´

TRATAMENTO DO PERCOLADO DE ATERRO SANITARIO
E
˜ DA TOXICIDADE DO EFLUENTE BRUTO E
AVALIAC¸AO
TRATADO
Alessandra Cristina Silva

˜
TESE SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAC¸AO
DOS
´
˜ DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE
PROGRAMAS DE POS-GRADUAC
¸ AO
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS
´
˜ DO GRAU DE MESTRE EM ENGENHARIA
NECESSARIOS
PARA A OBTENC
¸ AO
CIVIL
Aprovada por:

Prof. Geraldo Lippel Sant’Anna Jr., Dr.Ing

Prof. Fl´avio C´esar Borba Mascarenhas, D.Sc

Prof. Jo˜ao Alberto Ferreira, D.Sc

Prof. Juacyara Carbonelli Campos, D.Sc.

RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL
JUNHO DE 2002

SILVA, ALESSANDRA CRISTINA
Tratamento do Percolado de Aterro
Sanit´ario e Avaliac¸a˜ o da Toxicidade
Rio de Janeiro 2002
IX, 79 p., 29,7 cm, (COPPE/UFRJ,
M.Sc., Engenharia Civil, 2002)
Tese - Universidade Federal do Rio
de Janeiro, COPPE
1.
Tratamento de Efluente;
2. Toxicidade
I. COPPE/UFRJ II. T´ıtulo (s´erie) 

ii

Dedicat´oria:

Dedico esta Tese a` Deus, a` Minha Fam´ılia e ao Valentim, meu Companheiro.

iii

redirecionando toda a minha vida e pelo companheirismo de juntas fazermos o mestrado na COPPE/UFRJ. Barbara e Fabiane(LABPOL/COPPE). Mariela e Roberta pelo conhecimento adquirido que compartilhamos juntos. Filipe Montalv˜ao pela oportunidade de utilizac¸a˜ o dos laboA rat´orios do Centro Tecnol´ogico da White Martins de Gases Industriais S/A. Suzele pelo incentivo para fazer As o mestrado. Patrick. Aos amigos do Laborat´orio da White Martins. iv . Jo˜ao Luiz. Paulo. incentivo e muito carinho na orientac¸a˜ o deste trabalho. Cleide. amizade e pelos conselhos imprescind´ıveis. As Ana Paula Lou e em especial a Michely Libos pelo apoio na decis˜ao de vir para o Rio de Janeiro. Lenise. Daniele. Gersina. M´arcia Dezotti pelos conse` Gleidice pelo lhos. A ` White Martins e ao Dr. pela realizac¸a˜ o de algumas an´alises. Carlos. demonstrando sempre boa vontade em auxiliar o trabalho de tese e pela ajuda na realizac¸a˜ o dos testes de toxicidade. Eduardo. Antˆonio e Erica. Fernando. Prof. K´atia. dedicac¸a˜ o e agrad´avel companhia durante o tempo convivido. ` minhas amigas. amizade e utilizac¸o˜ es do laborat´orio. Peter Zeihofer (DESA/UFMT) coordenadores do mesA trado Interinstitucional/COPPE/UFRJ pela participac¸a˜ o como aluna especial. Alessandra Magda. Hon´orio. ´ Aos amigos do Laborat´orio de Controle de Poluic¸a˜ o de Aguas (PEQ/COPPE/UFRJ). Este A trabalho seria muito mais dif´ıcil de ser realizado sem a valiosa ajuda dos muitos amigos que fiz durante sua execuc¸a˜ o. ` FEEMA e a` Petroflex S/A. Toda equipe do setor de projetos do Laborat´orio de Hidrologia(PEC/COPPE/UFRJ) pelo apoio. Alessandra Lima. pela colaborac¸a˜ o. Paulo Modesto (DESA/UFMT) que durante a graduac¸a˜ o sempre incentivou a fazer o mestrado. Di´ogenes e Ana Cec´ılia. pelo companheirismo e ajuda nos momentos dif´ıceis. MaxMiliano. A carinho. Ao Prof. incentivando a fazer o mestrado na COPPE/UFRJ.Agradecimentos: ` Deus por est´a maravilhosa oportunidade ´ımpar na minha vida de aprendizado. atenc¸a˜ o. Fl´avia. Aos amigos do Programa de Recursos H´ıdricos (PEC/COPPE/UFRJ) S´ergio. ` amigas Liliana. Carla. Eliana Beatriz e Dr. Ja´ queline. sempre presentes nos bons e maus momentos Ana Paula Marques. Geraldo Lippel e Prof. pelo aux´ılio nos ensaios experimentais de ozonizac¸a˜ o. ` Prof. A todos eles meus sinceros agradecimentos e especialmente aos seguintes: Aos meus orientadores. Cristina. e tamb´em aos amigos Alexandre.

principalmente ao Laerte. pelo apoio e compreens˜ao. v .Aos amigos do Laborat´orio de Inform´atica (PEC/COPPE/UFRJ) Thelmo. A todos os professores e funcion´arios administrativo do PEC. pela autorizac¸a˜ o para realizac¸a˜ o das coletas. Juacyara por terem aceito fazer parte da banca de tese. C´elio pelo apoio t´ecnico. E finalmente ao meu companheiro Valentim pelo carinho e apoio di´ario durante a realizac¸a˜ o deste trabalho. em especial. Jonny. Ao Prof. ` direc¸a˜ o do Aterro de Gramacho. Vilma. Jo˜ao Alberto e a Dr. A Aos funcion´arios do setor de transporte da (COPPE/UFRJ). Ao amigo Eduardo da secretaria do PEQ. A Aos meus pais. pelo apoio durante o desenvolvimento deste trabalho. Fl´avio Mascarenhas. ` Capes pelo convˆenio MINTER que possibilitou a bolsa de aux´ılio ao mestrado. a` s minhas irm˜as. ao meu sobrinho. que se mostrou sempre disposto em ajudar. Bete e Jairo pelo aux´ılio de sempre. Rita. ao Dr.

a Ba´ıa de Guanabara.Sc.) ´ ˜ DA TRATAMENTO DO PERCOLADO DE ATERRO SANITARIO E AVALIAC ¸ AO TOXICIDADE DO EFLUENTE BRUTO E TRATADO Alessandra Cristina Silva Junho/2002 Orientador: Geraldo Lippel Sant’Anna Jr. cuja qualidade ambiental est´a bastante comprometida. O desempenho desses processos foi feito monitorando-se as remoc¸o˜ es de mat´eria orgˆanica (DQO e COT). Ademais. determinar as faixas de massa molar dos poluentes presentes no efluente e verificar a toxicidade associada a essas frac¸o˜ es. ozonizac¸a˜ o e arraste por ar (remoc¸a˜ o de amˆonia) foram investigados. atrav´es da t´ecnica de fracionamento por membranas. vi . Os processos de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o. Buscou-se.Resumo da Tese apresentada a` COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necess´arios para a obtenc¸a˜ o do grau de Mestre em Ciˆencias (M. empregou-se a ecotoxicidade aguda como indicador do desempenho das t´ecnicas de tratamento. do teor de nitrogˆenio e dos teores de metais. M´arcia Dezotti Programa: Engenharia Civil Neste trabalho foi realizada a caracterizac¸a˜ o f´ısico-qu´ımica do l´ıq¨uido percolado (chorume) do Aterro Metropolitano de Gramacho (RJ) e foram estudadas diferentes t´ecnicas para tratamento desse efluente. de modo a deix´a-lo em condic¸o˜ es adequadas para o lanc¸amento no corpo receptor. Os testes de avaliac¸a˜ o da ecotoxicidade mostraram-se um valioso indicador para inferir o impacto do lanc¸amento do efluente bruto e tratado no corpo receptor.

Coagulation and flocculation.Sc. The technique of membrane fractionation was employed to infer the molecular mass range of the pollutants found in the effluent and verify the toxicity associated to these mass molecular fractions.) TREATMENT OF THE SANITARY LANDFILL LEACHATE AND EVALUATION OF THE RAW AND TREATED EFLUENT’S TOXICITY Alessandra Cristina Silva June/2002 Advisor: Geraldo Lippel Sant’Anna Jr. ammonium nitrogen and metals.Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science (M. The ecotoxicity assays showed to be a valious indicator to forecast the environmental impact of leachate discharge in the Guanabara Bay. The determination of acute toxicity was also performed and used as an indicator of treatment efficacy. M´arcia Dezotti Department: Civil Engineering This work deals with the physical and chemical characterization of the leachate from Gramacho Metropolitan Landfill (RJ) and with the treatment of this effluent by different techniques. a heavily polluted water system. which can produce an effluent suitable for discharge in the water receiving body. The treatment performance was assessed by monitoring the removal of organic matter (COD and TOC). ozonization and air stripping (for ammonia removal) were the treatment techniques investigated. vii .

7. . . .5 Remoc¸a˜ o de Metais . . . . .6 Recirculac¸a˜ o . . 2. . . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . . .4 Processos de Separac¸a˜ o com Membranas . . . .1 Percolados de Aterros Sanit´arios . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . 2. . . . . . . 2. . . . . . . 2. . . . . . .4. . .2 Tratamentos Oxidativos . .5 Evaporac¸a˜ o . . . . . . . . . .2. . . .4.7 Neutralizac¸a˜ o . . . . . . . . .4. . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . .4. .1 Tratamento Prim´ario . . . . . . . . . .3 Organismos Padronizados . . . . . . . 2. 2. . .4. . . . . . . .4. 2. . .2. . 3 3 4 4 5 6 7 9 9 11 14 17 21 22 22 22 23 23 25 25 28 28 29 30 .10 Remoc¸a˜ o de Vol´ateis e Amˆonia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. . . . . . . . . .2 Toxicidade crˆonica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Recalcitrˆancia . . 2. . . . . . . . . . . . . . .4 T´ecnicas empregadas para tratar o percolado . . . . . 2. . . . . . . . . .6 Considerac¸o˜ es sobre as t´ecnicas de tratamento de chorume 2. . . . .3 Tratamento Biol´ogico . . . . . . .1 Caracter´ısticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . .4. . . . . 2. . . . . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. . . . . . . .1 Desafios do Tratamento . . . . . . 2. . .4. . . .3 Aterro Metropolitano de Gramacho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 Toxicidade: Conceitos e M´etodos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 Wetlands .2 Variabilidade . . . . . . . . . . . .1 Toxicidade aguda . . . . . . . . . . viii .1. . . . . . . .8 Eletroqu´ımico . .7. . . . . . . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. . . .Sum´ario ˜ E OBJETIVO 1 INTRODUC ¸ AO 1 ˜ BIBLIOGRAFICA ´ 2 REVISAO 2. . . 2. . . . . . . 2. . . . . . . . . . .

1 Organismos testados . . . . . . . . . . . .6 Amˆonia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.5 Arraste da amˆonia das amostras fracionadas em membranas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . 3 Materiais e M´etodos 3. . . . . . . 37 37 38 39 40 40 43 43 44 46 47 47 47 50 51 51 51 51 51 52 52 52 ˜ 4 RESULTADOS e DISCUSSAO 4. . . . . . . . . . . . . .8. . . . . . .3 pH . . .2 Tratamento prim´ario . . .4 Fracionamento com membranas . . 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8. . .7 Metais . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . 3. . 4. .1 Planta Piloto de Ozonizac¸a˜ o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . .4 Efluente Fracionado . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . 4. . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . .2 COT . . . . . . . . . . . . . . . 4. . . . . 35 . . .6.4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . .5 Permeados submetidos ao arraste com ar para remoc¸a˜ o de amˆonia 53 53 62 67 71 74 76 77 80 84 86 88 ix . .6. . .8. 3. . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . .8 Metodologia Anal´ıtica . . . . . . .8. . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . .3 Efluente Ozonizado . . . . 3.4 Cor . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . .3 Tratamento Prim´ario . . . .7 Bioensaios para determinac¸a˜ o da toxicidade . .5 Cloreto . . . .8. . . . . . . . .7. . 4. . . . . . . . . .1 Procedimento Experimental . .7. .4 Leis Federais e Estaduais Para Avaliac¸a˜ o da Toxicidade . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . 4. . . . . . . . . . .2 Procedimento dos Testes . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Efluente Pr´e-tratado . . . . . . . 3. . . .8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Procedimento experimental . . . . . .4 Ozonizac¸a˜ o do Efluente Pr´e-tratado . . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 DQO . . . . . .6 Toxicidade . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . 4. . . . .6. . .2 Caracterizac¸a˜ o do Chorume . . . .8. . . . . . . . . . 3. . . . . . . . .1 Procedimentos de Coleta e Preservac¸a˜ o das Amostras de Chorume 3. . 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Efluente Bruto . . . . . . . .3 Tratamento Estat´ıstico dos Dados .6 Arraste da Amˆonia com Ar das Frac¸o˜ es Percoladas . .7. .3 Ozonizac¸a˜ o . . . . .1 Caracterizac¸a˜ o do efluente . . . . . .5 Fracionamento com Membranas . .

. . . .7 Efluente pr´e-tratado submetido ao arraste com ar para remoc¸a˜ o de amˆonia . . . . . . . Coment´arios finais sobre os tratamentos realizados . . . . . . . . . . . . . ˜ ˜ 5 CONCLUSOES E SUGESTOES 91 92 99 x . . . . . . . . . .6 4. .6. . . . . . .4. . . .

.12 3. .4 3. . . . . . . . . . . . . .3 4. . . . . . . Diagrama esquem´atico da unidade piloto de oˆ zonio da White Martins Coluna de Contato . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 3. . . . . . . . .7 3. . . . . . . . . . . . .6 xi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 4. . . . . . . . . . . . . Esquema da unidade empregada nos ensaios de micro e ultrafiltrac¸a˜ o. . . . . . . . . . . . . Planta Piloto instalada na White Martins . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 Local de Amostragem do Chorume . . . . . . Vibrio fisheri . . . . . . .10 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Daphnia similis .3 3. . . 38 40 41 41 42 43 45 45 46 48 49 49 50 4. . . . . . . . . . . Esquema do Sistema Utilizado para o Arraste da Amˆonia . . . . . . . . .1 Fotografia ilustrativa da remoc¸a˜ o de cor do chorume promovida pelo processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Teste de Coagulac¸a˜ o/Floculac¸a˜ o . . . Remoc¸a˜ o de cor no processo de ozonizac¸a˜ o do efluente pr´e-tratado para diferentes dosagens de ozˆonio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 4. . . . . . . . .2 3. Artemia salina . Variac¸a˜ o do COT do chorume pr´e-tratado e ozonizado em diferentes condic¸o˜ es . . . .11 3. . . . . . . . . . . 31 3. .1 3. . . . . . . . . . . . . .2 4.8 3. . . . . . . . . . . . .6 3. . . . . . . . . . . Remoc¸a˜ o de DQO obtida nos testes para diferentes dosagens de ozˆonio . . . . . . . . . . . . . 4. . Remoc¸a˜ o dos parˆametros analisados no processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o do chorume . .1 Daphnia Similis: diversas fases da vida do organismo . . . 64 64 67 68 69 70 . . . . . . . . . .Lista de Figuras 2. . . . . Brachydanio rerio . . . . . . . . . . . .5 3. Coluna de Contato . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Comportamento da DQO do chorume pr´e-tratado e ozonizado em diferentes condic¸o˜ es . . . . . . . . Representac¸a˜ o Esquem´atica da C´elula de Permeac¸a˜ o . . . . .

Esquema e resultados do fracionamento do efluente em membranas com diferentes cortes (segunda amostragem) . . .11 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 4. . Variac¸a˜ o do teor de amˆonia no decorrer do ensaio de arraste com ar para o chorume pr´e-tratado e posteriormente fracionado em membranas com diferentes cortes . . . . . . . . . . . . . . . . .20 4. . . .7 4. . . . . . . Resultados da toxicidade nos diferentes tratamentos investigados na amostragem . . .10 4. . . . . Resultados do Efeito observado no teste de toxicidade para Artemia Salina para os efluentes submetidos ao arraste de amˆonia nas duas amostragens 70 71 72 75 76 80 81 82 83 86 95  xii 96 97 97 98 . . . . . . . . .16 4. . . . . . Resposta do parˆametro efeito t´oxico para amostras ozonizadas em diferentes condic¸o˜ es ( amostragem) . . . . . . . . . .17 4. . . . . . . . . . . . . Comportamento da toxicidade do chorume pr´e-tratado para os diferentes organismos . . . . . . . . . .12 4. .9 4. . . . Esquema e resultados do fracionamento do efluente em membranas com diferentes cortes (primeira amostragem) . . . . . . . . . . . . . . .19 4. . . . . . . destacando-se aqueles utilizados neste trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Variac¸a˜ o da toxicidade para primeira amostragem . . . Resultados da Toxicidade nos diferentes tratamentos investigados na amostragem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Resultados da toxicidade para os efluentes submetidos ao arraste de amˆonia com ar em ambas as amostragens . . . . . . . . . . . . .21 Variac¸a˜ o da cor do efluente com o pr´e-tratamento e posterior ozonizac¸a˜ o com diferentes dosagens de ozˆonio . . . . . . . . Variac¸a˜ o da toxicidade para segunda amostragem . . . . . . . . . . . . . . . . .13 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . Pirˆamide representativa dos organismos em determinados n´ıveis tr´oficos. . . . . . . .14 4. . . . .18 4. . Valores da DQO do chorume submetido a diferentes tratamentos . . Resultados de toxicidade do chorume bruto para os diferentes organismos testados. . . . . . . . . . . . . . . . . . .15 4. . . .

. . . . . . . . . . . .2 Caracterizac¸a˜ o do Chorume: valores m´edios dos parˆametros f´ısicoqu´ımicos de duas amostras distintas. . . . . .5 Resultados das an´alises de metais presentes na amostra de chorume do Aterro de Gramacho e limites de lanc¸amento de alguns poluentes . . . . . . . . .6 Resultados do processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o aplicado a` primeira amostra do chorume: remoc¸a˜ o de mat´eria orgˆanica. . . .3 ´Ions presentes no chorume e suas principais fontes . .1 2. . . . . . . . .2 Caracterizac¸a˜ o do chorume do Aterro de Gramacho feita em diferentes per´ıodos por pesquisadores e t´ecnicas distintas . . .7 Resultados do processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o aplicado a` segunda amostra do chorume: remoc¸a˜ o de mat´eria orgˆanica. . . .1 Descric¸a˜ o do Coagulante e do Polieletr´olito utilizados nos testes de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o . . . . . . Sum´ario das t´ecnicas de tratamento empregadas para tratar chorume . . .10 Valores dos parˆametros f´ısico-qu´ımicos analisados nos permeados ap´os o arraste da amˆonia . . . . 4. . Potencial de remoc¸a˜ o dos processos por membranas . . . . . . . 4. . . . . . cor e cloreto . . . . . . . 7 18 26 4. . . . 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 3. . . . . . . . cor e cloreto .3 Dados recentes sobre parˆametros caracter´ısticos dos chorumes gerados em aterros de diferentes regi˜oes brasileiras . . . . . . .4 Resultados das an´alises de metais presentes nas amostras de chorume do Aterro de Gramacho e limites de lanc¸amento de alguns poluentes . . . . . 4. . . . . . . . . . . 4. . . 3. . . .9 Remoc¸a˜ o percentual de parˆametros f´ısico-qu´ımicos de interesse observados no processo de fracionamento por membranas . . . . . . . . . . . . . . . 4. . .1 xiii 54 57 58 59 61 62 63 66 73 74 .Lista de Tabelas 2. . 39 Relac¸a˜ o de membranas usadas para microfiltrac¸a˜ o(MF) e ultrafiltrac¸a˜ o(UF). . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2.8 Resultados das an´alises de metais presentes nas amostras de chorume pr´etratado e limites de lanc¸amento de alguns poluentes. . . . . . . 4. . 4. 4. . . . . .

. . . . . .22 Resultados da toxicidade para o efluente pr´e-tratado e submetido ao arraste com ar. .4. . .24 Resultados de toxicidade para Daphnia similis com amostras do efluente pr´e-tratado e submetido ao arraste com ar. 4. 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 Resultados de toxicidade por Daphnia similis empregando-se correc¸a˜ o de salinidade para o chorume bruto . . . . . . . . . . .26 Sum´ario dos principais parˆametros monitorados nos diversos tratamentos( amostragem) . . . . . . . . . . . . . . .25 Sum´ario dos principais parˆametros monitorados nos diversos tratamentos( amostragem) . . . . . . . . . . . . .  xiv 77 78 81 82 84 85 87 88 89 89 90 91 91 92 93 94 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. . . . . 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Amostras com salinidade corrigida.11 Resultados dos testes de toxicidade aplicados a` s amostras de chorume bruto 4. . . . . . . . . . . . . . . . . 4. . .13 Resultados dos testes de toxicidade aplicados a` s amostras de chorume pr´e-tratado . . . . 4. . . . . . 4. . . . .18 Toxicidade para Daphnia similis das diferentes frac¸o˜ es permeadas ap´os o ajuste da salinidade ( amostragem) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .21 Resultados de toxicidade para Artemia salina expressos em termos de diversos parˆametros . . . . . . . . . 4. . . .17 Toxicidade avaliada nos permeados obtidos nos processos de permeac¸a˜ o com membranas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .16 Avaliac¸a˜ o global da toxicidade do chorume pr´e-tratado e ozonizado (diferentes dosagens) para Daphinia similis. . . .20 Toxicidade dos permeados para Daphnia similis ap´os o ajuste de salinidade 4. . . . . . 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . .23 Resultados da toxicidade para Artemia salina determinados para o chorume pr´e-tratado e submetido ao arraste com ar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14 Resultado de toxicidade para Daphnia similis com correc¸a˜ o da salinidade do chorume pr´e-tratado . . 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. . . . . . . Amostras com salinidade corrigida ( Amostragem).15 Resultados de toxicidade obtidos com o chorume pr´e-tratado e ozonizado em diferentes condic¸o˜ es . . . .19 Resultados de toxicidade para amostras permeadas e submetidas ao arraste com ar (primeira e segunda amostragens) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. .

Lista de Abreviaturas CE50 CENO CEO CL50 CO COT DBO DE50 DL50 DQO FEEMA HO HO IBGE LABPOL MAP MF Concentrac¸a˜ o Efetiva em 50% dos organismos testados Maior Concentrac¸a˜ o do efeito n˜ao observado Menor Concentrac¸a˜ o do efeito observado Concentrac¸a˜ o Letal em 50% dos organismos testados Di´oxido de Carbono Carbono de Orgˆanico Total Demanda Bioqu´ımica de Oxigˆenio Dose Efetiva em 50% dos organismos testados Dose Letal em 50% dos organismos testados Demanda Qu´ımica de Oxigˆenio Fundac¸a˜ o Estadual de Engenharia do Meio Ambiente ´ Agua Per´oxido de Hidrogˆenio Instituto Brasileiro Geografia e Estat´ıstica ´ Laborat´orio de Poluic¸a˜ o das Aguas (fosfato/ amˆonia/ magn´esio) Microfiltrac¸a˜ o Amˆonia livre Amˆonia ionizada NT Normas T´ecnicas O Ozˆonio O Oxigˆenio OD Oxigˆenio Dissolvido OH Radical Hidroxila pH Potencial de Hidrogˆenio PM Peso Molecular POAs Processos Oxidativos Avanc¸ados PtCo Platina Cobalto R Radical UF Ultrafiltrac¸a˜ o UT Unidade de Toxicidade UV Radiac¸a˜ o Ultra Violeta COMLURB Companhia de Limpeza Urbana do Munic´ıpio     xv .

gerado nos aterros sanit´arios e locais de disposic¸a˜ o denominados lix˜oes. Logo. A falta de uma pol´ıtica para o gerenciamento dos res´ıduos s´olidos contribui para a poluic¸a˜ o do ar. necessitando de processos de tratamento mais complexos. menos biodegradav´el e´ esse efluente.Cap´ıtulo 1 ˜ E OBJETIVO INTRODUC ¸ AO O crescimento urbano. apresenta grande variabilidade no tocante a` sua composic¸a˜ o qu´ımica. da a´ gua e do solo. depende de v´arios fatores como a idade do aterro. quanto pelas caracter´ısticas dos res´ıduos gerados. que. tanto pela quantidade. At´e bem pouco tempo a a´ gua era vista como um recurso ilimitado. a industrializac¸a˜ o e a decorrente elevac¸a˜ o dos patamares de consumo. principalmente nas regi˜oes metropolitanas. as condic¸o˜ es geol´ogicas locais e eventos clim´aticos diversos. O chorume. A decomposic¸a˜ o desses res´ıduos gera um l´ıquido denominado chorume. a gerac¸a˜ o do chorume n˜ao se exting¨ue e. A presenc¸a de diversos poluentes no chorume imp˜oe a necessidade de tratamento adequado antes de seu lanc¸amento no corpo receptor. cuja composic¸a˜ o e´ variada e complexa. em geral. quanto mais velho o aterro. impondo grandes demandas. espera-se que os esforc¸os para controlar a poluic¸a˜ o das a´ guas sejam expandi- . vˆem provocando o aumento da gerac¸a˜ o de res´ıduos s´olidos. por sua vez. agora. diante do conhecimento da sua escassez e do estabelecimento da pol´ıtica de Recursos H´ıdricos h´a uma expectativa de que haja um maior e mais rigoroso controle da poluic¸a˜ o h´ıdrica. Vale ressaltar que mesmo quando os res´ıduos s´olidos s˜ao depositados no solo adequadamente e o aterro encerra suas atividades no tempo certo.

Esta dissertac¸a˜ o est´a dividida em cap´ıtulos. No cap´ıtulo 3 est˜ao descritos os procedimentos experimentais e as metodologias anal´ıticas e as t´ecnicas utilizadas nos tratamentos estudados e tamb´em os m´etodos toxicol´ogicos empregados. a bact´eria V´ıbrio fisheri e o peixe Brachydanio rerio. ozonizac¸a˜ o do chorume para remoc¸a˜ o de cor e mat´eria orgˆanica. assegurando o equil´ıbrio qu´ımico do ambiente. 2 . condic¸a˜ o indispens´avel e urgente para preservar a vida na terra. No u´ ltimo cap´ıtulo s˜ao apresentados as conclus˜oes do trabalho e s˜ao feitas sugest˜oes para trabalhos futuros. Finalmente. e s˜ao descritas as t´ecnicas investigadas neste estudo: pr´e-tratamento de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o para remoc¸a˜ o de parte do material orgˆanico e metais. s˜ao apresentados os testes de ecotoxicidade. A introduc¸a˜ o de bioensaios de toxidade na rotina do controle de efluentes de chorume e´ muito importante para a preservac¸a˜ o da qualidade de corpos receptores. No cap´ıtulo 2 s˜ao apresentados algumas das caracter´ısticas do percolado gerado no Aterro Metropolitano de Gramacho (RJ). de modo muito intenso. considerados ferramenta essencial para a avaliac¸a˜ o da eficiˆencia dos tratamentos testados. como tamb´em atrav´es da determinac¸a˜ o da toxicidade aguda atrav´es de bioensaios empregando alguns organismos padronizados como os microcrust´aceos Daphnia similis e Artemia salina. Nesse cap´ıtulo tamb´em s˜ao comentadas outras t´ecnicas que est˜ao sendo investigadas por diversos autores. Constitui-se como objetivo deste trabalho investigar t´ecnicas de tratamento do chorume e avaliar o seu desempenho n˜ao somente atrav´es de parˆametros f´ısico-qu´ımicos. para o tratamento de chorumes gerados em v´arios aterros e que apresentam caracter´ısticas de recalcitrˆancia. Os resultados obtidos neste estudo est˜ao descritos e discutidos no cap´ıtulo 4. cujos cont´udos s˜ao sumarizados em seguida. fracionamento por membranas para tentar identificar relac˜oes entre recalcitrˆancia e toxicidade com a massa molecular dos poluentes e arraste da amˆonia com ar. sobretudo quando o gerenciamento desses res´ıduos e´ prec´ario. para que haja protec¸a˜ o da qualidade das a´ guas.dos. Os res´ıduos s´olidos urbanos comprometem a qualidade dos cursos h´ıdricos.

conseq¨uentemente. Segundo NETO et al. aumentando assim o volume do percolado e. nas suas formas dissolvida e coloidal. . que apresentam em sua composic¸a˜ o altos teores de compostos orgˆanicos e inorgˆanicos. v´arios pesquisadores vem estimando a produc¸a˜ o do percolado com aplicac¸a˜ o de modelos matem´aticos. dependendo muito dos tipos de res´ıduos que s˜ao depositados no terreno. Determinar o volume de percolado gerado no aterro n˜ao e´ uma tarefa f´acil.1 Percolados de Aterros Sanit a´ rios Os percolados de aterros s˜ao l´ıq¨uidos escuros e turvos. Para a formac¸a˜ o do chorume contribui tamb´em a a´ gua de chuva que entra pela face superior do aterro. atrav´es da chuva. para tanto. Para que se tenha um controle da situac¸a˜ o. dentre outros fatores. monitorando-se. provocando a lavagem do material aterrado. torna-se necess´ario o gerenciamento ambiental do percolado. de odor desagrad´avel. [1] esta ferramenta ainda apresenta imprecis˜oes. diminuindo a concentrac¸a˜ o de muitos ´ıons presentes. liberados no processo de decomposic¸a˜ o do lixo. a qualidade e a quantidade de chorume produzida. decorrentes da diferenc¸a dos cen´arios para a aplicac¸a˜ o do modelo e do grande n´umero de vari´aveis envolvidas. A composic¸a˜ o do chorume est´a condicionada a uma s´erie de fatores e sua composic¸a˜ o qu´ımica e´ vari´avel.Cap´ıtulo 2 ˜ BIBLIOGRAFICA ´ REVISAO 2.

A substˆancias qu´ımicas na natureza associa-se o termo recalcitrˆancia. outras caracter´ısticas). assim como de suas tendˆencias futuras. grau de compactac¸a˜ o. As substˆancias podem oferecer dificuldade a` biodegradac¸a˜ o em decorrˆencia de diversos fatores. possibilita calcular a capacidade e selecionar o tipo dos equipamentos de coleta. topografia (´area e perfil do terreno). 4 . bem como seu desenvolvimento econˆomico-s´ocio-cultural [2]. umidade. alguns autores afirmam que a recalcitrˆancia estaria associada a` presenc¸a de compostos de elevada massa molecular com estruturas muito complexas como e´ o caso das substˆancias h´umicas [5]. n´ıvel do lenc¸ol fre´atico e localizac¸a˜ o de jazidas de material para cobertura. condic¸o˜ es meteorol´ogicas do lugar. sua incapacidade de degradar ou transformar essas substˆancias e´ o ind´ıcio de sua recalcitrˆancia ou persistˆencia no meio ambiente. 2. Para evitar a contaminac¸a˜ o do solo e da a´ gua s˜ao necess´arios estudos de reconhecimento do perfil do solo e do subsolo.1 Caracter´ısticas Para bem determinar as caracter´ısticas e o volume do percolado. condic¸o˜ es de operac¸a˜ o do aterro. permeabilidade.1. n´ıvel de mat´eria orgˆanica. onde o aterro ser´a constru´ıdo.2. tratamento e destinac¸a˜ o final mais adequados. tipos de equipamentos. tipo de recirculac¸a˜ o do lixiviado. e´ necess´ario avaliar as particularidades de cada aterro. devese avaliar parˆametros como: constituic¸a˜ o do solo. O conhecimento de todas as caracter´ısticas dos res´ıduos s´olidos.2 Recalcitraˆ ncia A presenc¸a de substˆancias recalcitrantes em chorumes gerados em aterros velhos foi ` dificuldade ou impossibilidade de degradac¸a˜ o de certas apontada na literatura [3. 4]. a saber: i) estrutura qu´ımica complexa desprovida de grupos funcionais reativos. n´umero de habitantes. capacidade de carga. ii) a mol´ecula pode exercer uma ac¸a˜ o t´oxica sobre a microflora ou ainda inativar enzimaschaves do metabolismo celular. qualidade e quantidade de recicl´aveis e ainda h´abitos da populac¸a˜ o. Al´em disso. Como os microorganismos s˜ao os principais agentes dos processos de degradac¸a˜ o e reciclagem de nutrientes. natureza dos res´ıduos s´olidos (tipo. No caso dos chorumes. iii) a mol´ecula pode se complexar ou interagir com elementos ou compostos qu´ımicos tornando-se pouco acess´ıvel a` s enzimas extracelulares e a posterior metabolizac¸a˜ o.

sendo que a maioria (89%) e´ disposta a c´eu aberto ou em 5 . ultracentrifugac¸a˜ o. viscometria e microscopia eletrˆonica. compostas de carbono. 9]. ultrafiltrac¸a˜ o. hidrogˆenio e algumas vezes pequenas quantidades de nitrogˆenio. Segundo JONES et al. Essas substˆancias possuem estruturas complexas e heterogˆeneas. 7.sol´uveis em qualquer pH. a produc¸a˜ o nacional de res´ıduos dom´esticos por habitante estaria em torno de 600 g/dia [13]. visto que o consumo de oxigˆenio por microorganismo na estabilizac¸a˜ o do substrato orgˆanico no per´ıodo de cinco dias de incubac¸a˜ o da amostra. Os m´etodos oxidativos . devido a` pequena concentrac¸a˜ o ou mesmo a` ausˆencia de uma biomassa aer´obia adaptada a` s condic¸o˜ es adversas: toxicidade e substrato pouco assimil´avel pela cultura microbiana.1 Desafios do Tratamento No Brasil s˜ao produzidos diariamente cerca de 241 mil toneladas de lixo. S˜ao divididas em trˆes classes de materiais: a´ cidos f´ulvicos . porque a carga orgˆanica e´ medida indiretamente no teste.2.  2.CuO e a pir´olise s˜ao largamente usados para caracterizar componentes individuais do material h´umico [10. Em termos m´edios. t´ecnicas de cromatografia. humus .materiais sol´uveis em a´ gua em todas as condic¸o˜ es de pH. CINTRA et al. f´ısicos e biol´ogicos [6. 11].As substˆancias h´umicas constituem uma importante frac¸a˜ o do material orgˆanico dissolvido nas a´ guas naturais. 99% dos res´ıduos s´olidos s˜ao depositados diretamente no solo. V´arios m´etodos de determinac¸a˜ o de massa molecular de pol´ımeros tˆem sido aplicados para substˆancias. a´ cidos h´umicos . 8.s˜ao sol´uveis em pH 2. Ocorrem nos solos e a´ guas naturais como conseq¨ueˆ ncia da decomposic¸a˜ o de res´ıduos de plantas e animais atrav´es de processos qu´ımicos. incluindo a medida de propriedades coligativas. S˜ao definidas como macromol´eculas polifuncionais que alteram com freq¨ueˆ ncia as suas conformac¸o˜ es em func¸a˜ o das interac¸o˜ es que ocorrem entre os grupos funcionais presentes na sua estrutura.[12] evidenciou em seus experimentos que se deve ter mais cuidado na realizac¸a˜ o da an´alise de de lixiviados provenientes de aterros sanit´arios. [6] essas macromol´eculas possuem uma certa complexidade qu´ımica e estrutural que torna dif´ıcil a sua caracterizac¸a˜ o. oxigˆenio. pode n˜ao ser verdadeira. 8. das quais 90 mil s˜ao de origem domiciliar. f´osforo e enxofre. Dados do IBGE (1991) revelam que no Brasil.

e´ necess´ario que haja um monitoramento cuidadoso dos gases. enquanto a prata ( ) e o merc´urio (  ) n˜ao o s˜ao. e´ sol´uvel em a´ gua quente na forma de cloretos. n˜ao solubilizados). enquanto outros tˆem a sua solubilidade reduzida em temperaturas elevadas. entrem em contato com a a´ gua e o solo. Devido a` sua complexidade. O chumbo (  ). Durante a sua vida u´ til e ap´os cessar o seu funcionamento. poluindo o meio ambiente. O chorume gera impactos ambientais por apresentar elevado poder de poluic¸a˜ o das a´ guas. o chorume formado nos aterros deve ser tratado antes de seu lanc¸amento em corpos receptores. No chorume. por exemplo. pois muitos ´ıons n˜ao s˜ao sol´uveis em temperaturas baixas. Fatores f´ısicos. tamb´em s˜ao importantes. como a temperatura.  +  .aterros controlados.ex. e apenas 10% v˜ao para aterros sanit´arios [3].2.2 Variabilidade A variabilidade da composic¸a˜ o dos res´ıduos aterrados. xenobi´oticos (substˆancias qu´ımicas produzidas pelas atividades humanas) e microorganismos perigosos a` sa´ude.     2. cujo objetivo e´ impedir que elementos t´oxicos. pode produzir chorumes com elevados teores de metais t´oxicos. Esses poluentes devem ser monitorados com rigor face aos danos ambientais que promovem. o aterro sanit´ario ainda e´ a t´ecnica mais utilizada mundialmente. A sua construc¸a˜ o baseia-se na criac¸a˜ o de uma estrutura impermeabilizada seguindo crit´erios de engenharia e normas de operac¸a˜ o. bem como o emprego de t´ecnicas de tratamento dos l´ıquidos percolados gerados. produzidos pela decomposic¸a˜ o do lixo. os ´ıons presentes em grandes quantidades percolam pelo solo e combinam-se com esp´ecies doadoras de  . A percolac¸a˜ o do l´ıquido no aterro pode provocar a poluic¸a˜ o das a´ guas subterrˆaneas e superficiais. que pode prejudicar a fauna e a flora aqu´atica. Dentre as alternativas tecnol´ogicas para disposic¸a˜ o de res´ıduos s´olidos urbanos. formando complexos (p. sendo que uma das primeiras alterac¸o˜ es observadas e´ a reduc¸a˜ o do teor de oxigˆenio dissolvido. Outros poluentes presentes no chorume s˜ao os metais. complexados. que podem se apresentar em diversas formas (livres.

S .    ). que contribui muito para abrandar a composic¸a˜ o do chorume em metais e materiais de dif´ıcil degradac¸a˜ o. animais.S . representa uma importante etapa.Pb . onde parte do lixo e´ separado em esteiras para reter materiais de valor comercial. Os ´ıons que podem ser encontrados     6      . o que os torna sol´uveis em tecidos . ) [14]. como alum´ınio. pilhas.  A reciclagem que e´ realizada em alguns dep´ositos. vidros e pl´asticos. el´etrons. como o ´ıon  Tamb´em podem se ligar a cadeias curtas de carbono. podendo atravessar membranas biol´ogicas (p. ex.

1: ´Ions presentes no chorume e suas principais fontes ´Ions   .1[15].         .   ..   .     .      .   . 1 Tabela 2.no chorume e suas poss´ıveis origens est˜ao ilustrado na Tabela 2.   .

000 doada pelo INCRA.   . embalagens laminadas em geral Tubos de PVC. Em novembro de 1978 foi criado no Rio de Janeiro. material este que era extra´ıdo de um terreno onde estava localizado o cemit´erio de S˜ao Francisco Xavier. no km  1 http://www.  . lˆampadas fluorescentes Baterias recarreg´aveis (celular.        . Foram considerados aterros. em 1933 surgiram na cidade do Rio de Janeiro os dois primeiro aterros sanit´arios. latas. negativos de filmes de raio-X Embalagens de tintas.    . cascas de ovos Material orgˆanico Material eletrˆonico. constru´ıdo a 10 metros do n´ıvel do mar e situado no bairro Jardim Gramacho. o Aterro Metropolitano de Gramacho. cosm´eticos. tampas de garrafas Pilhas comuns e alcalinas.      .3 Aterro Metropolitano de Gramacho Buscando um meio vi´avel para dar destino final ao lixo.300.    Fontes Material orgˆanico. utens´ılios dom´esticos. porque o lixo recolhido era espalhado sobre o terreno pantanoso e coberto por uma camada de barro e areia.org/ 7 . no munic´ıpio de Duque de Caxias. solventes orgˆanicos 2. Praia do Retiro Saudoso e Parada do Amorim.     . telefone sem fio. vernizes. localizados no bairro do Caju. entulhos de construc¸a˜ o. autom´oveis) Latas descart´aveis.messiaah. em uma a´ rea de 1.

produtos de combust˜ao) como para o corpo receptor. o aterro de Gramacho possui quase a metade de sua a´ rea total ocupada por lixo velho. posto que o chorume produzido escorria para o Rio Iguac¸u e o Rio Sarapu´ı e chegava at´e a Ba´ıa de Guanabara com conseq¨ueˆ ncias danosas para o manguezal e para a flora e a fauna. em conformidade com as normas t´ecnicas e a legislac¸a˜ o vigente. com objetivo de garantir a qualidade da a´ gua dos corpos receptores no entorno do aterro. transformando-se num dep´osito de lixo a c´eu aberto.500 a 6. o aterro teria capacidade de receber 8.com. sendo depositados naquela e´ poca.gov/comlurb/arti12. 2 Devido a` ausˆencia de pol´ıticas permanentes de saneamento por parte das prefeituras dos munic´ıpios mencionados acima.5 da Rodovia Washigton Lu´ıs (Rio-Petr´opolis). Ap´os a sua recuperac¸a˜ o. em m´edia 5.4. o aterro foi operado de forma deficiente. [19]. considerada uma das principais fontes de poluic¸a˜ o desse corpo receptor. resultante da percolac¸a˜ o de l´ıquido do Aterro Metropolitano de Gramacho. gerando chorume com alta salinidade e alta concentrac¸a˜ o de compostos nitrogenados. inclusive industriais. com alto potencial poluidor. Niter´oi. Segundo CHARLET et al. revelam que a quantidade de res´ıduos depositada no aterro. pois apresenta baixa biodegradabilidade. de modo a evitar o escoamento n˜ao controladodo chorume para a Ba´ıa de Guanabara e a construc¸a˜ o de uma Estac¸a˜ o de Tratamento do percolado. particulados.000 toneladas de lixo por dia [16]. [18]. tanto para a atmosfera (biog´as. 3 A Ba´ıa de Guanabara segundo BILA [4] e CAMMAROTA et al.signuseditora.br/Sa-57/SAgramac. Duque de Caxias. Em 1996 iniciaram-se as obras de recuperac¸a˜ o do Aterro. est´a compreendida na faixa de 5. quando a COMLURB decidiu assumir a responsabilidade de recuperar a a´ rea degradada pela disposic¸a˜ o descontrolada de res´ıduos.htm 3 http://www. indicando que o tratamento   2 http://www. S˜ao Jo˜ao do Meriti e Nil´opolis. recebia aproximadamente 800 /dia de um chorume altamente t´oxico antes da construc¸a˜ o de uma barreira de contenc¸a˜ o em volta do aterro.htm 8 .rio. S˜ao Gonc¸alo. que contemplavam a construc¸a˜ o da barreira de contenc¸a˜ o ao seu redor feita de argila orgˆanica.rj. atualmente. Os dados apresentados por BILA [4] e pela COMLURB.700 toneladas di´arias de lixo. buscando atender o programa de monitoramento ambiental. O material orgˆanico e´ considerado recalcitrante. Este quadro s´o comec¸ou a ser revertido na d´ecada de 80. com objetivo de receber res´ıduos domiciliares dos munic´ıpios do Rio de Janeiro. com mais de 10 anos.000 toneladas di´arias de lixo e sua vida u´ til foi estimada entre 8 e 10 anos [17]. garantindo a operac¸a˜ o regular do Aterro.

1 Tratamento Prima´ rio A finalidade do tratamento prim´ario e´ remover part´ıculas coloidais. ocorrendo ligac¸o˜ es qu´ımicas e absorc¸a˜ o das cargas superficiais presentes. o que demanda uma avaliac¸a˜ o do tipo de tratamento vi´avel e eficiente para cada caso. De todo modo e´ importante que a a´ gua que ser´a submetida a` coagulac¸a˜ o contenha alguma alcalinidade. j´a nas condic¸o˜ es b´asicas a soluc¸a˜ o pode apresentar baixa alcalinidade [23]. uma vez que cada aterro gera chorume com caracter´ısticas particulares. O coagulante mais popularmente utilizado nos dias atuais para o tratamento de a´ guas residu´arias e´ o sulfato de alum´ınio. a escolha entre as diversas alternativas de tratamento depende de parˆametros t´ecnicos e econˆomicos [20. A seguir s˜ao descritas algumas das t´ecnicas mais utilizadas relatadas na literatura para o tratamento de chorume. havendo necessidade de aplicac¸a˜ o de elevada energia a` mistura. material s´olido em suspens˜ao e ajustar o pH para o posterior tratamento do efluente.          9   . O valor do pH exerce um papel muito importante na coagulac¸a˜ o.4. tˆem influˆencia significativa na composic¸a˜ o qu´ımica do chorume e conseq¨uentemente em sua tratabilidade. A coagulac¸a˜ o e´ um processo muito utilizado por promover a clarificac¸a˜ o de efluentes industriais contendo part´ıculas coloidais e s´olidos em suspens˜ao. para favorecer a coagulac¸a˜ o s˜ao usados ´ıons de alta valˆencia ( e ) pois quanto maior a valˆencia do ´ıon maior ser´a a sua capacidade de coagulac¸a˜ o. representa um desafio. 2. O sulfato de    alum´ınio. Portanto. Este processo consiste na adic¸a˜ o de agentes qu´ımicos para neutralizar as cargas el´etricas das part´ıculas. para que o sulfato de alum´ınio possa reagir e formar o precipitado. Segundo DEZOTTI et al. Os trabalhos sobre chorume apresentados na literatura ressaltam que as caracter´ısticas. A utilizac¸a˜ o em condic¸o˜ es a´ cidas exige uma certa alcalinidade para a soluc¸a˜ o. como a idade do aterro.do chorume gerado. 21]. [22]. apresentando ainda variabilidade de composic¸a˜ o. por suas caracter´ısticas. 2.4 T´ecnicas empregadas para tratar o percolado O chorume e´ um efluente muito complexo. pode atuar. tanto para as condic¸o˜ es a´ cidas como b´asicas. encontrado sob a forma qu´ımica de  .

o pol´ımero pode ser classificado como catiˆonico e aniˆonico. formando flocos com tamanho levemente maior que uma cabec¸a de alfinete. Um fator f´ısico muito importante para a formac¸a˜ o dos flocos e´ a velocidade moderada proporcionada pela agitac¸a˜ o mecˆanica do meio. da quantidade de coagulante utilizado e do tipo de floculante [24]. Temperaturas moderadas s˜ao mais satisfat´orias porque favorecem a r´apida formac¸a˜ o de flocos. que consiste na formac¸a˜ o de macroflocos. Vale ressaltar que os componentes qu´ımicos utilizados para promover a coagulac¸a˜ o. agem tamb´em como aceleradores de floculac¸a˜ o. pois pode reduzir a carga efetiva das part´ıculas coloidais [23]. ii) aniˆonico: possui cargas negativas e realiza a troca destas cargas das part´ıculas coloidais e permite a formac¸a˜ o de pontes de hidrogˆenio entre o col´oide e o pol´ımero. Com relac¸a˜ o a` s cargas. Outra desvantagem e´ que o controle da coagulac¸a˜ o atrav´es do ajuste do pH e´ uma tarefa dif´ıcil. Segundo REIS [25]. Na ausˆencia de cargas os pol´ımeros denominam-se n˜ao-iˆonicos. Para auxiliar no tratamento de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o est˜ao sendo de largo emprego os compostos sint´eticos.   i) catiˆonico: possui cargas positivas capazes de absorver os flocos coloidais com part´ıculas negativas. As melhores condic¸o˜ es para a formac¸a˜ o dos flocos podem ser determinadas em ensaios laboratoriais. dificultando a sua remoc¸a˜ o. A adic¸a˜ o de alcalinidade para melhorar a coagulac¸a˜ o. poder´a implicar no aumento da cor do efluente. denominados polieletr´olitos. pois turbulˆencia maior pode provocar a ruptura dos flocos em part´ıculas menores que s˜ao de dif´ıcil decantac¸a˜ o. As part´ıculas formadas na coagulac¸a˜ o possuem tamanho da ordem de 1 m. por´em sob lenta agitac¸a˜ o essas part´ıculas tendem a se aglomerar formando flocos vis´ıveis. mas a literatura relata que s˜ao necess´arios teoricamente cerca de 20 mg/L de sulfato de alum´ınio comercial para 7.7 mg/L de alcalinidade na forma de   [24]. visto que a durac¸a˜ o do per´ıodo de floculac¸a˜ o depender´a tamb´em das caracter´ısticas do efluente. contendo cargas el´etricas em sua estrutura. O surgimento destes flocos est´a diretamente relacionado com a concentrac¸a˜ o do ´ıon-hidrogˆenio e as relac¸o˜ es aniˆonicas e catiˆonicas [24].N˜ao e´ poss´ıvel estimar com exatid˜ao a quantidade de sulfato de alum´ınio necess´aria para promover uma perfeita coagulac¸a˜ o. que s˜ao substˆancias polim´ericas com alto peso molecular. na etapa posterior a` coagulac¸a˜ o (floculac¸a˜ o). a interac¸a˜ o dessas mol´eculas com a mat´eria coloidal presente no 10 . devido a` pequena faixa de valores adequados do pH e a` tendˆencia de diminuic¸a˜ o do pH associada a` adic¸a˜ o do sulfato [24]. sol´uveis em a´ gua. O polieletr´olito e´ uma substˆancia que n˜ao e´ afetada pelo pH do meio e pode servir como coagulante.

950 (mg/L).0. [26] testou v´arias dosagens de coagulantes em diferentes valores de pH. e com uma dosagem o´ tima entre 700 . observando-se razo´aveis remoc¸o˜ es de DQO (40%) com o coagulante cloreto f´errico e (25%) com sulfato de alum´ınio a um valor de pH de 4. BILA [4]. O estudo apresentou bons resultados em termos de remoc¸a˜ o de DQO e COT. As maiores remoc¸o˜ es foram obtidas utilizando um polieletr´olito catiˆonico da Nalco denominado 7128. com a faixa de pH o´ timo entre 4. CAMMAROTA et al. Este trabalho tamb´em verificou que o chorume gerado no Aterro Sanit´ario de Gramacho apresentou caracter´ısticas f´ısicas e qu´ımicas bastante distintas daquelas apresentadas por outros chorumes e reportadas na literatura. como a de reduzir o consumo de eletr´olito inorgˆanico e conseq¨uentemente o volume do precipitado. Dos produtos testados o sulfato de alum´ınio foi o que apresentou o melhor desempenho. altamente eficientes para destruir substˆancias orgˆanicas de dif´ıcil degradac¸a˜ o e gerar como produtos finais da reac¸a˜ o  e [27].5 .efluente favorece a neutralizac¸a˜ o das cargas ou facilita a formac¸a˜ o de ligac¸o˜ es (pontes) com as part´ıculas individuais para formar um vis´ıvel precipitado insol´uvel. surgiram os Processos Oxidativos Avanc¸ados (POAs).5 e dosagem de 400-500 mg/L.4. em seu estudo. e mostrou-se adequado quanto a` formac¸a˜ o e tamanho dos flocos. e a de condicionar a formac¸a˜ o de flocos com caracter´ısticas adequadas a` operac¸a˜ o de separac¸a˜ o dos s´olidos formados [22]. Os polieletr´olitos quando combinados com eletr´olitos inorgˆanico oferecem vantagens.4. com alto poder de destruic¸a˜ o dos poluentes. 2. boa clarificac¸a˜ o do efluente. A utilizac¸a˜ o dos agentes coagulantes de forma combinada e o emprego de polieletr´olitos n˜ao contribu´ıram para aprimorar a qualidade do efluente tratado.0 . porque essas mol´eculas podem ser produzidas sob medida.  11   . O aumento do tamanho e da densidade do floco e´ um dos principais motivos que levam a utilizar os polieletr´olitos sint´eticos como auxiliares no tratamento prim´ario.2 Tratamentos Oxidativos Em busca de tecnologias limpas. Com objetivo de remover material orgˆanico recalcitrante presente no chorume por processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o. A coagulac¸a˜ o e a floculac¸a˜ o do chorume do Aterro de Gramacho foi investigada em dois trabalhos anteriores. a concentrac¸a˜ o dos agentes empregados e o melhor conjunto de coagulantes e polieletr´olito. realizou v´arios experimentos testando as melhores condic¸o˜ es de pH. Os pol´ımeros sint´eticos apresentam uma importante vantagem de mercado. ou floco.5. atingindo os requisitos espec´ıficos para determinada aplicac¸a˜ o. sendo que o tratamento se mostrou eficaz.

Os POAs s˜ao processos que geram radicais hidroxila ( OH) altamente oxidantes. Promovem a remoc¸a˜ o de cor. o aumento do teor do oxigˆenio dissolvido. a aplicac¸a˜ o do ozˆonio tem se destacado como a segunda t´ecnica mais importante em n´ıvel industrial. Segundo DEZOTTI [28] e STEENSEN [27] algumas vantagens desses processos podem ser destacadas. bem como a fotocat´alise se constituem nos POAS com alto potencial de uso. Dentre os POAS a ozonizac¸a˜ o e´ uma das t´ecnicas mais difundidas. O ozˆonio e´ comumente produzido por descarga el´etrica no ar ou oxigˆenio puro:   O +O   Esta reac¸a˜ o pode ser catalisada por radiac¸a˜ o. Podem levar a` mineralizac¸a˜ o completa dos poluentes. Removem Ferro e Manganˆes. Esta etapa de tratamento e´ exigida quando os n´ıveis de poluentes nos efluentes industriais a serem descartados est˜ao acima dos valores estabelecidos pelos o´ rg˜aos ambientais. se necess´ario. Apresentam alto potencial de oxidac¸a˜ o. ou a formas biodegrad´aveis ou a compostos n˜ao t´oxicos. odor. a remoc¸a˜ o de cor. N˜ao formam sub-produtos s´olidos (lodo). ultrasom. al´em da remoc¸a˜ o da DQO e da DBO. e catalisadores homogˆeneos (metais). com per´oxido de hidrogˆenio combinados ou n˜ao com radiac¸a˜ o ultra violeta (UV). Estas reac¸o˜ es s˜ao ilustradas abaixo:     O +  +O 2HO Dentre os tratamentos terci´arios existentes. capazes de oxidar completamente as mol´eculas orgˆanicas presentes em a´ guas polu´ıdas. sabor e turbidez. 12 . A aplicac¸a˜ o do ozˆonio promove tamb´em. A oxidac¸a˜ o com ozˆonio. Quando o ozˆonio se decomp˜oe s˜ao gerados radicais de grande poder oxidativo. como: N˜ao requerem a transferˆencia de fase do poluente (como a absorc¸a˜ o em carv˜ao ativo).

As reac¸o˜ es qu´ımicas do ozˆonio com contaminantes orgˆanicos ocorre atrav´es de dois mecanismos. O ozˆonio tamb´em n˜ao reage com metais alcalinos e alcalinos terrosos. fica dif´ıcil estabelecer qual das duas formas de reac¸a˜ o predomina em situac¸o˜ es particulares. pois acontece a decomposic¸a˜ o do ozˆonio formando radicais livres altamente oxidantes. que na forma de precipitados podem ser removidos facilmente do meio aquoso pelo processo de filtrac¸a˜ o. Um deles e´ o mecanismo direto. Na primeira adicionando ozˆonio atrav´es do borbulha13 . altas temperaturas e presenc¸a de catalisadores como o per´oxido de hidrogˆenio. e as reac¸o˜ es diretas com ozˆonio molecular. Quanto ao ´ıon cloreto. Os processos oxidativos vem sendo empregados em muitas plantas de tratamento de a´ guas residu´arias. predominam na utilizac¸a˜ o do ozˆonio em reac¸o˜ es de oxidac¸a˜ o de sistemas aquosos. visto que as reac¸o˜ es indiretas com formac¸a˜ o de radicais livres. com o ozˆonio na forma molecular. constitu´ıdos de radicais destruidores. Outro mecanismo a´ de ac¸a˜ o indireta. porque possuem apenas um estado de oxidac¸a˜ o. Para as esp´ecies inorgˆanicas que se apresentam na forma reduzida. Soluc¸o˜ es com pH a´ cido. em casos onde foram utilizados per´oxido de hidrogˆenio como agente oxidante em uma soluc¸a˜ o de metionina e ozˆonio em amostras contendo compostos arom´aticos. por gerar compostos com baixa solubilidade. Sendo assim. para remover os metais de transic¸a˜ o (como o ferro e o manganˆes) que se encontram entre essas esp´ecies. O ozˆonio reage com quase todos os elementos da tabela peri´odica. cujas reac¸o˜ es s˜ao altamente seletivas. como o carbonato e o bicarbonato. O ozˆonio pode ser empregado tanto para o tratamento de a´ gua como de esgoto. Uma das mais recentes aplicac¸o˜ es do ozˆonio em tratamento de a´ gua e efluente. o fl´uor. o que pode acarretar s´erios problemas. em alguns casos onde foi utilizado o ozˆonio para desinfecc¸a˜ o final. formam radicais orgˆanicos e inorgˆanicos como produtos. com excec¸a˜ o de um membro da s´erie dos haletos. com a finalidade de obter na etapa final das plantas de tratamento. consiste em promover o aumento da biodegradabilidade dos compostos orgˆanicos. processando assim reac¸o˜ es pelo mecanismo de radicais livres. que possui potencial de oxidac¸a˜ o mais elevado que o ozˆonio. e´ oxidado muito lentamente em soluc¸o˜ es a´ cidas. J´a as soluc¸o˜ es que apresentarem pH alcalino.No estudo desenvolvidos por RIBEIRO [29] verificou-se a remoc¸a˜ o de toxicidade. promovem a decomposic¸a˜ o do ozˆonio favorecendo as reac¸o˜ es indiretas. Por´em. incidˆencia de luz ultravioleta. o ozˆonio e´ um excelente oxidante. verificou-se a possibilidade de crescimento biol´ogico extensivo. tender˜ao a favorecer as reac¸o˜ es diretas com ozˆonio molecular. o polimento dos efluentes e a purificac¸a˜ o das a´ guas. KUO [30] comparou duas maneiras de adicionar ozˆonio no tratamento de um efluente visando a remoc¸a˜ o de DQO e COT.

Quando combinou-se os trˆes POAs. [31] confirmaram a aplicac¸a˜ o da oxidac¸a˜ o com resultados positivos na decomposic¸a˜ o dos poluentes contidos nos efluentes gerados nos processos de tingimento e lavagem de uma ind´ustria textil. levaram a` conclus˜ao de que o tratamento biol´ogico do chorume “in natura” n˜ao deve se constituir na primeira etapa da seq¨ueˆ ncia de tratamento a que deve ser submetido este efluente. lagoas aeradas e filtros biol´ogicos. A natureza recalcitrante 14 . O pH alcalino na faixa entre 7 e 9. pois verificou que com o aumento da concentrac¸a˜ o de chorume no meio de alimentac¸a˜ o do reator biol´ogico. observou-se que o lodo ativado foi perdendo sua atividade com o aumento da concentrac¸a˜ o de chorume na alimentac¸a˜ o do reator.4. com testes de biodegradabilidade. Dentre os processos biol´ogicos encontrados na literatura para o tratamento de chorume destacam-se: lodos ativados. Os resultados obtidos nesse estudo. a amˆonia n˜ao e´ praticamente oxidada [29]. Para que ocorra a oxidac¸a˜ o da amˆonia. 2. aumentando a concentrac¸a˜ o de amˆonia livre. devido a` melhor transferˆencia de massa obtida da fase g´as para a fase l´ıquida. houve quase remoc¸a˜ o completa da cor. O segundo teste apresentou os melhores resultados. o tratamento biol´ogico tem se mostrado pouco eficiente para chorumes provenientes de aterros velhos. que constataram escassez de flocos. que quase n˜ao apresentaram filamentos estruturais. devido a` presenc¸a de compostos recalcitrantes. a eficiˆencia de remoc¸a˜ o da DQO era reduzida. e´ preciso que seja considerado o pH e a presenc¸a de outras substˆancias oxid´aveis no meio aquoso. [18] n˜ao encontrou resultados satisfat´orios para o tratamento biol´ogico aer´obio. favorece o deslocamento da curva de equil´ıbrio. e ausˆencia de protozo´arios no lodo.mento no fundo do reator com aux´ılio de um agitador magn´etico. aplicando press˜ao no topo do reator. PERKOWSKI et al.3 Tratamento Biolo´ gico De acordo com a literatura. Assim. Estas conclus˜oes foram subsidiadas por observac¸o˜ es do lodo. na segunda empregando a injec¸a˜ o em fluxo descendente. Nos testes de tratabilidade biol´ogica realizados por BILA [4] com amostra de chorume pr´e-tratado pelo processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o. CAMMAROTA et al. dos surfactantes presentes no efluente proveniente do tingimento e obteve-se tamb´em 80% de remoc¸a˜ o da DQO. A amˆonia e´ dificilmente oxidada na presenc¸a de substˆancias orgˆanicas. indicativos de lodo com m´as caracter´ısticas. podendo-se observar nessas condic¸o˜ es razo´aveis taxas de reac¸a˜ o. devido a` cin´etica de oxidac¸a˜ o de compostos orgˆanicos ser muito mais r´apida do que a da reac¸a˜ o entre o ozˆonio e a amˆonia. nessas condic¸o˜ es.

os flocos se apresentaram bem formados. A utilizac¸a˜ o das lagoas aeradas e´ bastante utilizada como etapa que precede a disposic¸a˜ o final do chorume em estac¸o˜ es de tratamento de esgotos. o emprego de t´ecnicas que possam ser facilmente adapt´aveis. A legislac¸a˜ o norueguesa de 1994 estabeleceu como ideal para o tratamento de chorume. os wetlands e tratamento com ozˆonio para reduzir a massa molar de compostos t´oxicos. No entanto. verificaram que as t´ecnicas adequadas para as condic¸o˜ es da Noruega seriam a utilizac¸a˜ o de lagoas aeradas em combinac¸a˜ o com sistemas naturais tais como: infiltrac¸a˜ o no solo. no tratamento de chorume produzido em aterro sanit´ario contendo altas concentrac¸o˜ es de amˆonia. McBEAN et al. e ainda de baixo consumo de energia e custos compat´ıveis. este efluente ainda apresentava compostos recalcitrantes de dif´ıcil biodegradac¸a˜ o. irrigac¸a˜ o. HAARSTAD & MAEHLUM [32] buscando simplicidade e baixo custo. e 3. al´em das lagoas e tanques de aerac¸a˜ o. conseguiu-se com o tratamento uma remoc¸a˜ o de 50%. Para a menor dosagem de ozˆonio baixas remoc¸o˜ es de DQO e COT foram observadas com preju´ızo das caracter´ısticas do lodo biol´ogico. As caracter´ısticas do lodo melhoraram quando o reator foi alimentado com efluente tratado com as maiores dosagens de ozˆonio. onde bons resultados de biodegradac¸a˜ o s˜ao obtidos para chorumes provenientes de aterros jovens. BILA [4] tamb´em investigou o comportamento do lodo biol´ogico face ao chorume pr´e-tratado com diferentes dosagens de ozˆonio (0. transformando-os em mol´eculas orgˆanicas menores. Neste caso. ROBINSON [33] verificaram que nos aterros de grande porte. de f´acil operac¸a˜ o e de pouca manutenc¸a˜ o. Nesse estudo em que o efluente apresentava 2200mg/L de amˆonia. Mas os autores ressaltam que a sua utilizac¸a˜ o no tratamento de chorume. pouco sens´ıveis a` s variac¸o˜ es de vaz˜ao e concentrac¸a˜ o com capacidade de remover um grande n´umero de compostos que podem impactar o meio ambiente. filtrac¸a˜ o e wetlands (leitos alagados com plantas aqu´aticas).do chorume e sua poss´ıvel toxicidade foram sugeridas em func¸a˜ o da pequena quantidade de lodo presente no reator no final do teste de tratabilidade. IM et al. podem promover a nitrificac¸a˜ o. com a presenc¸a de filamentos estruturais e de protozo´arios. O processo biol´ogico nitrificac¸a˜ o/desnitrificac¸a˜ o foi investigado por ILIES e MAVINIC [34]. foi poss´ıvel observar que mesmo com o aumento da biodegradabilidade do chorume proporcionada pela ozonizac¸a˜ o. al´em de eficientes na remoc¸a˜ o de compostos orgˆanicos biodegrad´aveis.5.5. [21] como m´etodo econˆomico e mais efetivo para remoc¸a˜ o de nitrogˆenio.0 g/L). [35] verificaram que os filtros biol´ogicos. os sistemas adotados para o tratamento do chorume envolvem. pode ficar compro15 . Os n´ıveis mais elevados de ozonizac¸a˜ o parecem ter contribu´ıdo para promover uma reduc¸a˜ o da recalcitrˆancia e da toxicidade do efluente. 1.

Demandam a adic¸a˜ o de f´osforo para assegurar o tratamento aer´obio. [37] utilizando um reator anaer´obio seguido de um reator aer´obio rotativo de contato. apresentados pelos processos biol´ogicos s˜ao:   N˜ao apresentam bom desempenho na presenc¸a de metais t´oxicos (ex: Cu. percolado pelo recheio. sem. Isso ficou evidenciado em um tratamento realizado com o chorume do Aterro Sanit´ario de Bandeiras-SP. sendo aerado e sofrendo decomposic¸a˜ o biol´ogica (Jornal DEMARI. uma reduc¸a˜ o de 80% de DQO para carga de 20kg DQO  . Zn e Ni podem inibir a nitrificac¸a˜ o). O chorume era bombeado para o topo da torre. Os filtros anaer´obios e os sistemas h´ıbridos tˆem se mostrado eficientes na remoc¸a˜ o de metais (na forma de sulfetos) e DQO. O tratamento anaer´obio tamb´em tem sido considerado como t´ecnica de tratamento de chorumes com alta percentagem de mat´eria orgˆanica biodegrad´avel. Apesar das diferenc¸as entre os chorumes gerados nos aterros. pelo fato do despejo apresentar-se mais resistente a` biodegradac¸a˜ o. com adic¸a˜ o de f´osforo. No entanto. promovendo adequada degradac¸a˜ o da mat´eria orgˆanica [36]. A remoc¸a˜ o de 66% de DQO (inicial de 15. apud [36]). 29/8/97 apud [36]). Outros aspectos negativos. sendo o chorume lanc¸ado no topo da torre e escorrendo pelo meio filtrante. obtiveram em 1 ano de teste. Ademais. se informar a eficiˆencia de operac¸a˜ o desses sistemas. visto que e´ 16 . FERREIRA et al. As lagoas anaer´obias podem vir a apresentar bons resultados quando empregadas como uma etapa subseq¨uente de tratamento do chorume. no entanto.200mg/L) tornou vi´avel essa t´ecnica como pr´e-tratamento para o chorume (MORAES e GOMES. os autores afirmam que houve baixo consumo de energia e reduzida produc¸a˜ o de lodo. o tratamento biol´ogico e´ muito citado na literatura como opc¸a˜ o de tratamento. Algumas instalac¸o˜ es que operam segundo o princ´ıpio dos filtros biol´ogicos de percolac¸a˜ o tˆem sido divulgadas. Utilizando o mesmo princ´ıpio citado acima. foi constru´ıda uma torre de 10m de altura.1993. uma empresa da Su´ecia (GEODESIGNAB). No aterro de Holstinharjn. aerac¸a˜ o e decomposic¸a˜ o biol´ogica [36]. utilizando um reator anaer´obio h´ıbrido de fluxo ascendente com manta de lodo e filtro.500 mg/L) e de cerca de 70% de DBO (inicial de 10. e em torno de 94% de eficiˆencia de remoc¸a˜ o para o conjunto todo. O tratamento dava-se por evaporac¸a˜ o. construiu uma torre com m´odulos de vigas de concreto preenchidos com um meio filtrante (argila expandida ou galhos de a´ rvore) formando uma esp´ecie de filtro biol´ogico. na Finlˆandia. [36] aponta que este tipo de tratamento pode ser ineficiente em se tratando de chorumes provenientes de aterros de meia-idade e velhos.metida pela facilidade de entupimento do filtro. preenchida com galhos de salgueiro. BORZACCONI et al.

como o menor consumo energ´etico em comparac¸a˜ o com os outros processos de separac¸a˜ o tradicionais. 40]. ultrafiltrac¸a˜ o. Para tal. ultrafiltrac¸a˜ o e nanofiltrac¸a˜ o o principal fator na separac¸a˜ o e´ a dimens˜ao dos permeantes. Podem levar a` formac¸a˜ o de espuma na aerac¸a˜ o artificial. A ultrafiltrac¸a˜ o (UF) tem como finalidade purificar e fracionar soluc¸o˜ es contendo macromol´eculas pelo processo de separac¸a˜ o por membranas.4 Processos de Separac¸a˜ o com Membranas O fracionamento e´ uma t´ecnica laboratorial que permite estimar os intervalos de massa molar dos componentes de uma mistura. a flexibilidade operacional pelo fato do sistema ser mais compacto e a obtenc¸a˜ o de produtos finais de melhor qualidade. no caso de membranas porosas. Nos u´ ltimos 30 anos. Onde o soluto e´ parcialmente ou completamente retido. sendo mais fechados do que os das membranas de microfiltrac¸a˜ o (MF) [39. portanto o coeficiente de rejeic¸a˜ o pode ser definido pela f´ormula abaixo: 17 . a press˜ao exercida para o processo pode estar entre 2 e 10 bar. com o uso tradicional de membranas porosas. O diˆametro dos poros de uma membrana de ultrafiltrac¸a˜ o (UF) varia na faixa entre 1 a 100nm. os materiais devem apresentar estabilidade a diferentes solventes e valores de pH. No transporte dos permeantes. podendo ocorrer retenc¸a˜ o de maneira distinta de solutos com pesos molares diferentes. Por sua vez. A aerac¸a˜ o artificial e´ de alto custo. utiliza-se um processo de separac¸a˜ o por membranas. pela rejeic¸a˜ o (R).4. 2. nanofiltrac¸a˜ o e osmose inversa. Pode ocorrer precipitac¸a˜ o de     com preju´ızo ao equipamento de aerac¸a˜ o. que em func¸a˜ o das suas caracter´ısticas podem ser classificadas como: microfiltrac¸a˜ o. enquanto o solvente (geralmente a´ gua) passa pela membrana. para que n˜ao ocorram alterac¸o˜ es estruturais [38]. As membranas apresentam caracter´ısticas distintas para cada tipo de processo. Em func¸a˜ o do tamanho do poro. freq¨uente a deficiˆencia desse elemento no chorume. os processos com membranas tˆem atingido patamares de crescimento devido a diversos fatores. A eficiˆencia de uma dada membrana e´ determinada por dois parˆametros: seletividade e fluxo de permeac¸a˜ o. Para microfiltrac¸a˜ o. a capacidade seletiva da membrana est´a diretamente relacionada com as relac¸o˜ es entre o tamanho das esp´ecies e as dimens˜oes dos poros da membrana (CAMPOS [41]). A seletividade de uma membrana por uma mistura e´ geralmente expressa.

100.2 m Protozo´arios.000Da Material removido na MF + col´oides + totalidade de v´ırus Nanofiltrac¸a˜ o 200 . (1995) para remoc¸a˜ o de protozo´arios e v´ırus. bact´erias e v´ırus. Uma s´erie de testes empregando v´arios tipos de membranas de microfiltrac¸a˜ o e ultrafiltrac¸a˜ o com a porosidade nominal compreendida entre 0.0.1)  onde  e´ a concentrac¸a˜ o de soluto na alimentac¸a˜ o e  e´ a concentrac¸a˜ o de soluto no permeado. part´ıculas Ultrafiltrac¸a˜ o 1. bact´erias. O processo com membranas tem tamb´em como objetivo a remoc¸a˜ o de organismos patogˆenicos incluindo protozo´arios. praticamente toda a mat´eria orgˆanica Fonte:SCHNEIDER & TSUTIYA [40].2: Potencial de remoc¸a˜ o dos processos por membranas Membrana Porosidade Material retido Microfiltrac¸a˜ o 0. conforme indicado na Tabela 4.000 .1. desenvolvido por Jacangelo et al. v´ırus (maioria).2 m e 100kDa.000Da ´Ions divalentes e trivalentes.          (2. As membranas s˜ao especificadas atrav´es da massa molecular de corte ou “cut off”que pode ser definido como sendo valor da massa molecular para a qual a membrana apresenta um coeficiente de rejeic¸a˜ o de 95%. ´Ions. Tabela 2.1 m . mol´eculas orgˆanicas com tamanho maior do que a Osmose reversa    porosidade m´edia da membrana.9. obteve sucesso com a remoc¸a˜ o completa dos protozo´arios Cryptosporidium e Giardia e das bact´erias 18 .

-Nanofiltrac¸a˜ o Na literatura h´a informac¸o˜ es que a osmose reversa gera um permeado de alta qualidade. [42]. que sozinhos podem passar livremente pelos poros das membranas utilizadas neste processo PETERS [43]. De acordo com o estudo realizado por [43] a aplicac¸a˜ o de m´odulos com membrana de nanofiltrac¸a˜ o para efluentes espec´ıficos como o chorume. menor custo de operac¸a˜ o e causa menos entupimento nas membranas MARTTINEN et al. No entanto alguns autores tˆem mostrado que altas remoc¸o˜ es de poluentes podem ser alcanc¸adas com nanofiltrac¸a˜ o. pelo fato das membranas n˜ao serem fabricadas em ambientes e com materiais totalmente est´ereis. deve ser projetada de forma adequada para otimizar a interac¸a˜ o dos fluxos e de parˆametros tais como: o fluxo de 19 . porque os tamanhos dos poros das membranas usadas neste processo favoreceram a passagem desses sais. A remoc¸a˜ o de v´ırus geralmente e´ alcanc¸ada com membranas de UF [40]. isto e´ . Segundo URASE et al. e a repuls˜ao de cargas foi enfraquecido pela presenc¸a de sais. dificultando assim a remoc¸a˜ o do cloreto e do s´odio. A literatura relata que a nanofiltrac¸a˜ o e´ eficiente na remoc¸a˜ o de carga orgˆanica. devido a elevada concentrac¸a˜ o de sais no chorume. sais de c´alcio e magn´esio. mesmo em baixo n´umero. metais pesados reduzidos como por exemplo o manganˆes e o ferro. [5] nos experimentos usando nanofiltrac¸a˜ o a remoc¸a˜ o do ´ıon cloreto foi zero. A nanofiltrac¸a˜ o exige menor press˜ao que a osmose reversa. especialmente no caso de chorume velho. toxinas sol´uveis de algas. Segundo SCHNEIDER & TSUTIYA [40] as membranas de microfiltrac¸a˜ o e ultrafiltrac¸a˜ o s˜ao muito eficientes para remover o material orgˆanico respons´avel pela turbidez da a´ gua. pois este processo consegue separar os ´ıons monovalentes e bivalentes agregados no material orgˆanico. Vale ressaltar que o permeado n˜ao e´ uma soluc¸a˜ o completamente est´eril.Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. Al´em da remoc¸a˜ o de contaminantes biol´ogicos. que aumentam a dureza da a´ gua. substˆancias sol´uveis que d˜ao cor inaceit´avel para os padr˜oes de consumo. pode conter microorganismos. obtendo baixas remoc¸o˜ es e um volume menor do l´ıquido permeado. mas e´ considerada cara. estas membranas removem tamb´em contaminantes que englobam todas as substˆancias ou part´ıculas n˜ao biol´ogicas como: carbono orgˆanico dissolvido de baixa massa molar.

a´ gua atrav´es da membrana. tratamento f´ısico-qu´ımico e adsorc¸a˜ o por carv˜ao ativado mostraram-se raramente efetivos. de 27-50% para nitrogˆenio amoniacal. Portanto este valor tende a aumentar durante o processo. O processo utilizando osmose reversa para o tratamento do chorume tem sido empregado na Alemanha com grande eficiˆencia. isento de coliformes e totalmente clarificado. Na literatura consta que na Franc¸a e em toda Europa e na Am´erica. utilizando uma press˜ao de operac¸a˜ o de 120 bar [5]. uma vez que a maior parte dos ´ıons sol´uveis no chorume passou pela membrana. algumas companhias colocaram a disposic¸a˜ o do mercado o sistema “own and operate”. atualmente e´ tratado pela t´ecnica de nanofiltrac¸a˜ o como um processo terci´ario. com 10 anos ou mais. processos biol´ogicos de degradac¸a˜ o. Segundo FERREIRA [36] o volume obtido ap´os a permeac¸a˜ o corresponde a 60% do volume inicial. sendo necess´ario operar com elevada press˜ao.Osmose Reversa A osmose reversa e´ utilizada para dessalinizar a´ guas com salinidade elevada. a limpeza eficiente das membranas. MARTTINEN et al. sendo em seguida lanc¸ado na Ba´ıa de Guanabara. Com base nesses estudos. a queda de press˜ao. que o tipo de membrana afeta significativamente na separac¸a˜ o dos compostos orgˆanicos. Uma parte do chorume produzido pelo Aterro Metropolitano de Gramacho. bem como nos parˆametros operacionais. o tratamento do chorumes provenientes de aterros. Tem sido recentemente aplicada em tratamento terci´ario. O chorume produzido em aterro sanit´ario usualmente cont´em alta concentrac¸a˜ o de sais. utilizando. o tratamento pelo processo com mem-  20  . em seu estudo verificaram que a osmose reversa removeu 95% de DQO e s´olidos dissolvido totais. Segundo PETERS [43] a taxa de recuperac¸a˜ o do permeado entre 95 e 97% indica que a combinac¸a˜ o de osmose reversa com nanofiltrac¸a˜ o e cristalizac¸a˜ o e´ o processo mais econˆomico para tratar o chorume produzido em aterro sanit´ario na Alemanha. AMOKRANE et al. Portanto. O rejeito do sistema retorna ao tratamento biol´ogico. A combinac¸a˜ o do pr´e-tratamento biol´ogico com nanofiltrac¸a˜ o apresentou uma remoc¸a˜ o de 90% para DQO total. visto que a remoc¸a˜ o de sais de amˆonia do chorume por nanofiltrac¸a˜ o depende da sua complexidade. a possibilidade de operar com micro-part´ıculas e tamb´em a obtenc¸a˜ o de uma boa relac¸a˜ o entre custo/desempenho. ap´os passar por um tratamento biol´ogico. . [44]. A remoc¸a˜ o da condutividade foi baixa. para um chorume pr´e-tratado por microfiltrac¸a˜ o e ultrafiltrac¸a˜ o. [42] observaram em seus estudos. onde o cliente paga um prec¸o por do chorume tratado sem perda de capital e com o m´ınimo de envolvimento operacional. cuja press˜ao osm´otica e´ de 2 a 10 bar. considerada maior que a esperada. quando se exigem concentrac¸o˜ es de substˆancias inorgˆanicas muito baixas.

21 . Novas membranas foram instaladas depois de mais de 3 anos de operac¸a˜ o em func¸a˜ o da queda do fluxo do permeado. Em lugares com alto ´ındice pluviom´etrico usam-se instalac¸o˜ es cobertas para que tamb´em ocorra a evaporac¸a˜ o do lixiviado durante o per´ıodo chuvoso. 2. A adequac¸a˜ o da coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o como pr´e-tratamento deve-se a` remoc¸a˜ o de part´ıculas coloidais. que comec¸ou a operar em fevereiro de 1990. Uma planta instalada no aterro Kolenfelder na Alemanha.. mas a coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o ou precipitac¸a˜ o qu´ımica tem tido eˆ xito. o tratamento biol´ogico tem se mostrado ineficiente como pr´e-tratamento para a osmose reversa. os mesmos devem ser devidamente pr´e-tratados. Esta t´ecnica consiste na utilizac¸a˜ o de tanques abertos para evaporac¸a˜ o do lixiviado. pode contribuir muito para resolver o problema da poluic¸a˜ o das a´ guas.4. [45]). Este dados de longos tempos de experiˆencia tˆem sido confirmados pelos resultados de mais de 120 sistemas que est˜ao em operac¸a˜ o em diferentes aterros e pelos dados coletados durante numerosos testes com plantas piloto por toda Europa. Entretanto. O mau cheiro e´ a desvantagem apresentada pela implantac¸a˜ o desta t´ecnica (TCHOBANOGLOUS et al. tais como cloreto de s´odio. A ocorrˆencia de aumento da concentrac¸a˜ o de sais sol´uveis. Em 1997 foi relatado que o DT-modulo representa mais de 80% da capacidade total instalada para purificac¸a˜ o de chorume por osmose reversa.branas vem ganhando destaque. pode conduzir a n´ıveis inibidores a` ac¸a˜ o microbiana sobre o res´ıduo n˜ao evaporado. a partir de 1984. Am´erica do Norte e alguns pa´ıses do Leste Europeu [43]. indicou eficiˆencia sempre maior que 98% para condutividade el´etrica e de 99% para DQO. portanto. O permeado resultante do processo de osmose reversa cont´em n´ıveis muito baixos de contaminantes orgˆanicos e inorgˆanicos. Freq¨uentemente. A eficiˆencia deste processo pode ser facilmente avaliada pela medida da condutividade el´etrica do permeado [43]. M´odulos tubulares foram os primeiros usados em sistema de osmose reversa para purificac¸a˜ o de chorume de aterro.5 Evaporac¸a˜ o E´ um processo de destinac¸a˜ o do chorume que pode ser considerado para regi˜oes em que as condic¸o˜ es clim´aticas favorecem a evaporac¸a˜ o. que s˜ao as principais impurezas do chorume retidas na osmose reversa. para se obter maior eficiˆencia no processo com osmose reversa para chorumes.

apud [36]). Estudos mostraram que esta t´ecnica aumentou a eficiˆencia de compactac¸a˜ o do aterro. 2. que envolve a adic¸a˜ o de a´ cidos ou bases para ajustar o pH em n´ıveis aceit´aveis entre 6-9 [39. ventos e irradiac¸a˜ o solar que favorecem a evaporac¸a˜ o [14. segundo alguns autores. Observa-se tamb´em uma maior produc¸a˜ o de g´as. Verifica-se que nos aterros que empregam esta t´ecnica.6 Recirculac¸a˜ o A recirculac¸a˜ o do chorume. 39. promo´ vendo a melhor distribuic¸a˜ o de nutrientes e umidade.8 Eletroqu´ımico O processo eletrol´ıtico e´ mais usado para recuperac¸a˜ o de metais. contribuindo para a reduc¸a˜ o do volume do chorume a ser tratado.2. como temperatura.4. 22 . Al´em de reduzir o volume por evaporac¸a˜ o.          2. E uma t´ecnica que se adapta a` s condic¸o˜ es ambientais do Brasil. [36].7 Neutralizac¸a˜ o A neutralizac¸a˜ o e´ um m´etodo de tratamento mais simples e comum para contaminantes inorgˆanicos. 23]. recirculando por volta de 110 /dia. facilitando o reaproveitamento posterior do terreno. e a recirculac¸a˜ o e´ capaz de reduzir o tempo necess´ario para estabilizac¸a˜ o do aterro desde algumas d´ecadas para 2 a 3 anos (REINHART & AL-YOUSFI. para acondicion´a-lo para outras etapas de tratamento [46]. E´ uma reac¸a˜ o que produz sais sol´uveis e insol´uveis.4. e consiste na passagem de uma corrente el´etrica entre dois eletrodos [46]. pode ser considerado um m´etodo de tratamento. e o aterro ainda conta com um sistema de 10 aspersores com vaz˜ao de 1 /h. aumenta a degradac¸a˜ o anar´obia no interior do aterro com a convers˜ao dos a´ cidos orgˆanicos em  e  . No Estado do Rio de Janeiro esta t´ecnica de recirculac¸a˜ o foi implantada no Aterro Metropolitano de Gramacho desde 1997 com grande efic´acia. 26]. sendo usada no tratamento de chorume. atualmente s˜ao recirculados cerca de 600 /dia de chorume. A gerac¸a˜ o de g´as pode ser vista como um ponto positivo. 36. os mecanismos de remoc¸a˜ o prim´aria de metais s˜ao a precipitac¸a˜ o como sulfeto e hidr´oxido.4.1996. contribuindo para minimizar o impacto ambiental se o g´as produzido for empregado de maneira adequada.

banhados. Estes sistemas apresentam uma ac¸a˜ o depuradora devido a` absorc¸a˜ o de part´ıculas pelo sistema radicular das plantas. conseguindo remover mol´eculas pequenas e grandes.4. manguezais etc. energia e biofertilizantes [36. que pode ser utilizada na produc¸a˜ o de rac¸a˜ o animal. O alto teor de amˆonia encontrado no chorume pode prejudicar o sucesso desta t´ecnica quando empregada como a u´ nica forma de tratamento.10 Remoc¸a˜ o de Vol´ateis e Amˆonia Resultante dos processos bioqu´ımicos.02 ppm de N na forma de ( ) em a´ guas. Fe-Cu e Al-Cu alcanc¸ando para ambos os casos remoc¸o˜ es na faixa de 30-50% para a DQO. Neste sistema o fenˆomeno natural da evapotranspirac¸a˜ o tamb´em contribui para a reduc¸a˜ o do volume produzido. alta eficiˆencia de melhoria dos parˆametros que caracterizam os recursos h´ıdricos.9 Wetlands Os Wetlands s˜ao descritos como sistemas artificiais. O nitrogˆenio amoniacal pode ser removido das a´ guas residu´arias por volatilizac¸a˜ o. 47]. para protec¸a˜ o da vida aqu´atica. alta produc¸a˜ o de biomassa.5 a 11. Este processo de arraste da amˆonia envolve a elevac¸a˜ o do pH para n´ıveis altos.5 [47. que tˆem como princ´ıpio b´asico a modificac¸a˜ o da qualidade da a´ gua que ocorre nos Wetlands naturais como v´arzeas dos rios. A amˆonia livre ( ) dissolvida na a´ gua. apud [36] utilizaram em seu estudo dois pares de eletrodos para remover a mat´eria orgˆanica do chorume. [36] alguns autores destacam o uso deste sistema de Wetlands como um polimento final. E´ um sistema considerado economicamente vi´avel pois apresenta baixo custo de implantac¸a˜ o. A amˆonia apresenta-se na forma livre ( ) e/ou ionizada ( ). pela ac¸a˜ o de microorganismos associados a` rizosfera. al´em de promover a desnitrificac¸a˜ o. mesmo em baixas concentrac¸o˜ es. 2. positivas e negativas. pˆantanos. podendo ser encontrado na a´ gua residu´aria sob a forma de nitrogˆenio orgˆanico. o nitrogˆenio contribui muito para a poluic¸a˜ o das a´ guas. para promover a remoc¸a˜ o adicional da mat´eria orgˆanica e da amˆonia. Segundo SEIFFERT (2000) a agˆencia americana de protec¸a˜ o ambiental estabelece um limite de 0. pela absorc¸a˜ o de nutrientes e metais pelas plantas. ap´os um tratamento biol´ogico. igap´os da Amazˆonia..            23 .TSAI et al. utilizando placas de eletrodo de ac¸o carbono. 48].4. 2. usualmente na ordem de 10. pode ser t´oxica aos peixes. Segundo FERREIRA et al. amˆonia ou ainda na forma de nitritos e nitratos.

n˜ao e´ sens´ıvel para substˆancias t´oxicas. levaram alguns autores a buscarem outras alternativas para remover a alta concentrac¸a˜ o de amˆonia do chorume. a turbulˆencia das fases e a temperatura ambiente de operac¸a˜ o. A preocupac¸a˜ o com aumento da poluic¸a˜ o do ar.0 [49]. e´ limitado para um caso especial que requer o pH elevado para outras reac¸o˜ es. para uma concentrac¸a˜ o inicial de 5618 mg/L de amˆonia contida no chorume bruto foi reduzida rapidamente para 112mg/L em um per´ıodo de 15 minutos com pH controlado entre 8. liberando amˆonia para atmosfera e o aumento de carbonato de c´alcio pela adic¸a˜ o de cal para elevar o pH. acumulac¸a˜ o do carbonato de c´alcio causando entupimento na tubulac¸a˜ o. a solubilidade do contaminante na fase aquosa. O processo de arraste e´ simples. a difusividade do contaminante no ar e na a´ gua. As desvantagens podem ser relacionadas como: elevado custo de operac¸a˜ o e manutenc¸a˜ o. demonstrou uma remoc¸a˜ o muito satisfat´oria para amˆonia. usando a t´ecnica fosfato/ amˆonia/ magn´esio (MAP) para precipitac¸a˜ o da amˆonia formando compostos insol´uveis que podem ser facilmente separados da a´ gua. Segundo alguns autores.A amˆonia pode ser removida por arraste (stripping). o processo e´ sens´ıvel a` temperatura. mas a literatura apresenta algumas vantagens e desvantagens [47]. o processo pode ser alcanc¸ar o padr˜ao necess´ario para lanc¸amento. pois a solubilidade da amˆonia com a diminuic¸a˜ o da temperatura. a maioria da aplicabilidade e´ requerida em combinac¸a˜ o estacin´aria com sistema de cal para remoc¸a˜ o de f´osforo.5 e 9. pois requer cal para o controle do pH. os fatores respons´aveis pela eficiˆencia de remoc¸a˜ o dos compostos orgˆanicos vol´ateis envolve a a´ rea de contato (g´as de arraste . potencial problemas com ru´ıdo e est´etico. 24 . Arraste com ar consiste em um processo f´ısico de transferˆencia dos compostos orgˆanicos vol´ateis com a injec¸a˜ o de ar na a´ gua atrav´es de difusores ou outros mecanismos de aerac¸a˜ o. Algumas vantagens consideradas: o processo pode ser controlado para se obter uma determinada remoc¸a˜ o da amˆonia. por clorac¸a˜ o ou ainda por outros m´etodos pr´evios de remoc¸a˜ o de metais [23]. O emprego desse precipitante (MAP).l´ıquido).

2.3 apresenta um resumo das v´arias t´ecnicas utilizadas para o tratamento do chorume produzido em aterro sanit´ario. mas a precipitac¸a˜ o na forma de hidr´oxidos. A desvantagem do emprego da precipitac¸a˜ o qu´ımica e´ a produc¸a˜ o de lodo. enquanto que a precipitac¸a˜ o com hidr´oxido apresenta menor custo e e´ menos perigosa. No caso dos chorumes. sendo relativamente baixas para o lixo dom´estico. que deve ser tratado como res´ıduo perigoso devido ao seu conte´udo de metais pesados. n˜ao se consegue alcanc¸ar grande eficiˆencia na reduc¸a˜ o da carga orgˆanica poluidora e da toxicidade do chorume. que ameac¸am o ecossistema e conseq¨uentemente podem atingir o homem pelo ac´umulo na cadeia alimentar [50]. mas seu emprego n˜ao deixa de ser necess´ario para remover os metais e hidrolisar alguns compostos orgˆanicos. 25 .5 Remoc¸a˜ o de Metais A precipitac¸a˜ o qu´ımica e´ a t´ecnica mais comumente usada para a remoc¸a˜ o de metais pesados de a´ guas residu´arias. Cada compartimento ambiental apresenta uma limitada capacidade de suportar a ac¸a˜ o dos metais. mais facilmente incorporada pela fauna e a flora. usando cal ou soda ca´ustica.6 Considerac¸o˜ es sobre as t´ecnicas de tratamento de chorume A Tabela 2. Isto se deve ao fato da precipitac¸a˜ o com sulfeto ser de maior custo e poder gerar g´as sulf´ıdrico. e´ a mais usada. sendo maiores durante a fase de fermentac¸a˜ o a´ cida. quando estes elementos est˜ao mais sol´uveis e menores nas u´ ltimas fases de estabilizac¸a˜ o. quanto na forma particulada associados a part´ıculas em suspens˜ao. podendo aumentar para os despejos industriais e variar de acordo com o est´agio de decomposic¸a˜ o do lixo. quando o pH normalmente e´ mais alcalino [50]. Empregando somente o tratamento f´ısico-qu´ımico.2. a concentrac¸a˜ o de metais depende do tipo de lixo depositado no aterro. Os metais pesados encontrados est˜ao presentes tanto na forma dissolvida. Uma remoc¸a˜ o mais eficiente pode ser obtida com a precipitac¸a˜ o na forma de sulfetos.

Tabela 2. por´em n˜ao muito rotativos) testados com lixiviados de aterros Processos Biol´ogicos Remoc¸a˜ o de substˆancias Requer menor energia e produz (Lagoas anaer´obias) orgˆanicas biodegrad´aveis menos lodo que os sistemas aer´obios. possui maior potencial para a instabilizac¸a˜ o do processo. mais lento que os sistemas aer´obios Processos Biol´ogicos Remoc¸a˜ o de nitrogˆenio A nitrificac¸a˜ o/desnitrificac¸a˜ o (Nitrificac¸a˜ o/ pode ocorrer simultˆaneamente desnitrificac¸a˜ o) com a degradac¸a˜ o da mat´eria orgˆanica Processos qu´ımicos Controle de pH (Neutralizac¸a˜ o) De aplicac¸a˜ o limitada para a maioria dos lixiviados Processos f´ısico- Remoc¸a˜ o de metais e Produz um lodo. orgˆanicas biodegrad´aveis efluentes industriais similares contactores biol´ogicos ao lixiviado.3: Sum´ario das t´ecnicas de tratamento empregadas para tratar chorume Processo de Tratamento Aplicac¸a˜ o Observac¸a˜ o Processos Biol´ogicos Remoc¸a˜ o de substˆancias Podem ser necess´arios aditivos (Lodos ativados) orgˆanicas biodegrad´aveis (anti-espumantes) Processos Biol´ogicos Remoc¸a˜ o de substˆancias Similar a lodos ativados. que pode qu´ımicos (Precipitac¸a˜ o) alguns aˆ nions requerer descarte como res´ıduo perigoso 26 . (Reator Batelada orgˆanicas biodegrad´aveis somente e´ aplic´avel para vaz˜oes Sequencial-RBS) de operac¸a˜ o n˜ao muito elevadas Processos Biol´ogicos Remoc¸a˜ o de substˆancias Requer uma grande a´ rea (Aerac¸a˜ o prolongada) orgˆanicas biodegrad´aveis Processos Biol´ogicos Remoc¸a˜ o de substˆancias Freq¨uentemente utilizado para (filtros percoladores.

Tabela 2. compostos orgˆanicos com aplicac¸a˜ o limitada para alta massa molar alguns lixiviados Quando n˜ao se permite a O lodo resultante pode ser descarga de lixiviados perigoso. [45] 27 .detoxificac¸a˜ o e duos dilu´ıdos. custos orgˆanicos vari´aveis de acordo com lixiviado Troca iˆonica Ultrafiltrac¸a˜ o Evapotranspirac¸a˜ o Remoc¸a˜ o de substˆancias e ´ somente como processo Util ´ıons inorgˆanicos dissolvidos de polimento Separac¸a˜ o de bact´erias e de Propenso a entupimento. e´ vi´avel normalmente apenas em regi˜oes a´ ridas Osmose reversa Remoc¸a˜ o de substˆancias Custo elevado. e´ necess´ario orgˆanicas e dessalinizac¸a˜ o pr´e-tratamento extensivo Fonte: TCHOBANOGLOUS et al. (sedimentac¸a˜ o/flotac¸a˜ o) em suspens˜ao pode ser utilizado conjuntamente com outros processos de tratamento Processos F´ısico- Separac¸a˜ o do material Qu´ımicos (Filtrac¸a˜ o) Arraste por ar Separac¸a˜ o por vapor Somente u´ til como processo de refino Separac¸a˜ o de amˆonia e Pode requerer equipamento compostos orgˆanicos de controle da contaminac¸a˜ o vol´ateis atmosf´erica Separac¸a˜ o de compostos Alto custo energ´etico. funciona bem (Oxidac¸a˜ o por ar u´ mido) orgˆanicos com poluentes orgˆanicos resistentes Processos F´ısicos Separac¸a˜ o do material Tem aplicac¸a˜ o limitada. o uso de cloro remoc¸a˜ o de algumas pode provocar a formac¸a˜ o esp´ecies inorgˆanicas de organo-clorados Processos Qu´ımicos Degradac¸a˜ o de compostos De alto custo. orgˆanicos vol´ateis o vapor condensado requer tratamento adicional Absorc¸a˜ o Remoc¸a˜ o de compostos Tecnologia aprovada.3 .Continuac¸a˜ o Processos Qu´ımicos Remoc¸a˜ o de compostos Funciona melhor com res´ı- (Oxidac¸a˜ o) orgˆanicos.

e ainda e´ importante citar que apenas 2 mil foram bem estudadas do ponto de vista ecotoxicol´ogico. 63 mil s˜ao de uso cotidiano.2. que se manifesta. O grau da toxicidade pode ser avaliado atrav´es do efeito que a dose ou concentrac¸a˜ o de uma certa substˆancia causar´a a determinado organismo num dado intervalo de tempo. Esses efeitos podem ser classificados em agudos e crˆonicos. do n´umero de substˆancias sintetizadas pelo homem no u´ ltimo s´eculo. considerados mundialmente como priorit´arios para efeito de controle. sendo assim pode-se constatar que a bi´ota aqu´atica pode estar sujeita aos efeitos dessas substˆancias por prolongados per´ıodos de tempo em diferentes locais [51]. das 6 milh˜oes de substˆancias conhecidas.1 Toxicidade aguda A toxicidade aguda corresponde a uma resposta severa e r´apida dos organismos aqu´aticos a um est´ımulo. indubitavelmente. Pode ser expressa atrav´es 28 . num intervalo de 0 a 96 horas.7. 2. Nem sempre as t´ecnicas de tratamento empregadas asseguram que o efluente e´ desprovido de toxicidade.7 Toxicidade: Conceitos e M´etodos Devido a` complexibilidade e a` variabilidade apresentada pelos compostos orgˆanicos e inorgˆanicos que podem estar presentes num efluente ou no corpo h´ıdrico. Tomando como base 118 agentes qu´ımicos. Para que se tenha uma id´eia. quando um dos seus principais usos se referir a protec¸a˜ o da flora e da fauna. 103 orgˆanicos e 15 inorgˆanicos. o controle da toxicidade do efluente l´ıquido. portanto. recomenda-se que a caracterizac¸a˜ o dessas a´ guas seja complementada por testes biol´ogicos para obter informac¸o˜ es n˜ao reveladas pela simples caracterizac¸a˜ o f´ısica e qu´ımica. principalmente. quase exponencial. tem merecido maior atenc¸a˜ o em nossa sociedade. de tal forma que este n˜ao cause efeitos t´oxicos de natureza aguda ou crˆonica a` biota aqu´atica. Esta necessidade tem estimulado a realizac¸a˜ o de testes de toxicidade. Atrav´es desses testes determina-se o potencial t´oxico de um agente qu´ımico ou de uma mistura complexa. verifica-se que a maioria deles e´ persistente e acumulativa no meio aqu´atico. atualmente considerados como an´alises indispens´aveis para se obter um controle mais abrangente das fontes de poluic¸a˜ o das a´ guas. A contaminac¸a˜ o qu´ımica. Imp˜oe-se. devido ao aumento. A letalidade e´ um dos indicadores utilizados para avaliar a resposta dos organismos a` toxicidade aguda provocada por um composto ou um efluente. sendo os efeitos desses poluentes mensurados atrav´es da resposta de organismos vivos. tornando compat´ıvel seu lanc¸amento com as caracter´ısticas do corpo receptor. em geral.

diminuic¸a˜ o da taxa de natalidade em decorrˆencia de alterac¸o˜ es nas fases mei´oticas das c´elulas reprodutoras e/ou por anomalias no processo de desenvolvimento embrio-larval.2 Toxicidade crˆonica A toxicidade crˆonica corresponde a` resposta a um est´ımulo prolongado ou cont´ınuo. no trecho ou a´ rea em que esse fenˆomeno se processa. 2. portanto. O lanc¸amento de efluentes l´ıquidos. O efeito crˆonico deve ser objeto de verificac¸a˜ o quando os testes de toxicidade aguda n˜ao forem suficientes para caracterizar um efeito t´oxico mensur´avel. metabolismo reprodutivo. A DL50 por sua vez e´ a dose letal do t´oxico administrada diretamente nos experimentos com animais.do parˆametro CL50 que corresponde a` concentrac¸a˜ o que causa o efeito (letalidade) a 50% da populac¸a˜ o testada [52]. ocorrer´a equil´ıbrio a uma certa distˆancia do ponto de lanc¸amento. J´a foi evidenciado na literatura que os organismos-teste reagem de forma diferente para um mesmo composto. 52]. utiliza-se o ´ındice de toxicidade CE50 ou DE50. Quando se observa o efeito do agente t´oxico sobre as func¸o˜ es vitais ou funcionais dos organismos teste. 52].7. pode trazer respostas mais precisas do efeito causado ao ecossistema. 29 . bem como mutac¸o˜ es ou morte [55. levando a alterac¸o˜ es na estrutura e funcionamento do ecossistema aqu´atico. por um longo per´ıodo de tempo. em testes realizados em laborat´orio ou em meio natural. O lanc¸amento de substˆancias persistentes ou bioacumul´aveis poderas causar efeitos dr´asticos nas populac¸o˜ es expostas [56. visando observar os efeitos sobre as func¸o˜ es biol´ogicas fundamentais como mudanc¸a de apetite. mesmo que tratados. os organismos poder˜ao enfrentar impedimentos ou dificuldades para se manter no ambiente. uma vez que os organismos s˜ao expostos a baixas concentrac¸o˜ es de determinados poluentes durante longos per´ıodos de tempo. pode causar efeitos crˆonicos. que corresponde a concentrac¸a˜ o ou dose efetiva que causa efeito em 50% dos organismos testados [53]. crescimento. Os testes de toxicidade s˜ao bioensaios que consistem na exposic¸a˜ o do organismo teste a diferentes concentrac¸o˜ es de uma ou mais substˆancias ou fatores ambientais por um determinado per´ıodo de tempo. de forma cont´ınua no ambiente aqu´atico. Se estes poluentes forem degrad´aveis. com efeito letal para 50% da populac¸a˜ o exposta sob diferentes condic¸o˜ es do teste [54]. que se aproximem das condic¸o˜ es reais. podendo abranger parte ou todo ciclo de vida do organismo. 57. a utilizac¸a˜ o de m´etodos de ensaio. mas.

Conhecido popularmente como pulga d’´agua. 56. Essas diferenc¸as de uma esp´ecie para outra. fornecendo informac¸o˜ es referentes a` ocorrˆencia ou n˜ao de bioacumulac¸a˜ o e ao transporte e bioamplificac¸a˜ o do agente nas cadeias alimentares [59]. Os microcrust´aceos Daphnia e Artemia s˜ao considerados consumidores prim´arios ou secund´arios. protozo´arios e detritos orgˆanicos. 2. estimar com maior seguranc¸a o impacto desse efluente no corpo receptor [58. e´ facilmente encontrado em lagos. mede cerca de 0.Tem aumentado o emprego dos testes de toxicidade nos u´ ltimos anos. permitindo inclusive ac¸o˜ es de controle. atrav´es do resultado obtido com o organismo mais sens´ıvel.0 mm de comprimento e alimenta-se basicamente de algas. rios e plan´ıcies inundadas. A natac¸a˜ o e´ feita pela movimentac¸a˜ o das longas 30 . atendendo diferentes n´ıveis tr´oficos. para que se possa. mais utilizados em testes de toxicidade. pertence a` ordem Cladocera (Crustacea-Branchiopoda) e exerce um papel fundamental na comunidade zooplanctˆonica. Os organismos aqu´aticos apresentam sensibilidade diferentes a` s propriedades t´oxicas das substˆancias qu´ımicas. Este microcrust´aceo est´a presente em todos ambientes de a´ gua doce. 52]. Desta forma e´ poss´ıvel exercer o mesmo n´ıvel de controle para diferentes efluentes l´ıquidos e para diferentes corpos d’´agua [52]. represas. os quais s˜ao capturados por processo de filtrac¸a˜ o (comum nos microcrust´aceos).3 Organismos Padronizados Os testes de toxicidade s˜ao realizados com diversos organismos e as metodologias j´a est˜ao padronizadas pelos o´ rg˜aos ou institutos ambientais. que encontramse padronizados e podem detectar a toxicidade de efluentes l´ıquidos em organismos aqu´aticos vivos. Abaixo est˜ao relacionados alguns organismos pertencentes a diferentes n´ıveis tr´oficos. sempre que poss´ıvel. avaliar o efeito agudo e crˆonico em sistemas de fluxos cont´ınuos. E´ recomend´avel. 57. Daphnia similis Segundo DAMATO [60] Daphnia similis e´ uma esp´ecie de microcrust´aceo da fam´ılia Daphnidae. ocorrem justamente pela especificidade de seus metabolismo e pela natureza de seus “habitats”. estes testes podem prever um impacto ambiental. que depende das caracter´ısticas particulares de cada ecossistema aqu´atico.7. que foram avaliados neste trabalho. com mais de uma esp´ecie representativa da biota aqu´atica. Al´em das informac¸o˜ es sobre os efeitos causados a diferentes organismos. e constituem um importante elo entre os n´ıveis inferiores e superiores da cadeia alimentar de um ecossistema [51].5 a 5. bact´erias.

antenas. Figura 2. podem influenciar a reproduc¸a˜ o deste organismo. porque a forma de reproduc¸a˜ o e´ partenogˆenese. Com a presenc¸a de machos. Artemia Artemia salina e´ um pequeno crust´aceo marinho caracter´ıstico de poc¸os e pequenos lagos de a´ gua salgada. O ciclo de vida deste organismo. isto e´ . mudanc¸as de temperatura. sua populac¸a˜ o e´ composta de fˆemeas. 62. vis´ıveis no saco embrion´ario das fˆemeas adultas. provocando o surgimento de machos e fˆemeas com o´ vulos constitu´ıdos de c´elulas hapl´oides. 63.1 ilustra as diversas fases da vida desses organismos. esses o´ vulos s˜ao fecundados. pode variar de trˆes a cinco semanas. e posteriormente recobertos com uma carapac¸a quitinosa escura. denominada ef´ıpio [61. resultante ent˜ao de reproduc¸a˜ o sexuada. As fˆemeas produzem c´elulas dipl´oides que originam fˆemeas com o mesmo gen´otipo. A Figura 2. 64]. Alterac¸a˜ o no manuseio da cultura. n˜ao disponibilidade de nutrientes.1: Daphnia Similis: diversas fases da vida do organismo Daphnia e´ um organismo muito sens´ıvel. Os nauplius da Artemia salina s˜ao utilizados 31 .. assexuada. na qualidade da a´ gua etc. que funcionam como remos. Este organismo apresenta uma grande adaptac¸a˜ o a` s variac¸o˜ es de salinidade (igual ou maior que 5 g/kg).

50%. Com base nos estudos desenvolvidos pela FEEMA. amostras ambientais e extratos s˜ao normalmente avaliados nas concentrac¸o˜ es de 1%. Peixes S˜ao organismos consumidores.2) Os peixes por serem considerados como importante recurso aliment´ıcio. e 100% v/v. utilizados em bioensaios para verificar a presenc¸a ou a ausˆencia de efeitos aparentes dos contaminantes sobre os organismos vivos. Os resultados dos testes s˜ao expressos em Unidade de Toxicidade (UT) “considerando-se como seu limite superior o valor 8 (oito) e inferior o valor 2 (dois)” . oxigˆenio dissolvido (OD). 10%.internacionalmente em testes de toxicidade por apresentarem caracter´ısticas significativas como: os seus organismos adultos tˆem um grande potencial reprodutivo. 32 . conforme a NT 213 . as an´alises f´ısico-qu´ımicas para determinac¸a˜ o de pH. componentes da comunidade nectˆonica. portanto padronizado pelo o´ rg˜ao ambiental para testes de toxicidade aguda. constituem o n´ıvel superior na cadeia alimentar de um ecossistema aqu´atico e tˆem grande interesse econˆomico [51]. a fim de estabelecer limites de toxicidade para o lanc¸amento de efluentes industriais em corpos receptores. Em se tratando de efluentes. Na realizac¸a˜ o dos testes. 55. 30%. o peixe zebra (Brachydanio rerio) foi considerado o organismo mais resistente e. devem ser feitas para controlar as condic¸o˜ es b´asicas de exposic¸a˜ o dos organismos-teste e subsidiar a interpretac¸a˜ o dos resultados. O aumento da contaminac¸a˜ o nos ambientes aqu´aticos evidencia-se pela reduc¸a˜ o da populac¸a˜ o de animais residentes e esp´ecies migrat´orias de peixes. 67]. deve-se verificar as concentrac¸o˜ es de uso do produto e as observadas em campo. 66. Para determinar a faixa de concentrac¸a˜ o que ser´a utilizada no teste. s˜ao de f´acil aquisic¸a˜ o no mercado e manutenc¸a˜ o em laborat´orio. podem ser a principal via de contaminac¸a˜ o de metais pesados para o homem.       (2.Crit´erios e Padr˜oes para Controle da Toxicidade de Efluentes L´ıquidos Industriais [68]. donde a sua importˆancia como organismos indicadores. os cistos (ovos) s˜ao de f´acil eclos˜ao e os testes apresentam uma boa reprodutividade [65. cloretos. 70%.

A partir de ent˜ao. a bio-luminescˆencia das bact´erias diminui com o tempo. considerado simples e reprodutivo. 74. anaer´obia. Vibrio fisheri e´ uma bact´eria bioluminescente de origem marinha. pertencente a fam´ılia das Vibrinaceae. a cor do efluente a ser testado influencia na medida da luz emitida pelas bact´erias marinhas. 75]. A inibic¸a˜ o de uma enzima qualquer deste processo ir´a causar uma diminuic¸a˜ o na taxa de emiss˜ao de luz. STEVENS [78] os ensaios s˜ao bastante r´apidos. obtendo-se um a´ cido orgˆanico. 71].Bact´erias As bact´erias s˜ao microorganismos que podem transformar substˆancias orgˆanicas complexas em elementos dissociados na forma oxidada (mineralizac¸a˜ o). para avaliar a toxicidade de a´ guas residu´arias e chorumes gerados em aterros sanit´arios. A ac¸a˜ o de um t´oxico em qualquer n´ıvel celular afetar´a a bioluminescˆencia. Nestas bact´erias. No teste Microtox a CE50 e´ obtida pela raz˜ao corrigida entre a reduc¸a˜ o da quantidade de luz e a quantidade de luz remanescente expressa em um gr´afico. o organismo responde rapidamente a um vasto n´umero de substˆancias. para um n´ıvel compat´ıvel com as exigˆencias da bact´eria utilizada. ap´os a exposic¸a˜ o a uma pequena amostra. pois. Agˆencia de Protec¸a˜ o Ambiental tem recomendado os testes com Microtox. Esses organismos podem estar presentes em todas as partes de um corpo d’´agua [51]. [76]. que pode ser quantificada em um sistema com um fotomultiplicador e um fotˆometro [72.S. a enzima luciferase catalisa a reac¸a˜ o da flavina (mononucleot´ıdeo) com um alde´ıdo e o oxigˆenio. pode-se obter a concentrac¸a˜ o efetiva da 33 . ARGESE et al. [77]. que emite luz e apresenta vida livre ou associada com outros organismos superiores [69. a´ gua e a emiss˜ao de luz. O teste de toxicidade com bact´erias luminescentes mais difundido e´ o Microtox. MUNKITTRICK et al. 73. podendo o efeito ser determinado num tempo de 5 a 15 minutos. 67. [76] a U. Algumas desvantagens citadas na literatura (REIS [73]) para este teste s˜ao: a necessidade do aumento da salinidade de algumas amostras. Segundo MUNKITTRICK et al. requerendo um controle preciso da durac¸a˜ o do teste e limitando o n´umero de amostras que podem ser processadas simultaneamente. A reac¸a˜ o em quest˜ao faz parte da cadeia transportadora de el´etrons e a emiss˜ao de luz est´a associada ao metabolismo celular. pode favorecer a precipitac¸a˜ o de metais pesados. Grannegativa. em func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o da amostra. 70. Segundo REIS [73].

considera-se baixo ind´ıcio de toxicidade. ou seja. Photobacterium phosphoreum. com o objetivo de verificar se os organismos est˜ao respondendo na faixa de toxicidade previamente estabelecida para as condic¸o˜ es de laborat´orio. LAMBOLEZ et al. Tamb´em foi verificado que quatro amostras apresentavam produtos mutagˆenicos. Considera-se que:     i) amostras que apresentam 0 a 10% de mortalidade na concentrac¸a˜ o de 100% do produto bruto testado s˜ao consideradas n˜ao t´oxicas. quanto menor o valor da    ou   . 4 Efeito t´oxico observado: e´ a raz˜ao entre o total de organismos afetados pelo total de organismos testa- dos 34 . 73]. v) s˜ao muito t´oxicas as amostras cujos ´ındices est˜ao entre 80% e 100%. A n˜ao ocorrˆencia de decr´escimo na produc¸a˜ o de luz. ii) para valores entre 11% e 29%. mas a partir de dois anos para c´a. As principais bact´erias s˜ao: Photobacterium fisheri. pelo organismo teste. alto ind´ıcio.amostra que causa uma reduc¸a˜ o de 50% na quantidade de luz emitida ap´os os per´ıodos de exposic¸a˜ o determinados para o teste. A presenc¸a desses produtos nos resultados. evidencia a importˆancia do monitoramento utilizando testes de toxicidade em conjunto com an´alises f´ısico-qu´ımas no gerenciamento dos res´ıduos s´olidos. devido a rapidez de resposta. significa ausˆencia de efeito t´oxico. A maior concentrac¸a˜ o do efeito n˜ao observado e´ designada como CENO. Os resultados foram distintos para as diferentes amostras testadas e em muitos casos n˜ao foi poss´ıvel correlacionar os resultados dos testes de toxicidade com os parˆametros f´ısico-qu´ımicos. 4 Existe um grande interesse no teste com bact´erias luminescentes. avaliando a toxicidade aguda com o Microtox e o microcrust´aceo Daphnia e tamb´em a realizando testes crˆonicos com microalgas. foi introduzida no mercado a bact´eria Vibrio fisheri que apresenta maior sensibilidade. iii) entre 30% e 49%. E´ comum encontrar-se na literatura testes utilizando Photobacterium phosphoreum. e o parˆametro CEO corresponde a menor concentrac¸a˜ o de efeito observado. A toxicidade e´ inversamente proporcional ao valor de    ou   . iv) as amostras que apresentam entre 50% e 79% s˜ao consideradas t´oxicas. [80] estudaram o efeito t´oxico em 15 amostras de chorume de v´arios aterros. Spirillum volutans e Beneckea harveyi [69. Ambas s˜ao bact´erias marinhas pertencentes a fam´ılia dos Vibrionaceae [79]. A cada s´erie das amostras testadas e´ realizado um teste de toxicidade com um padr˜ao. mais t´oxica e´ a amostra.

bem como a protec¸a˜ o de comunidades aqu´aticas”.2. citadas ou n˜ao na legislac¸a˜ o. de 8/9/76) e´ similar a` Lei Federal (Resoluc¸a˜ o CONAMA 20). n˜ao obstante atenderem aos limites fixados para substˆancias espec´ıficas. Estado de S˜ao Paulo A Legislac¸a˜ o Ambiental do Estado de S˜ao Paulo (Regulamentada da Lei 997. Verifica-se portanto. que causa efeito t´oxico em um corpo receptor. n˜ao poder˜ao conferir ao corpo receptor caracter´ısticas em desacordo com o enquadramento do mesmo na classificac¸a˜ o das a´ guas”. estabelecendo que as eventuais ac¸o˜ es sin´ergicas entre substˆancias espec´ıficas de um efluente. da Fundac¸a˜ o Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA). reproduc¸a˜ o ou filosofia de vida”. 31/5/76. Desta forma.7. Segundo ZIOLLI e JARDIM [83] o Estado de S˜ao Paulo iniciou em 1996 uma revis˜ao na Lei 997 de 1976.  Estado do Rio de Janeiro A NT 202 R10. deve-se considerar as legislac¸o˜ es estaduais. Crit´erios e Padr˜oes para Lanc¸amento de Efluentes L´ıquidos. a preservac¸a˜ o de peixes em geral e outros elementos da fauna e flora. E o seu artigo 12 reforc¸a as argumentac¸o˜ es ligadas a` classificac¸a˜ o dos corpos d’´agua.4 Leis Federais e Estaduais Para Avaliac¸a˜ o da Toxicidade Legislac¸a˜ o Federal  Est´a fundamentado para a´ guas de classe 2 e 3 que a “ Resoluc¸a˜ o CONAMA 20 [81] permite. Para efeito de enquadramento de um lanc¸amento. que os ensaios de toxicidade n˜ao s˜ao exatamente mencionados. Nos artigos 18 e 23 da mesma resoluc¸a˜ o est´a estabelecido “que os efluentes. a qual entraria em vigor em junho de 1998. mas n˜ao deixam de ser contemplados [82]. n˜ao poder˜ao conferir a` s a´ guas caracter´ısticas capazes de causar efeitos letais ou alterac¸o˜ es de comportamento. objetivando contemplar os testes de toxicidade no controle dos poluentes. 73]. como tamb´em. A revis˜ao desta lei significa um ganho importante na preservac¸a˜ o do meio ambiente. atrav´es dos padr˜oes de emiss˜ao e de qualidade das a´ guas. aprovado pelo Decreto 8468. como uso preponderante. atrav´es do controle da toxicidade mesmo sem exigˆencia legal [82. 35 . publicada em 12/12/86. na qual os ensaios de toxicidade n˜ao s˜ao citados textualmente. a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) continua a controlar os agentes t´oxicos nos efluentes l´ıquidos.

A NT 213 estabelece um limite m´aximo de toxicidade para efluentes industriais e considera ainda que esse valor pode ser restrito. de modo a proteger os corpos d’´agua da ocorrˆencia de toxicidade aguda ou crˆonica. o o´ rg˜ao ainda estabelece Crit´erios e Padr˜oes para Controle da Toxicidade em Efluentes L´ıquidos Industriais. 36 . utilizando testes de toxicidade com organismos vivos.6: “A FEEMA poder´a estabelecer exigˆencias quanto a` reduc¸a˜ o de toxicidade dos efluentes l´ıquidos. Na NT 213 R4.indica no Item 3. ainda que os mesmos estejam dentro dos padr˜oes preconizados por esta Norma T´ecnica”. conforme o potencial de diluic¸a˜ o do efluente no corpo receptor. publicada em 18/10/90.

As amostras foram armazenadas em bombonas de pl´asticos e preservadas abaixo de  assim que transferidas para o laborat´orio.1 Procedimentos de Coleta e Preservac¸ a˜ o das Amostras de Chorume A coleta foi realizada no Aterro Metropolitano de Gramacho . A figura 3. as formas de tratamento estudada. 3. No per´ıodo estudado foram realizadas duas coletas de amostras nos meses de maio e outubro de 2001.1 ilustra o local de amostragem no referido aterro. . para posterior utilizac¸a˜ o. os testes de toxicidade e as demais metodologias anal´ıticas empregadas.Duque de Caxias RJ. As amostras utilizadas neste estudo foram coletadas em um val˜ao pr´oximo a canaleta lateral.Cap´ıtulo 3 Materiais e M´etodos Neste cap´ıtulo e´ descrita toda a parte experimental desenvolvida neste trabalho.

nitrogˆenio amoniacal (N-NH4+).2 Caracterizac¸a˜ o do Chorume A caracterizac¸a˜ o do chorume foi feita com base nos seguintes parˆametros: pH. Os teores de metais pesados foram determinados por espectrofotometria de absorc¸a˜ o atˆomica. Artemia salina. carbono orgˆanico (dissolvido) total (COT). Brachydanio rerio e bact´erias luminescente Vibrio fisheri (Sistema Microtox). cor. demanda qu´ımica de oxigˆenio (DQO). Todos os procedimentos anal´ıticos utilizados se basearam no AWWA (APHA[84]). 38 .Figura 3.1: Local de Amostragem do Chorume 3. metais pesados e cloreto. Foram realizados bioensaios de toxicidade para avaliar a toxicidade aguda do chorume aos organismos aqu´aticos Daphnia similis.

modelo M´odulo Floculador MF-01. acompanhada da adic¸a˜ o de polieletr´olito catiˆonico em uma concentrac¸a˜ o de 3.2. podendo tratar 1000mL da amostra em b´echeres de 2 litros. O tempo de decantac¸a˜ o do efluente.     Tabela 3. Com   base em um estudo de BILA [4]. ap´os o per´ıodo de agitac¸a˜ o. sob agitac¸a˜ o r´apida de aproximadamente 150 rpm por 5 minutos. que promove a aglomerac¸a˜ o das part´ıculas.Sulfato de Alum´ınio). Este equipamento tem a capacidade de realizac¸a˜ o de 6 ensaios simultˆaneos.1. Nesta etapa aplicou-se agitac¸a˜ o branda de 15 rpm por 15 minutos.como mostra a Figura 3. marca Digimed. Em seguida ocorre a floculac¸a˜ o. Estes testes foram realizados no ´ Laborat´orio de Controle de Poluic¸a˜ o de Aguas (LABPOL) do PEQ/COPPE/UFRJ. foi utilizado neste trabalho o coagulante ( .0 mg/L. acarretando a formac¸a˜ o de pequenos flocos.3. Os testes de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o foram realizados em um aparelho Jar Test. foi de 30 minutos. considerado o´ timo.1: Descric¸a˜ o do Coagulante e do Polieletr´olito utilizados nos testes de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o Nome do Produto Descric¸a˜ o Procedˆencia Sulfato de Alum´ınio Coagulante Inorgˆanico VETEC Nalco 7128 Pol´ımero Catiˆonico Nalco Brasil Ltda 39 .3 Tratamento Prim a´ rio A primeira abordagem usada para o tratamento do chorume consistiu da utilizac¸a˜ o da t´ecnica f´ısico-qu´ımica. com controle individual de rotac¸a˜ o (agitac¸a˜ o mecˆanica) ajust´avel de 0 a 150 rpm. com uma dosagem o´ tima de 700 mg/L. A descric¸a˜ o do material utilizado neste ensaio encontra-se na tabela 3. As amostras de chorume bruto submetidas a este teste tiveram o pH ajustado para 4.5. facilitando a sua sedimentac¸a˜ o.

1 Planta Piloto de Ozonizac¸a˜ o Utilizou-se a ozonizac¸a˜ o por ser uma t´ecnica de oxidac¸a˜ o qu´ımica que promove a decomposic¸a˜ o parcial ou completa de poluentes orgˆanicos de dif´ıcil degradac¸a˜ o. Ntestes de toxicidade.2: Teste de Coagulac¸a˜ o/Floculac¸a˜ o Foram realizados v´arios experimentos para obter-se o volume necess´ario para realizac¸a˜ o dos tratamentos posteriores. sendo submetidas a` s seguintes an´alises: DQO. Os testes de ozonizac¸a˜ o do chorume foram realizados no CTR .Figura 3. COT. uma unidade de distribuic¸a˜ o de ozˆonio e uma coluna de contato. cloretos.Centro de Tecnologia da White Martins.4 Ozonizac¸a˜ o do Efluente Pr´e-tratado 3.4 40 .3 e 3. localizado em Duque de Caxias/RJ.    3.4. cor. metais e das. ilustradas nas Figuras 3. A empresa possui uma planta piloto de ozonizac¸a˜ o para realizar ensaios com efluentes. As amostras do sobrenadante foram armazena. dois analizadores de ozˆonio. A planta piloto utilizada e´ composta de 4 partes principais: um gerador de ozˆonio.

3: Planta Piloto instalada na White Martins Figura 3. O processo de gerac¸a˜ o de ozˆonio ocorre atrav´es de descargas el´etricas no g´as de alimentac¸a˜ o. esse instrumento 41 . no qual s˜ao gerados at´e 40g/h de ozˆonio. os a´ tomos gerados reagem com outras mol´ecula de oxigˆenio formando o ozˆonio.Figura 3. sendo usado oxigˆenio comercial como g´as de alimentac¸a˜ o.4: Coluna de Contato Gerador de Ozˆonio: O gerador de ozˆonio usado foi do tipo PCI. que quebram as ligac¸o˜ es duplas das mol´eculas de oxigˆenio e. assim. Analisadores de Ozˆonio: As quantidades de ozˆonio na alimentac¸a˜ o e na corrente de sa´ıda da coluna de contato foram medidas atrav´es de um monitor PCI.

di´oxido de cobre e di´oxido de alum´ınio.5: Diagrama esquem´atico da unidade piloto de oˆ zonio da White Martins 42 . a qual cont´em di´oxido de manganˆes. os gases s˜ao lanc¸ados na atmosfera.1 m de diˆametro. Somente ap´os a sua destruic¸a˜ o. O difusor localizado na parte inferior da coluna constitui-se de um disco poroso de ac¸o inox 316 L com 10 micrˆometros de diˆametro de poro. Unidade de Destruic¸a˜ o de Ozˆonio: Tanto os gases que saem da coluna de contato como dos analisadores de ozˆonio passam atrav´es de uma unidade catal´ıtica de destruic¸a˜ o de ozˆonio.e´ controlado por um computador e baseia-se na absorc¸a˜ o de ozˆonio na faixa do UV. A absorc¸a˜ o de UV na amostra gasosa e´ medida e a concentrac¸a˜ o de ozˆonio e´ calculada utilizando a lei de Beer. Coluna de Contato: No ensaio utilizou-se uma coluna de acr´ılico de 1.0 m de altura por 0. Unidade de destruição Ozônio Célula de Contato Unidade de O2 Monitoramento AT 286 Gerador de O2 Ozônio Figura 3. gerando bolhas da ordem de 3 mm de diˆametro.

Foram ozonizados 5.3.4.5 Fracionamento com Membranas Os processos de separac¸a˜ o por membranas s˜ao utilizados quando se deseja separar mol´eculas com diferentes tamanhos de uma dada soluc¸a˜ o.1. 3. 1. foram empregadas quatro dosagens de ozˆonio (0.6 mostra o efluente na coluna de contato em operac¸a˜ o em dois ensaios t´ıpicos. Para elimin´a-la adicionou-se 2mL de anti-espumante (Nalco718) na amostra de efluente antes de ser introduzida na coluna de contato. A Figura 3. cor e toxicidade. 0.6: Coluna de Contato As amostras de chorume ozonizadas foram monitoradas pelos seguintes parˆametros: DQO.5 litros de amostra para cada concentrac¸a˜ o de ozˆonio absorvido e durante a realizac¸a˜ o do teste o chorume promoveu a gerac¸a˜ o de espumas. COT. o chorume pr´e43 .0 g de ozˆonio absorvido/litro de efluente) em ensaios que tiveram durac¸a˜ o de 15 a 150 min. Todos os ensaios de ozonizac¸a˜ o foram realizados na temperatura ambiente com pH do efluente corrigido para valores da ordem de 4.5 e 3.5. Neste estudo. Com base nos experimentos realizados por BILA [4]. Figura 3.2 Procedimento experimental Foram realizados ensaios de ozonizac¸a˜ o com o chorume previamente submetido a` etapa de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o.5.

7 . bomba de engrenagem.45 (Milipore). Membrana Material Corte nominal MF e´ ster de celulose 0.22 Procedˆencia m Osmonics UF polisulfona 5 kDa Osmonics UF polisulfona 20 kDa Osmonics UF polisulfana 50 kDa Osmonics 3.004738 . As amostras de efluente ultrafiltrado (permeado) tiveram as suas caracter´ısticas determinadas (toxicidade e parˆametros f´ısico-qu´ımicos). 20. como ilustra a Figura 3.  44 . Em seguida. e possu´ıa uma a´ rea u´ til de membrana de 0.0 foi realizado o processo de ultra filtrac¸a˜ o de membranas com diferentes cortes (cutoff ).22 (Osmonics) ou 0. manˆometros e c´elula de permeac¸a˜ o como ilustrada na Figura 3. Os experimentos foram efetuados a temperatura ambiente e o efluente que n˜ao era permeado pela membrana.   Tabela 3.8.2. A alimentac¸a˜ o era efetuada por um orif´ıcio ligado a` uma canaleta para distribuic¸a˜ o uniforme no interior do m´odulo. a saber: 50. com pH o ajustado em 7.000 Da.1 Procedimento Experimental O sistema de separac¸a˜ o por membranas usado neste trabalho foi de fluxo cruzado onde a unidade de permeac¸a˜ o era constitu´ıda basicamente de um vaso de alimentac¸a˜ o.tratado (coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o) foi filtrado previamente em papel de filtro e posteriormente filtrado em membrana de microfiltrac¸a˜ o de 0.000 e 5. retornava ao vaso de alimentac¸a˜ o.000.5. conforme indicado na Tabela 3. A c´elula de permeac¸a˜ o foi constru´ıda em acr´ılico.2: Relac¸a˜ o de membranas usadas para microfiltrac¸a˜ o(MF) e ultrafiltrac¸a˜ o(UF). com objetivo de remover materiais em suspens˜ao. rotˆametro. No outro extremo da c´elula uma canaleta semelhante coletava o efluente conduzindo-o ao orif´ıcio de sa´ıda.

Figura 3.8: Representac¸a˜ o Esquem´atica da C´elula de Permeac¸a˜ o 45 .Figura 3.7: Esquema da unidade empregada nos ensaios de micro e ultrafiltrac¸a˜ o.

9 mostra o esquema do sistema utilizado para arraste da amˆonia. Frasco Bolhas de Ar Pedra Porosa Figura 3. 3. O volume de amostra submetido ao arraste foi de aproximadamente 600 mL com uma perda entre 100 e 150 mL. devido a grande produc¸a˜ o de espuma durante a aerac¸a˜ o.9: Esquema do Sistema Utilizado para o Arraste da Amˆonia 46 .Ne toxicidade.cor. os seguintes parˆametros eram monitorados: DQO. juntamente com avaliac¸a˜ o do teor de amˆonia. entre 10. A Figura 3.5 e 11. Este processo s´o ocorre em altos pH. foram feitos ensaios de remoc¸a˜ o da amˆonia por arraste com ar.   Ap´os o efluente pr´e-tratado ter sido submetido ao processo de ultrafiltrac¸a˜ o com uma dada membrana.6 Arraste da Amoˆ nia com Ar das Frac¸o˜ es Percoladas Com o intuito de reduzir o alto teor de nitrogˆenio amoniacal presente no chorume bruto e no chorume tratado. a amostra de chorume foi colocada em um recipiente com capacidade de 10 litros. O arraste consiste na transferˆencia da amˆonia da fase l´ıquida para a fase gasosa por injec¸a˜ o de ar no efluente. COT. at´e alcanc¸ar n´ıveis abaixo de 5ppm.5. cada teste teve uma durac¸a˜ o de at´e 7 dias. O pH foi corrigido para 11 a cada 24 horas.

observada atrav´es de efeito agudo (exposic¸a˜ o do organismo-teste ao efluente por per´ıodo de 48 ou 96 horas). A toxicidade e´ medida em termos de efeitos sobre a mortalidade. microcrust´aceo de a´ gua salgada.7 Bioensaios para determinac¸ a˜ o da toxicidade Foram realizados bioensaios de toxicidade para avaliar a potˆencia relativa de agentes qu´ımicos sobre organismos vivos. ozonizados. . Os testes foramrealizados num sistema est´atico por um per´ıodo de 24 e 48 horas. pr´e-tratado. Brachydanio rerio e a bact´eria luminescente Vibrio fisheri. onde 10 organismos foram introduzidos com aux´ılio de uma pipeta Pauster.7.2 Procedimento dos Testes  Todos os testes foram realizados em uma sala aclimatada com uma temperatura de C. Os organismos utilizados neste estudo foram: Artemia salina.CENO-Maior concentrac¸a˜ o de efeito n˜ao observado. e para cada concentrac¸a˜ o foram montadas cinco r´eplicas. atrav´es dos seguintes parˆametros: . 3. tendo ainda um grupo controle executado com cinco r´eplicas contendo apenas a´ gua do mar.1 Organismos testados Levando em considerac¸a˜ o os efeitos que um agente pode causar a` biota aqu´atica. Daphnia similis.  Concentrac¸a˜ o inicial de amostra que causou letalidade a 50 dos organismos expostos. 3. ap´os 24 horas de eclos˜ao em fase larvar obt´em-se os n´auplios II-III. .7. A exposic¸a˜ o destes organismos foram realizadas diferentes diluic¸o˜ es da amostra com a´ gua do mar sint´etica e expostos em cinco concentrac¸o˜ es. atingindo uma comunidade em diferentes n´ıveis e maneiras. Estes testes foram aplicados para o efluente bruto.CEO-Menor  47 .3. fracionado por membranas e submetido ao arraste para remoc¸a˜ o da amˆonia. recomenda-se realizar testes com organismos representativos de diferentes n´ıveis tr´oficos (produtores. provenientes de cistos liofilizados (ovos) comprados no mercado MACAU/RN. para serem usados nos testes. que quando colocados para eclodir. consumidores prim´arios e consumidores secund´arios). foram separados 10 mL e transferidos para os b´echeres. i) Artemia salina Os testes de toxicidade foram realizados com organismos jovens de Artemia tamb´em conhecido como camar˜ao duende.

Para realizac¸a˜ o dos testes as amostras foram submetidas a diferentes diluic¸o˜ es da amostra com a´ gua reconstitu´ıda e expostos em cinco concentrac¸o˜ es.10: Artemia salina ii) Daphnia Similis: Nos testes de toxicidade foram utilizadas jovens de Daphnia similis. ou seja. Figura 3. A Figura3. um sistema fechado no qual n˜ao ocorre a renovac¸a˜ o da soluc¸a˜ o teste por um per´ıodo de 24 e 48 horas.13 apresenta uma fotografia do microcrust´aceo Artemia salina. e um grupo controle executado com cinco r´eplicas contendo apenas a´ gua reconstitu´ıda. onde a   -Concentrac¸a˜ o inicial que causou efeito adverso a 50 % dos organismos expostos. com idade entre 6 e 24 horas. 10 mL foram transferidos para os b´echeres.13 apresenta uma fotografia do microcrust´aceo Daphnia similis. CENO-Maior concentrac¸a˜ o de efeito n˜ao foi observado eCEO-Menor concentrac¸a˜ o de efeito observado . microcrust´aceo de a´ gua doce. num sistema est´atico. A toxicidade e´ medida em termos de efeitos sobre a mobilidade. A Figura 3. onde 5 organismos foram introduzidos em cada replicac¸a˜ o.  48 .concentrac¸a˜ o de efeito observado. e para cada concentrac¸a˜ o foram montadas cinco r´eplicas.

A toxicidade foi medida em termos de efeitos sobre a letalidade .11: Daphnia similis iii) Brachydanio rerio: Os peixes de a´ gua doce.13 apresenta uma fotografia do peixe Brachydanio rerio. num sistema est´atico. e possui capacitac¸a˜ o t´ecnica para fornecer estes organismos.    e CENO. foram adquiridos em piscicultura e aclimatados em laborat´orio. A Figura 3.  Figura 3. tinham um comprimento de 30 a 35 mm e peso de 0.Figura 3.12: Brachydanio rerio 49 .3g.Brachydanio rerio mais conhecido como paulistinha ou peixe zebra. o fornecedor est´a localizado no bairro Vista Alegre (RJ).1 a 0. Em cada b´echer foram adicionados 10 organismos e os efeitos foram observados por um per´ıodo de 24 a 96 horas. Foram realizados testes com diferentes concentrac¸o˜ es da amostra dilu´ıdas com a´ gua reconstitu´ıda a um volume total de 3000 mL em b´echeres de 4000 mL. submetidos ao teste. Foram realizados testes com grupos controle com apenas a´ gua reconstitu´ıda.

Os resultados dos testes com peixe.9. significa ausˆencia de efeito t´oxico. tamb´em podem ser expressos em UT.3 Tratamento Estat´ıstico dos Dados Para obter o valor da CL 50 e da CE 50 determinados na avaliac¸a˜ o da toxicidade aguda. A Figura 3. A avaliac¸a˜ o do efeito e´ dada em 5 e 15 minutos onde se observa uma conseq¨uente reduc¸a˜ o na emiss˜ao de luz. Neste teste uma pequena quantidade de amostra exposta ao teste com as bact´erias bioluminescente.225 e 0.7. A toxicidade e´ medida em CE50. empregando-se o m´etodo de ajuste Sperman-Karber. os resultados obtidos foram submetidos a testes estat´ısticos.13 apresenta uma fotografia do Vibrio fisheri Figura 3. especialmente desenvolvido para realizac¸a˜ o deste bioensaio. as quais emitem luminosidade proporcional a` s suas reac¸o˜ es. que corresponde ao fator de diluic¸a˜ o da amostra. que fornece tamb´em o intervalo de 95 % de confianc¸a [85].112 mg/L de Cu) e mais um grupo controle. bact´eria de origem marinha que emite luz naturalmente. em n´umero inteiro.13: Vibrio fisheri 3. Caso n˜ao haja decr´escimo na produc¸a˜ o de luz pelo microorganismo teste. indicando assim a quantidade de organismos que podem estar afetados pela carga t´oxica. O organismo usado neste teste e´ a Vibrio fisheri. 0.iv) Microtox: O sistema Microtox e´ um fotˆometro de precis˜ao. observando a reduc¸a˜ o da luminescˆencia das bact´erias. 50 .45. O teste de referˆencia foi conduzido com sulfato de cobre com quatro diluic¸o˜ es (0. 0.

0. Este m´etodo se baseia na determinac¸a˜ o da absorbˆancia de uma uma soluc¸a˜ o e sua correlac¸a˜ o com absorbˆancia de uma soluc¸a˜ o padr˜ao de platina e cobalto.0 e pH 4. modelo 5000 A.0.8.1 DQO As determinac¸o˜ es da demanda qu´ımica de oxigˆenio(DQO) foram feitas segundo o m´etodo 5220 D (m´etodo colorim´etrico) descrito pela AWWA (APHA [58]). para a digest˜ao das amostras e um espectrofotˆometro vis´ıvel. 3. obtendo-se desta maneira. modelo DR/2000. o teor de carbono orgˆanico dissolvido. 3.8. modelo DMPH-2. O resultado e´ expresso em unidades de cor (UNITS PtCo COLOR).8.4 Cor A cor foi determinada de acordo com o m´etodo padr˜ao Platium-Cobalt sec¸a˜ o 2120 C. empregando-se um analisador de COT Shimadzu. As absorbˆancias foram determinadas em um espectrofotˆometro HACH. modelo DR/2000 da HACH.8. 3.45 m (Milipore). AWWA (APHA [58]). previamente calibrado com soluc¸a˜ o tamp˜ao de pH 7. Todas as amostras foram previamente filtradas atrav´es de membranas com diˆametro de poro igual a de 0. em um comprimento de onda de 455 nm. 51 . modelo 45600. O pH das amostras foram previamente corrigidos para 7.3 pH A determinac¸a˜ o do pH foi feita pelo m´etodo potenciom´etrico em um medidor de pH da marca Digimed.2 COT O teor de carbono orgˆanico foi determinado por t´ecnica instrumental.3. empregandose equipamento da HACH.8 Metodologia Anal´ıtica 3.

100ppm de amˆonia.sec¸a˜ o 4500-Cl. Introduziu-se o eletrodo tomando cuidado de evitar a formac¸a˜ o de bolhas na parte inferior do mesmo.Antes de realizar o teste.5 Cloreto O teor de cloretos foi determinado pelo o m´etodo argentom´etrico. Hg. Sn.2ml de soluc¸a˜ o ISA(Ionic Strengh Adjustor) e manteve-se em agitac¸a˜ o moderada. K. Zn. Ni. e no momento da leitura adicionou-se 0. Mn. 10ppm. Essas determinac¸o˜ es foram realizadas em laborat´orios externos como o da FEEMA (Fundac¸a˜ o Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) e o da Petroflex S. utilizou-se um eletrodo de ´ıon seletivo (Orion Model 720). Fe. Ba. pelo m´etodo de Espectrometria de Absorc¸a˜ o Atˆomica ´ com chama de Ar-Acetileno e Oxido Nitroso. 52 .B AWWA (APHA [58]). foi necess´ario fazer uma curva de calibrac¸a˜ o. Os metais Al. Pb. para isso foram preparados padr˜oes de concentrac¸o˜ es 1ppm.                (3.7 Metais De acordo com os levantamentos bibliogr´aficos feitos com o chorume de Gramacho. verificou-se a importˆancia da analisar a concentrac¸a˜ o de metais pesados.3.1) 3. Ca e Mg foram avaliados nos chorume bruto e pr´etratado (coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o).A.6 Amˆonia    Para determinar a concentrac¸a˜ o de N.8.8. 3. S. Cu. Cu. visto que eles podem contribuir para a toxicidade deste efluente.8. Cr.1 para calcular a concentrac¸a˜ o (em ppm) de amˆonia das amostras. A leitura dos padr˜oes determinou os coeficientes A e B da equac¸a˜ o 3.

. Os resultados da caracterizac¸a˜ o dos parˆametros f´ısico-qu´ımicos das amostras do chorume est˜ao apresentados de uma forma resumida na Tabela 4. foi evidenciada elevada concentrac¸a˜ o de material orgˆanico recalcitrante.Cap´ıtulo 4 ˜ RESULTADOS e DISCUSSAO Os resultados experimentais obtidos ser˜ao apresentados a seguir. 4. realizado com o chorume proveniente do aterro Metropolitano de Gramacho coletado em duas amostragens em diferentes e´ pocas do ano. bem como elevados teores de amˆonia. metais pesados.1 Caracterizac¸a˜ o do efluente Neste estudo.1. bem como o comportamento da toxicidade do chorume bruto e tratado pelas t´ecnicas investigadas. de acordo com as t´ecnicas de tratamento empregadas neste estudo.

verificou-se que o pH do chorume foi praticamente o mesmo nas duas amostragens. no ambito deste trabalho realizar determinac¸o˜ es de DBO com as amostras coletadas. ainda assim fica evidenciada a recalcitrˆancia. acidogˆenese.29 5250 6925 802 754 4129 5142 .2).03 23. caracterizados por v´arias reac¸o˜ es seq¨uenciais. Quanto maior for esta raz˜ao. Na realidade um aterro sanit´ario funciona como um grande reator biol´ogico. e´ poss´ıvel entender os resultados obtidos neste estudo.Resultado de outra amostragem.Tabela 4. Cada conjunto de reac¸o˜ es ocorre pela ac¸a˜ o de uma populac¸a˜ o bacteriana espec´ıfica. da ordem de 500 mg L. mesmo para alguns valores mais elevados reportados na literatura (Tabela 4. dentro dele ocorrem processos de convers˜ao anaer´obia.04 815 1001 0.24 0.13 0. relacionando-os com os processos 54 . pode ser ilustrada pela alta raz˜ao   t´ıpica de aterro velho. acetogˆenese e a metanogˆenese [86]. distinguindo-se quatro etapas diferentes: hidr´olise. a qual indica o n´ıvel de biodegradabilidade de um determinado efluente.1: Caracterizac¸a˜ o do Chorume: valores m´edios dos parˆametros f´ısico-qu´ımicos de duas amostras distintas.16 8. Com o conhecimento dos contaminantes potenciais que pode conter o chorume.04 0. menos biodegrad´avel e´ o efluente. Parˆametros  Amostragem pH  DQO (    )                                          Cor (      )          Cloretos (   )   Amostragem 8. De acordo com os resultados obtidos. reportado por BILA [4]     A recalcitrˆancia do material orgˆanico.25 3455 3470 150* 150* 23. Infelizmente n˜ao foi poss´ıvel. No entanto.

n´ıquel e o zinco.          . em 89 amostras de chorume testadas o n´ıvel de amˆonia encontrava-se alto. condutividade e amˆonia n˜ao estejam menci´ onados no regulamento de descarte de chorume na Franc¸a. Embora existam compostos t´oxicos de v´arias naturezas no chorume.   . pois a alcalinidade e o pH afetam o equil´ıbrio da amˆonia (ionizada ou n˜ao). podendo ocorrer elevadas concentrac¸o˜ es de amˆonia [3. pois est´a presente em n´ıveis altos. Portanto. foi obtida a confirmac¸a˜ o de que esses parˆametros podem ser os principais contribuintes a` toxicidade desses despejos. a amˆonia e´ tamb´em preocupante. incluindo o metano.   . Abaixo encontram-se relacionados tipos de contaminantes potenciais encontrados no chorume. os Acidos Graxos Vol´ateis (AGV) e outros compostos orgˆanicos.   . v) Metais pesados: c´admio. ˆ iv) Anions: iii) C´ations: .   . desde 1993. 21]. ou pelo Carbono Orgˆanico Total ´ (COT). para n˜ao criar condic¸o˜ es favor´aveis para o surgimento de amˆonia na forma t´oxica. chumbo. fen´ois. tal como relatado por BARBOSA et al. [88] relataram que nos trabalhos realizados por v´arios autores. durante a fase acetogˆenica. ii) Componentes Orgˆanicos Antr´opicos (COA):hidrocarbonetos arom´aticos. como por exemplo metais pesados e alguns compostos orgˆanicos.   . os seus resultados indicaram que o pH e a alcalinidade do chorume. e atrav´es de c´alculos utilizando regress˜ao matem´atica aplicada aos parˆametros f´ısico-qu´ımicos e toxicol´ogicos. O controle do lanc¸amento no tocante a` amˆonia pode evitar tamb´em os riscos de eutrofizac¸a˜ o [88]. devem ser controlados. que ser´a lanc¸ado no corpo receptor. ´ CLEMENT et al. compostos alif´aticos clorados. em m´edia 404 mgN/L.    .   . entre outros. Altas concentrac¸o˜ es de nitrogˆenio amoniacal presentes no percolado podem ser consequˆencia da degrac¸a˜ o biol´ogica de amino´acidos e outros compostos orgˆanicos nitrogenados. Ainda que os parˆametros alcalinidade. cobre. 34.[87]: i) Mat´eria orgˆanica dissolvida: medida pela Demanda Qu´ımica de Oxigˆenio (DQO) e pela Demanda Bioqu´ımica de Oxigˆenio (DBO). n´ıvel este considerado t´oxico.descritos acima.    . cromo. vem estudando a contribuic¸a˜ o destes parˆametros. 55 . CLEMENT.

apresenta valores similares em ambas amostragens.4.27 para a relac¸a˜ o COT/DQO. Os dados obtidos nesta caracterizac¸a˜ o evidenciaram que os fatores clim´aticos n˜ao interferiram nas caracter´ısticas do chorume para as amostras coletadas em diferentes e´ pocas do ano. O valor da DBO registrado na Tabela 4. Portanto.. raz˜ao      e para raz˜ao COT/DQO igual a 0.1. a mat´eria orgˆanica medida atrav´es dos parˆametros DQO e COT.2.1 e usado para o c´alculo das raz˜oes acima foi obtido do trabalho anterior conduzido no laborat´orio com o chorume do Aterro de Gramacho [4]. Conforme indicado na Tabela 4.04 para raz˜ao e uma m´edia de 0. Os resultados indicam que a raz˜ao  encontra-se em torno de 23. a  baixa biodegradabilidade do chorume. A caracterizac¸a˜ o revela tamb´em a presenc¸a de altas concentrac¸o˜ es de cloretos e de intensa cor no chorume. evidenciando assim. cerca de 0. tornando-o mais biodegrad´avel. Os resultados apresentados na Tabela 4.             56      . verificaram que o chorume de um aterro pode ser considerado esta  bilizado quando apresenta valores de  . este efluente precisa ser submetido a tratamentos que diminuam a sua recalcitrˆancia. revelam as caracter´ısticas do chorume do aterro de Gramacho/RJ analisados em per´ıodos diferentes em nosso laborat´orio e por empresas de tecnologia ambiental. [89].    BAIG et al.

2: Caracterizac¸a˜ o do chorume do Aterro de Gramacho feita em diferentes per´ıodos por pesquisadores e t´ecnicas distintas Amostras Parˆametros pH  )    .Tabela 4.

     .

3 7.42 5. Os dados deste trabalho apresentados na Tabela 4.3 8. No Brasil n˜ao existe uma legislac¸a˜ o que fornec¸a os limites de lanc¸amento para este tipo espec´ıfico efluente. e a legislac¸a˜ o Estadual (FEEMA) estabelece lanc¸amento de 250mg/L para DQO para efluentes de natureza industrial. a medida que a idade do aterro foi aumentando. devendo-se obedecer a` s normas estaduais e a legislac¸a˜ o federal.  DQO ( Cloretos (   CAMMAROTA GEOPROJETOS TECMA BILA 1991 1994 1995 1997 1998 2000 8.45 20 15540 8169 - - 3534 3700 2200 1871 - - 500 - ) Sulfatos ( HIDROQU´IMICA COPPE-UFRJ ) Pode-se observar dos resultados da Tabela 4. s˜ao apresentados na Tabela 4. isso pode ter acontecido devido a` maneira como foram realizadas as determinac¸o˜ es deste parˆametro. a relac¸a˜ o  foi muito elevada (superior a 14) e para apenas um deles foi encontrada uma relac¸a˜ o baixa (2.72 4.2 9590 6924 8805 3792 2694 3096 360 468 3232 857 494 150 26. Para ilustrar a variabilidade de composic¸a˜ o e caracter´ısticas dos chorumes.2 mostram que para trˆes dos estudos efetuados.64 14.1 tamb´em confirmam a alta raz˜ao obtida para esse parˆametro. Os dados da Tabela4.7).0 8.3 alguns dados recentes referentes a percolados de diversas pro-     57 .9 8. que e´ indicativo de um efluente de baixa biodegradabilidade. O valor de lanc¸amento para efluentes de qualquer fonte poluidora estabelecido pelo CONAMA N 20 [81] e´ de 5. Para a DBO n˜ao se observa esta mesma tendˆencia.2 que parece haver uma tendˆencia de decr´escimo dos valores de DQO.2 8.0 mg/L para amˆonia.79 2.

4-7.3: Dados recentes sobre parˆametros caracter´ısticos dos chorumes gerados em aterros de diferentes regi˜oes brasileiras Parˆametros pH  DQO (   M´edias na fase  )          (   ) (   ) Cloretos  (    ) 7.0 500-4500 20-550 30-3000 100-5000 8.4 588-49680 99-26799 0.5 6027 409 Chorume de 7. Tabela 4.N˜ao foi avaliado    .7-8.6 298 61 47.3 Nit´eroi-RJ  Chorume de S˜ao Gi´acomo-RS  Chorume de 526 4204 22-42 Porto Alegre-RS Chorume de Biguac¸u-SC   7.cedˆencias.5-9.7 5200-1150 2800-4000 5.0 3275 494 934 3534 Metanogˆenica Chorume de Gramacho-RJ Chorume do Jockey Club-DF  7.43-7.7 955 Chorume do  Jangurussu-CE 8.57 2370-8480 . Observa-se que mesmo para os percolados que se encontram em processo de degradac¸a˜ o anaer´obia (fase metanogˆenica) h´a uma apreci´avel diferenc¸a nas suas caracter´ısticas.57-8.6-1258 7.

  
,1997) apud OLIVEIRA et al.[3];  FERREIRA et al.[36];  (SANTOS,
1996)apudOLIVEIRA et al.[3];  OLIVEIRAet al.[3];  SISINO et al. [90];  PESSIN et al. [91];  KUAJARA et al. [92]; 

Fonte: EHRIG (apud

LUZ [53].

Para os chorumes de Gramacho, Jangurussu e Porto Alegre fica evidenciada a alta
58

  

relac¸a˜ o 
. Ademais, os n´ıveis de nitrogˆenio amoniacal s˜ao bastante elevados.
Os teores de metais medido neste trabalho para as duas coletas efetivadas no Aterro
de Gramacho encontra-se na Tabela 4.4, que tamb´em apresenta os limites de descarte
determinados pela legislac¸a˜ o.
Tabela 4.4: Resultados das an´alises de metais presentes nas amostras de chorume do
Aterro de Gramacho e limites de lanc¸amento de alguns poluentes
Amostras de Chorume Bruto
Parˆametros

Amostra1

(mg L)

(mg L)

Al
Ba
Cd
Pb
Co   

Amostra2
(mg L)  

  
 
    

VMP 



(mg L)

VMP 

 

(mg L)

1,5     

  
 


5   

0,2

0,1

0,5

0,5 

Cu

0,08

0,1

1

0,5

Cr

0,2

0,1

0,5

0,5

Sn    

4

Fe

5,5

8

15

Mn

0,2

0,05

1

2

1,2

0,01

0,01

Ni

0,1

0,25

2

1

K

1700

1900

Na

2700

3200

Zn

0,35

0,25

5

1

Ca

320

240

Mg

97,2

72,9

Hg    

- Concentrac¸o˜ es determinadas nolaborat´orio da FEEMA em ( 
Hg(  )
59 

), exceto o

 

- Valores M´aximos Permiss´ıveis por Lei - Fonte: Resoluc¸a˜ o CONAMA  
- Valores M´aximos Permiss´ıveis por Lei - Fonte:NT-202 (FEEMA) [93] 



[81]

Observa-se na Tabela 4.4 que o teor de metais presentes no chorume bruto e´ inferior
ao limite estabelecido para todos os metais.
Segundo BAIG et al. [94] em chorumes velhos que apresentam caracter´ısticas de estar
estabilizados, geralmente podem ser observadas concentrac¸o˜ es elevadas de c´alcio, ferro,
magn´esio, metais pesados, s´odio e pot´assio. No presente trabalho observou-se para ambas
as amostras analisadas teores elevados de Na, K, Ca e Mg.
Foram feitas determinac¸o˜ es de metais da primeira coleta, logo ap´os a amostragem,
usando a mesma t´ecnica anal´ıtica, por´em realizadas no laborat´orio da Petroflex S.A. Os
resultados mostrados na Tabela 4.5 s˜ao distintos daqueles apresentados na Tabela 4.4, e´
importante considerar que as an´alises foram realizadas em laborat´orios diferentes, por
material e pessoas diferentes. Cabe ressaltar que os teores de Al, Cu, Fe, Mn, Ni e Zn
encontram-se abaixo do limite de descarte. Entretanto, os metais Cr e Sn apresentaram-se
em teores superiores ao padr˜ao de lanc¸amento.

60

os teores encontrados no chorume est˜ao aqu´em do padr˜ao de descarte.4 apontam que para a maioria dos metais analisados.5 e 4.78 2 1 K 1962 Na 1839 Zn 0.5: Resultados das an´alises de metais presentes na amostra de chorume do Aterro de Gramacho e limites de lanc¸amento de alguns poluentes Amostras de Chorume Bruto Parˆametros Amostra1   VMP   VMP    (mg L) (mg L) (mg L) (mg L) Al 1.21 0.63 15 Mn 0.5 2 1 . H´a uma preocupac¸a˜ o com o cromo e com estanho.7 Mg 87.5 Sn 6.98 4 Fe 4.5 Co 0.83 0.Fonte:NT-202 (FEEMA) [93] Os resultados das Tabelas 4.Valores M´aximos Permiss´ıveis por Lei .21 5 1 Ca 18.Fonte: Resoluc¸a˜ o CONAMA     [81] .Valores M´aximos Permiss´ıveis por Lei .5 Cr 0.25 Cu 0.Concentrac¸o˜ es determinadas na Petroflex   . 61 .32 1.5 Ni 0.5 0.Tabela 4.15 1 0. E´ tamb´em recomend´avel que um maior n´umero de amostras seja coletada para que possam ser tiradas conclus˜oes mais definitivas. posto que esses dois u´ ltimos mostraram-se elevados em uma das amostras analisadas.

Naquele trabalho. cor e cloreto Coagulac¸a˜ o-Floculac¸a˜ o Concentrac¸a˜ o Inicial               *     Remoc¸a˜ o Final (%) 3455 2670 23 815 690 15 5250 1550 70 4129 3599 13  concentrac¸o˜ es em (   concentrac¸o˜ es em (  )      62 ) . Em seus estudos os autores conseguiram remoc¸a˜ o de DQO do chorume atrav´es da coagulac¸a˜ o em pH o´ timo na faixa entre 3 a 6.6 e 4.4. Este tratamento tamb´em pode remover alguns metais presentes no chorume bruto. em cujo trabalho ficou tamb´em determinado o ponto o´ timo da coagulac¸a˜ o (pH=4. A escolha do coagulante utilizado neste trabalho.7 . resultando na neutralizac¸a˜ o das cargas el´etricas das part´ıculas e conseq¨uentemente na diminuic¸a˜ o das forc¸as de repuls˜ao. Boas remoc¸o˜ es foram alcanc¸adas tamb´em com a utilizac¸a˜ o do polieletr´olito catiˆonico. conforme indicado nas Tabelas 4.5). o  ( ) foi utilizado em pHs baixos. resultando assim na formac¸a˜ o de um meio com predominˆancia de c´ations multivalentes. que est´a diretamente relacionado com as condic¸o˜ es f´ısicas e qu´ımicas do chorume e com as condic¸o˜ es operacionais. favorecendo a formac¸a˜ o de flocos. foi ditada pelos resultados obtidos por BILA [4]. O principal objetivo do tratamento prim´ario e´ a remoc¸a˜ o do material orgˆanico recalcitrante do chorume.    Tabela 4. Segundo KANG e HWANG [95] os processos f´ısico-qu´ımicos tˆem sido ideais para tratar chorumes velhos.6: Resultados do processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o aplicado a` primeira amostra do chorume: remoc¸a˜ o de mat´eria orgˆanica. propiciou a formac¸a˜ o de complexos com esses c´ations. A natureza das part´ıculas presentes no chorume.2 Tratamento prim a´ rio No teste de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o ocorreu uma apreci´avel remoc¸a˜ o da maioria dos parˆametros analisados.

proveniente de aterros que apresentam idade superior a 10 anos [44].7: Resultados do processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o aplicado a` segunda amostra do chorume: remoc¸a˜ o de mat´eria orgˆanica. A remoc¸a˜ o de cor foi elevada no pr´e-tratamento. Devido ao volume de amostra tratada no laborat´orio. cerca de 70%. Os n´ıveis de remoc¸a˜ o da DQO variaram de 23 a 27% e os de COT de 15 a 24% para as amostras 1 e 2 . COT. ficando pr´oxima da faixa de erro do m´etodo. o teor de amˆonia n˜ao foi determinado nesta etapa de tratamento. expressa como DQO e COT. respectivamente.Tabela 4. cor e cloreto Coagulac¸a˜ o-Floculac¸a˜ o Concentrac¸a˜ o Inicial               *     Remoc¸a˜ o Final (%) 3470 2530 27 1001 757 24 6925 2225 69 5142 4906 5  concentrac¸o˜ es em (   concentrac¸o˜ es em (  )      ) Com base nos dados encontrados na literatura. A Figura 4. pelo fato de poder apresentar um valor incorreto. cor e cloretos est˜ao representados na forma de gr´afico de barras na Figura 4. como era de se esperar.2 63 . a percentagem de remoc¸a˜ o para DQO e COT obtidos na coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o est´a geralmente compreendidas entre 10-25% para chorume do tipo estabilizado.1 ilustra a remoc¸a˜ o de cor obtida nesse processo. Os dados gerais de remoc¸a˜ o de DQO. A remoc¸a˜ o de cloretos foi muito pequena. a coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o apresentou uma boa remoc¸a˜ o da mat´eria orgˆanica. Levando em considerac¸a˜ o as caracteristicas do chorume. isto e´ .

1: Fotografia ilustrativa da remoc¸a˜ o de cor do chorume promovida pelo processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o Figura 4.2: Remoc¸a˜ o dos parˆametros analisados no processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o do chorume 64 .Figura 4.

4. Pb. Para Ba. como se depreende da comparac¸a˜ o dos dados das Tabelas 4. foi o que alcanc¸ou maiores remoc¸o˜ es. Mn. Observa-se que o tratamento com o coagulante  ( ) promoveu um elevado aumento do teor de Al no efluente tratado em comparac¸a˜ o com o chorume bruto. Cd. Observou-se tamb´em que para Hg. juntamente com os valores m´aximos de descarte permiss´ıveis.Tal como ilustrado nas Figuras 4. Zn e Ca). na faixa de 69 a 70%.2.8 e 4. Na.8 . Fe. em ambas as amostragens.1 e 4. K. Ni e Cr n˜ao foram observadas remoc¸o˜ es consistentes. Mg. As concentrac¸o˜ es de metais presentes no chorume. ap´os o tratamento prim´ario est˜ao mostradas na Tabela 4. A coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o proporcionou alguma remoc¸a˜ o para v´arios metais analisados (Cu.    65 . Co os teores foram idˆenticos aos encontrados no chorume bruto e est˜ao abaixo do limite de detecc¸a˜ o do m´etodo. verifica-se que o parˆametro f´ısico cor.

8: Resultados das an´alises de metais presentes nas amostras de chorume pr´etratado e limites de lanc¸amento de alguns poluentes.6 2 0.2 0.3 97.01 0.15 0.Valores M´aximos Permiss´ıveis por Lei .Fonte: Resoluc¸a˜ o CONAMA   [81]   .2 Mn Hg  2.2 0.06 1 0.5 Cd Pb Co                     VMP   Amostra1 Ba Amostra1  Parˆametros VMP    (mg L) 5    0.5 0.1 0.8 4     ).15 0.04 0.1 0. Amostras de Chorume Pr´e-Tratado (Coagulac¸a˜ o Floculac¸a˜ o)  (mg L) (mg L) (mg L) (mg L) Al 28 40 1.5  Cu 0.Concentrac¸o˜ es determinadas no laborat´orio da FEEMA em (  Hg(  )   . exceto .5 0.1 2 1 K 1500 1700 Na 2700 2900 Zn 0.05 1 1.5 Cr 0.01 Ni 0.3 5 1 Ca 240 200 Mg 24.Valores M´aximos Permiss´ıveis por Lei .Fonte:NT-202 (FEEMA) 66 .Tabela 4.5 Sn Fe        4 15 0.

Figura 4.3 Ozonizac¸a˜ o A ozonizac¸a˜ o foi empregada com o objetivo de aumentar a biodegradabilidade do chorume.5 g/L.   67 .0. 30]. 94. promovendo uma efetiva reduc¸a˜ o de DQO.4. contribuindo para a reduc¸a˜ o da toxicidade do efluente [42. Os resultados relativos a` remoc¸a˜ o de DQO do chorume pr´e-tratado no processo de ozonizac¸a˜ o est˜ao apresentados na Figura 4. Esta t´ecnica tem-se mostrado eficiente para degradar poluentes orgˆanicos. 95. que s˜ao mais prontamente oxid´aveis pelos reagentes de DQO (aumento da DQO detect´avel). Neste gr´afico pode-se observar que houve uma reduc¸a˜ o nos n´ıveis de DQO a` medida que foi aumentanda a dosagen de ozˆonio. A oxidac¸a˜ o mais completa foi observada em pH de aproximadamente 4. KANG e HWANG [95] observaram em seus estudos uma eficiente remoc¸a˜ o da DQO na oxidac¸a˜ o de acordo com o pH da reac¸a˜ o. muitas vezes presentes no chorume. Segundo BILA [4] as baixas remoc¸o˜ es e at´e remoc¸o˜ es negativas (aumento da DQO) observadas para baixas dosagens de podem ser atribu´ıdas a` r´apida mudanc¸a na estrutura dos compostos orgˆanicos como conseq¨ueˆ ncia de reac¸o˜ es de formac¸a˜ o de intermedi´arios de curta durac¸a˜ o. Quando maiores dosagens s˜ao aplicadas esses compostos s˜ao oxidados.3: Remoc¸a˜ o de DQO obtida nos testes para diferentes dosagens de ozˆonio Observa-se tamb´em que praticamente n˜ao houve remoc¸a˜ o da DQO para as dosagens de ozˆonio iguais ou inferiores a 0. como os hidrocarbonetos poli-arom´aticos e clorofen´ois.3.

medida em ambas as amostragens realizadas. havendo em algumas condic¸o˜ es (dosagens intermedi´arias) at´e aumento do seu valor. a ela foi adicionado um anti-espumante.Antes da amostra de chorume pr´e-tratado pelo processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o ser submetida ao processo de ozonizac¸a˜ o.5. afim de reduzir a formac¸a˜ o de espuma na coluna de contato. Observou-se que ap´os a adic¸a˜ o deste produto houve um aumento no valor da DQO.4: Comportamento da DQO do chorume pr´e-tratado e ozonizado em diferentes condic¸o˜ es Quanto ao COT. que praticamente n˜ao houve reduc¸a˜ o desse parˆametro para todas as dosagens de ozˆonio investigadas. A Figura 4. de 2700 para cerca de 3000 mg/L. Figura 4. pode-se observar na Figura 4. 68 .4 mostra os valores de DQO do efluente tratado com diferentes dosagens de ozˆonio.

na literatura h´a relato de apreci´avel remoc¸a˜ o de COT de chorume.6 e 4.Figura 4. e que n˜ao s˜ao oxidados na an´alise instrumental. esses compostos tornam-se menos recalcitrantes e passam a ser quantificados.7.   69 . Ao serem modificados na ozonizac¸a˜ o.5: Variac¸a˜ o do COT do chorume pr´e-tratado e ozonizado em diferentes condic¸o˜ es O aumento de COT na ozonizac¸a˜ o tamb´em foi observado por LIMA [96] e RIBEIRO [29]. apresentou um menor n´ıvel de cor. A remoc¸a˜ o de cor aumentou com a dosagem de ozˆonio. O chorume ozonizado. gerando valores de COT maiores do que o inicial. tal como indicado nas Figuras 4. pr´e-tratado por processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o. quando combinou-se com UV [97]. Embora neste trabalho n˜ao tenham sido observadas remoc¸o˜ es de COT na ozonizac¸a˜ o. Esses autores explicam que o aumento do COT pode ser atribu´ıdo a` presenc¸a de compostos recalcitrantes que s´o s˜ao oxidados durante a ozonizac¸a˜ o.

Figura 4.7: Variac¸a˜ o da cor do efluente com o pr´e-tratamento e posterior ozonizac¸a˜ o com diferentes dosagens de ozˆonio ZHOU e SMITH [98] observaram que a ozonizac¸a˜ o foi eficiente no tratamento de eflu70 .0g O3/L Figura 4.1gO3/L 0.6: Remoc¸a˜ o de cor no processo de ozonizac¸a˜ o do efluente pr´e-tratado para diferentes dosagens de ozˆonio.5g O3/L CHORUME OZONIZADO 3.5 gO3/L CHORUME OZONIZADO 1. CHORUME BRUTO CHORUME PRE− TRATADO CHORUME CHORUME OZONIZADO OZONIZADO 0.

000 Permeado − PM < 20.8: Esquema e resultados do fracionamento do efluente em membranas com diferentes cortes (primeira amostragem) 71 . 4.000 DQO= 1310 mg/L COT= 492 mg/L cor= 630 N−NH +4=1296ppm 5. como ilustrado nas Figuras 4. que possuem matrizes orgˆanicas constitu´ıdas por diversos tipos de compostos altamente complexos. Esta remoc¸a˜ o pode ser observada a` medida que o efluente foi permeando por membranas de poros mais fechados. que foi insignificante por essa t´ecnica. Efluente 50.entes de uma f´abrica de polpa de papel.000 Permeado − PM < 50.4 Fracionamento com membranas Os resultados obtidos no fracionamento apresentaram apreci´aveis remoc¸o˜ es para os parˆametros DQO. Para que haja remoc¸a˜ o da amˆonia no chorume.000 DQO= 1850 mg/L COT= 845 mg/L cor= 1520 N−NH 4 + =1679ppm 20. COT e cor.000 DQO= 1250 mg/L COT= 485 mg/L cor= 540 N−NH 4 += 1515 ppm Figura 4.8 e 4. a n˜ao ser que ocorresse complexac¸a˜ o desse ´ıon ou interac¸a˜ o com compostos de maior massa molecular. deve-se levar em conta alguns fatores que interferem na composic¸a˜ o do chorume. alcanc¸ando 80% de remoc¸a˜ o para cor e 50% de remoc¸a˜ o para AOX (haletos orgˆanicos adsorv´ıveis).9. (pH. A ozonizac¸a˜ o tem se mostrado eficiente para diferentes a´ guas residu´arias inclusive para chorumes. temperatura entre outros). Em func¸a˜ o do tamanho molecular da amˆonia n˜ao era esperada a sua remoc¸a˜ o.000 Permeado − PM < 5. pr´e-tratado por processos biol´ogicos.

De todo modo. a t´ecnica e´ u´ til para previs˜oes e estimativas relacionadas ao tamanho molecular dos compostos presentes no efluente.000 Permeado − PM < 5.000 5.000 DQO= 1670 mg/L COT= 629 mg/L cor= 2040 N−NH 4+= 1394ppm Permeado − PM < 20. Pode-se com essa t´ecnica ter uma estimativa n˜ao muito precisa da faixa de massa molecular dos poluentes presentes no efluente.Efluente 50. COT de 750 mg/L e cor de 1550 (amostra 1) e 2225 mg PtCo/L (amostra 2).000 DQO= 1900 mg/L COT= 898 mg/L cor= 2160 N−NH 4+ =1451ppm 20.000 Permeado − PM < 50.9: Esquema e resultados do fracionamento do efluente em membranas com diferentes cortes (segunda amostragem) A t´ecnica empregada n˜ao se caracteriza como um m´etodo de determinac¸a˜ o de massa molecular.000 DQO= 1480 mg/L COT= 576 mg/L cor= 790 N−NH 4 + = 1591 ppm Figura 4. observam-se as remoc¸o˜ es mostradas na Tabela 4. Fenˆomenos como a adsorc¸a˜ o de mol´eculas na membrana e na camada de ultrafiltrac¸a˜ o formada ao longo da operac¸a˜ o (fouling) e poss´ıveis interac¸o˜ es moleculares durante o processo de concentrac¸a˜ o fazem com que a separac¸a˜ o por massa molecular n˜ao seja absoluta com relac¸a˜ o ao tamanho de corte da membrana. Admitindo-se uma alimentac¸a˜ o (chorume pr´e-tratado) com DQO da ordem de 2600 mg/L.9 72 .

000 Da) Amostra1 Amostra2 29 27 50 36 52 43   34 16 35 23 2 3 59 8 65 64 .7% de DQO. mas o pH e o teor de mat´eria orgˆanica dissolvida continuaram elevados. Para o COT essa contribuic¸a˜ o e´ menor. desde que fluxos adequados de permeado fossem obtidos.[99] pois apresentou uma pequena remoc¸a˜ o de 6. Ap´os o tratamento biol´ogico o melhor resultado quanto a fluxo de permeac¸a˜ o do chorume foi obtido com uma membrana de polisulfona. Talvez. apresentando valores elevados para todos os outros parˆametros analisados. e´ significativa. da ordem de 65%. para a cor.9: Remoc¸a˜ o percentual de parˆametros f´ısico-qu´ımicos de interesse observados no processo de fracionamento por membranas Parˆametro DQO (mg/L) COT (mg/L) Cor (mg PtCo/L)  Permeado (50. essa massa corresponde a cerca de 28 mol´eculas de glicose agrupadas. utilizando chorume com caracter´ısticas recalcitrantes. a contribuic¸a˜ o dos compostos de alta massa molecular. para obter melhor desempenho no processo. acima de 5. a menor investigada no fracionamento. corresponde a mol´eculas orgˆanicas grandes. De acordo com alguns trabalhos da literatura e´ importante considerar o tipo de material da membrana. A experiˆencia com o tratamento biol´ogico n˜ao foi boa para BOHDZIEWICZ et al. 73 .000Da. Os dados apresentados na literatura sugerem que os processos com membranas. Empregando o processo de ultrafiltrac¸a˜ o na seq¨uencia do tratamento. da ordem de 30%.000 Da.Tabela 4.000 Da) Amostra1 Amostra2 Permeado (20.N˜ao foi calculado (n˜ao houve remoc¸a˜ o) Dos resultados infere-se que cerca de 50% da DQO do efluente provem da contribuic¸a˜ o de compostos com massa molecular superior a 5. podem ser muito eficientes para o tratamento de chorumes com caracter´ısticas recalcitrantes. observou-se melhora nos resultados. BOHDZIEWICZ et al. No entanto. se utilizada uma membrana de corte menor (2. a ultrafiltrac¸a˜ o poderia ser uma boa t´ecnica para o tratamento do chorume. A massa molecular de 5. polisulfona e acetato de celulose no processo de ultrafiltrac¸a˜ o.000 Da). para exemplificar. Somente com a posterior aplicac¸a˜ o de um tratamento de oxidac¸a˜ o qu´ımica foi obtida a remoc¸a˜ o da DQO. [99] empregaram trˆes tipos de membranas: cloreto de polivinila.000 Da) Amostra1 Amostra2 Permeado (5.000 Da.

em particular. Tabela 4.9 608 1420 562 1.Conforme j´a comentado. conforme se constata da comparac¸a˜ o dos resultados expressos nas Figuras 4.10 foram corrigidos em func¸a˜ o da variac¸a˜ o de volume da amostra durante o teste. visto que o teor de nitrogˆenio amoniacal ainda apresentava-se muito elevado.000Da.9 com dados da Tabela 4.5 1292 1590 416 0. O objetivo principal do emprego deste processo de tratamento foi remover a amˆonia presente no chorume ap´os o tratamento prim´ario. praticamente n˜ao houve remoc¸a˜ o de DQO e COT no processo de arraste (Tabela 4.2 NC 1750 860 1.N˜ao foi calculado Conforme anteriormente comentado.000 Da 50. para os permeados das membranas de maior corte (50.000 Da).5 Arraste da amoˆ nia das amostras fracionadas em membranas O m´etodo f´ısico-qu´ımico mais comum para remoc¸a˜ o de amˆonia do chorume e´ o arraste por ar. [42] alcanc¸aram 93% de remoc¸a˜ o de amˆonia para um chorume que apresentava alta concentrac¸a˜ o inicial.000 Da 5. MARTTINEN et al. 74 .000 Da 20. O arraste com ar aplicado a` s amostras do chorume fracionado por membranas contribuiu para uma significativa remoc¸a˜ o da amˆonia.0 1430 1080 442 2.10. neste trabalho foram obtidas apreci´aveis remoc¸o˜ es de cor e DQO para a permeac¸a˜ o em membrana de 5.9).000 Da 1840 607 5. 4.0 730 NC .000 Da 5.10 e Figuras 4. podendo contribuir para a alta toxicidade do efluente. Alguma remoc¸a˜ o de cor foi observada para o chorume permeado proveniente da segunda amostragem.8 580 1430 570 2. Os valores constantes da Tabela 4. Esta remoc¸a˜ o significativa ocorreu em pH 11.8 e 4. enquanto os demais parˆametros permaneceram praticamente inalterados.000 e 20.10: Valores dos parˆametros f´ısico-qu´ımicos analisados nos permeados ap´os o arraste da amˆonia Parˆametro  DQO (mg/L) COT (mg/L) (mg/L) Cor (mg PtCo/L)    Amostra 1 Amostra 2 50. Cabe ressaltar que durante o arraste ocorre evaporac¸a˜ o da a´ gua e concentrac¸a˜ o da amostra.8 e 4.000 Da 20.

ela foi reduzida a valores abaixo de 5mg/L. 75 . em 7h de operac¸a˜ o com pH 11. [100] apresentaram remoc¸a˜ o de 90.000Da d) Permeado-Membrana de 5. ou ainda.  b) Permeado-Membrana de 50. a cin´etica de remoc¸a˜ o da amˆonia observada experimentalmente encontra-se ilustrada na Figura 4.A remoc¸a˜ o de DQO foi muito baixa.5 a C com efluente de suinocultura. entre 4-21% indicando assim pouca volatilizac¸a˜ o de compostos orgˆanicos. O comportamento.10.000Da a) Pr´e-Tratado c) Permeado-Membrana de 20.000Da Figura 4.3% de amˆonia.10 observa-se uma tendˆencia de se atingir o limite de descarte de amˆonia mais rapidamente para os permeados das membranas. Experimentos de arraste com ar feitos por LIAO et al. o que ocorre em praticamente 48 horas. A fim de eliminar a possibilidade da amˆonia estar contribuindo para a toxicidade do chorume.10: Variac¸a˜ o do teor de amˆonia no decorrer do ensaio de arraste com ar para o chorume pr´e-tratado e posteriormente fracionado em membranas com diferentes cortes Dos gr´aficos da Figura 4. limite este determinado pela Resoluc¸a˜ o CONAMA 20 [81] para que um efluente industrial possa ser lanc¸ado no corpo receptor.

4. pode ocorrer a concentrac¸a˜ o de t´oxicos ao longo da cadeia. Um grande ecologista (Elton. transformando a mat´eria inorgˆanica em orgˆanica. para alimentar outros organismos. esta toxicidade ir´a afetar organismos que s˜ao produtores prim´arios.6 Toxicidade A concentrac¸a˜ o de componentes inorgˆanicos do chorume e´ muito alta. a grande maioria dos trabalhos aborda principalmente a toxicidade do efluente final e seu poss´ıvel impacto no corpo receptor. componentes do fitoplˆancton.11: Pirˆamide representativa dos organismos em determinados n´ıveis tr´oficos. sendo talvez a principal respons´avel pela toxicidade. que constituem o elemento b´asico da cadeia alimentar. destacando-se aqueles utilizados neste trabalho Na literatura h´a poucos trabalhos que correlacionam a tratabilidade dos efluentes com a sua toxicidade. 1927) instituiu o ”princ´ıpio do tamanho tr´ofico”que define o conceito da pirˆamide dos n´umeros. NÉCTON (Consumidores terciários) PLANCTON (Consumidores secundários) FITOPLANCTON (Produtores primários) Figura 4. onde os organismos se disp˜oem em quantidade e classes. E´ importante ressaltar que este estudo n˜ao produziu resultados suficientes para avaliar a cadeia tr´ofica do corpo receptor que recebe o chorume. Os representantes da cadeia tr´ofica empregados neste estudo est˜ao representados na Figura 4. A cadeia alimentar ou cadeia tr´ofica e´ formada por uma s´erie de organismos desde os produtores at´e os consumidores finais [101. Levando em considerac¸a˜ o as condic¸o˜ es do corpo receptor. Portanto. fenˆomeno denominado bioacumulac¸a˜ o. estando os animais maiores pr´oximos do fim da cadeia.11. porque para obter essas impor76 . 102].

porque apresenta-se em altas concentrac¸o˜ es. 76. A amˆonia e a alcalinidade s˜ao fatores importantes que contribuem para a toxicidade ´ do chorume como evidenciam alguns resultados encontrados na literatura ( CL EMENT          et al. Dentre os in´umeros compostos presentes no chorume que podem causar toxicidade.11: Resultados dos testes de toxicidade aplicados a` s amostras de chorume bruto Amostra  Microtox Daphnia Artemia B. Estudos tˆem demonstrado que nem sempre os resultados obtidos das an´alises f´ısico qu´ımicas podem ser comparados com os dados apresentados nos testes de toxicidade. Os resultados obtidos neste trabalho procuram levar em conta tanto dados f´ısico-qu´ımicos como os resultados dos bioensaios de toxicidade.89 2. que na forma livre e´ mais t´oxica. [105]). 104]. 77 .. para reduc¸a˜ o do oxigˆenio a n´ıveis muito baixos.6.58 2. a amˆonia merece destaque. favorecendo o aparecimento dos microorganismos anaer´obios respons´aveis pela e . que poder´a informar as reais condic¸o˜ es da poluic¸a˜ o gerada por este efluente. enquanto que na forma iˆonica e´ levemente t´oxica para maioria dos organismos [88.02 2.27 2. sendo que o tem um poder muito t´oxico para quase todos produc¸a˜ o de  os animais superiores [103]. 4. 1996 apud PIRBAZARI et al. este estudo pode contribuir para a escolha dos organismos que poderiam dar uma resposta adequada num trabalho futuro mais completo. Na Tabela 4.tantes informac¸o˜ es seria necess´ario avaliar tanto a toxicidade aguda como a toxicidade crˆonica por um certo per´ıodo de tempo no corpo receptor.26 11.24 A fase metanogˆenica propicia condic¸o˜ es. Tabela 4.24 Coleta 11.rerio CE50(%) CE50(%) CL50(%) CL50(%) Coleta 15. No entanto.11 encontram-se os resultados obtidos nos testes de toxicidade realizados em laborat´orio.04 25.1 Efluente Bruto A toxicidade do chorume bruto retrata as condic¸o˜ es em que se encontrava o percolado gerado no aterro de Gramacho durante os per´ıodos de amostragem. Em alguns estudos foi verificado o aumento da toxicidade causada pela amˆonia.

o teste e´ expresso em 48 h. antes da construc¸a˜ o de uma barreira de contenc¸a˜ o de argila. No que se refere ao organismo Brachydanio rerio a toxicidade foi muito elevada. com salinidade determinada em 5g/L. podendo ser estendido at´e 96h. Surpreendentemente os resultados foram idˆenticos aos obtidos sem a correc¸a˜ o.12: Resultados de toxicidade por Daphnia similis empregando-se correc¸a˜ o de salinidade para o chorume bruto CE50% CENO (%) 2. Vale ressaltar que esse teste foi realizado para se ter uma id´eia das conseq¨ueˆ ncias que o chorume pode trazer para os rios. pois trata-se de um organismo dulc´ıcula. Nos testes efetivados trabalhou-se com concentrac¸a˜ o m´axima de 3g/L. como ilustrado na Tabela 4.Os dados da Tabela 4. para os dois rios mais pr´oximos ao aterro que s˜ao o Iguac¸u e o Sarapu´ı. Tabela 4. por´em. exceto para merc´urio. foram realizados novos testes com correc¸a˜ o da salinidade. para n˜ao atingir o limite m´aximo de tolerˆancia do organismo teste.11 evidenciam a elevada toxicidade do chorume para todos os organismos testados. do que bact´erias e peixe. 78 . A norma da FEEMA estabelece que a sensibilidade deste organismo permanece at´e 5g/L (salinidade). comprovou-se que a toxicidade do chorume bruto para Daphnia n˜ao foi causada somente pela salinidade. levando-se em conta que no Brasil os rios s˜ao os cursos que mais recebem este tipo de efluente. arsˆenio e cobalto que foram muito t´oxicos para todos os organismos testados [76. que n˜ao suporta alta salinidade. muito sens´ıvel. Portanto.05 1 CEO (%) 2 Efeito (%) 100 GRAU DE (%) ˜ CLASSIFICAC ¸ AO TOXICIDADE DA AMOSTRA MT* P´essimo * . e vale ressaltar que os organismos morreram nas primeiras horas de exposic¸a˜ o. Embora seja um organismo dulc´ıcula. este peixe pode ser considerado tamb´em como um organismo estuarino. ap´os 48 h de exposic¸a˜ o. Os testes com este organismo foram padronizados pela FEEMA.Muito T´oxica Estudos j´a realizados revelaram que o organismo Daphnia foi mais sens´ıvel aos compostos inorgˆanicos presentes no chorume. o que j´a era esperado. Cabe tamb´em alertar para o impacto que o percolado gerado em Gramacho possa ter causado. 80].12. Uma outra resposta muito t´oxica apresentada por este percolado foi observada para o organismo Daphnia similis. Para confirmar se o efeito t´oxico causado com o organismo Daphnia similis foi provocado pela salinidade.

foram os mais afetados.12 ilustra os resultados mostrados na Tabela 4. Esta considerac¸a˜ o pode ser perfeitamente v´alida para este efluente.Alguns autores relatam que a presenc¸a de n´ıveis elevados de cloretos. Este teste foi realizado com bact´erias bioluminescentes de origem marinha. 79 . O organismo Artemia salina que tamb´em e´ um microcrust´aceo. mas pode-se afirmar que o efeito t´oxico do efluente foi forte para todos os organismos testados para os dois per´ıodos amostrados. constitu´ıda por in´umeros compostos distintos.11 . PIRBAZARI et al. Os organismos de a´ gua doce. portanto resistente a salinidades entre 10 e 40 g/L. evidentemente. pot´assio. e elementos como o enxofre foram indicados como causadores do efeito t´oxico nos testes realizados com Microtox. apresentando na segunda coleta um resultado cerca de duas vezes melhor do que na primeira Tabela 4. Este organismo teve uma melhor resposta a` toxicidade do chorume. SVENSON et al. pois ele est´a constitu´ıdo de mat´eria orgˆanica altamente recalcitrante. s´odio e metais pesados tornam os efluentes potencialmente t´oxicos [88.Pb e Cu. e´ sabido que essas bact´erias s˜ao muito sens´ıveis a` s variac¸o˜ es (muito pequenas) na salinidade no efluente. A Figura 4. s´o que de origem marinha. magn´esio. n˜ao apresenta valor limite para salinidade. [106] observaram que os metais Zn. Por´em. exigindo um m´ınimo de 6g/L . A matriz orgˆanica. 71].11. pode contribuir para a toxicidade. Para o sistema Microtox foram obtidos resultados similares em ambas as coletas. c´alcio. [105] observaram um marcante efeito da mat´eria orgˆanica na toxicidade do chorume.

A Figura 4. 4.6.13. como mostrado na Tabela 4. 80 . Artemia e Brachydanio rerio.13 ilustra os resultados obtidos para os diferentes organismos testados. um resultado inverso foi observado para o Microtox. Entretanto.Figura 4.2 Efluente Pr´e-tratado Os testes de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o promoveram uma diminuic¸a˜ o da toxicidade para os organismos Daphnia.12: Resultados de toxicidade do chorume bruto para os diferentes organismos testados.

42 17.14. A correc¸a˜ o de salinidade tamb´em foi feita neste caso. conforme indicado na Tabela 4.07  .44 7. indicativo de um alto grau de toxicidade.21 7. observando-se uma reduc¸a˜ o da toxicidade. Para o chorume pr´e-tratado observou-se CE50 de 6. 81 .rerio CE50(%) CE50(%) CL50(%) CL50(%) 0. que no caso foi de 40%.78 32.13: Resultados dos testes de toxicidade aplicados a` s amostras de chorume pr´etratado Amostra  Coleta Coleta  Microtox Daphnia Artemia B. quando corrigida a salinidade a melhora foi t˜ao significativa que impediu a express˜ao dos resultados atrav´es desse parˆametro.13: Comportamento da toxicidade do chorume pr´e-tratado para os diferentes organismos O organismo Daphnia similis foi ainda muito afetado pelo chorume.3 6. no entanto. ent˜ao.07 2. mesmo pr´etratado.42%. Empregou-se. o efeito t´oxico observado.Tabela 4.Toxicidade muito elevada (n˜ao pass´ıvel de c´alculo) Figura 4.

14 e 4. o efluente pr´e-tratado apresentou-se menos t´oxico do que o bruto e que a melhora alcanc¸ada neste tratamento.Tabela 4. em geral. tamb´em se refletiu nos resultados de toxicidade.14: Variac¸a˜ o da toxicidade para primeira amostragem 82 .14: Resultado de toxicidade para Daphnia similis com correc¸a˜ o da salinidade do chorume pr´e-tratado CE50% CENO (%) CEO (%) 3 4 Efeito (%) 40 GRAU DE (%) ˜ CLASSIFICAC ¸ AO TOXICIDADE DA AMOSTRA AIT* Regular * . Figura 4. ressaltada pelos parˆametros f´ısicosqu´ımicos.Alto Ind´ıcio de Toxicidade Cabe ressaltar que.15. O confronto dos resultados de toxicidade para o chorume bruto e o pr´e-tratado encontra-se ilustrado nas Figuras 4.

no entanto. e se o ajuste conferir maior toxicidade outras maneiras para solucionar o problema dever˜ao ser estudadas. O teste utilizando o sistema Microtox apresentou resultado altamente t´oxico para o efluente. prin- 83 . podendo apresentar facilidade para que certos compostos t´oxicos penetrem em sua parede celular. isto pode ter ocorrido devido ao aumento dos teores de alguns metais (Al. segundo MUNKITTRICK et al. SWEET e MEIER [108] que a bact´eria usada nos teste Microtox. [76].15: Variac¸a˜ o da toxicidade para segunda amostragem BERTOLETTI [107] relatou que pode-se esperar uma variac¸a˜ o na toxicidade de efluentes industriais com a mudanc¸a do pH. Substˆancias que tˆem a sua toxicidade alterada pelo pH podem se apresentar em elevados teores a` medida que o pH diminui. Vale ressaltar que o pH padronizado para os testes de toxicidade deve obdecer os limites impostos pela legislac¸a˜ o. mostre um aumento de sensibilidade. Hg e Mg. particularmente se uma substˆancia t´oxica est´a sujeita a` ionizac¸a˜ o.Figura 4. duas amostras mostraram-se mais t´oxicas do que as amostras originais. que se apresentaram com teores muito elevados ap´os o tratamento prim´ario. que promoveu alterac¸a˜ o no pH do efluente. em 52% dos casos houve uma reduc¸a˜ o. Os resultados para amostras com diferentes pHs originais. em 38% dos casos a toxicidade manteve-se inalterada ap´os o ajuste do pH. foram ajustadas para o pH neutro antes de serem submetidas ao teste de toxicidade e verificouse que. Isto e´ verificado para certos metais como Al. E´ poss´ıvel. estando na forma liofilizada. para o organismo teste Daphnia similis.

15. que podem ser respons´aveis pela diferenc¸a na sensibilidade apresentada pelas diferentes esp´ecies de organismos testados.33 2.56 6. A excessiva adic¸a˜ o de produtos qu´ımicos. que como j´a se sabe e´ t´oxica para a maioria dos organismos.36 15.6.0 37.13 2.46 32.5   3.0 g /L).35 11.41 1.60 29. Relacionar a toxicidade do chorume com a medida da DQO e´ mais dif´ıcil do que com o teor de amˆonia. mas contribui para o aumento da toxicidade [75].04 33. nos quais o chorume e´ modificado quimicamente por ajuste de pH ou uso de reagente oxidante.15.18 3.24 1.48 0.58 26. Para Daphnia.0 Am1 Am2 Am1 Am2 Am1 Am2 Am1 Am2 1.8 9.48 Ozˆonio Para as diferentes dosagens de ozˆonio aplicadas neste trabalho. O valor da DQO reflete a presenc¸a de diferentes substˆancias.15: Resultados de toxicidade obtidos com o chorume pr´e-tratado e ozonizado em diferentes condic¸o˜ es Dosagens de Microtox CE50% Daphnia CE50% Artemia CL50% B.95 6.35 7.79 0.46 43. com certa estabilidade para as maiores dosagens aplicadas.5 e 3.6 29.5   1.30 3. como indicado na Tabela 4. podem causar mudanc¸as inesperadas na toxicidade.30 4.07 14.15 6. promove a clarificac¸a˜ o do efluente. O acompanhamento da toxicidade revelou uma tendˆencia de diminuic¸a˜ o com o aumento na dosagem de ozˆonio.cipalmente) observado no efluente ap´os o processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o. apresentando-se o efluente mais t´oxico quando maiores dosagens de ozˆonio foram empregadas (1.77 11. os resultados obtidos ap´os a ozonizac¸a˜ o apresentaram uma melhora consider´avel na toxicidade. de acordo com os valores apresentados na Tabela 4.87 14.37 1.3 Efluente Ozonizado M´etodos de tratamento. as bact´erias foram os organismos mais sens´ıveis quanto a` toxicidade. Artemia e Brachydanio rerio observou-se um resultado inverso. Apesar da diferenc¸a de sensibilidade dos organismos.25 13.1   0.45 19. por m´etodos padronizados como a oxidac¸a˜ o e a coagulac¸a˜ o.   84 . Tabela 4. rerio CL50%    0. Houve um decr´escimo da CE50 nos testes com Microtox.07 10. 4.88 2.

0 CE50% CENO (%) CEO (%) Efeito (%) GRAU DE (%) TOXICIDADE ˜ CLASSIFICAC¸AO DA AMOSTRA 4.6 3 4 68 T* P´essimo 3.0 g /L s´o apresentaram ind´ıcios de toxicidade. Neste caso as dosagens de ozˆonio referentes a 1.7 1 2 68 T* P´essimo 4 5 12 BIT** Bom 3 4 36 AIT* Regular * .16: Avaliac¸a˜ o global da toxicidade do chorume pr´e-tratado e ozonizado (diferentes dosagens) para Daphinia similis.5   3.16.16.Alto Ind´ıcio de Toxicidade 85 .5 e 3.T´oxica * .Os resultados obtidos com as amostras ozonizadas para Daphnia similis mostrados na Tabela 4. Amostras com salinidade corrigida ( Amostra- gem).   Tabela 4.Baixo Ind´ıcio de Toxicidade ** . Amostra    0. Os resultados relativos ao parˆametro efeito t´oxico encontram-se ilustrados na Figura 4. comprovaram uma melhora obtida com este tratamento quando houve ajuste da salinidade.5   1.1   0.

Figura 4.16: Resposta do parˆametro efeito t´oxico para amostras ozonizadas em diferentes
condic¸o˜ es (

amostragem)

Nos testes com peixe, a mortalidade foi observada antes mesmo de 24 horas, as demais
leituras mantiveram o resultado, ou seja, o efeito resulta nas primeiras horas.
A ozonizac¸a˜ o do chorume contribuiu para uma certa reduc¸a˜ o de sua toxicidade em
relac¸a˜ o ao chorume simplesmente pr´e-tratado. Para os organismos B.rerio e Artemia a
ozonizac¸a˜ o, mesmo com baixa dosagem (0,1  
), promoveu reduc¸a˜ o da toxicidade.
Os valores da CE50% se alteraram de 7,07 para 9,25, de 17,44 para 19,60 (amostra 1),
para B.rerio e Artemia, respectivamente.
Para Daphnia o parˆametro efeito t´oxicoobservado foi de 40% para o chorume pr´e , indicando um aumento da toxicidade
tratado e 68% para o ozonizado com 0,1 
com a ozonizac¸a˜ o. No entanto, para as maiores dosagens o efeito observado caiu para 12
e 36% Figura 4.16.
Como comentado, e´ dif´ıcil saber que compostos orgˆanicos contribuem para a toxici¨
dade do chorume. Estudos feitos por BOHME
et al. [89] e MARTTINEM et al. [42]
empregando cromatografia, revelaram que a ozonizac¸a˜ o foi efetiva para degradar hidrocarbonetos poli-arom´aticos e clorofen´ois presentes no chorume. 

 



4.6.4 Efluente Fracionado
Os permeados obtidos por fracionamento em membranas apresentaram menor efeito
t´oxico observado nos testes com Microtox e com o microcrust´aceo Artemia salina.
86

Para a bact´eria do teste Microtox, os dados da Tabela 4.17 indicam que os compostos
de menor massa molecular contribuem mais para a toxicidade do que os de maior massa.
Para Artemia, os resultados de CL50% s˜ao pr´oximos em todas as frac¸o˜ es permeadas,
no entanto, o simples fracionamento na membrana de corte 50.000 Da j´a proporcionou
uma reduc¸a˜ o da toxicidade em relac¸a˜ o ao chorume pr´e-tratado (CL50 passou de 17,44
(Amostra1) e 32,21 (Amostra2) para 39.06 (Amostras 1 e 2)). Portanto, pode-se supor 

que h´a compostos de alto peso molecular (
) conferindo alguma toxicidade ao
chorume.
Para Daphnia os resultados foram inesperadamente piores, ou seja, os valores de CE50
das diversas frac¸o˜ es diminu´ıram muito em relac¸a˜ o aos valores obtidos para o efluente
pr´e-tratado. Esses resultados, de dif´ıcil interpretac¸a˜ o, mostram como efeitos antagˆonicos
podem ser observados, dependendo do organismo empregado no teste de toxicidade. 

  

Tabela 4.17: Toxicidade avaliada nos permeados obtidos nos processos de permeac¸a˜ o
com membranas
Permeado

Microtox CE50%

Daphnia CE50%

Artemia CL50%

Am1

Am2

Am1

Am2

Am1

Am2

50.000 Da

15,51

13,24

7,04

0,51

39,06

39,06

20.000 Da

6,82

8,85

0,32

0,32

41,91

39,85

5.000 Da

5,35

5,71

0,32

0,32

35,93

28,42

A complexidade do chorume, dificulta uma an´alise conclusiva dos resultados, tendo
em vista que efeitos sin´ergicos poderam estar presentes.
LAGE [38] evidenciou que membranas com corte de 50.000 e 20.000 Da, removem
praticamente todos os compostos que possuem alto peso molecular, mas os cloretos, que
afetam particularmente Daphnias, permeiam livremente pela membrana.
Segundo CARLSON-EKVALL e MORRISON [71] a presenc¸a de ´ıons cloreto contribui para o aumento da toxicidade, determinada no teste com Microtox, pois ocorre
diminuic¸a˜ o de emiss˜ao de luz quando este ´ıon est´a presente em grande quantidade na
amostra, devido a` formac¸a˜ o de complexos com ´ıons de metais dissolvidos.
De acordo com a literatura o cloreto pode ser um dos causadores da toxicidade no
permeado obtido neste processo de tratamento.
MUNKITTRICK et al. [76] verificaram que os testes realizados com Microtox apresentaram maior sensibilidade para certas formulac¸o˜ es comerciais, como os herbicidas e
87

pesticidas do que para substˆancias qu´ımicas isoladas. An´alises com Microtox apresentaram maior toxicidade para o chorume do que para compostos qu´ımicos puros.
O mesmo comportamento se repetiu para o organismo Daphnia similis quando submetida, ao ajuste de salinidade, conforme mostrado na Tabela 4.18. Os resultados de
CE50 nela apresentados, quando confrontados com os da Tabela 4.17 ( amostragem),
evidenciam que a toxicidade e´ alta e persiste mesmo ap´os o ajuste da salinidade.
Tabela 4.18: Toxicidade para Daphnia similis das diferentes frac¸o˜ es permeadas ap´os o
ajuste da salinidade (
Amostra

CE50%

amostragem)
CENO

(%)

CEO

(%)

Efeito (%)

GRAU DE

(%)

TOXICIDADE

˜
CLASSIFICAC¸AO
DA AMOSTRA

50.000 Da

0,29

0,01

0,1

100

T*

P´essimo

20.000 Da

0,32

0,1

1

100

T*

P´essimo

5.000 Da

0,34

0,1

1

100

T*

P´essimo

* - T´oxica

4.6.5 Permeados submetidos ao arraste com ar para remoc¸ a˜ o de
amˆonia
Na Tabela 4.19 encontram-se os resultados obtidos nos ensaios de toxicidade realizados com os efluentes que passaram pelo processo de arraste da amˆonia, para os organismos: bact´eria Vibrio fisheri (Sistema Microtox) e microcrust´aceos Daphnia similis e
Artemia salina. Cabem as seguintes observac¸o˜ es:
i) houve significativa reduc¸a˜ o da toxicidade para Artemia, com dr´astica reduc¸a˜ o do efeito
t´oxico para os permeados;
ii) para Daphnia similis praticamente n˜ao houve reduc¸a˜ o de toxicidade em relac¸a˜ o a` s
amostras n˜ao submetidas ao arraste;
iii) para o Microtox tamb´em quase n˜ao houve alterac¸a˜ o nos n´ıveis de toxicidade.
N˜ao foram feitos testes com B.rerio por insuficiˆencia de volume de amostra.

88

n˜ao foram significativos neste tratamento. que foi aumentado para 11. no entanto. A toxicidade do chorume tem sido pouco correlacionada com a concentrac¸a˜ o de amˆonia e a DQO.20: Toxicidade dos permeados para Daphnia similis ap´os o ajuste de salinidade Amostra CE50% CENO (%) CEO (%) Efeito (%) GRAU DE (%) TOXICIDADE ˜ CLASSIFICAC¸AO DA AMOSTRA 50.65 0. com excec¸a˜ o da ac¸a˜ o t´oxica para o organismo Artemia salina.75 3.29 0.T´oxica De todos os ensaios evidencia-se que n˜ao se pode atribuir a` amˆonia.36 24 0 5.57 0.57 3.67 6.32 1. a remoc¸a˜ o conjunta destes dois parˆametros parece reduzir a toxicidade do chorume. a causa da toxicidade do efluente. Esta variac¸a˜ o pode ter 89 .1 1 100 T* P´essimo 5. que em seu experimento para remoc¸a˜ o da amˆonia por arraste com ar.1 1 100 T* P´essimo * .2 5. Os efeitos da salinidade sobre o organismo Daphnia similis. isoladamente.32 0.000 Da 6. verificou que o chorume apresentou uma toxicidade mais elevada para Daphnia.000 Da 6. como mostram os resultados na Tabela 4.000 Da 0.000 Da 3. mesmo quando cerca de 89% de amˆonia havia sido removida.000 Da 18.95 0. estes n˜ao foram suficientes para eliminar na legislac¸a˜ o CONAMA a toxicidade das amostras.8 2 3 88 T* P´essimo 20. A justificativa para o efeito t´oxico observado nesse experimento foi atribu´ıda ao ajuste de pH.33 53 15  Apesar dos efluentes fracionados apresentarem valores de amˆonia que se enquadram 20 [81] (5.0 mg/L).Tabela 4. [42].000 Da 0.05 11 0 20. Esta hip´otese orientou o trabalho desenvolvido por MARTTINEN et al.20.7.57 7. Tabela 4.19: Resultados de toxicidade para amostras permeadas e submetidas ao arraste com ar (primeira e segunda amostragens) Permeado Microtox CE50% Daphnia CE50% Artemia Efeito% Am1 Am2 Am1 Am2 Am1 Am2 50.

Baixo Ind´ıcio de Toxicidade ** .T´oxica 90 Excelente .71 CE50% NT* DA AMOSTRA Excelente 30 50 23 BIT** Bom 10 30 53 T*** Ruim Artemia salina Amostra 0 ˜ CLASSIFICAC¸AO CENO (%) CEO  (%) Amostragem Efeito (%) GRAU DE (%) TOXICIDADE ˜ CLASSIFICAC¸AO DA AMOSTRA 50.000Da. mas ainda assim. como mostra a Tabela 4. Os resultados para o microcrust´aceo Artemia salina ap´os o fracionamento (efeito t´oxico) s˜ao absolutamente menores do que para as amostras fracionadas sem remoc¸a˜ o da amˆonia. Baixo ind´ıcio de toxicidade foi obtido para o permeado da membrana com corte equivalente a 20. O permeado da membrana com corte de 5.causado alguma mudanc¸a revers´ıvel no conte´udo orgˆanico do chorume e com isso rendido alguns constituintes no chorume mais t´oxicos para Daphnia.000 Da 50 70 * .21: Resultados de toxicidade para Artemia salina expressos em termos de diversos parˆametros Artemia salina Amostra CE50% CENO (%) CEO Amostragem (%) Efeito (%) GRAU DE (%) TOXICIDADE 50. ou seja. principalmente na amostra fracionada em uma membrana de 50. Houve reduc¸a˜ o relevante nos valores de CL50. mostrando que o arraste fez com que houvesse uma diminuic¸a˜ o consider´avel nos valores de toxicidade.000Da.21.000Da mostrou-se t´oxico para Artemia salina.000 Da 5. a raz˜ao entre o total de organismos afetados pelo total de organismos testados. cujos resultados est˜ao expressos em relac¸a˜ o ao efeito t´oxico observado (em porcentagem).000 Da 66.N˜ao T´oxica * . No presente trabalho os resultados foram diferentes dos obtidos por alguns autores.000 Da 0 NT* 20. Tabela 4.000 Da 20. o arraste da amˆonia promoveu uma reduc¸a˜ o do efeito t´oxico para esse efluente.000 Da 0 NT* Excelente 15 BIT** Bom 5. visto que a alterac¸a˜ o de pH pode provocar mudanc¸as na matriz orgˆanica e inorgˆanica do efluente. mas a justificativa citada acima pode ser perfeitamente plaus´ıvel.

Microtox CE50% Am1 Am2 Daphnia CE50% Am1 Am2 Artemia Efeito% Am1 Am2 29.4. conforme indicado na Tabela 4. foram obtidos para o efluente pr´e-tratado por coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o. obtidos para o efluente pr´e-tratado.24. quando efetivada a correc¸a˜ o de salinidade. conforme indicam os resultados apresentados na Tabela 4. Tabela 4.23. Os resultados para este organismo encontram-se detalhados na Tabela 4. A CE50 para Daphnia praticamente dobrou e houve tamb´em um aumento muito expressivo deste parˆametro para o ensaio Microtox. 91 .22.22: Resultados da toxicidade para o efluente pr´e-tratado e submetido ao arraste com ar. Tabela 4.35 4 Esses resultados. podem ser considerados surpreendentes. s´o tendo sido poss´ıvel calcular o efeito observado.97 0 36.23: Resultados da toxicidade para Artemia salina determinados para o chorume pr´e-tratado e submetido ao arraste com ar.21 11.67 13. para o qual a toxicidade foi totalmente eliminada para certos organismos.6. Para Artemia salina os resultados foram muito bons. CE50% CENO (%) Artemia salina Amostragem CEO (%) Efeito (%) GRAU DE (%) TOXICIDADE 0 NT* Artemia salina Amostragem CEO (%) Efeito (%) GRAU DE (%) ˜ CLASSIFICAC¸AO DA AMOSTRA Excelente  CE50% CENO (%) TOXICIDADE 50 70 4 NT* ˜ CLASSIFICAC¸AO DA AMOSTRA Excelente *. com o emprego da t´ecnica de arraste. pois a remoc¸a˜ o de toxicidade foi significativa. foram excelentes.N˜ao T´oxico Os resultados obtidos para Daphnia similis.6 Efluente pr´e-tratado submetido ao arraste com ar para remoc¸a˜ o de amˆonia Os melhores resultados com relac¸a˜ o a` toxicidade.

O fracionamento removeu substˆancias de alta massa molecular. a contribuic¸a˜ o da amˆonia para a toxicidade parece evidente. respectivamente. o chorume pr´e-tratado e submetido ao arraste teve o seu pH ajustado trˆes vezes at´e o ajuste para o teste de toxicidade. 104]. com consequente efeito na toxicidade.N˜ao T´oxico Neste caso (chorume pr´e-tratado). 92 . por´em n˜ao foi observado para os permeados do efluente pr´e-tratado submetidos ao arraste. Amostras com salinidade corrigida. pode-se refletir sobre algumas causas para essa diferenc¸a de resultados.24: Resultados de toxicidade para Daphnia similis com amostras do efluente pr´e-tratado e submetido ao arraste com ar. CE50% CENO (%) 5 CEO (%) Efeito (%) 0 GRAU DE (%) ˜ CLASSIFICAC ¸ AO TOXICIDADE DA AMOSTRA NT* Excelente *. 4. No entanto.26 os principais parˆametros monitorados e os respectivos valores. alterando o equil´ıbrio iˆonico da fase l´ıquida. O mesmo efeito.Tabela 4. A variac¸a˜ o do pH pr´evia ao teste de toxicidade pode alterar o efeito da amˆonia e. para as amostragens 1 e 2. E´ dif´ıcil encontrar explicac¸o˜ es para esses resultados somente com base nos dados experimentais coletados. refere-se ao efeito de consecutivas alterac¸o˜ es do pH das amostras. o que pode provocar alterac¸o˜ es na matriz dos componentes do efluente. Para os permeados do pr´e-tratado submetidos ao arraste. como citado na literatura [88.25 e 4. consequentemente.7 Coment´arios finais sobre os tratamentos realizados Com a finalidade de sumarizar os resultados obtidos no conjunto amplo de testes efetuados. encontram-se nas Tabelas 4. o efeito t´oxico do chorume para os organismos teste. esse ajuste teve quatro etapas. Assim. que poderiam interagir com ´ıons presentes no chorume (inclusive o ´ıon amˆonio). Outra poss´ıvel influˆencia.

55 9.24 Ch.42 17.71 * 2480 841 1.93 * 1840 807 4.02 2.29 66.07 2630 856 * 300 0.67 0.46 11.000Da Arraste c/ ar e Pr´e-Tratado * .000Da Arraste c/ ar 5.32 (23 100)  * 1420 560 1.13 26.Ozonizado 3025 647 * 930 1.3 29.44 7.Ozonizado (0.97 (0 100) (0.91 608 7.35 0.97 13.51 7.26 11.57 0.000Da Permeado 5.000Da Permeado 20.06 * 1310 492 1296 630 6.Tabela 4.Ozonizado (1.0 2275 29.N˜ao Calculado 93  * .91 * 1250 485 1515 540 5.32 41.000Da Arraste c/ ar 20.41 6.88 19.04 15.Pr´e-Tratado 2670 690 * 1550 0.18 7.87 1850 845 1679 1520 15.32 35.82 0.75 (0 100) * 1080 442 2.15 7.25: Sum´ario dos principais parˆametros monitorados nos diversos tratamentos(  amostragem) Parˆametros Monitorados (Amostra1) Efluentes DQO (    COT ) (   ) (   Cor ) (     Microtox ) CE50(%) Daphnia CE50(%) Artemia CL50(%) B.5   ) Ch.02 11.37 6.33 6.89 2.Ozonizado (3.19 * 6.04 39.94 1430 18.rerio CL50(%) (Efeito) Ch.0   ) Permeado 50.Bruto 3455 815 802 5250 15.07 1970 762 * 250 0.5   ) Ch.3 43.25 2955 686 * 500 1.000Da Arraste c/ ar  50.3 6.1   ) Ch.07 Ch.

07 Ch.35 2.42 * c/ ar 1750 860 1.56 4.Ozonizado (3.57 1.27 2.46 33.Ozonizado 2900 898 * 1480 3.45 1292 5.24 0.Ozonizado (1.58 37.96 730 3.0   ) Permeado 50.36 14.57 3.78 32.32 28.58 2.04 25.45 29.000Da Permeado 20.rerio CL50(%) (Efeito) Ch.N˜ao Calculado 94    * * * * .91 3100 36.77 14.24 3310 957 * 890 2.48 1190 845 * 200 1.06 * 1670 629 1394 2040 8.21 7.000Da Permeado 5.5   ) Ch.Bruto 3470 1001 754 6925 11.24 Ch.000Da Pr´e-Tratado * .85 0.1   ) Ch.000Da Arraste  50.15 2.80 13.95 0.Tabela 4.51 39.85 * 1480 576 1591 790   0.Pr´e-Tratado 2530 757 * 2225 0 2.000Da Arraste 20.32 39.35 10.95 3.80 580 6.26: Sum´ario dos principais parˆametros monitorados nos diversos tratamentos( amostragem) Parˆametros Monitorados (Amostra2) Efluentes DQO (    COT ) (   Cor ) ( (        Microtox ) CE50(%) Daphnia CE50(%) ) Artemia CL50(%) B.79 2710 968 * 540 1.36 0 100 c/ ar 1430 570 1.5   ) Ch.05 0 100 c/ ar 1590 416 0.000Da Arraste 5.6 32.48 1900 898 1451 2160 13.Ozonizado (0.33 15 100 Arraste c/ ar e 2990 1084 3.35 2 100 (0.21 11.

Alguns coment´arios podem ser feitos relativamente aos processos de tratamento investigados.

No tocante a` remoc¸a˜ o de mat´eria orgˆanica (DQO e COT) houve uma pequena, mas
apreci´avel, contribuic¸a˜ o do pr´e-tratamento (coagulac¸a˜ o floculac¸a˜ o). A ozonizac¸a˜ o,
por sua vez, contribuiu pouco para a reduc¸a˜ o da mat´eria orgˆanica, obtendo-se resultados mais expressivos para a DQO quando condic¸o˜ es mais elevadas de dosagem de
ozˆonio foram empregadas (3,0   ). A t´ecnica de ultrafiltrac¸a˜ o foi a mais efetiva
para a remoc¸a˜ o da mat´eria orgˆanica, obtendo-se bons resultados quando utilizada
uma membrana de 20.000Da, que assegura um bom compromisso em termos de
fluxo de permeado e eficiˆencia. Na Figura 4.17 est˜ao mostrados os valores de DQO
dos efluentes obtidos com diversas t´ecnicas de tratamento.

Figura 4.17: Valores da DQO do chorume submetido a diferentes tratamentos 

Chorume Bruto; Chorume Pr´e-tratado; Chorume Ozonizado (3,0   

   );  Permeado na

membrana de 50.000Da; Permeado na membrana de 20.000Da; Permeado na membrana de
5.000Da

A amˆonia foi removida de modo muito intenso com a t´ecnica de arraste por ar, que
assegurou, no efluente tratado, n´ıveis sempre inferiores a 5   . No entanto, o
emprego desta t´ecnica exige aumento significativo do pH e um tempo de operac¸a˜ o 

95

razo´avel. Ademais, essa t´ecnica transfere o poluente para a atmosfera, podendo ser
exigido tratamento da fase gasosa.

A cor foi removida em n´ıveis elevados por todas as t´ecnicas testadas. Evidentemente, a ozonizac¸a˜ o e o fracionamento por membranas foram muito efetivos para
tal finalidade.
Para a remoc¸a˜ o da toxicidade, os melhores resultados foram obtidos para o chorume
pr´e-tratado (coagulac¸a˜ o floculac¸a˜ o) e submetido ao arraste com ar para a remoc¸a˜ o
da amˆonia. De um modo geral, os organismos testados tiveram respostas diferentes
em relac¸a˜ o a` toxicidade do chorume tratado de diversas formas. Entretanto, todos os
tratamentos investigados contribu´ıram de algum modo para reduc¸a˜ o da toxicidade,
como mostram as Figuras 4.18 a 4.20.

Figura 4.18: Resultados da Toxicidade nos diferentes tratamentos investigados na
amostragem 

Chorume Bruto; Chorume Pr´e-tratado; Chorume Ozonizado (3,0
membrana de 50.000Da (B.rerio n˜ao testado nessa avaliac¸a˜ o)

96 

   );  Permeado na 

Figura 4.19: Resultados da toxicidade nos diferentes tratamentos investigados na
tragem 

Chorume Bruto; Chorume Pr´e-tratado; Chorume Ozonizado (3,0

amos- 

   );  Permeado na

membrana de 50.000Da (B.rerio n˜ao testado nessa avaliac¸a˜ o)

Figura 4.20: Resultados da toxicidade para os efluentes submetidos ao arraste de amˆonia
com ar em ambas as amostragens 

PA50.000-Permeado e submetido ao arraste com ar na membrana de 50.000Da; PA20.000- 

Permeado e submetido ao arraste com ar na membrana de 20.000Da; PA5.000-Permeado e
submetido ao arraste com ar na membrana de 5.000Da; PTA- Pr´e-Tratado e submetido ao arraste

97

com ar Figura 4.000-Permeado e submetido ao arraste com ar na membrana de 50.000-  Permeado e submetido ao arraste com ar na membrana de 20.000Da.000Da. PTA.000Da. PA20. PA5.000-Permeado e submetido ao arraste com ar na membrana de 5.Pr´e-Tratado e submetido ao arraste com ar 98 .21: Resultados do Efeito observado no teste de toxicidade para Artemia Salina para os efluentes submetidos ao arraste de amˆonia nas duas amostragens  PA50.

O pr´e-tratamento promoveu uma certa reduc¸a˜ o da toxicidade do efluente para os organismos Artemia salina e Brachydanio rerio. Como era esperado. Quanto a` toxicidade foram observados efeitos distintos para os diversos organismos testados. Somente quando elevadas dosagens de ozˆonio foram empregadas (3   ) observou-se alguma remoc¸a˜ o desses poluentes em termos de DQO (de 36 a 60%).Cap´ıtulo 5 ˜ ˜ CONCLUSOES E SUGESTOES Como conclus˜oes deste trabalho. n˜ao houve remoc¸a˜ o significativa dos metais presentes no chorume. podemos observar as seguintes constatac¸o˜ es: Os dados obtidos neste trabalho revelaram que o chorume gerado no Aterro Metropolitano de Gramacho apresenta um elevado teor de compostos recalcitrantes e elevada toxicidade para todos os organismos testados. A ozonizac¸a˜ o do chorume pr´e-tratado n˜ao foi efetiva para remoc¸a˜ o da mat´eria orgˆanica. Por´em. Para as dosagens elevadas de ozˆonio . que atingiu n´ıveis muito superiores ao padr˜ao de lanc¸amento. a utilizac¸a˜ o de sulfato de alum´ınio no processo levou a um expressivo aumento do teor de Al no efluente tratado. O pr´e-tratamento do chorume pelo processo de coagulac¸a˜ o/floculac¸a˜ o promoveu uma certa remoc¸a˜ o da mat´eria orgˆanica (de 23 a 27% da DQO e de 15 a 24% do COT) e uma elevada remoc¸a˜ o da cor desse efluente (da ordem de 70%). A remoc¸a˜ o de cor foi muito efetiva nesse processo. atingindo-se n´ıveis de 80 a 90% para as maiores dosagens de ozˆonio.

O efluente pr´e-tratado submetido ao arraste com ar teve a sua toxicidade significativamente reduzida. Trata-se de um organismo muito adequado para o trabalho de laborat´orio e representativo dos ecossistemas aqu´aticos. a toxicidade determinada no teste Microtox. em contraste com as demais. Para os organismos Daphnia similis e para a bact´eria Vibrio fisheri (Microtox) houve uma aumento da toxicidade nas frac¸o˜ es permeadas. Dos organismos testados para avaliar a toxicidade do chorume bruto ou tratado por diversas t´ecnicas. Para Artemia salina houve uma reduc¸a˜ o da toxicidade em relac¸a˜ o ao chorume pr´e-tratado. em especial para o fracionado na membrana de 50. mesmo quando houve a necess´aria correc¸a˜ o de salinidade. no entanto para os diferentes permeados houve uma leve tendˆencia de aumento desse parˆametro com a diminuic¸a˜ o do tamanho de corte da membrana. Para remover o alto teor de amˆonia presente no chorume. Essa t´ecnica permitiu reduzir a concentrac¸a˜ o de amˆonia para n´ıveis inferiores a 5 mg/L. Artemia salina e Brachydanio rerio. empregou-se a t´ecnica do arraste com ar em pH elevado.000 Da.000 Da contribuem significativamente para o conte´udo de mat´eria orgˆanica e para a cor do efluente. este parˆametro n˜ao mostra uma tendˆencia clara de variac¸a˜ o nas diversas frac¸o˜ es de permeado testadas. O microcrust´aceo Artemia salina foi o organismo menos afetado e permitiu indicar que alguns dos tratamentos efetuados levaram a reduc¸a˜ o total do efeito t´oxico do efluente. obtendo-se. a bact´eria Vibrio fisheri (Microtox) mostrou-se o mais sens´ıvel. O peixe Brachydanio rerio foi menos afetado nos testes em que foi empregado. Esses resultados indicam que os composto de massa molar maior do que 5. observou-se uma reduc¸a˜ o marcante da toxicidade para Artemia salina. visando a reduc¸a˜ o da toxicidade do efluente. aumentou no efluente ozonizado. para Daphnia similis e Vibrio fisheri n˜ao foi observada apreci´avel reduc¸a˜ o da toxicidade. Observou-se que o efeito t´oxico para Artemia salina foi nulo e para os demais organismos testados (Daphnia similis e Vibrio fisheri) houve sens´ıvel aumento do parˆametro CE50. A remoc¸a˜ o de cor foi bastante efetiva para a membrana com corte de 5.000. Daphnia similis tamb´em mostrou-se muito sens´ıvel aos efluentes testados. Observou-se apreci´avel remoc¸a˜ o de mat´eria orgˆanica para o efluente permeado. em termos de DQO reduc¸o˜ es na faixa de 27 a 52%. Para o chorume pr´e-tratado e posteriormente fracionado em membranas. com tendˆencia crescente para as membranas de menor tamanho de corte. Esses resultados evidenciam a importˆancia de se trabalhar com 100 . houve reduc¸a˜ o da toxicidade para Daphnia similis. No entanto. Entretanto. No que se refere a` toxicidade.

procurando-se selecionar uma membrana adequada que permita obter remoc¸o˜ es apreci´aveis dos poluentes com um bom fluxo operacional. deve ser levada em conta no aˆ mbito da legislac¸a˜ o estadual. a t´ecnica de ultrafiltrac¸a˜ o pode ser investigada mais detalhadamente. Evidentemente. A importˆancia dos testes de toxicidade. Assim. para melhor estimar os efeitos de diluic¸a˜ o. revelada neste estudo. conjugada com a operac¸a˜ o de arraste da amˆonia com ar. deve ser melhor avaliada atrav´es de monitoramento peri´odico do chorume. de forma clara e regulamentada para prevenir a constante agress˜ao aos ecossistemas aqu´aticos e estabelecer crit´erios de lanc¸amento de efluentes mais seguros. que podem apresentar respostas diferentes quanto a` toxicidade dos efluentes. os compostos de alta massa molar presentes no chorume s˜ao respons´aveis por grande parte da cor e da DQO ou COT desse efluente. que contemple n˜ao apenas os efeitos t´oxicos agudos como tamb´em aqueles crˆonicos. Deve-se estimular os estudos de levantamento de vaz˜oes de efluente e do corpo receptor. recomenda-se a utilizac¸a˜ o combinada de ozˆonio e UV para incrementar as taxas de oxidac¸a˜ o desses compostos. o tratamento dos gases dever´a ser considerado. Como foi observado. A toxicidade do chorume. 101 . ressaltada neste trabalho. Assim. s˜ao feitas as seguintes sugest˜oes: Quanto ao tratamento do chorume sugere-se investigar uma combinac¸a˜ o das t´ecnicas de precipitac¸a˜ o de metais.diferentes organismos representativos da cadeia tr´ofica. Com vistas a` continuidade deste trabalho. A forte presenc¸a de compostos de alta massa molar no chorume n˜ao permitiu que elevadas eficiˆencias de mineralizac¸a˜ o fossem obtidas no processo de ozonizac¸a˜ o. na forma de hidr´oxidos. visto que esses processos ocorrem em valores elevados de pH.

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