Força Espiritual ou

Coragem
Título original: Spiritual Strength or Courage

Extraído de The Christians Reasonable Service

Por Wilhelmus à Brakel (1635-1711)
Traduzido e Editado por Silvio Dutra

Out/2016

A474
à Brakel, Wilhelmus
Força espiritual ou coragem / Wilhelmus à Brakel, . –
Rio de Janeiro, 2016.
41p.;14,8x21cm
1. Teologia. 2. Fortaleza 2. Graça 3. Fé.
I. Título.
CDD 230

2

Sumário
Introdução do Editor............................................

4

Introdução do Autor.............................................

6

A Essência da Força Espiritual........................

11

A Origem da Força Espiritual...........................

13

Os efeitos da Coragem Espiritual................... 19
Os Não Convertidos: Anulação de Força
Espiritual e Coragem............................................

22

O Santo Repreendido por Sua Força
Deficiente...................................................................

26

Exortação para ser Corajoso.............................

30

Promessas de Deus Para Guerreiros
Corajosos....................................................................

37

Direções Finais para esta Guerra...................

39

3

Introdução do Editor

Consideramos

apropriado fazer esta breve

introdução ao conteúdo deste livro porque ele
consiste na apresentação de um único capítulo
dos muitos que compõem o extenso tratado
escrito por Wilhelmus à Brakel na parte final do
século XVII, quando ainda irrompiam grandes
perseguições àqueles que haviam aderido à
Reforma Protestante, por causa do seu afã de
viverem e praticarem o genuíno evangelho de
nosso Senhor Jesus Cristo à luz de tudo o que se
encontra de fato contido nas Escrituras
Sagradas, tanto do Velho quanto do Novo
Testamento.
Não poucos cristãos foram queimados em
fogueiras, presos, expatriados, banidos pela
sociedade de então, e sem a força e coragem das
quais o autor trata neste capítulo de seu livro,
seria impossível sustentar um bom testemunho
cristão,
Todavia, a par de considerar que permanece
sendo verdadeiro tudo o que ele escreveu neste
capítulo, não podemos esquecer que trata-se
apenas de parte dos muitos assuntos relativos à
fé sobre os quais ele discorreu na totalidade do
seu
tratado
intitulado
The
Christians
Reasonable Service, em relação ao qual temos
nos entregado à tarefa de traduzir para a língua
portuguesa capitulo por capítulo, e nos quais
vislumbramos
a
grande
sapiência
e

4

conhecimento bíblico e prático da vida cristã
genuína do autor, e da grande ênfase que ele dá
ao amor cristão, conforme este esteve em Jesus
Cristo, o qual acolheu inclusive prostitutas,
ladrões e assassinos que haviam se arrependido,
bem como toda a sorte de pecadores.
Ao cristão é recomendada a pacificação, a
mansidão, amar inclusive seus inimigos e estar
disposto a sofrer injúrias a ponto de tudo
suportar por amor a Cristo e à Sua vontade,
inclusive não resistindo aos perversos, senão
manter-se numa atitude perdoadora e mansa
mesmo quando lhe ferirem a face ou lhe
obrigarem a caminhar uma milha.
Entretanto, qualquer pessoa que ame a piedade
e que a ela se aplique de fato há de repudiar e
sentir aversão a toda forma de violência e
corrupção, especialmente quando isto chega à
intensidade e volume que temos encontrado em
nosso próprio país presentemente.
Isto deve ser combatido pelas armas espirituais
da fé, da oração e de se firmar pessoalmente um
bom testemunho na prática de tudo o que nos é
ordenado na Palavra de Deus, fazendo-o na força
e na coragem que o Espírito Santo nos supre
mediante a graça de nosso Senhor Jesus Cristo.

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Introdução do Autor

Não somente muito tempo decorre entre a
promessa e a posse de tudo aquilo que a
esperança seguramente antecipa, mas também
deve ser esperada muita oposição dos inimigos.
Portanto, a pessoa que exerce esperança precisa
ser valente de maneira a tudo suportar e vencer
todos os obstáculos. Nós, portanto, adicionamos
à esperança, a força espiritual ou coragem.
A força espiritual é uma firmeza inquebrantável
de coração, dada por Deus a Seus filhos, por
meio da qual, enquanto entretêm uma viva
esperança de adquirir os benefícios prometidos,
superam o medo de todo o perigo e oposição,
sem ceder no seu engajamento na guerra
espiritual, e corajosamente perseveram na
obediência a Deus.
O que se segue é um verdadeiro provérbio:
Ardua pulchra quae, ou, coisas eminentes são
difíceis de serem obtidas. Isso é verdade em
ambos os assuntos naturais e espirituais. Essas
coisas espirituais a serem adquiridas são mais
eminentes. Aquele que não está familiarizado
com elas, embora nunca se preocupe com elas,
no entanto, não haverá qualquer risco e perigo
para ele, mas, no caso daquele que está
familiarizado, ele vai arriscar tudo por elas e vai
fortalecer seu coração com esperança. Esta
fortaleza, embora o mundo a classifique como
teimosia e força de vontade, é, contudo, uma

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virtude eminente. É um ornamento para o
cristão que é agradável a Deus, terrível para o
mundo, e pessoalmente benéfico. É uma virtude
que Deus requer e para a qual os crentes são
frequentemente exortados, ou seja, - Sê forte.
A sede da força espiritual encontra-se na alma,
no intelecto, na vontade e afeições do crente.
Todos esses estão totalmente engajados em
relação aos objetos em questão. Não é uma
atividade física (embora isto também seja
essencial na execução desta força), mas sim
uma atividade da alma. Não é meramente uma
atividade do intelecto, observando essa virtude
em sua beleza, mas todas as faculdades estão
ativas. Isto não é uma atividade que acontece
ocasionalmente, mas muito mais do que isso, é
uma propensão, uma disposição habitual e uma
competência, que inicialmente é infundida por
Deus, mas que é exercida pela influência do
Espírito Santo, e que por muito exercício
melhora e se torna mais forte. – Não temerá
maus rumores; o seu coração está firme,
confiando no Senhor. O seu coração está bem
confirmado, ele não temerá, até que veja o seu
desejo sobre os seus inimigos. (Sl 112: 7-8). O
coração do não convertido não é o assunto desta
força, porque está reprovado para toda boa obra
espiritual (Tito 1:16). Eles não têm promessas,
nem fé, nem esperança, nem a vida espiritual
interna. Que força espiritual e coragem
poderiam ter então? Somente os que são
nascidos de novo
do
Espírito
Santo

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(regenerados) são os corajosos que temos
mencionado, e eles têm o que acabamos de
mencionar – algo que os não convertidos não
têm. Todos os justos são ousados como um leão
(Pv 28: 1). Para aqueles que são chamados a
serem santos o apóstolo diz, - portai-vos
varonilmente, e fortalecei-vos. (1 Cor 16,13).
Tanto objeto e objetivo são idênticos aqui. A
força espiritual se relaciona ao bem que deve
ser adquirido e ao mal que deve ser vencido.
(nota do tradutor: o bem e o mal aqui referidos
são aqueles que são definidos pela Palavra de
Deus e não propriamente por aquilo que os
homens considerem como tal.)
Deus promete muitos benefícios segundo a sua
própria vontade ao corpo e à alma, mas, no
entanto, o faz nas bases dos meios e ordenanças
comandados por Ele.
A pessoa que é valente espiritualmente falando
está familiarizada com estes benefícios divinos,
os ama, crê nas promessas, e as antecipa na
esperança. Com essa perspectiva ela inicia seu
esforço, o busca e procura apreendê-lo. Neste
trabalho muita resistência será encontrada:
perda de honra, posses, e até mesmo a vida.
Alguém encontrará vergonha, desprezo,
zombaria, ódio, oposição em todas perspectivas,
pobreza, doença, e todo tipo de adversidade.
Tudo isto tem o potencial de gerar medo, e
através do medo, pode ser ocasionado qualquer
tipo de interrupção, seja ela total ou parcial do
esforço. Mas a coragem espiritual não vai ceder,

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antes, perseverará ainda mais veementemente.
Ela não pode ser movida por nada; nem mesmo
pelo amor à própria vida (Atos 20:24).
Enquanto assim ocupada, a alma pode sofrer de
deserção espiritual e luta. A fé pode ser
assaltada, e também a esperança pode ficar
abalada ou ser atirada de lá para cá, de modo que
a turbação interior é muitas vezes esmagadora.
A pessoa corajosa, no entanto, prossegue como
se fosse cega, e não sucumbindo, mantém a
coragem e batalha como um herói corajoso,
defendendo-se e infligindo danos aos inimigos
espirituais. No entanto, um mal adicional surge
- um mal que tem um efeito mais abrangente do
que o mal anterior: o velho Adão. Este lisonjeia,
seduz, e faz com que a pessoa se extravie. Aqui
ela tropeça, lá ela cai, e então recebe uma ferida
dolorosa e depois novamente uma ferida mortal
em sua alma. O que é bom é negligenciado, o
mal é cometido, e isso é capaz de fazer um
soldado espiritual descrer a respeito de seu
estado, e levá-lo a se sentir sem esperança e
tornar-se desanimado. No entanto, a força
espiritual olha para o que é bom. Se o crente não
pode permanecer em pé com sua carga, ele irá
se rastejar com ela, e se ele sucumbe, ele vai se
erguer novamente e renovar a batalha com nova
coragem. Se ele não pode ver o seu caminho, ele
acredita e confia no Senhor Jesus, encomenda o
resultado a Ele, e está determinado a
perseverar, independentemente de qual seja o
custo.

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Se o inimigo é muito forte e ele é vencido, ele
vai, no entanto, fazer o seu melhor e não se
renderá - aquele que é colocado para o pior na
batalha também está lutando. Assim, tanto o
bem e o mal são os objetos da atividade da força
espiritual.

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A Essência da Força Espiritual

A

essência integrante da força espiritual

consiste em uma firmeza valente de coração.
Esta, por sua vez consiste, antes de tudo, na
existência de uma viva esperança. Os benefícios
esperados são tão desejáveis que eles podem
suportar tudo o que é desconfortável.
A esperança na fidelidade e veracidade do Deus
que faz as promessas torna a aquisição como
uma firme e inquestionável verdade, que
quanto mais forte o crente é, a este respeito,
mais forte a sua coragem será.
Em segundo lugar, isto consiste na vitória sobre
o medo. A natureza recua diante do sofrimento
e procura evitá-lo. A pessoa corajosa vence o
medo, no entanto, porque vê que não há outra
maneira de obter os benefícios desejados,
enquanto ao mesmo tempo, percebe que tudo o
que está em oposição não tem poder para vencêlo e impedi-lo de atingir seu objetivo, quando a
ajuda Onipotente está do seu lado. Assim, o
medo desaparece. - O Senhor é a minha luz e a
minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a
força da minha vida; de quem me recearei? (Sl
27: 1); - Embora eu ande pelo vale da sombra da
morte, não temerei mal algum (Sl 23: 4).
Em terceiro lugar, isto consiste na perseverança
no cumprimento do dever. Isto consiste em uma
entrada corajosa no caminho que conduz à
posse dos benefícios que se esperam, enquanto

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se aguarda todos aqueles que podem ser
encontrados. Assim, tal pessoa prossegue, em
dependência de Deus e de Cristo, e confia em
sua ajuda.
Estas três questões constituem a firmeza
valente de coração, ou a coragem espiritual.
Observe esta disposição nas passagens
seguintes: Quem nos separará do amor de
Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a
perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo,
ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti
somos entregues à morte todo o dia; somos
reputados como ovelhas para o matadouro.
Mas em todas estas coisas somos mais do que
vencedores, por aquele que nos amou.
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a
vida, nem os anjos, nem os principados, nem as
potestades, nem o presente, nem o porvir,
Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma
outra criatura nos poderá separar do amor de
Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
(Rm 8:35, 37-39) - Portanto, meus amados
irmãos, sede firmes e constantes, sempre
abundantes na obra do Senhor, sabendo que o
vosso trabalho não é vão no Senhor. (1Co 15:58).

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A Origem da Força Espiritual

A origem desta força é Deus. - Esforçai-vos, e
ele fortalecerá o vosso coração, vós todos que
esperais no Senhor. (Sl 31:24); - Dá força ao
cansado, e multiplica as forças ao que não tem
nenhum vigor. (Is 40:29).
Isto requer uma análise mais aprofundada para
verificar como Deus é operativo a este respeito,
e como Ele faz com que o homem seja ativo por
vários meios - sendo estes meios causas
secundárias.
Primeiro, Deus concede uma visão clara da
glória do fim a ser alcançado, ou seja, dos
benefícios a serem adquiridos. Ele apresenta a
aquisição deles como sendo um fato certo e
imutável. Quanto mais claramente o intelecto
percebe o fim em vista e quanto mais
poderosamente o coração é seguro de sua
certeza, haverá uma maior força espiritual e
será mais fervorosa a sua manifestação. Observe
isto no Senhor Jesus, - que em troca da alegria
que lhe estava proposta, suportou a cruz,
desprezando a ignominia (Hb 12: 2). Observe isso
também em Moisés, que estimou o opróbrio de
Cristo por maiores riquezas do que os tesouros
do Egito; porque tinha em vista recompensa (Hb
11,26).
Em segundo lugar, Deus assegura a alma quanto
à Sua ajuda e apoio, e imprime no coração a Sua
promessa em relação a isso.

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- Não temas, porque eu sou contigo; não te
assombres, porque eu sou teu Deus; eu te
fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra
da minha justiça. (Is 41:10). Um crente recebe
essas promessas, pela fé e se fortalece por meio
delas. Como alguém que em uma tempestade se
encontra muito fraco para permanecer de pé se
agarra a um poste ou uma árvore e permanece
de pé devido à sua imobilidade, a pessoa
corajosa da mesma forma se apropria da força
do Senhor, e, portanto, permanece forte e
inabalável. - Ou que se apodere da minha força,
e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo. (Is
27: 5). Isto é o que Davi fez. - Mas Davi se
fortaleceu no Senhor seu Deus (1 Sam 30: 6).
Em terceiro lugar, o Senhor mostra as
limitações, a insignificância e a impotência de
tudo o que se opõe. Ele mostra que ter a honra
do homem, seu amor, os bens deste mundo, e
tudo o que parece belo e glorioso nele, são na
realidade nada, e que ele pode perder tudo isso
e, no entanto, estar alegre (Hab 3: 17-18). O
Senhor mostra que Ele é a sua porção todosuficiente (Lam 3:24), e que tudo o que é belo
neste mundo quando comparado a esta porção é
como refugo (Fp 3: 8). Ele mostra que todo o
ódio, mal, e perseguição dos homens não é nada
mais do que um saco de ar, uma vez que eles não
podem se mover nem agitar além da Sua
vontade, e que pobreza, adversidade, etc., são
apenas uma leve tribulação que vai passar muito
facilmente (2 Cor 4:17). Assim as almas são

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fortificadas, a tal ponto que até mesmo sentirão
prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas
necessidades, nas perseguições, nas angústias
por amor de Cristo, porque quando são fracos, é
que são fortes, e portanto, se gloriarão nas suas
tribulações, a fim de que o poder de Cristo
repouse sobre eles (2 Cor 12: 9-10).
Em quarto lugar, o Senhor mostra-lhes a
bondade e a justiça das coisas que eles têm que
suportar - mostrando-lhes que Ele ordenou a
fazê-lo e que nada do que sucede é a causa,
senão Ele próprio. Isto os torna corajosos na
batalha. Eles consideram que é a sua honra, que,
por causa de Jesus, possam lutar contra os
inimigos e que eles sejam feridos nesta batalha.
Isto possibilitou que os apóstolos - de maneira
surpreendente – falassem com liberdade diante
do grande Sinédrio (Atos 4:13), e tendo sido
açoitados, partiram se regozijando por terem
sido considerados dignos de sofrer afrontas por
esse Nome (Atos 5:41).
Em quinto lugar, o Senhor mostra-lhes a
impiedade e injustiça dos que os oprimem.
Assim como eles reconhecem que o Senhor é
justo Juiz, assim também observam que Ele
odeia seus perseguidores, a sua causa e seus
objetivos malignos. Ele próprio deverá,
portanto, esforçar-se contra eles e recompensálos de acordo com suas iniquidades. Isto
engendra a coragem, e ao mesmo tempo
triunfam exultando sobre eles, dizendo - O
Senhor está comigo; não temerei o que me

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possa fazer o homem. O Senhor está comigo
entre aqueles que me ajudam; por isso verei
cumprido o meu desejo sobre os que me
odeiam.
É melhor confiar no Senhor do que confiar no
homem. É melhor confiar no Senhor do que
confiar nos príncipes. Todas as nações me
cercaram, mas no nome do Senhor as
despedaçarei. (Sl 118: 6, 10). Isto encorajou Davi
na batalha contra Golias, em que ele tinha
desafiado o Senhor (1 Sam 17:45).
Em sexto lugar, o Senhor mostra-lhes a ajuda
que Ele já lhes oferecia, tanto para o corpo
quanto para a alma.
É como se Ele dissesse: - Quando você
considerava tudo perdido; quando já havia
pronunciado a sentença de morte sobre si
mesmo; quando as coisas injustas tinham
vantagem sobre você, sua fé sucumbiu, a sua
esperança quase chegou ao fim, sua vida
espiritual estava em um estado de estupor, e
quando você de fato pensou – Isto está feito e isto
nunca dará certo comigo de novo - não tenho eu
então, frequentemente livrado você? Essa
experiência traz muita força. - Disse mais Davi: O
Senhor me livrou das garras do leão, e das do
urso; ele me livrará da mão deste filisteu. (1 Sam
17:37); O qual nos livrou de tão grande morte, e
livra; em quem esperamos que também nos
livrará ainda. (2 Cor 1:10).

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Em sétimo lugar, o Senhor conforta a alma
engajada em uma guerra por assegurar-lhe a
Sua graça no seu interior. É como se Ele dissesse
para ela, - A minha graça é suficiente para ti. Se
eu sou o teu Deus, se eu te perdoar de todos os
seus pecados, te amar, preservá-lo por meu
poder, e finalmente lhe glorificar eternamente,
então não está tudo bem? Portanto, eu faço isso
e devo fazê-lo. Eu não te deixarei e nem te
desampararei.
Sê, portanto, corajoso e eu estarei contigo. O mal
que tu temes não pode ou não será capaz de
trazer sobre ti o que tu temes. Ou então, vou darte resistência suficiente para suportar isso e vou
fazer com que isso se transforme para o seu
bem.
- Quando passares pelas águas estarei contigo, e
quando pelos rios, eles não te submergirão;
quando passares pelo fogo, não te queimarás,
nem a chama arderá em ti. (Is 43: 2) - Eu serei
contigo. Tenha, portanto, bom ânimo e lute
valentemente. Quando a alma é consolada de tal
forma, é como se ela recebesse asas para voar
como uma águia, para correr e não se cansar; e
caminhar e não desfalecer.
Em oitavo lugar, o desespero às vezes também
gera força - o que é muito surpreendente. Se,
devido ao medo, você não faz nada, senão
encolher; se você está numa baixa condição e
tem desanimadamente sucumbido à cruz; se em
todas as coisas você vai junto com o mundo; se
durante as perseguições tem se escondido, foi

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hipócrita, e negou a verdade; se em cada aspecto
tem seguido os seus desejos e parece ter sido
vencido por eles, eis que, em seguida, a vida que
ainda está escondida dentro de você começa a se
manifestar e você receberá a força na sua
fraqueza. - Apagaram a força do fogo, escaparam
do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na
batalha se esforçaram, puseram em fuga os
exércitos dos estranhos. (Heb 11:34). Assim
como
o
fogo
irrompe
ainda
mais
veementemente devido a ser comprimido por
frio circundante ou qualquer outra coisa, por
isso ocorre o mesmo com o crente. A
consciência é despertada, a fé torna-se ativa, e o
medo desaparece, pois ele não tem nada a
perder – isto não pode ser pior. Ele vai, assim, vir
para a frente novamente e manifestar quem ele
é. Ele vai se tornar mais forte do que jamais foi
antes. As pessoas fracas dirão, - Sou forte (Joel
3:10). Isto nós observamos ocasionalmente
naqueles que negaram a verdade, ou seja, que
eles se retrataram e suportaram o fogo com
muito mais coragem do que alguém que tivesse
permanecido firme.

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Os Efeitos da Coragem Espiritual

O efeito de coragem espiritual é uma corajosa
prevalência na batalha e perseverança em
obediência para com Deus.
Essa competência ou propensão que jamais se
traduz em obras é inútil. Deus deu a seus filhos
graça para esse propósito, não para que ela
permanecesse dormente e escondida dentro
deles, mas para que eles trabalhassem com ela.
Particularmente, este valor corajoso não pode
permanecer escondido, se a oportunidade está
lá e sempre há oportunidades. Os inimigos estão
sempre envolvidos na batalha contra a graça na
vida do crente com a finalidade de erradicá-la,
ou para impedir que ela seja exercida. Os
crentes estão sempre cercados por injunções do
Senhor para fazer ou deixar de fazer alguma
coisa. Há, portanto, sempre oportunidade para o
exercício de coragem espiritual.
Em primeiro lugar, o crente persevera na
batalha. Um cristão deve estar continuamente
na armadura, pois ele está na igreja militante. Os
inimigos, o diabo, o mundo, e a carne estão
continuamente
ativos
e
continuamente
assaltam a sua vida. Ele deve, portanto, ser
continuamente ativo em resistir-lhes. O
comando é: - Esforçai-vos por entrar pela porta
estreita (Lucas 13:24); - ...exortar-vos a batalhar
pela fé que uma vez foi dada aos santos. (Jude 3);

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- Combate o bom combate da fé, toma posse da
vida eterna (1 Tm 6:12).
(1) Em uma batalha algo desejável está em jogo,
que neste caso é a vida espiritual aqui e a
felicidade futura. Os inimigos se levantam
contra isso, desejam roubar isso do crente, e
impedi-lo de se manifestar nesta vida.
(2) O crente conhece o inimigo - ele sabe quem
ele é e o qual é o seu objetivo. Os crentes estão
de fato familiarizados com o diabo, o mundo, e
sua própria carne, e os inimigos estão, por sua
vez familiarizados com eles.
(3) Há inimizade no coração. Assim, não há aqui
somente uma contradição total de naturezas,
que não podem deixar de buscar expulsar a
outra, mas estão também no caminho da outra
e mutuamente roubam a sua alegria. Portanto,
elas não podem tolerar a presença da outra.
(4) Há sutileza na tentativa de ganhar a
vantagem. Os inimigos são espertos em tirar
proveito de cada oportunidade e, assim, um
cristão, mesmo que ele seja tão inofensivo como
uma pomba, também é tão sábio como uma
serpente.
(5) Há o uso da violência. Os inimigos têm
grande poder que eles exercem ao máximo sem
levar em conta corpo ou alma. O crente em si
mesmo, tem senão pouca força, mas com a
ajuda onipotente de Deus, ele resiste a eles em
tudo e não lhes dá vantagem em nada.
(6) Há o resultado final da batalha. Durante a
batalha primeiro um e depois o outro têm a

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vantagem, mas os crentes serão finalmente
mais do que vencedores.
Uma vez que o cristão tem tais inimigos, ele
precisa de força e coragem – ambos os quais ele
usa. Devendo vencer o medo, ele os ataca com
armas espirituais e luta corajosamente na
batalha e os esmaga sob seus pés.
Em segundo lugar, uma pessoa corajosa não
está satisfeita em apenas repelir e expulsar seus
inimigos; em vez disso, ao mesmo tempo, ela
também persevera com coragem a fim de
obedecer a Deus. Ele eleva o seu coração nos
caminhos do Senhor como Josafá fez (2 Crônicas
17: 6). Secretamente, como um assunto entre
Deus e si mesmo, ele faz o que o Senhor quer que
ele faça, e externamente manifesta ser um
cristão por seus atos. Ele faz o que precisa ser
feito e diz o que precisa ser dito. Ele não é
perturbado pelos latidos dos cães e permite que
eles saibam disso. Ele corajosamente avança e
provoca-os a ceder, dizendo com Davi - Apartaivos de mim, malfeitores, pois guardarei os
mandamentos do meu Deus. (Sl 119: 115). Essa é a
natureza da coragem espiritual.

21

Os Não Convertidos: Anulação de Força
Espiritual e Coragem

Tendo assim apresentado a natureza de força
espiritual e coragem, este será um espelho
satisfatório para mostrar ao não convertido que
não a possui, e para convencê-lo santamente
quanto à sua deficiência a este respeito.
Em primeiro lugar, os não convertidos não têm,
nem participam, nem desejam os benefícios
espirituais e eternos do pacto da graça.
Eles estão, sem promessas, sem esperança, e
não se exercitam relativamente à aquisição de
um deles. Eles, portanto, igualmente não têm
inimigos que tentam roubar-lhes estes. A este
respeito não há nada além de paz com o diabo, o
mundo, e a carne. Se eles têm problemas, estes
estão relacionados tanto à aquisição ou
preservação das coisas terrenas. Se isso
pertence a uma abstenção do pecado, haverá
uma batalha entre a consciência e a vontade. Se
eles estão preocupados sobre sua salvação, isto
se refere ao pronunciamento da sentença de
condenação de Deus em seu coração se não se
arrependerem, e às vezes isto já é o começo da
condenação em si mesma. Seja o que for, não há
nenhum processo de valentia para receber a
força do Senhor Jesus.
Em segundo lugar, quando eles estão ou estarão
envolvidos em alguma religião externa, tudo o
que fazem é, senão de uma fraca e morna

22

natureza. É somente um calmante da
consciência ou para adquirir algo de natureza
externa. Se eles podem atingir este objetivo sem
a prática externa da religião, mesmo a questão
mais insignificante, será capaz de mantê-los
longe da prática da religião. Mesmo tudo o que
eles fazem a este respeito é, quando
considerado em si mesmo, um peso e cansaço
para eles, e seu processo não tem mais do que o
ritmo de uma tartaruga.
Em terceiro lugar, há aqueles que têm algo mais
leve e também alguma inclinação para se
arrepender, viver piedosamente, e confessar a
verdade do evangelho. Algo remoto ocorre, que
poderia lhes trazer algum dano e vergonha; ou é
o tempo de perseguição e há a perspectiva de
prisão, a participação, da forca, da espada ou de
serem enviados para as galés. O medo, então,
vem sobre eles e lhes impede de prosseguir
mais longe, o que faz com que dissimulem,
dizendo: - Chega, chega disso! Onde há
evidência de coragem aqui que vença o medo
por amor a Deus e para benefícios espirituais?
Em quarto lugar, alguns temem a condenação e
deseja estar no céu após a sua morte. Eles
também percebem o que o caminho para o céu
é, mas não vêm como eles podem percorrer este
caminho, e, assim, se entregam ao desespero e
desânimo.
Isto suspende toda a sua atividade, e eles não
têm nada para deixar, senão um coração ansioso
e aterrorizado. Ou eles vão conduzir este

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desânimo afastado por cederem aos seus
desejos pecaminosos, e, portanto, a consciência
é anestesiada. Ou então eles podem cometer
suicídio, e, assim, saltar para o próprio inferno
que eles temiam.
Em quinto lugar, há aqueles cuja disposição se
assemelha à coragem espiritual em algum grau.
Nada está mais longe da verdade, porém. Eles se
juntam ao piedoso, têm prazer na sua
companhia, e de serem amados e estimados por
eles. Eles falam de uma forma altiva,
repreendem os outros, envolvem-se em
disputas, perseveram, e nem temem danos ou
vergonha. Eles não estão, no entanto, motivados
pelo amor a benefícios espirituais, por uma
segurança de esperança na dependência e
recepção da força de Cristo, nem pela
obediência para com Deus.
É nada mais do que uma paixão tola que não
teme o perigo, seja devido a não estar
familiarizado com o perigo espiritual real ou
devido a imaginar que ele nem existe, nem virá
a experimentá-lo. Isto pode ser a busca da sua
própria glória, como se estivesse dizendo: - Veja
o meu zelo para com o Senhor!, como fizera Jeú.
Ou eles têm uma disposição de bronze, sendo
este o princípio que os motiva. Eles estão
envolvidos sem ter o próprio objetivo em vista,
sem estarem unidos a Cristo e sem estarem
ativos em Sua força, e sem a prudência cristã
que regula esta valentia. Isto não é, portanto,

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coragem espiritual, senão uma insensatez
pecaminosa, e desfaçatez.
Todos os que temos descoberto a respeito de
quem você é, ficamos sabendo que você não tem
nem vida espiritual, fé, esperança, nem valentia
espiritual. Como você será salvo se, em primeiro
lugar, os violentos tomam o céu pela força. (E,
desde os dias de João o Batista até agora, se faz
violência ao reino dos céus, e pela força se
apoderam dele. Mt 11:12), se ninguém será
coroado, exceto os que têm travado uma luta
legítima, e se só aqueles que correm obtêm o
prêmio (1 Cor 9:24)? A que virá os que são
preguiçosos, temerosos, tolos e imprudentes?
Em segundo lugar, imprima em seu coração o
que Deus diz a respeito de como você está, - E o
servo inútil lançai-o nas trevas exteriores; ali
haverá choro e ranger de dentes (Mt 25:30). O
que está escrito no Apocalipse virá sobre você: Então, porque és morno, e nem frio, nem
quente, vou vomitar-te da minha boca (Ap 3:16);
-Mas os tímidos ... a sua parte será no lago que
arde com fogo e enxofre (Ap 21: 8).

25

O Santo Repreendido por Sua Força
Deficiente

Agora vou me dirigir a vocês, os santo. Eu
preferiria consolá-los; no entanto, não posso
suportar o pecado e eu devo, portanto, dirigir
uma palavra de repreensão para vocês para que
possam agir bem. Você tem observado a
natureza da valentia espiritual e esta já terá
mostrado a sua deficiência a este respeito.
Vamos apresenta-la um pouco mais longe para
você, para que possa abominar sua nudez e
pecaminosidade, e para que se levante de suas
deficiências.
Em primeiro lugar, muitos passam, senão pouco
tempo refletindo sobre os benefícios que, por
assim dizer, têm sido colocados em exposição
para a finalidade de obtê-los por meio de
bravamente lutar por eles. Devemos viver na
reflexão sobre a glória eterna até que isto supere
tudo o que é desejável, delicioso, alegre e
adorável; de modo que não excitemos nossos
desejos para adquiri-los como nossa única
salvação. Quão delicioso deveria ser para nós,
nesta vida, andar com Deus no amor, temor e
obediência, e, portanto, de ver as coisas
invisíveis com um coração que é elevado acima
de tudo que é visível! Somos muito negligentes
a este respeito no entanto, e, assim, o desejo de
alcançar isto torna-se mais fraco e o desejo
natural para o que é visível torna-se maior. O

26

resultado será, então, que o objetivo em vista
não será fortemente motivado para a atividade.
Uma vez que o coração incide sobre vários
assuntos, estará menos preocupado em uma
coisa em que deveria concentrar-se, e nós,
então não seremos capazes de encontrar
satisfação com o que é espiritual, a menos que
isso seja complementado com coisas temporais.
Esta é a fonte de toda inquietação e fraqueza na
atividade.
Em segundo lugar, vamos então nem estar
cientes dos inimigos, nem que o diabo vem
sobre nós como um leão que ruge, buscando a
quem possa tragar. Nós não estaremos cientes
de que o mundo irá alternadamente procurar
roubar o coração e mantê-lo para si mesmo,
quer através de carinho ou por meio de
desagrado e, assim, nos trará em armadilhas
que não podem ser desembaraçadas. Nós não
estaremos cientes de que nossa natureza
corrupta está continuamente empenhada em
nós impedindo-nos de fazer o que é bom
segundo a vontade de Deus, bem como nos
seduzindo ao pecado. Isso vai nos tornar mais
descuidados, tanto quanto para preservar o que
possuímos e na aquisição daquela natureza
regenerada que deveríamos nos deleitar em têla. Não tememos onde devemos temer, e, assim,
as mãos vão pender e os joelhos ficarão fracos.
Em terceiro lugar, quando cada vez mais
perdermos de vista o nosso objetivo e se nos
concentrarmos nas coisas terrenas em vez

27

disso, o medo vai agarrar o nossa coração. Nós
temeremos
onde não devemos temer. A
perspectiva de injúria, a vergonha, a
maledicência de muitos pelo dito enganoso de
todo o mal, a pobreza, a perseguição, morte, e
tudo aquilo que é contrário à natureza, têm
grande poder em nós para produzir medo,
apesar de todas as exortações em contrário. - E
não temais os que matam o corpo (Mt 10:28);
Não temais pequeno rebanho (Lucas 12:32); -Por
Que sois temerosos (Mt 8,26); - Não esteja
ansioso por cousa alguma (Fp 4: 6). Apesar de
tais verdades, nós tememos e trememos para o
presente, e principalmente para o futuro. Este
medo rouba-nos a coragem, nos impede em
nosso dever, e chama-nos para longe por causa
daquilo que não está vindo e nem ocorrerá.
Sempre que a pessoa espiritualmente corajosa
vence o medo, nós que deveríamos ser
corajosos, seremos vencidos pelo medo. Nós
nos permitimos ser abusados pelo inimigo, e os
heróis perecem na batalha. Onde está aquela
firmeza de ouro que deveríamos ter?
Em quarto lugar, ficamos fracos em toda
atividade espiritual; isto é, em oração,
combatendo contra os inimigos (especialmente
as corrupções que nos assediam), no exercício
da virtude – tudo aquilo que nossas
circunstâncias exigem continuamente. Nós
devemos nos envolver em alguma atividade,
para que a vida espiritual seja existente. Tudo é
realizado de uma forma letárgica, no entanto,

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isto é uma tarefa tão pesada. Ela procede de
modo intermitente, e o zelo inicial e fervor têm
crescido muito frio. Nós não perseveramos na
obediência a Deus. Uma cruz temporal nos fará
imediatamente desencorajados, e se as
situações não ocorrem de acordo com os nossos
desejos, nós imediatamente ficamos fracos na
fé em relação ao nosso estado espiritual. Nós
duvidamos do amor de Deus, de Sua audição das
nossas orações, e da Sua providência. Tudo vem
a um estado de desordem e procedemos como
se meio dormindo ou como se quase em colapso
-Se és fraco no dia da angústia, a tua força é
pequena (Prov 24:10).
Embora Deus não trará sobre Seus filhos esses
julgamentos que virão sobre os não convertidos,
devido à sua inutilidade, mornidão, e medo, no
entanto, tais pecados precisam ser impedidos porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre
os filhos da desobediência (Ef 5: 6). Além disso, a
falta de coragem rende-lhes nada, senão
inquietação e ansiedade espiritual. Isto os
embaraça cada vez mais em todo tipo de pecado,
e os inimigos tornam-se mais poderosos,
segurando-os cativos por um longo período de
tempo. Um não vai vencer isto por ceder a uma
falta de zelo e seriedade - não sejais vagarosos no
cuidado; sejam fervorosos no espírito (Rm 12:11);
- Sê pois zeloso, e arrepende-te (Ap 3:19).

29

Exortação para ser Corajoso

Portanto, todos os que temeis o Senhor, que se
encontram sob o jugo de seus inimigos (a carne,
o diabo e o mundanismo), que têm pouca força
para oferecer resistência, e que, além disso,
usam essa pouca força de forma ineficaz, deem
ouvidos e permitam que seus corações tenham
disposição para lhes mover para se envolverem
na batalha e serem corajosos na mesma.
Em primeiro lugar, ouçam a voz do Senhor e
atendam ao Seu convite para elevarem seus
corações. Como Lázaro ressurgiu dos mortos ao
ouvirem a voz de Cristo, possam, também vocês
serem vivificados de sua indolência morna para
uma nobre coragem. Esta é a Palavra de Deus
para você: - Sejam fortes e tenham bom ânimo,
não temam, nem tenham medo deles (Deut 31:
6); - Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos
varonilmente, e fortalecei-vos.(1 Cor 16,13); Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não
temais; eis que o vosso Deus virá com vingança,
com recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.
(Is 35: 4); - Portanto, tornai a levantar as mãos
cansadas, e os joelhos desconjuntados (Heb
12:12).
Em segundo lugar, você não deve ser corajoso
na batalha? Não há outro caminho para o céu,
exceto por meio de luta corajosa. Esta é a
maneira ordenada por Deus: - E eu vou colocar
inimizade (Gn 3:15). Você escolheu este

30

caminho quando entrou no reino de Cristo e se
colocou sob Sua bandeira. Ou, por outro lado:
você deve querer cortar a si mesmo do pacto,
como um vilão que deserda desta bandeira, e
abandona Deus, o céu, e todo o resto; ou você
deve corajosamente se engajar na batalha para
que deste modo possa vencer o diabo e seus
companheiros, o mundo e tudo que nele há,
bem como o pecado e todos os seus desejos. A
coroa de glória deveria ter tanto valor para você;
assim como a muito preciosa vida espiritual e
comunhão com Deus contigo, e tal prazer você
deveria encontrar na vontade de Deus, que
estaria disposto a lutar valentemente todos os
dias da sua vida. Não deixe que isso pese sobre o
seu coração, pensando: Devo eu estar armado e
me envolver na guerra toda a minha vida? Deve
haver um tal esforço da minha força toda a vida?
Isso é realmente uma maneira desagradável e
não há nenhuma maneira pela qual eu vou
perseverar. Sim, o céu deve ser precioso para
você; ou então você deve renunciar a ele. Seja
conhecido, no entanto, que a batalha com
coragem não é uma tarefa pesada, como você se
permite acreditar. Porque lutar sempre e
sucumbir, ou sempre se empenhar fazendo com
que o resultado da batalha esteja em dúvida, é
realmente uma tarefa pesada. Isto é uma tarefa
jubilosa,
no
entanto,
vencer
lutando,
conquistando uma cidade após a outra, e
humilhar o inimigo batalha após a batalha. Tal
será o caso, se você, apenas conduzir-se

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corajosamente, de modo compatível com a sua
força – se peleja como uma criança, um jovem
ou um homem. Você está com tanto medo da
batalha, porque você não procedeu com
coragem; em vez disso, devido à sua frouxidão,
descuido e falta de seriedade, deu ao inimigo a
oportunidade de obter vantagem sobre você.
Isso torna sus inimigos mais corajosos e você se
torna mais fraco. Portanto, levante-se nos
caminhos do Senhor e corajosamente engajese. - Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.
Em terceiro lugar, reflitamos sobre se o seu
estado espiritual é adequado para lhe despertar
para ser corajoso. O Senhor te escolheu para a
salvação, atraiu-o para fora do poder de seus
inimigos, e lhe chamou como chamou Abraão
de Ur dos caldeus, e Israel para fora do Egito. Ele
o colocou entre Seus filhos no reino de Seu
Filho. Você tem nascido de Deus, e é, portanto,
filho de Deus, filho do Rei (Sl 45: 9, 13), e rei (Ap
5:10). Você tem um espírito livre e principesco
(Sl 51:12) e o coração de um leão (Pv 28: 1). O
Senhor te fez para ser tão formoso quanto – Seu
santo cavalo na batalha (Zc 10: 5). E ele diz em
relação a você no versículo 5: - E eles serão como
valentes que trilham os seus inimigos na lama
das ruas na batalha (Zc 10: 5). Estes são os que
prosseguem na lama para que a terra trema a
cada passo, - porque o Senhor está com eles, e os
faz prevalecer sobre os que estão em cavalos
para que os inimigos sejam confundidos (Zc
10.5); ou seja, um soldado a pé de infantaria deve

32

prevalecer sobre o cavaleiro em seu cavalo.
Você, então, permitirá ser vencido pelo diabo,
por um cidadão desprezível do mundo, ou por
uma corrupção vil em si mesmo? Um rei é nobre
demais para permitir ser capturado por um
soldado insignificante. Você deve, portanto,
também ser corajoso de uma maneira
compatível com o seu estado de espírito e não
ceder ao inimigo desprezível. Não se esqueça da
sua nobreza, para que não traga vergonha para
seus ancestrais.
Em quarto lugar, preste atenção tanto na
natureza quanto na força dos inimigos, e isso vai
fazer-lhe mais valente. Eles são tão maus que
não toleram a menor manifestação do que é
bom e santo, nem o mínimo de movimento de
vida espiritual. Quanto mais espaço você der a
eles, mais eles exigem de você e tanto mais eles
ganham força. Eles não vão desistir e nem se
cansar até que tenham arrastado a alma e o
corpo ao inferno. Eles se opõem diretamente ao
majestoso e santo Deus, bem como ao seu
amado Senhor Jesus Cristo. Você pode
testemunhar e suportar isto em boa
consciência?
Além disso, eles são desprezíveis, vis,
repugnantes, e abomináveis. Quem pode pensar
sobre eles sem ficar indignado? E se você se
permite ser dominado por eles? Eles já foram
vencidos pelo Senhor Jesus, pois Ele tem ferido
a cabeça do diabo (Gn 3:15; Hb 2.14), venceu o
mundo (João 16:33), e lhes removeu do seu

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domínio (Rom 6: 2, 14). Eles, portanto, não
podem nem prejudicá-lo nem são capazes de
puxar um fio de cabelo da sua cabeça. Seria
também um grande ato de covardia temer as
ações de um inimigo que está quase morto.
Portanto, não permita ser vencido por um tal
inimigo desprezível e impotente; ao invés,
batalhe valentemente e lhe espezinhe como
sujeira sob seus pés. Proceda como o escudeiro
de Jônatas, que o seguia, e chegando por detrás
dele, matou os inimigos. Sigam o Senhor Jesus
da mesma forma, pois Ele vai adiante de vocês e
mata os inimigos antes que vocês o façam. Vocês
podem, em seguida, empurrá-los para ele.
Portanto, sejam corajosos na batalha e a vitória
sobre tais inimigos será certa.
Em quinto lugar, tome conhecimento de que os
olhos de todos estão em cima de você, e dê
atenção à forma como você se conduz nesta
batalha.
Você entrou na arena em conjunto com o
inimigo, e os espectadores estão de pé para
testemunhar a batalha.
Por um lado está o seu rei, juntamente com os
santos anjos e os crentes. O seu coração é um
com você, e eles estão desejosos de que você saia
vencedor. A causa de Cristo e dos santos é sua e
sua causa é a deles. Eles se alegrarão e se
gloriarão se você for vitorioso. Do outro lado
estão os demônios e o mundo. Eles rangem os
dentes e adorariam causar dano à causa de
Cristo por vencerem você. Você será, portanto,

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fraco na batalha? Você poderia permitir-se ser
vencido na presença de todos? Você fará com
que essa indignidade venha sobre Cristo, que é
uma testemunha desta batalha, que convidou a
todos para observarem a sua coragem, e inspirálo a ser corajoso? Poderão os anjos (se isso fosse
possível), bem como os piedosos serem
cobertos com vergonha e ficarem entristecidos
por causa de você?
Você poderia permitir que o inimigo triunfasse
como vencedor? Como você se atreve a vir para
o seu Rei e levantar o seu rosto para Ele? Não,
não - isso não deveria ser. Você deve ser corajoso
como um herói para que Cristo se orgulhe de
você como o Senhor se gloriava da constância de
Jó (Jó 1 e 2).
Em sexto lugar, reconheça o que a sua própria
força é, e olhe para os seus ajudantes e irmãos
de armas. É verdade que você não tem força por
natureza, e que, tendo nascido de novo, você
tem, senão pouca força (Ap 3: 8). Tendo recebido
a força de Cristo, no entanto, isto é seu e, assim,
você pode fazer todas as coisas em Cristo que lhe
fortalece (Fp 4:13). Por isso, faça uso dela; corra
com Ele através de uma tropa, e com Ele salte
por cima do muro, a fim de tomar posse de seus
inimigos em sua força (Sl 18:29) - Deus é o que
me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho.
Ensina as minhas mãos para a guerra, de sorte
que os meus braços quebraram um arco de
cobre.(v. 32, 34). Portanto, jubila-te: - O Senhor
está comigo entre aqueles que me ajudam; por

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isso verei cumprido o meu desejo sobre os que
me odeiam. (Sl 118: 7).
Em sétimo lugar, reflita sobre aqueles que se
envolveram na batalha antes de você e
considere como o resultado tem sido abençoado
para eles.
Eles estão agora coroados como vencedores,
como é para ser observado no registro dos
heróis da fé, Hb 11. - Tenham, meus irmãos, os
profetas, que falaram em nome do Senhor, para
um exemplo de aflição e de paciência. ...
Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o
Senhor lhe deu (Tiago 5: 10-11). Considere Paulo:
- Combati o bom combate, acabei a carreira,
guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me
está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me
dará naquele dia; e não somente a mim, mas
também a todos os que amarem a sua vinda. (2
Tim 4: 7-8). Considere outros crentes que vivem
com você, como cada um deles batalha de
acordo com a sua força. Isto tudo isso não
despertaria a sua coragem? Aquele que,
portanto, pode contemplar tal Rei, pode estar
em um exército tão magnífico, e está rodeado
por tantos heróis valentes que estão decididos a
dar a própria vida para o Senhor Jesus e para a
batalha até a morte – deveria ele não lutar com
coragem?

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Promessas de Deus Para Guerreiros
Corajosos

Em oitavo lugar, leve a sério as promessas que
Deus tem prometido aos guerreiros corajosos.
Deus irá sustentar você enquanto estiver
envolvido em uma batalha. – Tenha bom ânimo,
e Ele fortalecerá o teu coração (Sl 27:14).
(1) O Senhor, então, faz com que os crentes
tenham uma visão mais clara dos benefícios
prometidos em sua preciosidade, e a ter uma
esperança mais viva em relação a eles.
(2) Ele lhes mostra as limitações e fraquezas da
oposição, para que assim os crentes possam
olhar para além deles e já se considerarem
vencedores.
(3) Ele lhes mostra a ajuda que Ele já havia dado
a eles anteriormente.
(4) Ele os conforta e encoraja.
(5) Ele remove o medo da oposição.
(6) Ele infunde força e os cinge com força, de
modo que mesmo um crente fraco diz: - Eu sou
um poderoso. O Senhor promete a coroa de
glória. Considere as promessas encontradas em
Apocalipse 2 e 3 – Àquele que vencer darei a
comer da árvore da vida ... não receberá o dano
da segunda morte ... darei a comer do maná
escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca ...
darei poder sobre as nações ... eu lhe darei a
estrela da manhã ... o mesmo será vestido de
vestes brancas; e de maneira nenhuma riscarei

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o seu nome do livro da vida, mas confessarei o
seu nome diante de meu Pai, e diante dos seus
anjos ... eu o farei coluna no templo do meu Deus
... e escreverei sobre ele o nome do meu Deus ...
eu lhe concederei que se assente comigo no
meu trono (Ap 2: 7, 11, 17, 26, 28; 3: 5, 12, 21).
Aquele que deseja todas estas coisas gloriosas
deve e vai obtê-las combatendo corajosamente.
Portanto, engaje-se com coragem!

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Direções Finais para esta Guerra

Esforce-se para se conduzir bem, e se engaje
nesta tarefa corretamente. – E também se um
atleta lutar nos jogos públicos, não será coroado
se não lutar legitimamente. (2 Tm 2: 5).
Em primeiro lugar, arme-se, portanto, da
cabeça aos pés. Paulo nos ensina o que essas
armas são. - Portanto tomai toda a armadura de
Deus, para que possais resistir no dia mau e,
havendo feito tudo, permanecer firmes. Estai,
pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos
com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e
calçando os pés com a preparação do evangelho
da paz, tomando, sobretudo, o escudo da fé, com
o qual podereis apagar todos os dardos
inflamados do Maligno. Tomai também o
capacete da salvação, e a espada do Espírito, que
é a palavra de Deus; com toda a oração e súplica
orando em todo tempo no Espírito e, para o
mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e
súplica, por todos os santos, (Ef 6: 13-18).
Em segundo lugar, nesta guerra não baixe a
guarda contra:
(1) O descuido. Não imagine que você já tenha
vencido quando você tem uma boa intenção.
Tais intenções perdem facilmente seu vigor.
Não imagine que o inimigo já desapareceu, pois
ele se encontra à sua espera.
Portanto, - Sejam sóbrios e vigilantes (1 Pedro 5:
8).

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(2) O desânimo. Quando os inimigos são fortes
demais para você, e a guerra muito pesada, e
Deus está distante, não perca a coragem, por
que seria como jogar fora suas armas e ceder ao
inimigo (de quem nenhuma graça é para se
esperar de qualquer forma) suas mãos
indefesas. Portanto, na confiança depositada
sobre a força e infalíveis promessas de Deus, Seja forte e tenha coragem (Josué 1: 6).
(3) Orgulhar-se e ostentar a sua própria força.
Lembre-se de Pedro, que disse: - eu nunca me
escandalizarei (Mt 26:35); - Nunca vou te negar
(Mt 26:35). Em seguida, a derrota é iminente.
Portanto, - Não te ensoberbeças, mas teme (Rm
11:20).
Em terceiro lugar, nesta guerra:
(1) Tenha cuidado, e não vá além dos limites de
sua vocação. Não se envolva em coisas que estão
além de seu alcance e além de sua competência.
Não aja apressadamente e com paixão
impulsiva. Não imagine que tem sabedoria
suficiente, por si mesmo, mas sempre, em
primeiro lugar, procure o conselho do Senhor,
ainda que em insignificantes assuntos e quanto
ao que a circunstância possa ser. Uma
empregada foi forte o suficiente para lançar
Pedro para baixo. Em casos especiais procure o
conselho dos santos. – Aquele que dá ouvidos ao
conselho é sábio (Pv 12:15); - Vede, então, que
andeis prudentemente, não como néscios, mas
como sábios (Ef 5:15).

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(2) Fuja daquelas oportunidades das quais lhe é
permitido fugir, e especialmente daquelas em
que você tem sido frequentemente aprisionado.
Já faz um bom progresso aquele que, a fim de
evitar o pecado, evita as oportunidades para
pecar, e não se engaja em um esforço específico
a menos que seja chamado a fazê-lo.
(3) Oponha-se especialmente ao pecado que
você está mais inclinado a cometer, para o qual
a sua natureza é mais inclinada, e que está
relacionado ao seu chamado. Proteja-se
cuidadosamente das manifestações iniciais,
porque, então, é mais fácil resistir a ele. Pegue as
raposinhas, e retire a mosca morta que pode
estragar o unguento.
(4) Sempre busque refúgio em Cristo, pois Ele é
um sol e escudo (Sl 84:11). Assim que você
permite que o seu coração vagueie longe dEle, a
seta do inimigo será imediatamente lançada em
você. Imite Davi a este respeito: -Livra-me, ó
Senhor, de meus inimigos; fujo para ti, para
esconder-me (Sl 143: 9).
(5) Esteja continuamente empenhado na
oração, porque toda a sua força deve vir do
Senhor - e Deus, quando Ele quer fazer alguma
coisa, quer ser interrogado. – Vigiai e orai, para
que não entreis em tentação (Mt 26:41).

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