A QUESTÃO URBANA MARANHENSE: problemas de um discurso

desenvolvimentista que não prioriza a gestão e o ordenamento territorial1.
Antonio José de Araújo Ferreira (DEGEO-CCH/UFMA; ajaf@ufma.br)
RESUMO
A questão urbana no estado do Maranhão, Brasil, deve ser debatida devido aos problemas
sociais e ambientais existentes nas 217 formas espaciais, que têm origem no discurso
desenvolvimentista que viabiliza a reprodução do capital e compromete o ambiente e a
qualidade de vida da população, requerendo que o Estado inclua a gestão e o ordenamento
territorial como prioridades.
Palavras-chave: Questão urbana; Maranhão; Discurso desenvolvimentista; Gestão.

1 INTRODUÇÃO
Entre 1950 e 2000 a população do estado do Maranhão passou de 1.583.248
para 5.638.381 habitantes, o que representou: acréscimo de 4.055.133 novos indivíduos;
elevação dos pontos de concentração (cidades) de 72 para 217; a sobreposição da
população urbana em relação à rural no penúltimo censo, embora o índice de
urbanização dessa unidade da Federação (59,53%) estivesse abaixo das médias da
macrorregião Nordeste (69,1%) e brasileira (81,23%).
Isto implica que a questão urbana maranhense deve estar na ordem do dia e
sua importância já havia sido indicada em análises de Andrade (1968), Maranhão
(1979), Ferreira (1989), e Sousa (2009); oficialmente, contudo, o processo remonta ao
censo de 2000 e tem origem na reclassificação, pois sem a criação, em 1994, de 81
municípios (entenda-se: cidades) tal fato não teria se concretizado. O censo demográfico
de 2010 revelou a ascensão da urbanização maranhense haja vista que dos atuais
6.569.683 habitantes, 63,07% moram em cidades (BRASIL, 2011). O que se impõe é:
como vive a população citadina do estado do Maranhão? Quais são os problemas
principais? O que propõe o discurso desenvolvimentista do Estado?
Com base nesses questionamentos é que este artigo objetiva fazer uma
discussão da questão urbana no Maranhão. Para tanto, o conteúdo a seguir foi dividido
em três partes: a primeira ressalta o processo baseando-se em números e problemas; a
segunda atém-se às possibilidades de reversão via gestão e ordenamento territorial; a
terceira trata das conclusões.

1

Este artigo é resultado do projeto de pesquisa intitulado ―A atual configuração da rede urbana
maranhense: 1990-2010‖, que está em fase de conclusão e é financiado (Processo APP-01065/10) pela
Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão,
conforme Edital FAPEMA n° 04/2010.

Ao analisar a estrutura espacial urbana maranhense.1 Os números O crescimento das cidades maranhenses é lento uma vez que em 1822 havia 12. sendo 12 as principais e São Luís (capital estadual) aglomerava 119.000 hab. As cidades situadas no nordeste (Chapadinha).000 200.001 a 1 milhão 78 11 - - - 01 - 23 107 17 02 02 01 01 - 136 45 91 37 02 04 - 02 - 2000 217 67 150 55 04 04 02 01 01 2010 217 92 125 74 08 06 02 01 01 Quadro 1 – Maranhão: número de cidades por faixa de população. 2006).001 a 55. com índice entre 301 e 800.798 habitantes ou o dobro da população das outras onze. sudeste (Presidente Dutra e São João dos Patos) e sul (Balsas) sobressaíam-se com índices de centralidade entre 201 e 300. e com o maior número de cidades influenciadas.413 moradores enquanto Imperatriz ultrapassou Caxias e tornou-se a segunda maior. tinham papel ímpar em relação aos seus centros e as cidades com menor índice de centralidade situavam-se ao sudeste e sul do estado em que a precariedade de transportes eternizava-se. apenas 13. entre 1950 e 1970 mais dezoito cidades foram instaladas. Em 1980 havia 130 cidades nesse estado. a oeste.001 a 35. passou da 10ª posição em 1960 para a sétima (1970) e ocupou a quarta colocação entre as dez maiores cidades (Quadro 2). sendo que do total (90).000 500.33% possuíam entre 10. 2006.) 12 1980 130 1991 Faixa da população (n° de habitantes) Até 10.000 35.000 pessoas (Quadro 1) e algumas já existentes e que eram maiores como as mencionadas.08% se situavam na faixa de 10.000 habitantes. Principais cidades Ano Cidades existentes 1970 90 (acima de 10.000 habitantes.000 almas (FERREIRA. isto é.000 a 500. primeiros resultados. por seu turno. Fonte: FERREIRA. além de Bacabal e Timon cresceram e ficaram acima de 35.2 A URBANIZAÇÃO NO ESTADO DO MARANHÃO 2. a referida capital tinha 205. centro (Bacabal) e leste (Timon e Caxias) destacavam-se cidades com índices entre 801 e 1500.000 10.001 a 35.000 55. . IBGE.001 a 35.001 a 199.000 100. Ferreira (1989) revelou que no ápice da hierarquia. e Imperatriz. As sedes de Barra do Corda e Pinheiro. 1970-2010. entre as quais 13. esta última.001 a 100. Censo demográfico 2010. o que revelava mudanças na rede urbana. No centro-noroeste (Santa Inês). com índice de centralidade superior a 1501 estavam duas cidades: São Luís. as quais passaram para 50 em 1889 e em 1950 já eram 72. mas aquém de 112. ao norte.

Fonte: Censos demográficos. enquanto as de 35. No censo de 2000 constatou-se a efetivação de mais 81 cidades. IBGE.12% possuíam até 10.000 duplicaram e as de 100.07% e o incremento foi maior nas .001 a 55. 2011). e Balsas apareceu como sendo a nona maior cidade maranhense (Quadro 2) em decorrência do efeito multiplicador das commodities agrícolas da soja.000 já eram duas (Timon e Caxias) e a capital alcançou os 834. a referência é que o pólo guseiro de Açailândia fez com que ela ultrapassasse Santa Inês. Os primeiros resultados do censo de 2010 constatam a ascensão do processo de urbanização no Maranhão (BRASIL.Posição na rede urbana 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010 1ª São Luís São Luís São Luís São Luís São Luís São Luís São Luís 2ª Caxias Caxias Imperatriz Imperatriz Imperatriz Imperatriz Imperatriz 3ª Pedreiras Bacabal Caxias Caxias Timon Timon Timon 4ª Codó Codó Bacabal Timon Caxias Caxias Caxias 5ª Ribamar Pedreiras Codó Bacabal Bacabal Codó Codó 6ª Rosário Imperatriz Pedreiras Santa Inês Codó Bacabal 7ª São Bento Carolina Timon Codó Santa Inês Açailândia Açailândia 8ª Viana Coroatá Ribamar Pedreiras Açailândia Santa Inês Bacabal 9ª Coroatá São Bento Coroatá Pinheiro Barra do Corda Balsas Santa Inês 10ª Bacabal Timon Pinheiro Barra do Corda Pinheiro Barra do Corda Balsas Paço Lumiar do Quadro 2 – Maranhão: nominata das principais cidades quanto ao tamanho demográfico. o índice já era de 63. A importância desta última cidade deriva das benesses de sua proximidade (2 km via rio Parnaíba) da capital piauiense.000 ascenderam de 37 (1991) para 55. pois enquanto permaneceu o número de pontos de concentração (217). Santa Inês e Timon que desde então se tornou a terceira maior.000 moradores e as situadas entre 10. Teresina.001 a 100.001 a 35.968 habitantes (Quadro 1). Açailândia. outras seis cidades foram instaladas no Maranhão.001 a 199. mas Açailândia e Santa Inês ganhavam relevância devido à excelente situação geográfica ao longo do corredor Estrada de Ferro Carajás/ BR’s 222/316/010.000 duplicaram e os destaques foram Barra do Corda. as quais totalizaram 217 sendo que 69. as de 10.001 a 35. No intervalo de 1980 a 1991. Em termos de posição na rede urbana.65% uma vez que passaram de 17 (1980) para 37 (1991) enquanto as da faixa de 55.000 residentes registraram incremento de 217. sendo que da totalidade (136) dessas. 1950-2010.

Bacabal.2. que detém 76. sendo que: a capital é a única aglomeração que está na faixa dos 500. o que é . Imperatriz.000 (02) enquanto as que estão na faixa de até 10.cidades acima de 10. o congestionamento nas vias de acesso tem concorrido para que as pessoas cheguem atrasadas e/ ou adiem compromissos.000 (04) e 50. além dos melhores equipamentos em educação.001 a 100. hospedagem.119). que integra a Região Metropolitana da Grande São Luís e nunca tinha aparecido entre as principais cidades.600 moradores. etc. as agências bancárias.000 (19).749 moradores e ficasse em posição superior às cidades de Açailândia. 1992 e 2006). entre 2000 e 2010 constatou-se que: não houve alteração entre as cinco principais cidades maranhenses. a segunda maior. tornou-se a sexta maior devido à proximidade da capital estadual e à atualização (já tardia) do perímetro urbano de seu plano diretor através da qual houve a incorporação da população do Conjunto Maiobão e adjacências à zona urbana.559) e Timon (135.001 e 200. o que concorreu para que a mesma registrasse 78. Na escala da rede urbana. possui exatos 955.001 a 55.000 declinaram em 17% (Quadro 1). Mas. Paço do Lumiar.000 habitantes que passaram de 67 (2000) para 92. 35. Santa Inês e Balsas. Sá Viana). a logística em torno do complexo portuário. isto é. A reflexão deve iniciar pela cidade de São Luís. concentra a frota de veículos. o Produto Interno Bruto.000 residentes mantiveram-se Caxias (118. o maior crescimento registrou-se nas sedes com população entre 10. Coroadinho. o que tais números podem revelar? 2. a redução dos recursos pesqueiros tem sido denunciada. subterrâneas e do solo é notória e impede um simples banho nos rios e/ ou em praias. houve agravamento de problemas na capital maranhense: os riscos de acidentes se ampliaram devido à ocupação de áreas impróprias (Salina do Sacavém. saúde. concentra 234. a prestação de bens e serviços.77% da população da região metropolitana que encabeça.001 a 1 milhão de habitantes. a contaminação de águas superficiais. Apesar dos sucessivos planos diretores (1974.671 habitantes e entre 100. o comprometimento do patrimônio histórico-cultural e o da qualidade de vida da população são visíveis.001 a 35. Os problemas Em decorrência da urbanização maranhense emergem problemas sociais e ambientais que constituem a premissa de qualquer ação de planejamento baseada na Carta dos Andes (1958) e que de acordo com Souza (2010) deve simular os desdobramentos de um processo com o objetivo de melhor precaver-se contra prováveis problemas (futuros).

entre os principais problemas. áreas de ocupação e palafitas. de A. Açailândia. 2) o acesso à rede de abastecimento de água ainda não foi universalizado (69. cujas referências são a capital. Fonte: FERREIRA. que é um dos mais expressivos do Brasil tem contribuído para que a população de menor poder aquisitivo utilize alternativas através do incremento das casas de taipa. Santa Inês.empecilho tanto para uma atividade indutora como o turismo quanto. 2009). Imperatriz.PNAD 2009) e em cidades como Peritoró o uso do chafariz é uma atividade cotidiana de uma parte da população (Figura 2). Santa Quitéria. Turiaçu e Vargem Grande. Antonio J. Timbiras (Figura 1). Figura 1: Maranhão – casas de taipa na periferia de Timbiras. que: 1) o déficit habitacional. 24/04/2010. para o usufruto do morador (FERREIRA. . Caxias. Uma análise das outras 216 cidades do Maranhão revelará. Nina Rodrigues. Pinheiro.2% .. e principalmente. Codó. Bacurituba.

. De Volta ao Trabalho – 2009-10) levado a . Tempo de Novos Conquistas – 2003-2004. Antonio J. Fonte: FERREIRA. o que somado à baixa e irregular coleta de lixo (direta e indireta) que cobre 66. de A. de A..Figura 2: Maranhão – abastecimento de água via chafariz em Peritoró. Codó. Um Novo Tempo – 1996-2002. Imperatriz (Figura 3). cujos exemplos são a cólera e a dengue. sede de Imperatriz. 28/03/2010. 3) a rede coletora de esgoto atendia só 11. Um Grande Maranhão Para Todos – 1979-82. 4) apesar do discurso desenvolvimentista (Maranhão Novo – 196670. Fonte: FERREIRA. Figura 3: Maranhão – lançamento de esgotos in natura no rio Tocantins.1% contribui para a calamidade pública em se tratando de saúde e qualidade de vida. Pinheiro. Bacabal e São Luís. Rosário. Antonio J.5% dos domicílios em 2009 (PNAD) e por isso se constata o lançamento in natura nas sedes de Pindaré-Mirim. 24/07/2011.

de um lado. principalmente) e como passagem (transporte/ embarque de minério de ferro. 40-41. bem como cidades avançam sobre dunas/ paleodunas e mangues (Tutóia – Figura 4) e/ ou engendram voçorocas como em Açailândia e Bom Jesus das Selvas. Mearim. 8. São José de Ribamar e Paço do Lumiar) estavam entre 0. na prática. tal discurso propõe e materializa ―os interesses dos grandes empreendimentos com escala de atuação nacional e/ ou internacional utilizando o território para produção (soja. Quando? 2 Cf. Pindaré e Tocantins transbordam e colocam em xeque a gestão pública municipal e estadual em função da repetição do fato (mais recentemente. bem como não socializa o decantado aumento do Produto Interno Bruto e impõe às cidades selecionadas pelo capital a responsabilidade pelo suporte logístico e pela infra-estrutura.197 (último. p.cabo pelo grupo político que domina o Maranhão desde a segunda metade da década de 1960 o índice de exclusão social piorou de 0. p. .0 a 0. alumina)‖ – (FERREIRA. Enquanto esses problemas se tornam cotidianos e são publicizados pela mídia. Imperatriz.4 e 0. 7). ―NÃO TENHO CULPA‖. 2010. A nossa tragédia. Salina do Sacavém e Sá Viana (São Luís). isto é. Isto implica que. Pindaré-Mirim e Imperatriz. Bacabal. p. Peritoró. de 0. 5) todos os anos a ocupação de áreas impróprias ganha destaque no período de mais elevado índice pluviométrico em que. Carta Capital. Timbiras. AMORIM. 13 março 2011. O Imparcial. em 1960) para 0. ressalta que ―não tem culpa‖.219 (penúltimo.4 (POCHMAN. decreta calamidade e/ ou divulga que tomará providências2. sendo que das 217 municipalidades e por extensão cidades. Pedreiras. os cursos d’água. São Paulo. sobretudo dos rios Itapecuru.5. o Estado se cala e.6 enquanto quatro (Balsas. 2004). os deslizamentos de terra ceifam vidas em bairros como Coroadinho. De outro lado. no ano 2000). alumínio. em 2009 e 2011) e do aumento do número de desalojados e desabrigados em cidades ribeirinhas como Marajá do Sena. 25 novembro 2005. somente São Luís possuía índice entre 0. Trizidela do Vale.5 a 0. Igarapé Grande. e as outras 212 situavam-se na faixa mais baixa. Coroatá. São Luís. quando muito. São Luis Gonzaga.

contudo. Houve debate e consenso. Fonte: FERREIRA. conheça quais são os principais problemas e assim se definam as prioridades e respectivas políticas públicas.Figura 4: Maranhão – ocupação de paleodunas na sede de Tutóia. não foi fácil. de A. entre os quais a pouca articulação das esferas de governo. de maneira que sejam evitados os erros do passado (VITTE.. KEINERT. o que significa que é preciso assimilar e efetivar a gestão do espaço urbano. o Estado foi cobrado e teve que agir através de ações que alcançaram a reversão a exemplo de Buenos Aires (―terrenos e serviços para famílias de baixa renda‖). sobretudo depois da década de 1990 de maneira que se obtenha um diagnóstico atual. Agadir – Marrocos (―crescimento sustentado‖). 2009). 3 POSSIBILIDADE DE REVERSÃO ORDENAMENTO TERRITORIAL A PARTIR DA GESTÃO E Os problemas derivados da urbanização maranhense não são os únicos na escala mundial e nacional. a não convocação da população para debater o ambiente pretendido e a não efetivação de planos de ação baseados no monitoramento e na continuidade. Em outras realidades. 09/01/2010. Antonio J. Como reverter os citados problemas urbanos no Maranhão? A resposta requer uma compreensão das transformações que aconteceram na rede de cidades. Porto Alegre (―orçamento participativo‖) e Zhangjiangang – China (―punição e multa criam cidade ideal‖). Em decorrência da questão anterior surge outra: qual prazo se tem para intervir? Os problemas aqui elencados requerem a definição do prazo imediato e que já é tardio em função dos planos e projetos previstos para o Maranhão. Por esses .

antes mascarada e revelada com a urbanização. Outros exemplos: existem instrumentos legais que sustentam alternativas de reversão (Constituição Estadual/1989.. Isto porque. cobra. expansão da refinaria da ALUMAR e duplicação da produção da fábrica da AMBEV (em São Luís). Código de Proteção do Meio Ambiente do Maranhão/1997. PRONTO para uma grande virada. Notaro Alimentos (Balsas). junho 2010. Semi-árido Nordestino e Litoral Norte-Nordestino) dos seis Vetores 3 De acordo com matéria publicada em O Estado do Maranhão. de 15/10/2009. São Paulo. como o Gerenciamento Costeiro (1998). relega. Some-se a isso que em setembro de 2008 o governo federal lançou o ―Estudo da Dimensão Territorial para o Planejamento‖ que resultou na ―Visão Estratégica Nacional no horizonte 2027‖ cujos meios são o sistema de logística. Dá para esperar? Evidente que não. Valor econômico – estados: Maranhão. mas por que não atualizá-los. sendo que o Maranhão está inserido em três (Centro-Norte. o Maranhão decolou rumo ao desenvolvimento‖. o sistema de C. (re)utilizá-los/ efetivá-los? Entre as transformações na organização do espaço maranhense se destaca o crescimento e a importância das cidades. regionalizações e ações da iniciativa particular. as referências são projetos como o da Suzano Papel e Celulose (Imperatriz). as municipalidades e a população local não podem ficar de fora haja vista que a reversão exigirá a retomada.articularem interesses federais. . Lei de Saneamento Básico/2007. e o padrão de oferta de bens e serviços. O problema é que o discurso desenvolvimentista não se coaduna com a urgência que a realidade. de fato. o Plano Estratégico do governo do Maranhão é apenas uma peça publicitária e parte das metas foi realocada de instrumentos anteriores e/ ou remanejada para o Programa de Aceleração do Crescimento. cf. Margarida O. estaduais e a iniciativa particular3. p. PFEIFER. Zoneamento Ecológico Econômico. Mineradora Aurizona (Godofredo Viana). Desta vez.T&I. porém a gestão urbana e o ordenamento territorial não foram priorizados na decantada retomada do planejamento pós-1996 e os ―planos diretores participativos‖ (BURNETT. ainda. do planejamento e a inclusão da gestão urbana e do ordenamento territorial que o discurso desenvolvimentista. etc) e há experiências exitosas em nível estadual. o governo em tela divulgou o midiático ―Painel Empresarial – Oportunidades e Parcerias‖ que mais uma vez se baseou no discurso desenvolvimentista porque ―enfim. cuja maturação ocorrerá em 2014. a rede de cidades. Estatuto da Cidade/2001. 10-18. 2010) efetivados estão abaixo das expectativas. além da Brascopper. ironicamente e estrategicamente. Gusa Nordeste (Açailândia). referida visão tem objetivos que se coadunam com os da Política Nacional de Ordenamento Territorial. os quais prevêem gerar 150 mil novos empregos decorrentes da inversão de mais de R$ 80 bilhões. por exemplo.

4 CONCLUSÕES No estado do Maranhão. apesar do discurso. com efeito. futuramente) e passagem (transporte/ exportação de commodities). Tais desigualdades precisam ser revertidas uma vez que o Estado. gás natural e petróleo. assim como as demandas que não podem ficar aguardando – eternamente – soluções que concorram para amenizar a degradação ambiental. desde 2003 existe o Ministério das Cidades e através da Medida Provisória n° 048/2009 foi criada a Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano. Balsas. revela a permanência de desigualdades sócio-espaciais que travam o desenvolvimento e são conhecidas através de problemas que variam conforme o porte da cidade. no . e Construções de Unidades Habitacionais Isoladas) que estão muito longe de resolver os problemas referidos e tampouco atender as demandas das 217 cidades maranhenses. todavia.de Desenvolvimento Territorial. as cidades selecionadas pelo capital são as que têm melhor situação geográfica ao longo do sistema multimodal e/ ou aquelas que estão próximas e por isso registram maior dinamismo. ampliar a participação social no desenvolvimento econômico e melhorar a qualidade de vida da população. primando pela assimilação de que o conjunto de cidades maranhense. predominantemente. atualmente se dedica a três ―programas‖ (Projeto Rio Anil. a exemplo de Açailândia. devem ser priorizadas a retomada do planejamento. tem sido pouco atuante. Isto. Na prática. Chapadinha e São Luís. contudo. Decerto que é vislumbrado algum consenso pautado nas respostas às perguntas aqui relevadas. Programa de Habitação na Cidade Olímpica. os quais abrangem uma Carteira de Investimentos dividida em 12 agrupamentos que se rebatem diretamente nas cidades. Santa Inês. Para tanto. o Maranhão ficará de fora dessa ―visão estratégica‖ por não discutir e tampouco efetivar uma política de ordenamento territorial (na qual já estão incluídas as cidades)? Espera-se que não uma vez que. Imperatriz. as ações propostas materializaram os interesses dos grandes empreendimentos com escala de atuação nacional e/ ou internacional que utilizam o território maranhense para produção (soja. Esta. ações de gestão urbana e a efetivação de uma política de ordenamento territorial que levem em conta o ascendente processo de urbanização e. Por isso. as ações em termos de planejamento e políticas territoriais vinculam-se ao discurso desenvolvimentista efetivado desde 1966. Será que devido à omissão e/ ou às poucas ações do Estado. os conflitos e problemas que não são poucos.

futuro. In: Anais [recurso eletrônico] / 1. Universidade Federal do Maranhão.. 1968. LUIZ.] por meio dos Conselhos‖ (LUIZ. cheias de expectativas. A estrutura espacial urbana maranhense. São Luís. In: X Encontro Humanístico. Antonio J. Monografia (Graduação) — Departamento de Geociências. O Estado e o uso antigo/ moderno da linguagem desenvolvimentista no Maranhão. – São Paulo: DG-FFLCH-USP / DG-UFRGS. Boletim Geográfico. Neste caso. Manuel C. . recentemente o próprio governo estadual reconheceu que ―a participação da sociedade civil organizada na formulação. de. 7.ibge. 5. REFERÊNCIAS ANDRADE. para as cidades maranhenses. 1 CDROM. Os transportes e a rede urbana no Maranhão. gestão e controle social das políticas públicas constitui-se em um dos pilares da gestão social [. 2011). Washington. 8p. São Luís. jan. Maranhão – total da população urbana. deve agir de imediato e a sociedade dispor de mecanismos de cobrança mais eficazes que um conselho porque o tempo não pára e as pessoas continuam morando e/ ou se direcionando.br/cidadesat/comparamun/compara. Frederico L. porém. No prelo. entre os quais o das Cidades. n. n. deve ser bem melhor que o do presente. 22 a 26/11/2010. BRASIL. Simpósio Nacional o Rural e o Urbano no Brasil / organizado pelo Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia. 2. p. ___. O Estado.php?sigla=ma&amp>. 2009. sonhos e esperanças. Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O Estado do Maranhão. Acesso em 22/04/2011. 9p – ISSN 1678-81. 202. 11-18. Disponível em: <http://www. v. São Luís do Maranhão: em que cidade vivemos? Que cidade queremos no quarto centenário? Ciências Humanas em Revista./fev.php?codmu>. São Luís. BURNETT. 2010. 14p. FERREIRA. ___.br/estadosat/imprimir. 17 abril 2011. Rio de Janeiro. São Luís/MA. p. v. 2006. de A. ___. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População e domicílios – PNAD 2009 – síntese de indicadores. ___. Disponível em: <http://www. São Luís. 27. Conselhos x políticas públicas.gov.ibge. A necessária (re)interpretação da urbanização maranhense. Relatório estadual de avaliação dos planos diretores participativos do Maranhão.gov. 1989. Acesso em 22/04/2011..

Márcio. Secretaria de Coordenação e Planejamento. Qualidade de vida. 3. planejamento e gestão urbana: discussões teórico-metodológicas. 6.). VITTE. Tânia M. 2009. AMORIM. S. Mudar a cidade: uma introdução crítica ao planejamento e à gestão urbanos. KEINERT.MARANHÃO. M. 2004. (Orgs. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. A cidade na região e a região na cidade: a dinâmica socioeconômica de Imperatriz e suas implicações na região Tocantina. MA: Ética. Imperatriz. 1979. de POCHMAN.. Atlas da exclusão social no Brasil. 2009. São Luís: SEPLAN. SOUSA. São Paulo: Cortez. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.). Marcelo Lopes de. Ricardo. Política desenvolvimento urbano: tipologia de cidades. SOUZA. ed. Jailson de M. ed. 2010. (Orgs. Claudete de C. .