As Transformações Políticas e a evolução democrática do sistema

representativo
3.1.1 - A evolução democrática no sistema representativo

A partir de 1870 e até 1914 observa-se nos estados do mundo ocidental uma
tendência notória para a democracia Liberal - Demoliberalismo - e a monarquia
constitucional tornou-se o regime político predominante entre esses países
nomeadamente os mais industrializados da Europa e da América do Norte.

Seguindo o exemplo da Grã Bretanha, a tendência foi para a limitação do poder dos
monarcas à medida que a crítica a esse regime aumentava nos países onde dificuldades
económicas mais atormentavam as populações. A opinião pública tornou-se favorável a
mudanças e o poder reivindicativo crescente das classes operárias e das classes médias,
devido ao alargamento da base sufragista dos regimes políticos, tornou mais questionável a
permanência no poder de reis e principes surgindo a República como o regime político mais
democrático e livre.
Parlamentarismo e Democracia Representativa tornaram-se frequentemente sinónimos
à custa de reformas políticas:

sufrágio universal

diminuição da idade de voto

Instituição do voto secreto como garantia da livre expressão

remuneração dos cargos políticos

No entanto até ao final da 1ª Guerra Mundial as mulheres estiveram excluídas das eleições.

3.1.2 - As aspirações de liberdade nos estados autoritários
Apesar das reformas democráticas, em muitos países do norte e noroeste da Europa
continuavam a existir estados autoritários que continuavam a resistir às reformas
demoliberais. Império alemão, império austro-hungaro, império russo e império turco.
O seu poder fundamentava-se em:

Autocracia, os soberanos governavam de forma absoluta apesar de algumas
reformas tímidas no sentido da liberalização. Surgiram constituições na Alemanha e

iniciaram uma sucessão de pronunciamentos organizando-se várias sociedades secretas impulsionadas pela Maçonaria. As leis dos parlamentos não eram adoptadas e substituídas por decretos imperiais.3 Os movimentos de unificação nacional Baseados nos princípios das nacionalidades vários povos tornaram-se independentes ao longo do século XIX:  Grécia e Bélgica em 1830  Itália em 1860  Império Alemão em 1871 Pela mesma época. 3. Tal situação viria a resultar na 1ª Guerra Mundial. O outro grande inimigo da unificação italiana era o Império Austro Húngaro que dominava no norte e centro da península. entre as quais a Carbonária.  Conservadorismo. no império russo as diferentes nacionalidades foram submetidas tal como na ÁustriaHungria que era no entanto o império mais agitado por confrontos interétnicos. os impérios europeus uniam artificialmente muitos povos e culturas diferentes sem aplicar o principio das nacionalidades defendido no Congresso de Viena. desejosos de acabarem com a supremacia da Áustria.Austro-Hungria e o sufrágio universal na eleição das assembleias legislativas que no entanto tinham apenas poderes consultivos. Itália A Itália ficou dividida no Congresso de Viena em sete estados. As igrejas nacionais eram fortemente protegidas pelos governantes e não existia liberdade religiosa. Os italianos. Ao Papa soberano de um dos estados interessava a divisão política porque reforçava o seu poder e o preservava.1. as nobrezas nacionais tinham forte implantação nos governos e orgãos consultivos dos imperadores. Na Alemanha o imperador aplicou a política de germanização. .  Submissão das Nacionalidades. Existia polícia política. povos que viviam divididos por autoridades locais e poderes ancestrais acabaram sendo unificados sob a tutela de um monarca em geral no final de processos demorados de alargamento de fronteiras e anexações de territórios feitas por via de guerras em geral de curta duração.

dos seus bens e as prerrogativas de um estado soberano. para a monarquia piemontesa. A guerra entre a Áustria e a França iniciou-se tendo os exércitos franceses vencido os austríacos. Reino das Duas Sicilias.Em Nápoles deu-se uma revolta em 1820 tendo o rei promulgado uma Constituição o mesmo acontecendo no Piemonte onde o monarca foi proclamado rei de Itália. No entanto sob a ameaça da intervenção prussiana a guerra foi suspensa com um acordo entre os dois países pelo qual a Áustria entregava o Piemonte à França que por sua vez o entregou aos piemonteses conservando apenas a Venécia. Os piemonteses procuraram o apoio militar declarado da França e o Imperador Napoleão III desencadeando a reacção da Áustria que pretendia dominar ainda no norte de Itália. para ocupar Roma e o que restava dos territórios pontifícios aceitando-se um status quo através da lei das Garantias de 1871 que mantinha a soberania do Papa. principados e cidades livres. Império Alemão A Confederação Germânica fundada em 1815 pelo Congresso de Viena era um grande estado reunindo vários territórios autónomos. . governado pelo rei Vitor Emanuel II iniciou-se o movimento de unificação com a ajuda do primeiro ministro Cavour e dos exércitos franceses com cuja ajuda os patriotas italianos combateram os austríacos e lhes conquistaram os territórios da Lombardia. Os austríacos restaeleceram a ordem e interveio em Nápoles e no Piemonte perseguindo os liberais e prendendo os patriotas. Vitor Emanuel avançou para sul e ocupou os estados pontifícios sendo aclamado rei de Itália no parlamento de Turim. Finalmente o aventureiro Garibaldi conquistou os territórios do sul. Em 1860. Nápoles e a Sicília. A partir do reino do Piemonte e Sardenha. Era formada por 39 estados soberanos entre os quais o império austríaco. Em 1870 a Itália anexou o que faltava dos estados pontifícios aproveitando a saída das tropas francesas para combater a Prússia. e movimentos populares entregaram alguns dos territórios da Igreja ao rei Vitor Emanuel. Vitor Emanuel foi coroado rei de Itália em 1861 e a Venécia integrada no estado italiano em 1866. Modena e Toscana votaram em plebiscito pela integração na monarquia piemontesa e no centro da península. os ducados de Parma. o estado prussiano e muitos ducados.

Antónia de Portugal mas aquele sendo primo do imperador prussiano. Em 1848 a Dieta de Frankfurt. Otto Von Bismarck. Conhecida a derrota os parisienses proclamaram a 3ª Republica e a França perdeu os territórios católicos da Alsácia Lorena com o Tratado de Paris de 1871. armamento. . A Prússia alegou ter a Áustria a ambição de governar sobre os ducados e entrou em guerra com aquele império conseguindo em 1866 pela paz de Praga a expulsão da Áustria da Confederação Germânica formando-se a Confederação da Alemanha do Norte em 1867 constituída por 21 estados. O imperador alemão interveio para retirar a candidatura do príncipe mas os franceses exigiram mais garantias que os prussianos não concederam iniciando-se a guerra Franco Prussiana com a invasão da França. enfrentou a oposição da França que receava a supremacia da Alemanha na Europa. A partir de 1862 iniciou-se o movimento de unificação com recurso às armas sob inspiração do primeiro ministro de Guilherme I da Prússia. o Zollverein sem barreiras alfandegárias criando uma poderosa força militar. espécie de parlamento federal propôs a unificação política de todos os territórios não austríacos mas o imperador da Prússia desejava uma união mais centralizada. ensino universitário etc. Em 1828. A sucessão do trono de Espanha ficou em aberto depois da expulsão do poder da rainha Isabel II perfilando-se como candidato Leopoldo de Hohenzollern casado com D. A guerra com a França permitiu à Alemanha adicionar mais alguns territórios à custa dos rivais latinos. Por alturas da Guerra dos Ducados terminada em 1865 a Áustria ficou a administrar o ducado de Schleswig e a Prússia com o de Holstein. indústria. comunicações. A Prússia desejava a supremacia política sobre a região tendo-se desenvolvido bastante do ponto de vista económico e cultural. Os desejos de unificação dividiam-se porém entre os adeptos da chefia prussiana ou da austríaca. a Prússia iniciou uma união aduaneira com vários estados pequenos no sentido de desenvolver as relações económicas. Travaram-se as batalhas de Sedan e Metz sendo presos 90 000 soldados franceses e o imperador.O soberano desta confederação era o imperador austríaco e a Áustria procurava ter ascendente sobre os territórios alemães.

mas que poderia aumentar a todo o momento. vai desenvolver uma agressividade imperialista não só com os povos dominados. Tinha a maior densidade de indústrias transformadoras do mundo. A tensão internacional derivada deste confronto.  Tinha a maior densidade populacional. Controlava.1 Imperialismo e colonialismo A Europa era considerada um conjunto de «máximos»relativamente a outras partes do mundo e a outros continentes. o comércio internacional. Dominava militarmente. vastas regiões fora do seu continente. A Europa alargou-se e consolidou-se para África e Ásia. veio espoletar uma rivalidade difícil de conter entre as principais potências industriais europeias. tentou estabelecer regras e condutas entre os imperialismos europeus de modo entenderem-se na autêntica rapina de África ou de . Tinha as melhores universidades e centros culturais e científicos do mundo. como o americano.2 Os afrontamentos imperialistas: o domínio da Europa sobre o Mundo 3. as metrópoles. A Conferência de Berlim de 1884. O constante crescimento industrial capitalista europeu. praticou o que se chamou de colonialismo. a que se junta o nacionalismo exacerbado pelas revoluções indenpendentistas. fundando colónias ou alargando o seu território. Era um centro de decisão mundial importante que determinava o rumo político a tomar em vários países. que foi uma constante na política internacional europeia do século XIX e que veio a ter consequências desastrosas a todos os níveis para a própria Europa. dando início à rivalidade colonial das diferentes potências europeias. A presença militar e nas administrações.2. claramente e desde há muito. que se digladiavam por novos espaços e acesso às matérias-primas. O próprio desenvolvimento europeu veio a ter consequências importantes na expansão para novos territórios e na absorção de valores europeus por outras regiões do mundo. Esta tensão traduziu-se numa corrida aos armamentos e na criação de conflitos regionais de intensidade baixa. se preciso fosse. para além da presença de companhias comerciais europeias.3. A esta prática deu-se o nome de imperialismo. tendo ainda ajudado a povoar novos      continentes. baseado no acesso fácil às matérias-primas. mas também contra os países europeus rivais que muitas vezes ameaçavam quem tentasse aproximar-se minimamente dos seus redutos coloniais.

formada pela Inglaterra. uma sociedade capitalista dependente - Caracterização da Regeneração O golpe de estado da Regeneração Em 1851 iniciou-se um novo período da história do Liberalismo político em Portugal: a Regeneração. dá-se a 1ª Guerra Mundial. Colonialismo. que já era questionada pela Inglaterra e pela Alemanha. formada pelo Império Austro-Húngaro. formaram-se dois blocos militares antagónicos. Acabou-se nessa ocasião o «direito histórico» que determinava a posse de um território colonial. Perante este subir de tensão internacional.colónias ultramarinas. Pretendia-se finalmente conciliar os desejos e anseios das populações mais modestas. Em 1914. 4. Depois de um golpe de estado levado a efeito pelo Duque de Saldanha contra o governo pouco consensual de Costa Cabral. que esteve presente em Berlim. A Tríplice Entente (1907). Alemanha e  Itália. França e Rússia. económico e política utilizada por uma potência sobre uma região ou território longe da metrópole e geralmente em busca de matérias-primas. económica e a que se junta a conquista militar de um território por uma potência mais forte. que traduziram a cresente rivalidade:  A Tríplice Aliança (1884). administração e exército próprios. harmonizando os interesses das diversas classes: a burguesia e as classes rurais.Prática de domínio cultural. sentiu-se claramente prejudicado com esta decisão e acelerou a sua presença efetiva em África. Imperialismo. . fruto da enorme tensão que se vivia internacionalmente e que durante anos se acumulou. camponeses e pequena burguesia com as ambições da alta burguesia. A partir da Conferência de Berlim. Portugal. militar. social. uma potência europeia só poderia reivindicar a ocupação de um território se efetivamente o ocupasse com população.1 Portugal. pretendia-se levar o país a um período de paz política e prosperidade económica.Processo de expansão e de imposição política.

ministro das Obras Públicas. tal como pela estabilidade política e tentativa de modernização do país.Quarenta anos de progresso material no decurso dos quais a sociedade se libertará suficientemente da sua estrutura tradicional para ir caindo progressivamente sob a lógica nova das relações de produção capitalistas. colocar-se-ia Portugal na senda do progresso e da modernização.." Para esse efeito realizaram-se várias reformas:  revisão da Carta Constitucional. Coube esta tarefa a Fontes Pereira de Melo. que ficou conhecida como fontismo e originou uma significativa mudança na mentalidade.  promoção de reformas económicas no sentido de promover o desenvolvimento da agricultura e da indústria nascente.Segundo Manuel Villaverde Cabral "Um golpe de Estado para acabar com os golpes de Estado.. Regeneração.2 O desenvolvimento de inraestruturas: transportes e meios de comunicação Realizada a paz. que ajustou uma política de «melhoramentos materiais». com um Acto Adicional aprovado em 1852 que alargava o sufrágio e estabelecia eleições directas para a Câmara de Deputados. 4.período que decorreu entre 1850 e 80 do século XIX português marcado por um significativo desenvolvimento de infraestruturas e pelo crescimento económico.1.  promoção do rotativismo democrático com alternância no poder dos partidos políticos. na sociedade e na economia: Fontismo Transportes e Comunicações     Estradas Caminhos de ferro Portos marítimos Ligações marítimas e fluviais  Pontes  Telefone  Telégrafo Urbanismo  Melhoria da rede de esgotos em Lisboa  Instalação da iluminação a gás Política Geral  Rede de transportes e comunicações  Desenvolvimento de vias terrestres e marítimas  Criação de condições para a circulação de capital e empréstimos por parte do Estado .

1.  abriu os mercados externos à nossa agricultura promovendo a exploração capitalista dos campos. Para uma economia atrasada como a portuguesa foi necessário acompanhar as medidas de liberalização do comércio. Fontes Pereira de Melo pretendia resolver alguns dos problemas que afectavam a economia nacional. No entanto nem todas as medidas tomadas pelo Fontismo. etc  dinamizou o associativismo empresarial: Associação Industrial do Porto. . Associação Central da Agricultura Portuguesa. O Liberalismo económico foi no entanto a via económica mais adoptada. Tomou por isso várias medidas:  publicou uma nova pauta alfandegária em 1852.3 Portugal. Fontes Pereira de Melo procurou actualizar o panorama empresarial e económico do país promovendo ocasiões e eventos que dinamizassem os contactos entre Portugal e as outras economias:  promoveu exposições internacionais. Exposição Industrial do Porto de 1856. foram no sentido do livrecambismo.4. com medidas de protecção de algumas actividades e sectores económicos.  reduzir os impostos que incidiam sobre matérias primas importadas como o ferro e o linho mas sem esquecer a necessidade de proteger alguns sectores industriais. mais liberal e obedecendo a alguns dos princípios livre-cambistas mais vulgarizados na época. uma sociedade capitalista dependente . Associação Promotora da Industria Fabril em Lisboa.A dinamização da actividade produtiva Sob o signo do Livre Cambismo A Regeneração procurou acabar com o protecionismo manufactureiro que vigorava desde o período do Setembrismo entre 1836 e 1842. Exposição Agrícola Nacional 1864. Além das medidas adoptadas.  dinamizou a formação de associações de socorros mútuos de operários.

registo de patentes subiu. metalúrgica.  Cresceu o número de unidades industriais e operários embora este número no total fosse relativamente baixo comparativamente a outros países. moagem. Tomaram-se por isso várias medidas:  Em 1852 foi criado o ensino industrial para a formação de técnicos. cortiça. A difícil industrialização Apesar do grande interesse dado ao sector agrícola os governos da Regeneração procuraram lançar o país na via da industrialização e modernização. papel. cerâmica e vidro mas também tabacos. conservas de peixe e outras industrias alimentares.  abolição dos baldios e pastos comuns.  Diversificaram-se os ramos de atividade: texteis. As medidas tomadas não resolveram as dificuldades existentes. como:  extinção de morgadios em 1863. laranjas e frutos secos. o gado vivo.  arroteamentos de terrenos incultos do Estado. papel. Os principais produtos exportados foram o vinho. tabacos. conservas de peixe.Exploração capitalista dos campos Tomaram-se várias medidas tendentes a modernizar a agricultura e agro-pecuária.  importaram-se máquinas industriais. fósforos. A reduzida extensão agrícola e a falta de capitais não permitiu a inovação tecnológica desejada principalmente no norte do país.  maquinização agrícola. vidro. multiplicaram-se as aplicações industriais da máquina a vapor. cortiça.  novas técnicas de pecuária. cerâmica. casulos de seda. moagem. .  extinção de pousios e aplicação de técnicas modernas de aproveitamento dos solos. Apenas no centro e sul tal foi possível nas lezirias e planícies alentejanas. Têxtil.  importou-se algodão desde 1875 para a indústria têxtil algodoeira. metalurgia.  utilização de adubos químicos.

 Escassos capitais investidos na indústria. a competitividade da indústria foi sempre baixa servindo apenas para abastecimento do mercado interno e das colónias. equipamentos e matérias primas aumentavam o défice externo. capitais e tecnologia. Falta de algodão. obras. ferro e carvão de má qualidade. tomaram-se medidas para aumento de número de sociedades anónimas. transportes. 4. gás. As razões para esse facto são várias:  existência de poucas matérias primas no território nacional.  Grande défice comercial e do estado. telefones.1.4 A necessidade de capitais e os mecanismos de dependência O liberalismo económico abriu as portas ao capital de investidores estrangeiros: caminhos de ferro. Tecnologias. electricidade. Os meios de atenuar o défice eram poucos:  exportações  remessas de emigrantes  empréstimos externos  aumento de impostos . seguros. Depois de algum crescimento económico até 1870 a economia passou por dificuldades várias. A classe investidora era tradicionalmente especuladora procurando sectores mais rentáveis como o imobiliário e a especulação finaceira. Apesar das medidas.  fraco mercado interno não permitia fortalecimento da indústria. telégrafo. banca e comércio foram setores onde os investimentos estrangeiros se fizeram sentir. Os efeitos do investimento estrangeiro fizeram-se sentir:  Grande dependência face ao estrangeiro.

2 Entre a depressão e a expansão (1880-1914) 4.4. declarouse a bancarrota. No final do século XIX assistiu-se a um agravamento repentino da situação económica portuguesa. a solução foi o aumento de impostos. face à insolubilidade dos bancos e retração dos empréstimos estrangeiros. a diminuição dos salários dos funcionários públicos e o fim das admissões na Função Pública. Recurso à emissão de papel-moeda que fez espoletar a inflação. Mais uma vez.2 Desenvolvimento industrial de final do século Devido à crise económica Portugal viu-se na necessidade de mudar a política económica de forma a reanimar a indústria.  Foi publicada uma nova pauta alfandegária em 1892. com falta de capitaise de    solubilidade da banca. O endividamento português era preocupante. as despesas ultrapassavam em muito as receitas. Existiu uma desconfiança da banca estrangeira em fornecer-nos mais    empréstimos. a quebra de salários de a subida de desemprego. reduzir a dependência externa e as importações.  Protecção da indústria e agricultura . Imediatamente se abandonou o padrãoouro e. Houve uma diminuição significativa das remessas dos emigrantes. ou seja.2. proteccionista. O problema residia num défice público e orçamental que crescia de ano para ano e com um saldo orçamental negativo. Existiu uma redução grave nas exportações do setor vinícola (doenças da vinha). Redução de envio de metais preciosos (ouro) ao Banco de Portugal. para além da desvalorização da moeda. a concorrência estrangeira fez diminuir as nossas exportações. 4. deu-se uma grave crise em Portugal. Apoiando a agricultura. a partir de 1870. tal política teve efeitos nefastos quando. Em 1891.2. a redução de gastos. Qual a razão?  Houve uma crise acentuada no setor bancário.1 A crise financeira de 1880-1890 A via do livre-cambismo levou Portugal a uma situação dificil. Houve uma diminuição na compra de títulos da dívida pública (aforro).

. conservas desenvolveram-se. Lisboa. no Barreiro). Barreiro. Entre os fatores que contribuíram para isso:  A vida dos cafés. Braga.  Desenvolvimento dos grandes pólos industriais de Setúbal. metalurgia. propiciando a proliferação das ideias republicanas e anti-monárquicas principalmente entre a burguesia urbana de Lisboa.  Progressos na mecanização do textil e moagem. na sua maioria de origem estrangeira. Guimarães. A vida urbana tinha-se alterado significativamente. havendo suspeitas de manipulação de resultados eleitorais.  Protecção aos grandes grupos económicos nacionais e apoios à concentração industrial e bancária. Fomento económico das colónias que se tornou factor de expansão da economia nacional. podemos afirmar que assistimos a uma renovação económica assente na concentração empresarial e de grandes companhias comerciais e industriais (um exemplo disto é a constituição da CUF. que apostaram no domínio de mercados e na integração e distribuição de capitais.3 As transformações do regime político na viragem do século 4. a educação básica e os jornais tornaram a opinião pública muito informada e interventiva.3. 4. Porto e Coimbra.  Industria dos tabacos. Como conclusão.  Desenvolveu-se a indústria química e eléctrica  Cimentos e construção civil.  O rotativismo partidário entre os partidos do regime Regenerador e Progressista e a falta de soluções contribuíram para a falta de credibilidade do sistema monárquico liberal.1 Os problemas da sociedade portuguesa e a contestação da monarquia A crise político-social e a emergência das ideias republicanas No final do século XIX a sociedade portuguesa era mais instruída e informada que em 1852.

O ambiente de contestação e de quase estado de sitio fez com que o rei visse a sua autoridade posta em causa sendo obrigado a tomar medidas de reforço do seu poder:  Convidou o politico João Franco para primeiro ministro  dissolveu o Parlamento em 1907 e deu a João Franco poderes de ditadura.  A insatisfação e descontentamento populares eram grandes devido à crise económica e financeira que assolava o país. Manuel tornou-se o último rei de Portugal como D. o regicídio. Um ano depois em 31 de Janeiro de 1891 deu-se a primeira revolta republicana em Portugal. Sem conseguir resolver os problemas nacionais governou em contestação quase permanente sendo deposto em 5 de Outubro de 1910 juntamente com sua mãe D. Manuel II. os governos e o rei passaram a ser muito criticados sendo cada vez mais frequente a censura ao regime. no qual faleceu também o príncipe herdeiro Luís Filipe. . Neste contexto surgiu o Partido Republicano em 1876 desenvolvendo uma retórica antigovernamental e aproveitando todos os factos políticos e económicos que resultassem em argumentos que mobilizassem as populações e encontrassem eco nas suas reivindicações. Abandonando aos ingleses as pretensões de ocupação dos territórios do Chire (??) o governo português deu argumentos aos republicanos para desenvolverem uma série de acções populares de protesto contra o rei e os interesses ingleses. a 1 de janeiro de 1868. Amélia. O sentimento antimonárquico tornou-se muito forte levando a Carbonária a organizar um atentado contra o rei em 1908. A questão colonial e o Ultimato britânico. D. Do reforço do poder real à implantação da República As principais convulsões sociais e políticas contra a monarquia foram:  Revolta popular da «janeirinha». contra o aumento de impostos. Em 1890 o episódio do Mapa cor de rosa e do Ultimatum deu argumentos à oposição para reclamar com violência contra o rei.

maçónicos. Ultimatum. O primeiro Governo Provisório foi chefiado por Teófilo Braga.3.a política de João Franco de conceder grandes empréstimos à Casa Real para gastos considerados sumptuários e luxuosos pelos republicanos em altura de grave crise económica. A este território e respetivo projeto de ocupação chamou-se de «Mapa cor de rosa». O aumento da contestação popular à monarquia levou João Franco a instaurar uma ditadura. No entanto. A cedência de Portugal à Inglaterra levou a grandes protestos  nacionais que foram capitalizados pelos republicanos.  levaram a um grande descontentamento popular.Carlos e D. no Porto. «Questão dos adiantamentos à Casa Real» .2 A Primeira República A monarquia foi derrubada a 5 de outubro de 1910 e foi implantado um regime republicano que dura até hoje. carbonários e  até contra setores moderados da monarquia.em 1890 a Inglaterra lança um ultimato a Portugal com o objetivo de se retirarem imediatamente da faixa territorial que ligava Angola a Moçambique e que o país queria tomar posse. restringindo a liberdade de imprensa e fazendo prisões generalizadas contra republicanos. embora a mudança de regime fosse quase uma certeza devido à profundidade da crise monárquica. uma revolta militar e popular. foram tomadas medidas que visavam a formação de uma Assembleia Nacional Constituinte que tinha por missão principal a redação de uma Constituição republicana e democrática. levando à letra o princípio inscrito na Conferência de Berlim. inaugurando um período a que se propôs chamar de «acalmação». mal organizada e mal dirigida. 4. os revoltosos foram considerados verdadeiros heróis e o espírito de mudança  enraizou-se na população. A 1 de fevereiro de 1908. Ação e Legislação republicana Religião Educação . De imediato. embora tenha passado por várias fases e governos. Em 31 de janeiro de 1891 dá-se. figura central do republicanismo e do PRP. Os partidos monárquicos foram dissolvidos e alterou-se a bandeira para verde e vermelho. foi cometido com sucesso um atentado contra D. Manuel II ao poder. Luís e que levou D. com vista à instauração da República. dissolvendo as Cortes.

Defendia a igualdade social. como haveremos de estudar: dava muito mais poder ao poder legislativo do que ao executivo. um regime bicameral. o que indicava já alguma dificuldade dos governos em exercer com alguma . Esta constituição tinha uma particularidade que mais tarde veio a gerar instabilidade. O poder judicial pertencia aos juízes. O poder legislativo cabia ao Congresso. Defendia a liberdade individual. Era.       Combate ao clericalismo e à Igreja Promoção da laicização do Estado Lei da separação do Estado e da Igreja Lei do Divórcio Obrigatoriedade do Registo Civil   Criação de um ensino laico Lançadas as bases de um verdadeiro ensino pré-escolar Ensino primário obrigatório e gratuito às crianças entre os 7 e 10 anos Criação de novas universidades Sociedade  Descanso semanal obrigatório ao domingo  Regulamentação do horário de trabalho  Legalizado o direito à greve  Liberdade de imprensa  Construção de bairros operários Assistência Pública     Criação da Direção Geral de Saúde Criação de Hospitais Civis Apoio aos tuberculosos Criação de dispensários maternoinfantis A Constituição de 1911 A nova Constituição. tinha as seguintes características:  Assentava na divisão tripartida de poderes o que lhe garantia o seu carácter  democrático. portanto. aprovada a 21 de agosto de 1911 pela Assembleia Nacional Constituinte e que elegeu igualmente Manuel de Arriaga como o primeiro Presidente da República portuguesa. Garantia a separação entre a Igreja e o Estado. dividido em duas câmaras: o Senado e a Câmara de Deputados. O poder executivo era da responsabilidade do Presidente da República e do governo     (4 anos). O Congresso elegia o  Presidente da República.

o Partido Evolucionista. . isto é. começou a verificar-se uma divisão entre republicanos tendo-se os «radicais» de Afonso Costa. o Parlamento. O Presidente da República não podia sequer dissolver o Congresso. de António José de Almeida. Assim. os ministros tinham constantemente de prestar contas perante as câmaras quer aos deputados. quer ao Senado. e o Partido Unionista de Brito Camacho. e não dispunha de direito de veto sobre as leis que chegavam às suas mãos. Além disso. Após 1911. o Partido Republicano cindiu-se em três: o Partido Democrático.estabilidade a sua ação. separado dos «moderados» de António José de Almeida e Brito Camacho. de Afonso Costa.