MÉTODO DAS BOQUINHAS E EQUOTERAPIA: PROJETO DE POTENCIALIZAÇÃO

DA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM DEFICIÊNCIA
INTELECTUAL
SOUZA, Adriana
adrianabelshoff@hotmail.com
MAZOLINI, Edilaine
nany_mazolini@hotmail.com
SENNA, Karoline
karoline_senna@yahoo.com.br
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Viana (APAE de Viana)
Introdução
A literatura comprova que tanto a equoterapia quanto o Método das Boquinhas contribui
para o processo de alfabetização.
O método das Boquinhas, assim carinhosamente chamado, é um método multissensorial
de alfabetização, ou seja, utiliza estratégias fônicas (fonema/som), visuais (grafema/letra)
e articulatórias (articulema/boquinhas) para desenvolver as habilidades de leitura e
escrita. Ele foi reconhecido como tecnologia educacional no ano de 2009 pelo MEC
(ministério da educação) e nasceu de uma motivação inicial de alfabetizar crianças que
não se alfabetizavam pelos métodos tradicionais (alfabético, silábico) (Jardini, Gomes,
2011).
Segundo as mesmas autoras, este método, alicerçado na fonoaudiologia em parceria com
a pedagogia, é considerado potencializador da alfabetização, uma vez que estimula a
consciência fonológica e o princípio alfabético, pré-requisitos para a aquisição da leitura e
escrita.
Já a equoterapia, é um método terapêutico onde o cavalo atua junto à uma equipe
multidisciplinar, estando montado ou não, visando o desenvolvimento biopsicossocial dos
praticantes. Aqui vale ressaltar que se entende por praticante, o paciente que participa
dos atendimentos de equoterapia (in Apostila do Curso de Pós Graduação em
Equoterapia da Fundação Rancho GG, ano 2015).
Na equoterapia as respostas que o praticante obtém do cavalo permitem intensificar a
experiência perceptiva. Assim, o praticante interioriza sensações corporais, sentimentos e
emoções, através da visão, do olfato, do tato, da audição e da cinestesia, estimulando a

que a equoterapia não visa alfabetizar seus praticantes. através da equoterapia. bem como. e equoterapia. mencionando o trabalho realizado no período de março a junho de 2016. ano 2015). Ele busca potencializar a alfabetização de crianças e adolescentes com deficiência intelectual e contempla a participação de 4 (quatro) pacientes (D. utilizando-se o Método das Boquinhas. com diagnóstico de deficiência intelectual.consciência corporal mediante a percepção do seu corpo em relação ao do outro indivíduo. Método Este estudo consiste em um relato de experiência vivenciado pelas profissionais das áreas de fonoaudiologia. expandido a outros pacientes. Vale salientar que os planejamentos das terapias são feitos com base na avaliação informal inicial que levantou dados sobre as habilidades de consciência fonológica. Desse modo. no estado do Espírito Santo. Os atendimentos de equoterapia acontecem nas dependências de uma penitenciária agrícola municipal e os internos participam como auxiliares. já os atendimentos de fonoaudiologia são realizados na sede da instituição. nível . ano 2011). A experiência trata-se de um projeto que associa equoterapia e terapia fonoaudiológica através do Método das Boquinhas e que está apenas iniciando. L. São ofertados atendimentos quinzenais e intercalados de fonoaudiologia. aborda-se algumas atividades que pelas suas características facilitam a atuação dos profissionais engajados no processo direto de alfabetização e na área psicomotora. da escrita e do conhecimento lógico matemático. proporcionando e facilitando a aprendizagem da leitura. E e I) acompanhados pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Viana. vale ressaltar. fisioterapia e psicologia atuantes na APAE (Associação de pais e amigos dos excepcionais) do município de Viana. quando possível a fonoaudióloga participa como mediadora. pela mesma fonoaudióloga que eventualmente media os atendimentos de equoterapia. ao mesmo tempo. aguça o raciocínio. mas sim trabalhar sua prontidão para a alfabetização/aprendizado (in Apostila do Curso de Pós Graduação em Equoterapia da Fundação Rancho GG. no período de março a dezembro do corrente ano. o sentido da realidade e percepção espacial despertando. podendo ser estendido. mediada por fisioterapeuta e psicóloga e. Portanto. uma profunda comunhão entre o praticante e o ambiente (in Apostila do Curso de Pós Graduação em Equoterapia da Fundação Rancho GG.

E tem apresentado avanços nas habilidades de consciência fonológica mais refinadas e na escrita. E compreende o valor social da escrita e vem desenvolvendo em relação ao conhecimento do valor sonoro de muitas letras. onde já conseguia compreender que a escrita representa os sons da fala e percebia que existe a necessidade de mais de uma letra para a maioria das sílabas. através de reavaliações trimestrais.de escrita e aspectos básicos para a aprendizagem e alfabetização dos participantes. Também contou-se com uma avaliação específica na equoterapia. como: noção de lateralidade. aliteração. Pôde-se verificar uma maior agilidade e disposição para realização das tarefas sugeridas. L. D. orientação temporal. onde estes apresentavam defasagem no desenvolvimento das percepções e da linguagem. concentração e atenção. sendo possível observar o início do processo de alfabetização desses (fase silábica). consciência silábica.se em transição da fase silábicaalfabética para alfabética de escrita. minimização dos distúrbios comportamentais. e I tem apresentado evolução quanto à consciência fonológica de uma forma geral (consciência de palavras. organização psicomotora e estruturação espaço-temporal. além da integração das percepções. auditivo e tátil). coordenação motora geral. assim como insegurança na realização de atividades psicomotoras. dificuldade para realizar experiências desafiadoras. e E estava na fase silábica-alfabética de escrita. rima e consciência fonêmica) mais especificamente em relação à consciência silábica e fonêmica. não faziam relação entre escrita e fala. Resultados e Discussão Pode-se constatar que houve melhora na prontidão para a aprendizagem de ambos os praticantes. maior adequação ao tempo e espaço. como relatado . encontrando. demonstrando avanços na alfabetização. já reconhecendo e associando algumas letras e sons e. levando-se em conta a avaliação inicial realizada na equoterapia. visando levantar as potencialidades e dificuldades de cada praticante. Quanto à fonoaudiologia e o desenvolvimento da consciência fonológica. L e I encontravam-se na fase pré-silábica no início do projeto. Ambos apresentavam déficit em relação a aspectos básicos. D. ou seja. capacidade executiva e consciência fonológica. sistema sensorial (visual. Conclusões parciais Através da realização do projeto o quadro clínico dos participantes com deficiência intelectual segue se modificando. sequência e orientação espacial. ou seja. bem como.

vale ressaltar que o projeto está sendo visto pelos profissionais como uma forma dos pacientes desenvolverem suas potencialidades e enfrentarem suas limitações. WALTER. Fundação Rancho GG. o que poderá ser melhor mencionado nos próximos relatos sobre o projeto Referências JARDINI. Dessa forma. está contribuindo para a “reabilitação” dos internos envolvidos. Bauru.T. Ibiúna. Alfabetização com as boquinhas: método fonovísuo-articulatório: livro do aluno. essa experiência tem evidenciado que está sendo atingido o objetivo do projeto em questão. Apostila do curso de Pós Graduação em Equoterapia. 2015.S. Fundação Rancho GG. bem como.Centro de Treinamento e Pesquisa e Ensino de Equoterapia. Apostila do curso de Pós Graduação em Equoterapia.em resultados e discussão. 2011..B.R. WALTER. SP. GOMES. G. .S. G. Ibiúna. SP: Boquinhas Aprendizagem e Assessoria. SP. Além disso.B. P. 2011. R.Centro de Treinamento e Pesquisa e Ensino de Equoterapia.