorocaba/Médio tietê 21 19 11 – ribeira de iguape/litoral sul 10 20 12 – baixo Pardo/Grande 2 13 – tietê/Jacaré 7 14 14 – alto Paranapanema 8 14 15 – turvo/Grande 13 16 – tietê/batalha 4 17 – Médio Paranapanema 18 – são José dos dourados 13 3 23 70 75 25 11 8 1 3 12 33 6 2 13 7 7 60 31 61 13 42 37 3 19 29 24 9 10 60 7 50 57 72 14 23 46 8 50 25 3 33 33 33 1 100 25 12 19 – baixo tietê 8 6 21 – Peixe 3 22 – Pontal do Paranapanema 5 341 15 29 3 10 50 8 42 25 20 – aguapeí estado de são Paulo 3 26 ultraoligotrófico 17 12 50 33 50 33 17 67 20 20 20 40 16 16 32 14 5 Fonte: CETESB (2010b) De acordo com a CETESB (2010b). em 2009.8 apresenta a distribuição dos pontos de monitoramento do Estado. A Figura 3. 81 35656001 miolo. por UGRHI no Estado de São Paulo. 08 – Sapucaí/Grande. 20 – Aguapeí. uma ligeira melhora no estado trófico. 09 – Mogi-Guaçu. que se enquadraram nas categorias indicadoras de pior qualidade.indd 81 15/4/2011 15:14:30 . Apenas a UGRHI 01 – Mantiqueira apresentou. em 2009. Podemos verificar que a maioria dos corpos d’água apresentou condição média anual Mesotrófica. as do Mogi-Guaçu e Aguapeí destacaram-se devido a um aumento significativo de pontos classificados como eutrofizados. em relação a 2008. enquanto a UGRHI 04 – Pardo. 07 – Baixada Santista. 21 – Peixe e 22 – Pontal do Paranapanema apresentaram aumento no grau de trofia. destaca-se uma diminuição no número de ambientes nas condições de baixa trofia (Ultraoligotrófica e Oligotrófica) e um aumento no número de pontos com condições de alta trofia (Eutrófico a Hipereutrófico). enquadrados nas classes do IET.A Tabela 3. bem como à introdução de novos pontos na rede de monitoramento. Essa alteração direciona-se a uma piora na qualidade em alguns dos corpos d’água monitorados. 13 – Tietê/Jacaré.

82 35656001 miolo. elaborado por SMA/CPLA (2010) distribuição dos Pontos de MonitoraMento enQuadrados nas classes do iet no estado de são Paulo eM 2009 FiGura 3. 8 .indd 82 15/4/2011 15:14:33 Fonte: CETESB (2010b).

indd 83 15/4/2011 15:14:33 . com o objetivo de se adequar aos padrões de qualidade de água da legislação brasileira (Resolução CONAMA nº 357/05).6 ≤ iva ≤ 6. Para o gráfico abaixo. 10 classes do iva intervalo Qualidade das águas iva ≥ 6. Por este motivo.10. os valores do IVA para os anos anteriores foram recalculados com base nas adequações metodológicas adotadas a partir de 2009. o IVA pode ser classificado em cinco classes de qualidade da água.5 regular 2.4 ≤ iva ≤ 4. tabela 3. 9 distribuição Percentual do iva no estado de são Paulo de 2004 a 2009 Péssima 100% 90% 80% Ruim Regular Boa 4 3 5 4 23 23 21 23 11 7 21 26 70% 60% 50% Óma 37 35 42 39 26 19 21 26 8 12 14 11 9 12 2004 2005 2006 2007 2008 2009 39 32 40% 30% 20% 10% 0% 22 25 Fonte: CETESB (2010b) 83 35656001 miolo. Ressalta-se que em 2009.índice de Qualidade de água para proteção da vida aquática (iva) O IVA avalia a qualidade da água para fins de proteção da vida aquática. relativas aos níveis de Substâncias Tóxicas (ST).7 ruim 3. incluindo as variáveis essenciais para os organismos aquáticos (oxigênio dissolvido. foram realizadas alterações na metodologia de cálculo do IVA. como pode ser visto na Tabela 3. FiGura 3.6 ≤ iva ≤ 3.8 Péssima 4.9 apresenta a distribuição percentual anual dos pontos de amostragem enquadrados nas classes do IVA para o Estado de São Paulo no período de 2004 a 2009. pH e toxidade).3 boa iva ≤ 2. Em função do valor obtido em seu cálculo.5 ótima Fonte: CETESB (2010b) A Figura 3. bem como as substâncias tóxicas e as variáveis do IET (clorofila a e fósforo total). foram selecionados 145 pontos que possibilitaram calcular o índice para todo o período analisado (2004 a 2009).

A Tabela 3. Quanto às categorias Ótima e Boa. que representaram 33% dos pontos monitorados no Estado de São Paulo em 2009. com exceção do ano de 2008. tabela 3.Ao longo do período. Observa-se ainda.11 apresenta a distribuição percentual da média anual do IVA nos 170 pontos de monitorados no Estado de São Paulo em 2009. com valores ente 32 e 42%. respectivamente. 11 distribuição Percentual do iva Por uGrHi eM 2009 uGrHi número de pontos de amostragem % de pontos em cada faixa de qualidade Péssima ruim regular boa ótima 01 – Mantiqueira 1 100 02 – Paraíba do sul 17 6 29 47 18 03 – litoral norte 7 14 14 43 29 04 – Pardo 4 75 25 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 24 29 42 17 8 4 06 – alto tietê 30 13 37 37 10 3 07– baixada santista 5 40 40 20 08 – sapucaí/Grande 3 33 33 09 – Mogi-Guaçu 6 33 50 10 – sorocaba/Médio tietê 16 38 25 13 11 – ribeira de iguape/litoral sul 8 38 13 38 12 – baixo Pardo/Grande 2 13 – tietê/Jacaré 6 14 – alto Paranapanema 7 15 – turvo/Grande 6 16 – tietê/batalha 4 17 – Médio Paranapanema 3 18 – são José dos dourados 1 100 19 – baixo tietê 7 57 20 – aguapeí 6 33 67 21 – Peixe 3 33 67 22 – Pontal do Paranapanema 4 25 25 50 29 33 19 estado de são Paulo 170 25 33 17 13 100 17 11 50 50 29 14 43 17 67 50 25 14 25 33 67 29 14 8 Fonte: CETESB (2010b) Podemos verificar que 29% e 11% dos pontos monitorados foram classificados nas categorias Ruim e Péssima.indd 84 15/4/2011 15:14:33 . 84 35656001 miolo. Destaca-se ainda os cursos d’ água classificados como Regular. que a categoria Regular foi a que mais enquadrou os pontos de monitoramento ao longo do período. que somadas representam um valor de 37%. agrupados por UGRHI. Enquanto as categorias Ótima e Boa representaram no período 27% dos pontos (8% e 19% respectivamente). podemos observar que a soma das categorias Péssima e Ruim mantiveram-se entre 30 e 40%. os demais anos apresentam 26 a 28% dos pontos classificados nessas duas categorias.

visto que apresentou 67% dos pontos monitorados classificados como Regular e o restante como Ruim e Péssimo. respectivamente).10 apresenta a distribuição dos pontos de monitoramento do Estado. apesar de contar apenas com um ponto de monitoramento e se tratar de uma área com vocação para conservação. 07 (Baixada Santista). apresentou baixa qualidade da água para a proteção da vida aquática. Ainda. respectivamente. em 2009. enquadrados nas classes do IVA. que apresentaram. No entanto. A UGRHI 01 (Mantiqueira). Vale ressaltar que essas UGRHI apresentam pouco pontos de monitoramentos (4. com 80%. por vocação. visto que os mesmos. 85 35656001 miolo. não precisam atender ao uso de proteção da vida aquática.indd 85 15/4/2011 15:14:33 . seguida pelas UGRHI 05 e 10. 71% e 63% dos pontos classificados nas categorias Ruim e Péssima. Tamanduateí e Pinheiros. A UGRHI 07 apresentou o maior percentual de pontos de amostragem enquadrados na categoria Ruim e Péssima. 12 (Baixo Pardo/Grande) e 17 (Médio Paranapanema) apresentaram as melhores condições de qualidade de água para proteção da vida aquática. 10 (Sorocaba/Médio Tietê) e 16 (Tietê/Batalha) se destacaram por apresentar mais de 50% de seus pontos monitorados classificados como Ruim e Péssimo. As UGRHI 05 (PCJ). é importante frisar que essas bacias. A UGRHI 15 (Turvo/Grande) também merece atenção quanto à qualidade da água. são definidas como industriais. como é o caso dos rios Tietê. 06 (Alto Tietê). com 100% dos pontos de amostragem classificados nas categorias Ótima e Boa. oferecendo as piores condições de qualidade de água para a proteção da vida aquática. segundo a legislação vigente.As UGRHI 04 (Pardo). vale ressaltar que na UGRHI 06 o IVA não é calculado para boa parte de seus cursos d’água. A Figura 3. 2 e 3 pontos.

86 35656001 miolo.indd 86 15/4/2011 15:14:37 Fonte: CETESB (2010b). 10 . elaborado por SMA/CPLA (2010) distribuição dos Pontos de MonitoraMento enQuadrados nas classes do iva no estado de são Paulo eM 2009 FiGura 3.

tendo como objetivo avaliar as condições da qualidade da água no que tange às atividades de recreação de contato primário. tabela 3.indd 87 15/4/2011 15:14:37 . os limites de concentração permitidos para cada categoria.500 na última medição Maior que 2. mas a qualidade que a praia apresenta com mais constância ao longo do ano.000 em mais de 20% do tempo Superior a 800 em mais de 20% do tempo Superior a 1. sendo que. A Tabela 3. exceto quando classificadas como EXCELENTES ótima Praias classificadas como EXCELENTES em 100% do tempo Fonte: CETESB (2010c) 87 35656001 miolo. as praias próprias ainda podem ser enquadradas como Excelente. 12 ParâMetros Para classiFicação anual das Praias litorâneas e de reservatórios coliformes termotolerantes (uFc/100ml) escherichia coli (uFc/100ml) enterococos (uFc/100ml) excelente Máximo de 250 em 80% ou mais tempo Máximo de 200 em 80% ou mais tempo Máximo de 25 em 80% ou mais tempo Muito boa Máximo de 500 em 80% ou mais tempo Máximo de 400 em 80% ou mais tempo Máximo de 50 em 80% ou mais tempo satisfatória Máximo de 1.12 indica. Muito Boa ou Satisfatória. com base nos dados de monitoramento semanal. Com base nos dados obtidos do monitoramento semanal e com o objetivo de apresentar a tendência da qualidade das praias de modo mais global. as mesmas podem ser classificadas em Próprias ou Impróprias. A Tabela 3. que se constitui na síntese da distribuição das classificações obtidas pelas praias no período correspondente às 52 semanas do ano. baseada em critérios estatísticos. levando em consideração praias litorâneas e de reservatórios. tabela 3.000 em mais de 20% do tempo Maior que 2. de acordo com a Resolução CONAMA 274/00. De acordo com a CETESB (2010c). a qualificação anual expressa não apenas a qualidade mais recente apresentada pelas praias.balneabilidade de praias Com relação à balneabilidade das praias do Estado de São Paulo. para os parâmetros analisados. 13 critérios Para deterMinação da Qualidade anual das Praias coM aMostraGeM seManal balneabilidade das Praias critérios Péssima Praias classificadas como IMPRóPRIAS em mais de 50% do tempo ruim Praias classificadas como IMPRóPRIAS entre 25% e 50% do tempo regular Praias classificadas como IMPRÒPRIAS em até 25% do tempo boa Praias Próprias em 100% do tempo.000 em 80% ou mais tempo Máximo de 800 em 80% ou mais tempo Máximo de 100 em 80% ou mais tempo Superior a 1. A classificação das praias é obtida a partir das análises de concentração de Escherichia coli e Coliformes Termotolerantes (para água doce) e Enterococos (para água salina).13 apresenta os critérios definidos para a qualificação anual.000 na última medição Maior que 400 na última medição categoria Própria imprópria Fonte: CETESB (2010c) Nota: UFC (Unidade Formadora de Colônia) contagem de unidades formadoras de colônia em placas obtidas pela técnica de membrana filtrante. a CETESB definiu critérios para uma qualificação anual das praias do Estado.

88 35656001 miolo. enquanto aquelas com situação mais crítica. tabela 3. Analisando as condições de balneabilidade das praias do litoral paulista em 2009.11). 38% das praias foram classificadas como Regular (Figura 3. no Estado de São Paulo. da fisiografia da praia e dos riscos de poluição que possam existir. respectivamente e. ainda. as praias que fazem parte da rede de monitoramento de balneabilidade. entre 2004 e 2009. com 31% das praias apresentando melhora em sua qualidade. A Tabela 3. Deste modo. podemos verificar que 34% das praias permaneceram próprias o ano todo (classificações anuais Ótima e Boa). foi estabelecida uma qualificação anual baseando-se na concentração de Enterococos obtida em cada amostragem. as praias a serem monitoradas e seus pontos de amostragem são definidas considerando diversos fatores que influem na sua balneabilidade. Os critérios para essas praias estão descritos na Tabela 3. com 34%. além da ocorrência de adensamento urbano próximo. tabela 3.14. Esses pontos são selecionados em função da frequência de banhistas. possuem frequência elevada de banhistas. classificadas como Ruim e Péssima. representaram 18% e 10%. 14 critérios Para deterMinação da Qualidade anual das Praias coM aMostraGeM Mensal balneabilidade das Praias critérios Péssima Concentração de Enterococos superior a 100 UFC/100 mL em mais de 50% do ano ruim Concentração de Enterococos superior a 100 UFC/100 mL em entre 30% e 50% do ano regular Concentração de Enterococos superior a 100 UFC/100 mL em entre 20% e 30% do ano boa Concentração de Enterococos superior a 100 UFC/100 mL em até 20% do ano ótima Concentração de Enterococos até 25 UFC/100 mL em pelo menos 80% do ano Fonte: CETESB (2010c) Praias litorâneas Segundo a CETESB (2010c). Em 2009 foram monitorados 155 pontos ao longo do litoral paulista. o que pode representar uma possível fonte de poluição fecal. 15 ProPorção de Praias litorâneas PróPrias eM 100% do ano no estado de são Paulo de 2004 a 2009 uGrHi Proporção de praias próprias em 100% do ano 2004 2005 2006 2007 2008 2009 uGrHi 03 – litoral norte 48% 54% 52% 49% 40% 46% uGrHi 07 – baixada santista 8% 18% 1% 24% 0% 18% uGrHi 11 – ribeira de iguape/litoral sul 83% 100% 40% 80% 80% 60% 33% 40% 30% 38% 24% 34% estado de são Paulo Fonte: CETESB (2010c) Observa-se que em 2009 houve um aumento na proporção de praias litorâneas próprias em 100% do ano para o Estado.indd 88 15/4/2011 15:14:37 . que passou de 0% de praias próprias em 2008 para 18% em 2009. com destaque para as praias da Baixada Santista.15 apresenta as proporções de praias litorâneas próprias em 100% do ano (referente às categorias Ótima e Boa). para as praias litorâneas com amostragem mensal.De modo semelhante.

11 distribuição da balneabilidade das Praias litorâneas no estado de são Paulo eM 2009 6% 10% Péssima 18% 28% Ruim Regular Boa Ó ma 38% Fonte: CETESB (2010c).indd 89 15/4/2011 15:14:39 . 12 distribuição da balneabilidade das Praias litorâneas Por uGrHi eM 2009 Fonte: CETESB (2010c).12 apresenta a classificação anual das praias para o Litoral Norte. Baixada Santista e Litoral Sul.FiGura 3. elaborado por SMA/CPLA (2010) 89 35656001 miolo. elaborado por SMA/CPLA (2010) A Figura 3. FiGura 3.

onde há grande frequência de banhistas nos finais de semana e feriados prolongados. elaborado por SMA/CPLA (2010) Notas: 1) Cubatão. b) ligações clandestinas de esgotos nas galerias pluviais. visitantes do Parque Ecológico do Perequê. c) loteamentos clandestinos e ocupação irregular às margens dos rios litorâneos. que muitas vezes se situam em Áreas de Proteção Permanente e. no entanto o município de Cananéia não possui praia com face para o oceano. Iguape. 60% das praias apresentaram classificação anual Boa e 40% classificadas como Regular. as principais pressões negativas sobre as condições de banho são: a) o crescimento populacional desordenado dos municípios litorâneos (acima da média do Estado). 13 distribuição da balneabilidade das Praias litorâneas Por MunicíPio eM 2009 Péssima Ruim Regular 100% 23 80% 20 27 33 46 70% 57 27 20 38 38 50 50 67 89 90 50% a pr id om aC Ig ua p Ilh á ha ém Ita n ag u on gu Gr an de ia e 10 M Ca r 33 9 Vi ce nt e 11 Pr a 10 3 50 42 o 7 nt os 7 43 Sa 4 5 47 Gu ar uj á 27 67 60 Ub at ub a ag ua ta tu ba Sã o Se ba s ão Ilh ab el a Be r og a 0% 41 Sã 39 30% 10% 100 64 40% 20% 100 e Cu ba tã o 60% 8 15 20 Óma Pe ru íb 90% Boa Fonte: CETESB (2010c). 06 (Alto Tietê). As praias inseridas nos reservatórios urbanos (Billings e Guarapiranga) possuem monitoramento com frequência semanal de amostragem. integra o Programa de Balneabilidade da CETESB com análise mensal de um ponto localizado no Rio Perequê. localizadas principalmente nas regiões urbanizadas. bem como ligações de águas pluviais na rede pública coletora de esgotos. localizadas nas UGRHI 02 (Paraíba do Sul). onde não é permitida a implantação de redes de esgoto. 09 (Mogi-Guaçu). que fomenta a situação inadequada de infraestrutura de saneamento. pois são mais afetadas pelas fontes 90 35656001 miolo. Praias de água doce Em 2009.13 apresenta a classificação anual das praias por municípios.No Litoral Norte 11% das praias foram classificadas como Ótima e 36% como Boa. FiGura 3. As 13 praias da região localizam-se principalmente nos canais que o separam de Ilha Comprida e de sua parte continental. 05 (PCJ). Dentre as que estiveram impróprias em alguma ocasião a maioria (35%) foi classificada como Regular.indd 90 15/4/2011 15:14:39 . embora não possua praia litorânea. De acordo com a CETESB (2010c). A Figura 3. Ilha Comprida e Cananéia. 2) O Litoral Sul é formado por três municípios. No Litoral Sul. 13 (Tietê/Jacaré) e 16 (Tietê/Batalha). foram monitoradas 30 praias de água doce. d) água de chuva contaminada pelos poluentes carreados da lavagem superficial do solo e de cursos d’água poluídos e da atmosfera (poluição difusa). 10 (Sorocaba/Médio Tietê).

16. N° 336 Ruim Clube ACM de Sorocaba ótima Prainha do Piratuba ótima Rio Tietê Prainha de Igaraçu do Tietê ótima Reservatório Promissão Praia Municipal de Arealva ótima Em frente à Praia do Munic. 16 balneabilidade das Praias de reservatórios Por uGrHi eM 2009 uGrHi reservatório/rio Braço do Rio Palmital 2 Ribeirão Grande Rio Piracuama Reservatório Cachoeira Reservatório Jacareí/Jaguari 5 Rio Atibainha Reservatório Guarapiranga Praia/local de amostragem Prainha de Redenção da Serra ótima À montante do bar do Edmundo Ruim Reino das Águas Claras ótima Praia no Condomínio Novo Horizonte ótima Praia da Serrinha ótima Praia do Utinga ótima Praia do Lavapés ótima Rod. de forma geral. além de estarem mais afastadas das áreas urbanas (CETESB. tabela 3. D. As demais praias possuem frequência mensal. estão associados às alterações da qualidade da água e. condição boa para o banho. o seu registro consiste num bom indicador da suscetibilidade do corpo hídrico em relação às fontes de poluição existentes na bacia. do ABC ótima No Pier do Acampamento do Instituto de Engenharia Regular Próxima à entrada da ECOVIAS Regular Parque Imigrantes Regular Cachoeira de Emas Péssima Praia em frente à Rua Ver. e. de um modo geral. 2010b). de Sabino Ruim Reservatório Itupararanga Córrego do Esgotão Fonte: CETESB (2010b) Mortandade de peixes A ocorrência de episódios de mortandade de peixes indica um elevado estresse no corpo hídrico. pois apresentam. Os resultados do índice de balneabilidade das 30 praias. apesar de nem sempre ser possível identificar suas causas. Carlos Ranini. dos Metalurg. encontram-se na Tabela 3.indd 91 15/4/2011 15:14:39 . Pedro II ótima Praia do Sol (Marina Guarapiranga) Regular Bairro do Crispim Regular Marina Guaraci Regular Guarujapiranga (Restaurante Interlagos) Regular Praia do Aracati (Bairro Miami Paulista) Prainha em frente à ETE Reservatório Rio Grande Reservatório Billings 9 10 13 16 Rio Mogi Guaçu Lago Euclides Morelli Péssima Praia da Tulipa Praia do Hidroavião (Prainha do Jardim Represa) 6 balneabilidade Ruim Regular Ruim Clube Prainha Taiti Regular Prainha do Parque Municipal Regular Próxima ao Zôo do Parque Municipal ótima Clube de Campo do Sind.de poluição. agrupados por UGRHI. 91 35656001 miolo.

portanto. foram registradas 124 reclamações. em 2009. 14 núMero de reGistros de reclaMações de Mortandade de Peixes no estado de são Paulo de 2005 a 2009 250 Número de registros de reclamações 203 200 150 121 154 100 124 111 50 0 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: CETESB (2010b).17 apresenta o número de reclamações de casos de mortandade de peixes recebidas pelas Agências Ambientais da CETESB. feitas pela população. no Estado de São Paulo. Vale frisar que algumas ocorrências geram mais de um registro de reclamação. de ocorrências de mortandade de peixes e/ou outros organismos aquáticos. Podemos verificar que. foi 60% inferior ao número de registros de 2006. o número de registros.14. 92 35656001 miolo.Em 2009. A evolução no número de registros de reclamações de ocorrências de mortandades de peixes no período de 2005 a 2009 pode ser visto na Figura 3. elaborado por SMA/CPLA (2010) A Tabela 3. por UGRHI. o número apresentado não corresponde exatamente ao de ocorrências de mortandades de peixes.indd 92 15/4/2011 15:14:39 . embora houve um aumento no número de reclamações desde 2007. FiGura 3. em 2009.

As UGRHI 02 (Paraíba do Sul) e 15 (Turvo/Grande) vêm logo a seguir. assim como ocorreu em 2008. cada uma responsável por 7% dos registros de reclamações. por 24% e 14% dos registros de reclamações de ocorrências de mortandades de peixes feitas ao longo do ano.tabela 3.15). Ainda. Podemos constatar também que as bacias industriais concentraram mais da metade (54%) do número total de reclamações de mortandades de peixes recebidas pelas Agências Ambientais da CETESB durante 2009 (Figura 3. 17 núMero de reGistros de reclaMações de Mortandade de Peixes Por uGrHi eM 2009 uGrHi vocação 01 – Mantiqueira registros Conservação 1 Industrial 9 Conservação 2 Em industrialização 3 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí Industrial 30 06 – alto tietê Industrial 8 07– baixada santista Industrial 2 08 – sapucaí/Grande Em industrialização 1 09 – Mogi-Guaçu Em industrialização 7 Industrial 18 Conservação 1 12 – baixo Pardo/Grande Em industrialização 1 13 – tietê/Jacaré 02 – Paraíba do sul 03 – litoral norte 04 – Pardo 10 – sorocaba/Médio tietê 11 – ribeira de iguape/litoral sul Em industrialização 8 14 – alto Paranapanema Conservação 2 15 – turvo/Grande Agropecuária 9 16 – tietê/batalha Agropecuária 6 17 – Médio Paranapanema Agropecuária 3 18 – são José dos dourados Agropecuária 3 19 – baixo tietê Agropecuária 8 20 – aguapeí Agropecuária 1 21 – Peixe Agropecuária 0 22 – Pontal do Paranapanema Agropecuária 1 - 124 estado de são Paulo Fonte: CETESB (2010b) As bacias do Piracicaba/Capivari/Jundiaí (UGRHI 05) e do Sorocaba/Médio Tietê (UGRHI 10). mantendo a tendência apresentada desde 2005. Essas bacias foram responsáveis. que as UGRHI com vocação agropecuária apresentaram um número de registros (30) maior do que o das UGRHI em industrialização (20). respectivamente. quase 40% de todas as reclamações de mortandades de peixes registradas no Estado de São Paulo (Figura 3. cada uma concentrando aproximadamente 6% dos registros.indd 93 15/4/2011 15:14:39 . ainda. tiveram novamente o maior número de reclamações em 2009.15) e. ambas de vocação industrial. apesar do número total de registros ter variado pouco em relação a 2008. 93 35656001 miolo. seguidas pelas UGRHI 06 (Alto Tietê) e 19 (Baixo Tietê). sendo que as ocorrências em ambas representaram. a parcela devida a essas duas bacias aumentou. em 2009.

elaborado por SMA/CPLA (2010) As mortandades atendidas durante 2009 foram. são apresentados a seguir os dados de disponibilidade e demanda hídrica por UGRHI e para o Estado de São Paulo. rural e outros).FiGura 3. a vazão mínima de sete dias consecutivos. assim como em 2008 e 2006. As ocorrências desse tipo superaram os eventos resultantes da depleção de oxigênio dissolvido e de florações de algas e cianobactérias potencialmente tóxicas. a disponibilidade hídrica subterrânea. decorrentes principalmente da presença de contaminantes na água.indd 94 15/4/2011 15:14:40 . 15 distribuição do núMero de reGistros de reclaMações de Mortandade de Peixes Por vocação das uGrHi eM 2009 5% 25% 54% Industrial Em industrialização Agropecuária Conservação 16% Fonte: CETESB (2010b). 3.1.3 uso da água Com o objetivo de apresentar as principais características do uso da água no Estado. rios e/ou reservatórios. obtidos junto ao banco de dados de outorga do DAEE. foram submetidos a uma nova metodologia de análise. Vale ressaltar ainda que os dados referentes aos anos de 2007 e 2008. é calculada pela reserva de águas explotáveis que são armazenadas nos poros e fissuras das rochas pelas quais se movem lentamente. ou seja. em 2009. No período chuvoso foram registradas 52% das reclamações de mortandades no Estado. até atingir o ambiente aquático. ocorreu em fevereiro.10 . a matéria orgânica e/ou contaminantes depositados nos solos são carreados. Os valores expressos são levantados através do volume de água outorgado junto ao Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE). os valores são apresentados quanto a sua origem (superficial ou subterrânea) e quanto seu uso (urbano. A disponibilidade hídrica superficial é calculada com base na variável Q 7. Dessa maneira. o que justifica valores diferenciados entre os apresentados no Relatório de Qualidade Ambiental 2010. com período de retorno de 10 anos e. podendo causar contaminação de córregos. contra 48% no período de estiagem. enquanto que novembro manteve-se como o de maior número de reclamações registradas. industrial. A entrada de contaminantes nos corpos d’água pode ter acontecido devido ao arraste causado pela água precipitada que escorre nas adjacências. Quanto à demanda de água. sendo que ambos fazem parte do período chuvoso. O menor número de registros. 94 35656001 miolo.

A Tabela 3.10) reservas explotáveis de água subterrânea disponibilidade total 01 – Mantiqueira 7 3 10 02 – Paraíba do sul 72 21 93 03 – litoral norte 27 12 39 04 – Pardo 30 14 44 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 43 22 65 06 – alto tietê 20 11 31 07– baixada santista 38 20 58 08 – sapucaí/Grande 28 18 46 09 – Mogi-Guaçu 48 24 72 10 – sorocaba/Médio tietê 22 17 39 11 – ribeira de iguape/litoral sul 162 67 229 12 – baixo Pardo/Grande 21 10 31 13 – tietê/Jacaré 40 10 50 14 – alto Paranapanema 84 30 114 15 – turvo/Grande 26 13 39 16 – tietê/batalha 31 9 40 17 – Médio Paranapanema 65 17 82 18 – são José dos dourados 12 4 16 19 – baixo tietê 27 9 36 20 – aguapeí 28 13 41 21 – Peixe 29 9 38 22 – Pontal do Paranapanema 34 13 47 893 366 1259 estado de são Paulo Fonte: SMA/CRHi (2010) 95 35656001 miolo. 18 disPonibilidade Hídrica Por uGrHi disponibilidade hídrica (m³/s) uGrHi vazão mínima superficial (Q7. tabela 3.18 apresenta a disponibilidade hídrica por UGRHI do Estado de São Paulo.indd 95 15/4/2011 15:14:40 .

07 13.55 0.18 22 – Pontal do Paranapanema 0.08 5.00 4.00 3.15 3.55 0. 19 deManda de áGua Por uGrHi eM 2008 demanda de água (m³/s) uGrHi origem tipo de uso total superficial subterrânea urbano industrial rural outros 01 – Mantiqueira 0.10 09 – Mogi-Guaçu 16.72 0.13 0.53 1.66 3.22 0.A Tabela 3.16 19 – baixo tietê 3.41 0.13 0.02 0.57 2.31 2.30 8.78 10.25 319.08 1.02 03 – litoral norte 1.17 0.53 0.33 0.54 0.36 0.14 3.78 92.12 20.84 0.40 04 – Pardo 8.28 1.00 0.05 1.01 0.57 4.92 14.22 55.82 4.21 08 – sapucaí/Grande 4.23 54.40 21 – Peixe 1.72 16 – tietê/batalha 6.63 07– baixada santista 18.25 4.41 0.77 0.03 88.88 9.31 1.07 0.00 2.73 0.50 0.18 0.45 4.83 20.40 4.02 0.32 13 – tietê/Jacaré 19.02 0.65 0.45 4.13 12 – baixo Pardo/Grande 11.19 apresenta a demanda de água por origem e tipos de usos para o ano de 2008.60 0.62 0.05 81.47 17 – Médio Paranapanema 7.50 0.72 0.37 278.30 2.79 4.66 3.00 0.33 7.74 0.00 5.02 18.92 1.08 0.05 9.59 40.21 23.68 0.04 16.67 0.51 5.83 0.08 3.56 0.11 0.06 0.00 8.01 8.00 1.59 118.86 10 – sorocaba/Médio tietê 11.81 0.17 12.61 1.88 1.04 3.80 3.73 8.70 0.17 0.74 4.95 0.42 1.39 11 – ribeira de iguape/litoral sul 3.15 5.19 0.08 18.53 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 71.68 02 – Paraíba do sul 11.09 0.08 2.70 0.29 1.76 7.57 1.04 10.64 0.30 20 – aguapeí 2.indd 96 15/4/2011 15:14:40 .63 0.96 15 – turvo/Grande 12.61 0.57 1.73 14.21 0.81 0.94 5.79 0.07 12.48 0.23 14 – alto Paranapanema 9.03 6.07 14.01 0.21 6. tabela 3.54 0.31 1.66 2.10 06 – alto tietê 50.20 0.18 estado de são Paulo Fonte: SMA/CRHi (2010) 96 35656001 miolo.09 4.64 4.55 0.09 24.83 9.15 2.91 8.29 2.99 6.02 18 – são José dos dourados 4.

podemos observar que o Estado de São Paulo apresenta maior demanda de água superficial. 07 (Baixada Santista). o que corresponde a 87% da demanda total em 2008. como pode ser visto na Figura 3. com 279 m³/s. Enquanto a demanda industrial se destacou nas UGRHI 06 (Alto Tietê). 11 (Ribeira de Iguape/Litoral Sul) e 19 (Baixo Tietê).17. 05 (PCJ). FiGura 3. a demanda industrial foi de 23 m³/s. Em seguida se destaca o uso industrial (29%) e o rural (28%). no Estado. Vale ressaltar que na UGRHI 06 também se destaca o uso urbano com valores muito próximos ao uso industrial. 10 (Sorocaba/Médio Tietê) e 22 (Pontal do Paranapanema).16 apresenta a distribuição da demanda de água por tipo de uso para as UGRHI do Estado. a maior demanda para o uso urbano da água (37%). 97 35656001 miolo.indd 97 15/4/2011 15:14:41 . Ainda vale ressaltar que a UGRHI 02 (Paraíba do Sul) apresenta valores de demanda rural muito próximo a demanda urbana. em 2008. 16 distribuição da deManda de áGua Quanto ao uso Por uGrHi eM 2008 Fonte: SMA/CRHi (2010). A Figura 3. Nas demais UGRHI predomina o uso rural. elaborado por SMA/CPLA (2010) Constatamos também. Quanto à origem da água. enquanto a demanda urbana foi de 20 m³/s.Observa-se que a demanda urbana predomina nas UGRHI 03 (Litoral Norte). algo em torno de 5 m³/s.

elaborado por SMA/CPLA (2010) A Tabela 3.20.FiGura 3.indd 98 15/4/2011 15:14:42 . apresentando a relação entre a demanda e disponibilidade hídrica das bacias e classificando-as quanto a sua criticidade. 17 distribuição da deManda de áGua do estado de são Paulo Quanto ao uso eM 2008 6% 37% Urbano 28% Industrial Rural Outros 29% Fonte: SMA/CRHi (2010). conforme os critérios expostos na Tabela 3.21 traz o balanço hídrico das UGRHI do Estado. tabela 3. 20 valores de reFerência Para balanço Hídrico balanço Hídrico estado Maior que 50% crítico entre 31 e 50% atenção até 30% bom Fonte: SMA/CRHi (2010) 98 35656001 miolo.

74 15 – turvo/Grande 39 14.66 11.35 3.30 8.indd 99 15/4/2011 15:14:42 . 99 35656001 miolo. no entanto.56 13.75 15.59 04 – Pardo 44 10. elaborado por SMA/CPLA (2010) Podemos observar que a UGRHI 05 (PCJ) e 06 (Alto Tietê) se destacam como as mais críticas quanto à relação demanda e disponibilidade hídrica. principalmente para o uso industrial. visto que sua disponibilidade hídrica total é de 31 m³/s.52 12.02 7. Com relação à UGRHI 06.96 5. em 2008 essa relação entrou em estado de atenção.68 6.23 32.53 23.79 14.93 21.21 31. Já quanto ao balanço hídrico da UGRHI 04 (Pardo) 10 (Sorocaba/Médio Tietê).95 3.84 31.10 10.23 07– baixada santista 58 18.39 26.20 10 – sorocaba/Médio tietê 39 10.63 9.94 8.77 18 – são José dos dourados 16 4.46 14 – alto Paranapanema 114 6.40 8. 21 balanço Hídrico Por uGrHi eM 2007 e 2008 uGrHi disponibilidade hídrica total (m³/s) demanda total (m³/s) 2007 2008 demanda/ disponibilidade (%) 2007 2008 01 – Mantiqueira 10 0.76 13 – tietê/Jacaré 50 16.30 21 – Peixe 38 1.17 18. para suprir esta demanda.77 6.37 176.74 22 – Pontal do Paranapanema 47 0.75 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 65 78.95 20 – aguapeí 41 3. Esta situação decorre das altas taxas de urbanização e industrialização da região e da transposição de águas para a UGRHI 06.74 3.80 5. por sua vez.07 03 – litoral norte 39 0.99 30.72 38.76 11 – ribeira de iguape/litoral sul 229 1.18 42.18 4.94 81. um aumento na demanda de água dessas UGRHI de 2007 para 2008. podemos constatar que a mesma tem o maior nível de criticidade do Estado.61 2. Os principais usos da água na bacia são para abastecimento industrial e urbano. observamos que em 2007.37 12 – baixo Pardo/Grande 31 11. Verifica-se.47 19.77 02 – Paraíba do sul 93 12. Verificou-se nessas UGRHI um grande aumento na demanda de água.13 0. a relação entre demanda e disponibilidade hídrica foi considerada boa.50 319.19 24. Na UGRHI 05 essa criticidade ocorre principalmente devido à superexploração das águas superficiais.44 124.21 26.12 4.17 17 – Médio Paranapanema 82 6.87 18.63 158. que .60 25.33 31.40 08 – sapucaí/Grande 46 4. ocorre a transposição de águas da UGRHI 05 para o Sistema Cantareira.10 54. Como já visto. abastece a bacia do Alto Tietê.24 5.68 0.86 16 – tietê/batalha 40 7.18 22.20 32.85 1.77 2.78 9. ainda.10 121.26 8.43 11.10 09 – Mogi-Guaçu 72 18.68 1. Podemos verificar que quase 70% da demanda de água da UGRHI 05 é destinada para o uso urbano.37 1.35 estado de são Paulo Fonte: SMA/CRHi (2010).47 12. foi de aproximadamente 55 m³/s.32 37.38 48.16 8.77 06 – alto tietê 31 49.86 26. através do Sistema Cantareira. em 2008.16 39.99 5.83 1.89 16.97 8.40 1.23 19 – baixo tietê 36 3.16 31.02 13.91 1259 284.tabela 3. enquanto sua demanda.

com um aumento considerável na demanda total que passou de 7 m³/s em 2007 para 10 m³/s em 2008. EZAKI. M. J. Relatório de Qualidade das Águas Subterrâneas no Estado de São Paulo: 2007 - 2009. Mapa de Águas Subterrâneas do Estado de São Paulo. DEPARTAMENTO DE ÁGUAS E ENERGIA ELÉTRICA – DAEE. C. principalmente em função da demanda urbana. SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM. Relatório de Qualidade das Praias Litorâneas no Estado de São Paulo 2009. G. INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS – IPT. 2010. Secretaria de Energia. CD-ROM. 2008. 2010a. Coordenadoria de Recursos Hídricos. que em 2007 era de 7 m³/s e em 2008 foi para 14 m³/s. Destaca-se na Baixada Santista a alta demanda por águas superficiais. com destaque para o uso rural. A. Destaca-se que na UGRHI 13 houve um elevado aumento da demanda total em relação a 2008. Águas doces no Brasil: Capital ecológico. quando o abastecimento de água é insuficiente. As águas subterrâneas do Estado de São Paulo. Entretanto deve-se atentar ao aumento da demanda de água da UGRHI 02 (Paraíba do Sul). 2010. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. com aumento principalmente nos usos industriais e rurais. IRITANI. na UGRHI 14 (Alto Paranapanema). 2010. DAEE. que em 2008 também apresentaram aumento nos valores de demanda total. São Paulo: Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SMA. referências BRAGA. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. São Paulo. A. Relatório de Qualidade das Águas Superficiais no Estado de São Paulo 2009. São Paulo: SMA/CRHi.. INSTITUTO GEOLÓGICO – IG. C. A. ed. o balanço hídrico permaneceu em níveis de atenção.. 2006. 2007..E. M. Monitoramento de quantidade e qualidade das águas. In: Rebouças. 100 35656001 miolo. SÃO PAULO (Estado). 2006. Plano Estadual de Recursos Hídricos 2004-2007. uso e conservação. tanto em 2007 como em 2008. S. Conselho Estadual de Recursos Hídricos.Para as UGRHI 12 (Baixo Pardo/Grande) e 13 (Tietê/Jacaré). São Paulo: CETESB. TUNDISI. TUNDISI. uso e conservação. 15 (Turvo/Grande) e 18 (São José dos Dourados). Dados fornecidos.indd 100 15/4/2011 15:14:42 .. ed.M. A demanda total dessa UGRHI aumentou de 16 m³/s em 2007 para 24 m³/s em 2008. São Paulo: CETESB. 2010c. Águas doces no Brasil: Capital ecológico. TUCCI. PORTO. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. São Paulo: CETESB. B. 3. São Paulo: Escrituras. principalmente na alta temporada. São Paulo: Escrituras. J. 3. Recursos Hídricos e Saneamento.. B. REBOUÇAS. B. SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO – SMA/SP. 2010b. BRAGA. 2010. Outras UGRHI que merecem destaque por estarem em níveis de atenção são as UGRHI 07 (Baixada Santista). G. É importante ainda ressaltar que se deve atentar para o consumo de água para uso urbano durante o verão.. Já o balanço hídrico das demais UGRHI do Estado são considerados bons. C. devido à grande presença de turistas. BRAGA. 2005. principalmente nas UGRHI litorâneas.

a saber. mas continua sendo fonte de subsistência para inúmeras comunidades que praticam a atividade de forma artesanal. a atividade pesqueira pode ser definida como: profissional. 8 A pesca empresarial ou de grande escala é a praticada por pessoa física ou jurídica. ou como foram legalmente instituídas no Estado de São Paulo. a existência de cerca de 9.indd 101 15/4/2011 15:14:42 .150 no Litoral Sul (DA SILVA E LOPES. para o litoral paulista.108 ha da costa paulista e buscam disciplinar. protegem um total aproximado de 1. 7 A pesca de pequena escala é praticada por pessoa física ou jurídica.350 no Litoral Norte e 4. O segundo tipo de sobrepesca ocorre quando indivíduos mais jovens são progressivamente capturados em uma situação em que não há sobrepesca de recrutamento. através de pescadores profissionais. a ameaça à reprodução do estoque é imposta pela retirada dos membros que atingirão idade de reprodução. 101 35656001 miolo. utilizando embarcações de médio ou grande porte. 6 A pesca artesanal é aquela praticada diretamente por pescador profissional. No Estado de São Paulo a pesca é praticada no ambiente marinho. Não é possível fazer uma estimativa confiável a respeito dos pescadores continentais. Estima-se. utilizando embarcações de pequeno porte. que institui o Código de Pesca e Aquicultura do Estado. empregados ou em regime de parceria. arenque.200 pescadores artesanais. grandes linguados. Uma forma que têm se mostrado eficiente na gestão dos recursos costeiros e marinhos mundiais é a criação das Áreas Marinhas Protegidas. lazer ou desporto. repassando o conhecimento de seus antepassados às novas gerações. o que demonstra a importância social da atividade. de forma participativa. 2010). em pequena escala7 ou em grande escala8 e. etc. As três APA Marinhas de São Paulo (Figura 3. em alguns casos. e. O primeiro se dá quando ocorre uma redução significativa do número de indivíduos em idade de reprodução. seja ela realizada de maneira artesanal6. através de pescadores profissionais. basicamente em áreas represadas e em trechos livres de grandes rios. Segundo a Lei Estadual nº 11. Um problema que acompanha a pesca e que é capaz de inviabilizá-la. o uso e exploração dos recursos marinhos como forma de proteção da biodiversidade para as gerações presentes e futuras.2 recursos Pesqueiros A pesca vem sendo praticada desde os primórdios da humanidade. Para se evitar o problema da sobrepesca e da perda da biodiversidade marinha em geral (com todas as suas consequências).). em regime de economia familiar ou em regime de parceria com outros pescadores. Esta atividade serve como fonte de renda e alimento de populações ribeirinhas. amadora. Nesse caso.18). e no continente. quando o pescador a tem como sua atividade econômica principal. caso não seja bem gerenciado. Este tipo de sobrepesca pode conduzir um determinado estoque à extinção e é mais frequente entre espécies caracterizadas por um baixo crescimento depois da maturação sexual. mesmo depois de maduros sexualmente (tubarão.165/02. anchoveta e chicharro) são muito sujeitas à sobrepesca de recrutamento. incluindo-se nesta categoria os Pesque-Pagues. Litoral Norte. tendo por finalidade comercializar o produto. Existem dois tipos de sobrepesca: a sobrepesca de recrutamento e a sobrepesca de crescimento. com finalidade comercial. As pescarias sobre pequenos pelágicos (sardinha. as Áreas de Proteção Ambiental (APA) Marinhas. sendo por volta de 2. é a sobrepesca. aquela praticada com finalidades de turismo. ao longo da costa. acaba sendo a única oportunidade de emprego para determinados grupos de indivíduos e para a população excluída. Litoral Centro e Litoral Sul. de forma autônoma. há a necessidade de uma gestão mais integrada e inovadora dos recursos marinhos. 2. garantindo a sobrevivência dos povos ao longo dos milênios.3. Nos últimos séculos adquiriu caráter comercial com o desenvolvimento de técnicas de captura de larga escala. não podendo o seu produto ser comercializado ou industrializado. tendo por finalidade a comercialização do produto. empregados ou em regime de parceria.123.700 pescadores na Baixada Santista. Tal variedade de sobrepesca é mais comum em peixes que apresentam crescimento considerável.

Apesar do pico observado no início da década. carência de políticas públicas de incentivo à implantação de entrepostos pesqueiros com infraestrutura mínima para limpeza. processamento e comercialização. As espécies mais capturadas segundo o Levantamento da Pesca Profissional Continental no Estado de São Paulo em 2008 (VERMULM JR et al. No total foram capturadas cerca de 380 toneladas de pescado dos quais cerca de 70% provêm do rio Paraná. dizem respeito à gestão da atividade pesqueira continental.FiGura 3.indd 102 15/4/2011 15:14:43 . falta de organização associativa e apoio insuficiente das colônias de pescadores às comunidades de pescadores artesanais profissionais. 102 35656001 miolo. o Mandi e a Corvina no rio Grande. e falta de uma política para resolução de conflitos entre pesca profissional e amadora. 2010) foram o Curimbatá e a Traíra no rio Paranapanema.1 Pesca continental A pesca profissional continental é realizada principalmente nas bacias dos rios Grande. A Figura 3. ausência de cadastramento do número de pescadores artesanais profissionais efetivos junto às colônias de pescadores. o Acará e a Piapara no rio Paraná. 18 áreas de Proteção aMbiental MarinHas do estado de são Paulo Fonte SMA/CPLA (2010) 3. Uma melhor eficiência na gestão desses recursos pode assegurar a sustentabilidade dos estoques em longo prazo.2. Isto se deve aos pontos críticos mencionados anteriormente e que. de forma geral. e. nota-se a tendência de queda na captura do pescado ao longo da série histórica. Alguns pontos críticos para a realização desta atividade podem ser destacados: leis e portarias pouco claras. Paraná e Paranapanema.19 que se segue ilustra a evolução do pescado capturado nos três rios ao longo dos anos. baixo aproveitamento dos resíduos produzidos no processamento do pescado..

6 300 200 68. 19 Produção da Pesca ProFissional continental no estado de são Paulo de 1997 a 2008 Rio Grande Rio Paraná Rio Paranapanema 800 700 Toneladas 600 500 400 270.2. Nota-se uma volta aos patamares de produção de 2003 e 2004 após um breve período de aumento na produção de 2005 a 2008.8 0 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2007 2008 Fonte: Vermulm et al (2010) 3.indd 103 15/4/2011 15:14:43 .20 ilustra a evolução da pesca extrativa marinha de 2003 a 2009. as técnicas utilizadas. De acordo com o Relatório Estatístico do Ministério da Pesca 2008/2009. o Litoral Norte com seus recortes e pequenas baías. A Figura 3. a Baixada Santista com suas características metropolitanas.2 Pesca marinha A pesca extrativista marinha se desenvolve em todo o litoral paulista.FiGura 3. Cada região. o Estado de São Paulo produziu cerca de 27. apresenta suas próprias especificidades. ocupando o sexto lugar na produção nacional de pescado. 103 35656001 miolo.5 100 45. que vão determinar o tipo da pesca.5 mil toneladas de pescado a partir da pesca extrativa marinha. e o Litoral Sul com o Complexo Estuarino-Lagunar Iguape-Cananéia-Ilha Comprida. as espécies e a quantidade capturada.

824 22.561 26.000 30.000 33.000 23. a Corvina. moluscos.).600 toneladas de pescado desembarcado. ostras. na categoria sobreexplotadas. seja necessário a extração da natureza para o posterior cultivo.000 27.000 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura (2010) Para o ano de 2010. 104 35656001 miolo.2.379 Toneladas 32.256 24. a partir do “Informe da Produção Pesqueira Marinha e Estuarina do Estado de São Paulo” publicada pelo Instituto de Pesca em setembro de 2010. trutas. passando de 28 milhões de toneladas.3 aquicultura O crescimento da população. consiste numa possibilidade sustentável (desde que realizada dentro da capacidade de suporte do ambiente) de produção de pescados. camarões. Sua grande diferença em relação à pesca extrativa é que os organismos não são extraídos a esmo da natureza. Para muitos cultivos é possível realizar todo o processo em criadouros (viveiros. 20 Produção da Pesca extrativa MarinHa no estado de são Paulo de 2003 a 2009 36. em 1961. Desse total. a Sardinha-verdadeira e o Camarão-sete-barbas. As duas primeiras espécies encontram-se na Lista de Espécies da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo (Decreto Estadual nº 53. Uma descrição mais detalhada da estruturação da pesca extrativa marinha no litoral paulista.000 27. 3. seja ela praticada em água doce ou água salgada.000 33. por Silva e Graça Lopes (2010). com a descrição dos atores envolvidos e propostas de fortalecimento. tendo Ubatuba como maior produtor. como as ostras. etc.702 28.494/08). que gira em torno de 14. a urbanização e o aumento da renda per capita fizeram com que o consumo mundial de pescado mais do que triplicasse nos últimos quarenta anos. para 96 milhões em 2001. carpas. tem-se a estimativa preliminar da produção pesqueira entre Janeiro e Setembro.087 34.FiGura 3. 63% corresponde à produção da Baixada Santista. pode ser vista no Plano de Extensão Rural e Pesqueira para o Litoral Paulista. permitindo que retomem seu equilíbrio natural. A aqüicultura. com Santos/Guarujá como o maior produtor. pacus.000 20. tanques-rede. respectivamente.771 33.indd 104 15/4/2011 15:14:43 . etc. publicado pelo Instituto de Pesca. Pode ser usada para produção de peixes (tilápias. 20% corresponde à produção do Litoral Sul.000 27. mexilhões. e 17% corresponde à produção do Litoral Norte. embora em algumas formas de produção. As espécies mais capturadas foram. algas e rãs. com Cananéia como principal município produtor. piaparas.). o que diminui o impacto às comunidades naturais pela retirada desenfreada de organismos.

2006). para a sustentabilidade do setor.495 10.21 abaixo apresenta uma comparação da evolução da produção do pescado pela pesca e aqüicultura.indd 105 15/4/2011 15:14:44 . normatização e implementação de boas práticas de produção. e. um crescente aumento na produção da aquicultura continental. embora a aquicultura alivie a pressão sobre os estoques pesqueiros.000 5. Conta com centros de pesquisa na capital. através de seu corpo técnico. marinha e continental. Isso vem ocorrendo com os estoques pesqueiros do mundo todo. instituições governamentais e não governamentais e interessados em geral. Para isso é necessário o estabelecimento de marcos regulatórios.000 143 0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura (2010) Como já comentado.561 20. até conflitos pelo uso da água e a poluição orgânica de rios e estuários (descarte de efluentes). FiGura 3. vê-se a tendência de estagnação na produção nos últimos anos. esta atividade. caso não seja executada de acordo com os parâmetros estabelecidos pela legislação ambiental.000 Toneladas 35. e. uma aquicultura marinha (ou maricultura) incipiente e sub-explorada. a produção da aquicultura terá um papel crucial nas próximas décadas. nota-se a estagnação ou queda de produção nas pescas continental e marinha.000 27.000 30. marinhos e continentais. Observando-se os números da pesca continental e marinha. com quase 40 mil toneladas. 105 35656001 miolo. É por isso que. 21 Produção da Pesca e aQuicultura no estado de são Paulo de 2003 a 2009 Pesca marinha Pesca connental Aquicultura marinha Aquicultura connental 45.000 38. também pode gerar impactos.000 25. que veio a ser responsável pela maior quantidade de pescado produzido no Estado em 2009. na compensação da produção da pesca e da crescente demanda por produtos de organismos aquáticos.Porém. que vão desde a destruição de mangues e de outras formas de vegetação nativa (para a instalação dos tanques de criação).503 40. fornecendo informações e assistência técnica a criadores de organismos aquáticos. A Figura 3. tem como um de seus objetivos dar suporte à aquicultura paulista. a aquicultura necessita de uma gestão apropriada das suas interações com o ambiente durante as ações de planejamento e implementação (FAO.000 10. realiza visitas a propriedades rurais para avaliação da viabilidade de implantação de projetos aquícolas. O Instituto de Pesca. muitas vezes fruto da sobreexplotação das espécies. que impede a renovação dos estoques naturais.000 15. Devido a esse declínio na produção tradicional do pescado. produtores rurais. além de instrumentos socioeconômicos de incentivo e inclusão. vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento. litoral e interior. prefeituras.

106 35656001 miolo. SILVA. et al.gov. São Paulo: Instituto de Pesca. Instituto de Pesca: São Paulo. 2010. 2010. Disponível em: <http://www. 2006. da. 2010. N. J. Produção Pesqueira e Aquícola.indd 106 15/4/2011 15:14:44 .mpa. Levantamento da pesca profissional continental no Estado de São Paulo. Plano de Extensão Rural e Pesqueira para o Litoral Paulista. 1994 a 2008. FAO Fisheries Technical Paper.br> Acesso em: nov.referências MINISTÉRIO DA PESCA E AQUICULTURA – MPA.. Rome: FAO. 44. Estatística 2008 e 2009. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION – FAO. VERMULM JR. R. Graça Lopes. H. Série Relatórios Técnicos. R. Fisheries Department State of world aquaculture 2006. Série Relatórios Técnicos n.

1 abastecimento de água Dentre as quatro vertentes do saneamento básico descritas acima. como a coleta. contidos no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e divulgados na publicação “Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos 2008”. conforme dados do Ministério das Cidades (MCidades. incluindo a gestão de outras categorias de resíduos sólidos. e o lançamento dos efluentes nas coleções d’água. como também a identificação e a recuperação de áreas contaminadas. e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. 107 35656001 miolo. Entretanto. o saneamento básico é composto pelo conjunto de serviços. visando atender os padrões de potabilidade estabelecidos pela Portaria do Ministério da Saúde nº 518/04.indd 107 15/4/2011 15:14:44 .22 mostra a distribuição percentual dos municípios do Estado enquadrados nas classes do IAA. seu transporte para as estações de tratamento. até a reservação e a distribuição da água tratada às ligações prediais e seus respectivos instrumentos de medição. os sistemas de esgotamento sanitário compreendem desde a coleta do esgoto gerado nos domicílios. limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.3 saneamento ambiental De acordo com a Lei Federal nº 11. Os sistemas de abastecimento de água potável envolvem desde a captação da água bruta nos mananciais superficiais ou subterrâneos. como os provenientes de serviços de saúde e de obras de construção e demolição. fator essencial para a qualidade de vida da população. 22 classes do iaa intervalo abastecimento de água iaa < 50% ruim 50% < iaa < 90% regular iaa > 90% bom Fonte: SMA/CRHi (2010) A Figura 3. que representa a porcentagem da população total de cada município efetivamente atendida por abastecimento público de água. ambos em 2008.3. o abastecimento de água potável é a que se encontra mais consolidada. como pode ser visto na Tabela 3. pode ser classificado em três categorias.445/2007. o quadro se assemelha ao nacional. visando atender aos padrões estabelecidos na legislação federal e estadual. nas quais se reduz o potencial poluidor e de geração de agravos à saúde. 2010). 2010b). infra-estruturas e instalações operacionais de: abastecimento de água potável. a Figura 3. o transporte. alagamentos e o agravamento de processos erosivos. No Estado de São Paulo. de maneira a promover a manutenção e a melhoria da qualidade ambiental. A concepção de saneamento ambiental amplia o horizonte estabelecido pela Lei Federal nº 11. a oferta deste serviço ainda não atinge a totalidade dos domicílios. Já a drenagem urbana e o manejo de águas pluviais congregam os dispositivos e as ações relativas à coleta e ao transporte das águas pluviais. passando pelo transporte da mesma até as instalações onde ocorre seu tratamento. Por sua vez. e podemos ver hoje todos os municípios paulistas contando com rede de distribuição de água (IBGE. o Índice de Atendimento de Água (IAA). 3. que estabelece as diretrizes nacionais e a política federal de saneamento.23. tabela 3. Segundo a Coordenadoria de Recursos Hídricos (CRHi) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.3. bem como estruturas para amortecer as cheias e direcionar as águas drenadas de maneira a evitar enchentes. o mapa dos municípios por classes do IAA. por UGRHI e. no Brasil.22. A limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos abarcam todas as atividades relacionadas ao gerenciamento dos resíduos sólidos domiciliares e daqueles provenientes dos sistemas de varrição e limpeza dos logradouros públicos.445/07. o tratamento e a disposição final destes resíduos. esgotamento sanitário.

FiGura 3. 23 iaa dos MunicíPios do estado de são Paulo eM 2008 Fonte: MCidades (2010b). 22 distribuição Percentual dos MunicíPios do estado de são Paulo enQuadrados nas classes do iaa Por uGrHi eM 2008 Bom 100% 80% 11 18 90% 30 33 9 70% Regular 12 5 50 27 29 33 6 9 17 21 28 24 32 3 12 26 28 8 4 14 5 2 21 35 26 58 41 38 39 88 40% 30% Sem Dados 33 60% 47 26 56 37 50% Ruim 60 55 55 41 69 57 70 67 67 50 20% 35 26 10% 50 47 44 32 50 21 4 2 3 4 5 6 7 8 34 33 24 0% 1 41 9 28 31 19 19 24 3 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 UGRHI Fonte: MCidades (2010b). elaborado por SMA/CPLA (2010) 108 35656001 miolo.indd 108 15/4/2011 15:14:45 . elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3.

ou seja.603 kg DBO/dia (61%) foram lançados em corpos d’água. Já a carga orgânica poluidora remanescente apresenta os valores de carga poluidora que efetivamente são lançados nos corpos hídricos após sua coleta e tratamento.090. que consiste na quantidade de oxigênio dissolvido consumido pelos microorganismos aquáticos na degradação da matéria orgânica. a carga orgânica poluidora potencial é a quantidade de matéria orgânica gerada estimada em função da população. 07 (Baixada Santista). 3. Esse lançamento pode prejudicar a qualidade da água. segundo a CETESB (2010b). Para mensurar a carga orgânica presente em determinado efluente. Dentre as UGRHI que apresentaram melhor desempenho.659 kg DBO/dia) de toda carga orgânica remanescente do Estado.Como se observa na Figura 3.2 esgotamento sanitário Dentre as pressões ambientais advindas dos assentamentos humanos. Destes. assume papel de destaque o lançamento de grandes quantidades de matéria orgânica nos corpos d’ água. Para além da perda de biodiversidade. 109 35656001 miolo. 09 (Mogi-Guaçu) e 12 (Baixo Pardo/Grande). causando maus odores que depreciam a qualidade de vida da população que vive próxima a esses corpos d’ água. o percentual de municípios que apresentam menos da metade de sua população efetivamente atendida por rede de abastecimento de água não atinge 10%. Vale ressaltar que a análise destes resultados deve levar em conta a expressiva quantidade de municípios que não forneceram dados ao SNIS. Podemos observar que somente a UGRHI 06 (Alto Tietê) é responsável por aproximadamente 54% (691. 1. a contribuição individual de 54 g DBO por habitante por dia.3. por UGRHI.285. encontram-se as UGRHI 03 (Litoral Norte). quando existente. No Estado de São Paulo em 2009.704 kg DBO/dia) do total. através da norma NBR 12209:1992. que contam com pelo menos a metade dos municípios enquadrados num nível de atendimento bom.588 kg DBO/dia. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). a partir da qual pode ser estimado o aporte de carga orgânica gerado pela população dos municípios. a carga orgânica poluidora potencial de origem doméstica foi de 2. em 2009. que lança nos rios quase 13% (165.indd 109 15/4/2011 15:14:45 . Portanto. num determinado intervalo de tempo e a uma dada temperatura de incubação. seguida pela UGRHI 05 (PCJ). pois potencializa a atuação de microorganismos que degradam a matéria orgânica.24 apresenta a carga orgânica remanescente de origem doméstica em valor absoluto (kg DBO/dia). A Figura 3. em somente quatro das 22 UGRHI do Estado todos os municípios forneceram dados. exceção feita às UGRHI 01 (Mantiqueira) e 11 (Ribeira de Iguape/Litoral Sul). a quantidade que seria lançada nos corpos d’água caso não houvesse nenhuma forma de tratamento de efluentes. Por convenção. uma vez que. na maioria das UGRHI. consumindo para isso o oxigênio dissolvido nas águas. de maneira difusa ou por meio dos sistemas de esgotamento sanitário. utilizamos aqui a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). A queda nos níveis de oxigênio dissolvido inviabiliza a sobrevivência de grande parte dos organismos que compõe a comunidade aquática. estabelece como parâmetro para projetos de estações de tratamento de esgoto.22. adota-se o período de cinco dias e uma temperatura de 20° C. os baixos níveis de oxigênio dissolvido possibilitam a proliferação de microorganismos que sobrevivem em condições de anaerobiose e geram em seus processos metabólicos gases como o metano (CH4) e o gás sulfídrico (H2S). reduzindo assim a biodiversidade nesses ambientes.

1 8 15 3 . reflete a contribuição dos mesmos para a manutenção da qualidade ambiental. além do afastamento do esgoto gerado pela população.000 200. 110 35656001 miolo. 77 5 3. Portanto.9 5 11 3 . 96 6.6 46 42 . 24 carGa orGânica Poluidora reManescente Por uGrHi eM 2009 700.7 10 53 .1 42 58 .000 400. A Tabela 3. 70 4 300.0 0 12 3 .4 25 06 . 4 73 5 7. 0 83 7 4. 76 4 2.9 9 11 6 .000 100.2 5 9.000 500.23 apresenta a evolução do percentual de redução de carga orgânica potencial de origem doméstica em cada UGRHI do Estado de São Paulo.000 9 69 1.000 16 5. 84 1 1. a proporção de carga orgânica potencialmente gerada pela população que é removida pelos sistemas de tratamento.FiGura 3.000 0 6 5 7 2 9 13 10 15 4 21 19 8 17 14 3 16 11 12 22 20 1 18 UGRHI Fonte: CETESB (2010b). 65 600. um dos principais enfoques das ações de saneamento consiste no tratamento e na consequente redução do potencial poluidor desses efluentes. 62 0 Carga orgânica remanescente (kg DBO/dia) 800. elaborado por SMA/CPLA (2010) Importante indicador das condições dos sistemas de esgotamento sanitário.indd 110 15/4/2011 15:14:46 .0 17 24 .7 4 46 1 .6 9 10 2 .9 02 57 .000 82 .

a ultrapassagem desse limite. estabeleceu como padrão de emissão para o lançamento de efluentes em corpos d’ água o patamar de 60 mg/L de DBO. Cabe ressaltar que o Decreto Estadual nº 8. por UGRHI. que apresentaram os piores índices.indd 111 15/4/2011 15:14:46 . 23 Percentual de redução de carGa orGânica Por uGrHi de 2006 a 2009 uGrHi % redução de carga orgânica 2006 2007 2008 2009 01 – Mantiqueira 3% 6% 3% 3% 02 – Paraíba do sul 26% 31% 30% 42% 03 – litoral norte 22% 24% 26% 29% 04 – Pardo 42% 49% 58% 68% 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 22% 34% 34% 35% 06 – alto tietê 30% 31% 30% 32% 07– baixada santista 48% 7% 7% 8% 08 – sapucaí/Grande 51% 63% 58% 66% 09 – Mogi-Guaçu 26% 27% 30% 35% 10 – sorocaba/Médio tietê 41% 40% 44% 51% 11 – ribeira de iguape/litoral sul 39% 42% 26% 41% 12 – baixo Pardo/Grande 56% 62% 59% 59% 13 – tietê/Jacaré 27% 31% 29% 40% 14 – alto Paranapanema 62% 59% 58% 65% 15 – turvo/Grande 22% 26% 25% 59% 16 – tietê/batalha 43% 57% 56% 60% 17 – Médio Paranapanema 58% 58% 68% 64% 18 – são José dos dourados 78% 85% 83% 85% 19 – baixo tietê 62% 60% 63% 65% 20 – aguapeí 68% 68% 71% 78% 21 – Peixe 31% 30% 33% 33% 22 – Pontal do Paranapanema 68% 73% 70% 79% 33% 34% 34% 39% estado de são Paulo Fonte: CETESB (2010b).25 apresenta o percentual de redução carga orgânica dividido em faixas. sendo. permitida somente quando a eficiência do sistema de tratamento seja de no mínimo de 80%. que apresentou percentual de redução de 85%. elaborado por SMA/CPLA (2010) Podemos observar uma situação crítica nas UGRHI 01 (Mantiqueira) e 07 (Baixada Santista). 111 35656001 miolo. em 2009. e o alto desempenho verificado na UGRHI 18 (São José dos Dourados). que regulamentou a Lei Estadual nº 997/76.468/76.tabela 3. A Figura 3. 3% e 8% respectivamente. o mais alto entre todas as bacias.

24 coMPosição do icteM composição (%) Ponderação Coleta elementos do indicador 15 1. Neto (2007) Notas: 1) coleta: % da população urbana atendida por rede de esgotos ou sistemas isolados.5 Eficiência global de remoção 65 6. 2) tratamento e eficiência de remoção: % da população urbana com esgoto tratado. 25 distribuição do Percentual de redução de carGa orGânica Por uGrHi eM 2009 Fonte: CETESB (2010b). tabela 3. 112 35656001 miolo. outros importantes aspectos relativos ao sistema de tratamento. o afastamento e o tratamento dos esgotos. A Tabela 3. o valor para esse elemento do indicador será de 6. 3) a eficiência global de remoção depende da eficiência unitária das ETE.5. Se a eficiência global for igual ou maior que 80%.5 Tratamento e eficiência de remoção 15 1. elaborado por SMA/CPLA (2010) Para aferir a situação dos municípios paulistas quanto ao desempenho de seus sistemas de tratamento de esgotos sanitários.3 100 1 total Fonte: Novaes.2 Efluente da estação não desenquadra a classe do corpo receptor 3 0.5 Destino adequado de lodos e resíduos de tratamento 2 0.indd 112 15/4/2011 15:14:47 . até a destinação dada aos lodos gerados nas estações de tratamento e os impactos causados aos corpos hídricos receptores dos efluentes. que vão desde a coleta.24 mostra os elementos que compõe o indicador e suas respectivas contribuições. Soares. entretanto. sem deixar de observar.FiGura 3. CETESB desenvolveu o Indicador de Coleta e Tratabilidade de Esgoto do Município (ICTEM). Este indicador tem como objetivo verificar a efetiva remoção da carga orgânica poluidora em relação à carga orgânica po tencial gerada pelas populações urbanas dos municípios.

7 8.2 4. inexiste uma série histó rica do mesmo.1 21 – Peixe 4. tabela 3.4 1.2 7. são apresentado dois mapas: um com as notas do ICTEM por UGRHI e outro por município. 26 icteM Por uGrHi eM 2008 e 2009 uGrHi icteM 2008 2009 01 – Mantiqueira 1.8 7.4 4.5 Péssimo 2.2 04 – Pardo 6.1 5. que pode variar de zero a dez.5 < icteM ≤ 10.4 10 – sorocaba/Médio tietê 5.indd 113 15/4/2011 15:14:47 .1 5.1 20 – aguapeí 7.26 os dados de 2008 e 2009 por UGRHI e para o Estado de São Paulo.6 06 – alto tietê 4.5 6.0 4.5 regular 7.3 7. 25 classes do icteM intervalo sistema de esgotamento sanitário icteM ≤ 2.7 6.3 6.9 estado de são Paulo Fonte: CETESB (2010d).4 4. como pode ser visto na tabela que segue.2 07– baixada santista 1.6 7.8 1.4 22 – Pontal do Paranapanema 7.4 4.9 08 – sapucaí/Grande 6.7 9. Na sequência.Em função da nota do ICTEM.2 09 – Mogi-Guaçu 4. todos relativos ao dado de 2009. os sistemas de esgotamento sanitário dos municípios são classificados em quatro em faixas.5 4.8 17 – Médio Paranapanema 7.1 4.2 5.0 ruim 5.4 02 – Paraíba do sul 4.8 19 – baixo tietê 6.4 18 – são José dos dourados 9.6 6. em função disto.6 13 – tietê/Jacaré 4.2 12 – baixo Pardo/Grande 6.1 5.0 bom Fonte: CETESB (2010d) É importante frisar que este indicador foi instituído recentemente no âmbito da CETESB e.5 < icteM ≤ 5.1 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 4.1 14 – alto Paranapanema 6.0 < icteM ≤ 7. são apresentados na Tabela 3.9 15 – turvo/Grande 3.6 16 – tietê/batalha 6.1 03 – litoral norte 4. Desse modo.5 8.7 11 – ribeira de iguape/litoral sul 5. elaborado por SMA/CPLA (2010) 113 35656001 miolo. tabela 3.

FiGura 3. 26
distribuição do icteM Por uGrHi eM 2009

Fonte: CETESB (2010d), elaborado por SMA/CPLA (2010)

FiGura 3. 27
distribuição do icteM Por MunicíPio eM 2009

Fonte: CETESB (2010d), elaborado por SMA/CPLA (2010)

114

35656001 miolo.indd 114

15/4/2011 15:14:49

Vale destacar as UGRHI 18 (São José dos Dourados), 22 (Pontal do Paranapanema) e 20 (Aguapeí), as únicas
que tiveram seus sistemas de esgotamento sanitário classificados como bons em 2009. Em contrapartida podemos observar que as UGRHI 01 (Mantiqueira) e 07 (Baixada Santista) apresentaram os piores resultados, e nos
dois anos considerados foram enquadradas na categoria Péssima. Ainda merecem atenção as UGRHI 06 (Alto
Tietê), 05 (PCJ), 09 (Mogi-Guaçu), 03 (Litoral Norte) e 21 (Peixe), que tiveram seus sistemas de esgotos sanitários classificados como ruins. No caso das UGRHI 06 e 05 a situação é agravada pelo fato de ambas abrangerem
grande parte da população do Estado e contarem com forte presença industrial.
Para o Estado de São Paulo como um todo, podemos verificar uma melhora do ICTEM de 2008 para 2009,
quando o indicador foi de 4,5 para 4,9, se aproximando da categoria Regular, porém ainda muito aquém do desejável no âmbito do Estado, deixando clara, desta forma, a necessidade de se avançar na melhoria das condições
de esgotamento sanitário nos municípios paulistas.
Nesse sentido, a Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (hoje Secretaria de Saneamento
e Recursos Hídricos) tem empreendido diversos esforços, dentre os quais se destaca o Programa Estadual de
Apoio Técnico à Elaboração dos Planos Municipais e Regionais de Saneamento (PMS), que tem atuado junto
às prefeituras municipais com o objetivo de estabelecer o processo de planejamento em saneamento, como preconiza a Lei Federal n0 11.445/07.

3.3.3 Manejo de resíduos sólidos
Com o objetivo de avaliar a operação dos locais de disposição final de resíduos sólidos domiciliares no território
paulista, a CETESB, publica anualmente em seu “Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares” o Índice de Qualidade de Aterro de Resíduos (IQR). Por meio do acompanhamento dos técnicos da Companhia, os
aterros sanitários são inspecionados periodicamente, sendo avaliados quanto as suas características locacionais,
estruturais e operacionais. A partir desta avaliação é atribuída uma nota para cada município do Estado, que
varia de zero a 10 e, em função do valor obtido, as instalações são classificadas em três categorias, como pode ser
visto na Tabela 3.27.

tabela 3. 27
classes do iQr
intervalo

aterro sanitário

iQr ≤ 6,0

adequado

6,0 < iQr ≤ 8,0

controlado

8,0 < iQr ≤ 10,0

inadequado
Fonte: CETESB (2010e)

A Tabela 3.28 apresenta a série histórica do IQR médio ponderado pela geração de resíduos, para as UGRHI
e para o Estado de São Paulo de 2000 a 2009. Vale citar que as quantidades de Resíduos Sólidos Domiciliares (RSD) geradas nos municípios foram calculadas com base na população urbana de cada município (censo
demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) e em índices de produção de resíduos
por habitante9. Excetua-se a esta regra o município de São Paulo, para o qual são adotados os volumes diários
divulgados oficialmente pelas concessionárias do serviço municipal.

9 Para municípios com população de até 100 mil habitantes considera-se a geração de 0,4 kg/hab.dia, aumentando para 0,5 kg/hab.dia para municípios
com população entre 100 mil e 200 mil habitantes, 0,6 kg/hab.dia para municípios entre 200 mil e 500 mil habitantes e 0,7 kg/hab.dia para municípios
com população maior que 500 mil habitantes (CETESB, 2010b).

115

35656001 miolo.indd 115

15/4/2011 15:14:49

tabela 3. 28
iQr Por uGrHi de 2000 a 2009
uGrHi

iQr
2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

01 – Mantiqueira

10,0

9,7

10,0

9,8

9,8

9,8

9,9

9,7

8,3

8,3

02 – Paraíba do sul

7,8

7,8

8,4

8,7

8,5

8,2

8,4

8,9

8,2

9,1

03 – litoral norte

4,6

4,4

4,8

4,7

5,4

5,9

5,7

8,2

9,3

9,3

04 – Pardo

6,5

7,0

7,8

8,1

8,2

7,9

6,6

6,3

8,8

9,4

05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí

6,9

7,4

7,9

8,5

8,5

8,5

8,4

9,0

8,9

9,1

06 – alto tietê

7,7

8,2

8,3

8,3

8,5

8,9

8,9

9,2

9,3

9,2

07– baixada santista

4,1

4,1

5,7

7,6

8,9

9,0

8,7

9,0

9,3

9,4

08 – sapucaí/Grande

6,4

7,4

7,3

7,4

7,2

6,8

8,9

8,7

8,8

9,4

09 – Mogi-Guaçu

6,4

6,6

6,8

6,7

6,5

7,0

6,4

6,5

8,4

8,5

10 – sorocaba/Médio tietê

6,6

6,7

6,8

7,5

7,5

8,1

8,0

8,2

8,3

8,4

11 – ribeira de iguape/litoral sul

3,0

3,1

3,6

4,7

4,7

5,8

5

4,7

6,7

7,8

12 – baixo Pardo/Grande

6,5

6,6

6,7

6,6

6,8

6,1

7,4

9,0

8,8

9,6

13 – tietê/Jacaré

7,3

7,8

8,0

7,9

7,7

7,8

8,1

7,9

6,6

7,7

14 – alto Paranapanema

4,3

3,7

4,3

4,6

4,4

5,0

4,6

4,1

6,8

8,0

15 – turvo/Grande

6,4

6,2

6,8

6,8

6,8

7,4

7,6

7,9

8,4

9,2

16 – tietê/batalha

6,1

6,4

7,6

6,8

7,2

7,0

6,7

6,6

7,1

8,3

17 – Médio Paranapanema

6,9

7,0

6,8

6,2

5,4

7,8

7,9

7,1

7,8

8,4

18 – são José dos dourados

6,2

7,3

6,8

6,3

6,1

6,4

7,1

6,9

8,7

8,3

19 – baixo tietê

3,7

4,6

6,9

7,8

7,8

8,1

7,8

8,3

9,3

9,4

20 – aguapeí

6,5

7,2

7,6

7,3

7,2

7,6

7,5

7,9

8,1

7,9

21 – Peixe

5,2

4,7

5,5

5,3

3,9

5,1

7,1

6,1

6,9

7,8

22 – Pontal do Paranapanema

4,7

4,4

4,7

4,5

4,2

4,7

4,1

4,5

3,8

4,2

7,1

7,5

7,8

8,0

8,2

8,5

8,5

8,8

8,9

9,0

estado de são Paulo

Fonte: CETESB (2010e), elaborado por SMA/CPLA (2010)

Como pode se observar, a operação dos aterros sanitários apresentou significativa melhora na última década,
sendo que somente a UGRHI 22 (Pontal do Paranapanema) está enquadrada na categoria Inadequada (Figura
3.28) e, ainda, apenas sete municípios do Estado têm a as instalações que dispõe seus resíduos sólidos domiciliares
consideradas inadequadas (Figura 3.29).

116

35656001 miolo.indd 116

15/4/2011 15:14:49

FiGura 3. 28
distribuição do iQr Por uGrHi eM 2009

Fonte: CETESB (2010e), elaborado por SMA/CPLA (2010)

FiGura 3. 29
distribuição do iQr Por MunicíPio eM 2009

Fonte: CETESB (2010e), elaborado por SMA/CPLA (2010)

117

35656001 miolo.indd 117

15/4/2011 15:14:51

Como forma de complementar o IQR e com o objetivo de avaliar não somente a disposição final dos resíduos
sólidos domiciliares, mas também a gestão dos resíduos sólidos urbanos como um todo, a equipe da Coordenadoria de Planejamento Ambiental (CPLA) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA) desenvolveu,
em 2007, o Índice de Gestão dos Resíduos Sólidos (IGR). Este índice é calculado por uma fórmula matemática,
podendo variar entre zero e 10, e é composto pelo IQR, que representa 35% da nota final, pelo Índice de Qualidade de Usinas de Compostagem (IQC), que representa 5%, e pelo Índice de Qualidade de Gestão de Resíduos
Sólidos (IQG), que representa os outros 60% e agrega indicadores de quatro áreas: instrumentos para a política
de resíduos sólidos, programas ou ações municipais, coleta e triagem, tratamento e disposição. Da mesma forma
que o IQR, foram estabelecidas três categorias para o classificação da qualidade da gestão de resíduos sólidos
urbanos dos municípios, conforme Tabela 3.29.
tabela 3. 29
classes do iGr
intervalo

Gestão Municipal

iGr ≤ 6,0

ineficiente

6,0 < iGr ≤ 8,0

Mediana

8,0 < iGr ≤ 10,0

eficiente
Fonte: SMA/CPLA (2010)

A Tabela 3.30 e a Figura 3.30 apresentam os resultados do IGR médio ponderado pela geração de resíduos das
UGRHI do Estado de São Paulo. A tabela mostra o valor para os anos de 2007 e 2009, os únicos em que o
índice foi calculado, enquanto a figura apresenta o resultado para o ano de 2009. A Figura 3.31 apresenta o IGR,
referente ao ano de 2009, para todos os municípios paulistas.
Para 2007, a coleta de dados foi realizada por meio da Pesquisa Municipal Unificada, na qual a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE) enviou questionários para os 645 municípios paulistas, dos quais
543 responderam. Os dados referentes ao ano de 2009 foram obtidos por meio de formulário eletrônico disponibilizado no site da CPLA, sendo que dos 645 municípios do Estado, 555 responderam.

118

35656001 miolo.indd 118

15/4/2011 15:14:51

30 iGr Por uGrHi eM 2007 e 2009 iGr uGrHi 2007 2009 01 – Mantiqueira 7.1 10 – sorocaba/Médio tietê 7.6 7.indd 119 15/4/2011 15:14:51 .4 6.6 21 – Peixe 2.9 7.0 19 – baixo tietê estado de são Paulo Fonte: SMA/CPLA (2010) 119 35656001 miolo.1 7.2 09 – Mogi-Guaçu 5.tabela 3.0 08 – sapucaí/Grande 7.5 13 – tietê/Jacaré 4.2 7.0 22 – Pontal do Paranapanema 4.7 7.9 6.0 14 – alto Paranapanema 3.9 6.2 6.8 5.8 07– baixada santista 7.2 02 – Paraíba do sul 7.8 5.8 20 – aguapeí 5.9 4.7 6.8 12 – baixo Pardo/Grande 7.6 06 – alto tietê 7.9 7.3 7.8 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 6.6 5.5 03 – litoral norte 6.5 7.7 7.6 6.0 18 – são José dos dourados 5.3 7.1 7.4 11 – ribeira de iguape/litoral sul 2.7 6.4 15 – turvo/Grande 5.6 17 – Médio Paranapanema 5.5 16 – tietê/batalha 4.4 7.5 3 6.2 04 – Pardo 5.

31 distribuição do iGr Por MunicíPio eM 2009 Fonte: SMA/CPLA (2010) 120 35656001 miolo.FiGura 3.indd 120 15/4/2011 15:14:53 . 30 distribuição do iGr Por uGrHi eM 2009 Fonte: SMA/CPLA (2010) FiGura 3.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico.7) em 2007 para mediana (7. metade das bacias apresentam a totalidade dos municípios com rede subterrânea de drenagem de águas pluviais. diferentemente da boa condição da maioria das instalações para destinação final dos resíduos sólidos domiciliares municipais. ou seja. publicação lançada anualmente todo mês de junho pela CPLA. 121 35656001 miolo. a análise dos resultados do IGR deve considerar a forma de obtenção das informações. realizada pelo IBGE (2010b). a qual depende do comprometimento por parte das administrações municipais em fornecer os dados corretos para que possa ser realizada uma avaliação que condiz com a realidade. sendo considerada ineficiente em somente três bacias (01 – Mantiqueira. 11 – Ribeira de Iguape/Litoral Sul e 22 – Pontal do Paranapanema). em todos os municípios paulistas foi constatada a existência deste serviço. A Tabela 3. em função de apenas 310 municípios terem respondido o questionário até o mês de lançamento da publicação. passando de condição ineficiente (5. se comparado às outras vertentes. O resultado obtido para o Estado de São Paulo apresentou melhora. a gestão dos resíduos sólidos urbanos. Esta deficiência se explica.Como se pode observar. 3. em grande parte das UGRHI.indd 121 15/4/2011 15:14:53 . Como pode ser observado. que apresenta o maior percentual de municípios que possuem somente estruturas de drenagem superficial. sendo muitas vezes desconhecida pelas próprias municipalidades a distribuição espacial das respectivas redes de drenagem pluvial. valendo destacar a UGRHI 18 (São José dos Dourados).4 drenagem de águas pluviais urbanas A drenagem e o manejo de águas pluviais urbanas constituem a vertente do saneamento que apresenta menor acúmulo de dados e informações. no Estado de São Paulo o número de municípios com serviço de manejo de águas pluviais passou de 630 em 2000 para 645 em 2008. Vale ainda ressaltar que os valores do IGR apresentados aqui. pelo fato do setor ter sido incorporado à concepção do saneamento básico muito recentemente.31 apresenta o percentual de municípios que possuem rede de escoamento de águas pluviais subterrâneas ou sistema exclusivamente superficial em cada UGRHI do Estado. Todavia. se encontra em situação mediana. podem diferir dos resultados divulgados no “Painel da Qualidade Ambiental 2010”. 20%.3. em parte.0) em 2009.

Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares 2009. Indicador de Coleta e Tratabilidade de Esgoto da População Urbana de Município (ICTEM). São Paulo. MINISTÉRIO DAS CIDADES – MCIDADES. São Paulo: CETESB. Secretaria de Estado do Meio Ambiente.snis. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. J. São Paulo: CETESB. elaborado por SMA/CPLA (2010) referências COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental. A..gov. 2007. 122 35656001 miolo. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. Disponível em <http://www.br>. LOPES NETO. Governo do Estado de São Paulo. C.. 2010. 2010b.ibge. 2010d. 2010. 2010. Dados fornecidos.br>. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008. S.tabela 3.gov. NOVAES. 2010b. São Paulo: CETESB. Acesso em: dez. Relatório de Qualidade das Águas Superficiais no Estado de São Paulo 2009. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. 31 Percentual de MunicíPios coM rede de drenaGeM urbana Por uGrHi eM 2008 % de municípios com rede de drenagem urbana uGrHi rede subterrânea somente rede superficial 01 – Mantiqueira 100% - 02 – Paraíba do sul 97% 3% 03 – litoral norte 100% - 04 – Pardo 100% - 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 100% - 06 – alto tietê 97% 3% 07– baixada santista 100% - 08 – sapucaí/Grande 100% - 09 – Mogi-Guaçu 97% 3% 10 – sorocaba/Médio tietê 97% 3% 11 – ribeira de iguape/litoral sul 100% - 12 – baixo Pardo/Grande 92% 8% 13 – tietê/Jacaré 100% - 14 – alto Paranapanema 100% - 15 – turvo/Grande 94% 6% 16 – tietê/batalha 94% 6% 17 – Médio Paranapanema 98% 2% 18 – são José dos dourados 80% 20% 19 – baixo tietê 95% 5% 20 – aguapeí 100% - 21 – Peixe 100% - 22 – Pontal do Paranapanema 95% 5% 97% 3% estado de são Paulo Fonte: IBGE (2010b). INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE.V. 2010. SOARES. M. 2010b. Acesso em: dez.indd 122 15/4/2011 15:14:53 . Disponível em <http://www. Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos 2008. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB. 2010e. 2010.

sob influência do homem como ser social. a um conjunto de fatores relacionados ao modelo de desenvolvimento sócio-econômico. ao desrespeito a esses procedimentos seguros e à ocorrência de acidentes ou vazamentos durante o desenvolvimento dos processos produtivos.3. O crescente impacto desses tipos de fenômenos naturais relaciona-se. (2002). causada por quaisquer substâncias ou resíduos que nela tenham sido depositados. 2001). 1992). Os principais processos causadores de acidentes e desastres naturais no Estado de São Paulo são escorregamentos de encostas. respectivamente. por exemplo.4. os poluentes ou contaminantes podem concentrar-se em subsuperfície nos diferentes compartimentos do ambiente. denominada de estrato geográfico (ROSS.1 áreas contaminadas Uma área contaminada pode ser definida como uma área local ou terreno. embora inerentemente modificadora do meio ambiente ao explorar seus recursos naturais. Os poluentes ou contaminantes podem ser transportados a partir desses meios. que servem de base para o estilo de vida da sociedade moderna. Nessa área. em muitos casos.indd 123 15/4/2011 15:14:53 . acumulados. A existência de uma área contaminada pode gerar problemas. normas construtivas obsoletas. constituem 85% em volume da composição do material utilizado para a construção e manutenção da infraestrutura urbana e peri-urbana. 3. rocha para brita). o solo ou as águas subterrâneas e superficiais. a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB). propagando-se por diferentes vias. A mineração é uma atividade industrial importante e necessária. armazenados. localizados na própria área ou em seus arredores (CETESB. desastres naturais e atividade de mineração.4 solo Este sub-capítulo aborda os problemas ambientais decorrentes da interação entre o meio físico e os processos de apropriação do território e de seus recursos. cujas fontes de dados utilizadas neste trabalho são. nos pisos e nas estruturas de construções. ocorre em uma estreita faixa que compreende a parte superior da litosfera e a baixa atmosfera. A ocorrência de contaminação do solo e da água subterrânea relaciona-se ao desconhecimento ou desrespeito aos “procedimentos seguros para o manejo de substâncias perigosas e à ocorrência de acidentes ou vazamentos durante o desenvolvimento dos processos produtivos. raios e granizo). referentes ao tema Solos. a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil e o Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM). acidental ou até mesmo natural. No contexto do desenvolvimento urbano e industrial. relacionam-se a três sub-temas: áreas contaminadas. nos materiais utilizados para aterrar os terrenos. por exemplo no solo. alterando suas características naturais ou qualidades e determinando impactos negativos e/ou riscos sobre os bens a proteger. nas zonas não saturada e saturada. de transporte ou de armazenamento de matérias primas e produtos. o processo de concentração demográfica expandiu a intensidade de consumo de substâncias minerais. além de poderem concentrar-se nas paredes. Esse campo de interação. de procedimentos seguros para o manejo de substâncias perigosas. como 123 35656001 miolo. os agregados naturais (areia. onde há comprovadamente poluição ou contaminação. inundações. Segundo Drew et al. nas rochas. enterrados ou infiltrados de forma planejada. em épocas passadas. como. de transporte ou de armazenamento de matérias primas e produtos” (CETESB. crescimento urbano desordenado. estrutura institucional para a gestão de risco deficiente e população pouco preparada para avaliar suas vulnerabilidades e lidar com emergências (BROLLO e FERREIRA 2009). Os indicadores de qualidade ambiental selecionados. 2010f ). nos sedimentos. erosão acelerada e tempestades (ventos fortes. amplamente empregadas na produção de equipamentos e obras de infra-estrutura. de uma forma geral. nas águas subterrâneas ou. A origem das áreas contaminadas está relacionada ao desconhecimento. tais como gestão inadequada dos recursos naturais. cascalho. o ar.

514 áreas.danos à saúde.904 áreas. com 159 áreas. essa distribuição seguiu a mesma tendência (Tabela 3.500 1. elaborado por SMA/CPLA (2010) Observa-se que até novembro de 2009 existiam cadastradas 2. com a descoberta de 85 novas áreas em relação a 2008. que em 2009 apresentou o terceiro maior número de áreas contaminadas.335 áreas até novembro de 2009. com 186 áreas e pela UGRHI 02 (Paraíba do Sul). de 255 áreas identificadas em maio de 2002. 2010f ). o número de áreas cresceu continuamente. 32 núMero de áreas contaMinadas cadastradas no estado de são Paulo de 2002 a 2009 3. além de outros danos ao meio ambiente. restrições ao uso do solo e danos ao patrimônio público e privado. Nos anos anteriores.indd 124 15/4/2011 15:14:54 .272 2.514 1.500 3.000 727 500 0 255 mai/02 out/03 nov/04 nov/05 nov/06 nov/07 nov/08 nov/09 Fonte: CETESB (2010f). da UGRHI 07 (Baixada Santista). Desde 2002. seguida da UGRHI 05 (Piracicaba/Capivari/Jundiaí). com 1. com a desvalorização das propriedades. (CETESB. FiGura 3. com 435 áreas.904 2.336 1.904 em novembro de 2009 (Figura 3. a CETESB passou a divulgar a relação de áreas contaminadas no Estado de São Paulo. com exceção da UGRHI 07. um incremento de 390 novas áreas.32). enquanto em 2008 esse valor foi de 2. 124 35656001 miolo. passaram a 2.000 2. Essa tendência manter-se-á ou aumentará ainda mais nos próximos anos.32).596 1. comprometimento da qualidade dos recursos hídricos. A partir de então.500 2. como na UGRHI 06 (Alto Tietê).822 1. A maior parte das áreas cadastradas foram registradas nas regiões dos pólos de desenvolvimento econômico do Estado.000 2. em decorrência da identificação de antigos passivos ambientais.

10 – Sorocaba/Médio Tietê (22 áreas) e 09 – Mogi-Guaçu (21 áreas).260 1. o que contribui para que o Estado apresentasse um crescimento de aproximadamente 16% no número de áreas contaminadas em 2009. nesse mesmo intervalo. 32 núMero de áreas contaMinadas cadastradas no estado de são Paulo Por uGrHi de 2005 a 2009 uGrHi número de áreas contaminadas nov/05 nov/06 nov/07 nov/08 nov/09 5 5 8 8 8 02 – Paraíba do sul 103 107 145 147 159 03 – litoral norte 27 28 42 51 52 04 – Pardo 17 17 19 19 45 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 225 239 352 380 435 06 – alto tietê 820 961 1. 04 – Pardo (26 áreas). no mesmo período.5% o número de suas áreas contaminadas.335 07– baixada santista 84 96 99 101 186 08 – sapucaí/Grande 18 18 20 25 27 09 – Mogi-Guaçu 20 21 32 37 58 10 – sorocaba/Médio tietê 63 75 92 92 114 11 – ribeira de iguape/litoral sul 15 15 16 27 33 12 – baixo Pardo/Grande 13 17 25 35 45 13 – tietê/Jacaré 48 59 59 70 71 14 – alto Paranapanema 10 10 14 33 70 15 – turvo/Grande 46 57 69 95 123 16 – tietê/batalha 12 20 21 32 37 17 – Médio Paranapanema 17 18 19 24 22 18 – são José dos dourados 5 7 9 15 18 19 – baixo tietê 22 22 22 23 21 20 – aguapeí 7 7 7 9 12 21 – Peixe 9 10 11 15 18 22 – Pontal do Paranapanema 10 13 16 16 15 1. Em direção contrária.904 01 – Mantiqueira estado de são Paulo Fonte: CETESB (2010f). Observa-se ainda que a UGRHI 14 (Alto Paranapanema) foi a que mais registrou aumento no número de áreas contaminadas desde 2005. elaborado por SMA/CPLA (2010) Podemos verificar um aumento significativo de áreas cadastradas de 2008 para 2009 nas UGRHI 06 – Alto Tietê (75 áreas).272 2. a UGRHI 18 (São José dos Dourados). 125 35656001 miolo. Em 2008 podemos observar um crescimento de 11% em relação a 2007. 14 – Alto Paranapanema (37 áreas).175 1. muito em função de sua vocação para conservação.514 2.indd 125 15/4/2011 15:14:54 . não se pode esquecer que a UGRHI 01 (Mantiqueira) se mantém. 05 – Piracicaba/Capivari/Jundiaí (55 áreas).596 1. Destaca-se que as UGRHI que tiveram o maior incremento no número de áreas contaminadas em relação a 2008 foram as UGRHI 04 e 14: ambas com um aumento superior a 50%. como o menor número de áreas contaminadas cadastradas.tabela 3. Enquanto em 2005 esse valor era de 10 áreas em 2009 passou para 70 áreas. 15 – Turvo/ Grande (28 áreas).822 2. Apesar desta informação. conseguiu reduzir em 4.

279 (78%) estão relacionadas a postos de combustíveis.33. 33 núMero de áreas contaMinadas cadastradas no estado de são Paulo Por uGrHi e Por tiPo de atividade eM 2009 atividade uGrHi comercial industrial resíduos Postos de combustíveis acidentes / desconhecida total 01 – Mantiqueira 0 0 0 7 1 8 02 – Paraíba do sul 2 29 2 125 1 159 03 – litoral norte 0 0 4 46 2 52 04 – Pardo 1 1 0 43 0 45 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 25 78 20 309 3 435 06 – alto tietê 55 189 41 1. o que permitiu.33 mostra a distribuição das áreas contaminadas por atividade econômica em novembro de 2009. tabela 3. em grande parte. È importante destacar que a predominância de áreas contaminadas relacionadas a postos de combustíveis devese. a partir da avaliação do passivo ambiental.335 07– baixada santista 13 30 16 127 0 186 08 – sapucaí/Grande 0 2 1 24 0 27 09 – Mogi-Guaçu 4 3 1 49 1 58 10 – sorocaba/Médio tietê 2 23 4 80 5 114 11 – ribeira de iguape/litoral sul 0 5 0 28 0 33 12 – baixo Pardo/Grande 0 0 1 44 0 45 13 – tietê/Jacaré 4 7 5 53 2 71 14 – alto Paranapanema 0 1 0 69 0 70 15 – turvo/Grande 8 4 0 110 1 123 16 – tietê/batalha 1 3 0 33 0 37 17 – Médio Paranapanema 5 1 0 15 1 22 18 – são José dos dourados 0 0 0 18 0 18 19 – baixo tietê 1 1 0 19 0 21 20 – aguapeí 0 0 0 12 0 12 21 – Peixe 2 2 0 14 0 18 22 – Pontal do Paranapanema 0 3 1 11 0 15 123 382 96 2. 126 35656001 miolo. das instalações para destinação de resíduos com 96 áreas (3%) e dos casos de acidentes e fonte de contaminação de origem desconhecida com 24 áreas (1%).indd 126 15/4/2011 15:14:54 . Em todas as UGRHI predominam áreas contaminadas por atividades relacionadas a postos de combustíveis. como mostra a Tabela 3. 2.904 estado de são Paulo Fonte: CETESB (2010f). que estabeleceu a obrigatoriedade de licenciamento para esta atividade.279 24 2. das atividades comerciais com 123 áreas (4%). identificar as áreas com problemas de vazamento de combustíveis e desencadeou uma série de procedimentos para sua adequação.043 7 1. elaborado por SMA/CPLA (2010) A Figura 3. à Resolução CONAMA nº 273/00. seguido da atividade industrial com 382 áreas (13%).Do total de áreas contaminadas registradas até novembro de 2009.

A critério da CETESB. na qual estão sendo realizados procedimentos para determinar a extensão da contaminação e identificar a existência de possíveis receptores. edificação ou benfeitoria. terreno. local. possam representar perigo. Com objetivo de facilitar o gerenciamento das áreas contaminadas. quando existir um bem de relevante interesse ambiental a ser protegido. anteriormente classificada como área contaminada (AC) ou contaminada sob investigação (AI). terreno.8% Postos de Combus veis 13. condições ou situações que. combustível em fase livre). Caso seja constatada a presença de produtos contaminantes (por exemplo.2% Industrial Comercial Resíduos Acidentes/Fonte Desconhecida 78. hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAH). 2) área contaminada (AC): área. na qual. edificação ou benfeitoria. ou quando houver constatação da presença de substâncias. em função do nível das informações ou dos riscos existentes em cada uma. foram observadas quantidades ou concentrações de matéria em condições que causem ou possam causar danos à saúde humana. local. 3) área em processo de monitoramento para reabilitação (AMR): área. constatada em investigação confirmatória. 4) área reabilitada para o uso declarado (AR): área. uma área poderá ser considerada contaminada (AC). na qual foram implantadas medidas de intervenção e atingidas as metas de remediação definidas para a área. terreno. estando em curso o monitoramento para encerramento. que são: 1) área contaminada sob investigação (AI): área. sem a obrigatoriedade de realização de avaliação de risco à saúde humana. os principais grupos de contaminantes encontrados nas áreas contaminadas foram: solventes aromáticos. ou na qual os resultados da avaliação de risco indicaram que não existe a necessidade da implantação de nenhum tipo de intervenção para que a área seja considerada apta para o uso declarado. combustíveis líquidos. instalação.5% Fonte: CETESB (2010f). terreno. instalação. instalação. bem como para verificar se há risco à saúde humana. elaborado por SMA/CPLA (2010) Segundo CETESB (2010f ). edificação ou benfeitoria. 127 35656001 miolo.3% 4. a CETESB classifica as mesmas em quatro classes. após a realização de avaliação de risco. local. de acordo com parâmetros específicos. edificação ou benfeitoria onde há comprovadamente contaminação. anteriormente classificada como área contaminada sob investigação (AI). for considerada apta para o uso declarado. metais e solventes halogenados. após a realização do monitoramento para encerramento. instalação. a área também será classificada como AI.2% 0.indd 127 15/4/2011 15:14:54 .FiGura 3. local. 33 distribuição das áreas contaMinadas Por atividade eM 2009 3. anteriormente classificada como área em processo de monitoramento para reabilitação (AMR) que.

514 2.500 2.1% Fonte: CETESB (2010f). 35 distribuição das áreas contaMinadas Por status de reabilitação eM 2009 3. elaborado por SMA/CPLA (2010) 128 35656001 miolo.indd 128 15/4/2011 15:14:55 .A Figura 3. do total de 2. conforme pode ser observado na Figura 3.500 1. existiam 110 áreas reabilitadas e 819 em processo de monitoramento para reabilitação. respectivamente.000 2. FiGura 3. De acordo com a CETESB (2010f ). AR: área reabilitada para uso declarado. 34 núMero de áreas contaMinadas cadastradas no estado de são Paulo Por status de reabilitação eM 2008 e 2009 2008 2009 3. AMR: área em processo de monitoramento para reabilitação. AC: área contaminada.35.396 934 1. FiGura 3. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: AI: área contaminada sob investigação.398 1.8% 19.500 2.000 819 579 500 87 110 95 0 AI AC AMR AR Total Fonte: CETESB (2010f).2% Contaminada Em processo de monitoramento para reabilitação Reabilitada 48.9% Contaminada sob inves gação 28. perfazendo 4% e 28%.000 1. em novembro de 2009.904 áreas registradas. Observa-se um grande aumento na quantidade de áreas comprovadamente contaminadas.34 apresenta a evolução da qualidade do solo relacionada a reabilitação das áreas contaminadas em 2008 e 2009.904 3.

Se compararmos com o valor obtido em 2008 (7.0 10 – sorocaba/Médio tietê 34 42 28 10 114 33.34 apresenta o índice de reabilitação e a distribuição das áreas contaminadas por UGRHI.3 579 1. O índice de reabilitação de áreas contaminadas é a soma das áreas em processo de monitoramento para reabilitação (AMR) e das reabilitadas (AR). Podemos observar um índice de reabilitação de áreas contaminadas de 32% para o Estado de São Paulo em 2009. entre outros.7 08 – sapucaí/Grande 10 4 13 0 27 48.A Tabela 3.577.6 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 144 162 120 9 435 29. que dispõe sobre as diretrizes e procedimentos para o gerenciamento de áreas contaminadas no Estado.0 18 – são José dos dourados 4 6 8 0 18 44. o Governo do Estado de São Paulo sancionou a Lei 13. a seleção das áreas mais importantes.335 07– baixada santista 21 121 39 5 186 23.7 21 – Peixe 9 6 2 1 18 16.4 19 – baixo tietê 8 7 6 0 21 28. além de apoiar as futuras iniciativas para a revitalização de regiões industriais abandonadas. o “ Procedimento para Identificação de Passivos Ambientais em Postos de Combustíveis”.904 32. Essa lei estabelece a obrigatoriedade de atualização continua do cadastro de áreas contaminadas e reabilitadas. verifica-se uma significativa melhora do indicador.8 03 – litoral norte 6 35 10 1 52 21. AR: área reabilitada para o uso declarado.2%).8 06 – alto tietê 194 676 403 62 1.6 14 – alto Paranapanema 31 28 10 1 70 15.0 13 – tietê/Jacaré 8 42 19 2 71 29.1 09 – Mogi-Guaçu 8 32 18 0 58 31. 129 35656001 miolo. tabela 3. Em 2009.7 22 – Pontal do Paranapanema 4 9 1 1 15 13. AMR: área em processo de monitoramento para reabilitação.0 02 – Paraíba do sul 37 73 44 5 159 30. enfatizando as ações relativas ao processo de identificação e remediação.3 12 – baixo Pardo/Grande 8 19 18 0 45 40. a criação de instrumentos econômicos para financiar a investigação e remediação. 34 índice de reabilitação e classiFicação das áreas contaMinadas Por uGrHi eM 2009 uGrHi classificação ai ac aMr ar total índice de reabilitação (%) 01 – Mantiqueira 1 3 4 0 8 50. sobre o total de áreas contaminadas cadastradas.396 819 110 2.2 04 – Pardo 16 13 10 6 45 35. elaborado por SMA/CPLA (2010) Notas: AI: área contaminada sob investigação. Índice de Reabilitação = (AMR + AR) /total de áreas) *100 Destaca-se ainda que a CETESB vêm disponibilizando importantes publicações sobre esse tema. AC: área contaminada.3 17 – Médio Paranapanema 3 8 9 2 22 50.7 34.indd 129 15/4/2011 15:14:55 .6 20 – aguapeí 5 5 2 0 12 16. como o “Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas”.0 estado de são Paulo Fonte: CETESB (2010f). determina as condições para a aplicação dos procedimentos para o gerenciamento de áreas contaminadas.3 11 – ribeira de iguape/litoral sul 12 10 10 1 33 33.5 16 – tietê/batalha 5 23 9 0 37 24.7 15 – turvo/Grande 11 72 36 4 123 32.

dentre outros diversos (raios. o que auxiliaria na eficaz gestão deste tipo de situação. 3. 130 35656001 miolo.4. etc). I: desalojados. alagamentos). H: desabrigados. mortes. inundação. F: nº total de acidentes. vendavais. para o período de 2000 a 2010.096 06 – alto tietê 88 32 60 0 43 135 23 1.621 12 – baixo Pardo/Grande 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 13 – tietê/Jacaré 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 14 – alto Paranapanema 3 0 3 0 1 4 0 256 321 577 15 – turvo/Grande 2 0 1 1 0 2 4 0 0 0 16 – tietê/batalha 2 0 2 0 1 3 0 0 120 120 17 – Médio Paranapanema 1 0 0 0 1 1 0 72 0 72 18 – são José dos dourados 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 19 – baixo tietê 1 0 1 0 0 1 0 0 4 4 20 – aguapeí 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 21 – Peixe 4 0 0 0 0 0 0 95 7 102 22 – Pontal do Paranapanema 2 0 2 0 0 2 0 0 0 0 204 74 133 2 79 288 42 4. chuvas fortes. situação de emergência. tabela 3.996 8.221 2.554 estado de são Paulo Fonte: CEDEC (2010) Notas: A: número de atendimentos. remoções. incluindo escorregamentos.558 13.205 2. A Tabela 3.176 07– baixada santista 14 6 10 0 6 22 0 588 1.442 2. em termos de óbitos e pessoas afetadas (desabrigados e desalojados). J: pessoas afetadas (desabrigados + desalojados). G: óbitos. 35 distribuição dos acidentes relacionados a desastres naturais Por tiPo e conseQuência e Por uGrHi eM 2010 uGrHi a tiPo de acidente b c d e F tiPo de dano G H i J 01 – Mantiqueira 2 2 0 0 0 2 0 0 50 50 02 – Paraíba do sul 25 11 16 0 7 34 12 667 2.). E: outros (chuvas fortes.2 desastres naturais Não há um registro sistemático das ocorrências de desastres no Estado de São Paulo que retratem a extensão dos problemas e suas consequências. etc. B: escorregamento. Assim.197 424 1. C: enchente. erosão.indd 130 15/4/2011 15:14:55 . transbordamento. com destaque para o número de atendimentos realizados. alagamento. estabelecido por Brollo & Ferreira (2009) permite uma visão ampla dos desastres no Estado de São Paulo. desabamentos de casas e muros.030 08 – sapucaí/Grande 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 09 – Mogi-Guaçu 4 1 3 0 2 6 0 0 0 0 10 – sorocaba/Médio tietê 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 11 – ribeira de iguape/litoral sul 24 9 16 0 6 31 0 1. transbordamentos de rios.Destaca-se também a Resolução CONAMA nº 420/09 que estabelece valores orientadores de qualidade de solos quanto à presença de substâncias químicas e critérios para o gerenciamento de áreas contaminadas (primeira regulamentação federal específica sobre gerenciamento de áreas contaminadas).188 1. D: raios. desabamentos de casas.988 3. Este indicador foi definido por meio do tratamento de dados do cadastro de vistorias e atendimentos produzido pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC). tipo de acidentes e tipo de dano causado. No entanto. tem-se registros de vistorias e atendimentos emergenciais relacionados a acidentes diversos. inundação e processos similares (como enchentes. quedas de árvores e muros. o indicador do número de acidentes ocorridos.888 03 – litoral norte 7 4 3 1 4 12 1 38 513 551 04 – Pardo 2 0 1 0 1 2 0 4 263 267 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 22 9 14 0 7 30 2 891 1. vendavais. erosão.35 sintetiza os dados referentes ao ano de 2010.

Embora o cadastro de acidentes não registre as ocorrências nos outros oito meses. 74 casos de “escorregamentos” e 2 acidentes por raios.39 mostram a evolução destes números para o período 2000 a 2010 no Estado. b) UGRHI 02 (Paraíba do Sul).554 pessoas foram afetadas (desabrigadas ou desalojadas).921 pessoas). grande parte das quais estão distribuídas por cinco UGRHI: Alto Tietê (3. cadastrados como chuvas fortes. A Tabela 3.096 pessoas). Apesar das ressalvas colocadas tem-se um cenário para o Estado e suas UGRHI. tais como queda de barreira. não significa que eles não aconteçam. respectivamente. alagamento”. c) UGRHI 07 (Baixada Santista) e UGRHI 03 (Litoral Norte). 31 e 30 registros. Também é importante conhecer o tipo de dano às pessoas causado pelos acidentes. • O cadastramento do tipo de acidente. 13. Baixada Santista (2. ou mesmo casos em que é cadastrada apenas a consequência do acidente. transbordamento. houve 42 mortes. com 135 registros.888 pessoas). até a situação problemática se normalizar. respectivamente com 22 e 12 registros. por parte da CEDEC nem sempre segue terminologia padronizada. com 23 e 12 óbitos. com o registro de 288 acidentes. situação de emergência. uma vez que numa mesma situação podem ocorrer diversos tipos de acidentes. respectivamente com 34. dos quais 133 se relacionam a “inundações e similares”. já “enchente. solapamento. “outros” inclui diversos tipos de acidentes. erosão. desabamento de barranco. PCJ (2.A leitura dos dados deve levar em conta as seguintes definições e ressalvas: • O número de atendimentos realizados em geral é diferente do número total de acidentes. como quedas de árvores e muros. • O registro dos acidentes perfaz apenas quatro meses do ano.176 pessoas). com registros entre 0 e 6. Por exemplo: o termo “escorregamento” aqui empregado é resultante de vários termos utilizados no cadastro. embora sejam termos diferentes e tenham gravidade diferente. etc. Destacam-se quatro grupos de regiões quanto ao número de acidentes: a) UGRHI 06 (Alto Tietê).36 e as Figuras 3. vendavais. inundação. os meses de verão (dezembro a março). • Desalojados são as pessoas que tiveram que deixar suas moradias provisoriamente. seguidos por 79 registros de “outros”. e d) demais UGHRI. remoções. reconhecidamente com maiores índices pluviométricos no ano e quando é implantada a “Operação Verão” pela CEDEC (SANTORO. deslizamento. ocorreram 204 atendimentos. Em 2010. 131 35656001 miolo.indd 131 15/4/2011 15:14:55 . • Desabrigados são as pessoas que perderam permanentemente suas moradias. 2009). por vezes não retratando a realidade do problema. mortes. são utilizados de forma geral. desabamentos de casas e muros.030 pessoas) e Ribeira de Iguape/Litoral Sul (1. a maior concentração delas na UGRHI 06 – Alto Tietê e na UGRHI 02 – Paraíba do Sul. Paraíba do Sul (2.36 a 3. Em 2010. UGRHI 11 (Ribeira de Iguape/Litoral Sul) e UGRHI 05 (PCJ).

527 8.463 20 520 0 10 671 782 0 40 10 8 total acidentes 294 2 3 1 5 1 2 5 12 28 13 3 30 12 12 3 19 80 11 13 7 24 24 0 0 0 1 0 0 0 0 5 1 0 2 0 12 1 0 2 0 0 0 0 0 óbitos 2004 30 pessoas afetadas 4.019 0 5 0 0 0 20 40 0 0 0 0 10.042 0 59 1 total acidentes 187 0 4 0 2 3 1 4 26 0 3 1 11 5 2 3 6 48 24 15 1 27 2008 31 0 0 0 4 1 0 0 0 0 1 0 2 1 1 2 3 9 3 0 1 3 0 óbitos 2000 5 pessoas afetadas 16.737 0 0 0 0 0 0 0 13 1.581 80 9 47 113 15 652 181 150 3 20 175 159 312 27 186 287 555 472 1.300 9.621 0 0 0 2.773 42 69 17 6.222 5.293 389 7 13 3 1 1 4 7 7 4 6 0 19 14 6 7 15 89 53 12 9 100 12 total acidentes distribuição dos acidentes e conseQuências relacionados a desastres naturais Por uGrHi de 2000 a 2010 2009 49 0 0 0 0 0 0 1 3 3 0 0 2 1 0 1 2 22 7 1 2 3 1 óbitos tabela 3.132 0 0 21 – Peixe 22 – Pontal do Paranapanema 42 0 estado de são Paulo 0 0 15 – Turvo/Grande 20 – Aguapeí 0 14 – Alto Paranapanema 19 – Baixo Tietê 0 13 – Tietê/Jacaré 0 0 12 – Baixo Pardo/Grande 18 – São José dos Dourados 0 11 – Ribeira de Iguape/ Litoral Sul 0 0 10 – Sorocaba/Médio Tietê 0 1 16 – Tietê/Batalha 0 08 – Sapucaí/Grande 09 – Mogi-Guaçu 17 – Médio Paranapanema 11 07 – Baixada Santista 0 1 15 05 – PCJ 1 04 – Pardo 06 – Alto Tietê 0 2 03 – Litoral Norte 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 3 8 total acidentes 02 – Paraíba do Sul óbitos 01 – Mantiqueira uGrHi pessoas afetadas 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 total acidentes 99 0 1 0 0 0 2 0 0 2 2 0 11 1 1 0 1 52 10 0 1 15 óbitos 32 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 0 1 0 0 0 1 12 9 0 1 5 0 0 pessoas afetadas 290 0 0 0 0 0 0 0 0 17 0 0 77 62 0 0 0 73 40 0 0 21 3 total acidentes 204 1 0 0 1 1 1 4 6 2 6 3 15 7 5 1 4 95 12 9 2 26 óbitos 17 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 3 0 0 0 0 0 9 0 1 0 2 0 30 pessoas afetadas 1.612 4 15 0 128 2.444 0 0 0 0 0 66 0 49 0 52 0 420 10 39 0 82 408 119 19 61 89 5 total acidentes 311 11 10 6 14 0 7 4 12 5 9 3 48 11 6 1 9 82 42 7 5 14 0 óbitos 30 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 1 0 1 1 11 10 2 1 0 0 pessoas afetadas 3.096 267 551 2.003 2 total acidentes 288 2 0 0 1 0 1 3 2 4 1 0 31 0 6 0 22 135 30 2 12 34 2010 42 0 0 0 0 0 0 0 4 0 0 0 0 0 0 0 0 23 2 0 1 12 0 óbitos 35656001 miolo.030 3.725 75 10 0 51 0 0 0 0 8 65 0 1.indd 132 15/4/2011 15:14:56 13.636 60 72 1.176 2.403 0 6 0 1.984 234 35 20 432 508 140 91 0 40 4 total acidentes 0 41 0 0 0 10 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1 21 4 0 0 4 13. 36 454 pessoas afetadas 41.006 1.391 730 175 951 0 2.210 0 0 1.888 50 pessoas afetadas .387 11 14 3 30 67 68 0 71 112 26 521 209 152 16 0 38 2.259 1 total acidentes 147 5 2 1 6 1 3 9 6 3 11 3 4 6 9 7 5 31 11 12 2 9 2007 21 1 0 0 0 0 0 0 1 0 2 0 1 0 2 1 4 4 3 1 0 1 0 óbitos 2001 37 pessoas afetadas 4.982 10 213 10.164 208 15 0 29 112 631 15 4 96 96 0 3.554 0 102 0 4 0 72 120 0 577 0 0 1.658 60 135 501 200 0 90 52 2 15 213 0 4.227 15 553 181 1 pessoas afetadas Fonte: CEDEC (2010) 283 6 5 0 9 4 4 7 5 3 12 1 28 7 4 3 18 72 32 12 11 36 2005 óbitos 2003 5 total acidentes 294 2 5 1 2 6 7 3 5 2 9 4 6 13 5 2 16 92 47 4 7 51 2006 28 0 0 0 0 2 0 0 0 0 1 2 0 2 1 0 4 8 5 0 0 0 3 óbitos 2002 16 pessoas afetadas 6.

elaborado por SMA/CPLA (2010) 133 35656001 miolo. 37 atendiMentos de Planos Preventivos de deFesa civil relacionados a inundações de 2000 a 2010 Fonte: Instituto Geológico (2010). elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3.indd 133 15/4/2011 15:14:58 .FiGura 3. 36 atendiMentos de Planos Preventivos de deFesa civil relacionados a escorreGaMentos de 2000 a 2010 Fonte: Instituto Geológico (2010).

FiGura 3.indd 134 15/4/2011 15:14:59 . elaborado por SMA/CPLA (2010) 134 35656001 miolo. 38 atendiMentos de Planos Preventivos de deFesa civil e núMeros de Pessoas aFetadas de 2000 a 2010 Fonte: Instituto Geológico (2010). 39 atendiMentos de Planos Preventivos de deFesa civil e núMeros de óbitos de 2000 a 2010 Fonte: Instituto Geológico (2010). elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3.

09 (Mogi-Guaçu) e 11 (Ribeira de Iguape/Litoral Sul) mostram respectivamente 33%. Outro indicador relacionado a Desastres Naturais refere-se à porcentagem de municípios com instrumentos de gestão de risco. mantendo em geral um valor entre 204 e 389 acidentes nos anos posteriores. Destaca-se o ano de 2009 tanto no número de acidentes (389) quanto no número de óbitos (49) e pessoas afetadas (41.37). 2009).40). 27%. No Estado de São Paulo. levando a um maior número de pessoas afetadas em relação a outros tipos de acidentes. Verifica-se que há regiões em boa situação quanto a instrumentos de gestão de riscos. Os Mapeamentos de Áreas de Risco a Escorregamentos e Inundações foram elaborados em 86 municípios (Figura 3. Este Plano entra em operação anualmente. as atividades de identificação. dos municípios do Estado.614 são de inundações. O total para o Estado de São Paulo no período de 2000-2010 atinge 5. Apenas nos anos de 2007 e 2008 este número baixou para 147 e 187 respectivamente. Em situação mediana encontram-se quatro regiões. com a remoção preventiva e temporária da população que ocupa as áreas de risco. a UGRHI 01 (Mantiqueira). específico para escorregamentos nas encostas da Serra do Mar no Estado de São Paulo (SANTORO. possibilitando a implantação de medidas estruturais (como obras) e não estruturais (como educação e monitoramento). 67%. avaliação e gerenciamento de áreas de riscos geológicos tiveram início de forma mais sistemática no verão de 1988/1989. UGRHI 11 (Ribeira de Iguape/Litoral Sul) e UGRHI 05 (PCJ). 2009). como a UGRHI 03 (Litoral Norte). Mapeamentos de Áreas de Risco a Escorregamentos. 24% e 17% dos municípios atendidos. em termos de número de acidentes. Os Planos Preventivos de Defesa Civil ou Planos de Contingência para escorregamentos e inundações são desenvolvidos em 114 municípios do Estado (Figura 3.indd 135 15/4/2011 15:14:59 . cujos valores superam em muito a média do período dos 11 anos.118 pessoas afetadas. Destaca-se que em relação ao levantamento anterior não houve evolução significativa dos instrumentos de gestão de riscos. 162 são de raios e 1. respectivamente com 78%. UGRHI 02 (Paraíba do Sul). O objetivo principal é evitar a ocorrência de mortes. por meio dos quais é possível hierarquizar as necessidades físicas e financeiras para a implantação das medidas estruturais e não estruturais nas áreas de risco. com o Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC). a UGRHI 06 (Alto Tietê) e a UGRHI 02 (Paraíba do Sul).41). 23% (101 municípios) apresentam pelo menos algum dos instrumentos de gestão listados (Tabela 3. distribuídos por 15 UGRHI. distribuídos por 10 UGRHI. quanto à mitigação de problemas causados pela ocupação em áreas de risco. dos quais 1. Planos Municipais de Redução de Risco. onde há uma situação geológico-geotécnica e de uso e ocupação do solo favoráveis à ocorrência de acidentes de escorregamentos e de inundações. além de vistorias de campo e atendimentos emergenciais. 65% e 47% dos municípios atendidos. antes que os escorregamentos atinjam suas moradias.316 são de outros tipos. no período de verão e envolve ações de monitoramento dos índices pluviométricos (chuvas) e da previsão meteorológica. As UGRHI 05 (PCJ).Nesta série histórica de 11 anos verifica-se que houve um aumento substancial no número de acidentes após os dois primeiros anos. como forma de se conhecer melhor as situações problemáticas e sua localização. há uma predominância dos mesmos em algumas regiões: UGRHI 06 (Alto Tietê). A partir de 2004.658). iniciou-se a elaboração de Mapeamentos de Áreas de Risco a Escorregamentos e Inundações (BROLLO et al. Deve ser destacado que a extensão do dano no caso de acidentes relacionados a inundações é maior que nos outros tipos. Em 2010. enquanto para as demais regiões o número de municípios atendidos varia entre 0% e 8%. Já os Planos Municipais de Redução de Risco foram elaborados em 11 municípios. Posteriormente passaram a ser elaborados Planos Municipais de Redução de Risco (PMRR). 2.016 acidentes. 135 35656001 miolo. Inundações e Erosão. 10 (Sorocaba/Médio Tietê). Observa-se que. os quais incluem: Planos Preventivos de Defesa Civil e Planos de Contingência.046 são de escorregamentos. com 100% dos municípios atendidos. O PPDC é um instrumento capaz de subsidiar as ações preventivas dos poderes públicos municipal e estadual. distribuídos por seis UGRHI. Os danos vinculados a estes acidentes no período relacionam-se a 632 óbitos e 211. a UGRHI 07 (Baixada Santista).

37 núMero de MunicíPios coM alGuM instruMentos de Gestão de riscos Por uGrHi eM 2010 PPdc MaP PMrr tiG % tiG 01 – Mantiqueira uGrHi 2 2 1 2 67 02 – Paraíba do sul 14 16 1 16 47 03 – litoral norte 4 4 1 4 100 04 – Pardo 0 1 0 1 4 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 19 11 1 19 33 06 – alto tietê 8 18 5 22 65 07– baixada santista 4 7 2 7 78 08 – sapucaí/Grande 0 0 0 0 0 09 – Mogi-Guaçu 5 7 0 9 24 10 – sorocaba/Médio tietê 9 9 0 9 27 11 – ribeira de iguape/litoral sul 1 4 0 4 17 12 – baixo Pardo/Grande 0 1 0 1 8 13 – tietê/Jacaré 0 1 0 1 3 14 – alto Paranapanema 2 1 0 2 6 15 – turvo/Grande 0 3 0 3 5 16 – tietê/batalha 0 1 0 1 3 17 – Médio Paranapanema 0 0 0 0 0 18 – são José dos dourados 0 0 0 0 0 19 – baixo tietê 0 0 0 0 0 20 – aguapeí 0 0 0 0 0 21 – Peixe 0 0 0 0 0 22 – Pontal do Paranapanema 0 0 0 0 0 68 86 11 101 23 estado de são Paulo Fonte: CEDEC (2010) Nota: PPDC: número de municípios com Planos Preventivos de Defesa Civil a Escorregamentos. MAP: número de municípios com Mapeamento de Áreas de Risco.tabela 3.indd 136 15/4/2011 15:15:00 . PMRR: número de municípios com Planos Municipais de Redução de Risco. TIG: total de municípios com algum instrumento de gestão (Planos Preventivos de Defesa Civil a Escorregamentos e/ou Mapeamento de Áreas de Risco e/ou Planos Municipais de Redução de Risco). % TIG: porcentagem de municípios na UGRHI com algum instrumento de gestão. 136 35656001 miolo.

41 MunicíPios coM MaPeaMento de áreas de risco no estado de são Paulo até 2010 Fonte: Instituto Geológico (2010). elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3. elaborado por SMA/CPLA (2010) 137 35656001 miolo. 40 área de abranGência dos Planos Preventivos de deFesa civil ou Planos de continGência Fonte: Instituto Geológico (2010).FiGura 3.indd 137 15/4/2011 15:15:01 .

42 apresentam os dados. onde se inserem o aproveitamento racional de seus recursos minerais.10 23. A Tabela 3.50 17. contribuindo para que o Estado ficasse na 10° colocação.55 23. aos Estados. e indicam a posição destacada do Estado no ranking brasileiro quanto ao número de portarias de lavras publicadas no período. com uma produção voltada predominantemente para o consumo interno. A mineração paulista é constituída eminentemente por empresas pequenas e médias.3 Mineração O Estado de São Paulo se destaca como um dos maiores produtores de recursos minerais não-metálicos. pedras britadas. sendo classificados como recursos naturais não renováveis. continuam em vigor com as alterações e as inovações introduzidas por leis supervenientes à promulgação da atual Constituição e suas emendas.20 12.3. que estão presentes em muitos dos municípios paulistas. rochas carbonáticas. caulim.40 2. os poderes de outorga de direitos e sua fiscalização. Em sua produção se destacam a extração de areias. argilas. Os regimes de exploração e aproveitamento dos recursos minerais no País estão definidos e normatizados no Código de Mineração de 1967 (Decreto-Lei nº 227/67). sobre a evolução dos títulos minerários no Estado de São Paulo e no Brasil entre 2002 e 2010.90 ranking 1°º 2° 2° 1° 1° 1° 1° 3° 10° Fonte: DNPM (2010). concede à União. em que apresentou apenas 5 portarias publicadas.70 22. assentimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). dispor sobre os instrumentos de planejamento e gestão com relação ao uso e ocupação do solo. seu regulamento e legislação correlativa. obtidos junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). elaborado por SMA/CPLA (2010) 138 35656001 miolo. e aos municípios. com exceção do ano de 2010. O processo de outorga do licenciamento ambiental da atividade de mineração é de competência da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. dirigidas principalmente à produção de agregados (areia e brita) e de argilas. rochas fosfáticas e água mineral. 38 núMero de Portarias de lavras Publicadas no estado de são Paulo e no brasil de 2002 a 2010 unidade 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 são Paulo 109 70 80 91 130 73 46 50 5 brasil 220 303 335 389 437 324 268 404 170 sP/br (%) 49.40 29. Os recursos minerais são bens pertencentes à União e representam propriedade distinta do domínio do solo onde estão contidos.indd 138 15/4/2011 15:15:02 . os poderes de licenciamento ambiental das atividades e sua fiscalização.4.88 23. que prevê em casos especiais. tabela 3. observa-se que para o país como um todo ocorreu diminuição das portarias publicadas. No entanto.38 e Figura 3. O arcabouço legal que rege as atividades de mineração.

Através da CFEM pode ser feita uma leitura indireta da vulnerabilidade natural do meio ambiente decorrente da atividade de mineração. por meio de um instrumento econômico.39 e as Figuras 3. Municípios e órgãos da administração direta da União no resultado da exploração de recursos minerais pelos agentes de produção (empresas). 42 evolução do núMero de Portarias de lavras Publicadas no estado de são Paulo e no brasil de 2002 a 2010 São Paulo Brasil 500 450 437 404 400 389 350 324 335 300 303 268 250 200 220 170 150 100 109 70 50 0 130 80 73 91 46 50 5 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: DNPM (2010). é possível estabelecer um indicador de conflito potencial associado à produção mineral.43 e 3. tem a responsabilidade de estabelecer normas e exercer a fiscalização sobre a arrecadação da CFEM.44 apresentam os dados sobre a evolução do recolhimento da CFEM no Brasil e em São Paulo entre 2004 e 2010. tais como conflitos pelo uso do solo e geração de áreas degradadas. A CFEM.990/89.FiGura 3. ainda. seja por meio de sua localização e abrangência. De forma indireta. autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia. a Compensação Financeira por Exploração dos Recursos Minerais (CFEM). constitui a participação dos Estados. elaborado por SMA/CPLA (2010) A mineração é uma atividade industrial importante e necessária. A Tabela 3. obtido após a última etapa do processo de beneficiamento adotado e antes de sua transformação industrial. Sua base de cálculo é o valor do faturamento líquido resultante da venda do produto mineral. Observa-se que o Estado de São Paulo vem apresentando uma tendência de aumento na arrecadação da CFEM. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). 139 35656001 miolo. tipo e grau de intensidade. instituída pela Lei Federal nº 7.indd 139 15/4/2011 15:15:02 . Distrito Federal. Não existe. ou mesmo pelo monitoramento das medidas mitigadoras e de recuperação ambiental implantadas. um registro histórico e sistemático dos impactos resultantes da atividade de mineração no Estado de São Paulo que permita sua perfeita caracterização e identificação. embora inerentemente modificadora do meio ambiente ao explorar seus recursos naturais e frequentemente associada às questões sociais.

29 2.000 405.82 2.819 CFEM (R$ 1000) 900.684 35.000 27.000 2004 9.208 295.588 9.701 37.819 742.000 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: DNPM (2010).62 3.293 12.538 465.91 2. elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3.142 sP/br (%) 2.067 600.000 500.270 405.208 857.471 10.588 5.293 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: DNPM (2010).100.270 300.73 3.000 1.tabela 3.68 2.067 1.48 Fonte: DNPM (2010).200.083.684 brasil 295.000 22.471 15.000 8.538 465.000 15.000 1.474 20.000 742.000 547. elaborado por SMA/CPLA (2010) 140 35656001 miolo.000 400.128 200.000 800. 43 evolução da cFeM no brasil de 2004 a 2010 1.000 37.422 12.142 1.000 857.000 100.638 25.000 CFEM (R$ 1000) 30.128 547. 39 cFeM (eM r$ 1000) do estado de são Paulo e do brasil de 2004 a 2010 unidade 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 são Paulo 8.083.474 27.indd 140 15/4/2011 15:15:03 .000 15.000 700. 44 evolução da cFeM no estado de são Paulo de 2004 a 2010 40. elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3.422 22.000.

731. seguida pelas UGRHI 10 (Sorocaba/Médio Tietê). calcita e ferro. Estas são responsáveis pelas maiores produções de agregados (brita e areia) e de argila. em 2009. que saltou de um valor de R$ 677. caulim.022. 05 (Piracicaba/Capivari/Jundiaí). com destaque para o crescimento na arrecadação da UGRHI 11 (Ribeira de Iguape/Litoral Sul). insumos fundamentais para a indústria da construção civil.A Tabela 3. Em 2010 observa-se que o quadro permanece praticamente inalterado. para R$ 3.13 em 2009. a UGRHI com maior arrecadação foi a UGRHI 06 (Alto Tietê).40 apresenta a evolução da arrecadação da CFEM distribuída por UGRHI no período de 2004 a 2010. 02 (Paraíba do Sul) e 09 (MogiGuaçu). e areia para vidro e fundição. Observa-se que. pois passou a considerar em seus cálculos a produção de apatita e carbonatito (fosfatos). 141 35656001 miolo. que é praticada no município de Cajati desde a metade do século passado.indd 141 15/4/2011 15:15:03 .01 em 2010.535. além de responderem por produções significativas de rochas carbonáticas.

197.32 16.82 17.871.803.138.818.730.06 0.799.164.939.00 2005 cFeM (eM r$) do estado de são Paulo Por uGrHi de 2004 a 2010 tabela 3.90 26.36 719.60 5.102.38 8.775.16 138.52 431.37 140.88 677.03 39.195.404.790.318.726.885.33 121.58 176.17 130.943.90 56.62 355.052.82 58.57 142.471.151.166.11 .469.678.889.95 531.937.35 2.52 64.572.57 55.905.994.15 114.21 58.37 7.24 13.01 5.71 998.21 248.604.70 74.087.53 22.120. elaborado por SMA/CPLA (2010) 66.33 2.376.48 2.37 868.31 323.398.581.72 1.940.07 436.84 175.63 553.493.26 Fonte: DNPM (2010).284.211.31 20.814.92 2.96 14.57 80.814.957.20 388.877.52 64.747.88 148.190.119.094.914.731.650.84 340.285.50 266.85 105.979.95 98.741.98 1.655.44 877.857.83 1.632.772.13 4.46 43.319.81 63.343.307.551.044.058.023.79 131.00 2007 51.10 956.104.78 33.404.022.00 2008 2009 189.951.276.354.881.001.53 12.59 584.884.130.911.35 275.893.605.839.33 453.31 1.201.20 98.81 210.252.16 3.45 146.646.891.497.12 36.38 2.82 1.993.496.17 32.873.528.032.988.431.259.295.52 37.77 595.908.306.862.546.01 1.88 4.08 73.358.45 669.943.61 600.47 uGrHi 01 – Mantiqueira 2006 57.80 2.06 1.086.713.915.18 0.535.243.07 1.05 1.17 742.787.95 43.36 1.24 358.90 15.24 32.791.10 2010 216.980.647.94 4.280.11 83.559.296.38 247.824.indd 142 15/4/2011 15:15:03 882.222.785.924.38 65.63 526.503.366.41 937.507.934.353.47 1.442.432.731.209.12 3.85 298.587.592.57 2.83 1.495.28 296.66 4.332.539. 40 116.893.327.871.66 555.729.248.390.03 18.92 974.28 60.45 1.958.160.206.763.395.33 158.29 3.04 22.848.666.519.504.556.430.05 1.11 287.842.79 36.859.569.226.970.48 3.10 402.142 35656001 miolo.88 4.703.11 446.523.605.744.51 1.372.083.846.31 264.096.25 1.84 77.39 17.124.989.31 33.14 1.651.122.424.85 244.410.367.23 114.534.125.126.016.37 254.566.20 41.670.043.552.405.23 28.13 02 – Paraíba do sul 03 – litoral norte 04 – Pardo 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 06 – alto tietê 07– baixada santista 08 – sapucaí/Grande 09 – Mogi-Guaçu 10 – sorocaba/Médio tietê 11 – ribeira de iguape/litoral sul 12 – baixo Pardo/Grande 13 – tietê/Jacaré 14 – alto Paranapanema 15 – turvo/Grande 16 – tietê/batalha 17 – Médio Paranapanema 18 – são José dos dourados 19 – baixo tietê 20 – aguapeí 21 – Peixe 22 – Pontal do Paranapanema 2004 1.681.72 149.76 2.836.985.50 877.832.86 9.832.352.008.343.420.74 83.39 117.252.98 120.42 769.20 64.480.316.191.80 135.92 64.68 31.68 16.78 409.19 207.

Políticas Públicas em Desastres Naturais no Brasil. 2009. BROLLO. também pode ser utilizada como um indicador de impacto social da mineração. PRESSINOTTI.N. C... D. FERREIRA. os Estados (23%) e a União (12%). DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUÇÃO MINERAL – DNPM. FFLCH/USP. na forma de melhoria da infra-estrutura. Assim.sp. São Paulo. da saúde e educação.G. em especial daqueles relativos à recuperação de áreas degradadas.J. 2010f.M.J. 2010. 1992. ROSS. Sociedade Brasileira de Geologia.br>. podem estar intervindo de forma negativa na qualidade ambiental. 2011. In: BROLLO. SP. obrigatoriamente. Revista do Departamento de Geografia. Essas receitas devem. (Org). MARCHIORI-FARIA. de que com base nestes dados o Estado poderia iniciar a elaboração de indicadores adequados para a avaliação e monitoramento da atividade de mineração. J. 2010. São Paulo: Instituto Geológico. a CFEM pode ser utilizada de forma indireta como um indicador de conflito potencial para essas regiões com maiores valores de contribuição de arrecadação devido à produção mineral. Análise empírica da fragilidade dos ambientes naturais e antropizados. Acesso em: dez.S. serem aplicadas em projetos que. São Paulo. LANGER.J. além de constituir um indicador do valor da produção mineral em cada um dos municípios mineradores. Águas de São Pedro. Relatório de Arrecadação da CFEM. INSTITUTO GEOLÓGICO – IG. quando da avaliação de sua aplicação.cetesb.. SACHS. In: BROLLO.M. M.gov. Por fim. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. Environmentalism and Natural Aggregate Mining. da qualidade ambiental.Desta forma. J. 2010. Dados fornecidos. W. Ao apresentarem uma atividade de mineração mais intensa. J. que por sua vez tem uma característica inerentemente modificadora do meio físico. 2001. Acesso em: dez. (Org). In: Simpósio de Geologia do Sudeste. M. 2009.J.J. 2010. Acesso em: jan. XI.gov. A Atuação do Instituto Geológico em Gerenciamento de Desastres Naturais.br>.. 2010.S. São Paulo: Instituto Geológico. Disponível em <http://www. Não publicado.gov. Relação de áreas contaminadas – Novembro de 2009. Disponível em: <http://www.indd 143 15/4/2011 15:15:03 . Natural Resources Research. ressalta-se que os recursos da CFEM são distribuídos entre os municípios produtores (65%).. O Instituto Geológico na Prevenção de Desastres Naturais.L.sp. referências BROLLO. M. O Instituto Geológico na Prevenção de Desastres Naturais.br>. Anais. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. Neste relatório de 2010 permanece a recomendação já apresentada em 2009. Proposta de Programa Estadual de Gestão de Desastres Naturais e de Redução de Riscos Geológicos. a CFEM. COORDENADORIA ESTADUAL DE DEFESA CIVIL – CEDEC.J. 14 a 17/10/2009. L. Disponível em: <http://www. SANTORO. 2002.H.dnpm. direta ou indiretamente. tanto de natureza qualitativa quanto quantitativa. Indicadores de desastres naturais no Estado de São Paulo. 143 35656001 miolo. M. 2009. tragam benefícios a comunidade local. DREW. fundamentais para os órgãos de licenciamento e fiscalização. Manual de gerenciamento de áreas contaminadas.cetesb.

apresenta-se a seguir dados atuais da cobertura vegetal nativa do Estado de São Paulo. de maneira geral. e o número de espécies ameaçadas de extinção. são. à medida que reflete a dinâmica das atividades humanas e seus efeitos sobre seu status de conservação. Parte dessa riqueza tem sido perdida de forma irreversível (IBGE. são importantes indicadores para o monitoramento e avaliação do estado de conservação da biodiversidade no Estado de São Paulo.5 biodiversidade O Brasil é reconhecidamente o país com a maior diversidade biológica. levantados pelo Instituto Florestal. Desta maneira. Foram consideradas as seguintes fitofisionomias florestais: 144 35656001 miolo. em extração de recursos naturais e ocupação econômica das terras cobertas por vegetação. muitas vezes de dimensões não significativas e a distâncias não suficientes para manutenção de fluxo gênico. a qual correspondia a 14% da superfície do Estado. há remanescentes significativos do bioma (RODRIGUES e BONONI. para elaboração do Inventário Florestal do Estado de São Paulo 2008/2009 (IF. das funções ecológicas e da conservação da biodiversidade. A área de cobertura vegetal total.5. Tal redução compromete severamente a sustentabilidade futura do bioma mencionado. 2007). De modo específico. No mesmo sentido. tendo suas áreas diminuídas a fragmentos remanescentes.5% deste. na atualidade do Estado de São Paulo. dispostos de maneira heterogênea. No caso do Estado de São Paulo. a área de vegetação autorizada para supressão e de reserva legal averbada. que no passado cobria cerca de 80% do território. informações referentes à gestão de Unidades de Conservação também são de grande importância. especialmente daquelas associadas a florestas maduras. responde hoje por apenas cerca de 1%. sendo um importante componente da biodiversidade e também responsável pela conservação desta. a vegetação natural sofreu intensa exploração no decorrer de diversos ciclos econômicos e inúmeras pressões das atividades antrópicas. vieram a reduzir a cobertura vegetal do Estado a fragmentos. 2010).indd 144 15/4/2011 15:15:03 . 2008). as quais necessitam de grandes áreas conservadas e condições específicas para sobreviver. Somente na fachada da Serra do Mar e no Vale do Ribeira. Sendo sensível às pressões antrópicas. e a distâncias não suficientes para manutenção de fluxo gênico. extrativismo ilegal e contaminação do solo. Da Mata Atlântica resta uma área de aproximadamente 12% da cobertura original. a atividade agrossilvopastoril e.3. das águas e da atmosfera. abrigando entre 15 e 20% do número total de espécies do planeta.1 cobertura vegetal total A cobertura vegetal nativa é a principal responsável pelo equilíbrio e manutenção de processos ecológicos essenciais dos ecossistemas. expansão da fronteira agropecuária. 3. das funções ecológicas e da conservação da biodiversidade. A extensão ocupada pelo bioma Cerrado. a cobertura florestal original. As pressões mais relevantes sobre as florestas se desdobram. a cobertura vegetal representa um importante indicador ambiental. Esses fatores favorecem a extinção de espécies (perda de biodiversidade). mais recentemente. 2008). as áreas urbanas (IPARDES. Fatores como especulação imobiliária. os principais fatores geradores de pressão so bre as florestas remanescentes. a área de mata ciliar cadastrada. No Estado de São Paulo. áreas onde o relevo garantiu relativa proteção. estende-se hoje por apenas 17.

­ Floresta Ombrófila Densa Submontana: 50 a 500 metros. Esta legenda abrangeu. 145 35656001 miolo. constituído por árvores esparsas de pequeno porte (4 a 6 metros de altura). e com seca fisiológica provocada pelo inverno. Floresta Estacional Semidecidual Este tipo de vegetação se caracteriza pela dupla estacionalidade climática: uma tropical com período de intensas chuvas de verão. cobertos por casca espessa e fendilhada. seguidas por estiagens acentuadas. sendo dividida nas seguintes categorias em função de gradientes altitudinais. sem período biologicamente seco. de esgalhamento baixo e copas assimétricas. com temperaturas médias inferiores a 15ºC.Floresta Ombrófila Densa É uma formação com vegetação característica de regiões tropicais com temperaturas elevadas (média 25ºC) e com alta precipitação pluviométrica bem distribuída durante o ano (de 0 a 60 dias secos). onde nos solos limosos cresce uma vegetação especializada e adaptada à salinidade das águas. folhas na maioria grandes e grossas. com suas respectivas vegetações secundárias: ­ Floresta Ombrófila Mista Montana: até 1200 metros. com ausência de acúleos e espinhos. Floresta Ombrófila Mista Conhecida como “mata de araucária ou pinheiral”. situada na desembocadura de rios e regatos no mar. outra subtropical sem período seco. duas categorias de fitofisionomias anteriores. pouco denso. Segundo o Inventário Florestal 2005 (Kronka et al. estrato intermediário (arbustos de 1 a 3 metros de altura) e estrato inferior. ­ Floresta Ombrófila Densa Alto­Montana: maior que 1500 metros. e. ­ Floresta Ombrófila Densa Montana: 500 a 1500 metros. de troncos retorcidos. de caráter regional: mata e capoeira. deixando espaços onde o solo pode apresentar pouco ou nenhum revestimento. Formações Arbórea/Arbustiva-Herbácea de Terrenos Marinhos Lodosos Esta legenda abrange na sua região de ocorrência a categoria chamada “mangue”. ­ Floresta Ombrófila Mista Alto­Montana: maior que 1200 metros. em função de gradientes altitudinais: ­ Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas: 0 a 50 metros. algumas coriáceas. Desta forma a “mata” passou a ser Floresta Ombrófila Densa. de caules e ramos encortiçados. constituído por gramíneas e subarbustos (até 50 cm de altura). bem como de epífitas e lianas. 2005). dividida nas seguintes categorias. na sua região de ocorrência. pode ser definido como uma formação cuja fisionomia caracteriza­se por apresentar indivíduos de porte atrofiado. é encontrada em regiões da Serra da Mantiqueira e na Serra do Mar. Savana (Cerrado) Esta legenda corresponde ao chamado cerrado. Apresenta três estratos: estrato superior. e. definida como uma fitofisionomia de ambiente salobro.indd 145 15/4/2011 15:15:03 .

nota-se que o percentual de vegetação nativa do Estado de São Paulo.034.522. 2005) e referentes aos anos de 2008/2009 (IF. 146 35656001 miolo.133.383. que ocorre ao longo dos cursos d’água.48 savana (cerrado) Fonte: IF (2010).015. Trata-se de vegetação de primeira ocupação (formação pioneira) que ocupa terrenos rejuvenescidos pelas seguidas disposições de areias marinhas nas praias e restingas. estrato dominado e submata. 41 área de cada cateGoria de veGetação nativa no estado de são Paulo eM 2008/2009 categorias de vegetação/fitofisionomias área (ha) Floresta estacional semidecidual 1. com plantas adaptadas aos parâmetros ecológicos do ambiente pioneiro.Formações Arbórea/Arbustiva-Herbácea sobre Sedimentos Marinhos Recentes Abrange na sua região de ocorrência a categoria chamada “restinga”. uma formação ribeirinha ou ciliar.73 218. A Tabela 3.28 Formação arbórea / arbustiva-Herbácea de terrenos Marinhos lodosos (Mangue) 20.41). apresentando um dossel emergente uniforme. tabela 3.28 Formação arbórea / arbustiva em região de várzea 293.indd 146 15/4/2011 15:15:03 .622. A seguir são apresentados os valores da área remanescente de cada fitofisionomia encontrada no Estado de São Paulo (Tabela 3. apresentando os percentuais de cobertura vegetal total de cada UGRHI e do Estado de São Paulo.20 Floresta ombrófila Mista 177.29 Floresta ombrófila densa 2. que ao longo do tempo sempre apresentou tendência de queda.05 Formação Pioneira arbustiva-Herbácea sobre sedimentos Marinhos recentes (restinga) 2.42 a seguir demonstra esta variação nos últimos anos. referentes ao ano de 2001 (Kronka et al. Formações Arbórea/Arbustiva em Regiões de Várzea Abrange a categoria de vegetação chamada “vegetação de várzea”. de acordo com dados do Instituto Florestal.101. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: Valores aproximados calculados por Sistema de Informação Geográfica Levando-se em conta os dados mais atuais. apresenta uma leve recuperação.506. 2010).953.

elaborado por SMA/CPLA (2010) É importante ressaltar que estas variações devem-se em grande parte ao fato de o novo levantamento ter uma metodologia diferenciada do levantamento anterior.266 22 – Pontal do Paranapanema 94.5% 57.50% 886.tabela 3.112 8.237 25.217.7% 7.2% 34.735 4.0% 370.703 09 – Mogi-Guaçu 77.238 13.430 8. O Inventário Florestal 2008/2009 foi produzido com imagens de satélite de alta resolução.116 2.810 9.3% 18.0% 43.396 15.94% 4.885 19 – baixo tietê 74.6% 98.247 14 – alto Paranapanema 297.1% 39.283 02 – Paraíba do sul 292.226 66.062 5. que culminou na descoberta de 184 mil novos fragmentos florestais.2% 1.2% 188.719 19.748 10 – sorocaba/Médio tietê 181.001 5.2% -22.4% 416.356 8.8% 36.4% 183.384 15 – turvo/Grande 66.9% 73.9% 134.4% 118.992 63.488 08 – sapucaí/Grande 65. estima-se em 94.364 6.9 mil hectares o total de áreas em regeneração.548 4.661 7.648 10.910 3.879 21. 42 área de veGetação nativa Por uGrHi eM 2005 e 2008/2009 ano 2005 uGrHi 2008/2009 variação (ha) área (ha) % área (ha) % 01 – Mantiqueira 22.941 42.141 7.indd 147 15/4/2011 15:15:03 .457.535 7.320 6.358 03 – litoral norte 161.5% 90.670 6. A Figura 3.4% 50. Apesar disso.2% 57.088 8.1% 256.311 16 – tietê/batalha 75.2% 148.603 7.9% 117.784 81.0% 158.117 4.9% 38.0% 109.151 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 98.049 17 – Médio Paranapanema 109.1% 10.6% 7.509 07– baixada santista 176.6% 19.828 51.504 74.7 mil hectares de novas pequenas matas que não estavam contabilizadas no mapeamento anterior.45 mostra o percentual de cobertura vegetal por UGRHI e a Figura 3.127 06 – alto tietê 181. representando 445.915 88.910 14.167 72.131 04 – Pardo 78.3% 181.6% 12.1% 91.0% -22.044 11 – ribeira de iguape/litoral sul 12 – baixo Pardo/Grande 13 – tietê/Jacaré 113. 147 35656001 miolo.398 21 – Peixe 37.553 13.788 12.2% 1.947 3.843 1.8% 77.417 estado de são Paulo Fonte: Kronka et al (2005) e IF (2010).294 18.0% 100. compreendendo em um aumento real da vegetação.2% 132.343.337 5.8% 168.143.25 220.581 15.987 20 – aguapeí 48.0% 60.3% 32.46 a distribuição desse percentual por município.851 4.251 6.9% 32.545 33.861 18 – são José dos dourados 17.718 17.149 27.5% 5.221 7. ambos para o período de 2008/2009.658 39.0% 54.945 6.

9 % % % % 1 1 2 9 5 9.1 51 50.0 % .3% % % 7 6 5 4.2 2.6 88 % .1 39 40.0 20. 8.0 7.5 0.0 % .6 30. 45 Percentual de cobertura veGetal nativa Por uGrHi eM 2008/2009 100.2% . FiGura 3. 8.0 % .2 milhão de hectares ou 28% da área total de vegetação natural encontrada no Estado.0 3 7 11 1 6 2 10 14 4 5 13 22 8 17 16 12 9 20 21 19 15 18 UGRHI Fonte: IF (2010).3 19 18.0 90.8 25 % % .0% % % % 15 13. somando mais de 1.0 0. 46 distribuição do Percentual de cobertura veGetal nativa Por MunicíPio eM 2008/2009 Fonte: IF (2010).0 10.indd 148 15/4/2011 15:15:04 .4 .4% .9 72 80.7 63 60. valendo destacar a UGRHI 11 – Ribeira de Iguape/Litoral Sul. que conta com a maior área de vegetação natural.6 4.FiGura 3.0 % . 8. elaborado por SMA/CPLA (2010) Podemos observar que os maiores percentuais de vegetação são encontrados nas UGRHI litorâneas. elaborado por SMA/CPLA (2010) 148 35656001 miolo.0 % .2% .0 70.

as matas ciliares são áreas com status de proteção especial. podem investir no reflorestamento das áreas. que atuam como uma proteção aos corpos hídricos. De acordo com o Código Florestal Brasileiro (Lei Federal nº 4. além de funcionarem como barreira à propagação de pragas e doenças das culturas agrícolas. promovem a estabilidade geológica. bem como a identificação de áreas prioritárias para esse fim.br).ambiente.indd 149 15/4/2011 15:22:49 . referentes aos anos de 2008.5. Também são conhecidas como mata de galeria.sp. e pelo presidente da União da Indústria Sucroalcooleira (UNICA). vegetação ou floresta ripária. Como forma de assegurar a conservação das Áreas de Preservação Permanente representadas pelas matas ciliares. O Protocolo Agroambiental. incluindo também o Banco de Áreas para Recuperação e as áreas cadastradas a partir do Protocolo Agroambiental. as matas ciliares protegem a água e o solo. Vale ressaltar ainda que o total de área de mata ciliar disponível para recuperação no Estado de São Paulo é estimada em 1 milhão de hectares. 149 35656001 miolo.43 e a Figura 3. obrigatória a todas as propriedades maiores que 200 ha. A Tabela 3. empresas e pessoas físicas interessadas. A Tabela 3. foi instituída no âmbito do Projeto Ambiental Estratégico (PAE) Mata Ciliar. as florestas em crescimento fixam carbono e contribuem para a redução dos gases de efeito estufa. lagos. visa premiar as boas práticas do setor sucroalcooleiro através de um certificado de conformidade.gov. devido às funções ecológicas e sociais que desempenham. Assim. preservam a paisagem. A partir do Banco de Áreas (disponível em www. podem realizar o cadastro de áreas ciliares disponíveis para recuperação.771/65). oferecem abrigo e sustento à fauna. compensação voluntária para emissões de gases de efeito estufa ou mesmo como ação voluntária de responsabilidade social. Em escala global. de forma voluntária.47 apresentam as áreas de mata ciliar declaradas em cada UGRHI até novembro de 2010. sendo incluídas na categoria de Áreas de Preservação Permanente (APP). recuperar as matas ciliares pode significar benefícios em aspectos ambientais. 2009 e 2010. assinado pelos Secretários de Estado do Meio Ambiente e da Agricultura. sociais e econômicos. córregos. por meio da Resolução SMA nº 42/07. a Comunicação de Áreas Ciliares. Em escala local e regional.2 Mata Ciliar cadastrada Uma parcela da vegetação natural remanescente está localizada nas margens de rios. onde os proprietários. São as chamadas matas ciliares.44 mostra os totais acumulados de área ciliar cadastrada. represas e nascentes. Os dados sobre a área de mata ciliar cadastrada no Estado de São Paulo fornecem subsídios para a elaboração e implantação de projetos de recuperação florestal. O indicador é constituído pela porcentagem da área de mata ciliar declarada pelos proprietários rurais em relação às áreas totais de suas propriedades junto ao órgão ambiental competente (a Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais – CBRN). e também o Banco de Áreas para Recuperação (Resolução SMA nº 30/07). seja como compensação ambiental.3. mata de várzea.

60% estado de são Paulo Fonte: SMA/PAE Mata Ciliar (2010).899.5 104.00% 09 – Mogi-Guaçu 33 24.83 117.87 7.50% 07– baixada santista 7 3.838 373.80% 06 – alto tietê 20 21.422.26 1.27 1.012 área ciliar disponível (ha) 1.65 2.979.05 2.58% 37.403.000 32.000.700.77 18.571.714.062.677 378.058.tabela 3.549.000.20% 12 – baixo Pardo/Grande 40 30.48 9.693.10% 18 – são José dos dourados 3 3.81 11.891. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: 1 – Até novembro de 2010 150 35656001 miolo.33 8.226.40% 16 – tietê/batalha 42 52.132.95 20.37 8.indd 150 15/4/2011 15:15:05 .19 3.88 7.19 324.30% 05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí 17 8.102.52 4.20% 241 85.60% 19 – baixo tietê 58 260.19 17.10% 03 – litoral norte 0 - - - 04 – Pardo 18 30.27 405.60% 20/21 – aguapeí/Peixe 25 40.000 1.464.262.76 5.37% 37.00% 17 – Médio Paranapanema 86 122.70% 13 – tietê/Jacaré 181 221.78 9.25 6.40% 15 – turvo/Grande 15 84.90 3.82 10.522.98 11. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: 1 – Até novembro de 2010 tabela 3.44 4.21 24.565.882.80% 11 – ribeira de iguape/litoral sul 13 15.000.277.212.10% 22 – Pontal do Paranapanema 21 43.64 3.987.982.000 1.49 4.331.019 1.562.00 12.00% 1.77 937.52 5.70% 14 – alto Paranapanema 148 238.42 855. 2009 e 2010 ano 2008 2009 2010¹ área ciliar cadastrada (ha) 325.39 7.40% 08 – sapucaí/Grande 5 4.90% 10 – sorocaba/Médio tietê 44 72.80% % de área ciliar cadastrada Fonte: SMA/PAE Mata Ciliar (2010).654. 44 área de Mata ciliar cadastrada no estado de são Paulo eM 2008.33 340.43 6.323.47 15. 43 área de Mata ciliar declarada no estado de são Paulo Por uGrHi até 2010 uGrHi 01 – Mantiqueira 02 – Paraíba do sul número de áreas área das propriedades (ha) área ciliar declarada (ha)¹ % 2 685.03 8.991.00 460.136.871.043.726.364.37 7.75 2.27 24.779.

estabelecendo a figura legal das autorizações para supressão. a partir de 1996. 89 3. no Estado.2 8 15 12 . Para alcançar esses objetivos.48 a seguir.7 8 30 4. Nota-se que 2009 foi o ano com a menor área autorizada para supressão de toda a série histórica. vem conseguindo-se a diminuição dos montantes de vegetação nativa suprimida. sempre correspondendo a valores em área iguais ou maiores que os autorizados.5. 06 6. 151 35656001 miolo. 70 2.3 supressão de vegetação nativa A supressão de vegetação nativa é inerente ao processo de desenvolvimento econômico e à expansão urbana. 34 0.FiGura 3. estabelecida em parceria com a Polícia Militar Ambiental.5 6 Milhões de hectares 25 24 . 99 3. vem buscando-se assegurar seu cumprimento e. 23 10 5 0 19 14 2 13 15 17 10 6 16 20/21 4 22 12 9 5 18 7 11 8 1 UGRHI Fonte: SMA/PAE Mata Ciliar (2010). mostra a área de vegetação nativa autorizada para supressão no Estado de São Paulo ao longo dos anos. 42 0. instituir uma moratória para o desmatamento. A legislação ambiental busca assegurar que esse processo não aconteça de forma desordenada. consequentemente.9 0 24 . no âmbito do Estado de São Paulo. A Figura 3. 73 1.indd 151 15/4/2011 15:15:05 . 41 0. legal e ilegalmente. por meio de operações de fiscalização do cumprimento dos Termos de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA). tornar mais rigoroso o licenciamento e mais efetivas suas medidas mitigadoras. como o georreferenciamento das reservas legais averbadas. 88 2. Com maiores restrições para a permissão da supressão e por meio de uma nova sistemática de fiscalização. bem como fortalecer o sistema de informações relacionado ao licenciamento. 47 área de Mata ciliar declarada no estado de são Paulo Por uGrHi até 2010¹ 20 17 . e aprimorar as ações de fiscalização da Polícia Ambiental a fim de garantir a conservação efetiva da biodiversidade. 21 1. 46 0. vinculados às autorizações expedidas. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: 1 – Até novembro de 2010 3. 32 0. O Projeto Ambiental Estratégico (PAE) Desmatamento Zero busca. Além disso. que são obrigatoriamente vinculadas às compensações e cujos termos são variáveis. garantir a recuperação florestal. 86 0. 10 7. 94 0. procurou-se aplicar restrições à concessão de autorizações de supressão de vegetação nativa e aprimorar os critérios para o licenciamento e para a determinação de medidas compensatórias e mitigadoras.

000 6. Assim. O maior percentual diz respeito à vegetação exótica. Ombrófila Fl. a divisão territorial utilizada é diferente da divisão por UGRHI.FiGura 3.000 8. 48 área de veGetação nativa autorizada Para suPressão no estado de são Paulo de 1996 a 2009 12.33% 0.673 3.49.290 3.17% Campos de al­tude 16.865 Área (hectares) 10. 49 ProPorção dos diversos tiPos de veGetação autorizada Para suPressão eM 2009 2.64% Sem vegetação Cerrado 10.000 5.813 2. no âmbito desse projeto.000 2. Estacional 20. a representatividade (em %) de cada tipo de formação vegetal autorizada para supressão em 2009.224 5.751 5. adotada neste documento.891 4.000 10.93% Exó­ca Várzea Res­nga 26. FiGura 3.71% 16.59% Manguezal Fonte: SMA/PAE Desmatamento Zero (2010).04% Fl.13% 0.468 5. elaborado por SMA/CPLA (2010) É apresentada a seguir. elaborado por SMA/CPLA (2010) No âmbito do PAE Desmatamento Zero.indd 152 15/4/2011 15:15:06 .220 2.601 4. a divisão do Estado se dá em cinco Depar- 152 35656001 miolo. A divisão utilizada é baseada na localização das Agências Ambientais da CETESB associada à vocação regional.268 6.000 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: SMA/PAE Desmatamento Zero (2010).083 4.100 4.636 1.44% 6. seguida pela Floresta Ombrófila e as demais tipologias da Figura 3.

englobando a Região Metropolitana de São Paulo mais Cubatão. naƒva 100 Int. notadamente. LG – Em Industrialização. de acordo com as finalidades. Por Finalidade e Por diretorias de Gestão aMbiental Área (hectares) 450 400 Obras Lineares 350 Aƒv. que engloba a região da Mantiqueira. LL – Industrial. em cada uma das regiões acima citadas. em APP 50 Silvicultura Manejo Florestal 0 Agronegócio Em Industrial industrialização Campinas Industrial São Paulo Conservação Fonte: SMA/PAE Desmatamento Zero (2010). Para garantir a recuperação florestal. A região de Campinas apresentou uma área autorizada significativa relacionada à silvicultura e recomposição vegetal. FiGura 3. e LM – Conservação. os principais responsáveis pela área suprimida. na região de Avaré. A seguir (Figura 3. A Figura 3. Agropecuaria Demais finalidades 300 Graprohab 250 Edificações 200 Rec/ recomposição vegetal 150 Sup. em todas as regiões. englobando a região noroeste (Araçatuba). grande parte da área autorizada diz respeito a obras lineares. vincula-se esta à obrigatoriedade de compensação. LJ – Industrial. englobando e Região Metropolitana de Campinas. 50 área autorizada Para suPressão. no Vale do Ribeira.tamentos de Gestão Ambiental: LF – Agronegócio.50 abaixo detalha a área autorizada para supressão (em ha). cujos termos são inscritos no TCRA. sendo os municípios de Iguape e Registro. o Litoral e a parte da bacia do Alto Paranapanema. no Alto Paranapanema.52) são apresentados os dados de recuperação florestal. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota-se que. Na região com vocação para conservação fica evidente o predomínio da área autorizada para atividade agropecuária. ao mesmo tempo em que se autoriza a supressão da vegetação. englobando a região central e nordeste (Bauru).51 e 3. para o ano de 2009. das áreas averbadas como Reserva Legal e Área Verde e o total de árvores compromissadas em virtude das autorizações emitidas ao longo do mesmo período. e Itapetininga e Capão Bonito.indd 153 15/4/2011 15:15:06 . sendo o município de Jundiaí o que teve a maior área autorizada para supressão. 153 35656001 miolo. Veg.

00 9.00 6.128 11.107 19.50 3.346 10.000 13.000 7.346 ha) em relação à área autorizada para supressão (1.000 62.95 8.813 ha).236 16.15 Milhões de árvores 8.703 9.63 2.000 Área (hectares) 50. de acordo com os Departamentos de Gestão Ambiental da CETESB apresentados anteriormente.FiGura 3.53 a seguir.758 21.00 6.83 2. As regiões em industrialização (região central e nordeste) e com vocação para o agronegócio (região oeste) respondem pela maior parcela da área averbada.963 15. 51 área averbada coMo reserva leGal e área verde no estado de são Paulo de 1996 a 2009 70.835 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: SMA/PAE Desmatamento Zero (2010).002 12. 154 35656001 miolo. apresenta a distribuição da área averbada (21.000 40.indd 154 15/4/2011 15:15:07 .000 30.18 6.113 21.00 5.00 7. elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3.000 22. elaborado por SMA/CPLA (2010) A Figura 3.23 10.796 60.19 7.85 10.562 10.134 20.00 10. no ano de 2009.56 6.57 3. 52 núMero de árvores coMProMissadas no estado de são Paulo de 1996 a 2009 12.00 4.00 0.00 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: SMA/PAE Desmatamento Zero (2010).07 5.427 18.

761 ha. toda a sua rica biodiversidade. o Estado de São Paulo.FiGura 3. que faz com que os organismos especialistas.000 0 171 128 Agronegócio Em Industrialização 434 245 412 Industrial Campinas Industrial São Paulo 835 Conservação Fonte: SMA/PAE Desmatamento Zero (2010). uma parte não se estabelece. ou seja. Para o ano de 2009.000 5. 53 coMParativo entre a área autorizada e averbada no estado de são Paulo eM 2009 Área autorizada 9. Em decorrência disso. o Estado apresentou nos últimos anos um ligeiro aumento de sua cobertura vegetal. podem influenciar no desenho das políticas públicas e privadas de ocupação e uso do solo. além disso. invertebrados ou vertebrados. No entanto. as ações de fiscalização confirmam que.000 4. das mudas plantadas. vem sofrendo uma imensa pressão. ora quase todo recoberto pela Mata Atlântica. o que leva a uma efetividade de recuperação inferior ao representado. foram plantadas. encontra-se hoje altamente fragmentado em virtude dos diversos ciclos de exploração econômica da agricultura e do crescimento urbano e industrial aqui ocorridos. correspondendo a uma área de 2. como mostrado anteriormente.4 espécies ameaçadas Conforme já visto.5. deve-se considerar que uma parcela dos compromissos (TCRA) não é cumprida integralmente.827 3. 155 35656001 miolo.000 7. menos tolerantes a mudanças no ambiente.486 2. 3. como são genericamente designadas tais listas.indd 155 15/4/2011 15:15:07 .000 Área averbada 8. até que sejam extintos. dos 10 milhões de mudas compromissadas cerca de quatro milhões. 2009).000 2. ou 40%. na definição e priorização de estratégias de conservação e no estabelecimento de medidas que visem reverter o quadro de ameaça às espécies. Um dos principais instrumentos que permitem o estabelecimento de ações para se combater a perda de biodiversidade é a criação das listas de espécies ameaçadas. outra parcela é cumprida parcialmente e.000 1. principalmente por meio da conversão de habitats.000 2. As conseqüências da extinção de espécies conhecidas ou desconhecidas (cujas propriedades podem ser úteis a sociedade. mas ainda não foram descobertas) são pouco estudadas. seja de plantas. Nesse contexto. Os livros vermelhos. além de direcionar a criação de programas de pesquisa e formação de profissionais especializados em biologia da conservação (SÃO PAULO. inclusive em termos de valoração econômica. elaborado por SMA/CPLA (2010) Pode-se notar que os valores referentes à recuperação são bem maiores que os referentes à supressão.420 Área (hectares) 7.203 8.000 6. pereçam.

academia e sociedade.indd 156 15/4/2011 15:15:07 . ou como orientadoras do processo de recuperação de áreas degradadas. entretanto. além de três mapas-síntese. por meio da criação de Unidades de Conservação ou de ações de incremento da conectividade. para a realização do Workshop “ Diretrizes para Conservação e Restauração da Biodiversidade do Estado de São Paulo”.75% 216 33 15. uma avaliação da evolução do grau de ameaça das espécies ao longo do tempo colabora para o monitoramento do status de conservação. uma lista de espécies-alvo (espécies particularmente sensíveis às alterações de seu habitat e que requerem esforços maiores para sua efetiva conservação) e a produção de 27 mapas temáticos.87% Peixes de água doce 260 15 5. ao Laboratório de Ecologia da Paisagem (LEPaC) da Universidade de São Paulo (USP). 45 núMero de esPécies de Fauna silvestre aMeaçadas de extinção no estado de são Paulo eM 1998 e 2008 total de táxons conhecidos em são Paulo em 1998 total de táxons ameaçados de extinção em 1998 Mamíferos 200 aves répteis Grupo % total de táxons conhecidos em são Paulo em 2008 total de táxons ameaçados de extinção em 2008 % 39 19.494/08) decorreu de um trabalho em conjunto entre governo.77% 350 65 18.47% 2. a partir dos dados das listas elaboradas pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente em 1998 e 2008. a Tabela 3. por grupo taxonômico. Assim. para os diversos grupos taxonômicos.78% 226 11 4.36% 2.73% 763 118 15.29% 788 171 21. tabela 3. demonstrando o percentual de espécies da fauna silvestre ameaçadas de extinção no Estado de São Paulo. pois as tendências observadas podem não corresponder à realidade. ao Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA) e ao Programa BIOTA. seus institutos de pesquisa. devese ressaltar a utilização de metodologias diferentes para a elaboração das duas listas.70% 197 33 16.88% total Fonte: São Paulo (1998) e São Paulo (2008) Nota-se que proporcionalmente o número de espécies ameaçadas aumentou no período. como o Instituto de Botânica (IBot). Desses esforços surgiram.28% anfíbios 180 5 2.50% 240 38 15.83% 700 142 20. espera-se poder estabelecer e monitorar a evolução do grau de ameaça dos táxons com maior fidelidade. com a indicação de áreas para a realização de inventários biológicos e áreas prioritárias para a conservação.583 436 16.57% Peixes marinhos 510 19 3.45. segue a título de comparação. Tais diretrizes foram incorporadas à legislação ambiental estadual como condicionantes para o licenciamento e a compensação de empreendimentos. o Instituto Florestal (IF) e a Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo (FF). 156 35656001 miolo.047 253 12. A “Lista Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Estado de São Paulo” (Decreto Estadual nº 53. onde a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA). da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (BIOTA/FAPESP). além da referida lista. A partir da elaboração sistemática das listas de espécies ameaçadas e com a manutenção da atual metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) utilizada para elaboração destas. uniu esforços junto à Conservação Internacional - Brasil (CI-Brasil). fato que faz com que comparação entre os anos deva ser realizada de forma cautelosa.Sendo as listas de espécies ameaçadas importantes instrumentos para determinação de ações de conservação da biodiversidade.

54. para as espécies vegetais. As Figuras 3. posteriormente. apresentam uma síntese da situação das espécies ameaçadas no Estado de São Paulo. Primeiramente serão apresentados os dados para os vertebrados e para os peixes marinhos separadamente.55 e 3. por grupo taxonômico e categoria de ameaça. de onde surgiu a versão final da lista para a publicação. 54 esPécies de vertebrados aMeaçados de extinção no estado de são Paulo Por cateGoria de aMeaça Mamíferos Aves Répteis An�bios Peixes de água doce 180 Número de Espécies 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Total RE CR EN VU Fonte: São Paulo (2008) Nota: Categorias de ameaça: RE: Regionalmente Extinta. pelos fato destes possuírem categorias de ameaça próprias e.indd 157 15/4/2011 15:15:07 .Já a consolidação da versão atual da “Lista Oficial das Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção no Estado de São Paulo” (Resolução SMA nº 48/04) se deu após um longo período de trabalho entre 2002 e 2004 e culminou com a realização de um workshop com a participação de mais de 100 especialistas. VU: Vulnerável 157 35656001 miolo. tendo em vista os critérios estabelecidos pela IUCN. FiGura 3. EN: Em Perigo.56 a seguir. 3. CR: Criticamente em Perigo.

FiGura 3. 55 esPécies de Peixes MarinHos aMeaçados no estado de são Paulo Por cateGoria de aMeaça 7 16 50 Regionalmente Ex.

que aponta as áreas prioritárias para a realização de inventários biológicos. conforme ilustra a Figura 3. para a maior parte do Estado.nta (RE) Colapsadas (CO) Sobrexplotadas (SE) 45 Ameaçadas de Sobrexplotação (AS) Fonte: São Paulo (2008) FiGura 3.indd 158 15/4/2011 15:15:08 . existe um vazio de informações sobre a ocorrência das espécies. O primeiro passo no estabelecimento de uma estratégia de conservação é o conhecimento das espécies ameaçadas e sua distribuição no território. fora do eixo da Macrometrópole Paulista (onde se concentram os grandes centros universitários do Estado). Esta situação pode se agravar. uma vez que. 158 35656001 miolo. quase 17% encontram-se sob ameaça.57. 56 esPécies da Flora aMeaçadas de extinção no estado de são Paulo Presumivelmente Ex nta (EX) 393 471 Presumivelmente Ex nta na Natureza (EW) Em Perigo Crí co (CR) Em Perigo (EN) 14 23 Vulnerável (VU) 184 Fonte: São Paulo (2004) Podemos verificar que do total de espécies da fauna paulista conhecidas.

as áreas protegidas surgem como uma das respostas para proteção destes remanescentes e da biodiversidade neles existentes.813 hectares de áreas protegidas. e a importância da preservação da fauna e da flora. com objetivos de conservação e limites definidos. As Unidades de Conservação (UC) são classificadas.677. A Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo (FF) é quem gerencia as Unidades de Conservação do Estado. R.5 áreas protegidas Tendo em vista a necessidade de proteção dos fragmentos restantes de Mata Atlântica e do Cerrado. permitindo apenas o uso indireto dos recursos naturais. com características naturais relevantes. 159 35656001 miolo. Dentre as categorias de áreas protegidas.58 mostra a distribuição espacial dessas unidades no Estado. incluindo as águas jurisdicionais. ou de Uso Sustentável. A Lei Federal n° 9.indd 159 15/4/2011 15:15:09 . As noventa e quatro UC estaduais distribuem-se entre diversas categorias. legalmente instituído pelo Poder Público. e Bononi. 57 áreas Prioritárias Para elaboração de inventário biolóGico no estado de são Paulo Fonte: Rodrigues. definindo Unidade de Conservação como o “espaço territorial e seus recursos ambientais. ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção”. conforme Tabela 3. A Figura 3.985/00 institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). (2008). R.FiGura 3. R. L. sob regime especial de administração. as Unidades de Conservação constituem as que melhor cumprem esta finalidade. sendo assim responsável pela gestão de 3. de acordo com as características da área e o objetivo de criação pelo qual foram instituídas.46.5. ou cerca de 15% do território paulista. como de Proteção Integral. com a finalidade de compatibilizar conservação e uso sustentável. V. 3. elaborado por SMA/CPLA (2010) Uma estratégia que se mostra eficiente na conservação de espécies in situ é a criação de áreas protegidas.

813 Fonte: Fundação Florestal (2010) FiGura 3.267. 58 unidades de conservação do estado de são Paulo eM 2010 Fonte SMA/CPLA (2010) Existem ainda no território outras importantes Unidades de Conservação sob gestão federal.655.513.790.667.88 Monumento natural estadual 1 3.tabela 3. 46 unidades de conservação do estado de são Paulo Por cateGoria categoria Quantidade superfície (ha) 1 55 Proteção inteGral reserva estadual Parque ecológico 2 378 estação ecológica 16 240.699.681. e sob gestão dos municípios. como o Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Floresta Nacional de Ipanema.30 Parque estadual 30 767.011.08 área de Proteção ambiental Marinha 3 1.02 sub-total uso sustentável sub-total 44 2.indd 160 15/4/2011 15:15:13 .46 reserva de desenvolvimento sustentável 5 12.123.108 reserva extrativista 2 2.297 50 1.778 área de relevante interesse ecológico 3 1.940 Floresta estadual 1 2.528. espalhados por todo o Estado. Também existem algumas áreas protegidas reconhecidas internacionalmente pela Organização 160 35656001 miolo.53 área de Proteção ambiental 30 1.873 total 94 3.230.

As notas correspondem a padrões de qualidade de gestão. referente aos anos de 2008 e 2009. Vale ressaltar que as UC de Uso Sustentável. 47 Padrões de Qualidade do índice de Gestão de unidades de conservação Pontuação Proporção entre situação ótima e o atual do indicador (%) 1 0-40 Padrão de Qualidade Padrão Muito Inferior 2 41-55 Padrão Inferior 3 56-70 Padrão Mediano 4 71-85 Padrão Elevado 5 86-100 Padrão de Excelência Fonte: Fundação Florestal (2010) O índice agrupado para as Unidades de Conservação de Proteção Integral e para as de Uso Sustentável administradas pela Fundação Florestal. a Fundação Florestal desenvolveu o Índice de Gestão das Unidades de Conservação. tabela 3. como as Reservas da Biosfera da Mata Atlântica e a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo. As Unidades de Conservação de Proteção Integral. a eficácia no cumprimento de suas funções pré-estabelecidas depende da efetividade de manejo das Unidades. Todas essas áreas complementam a estrutura de conservação estadual.indd 161 15/4/2011 15:15:13 . Com o objetivo de oferecer um dado que demonstre em que medida as Unidades de Conservação cumprem com seus objetivos de criação e manejo. Já as Unidades de Conservação de Uso Sustentável obtiveram 54 pontos. O cálculo do índice é feito de acordo com metodologia específica denominada EMAP (Efetividade de Manejo de Áreas Protegidas). Gestão. e a partir da análise destas variáveis é atribuída uma nota de 0 a 100 para cada Unidade de Conservação. é apresentado na Tabela 3. conforme a Tabela 3. Uso Social e/ou Interação Socioambiental. passando para um Padrão de Qualidade de Gestão Mediano em 2009. A importância das Áreas Protegidas para a manutenção de áreas estratégicas e processos ecológicos vitais já foi assinalada anteriormente. porém com um aumento na pontuação.47 que segue. e Qualidade de Vida da população beneficiária. porém. Ciência e Cultura (UNESCO). em conjunto.das Nações Unidas para a Educação. tendem a ter uma evolução mais lenta da qualidade de gestão. 48 índice de Gestão de unidades de conservação do estado de são Paulo eM 2008 e 2009 2008 unidades de conservação 2009 Pontuação Padrão de Qualidade Pontuação Padrão de Qualidade Proteção integral 55 Padrão Inferior 67 Padrão Mediano uso sustentável 49 Padrão Inferior 54 Padrão Inferior Fonte: Fundação Florestal (2010) Observamos que houve uma evolução do Índice de Gestão para as duas categorias de UC. menos restritiva. tabela 3. mantendo o mesmo Padrão de Qualidade Inferior de 2008. Esse índice compõe-se da análise de quatro variáveis específicas: Qualidade dos Recursos Protegidos. pela sua própria estrutura organizacional. apresentaram 67 pontos.48. 161 35656001 miolo.

al. Indicadores ambientais por bacias hidrográficas do Estado do Paraná. Projeto Ambiental Estratégico Mata Ciliar. Ameaçadas de Sobrexplotação e com dados insuficientes para avaliação no Estado de São Paulo. Sobrexplotadas. br>. Decreto nº 53. Curitiba: IPARDES.gov.838. 2007. Inventário Florestal da Vegetação Natural do Estado de São Paulo 2005. Acesso em: dez. Fundação Parque Zoológico de São Paulo.referências FUNDAÇÂO PARA A CONSERVAÇÃO E A PRODUÇÃO FLORESTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – FF. V. BONONI. 2010. Espécies da Fauna Silvestre Ameaçadas. Dados fornecidos. Decreto nº 48. Inventário Florestal da Vegetação Natural do Estado de São Paulo 2008/2009. 2010. Resolução nº48.br>. Acesso em: dez.al. São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente/Instituto Florestal. SÃO PAULO (Estado). 2008. de 02 de outubro de 2008. Declara as Espécies da Fauna Silvestre Ameaçadas de Extinção e as Provavelmente Ameaçadas de Extinção no Estado de São Paulo e dá providências correlatas. SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO – SMA/SP. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE.gov. Dados fornecidos. Acesso em: dez. N.sp. São Paulo. F.sp. as Quase Ameaçadas. Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. 2010. Dados fornecidos não publicados. Disponível em: <http://www. 2009. Rio de Janeiro: IBGE. São Paulo: SMA/FPZSP.gov. L. INSTITUTO PARANAENSE DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL – IPARDES.. R. Diretrizes para conservação e restauração da biodiversidade do Estado de São Paulo. Disponível em: <http://www.indd 162 15/4/2011 15:15:13 . RODRIGUES. INSTITUTO FLORESTAL – IF. KRONKA.al. as Colapsadas. 162 35656001 miolo.494. SÃO PAULO (Estado). 2010. SÃO PAULO (Estado). Indicadores de Desenvolvimento Sustentável. Secretaria do Meio Ambiente. Lista Oficial das Espécies da Flora do Estado de São Paulo Ameaçadas de Extinção. 2010. Projeto Ambiental Estratégico Desmatamento Zero.. de 21 de Setembro de 2004. Imprensa Oficial. Disponível em: <http://www. 2010. J. 2008. et al. R. São Paulo.sp. São Paulo: SMA/PAE Desmatamento Zero. São Paulo: SMA/PAE Mata Ciliar. São Paulo: Instituto de Botânica. Secretaria do Meio Ambiente.br>. SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO – SMA/SP. 2010. SÃO PAULO (Estado). 2008a. de 4 de fevereiro de 1998. orgs. Dados fornecidos. R. 2005.

Os padrões primários de qua lidade do ar são as concentrações de poluentes que. 3.indd 163 15/4/2011 15:15:13 . mas as fontes de poluição do ar que estão em evidência são as de origem antrópica. tais como parques e demais áreas de proteção ambiental. ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade. essenciais para a manutenção da vida. 163 35656001 miolo. A criação dos padrões secundários visou. principalmente por meio de processos de queima de combustíveis fósseis em veículos automotores e em processos industriais. A Resolução CONAMA nº 003/90 estabelece ainda. A Tabela 3. a poluição causada pela ação do homem. Embora os padrões sejam ferramentas de gestão da poluição atmosférica. Porém.49 apresenta os poluentes regulamentados. criar mecanismo legal para políticas de prevenção e proteção de áreas prioritárias à preservação. seus PQAr e os respectivos tempos de amostragem fixados pela Resolução CO NAMA. estabeleceu os atuais padrões em vigência no país. e que tornem ou possam tornar o ar: I – impróprio. já os padrões secundários de qualidade do ar são as concentrações de poluentes abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem-estar da população. nocivo ou ofensivo à saúde. definidos legalmente e adotados pelos órgãos responsáveis pelo controle da poluição do ar para uma determinada região. entende-se por poluente atmosférico qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e em quantidade. se ultrapassadas.3. muitos dos quais necessários para os processos de respiração celular e fotossíntese.6 ar A camada atmosférica foi formada durante o longo processo evolutivo do planeta e é composta por diversos gases. Segundo a Resolução CONAMA nº 003/90. A verificação do atendimento dos PQAr se dá exclusivamente pelo monitoramento ambiental. também estão presentes no ar muitos gases e partículas prejudiciais que causam danos à saúde humana e aos recursos naturais. Muitos destes gases poluentes são emitidos por fontes naturais como vulcões e incêndios florestais. III - danoso aos materiais. principalmente. No Brasil. ou seja. aos materiais e ao meio ambiente em geral.1 Padrões de Qualidade do ar Os Padrões de Qualidade do Ar (PQAr) são limites de concentração de um determinado poluente na atmosfera ambiente. assim como o mínimo dano à fauna.6. a Resolução CONAMA nº 003/90. concentração. os PQAr são normalmente es tabelecidos com base em estudos do impacto da poluição na saúde humana. tempo ou característica em desacordo com os níveis estabelecidos. poderão afetar a saúde da população. dois tipos de Padrões de Qualidade do Ar (PQAr): primários e secundários. IV - prejudicial à segurança. II - inconveniente ao bem-estar público. além de prejuízos à economia. à flora. à fauna e flora.

Por sua abrangên cia e importância. Monóxido de Carbono (CO). 2 – Média Geométrica Anual. O Estado apresenta regiões com características distintas em termos de fontes de poluição e grau de contaminação do ar e que. Ozônio (O3) e Oxidantes Fotoquímicos. Como evolução no processo de monitoramento e disponibilização dos dados. os poluentes que mais comprometeram a qualidade do ar no Estado. portanto. fixas e móveis. do Sistema de Informações da Qualidade do Ar (QUALAR). Os principais poluentes monitorados são: Material Particulado (MP).indd 164 15/4/2011 15:15:13 . 49 Padrões nacionais de Qualidade do ar Poluente tempo de amostragem Partículas totais em suspensão (Pts) Fumaça (FMc) 240 150 80 60 150 100 60 40 24 horas 150 150 MAA3 50 50 365 100 24 horas 1 MAA3 24 horas 1 dióxido de enxofre (so2) Monóxido de carbono (co) ozônio (o3) dióxido de nitrogênio (no2) Padrão secundário (μg/m³) MGA2 1 Partículas inaláveis (MP10) Padrão primário (μg/m³) 24 horas 1 MAA 80 40 1 hora1 40000 (35 ppm) 40000 (35 ppm) 8 horas1 10000 (9 ppm) 10000 (9 ppm) 1 hora1 160 160 1 hora 320 190 MAA3 100 100 3 Fonte: CETESB (2010g) Nota: 1 – Não deve ser excedido mais de uma vez por ano. A qualidade do ar é determinada pelos níveis de concentração de certos poluentes. exigem diferentes formas de monitoramento e controle da poluição. foram o Material Particulado (MP) e o Ozônio (O3). sendo.2 resultados do monitoramento A CETESB. em 2009. Material Particulado (MP) Material Particulado (MP) é o conjunto de poluentes constituído de poeiras.6. cabe destacar o lançamento. aerossol. 3. desde a década de 1970. mantém redes de monitoramento da qualidade do ar no Estado de São Paulo. Estas redes são compostas por diversas estações automáticas. Dióxido de Enxofre (SO2). desenvolvido para proporcionar ao público o acesso direto à base de dados de qualidade do ar como ferramenta para análise dos mesmos.tabela 3. foram escolhidos como indicadores da poluição do ar e serão apresentados neste relatório. adotados como indicadores universais e escolhidos em função da sua ocorrência e dos efeitos que causam. por este motivo. que possibilitam o acompanhamento dos dados em tempo real. considerados poluentes prioritários para monitoramento e controle. em 2009. fumaças ou fuligens e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém suspenso na atmosfera devido ao seu pequeno 164 35656001 miolo. 3 – Média Aritmética Anual. Os poluentes emitidos diretamente na atmosfera são classificados como primários. Todavia. Os poluentes podem ser classificados em duas categorias: primários e secundários. em termos gerais. enquanto que os poluentes secundários são aqueles formados na atmosfera por reações químicas envolvendo os poluentes primários. Hidrocarbonetos (HC) e Dióxido de Nitrogênio (NO2). neblina.

o aumento da frota e o comprometimento das condições de tráfego. mesmo com a significativa redução das emissões pelos veículos. garganta. sendo uma das principais responsáveis pelos danos à saúde humana. em anos mais recentes. além disso. A estação localizada na Vila Parisi. Dentre as principais fontes de emissão estão os processos de combustão incompleta realizada pelos veículos automotores e processos industriais. que vinha se mantendo estável últimos anos. A evolução da concentração média anual de MP10 em todas as estações fixas da RMSP é apresentada na Figura 3. o padrão de qualidade diário de MP10 (150 µg/m³) foi ultrapassado apenas uma vez.59 a seguir. O tamanho das partículas está diretamente associado ao seu potencial para causar problemas à saúde. Como efeitos gerais ao meio ambiente estão os danos à vegetação. asma e câncer de pulmão. muito em função do grande pólo industrial existente. FiGura 3. ambas localizadas em Cubatão. com menores velocidades e maiores tempos de viagem. podem causar mal estar. a ressuspensão da poeira do solo e as reações químicas da atmosfera. As partículas. área industrial. dor de cabeça.60). Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Quanto ao padrão diário. com ligeira queda em 2009 (Figura 3. 59 concentração Média anual de MP10 na rMsP de 2000 a 2009 Concentrações Médias Anuais PQAr Anual 75 53 51 50 MP10 ( μg/m³) 50 47 41 41 37 37 2005 2006 39 34 25 0 2000 2001 2002 2003 2004 2007 2008 2009 Fonte: CETESB (2010g). irritação dos olhos. As partículas com diâmetro de até 10 micra (MP10) são denominadas partículas inaláveis. observou-se uma ligeira redução da concentração deste poluente. as concentrações têm se mantido praticamente estáveis. ocorreram duas ultrapassagens na estação da Vila Parisi e duas na estação da Vila Mogi. 165 35656001 miolo. em 2009. mostrou que os níveis de material particulado têm se mantido acima dos padrões anuais. elaborado por SMA/CPLA (2010) Situação crítica ocorre no município de Cubatão. porém. apesar da melhora observada de 2008 para 2009. bronquite. sendo que quanto menores as dimensões. na estação de Parelheiros. diminuição da visibilidade e contaminação do solo. em 2009.tamanho. vêm forçando a manutenção dos níveis de concentração deste poluente na atmosfera. Na região central. maiores os efeitos provocados. enjôo.indd 165 15/4/2011 15:15:14 . Ainda na RMSP. pele. se inaladas. podem atingir os alvéolos pulmonares ou ficarem retidas no sistema respiratório. Nos anos 1990 era notável a redução sistemática na concentração do MP10 em virtude dos programas de emissão veicular.

principalmente nas áreas urbanas. 166 35656001 miolo.indd 166 15/4/2011 15:15:14 . que influenciam de forma mais significativa a ocorrência de altas concentrações se comparadas às pequenas alterações nas quantidades de emissões de poluentes. Não se registrou ultrapas sagem do PQAr de MP10 nas demais estações. Além disso. na presença da luz solar. pois mesmo que seus precursores sejam emitidos em maior quantidade em áreas urbanas. O ozônio.FiGura 3. Muitos poluentes atmosféricos têm apresentado quedas significativas em sua concentração. as osci lações observadas no número de ultrapassagem do PQAr se devem predominantemente às variações meteoro lógicas. porém. como Santa Gertrudes. devido principalmente ao pólo de indústrias cerâmicas existente no local. 60 concentração Média anual de MP10 eM cubatão de 2000 a 2009 PQAr anual Cubatão Centro Cubatão . o vento o transporta para a periferia das cidades e para os centros agrícolas. como um filtro dos raios ultravioletas emitidos pelo Sol. que apresenta um alto potencial para formação de Ozônio uma vez que há grande emissão de precursores. é tóxico e pode causar danos à vegetação. O Ozônio é um grande motivo de preocupação. chegando a ultrapassar o padrão diário (150 µg/m³) uma vez. que fica a cerca de 25 km de altitude. Já o Ozônio da estratosfera. Na RMSP. onde os níveis de partículas inaláveis foram bem superiores ao padrão anual (50 µg/m³). A produção de Ozônio pelas reações entre os poluentes primários depende também de aspectos meteorológicos. principalmente de origem veicular. fator que dificulta a ação das medidas de controle. onde também se pode observar altas concentrações deste poluente. tem a importante função de proteger a Terra. entre os óxidos de nitrogênio e os compostos orgânicos voláteis que são liberados na queima incompleta e na evaporação de combustíveis e solventes. É formado pelas reações.V. o Ozônio tem se comportado de forma diferente e não apresenta reduções significativas em suas concentrações atmosféricas. Parisi 125 108 104 MP10 ( μg/m³) 100 93 88 91 84 93 99 99 68 75 50 39 34 36 33 33 36 37 32 29 25 Ano 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: CETESB (2010g). elaborado por SMA/CPLA (2010) Alguns outros municípios do Estado também apresentaram problemas relacionados ao MP10 em 2009. a névoa fotoquímica formada pela concentração do Ozônio causa diminuição da visibilidade e prejuízos à saúde. quando situado na baixa atmosfera. ozônio (o3) O Ozônio é o principal produto da mistura de poluentes primários.

totalizando 201 ultrapassagens. A Figura 3. um comportamento semelhante àquele observado na RMSP. Verifica-se. elaborado por SMA/CPLA (2010) Em 2009. FiGura 3.62 a seguir apresenta a evolução do número de ultrapassagens de Ozônio nas estações localizadas nas diferentes regiões do Estado. 167 35656001 miolo.indd 167 15/4/2011 15:15:15 . 61 núMero de dias de ultraPassaGeM do PQar de ozônio na rMsP 100 89 Nº de dias de ultrapassagens do PQAr de O3 90 80 84 77 73 72 70 62 57 60 51 52 2005 2006 49 50 40 30 20 10 0 2000 2001 2002 2003 2004 2007 2008 2009 Fonte: CETESB (2010g). das quais 43 excederam o nível de atenção nas estações que mediram este poluente. o padrão de qualidade do ar foi violado em 57 dias. Em 2009 observou-se aumento no número total de ultrapassagens do PQAr com relação a 2008.61 que segue. com muitas ultrapassagens do PQAr do Ozônio. de maneira geral.O número de dias em que o PQAr do Ozônio foi violado na RMSP ao longo dos últimos dez anos é apresentado na Figura 3.

Sendo assim. considerando que a falta de manutenção ou a manutenção incorreta dos veículos podem ser responsáveis pelo aumento da emissão de poluentes e do consumo de combustíveis. as motocicletas aumentaram sua contribuição de menos de 2% da emissão total de monóxido de carbono (CO) e hidrocarbonetos (HC). pois não há garantias de que estes limites serão respeitados ao longo do tempo. A CETESB participou do desenvolvimento das bases técnicas do PROCONVE e é o órgão técnico conveniado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para a homologação de veículos no país. para cerca de 17% de CO e 10% de HC. o programa impõe a certificação de protótipos e proíbe a comercialização de modelos de veículos não homologados. A Resolução CONAMA 418/09 dispõe sobre a Implantação de Programas de Inspeção e Manutenção de Veículos em uso. igualmente instituído em âmbito nacional com o objetivo de promover a redução progressiva das emissões veiculares. Todavia. destaca-se o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE). instituído em âmbito nacional com a exigência de que os veículos e motores novos atendam a limites máximos de emissão. a exemplo do PROCONVE.6. a diminuição da emissão dos veículos automotores novos por si só não é suficiente. aferidos em ensaios padronizados. por meio das emissões dos veículos que utilizam motores de combustão interna. a inspeção veicular se torna uma medida complementar e essencial para controlar a emissão da frota veicular já existente. A preocupação com este segmento de veículos se justifica ao olharmos o expressivo aumento da frota e da contribuição da emissão de alguns poluentes na RMSP. Neste sentido.Centro Sorocaba 39 40 Nº de dias de ultrapassagens do PQAr de O3 Paulinia 35 30 30 25 21 20 18 15 15 9 10 5 0 7 13 13 6 6 0 14 14 8 9 2 2001 2002 2003 12 9 7 0 2000 20 19 17 2004 4 6 4 1 2005 22 4 2006 56 5 7 6 1 2007 2008 88 2 2009 Fonte: CETESB (2010g). De 1994 a 2009.FiGura 3. os limites máximos de emissões para os veículos automotores novos vêm sendo reduzidos progressivamente. ao longo dos anos foram adotadas diversas medidas de controle visando à melhoria da qualidade do ar. 168 35656001 miolo. Vale destacar também o Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (PROMOT). Na capital do Estado de São Paulo a inspeção veicular já é obrigatória e a tendência é que ela seja estendida em breve a outros municípios paulistas. Além disso. Desde a implantação do programa nos anos 90. 62 núMero de dias de ultraPassaGeM do PQar de ozônio eM outras reGiões São José dos Campos Cubatão .indd 168 15/4/2011 15:15:15 .3 Medidas de controle e melhoria da qualidade do ar Tendo em mente que grande parte da poluição do ar se origina do setor de transportes. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: Monitoramento sem representatividade anual 3.

referências COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. O tráfego urbano deve ser planejado e organizado de maneira a aumentar a atratividade do transporte público coletivo. Relatório de Qualidade do Ar no Estado de São Paulo 2009. em 2009. assim. priorizando o uso deste modal. A fiscalização da emissão de fumaça preta em veículos pesados resultou. Além da qualidade dos combustíveis. São Paulo: CETESB. desta forma. São Paulo: CETESB. medidas não tecnológicas são essenciais para a melhoria da qualidade do ar nas grandes cidades. 2010h. em mais de 3.indd 169 15/4/2011 15:15:16 . 2010h). a qualidade do ar nestes locais. Relatório Operação Inverno 2009. por meio de uma melhor distribuição dos empregos e da infraestrutura de serviços. movimentos pendulares entre as regiões periféricas e as áreas centrais. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. Quanto ao controle das fontes móveis. quando são intensificadas as ações de controle sobre as fontes fixas e móveis durante os meses de inverno (maio a setembro). com o objetivo de diminuir o número de deslocamentos motorizados individuais e reduzir as emissões veiculares. para evitar . As regiões metropolitanas e outras áreas urbanizadas do Estado necessitam da efetiva implementação de uma proposta de ordenamento territorial que minimize a segregação espacial e as diferenças socioeconômicas existentes entre suas diversas regiões. 2010g. amplia-se a fiscalização da emissão excessiva de fumaça preta (partículas de carbono elementar) proveniente dos veículos automotores à diesel. da concepção tecnológica dos motores e de suas condições de manutenção. melhorando. outra ação promovida pela CETESB anualmente é a Operação Inverno. devido à dificuldade de dispersão de poluentes na atmosfera neste período. 2010.000 veículos autuados (CETESB. 2010.Ainda. 169 35656001 miolo.

parte desta radiação. mesmo com concentrações menores na atmosfera pode ser mais eficiente na formação do efeito estufa natural. Vale ressaltar que atualmente existem divergentes visões sobre a influência desse gás na atmosfera. A forma como esses gases se dispõe ao longo da atmosfera e sua interação com o planeta foi determinante para o surgimento e manutenção da vida. a atmosfera tem papel primordial e essencial para a vida e o funcionamento de processos físicos e biológicos da Terra. A atmosfera terrestre é uma camada relativamente fina. O ozônio (O3) é um gás que tem papel importante na absorção de radiação ultravioleta.3.03% da atmosfera. processo que pode ser exemplificado pelo chamado efeito estufa. absorvida pela superfície. de gases e material particulado. dióxido de carbono e o vapor d’ água. devido à condição anaeróbica das áreas alagadas. ainda. devido ao processo de digestão. ocorrendo o denominado efeito estufa. apresenta papel primordial no processo de fotossíntese. o fluxo de energia através da atmosfera e fazendo com que a Troposfera (primeira camada da atmosfera) retenha o calor proveniente da superfície terrestre. ainda. realizando. fenômeno decorrente da intervenção humana nos processos que caracterizam o efeito estufa. o que se convencionou chamar de aquecimento global. o calor fica retido e não é liberado para o espaço. servindo para manter o planeta aquecido. óleo e gás natural. O aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera é que tem gerado um desequilíbrio energético no planeta. O dióxido de carbono. A atmosfera pode ser considerada como constituída principalmente pelo nitrogênio e oxigênio. bem como se destaca por ser um eficiente absorvedor de energia radiante emitida pela Terra. A partir dessa absorção. a superfície passa a emitir energia em um novo comprimento de onda. Em todo o mundo. portanto. Vale destacar que a presença de 170 35656001 miolo. a essas causas naturais vieram somar-se aquelas decorrentes da ação humana. embora represente apenas 0. O efeito estufa é de vital importância. em especial o lançamento na atmosfera de grandes quantidades de gases estufa e aerossóis e as mudanças na cobertura do solo – em escala global – com a transformação de áreas florestais em áreas de agricultura e pastagem. a maior parte. e a ocorrência de depósitos de carvão. sem essa absorção. os seres vivos estariam mais vulneráveis aos efeitos da radiação solar em superfície. sendo. refletida e.indd 170 15/4/2011 15:15:16 . os animais herbívoros. Outro importante gás relacionado ao efeito estufa é o metano (CH4). no último século. como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4). Como consequência. O metano é cerca de trinta vezes mais eficiente que o dióxido de carbono na absorção de radiação infra-vermelha. pesquisadores estudam as muitas variáveis envolvidas com as mudanças climáticas globais. os chamados Gases de Efeito Estufa (GEE). e assim. Essa energia emitida passa a ser absorvida por determinados gases presentes na atmosfera. responsável por fornecer elementos como o oxigênio. suas causas e consequências. esses dois gases apresentam pouca influência sobre os aspectos climáticos.7 Mudanças climáticas O debate e os estudos sobre mudanças climáticas estão na ordem do dia. afetando os ciclos biogeoquímicos naturais. 2008). Embora sempre tenham ocorrido variações e mudanças climáticas em escalas de tempo variáveis e decorrentes de causas naturais. procuram estabelecer possíveis cenários e seus impactos sobre os sistemas naturais e sobre as muitas dimensões da vida na Terra (FAPESP. As principais fontes antropogênicas de geração desse gás são: o cultivo de arroz. que ocupam algo em torno de 99% do volume de ar seco e limpo. Gases como o dióxido de carbono (CO2) e o ozônio (O3). No entanto. que envolve a Terra devido à atuação da gravidade. Portanto. influenciando. apresentam influência muito mais decisiva nos processos climáticos existentes. que ocorrem em pequenas concentrações. agora na forma de onda longa. garantir a manutenção da vida na Terra. projeções de mudanças futuras e criando modelos matemáticos do sistema climático. O efeito estufa é um processo natural que ocorre quando a energia emitida pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera. Desta forma. sendo. A radiação solar que chega a Terra é predominantemente composta pelo comprimento de onda curta (radiação solar de onda curta). em função de liberarem metano para a atmosfera quando escavados ou perfurados. desta forma.

onde passa a ser chamado de ozônio troposférico. de forma que ainda não são infalíveis na previsão do clima futuro. 2007). que resulta no aquecimento global do planeta.ozônio é primordial na Estratosfera. e os compostos orgânicos voláteis. No entanto. A consequência disso é o aumento da capacidade de absorção de energia pela atmosfera. De acordo com Marengo (2007). As atividades realizadas pelo homem. juntamente com as emissões naturais do planeta. enquanto para o CH4 e o N2O o aumento se dá pela agricultura. no entanto. portanto. que supõe a mudança climática provocada pelas atividades humanas. 3. queima incompleta de combustíveis e processos industriais. As ferramentas comumente adotadas para obter e avaliar projeções climáticas passadas e futuras são os modelos de clima. podem ajudar a detectar as características gerais do clima futuro. no entanto. foi publicado o 4º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC. a habilidade desses modelos em simular climas regionais depende da escala horizontal. publicado em 2000 pelo IPCC. O tipo de desenvolvimento econômico e social iniciado pela revolução industrial contribuiu ao longo dos anos para o aumento da concentração desses gases na atmosfera. Estes modelos podem simular climas futuros em nível global e regional como resposta a mudanças na concentração de gases de efeito estufa e de aerossóis. o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). emitidos pelos processos evaporativos. baseia sua analise na literatura científica e técnica existente. metano e óxido nitroso aumentaram bastante em consequência das atividades humanas. foi criado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). de forma exaustiva. De acordo com o IPCC (2007). Os cenários de emissão representam uma visão possível do desenvolvimento futuro de 171 35656001 miolo. que podem ser: Modelos Globais Atmosféricos (GCM) ou Modelos Globais Acoplados Oceano-Atmosfera (AOGCM). Para isso. chamada também de resolução. de ozônio estratosférico. que se trata de um grupo aberto a todos os membros das Nações Unidas e da OMM. aberta e transparente. O relatório também ressalta que o aquecimento do sistema climático é evidente e pode ser constatado nas observações dos aumentos das temperaturas médias globais do ar e do oceano. provocam um adicional de emissão de gases de efeito estufa. é necessário usar a técnica de downscaling.indd 171 15/4/2011 15:15:16 . ou em português Relatório Especial sobre Cenários de Emissões – RECE). que consiste na regionalização dos cenários climáticos obtidos por modelos globais usando modelos regionais (downscaling dinâmico) ou funções estatísticas (downscaling empírico ou estatístico) (MARENGO. do derretimento generalizado da neve e do gelo e da elevação do nível global médio do mar. as concentrações atmosféricas globais de dióxido de carbono.7. também pode ser encontrado na Troposfera. Na Troposfera esse gás é considerado como poluente. Em 2007. denominado. a informação científica. técnica e sócio-econômica relevante para entender os processos de risco. A função do IPCC consiste em analisar. o aumento global se deve ao uso de combustíveis fósseis e à mudança no uso da terra. 2007). e considerando a extensão do Brasil. tais como as tempestades ou frentes e chuvas. esses modelos não representam bem as mudanças do clima na escala local. As saídas dos modelos globais de clima contêm informações sobre os cenários SRES (Special Report on Emissions Scenarios. objetiva. O IPCC não realiza investigação nem controla dados relativos ao clima e outros parâmetros pertinentes. os modelos podem oferecer informações de grande utilidade para escala continental. lançados na atmosfera pelos processos de combustão (veicular e industrial). devido a efeitos orográficos e eventos extremos do clima. Em 1988.1 Modelos climáticos e cenários do iPcc Marengo (2007) ressalta que a modelagem climática em grande escala consome enormes recursos de informática e financeiros e até mesmo os modelos mais sofisticados são representações aproximadas de um sistema muito complexo. suas possíveis repercussões e as possibilidades de adaptação e atenuação da mesma. formado através da reação entre a presença de luz solar e os óxidos de nitrogênio (NO e NO2). No caso do CO2.

com reduções da intensidade material e a introdução de tecnologias limpas e eficientes em relação ao uso dos recursos. como demografia. Os padrões de fertilidade entre as regiões convergem muito lentamente. supondo-se que taxas similares de aperfeiçoamento apliquem-se a todas as tecnologias de oferta de energia e uso final). É um mundo em que a população global aumenta continuamente. obtidos no 4º Relatório de Avaliação (AR4) do IPCC (2007).emissões de substâncias que têm um efeito radiativo potencial (gases de efeito estufa. a2 Descreve um mundo muito heterogêneo. mas com uma mudança rápida nas estruturas econômicas em direção a uma economia de serviços e informação. a uma taxa inferior à do A2.50. A família de cenários A1 se desdobra em três grupos que descrevem direções alternativas da mudança tecnológica no sistema energético. que atinge o pico em meados do século e declina em seguida. denominados de A1. como no enredo A1. Os três grupos A1 distinguem-se por sua ênfase tecnológica: intensiva no uso de combustíveis fósseis (A1F1). fontes energéticas não-fósseis (A1T) ou um equilíbrio entre todas as fontes (A1B) (em que o equilíbrio é definido como não se depender muito de uma determinada fonte de energia. a capacitação e o aumento das interações culturais e sociais. social e ambiental. As principais questões subjacentes são a convergência entre as regiões. O desenvolvimento econômico é orientado primeiramente para a região e o crescimento econômico per capita e a mudança tecnológica são mais fragmentados e mais lentos do que nos outros contextos.indd 172 15/4/2011 15:15:16 . Fonte: IPCC (2007) A Tabela 3. 172 35656001 miolo. cujas principais características são apresentadas na Tabela 3. A ênfase está nas soluções globais para a sustentabilidade econômica. O tema subjacente é a auto-suficiência e a preservação das identidades locais. o que acarreta um aumento crescente da população. baseados numa combinação coerente e internamente consistente de assunções sobre forçamentos controladores. Os cenários SRES mostram diferentes cenários futuros de mudanças climáticas. assim como suas interações. aerossóis).51 apresenta as estimativas e faixas prováveis para o aquecimento médio global do ar e elevação do nível do mar para seis cenários emissões do SRES. inclusive a melhoria da eqüidade. social e ambiental. b1 Descreve um mundo convergente com a mesma população global. para o final do século XXI (2090-2099) relativos a 19801999. A2. e mudança na tecnologia. desenvolvimento socioeconômico. mas sem iniciativas adicionais relacionadas com o clima. tabela 3. 50 PrinciPais características dos cenários de eMissões ProPostos Pelo iPcc a1 Descreve um mundo futuro de crescimento econômico muito rápido. com a população global atingindo um pico em meados do século e declinando em seguida e a rápida introdução de tecnologias novas e mais eficientes. B1 e B2. com níveis intermediários de desenvolvimento econômico e mudança tecnológica menos rápida e mais diversa do que nos contextos B1 e A1. com uma redução substancial das diferenças regionais na renda per capita. b2 Descreve um mundo em que a ênfase está nas soluções locais para a sustentabilidade econômica.

os aperfeiçoamentos planejados dessa versão do modelo.9 0. a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) lançou o Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais. com o objetivo de estabelecer um modelo de clima global adequado a projeções de mudança do clima no longo prazo.0. diversas pesquisas vêm sendo elaboradas visando identificar os impactos. Aliado a isso. 51 ProJeção do aQueciMento Médio Global da suPerFície e da elevação do nível do Mar no Final do século xxi Mudança de temperatura (°c em 20902099 relativa a 1980-1999) 1 elevação do nível do mar (m em 2090-2099 relativa a 1980-1999 caso Melhor estimativa Faixa provável Faixa com base em modelo.5.3 . o Eta é um modelo atmosférico regional completo usado pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos do Clima (CPTEC) desde 1997. vegetação dinâmica. Vale frisar que ainda existem várias incertezas nos cenários do IPCC.4 1.3. 2A composição constante do ano 2000 é derivada apenas a partir de Modelos de Circulação Geral da Atmosfera-Oceano.1 .2 o estado de são Paulo e as Mudanças climáticas No Estado de São Paulo. articulando as variáveis resultantes da atividade humana com aquelas resultantes de causas naturais.8 0. O modelo foi adaptado a fim de funcionar como um Modelo Climático Regional (MCR).8 0.0.2. bem como dos diversos setores.20 .8 1.9 NA cenário b1 1.4 . o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) vem desenvolvendo o modelo regional Eta/ CPTEC para a América do Sul. Entretanto. Outra está nas sinergias e antagonismos das respostas ambientais e esses efeitos.20 . dentro do ciclo de realimentação clima-carbono.0 .6.45 cenário b2 2.7.0.4 .0 2. aerossóis e química atmosférica. excluindo-se as futuras mudanças dinâmicas rápidas no fluxo de gelo concentrações constantes do ano 2000 2 0. varios Modelos do Sitema Terrestre de Complexidade Intermediária e um grande numero de Modelos de Circulação Geral da Atmosfera-Oceano).18 .38 cenário a1t 2.26 . para as previsões do tempo operacionais e sazonais.indd 173 15/4/2011 15:15:16 .4 2. às mudanças climáticas previstas.4 .4 0. 2010).59 Fonte: IPCC (2007) Notas: 1 Essas estimativas são avaliadas a partir de uma hierarquia de modelos que abrangem um modelo climático simples.8 1. incluem a vegetação dinâmica e alterações no uso da terra. observa-se que ainda existem muitas lacunas a serem resolvidas para uma melhor análise regional das mudanças climáticas. O INPE também vem elaborando o Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global (MBSCG). vulnerabilidades e adaptações dos diferentes ecossistemas existentes.23 . Em agosto de 2008. bem como existem diferentes visões sobre como efetivamente as mudanças climáticas poderão atingir as diferentes regiões do país.0.4 0. Para o Brasil.7 .0.6 0. usado para produzir cenários regionalizados de mudança futura do clima para a 2º Comunicação Nacional. com o objetivo de estimular a pesquisa sobre o tema.4 0.51 cenário a1F1 4.0. Uma delas é a estabilização da concentração do CO2 na atmosfera. No entanto. variabilidade de CO2 e outras melhorias. 173 35656001 miolo.0.3. 3.4 1. Esse modelo inclui representações mais realistas de fenômenos que atuam em uma escala de tempo mais ampla: transições mar-gelo.4.tabela 3.43 cenário a1b 2.21 . De acordo com a 2º Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (BRASIL.48 cenário a2 3.

No âmbito da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA/SP) os efeitos das mudanças climáticas também já vêm sendo estudados e discutidos há algum tempo. Plano Estratégico para Ações Emergenciais e Mapeamento de Áreas de Risco. institui o Conselho Estadual de Mudanças Climáticas. O decreto. Plano Estadual de Energia. do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de outras agências de fomento nacionais e internacionais. de um capítulo sobre o Licenciamento Ambiental e os Padrões de Referência de Emissão.antes mesmo da criação do programa. Dando continuidade às ações ligadas às mudanças climáticas. Com o intuito de regulamentar a Lei Estadual nº 13. dispõem de um capítulo sobre os Padrões de Desempenho Ambiental e as Contratações Públicas Sustentáveis.798/2009.369/05. a Avaliação Ambiental Estratégica e o Zoneamento Ecológico-Econômico. Programa de Incentivo Econômico a Prevenção e Adaptação de Mudanças Climáticas e de Crédito e de Economia Verde. foi instituído o Decreto Estadual nº 55. exige da SMA a apresentação de critérios que definam indicadores de avaliação dos efeitos da aplicação da PEMC. tratados na referida Lei. que tem por objetivo disciplinar as adaptações necessárias aos impactos derivados das mudanças climáticas. e a realização de seminários e simpósios para apresentar o problema e discutir tecnologias que possibilitem a redução dos gases de efeito estufa. através do Decreto Estadual 49. Também em 1995 foi instituído o Programa Estadual de Prevenção a Destruição da Camada de Ozônio (PROZONESP). Programa de Educação Ambiental sobre Mudanças Climáticas. um grande número de pesquisas em mudanças e variações climáticas já vinha sendo realizadas no Brasil e no Estado de São Paulo. bem como a necessidade de coordenar as ações no Estado na consecução das metas estabelecidas pelo Programa Brasileiro de Eliminação da Produção e Consumo das SDO e o estabelecimento de parcerias com os atores sociais envolvidos. destacam-se: a colaboração com a esfera federal na divulgação e implementação dos acordos internacionais. à prevenção da destruição da Camada de Ozônio. Esse programa teve sua implementação gradualmente assumida e atualmente coordenada pelo Setor de Clima e Energia (TDSC) da CETESB. Em 2005. participação e representação da CETESB/SMA nas reuniões referentes às Mudanças Climáticas. sob a coordenação da Casa Civil. o qual é presidido pelo governador. a execução do Inventário Nacional de Emissão de Metano gerado por Resíduos. o governo instituiu o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e Biodiversidade. foi sancionada pelo governador a Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC). disciplina a Comunicação Estadual. Dentre as atividades do PROCLIMA. a SMA estabeleceu para o Estado de São Paulo. visando conscientizar e mobilizar a sociedade paulista para a discussão e tomada de posição sobre o fenômeno das mudanças climáticas globais. estabelecendo a redução de 20% das emissões de CO2 até 2020.947. com o objetivo de acompanhar a elaboração e a implementação dos planos e programas instituídos por este decreto. Em 1995.798/09. o objeto deste Programa é a contribuição do Governo do Estado de São Paulo. Lei Estadual nº 13. Plano Estadual de Transporte Sustentável. e ainda são previstos os seguintes Planos e Programas: Plano Estadual de Inovação Tecnológica e Clima. capacitação de pessoal para prestar assessoria necessária para auxiliar a sociedade a prevenir a emissão de gases de efeito estufa. com base nas emissões de 2005. visto a importância da participação de São Paulo no quadro nacional de consumo de Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDO). com a finalidade de acompanhar a implantação e fiscalizar a execução da PEMC. bem como contribuir para reduzir a concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera. coordenada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. em 24 de junho de 2010. por meio da Resolução SMA nº 22/95. Programa Estadual de Construção Civil Sustentável. em especial os gerados por resíduos. ressaltando a importância do tema para o Estado de São Paulo. 174 35656001 miolo. que faz parte da 1º Comunicação Nacional. Em resumo. a necessidade da conservação da diversidade biológica do planeta e a promoção da sinergia entre as duas temáticas. através de sua Secretaria do Meio Ambiente.indd 174 15/4/2011 15:15:16 . institui a criação do Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas. Dentre seus objetivos está colaborar com a elaboração de uma Política Estadual de Mudanças Climáticas. Programa de Remanescentes Florestais. o Programa Estadual de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo (PROCLIMA). no dia 9 de novembro de 2009. com o apoio da FAPESP. de caráter consultivo.

mudança no uso da terra e florestas. sendo disponibilizados os seguintes relatórios: • Inventário de Emissão de Metano pelo Cultivo de Arroz Irrigado por Inundação do Estado de São Paulo. agropecuária e resíduos.947/10 prevê a realização de consulta pública e a apreciação dos documentos pelo Comitê Gestor de Mudanças Climáticas. 1990 a 2008. Seguindo a classificação utilizada pelo IPCC. • Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa associadas aos Processos Industriais: Produtos Minerais. • Inventário das Emissões de Gases de Efeito Estufa pela Combustão e Fugitivas de Petróleo no Estado de São Paulo. de elaboração de um amplo e detalhado diagnóstico das emissões de gases de efeito estufa do Estado de São Paulo no período 1990-2008 (CETESB. O Decreto Estadual 55. uso da terra. diversos especialistas e coordenado pela CETESB/ SMA. de acordo com a origem das emissões: energia. Ainda assim. processos industriais. De acordo com a CETESB (2010i). Os Relatórios de Referência do Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa do Estado de São Paulo foram disponibilizados para consulta pública em outubro de 2010. o Inventário Estadual é resultado de uma iniciativa inédita no Brasil. • Inventário das Emissões de CO2 por queima de combustíveis no Estado de São Paulo. buscou-se seguir fielmente as diretrizes gerais do método. 1990 a 2008. a CETESB apresentou o estudo intitulado “1° Relatório de Referência do Estado de São Paulo de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa. 175 35656001 miolo. desenvolvido sob a responsabilidade do Programa de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo (PROCLIMA) da CETESB. • Inventário de Emissões de Óxido Nitroso pelo Manejo de Dejetos e dos Solos Agrícolas no Estado de São Paulo. antes de ser divulgado oficialmente. 1990 a 2008. De acordo com decisão tomada pelo Comitê Gestor. visando à elaboração de um documento cujos resultados sejam comparáveis àqueles obtidos pelos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa. com adaptações para adequá-lo às condições objetivas de um governo estadual. Elaborado por uma rede composta por instituições especializadas nos setores inventariados. • Inventário das Emissões de Gases de Efeito Estufa associadas ao Transporte Ferroviário do Estado de São Paulo.Outra atribuição definida pela Política Estadual de Mudanças refere-se à elaboração do Inventário das Emissões por Atividades Antrópicas dos Gases de Efeito Estufa. • Inventário de Emissão Atmosféricas nos Processos Industriais de Alimentos e Bebidas no Estado de São Paulo.indd 175 15/4/2011 15:15:16 . • Inventário das Emissões de Gases de Efeito Estufa associadas ao Transporte Aéreo do Estado de São Paulo. 1990 a 2008. O Inventário Estadual foi desenvolvido com apoio da Embaixada Britânica no âmbito do Projeto “Apoio à Política Climática do Estado de São Paulo”. 1990 a 2008. 2010i). 1990 a 2008. Produção de Cimento do Estado de São Paulo. o documento adota o mesmo método recomendado pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) para a elaboração de inventários nacionais. 1990 a 2008. o inventário deverá ser apreciado pela instância. 1990 a 2008: Abordagem de Referência (Top Down). o inventário foi classificado em cinco grandes setores. Em 30 de novembro de 2010. após a finalização da consulta pública. período de 1990 – 2008”.

de acordo com o Índice de Qualidade de 176 35656001 miolo. contribuindo para a ampliação da cobertura vegetal de 13. 1990 a 2008. As metas específicas do Lixo Mínimo são: eliminar. Estes relatórios apresentam o método empregado nas estimativas de cada setor. • Inventário de Emissão Atmosféricas dos Gases de Efeito Estufa associadas aos Processos Industriais da Produção de Papel e Celulose do Estado de São Paulo. e sintetizam os resultados obtidos nos trabalhos desenvolvidos pelas instituições parceiras. assinado entre a SMA e os produtores de açúcar e álcool. Os resultados do Etanol Verde já são extremamente importantes no contexto da produção de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo. • Inventário de Emissão Atmosféricas dos Gases de Efeito Estufa associados aos Processos Industriais do Setor de Vidro no Estado de São Paulo. e implementar um programa de gestão de produção de sementes e mudas.7 milhão de hectares de mata ciliar. • Projeto Ambiental Estratégico Lixo Mínimo: tem como prioridade promover a minimização dos resíduos sólidos urbanos por meio do apoio técnico e financeiro aos municípios. • Inventário de Emissão dos Gases de Efeito Estufa no Setor de Resíduos e Efluentes do Estado de São Paulo.Hidrofluorcarbonos (HFC). além de 23 associações de fornecedores de cana. reciclagem. totalizando 155 unidades.9% para 20% do território estadual. no território do Estado. Perfluorcarbonos (PFC) e Hexafluoreto de Enxofre (SF6). • Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Setor Uso da Terra. Também houve progressos significativos na preservação e recuperação de matas ciliares. 1990 a 2008. eliminar a prática da queima da palha da cana-de-açúcar no Estado através do Protocolo Agroambiental Paulista. Mudança do uso da Terra e Florestas do Estado de São Paulo. • Projeto Ambiental Estratégico Etanol Verde: visa. no setor de solventes e agentes de limpeza do Estado de São Paulo. 1990 a 2008. cumprir o contrato com o Banco Mundial para execução de projetos de restauração de mata ciliar em 15 microbacias e do plano de Educação Ambiental. 1990 a 2008. • Inventário de Emissão dos Gases de Efeito Estufa dos Clorofluorcarbonetos (CFC). com o avanço do fim da queima da palha da cana no Estado. Em abril de 2011 está previsto a publicação do Inventário. normatizar critérios e metodologias para recuperação de mata ciliar.• Inventário de Emissão dos Gases de Efeito Estufa associados ao Setor de Espumas do Estado de São Paulo. a destinação adequada dos rejeitos inaproveitáveis. Além disso. interditar e proteger 1 milhão de hectares para regeneração natural. Pelo menos 90% das usinas paulistas já aderiram ao Protocolo. fomentar a recuperação e a proteção das principais nascentes em cada município. as premissas e os dados utilizados. no uso da água no processo industrial e na implementação do inovador zoneamento agroambiental do setor sucroalcooleiro – itens que passaram a compor as diretrizes técnicas para o licenciamento das usinas. dentre outras ações voltadas à preservação do meio ambiente. o Estado de São Paulo vem instituindo programas e projetos que tendem a contribuir com a temática de mudanças climáticas. por fim. 1990 a 2008. os aterros em situação inadequada. o projeto busca estimular a adoção de práticas ambientalmente adequadas de reutilização. redução e recuperação de energia e. Hidrofluorcarbonetos (HCFC). 1994 a 2008. e a expectativa é de pleno atingimento das metas estabelecidas.indd 176 15/4/2011 15:15:16 . Alinhado aos princípios estabelecidos na Política Estadual de Resíduos Sólidos. replantar e reflorestar 180 mil hectares. dentre os quais podemos destacar: • Projeto Ambiental Estratégico Mata Ciliar: tem como objetivo promover a recuperação das matas ciliares no Estado. Entre as metas específicas do Projeto estão: delimitar e demarcar 1.

a participação setorial no consumo energético. desenvolver e implementar o Índice de Gestão de Resíduos Sólidos (IGR). no Balanço Energético do Estado de São Paulo (BEESP). visando à reciclagem.63 a seguir. novas fontes de empregabilidade e soluções consistentes para a melhoria da qualidade ambiental de vida no Estado. bem como valorizar empresas que utilizem madeira sustentável. 177 35656001 miolo. • Projeto Ambiental Estratégico São Paulo Amigo da Amazônia: visa desenvolver estratégias para reduzir a demanda por madeira. apresenta a participação dos energéticos no consumo final de energia do Estado de São Paulo em 2009. A Figura 3. • Projeto Ambiental Estratégico Serra do Mar: tem como objetivo recuperar as áreas ocupadas nas encostas do Parque Estadual da Serra do Mar. eliminando riscos para as precárias moradias. com o objetivo de apresentar uma proposta de desenvolvimento que busca instituir novos vetores de crescimento econômico. As principais metas são: implementar ações visando a diminuição da utilização e da comercialização de madeira proveniente da região amazônica. • Economia Verde: a Secretaria do Meio Ambiente promoveu durante o mês de dezembro de 2010. o projeto se destacou na proposição de novas normas para a atuação do Sistema de Meio Ambiente. restaurar de áreas degradadas. incentivar a adoção de soluções regionais. é um dos grandes desafios na tentativa de minimizar o aquecimento global. de baixa emissão de carbono. tornar mais rigoroso o licenciamento e mais efetivas as medidas mitigadoras. ou seja. por meio de ações integradas dos municípios nas Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI). A busca por fontes de “energia limpa”. proteger a biodiversidade e a oferta de água. e implementar projetos de educação ambiental para a população local. fiscalizar as madeireiras que comercializam no atacado. a composição da matriz energética do Estado. a Secretaria de Saneamento e Energia divulga anualmente. fiscalizar o transporte e o comércio ilegal de madeira de origem nativa. aprimorar as ações de fiscalização da Polícia Ambiental e a punição dos crimes ambientais para garantir a conservação da biodiversidade. energia renovável O setor energético é um dos grandes responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa. incentivar a implementação de Programas de Coleta Seletiva. Um dos principais parceiros neste projeto é a Secretaria de Habitação/ Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). • Projeto Ambiental Estratégico Desmatamento Zero: tem como objetivo instituir uma moratória para o desmatamento. intensificar a fiscalização da Polícia Militar Ambiental na entrada de madeira ilegal da Amazônia no território paulista.indd 177 15/4/2011 15:15:16 . e executar ações de educação ambiental no Estado. em função de grande parte da energia utilizada no mundo ter como fonte os combustíveis fósseis. a primeira Bolsa Internacional de Negócios da Economia Verde (BINEV). No Estado de São Paulo.Aterro de Resíduos (IQR). incentivar o empreendimento de florestas plantadas. bem como a estimativa das emissões de dióxido de carbono provenientes do consumo de combustíveis.

46 0. o etanol e a hidroeletricidade. uma vez que estas fontes renováveis têm balanço de carbono considerado nulo.45 0.49 0. as fontes renováveis de energia.35 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: São Paulo (2010).52 0.48 0.57 Parcipação Renovável 0.44 0.64 a seguir.45 0.55 0.45 0. 64 ParticiPação renovável na Matriz enerGética do estado de são Paulo de 1995 a 2009 0.54 0.60 0.FiGura 3.50 0. fato extremamente importante para a redução das quantidades de CO2 emitidas. A Figura 3. pois aproximadamente 35% do total de ener- 178 35656001 miolo.indd 178 15/4/2011 15:15:17 . representaram aproximadamente 57% do total consumido de energia no Estado de São Paulo.44 0.46 0. apresenta a evolução da participação da energia renovável na matriz energética paulista de 1995 a 2009. elaborado por SMA/CPLA (2010) Podemos observar que apesar da maior parte da energia utilizada no Estado de São Paulo ser de fonte renovável. como a biomassa. FiGura 3. elaborado por SMA/CPLA (2010) No ano de 2009. os combustíveis fósseis ainda têm relevância na matriz energética.44 0.45 0.50 0.43 0.40 0. 63 ParticiPação dos enerGéticos no consuMo enerGético Final do estado de são Paulo eM 2009 6% 4% 35% 9% Derivados de Petróleo Biomassa Eletricidade Álcool Elico 20% Gás Natural Outras 26% Fonte: São Paulo (2010).

Mesmo com a crescente participação dos combustíveis renováveis na matriz paulista.086 0.097 0. dióxido de carbono Outro indicador importante refere-se à intensidade de emissão de dióxido de carbono. que relaciona o Produto Interno Bruto do Estado de São Paulo com a emissão de CO2 proveniente do uso energético. o modal rodoviário respondeu pela expressiva maioria das emissões do setor. Esse indicador tem apresentado queda contínua nos últimos anos.67).101 0.66) e mais a frente o detalhamento das emissões do setor de transportes (Figura 3. A seguir são apresentadas as participações dos setores na emissão de dióxido de carbono (Figura 3.091 0. elaborado por SMA/CPLA (2010) Quanto às emissões de CO2. superando a soma das emissões de todos os outros setores.14 0. O setor de transportes.10 0.107 0.081 0.116 0. FiGura 3.114 0.indd 179 15/4/2011 15:15:17 .04 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: São Paulo (2010). foi o maior responsável pelo consumo dos combustíveis fósseis. cuja matriz é majoritariamente rodoviária. De forma evidente. seguido pelo setor industrial.12 0. o setor de transportes foi responsável por mais da metade das emissões. como consequência do aumento da participação da “energia limpa” na matriz energética.103 0.65 a seguir. apresenta a evolução da intensidade de emissão de carbono. A Figura 3. 65 intensidade de eMissão de carbono no estado de são Paulo de 1995 a 2009 0.06 0.090 0. de 1995 a 2009.gia consumida em 2009 tiveram como fonte o petróleo e seus derivados.111 0.08 0. 179 35656001 miolo.114 t CO2/R$ 0.103 0. o diesel ainda é o energético mais consumido no setor de transportes.094 0.102 0.

FiGura 3. A. Coordenação-Geral de Mudanças Globais de Clima. São Paulo: SSE/SP.82% Industrial Residencial Agropecuário Energéco 29. Consulta Pública dos Relatórios de Referência para o Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa do Estado de São Paulo. Brasília: MCT. MARENGO.br>. elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3. Contribuições da pesquisa paulista para o conhecimento sobre mudanças climáticas (1992-2008).92% 0. Contribuição do Grupo de Trabalho I para o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima.2010. IPCC: 2007. Ministério da Ciência e Tecnologia. Mudanças Climáticas Globais e seus Efeitos sobre a Biodiversidade: Caracterização do Clima Atual e Definição das Alterações Climáticas para o Território Brasileiro ao longo do Século XXI. Secretaria de Saneamento e Energia. Brasília: Ministério do Meio Ambiente.cetesb. 2º Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. 2010. 2008. 66 ParticiPação dos setores na eMissão de co2 do estado de são Paulo eM 2009 0.gov. Acesso em: dez.20% 13. 2010. 67 eMissão de co2 no setor de transPortes no estado de são Paulo eM 2009 3. 2010i. PAINEL INTERGOVERNAMENTAL SOBRE MUDANÇAS DO CLIMA – IPCC.indd 180 15/4/2011 15:15:18 .sp.73% Comercial Público Fonte: São Paulo (2010).61% 1. SÃO PAULO (Estado). COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB. 2007.64% 3. Balanço Energético do Estado de São Paulo 2010: Ano Base 2009.10% Transportes 5. 2010. J. Sumário para os formuladores de políticas. Disponível em: <http://www. FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO – FAPESP.66% 56. São Paulo: FAPESP.38% 81. 180 35656001 miolo. elaborado por SMA/CPLA (2010) referências BRASIL.13% 3.81% Rodoviário Aéreo Hidroviário Ferroviário Fonte: São Paulo (2010).

em Brasília no mês de dezembro de 2009. iniciativa conjunta dos Ministérios das Cidades.8 saúde e Meio ambiente A área da Saúde Ambiental abre novos caminhos para pesquisas e estudos e possibilita a consolidação de ligações e parcerias entre os campos da saúde e meio ambiente. suas implicações na análise da situação sanitária e ambiental. só podem ser superadas com ações integradoras e de viés interdisciplinar. de saúde ou de utilização de recursos naturais. fez com que o tema passasse a incorporar outras dimensões. Como uma boa e feliz coincidência. pois: “(.” Mais recentemente. a degradação ambiental ou os impactos resultantes destas sobre a saúde de grupos populacionais. Freitas e Porto (2006) apontaram para a necessidade de aproximação entre as políticas sanitárias e ambientais. seus profissionais e as instituições de governo responsáveis pela elaboração de políticas públicas relacionadas ao tema. derivados de um modelo hegemônico de desenvolvimento lesivo que não considera aspectos demográficos. ações do campo da saúde ambiental. em função da industrialização e urbanização acelerada e da ocupação desordenada da terra Fenômenos ambientais de escala global Impacto na saúde decorrente do aquecimento da Terra gerado pela mudança do clima Fonte: CNSA (2010) 181 35656001 miolo. Porém. o que se constata (. conforme visto na Tabela 3. portanto. a diminuição das consequências decorrentes das três dimensões de vulnerabilidades entre a saúde e o meio ambiente.” As respostas necessárias a problemas como as desigualdades socioambientais. ou seja. seus determinantes populacionais. A melhor compreensão da relação entre saúde e meio ambiente. entre outras metas... 52 diMensões das vulnerabilidades entre saúde e Meio aMbiente vulnerabilidade Problemas acarretados Saneamento ambiental inadequado Prevalência de problemas de saúde pública Modelo de desenvolvimento Impactos negativos na saúde da população. Enquanto as políticas de saúde. os recursos e as instituições da área têm se concentrado principalmente no tratamento (.. entre meio ambiente e saúde precisa ser revertida. Gouveia (1999). quer sejam da saúde ou do meio ambiente. da Saúde e do Meio Ambiente que visava.3. uma reincorporação das questões do meio ambiente nas políticas de saúde e a integração dos objetivos da saúde ambiental numa ampla estratégia de desenvolvimento sustentável.) a separação conceitual. tabela 3. extrapolando os campos de conhecimento e demandando dos poderes públicos soluções que tenham como ponto de partida a interação dos conhecimentos anteriormente estabelecidos para estas ciências.. já apontava o distanciamento dos temas saúde e meio ambiente. É preciso.indd 181 15/4/2011 15:15:18 . mostrando que a dissociação destas áreas seria prejudicial tanto a uma quanto à outra. e até prática.) é a predominância de abordagens que tendem a restringir a saúde aos seus aspectos biológicos e o ambiente aos seus aspectos biofísicos..) as políticas e os movimentos ambientais se distanciaram dos temas relacionados à saúde.52. no desenvolvimento de políticas.. entre outros campos da nossa sociedade. salientando a necessidade imperiosa de ultrapassarmos a cisão entre estas áreas para não nos prendermos ao retrocesso que a falta deste diálogo causa na solução de problemas que afligem a sociedade em sua totalidade: “Não há dúvida de que os problemas relacionados à sustentabilidade ambiental e de saúde estão relacionadas ao processo histórico e social. como procuramos demonstrar. dez anos após a publicação do primeiro texto citado ocorre a 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (CNSA).

nutrição. Mede o risco que tem um nascido vivo de morrer antes de completar um ano de vida. A cada uma destas diretrizes.25 por mil nascidos vivos) até 2009 (12. e • Definição de prioridades visando a eliminação da exposição dos trabalhadores aos riscos ambientais. • Estabelecimento de uma política de saúde ambiental nas três esferas de governo. em parceria com as prefeituras. O Estado de São Paulo participou ativamente do processo de construção da 1ª CNSA com a realização da 1ª Conferência Estadual de Saúde Ambiental (CESA).48 por mil nascidos vivos).1 Mortalidade infantil A Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) – óbitos de menores de 1 ano por 1. especialmente em relação ao aprimoramento das medidas de assistência à gestação e ao parto. desta forma. ainda. que paute os investimentos. educação e também de assistência à saúde. 3. colocando na ordem do dia as lições preconizadas há mais de dez anos. para que. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente foi parte ativa neste processo deslocando recursos financeiros e humanos para a realização da conferência e. 182 35656001 miolo. saneamento. No Estado de São Paulo. atentando para as possíveis relações entre os fatores ambientais e a saúde. • Promoção de políticas públicas que combatam o aquecimento global. A redução é notada quando observamos (Tabela 3. tradicionalmente. indicando o esforço por parte do governo para a minoração do problema. • Priorização de políticas integradas de saúde e meio ambiente para recuperação e preservação de recursos hídricos. se mantenha. uma série de diretrizes e ações que apontam para a necessidade de uma maior articulação entre as áreas de saúde. e que mobilizou aproximadamente 2. fato que está ligado às condições de habitação. Os 98 delegados eleitos pela 1ª CESA levaram para a etapa nacional da conferência seis diretrizes. A 1ª CESA foi mais um passo na direção do estreitamento entre as políticas públicas de saúde e meio ambiente no Estado de São Paulo. aqui resumidas: • Garantia e aperfeiçoamento do controle social do Sistema Único de Saúde (SUS). verificou-se na última década uma queda acentuada da Taxa de Mortalidade Infantil. ao parto e ao recém-nascido. possa se iniciar um processo efetivo de construção de políticas públicas na área da saúde ambiental.indd 182 15/4/2011 15:15:18 . ainda. ações e programas (intersetoriais) para a área.000 pessoas.000 nascidos vivos – é considerada. A redução da TMI em São Paulo é ressaltada pelo fato da queda também ter ocorrido no índice de óbitos infantis. • Estabelecimento de estratégias de educação visando o desenvolvimento sustentável. A 1ª CNSA propôs. um decréscimo da ordem de 16% entre 2004 e 2009. indicando o acerto da política de saúde para a prevenção e queda das taxas de mortalidade nos períodos do pré e pós-natal. de meio ambiente e de infraestrutura. se relacionam duas ações estratégicas que possibilitam a implementação das mesmas. sendo coorganizadora junto à Secretaria de Estado da Saúde. na etapa estadual. período em que pudemos verificar um decréscimo de 12%. que indicavam o melhor caminho para o campo da saúde ambiental.8. principalmente ao pré-natal.Dentre os resultados da 1ª CNSA destaca-se a idéia da criação de uma Política Nacional de Saúde Ambiental.53) a evolução da TMI para o Estado de São Paulo desde 2004 (14. realizada no mês de outubro de 2009. como um dos mais sensíveis indicadores de saúde e também das condições socioeconômicas e ambientais da população. Para que a mortalidade infantil em São Paulo continue em redução gradativa e contínua é extremamente importante que o trabalho do Governo do Estado.

561 7.500 7.383 óbitos infantis 8.323 8.68 e 3. 68 núMero de óbitos inFantis no estado de são Paulo de 2004 a 2009 Número de óbitos infans 9. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: 1 – Nº de óbitos infantis/Nº de nascidos vivos*1000 As Figuras 3.28 13.323 8.48 Fonte: SEADE (2010c).804 619.561 7.949.786 7.139.487 40.000 6.024 7.470 tMi (1) 14.500 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: SEADE (2010c).653.776 39.633. 53 taxa de Mortalidade inFantil no estado de são Paulo de 2004 a 2009 estado de são Paulo 2004 2005 2006 2007 2008 2009 População residente 39.484.872 598.07 12. FiGura 3.672 41.933 8.69 mostram respectivamente a evolução do número de óbitos infantis e a Taxa de Mortalidade Infantil no Estado de São Paulo de 2004 a 2009.500 9.000 7. elaborado por SMA/CPLA (2010) 183 35656001 miolo.44 13.786 8.000 8.736 41.802 nascidos vivos 626.024 7.026 595.tabela 3.indd 183 15/4/2011 15:15:18 .933 8.25 13.029 40.500 8.107 604.56 12.326.470 7.509 601.

12 delas apresentam taxas menores que a TMI estadual.07 13.83 mortes por mil nascidos vivos respectivamente. 184 35656001 miolo.28 13.25 14.5 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: SEADE (2010c). 69 taxa de Mortalidade inFantil no estado de são Paulo de 2004 a 2009 Taxa de Mortalidade Infanl 14. que apresenta a menor taxa dentre todas as bacias (9.5 13.39 mortes por mil nascidos vivos).33 e 18.5 12.44 13.5 14.indd 184 15/4/2011 15:15:19 . com vistas a se alcançar uma situação mais equilibrada nesse indicador. Entre as que apresentam as maiores taxas merecem atenção as UGRHI 01 (Mantiqueira) e 07 (Baixada santista).0 12.56 12.0 13. são apresentados os valores da TMI para as 22 UGRHI do Estado de São Paulo em 2009. entre elas a UGRHI 04 (Pardo). elaborado por SMA/CPLA (2010) A seguir (Tabela 3. com 23.54).0 11. Destaca-se que das 22 UGRHI. ressaltando a necessidade de ações específicas para reduzir as diferenças das TMI inter-regionais.48 12.FiGura 3.

tabela 3. 54
taxa de Mortalidade inFantil Por uGrHi eM 2009
uGrHi

População residente

01 – Mantiqueira

nascidos vivos

óbitos infantis

tMi (1)

68.719

986

23

23,33

2.015.719

27.936

354

12,67

274.514

4.336

63

14,53

04 – Pardo

1.083.893

14.375

135

9,39

05 – Piracicaba/capivari/Jundiaí

5.041.586

68.918

745

10,81

02 – Paraíba do sul
03 – litoral norte

06 – alto tietê

19.750.628

306.577

3.780

12,33

07– baixada santista

1.687.096

24.222

456

18,83

08 – sapucaí/Grande

693.425

9.294

144

15,49

09 – Mogi-Guaçu

1.461.515

19.127

235

12,29

10 – sorocaba/Médio tietê

1.861.631

25.534

357

13,98

11 – ribeira de iguape/litoral sul

385.073

5.503

70

12,72

12 – baixo Pardo/Grande

331.989

4.445

46

10,35

1.511.834

19.035

227

11,93

746.704

10.372

161

15,52

1.242.827

14.757

158

10,71

16 – tietê/batalha

513.029

6.268

80

12,76

17 – Médio Paranapanema

683.485

9.132

102

11,17

18 – são José dos dourados

226.467

2.426

27

11,13

19 – baixo tietê

743.489

9.286

115

12,38

20 – aguapeí

365.476

4.323

61

14,11

21 – Peixe

462.940

5.373

64

11,91

22 – Pontal do Paranapanema

481.763

6.087

63

10,35

41.633.802

598.383

7.470

12,48

13 – tietê/Jacaré
14 – alto Paranapanema
15 – turvo/Grande

estado de são Paulo

Fonte: SEADE (2010c), elaborado por SMA/CPLA (2010)
Nota: 1 – Nº de óbitos infantis/Nº de nascidos vivos*1000

Para uma comparação mais abrangente, apresentamos a seguir (Tabela 3.55) dados sobre a taxa de mortalidade
no período pós neonatal10 de diversos países para o ano de 2009, disponibilizados na base de dados do Institute
for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington. Os dados possibilitam a comparação das taxas para 187 países e, por meio desta, vê-se que a situação paulista (65º lugar) para esta seleção,
se não é confortável quando comparada com outras nações mais desenvolvidas, tem um desempenho mediano
se comparado com países de número populacional similar, como a Colômbia (80º lugar) com uma população
de aproximadamente 44 milhões de habitantes e a Ucrânia (64º lugar) com uma população aproximada de 45
milhões de habitantes.

10 Compreende a relação entre os óbitos infantis do período de 28 a 364 dias de vida completos, ocorridos e registrados numa determinada unidade geográfica e período de tempo, e os nascidos vivos no mesmo período e localidade, segundo a fórmula: Taxa de Mortalidade Pós Neonatal = Óbitos Infantis
de 28 a 364 Dias/Nascidos Vivos*1000.

185

35656001 miolo.indd 185

15/4/2011 15:15:19

tabela 3. 55
Mortalidade no Período Pós neonatal eM diversos Países no ano de 2009
País

Mortalidade no período pós neonatal

1 - emirados árabes unidos

0,56

2 - itália

0,78

3 - islândia

0,80

4 - eslovênia

0,85

5 - Finlândia

0,86

6 - suécia

0,89

7 - chipre

0,91

8 - luxemburgo

0,91

9 - singapura

0,92

10 - Portugal

0,99

42 - chile

2,27

64 – ucrânia

3,72

65 - estado de são Paulo

3,81

69 - argentina

3,96

75 - uruguai

4,61

80 - colômbia

5,33

81 - venezuela

5,64

94 - Paraguai

7,61

101 - brasil

8,55

103 – Peru

8,58

116 - equador

11,47

135 - bolívia

17,59
Fonte: IHME (2010)

3.8.2 Mortalidade por doenças de veiculação hídrica
O modelo de crescimento econômico brasileiro tem gerado grandes concentrações de renda e de infraestrutura,
tendo como consequência, significativos segmentos da sociedade se distanciando de um nível de qualidade
de vida satisfatório, decorrendo, daí, a ocorrência de diversas doenças relacionadas ao saneamento ambiental
inadequado.
Alguns dos impactos causados na saúde humana pela poluição da água, bem como pelos efeitos de condições de
moradia inadequada e da falta de acesso aos serviços básicos de saneamento, sobretudo nas áreas metropolitanas,
podem levar a situações de descontrole sanitário, ocasionando surtos de doenças de veiculação hídrica.
No Estado de São Paulo, apesar dos avanços nos serviços de saneamento (abastecimento de água, coleta e
tratamento de esgotos sanitários, manejo de resíduos sólidos e drenagem de águas pluviais urbanas) observados
no Estado de São Paulo, a ocorrência de doenças de veiculação hídrica continua sendo um indicador indireto
da inexistência e/ou baixa eficiência destes serviços. Podemos observar na Tabela 3.57 e na Figura 3.71 que a
mortalidade por doenças de veiculação hídrica no Estado de São Paulo vêm se mantendo num mesmo nível
desde 2005.
Os dados de morbidade hospitalar oriundos do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Sistema Único
de Saúde (SUS), gerido pelo Ministério da Saúde (MS), em conjunto com as Secretarias Estaduais de Saúde e
as Secretarias Municipais de Saúde, têm se mostrado como a melhor fonte para se compreender a extensão do
problema (LIBANIO et al., 2005). Podemos observar na Tabela 3.56 e na Figura 3.70 que o valor gasto pelo

186

35656001 miolo.indd 186

15/4/2011 15:15:19

SUS com internações devido a doenças de veiculação hídrica no Estado de São Paulo em 2009, apresentou uma
leve queda em relação ao ano de 2006. Porém, vale ressaltar que de janeiro a novembro de 2010, o valor gasto já
tinha ultrapassado o montante de 2009 e somava pouco mais de R$ 13 milhões.
tabela 3. 56
Gasto de Morbidade coM doenças de veiculação Hídrica no estado de são Paulo de 2006 a 2009
doença

2006

2007

2008

2009

diarréia e gastroenterite

R$ 5.475.054,72

R$ 4.816.787,71

R$ 5.657.754,48

R$ 5.740.712,49

outras doenças inf. intestinais

R$ 5.196.663,73

R$ 4.804.257,97

R$ 3.129.188,76

R$ 3.058.389,36

leptospirose

R$ 354.198,05

R$ 430.109,84

R$ 423.223,38

R$ 517.853,21

Hepatite aguda b

R$ 137.685,41

R$ 128.660,48

R$ 333.271,20

R$ 162.453,24

outras hepatites virais

R$ 511.196,76

R$ 538.719,73

R$ 563.534,57

R$ 576.076,48

leishmaniose

R$ 119.141,75

R$ 108.628,97

R$ 168.283,73

R$ 143.279,74

esquistossomose

R$ 27.615,10

R$ 30.075,05

R$ 23.882,75

R$ 39.428,73

outras helmintíases

R$ 103.011,79

R$ 106.903,82

R$ 223.309,40

R$122.893,66

outras doenças inf. e parasitárias

R$3.136.072,70

R$ 3.166.198,79

R$ 2.476.604,92

R$ 2.150.102,93

r$15.060.640,01

r$14.130.342,36

r$ 12.999.053,19

r$12.511.189,84

total

Fonte: MS (2010), elaborado por SMA/CPLA (2010)
Nota: Valor total = Valor referente as Autorização de Internação Hospitalar (AIH) pagas no período, na unidade monetária da época.

FiGura 3. 70
evolução do Gasto de Morbidade coM doenças de veiculação Hídrica
no estado de são Paulo de 2006 a 2009

Gasto com morbidade de doenças de veículação hídrica
16,0
15,1

Milhões de Reais (R$)

15,0

14,1

14,0

13,0
13,0
12,5
12,0
11,0
10,0

2006

2007

2008

2009

Fonte: MS (2010), elaborado por SMA/CPLA (2010)

187

35656001 miolo.indd 187

15/4/2011 15:15:19

tabela 3. 57
Mortalidade Por doenças de veiculação Hídrica no estado de são Paulo de 2005 a 2009
doença

2005

2006

2007

2008

2009

diarréia e gastroenterite

587

727

660

664

504

outras doenças inf. intestinais

24

34

44

59

87

leptospirose

47

75

79

58

69

835

856

855

924

Hepatite viral

883

leishmaniose

14

16

13

23

17

esquistossomose

76

85

83

72

87

outras helmintíases

19

8

4

7

4

outras doenças inf. e parasitárias
total

266

280

259

267

261

1.916

2.060

1.998

2.005

1.953

Fonte: SEADE (2010c) e MS (2010), elaborado por SMA/CPLA (2010)

FiGura 3. 71
evolução da Mortalidade Por doenças de veiculação Hídrica no estado de são Paulo de 2005 a 2009

Mortalidade por doenças de veículação hídrica
2.100
2.060
2.050
1.998

2.005

2.000
1.953

1.950
1.916

1.900
1.850
1.800

2005

2006

2007

2008

2009

Fonte: SEADE (2010c) e MS (2010), elaborado por SMA/CPLA (2010)

3.8.3 Mortalidade por doenças do aparelho respiratório
Um dos efeitos da poluição atmosférica na saúde da população é o aumento de internações hospitalares por
doenças respiratórias em direta correlação com a queda da qualidade do ar. As alterações ocorridas no país e no
Estado de São Paulo nas últimas décadas do século XX e no início do século XXI forçou os sistemas de saúde e
de meio ambiente a repensarem a forma de gerir novos problemas, pois, segundo Caiaffa (2008):
(...) o impacto do surgimento das cidades contemporâneas nos últimos cinqüenta anos, tal como ocorreu anteriormente na Europa,
interligou-se à profunda mudança do perfil demográfico do país, com declínio do coeficiente de mortalidade geral, redução da mortalidade
infantil, aumento da expectativa de vida e conseqüente modificação do perfil epidemiológico. (...). Assim, de forma cosmopolita, o viver
na cidade pode ser benéfico, conhecido como a “vantagem do urbano”, ou pode ser nocivo, conhecido como a “penalidade do urbano”.
(...) Nesta direção, o conceito de saúde deveria incorporar o cotidiano dos indivíduos vivendo nas cidades, sob a ótica ampliada de que
o estudo individualizado dos fatores determinantes na saúde e suas conseqüências, antes reducionista, não pode ignorar as relações de
interdependência que existem entre o indivíduo e o meio físico, social e político onde ele vive e se insere.

188

35656001 miolo.indd 188

15/4/2011 15:15:20

O nível de poluentes atmosféricos, o número de internações hospitalares – morbidade – de crianças (aqui
compreendidas na faixa de menos de um ano a nove anos) e de idosos (na faixa etária de 60 anos ou mais),
os valores no orçamento da saúde pública gastos com o tratamento destas afecções e os óbitos decorrentes das
doenças respiratórias no Estado de São Paulo, serão tratados neste tópico. Vale ressaltar que os grupos etários
escolhidos (crianças e idosos) são os que apresentam maior suscetibilidade aos efeitos da poluição atmosférica
no aparelho respiratório (MARTINS, 2002).
A análise dos dados de internação para a faixa etária de menos de um ano a nove anos indica a manutenção do
que é visto há tempos: o aumento das internações coincide com os períodos em que a dispersão dos poluentes é
mais prejudicada (Outono, Inverno e início da Primavera), com a queda abrupta nos meses em que a temperatura
alcança valores mais altos, conforme indicam a Tabela 3.58 e a Figura 3.72, que apresentam o número de
internações ao longo de 2009 para duas das doenças do aparelho respiratório mais constatadas em crianças,
Pneumonia e Asma.

tabela 3. 58
núMero de internações HosPitalares Por doenças no aParelHo resPiratório no estado de são Paulo
eM 2009 (Faixa etária de Menos de 1 ano a 9 anos)
doença

Jan

Fev

Mar

abr

Mai

Jun

Jul

ago

set

out

nov

dez

Pneumonia

2.508

2.416

4.064

6.153

7.282

6.210

6.247

5.649

5.450

4.858

4.446

3.663

asma

500

594

1.129

1.146

1.215

1.047

915

765

875

743

748

692

Fonte: MS (2010), elaborado por SMA/CPLA (2010)

FiGura 3. 72
evolução do núMero de internações HosPitalares Por doenças no aParelHo resPiratório no estado
de são Paulo eM 2009 (Faixa etária de Menos de 1 ano a 9 anos)

Pneumonia

Asma

8.000
7.000
6.000
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
0

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Fonte: MS (2010), elaborado por SMA/CPLA (2010)

Ao exercer enorme pressão sobre os serviços de saúde estas duas afecções elevam igualmente os gastos de
internações. Vê-se, pelos dados levantados junto ao Ministério da Saúde (MS), que o aumento dos gastos é
constante para este grupo etário (Tabela 3.59).

189

35656001 miolo.indd 189

15/4/2011 15:15:21

59 Gasto de Morbidade Por doenças do aParelHo resPiratório no estado de são Paulo de 2006 a 2009 (Faixa etária de Menos de 1 ano a 9 anos) doença 2006 2007 2008 2009 Pneumonia e asma R$ 38.tabela 3.210.14 R$ 55.744.609. elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: Valor total = Valor referente as Autorização de Internação Hospitalar (AIH) pagas no período. 73 evolução da Mortalidade Por doenças do aParelHo resPiratório no estado de são Paulo de 2006 a 2009 (Faixa etária de Menos de 1 ano a 9 anos) Mortalidade por doenças do aparelho respiratório 900 828 800 755 700 657 650 600 500 2006 2007 2008 2009 Fonte SEADE (2010c) e MS (2010).indd 190 15/4/2011 15:15:21 .35 R$ 40. podemos notar uma queda nas mortes ocorridas por doenças no aparelho respiratório para faixa etária de menos de um ano a nove anos. 60 Mortalidade Por doenças do aParelHo resPiratório no estado de são Paulo de 2006 a 2009 (Faixa etária de Menos de 1 ano a 9 anos) doenças crônicas das vias aéreas inferiores restante de doenças do aparelho respiratório total 828 ano influenza (gripe) Pneumonia outras infecções agudas das vias aéreas inferiores 2006 1 523 57 25 222 2007 1 493 47 25 189 755 2008 0 417 60 23 157 657 2009 52 427 6 26 139 650 Fonte SEADE (2010c) e MS (2010).73. da ordem de 21% entre os anos de 2006 e 2009.106.60 e pela Figura 3. tabela 3.986. Pela Tabela 3. na unidade monetária da época.490. elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3.33 Fonte: MS (2010).323.881. elaborado por SMA/CPLA (2010) 190 35656001 miolo.86 R$ 46.

Bronquite. 191 35656001 miolo.770. quer seja de gastos com internações ou de mortalidade por doenças respiratórias. para algumas das doenças mais constatadas em idosos.28 R$ 78. elaborado por SMA/CPLA (2010) Quando analisamos os custos de morbidade para um grupo de doenças respiratórias agravadas pela poluição atmosférica.indd 191 15/4/2011 15:15:21 .485.72 R$ 61. na unidade monetária da época.780. 2004).011 60. percebe-se uma elevação nos números. aliado à forte correlação entre a mortalidade de idosos e as doenças do aparelho respiratório (DAUMAS. demonstra cabalmente como tem sido afetada a saúde da população idosa por conta da poluição atmosférica. a partir disso. O crescimento dos gastos.988 66.154 56. FiGura 3.000 64. 74 evolução do núMero de internações HosPitalares Por doenças no aParelHo resPiratório no estado de são Paulo eM 2009 (Faixa etária de 60 anos ou Mais) Pneumonia. assim como a do número internações hospitalares. enfisema e outras doenças pulmonares crônicas e outras doenças do aparelho respiratório 2006 2007 2008 2009 R$ 42. A Figura 3. é constante.74 mostra.61 que segue.000 61. a evolução do número de internações por doenças do aparelho respiratório na última década. de 2001 para 2009.786.72 Fonte: MS (2010).000 62. percebemos a necessidade premente de se traçar uma estratégia conjunta entre ações que permeiem tanto a área da saúde como a de meio ambiente. bronquite. O aumento de 15% no numero de internações.45 R$ 52.115.488. acabamos também estimando o impacto econômico da poluição do ar na saúde da parcela da população estudada e.044. demonstra que ações que incorram na diminuição destes índices devem ser tomadas com a máxima urgência.727. Esse fato.000 58. 61 Gasto de Morbidade Por doenças do aParelHo resPiratório no estado de são Paulo de 2006 a 2009 (Faixa etária de 60 anos ou Mais) doença Pneumonia. e pode ser visto na Tabela 3.Ao abordarmos a outra faixa etária (60 anos ou mais) que é agredida de forma mais severa pela poluição atmosférica.000 65.000 57. tabela 3. Enfisema e outras doenças pulmonares crônicas e outras doenças do aparelho respiratório 68.000 2001 2005 2009 Fonte: MS (2010). elaborado por SMA/CPLA (2010) Nota: Valor total = Valor referente as Autorização de Internação Hospitalar (AIH) pagas no período.

principalmente se pensarmos no processo de transição demográfica pelo qual o Estado de São Paulo passará.807 21.348 33 7.  2008. T.089 2007 21 10. Brasília. 2010. Ciênc.153 24.448 13 8.  n. elaborado por SMA/CPLA (2010) FiGura 3.468 2009 52 13.141 21. onde. referências CAIAFFA.287 2.75 mostram a evolução da mortalidade por doenças do aparelho respiratório em idosos. tabela 3.  v.089 20.004 21.828 3. está previsto para suas populações mais idosas ultrapassarem as mais jovens.000 21.000 23. 62 Mortalidade Por doenças do aParelHo resPiratório no estado de são Paulo de 2006 a 2009 (Faixa etária de 60 anos ou Mais) ano influenza (gripe) Pneumonia outras infecções agudas das vias aéreas inferiores doenças crônicas das vias aéreas inferiores restante de doenças do aparelho respiratório total 2006 8 9. 75 evolução da Mortalidade Por doenças do aParelHo resPiratório no estado de são Paulo de 2006 a 2009 (Faixa etária de 60 anos ou Mais) Mortalidade por doenças do aparelho respiratório 25.807 2008 10 11.000 21.479 3. Resumo Executivo da 1° Conferência Nacional de Saúde Ambiental.000 24. que hoje sorri e amanhã te devora”.000 22. elaborado por SMA/CPLA (2010) O aumento de 16% no número de óbitos de idosos verificado no período indica uma situação preocupante.000 2006 2007 2008 2009 Fonte SEADE (2010c) e MS (2010).468 22. dez. W. de 2006 a 2009.  Rio de Janeiro. 13.403 11 8.indd 192 15/4/2011 15:15:22 . et al . merecendo maior atenção por parte do poder público.953 22.203 15 8. 6.62 e a Figura 3. 192 35656001 miolo. CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE AMBIENTAL – CNSA.A Tabela 3. Saúde urbana: “a cidade é uma estranha senhora.414 24.368 3. saúde coletiva.414 Fonte SEADE (2010c) e MS (2010). a partir de 2025.

Acesso em: dez. NASCIMENTO. C. Saúde e meio ambiente nas cidades: os desafios da saúde ambiental. C. Eng. A. 2010. C. Poluição do ar e mortalidade em idosos no Município do Rio de Janeiro: análise de série temporal. fev. A. Acesso em: jan. Saúde. Sanitária e Ambiental. 2010.healthmetricsandevaluation.  Rio de Janeiro. LIBANIO. 2011. M. de saneamento e de saúde pública. FREITAS. 193 35656001 miolo. 2010. A. L. N. Disponível em: <http://www. 36. 10.DAUMAS. L. Saúde e Sociedade.  n.php?script=sci_arttext&pid=S0104-901999000100005&lng=pt&nrm=iso>. 3. Acesso em:  jan. 2006. 1. C. PORTO.sp.2011.scielo. set. LEON.  n. Disponível em: <http://www. Saúde Pública.2010.seade. et al . CHERNICHARO.org/data/2010/child_mortality/child_mortality_IHME_0610.  v.  São Paulo.br>.br>. Poluição atmosférica e atendimentos por pneumonia e gripe em São Paulo. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ.  Rio de Janeiro. MARTINS.  2004. P. Brasil. Disponível em <http://www. GOUVEIA.  2002 .F. O. Informações dos Municípios Paulistas. P. A dimensão da qualidade de água: avaliação da relação entre indicadores sociais. Disponível em <http://www. FUNDAÇÃO SISTEMA ESTADUAL DE ANÁLISE DE DADOS – SEADE. 1.datasus. Informações de Saúde. N. fev. MENDONCA.M. S. G. Saúde Pública. de disponibilidade hídrica.  São Paulo.  v. ambiente e sustentabilidade. 2010c.  v. 1.indd 193 15/4/2011 15:15:22 . Cad. fev. INSTITUTE FOR HEALTH METRICS AND EVALUATION – IHME.br/scielo. Acesso em: dez.  n.  2005.   MINISTÉRIO DA SAÚDE – MS.  v. 20.gov. P. R.  1999. A.  n.xls>. Rev. 8.gov.

194 35656001 miolo.indd 194 15/4/2011 15:15:22 .

4 visões ambientais 35656001 miolo.indd 195 15/4/2011 15:15:22 .

indd 196 15/4/2011 15:15:22 .196 35656001 miolo.

iniciarmos a construção de um Estado mais sofisticado. e em especial de sua mega biodiversidade. no que diz respeito à busca pela sustentabilidade e ao aquecimento global. analisando possíveis processos de produção industrial a partir do cultivo da cana-de-açúcar. social e ambiental. E. etanol e geração de energia. por força de consequência. além dos até aqui já praticados açúcar. também no Estado de São Paulo. um instrumento na busca pela segurança alimentar. têm como objetivo analisar como a iniciativa de alterar o Código Florestal brasileiro. muito menos do Governo do Estado de São Paulo. bioenergia e biotecnologia”. poderá se tornar. O terceiro texto trata sobre os “Desafios para São Paulo: biodiversidade. O primeiro e o segundo texto intitulados respectivamente de “O fortalecimento da segurança alimentar e ambiental no Estado de São Paulo na concepção do novo Código Florestal brasileiro” e “O Código Florestal tem base científica?”. com infinitamente maior e melhor escolaridade e capaz de prover de respostas satisfatórias suas populações mais bem formadas e. É importante ressaltar que os textos são assinados por especialistas dentro de cada área específica abordada e representam somente a opinião destes. uma lei estruturante dos esforços do País pela conservação de seus recursos naturais. 197 35656001 miolo. no ano de 2025. não refletindo a posição desta Secretaria do Meio Ambiente. o qual verá. abordando aspectos referentes ao modelo de desenvolvimento do Estado quanto à proteção de sua biodiversidade e à composição de sua matriz energética.indd 197 15/4/2011 15:15:22 . por fim. desde já. que trata da inversão da realidade demográfica do Estado. fazendo ampla a sua atuação por uma melhor qualidade da vida da população. mais exigentes. impondo a necessidade de. O quarto texto discorre sobre “A Alcoolquímica no cenário futuro da cana-de-açúcar”.Neste capítulo são apresentados cinco textos analíticos. o quinto texto aborda o tema “Transição demográfica e envelhecimento populacional no Estado de São Paulo”. Trata-se de reflexões acerca de temas estratégicos que buscam apre ender as relações entre desenvolvimento e meio ambiente no Estado de São Paulo. suas populações mais idosas ultrapassarem as mais jovens.

sd). integrar e divulgar as informações existentes de forma útil e capaz de ser apropriada por parte dos tomadores de decisão e da sociedade. Aparentemente uma obviedade. pesquisador científico do Instituto de Economia Agrícola (IEA). até oferta de alimentos e segu- 11 Engenheiro agrônomo. deve focar-se em análises científicas. mas a sistematizar. abrangendo não apenas aspectos biológicos. políticos e sociológicos. e que lhe conferem um caráter mais abrangente do que as tradicionais. deve ser alvo de ampla consulta e participação da população. seja como resolvê-las ou pelo menos equacioná-las. esse processo. raramente observada. E. avaliar. Ao envolver mais de uma milhar de cientistas de quase uma centena de países criou-se um foro privilegiado para o desenvolvimento das avaliações e discussões de alternativas para o futuro do mundo e de humanidade. A metodologia da AEM é inovadora em vários aspectos. sem esquecer os simbólicos. que foi proposta à Assembléia Geral da ONU em 2000. A AEM veio suprir uma necessidade metodológica. porém. além de históricos. atendendo a interesses de grupos articulados politicamente. ambientais e agronômicos. no caso da agropecuária e do meio rural. regulação climática e estética. culturais. notadamente dos setores mais diretamente envolvidos pela norma que se pretende criar ou alterar. seja quanto às questões por ela enfrentadas. Para que se possam solucionar problemas. Essa base teórica. A par desse pano de fundo. Parte da legislação é feita sem cumprir essa premissa e acaba produzindo leis que prejudicam aqueles que teoricamente deveriam ser favorecidos. outra condição absolutamente necessária. Primeiro. são necessários um arcabouço teórico consistente e uma base sócio política estabilizada e democrática. a avaliação ecossistêmica do Milênio (aeM) Atualmente as análises envolvendo a agropecuária. interpretar. 198 35656001 miolo.4. porque foca sua avaliação nos bens e serviços dos ecossistemas. Como bens e serviços ambientais incluem-se desde a água. enfim.1 o fortalecimento da segurança alimentar e ambiental no estado de são Paulo na concepção do novo código Florestal brasileiro eduardo Pires castanho Filho11 ambiente institucional e científico A agropecuária desde sempre provoca reflexões às vezes apaixonadas. Esse instrumental complexo precisa converter-se em ferramentas operacionais que dêem sentido às propostas e as convertam em ações capazes de viabilizar a vontade pretensamente expressa nas normas legais. já que os fundamentos de qualquer atividade estão na Lei.indd 198 15/4/2011 15:15:22 . mas distantes da problemática que pretenderam regulamentar. sintetizar. com o objetivo de “avaliar as consequências que as mudanças nos ecossistemas trazem para o bem-estar humano e as bases científicas das ações necessárias para melhorar a preservação e uso sustentável desses ecossistemas e sua contribuição ao bem-estar humano”. Mudanças preconizadas nos marcos regulatórios devem passar por alteração legislativa. derivam da Avaliação Ecossistêmica do Milênio (VICTOR. toda a “superestrutura”. diz respeito ao instrumental conceitual que embasa as discussões que desembocam na elaboração de normas legais e de políticas públicas. jurídicos e psicológicos. justamente onde se situa a interface do meio ambiente com o bem-estar da humanidade. mas também econômicos. ainda que não tenha se proposto a gerar conhecimentos primários.

promovam a revitalização dos serviços dos ecossistemas através da sua complexificação. em termos de diretrizes políticas. dispersão de sementes. cultural e espiritual. é necessário promover aquelas que possibilitem um maior rendimento das culturas sem impactos negativos e. agropecuária paulista e seus serviços Focando a análise no Estado de São Paulo. o que dificultava a manutenção dos seus ecossistemas. Um dos principais problemas apontados pela AEM revelou a ausência de mecanismos de mercado para uma série de serviços. enfatizando que não existe um serviço mais importante do que outro: todos são igualmente imprescindíveis para o atendimento do que o estudo se propôs. também. (Victor. tanto quanto a questão climática. 3) Serviços de regulação : seqüestro de carbono e regulação climática. o que refletiu uma realidade preocupante. bem como o turismo e a recreação. 2010). água. 199 35656001 miolo. As produções madeireiras e de fibras. portanto. Isso significa. conseqüência lógica. controle biológico de pragas e doenças. caça. 60% dos tipos de serviços avaliados apresentaram graus variados de degradação. culturas agropecuárias. as regulações de doenças e de água. carecem de condições econômicas mínimas de sustentação. É óbvio que novas posturas sociais e comportamentais. assim. os ecossistemas provedores desses atributos precisam igualmente ser perpetuados. resíduos de decomposição e desintoxicação. Dentre os serviços que apresentaram ganhos encontravam-se a agricultura. alimentos selvagens e especiarias). mantinham-se ora com ganhos ora com perdas. princípios ativos. Quanto à tecnologia. que os agroecossistemas devem ser mantidos e melhorados e que os ecossistemas que se apresentaram deteriorados precisam ter prioridade na sua melhoria. Num primeiro momento. Será preciso também que as instituições envolvidas busquem maior transparência e prestação de contas sobre o desempenho do governo e do setor privado quanto aos objetivos perseguidos. descobertas científicas. Todos os demais apresentavam algum grau de degradação. purificação e regularização fluxos de água e ar. experiências recreativas (incluindo o ecoturismo). E. recursos genéticos. 12 De acordo com a AEM os serviços ambientais podem ser classificados em quatro blocos: 1) Serviços de abastecimento ou provisão: alimentar (incluindo frutos do mar. de modo que todos os fatores que condicionam a vida humana na Terra devem ser analisados12. notadamente a Legislação Florestal. a pecuária. assegurar a manutenção e melhoria dos serviços comuns fazendo a articulação entre os benefícios sociais e o mercado. reservatório de material genético. controle de erosão e sedimentação. 2) Serviços de suporte: intemperismo de rochas e formação de solos. polinização de culturas. e todos dependem da perpetuação de seus respectivos ecossistemas. já que vários dos serviços listados têm até uma importância reconhecida pela população. 4) Serviços culturais: inspiração intelectual. No balanço encerrado em 2005. que requer esforços para reverter o quadro apresentado. energia (hídrica. o principal foco desse estudo foi quais os benefícios que as pessoas obtêm dos ecossistemas. como mudanças nos padrões de consumo.rança alimentar. Assim. combustíveis de biomassa). que possui um foro específico. a presença do Estado é indispensável para realocar recursos da sociedade criando e viabilizando mercados não existentes e. ciclagem e dispersão de nutrientes. são desejáveis e isso deve fazer parte de políticas de comunicação e educação. para que os serviços ambientais sejam preservados. percebem-se algumas tendências na agropecuária que podem ajudar na proposição de políticas públicas ecossistêmicas e subsidiar a legislação pertinente.indd 199 15/4/2011 15:15:22 . porém. a aquicultura e o sequestro de CO2. produção primária. integrando grupos dependentes dos serviços dos ecossistemas.

conviverá com uma redução contínua de sua população residente e da força de trabalho. produzir com o máximo aproveitamento possível dos insumos. desde que haja uma legislação que os estimule. que encontrará a principal barreira na relativa escassez de fertilizantes. Novas tecnologias sustentáveis proporcionarão um aumento da agricultura periurbana e uma integração dos agronegócios. reduzindo custos e aumentando a produtividade. representados pelos bens e serviços ecossistêmicos derivados do aumento das “áreas naturais”. ou até mesmo no ambiente urbano. há necessidade de incorporar conceitos novos sobre o papel dos diversos ecossistemas nos processos de atendimento das necessidades humanas. dos pontos de vista econômico. que são básicas para a obtenção de um produto de qualidade e ambientalmente adequado. a produção deverá continuar crescendo em face do aumento da produtividade. agropecuária e terras urbanas têm cada uma seu papel no desenvolvimento. orgânicos ou isentos de agrotóxicos e os mercados a eles associados crescem a taxas explosivas. Ou seja. que por sua vez. Na produção agropecuária e nas cadeias dos agronegócios que lhes são inerentes. a chamada “complexificação” dos agroecossistemas em busca de especialização regional. assim. algo que.Os censos agropecuários indicam claramente uma redução no tamanho das propriedades/unidades produtivas (Ppdds/UPAs) e também da área total dedicada às atividades agropecuárias. É importante ter muita clareza sobre a convivência entre os vários tipos de uso do solo e os serviços que podem ser gerados de forma harmônica e duradoura. Da complexidade de uma floresta intacta à simplificação de uma monoculltura. todo processo de produção deve estar em perfeita sintonia com essas condições. conservar e melhorar a quantidade e a qualidade dos recursos ambientais existentes na propriedade. e essa deve ser a espinha dorsal das mudanças no Código Florestal. poupando energia e matérias primas. maior é a demanda por produtos naturais. surgirão novas oportunidades de investimentos no meio rural. como particularmente é o caso da política ambiental. Florestas intactas. Ao lado disso. a cada dia que passa. levando a que determinadas políticas tenham que ser feitas para conjuntos de Ppdds/UPAs e não para cada uma isoladamente. reciclando. manter. tanto pela complexidade das normas quanto pelos custos acarretados no seu cumprimento. existe toda uma gama de serviços prestados à sociedade cada um com sua importância. social e ambiental. os procedimentos são semelhantes e. As exigências burocráticas das legislações sanitária. fiscal e ambiental também contribuem para que os pequenos e médios produtores se afastem da administração direta de seus negócios. Concomitantemente. A agropecuária deverá voltar-se cada vez mais para nichos de mercado e recorrer às certificações de produtos e processos produtivos. aproveitando sub produtos. trabalhista. É importante verificar que independentemente do que de fato possa acontecer. silvicultura. demandará maior qualificação e treinamento contínuo. pastagens degradadas. cada vez menos permitirão produzir competitivamente.indd 200 15/4/2011 15:15:22 . águas poluídas. Esses tipos de produção aproximam. esses dois papéis modernos do espaço rural e podem proporcionar uma solução importante na questão do emprego. áreas sem um mínimo de cobertura florestal. 200 35656001 miolo. o que qualquer legislação que vise a sustentabilidade precisa levar em conta. enfatizase. Não há produção eficiente. No entanto. Na realidade esses processos são basicamente aqueles empregados pelos programas de qualidade. Esse fenômeno da redução de tamanho teve como uma das consequências um acréscimo nos custos administrativos. se a base sobre a qual ela se assenta não é adequada: solos erodidos. Ao mesmo tempo. Dessa forma os processos têm que começar por preservar. via mercado. cursos d’água assoreados. sem desperdícios. através de novos “produtos”. adotando cada vez mais o conceito de multifuncionalidade. tem que ser refletido na legislação setorial. o que tem levado muitos proprietários/ produtores rurais a optarem por associações do tipo parceria ou mesmo pelo arrendamento de suas terras para grandes grupos agroindustriais. entendidos como processo que vai desde o suprimento à produção até o consumidor final.

portanto. O “consumo” de água pelas plantas é igual à evapotranspiração que é. no entanto. maiores benefícios sociais. capazes de produzir uma gama maior de serviços ecossistêmicos. acarreta um custo financeiro inicial maior. biosfera e litosfera. São os casos da produção e consumo de água pelas atividades agropecuárias e da sua participação num suposto aquecimento do planeta. numa primeira instância. conservação de solo. em síntese. assim como varia a quantidade de água necessária para produzir certa quantidade de qualquer produto. no prazo de alguns dias. proteção da biodiversidade. desprovidas de conhecimento técnico setorial. atividades científicas. É possível aquilatar tanto os consumos como a necessidade de água para formar um quilo de alguns produtos. Tomem-se dois exemplos que são usados constantemente para justificar posturas auto proclamadas como ambientalistas e que vilanizam sistematicamente a agropecuária. fazer como algumas manifestações fazem contra a agricultura. impõe a busca de alternativas de postos de trabalho nos setores que tecnologicamente ainda são absorvedores de mão de obra. a quantidade de água necessária para as culturas crescerem de forma otimizada e varia de espécie para espécie. estocagem de carbono. Aliado a isso. insumos energéticos. que a produção agropecuária tradicional migre de produtos baseados em agroecossistemas muito simplificados para outros de maior complexidade. fato que. líquido ou sólido. pode ser considerada uma desonestidade intelectual. dentro dessa nova visão. distorções científicas e técnicas – água e aquecimento Estas considerações se fazem necessárias para esclarecer certos absurdos técnicos que são veiculados de forma muitas vezes leviana e que distorcem a imagem da agropecuária perante as camadas urbanas da população. A geração de empregos rurais pode se dar tanto pela produção de bens (alimentos. Verifica-se que a água disponível para utilização fora da evapotranspiração é de perto de 10% da precipitação do local. portanto. desconsiderando seu papel ecossistêmico. visando racionalizar inclusive a economia setorial e estabelecer políticas que tenham o cunho de atendimento das necessidades da sociedade. É nesse momento que esse diferencial deverá ser objeto de políticas do Poder Público visando financiar a transição e garantir sua continuidade. aponta atualmente para o rural. deve ser cada vez mais utilizada. O ciclo hidrológico descreve o movimento da água na atmosfera. Assim. estabilização de encostas.indd 201 15/4/2011 15:15:22 .A expectativa é. A pluralidade de leis regulando aspectos específicos das atividades agropecuárias dão uma idéia da necessidade que existe de se absorver os conceitos de serviços ecossistêmicos. matérias primas industriais). Uma das representações do ciclo hidrológico é feita pela equação de balanço hídrico. O processo é bastante influenciado pela energia do sol e pela gravidade. por que não existe possibilidade disso ser intermediado pelos mecanismos de mercado existentes. a eliminação de subsídios que promovem o uso excessivo dos serviços de alguns ecossistemas e a transferência desses subsídios para o pagamento de serviços não comercializáveis. onde a precipitação é distribuída em evapotranspiração. bem como a demanda de água por hectare e por ano para cada um. dizendo que sem suas atividades a produção de água seria igual à precipitação. a tendência estrutural de aumento geral do desemprego. fornecidos por eles. aliada ao uso intensificado de ferramentas econômicas e abordagens baseadas no mercado para a gestão dos serviços dos ecossistemas. recarga de água subterrânea e mudança no estoque de água do solo. Ora. Fazendo-se as devidas comparações fica evidente que as atividades agrope- 201 35656001 miolo. educativas e recreativas). como gás. São questões técnicas tratadas de modo superficial e que chegam a conclusões incorretas e por vezes inverídicas. como pela prestação de serviços ambientais (melhoria da produção de água. fibras. deflúvio. turismo. Esse processo.

O próprio desmatamento. quando num ecossistema florestal essa quantidade fica ao redor de 4milhões de litros. Atribuir à agricultura e à pecuária parcela de responsabilidade pela emissão de gases efeito-estufa é desconhecer completamente como se processam essas atividades. Por outro lado. transitando de ecossistemas simples para os de maior complexidade. mais equilibrado e mais sustentável. evidentemente que dentro de certos limites. e. A diferença é que estes últimos perenizam os fluxos hidrológicos e mantém as reservas subterrâneas intactas ou mesmo crescentes: daí decorre a tão propalada e necessária proteção aos mananciais com ecossistemas florestais. o aumento de produtividade das pastagens. portanto. apenas as florestas nativas tem capacidade de fornecer bens e serviços “bons”. não são levadas em consideração e mesmo o metano que já foi 21 vezes mais “nocivo” que o CO2. 202 35656001 miolo. decorrente de uma ideologização dos problemas oriundos da separação histórica rural-urbana. As culturas irrigadas. que é feita por elas. O efeito estufa. que come comida de humano. através das pirâmides energéticas e seus níveis tróficos. juntamente com os oceanos. as discussões que atualmente tem por objeto as atividades agropecuárias nem de longe consideram o papel ecossistêmico dessas atividades. levando em conta todos os processos descritos nos esquemas do ciclo hidrológico. aumenta a capacidade da Terra em absorver esses gases transformando-os em tecidos vivos (CASTANHO. O que é importante reter é que não se pode consumir água além do deflúvio ou dos escoamentos. gerando uma visão fragmentada e antagônica da realidade. Esse é um exemplo didático da integração que existe entre serviços ecossistêmicos e necessidade de criarem-se condições de mercado para alguns deles. portanto. neutras nesse aspecto. Por esse prisma pouco científico. a adoção de técnicas sustentáveis pela agropecuária. Colocar os efeitos de queimadas. formador de tecidos vegetal e animal- formador da vida. A pecuária. as atividades humanas são “nocivas” por princípio e precisam ser duramente combatidas ou mesmo eliminadas. Da mesma forma desinformação e alarmismo induzem a colocar a agropecuária como responsável por parte crescente de um aquecimento global. o que fornece uma “sobra” de mais de 12 milhões de litros/ha/ano. o incremento das áreas florestais. tem o CO2 como um agente fundamental. O crescimento das pastagens e a estocagem de carbono. maior concentração de CO2 contribui para aumentar a produtividade primária nas cadeias tróficas. esse volume é maior do que em ecossistemas florestais. por exemplo. no mínimo. dependendo da fonte de informação. a proteção da biodiversidade e assim por diante. depois de passar por 6 vezes. Além do mais. O consumo superior à disponibilidade é a causa fundamental da “escassez” de água. 2009). precisam ser muito bem dimensionadas e gerenciadas para não consumirem todo esse excedente. e seu teor diminui na atmosfera. melhor performance carbônica do que àquele que come comida de gado e vive nos pastos. já que para se “fazer” um quilo de carne seriam necessários de 8 a 15 mil litros. sem que haja queima. como por exemplo. principalmente do meio rural. leviano. que na visão de alguns seria a grande vilã quanto ao consumo de água. A agricultura como agente desse processo. Por essa visão. não pode expelir mais carbono do que consome. para que exista abastecimento de água para outros fins.indd 202 15/4/2011 15:15:22 . já que as florestas nativas intactas estão em homeostase e. no mais das vezes criminosas. diferentemente do que se propaga. visto que a demanda de sua população é maior do que a capacidade de suas próprias bacias produzirem para o seu abastecimento hídrico. é evidente que as atividades agrosilvopastoris são as grandes responsáveis pela absorção do CO2 atmosférico na parte sólida da crosta terrestre. porém. não contribui para um eventual aumento do teor de CO2 na atmosfera. que precisa “importar” o líquido de bacias hidrográficas mais distantes. Dessa forma. A eliminação dos desmatamentos e das queimadas. dada sua baixa produtividade: 120 kg/ha/ano. fenômeno natural e produzido pela História da Terra. hoje é 4. na Grande São Paulo. pois integra o ciclo. como emissão de gases estufa pela pecuária é. acaba sendo a grande produtora de água do meio rural. são compromissos que devem ser assumidos porque apontam para um mundo melhor. é só ver o caso do metano: há quem atribua ao gado estabulado. E se desconhece mesmo.cuárias geram um deflúvio ou escoamento que “produz” o volume de água que é utilizado em outras atividades e.

impondo- se- lhe medidas restritivas e mesmo coercitivas sem base científica. onde a maior parte dos que são regidos por ele estão na “ilegalidade”. e assim por diante. além de absorvedora de carbono. 203 35656001 miolo. as mudanças no código Florestal brasileiro Percebe-se. eivada de uma carga de “ismos” e desqualificações de lado a lado que só leva ao impasse e ao crescimento de animosidades. se configura num aumento de biodiversidade. o projeto técnico.Está-se criando inclusive uma xenofobiologia. com as bacias hidrográficas e os biomas como focos de análise. Além disso. sociais e econômicos. Não se pode permanecer como atualmente. Assim. na contra mão do que é preconizado pela AEM. pelo visto. Para haver uma legislação efetiva. sobre quem recairiam os custos da produção desses serviços. aqui no Brasil. devem-se incorporar novos conceitos gestados à luz da ciência. qualquer introdução de novas espécies. muito menos resolver a questão ambiental brasileira no que tange ao espaço rural. Cada ecossistema merece tratamento específico. são levados em consideração e muito menos incorporados à legislação quando se debatem mudanças que deveriam estar protegendo os ecossistemas brasileiros. nesse mesmo espaço coexistem desde ecossistemas complexos e intocados. portanto. a discussão travada. Tais conceitos auxiliariam a resolver os problemas políticos que emergem das responsabilidades de cada agente no processo: os vários tipos de serviços ecossistêmicos prestados e suas gradações sociais. executada com rigor técnico. acaba sendo ignorada quando se discutem legislações para o setor. passa longe disso. Obstar sua mudança não vai modificar essa situação.indd 203 15/4/2011 15:15:22 . perdendo oportunidade única de colocar a questão em patamares mais modernos e científicos. para cada caso. Essa Lei ordena relações que se dão no mesmo espaço físico. Nenhuma incorporação dos avanços da ciência ocorridos nessas quase cinco décadas. deve ser o instrumento. como os derivados da AEM. que deve estabelecer formas de pagamento pelos serviços ecossistêmicos prestados à sociedade e não como é atualmente onde se propõe penalizar o produtor do serviço. para isso. por excelência da Lei. Em qualquer avaliação ambiental a unidade de análise e intervenção é o ecossistema. Tratar adequadamente esses novos conceitos é o real desafio para os que querem que o Código Florestal atinja seus objetivos ambientais. Para que isso aconteça seria preciso discutir os vários tipos de produtos e serviços derivados dos diferentes ecossistemas e como adequá-los à sustentabilidade e. onde tudo que é exótico é ruim e deve ser combatido. prevendo revisões periódicas para incorporar avanços posteriores. como os relatados nas análises anteriores. que enquanto as demandas ambientais mundiais focam em assuntos como mudanças climáticas. descarbonização dos modelos econômicos e outros conceitos além de apenas o PIB para medir desenvolvimento. Se uma lei em vigor há mais de 45 anos não conseguiu conter a devastação. Continuam aferrados a um texto produzido nos idos de 1965. e o princípio mais básico o da manutenção da diversidade. não se dando conta que. porque sua manutenção conseguiria? No entanto. o instrumental oferecido pela AEM é precioso. Agropecuária como reguladora do clima e dos fluxos hidrológicos. até ecossistemas degradados que precisam ser alvo de políticas públicas específicas. ainda se discutem alterações do Código Florestal Brasileiro com conceitos de 45 anos atrás. que são públicos e que deveriam também ser valorados e remunerados. onde convivem a produção privada para o mercado e a produção de outros serviços ecossistêmicos. As vertentes contra ou favoráveis às alterações na legislação dizem querer uma produção sustentável.

tal como formulada atualmente. Na concepção original do Código. que era de 8. à área de preservação permanente existente no Estado de São Paulo. locacionais. pela exploração técnica e pelo tipo de cultura que é feita. além obviamente do tamanho: físicos. Pelo contrário. de 2.indd 204 15/4/2011 15:15:22 .07 milhões de hectares em 2008. 56% da riqueza gerada pela agropecuária paulista em 2008. implicando na redução da área agropecuária paulista (lavouras. Fazendo-se uma hipotética evolução para 30 anos. além disso. intensifica a endogamia em áreas pequenas e confinadas. acumulando quantias semelhantes por ano até que se chegasse ao ponto desejado. que em 2008. No último ano e a partir daí. pela sua rentabilidade.5 a 3% do valor atual da produção agropecuária estadual. climáticos. volume perfeitamente absorvível pelo atual sistema de impostos vigente no Estado. principalmente no Estado de São Paulo. 204 35656001 miolo. grosso modo. Assim. discrimina indivíduos.00/hectare.000. remetendo inclusive a funções estipuladas na Constituição. ou seja. porque ao estabelecer um percentual fixo por propriedade para reserva florestal.5 milhões são ocupados com florestas de propriedade privada. Hoje na legislação os aspectos mais controversos dizem respeito a dois conceitos: Área de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL). históricos. se aplicada como está. Estimativas dos impactos podem ser feitas pelo valor médio da produção por unidade de área. Além disso. A área para recomposição da reserva legal equivale a mais da metade de toda área estadual ocupada com pastagens. quase 2. 2009). Desses 20. a MP. biológicos.5 milhões de hectares para 16. correspondendo.Uma forma de dar início a uma política pública de pagamentos por serviços ecossistêmicos seria utilizar valores baseados no custo de oportunidade médio das terras do Estado. haveria uma estabilização em torno de R$ 1 bilhão anuais. que somados aos custos da recomposição que demandarão no mínimo mais R$ 16 bilhões. ao pretender tratar igualmente coisas que são absolutamente desiguais. técnica. ao determinar um percentual fixo em cada propriedade. a redução da renda agropecuária bruta paulista atingiria o montante de mais de R$ 8 bilhões. que são imperativas do Poder Público (CASTANHO. se constitui numa anomalia jurídica e. sendo 2 milhões relativas às matas ciliares e meio milhão aos terrenos inclinados e topos de morro. esse dispêndio estaria ao redor de R$ 37 milhões no primeiro ano.5 milhões de hectares. houve uma mudança substancial. criando-se dois tipos de florestas de proteção dentro de uma mesma propriedade. Tais conceituações deveriam indicar que o tamanho de uma reserva florestal deveria ser de um percentual fixo por propriedade. fossem alcançados. atingiriam R$ 24 bilhões. não se baseou em nenhuma avaliação lastreada em conceitos científicos ou técnicos. além de vários outros aspectos. que seria o prazo previsto para a adequação ambiental. esse método leva à extinção de espécies que necessitam grandes territórios para sua manutenção. para que os objetivos de conservação. químicos. no Sudeste e no Sul do País. Assim. podendo ter um impacto não desprezível na questão da segurança alimentar. impactos socioeconômicos É óbvio que essa regra dos 20%. essas áreas eram complementares e podiam ser superpostas já que suas funções eram a proteção dos recursos naturais. definidos na MP. Em 2001. pela sua fragilidade ambiental.4 milhões de hectares. representando não mais do que 30% do ICMS arrecadado no setor rural. precisariam ser destinados à reserva legal mais de 4 milhões de hectares. pela incorporação de tecnologia e capital. A mesma unidade de área pode variar em muitos aspectos. era de pouco mais de R$ 2. além de favorecer o descontrole populacional pela quebra de cadeias tróficas. pastagens e florestas econômicas) dos atuais 20. com o reaparecimento de epidemias há muito controladas. ou seja. A Reserva Legal. reduzirá a renda e o emprego do setor.

Em colaboração com Antonio Carlos de Macedo.13/2009. Abril .rbma. “Agropecuária na avaliação do milênio”. jul. correndo o risco de se destruir o que foi construído durante séculos. “Agricultura e aquecimento global”. especialmente: “Oportunidades em mudanças na reserva legal”. jun. Textos para discussão. 2010. referências VICTOR.indd 205 15/4/2011 15:15:22 . Vol. Disponível em: <http://www. Análises e Indicadores do Agronegócio.br/mercadomataatlantica/pdf/sem_ma_serv_amb_18. 14p. 2010.5. jul. N°2. N°6.5. 2009. 2010.pdf> Acesso em: ago. 4 p.13/ 2009.org. Avaliação Ecossistêmica do Milênio - Ecossistemas e bem- estar humano. Site IEA. sem desorganizar e penalizar a produção existente13. TD-n°.Além disso. Análises e Indicadores do Agronegócio. 2010. Textos para discussão. essa dualidade de tipos de florestas de proteção não consegue enxergar uma política pública que de fato permitisse que o Estado tivesse uma preservação eficiente. “Aquecimento global. 13 Este texto foi baseado em trabalhos já publicados. TD-n°. Site IEA. Julho. Site de Antonio Reche. Fev. Vol. P. Site IEA. 2010. 2009. outubro. Site do IEA. Não se pode perder essa oportunidade. 2010. “Código florestal deve incorporar avanços da ciência”. Site IEA. “Modernizar e tecnificar o Código Florestal”. CASTANHO. Site de Antonio Reche. 56 páginas. agropecuária e reserva legal” Mercado Futuro. E. Mercado Futuro. R. “Oportunidades em mudanças na reserva legal”. 3 p. Instituto Florestal. A sustentabilidade deve nortear esses debates e as propostas de mudança. TD nº 24/ 2010. Textos para discussão. 205 35656001 miolo.

ii) a extensão das Reservas Legais (RL) nos diferentes biomas brasileiros. Por consequência. com o tipo de vegetação. Dada a minha especialidade. incluindo a fixação de solo. com o tipo de solo. e de se manter RL com espécies nativas. Limitei também a busca a trabalhos com amplo respaldo internacional. 14 Este artigo já foi publicado na Revista “Natureza & Conservação”. para os quais a ecologia tem importantes contribuições.771/65 de 15 de Setembro de 1965. e iv) a possibilidade de se agrupar as RL de diferentes proprietários em fragmentos maiores.com/) ou ISI Web of Knowledge (http://apps. há dados que indicam que larguras de 30 m seriam suficientes para as matas ripárias retirarem da água do lençol freático boa parte dos nitratos vindos dos campos agrícolas (PINAY & DÉCAMPS. eu me ative a trabalhos feitos em ecossistemas brasileiros.4. sustentar o Código Florestal de 1965 e suas modificações ocorridas posteriormente. podemos incluir as bases teóricas que permitiram definir: i) as larguras das Áreas de Preservação Permanente (APP). reservatórios e nascentes. 1988). Neste artigo. 15 Professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) 206 35656001 miolo. Ademais. eu vou me limitar à discussão dos quatro pontos acima. proteção de recursos hídricos e conservação de fauna e flora. mas penso que a conservação da biodiversidade possa ser um dos fatores mais limitantes para a definição de larguras mínimas.isiknowledge. Qual a extensão mínima das áreas de Preservação Permanente? O Código Florestal estipula uma série de larguras mínimas de áreas de proteção ao longo de cursos d´água. dada suas múltiplas funções.indd 206 15/4/2011 15:15:23 . No entanto. mais conhecida como Código Florestal. Qual foi a base científica usada para definir que corredores ripários deveriam ter no mínimo 30 m de proteção ao longo de cada margem do rio (além do limite das cheias anuais)? Será que essa largura não deveria variar com a topografia da margem. eu procuro analisar estas questões. ou não. deve-se pensar na largura mínima suficiente para que esta faixa desempenhe de forma satisfatória todas as suas funções. em particular com a pluviosidade local? A efetividade destas faixas de vegetação remanescente certamente depende de uma série de fatores. dando ênfase ao caso das matas ripárias. iii) a necessidade de se separar RL da APP. tentando entender se os avanços da ciência nos últimos 45 anos permitem. para considerar a complexidade e as particularidades destes sistemas. Esse trabalho não tem por objetivo fazer uma compilação completa de trabalhos científicos relacionados ao Código Florestal. ou com o clima. volume 8. e por isso foquei minha revisão neste aspecto. Eu não pretendo aqui fazer uma ampla revisão sobre a influência da largura das APP. Por exemplo. em julho de 2010. objetivo esse que demandaria um tempo e esforço muito mais amplo.scopus. dentre eles o tipo de serviço ecossistêmico considerado e a largura de vegetação preservada. a definição desta largura no âmbito do Código Florestal deveria respeitar a função mais exigente. Dentre estas dúvidas.com/). dando assim preferência a artigos publicados em revistas científicas internacionais e/ou compilados pelos sistemas Scopus (http://www.2 o código Florestal tem base científica?14 Jean Paul Metzger15 introdução Existem muitas dúvidas sobre qual foi o embasamento científico que permitiu definir os parâmetros e os critérios da lei 4.

além de um aumento na entrada de espécies invasoras e generalistas (vindas de áreas antrópicas). 1999. 2008). UEZU et al. MARTENSEN et al. o aumento da conectividade da paisagem.Em termos biológicos. A importância de florestas ripárias foi evidenciada em diferentes biomas brasileiros.indd 207 15/4/2011 15:15:23 . LEES & PERES. 2009). e também de acordo com as características físicas do local. 2009). 2009). larguras de 140 a 190 m são necessárias para haver certa similaridade entre as comunidades de pequenos mamíferos e de anfíbios de serapilheira entre elementos florestais lineares e 207 35656001 miolo. a amenização dos efeitos da fragmentação (PARDINI et al. MALTCHIK et al.e. 2008). 2008. 2005. Dentre os benefícios dos corredores. 2008. 2008. os corredores podem ter papel capital. Pantanal (QUIGLEY & CRAWSHAW. Em ambiente florestal. LOPES et al. pois muitas espécies não conseguem usar ou cruzar áreas abertas criadas pelo homem. 2009). toda paisagem deveria manter corredores ripários. 2006. os efeitos mais intensos ocorrem nos 100 primeiros metros (LAURANCE et al. Esta largura afeta a qualidade do habitat. 1997). 2007. e de perturbações ocasionais (rajadas de vento. que influenciam na quantidade de radiação solar incidente. MARINHO-FILHO & VERISSIMO. aves (TUBELIS et al. e para diferentes grupos taxonômicos. Em relação aos grupos taxonômicos. Os benefícios dos corredores podem estar relacionados à largura. mas sem dúvida o fator mais importante é a largura. 2004). nem quando se trata de áreas muito estreitas como estradas (DEVELEY & STOUFFER. à topografia e largura das áreas de influência ripária (METZGER et al. Trabalhos que consideraram a funcionalidade biológica dos corredores em função da largura indicam valores mínimos superiores a 100 m. há dados para árvores (METZGER et al. estão o aumento da diversidade genética (ALMEIDA VIEIRA & DE CARVALHO. continuidade e qualidade dos corredores (LAURANCE e LAURANCE. 2008). por favorecerem unicamente espécies generalistas. Em paisagens fragmentadas. Assim. 2005). 2008. o que implica que corredores com menos de 200 m são formados essencialmente por ambientes de borda. 1997). pelas as modificações microclimáticas e pelo aumento das perturbações que ocorrem nas bordas destes habitats. 2002). em particular com a orientação solar. i. 2008). 2004. 1999) e abelhas (MOURA & SCHLINDWEIN. Caatinga (MOURA & SCHLINDWEIN. altamente perturbados. pequenos mamíferos (LIMA & GASCON. A maior parte dos estudos foi feita na Floresta Atlântica (METZGER et al. LEES & PERES. entre outros fatores. extensão. regulando a área impactada pelos efeitos de borda. UEZU et al. 2008. quando o habitat original encontra-se disperso em inúmeros fragmentos. 2008. Nestas condições. já comprovados por pesquisa no Brasil. MARTENSEN et al. Esses efeitos de borda podem variar em extensão em função das espécies e dos processos considerados. 1999. 1999. LEES & PERES. isolando e reduzindo o tamanho das populações nativas. 2008). dado os seus benefícios para a conservação das espécies. numa escala temporal mais ampla (MARINI et al. KEUROGHLIAN & EATON. KEUROGHLIAN & EATON. a sobrevivência das espécies depende de suas habilidades de se deslocarem pela paisagem. 2008). 2008). MICHALSKI et al. Não há dúvidas que independentemente do bioma ou do grupo taxonômico considerado. De uma forma geral. MALTCHIK et al. mas existem dados também para Floresta Amazônica (LIMA & GASCON. a latitude e o tipo de matriz de ocupação adjacente. MARTENSEN et al. e a existência de uma continuidade na cobertura vegetacional original é assim essencial. alguns autores sugerem que corredores estreitos perderiam parte de sua utilidade. grandes mamíferos (QUIGLEY & CRAWSHAW. BOSCOLO et al. queimadas) que excluem algumas espécies nativas. possibilitando o uso de vários pequenos fragmentos remanescentes de habitat. 2008). Na Amazônia. 1992. Espécies mais estritamente florestais necessitariam de corredores de pelo menos 200 m de largura (LAURANCE e LAURANCE. 1992) e Cerrado (TUBELIS et al. os corredores são reconhecidos como elementos que facilitam o fluxo de indivíduos ao longo da paisagem. mais especializadas em sombra. e o potencial de amenizar os impactos de mudanças climáticas. há aumento da luminosidade e do ressecamento do ar e do solo. e levam a uma maior mortalidade. 2001). anfíbios (LIMA & GASCON. que suportam os efeitos de borda (SANTOS et al. que isoladamente não sustentariam as populações (AWADE e METZGER. 2005. MARINHO-FILHO & VERISSIMO. 1997. 2007. 1999).

A partir desse conjunto de dados. Por outro lado. mas é de pouco valor no caso das RL. que não tem capacidade de sair do seu habitat. no interior do estado de São Paulo. do solo ou do tipo de topografia. o conhecimento científico obtido nestes últimos anos permite não apenas sustentar os valores indicados no Código Florestal de 1965 em relação à extensão das Áreas de Preservação Permanente. os autores sugerem que as APP ao longo de rios deveriam manter pelo menos 200 m de área florestada de cada lado do rio para que haja uma plena conservação da biodiversidade. Nestes corredores. antes de mais nada... e observaram que a acumulação de espécies ocorreu até 400 m de largura para os dois grupos. à conservação e reabilitação dos processos ecológicos. foi possível definir o limiar de percolação como sendo de 59. Qual a quantidade mínima de rl em termos de conservação da biodiversidade? A extensão das Reservas Legais varia entre biomas. do grupo taxonômico. Neste âmbito. Tubelis et al. inclusive de espécies que não se deslocam fora do seu habitat. em questões relacionadas com Populações Mínimas Viáveis. que variaram de 30 a 650 m de largura.uma área controle de floresta contínua (LIMA & GASCON. e puderam observar que apenas 55% delas estava presente em corredores de menos de 50 m. O limiar de percolação é a quantidade mínima de habitat necessária numa determinada paisagem para que uma espécie. Metzger et al. 1985). e mais restrita em outras regiões do Brasil. à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (Código Florestal). a definição da extensão das RL poderia ser pautada. há um conjunto de dados e teorias. 1999). Desta forma. segundo o Código Florestal. No Cerrado. sendo mais ampla na Amazônia. No limiar. mais recentes. o habitat encontra-se ainda mais agrupado. (2004) sugerem que as matas de galeria tenham pelos menos 120 m de largura para a devida proteção das aves. 35 e 80% de RL? O adequado debate dessas questões necessita considerar. favorecendo os fluxos biológicos pela paisagem. 1986). Apesar de inicialmente essas reservas terem sido planejadas como reservas de “exploração florestal”. ou com áreas mínimas para se manter populações viáveis de grande predadores. Trata-se. A teoria da percolação foi desenvolvida inicialmente na física. e apontam para áreas muito extensas para se conservar a integridade de um sistema ecológico (SOULÉ & SIMBERLOFF. enquanto 80% estava presente em corredores com mais 100 m. em grandes fragmentos. Lee & Peres (2008) recensearam aves e mamíferos em 32 corredores. independentemente do bioma. conforme a legislação atual. os autores levantaram a diversidade de árvores e arbustos. teoricamente.indd 208 15/4/2011 15:15:23 . elas são hoje em dia consideradas. 1998) trabalharam com 15 corredores de mata ripária ao longo do rio Jacaré-Pepira.28% em paisagens aleatórias.] uso sustentável dos recursos naturais. possa cruzar a paisagem de uma ponta a outra. Há dados científicos que permitam sustentar os valores de 20. Acima deste valor. Ainda na Amazônia. há uma mudança brusca 208 35656001 miolo. Em simulações feitas em computador. como áreas voltadas ao: [. para solucionar questões sobre a quantidade mínima de material condutor necessário para prover condutividade elétrica. as evidências empíricas descartam a existência de um valor único. válido para todas as populações e comunidades. Na Mata Atlântica. que são de grande valia nesta questão: os limiares de percolação e de fragmentação. homogêneas (STAUFFER. mas na realidade indicam a necessidade de expansão destes valores para limiares mínimos de pelos menos 100 m (50 m de cada lado do rio). a função das RL. Esses dados confirmam que corredores de apenas 30 m têm capacidade muito limitada de manutenção da biodiversidade. Esta literatura é certamente útil para definição das áreas das Unidades de Conservação. A manutenção de corredores de 60 m (30 m de cada lado do rio). basicamente. de elementos da paisagem que deveriam promover ou auxiliar a conservação da biodiversidade. Infelizmente. resultaria na conservação de apenas 60% das espécies locais. que devem representar situações encontradas em outras regiões da Amazônia. (1997. e agora é amplamente utilizada em ecologia para questões de conectividade biológica.

e pelas amplas possibilidades de exploração sustentável de produtos florestais. esse limiar não poderia ser aplicado. onde temos um vasto patrimônio biológico e genético ainda pouco conhecido. Na realidade. Porém. e suportam por conseqüência comunidades muito empobrecidas. os efeitos sobre a redução populacional ou a perda de diversidade biológica seriam principalmente devido à perda do habitat. ou então que indicam que esse limiar pode variar em função do grupo de organismos considerados. dada à imensa riqueza biológica encontrada nestes sistemas. 2006). enquanto que abaixo deste limiar haveria também um efeito forte da distribuição espacial do habitat. e relativamente conservado. há claras evidências. há um outro conjunto de dados. da sub-divisão do habitat) se somariam aos efeitos da perda do habitat. e preferencialmente mais de 60%. como um limite mínimo de cobertura nativa que uma paisagem intensamente utilizada pelo homem deveria ter. 1997). 1994. acima deste limiar. e podem ser justificados pelo princípio de precaução. como o controle sobre a agregação das RL não é uma tarefa fácil em termos operacionais. que paisagens com menos de 30% de habitat tendem a ter apenas fragmentos pequenos e muito isolados. O limiar de 30% poderia ser considerado. o valor de 20% para RL permitiria manter. 2006). na Caatinga). com baixa capacidade de manter diversidade biológica (METZGER & DÉCAMPS. 2008. assim. Porém. Valores mais baixos de cobertura nativa ainda poderiam resultar em estruturas favoráveis para conservação. da fragmentação e redução da conectividade para valores intermediários (30 a 60%). como apontam dados preliminares de Miranda et al. baseadas essencialmente em espécies de áreas temperadas. e logo perda repentina da conectividade da paisagem. 2001). Dado que as estimativas de porcentagem de APP variam para a grande maioria dos estados brasileiros de 10 a 20% do território (MIRANDA et al.e. 2008). que permite avaliar a extensão da RL: trata-se do limiar de fragmentação (ANDRÉN. 2009). há uma perda brusca no tamanho médio dos fragmentos por volta de 70 a 80% de habitat remanescente. Na Amazônia. esta opção não deveria ser considerada. na Mata Atlântica. existiria um limiar de cobertura de habitat abaixo do qual os efeitos da fragmentação (i. FAHRIG. Se a extensão das APP estiver entre 10 a 20%. (2008). 2003). na maioria dos casos. 209 35656001 miolo. incluindo as APP). ocorrem mudanças estruturais bruscas em diferentes momentos. já excluindo as Unidades de Conservação (inclusive as de Uso Sustentável) e Terras Indígenas. com redução no tamanho dos fragmentos. Em outras regiões mais intensamente ocupadas. Essas paisagens poderiam permear as Unidades de Conservação e as Terras Indígenas. Isso resulta em paisagens fragmentadas. METZGER et al. em particular em função da sensibilidade deles à perda de habitat (LINDENMAYER & LUCK. uma cobertura acima deste limiar. as RL deveriam ser de pelo menos 50%. dever-seia manter paisagens com pelo menos 60% de cobertura (METZGER. a não ser que se pense em amplas ações de restauração. Esse limiar não é unânime e nem sempre há suporte empírico para ele. onde a taxa de conversão de habitat nativo para uso humano foi mais intenso (e. ou de preferência com mais de 70%. Segundo revisões feitas por esses autores. Esse conjunto de dados indica a necessidade de se manter 60 a 70% do habitat original para que a paisagem tenha uma estrutura adequada para fins de conservação. aumento no número e no isolamento dos fragmentos. estudos considerando três padrões distintos de fragmentação na Amazônia sustentam a ocorrência de mudanças bruscas em valores próximos a 60% (OLIVEIRA-FILHO & METZGER. pelo conhecimento ainda restrito sobre os efeitos em longo prazo do desmatamento na Amazônia.na estrutura da paisagem. facilitando desta forma o fluxo de boa parte das espécies entre estas unidades. Porém. Todas essas modificações levam a uma redução na capacidade da paisagem de sustentar diversidade biológica. para se evitar os efeitos iniciais da redução brusca do tamanho dos fragmentos. além do esperado aumento do isolamento. Em particular. inclusive obtidas recentemente no Brasil.g. e isso para diferentes grupos taxonômicos (MARTENSEN et al. que surgiu nos últimos vinte anos. Assim. 2005). permitindo conciliar uso econômico e conservação biológica. Apesar deste valor ter sido definido para paisagens aleatórias. contribuindo para a conservação da biodiversidade numa escala regional. como têm demonstrados alguns resultados obtidos em zona tropical que relatam efeitos de fragmentação ao longo de todo o processo de perda de habitat (DEVELEY & METZGER. no Cerrado. Os valores estipulados atualmente pelo Código Florestal para a Amazônia são um pouco mais altos (80%. em particular de sua sub-divisão. que em geral é indicado por volta de 30% de habitat remanescente. nesses casos de maior perda da cobertura nativa..indd 209 15/4/2011 15:15:23 . mas isso unicamente no caso de haver forte agregação deste habitat (METZGER. 2002).

210 35656001 miolo.b.Desta forma. a estabilidade geológica. A questão é de saber se a inclusão da APP no cômputo da RL pode ser generalizada. em terrenos declivosos. mostrando. e em áreas elevadas (acima de 1. isso sem incluir as APP nestes percentuais. As APP basicamente evitam a erosão de terrenos declivosos e a colmatagem dos rios. A inclusão das Áreas de Preservação Permanente no cômputo da Reserva Legal já é prevista no Código Florestal. quando as APP cobrem mais de 30% da propriedade). METZGER et al. Em termos de conservação biológica. RODRIGUES & LEITÃO-FILHO. e de pelo menos 20% em regiões mais intensamente ocupadas. podendo ocorrer para todas as propriedades em áreas florestadas da Amazônia Legal. além da existência de amplas áreas já utilizadas. a questão levantada aqui é de saber quais são as bases científicas para essas mudanças.. e prestam assim serviços ambientais capitais. chapadas. que são aquela com 30 ou 50 ha. enquanto as APP têm como: [. As evidências mais claras destas variações foram obtidas ao longo dos rios. a paisagem. mas que se encontram degradadas. ou então quando APP e RL somam 50% ou mais da propriedade nas demais regiões do Brasil (ou seja. Por se situarem justo adjacentes às áreas ripárias. no intuito principal de facilitar a expansão econômica e a regularização de atividades agrícolas. Mais uma vez. ou ainda em restingas. Certamente essas áreas também contribuem para a conservação da biodiversidade. Todo planejamento territorial deveria considerar a heterogeneidade biológica. ao invés de ocorrer apenas nas três situações mencionadas acima. essas áreas se complementam. sendo o argumento mais comum o fato de ca. e um dos primeiros passos neste sentido é distinguir RL e APP. proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas” (artigo primeiro do Código Florestal). e seria um grande erro ecológico considerá-las como equivalentes. 2008). mantendo estratégias distintas para a conservação nestas duas situações. Em conseqüência disso. Por outro lado. 2004). e ii) o uso de espécies de interesse econômico. o fluxo gênico de fauna e flora. apresentada a seguir. porém considerá-las equivalentes às RL seria um grande erro. mais longe das influências marinhas.] função ambiental de preservar os recursos hídricos. propiciam fluxo gênico. sendo que as diferenças mais bruscas são obtidas nos primeiros 10-20 m (OLIVEIRA-FILHO 1994a. que a composição arbórea muda em função da distância ao leito do rio. em geral exóticas. em particular. Esses argumentos são sem dúvida pertinentes. e que deveriam ser alvo de projetos de recuperação para futura exploração. e vice-versa. 3 milhões de km2 serem área mais do que suficiente para a expansão das atividades econômicas.. numa parte destas reservas. essa inclusão é rebatida de diversas formas. as APP apresentam embasamento geológico e pedológico. em função da localização no país. a literatura sobre limiares em ecologia sustenta a definição de limites mínimos de RL de 50% ou preferencialmente 60% na Amazônia. pois são biologicamente distintas. tabuleiros. 1997. as APP não protegem as mesmas espécies presentes nas RL. porém eu gostaria de acrescentar ao debate uma outra linha de raciocínio. em terrenos planos.800 m de altitude). e isso poderia ser obtido por duas formas: i) a inclusão das APP no cômputo das RL. reserva legal: sua função pode ser mantida com a incorporação das aPP ou com o uso de espécies exóticas? Há fortes pressões para se flexibilizar o Código Florestal. ou em altitudes mais baixas.indd 210 15/4/2011 15:15:23 . Ou seja. Esta ampla inclusão é defendida por aqueles que consideram insuficientes as áreas disponíveis atualmente para expansão agrícola. a biodiversidade. Como dito anteriormente. as RL visam essencialmente à conservação da biodiversidade e ao uso sustentável de recursos naturais. asseguram os recursos hídricos. urbana ou industrial (MIRANDA et al. clima e dinâmica hidro-geomorfológica distintas daquelas situadas distantes dos rios. ou 25% no caso das propriedades pequenas. a composição de espécies da flora e da fauna nativa varia enormemente quando se comparam áreas situadas dentro e fora das APP.

2006. São Paulo e Santa Cruz estudou o valor. independentemente da cobertura florestal remanes cente na paisagem. Num dos mais completos estudos sobre esses reflorestamentos feitos no país. (2007a. sistemas consorciados de espécies nativas e de interesse econômico podem ser opções interessantes para parte das RL da Amazônia. cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas (terceiro parágrafo do artigo 16). e assim aumentar seu valor biológico. Esse 211 35656001 miolo. no projeto Jarí (Amazônia). RL formadas por sistemas que intercalam espécies plantadas de interesse econômico com espécies nativas teriam reduzido valor conservacionista. 2009). e esta opção deveria ser evitada. deixando claro o limitado valor destas plantações em conservar espécies nativas. com amplas extensões de florestas maduras (ca. compostos por espécies exóticas. No entanto. tais quais as que se quer conservar na Amazônia. não é aconselhável a substituição de RL de espécies nativas por plantações homogêneas de espécies exóticas. 2007. A principal conclusão que esses pesquisadores chegaram é que o valor da cabruca depende do contexto no qual ela se encontra. Barlow et al. lagartos. 50%). num contexto de ampla cobertura florestal nativa. que são plantações de cacau sombreadas por um dossel de mata (FARIA et al. e desempenham assim papeis complementares em termos de conservação da biodiversidade. Na região de Ilhéus. porém isso depende fortemente do tipo de manejo da plantação. na qual as cabrucas dominam a paisagem (ca. Isso significa que em paisagens predominantemente florestais. Logo. PARDINI et al. a situação é distinta. sistemas similares ao das cabrucas poderiam ser considerados como boas alternativas de uso sustentável de recursos naturais em parte da RL (sendo que a extensão destas áreas deve ser estudada com cuidado).] pequenas propriedades ou de posse rural familiar. permitindo que até 50% da RL possa ser composta por espécies exóticas. a fusão de APP e RL seria temerária em termos biológicos simplesmente porque estas têm funções e composições de espécies distintas. cabrucas. em outras regiões do Brasil. devemos manter pequenos fragmentos de vegetação nativa sob forma de rl? O valor de pequenos fragmentos de RL para a conservação da biodiversidade vem sendo questionado. 82%). de forma a agrupar essas áreas em fragmentos maiores. em outra paisagem vizinha. No caso das plantações de espécies de uso comercial. b) mostraram.indd 211 15/4/2011 15:15:23 . haver baixa similaridade de espécies entre florestas nativas maduras e áreas de reflorestamento. levando a propostas de não mais contabilizar essas reservas por propriedade. e os remanescentes florestais são reduzidos (ca. e seringais). como o dendê ou o Eucalipto. mas sim por bacia hidrográfica ou mesmo por bioma. 5%) e fragmentados. as cabrucas conseguem manter uma parcela considerável das comunidades estudadas (samambaia. onde a vegetação nativa já está consideravelmente reduzida e fragmentada. em geral exóticas. e mantêm uma parcela pequena da biodiversidade regional (FARIA et al. a ocorrência ou manutenção da fauna e flora nativa em cabrucas depende da existência de uma fonte de espécie próxima relativamente extensa. e também com presença de manchas de florestas secundárias (16%) e áreas produtivas florestadas (no caso. para diferentes grupos taxonômicos. Ou seja. No entanto. mais recentemente. Em paisagens predominantemente florestais. que cobrem 6% da paisagem. O que se discute. e da ligação das áreas plantadas com fontes de espécies nativas próximas (FONSECA et al. um grupo de pesquisadores das Universidades Estaduais de Campinas. em termos de conservação. de um sistema denominado “cabruca”. podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais. uma vez que em: [. Ademais. e em particular da manutenção da regeneração de espécies nativas no sub-bosque. sapos. Estudos promovidos no Rio Grande do Sul mostram que estas monoculturas arbóreas podem conter parte da biota nativa.. em particular vindos de estudos de sistemas consorciados na Bahia. Infelizmente. morcegos e aves). 2006. e de plantações de Eucalipto na Amazônia e na Mata Atlântica. 2009). Por outro lado. é a ampliação desta flexibilização.. estes sistemas são extremamente emprobrecidos. a grande maioria dos reflorestamentos comerciais não segue essas regras. Qual seria a efetividade da RL em termos de conservação biológica neste caso? Creio que já temos dados concretos para responder essa pergunta.O segundo mecanismo de flexibilização das RL também já está parcialmente contemplado no Código Florestal. 2007). como o Eucalipto.

onde fragmentos com menos de 50 ha representam um terço da cobertura florestal do bioma. com maior diversidade biológica. 1982. uma vez que as RL têm importante papel no funcionamento da paisagem. Em casos extremos. mantendo apenas a biota de áreas menos propícias ao uso (e. se ao invés de termos duas paisagens com 30% de vegetação nativa. protegendo assim parte da biota nativa. poderia levar a existência de desertos biológicos. a concentração excessiva de RL numa única região. pois possuem condições ambientais e histórias evolutivas distintas. Nesta situação. por representarem áreas com características distintas. “Single Large or Several Small”. uma vez que estas áreas não são equivalentes. são as RL que permitem que a cobertura de vegetação nativa da paisagem fique acima dos limiares ecológicos citados anteriormente. as RL propiciam importantes serviços ambientais. a paisagem de 10% será formada unicamente por fragmentos muito isolados. da ordem de 10 a 50 mil ha. Em particular. sendo ambas relevantes em termos de conservação. mesmo que situada em áreas biologicamente equivalentes. (SIMBERLOFF & ABELE. 1987). a efetividade do agrupamento de RL em fragmentos grandes depende destes fragmentos representarem comunidades biológicas similares àquelas que estariam presentes nos pequenos fragmentos de RL. que são assim mais resistentes a flutuações ambientais. Caso isso não ocorra. e ao mesmo tempo aumenta a representatividade da heterogeneidade ambiental. Por outro lado. o “regime de condomínio” é salutar para a manutenção ou a criação de grandes fragmentos. Por exemplo. um fragmento grande é a melhor opção em termos de manutenção das espécies por longo prazo. nem em termos econômicos. e logo têm composições de espécies distintas. o que sustentaria a proposta de agregação de RL de diferentes propriedades numa única área. há menores chances de haver grandes disparidades de cobertura vegetacional. 1975. como o controle de pragas. 2009). criando-se assim redes de RL biologicamente complementares. formados por amplas monoculturas em paisagens homogêneas. Essa opção de agregação das RL tem respaldo em ampla discussão ocorrida nas décadas de 1970 e 1980. para não criar paisagens depauperadas de vegetação. Enfim. e da manutenção de paisagens permeáveis entre os grandes núcleos de conservação da biodiversidade. pode haver extinção das espécies presentes na Mata Atlântica da Bahia. além de serem menos impactados pelos efeitos de borda. solos pobres ou pedregosos.g. onde as APP são também menos extensas. O exemplo mais claro é o da Mata Atlântica. que são as Unidades de Conservação de proteção integral. 1976. a discussão evidenciou que muitos fragmentos pequenos podem abrigar mais espécies do que um fragmento grande. ou terrenos em áreas íngremes). 2004). e poderá ser uma importante barreira para movimentação das espécies em escala regional. tivermos uma de 50 e outra de 10%. e favorecendo os fluxos biológicos entre Unidades de Conservação. e manutenção apenas daquelas presentes na Serra do Mar.mecanismo é conhecido como “regime de condomínio”. se a compensação puder ser feita em qualquer região de um mesmo bioma. pois fragmentos grandes contêm em geral populações maiores. Ou seja. e já foi inserido no Código Florestal. e desempenham papel fundamental na redução do isolamento entre grandes fragmentos (RIBEIRO et al.indd 212 15/4/2011 15:15:23 . estratégias de conservação que permitam manter as espécies em longo prazo devem dar prioridade a grandes fragmentos. É possível estabelecer um limite percentual de áreas de RL em condomínio. Apesar desta questão não considerar fatores essenciais para uma devida comparação. há grandes riscos de extinção de espécies características das áreas mais propícias para uso econômico. Ademais. comumente denominada de SLOSS. demográficas ou genéticas (SHAFFER. principalmente em áreas planas. ou vários pequenos fragmentos de área equivalente ao fragmento grande (em Inglês. Esta situação não é desejável em termos biológicos. Mesmo fragmentos muito pequenos podem ser importantes neste sentido. 212 35656001 miolo. DIAMOND. formados pela agregação de diversas RL particulares. Esta situação certamente não seria desejável. Desta forma. e logo com composições menos similares. porém é necessária a existência de um mecanismo que limite o uso deste recurso. 1976). Os benefícios desta estratégia dependem também da representatividade biológica da rede de RL. que considerava duas opções principais de conservação: um único fragmento grande. em particular o tamanho dos fragmentos pequenos e o grau de isolamento entre eles. e/ou limitar o uso deste mecanismo a bacias hidrográficas de extensão geográfica intermediárias. Ademais.. e aumento da polinização e da produtividade de algumas culturas (DE MARCO & COELHO.

indd 213 15/4/2011 15:15:23 . Emerging Threats to Tropical Forests. agradecimentos Agradeço as edições e sugestões prestadas por Roberto Varjabedian e Alexandre Igari numa versão preliminar deste artigo. Brazil. Biodiversity and Conservation. e na procura da melhor configuração de nossas paisagens. ANDRÉN H. secondary and plantation forests for Amazonian birds. DIAMOND JM. DIAMOND JM. que permita maximizar os serviços ecossistêmicos e o potencial de conservação da biodiversidade da biota nativa. Science. frogs. 2001. Effects of habitat fragmentation on birds and mammals in landscapes with different proportions of suitable habitat: a review. Effects of roads on movements by understory birds in mixed-species flocks in Central Amazonian Brazil. 213 35656001 miolo. Importance of inter-habitat gaps and stepping-stones for lesser woodcreepers (Xiphorhynchus fuscus) in the Atlantic Forest. (eds. FAHRIG L. Importance of rare habitats and riparian zones in a tropical forest fragment: Preferential use by Tayassu pecari.conclusões Contrariamente ao que se tem dito. A literatura científica levantada mostra ainda que as recentes propostas de alteração deste Código. lizards. 2006. 2003. podem trazer graves prejuízos ao patrimônio biológico e genético brasileiro. 2009. FARIA D et al. 1994. Island biogeography and conservation: strategy and limitations. 104:18555-18560. 71:355-366. DEVELEY PF & STOUFFER PC. que retratam avanços recentes da ciência na área de ecologia e conservação. sendo que em alguns casos haveria necessidade de expansão da área de conservação definida por esses critérios. 13:1245-1255. BARLOW J et al. Annual Review of Ecology. 2008. a wide-ranging frugivore. 1975. et al.. FARIA D et al. P & COELHO FM. In Laurance WF and Peres CA. Biodiversity and Conservation. 2006. Biological Conservation. em particular na definição das Áreas de Preservação Permanente. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. Ferns. Genetic structure of an insect-pollinated and bird-dispersed tropical tree in vegetation fragments and corridors: Implications for conservation. Conservation Biology. 2004. Biotropica. 15:1416-1422. Emerging threats to birds in Brazilian Atlantic forests: the roles of forest loss and configuration in a severely fragmented ecosystem. Brazil. 2007. DEVELEY PF & METZGER JP. Effects of habitat fragmentation on biodiversity. DE MARCO JR. 2008. sem prejudicar o desenvolvimento econômico nacional. referências ALMEIDA VIEIRA F & DE CARVALHO D. Biodiversity and Conservation. Services performed by the ecosystem: Forest remnants influence agricultural cultures’ pollination and production. 2008. 40:273-276. p. BOSCOLO D et al. 2007a.. deveriam ser considerados em qualquer discussão sobre modificação do Código Florestal. The value of primary. and plantation forests. BARLOW J.. Biodiversity and Conservation. 1976. 2007b. AWADE M & METZGER JP. 269-290. o estado das pesquisas atuais oferece forte sustentação para critérios e parâmetros definidos pelo Código Florestal. KEUROGHLIAN A & EATON DP. Bat and bird assemblages from forests and shade cacao plantations in two contrasting landscapes in the Atlantic Forest of southern Bahia. FONSECA CR et al. Oikos. 15:587-612. 136:212-231. 17:2305-2321. em particular alterando a extensão ou as regras de uso das Reservas Legais. 2008. 16:2335-2357. 275:283-293. 34:487-515. Biological Conservation. Quantifying the biodiversity value of tropical primary. birds and bats in forest fragments and shade cacao plantations in two contrasting landscapes in the Atlantic forest. The island dilemma: lessons of modern biogeographic studies for design of natural reserves. 7:129-145. Os dados aqui apresentados. Evolution and Systematic. Austral Ecology. Journal of Zoology. secondary.. 193:1027-1029. 142:1209-1219. Towards an ecologically sustainable forestry in the Atlantic Forest.). Using gap-crossing capacity to evaluate functional connectivity of two Atlantic rainforest birds and their response to fragmentation. 33:863-871. Brazil.. Chicago: University of Chicago Press.. Biological Conservation.

Acesso em: 8 mar. 18:1-12. The structural connectivity threshold: an hypothesis in conservation biology at the landscape scale. MICHALSKI F et al.. Regulated Rivers . 2008.embrapa. Biological Conservation. OLIVEIRA-FILHO FJB & METZGER JP. The conservation value of linear forest remnants in central Amazonia. Conservation Biology. OLIVEIRA-FILHO AT et al. [cited 2010 March 8]. PINAY G & DÁCAMPS H. 142:1154-1165. LOPES AV et al. Effects of soils and topography on the distribution of tree species in a tropical riverine forest in south-eastern Brazil. 141:2184-2192. 2005.. MALTCHIK L et al. 2008. MARTENSEN AC.. 2010. Revista Brasileira de Botânica. Conservation value of remnant riparian forest corridors of varying quality for Amazonian birds and mammals. 2008. 9:179-188.alcance. 38:281-284. Long-term erosion of tree reproductive trait diversity in edge-dominated Atlantic forest fragments. Biological Conservation. LEES AC & PERES CA. MOURA DC & SCHLINDWEIN C. 1994b. 1997. Predicted climate-driven bird distribution changes and forecasted conservation conflicts in a neotropical savanna. Biota Neotropica. Tropical wildlife corridors: Use of linear rainforest remnants by arboreal mammals.indd 214 15/4/2011 15:15:23 . 1988. MIRANDA EE et al. Brazilian Atlantic forest: how much is left and how is the remaining forest distributed? Implications for conservation. Biological Conservation. 91:241-247. 2005.. LIMA MG & GASCON C. The challenge of maintaining Atlantic forest biodiversity: a multi-taxa conservation assessment of specialist and generalist species in an agro-forestry mosaic in southern Bahia. Biological Conservation. Bases biológicas para definição de Reservas Legais. Biological Conservation. Synthesis: Thresholds in conservation and management. Relative effects of fragment size and connectivity on bird community in the Atlantic Rain Forest: Implications for conservation. 142:1166-1177.. 2:507-516. 1997. LAURANCE WF et al. Conservation Biology. PARDINI R et al. METZGER JP et al. 142:1141-1153 214 35656001 miolo..LAURANCE SG & LAURANCE WF. 2008. Available from:http://www. 1997. The role of forest structure. Dynamics of the terrestrial amphibian assemblage in a flooded riparian forest fragment in a Neotropical region in the south of Brazil. Time-lag in biological responses to landscape changes in a highly dynamic Atlantic forest region. Ciência Hoje. METZGER JP. 124:351-354. Campinas: Embrapa Monitoramento por Satélite. Biological Conservation. 2002. Biological Conservation. METZGER JP. PARDINI R et al. 2009. MARINHO-FILHO J & VERISSIMO EW.org. 2009. 10:483-508. METZGER JP & DÉCAMPS H. LINDENMAYER DB & Luck G.189:287-305. 124:253-266. Alcance Territorial da Legislação Ambiental e Indigenista. fragment size and corridors in maintaining small mammal abundance and diversity in an Atlantic forest landscape.br. METZGER JP. Diversidade e estrutura de fragmentos de mata de várzea e de mata mesófila semidecídua submontana do rio Jacaré-Pepira (SP). 1999. BERNACCI LC & GOLDENBERG R. Animal Conservation. The role of riparian woods in regulating nitrogen fluxes between the alluvial aquifer and surface water: a conceptual model. A conservation plan for the jaguar Panthera onca in the Pantanal region of Brazil. Plant Ecology. 23:1558-1567. OLIVEIRA-FILHO AT et al. Brazilian Journal of Biology. The rediscovery of Callicebus personatus barbarabrownae in northeastern Brazil with a new western limit for its distribution.. 2006. Thresholds in landscape structure for three common deforestation patterns in the Brazilian Amazon. 2002.. 2001. 68:763-769. Human-wildlife conflicts in a fragmented Amazon an forest landscape: Determinants of large felid depredation on livestock. Avaliable from: http://www. QUIGLEY HB & CRAWSHAW J. 2006. Landscape Ecology. 31:183-184. 21:1061-1073. Pattern of tree species diversity in riparian forest fragments with different widths (SE Brazil). 91:231-239. Primates. Effects of deforestation pattern and private nature reserves on the forest conservation in settlement areas of the Brazilian Amazon. 1994a. RIBEIRO MC et al. 38:429-433. 2009.biotaneotropica. 1992. Biological Conservation. Differentiation of streamside and upland vegetation in an area of montane semideciduous forest in southeastern brazil. Biological Conservation. METZGER JP.cnpm.. 2009. 2009.. The gallery forests of the São Francisco river as corridors for euglossine bees (Hymenoptera: Apidae) from tropical rainforests. 1999. 1998. Journal of Tropical Ecology. 61:149-157. 142:1178-1190.. Flora. GOLDENBERG R & BERNACCI LC.Research & Management. PIMENTEL RG & METZGER JP. Ecosystem decay of Amazonian forest fragments: a 22-year investigation. 133:135-152.br/v1n12. Conservation Biology.. MARINI MA et al. Acta Ecologica. 2009. 16:605-618. Neotropical Entomology. 22:439-449. Biological Conservation. 21:321-330.

RODRIGUES RR & LEITÃO-FILHO HF, 2004. Matas Ciliares: Conservação e Recuperação. 3 ed. São Paulo: EDUSP/FAPESP.
SANTOS BA et al., 2008. Drastic erosion in functional attributes of tree assemblages in Atlantic forest fragments of northeastern Brazil.
Biological Conservation, 141:249-260.
SHAFFER M, 1987. Minimum viable populations: coping with uncertainty. In Soulé ME (ed.). Viable Populations for Conservation.
Cambridge: Cambridge University Press. p. 69-86.
SIMBERLOFF D & ABELE LG, 1976. Island biogeography theory and conservation practice. Science, 191:285-286.
SIMBERLOFF D & ABELE LG, 1982. Refuge design and island biogeography theory: effects of fragmentation. American Naturalist,
120:41-50.
SOULÉ ME & SIMBERLOFF D, 1986. What do genetics and ecology tell us about the design of nature reserves? Biological Conservation, 35:19-40.
STAUFFER D, 1985. Introduction to percolation theory. London: Taylor & Francis.
TUBELIS DP, COWLING A & DONNELLY C, 2004. Landscape supplementation in adjacent savannas and its implications for the
design of corridors for forest birds in the central Cerrado, Brazil. Biological Conservation, 118:353-364.
UEZU A, METZGER JP & VIELLIARD JM, 2005. Effects of structural and functional connectivity and patch size on the abundance
of seven Atlantic Forest bird species. Biological Conservation, 123:507-519.

215

35656001 miolo.indd 215

15/4/2011 15:15:23

4.3 desafios para são Paulo: biodiversidade, bioenergia e biotecnologia
oswaldo lucon16

introdução
Ao final da primeira década do século XXI, o Estado de São Paulo se encontra diante de grandes desafios, dentre
os quais estão os impactos ambientais, a competitividade econômica e a incusão social. Nesse contexto, mútuos
benefícios podem ser obtidos através do trinômio biodiversidade, bioenergia e biotecnologia. Em termos de
proteção da biodiversidade, o Estado precisa recuperar áreas que foram degradadas, garantindo ainda que a o capital
natural existente resista à pressão pela conversão de florestas e cerrados em áreas agrícolas, de pecuária, industriais e
urbanas. A bioenergia, garantidora de uma considerável parcela de fontes renováveis na matriz paulista, contribuiu
no passado para esses impactos e hoje precisa assegurar ao governo, mercados e sociedade civil, que cumpre com os
crescentes requisitos de sustentabilidade. A opção energética, além de contribuir de maneira efetiva para combater
os problemas causados pelo aquecimento global, representa fonte de receitas para a economia do Estado, o que,
como tal, requer ganhos de escala e produtividade. Uma possível solução para esses desafios está na biotecnologia,
que pode ajudar a preservar espécies nativas e desenvolver alternativas economicamente mais produtivas.

biodiversidade
No Estado de São Paulo a área coberta por florestas nativas caiu de 85% em 1500 para 13% em 2000. Cerca
de 60% dos remanescentes de floresta nativa estão na Serra do Mar e Vale do Ribeira. Destes, 50% estão em
parques estaduais.
FiGura 4. 1
MaPa dos reManescentes Florestais do estado de são Paulo

Legenda
Cidades
Rios e represas
Mata Atlântica
Cerrado
Área urbana
Rodovia

1 - São José do Rio Preto
2 - Ribeirão Preto
3 - Campinas
4 - São Paulo
5 - Santos

Fonte: Instituto Florestal

Fonte: BIOTA-FAPESP (sd)

16 Assessor Técnico da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA/SP).

216

35656001 miolo.indd 216

15/4/2011 15:15:24

Considerado o país da megadiversidade, o Brasil possui a maior diversidade biológica do planeta, com alto
índice de espécies endêmicas. Esta diversidade biológica é muito expressiva tanto em relação às potencialidades
genéticas como em relação ao número de espécies e de ecossistemas (MMA, 1998). A preocupação internacional
sobre a conservação da biodiversidade tem como principal marco a elaboração da Convenção sobre a Diversidade
Biológica (CDB) durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
(CNUMAD), no Rio de Janeiro, em junho de 1992. Dentre as complexas questões tratadas na CDB estão:
(i) tratar a diversidade biológica em toda a sua amplitude; (ii) tratar da conservação da diversidade biológica,
da utilização sustentável de seus componentes, e da repartição justa e eqüitativa dos benefícios derivados da
utilização dos recursos genéticos; (iii) incluir todas as formas diferentes de manejo da diversidade biológica; (iv)
Contemplar os principais instrumentos para subsidiar o planejamento do uso e gerenciamento da diversidade
biológica. O objetivo principal da CDB é preservar a biodiversidade, bem como o uso sustentável de seus
componentes e fomentar a repartição dos benefícios oriundos da utilização dos recursos genéticos. Em outubro
de 2010 ocorreu a 10.ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, a COP 10, em
Nagoya, no Japão. Em paralelo ocorreu a MOP 5, reunião do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança.
A relação entre biodiversidade e biotecnologia é o foco deste protocolo, já que é importante assegurar que o
desenvolvimento da biotecnologia não traga danos à biodiversidade. Na MOP 5, as partes discutiram um regime
de responsabilidade e compensação por danos que organismos geneticamente modificados vivos (OVMs)
possam causar à biodiversidade (LIMA, 2010).
Quanto maior o desmatamento, maiores serão os impactos sobre a biodiversidade. Um tema bastante polêmico
com fortes impactos na biodiversidade é a alteração do Código Florestal (Lei 4.771/1965), em discussão no
Congresso Nacional. Consideradas necessárias por parte dos agricultores e um retrocesso pelos ambientalistas,
as mudanças incluem (i) uma moratória para atividades agropecuárias existentes em áreas desmatadas até
22.07.2008; (ii) um “direito adquirido” de proprietários que comprovarem que foi respeitado o índice de reserva
legal em vigor na época da abertura da área, ficando dispensados da sua recomposição ou compensação; (iii)
a manutenção das atividades agropecuárias e florestais consolidadas em APPs, Reserva Legal e Áreas de Uso
Restrito até que União, Estados e Municípios elaborem programas de regularização ambiental – PRA´s, que
devem considerar o ZEE (Zoneamento Ecológico Econômico), os Planos de Recursos Hídricos e estudos
técnicos e científicos de órgãos oficiais de pesquisa, além de outras condicionantes relativas aos aspectos
socioambientais e econômicos; (iv) se fundamentado nesses critérios, o PRA poderá regularizar até 100% das
atividades consolidadas nas APPs, desde que não ocorram novos desmatamentos; deverão ser estabelecidas,
inclusive, medidas mitigadoras e formas de compensação; (v) a alteração de áreas de preservação permanente
(APPs), criando-se uma faixa para cursos d’água de menos de cinco metros de largura, cuja faixa mínima de
proteção deverá ser de 15 metros, ao invés dos atuais 30 metros; (vi) dispensa da faixa de proteção (que varia
de 30 a 100 metros) as acumulações de água - açudes, lagoas e represas - com área inferior a um hectare; (vii)
permissão ao acesso de pessoas e animais para a obtenção de água sem o excesso de restrições da norma atual;
(viii) mantidos os percentuais de Reserva Legal da atual legislação (20% em SP), poderá ser feito o cômputo da
APP na Reserva, desde que não ocorram novos desmatamentos, que a APP esteja conservada ou em regeneração
e o proprietário tenha feito o cadastro ambiental; (ix) as propriedades com áreas de até quatro módulos fiscais,
a chamada pequena propriedade, ficam desobrigadas da recomposição florestal ou compensação ambiental; (x)
as propriedades com área acima de quatro módulos fiscais também terão direito à isenção até esse limite, mas
ficam obrigadas a regularizar a Reserva Legal sobre a área excedente; será permitido o cômputo das APPs, o
que beneficia principalmente as médias propriedades; (xi) a recomposição na propriedade tem prazo de 20 anos
(1/10 a cada dois anos), podendo ser utilizadas espécies exóticas intercaladas com nativas, em até 50%; (xii) para
a compensação da Reserva Legal, será possível a utilização de arrendamento (por meio de servidão ambiental,
fora da bacia hidrográfica e do Estado – onde localizar-se a propriedade – desde que no mesmo Bioma),
ou aquisição de Cota de Reserva Ambiental (título que representa vegetação nativa sob regime de servidão
ambiental, de Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Reserva Legal instituída voluntariamente sobre a
vegetação que exceder os percentuais estabelecidos na lei) ou doação ao Poder Público (de área localizada no

217

35656001 miolo.indd 217

15/4/2011 15:15:24

interior de Unidade de Conservação, pendente de regularização fundiária ou contribuição para Fundo Público,
que tenha essa finalidade); (xiii) o Programa de Recuperação Ambiental (PRA) poderá regularizar as atividades
rurais consolidadas em Áreas de Proteção Permanente (sempre exigida uma forma de compensação, por critérios
fixados quando da edição do PRA) ou de Reserva Legal (onde o PRA poderá ou não exigir uma compensação;
se necessária, essa compensação poderá ser feita por recomposição na propriedade em 20 anos, por regeneração
natural ou por compensação via aquisição de Cota de Reserva Ambiental)(AGÊNCIA CÂMARA, 2010).

biotecnologia
O agronegócio de cana-de-açúcar movimentou em 2008 R$ 40 bilhões, sendo metade da safra destinada à
fabricação de etanol, o que faz do Brasil o segundo maior produtor do combustível no mundo. O primeiro
lugar cabe aos Estados Unidos, que extraem etanol de milho a poder de pesados subsídios. Dois terços da
produção nacional estão no Estado de São Paulo. Avalia-se que o Brasil precisará dobrar sua produção num
horizonte de 5 a 7 anos se quiser suprir as demandas locais e internacionais do combustível, o que exigirá a
construção de novas usinas, o crescimento das áreas plantadas, melhorias no manejo e, principalmente, ganhos de
produtividade (MARQUES, 2009). O rendimento da cana-de-açúcar pode ser aumentado localmente por meio
do aprimoramento do manejo e do aumento de insumos, além da utilização de abordagens genéticas tradicionais
voltadas para a otimização da resistência a doenças e o incremento do armazenamento de sacarose. Contudo, para
se atingirem maiores rendimentos, será necessário o uso das abordagens genômicas de alto desempenho. Para se
ter uma idéia, o limite teórico máximo de rendimento da cana é de cerca de 220 toneladas por hectare por ano, o
teto de rendimento atual é de 100 toneladas por hectare e a produção comercial atual é de cerca de 70 toneladas
anuais por hectare. O teto de rendimento, por sua vez, é estabelecido por gargalos fisiológicos: características da
cultura, fenologia e características da arquitetura da célula, os obstáculos que se podem superar com as novas
ferramentas da genômica (FAPESP, 2009). Em São Paulo, a pesquisa para a bioenergia da FAPESP tem um
orçamento previsto de R$100 milhões no período 2008-2013 (Marques, 2009), tendo sido aplicados R$65
milhões até o final de 2010 (FAPESP, 2010)

bioenergia
Desde o final dos anos 1970, o Estado foi o grande laboratório do Programa do Álcool, com sua produção em
larga escala de cana-de-açúcar, com a adaptação dos veículos às misturas obrigatórias de etanol com gasolina,
com a expansão da produção automobilística para suprir um grande mercado consumidor, com a adequação da
logística e da infraestrutura ao novo combustível. O fator que motivou essa transição não era originariamente
ambiental, mas a segurança energética em face da crise do petróleo. Havia, também, interesses por parte da
agricultura local em garantir seus mercados. Os ganhos ambientais surgiram imediatamente no ar das grandes
idades, tanto com a eliminação do chumbo tetraetila da gasolina quanto com a redução considerável de emissões
de material particulado de óxidos de enxofre e monóxido de carbono. A produção de açúcar e álcool, bastante
tradicional, viu-se impulsionada pela necessidade de ganhos de escala e de adequação à legislação ambiental e
trabalhista. Eram freqüentes na imprensa as denúncias de contaminação de cursos d´água com lançamentos de
vinhaça, de queimadas sem controle e de condições sub-humanas de trabalho dos “bóias-frias”.
No início da década de 1990, um novo fator ambiental foi agregado em favor da bioenergia e de outras fontes
renováveis: a possibilidade de mitigação das emissões dos gases de efeito estufa. O bioetanol, como substituto
da gasolina, reincorpora o carbono que foi emitido para a atmosfera. O bagaço da cana, subproduto da moagem,
pode ser aproveitado em caldeiras de alta pressão para gerar eletricidade. Os benefícios do combustível renovável
passaram a ser quantificados em toneladas de CO2 evitado. As montadoras nacionais de automóveis, que já
produziam o carro a álcool, aceleraram no meio da década de 2000 o desenvolvimento da tecnologia de motores
e sistemas flexíveis , que podem utilizar qualquer mistura de gasolina ou de etanol. O etanol de cana, produzido

218

35656001 miolo.indd 218

15/4/2011 15:15:24

com alta eficiência, oferece consideráveis ganhos ambientais. Contudo, alguns de seus impactos negativos ainda
geram questionamentos. Estes incluem, em nível local, a poluição do ar causada pela queima da palha da cana.
Em nível global, tem-se principalmente a perda de biodiversidade devida à monocultura. A legislação ambiental
e as iniciativas voluntárias evoluíram bastante nesse sentido, reduzindo a queima da palha e promovendo o reuso
da água, dentre outras boas práticas. Apesar dos avanços voluntários pontuais, a questão da recomposição das
matas nativas ainda não está equacionada.
Dezenas de iniciativas de certificação ambiental da produção de etanol visam explicitamente minimizar esses
impactos. Algumas, de maneira implícita, são utilizadas para proteger a agricultura local de países de clima
temperado, fortemente subsidiada e sem condições de competitividade em livres mercados. Análises complexas,
baseadas em modelagens com premissas questionáveis, buscam estabelecer relações de causa e efeito entre a
produção de etanol em regiões como São Paulo e o desmatamento na Amazônia.
Independentemente do mérito, as questões entre comércio internacional e mudanças climáticas ainda não
apresentaram um nível de convergência satisfatório, que aplique critérios considerados fortes e eqüitativos.
Tampouco se nota no contexto global uma regulação sobre os combustíveis fósseis proporcional ao dano que
causam ao ambiente.

o petróleo do pré-sal, a segurança energética e o aquecimento global
Com a descoberta do petróleo na camada pré-sal, o Brasil está diante de uma importante opção, com reflexos
no longo prazo: a dependência econômica do petróleo e a infraestrutura direcionada para atividades econômicas
intensivas em emissões de carbono. Os recursos obtidos pela União com a renda do petróleo do pré-sal serão
destinados ao Novo Fundo Social (NFS), que realizará investimentos no Brasil e no exterior com o objetivo de
evitar a chamada “doença holandesa”, quando o excessivo ingresso de moeda estrangeira gera forte apreciação
cambial, enfraquecendo o setor industrial. De acordo com o governo federal, a implantação deste fundo
será articulada com uma política industrial voltada as áreas de petróleo e gás natural, criando uma cadeia de
fornecedores de bens e serviços nas indústrias de petróleo, refino e petroquímico. Parte das receitas oriundas dos
investimentos do fundo irá retornar à União, que aplicará os recursos em programas de combate à pobreza, em
inovação científica e tecnológica e em educação (VEJA ON-LINE, 2009).
Considerável parcela dos impactos ambientais globais provém do uso de petróleo e de outros combustíveis
de origem fóssil. O suprimento de petróleo é visto por muitos como praticamente um sinônimo de segurança
energética, uma vez que os setores convencionais da economia se apóiam na utilização especialmente de seus
derivados para a produção de eletricidade, para grande parte da indústria e para o ramo de serviços, como o
transporte rodoviário de pessoas e cargas. Muitos países são dependentes de importações de petróleo. A economia
de diversos outros está apoiada na produção desse energético para exportação.
A opção de explorar petróleo de altas profundidades era vista pelo Presidente Obama (EUA) como uma
forma de se obter a garantia do suprimento de energia, até que o desastre na plataforma de extração Deepwater
Horizon, no Golfo do México se tornou um importante precedente para se avaliarem impactos ambientais da
exploração de petróleo em altas profundidades. O Brasil, obrigatoriamente, terá de prestar atenção nas lições do
desastre. O país extrai do oceano 90% do petróleo que produz, em 826 poços marítimos, 200 deles em águas
profundas. A exploração e o transporte de petróleo já provocaram vários acidentes no litoral brasileiro, dentre os
quais o vazamento na refinaria Duque de Caxias na Baía de Guanabara no ano 2000, o incêndio da plataforma
de Enchova na Bacia de Campos em 1984 e a explosão da plataforma P-36, também nessa Bacia em 2001
(SALVADOR e COSTA, 2010).

219

35656001 miolo.indd 219

15/4/2011 15:15:24

87% 84 82 energia 362 381 901 166 207 18.indd 220 15/4/2011 15:15:24 . O governo federal se comprometeu com uma meta de redução voluntária baseada num cenário tendencial de crescimento para 2020.9% do cenário tendencial de 2020 equivale a uma meta de redução que varia de 25 a 21. em parte separado e reinjetado no próprio reservatório. uma vez que esse é o setor predominante em termos de emissões nacionais.72% 415 415 total 2203 1690 2703 976 1052 36.72% 61. há o receio de que a alta concentração de dióxido de carbono presente no petróleo do local possa danificar as instalações.5% das emissões de 2020. não se prestar à produção em larga escala a longo prazo. com consideráveis custos energéticos e econômicos. além de possivelmente alterar seus padrões de acasalamento e desova (CHRISTANTE.70% 10. (VEJA ON-LINE. Ainda não estão totalmente superados os desafios tecnológicos para explorar esse petróleo e existe a chance de a rocha-reservatório.1% a 38. conforme apontado na Tabela 4. Tartarugas também poderiam ser afetadas. 2009) as políticas climáticas nacional e paulista Em relação às mudanças climáticas. Os investimentos nessa tecnologia e em toda a infraestrutura da cadeia desse petróleo representam derivações – com consideráveis riscos de insucesso - do que poderia ser investido em eficiência energética e em fontes renováveis de energia (CHRISTANTE. tabela 4. além de uma urgente questão quanto à proteção da biodiversidade. Sobre o total projetado de crescimento para 2020. 2009).9%. por afugentar os peixes.1% a 38. que será despejado na atmosfera ou. desviando-se de suas rotas de migração. Entretanto o setor Energia prevê um vigoroso aumento nas emissões. Algumas evidências sugerem que a atividade tenha ainda efeitos negativos sobre a pesca comercial. Além dos problemas intrínsecos ao consumo de combustíveis fósseis – especialmente o aquecimento global e a poluição do ar local (o diesel brasileiro é um dos piores do mundo em termos de qualidade) - os hidrocarbonetos do pré-sal possuem um alto teor de CO2. os compromissos assumidos internacionalmente pelo Brasil prevêem a redução de emissões de gases de efeito estufa principalmente no setor de mudança no uso da terra – basicamente o desmatamento evitado.Outros impactos ambientais incluem os da prospecção sísmica do petróleo. que utiliza tecnologia semelhante ao sonar de baleias e golfinhos.1.21% 26. Considerando esse total a proposta de redução varia entre 36. 2009).97% 735 694 desmatamento 1268 770 1084 669 669 61.48% 494 461 indústria e resíduos 86 60 92 8 10 8.92% 1728 1652 setores Fonte: Brasil (2009) 220 35656001 miolo. Além disso. seriam emitidos.7 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. são 2.42% 22. que armazena o petróleo e os gás em seus poros. 1 ProPosta brasileira de redução de eMissões levada à conFerência de coPenHaGue eM 2009 emissões em 2005 (milhões de tco2 equivalente) emissões em 2007 (milhões de tco2 equivalente) emissões no cenário tendencial de 2020 (milhões de tco2 equivalente) redução das emissões (milhões de tco2 equivalente) % de redução das emissões em relação ao cenário de 2020 total a ser emitido em 2020 (milhões de tco2 equivalente) Mínima Máxima Mínima Máxima Mínimo Máximo agropecuária 487 479 627 133 166 21. A exploração do petróleo da camada pré-sal prevê investimentos de algo entre 150 e 600 bilhões de dólares para retirar petróleo de profundidades acima de 7 km.11% 38. A redução de 36. Isso é muito importante. sobre os níveis de 2005. Suspeita-se que o encalhe de golfinhos e baleias nas praias pode ter relação com os pulsos sonoros disparados pelos navios de sísmica.

devido às decisões tomadas sobre a infraestrutura. No Estado. enquanto as emissões mitigadas pelo desmatamento são contabilizadas uma única vez. bem como de energia. Para combatê-lo é necessário primeiro atacar suas causas.Considerando o total de emissões previsto para 2020 com a redução cumprida no ano. intrinsicamente. resultados PreliMinares total de Gases de efeito estufa em co2 equivalente somente co2 energia 81.10 3. Podem-se citar a qualidade de combustíveis. as que provêm do consumo de energia se refletem durante décadas. que assegure que a produção de alimentos não seja ameaçada e que permita ao desenvolvimento econômico prosseguir de maneira sustentável”. Entretanto. porque o sistema climático da Terra é dinâmico e a capacidade dos ecossistemas em se adaptar a essa realidade é limitada e está se esgotando.9%.16 13. Metade das emissões de gases de efeito estufa do Estado de São Paulo – cerca de 80 milhões de toneladas de CO2 provêm do Setor Energia. a proteção do sistema climático global. adotando-se padrões eficientes e sustentáveis 221 35656001 miolo. Isto significa que o crescimento da emissão do setor energético será de aproximadamente 6% ao ano.798/2009 prevê como meta a redução global de 20% (vinte por cento) das emissões de dióxido de carbono relativas a 2005 até 2020. tendo como base o cenário tendencial de 2020. regulação de produção e consumo. com a meta sendo cumprida. A meta é absoluta – e não baseada em projeções tendenciais. A concentração de receitas e investimentos também está na esfera federal. pela exploração do petróleo da camada pré-sal na costa e pelos massivos investimentos em infraestrutura de transporte e de produção baseada nos modelos tradicionais. a Lei 13. legislação de trânsito e boa parte da ambiental.indd 221 15/4/2011 15:15:24 . consumir menos e melhor. Numa primeira análise.1% e 92. padrões de eficiência de produtos (em especial veículos). Esse nível deverá ser alcançado num prazo suficiente que permita aos ecossistemas adaptaremse naturalmente à mudança do clima.22 79. A urgência da ação paulista tem por base o objetivo final da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - e de quaisquer instrumentos jurídicos com ela relacionados que adote a Conferência das Partes – que é o de “alcançar a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema climático.37 0. 2 eMissões (MilHões de toneladas) do estado de são Paulo eM 2005. Apenas no setor de energia significa um aumento entre 82. conseqüência de uma maior produção de eletricidade por termelétricas. Também muitas das decisões que afetam São Paulo partem da União por disposição constitucional. Para se emitir menos gases estufa é preciso.02 agropecuária 28. a geração de empregos em uma economia baseada em produtos de alto valor agregado. Políticas nacionais prevêem o aumento nas emissões de gases de efeito estufa no setor de energia. Isto deve ser feito com a máxima urgência.98 143.40 indústria 11.36 total Fonte: CETESB/PROCLIMA (2010) A adoção de uma lei prevendo a descarbonização da economia paulista possui diversos fatores motivantes: a manutenção e incremento da competitividade econômica.79 uso do solo. pode-se entender que as emissões energéticas serão “compensadas” pelo desmatamento que deverá ser contido.61 0. mudança no uso do solo e florestas 13. haveria um aumento considerável da emissão dos setores de indústrias e resíduos.46 97. a conservação da biodiversidade e a preservação de outros recursos naturais através das gerações.16 2005 resíduos 9. Grandes obras de infraestrutura são realizadas principalmente com recursos da União. O aquecimento global é hoje um fenômeno bastante conhecido. tabela 4. reduzindo as emissões dos gases de efeito estufa.

2). tanto reduzindo-se o consumo de combustíveis fósseis quanto respeitando-se as fronteiras dos ecossistemas.html>.gov. mme. Deve-se ter em conta sempre a inércia dos sistemas humanos e naturais: novas políticas e tecnologias levam tempo para serem postas em prática.br/site/menu/select_main_menu_item. Disponível em: <http://www. preferencialmente em favor da proteção do sistema climático global e da biodiversidade.gov.indd 222 15/4/2011 15:15:25 . É uma aposta considerável. Disponível em: <http://www2. com o auxílio da biotecnologia. Balanço Energético do Estado de São Paulo.br/agencia/ noticias/MEIO-AMBIENTE/149459-COMISSAO-APROVA-REFORMA-DO-CODIGO-FLORESTAL. ainda que ambas as alternativas tenham como pano de fundo o desenvolvimento do país. social e econômico. ambiental. seres vivos. Ministério de Minas e Energia. Leva ainda mais tempo para os sistemas naturais assimilarem seus impactos benéficos (Figura 4. FiGura 4. a exploração do petróleo e a infraestrutura produtiva carbono-intensiva. Muitas dessas medidas estão na esfera de competência da União. correntes etc. estão as energias renováveis e a eficiência energética. As trajetórias e compromissos do estado e do país são conflitantes no que se refere às emissões de gases de efeito estufa e isso precisa ser equacionado o quanto antes. Disponível em: <http://www. referências AGÊNCIA CÂMARA (2010).gov. BEESP (2008). A proteção da biodiversidade depende da mitigação de diversos impactos.que reduzam a pressão sobre os recursos naturais.do?channelId=1432&pageId=14131> 222 35656001 miolo. 2 MitiGação de iMPactos aMbientais neGativos: escala de teMPo Para os eFeitos de uMa nova tecnoloGia Impactos cumulativos Inércia dos sistemas humanos Tecnologias “business as usual”: impactos sem as medidas impactos mitigados Acordos Reconhecimento Inércia dos sistemas naturais: clima. De outro. De um lado.sp.energia. o que torna ainda mais difícil a tarefa para o Estado de São Paulo. Comissão aprova reforma do Código Florestal.htm> BEN (2008) Balanço Energético Nacional (Brazilian Energy Balance).br/balanco_energetico. já se tem o uso sustentável da bioenergia. Metas intrínsecas Impactos desejáveis Tempo Fonte: Goldemberg e Lucon (2009) conclusões São Paulo e o Brasil estão diante de uma importante opção quanto ao seu futuro energético.camara. Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo. Dentre as alternativas para mitigar as emissões.

br/expobio/ Biota.asp> CHRISTANTE L (2009). 10 de julho de 2010.br/?art=3574&bd=1&pg=1>. Inventário florestal da vegetação natural do Estado de São Paulo. LIMA. Disponível em: <http://www. Unesp Ciência. Veja n.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/pre-sal/index. Biodiversidade e biotecnologia.cetesb. Disponível em: <http://www. perguntas e respostas.shtml> 223 35656001 miolo. R (2010). Disponível em: <http://veja. meio ambiente e desenvolvimento. MMA (1998). 2167. Disponível em: <http://www. Vias para avançar como líder do etanol. GOLDEMBERG J e LUCON O (2009). São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente / Instituto Florestal. 3ª.pdf> CETESB-PROCLIMA (2010). FAPESP (2010). Relatório Nacional para a Convenção sobre a Diversidade Biológica.br/materia/10242/especiais/alem-do-limite.biota.gov.br/publicacoes/pasta_bioen_ jun2010. VEJA ON-LINE (2009). Imprensa Oficial. Ano 1.br/noticias/energia-limpa-renovavel-incentivo-pesquisa-matriz-energetica-brasil-606763.BIOTA-FAPESP (sd). FAPESP (2009). O Estado de São Paulo. Biodiversidade do Estado de São Paulo: Cores e Sombras. fapesp. As lições do abismo.com. Bioen – Brazilian Research on Bioenergy. com.pr. São Paulo.br/arquivos/File/CenariosparaOfertaBrasileiradeMitiga. 13 de Novembro 2009. Além do limite. MMA MAPA MME MF MDIC MCT MRE Casa Civil. Pré-sal. Edusp. Consulta Pública dos Relatórios de Referência para o Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa do Estado de São Paulo. Energia.forumclima.abril.sp. 2005.indd 223 15/4/2011 15:15:25 . Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://revistapesquisa. Cenários para Oferta Brasileira de Mitigação de Emissões.fapesp. ed.gov. nº 3.abril. FAPESP (2009)..htm>.org. SALVADOR A e COSTA N (2010).pdf> BRASIL (2009).pdf>. Exploração de petróleo no pré-sal traz dilemas na era da crise climática. dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal. Ministério do Meio Ambiente.br/geesp/consulta. Planeta Sustentável. MARQUES F (2008).agencia. Disponível em: <http://www. Pesquisa FAPESP 149. Disponível em: <http://planetasustentavel. INSTITUTO FLORESTAL – IF.fapesp. Cientistas pedem mais pesquisas em energia.shtml>. Julho.

com a queda nos preços do petróleo e a eliminação de subsídios para o etanol. A preocupação com a poluição e o aquecimento global tem estimulado a utilização de processos industriais mais eficientes e menos impactantes. que elevaram substancialmente o preço de seus derivados. Posteriormente. particularmente na produção de eteno. é que surgiu a indústria petroquímica. empresas como a Salgema. Somente nos anos setenta. acetato de etila e etileno glicol. Mais recentemente. juntamente com o bagaço da cana. É diretor da ADS tecnologia e desenvolvimento sustentável e consultor técnico da UNICA (União da Indústria da Cana-de-açúcar). M. introduziu o uso do etanol em sua cadeia produtiva em 1944. insumo fundamental para a produção de importantes polímeros como o polietileno e o PVC. acetaldeído. possibilitando uma enorme oferta de derivados de petróleo e de gás natural a preços mais atrativos que o etanol. Ministério de Minas e Energia e Empresa de Pesquisa Energética. trouxe novamente à tona o interesse pela alcoolquímica.1% da oferta interna de energia. e o fato de que a exploração das grandes reservas que vem sendo descobertas envolve maiores riscos ambientais e custos mais elevados. a experiência mais bem sucedida no mundo de substituição de combustíveis fósseis por uma fonte de energia mais limpa e renovável. havendo registros de sua utilização em escala comercial no país desde a década de 1940.indd 224 15/4/2011 15:15:25 . Solvay e Companhia Alcoolquímica Nacional utilizaram o etanol como matéria prima para fabricar eteno. A Rhodia. também utilizando a rota do etanol. Union Carbide. Além dessas empresas. o que afetou significativamente a sua competitividade. 17 Engenheiro Mecânico. tem incentivado a indústria química a diversificar as suas fontes de matérias primas e buscar alternativas de origem renovável. depois de implantada a alcoolquímica no país. Eletrocloro. A alcoolquímica não é exatamente uma novidade. Até a inauguração das centrais petroquímicas na década de 1970. por exemplo. sendo a questão ambiental um fator estratégico. Pelo fato do país ser tecnologicamente avançado na produção de etanol. Além disso. a alcoolquímica perdeu novamente atratividade.4. largamente utilizado para geração de energia térmica e elétrica. butadieno. Uma das principais alternativas é o desenvolvimento da alcoolquímica. deram à alcoolquímica novo fôlego. que se baseia na utilização do etanol (álcool etílico) como matéria-prima para a fabricação de produtos químicos com amplo uso industrial como eteno. as crises mundiais de fornecimento de petróleo ocorridas em 1973 e em 1979. 2010. Contudo. ácido acético. base de seus produtos. o Brasil tem se notabilizado por desenvolver. produziu butadieno. entre outros.Sc. o ciclo de aumento nos preços do petróleo registrado a partir de 2004. e que atingiu o pico de 148 dólares o barril em 2008. acetona. representa 18. e por estar continuamente expandindo a sua produção em bases competitivas com os derivados do petróleo. a Companhia Pernambucana de Borracha Sintética. possibilitando a sua expansão até meados da década de 1980. possui condições para diversificar e ampliar a gama de aplicações do produto. a exaustão das reservas conhecidas de petróleo. o que qualifica a canade-açúcar como a segunda maior fonte de energia na matriz energética nacional18. Outras razões também vieram contribuir para o seu renascimento. O etanol. 224 35656001 miolo. em Engenharia Ambiental e Especialista em Bicombustíveis.4 a alcoolquímica no cenário futuro da cana-de-açúcar alfred szwarc17 introdução Referência internacional no uso de etanol como combustível automotivo. 18 Ano-base 2009. especialmente em termos de emissão de substâncias intensificadoras do efeito estufa. em larga escala.

existem outros que vem sendo desenvolvidos há tempos. indústria automobilística.4 toneladas de CO2 por meio da fotossíntese ao longo de seu ciclo de crescimento.consolidação da alcoolquímica Em 2007. um aditivo para a gasolina que tem cerca de 40% de sua formulação derivada de etanol e que é destinado exclusivamente para exportação. uma matéria-prima renovável e sustentável. Estimativas de ciclo de vida feitas pela empresa indicam que. anunciou a intenção de construir uma planta industrial em Santo André. consumindo 225 35656001 miolo. frequentemente também chamados “plásticos verdes”. limpeza etc. Em uma prova de confiança no etanol. A fabricante estima que cada tonelada de polipropileno produzida deve apresentar. O interesse pelo polietileno é justificado por se tratar do plástico mais utilizado no mundo (indústria automobilística. A empresa chegou a contratar o fornecimento anual de 700 milhões de litros de etanol.0 a 2. de embalagens. higiene. para a fabricação de 60 mil toneladas anuais de eteno. mas também com importantes aplicações em outras áreas como na medicina.9 toneladas de CO2 por tonelada. tradicional fabricante belga de produtos químicos. A Solvay Indupa.indd 225 15/4/2011 15:15:25 . que tem previsão de chegar ao mercado em 2013.5 toneladas de gás carbônico (CO2) da atmosfera pela biomassa. que estava retomando o projeto. brinquedos etc. Com a melhoria do cenário econômico e crescimento do mercado de plásticos a Dow informou. A unidade de ETBE consome cerca de 150 milhões de litros por ano de etanol. brinquedos. por conseguinte. gigante brasileira do setor petroquímico. no ciclo de vida. um impacto na emissão de CO2 equivalente à estimada para o polietileno. todavia a crise financeira global de 2008 e dificuldades com parceiros afetaram o andamento do projeto. gabinetes de eletrodomésticos. três projetos importantes na área da alcoolquímica foram anunciados. desenvolveu um projeto de alcoolquímica para a produção de 200 mil toneladas anuais de polietileno. Por ocasião do anúncio do projeto a direção da empresa previu que uma parcela de sua clientela estaria disposta a pagar um prêmio pelo produto por este ser produzido a partir da cana-de-açúcar. Esse produto é o segundo plástico mais utilizado no mundo e. de cosméticos. Quanto ao PVC. A fábrica da Braskem. A Dow Chemical. O cálculo tem como premissa que a cana-de-açúcar utilizada na produção do etanol necessário para o processo industrial absorve 7. foi inaugurada em 2010 e torna a empresa líder mundial na produção de bioplásticos. mas já anunciou a sua retomada. Como o polietileno produzido a partir do etanol tem características e propriedades idênticas às do produto de origem fóssil. instalada no Rio Grande do Sul. Para isso a empresa fechou um contrato para o fornecimento de 150 milhões de litros de etanol por ano. A Braskem produz o ETBE. Da mesma forma que a Dow. sendo dois voltados para a produção de polietileno e um para a produção de PVC. que teve o seu desenvolvimento interrompido. maior empresa química dos EUA e maior produtora mundial de polietileno. anunciou um projeto ambicioso visando a produção de 350 mil toneladas anuais de polietileno. A intenção declarada pela empresa é de estabelecer uma produção inicial de 30 mil toneladas por ano. apresentar altas taxas de crescimento. Analogamente ao que acontece com o polietileno. embalagens. quando os investimentos na indústria da cana-de-açúcar não paravam de se multiplicar. devido às suas características de elevada resistência a impactos e facilidade de moldagem é bastante utilizado na produção de autopeças.) e. a Braskem desenvolveu um processo para a produção em larga escala de polipropileno. o PVC fabricado com matéria prima derivada de etanol apresenta a mesma versatilidade e características do produto de origem fóssil. Além dos projetos mencionados. a Solvay também interrompeu o projeto por conta da crise financeira global. SP. Outro caso é o da Rhodia: a empresa produz de 15% a 20% de seus produtos pela rota do etanol. Projetos anunciados em 2007 e seu estágio atual: A Braskem. componentes de ferramentas etc. O volume de etanol necessário para atender a produção é de aproximadamente 450 de milhões de litros por ano. trata-se de um tipo de plástico largamente utilizado na construção civil e no saneamento básico. cada tonelada de bioplástico produzido está relacionada à fixação de 2. desde a origem da matéria prima no canavial até a fabricação do polietileno. em dezembro de 2010. pode ser utilizado nas mesmas aplicações. destinadas à produção de PVC. em um complexo industrial a ser construído em Minas Gerais. enquanto que a produção do polietileno emite 4.

mudanças tecnológicas que possibilitem aumento de produtividade agrícola e industrial. Para que todo esse esforço possa ser traduzido em sucesso. 100% derivada de etanol. 226 35656001 miolo. mas o açúcar. em Ribeirão Preto (SP). Essa expectativa tem levado diversas empresas do setor a rever suas estratégias de produção e comercialização com vistas a aumentar sua participação nesse mercado. a partir de 2013. está prevista para entrar em operação nos próximos anos. melhor eficiência energética e maior competitividade comercial. cerca de 60 toneladas por ano de PHB. O PHB. um fator crítico para a consolidação da alcoolquímica e requer uma nova abordagem. onde uma unidade piloto produz. Esse aumento tende a acontecer principalmente nas regiões em que é possível o aproveitamento de terras ociosas e degradadas. as empresas do setor interessadas na alcoolquímica precisarão investir no aumento da capacidade produtiva. para prover a tecnologia de fabricação de acetato de etila usando a rota do etanol e. a Coca-Cola lançou no Brasil as garrafas denominadas “PlantBottle”. fechou contrato com a Sipchem. Previsibilidade no fornecimento de etanol é uma palavra-chave e requer contratos de fornecimento por 10 anos ou mais. plástico que apresenta as mesmas propriedades que o PET tradicional. dada a limitação de disponibilidade de terras para expansão agrícola e considerando os custos elevados dessas terras. as empresas que utilizam ou pretendem utilizar a alcoolquímica tem que estar seguras quanto ao fornecimento do etanol e à competitividade do produto no longo prazo. petroquímica da Arábia Saudita. Uma nova planta industrial. Perspectivas para o setor sucroalcooleiro A consolidação da alcoolquímica abre novas perspectivas para o setor sucroalcooleiro. Como o uso automotivo do etanol deve continuar a se expandir. Em 2010. que valorize as externalidades ambientais e sociais positivas relacionadas com a produção e utilização do etanol. são produzidas de bio-PET. a Coca-Cola vem trabalhando com seus fornecedores para que o produto seja produzido no Brasil e demonstra expectativas de que a fração de eteno que compõe o bio-PET seja. Embora não utilize o etanol como matéria prima. quando deve ser iniciada a produção. o que agrega valor ao produto. utilizadas nos EUA e no Canadá desde 2009. substituindo parcialmente o eteno de origem fóssil. Japão e Europa. mas que contêm na sua composição até 30% de eteno derivado de etanol. o crescimento da produção irá requerer. A tendência de crescimento no uso do bio-PET é significativa e vem ganhando atenção internacional.5 bilhão de litros por ano. com produção de 10 mil toneladas por ano. aumento do rendimento industrial. No estado de São Paulo. Além desses investimentos. que pode dobrar em alguns anos. Um projeto inovador de produção de plástico a partir do açúcar da cana vem sendo conduzido na Usina da Pedra. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. em futuro próximo.indd 226 15/4/2011 15:15:25 . Além disso. desde 2002. Embora o bio-PET seja atualmente importado. Os diversos processos que vem sendo desenvolvidos na área da alcoolquímica requerem investimentos em inovação tecnológica na busca por novas aplicações. também são necessários investimentos adicionais nas novas unidades industriais. principalmente nos estados de Goiás. a origem da matéria prima é a mesma. De acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA). que representa de 5% a 10% da sua produção de etanol. certamente. o que a torna uma das principais consumidoras industriais do produto. irá fornecer 70 milhões de litros de etanol por ano. Consideradas pela fabricante de bebidas como um passo positivo em direção da sustentabilidade. que geram conhecimento científico e know-how. praticamente toda a produção é exportada para os EUA. A questão dos preços do etanol em relação às matérias primas de origem fóssil é. em grande parte dos casos. Embora ainda tenha custo elevado e aplicação limitada.cerca de 500 milhões de litros por ano. A Petrobras assinou no começo de 2011 um contrato de 10 anos para o fornecimento anual de 143 milhões de litros de etanol para a produção de bio-PET em Taiwan. o mercado de etanol para as indústrias químicas e farmacêuticas movimenta no país um volume superior a 1. além de ser de origem renovável é 100% biodegradável.

que possibilita a conversão da celulose e da hemi-celulose existentes no bagaço e na palha da cana em açúcares. A biorrefinaria pode ser definida como um complexo agroindustrial integrado onde a produção e aproveitamento da biomassa são maximizados. complementando as necessidades energéticas da planta industrial ou sendo usado como combustível em motores estacionários. Uma rota tecnológica fundamental para a biorrefinaria do futuro é a hidrólise. Embora nenhuma dessas rotas ainda esteja suficientemente desenvolvida para aplicação comercial. pelo menos em parte. uma vez que as necessidades de aumento contínuo de produção poderão ser feitas sem que seja necessário aumento proporcional de terras. que pode inclusive vir a dobrar. de efluentes líquidos e de emissões atmosféricas. Outra rota tecnológica chave é a gaseificação da biomassa. se adequadamente aproveitada. A gaseificação do bagaço e da palha tem recebido menos atenção. uma biorrefinaria poderá dar utilização mais nobre a esse resíduo. Essa rota também possibilita a utilização da lignina existente na biomassa para a geração de energia ou como matéria prima para várias aplicações (espumas fenólicas. Esse esforço de inovação aponta para uma nova configuração do setor no futuro e representa um avanço significativo em relação ao estágio atual. do reaproveitamento do uso da água e da redução de geração de resíduos. já apelidado de “diesel da cana”). possibilitam significativo aumento da produtividade na produção de etanol. A transformação das tradicionais “usinas de açúcar integradas com as destilarias anexas” em “biorrefinarias” é o caminho que se apresenta. mas que gera emissão indesejável de poluentes atmosféricos). do processamento integral da biomassa.indd 227 15/4/2011 15:15:25 . As duas rotas tecnológicas. A crescente mecanização da colheita da cana-de-açúcar e o consequente abandono da queima da palha da cana no campo (prática adotada para facilitar o corte manual. Uma melhor eficiência produtiva poderá ser traduzida também em benefícios ambientais do uso de novas variedades de cana. baseado essencialmente no aproveitamento da sacarose para a produção de açúcar e de etanol e no uso energético do bagaço. incrementando dessa forma a capacidade do etanol em contribuir para a mitigação dos gases de efeito estufa. que pode ser convertido por meio de reatores catalíticos em uma ampla gama de produtos. butanol e moléculas de hidrocarbonetos (caso do farneseno. a Petrobras e a Oxiteno. alcançada a etapa de viabilidade comercial. importantes avanços já foram feitos possibilitando a construção de unidades-piloto e operação experimental. Atualmente algumas empresas do setor sucroalcooleiro já estão gradualmente incorporando a palha no bagaço para uso como combustível nas caldeiras. destacando-se os trabalhos desenvolvidos pelo Centro de Tecnologia Canavieira - CTC e por algumas empresas. disponibiliza uma grande quantidade de biomassa que. 227 35656001 miolo. formação do canavial e colheita. A hidrólise vem sendo pesquisada no Brasil por diversas universidades e instituições científicas. por meio das rotas tecnológicas mencionadas a seguir.A necessidade de aumento da produção para suprir as necessidades do mercado tem estimulado a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico visando o aproveitamento total da biomassa da cana. insumos e equipamentos agrícolas. Dos estudos em andamento pode-se destacar o projeto do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT. resultando em diversos produtos e energia. de métodos mais avançados de plantio. que posteriormente poderão ser transformados em diversos produtos como etanol.). todavia. perde o estigma de material indesejável e ganha o status de subproduto com valor econômico. O conceito é similar ao adotado nas refinarias de petróleo. de forma integrada e otimizada. tratamento de efluentes para remoção de metais pesados etc. onde são produzidos. Essa perspectiva tem implicações econômicas e ambientais positivas. A geração de energia em uma biorrefinaria pode ser incrementada por meio da produção de biogás a partir da vinhaça e outros resíduos orgânicos disponíveis. diversos produtos para várias aplicações. muito em função dos elevados custos de desenvolvimento dessa tecnologia e carência de pesquisadores na área. para a produção de gás de síntese (gás rico em monóxido de carbono e hidrogênio). como a Dedini. máquinas agrícolas e veículos de transporte.

aumentar a produção de etanol. Outros produtos. Além disso. que apresenta diversas vantagens técnicas e ambientais em relação ao diesel derivado de petróleo. já se encontram em um estágio que permite classificá-las como precursoras das biorrefinarias. especialmente as instaladas no estado de São Paulo. dessa forma. É perfeitamente possível que em futuro próximo seja possível processar a totalidade da biomassa existente na cana-de-açúcar e. Muitas das unidades produtoras de açúcar e etanol existentes no país. a alcoolquímica é uma alternativa tecnicamente viável para suprir um mercado que apresenta demanda crescente por produtos fabricados de forma sustentável.indd 228 15/4/2011 15:15:25 . alguns novos no mercado. 228 35656001 miolo. também poderão ser viabilizados. entretanto enfrenta o desafio da competição com os derivados de petróleo e o gás natural. inclusive contemplando o abastecimento da alcoolquímica. Pesa a favor da alcoolquímica a possibilidade de efetivos ganhos ambientais em relação à petroquímica. principalmente quanto à redução de gases de efeito estufa. pois tem na inovação tecnológica importante ferramenta para o crescimento da produção. caso do “diesel de cana”.considerações finais A alcoolquímica representa uma grande oportunidade de negócios para a indústria da cana-de-açúcar.

em 2000. devendo alcançar 2 bilhões em 2050.000 1.193 1.500 1. a população idosa continue crescendo em ritmo superior ao das demais faixas etárias. 3 PoPulação Mundial de 60 anos e Mais (1950/2050) Em milhões 2.6% ao ano. no conjunto da população mundial. Doutor em Saúde Pública (USP). acompanhado de aumento contínuo da longevidade. Bélgica). enquanto 19 Economista. A tendência é de que.1% anualmente.500 1. O decréscimo da fecundidade observado na população mundial. FiGura 4. portanto. que a população idosa mundial poderá triplicar de volume em um espaço de 50 anos.indd 229 15/4/2011 15:15:26 . até meados do século. enquanto a população total aumenta 1. determinou importante retração nos ritmos de crescimento demográfico e rápido processo de envelhecimento populacional. Gerente de Indicadores e Estudos de População da Fundação Seade. 229 35656001 miolo. A queda da fecundidade é o principal fator determinante desse processo de redução progressiva do ritmo de crescimento dos nascimentos. aproximadamente 600 milhões de pessoas possuíam mais de 60 anos. Doutora em Saúde Pública (USP).5 transição demográfica e envelhecimento populacional no estado de são Paulo carlos eugenio de carvalho Ferreira19 bernadette cunha Waldvogel20 O fenômeno do envelhecimento populacional vem atingindo praticamente todos os países do mundo. Segundo o relatório sobre envelhecimento populacional das Nações Unidas de 2007 (World Population Ageing). e constitui processo sem paralelo na história da humanidade. Na atualidade. Mestre em Demografia (Louvain. com maior ou menor intensidade. Essa projeção indica.968 2.000 609 500 205 350 0 1950 1975 2000 2025 2050 Fonte: United Nations Uma população envelhece quando o aumento da proporção de idosos (pessoas com mais de 60 anos) está associado ao decréscimo da proporção de crianças (menores de 15 anos). esse segmento cresce a uma taxa de 2. Coordenador da Divisão de Projeções Populacionais da Fundação Seade 20 Estatística. Mestre em Demografia (Cedeplar/UFMG).4.

da paulista. a diminuição da fecundidade foi contínua de 1983 até o início dos anos 1990.1 1.1 filhos por mulher) até alcançar o mínimo de 1.5 Fonte: Fundação Seade Nota: (1) Número médio de filhos por mulher Assim.3 2. estando relacionado ao aumento da longevidade e do volume das gerações mais antigas.9 2. Nesse período.9 1. Os indicadores para a década seguinte indicam que a fecundidade reduziuse consideravelmente.1 2. quando ocorreu uma relativa estabilização. no período de 1970 a 2009.7 3.o dos idosos permanece crescente. nos anos 1990. A primeira década do novo século apresentou decréscimo sistemático do número de nascidos vivos.4. a taxa de fecundidade do Estado de São Paulo. no início da década de 1980. FiGura 4. mas sem chegar ao nível máximo registrado anteriormente. vai perdendo sua forma original com o progressivo estreitamento da base. quando ocorreu uma recuperação relativa. a estrutura etária da população se altera radicalmente e a forma piramidal. No Estado de São Paulo.5 2.5. mais especificamente.indd 230 15/4/2011 15:15:26 .3 3.7 19 8 19 0 8 19 1 8 19 2 8 19 3 84 19 8 19 5 8 19 6 8 19 7 88 19 8 19 9 9 19 0 9 19 1 92 19 9 19 3 9 19 4 95 19 9 19 6 9 19 7 9 19 8 9 20 9 00 20 0 20 1 0 20 2 03 20 0 20 4 0 20 5 0 20 6 07 20 0 20 8 09 1. como mostra a Figura 4.3 filhos. que permanece até 2009. A tendência da fecundidade alterou significativamente a evolução do número de nascidos vivos no Estado de São Paulo. Desta forma. passou de 3. a transição demográfica no estado de são Paulo O processo de transição demográfica da população brasileira e. médio de filhos 3. passando a valores inferiores ao nível de reposição (2. os nascimentos no Estado alcançaram um volume máximo em 1982 (772 mil nascidos vivos).7 2.4 filhos em média por mulher. A partir de 2000. para cerca de 2. atingindo 598 mil em 2009. elaborada com base nas informações do Registro Civil produzidas na Fundação Seade. contempla a queda acentuada da fecundidade para níveis inferiores ao da reposição e o aumento progressivo da esperança de vida ao nascer. a redução tem sido sistemática. geralmente utilizada para representar a distribuição por idade de uma população. em 2007.5 3. 4 taxa de Fecundidade (1) no estado de são Paulo (1980-2009) N.7 filho. como se pode observar na Figura 4. passando a diminuir até o início dos anos 1990. 230 35656001 miolo.

o que se refletiu negativamente no cômputo da vida média. indica progresso contínuo na luta contra a mortalidade e nítido aumento da vida média da população paulista (Tabela 4. por sua vez. principalmente na faixa etária de 15 a 39 anos. principalmente da infantil. resultaram na diminuição das taxas de mortalidade e no aumento da esperança de vida em várias regiões do país e. com reflexos positivos importantes sobre a esperança de vida paulista. Os maiores ganhos de esperança de vida foram registrados entre 1940 e 1960. FiGura 4.A tendência de queda do número de nascimentos em São Paulo determina a formação de gerações cada vez menores. a tendência de aumento da esperança de vida aos 60 anos de idade. mais especificamente. Cabe destacar. 231 35656001 miolo. Durante a década de 1970. que reflete maior longevidade da população e contribui. com ênfase na expansão da rede de água e esgoto e de serviços básicos. manteve-se a tendência de redução da mortalidade em São Paulo. que reproduzem uma população jovem decrescente ao longo do tempo.indd 231 15/4/2011 15:15:27 . Na década de 1980. como resultado da redução da incidência e da letalidade de muitas doenças infecciosas e parasitárias responsáveis pela elevada frequência de mortes evitáveis. sobretudo na população infantil. para o processo de envelhecimento demográfico. reduzindo-se assim os ganhos em esperança de vida. Entretanto. 5 nascidos vivos no estado de são Paulo (1970-2009) Em mil 800 750 700 650 600 550 500 450 09 20 06 20 03 20 00 20 97 19 94 19 91 19 88 19 85 19 82 19 79 19 76 19 73 19 19 70 400 Fonte: Fundação Seade A evolução do indicador sintético de nível da mortalidade – a esperança de vida ao nascer – no período 19402009.3). as intervenções governamentais na área da saúde pública. intensificou-se o aumento da mortalidade masculina precoce por acidentes e violências. nesse processo de transição da mortalidade. o que representou contribuição importante para o crescimento da esperança de vida ao nascer. O início do novo século veio acompanhado de redução significativa das causas violentas. no Estado de São Paulo.

é a redução do crescimento vegetativo que responde fundamentalmente pela retração do ritmo de crescimento demográfico no Estado.252. Se a diminuição do ritmo de crescimento demográfico reduz pressões em diversos setores da sociedade e contempla o planejamento com maior fôlego para realizações almejadas.6. 4 evolução da PoPulação do estado de são Paulo (1970-2010) anos População crescimento absoluto anual taxa anual de crescimento (%) 1970 17. que apresentaram ritmo decrescente (Tabela 4.953.323 3.974. Entre 1970 e 1980. e cúspide estreita. as transformações na estrutura etária paulista A evolução da pirâmide etária do Estado de São Paulo.7 20. Embora o saldo migratório para o Estado de São Paulo.2 2009 74.7 17.4).670.10% ao ano na última década (2000-2010).345 1. que apresenta as pirâmides de 1950 a 2050.5 Fonte: Fundação Seade A queda da fecundidade. No passado. que já foi elevado no passado. o rápido processo de transição demográfica no Estado de São Paulo introduziu mudanças significativas nos padrões e tendências populacionais.367 2. deixa evidente o impacto do processo de envelhecimento e as profundas mudanças que estão em andamento na composição por idade da população. A fase de população eminentemente jovem associada a elevadas taxas de crescimento populacional está sendo substituída por um perfil etário cada vez mais envelhecido e associado a baixas taxas de crescimento demográfico.indd 232 15/4/2011 15:15:27 .5 2000 71.6 19. tabela 4.3 1960 60. 232 35656001 miolo.160 - - Fonte: Fundação Seade e IBGE Em síntese. a taxa de crescimento era de 3. as tendências do novo perfil etário da população alertam para o fato de que as demandas sociais no âmago da sociedade paulista estão paulatinamente se alterando e pendendo para o segmento mais idoso da população.4 13. teve impacto significativo sobre a evolução das taxas de crescimento populacional do Estado.12 1991 31.6 2005 73.778 1.378 427. tenha também diminuído. a estrutura por idade da população se assemelhava a uma pirâmide com base muito ampla.273 615.82 2000 36.436. como pode ser visto na Figura 4.51 1980 24. entre 1950 e 2050.013 728.8 1980 66.51% ao ano e foi se reduzindo até atingir 1. 3 esPerança de vida ao nascer e aos 60 anos no estado de são Paulo (1940-2009) esperança de vida (em anos) anos ao nascer aos 60 anos 1940 45. O processo de envelhecimento demográfico vem distorcendo a forma tradicional da pirâmide.0 15. que representava os mais jovens.4 20. onde se concentravam as idades mais avançadas.238 589.10 2010 41.tabela 4. que resultou na diminuição dos nascimentos e na redução acentuada do crescimento vegetativo.

FiGura 4. Por sexo. no estado de são Paulo (1950-2050) Homens Mulheres 75 e + 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 05 a 09 00 a 04 % 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 1950 % 0 1 2 3 4 5 6 Homens 7 % 9 8 7 6 5 4 3 2 1 1 2 3 4 5 6 7 7 8 10 9 10 Mulheres % 8 9 % 0 0 75 e + 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 05 a 09 00 a 04 9 10 2000 Homens 10 9 Mulheres 75 e + 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 05 a 09 00 a 04 10 8 6 5 4 3 2 1 0 2050 % 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Fonte: Fundação Seade e IBGE Em 1950.indd 233 15/4/2011 15:15:27 . delineando. a base da pirâmide da população do Estado de São Paulo. 6 PirâMides etárias da PoPulação residente. representada pelo grupo de 0 a 4 anos. Os grupos etários subsequentes reduzem sua participação à medida que as idades avançam. assim. a forma clássica de uma pirâmide. corresponde à maior participação relativa no total da população. 233 35656001 miolo.

A profunda transformação no padrão etário da população paulista fica evidente ao se considerar que. ao contrário do que acontecia em 1950. 234 35656001 miolo. Isso significa dizer que. tais como educação.6 milhões de indivíduos. no horizonte de 40 anos a metade da população paulista terá mais de 45 anos. em 2025. Esses três momentos da demografia paulista mostram a trajetória do processo de envelhecimento e o novo retrato da população.5 anos em 2000 e. previdência social. atingirá 45.7 anos em 1950. a partir da base. em 2025. passando a exibir uma figura que se parece com uma pirâmide invertida. se dará com um contingente de 8. em que a idade mediana. saúde. etc.Já em 2000. o traçado geométrico apresenta mutações em consequência do estreitamento da base da pirâmide e do alargamento das faixas etárias mais avançadas. A geometria da figura deixa de ser a da pirâmide tradicional. que era de 20. os grupos etários que estão chegando ao topo da pirâmide pertencem a gerações crescentes devido à elevada fecundidade no passado e também por se beneficiarem de maior longevidade. Por outro lado. se os parâmetros da projeção ocorrerem exatamente como esperado.2 anos em 2050. em que a base tornou-se mais estreita do que o topo. diretamente resultante de duas tendências populacionais opostas: decréscimo dos efetivos mais jovens e contínuo aumento dos contingentes mais idosos.7 apresenta essa tendência histórica e indica que o ponto de encontro das duas curvas. ao reduzir drasticamente a participação da população jovem. evolução das populações de jovens e idosos em são Paulo As projeções demográficas produzidas pela Fundação Seade para o Estado de São Paulo indicam que. vão aumentando sua participação em relação ao total da população. Trata-se de situação singular na história da população paulista. a quantidade de pessoas com mais de 60 anos deverá ultrapassar o número de jovens com idade até 14 anos. Tal panorama interfere em todas as dimensões da vida e terá profundo impacto nas demandas de todos os setores da sociedade. A queda da fecundidade e a consequente redução do número de nascimentos no Estado. As projeções demográficas para 2050 indicam profunda transformação na estrutura etária da população. durante a década de 1980. foi impactante na estrutura etária da população paulista. A Figura 4. as faixas etárias. possivelmente. passa a 27.indd 234 15/4/2011 15:15:27 . enquanto em 2010 a metade da população paulista tem menos de 32 anos de idade.

Vale ressaltar que em 2010 o contingente jovem era o dobro do idoso. quando atingiu um total de 9. que permaneceram residindo no Estado. em 2050. as projeções indicam decréscimo do número de crianças.7 milhões. mas em 2050 a relação se inverterá e o segmento idoso será duas vezes maior. O segmento populacional com menos de 14 anos de idade era composto. aumento de mais de 36 vezes em cem anos.000 14. Evidentemente. como é possível intuir com as tendências das razões de dependência.000 10. em 1950.000.FiGura 4. em relação à população total. e os eventuais imigrantes da mesma faixa etária. a população paulista acima de 60 anos de idade era de 402 mil pessoas e a projeção para 2050 indica um efetivo de 14. já existe.000 12. ou seja.000 0 1950 1960 1970 1980 1990 2000 Jovem (0 a 14 anos) 2010 2020 2030 2040 2050 Idosa (60 anos e +) Fonte: Fundação Seade e IBGE A evolução populacional no período de 1950 a 2050 torna evidente o impacto das transformações que ocorrem na estrutura etária da população paulista e a transferência progressiva da participação dos jovens para os idosos. 235 35656001 miolo. As relações entre os segmentos populacionais em idade predominantemente inativa e aqueles em idade potencialmente ativa sofrerão alterações importantes.000. 7 PoPulação JoveM e idosa no estado de são Paulo (1950-2050) População 16.000 8.000.000 4. Estas cifras tornam-se ainda mais realistas quando se considera que a geração formada pelas pessoas com mais de 60 anos.000 6.indd 235 15/4/2011 15:15:28 . podendo ser identificada no recenseamento de 2010 como a população com mais de 20 anos de idade. em 2050.000.5 milhões de crianças.000. Esse número cresceu até 2000.000. por 3. Em 1950. devendo atingir 6.000.7 milhões. em decorrência do nascimento de gerações cada vez menores. A partir deste ano.6 milhões em 2050.000 2. o censo contará os sobreviventes dessa geração.000.

quando os níveis da dependência situavam-se em patamar elevado. Esse período caracteriza-se pelo fato de o segmento jovem se reduzir significativamente e o dos idosos. os mesmos patamares elevados já registrados anteriormente. • de 1980 a 2010. FiGura 4. 8 razão de dePendência no estado de são Paulo (1950-2050) % 100 90 80 70 60 50 40 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 2040 2050 Fonte: Fundação Seade e IBGE O gráfico da evolução da razão de dependência também demonstra que os menores níveis de dependência. ainda não atingir volumes mais expressivos. em que os níveis de dependência se reduzem sistematicamente. com valores próximos de 50%. entre 1959 e 1970. denominada “janela demográfica de oportunidades” ou “ bônus demográfico”. Trata-se de situação singular durante o processo de transição demográfica. em função do crescimento da população idosa. em que a razão de dependência tenderá a aumentar. atingindo. que vem crescendo.indd 236 15/4/2011 15:15:28 . em relação à população potencialmente produtiva. e o peso concentrava-se na população jovem (0 a 14 anos). • de 2010 a 2050. A evolução da razão de dependência. está representada no Gráfico 6 e mostra três fases distintas: • de 1950 a 1970. por refletir uma conjuntura demográfica favorável ao processo de desen- 236 35656001 miolo. durante o processo de transição demográfica paulista. Foi convencionada a utilização da soma dos menores de 15 anos e dos maiores de 60 anos para relacionar com a população potencialmente produtiva de 15 a 59 anos de idade. próximo de 2050. situam-se entre 2000 e 2020.evolução das razões de dependência A razão de dependência é um indicador da participação da população potencialmente inativa. em torno de 75%. para o período 1950 a 2050.

cultural. no trabalho ou no lazer. a população do Estado de São Paulo continuará em rápido processo de envelhecimento. entre outros. ampliação da cobertura do ensino médio e profissionalizante e cursos voltados para adultos e idosos. além de um tempo de internação hospitalar. ganham peso relativo cada vez maior e demandam recursos mais especializados e mais sofisticados. por um lado. diante das tendências de declínio da fecundidade e da mortalidade. etc. relaciona-se tanto com o novo padrão demográfico como com as características do mercado de trabalho. passarão necessariamente por adaptações. o que acarretará importantes transformações na vida econômica. Por outro lado. A dinâmica desses fatores interfere diretamente na relação almejada entre contribuintes e aposentados. Os veículos. No mercado de trabalho. com os maiores níveis de instrução e especialização da força de trabalho e.volvimento socioeconômico.indd 237 15/4/2011 15:15:28 . sofrerá importantes alterações em sua composição. saúde. com os incentivos legais e a elevação dos limites da idade para aposentadoria. portanto. como o da geriatria e da gerontologia. em média. A estrutura do consumo. a permanência prolongada do trabalhador com mais idade poderá ser uma nova tendência que se relaciona. os equipamentos urbanos em geral. 237 35656001 miolo.. os semáforos de pedestres. Setores. portanto. mais frequentes nas pessoas idosas. meio ambiente. tendem a desempenhar papel crucial nesse novo contexto sociodemográfico. na organização das cidades. considerações finais As análises prospectivas apresentadas indicam que. as vias públicas. gerando maior fôlego para a melhoria da qualidade da educação. mais prolongado. O crescimento rápido da população de aposentados. mais fôlego na sociedade para investimentos visando o desenvolvimento e adaptação à nova realidade demográfica que já começa a se delinear. lazer. A transição de um perfil populacional jovem com elevadas taxas de crescimento para uma população com idade média mais avançada e baixa taxa de crescimento afetará diretamente o consumo da população. que já acontecem e que tendem a se intensificar no futuro. As pressões determinadas pelas necessidades dos segmentos inativos da população seriam relativamente menores e haveria. Seja na residência. etc. permitindo o maior aperfeiçoamento e a realocação de recursos na sociedade. por outro. Em síntese. No âmbito da previdência social. que tem origem na proporção crescente de pessoas entrando em aposentadoria e no maior tempo de permanência desfrutando do benefício. sem dúvida. um efeito redutor de pressões sobre diversos setores do planejamento. a relação entre contribuintes e aposentados sofre pressões tanto do processo de envelhecimento demográfico como da persistência do desemprego e da informalidade no mercado de trabalho. novas demandas serão geradas com implicações diretas no planejamento e na produção de bens e serviços. A rápida queda da fecundidade tem relação direta com a redução da demanda por vagas no ensino fundamental. As modificações na estrutura etária vão introduzir profundas alterações no perfil de morbidade da população. as vias de acesso. a diminuição das taxas de crescimento populacional trará. em decorrência das novas ponderações demográficas. habitação. as transformações demográficas previstas para as próximas décadas indicam a necessidade de redimensionamento das demandas em praticamente todos os setores da sociedade. As doenças de natureza crônico-degenerativa. visando realocação de recursos e equilíbrio entre gerações. como educação.

ambiente. A certificação segue padrões internacionais de controles ambientais e sociais.sp.São Paulo – SP Fone: (11) 3133-3000 www. 345 05459-900 .Esta revista foi impressa em papel fabricado com madeira de reflorestamento certificado com o selo do FSC (Conselho de Manejo Florestal) e de outras fontes controladas.. © FSC Fontes Mistas Grupo de produto proveniente de florestas bem manejadas e fontes controladas www. Professor Frederico Hermann Jr.fsc.sp.gov.br info@cetesbnet.org cert no.gov.indd 238 15/4/2011 15:15:29 .br disque ambiente 0800 113560 35656001 miolo. SW-COC-000000 © 1996 Forest Stewardship Council secretaria do Meio ambiente Av.

R E L AT Ó R I O 2 0 1 1 ISBN 978-85-86624-91-9 M E I O A M B I E N T E P A U L I S TA M E I O A M B I E N T E PAU L I S TA SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE RELATÓRIO DE QUALIDADE AMBIENTAL QUA L I DA D E A M B I E N TA L 2011 MEIO AMBIENTE PAULISTA GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO S E C R E TA R I A D O M E I O A M B I E N T E 35656001 capa ok.indd 1 5/4/11 3:49 PM .