Universidade do Estado do Rio de Janeiro

IFCH – Departamento de História
Disciplina: História da América IV – Prof. Ricardo Mendes
Marina da Silva Laiun Pinto – Matrícula: 2011.1.03271.11 – Manhã

Resenha: WASSERMAN, Claudia. Palavra de Presidente. Porto Alegre: Ed.
Universidade, 2002.

A presente resenha tem por objetivo analisar a obra Palavra de Presidente,
da historiadora Claudia Wasserman, livro este resultado de um trabalho de pesquisa para
a realização de sua tese de doutoramento.
A obra apresenta uma análise profunda dos de três presidentes latinoamericanos no período que precede a crise dos sistemas oligárquicos latino-americanos,
no início do século XX. São analisados os discursos de campanha, de posso e
presidenciais

de

Francisco Madero

(México),

Hipólito Yrigoyen

(Argentina) e

Getúlio Vargas (Brasil).
A autora opta por utilizar os discursos políticos em detrimento de outras
fontes de pesquisa porque os considera “um dos instrumentos privilegiados na
construção do imaginário social, destinados teoricamente a legitimar a ordem, orientar
condutas, pautar e hierarquizar valores, estabelecer metas e construir mitos”
(WASSERMAN, pg. 8). Nesse sentido, Wasserman analisa também a relação entre o
discurso político e o discurso intelectual, ou seja, a produção dos pensadores sociais
durante o período, considerando que um pode influenciar diretamente o outro.
A autora divide a outra em dois capítulos principais que reúnem diversos
subcapítulos. Primeiramente é feita uma análise das origens do projeto antioligárquico e
seu papel como projeto de construção nacional. Depois, os capítulos e subcapítulos

como fundadores de uma nova concepção de projeto de nação e de participação política. sobretudo. apontando suas diferenças pontuais e. de Yrigoyen na Argentina e de Vargas no Brasil. encontradas não somente nas origens e nas trajetórias públicas e pessoais de seus enunciadores. política e econômica vivenciada nos três países. A autora analisa também a possibilidade de considerar os discursos políticos de Madero. os capítulos e subcapítulos supracitados serão analisados de maneira mais aprofundada. ou seja. p.35) e por isso pode ser considerado uma “formação discursiva”. questões em comum: a democratização política. mas também na situação social. Yrigoyen e Vargas como “discursos fundacionais”. Defende. denominado “O projeto antioligárquico reordena a representação da nação: programas políticos e trajetória pública dos candidatos à sucessão das oligarquias” apresenta uma análise bem elaborada dos programas políticos antioligárquicos das organizações políticas de Madero no México. O primeiro capítulo. A seguir. “o discurso antioligárquico era. de maneira mais ampla e menos excludente se comparado ao sistema oligárquico. México. suas semelhanças. dando-lhes o caráter de projeto de construção nacional citado anteriormente. ou seja.posteriores dedicam-se a apresentar os temas que foram incorporados ao discurso antioligárquico dos três presidentes. um projeto alternativo ao sistema vigente e oferecia um novo sentido à nação e â nacionalidade” (WASSEMAN. A partir . além de outros movimentos antioligárquicos por eles incorporados que consequentemente acabaram por influencia-los. portanto. por sua parte. mesmo diante das diferenças temporais e formais. que os discursos dos três candidatos pós-oligárquicos possuem “objetos discursivos centrais”. Argentina e Brasil apresentavam situações sociais semelhantes e. a dependência externa e o desenvolvimento econômico. Para autora. por isso. as desigualdades regionais.

propõe uma analise individual dos programas políticos e a identificação de seus objetos discursivos centrais. bem como a comparação entre as situações especificas de cada país que permearam a constituição desses discursos. .daí.