09/10/2016

Coreia do Sul, educação e a reconstrução do Brasil (2)

A  felicidade  existe  para  os  que  acreditam  nela  e  fazem  todo  o  esforço  possível  para  encontrá­la;  é  o  que  nos
ensina a parábola do aquário. Num aquário viviam vários peixes de diversos tamanhos. Os maiores se valiam da
força para oprimir, mandar e comer os menores. Um dos pequenos peixes deliberou sair do Aquário para ver o
mundo lá fora. Com grande dificuldade passou por um estreitíssimo ralo e foi conhecer o mundo das enxurradas,
dos  rios,  dos  lagos  e  do  mar.  Viu  crianças  nadando,  flores  desabrochando,  lindas  vegetações,  animais  sadios,
gente  sorridente  convivendo  com  outros  humanos  num  ambiente  de  paz  e  felicidade,  comida  em  abundância,
amor  constante  etc.  Maravilhado  com  tudo  que  viu,  decidiu  retornar  ao  aquário  para  contar  sua  proeza.
Prontamente,  todos  se  animaram  a  fazer  a  mesma  coisa.  Os  pequenos  peixes,  embora  com  dificuldades,
conseguiram  passar  pelo  ralo.  Os  médios  e  grandes,  não  se  dispondo  a  fazer  o  sacrifício  de  emagrecer  para
iniciar a jornada, passaram a achar a história fantasiosa e fora da realidade. Já não estavam dispostos a nenhuma
mudança.  Queriam  preservar  seus  poderes  e  comandos  dentro  do  aquário,  garantidos  pelos  seus  tamanhos.
Todos  sabemos  que  as  mudanças  exigem  dos  mais  fortes  maiores  e  nobres  sacrifícios.  Quem  apenas  quer
preservar seus vulgares privilégios, tudo faz para impedir as mudanças nas condições de vida das pessoas. 
A reconstrução do Brasil passa necessariamente pela educação de todos, podendo a Coreia do Sul ser nosso
paradigma de inspiração. Na década de 1960 o PIB per capita (a renda e ganhos) de cada um dos sul­coreanos
(cerca de 160 dólares, na média) era bem inferior ao dos brasileiros (de 300 dólares em média).
 

 Os primeiros se equiparavam a Bolívia e Honduras (167 dólares); superavam Camboja, Camarões e Costa do
Marfim  (em  média  120  dólares  no  período).  Nessa  época,  o  PIB  per  capita  mais  alto,  dos  Estados  Unidos,
chegava a quase 3000 dólares.

Na década de 70, a Coreia do Sul já apresentava um considerável aumento de sua renda per capita, passando de
276 dólares em 1970 para 1747 dólares em 1979: crescimento de 530%:

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 na esperança de um futuro melhor.000% de 1960 a 2012. nas condições de vida. educação e a reconstrução do Brasil (2) No  mesmo  período  o  Brasil  alcançou  um  crescimento  bem  menos  expressivo:  seu  crescimento  foi  de  apenas 300% (o Brasil tinha PIB per capita médio de 1158 dólares. Em 2012. Esse é o novo mundo que o “peixinho” veio contar no Aquário (mas muitos. o que significou um crescimento de mais de 14.340  dólares. nos índices de violência etc. alcançou 22.09/10/2016 Coreia do Sul. http://institutoavantebrasil.).  o  PIB  per  capita  brasileiro  foi  calculado  em  11.590 dólares. Em  2012. querendo manter seus privilégios sem se sujeitar a qualquer tipo de sacrifício.  observando  então  um  crescimento  de 5300%. na competitividade. contra 877 dólares em média dos sul­coreanos):   De 1980 a 1990 a Coreia do Sul teve um aumento de 220% em seu PIB per capita. no IDH.  O  que  a  Coreia  do  Sul  fez  de  tão  extraordinário  para conquistar tanto êxito e superar de longe o Brasil? Educação (a história prossegue no próximo artigo). *Colaborou Flávia Mestriner Botelho. passaram a dizer que sua história era  fantasiosa.br/coreia­do­sul­educacao­e­a­reconstrucao­do­brasil­2/ 2/3 . na produtividade e prosperidade. socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.com. na tecnologia.  que  ele  era  um  “louco”  e  por  aí  vai). menos da metade do apresentado pela Coreia do Sul:   Olhando­se  as  trajetórias  dos  dois  países  (Coreia  do  Sul  e  Brasil)  se  nota  que  ambos  estavam  em  pé  de igualdade em 1980. A partir daí a Coreia disparou e deixou o Brasil para trás (em renda per capita.

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