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Apresentação da disciplina:

Prezado (a) aluno (a), seja bem-vindo a mais uma disciplina do Curso de
Especialização em Educação Inclusiva, nossa disciplina é Deficiência
Auditiva, que tem por objetivo abordar conceitos referentes à deficiência
auditiva e os aspectos envolvidos na educação das pessoas surdas. Sou a
professora Sandra Cristina Malzinoti Vedoato, fonoaudióloga e especialista
em Educação Bilíngue, Libras/Língua Portuguesa.

Nesta unidade você terá oportunidade de refletir sobre a deficiência auditiva
e os aspectos sociais, linguísticos e educacionais referentes à pessoa surda.
Antes de apresentar o conteúdo, quero que você conheça os objetivos que
pretendo atingir com esse trabalho.
Objetivos:
Conhecer os aspectos relacionados à deficiência auditiva, fisiologia e
anatomia da audição, as causas e suas implicações;
Compreender a diferença entre a concepção de deficiência auditiva e
surdez;
Conhecer a história da educação de surdos na antiguidade e atualidade;
Analisar a concepção da filosofia educacional oralista;
Compreender a atual filosofia educacional bilíngue para surdo.
Conteúdo Programático:
- Deficiência Auditiva;
- Deficiência Auditiva versus Surdez;
- História da Educação de Surdos;
- Oralismo;
- Bilinguismo.
Metodologia:

Na unidade, utilizaremos todos os recursos necessários e disponíveis para o
desenvolvimento da discussão do conteúdo, sendo assim, faremos uso de:

Textos da própria Web Aula e de outros sites que possam contribuir para a
discussão;
Vídeos que possam esclarecer ou aprofundar determinados conteúdos;
Fóruns para discussão de tópicos onde seja possível a troca de ideias e
conteúdos entre os discentes e docentes;
Avaliações virtuais onde será realizada a verificação do aprendizado;
Entre outros recursos que poderão ser utilizados visando maior
entendimento da matéria.

Avaliação Prevista:

Cada Web Aula será composta de uma avaliação virtual de 5 questões
(sendo assim, temos 2 Web Aulas com 5 questões cada). Quando houver
fórum de discussão, o aluno será avaliado quanto ao conteúdo de sua
postagem, onde deverá comentar o tópico apresentando respostas
completas e com nível crítico de avaliação pertinente ao nível de pósgraduação.
Critérios para Participação dos Alunos no Fórum:
Quando houver fórum de discussão, você será avaliado quanto ao conteúdo
de sua postagem, onde deverá comentar o tópico apresentando respostas
completas e com nível crítico de avaliação pertinente ao nível de pósgraduação. Textos apenas concordando ou discordando de comentários de
outros participantes do fórum sem a devida justificativa ou complementação
não acrescentam em nada ao debate da disciplina, sendo assim, devem ser
evitados. Os textos devem sempre vir acompanhados das justificativas para
a opinião do discente sobre o conteúdo discutido, para que, assim,
possamos dar continuidade ao debate em nível adequado. Além disso,
podem ser utilizados citações de artigos, livros e outros recursos que
fundamentem a opinião ou deem sustentação a sua posição crítica sobre o
assunto. Deve ser respeitado o tópico principal do fórum, evitando debates
que não tenham relação com o tema selecionado pelo professor.
Habilidades e competências
Espera-se que no final do curso os alunos possam:
Compreender o que seja um texto, seus tipos, suas características, suas
funções e algumas de suas astúcias.

Conhecer algumas ferramentas de análise e produção textual, seja de textos
escritos seja orais.
Articular teorias e exemplos vistos com sua aplicação na comunicação
interpessoal.

Ampliar a visão acerca das relações entre orador, auditório e discurso, no
esquema retórico-argumentativo, aplicando-o ao assunto-chave da
disciplina.

nidade 1 – Surdez e Educação
Conteúdo da Unidade: Nesta unidade discutiremos sobre os seguintes
tópicos: conceito de deficiência auditiva, a etiologia, anatomia e
fisiologia da audição e suas implicações; a distinção quanto à
deficiência auditiva e surdez; apresento um histórico da educação dos
surdos desde a antiguidade até os dias atuais e, finalmente, a
filosofia educacional oralista e a atual filosofia educacional bilíngue
para surdos.
Palavras-chave: deficiência, surdez, educação.
A comunicação é um fenômeno multissensorial e complexo, que tem
relação direta com o desenvolvimento intelectual e o entrosamento
social dos indivíduos, como também é extremamente importante para
o desenvolvimento da linguagem e aquisição de conhecimentos.
Os problemas da surdez são mais profundos, mais complexos e mais importantes
que os da cegueira. A surdez é o maior dos infortúnios, a perda mais vital dos
estímulos: o som da voz que nos traz a linguagem desencadeia-nos os
pensamentos e nos mantém na companhia intelectual dos homens (KELLER,
1968 apudFONSECA, 2003).

Selecionei um vídeo que apresenta anatomia e fisiologia da audição
normal para iniciarmos nosso assunto sobre a deficiência auditiva.
https://www.youtube.com/watch?v=Vfp0waljpXc&feature=related

Como podemos observar, a audição está relacionada não apenas à
percepção

e

à

discriminação

reconhecimento

e

dependem

integridade

da

a

do

compreensão
do

som,
da

como

também

informação

sistema

auditivo

sonora,
e

do

ao
que

pleno

desenvolvimento neuropsicomotor.
Segundo

estudiosos

do

desenvolvimento

(BEEBE

1997, apud FONSECA, 2003), a criança ouvinte reconhece seu próprio
choro e tem a capacidade de discriminá-lo o de outros mesmo que
ainda seja um pequeno recém-nascido. Embora o fato de que a
criança surda não tenha a capacidade de sentir falta de algo que
nunca tenha experimentado, quando esta é uma criança surda
congênita, vale destacar que, para seu desenvolvimento global, a
privação de ouvir seu próprio grito pode lhe acarretar um vácuo em
um ambiente novo e incógnito.
De acordo com Fonseca (2003) afirma que os bebês, desde muito
cedo, usam a audição, mais que a visão, para discriminarem as
expressões emocionais do outro, também que os recém-nascidos
reconhecem a voz de suas mães, mas só vão reconhecer seu rosto,
independentemente da voz, por volta dos três meses.
Conforme

Fernandes

(2003)

em

seus

estudos

sobre

o

desenvolvimento da criança surda, pode ser observado que:

O bebê surdo congênito não registra os sons em seu ambiente
intrauterino como faz o bebê ouvinte, o que pode prejudicar o vínculo
entre sua vida intra e extrauterina;

O bebê surdo não pode ouvir sua própria voz;

O bebê surdo não recebe o banho sonoro da fala dos pais, que delimita
as fronteiras entre o próprio ser e o resto do mundo;

Com a ausência da audição, o bebê necessita muito mais da presença
física da mãe como respostas ao choro.

Os primeiros parâmetros da linguagem começam a ser adquiridos no
período pré-natal e neonatal quando o lactente começa a apresentar
respostas elaboradas ao próprio som e aos externos; o pré-escolar

p. GONÇALVES. (BRASIL.portaleducacao. de quarenta e um decibéis (dB) ou mais. parcial ou total. Santos. o impacto dos diferentes tipos de deficiência auditiva será variável. Profunda a partir de 91 dBNA.br/upload/pdf/1201. 1. v.000Hz.000Hz. Considera-se deficiência auditiva perda bilateral. 2005. deve-se prosseguir uma ampla avaliação médica e audiológica para se estabelecer o diagnóstico etiológico e o grau da deficiência para a programação da reabilitação. 2007). Leve – de 26 a 40 dBNA. 2. 43-49.com.br/fonoaudiologia/cursos/843/curso-deaudiologia-infantil A classificação do grau da perda auditiva pode ser: Normal – de 0 a 25 dBNA. Mãos dependendo do sinal. aferida por audiograma nas frequências de 500Hz. Pediatria. . Confira! Inserir Vídeo . e a criança em idade escolar utiliza-se da linguagem para adquirir conhecimento. Moderada/Severa – de 59 a 70 dBNA.desenvolve a compreensão e a expressão verbal da linguagem. A seguir vocês poderão acompanhar um vídeo que fala sobre a triagem auditiva neonatal que possibilita detectar a perda auditiva nos primeiros dias de vida. Severa – 71 a 90 dBNA. grifo do autor).pediatriasaopaulo. n. Lloyd e Kaplan (1978 apud Russo. Saiba Mais VIEIRA. Diagnóstico da perda auditiva na infância. Denise Uttsch. 2012.usp.http://www. Uma vez detectada a perda auditiva no recém-nascido. Disponível em: <http://www. 2007.000Hz e 3. Andreza Batista Cheloni. São Paulo. Luciana Resende de. 29. Dependendo da fase do desenvolvimento em que a criança se encontra. 1.pdf> Acesso em: out. MACEDO.

antes de adquirir linguagem ou no pós-linguístico. têm consciência surda. Usam recursos e comunicações visuais. Segundo Perlin (2000). quando esta identidade é assumida. com objetivo de integrá-la no mundo dos ouvintes. a criança é encaminhada para escola comum. • Identidade surda propriamente dita. este não se enquadra na cultura surda. após ter adquirido a linguagem. e têm a língua de sinais como a língua nativa. considerando a pessoa surda pertencente a uma comunidade minoritária com direito à língua e a cultura própria. De acordo com Perlin (2000). Na concepção socioantropológica a surdez é vista como uma diferença a ser respeitada e não uma deficiência a ser eliminada. na qual ser surdo é estar no mundo visual e desenvolver sua experiência na língua de sinais. . neste sentido. têm consciência da diferença. pois possui um problema que pode ser eliminado pelo simples aumento de volume de som ou o uso de aparelho de amplificação sonora AASI. são as pessoas que têm identidade surda plena. Para Skiliar (1998). os surdos se veem capazes como sujeitos culturais. deficiente auditivo é aquele indivíduo que teve acesso à cultura e língua da sociedade ouvinte. geralmente são filhos de pais surdos. a identidade surda pode ser classificada como: • Identidades híbridas são surdos que nasceram ouvintes e se ensurdeceram e tem presentes as duas línguas numa dependência dos sinais e do pensamento na língua oral e identidade surda.Como já mencionamos. a perda auditiva pode ocorrer no período prélinguístico. ou seja. o uso do termo Surdo ou deficiente auditivo é dado quanto ao ponto de vista da concepção da surdez. Na concepção clinicopatológica a surdez é vista como uma deficiência a ser curada. são mais politizados.

Segundo Vieira (2007) os termos. A preferência dos surdos em se relacionar com seus semelhantes fortalece sua identidade e lhe traz segurança. Vamos lá! 1. o termo que utilizaremos será “surdo” e “surdez”. qual o papel do docente frente à comunidade escolar ouvinte para informar e acolher um aluno surdo? Nosso próximo assunto será sobre a história da educação dos surdos. o surdo passa por um conflito cultural. na qual o surdo se espelha na representação hegemônica do ouvinte. Neste encontro surdosurdo é que se dá o surgimento da comunidade surda.3 História da Educação de Surdos A trajetória social das pessoas surdas sempre esteve dialeticamente implicada com a concepção de homem e de cidadania ao longo do . Portanto. encontros. surgindo com ela as associações de surdos onde há interações. sendo no contato com seus pares que se identificam com outros surdos e encontram relatos de problemas e histórias semelhantes às suas. vive e se manifesta de acordo com o mundo ouvinte. na qual o contato dos surdos com a comunidade surda é tardio. etc. agendam festas nos fins de semana.• Identidade flutuante. “surdo e surdez” são preferidos pela comunidade surda por considerarem que “deficiente auditivo” e “deficiência auditiva” são termos que dizem respeito ao déficitbiológico. • Identidade de transição. QUESTÃO PARA REFLEXÃO Como podemos observar existem diferenças em relação ao conceito de deficiência auditiva e surdez relacionada à identidade e cultura. o que faz passar da comunicação visualoral para a comunicação visual-sinalizada. desse modo.

. Bartolo Della Marca D´Ancona foi o primeiro escritor que fez menção sobre à possibilidade do surdo poder adquirir conhecimento por meio da língua de sinais e língua oral. para os Gregos e Romanos. a igreja Católica acreditava que a alma dos surdos não poderia ser considerada imortal porque eles não podiam falar os sacramentos. Na mesma época. Oferecia uma educação no modelo individual destinada aos filhos de nobres porque a fala era um pré-requisito para os filhos primogênitos receberem títulos e herança. vamos realizar uma releitura da educação dos surdos no decorrer dos tempos. Girolamo Cardamo.tempo. Na Idade Média. Desse modo. Aristóteles falava que a linguagem era o que dava a condição de humano ao indivíduo. Fonte: Wikimedia (2006). também declarou que os surdos tinham o direito de receber ensino. pois acreditavam que sem a fala não se desenvolveria o pensamento. Pedro Ponce de León (1520-1584) foi o primeiro professor de surdos na história e seu trabalho serviu como referência para vários autores de sua época. que era médico e tinha um filho surdo. A impossibilidade da fala fazia com que fossem considerados e confundidos a retardados. os surdos não eram considerados seres humanos competentes. Segundo Moura (2000). Na Idade Moderna.

Juan Pablo Bonet – filólogo e soldado – interessou-se pela educação do surdo. Fonte: Wikipedia (2012). a primeira escola pública para surdos no mundo. Charles Michel de L´Epée foi um educador que defendia o uso da língua de sinais para a educação dos surdos. ele começou a ensinar os surdos em 1760 por razões religiosas. Fonte: Wikimedia (2010). Fundou o Instituto Nacional para Surdos-Mudos em Paris. Este sistema foi até 1830. irmão do capitão geral do exército. o treinamento da fala tomava tempo demais dos alunos. Em 1620. Luís de Velasco. tempo este que deveria ser utilizado em educação. Bonet publicou Redução das letras e arte para ensinar a falar aos mudosonde o alfabeto manual era usado para ensinar gramática e leitura aos surdos. iniciando seu trabalho com duas irmãs surdas. iniciando a educação coletiva. Para L´Epée. Criou um sistema chamado de Sinais Metódicos que os alunos conseguiam sinalizar qualquer texto escrito ou escrever qualquer texto em francês gramaticalmente correto quando ditado por ele. .

deu aula de Língua de Sinais no Instituto Nacional de Surdos-Mudos em Paris. por meio de muita determinação. Fonte: Wikimedia (2012). que era surda. Em 1816. Seu instrutor foi Laurent Clerc. fez observações e começou a aprender os sinais e o sistema de sinais metódicos de L´Epée. Realizou um estágio. Jean Massieu (1772-1845). . foi um dos primeiros professores surdos francês. conseguiram doações e a escola começou a funcionar em abril de 1817. que era surdo. foi à França para aprender com L´Epée sobre educação de surdos. durante 32 anos.Página Thomas Gallaudet (1787-1851) começou a se interessar pela surdez quando conheceu filha do vizinho. Clerc aprendeu muito bem inglês. Thomas contratou Clerc que foi aos Estados Unidos no mesmo ano para fundar uma escola pública para surdos. Alice Gogsell.

para garantir o sucesso. As resoluções do congresso foram a superioridade incontestável da Fala sobre os Sinais para reintegrar os “surdos-mudos” na vida social. Bélgica. Em 1880. Depois do Congresso de Milão. a leitura orofacial e a precisão de ideias. Estados Unidos. aceitando somente aqueles que eles . rejeitavam Surdos profundos. defendido pela medicina. Confiram o trecho de um filme que retrata este período. Canadá. ocorreu em Milão um congresso onde a maioria dos congressistas era composto por italianos e franceses que. o conceito surdo passou para o de deficiente. Vídeo – Trecho do Filme “E seu nome é Jonas” Muitas escolas. sendo declarado que o método oral puro devia ser preferido. Suécia e Rússia. surgindo à descaracterização do Surdo como diferente e a sua caracterização como anormal. unidos naquele momento por razões políticas. Havia apenas um surdo participando do Congresso. Encontravamse representados os seguintes países também: Grã-Bretanha. pois consideravam o uso simultâneo de sinais e fala prejudicial à fala. que defendia a oralização. ambos eram a favor do oralismo como unificação da língua de origem. como sujeito a ser tratado e curado. surdos filhos de pais Surdos.Fonte: Wikipedia (2008). Congresso de Milão.

Até a década de sessenta. Pedro II para a inauguração do Instituto. em 1857 foi fundado o primeiro Instituto para Surdos. como: o Instituto Santa Terezinha para meninas surdas (SP). mérito de Edward Huet que conseguiu o apoio de D. os métodos e filosofias educacionais não foram sequenciais. a Escola de Surdos de Vitória. a Escola Concórdia (Porto Alegre . o método oralista foi à forma dominante de educação do surdo. No Brasil. Confiram! História da educação dos surdos 1 Parte – legendado. 1. Selecionei dois vídeos sobre a Educação dos Surdos em LIBRAS com legenda. Todos aqueles que não progrediam na oralidade eram considerados deficientes mentais. eles se . nas associações de surdos. sendo que os surdos não tinham preparo para nenhuma função. Um inspetor geral de Milão descreveu que o nível de fala e aprendizado de leitura e escrita dos Surdos após sete a oito anos de escolaridade era muito ruim. encontram-se os primeiros relatos dos insucessos do oralismo. Vamos conhecer os aspectos relacionados à filosofia educacional oralista. no começo do século XX. em qualquer momento em que os surdos se encontrassem fora do domínio de seus professores.4 Filosofia Educacional Oralista É preciso considerar que. e onde os surdos adultos se encontrassem. a metodologia poderia ser oral. no recreio. Nas escolas. A língua de sinais continuava sendo utilizada pelos surdos tanto nas escolas. o Centro de Audição e Linguagem “Ludovico Pavoni” – CEAL/LP – em Brasília-DF.RS).consideravam que tinham possibilidade de falar. A partir disto. No entanto. a comunicação se dava pela língua de sinais. mesmo tendo um tempo datado. com a abordagem do Método Oral. vários outros institutos e escolas surgiram. mas nos dormitórios.

fala. as principais técnicas utilizadas no oralismo foram: O Oralismo Puro. Portanto apresentaremos a perspectiva da filosofia educacional oralista e. que foram se desenvolvendo com o avanço da tecnologia (eletroacústica: AASI aparelho de amplificação sonora individual. orientação familiar. era um programa de reabilitação para a criança surda que envolvia a família. Esta abordagem dependia de diagnóstico. finalmente. combinações de sons. O Método Unissensorial ou abordagem aural. palavras e. O Método Unidade Silábica. utilizado com as crianças que não desenvolviam a fala com o método do Oralismo Puro. Método da “Língua natural”. além da audição: visão e tato. A filosofia educacional oralista e a língua de sinais foram e são até os dias atuais discutidas pelos educadores tradicionalistas.alternaram na condução da educação dos surdos. o Bilinguismo. indicação e adaptação de aparelho de amplificação sonora individual o mais cedo possível. consistia no uso da leitura e a escrita das formas ortográficas. desenvolvido pela Clark School for Deaf no final do século XIX onde a criança surda usava o AASI e o método consistia com o treinamento para a leitura orofacial e incluía elementos sonoros isolados. sendo utilizadas outras pistas. De acordo com Northern e Dowsns (1975 apud MOURA 2000). posteriormente. O oralismo se baseou em diversas técnicas. o professor falava sem parar e as crianças eram encorajadas a fazer perguntas por meio da fala. tendo como ênfase o treinamento auditivo sem nenhum ensino formal de leitura orofacial. Para isto. para um maior aproveitamento dos resíduos auditivos). . sendo realizado igualmente treinamento de leitura orofacial e de fala. desenvolvido por Mildred Groht (Lexington School for the Deaf in New York) se baseava no pressuposto de que a criança deveria aprender a falar por meio da atividade. embora a orientação atual seja o bilinguismo.

adotando a Filosofia Bilíngue. o avanço nas pesquisas sobre as línguas de sinais orienta o acesso da criança. para que se deixasse falar o gesto (MOURA 2000). língua de sinais. que a aquisição da língua oral deixava muito a desejar. a duas línguas: à língua de sinais e à língua oral de seu país. o oralismo concebe a surdez como uma deficiência que deve ser minimizada por meio da estimulação auditiva que possibilitaria a aprendizagem da língua portuguesa e levaria a criança surda a integrar-se na comunidade ouvinte. mas como diferentes. A Comunicação Total foi uma delas. Mais recentemente. iniciaram-se tentativas de implantações de métodos e filosofias educacionais para surdos. a metodologia de ensino era pautada no ensino de palavras e as consequências desta filosofia educacional eram as baixas expectativas pedagógicas e longa duração das etapas ou séries escolares. Isto significa que o objetivo do oralismo é fazer a reabilitação da criança surda em direção à normalidade. Com novos estudos diante da constatação de que os surdos se encontram subeducados com o enfoque oralista puro. com uma cultura própria. e a prevalência do uso da língua de sinais porque ela nunca deixou de existir entre os surdos. pela reivindicação dos surdos ao direito de serem reconhecidos não mais como deficientes. leitura orofacial. . uso de aparelho de amplificação sonora individual. o mais precocemente possível. desenvolvendo sua personalidade como a de alguém que ouve. Vamos conhecer os princípios da educação bilíngue? O bilinguismo foi um movimento multicultural de grande amplitude. com início na década de 1960 nos Estados Unidos. Para Goldfeld (1997). Foi neste ambiente renovador que os surdos encontraram um caminho para que sua voz fosse ouvida. leitura e escrita e fonoarticulação. que consistia na utilização de todas as formas de comunicação como: alfabeto digital.A educação oralista fortalecia a depreciação das línguas de sinais.

a língua de sinais é considerada uma importante via para o desenvolvimento do surdo. sendo aqui no Brasil a orientação educacional para os surdos.626/2005? Acesse os linksabaixo: www. considerando a língua de sinais como língua natural e partindo desse pressuposto para o ensino da língua escrita. e.gov.fazenda. no caso do Brasil. pois./decreto/d5626. principalmente no âmbito nacional. ainda não foi feita uma avaliação crítica.htm Configura-se. Quanto ao Método Bilíngue. levando em consideração os aspectos sociais e culturais em que está inserida.É uma filosofia que vem ganhando força na última década. Após a Língua Brasileira de Sinais (Libras) ser oficializada no Brasil em 24 de abril de 2002 pela Lei Federal 10. em atendimento individual. De acordo com Ferreira-Brito (1993) no bilinguismo. O bilinguismo busca resgatar o direito da pessoa surda ser ensinada em sua língua materna.htm www. em todas as esferas de conhecimento. O treinamento de fala é propiciado pela escola. como uma proposta recente defendida por linguístas voltados para o estudo da Língua de Sinais. com o fonoaudiólogo. de maneira geral.receita. No método Bilíngue.436/2002 e o Decreto 5. Para saber mais Vamos aprofundar o conhecimento sobre a Lei 10. No entanto.gov.planalto. a fala é vista como uma possibilidade e não como uma necessidade. propicia .br/legislacao/leis/2002/lei10426. As crianças podem ou não usar AASI.. como tal. Salles et al. mas a base dos conteúdos escolares é em língua de sinais.. (2004) afirmam que a educação bilíngue é uma proposta de ensino que preconiza o acesso à duas línguas no contexto escolar. não foi efetivamente implantada.br/ccivil_03/_ato2004. o empenho pela comunidade surda por uma educação bilíngue tornou-se ainda mais evidente.436. sendo esta uma decisão da família.

e sua aquisição é essencial. Na L1 a aquisição é espontânea. Existem também dois modelos de bilinguismo: modelo sucessivo. sua aquisição é opcional. Segundo Quadros (1997). . é aprendida. ser alfabetizada na língua oficial de seu país. posteriormente. Existem duas vertentes dentro da filosofia Bilíngue. É o que caracteriza uma escola inclusiva para esse alunado. A outra vertente acredita que se deve oferecer num primeiro momento apenas a língua de sinais e. não aprendida. num segundo momento. tem condições de comunicar-se de maneira satisfatória com seu aluno surdo.não apenas a comunicação “surdo/surdo”. ou seja. Quando o professor ouvinte conhece e usa a Língua de Sinais. ela é adquirida. em um ambiente. na L2 a aquisição é formal porque requer metodologias de ensino. ensino de L2 apenas após a aquisição de L1 e o modelo simultâneo: L1 e L2 são apresentadas simultaneamente. A introdução da Língua de Sinais no currículo de escolas para surdos é um indício de respeito à sua diferença. neste caso. organizando-se um plano educacional que respeite a experiência psicossocial e linguística da criança com surdez. tendo em vista que considera a língua de sinais como língua natural e parte desse pressuposto para o ensino da língua escrita. É importante compreender as diferenças entre a aquisição da L1 – língua de sinais e L2 – língua oficial do país. além de desempenhar a importante função de suporte do pensamento e de estimulador do desenvolvimento cognitivo e social. Uma defende que a criança com surdez deve adquirir a língua de sinais e a modalidade oral da língua para. em momentos linguísticos distintos. os estudos têm apontado para essa proposta como sendo a mais adequada para o ensino das crianças surdas. só a modalidade escrita da língua. A preocupação do bilinguismo é respeitar a autonomia das línguas de sinais. a língua oral. fica descartada.

de 19 de dezembro de 2000. VAMOS DIALOGAR NO FÓRUM? Ao receber um aluno surdo na escola regular.098. 2012. Violeta Porto. de 24 de abril de 2002. Acesso em: out.. 2012. e o art. Anais. 2009.pucpr. de 24 de abril de 2002. 18 da lei nº 10.. 9.planalto. BRASIL. 3. ENCONTRO SUL BRASILEIRO DE PSICOPEDAGOGIA. 5.gov. O bilinguismo como proposta educacional para crianças surdas. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – EDUCERE. Disponível em: . Lei: n. Londrina: PUCPR. MORAES.. que dispõe sobre a língua brasileira de sinais libras. adotaria para que a filosofia bilíngue de fato fosse implantada no ambiente escolar? Saiba mais KUBASKI.O aluno surdo. Disponível em: < http://www. Decreto n. respeitando e considerando as suas necessidades educacionais é que será possível proporcionar o pleno desenvolvimento emocional e cognitivo e a efetiva inclusão e participação do aluno surdo no meio social.br/eventos/educere/educere2009/anais/pdf/3115_1541.626/2005 regulamenta a lei nº 10. Disponível em: <http://www. necessita. então. quais estratégias você. Só assim. para se desenvolver. como professor.htm> Acesso em: out.436.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2005/decreto/d5626. ou seja.pdf> . Cristiane. de professores altamente participativos e motivados para aprender e tornar fluente a linguagem. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e dá outras providências: Dados: Diário Oficial da República Federativa do Brasil. 10. 2009.436. BRASIL.

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os aspectos linguísticos da Libras e. pontuando algumas orientações metodológicas. a ênfase principal dada no contexto do AEE é o olhar sobre o sujeito surdo como integrante de uma comunidade linguística cultural específica. LIBRAS. discutiremos sobre a aquisição da língua portuguesa (escrita) como segunda língua. Tudo em ordem até aqui? Espero que sim! 2. analisaremos sobre a aprendizagem da Língua Portuguesa (escrita) como segunda língua. Stumpf (2008) afirma. a partir de suas pesquisas e experiência como professora surda. que: . Em relação à Inclusão. compreendendo a Libras como L1 e seus aspectos linguísticos. Ensino.WEB AULA 2 Unidade 1 – Atendimento educacional e a relação de ensino da L1 e L2 Sentiu alguma dificuldade até o momento? Vamos seguir em frente? Nesta unidade vamos dialogar sobre o atendimento educacional especializado para o aluno com surdez e a interlocução deste atendimento. Palavras-chave: Atendimento. finalmente. apontaremos também considerações relacionadas à formação dos conceitos da Libras. a formação dos conceitos. Língua Portuguesa.1 AEE para o aluno com surdez e a interlocução deste atendimento Resumo: a unidade busca construir saberes relativos ao atendimento do aluno com surdez. portanto.

e dos surdos.] a inclusão acontece a partir de dois movimentos: da construção social de toda a sociedade que entende e acolhe. A pesquisadora e professora surda.. No entanto.[. seus usuários ou aqueles que possuem as condições sensoriais para criá-la não podem ser vistos como pessoas com deficiência. que se dá pela necessidade e pelo direito de compartilhar e de estar com o outro. A comunidade surda brasileira é criadora e usuária da Língua Brasileira de Sinais (Libras). A partir de uma concepção de inclusão criada pelos próprios surdos. Assim sendo. Stumpf (2008) propõe que a inclusão das pessoas surdas deve ser construída com ética e ressignificação dentro de uma concepção bilíngue-bicultural surda.. uma posição em que a liberdade individual é posta em segundo plano a fim de que a justiça assuma primazia nas relações intersubjetivas (STUMPF. p. os surdos que se autodeclaram pertencentes a uma comunidade linguística e cultural particular não se enquadram na noção de pessoas com deficiência sensorial prevista pelo AEE. sendo assim necessário reconhecer e assumir as diferenças e as identidades dos sujeitos envolvidos no processo da inclusão. 2008. garante que inclusão só pode ser concebida como luta cotidiana. O atendimento especializado educacional sugere alguns princípios para um plano educacional que corresponda às necessidades das pessoas surdas... Perlin (2000). que vão participar porque se sentem acolhidos [. sendo esta segunda língua oficial de nosso país.] Este movimento da sociedade implica em responsabilidade social como prática constante no agir das pessoas e das instituições a partir de uma posição ética. como:  Surdos com diferentes níveis línguisticos e aprendizagem podem colaborar para o desenvolvimento uns dos outros. 27). sabemos que o AEE é uma realidade política em implantação em nossas escolas. Sabemos também que a inclusão é um imperativo na nação brasileira. .

ou seja.  Professores surdos e professores ouvintes que dominem a língua de sinais são essenciais para a realização dos trabalhos com os alunos surdos. em um espaço em que se utilize a Língua de Sinais e a Língua Portuguesa. Para saber mais Vamos conhecer o código de ética do tradutor e intérprete de língua de sinais? Acesse o link: http://portal.  A presença de tradutores/intérpretes de língua de sinais é indispensável no processo de inclusão dos alunos surdos.  Na escola deve existir planos e ações para a difusão da língua de sinais. torna-se necessário espaços a ela.pdf Segundo Damázio (2005). Para o surdo. o aprendizado passa por experiência visual.  Preferencialmente seja matriculado mais de um aluno surdo em cada classe. assim como o professor não tem condições de ser tradutor/intérprete de língua de sinais simultaneamente.  O convívio entre os alunos surdos e os alunos ouvintes precisa ocorrer além dos horários de trabalhos.mec. sendo necessário um período adicional de .  Como a Libras é considerada a L1 dos alunos surdos. sendo que a língua portuguesa deve ser ensinada como a L2 dos alunos surdos.gov.br/seesp/arquivos/pdf/tradutorlibras.  Para a construção visual das atividades aos alunos surdos. torna necessário o planejamento prévio.  O tradutor/intérprete não é professor. sendo que essas atividades devem ser também repassadas aos tradutores/intérprete de língua de sinais com antecedência. porém não significa que toda experiência visual ocasionará em aprendizado. o trabalho pedagógico com os alunos com surdez nas escolas comuns deve ser desenvolvido em um ambiente bilíngue.  O conhecimento por parte dos professores quanto à identidade linguistico cultural é indispensável.

Cristin Broglia Feitosa de. n. A inclusão escolar de alunos surdos: que dizem alunos. este trabalho deve ser realizado todos os dias para os alunos com surdez. Nele. principalmente de termos científicos na língua. preferencialmente. professores e intérpretes sobre esta experiência. por uma professora de Língua Portuguesa. Para saber mais LACERDA. 2006. Momento do Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa. p. destacam-se três momentos didático- pedagógicos: Momento do Atendimento Educacional Especializado em Libras na escola comum.br/pdf/%0D/ccedes/v26n69/a04v2669. língua portuguesa. momentos destinados ao ensino da língua de sinais como L1. Acesso em: out. por um professor preferencialmente surdo. separadamente das aulas da turma comum. 163-184. em que diariamente seja destinada aos alunos com surdez a explicação em língua de sinais de todos os conhecimentos dos diferentes conteúdos curriculares. onde serão trabalhadas as especificidades dessa língua para pessoas com surdez. graduada nesta área. Caderno Cedes. v. Campinas. que são aula de Libras para os alunos com surdez. . propiciando o conhecimento e a aquisição.scielo. 69. Sendo preferencialmente dirigido por professor e/ou instrutor de Libras.pdf>. Momento do Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras na escola comum. maio/ago. Como vimos. existem algumas orientações para o atendimento do aluno surdo. 2012.horas diárias de estudo para a execução do Atendimento Educacional Especializado. 26. como o momento para o ensino da L2. Disponível em: <http://www.

o ensino deve levar consideração o forte apelo que o visual tem para o surdo. conectar-se à internet e interagir entre eles essas práticas de leitura e escrita deve ser explorada para que. Segundo Quadros (1997). os sinais gráficos são símbolos abstratos para quem nunca ouviu os sons e entonações que eles representam [. desordenar os quadrinhos para que os alunos coloquem em ordem.. p. o aluno surdo compreende que palavras. Entretanto. o aluno surdo precisa ter domínio na língua de sinais. Na primeira língua os alunos surdos podem conversar por meio de mensagens de celular. apagar o diálogo dos balões para que relacione a expressão facial e o contexto ao que se fala ou pensa. Por isso o contato com a comunidade surda torna indispensável.No próximo tópico vamos analisar algumas metodologias deste ensino. em pelo menos algum nível. como: Criar atividades como relacionar imagem e texto por meio de enumeração. 98). frases e parágrafos têm significado linguístico e as palavras precisam ser contextualizadas para interlocução. a língua escrita é percebida visualmente. uma relação com os sons das palavras..] Quadros (1997. Skiliar (1997) afirma que a surdez é uma experiência visual. o trabalho com . Quadros (1997) apresenta algumas estratégias válidas para o desenvolvimento e aquisição da escrita. Isso significa que a leitura apresenta. sendo neste convívio uma oportunidade para aquisição da língua de sinais como suporte para a aquisição da L2 – Língua Portuguesa. desta forma. porque na apropriação desta língua.2 Aprendizagem da Língua Portuguesa (escrita) como segunda língua Para as pessoas que ouvem “falar e ouvir” são variantes de uma mesma estrutura linguística. de forma prazerosa e espontânea. para pessoas surdas a associação entre sons e sinais gráficos não existe. 2. pois. desperte o interesse dos alunos surdos.

2. preposições conjugações verbais são umas das dificuldades que os alunos surdos apresentam em suas produções textuais. Petrópolis . Cognição e surdez na educação: a língua em questão. 2012. 2010. artigos. Portanto.o gênero bilhete também pode ser utilizado. já a coerência ao aspecto semântico-lógico. não têm violado o princípio de coerência. são fenômenos com aspectos distintos: a coesão diz respeito à forma. ao conduzir o aprendiz à língua de ouvintes. tendo em vista que ela constitui uma etapa fundamental para a aprendizagem da escrita. pois a leitura e escrita deve ultrapassar o âmbito da sala de aula e ser significativa para vida.br/novoeaa/revista/?p=381>. pois embora coesão e coerência apresentem vínculos entre si. deve-se situá-lo dentro do contexto valendo-se da sua língua materna (L1) a língua de sinais. O professor. especialmente na de língua . Na verdade. De modo geral.RJ. Para saber mais ANDRADE.com. 2. ela deverá ser sempre contemplada como língua de instrução em qualquer disciplina. os docentes devem saber quando e onde as pessoas surdas usam a língua nacional. ou seja. ano 6.1 Relação entre leitura em português L2 e LIBRAS A leitura deve ser levada em consideração quanto ao ensino de português como segunda língua para surdos. Essa ideia tem levado muitos a acreditarem que textos produzidos por uma pessoa surda são incoerentes. apesar de apresentarem alguns problemas na forma. esse raciocínio é equivocado. Revista Virtual de Cultura Surda e Diversidade. o desuso dos conectivos: pronomes. textos elaborados por surdos falantes da Libras. Há diferenças estruturais entre as línguas de sinais e línguas orais. Wagner Teobaldo Lopes de. set. Disponível em: <http://editora-arara-azul. Acesso em: out.

todas as ilustrações. referências temporais e espaciais internas ao texto. • Identificar nome do autor. pinturas. sublinhados. lugares. • Observar. • Identificar o gênero textual. enfim. e discursiva. pragmática e semântica (textuais e discursivos) e microestruturais: gramaticais/lexicais. relacionando com o texto. sempre que possível. temporal e espacialmente. • Reconhecer elementos paratextuais importantes como: parágrafos. antes mesmo da leitura. portanto . negritos. desenhos. travessões. título e subtítulo. tipologia. morfossintáticos e semânticos (lexicais e sentenciais). uma sinopse antes da leitura do texto. do gênero textual. legendas maiúsculas e minúsculas etc. vejamos: Aspectos macroestruturais • Analisar e compreender as pistas que acompanhem o texto escrito: figuras. inclusive as personagens. • Elaborar. Aspectos micro estruturais: • Reconhecer e sublinhar palavras-chave. Salles (2004) apresenta alguns procedimentos para o processo de aprendizagem do aluno surdo que envolve aspectos macroestruturais: gênero. • Explorar a capa de um livro. • Observar a importância sociocultural pragmática. pois atribui o processo ensino/aprendizagem numa perspectiva bilíngue. sempre que possível. situar o texto.portuguesa.

txt | pdf As línguas de sinais são consideradas pela linguística como línguas naturais. há um conjunto de procedimentos adequados à compreensão. É importante ressaltar que. estrofes.br › Secretaria de Educação EspecialEm cache . parágrafos. Quadros (2004) aponta que Stokoe. na sintaxe e na capacidade de gerar uma quantidade infinita de sentenças. para cada texto. no léxico. a configuração de mãos e o movimento. pelo menos. Para saber mais Disponível em: portal. é impraticável a aplicação de todos os procedimentos listados à leitura de um único texto. com um sistema línguístico legítimo e não como um problema dos surdo. três partes independentes em analogia com os fonemas da fala – a localização. comprovando que cada sinal apresentava. concluiu também que cada parte possuía um número limitado de combinações.• Tentar entender. 1) . correlacionando-as entre si: expressões. mas símbolos abstratos complexos. portanto. comprovou que a língua de sinais atendia a todos os critérios linguísticos de uma língua genuína. nem como uma patologia da linguagem. • Substituir itens lexicais complexos por outros familiares. Stokoe concluiu que os sinais não eram imagens. .mec. • Observar a importância do uso do dicionário. e. em 1960. pois em sua observação.txt | pdf Ensino de Língua Portuguesa para surdos – Caminhos para a prática pedagógica (vol. • Recuperar a ideia geral de forma resumida.gov. períodos. 2) . cada parte do texto. frases.Similares Ensino de Língua Portuguesa para surdos – Caminhos para a prática pedagógica (vol. versos.

Para saber mais INTRODUÇÃO ao estudo de libras. física. 2012. a língua de sinais americana (ASL) é diferente da língua de sinais brasileira (Libras). Fatores geográficos e culturais são influentes na determinação e mudança histórica do sinal.pead. como há nas línguas orais. matemática. 2012 A Libras apresenta todos os níveis de análise de quaisquer outras línguas.br/sites/publico/eixo7/libras/unidade1/introducao_ libras.html>. 2.Estudos concluíram que as línguas de sinais expressam conceitos concretos e abstratos. pode ocorrer os dialetos. Outro aspecto da Libras está relacionado ao fato de muitas pessoas pensarem que todos os sinais são como um “desenho” no ar do referente que representam. ou seja. Mas isso não é uma regra. a maioria dos sinais são arbitrários. etc. não mantendo relação de semelhança alguma com seu referente. o nível semântico (do significado). por decorrência de sua natureza linguística.faced. psicologia. dentro do mesmo território geográfico. assim como estas diferem da língua de sinais britânica. Veremos a seguir os aspectos linguísticos da Libras. o nível morfológico (da formação de palavras). economia. o nível fonológico (das unidades que constituem uma língua) e o nível pragmático (envolvendo o contexto conversacional). da língua de sinais francesa e assim por diante. o nível sintático (da estrutura). Acesso em: out. Cada país apresenta sua respectiva língua de sinais. É claro que. a realização de um sinal pode ser motivada pelas características do dado da realidade a que se refere. pode-se discutir sobre política. a estes denominamos sinais icônicos. o que denominase regionalismo. Disponível em: <http://www.4 Aspectos Línguísticos da Libras .ufrgs.

é possível constatar vários sistemas linguísticos distintos. a fonologia caracteriza-se pela organização de sons vocais específicos . No Brasil. Segue abaixo a composição do sistema fonológico da língua de sinais segundo Fernandes (2003):  Configuração das mãos é a forma que a mão assume durante a realização de um sinal. elas são feitas pela mão dominante ou pelas duas mãos. próprios e naturais como as línguas orais-auditivas. ou fonemas. a característica da orientação da direção das mãos. Battison em 1973. de forma analógica à descrição da línguística oral em relação ao ponto de articulação e o papel das cavidades bucal e nasal. as diversas línguas indígenas e a língua de sinais (Libras). a língua portuguesa. a fonologia é representada pela querologia. O sistema querológico das línguas de sinais foi descrito por Stokoe em 1960 são eles: a configuração. Mais tarde.A linguística é a área que se preocupa com a natureza da linguagem e da comunicação. realizou um acréscimo à descrição dos queremas. No que se refere às línguas de sinais. morfológico (de formas). O que caracteriza a distinção entre as línguas é a diferença existente entre os sistemas fonológico (de sons). como o português. Como estamos falando sobre o indivíduo surdo. localização e movimentos das mãos. que é o estudo do movimento das mãos e do pulso. Fonologia da língua de sinais Nas línguas orais-auditivas. citaremos as características da Libras. . dependendo do sinal. que classifica os sons em vogais e consoantes. expressão facial/e corporal. sintático (de estrutura frasal) e semânticopragmático (significação e uso). pelos quais se constroem as formas linguísticas. sendo representada através da articulação dos sinais.

para a direita ou para a esquerda posição verticalizada). Os sinais podem ou não ter movimento na sua execução. posição horizontalizada.  Orientação/direção das mãos (para cima ou para baixo. Como as línguas .  Expressão facia/e ou corporal: além dos quatro parâmetros.  Movimento das mãos é o deslocamento da mão no espaço durante a realização do sinal. 5 Parâmetros da LIBRAS orfologia da língua de sinais Morfologia é o estudo da estrutura interna dos sinais. para fora. para dentro. podendo esta tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro. em sua configuração tem como traço diferenciador a expressão facial/e ou corporal.Fonte: LSB . assim como as regras que determinam a formação das palavras.  Ponto de articulação é o lugar onde incide a mão predominante configurada.língua Sinais Brasileira Vídeo.

também ocorre “maçã-laranja-diversos” em língua de sinais que corresponde à palavra “frutas” em português. o que diferencia das línguas orais-auditivas é que elas são sintéticas (resumidas). . não há relação com a descrição da língua portuguesa como por exemplo. Fernandes (2003) apresenta algumas marcas da língua de sinais como: as palavras podem ser simples ou composta mas.orais-auditivas. geralmente. a palavra guarda-chuva que é composta na língua portuguesa e na língua de sinais é uma palavra simples. não é um traço gramatical das línguas de sinais. O estudo da sintaxe das línguas de sinais. apresenta um sistema de estrutura e formação das palavras. As sentenças que mostram uma alteração da ordem SVO têm um ou mais constituintes acompanhados de alguma marcação não manual. No que concerne ao estudo da estrutura e da formação das palavras. no entanto. Outra característica das línguas de sinais é que muitas palavras que não possuem sinais próprios. como o contrário. este recurso aparece em línguas de sinais por influência da língua oralauditiva em permanente contato. como o das línguas orais. sendo que. no entanto. exemplo: “Livro. são usadas através da datilologia (alfabeto manual). Questão para refletir Quantos sinais você se recorda que utiliza o emprestimo do alfabeto manual para sua composição? Sintaxe da língua de sinais A sintaxe é o estudo das interrelações dos elementos estruturais da frase e das regras que regem as combinações das sentenças. Segundo Viotti (2008) a ordem da Libras ocorre de maneira diferente em relação à língua portuguesa. a língua de sinais. é bastante centrado na questão da ordem dos constituintes da sentença. por razões socioculturais.

para produzir uma expressão) ou corporais. Bernardino (2000). Ronice Müller. ocorre a omissão frequente dos verbos ser e estar.5 A Formação dos conceitos da Libras . Língua Brasileira de Sinais II. musculatura facial. manuais (lentidão ou rapidez. Patricia Luiza Ferreira. suavidade ou rigidez da mão ao mover-se. pelo contexto.br/colecaoLetrasLibras/eixoFormacaoEspecifica/linguaB rasileiraDeSinaisII/assets/482/Lingua_de_Sinais_II_para_publicacao. que se refere ao fato de que as línguas de sinais fazem pouco uso de preposições e conjunções em relação à língua oral.pragmática da língua de sinais Os traços semânticos-pragmáticos são determinados.pdf>.Maria comprar ontem” o Objeto na primeira posição da sentença.ufsc. A semântica . Florianópolis. 2.libras. Nas línguas de sinais podem aparecer por intermédio de traços prosódicos que se realizam pelas expressões faciais (sorriso. sendo este a base ou o que influencia na relação da significação e do uso. em qualquer língua. PIZZIO. Para saber mais QUADROS. 2012. podemos observar a interferência da língua de sinais na escrita. de modo geral). Outra característica da descrição sintaxe das línguas de sinais está relacionado ao sinteticismo. neste caso o constituinte Livro. Acesso em: set.UFSC. 2008 Disponivel em: <http://www. Por isso. SC. Aline Lemos. deve vir acompanhado de um movimento particular de cabeça e de configuração das sombrancelhas.REZENDE.

Portanto. Quando tal pessoa ainda não tem um sinal (nome visual) usa-se o alfabeto manual que compõe no quadro das configurações de mãos usadas na Libras. como o próprio nome diz se trata de uma marca. para dar início à participação na comunidade surda. o olhar continua sendo o ponto principal de comunicação. Para a comunicação com pessoas surdas a atenção do olhar é indispensável. Acompanhem o texto abaixo e confira alguns vídeos que selecionei para que vocês visualizem de forma prática o tópico. pelo apontar e pela comunicação escrita o que se quer informar.Agora. vamos aprender a formação dos conceitos. como se chama. mesmo que você não saiba nada sobre a língua de sinais. Fonte: Alfabeto Manual . lhes perguntamos logo o nome. para que ao referirmos àquela pessoa tenhamos um signo que a representa. um batismo. um traço visual próprio da pessoa. Um nome visual. Então. o primeiro passo para a comunicação com pessoas surdas é demonstrar pela expressão facial. O “nome” na Libras denominamos de “sinal” pessoal. Identificação pessoal em Libras Quando conhecemos alguém. já que a língua de sinais é principalmente visual. pela fala pausada. costuma-se dizer que se trata de um nome visual.

Pronomes Possessivos Os pronomes possessivos em Libras estão relacionados às pessoas do discurso e aos objetos de posse. Observe que a direção da mão e do olhar é determinante na significação do sinal: NÓS VÓS/VOCÊS ou EL@S. Mais uma vez a direção do olhar e da mão são importantíssimos.DEL@. (2007) Pronomes Pessoais Na Libras também há uma forma para representar pessoas no discurso.Fonte: Silva et al. Números em LIBRAS Os números na Libras acontecem de quatro formas distintas dependendo do significado do número. . ou seja. um sistema pronominal. No plural a configuração muda conforme o número de participantes. também não possuem marca de gênero. Quando se trata no singular as representações têm a mesma configuração CM – 14. mudando também a orientação conforme a pessoa do discurso. mudando somente a orientação (EU – VOCÊ). CM 14 – 49 – 51. CM 57 e 50 ME@ TE@ / SE@ .

observe: Figura: Números cardinais. Usado para quantidades. número da casa. (2007).Números Cardinais. número da caixa postal.Números Ordinais. e há diferenças nas configurações de mão e no posicionamento dos números de 1 a 4. Fonte: Silva et al.Números Cardinais. (2007) 2 . O código é sinalizado da seguinte forma: Figura: Números. Usado para código representativo para número do telefone. São sinalizados com movimento trêmulo Figura: Números ordinais. Fonte: Silva et al. .1 . 3 . número da conta no banco e outros.

Figura: Valores monetários. A característica principal dos advérbios de tempo está relacionada à sua marcação que indica se a ação está ocorrendo no presente. Advérbios de tempo Na Libras não há marca de tempo nas formas verbais. sempre. (2007). (2007). agora. Os advérbios mais utilizados são: hoje. já. 4 – Números para valores monetários.REAL). na sua maioria. São sinalizados com movimentos rotacionais do 1 ao 9. Fonte: Silva et al. nunca. Verbos Os tipos de verbos são: . nas frases os verbos.Fonte: Silva et al. seguindo a configuração de mão dos números cardinais. ficam no infinitivo. Do número 10 em diante acrescentasse o sinal da moeda ($. amanhã.

. Classificadores São configurações de mão que. nada têm em comum com mímicas. falar. como: conversar. Formas que. Exemplo: altura e a largura de uma caixa. gostar.Verbos direcionais. Quando se faz uma frase é como se eles ficassem no infinitivo. posição de alguém sentado na cadeira. a textura ou o desenho de um objeto. A direção do movimento. saber. podem vir junto ao verbo para classificar o sujeito ou o objeto que está ligado à ação do verbo. Verbos não direcionais. Verbos que incorporam o objeto: quando o verbo incorpora o objeto. relacionadas à coisa. São aqueles que não possuem marca de concordância. marca no ponto inicial o sujeito e. no final. Exemplo: a ação da boca de um hipopótamo. Classificador de uma parte do corpo. Exemplo: ensinar. entregar e outros. corporais e a localização. alguns parâmetros modificam-se para especificar as informações como: comer – bolacha. pagar. duvidar. o objeto. Os verbos não direcionais aparecem em duas subclasses: Ancorados no corpo: são verbos realizados com contato muito próximo do corpo. o tamanho. a forma. descrição da roupa ou dos itens que estão no corpo. exemplos: pensar. comer. Retrata uma parte do corpo em uma posição ou fazendo uma ação. funcionam como marcadores de concordância. odiar. Os mais utilizados são: Classificador Descritivo. orelhas de um cavalo em movimento. avisar. Utilizado para descrever a aparência. entender. porém. São aqueles que possuem marca de concordância. e verbos de ação.pipoca. substituindo o nome que as precede. As configurações de mão específicas são sempre associadas a expressões faciais. pessoa e animal.

In: SEMINÁRIO EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DIREITO À DIVERSIDADE.Classificador Instrumental. Linguagem e surdez. abrindo uma janela. etc. selecionei alguns vídeos para vocês. uma fila comprida avançando lentamente. Mirlene Ferreira Macedo. FERNANDES. Mostra como se usa alguma coisa. Abaixo. Anais. pessoas sentadas na plateia. SEESP. 2. pelo menos. BERNARDINO. Exemplo: puxando uma gaveta. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. pessoas ou animais. Brasília. Elidéia L. Indica movimento ou a posição de um número de objetos. Porto Alegre: Artmed. Confiram! Vamos dialogar no fórum? 1) A partir das Configurações de Mãos. Classificador de Plural. . Exemplo: três pessoas andando juntas. Brasília: MEC. tenho certeza que será um exercício que proporcionará um olhar minucioso a formação dos conceitos em Libras.. liste 10 sinais compostos e simples. 2005. Eulalia. 2005. como havia mencionado. limpando com um pano. cinco estratégias que você como professor poderia programar para a inclusão do aluno com surdez. 2000. etc. Belo Horizonte: Profetizando Vida. Absurdo ou Lógica? A produção linguística do surdo. 2) Em relação ao atendimento especializado ao aluno com surdez.. DAMÁZIO. 2003. cite.

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