UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE ENGENHARIA DA MOBILIDADE
EBM 5702 – ARQUITETURA NAVAL

ESTABILIDADE TRANSVERSAL
EFEITO DE SUPERFÍCIE LIVRE

EDUARDA ROSECLER BUSNARDO

PROFESSOR DA DISCIPLINA
LUIZ EDUARDO BUENO MINIOLI

FEVEREIRO 2013

Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre
UFSC

Introdução

Estabilidade é a capacidade de recuperação ou endireitamento que uma embarcação
possui para retornar a sua posição de equilíbrio após a aplicação de uma força externa. A
estabilidade transversal – um dos tópicos em estudo neste trabalho – se faz dependente da
posição do centro de gravidade das embarcações que, por sua vez, definirá o momento que
poderá devolver o navio a sua posição inicial ou fazê-lo inclinar-se ainda mais, o que pode ser
extremamente perigoso durante a navegação.
Para enfatizar o quanto este assunto é necessário para um engenheiro naval, análises postmortem realizadas em desastres marítimos mostraram que os braços de endireitamento (que
serão explicados ao longo do trabalho durante o tópico de estabilidade transversal) foram
extremamente reduzidos ou até mesmo negativos em navios que passaram por cristas de onda,
provando, assim, a complexidade deste assunto e sua importância para a navegabilidade. Storch,
em 1978, após estudar o naufrágio de treze embarcações de características semelhantes,
descobriu que o braço de endireitamento de uma delas teve que ser negativo ao passar por uma
crista de onda para estar nas condições encontradas e que outras duas tiveram o valor do braço de
endireitamento extremamente reduzidos. Assim, não basta apenas possuir uma embarcação que
seja estável em condições normais de navegação, mas sim estar preparado e com seus
carregamentos em locais aptos para garantir que situações como as estudadas por Storch não
ocorram.
A capacidade de retornar a posição original em uma embarcação depende da parte
submersa do navio e da distribuição de peso dentro da embarcação. Os japoneses, após
concluírem que a estabilidade transversal de um navio não estava satisfatória, cortaram-no ao
meio de proa a popa e soldaram um peso a esta lacuna aberta, o que aumentou o momento de
inércia e também a estabilidade transversal. Deste modo o navio que estava em uso – porém com
a necessidade de grandes cuidados durante carregamentos e descarregamentos - tornou-se mais
seguro e estável, evitando assim o descarte do mesmo, bastando apenas se valer de um
procedimento teoricamente simples.
O Efeito de Superfície Livre – segundo tópico deste trabalho – estuda a perda da altura
UFSC

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o que acentua ainda mais a inclinação da embarcação e pode promover uma nova situação de perigo durante uma viagem. estimulando a busca por respostas e o desenvolvimento pessoal do uso das ferramentas de pesquisa pelos estudantes durante o curso de Arquitetura Naval. assim como o centro de gravidade do mesmo. UFSC 2 . Este trabalho está engajado no projeto de aprimorar o conhecimento adquirido em sala de aula ao incentivar a busca por conhecimento em literaturas específicas do assunto. O líquido deste tanque se movimenta de acordo com o ângulo projetado na embarcação.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC metacêntrica quando uma embarcação sofre uma inclinação por motivos externos e possui um tanque parcialmente cheio.

pode-se dizer que qualquer rotação que ocorra em torno do eixo ‘x’ se refere à ESTABILIDADE TRANSVERSAL.1 – Eixos de rotação de uma embarcação. Estabilidade Transversal 1. sendo que o deslocamento desta embarcação continue constante com o ângulo de adernamento e. é resultante do momento que atua no navio. faça com que este esteja adernado com um ângulo ‘θ’ e consequentemente uma nova linha d água ‘W1L1’.2.1. sendo que este define a condição de equilíbrio das embarcações que pode ser estável. por sua vez. foi causado por forças externas como o vento ou ondas – muito comuns durante a navegação [4] .ou banda -. Fundamentos: Ao representar um navio em coordenadas ‘xyz’ – conforme Figura 1. consequentemente o volume imerso e emerso serão iguais para as duas condições.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC 1. conhecida como ângulo de adernamento . neutra ou instável. A fim de ilustrar a nova condição da embarcação e o ângulo de adernamento. em que a banda é representada por ‘θ’: UFSC 3 . [1] Esta rotação. Agora. segue abaixo a Figura 1. A necessidade mais importante para qualquer embarcação durante uma viagem é a de retornar a posição vertical após passar temporariamente por uma condição de adernamento que.1-. Imagine que um navio está inicialmente navegando na linha de água ‘WL’. Figura 1.

3 – Representação da posição do metacentro e centro de carena. que podem ser aquelas que irão determinar se um navio irá. consequentemente. que apresenta os pontos ‘M’ e ‘B’: Figura 1. sendo possível. essencialmente. o equivalente a ‘GM’ pode ser considerado a cota mais importante para a estabilidade. A estabilidade transversal . Como reflexo. somente a manipulação e controle de ‘G’ ao carregar. a fim de evitar que a embarcação possa sofrer com problemas na estabilidade ao realizar uma viagem qualquer.3]. além do metacentro ‘M’. Segue abaixo a Figura 1. a partir do formato e volume do casco. ‘B’ (centro de carena) e ‘M’ (metacentro). Assim. ‘BM’.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC Figura 1. assim. por exemplo. Para cada navio existe uma posição fixa de ‘B’ e ‘M’. O adernamento promove uma mudança na geometria submersa e. ‘KG’ e ‘GM’ e. o que provoca o 4 . sendo esta conhecida como Altura Metacêntrica. pela área e forma da área de flutuação do navio. que equivale a distância entre o centro de gravidade e o metacentro – centro de curvatura da trajetória que o centro de carena descreve ao se deslocar. descarregar ou transferir pesos no navio pela tripulação [2]. pode-se concluir que a estabilidade de navios depende dos valores de ‘KB’. a localização dos pontos ‘G’ (centro de gravidade). passar por problemas ao navegar em tempos fechados [2. dentre estas.tema em estudo .2 – Representação do ângulo de adernamento. o engenheiro naval deve estudar a localização do centro de carena ‘B’.3. na posição do seu centro volumétrico.é a que determina a navegabilidade de uma embarcação e. conforme apresenta o projeto. passando o centro de carena para ‘ UFSC ’.

UFSC 5 . conforme apresentado na Figura 5. dependendo da posição relativa do centro de massa do corpo em relação ao ponto ‘M’. É necessário observar que geralmente um navio adernado irá também apresentar TRIM para manter o equilíbrio longitudinal [4]. e em equilíbrio. o momento será de restauração e a embarcação encontra-se na situação de equilíbrio estável. ilustrando o momento citado anteriormente que numericamente é igual ao empuxo – na figura representado por ‘E’ . Figura 1.5 – Representação do empuxo e deslocamento atuantes no navio. Se estiver acima.para o retorno do navio a sua posição inicial de equilíbrio. o equilíbrio é instável. conforme será apresentado adiante.vezes a distância entre as linhas de flutuabilidade e de deslocamento . Ao considerar uma embarcação navegando em águas tranquilas.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC surgimento de um momento que pode ser de restauração ou emborcamento. as forças peso.4 apresenta uma situação de equilíbrio estável. Este momento é chamado de momento de estabilidade e trabalha contra o ângulo de adernamento – ou banda . A Figura 1. Se ‘G’ estiver abaixo do ponto ‘M’.4 – Representação da alteração da geometria submersa sob efeito de um ângulo de banda.conhecida como braço de estabilidade ou de endireitamento ‘GZ’. Figura 1. que seriam o deslocamento atuante no centro de gravidade ‘G’ e empuxo que atua no centro de carena ‘B’ são iguais porém com sentidos opostos.

UFSC 6 . que evitam que o convés de bordo inunde [2]. assim. que ilustram a influência da Boca e das Obras Vivas das embarcações nos valores de GZ e do ângulo de banda: Gráfico 1.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC Um navio que retorna de maneira lenta de um adernamento devido a um ‘GZ’ pequeno é conhecido por ser “Tender”.para a condição de equilíbrio. Segue abaixo dois gráficos retirados do livro “The Management of Merchant Ship”.quanto maior a distância entre bordos. o que culminará em aumento de tensão sobre a estrutura do navio e sensação desagradável para a tripulação [5]. Um navio “Stiff” – tradução livre: duro ou rígido – possui um braço de endireitamento ‘GZ’ grande que irá provocar um movimento rápido de retorno – e violento . maior flutuabilidade o navio terá .e das Obras Mortas.1 – Influência da Boca na Estabilidade Transversal [5]. que em uma tradução livre pode significar suave ou doce. Vale ainda citar que a estabilidade transversal depende consideravelmente da Boca . o risco de um navio inundar por conta de ondas que varrem o convés é consideravelmente grande.

1. GM e θ: 1. KB. Se o plano d’água for retangular o cálculo do momento de inércia se resume à: UFSC 7 .2. Cálculo de BM.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC Gráfico 1.2 – Influência das Obras Vivas na Estabilidade Transversal [5].2. BM: O raio metacêntrico pode ser calculado de acordo com a fórmula que segue: Sendo I o momento de inércia do plano d’água (ou segundo momento de área) em metros na quarta [ ]e o volume de água deslocado pela embarcação em metros cúbicos [ ]. 1. KG’.

6 – Representação de um navio em forma de caixa.2.2. Para formas de caixa homogêneas: Figura 1.7 – Representação de um navio em forma triangular. Para formas triangulares homogêneas: Figura 1. 1.2. Sendo H o calado do navio para as duas situações. KB: A altura do centro de carena é a posição do centro de gravidade do volume da água deslocada do navio: 1. 1.1.2. UFSC 8 .2.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC Sendo L o comprimento total e B a boca da embarcação.2.2.

ou ainda a distância entre o centro de gravidade de ‘p’ e o plano diametral do navio – quando o peso for carregado no navio.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC 1.pode ser determinado por: Sendo ‘p’ o peso da carga adicionada e ‘d’ a distância entre os dois centros de gravidade do peso .2. transferido para um novo local na transversal ou desembarcado surge uma nova posição para ‘KG’. conhecido como ‘KG’’.2. UFSC 9 . em que o momento da resultante é igual à somatória dos momentos das componentes.quando este for movimentado . que pode surgir após um peso ser embarcado. GM: Ao observar a Figura 1. A partir do Teorema de “Varingnon”. pois se uma situação de banda permanente foi tratada como ângulo de adernamento haverá o risco de emborcamento.5 é simples determinar o valor de GM: 1. o valor da cota do centro de gravidade ‘KG’’pode ser determinando: ∑ 1. θ: O ângulo de banda permanente –ou de encosto . KG’: Se um navio sofrer uma banda permanente.4.5.2. É necessário comentar sobre este assunto.3.

1. UFSC 10 . quando inclinada por ação de uma força externa. conforme comentado anteriormente e como é apresentado na Figura 1. portanto. o empuxo atuará verticalmente passando por este novo ponto e o metacentro ‘M’ [6].9: Figura 1.2 a 2 metros. apesar deste intervalo poder ultrapassar a cota máxima para navios muito grandes [5].3. Para que seja possível.3. o centro de gravidade ‘G’ deverá estar abaixo do metacentro ‘M’ e.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC 1.8 – Representação de condições necessárias para equilíbrio estável. o centro de gravidade ‘G’ permanece inalterado. porém o centro de carena ‘B’ se desloca para uma nova posição ‘ ’ e. tende a retornar a sua posição inicial quando cessada a mesma. Equilíbrio Estável Qualquer embarcação possui equilíbrio estável se. A faixa de valores aceitáveis para ‘GM’ geralmente vai de 0. Figura 1. assim. Tipos de Equilíbrio: 1. a altura metacêntrica ‘GM’ devera ser positiva [6].9 – Situação resultante de força externa para condição de equilíbrio estável. Quando esta embarcação fica sujeita a uma pequena inclinação.

11 – Representação de condições necessárias para equilíbrio instável.2.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC 1. 1.10: Figura 1. uma vez que a embarcação sofre um pequeno ângulo de inclinação. como apresentado na Figura 1. a altura ‘GM’ deverá equivaler a um valor negativo.3.3. o braço de estabilidade ‘GZ’ também equivalerá a zero e não haverá momento de endireitamento. Equilíbrio Indiferente ou Neutro Esta situação de equilíbrio apresenta um valor da altura ‘GM’ que tende a zero. com um ângulo de banda até que outra força externa seja aplicada [6].11.3. nesta situação. se mostra do tipo emborcador. Sendo assim. Equilíbrio Instável Para estar em condição de equilíbrio instável. O momento de estabilidade estática. Deste modo. porém um navio com ‘GM’ negativo não UFSC 11 . conforme pode ser observado na Figura 1. a embarcação tenderá a manter o repouso na posição em que se encontra. Figura 1.10 – Situação resultante de força externa para condição de equilíbrio neutro. Possuindo esta característica. esta tenderá a provocar um aumento do ângulo de inclinação.

 Carregar os pesos para regiões abaixo do centro de gravidade do navio.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC precisa. Correção dos equilíbrios neutro e instável Quando um navio se encontra em uma situação de equilíbrio neutro ou instável.  Remover/evitar superfícies livres dentro do navio. emborcar [6]. O navio ira recuperar a estabilidade positiva em ângulos maiores de banda se o aumento em ‘M’ é suficiente para combater o ‘GM’ negativo inicial. Para que a situação de uma embarcação seja considerada instável.4. UFSC 12 . o centro efetivo de gravidade do navio deve ser reduzido para que seja possível a correção deste ângulo de adernamento. Alguns métodos podem ser aplicados para que este problema seja eliminado:  Reduzir a quantidade de pesos que se encontram dentro da embarcação.3. 1. Figura 1.  Descarregar os pesos em posições acima do centro de gravidade. necessariamente. o ângulo de banda deverá possuir pelo menos 4º ou 5º antes que haja qualquer aumento significativo de ‘M’ até o eixo.12 – Situação resultante da força externa para condição de equilíbrio instável.

A estabilidade é essencialmente um problema de balanço e é necessário investigar se um tanque de líquidos em um navio afeta a sua estabilidade inicial [1]. Neste caso. promovendo o efeito de superfície livre. Na prática.1 – Representação do efeito de superfície livre em um tanque em uma embarcação inclinada. o que acarreta em uma diminuição do nível dos líquidos. Estes podem ser os tanques com combustível ou água que o navio usa ou carrega as cargas líquidas. a partir de uma força externa.1: Figura 2. o mesmo não se move dentro do recipiente quando o navio sofre adernamento. com relação à estabilidade. [7] Considerando um navio flutuando em uma linha d’água ‘WL’ e que. sofre um adernamento com ângulo ‘θ’ para uma nova linha d’água ‘ UFSC ’. Quando um tanque é completamente cheio com um líquido. combustíveis de vários tipos e óleos lubrificantes – então o problema deve ser examinado com tolerância para o fato de que a densidade dos líquidos não é a mesma que a da água do mar em que o navio esta flutuando e que alguns tanques possuirão consumíveis para a viagem. água salgada para o lastro. Quando um navio é inclinado lentamente por um pequeno ângulo a superfície líquida ira se mover a fim de permanecer na horizontal. Este navio 13 . um navio possui tanques com diversos tipos de líquidos – água fresca para beber ou para as caldeiras.1.2. Fundamentos: Um navio em serviço geralmente possui tanques que são parcialmente preenchidos com líquidos. Efeito de superfície livre 2.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC 2. como ilustrado na Figura 2. o líquido pode ser considerado uma carga estática tendo o seu centro de gravidade no centro de gravidade do líquido dentro do tanque – Figura 2.

por definição. porém o centro de flutuabilidade irá mover de ‘B’ para ‘ ’.2 – Representação de um tanque cheio em um navio. porém o tanque de líquidos agora esta parcialmente cheio e. a superfície de líquidos em um tanque é livre. conforme ja explicitado no tópico 1. como ilustrado na Figura 2. deste modo a superfície do líquido irá mudar com a inclinação com um mesmo ângulo ‘θ’.3: Figura 2. UFSC 14 . O cálculo para o momento de estabilidade estática para este caso seria: Agora considere o mesmo navio flutuando nas mesmas condições.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC possui um tanque duplo fundo cheio com um líquido de centro de gravidade ‘g’.1 de Estabilidade Transversal. conforme a Figura: Figura 2.3 – Representação de um tanque parcialmente cheio em um navio. O adernamento a um pequeno ângulo ‘ ’ não provoca nenhuma alteração na posição do centro de gravidade ‘G’ pois nenhum peso foi movido com o navio.

o cálculo do momento de estabilidade estática para o caso com efeito de superfície livre será: Figura 2.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC Quando o navio sofre uma banda. como ilustrado na Figura 2. É comum considerar o efeito de superfície livre como sendo um aumento virtual do centro de gravidade do navio. Isto irá causar no navio uma mudança do ’.4. Pode-se observar que o efeito da superfície livre reduz a efetiva altura metacêntrica de ‘GM’ para ‘ ’ e qualquer perda em ‘GM’ promove uma perda na estabilidade. embora deva ser entendido que esta é apenas uma questão de convenção[8]. a elevação virtual do centro de gravidade do navio que ocorre devido a superfície livre.4 – Representação de um tanque parcialmente cheio em um navio e os braços de endireitamento. portanto. O braço de ’ corresponde a um braço virtual que pode ser denominado ‘ ’ que é menor que ‘GZ’. ‘ ’ é. É possivel calcular o valor da elevação virtual do centro de gravidade ‘ ’ com a ação do efeito de superfície livre durante a avaliação da estabilidade: UFSC 15 . Assim. o líquido escoa para o lado mais baixo do tanque tal que o centro de gravidade do mesmo muda de ‘ ’ para ‘ centro de gravidade da embarcação de ‘G’ para ‘ endireitamento ‘ ’. paralelo a linha imaginária ‘ ’.

Isto causaria no navio um ângulo de ‘LOLL’ que poderia ser perigoso e deve sempre ser estudado quando for considerado navegar ou não com água de lastro em tanques para corrigir o ângulo de ‘LOLL’ e aumentar ‘GM’. não existe uma simples relação entre o ângulo de inclinação do navio e o declive da superfície do carregamento. O ângulo de ‘LOLL’ pode ser observado na Figura 2. 2. Em pequenos ângulos de banda o carregamento não se desloca portanto não existe influência na estabilidade incial.2. Corrigindo o Ângulo de ‘LOLL’ Se o navio obtiver um ângulo de LOLL devido uma pequena altura ‘GM’ negativa e ‘GZ’ se torna positivo a um determinado valor de ângulo de adernamento.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC Sendo e o momento de inércia do tanque em estudo. este deve ser corrigido imediatamente. para corrigir a altura metacêntrica. Enquanto os tanques não estiverem vazios haverá uma perda virtual de ‘GM’ devido ao efeito de superfície livre dos líquidos. a densidade do líquido no tanque o deslocamento total do navio considerando o tanque com o carrgamento desejado. Entretanto. quando o tanque está com metade de seu compartimento carregado e. [9] Se a superfície livre criada em um navio possui uma altura metacêntrica inicial pequena a perda virtual de ‘GM’ devido a superfície livre pode resultar em uma altura metacêntrica negativa. [5] Um efeito similar pode surgir do movimento de cargas granulares em navios de carregamento a granel. Durante este cáclulo a pior situação para a embarcação é calculada.5: UFSC 16 . segue a fórmula: Se o navio estiver com mais de um tanque com superfície livre – o que pode ser muito comum – a fórmula a ser aplicada é a somatória de ‘ ∑( ’ para cada tanque: ) Deve ser observado que o efeito de superfície livre é independente da posição do tanque no navio. o tanque pode ser de qualquer altura e não precisa estar na linha média do navio.

abasteça-o completamente e. Se houver pesos que possam ser levados para compartimentos mais baixos o procedimento devera ser executado. será necessário diminuir a posição do centro de gravidade efetivo o suficiente para levá-lo novamente para uma posição abaixo do metacentro ‘M’. Se necessitar carregar algum tanque com líquido. UFSC 17 .Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC Figura 2. se for decidido usar os tanques de duplo fundo. primeiramente tenha certeza que o adernamento é devido a um ‘GM’ negativo e não devido a uma má distribuição de pesos a bordo.5 – Gráfico Braço de Endireitamento X Ângulo de Banda. que é adequadamente subdividido. Tendo constatado que o problema ocorre devido ao efeito de superfície livre e que os pesos estao distribuidos uniformemente.[1] Como procedimento para a correção. Nunca comece a carregar pelos tanques mais altos e finalmente sempre calcule os efeitos antes de autorizar qualquer ação para lastrar qualquer tanque [6]. deve-se começar enchendo a região mais baixa do tanque.

tanto a estabilidade transversal quanto o efeito de superfície livre se mostraram extremamente cruciais para a garantia de uma navegação segura tanto em condições de mar severo quanto em águas calmas. os problemas de estabilidade de um navio geralmente se encontram no plano transversal. Qualquer propulsor de navio precisa de tanques de combustível e óleos lubrificantes. Tanques são necessários para o armazenamento de água doce para a tripulação ou também para caldeiras. portanto existe uma grande importância no estudo deste conteúdo para um engenheiro naval. A estabilidade transversal provou ser determinante para a navegabilidade de uma embarcação e. Compreender os tipos de condições de estabilidade e saber calcular os pontos e cotas fundamentais para a estabilidade são de grande necessidade para a garantia da segurança do navio e sua tripulação. Assim.Estabilidade Transversal e Efeito de Superfície Livre UFSC Conclusão Conforme visto neste trabalho. o efeito de superfície livre mostrou ter uma ligação intensa com as características estudadas no primeiro tópico. Líquidos com superfícies livres são um tipo muito comum carga que influenciam fortemente na estabilidade de uma embarcação. os derramamento de óleos combustíveis e abandono de materiais no local do naufrágio que podem ser poluentes. UFSC 18 . o que tornou este estudo um contínuo desenvolvimento do conhecimento no que tange o estudo dos efeitos sensíveis sentidos e dos cuidados e procedimentos para garantir a estabilidade no plano transversal. não obstante. pois qualquer erro poderá resultar em catástrofe e custos altíssimos tanto para proprietários quanto a natureza – por exemplo.

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