Aula

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˜ I MPL´I CITA
D ERIVAC¸ AO

Objetivo
Ao final desta aula, vocˆe dever´a ser capaz de:
1 compreender como se deriva implicitamente uma
func¸a˜ o que satisfac¸a uma determinada equac¸a˜ o.

dt t=0 Sob as hip´oteses da Proposic¸a˜ o10. ent˜ao dy = cos x e dx   dy  = cos π = −1. escrevamos y = f (x). vamos introduzir a notac¸a˜ o de Leibniz para a derivada. dy  indicar´a f  (a). ent˜ao dy = 6x5 − 8x3 + 21x2 e dx   dy  = 23. dx  x=a   Exemplo 13. dy a f  (x). Ent˜ao dy dz dw = ( f + g) (x) = f  (x) + g (x) = + . Vejamos alguns exemplos. dx x=π  Exemplo 13. Se para uma dada func¸a˜o f  escrevermos y = f (x).C´alculo I | Derivac¸a˜ o Impl´ıcita Referˆencias: Aulas 9.2. ˜ I NTRODUC¸ AO Antes de entrar no assunto desta aula. dx dx dx 190 C E D E R J . 10 e 12. dx x=−1  Exemplo 13. ent˜ao +5 2 ds 2t(t 4 + 5) − (t 2 + 1)t 4 −t 6 + 2t 5 − t 4 + 10t = = e dt (t 4 + 5)2 (t 4 + 5)2  ds  = 0. z = g(x) e w = y + z = f (x) + g(x) = ( f + g)(x). A notac¸a˜ o dy dx representar´ dx  x=a ser´ a usada para indicar a derivada de y = f (x) em a.3   Se s = tt 4 +1 .2   Se y = sen x. ou seja.1   Se y = x6 − 2x4 + 7x3 − 2.

z = g(x) e w = yz = f (x)g(x) = ( f g)(x). . escrevamos u = x.3. sob as hip´oteses da Proposic¸a˜ o12.4.5   Seja y = sen x = 0. dx du dx 3u 3 3(sen x) 3 C E D E R J 191 . √ 3 sen x e calculemos dy dx para todo x ∈ R tal que √ 1 Soluc¸a˜ o: De fato. segue que 3u 3 dy dy du cos x cos x = . dx dx du dx   Exemplo 13. 1 2 dy = 13 u 3 −1 = 13 u− 3 = 12 e du Como du dx = cos x. ent˜ao y = 3 u = u 3 . z2 Finalmente. sob as hip´oteses da Proposic   ¸ a˜ o10. escrevaf (x) y mos y = f (x). dx dx dx dw = dx   f f  (x)g(x) − f (x)g (x) (x) = = g (g(x))2 AULA Analogamente. = . = 2 = 2 .4   √ Seja y = cos( x) e calculemos dy dx para todo x > 0. ent˜ao y = cos(u). Como dy du 1 √ du = −sen u e dx = 2 x . = −(sen u)( √ ) = − dx du dx 2 x 2 x   Exemplo 13. escrevamos y = f (x).´ 1 13 1 MODULO Sob as hip´oteses da Proposic¸a˜ o10. Ent˜ao dz dy dw = ( f g) (x) = f  (x)g(x) + f (x)g (x) = z + y . √ Soluc¸a˜ o: De fato. escrevamos u = sen x. segue que √ 1 sen ( x) dy dy du √ . Ent˜ao dy dz dx z − y dx .1. Ent˜ao dy du dy du = (g ◦ f )(x) = g ( f (x)) f  (x) = g (u) = . z = g(x) e w = z = g(x) = gf (x). escrevamos u = f (x) e y = g(u) = g( f (x)) = (g ◦ f )(x).

dx = 0. Evidentemente. Mais precisamente. 0) e raio 1. queremos encontrar uma func¸a˜ o deriv´avel y = f (x) que satisfac¸a a equac¸a˜ o. representa o c´ırculo de centro (0. Al´em disso. derivando ambos os lados da equac¸a˜ o + y2 = 1 em relac¸a˜ o a x. f2  (x) = − (1 − x2 )− 2 (−2x) = √ 2 2 f2 (x) (− 1 − x ) Portanto. para todo x ∈ (−1. obtemos 2x + 2y dy ´. dy dx = − xy em ambos os casos. vamos preparar o terreno para entrar no assunto desta aula. Queremos saber para que valores de x podemos escrever y como uma func¸a˜ o (deriv´avel) de x.6   Consideremos a equac¸a˜ o x2 + y2 = 1 que. dy  dx x= π 2 = cos π2 3(sen 2 π 3 2) = 0 3 = 0. H´a ent˜ao duas possibilidades para y:   y = f1 (x) = 1 − x2 ou y = f2 (x) = − 1 − x2 . com f deriv´avel. Soluc¸a˜ o: No caso em quest˜ao.   Exemplo 13. Com efeito. x ficar´a restrito ao intervalo (−1. 1). ser´ıamos capazes de achar dy ao tiv´essemos dx em termos de x e y. temos 1 1 x x f1  (x) = (1 − x2 )− 2 (−2x) = − √ =− 2 f1 (x) 1 − x2 e 1 x 1 −x =− . No exemplo a seguir. mesmo que n˜ y = f (x) explicitamente. em ambos os casos. x2 192 C E D E R J . como sabemos. admitindo apenas a existˆencia de y = f (x) satisfazendo a equac¸a˜ o x2 + y2 = 1. Observemos que.C´alculo I | Derivac¸a˜ o Impl´ıcita  Logo. devemos ter y2 = 1 − x2 . 1). isto e dy x + y dx = 0.

admitindo que y seja uma func¸a˜ o deriv´avel da vari´avel x. Neste caso. . da equac¸a˜ o xy2 + x + y = 1. dx 2xy + 1   Exemplo 13. a func¸a˜ o dada implicitaC E D E R J 193 ´ 1 13 1 MODULO dy dx AULA Assim. dx Assim.8   Sejam a > 0 e y = f (x). diremos que a func dada (ou definida) implicitamente pela equac¸a˜ o e que estamos obtendo dy ¸ a˜ o impl´ıcita da equac¸a˜ o dada. como podemos constatar no pr´ exemplo. No caso. necessariamente.7   Quando dizemos que uma func¸a˜ o deriv´avel. y2 + 2xy dy dy + = −1. Entretanto. podemos derivar a equac¸a˜ o em relac¸a˜ o a x para obter dy ¸ a˜ o est´a dx . derivando implicitamente. Seja y = f (x) uma func¸a˜ o deriv´avel dada implicitamente −y2 −1 pela equac¸a˜ o xy2 + x + y = 1. dx dx isto e´ . pode ser dif´ıcil ou at´e mesmo imposs´ıvel explicitar y como func¸a˜ o de x. supondo 2xy + 1 = 0. e´ bem mais simples encontrar uma express˜ao para dy oximo dx em termos de x e y. e´ complicado escrever y explicitamente como func¸a˜ o de x. dada uma equac¸a˜ o em x e y. Soluc¸a˜ o: De fato. (1 + 2xy) dy = −y2 − 1. dx por derivac   Exemplo 13. Mostremos que dy dx = 2xy+1 se 2xy + 1 = 0. como xy2 + x + y = 1. Em geral. est´a definida implicitamente por uma equac¸a˜ o. admitindo que y = f (x) seja uma func¸a˜ o deriv´avel satisfazendo esta equac¸a˜ o. com y > 0.= − xy . dx dx isto e´ . termos uma maneira expl´ıcita de espress´a-la como func¸a˜ o de x. No entanto. da vari´avel x. segue que dy −y2 − 1 = . por exemplo. satisfazendo a equac¸a˜ o dada. obtemos y2 + x2y dy dy +1+ = 0. estamos admitindo a existˆencia de uma tal func¸a˜ o sem.

obtemos 9x2 y + 3x3 194 C E D E R J dy dy − 4y3 + 10x = 0. dx dx y √ a2 = a. obtemos 2x + 2y dy x dy = 0. Vamos encontrar a func¸a˜ o f . na notac¸a˜ o de Leibniz. como x2 +y2 = a2 . segue que y = f (x) = a2 − x2 para x no intervalo (−a. Soluc¸a˜ o: Com efeito. isto e´ . vista na Aula 12. dy x =− .   Exemplo 13. f (0)) = (0. x a sua derivada. a). como x2 + y2 = a2 . como f (0) = Portanto. temos y = √ a2 − x2 ou y = − a2 − x2 . √ Soluc¸a˜ o:√Primeiramente. a equac¸a˜ o da reta tangente ao gr´afico de f no ponto (0. dx y Poder´ıamos tamb´em obter a igualdade acima derivando implicitamente. 2). como 3x3 y − y4 + 5x2 = −5. f (0)). derivando implicitamente. Como y > 0.9   A func¸a˜ o deriv´avel y = f (x) e´ dada implicitamente pela equac¸a˜ o 3x3 y − y4 + 5x2 = −5. a). Vamos determinar a equac¸a˜ o da reta tangente ao gr´afico de f no ponto (1. Ou. dx dx . =− .C´alculo I | Derivac¸a˜ o Impl´ıcita mente pela equac¸a˜ o x2 + y2 = a2 . a) e´ y = f (0) + f  (0)(x − 0) = a. Realmente. ent˜ao  dy  0  = − = 0. 1 1 x x =− f  (x) = (a2 − x2 ) 2 −1 (−2x) = − √ 2 f (x) a2 − x2 para todo x ∈ (−a. mostrar que dy ¸ a˜ o da reta dx = − y e achar a equac tangente ao gr´afico de f no ponto (0. Pela regra da cadeia. f (0) =  dx x=0 a Finalmente.

3) seja 1. segue que √ 6 − 3β = α 6 + 3 = 3α . Soluc¸a˜ o: Primeiramente. como f (6) = 3. =− = − f (1) =  dx x=1 3 − 4(2)3 −29 29 Portanto. dx 3x − 4y3 Finalmente. 29   Exemplo 13. dy = −(10x + 9x2 y). se 3x3 − 4y3 = 0. 1−β − √ dx 2 x + y  Como estamos supondo que dy  dx x=6 = 1. dx Logo. segue da equac¸a˜ o acima C E D E R J 195 . α + β = 2. β ∈ R e seja y = f (x) uma func¸a˜ o deriv´avel definida √ implicitamente pela equac¸a˜ o x − β y = α x + y. isto e´ . segue que  28 dy  10 + 9 × 2 28  = . Vamos achar α e β para que a inclinac¸a˜ o da reta tangente ao gr´afico de f no ponto (6. a equac¸a˜ o da reta tangente ao gr´afico de f no ponto (1. substituindo x = 1 e y = 2 na igualdade acima. tem-se AULA 10x + 9x2 y dy =− 3 . 3) e´ f  (6) = dy dx x=6 .(3x3 − 4y3 ) ´ 1 13 1 MODULO Assim. obtemos dy dy α 1 + dx = 0. a inclinac¸a˜ o da reta tan gente ao gr´afico de f no ponto (6. 2) e´ 28 y = 2 + (x − 1). Por outro lado. Como √ x − β y − α x + y = 0. derivando implicitamente.10   Sejam α .

Resumo Nesta aula. se 2 y = −x. como x2 + y2 + xy = 9. y) seja horizontal. f (x)) seja horizontal. f (x)) =  (x. vocˆe aprendeu como utilizar as regras b´asicas de derivac¸a˜ o para derivar implicitamente uma func¸a˜ o definida por uma equac¸a˜ o. + β = 1. isto e´ . Expresse dy dx em termos de x e y. −3 2) e (−3 2. devemos ter dy dx = f (x) = 0. das igualdades α + β = 2 e α = 32 e β = 12 . fazendo y = −x vem √ √ x2 2 − x2 = 9.  α 3 + β = 1. ent˜ a o. 2 dx dx isto e´ . Mas. x = 3 2 ou x = −3 2. 2 6+3 3 Finalmente. Exerc´ıcio 13. vem  Exemplo 13. x2 = 18. (x + 2y) dy = −(x + y). Vamos achar os pontos (x. f (x)) para os quais a reta tangente ao gr´afico de f no ponto (x. isto e + x ´ . concluir que os pontos procurados s˜ a o √ √ √ √ (3 2. dx Para que a reta tangente ao gr´afico de f no ponto (x. 3 2). logo.C´alculo I | Derivac¸a˜ o Impl´ıcita 1−β − α 2 α √ = 0. ou seja. derivando implici- dy dy 2x + 2y + y + x = 0.1 ´ uma 1. como tamente. isto s´o pode ocorrer se x + y = 0. Soluc¸a˜ o: Com efeito.11   Seja y = f (x) uma func¸a˜ o deriv´avel definida implicitamente 2 pela equac¸a˜ o x2 + y2 + xy = 9. onde y = f (x) e func¸a˜ o deriv´avel definida implicitamente por cada uma 196 C E D E R J . obtemos x2 2 + y2 + xy = 9. 2 Podemos. Em vista da igualdade acima.

11y + cos x = 4xy . y3 + x2 y = 2x + 7 . (y − x)2 = 2x + 4 . Ache f (1) e a equac¸a˜ o da reta tangente ao gr´afico de f no ponto (1. Determine a equac¸a˜ o da reta tangente ao gr´afico de f no ponto (u. Sendo y = f (x) uma func¸a˜ o deriv´avel dada implicitamente por cada uma das equac¸o˜ es abaixo. P = (6. 5. xy2 + 3y = 5 . f. Mais uma vez. xy2 + x + y = 10 . com u > 0. ache a equac¸a˜ o da reta tangente a` mesma no ponto (u. y2 + 2x2 y + x = 0 . mostre que a equac¸a˜ o da reta tangente a` mesma no ponto (u. 2). ´ 1 13 1 MODULO das seguintes equac¸o˜ es: AULA 1 1 g. f deriv´avel e tal que 2 2 f (u) = v. v) e´ vx + uy = 2. A func¸a˜ o deriv´avel y = f (x). Sendo (u. v) um ponto qualquer da hip´erbole. P = (1. a importˆancia de tais regras fica evidenciada. c. Sendo (u. v). h. e. x2 + xy − y2 = 1 . 2. d. x y i. 2 2 4. xy + 5 = 7x . estudadas nas Aulas 10 e 12. vocˆe teve a oportunidade de utilizar as regras b´asicas de derivac¸a˜ o. ache a equac¸a˜ o da reta tangente ao gr´afico de f no ponto P indicado: a. Considere o ramo da hip´erbole xy = 1 onde x > 0.    C E D E R J 197 . x2 − y2 = 9 . b. dada implicitamente pela equac¸a˜ o x4 + y9 = 1.a. x3 − xy + y3 = 1. 3). x2 y2 − x2 − y2 = 0 . y7 + y = x . c. Sugest˜ao: Considere y = f (x). v) um ponto sobre a elipse tal que v = 0. 3. para derivar implicitamente determinadas func¸o˜ es. + = 1 . y > 0 e´ dada implicitamente pela equac¸a˜ o x2 + 36y2 = 10. j. b. f (1)). v). Considere a elipse x4 + y9 = 1.  Autoavaliac¸a˜ o Nos exerc´ıcios desta aula. 2). P = (2.