RESUMO SISTÊMICA

TEXTO 01 - UMA VISÃO SISTÊMICA DO PROCESSO CRIADOR
1) Pressuposto sistêmico
 Inter-relação e interdependência entre todos os fenômenos: físicos, biológicos, psicológicos,
sociais ou culturais.
 Organismos são propriedade do todo (não é possível compreendê-lo reduzindo-o em suas
partes).
 Sistema como organismo vivo: não mecanicista.
2) Paradigmas
VELHOS
Simplicidade
Estabilidade
Objetividade
Representação da realidade
Atitude: “ou... ou”
Atomização (redução)
Leis gerais
Abordagem mecanicista
Funcionamento ditado pela estrutura
Modo preciso estabelecido
Linearidade (causa e efeito)

Permanência

NOVOS
Complexidade
Instabilidade
Intersubjetividade
Co-construção da realidade
Atitude: “e... e”
Contextualização
Leis Singulares
Abordagem sistêmica
Estrutura determinada pelo funcionamento
Flexibilidade e plasticidade interna
Modelos cíclicos de fluxo de informação (laços de
realimentação: múltiplos fatores – não existe
causa única)
Mutação

3) Características





A abordagem sistêmica vê o mundo em termos de relações e integração; enfim, como uma rede
complexa de interconexões, cujas estruturas resultam das interações interdependentes de suas
partes.
Os sistemas vivos são auto organizados.
Equilíbrio dinâmico: manutenção da estrutura global apesar das contínuas mudanças e
substituições de seus componentes.
Interação contínua com o meio: influência não determinista.
Autodeterminação: regulada pela auto-renovação (renovação sem perda da integridade) e autotranscendência (ir além das próprias fronteiras, mantendo contato com outros sistemas:
aprendizagem, desenvolvimento e evolução).
Morfogênese (realimentação positiva)
o Processos de aprendizagem
o Saltos qualitativos no desenvolvimento do sistema
o Aptidão para a mudança: forças cujo equilíbrio permitem que o sistema se modifique,
sem perder sua identidade e sua finalidade enquanto contexto para seus membros.

4) Modelo sistêmico-cibernético
 Modelo científico sistêmico contestando a visão reducionista.
 A visão tradicional explicava os fenômenos dentro da linearidade causa e efeito, numa visão
objetiva e mecanicista de saberes estanques não interativos.
 Na visão da cibernética com sistema os elementos são tomados no seu fluxo dinâmico e não
isolado. O pensamento sistêmico é aberto, processual e dinâmico.

6) Criação como redes sistêmicas  Tipos de sistemas: o Fechado – não há fluxo contínuo de material componente com o meio que o circunda. o que os delimita em relação ao meio ambiente ao seu redor. o A realidade observada era independente do observador (que estava fora do fenômeno observado).> B). delimitar o sistema. o Abertura para o novo. Parte e todo contêm um ao outro em um processo contínuo. Um fenômeno causa o comportamento do outro. Comunicação circulante. Assim. sem que o sistema perca sua identidade e sua finalidade enquanto contexto para os seus membros.. Retroalimentação e Equifinalidade. Em um sistema circular. a) Globalidade: em um sistema. mas sofre a reação subsequente deste (A < . busca da autorregularão diante da perturbação do sistema. o Existem múltiplas verdade. salto qualitativo. o Interação. manutenção da estabilidade. Os elementos do sistema levam-no a corrigir o seu próprio funcionamento.5) Subdivisões da rede conceitual derivada da cibernética  Cibernética de 1ª ordem o Décadas de 40 a 70. Propriedades: Globalidade. isto é. o O terapeuta questiona a objetividade e a neutralidade de acordo com o contexto. levando à perda da estabilidade ou equilíbrio. b) Retroalimentação: característica dos sistemas que garante o funcionamento circular. de inter-relação. As fronteiras têm como função: 1. “O mesmo estado final pode ser alcançado a partir de condições iniciais diferentes e por diferentes maneiras”. 3. os sistemas vivos estão contidos uns dentro dos outros. os resultados não são necessariamente determinados pelas suas condições iniciais. não só muitas condições iniciais diferentes geram o mesmo resultado tido como “final”. adaptação às mudanças. as fronteiras de um subsistema são as regras que definem e protegem a diferenciação dos elementos que o compõem. . as partes não são independentes e a mudança de uma delas modifica o todo. crise ou desordem. o Aberto – há trocas com ambiente. Busca da verdade objetiva. Encontra-se ligada a lei de imprevisibilidade. atinge e é atingido pelo fenômeno que estuda.  Cibernética de 2ª ordem o Realidade co-construída. faz parte dele. o Visão monista: fluxo interativo e contínuo em que o observador está dentro do sistema. mas isso não lhe outorga o poder terapêutico. atual e corrente de comunicação. adaptação e criação. 2. proteger o interior do sistema de possíveis interferências não desejadas vindas do ambiente. Portanto. o O terapeuta é o arquiteto do diálogo. mas diferentes resultados podem ser produzidos pelas mesmas causas 7) Fronteiras: Cada todo contém a parte e cada parte contém a programação do todo. estabelecer trocas entre o sistema e o meio ambiente. mas pela própria natureza do processo ou por parâmetros do próprio sistema. Redução do desvio do estado de equilíbrio. temendo qualquer desestabilização. mas. Pode ser positiva ou negativa o Negativa: homeostase. o Positiva: conduz a mudanças mais complexas. muitas vezes. c) Equifinalidade: característica mais significativa dos sistemas abertos. não se misturam por estarem separados por meio de fronteiras que garantem a identidade individual daqueles determinados sistemas. o Privilegiava os estudos dos mecanismos e processos homeostáticos: os sistemas sempre estariam buscando a homeostase (equilíbrio estático). sendo importante considerar toda a cadeia de eventos e não cada um deles tomado separadamente. Aprendizagem.

mas. as dificuldades relacionadas ao crescimento e à evolução. As partes crescem em autonomia e individualidade. Nítidas: flexíveis. mas dos modelos de relação entre os indivíduos. mas estabelecido pelo próprio sistema. o o sintoma como uma manifestação intrapsíquica. entre vínculos de pertencimento e necessidade de individuação dos seus componentes singulares. esclarecedoras. TEXTO 02 – O CICLO VITAL DA FAMÍLIA BRASILEIRA 1) Ciclo vital do indivíduo Acontece dentro do ciclo de vida familiar. interdependência e interconexão. Difusas: o sistema ganha em pertencimento e perde em autonomia ou individualidade. XX . isto é. o o paciente designado .portador do sintoma.  Movimento estrutural: 3 ideias compartilhadas o família . Família: lugar que dá origem à história de cada pessoa. Estas características semelhantes costumam ser chamadas de Fases do Ciclo de Vida das Famílias. substituindo-a por uma imagem de ser social. que é o contexto primário do desenvolvimento humano. Desde o conheço da década de 50 os estudos de terapia familiar têm utilizado conceitos vindos da sociologia para explicar o desenvolvimento do cicio de vida das famílias. mas também um processo que se modifica na interação com o mundo.  A nova abordagem questiona: o a visão do indivíduo prisioneiro das próprias dificuldades e de sua dinâmica interna. a comunicação torna-se difícil e deverá ocorrer um prejuízo para todo o sistema. em particular. 2) Ciclo vital familiar: É possível reconhecer diferentes padrões na organização das famílias ao longo do tempo. e suas intersecções vão constituir a trama da vida familiar. 8) Olhar sistêmico: a nova visão sistémica vê o organismo vivo como um sistema auto organizador.   Tipos de fronteiras: Rígidas: inflexíveis. Envolve as várias etapas definidas sob alguns critérios pelas quais as famílias passam. Monica McGoldrick e .. o Disfunção relacional familiar: é um sistema que respondeu às exigências internas e externas de mudança exteriotipando seu funcionamento. 9) Psicologia  Séc. o terapia: deixa de ter como objetivo a mudança do indivíduo. "A vida psíquica do indivíduo não é apenas um fenômeno interno. podemos também observar muitas características semelhantes ao longo do ciclo de vida das famílias. Apesar destas diversidades. assim como diversas formas de relacionamento entre seus membros.sistema em que os cptos de seus membros são compreendidos em função das relações por eles estabelecidas. que parece comunicar a existência de um conflito entre continuidade e mudança. perde em pertencimento. a sua ordem não é imposta pelo meio.atenção aos estudos interpessoais e aos contextos onde eles se apresentavam. Não implica necessariamente numa família disfuncional: a disfunção pode ser salutar ou não. da sua constituição em uma geração até a morte dos indivíduos que a iniciaram. aquele que exprime em nome dos demais membros do sistema familiar. Embora os seres vivos interajam constantemente com o meio. Em 1980."  Sintoma: passa a ser visto como o resultado de uma disfunção relacional de toda a família. este não determinar sua organização. A falta de diferenciação do subsistema desencoraja a exploração autônoma.

Resultados:  Padrão estrutural: o Predomínio da religião católica. Fase última: resultante da longevidade. Lançando dos filhos e seguindo em frente 6. modelo de família identitário. Família no meio da vida 6. Geralmente na fase dos 40 anos. Hierarquia familiar." 1. na medida em que façam escolhas reafirmando ou distanciando-se das heranças e valores comuns que constroem o senso de identidade familiar. pode se tornar um ponto de tensão familiar. Tornar-se pais. Aposentadoria. A forma como cada membro vivenciará este momento pode gerar ou não um stress. São as atitudes. Família no estágio tardio 1 . expectativas. Questões culturais e religiosas podem criar conflitos entre os próprios pais e suas famílias de origem. expectativas. O lançamento do jovem adulto solteiro 2. . Família com adolescentes 5. entrada dos filhos na adolescência. havendo uma redefinição de regras de relação entre as gerações. Abertura para o diálogo. Fase madura: saída dos filhos de casa. Casal sozinho. ao assumirem o papel de avós. como doenças crônicas. Flexibilização de valores e normas. em 69 cidades. Podemos também considerar como estressores verticais a história de cada família. Família com crianças 4. agora pais. trazendo um conjunto de reflexões para todos os membros do sistema familiar.Betty Carter: "escreveram sobre a sucessão de estágios do ciclo de vida na família americana classe média. que são transmitidos através de gerações de forma explicita ou não. Entrada de agregados e netos. incluindo um enfoque tri-geracional. Viuvez. seus rituais e seus padrões de comportamento. Família sem filhos 3.  Estressores horizontais: As passagens de uma fase do ciclo de vida para outra são eventos previsíveis denominados de desenvolvimentais. sobre como deve ser recebido este novo membro.  Estressores verticais: são os “padrões de relacionamento e funcionamento que são transmitidos para as gerações seguintes de uma família. a situação requer a reorganização dos padrões de relação do casal com as famílias de origem e dessas com os seus filhos casados. Jovem solteiro 2. Histórias relatadas ao longo da vida. o Marido como provedor. mas também as dificuldades de transição. rótulos e questões opressivas familiares com as quais nós crescemos e convivemos. seus mitos e medos. Início de perdas e cuidados com geração anterior. O novo casal 3. 5) Estrutura e dinâmica da família brasileira Pesquisa feita com 1500 famílias paulistas. Do ponto de vista relacional. de classe média. Família no estágio tardio 3) Eventos estressores São e funcionamento que são transmitidos para as gerações seguintes de uma família. 4 O sistema familiar na adolescência 5. rótulos e questões opressivas familiares com as quais nós crescemos e convivemos. Qualidade de vida. e descrevendo não só as tarefas de desenvolvimento inerentes a cada estágio. tabus. Família adolescente: reviver a adolescência na adolescência dos filhos. Há outros eventos (impredizíveis) que podem afetar o caminhar da família. estarão presentes nas ações dos pais. o Casamento. 4) Os quatro estágios do desenvolvimento familiar     Fase de aquisição: união do casal. entre outros. Ex: um evento natural. tabus. como o nascimento do primeiro filho. mortes prematuras. trazendo desestabilizações. desemprego. aquisição da parentalidade e dos objetivos comuns . o Mulher responsável pelo lar. São as atitudes. acidentes.

Tem assumido ou renunciado a funções de proteção e socialização de seus membros em resposta às necessidades da cultura.  Família segundo o Estado: está em evolução. . o Diálogo. as funções da família atendem a dois diferentes objetivos:  Interno: a proteção psicossocial de seus membros  Externo: a acomodação a uma cultura e a transmissão dessa cultura A experiência humana de identidade é paradoxal pois busca um sentido de pertencimento e um sentido de ser separado:  Sentido de pertencimento: sentido de pertencer a uma família específica (contexto familiar). o Orçamento familiar.  Mudanças na dinâmica o Compartilhamento marido e mulher: tarefas domésticas. Retrato do Brasil recente: ver apostila 6) Tendências  Instituição familiar como organizadora básica da vida social.  Sentido de ser separado e de individuação: ocorre pela participação de em diferentes subsistemas familiares e grupos extrafamiliares. o Porém manutenção do Natal como principal festa comemorativa das famílias. o Maior ênfase ao lazer. Está menor.  Constituição de 1988: novos arranjos familiares (proteção à família assegurada por força de lei). direção da casa.  Família como lócus de proteção social: o Papel de prover. o Imagem paterna – sustentar a família. o Menor preocupação com a virgindade antes do casamento. em ostentar sobrenome da família e seguir a profissão do pai. TEXTO 03 – FUNCIONAMENTO FAMILIAR A família tem passado por mudanças que correspondem às mudanças da sociedade. transformando-se continuamente e organizandose muito mais por laços de afeição do que por hierarquias tradicionais. o Cuidar da família é o meio de promover o cuidado do indivíduo (políticas públicas). cuidados com os filhos. o Participação no mercado de trabalho.  Dinâmica: o Amor e dinheiro como ideal. Figura feminina como papel central nas mudanças. o Filhos participando das decisões familiares. o Função dos filhos – estudar trabalhar e casar. cuidar. Neste sentido. o Respeito e afeto ente pais e filhos. da reunião com parentes aos domingos. o Estudo e profissionalização para os filhos. A família é o laboratório em que esses ingredientes são misturados e administrados (matriz da identidade): modelagem e programação do comportamento e sentido de identidade da criança. o Imagem materna – manutenção e afetividade. Diferenças no padrão estrutural: o Nível de escolarização e profissionalização da mulher. proteger e transmitir os valores e normas. da morte como tabu e da importância dos estudos (legado transgeracional). afetivos e de afinidade. organizada por laços consanguíneos.

que torna possível a relação humana. nunca da unidade menor para a maior. A organização de subsistemas de uma família fornece treinamento valioso no processo de manutenção do “eu sou” diferenciado. mas admitindo contato entre membros do subsistema e outros (flexibilidade e interlocução). sexo. Se compreender a família como um sistema.Apesar da família ser a matriz do desenvolvimento psicossocial de seus membros. também deve se acomodar a uma sociedade e assegurar alguma continuidade para sua cultura. . Regulam o comportamento dos membros da família e são mantidos por dois sistemas de repressão:  genérico: regras universais da família: hierarquia de poder (pais e filhos). interesse ou por função. Os subsistemas podem ser formados por geração. A função das fronteiras é de proteger a diferenciação do sistema. As relações nos subsistemas são permeadas pela característica da complementaridade (para que um exista. Deve fazer sua avaliação baseado num esquema conceitual do funcionamento familiar. nem filho sem pai). conseguidas nesses sistemas. interdependência e complementaridade (marido e mulher) etc. O terapeuta não deve avaliar uma família como normal ou anormal baseado na presença ou não de problemas. de maneira a manter a continuidade e a intensificar o crescimento psicossocial de cada membro.  a família passa por um desenvolvimento.  difusas / emaranhadas: há pouco distância entre os subsistemas. Ex: irmãos aprendem a negociar se os pais não interferirem. e a sua nitidez dentro de uma família é um instrumento útil para avaliar o funcionamento do sistema. mas a estrutura familiar deve ser capaz de se adaptar quando as circunstâncias mudam. para atingir a mutualidade. O desenvolvimento de habilidades interpessoais. atravessa várias fases que requerem reestruturação. temos que levar em conta três componentes:  a estrutura da família é a de um sistema sociocultural aberto e em transformação. transformando-se sem perder a continuidade. Deve responder às mudanças internas e externas. ao mesmo tempo que dê exercício de habilidades interpessoais em diferentes níveis. oferece resistência à mudança e mantém os padrões preferidos. O sistema familiar diferencia e leva a cabo suas funções através de subsistemas. ESTRUTURA FAMILIAR Padrões transacionais: conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a maneira pela qual os membros da família interagem. está baseado na liberdade do subsistema de interferência de outros subsistemas.  a família se adapta a circunstâncias modificadas. A família gira em torno de si mesma. Permitem que os membros do subsistema levem à cabo suas funções sem interferência indevida. Cada indivíduo pertence a diferentes subsistemas e se acomoda caleidoscopicamente. com um consequente aumento de comunicação e preocupação entre os membros. As mudanças sempre se deslocam da sociedade para a família. Os indivíduos são subsistemas dentro de uma família. Acordos explícitos ou não que se consolidam no tempo (questão de acomodação mútua e eficácia funcional) O sistema mantém a si mesmo. é necessário o outro: não há pai sem filho. Tipos de fronteiras:  nítidas: parâmetro de funcionamento familiar apropriado. FRONTEIRAS As fronteiras de um subsistema são as regras que definem quem participa e como participa de um subsistema.  idiossincrático: expectativas mútuas de membros específicos da família. Cada subsistema familiar tem funções específicas e faz exigências específicas a seus membros.

mas tem um sentido distorcido de independência e carecem de sentimentos de lealdade e pertencimento. OS SUBSISTEMAS a) Subsistema conjugal O casal possui tarefas e funções específicas. As posições assumidas cedo no subgrupo fraternal podem ser significativas no curso consequente de suas vidas. Diferenciação de selfies ficam comprometidas e necessitam de recursos para se adaptar e acomodar aos eventos estressores. desenvolver padrões de apoio mútuo). Sensação de desligamento e despreocupação. bem como capacidade de interdependência e para solicitação de apoio. quando necesa´rio. Ex: um sistema altamente emaranhado de mãe e filho pode excluir o pai. A falta de diferenciação desencoraja a exploração autônoma e o domínio dos problemas. A mobilidade entre os polos é normal. é o de criador de fronteiras. Nesta questão aparece a dificuldade no processo de educar. assim como podemos torná-las nítidas ou abrir as inadequadamente rígidas. repetindo os esquemas relacionais. rígidas: A comunicação entre os subsistemas se torna difícil (inflexibilidade) e as funções protetoras da família ficam prejudicadas. vitais para o funcionamento da família. renunciar para pertencer). prestígio etc. Devem conceder parte de sua separação para ganhar em pertencimento (dividir para somar. As operações nos extremos. A acomodação mútua pode estimular padrões transacionais positivos ou negativos. O processo parental difere conforme a idade dos filhos. . O subsistema deve ter fronteiras nítidas para se proteger da interferência das exigências e necessidades de outros sistemas. que se torna desligado e o enfraquecimento resultante da independência dos filhos poderia constituir um fator importante no desenvolvimento de sintomas. O subsistema conjugal deve ser refúgio para os estresses externos e a matriz para o contato com outros sistemas sociais. . cooperação. Os extremos acarretam problemas. O papel do terapeuta. visto que é conflituoso. pois de um lado está inerente a função de proteger e gerir sem deixar de controlar e reprimir.Famílias desligadas: seus membros podem funcionar autonomamente. Quando pequenos necessitam de nutrição. No caso das fronteiras. por outro lado os filhos não podem crescer e se tornarem individualizados sem rejeitar e atacar. de controle e orientação e na adolescência aparecem os conflitos pois as exigências dos pais vão colidir com a necessidade de autonomia dos filhos apropriada à idade. todavia. Distanciamento emocional. estes extremos são o emaranhamento e o desligamento. mais tarde. em alguns casos. A maioria das famílias tem subsistemas emaranhados e desligados. sendo necessárias para tanto as habilidades de complementaridade e acomodação mútua (isto é. Trata-se de um processo inerentemente conflitante. . competição. alianças. DESLIGADA (fronteiras inadequadament e rígidas) FRONTEIRAS NÍTIDAS (limites normais) EMARANHADA (fronteiras difusas) Emaranhamento e desligamento se referem a um estilo transacional ou à preferência de interação. b) Subsistema parental Advém do subsistema conjugal com o nascimento dos filhos. c) Subsistema fraternal Primeiro laboratório social. no qual as crianças podem experimentar com relações com iguais: negociação.Famílias emaranhadas: sentimento incrementado de pertencimento requer uma máxima renúncia de autonomia. amizades. indicam áreas de possível patologia.

exigindo mais responsabilidade da criança. O primogênito abre portas. embora tornando possível a reestruturação. Às vezes. Processos transacionais de adaptação às novas situações. adaptando-se e se reestruturando. Os conflitos são naturais e inerentes às mudanças. nutrição e orientação) e mais velhas (contato com o mundo exterior). com os pais ou com o irmão. aumentam a rigidez de seus padrões transacionais e de suas barreiras e evitam ou resistem a qualquer exploração de alternativas. A importância das relações fraternas aparece no momento de uma mudança fundamental na estrutura da fratria. então como negociador. por encontrar as já abertas. principalmente em momentos em que há desorganização da função parental. Desenvolvem-se relações cúmplices. casamento. Contato estressante de toda a família com forças extrafamiliares: situações como crise econômica ou mudança de cidade podem sobrecarregar um sistema familiar.Podem conter divisão adicional: crianças menores (transacionando em áreas de segurança. mas das relações e dos contextos. ou seja. Estresse em pontos de transição na família: decorrem por mudanças evolutivas em membros da família ou por mudança na composição familiar (ganho ou perda de subsistemas). hospitalização. Compreensão do indivíduo não mais no âmbito da individualidade. O poder da fratria – os irmãos tornam-se protetores uns dos outros. ou vê partir aquele que lhe dava mais atenção. auxiliando o delineamento de novas linhas de diferenciação. E já os caçulas. podendo as novas transações serem ou não adaptativas. por serem os últimos. divórcio de um irmão ou uma irmã. Neste sentido. Apesar do lugar privilegiado do filho mais velho. O terapeuta age. não são por si mesmos patológicos. que levam consigo a falta de diferenciação e a ansiedade que caracterizam todos os processos novos. ou que assumia um pouco a função de “escudo” entre ele e os pais. TEXTO 04 – DESENVOLVIMENTOS EM TERAPIA FAMILIAR Foi desenvolvida a partir de 1950 – divesos profissionais envolvidos (interdisciplinaridade). as expectativas em torno dele tendem a ser maiores. podem sentir-se grandes depositários de sentimento de lealdade à sua família. Certas crianças se descompensam nestas ocasiões. Com papéis diferenciados.  Capacidade de mobilizar padrões transacionais alternativos quando condições internas ou externas exigem a sua reestruturação. O subsistema ‘fratria’ vai redistribuir o jogo. CARACTERÍSTICAS DE UM SISTEMA FAMILIAR ADAPTATIVO  Transforma-se através do tempo. um irmão ou uma irmã perde seu melhor confidente. de ser o primeiro. em face ao estresse. O estresse num sistema familiar pode provir de quatro fontes:     Contato estressante de um membro com forças exteriores: quando um membro sofre o estresse e os outros membros da família sentem a necessidade de se acomodar às circunstâncias modificadas por ele. morte. FAMÍLIA E ADAPTAÇÃO Os estresses de acomodação a novas situações são inerentes ao processo de mudança e continuidade. A patologia ocorre nas famílias que. o caçula as fecha. decorrem dos problemas que sofrem mutação com a passagem do tempo (ex: filho com deficiência mental). . bem como dar suporte aos subsistemas. em que todos podem ser objetos de identificação bem como de diferenciação. Ao terapeuta cabe o papel de auxiliar orientando o sistema como um todo a lidar com as forças extrafamiliares. o segundo filho. Estresse em torno de problemas idiossincráticos: padrões transacionais disfuncionais que aparecem em torno de circunstâncias idiossincráticas.  Adaptabilidade ao estresse de uma maneira que mantenha a continuidade familiar. de maneira a continuar funcionando. apresenta maior liberdade para escolher com quem se identificar.

 A terapia passou a ser compreendida pela possibilidade de oferecer subsídios para a construção de significados organizadores da experiência vivida pela família e para a evolução do sistema terapêutico. Terapia familiar pós-moderna: teoria e prática Uma intenção orientadora em uma determinada direção e com um determinado propósito acaba construindo um contexto gerador de uma alterativa não-intencionada. autoreferêcia. Só podia ser compreendido no contexto da família e não mais no indivíduo. diálogo. desvios. as teorias terapêuticas podem ser descritas.  Primeiro momento: retroalimentação positiva . O sintoma do indivíduo como tentativa de manter a homeostase do sistema familiar diante de dificuldades da família em manejar pressões oriundas de fatores externos ou das demandas próprias das transições em seu ciclo evolutivo. circuitos cibernéticos. Terapia familiar de 2ª ordem:  Avanços da ciência (relatividade.  o processo da terapia – o que acontece e se entende como devendo acontecer para que haja uma mudança terapêutica.morfoestase (manutenção da mesma forma pela correção dos desvios em relação ao funcionamento do sistema). mas suficientemente inovadora.  Escola representativa: Instituto de Palo Alto (famílias com pacientes portadores de esquizofrenia). construção.Teoria geral dos sistemas (Bertalanffy) e da cibernética (Wiener): entrelaçamento de teorias e práticas forjaram ao alicerces da terapia familiar sistêmica. analisadas e comparadas a partir de três questões básicas:  a posição do terapeuta – como define o seu papel e seu propósito. como os sistemas humanos.  Família vista como unidade de tratamento. significado. criativa e generativa para uma nova abordagem ou para uma nova compressão.  Segundo momento: retroalimentação positiva – morfogênese (construção de novas formas de funcionamento pela mudança na organização sistêmica para garantir sua continuidade pela evolução). reflexividade e autopoiese dos sistemas vivos.  Novos conceitos: sistemas linguísticos. causalidade circular e retroalimentação. De acordo com Anderson. cultura. Família como sistema vivo. para inserir-se no campo da linguagem e do significado. histórias.. são capazes de produzir suas próprias mudanças. geradores de linguagem e significado. as quais são conduzidas e limitadas pela sua organização sistêmica.  Novos conceitos fundamentais para a prática da terapia familiar: auto-organização.  Sintoma considerado como desvio ativado por erros na organização familiar..  o sistema terapêutico – incluindo as metas da terapia e dos participantes no processo. Cibernética de 1ª ordem:  Baseado nos conceitos sistêmicos de: homeostase.  Práticas de intervenção definidas pelo terapeuta.  Sistemas vivos. a) Abordagem colaborativa  Organizada em torno da definição dos sistemas humanos como sistemas linguísticos. conversação. não podendo ser deliberadamente operadas a partir de qualquer lugar externo ao próprio sistema.  Mudança de paradigma (pós-moderna): abandono das metáforas teóricas de homeostase.  Construtivismo e construcionismo social: realidade construída pelo ato de observação (papel ativos e participante do observador). organizadores e dissolvedores de problemas. retroalimentação (+ ou -). narrativa. física quântica e probabilismo): impossibilidade de separação sujeito-objeto (cibernética dos sistemas observantes. .

as relações. na linha de causalidade. bem como no processo de questionamento como contexto generativo em relação à mudança. as perspectivas de futuro e a visão de si mesma.  Conversação terapêutica transformadora: o terapeuta. promove intervenções dialogadas que levem a histórias alternativas. Mais do que articulação de sons e significados. como também seus conhecimentos . Diálogo como uma conversação transformadora: trocas colaborativas. construcionista social e pós-moderna. promovendo a reescrita da narrativa.como insiders . restringem as possibilidades existenciais e têm o status de verdades sobre as pessoas e suas vidas.  Terapia narrativa de Michael White: o enfoque respeitoso. Abandona as descrições objetivas. no contexto das interações e na forma narrativa. Terapeutas procuram ater-se à forma como os clientes compreendem seus dilemas. criando um elo entre sujeitos e entre estes e o mundo. a partir de dentro da própria conversação no momento da terapia e no contexto local. dialógica. b) Abordagem narrativa Micropráticas transformativas  Contexto de conversação que. o terapeuta desenvolve uma conversação especial que promove o resgate das identidades dos domínios do problema.em uma atitude respeitosa e legitimadora por parte do terapeuta. explicações e diagnósticos para referir-se às particularidades do cliente. vem a desestabilizar as narrativas organizadoras dos problemas. relacional. Comunicação e linguagem: esta permite a existência daquela. através de um processo de questionamento. As perguntas do terapeuta são norteadas pelo que é dito pelas pessoas. mais do que das informações oriundas de suas pré-compreensões. espaciais. favorecendo a construção de novos significados. Ênfase nos processos reflexivos e na abertura das apalavras para significados por elas construídos. bem como a memória de que os problemas são construídos nos contextos das experiências vividas. o temas das conversações dados pelas preferências dos pacientes. ouvindo as histórias vividas pelos personagens envolvidos. O processo de terapia é a conversação terapêutica em que o terapeuta é um participante ativo e "arquiteto do diálogo". os enredos e os cenários dos acontecimentos. nao-culpabilizador que considera as pessoas como especialistas em suas vidas. conhecimento local de cada pessoa participante do processo terapêutico. o esta terapia narrativa enfatiza a desconstrução das histórias dominantes e das práticas subjugadoras do sdf que. dilatando seu horizonte e sua referência. na qual o cliente é o especialista. promovendo mudanças temporais. às quais o terapeuta procura conhecer e se adaptar. O estudo da comunicação pode ocorrer de três formas: . permite ao homem dar sentido às suas vivências. o Resgate das memórias e vivências que se contradizem com as histórias dominantes. o os constantes ajustes de rota permitem não só respeitar os interesses das pessoas.     A prática dessa terapia define-se como colaborativa. legitimando seu conhecimento a partir de dentro da experiência vivida. ou seja. TEXTO 05 – TEORIA DA COMUNICAÇÃO     A linguagem surge no domínio social e não de uma capacidade do indivíduo. o começando pelo mapeamento dos efeitos do problema sobre a vida da pessoa. cristalizadas nos relatos sobre vidas e identidades.

2º . Quanto mais patológica a relação. mas não tem uma sintaxe adequada para a definição não-ambígua da natureza das relações. Há ainda dois tipos de relação que pode ocorrer:  Metacomplementaridade: um deixa ou força o outro a encarregar-se dele.  Comunicação digital: dominada pela palavra (verbal).. em tese.Os seres humanos comunicam digital e analogicamente. o Retroalimentação negativa: homeostase do sistema.). mais importante é o conteúdo do que a forma.  Metacomunicação: comunicar sobre comunicação – é o que. Quanto mais saudável é a relação entre os comunicantes. qualquer que seja ele. segundo se baseiam na igualdade ou na diferença. de forma não imposta e. efeitos comportamentais: aspecto pragmático da comunicação .. transmitindo informações. Manutenção da estabilidade de relações. Maximização da diferença.Todas as permutas comunicacionais ou são simétricas ou complementares. ruído (transmissão de informações). A comunicação não é contínua. . significado dos símbolos (estudo da semântica. ao passo que a linguagem analógica possui a semântica. mas uma necessidade que se impõe (ex: filha mais velha cuida dos irmãos menores enquanto o pai sofre a perda da esposa). Há desequilíbrio de forças. 5º . denuncia algo. faz o terapeuta.A natureza de uma relação está na contingência da pontuação das sequências comunicacionais entre os comunicantes. pressuposta.  Pseudosimetria: um deixa ou força o outro a ser simétrico (exemplo do médico e do aluno no restaurante). uma metacomunicação. Sistemas interpessoais: o comportamento de cada pessoa afeta e é afetado pelo comportamento de cada uma das outras pessoas. professores e alunos. Ou seja. que trabalha a ideia de que as relações comportamentais não ocorrem de forma linear. Axiomas básicos da comunicação. o Fenômenos interacionais: “A” tem efeito sobre “B” e o que “B” fizer em seguida influencia o movimento de “A”. mais importante é a forma do que o conteúdo. Ou seja. todo o comportamento é comunicação e toda comunicação afeta o comportamento. canais.Toda comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto de relação tais que o segundo classifica o primeiro e é. expressão facial. A linguagem digital é uma sintaxe lógica sumamente complexa e poderosa. mas carente de adequada semântica no campo das relações. o ato dfe comunicar transmite uma informação (o conteúdo) e impõe um comportamento ( aforma como é transmitida). 4º .problema de código. Não é uma relação pressuposta. sim. à perda de estabilidade ou equilíbrio. A compreensão de que trocamos informações o tempo todo favoreceu o entendimento do conceito de retroalimentação. estabelecimento de uma convenção). mas seguem um modelo cíclico de fluxo de informações.O comportamento.Impossibilidade de não comunicar: não existe um “não-comportamento”. o Retroalimentação positiva: conduz à mudança. tom de voz.  Simétricas: os parceiros tendem a refletir o comportamento um do outro. A informação atua como desencadeador de mudança. mas pontuada de sequências que estabelecem os respectivos pontos de vista dos comunicantes sobre o mesmo tema. Há equilíbrio de forças. 3º . capacidade. segundo Watzlawick: o o o    1º . portanto. Relações horizontais. Minimização da diferença. gestos. algoz e vítima).  Comunicação analógica: não-verbal (posturas. onde um ocupa uma posição “superior” em relação ao outro (pais e filhos. ampliando o sistema. por exemplo (conversa com o paciente sobre sua comunicação com os outros).  Complementares: o comportamento de um complementa o do outro.