De acordo com Metas Curriculares

e Novo Programa de Português

ETAPAS 6

GUIA DO
PROFESSOR
Português | 6.o Ano de Escolaridade
Graça Trindade
Madalena Relvão

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* MATERIAIS DISPONÍVEIS,
EM FORMATO EDITÁVEL, EM:

ETAPAS 6

GUIA DO
PROFESSOR

Português | 6.º Ano de Escolaridade
Graça Trindade
Madalena Relvão

Índice

Introdução ................................................................................................

5

1. Projeto Etapas 6 ..................................................................................

7

2. Metas Curriculares de Português (6.º ano) ........................................

11

3. Planificação anual/trimestral ............................................................. 17
4. Grelhas de observação ......................................................................... 25
5. Grelhas de avaliação (por domínio) ..................................................... 31
6. Transcrições (textos áudio e vídeo) .................................................... 45

.

– a oralidade deve enfatizar a importância da necessidade de saber escutar. para que o professor possa selecionar aqueles que melhor se adequam ao seu contexto específico. ao integrar as atividades na comunidade educativa. a confirmar ou negar expectativas. as propostas presentes no manual Etapas 6 partem sempre de experimentação e manipulação por parte dos alunos. para tal. de contacto visual e de assertividade. seremos levados a convocar paradigmas construcionistas de aprendizagem.Introdução Caras e caros colegas. este domínio deve ser alvo de desenvolvimento sequencial. que colocam o aluno e os seus saberes como motor da sua própria construção de conhecimento. Assim. a formular juízos de valor sobre o que leu. o Etapas 6 oferece guiões de leitura. – a escrita será particularmente beneficiada pelas aprendizagens efetivadas na gramática. – ademais. a partir desses conhecimentos prévios e das conclusões a que chegam nessa experimentação. feita em trabalho laboratorial. de posição. o valor do silêncio e da atenção e. cada unidade desenvolverá ainda a cidadania. Este GUIA DO PROFESSOR visa acompanhar e organizar as propostas que o projeto Etapas 6 apresenta para a didatização das Metas Curriculares de Português para o 6. Se procurarmos encontrar uma base para este projeto. de atitude. Este princípio básico percorre todas as etapas a desenvolver ao longo do ano (e do ciclo): – o desenvolvimento da leitura deve partir das leituras que o aluno já fez e faz. que conduzirá o aluno à enunciação da regra e a uma significativa melhoria nos seus desempenhos linguísticos através do treino. levando-o a antecipar sentidos.º ano de escolaridade. que pressupõem a aprendizagem entre pares. – transversalmente. num processo trifásico enquadrado na unidade em que está incluso. cultural ou social. – já no que respeita à gramática. deve ainda desenvolver desempenhos que tenham em conta qualidades de voz. aprenderem ainda mais e aprenderem algo novo que possa oferecer-lhes valor acrescido na sua formação pessoal e académica e no seu futuro profissional. para. . munidos daquilo que já sabem. para além de promover a capacidade interventiva do cidadão em desenvolvimento. e paradigmas colaborativistas. autárquica. os conhecimentos prévios dos alunos são imprescindíveis numa aprendizagem progressiva.

e cada unidade encerra com uma Ficha formativa que percorre os principais conteúdos da unidade. para os alunos. propostas de Oficinas de Língua. Cada unidade está organizada em quatro sequências. Cada sequência. Oficinas de Escrita e dois Guiões de leitura adicionais. centrado na etapa-foco dessa sequência. que permita a professores e alunos fazer o balanço das aprendizagens (para definir estratégias de superação. Para os professores. como orientação para a didatização das sequências propostas. sendo que cada uma destas aborda uma etapa-foco diferente. se necessário). está organizada em quatro etapas. Desejamos práticas didáticas excelentes com os alunos! As Autoras . compilámos um Livro de testes de avaliação. correspondendo cada uma a um domínio. e o presente Guia. Como ajuda complementar.O manual está organizado em seis unidades didáticas. numa prova de estrutura próxima da das provas finais de ciclo. Elaborámos também um Caderno de atividades com exercícios de gramática. Numa perspetiva de avaliação formativa. cada sequência termina com um Balanço das aprendizagens. supondo-se a abordagem de duas por período letivo. uma brochura com 88 planos de aulas. sintetizámos os conteúdos de gramática num Guia gramatical que surge em apêndice final. por sua vez. com uma planificação anual/trimestral e algumas grelhas de observação e de classificação.

1 1 1 PROJETO ETAPAS 6 .

Gramática e Oralidade –. Assim.asa. ganhar países e galáxias… Unidade 3 – A aventura de versejar… Unidade 4 – Os sonhos têm asas… Unidade 5 – Tanto mar para navegar… Unidade 6 – A crescer se fazem heróis… A unidade 0 pretende fazer um diagnóstico das aprendizagens desenvolvidas no ano anterior. . Escrita.asa.etapas6. bem como possibilita a aferição de dificuldades decorrentes da aprendizagem através de Balanços de Aprendizagem. estando devidamente identificados nas páginas do manual e sendo um deles a etapa-foco em tratamento na sequência.pt Manual O Manual encontra-se organizado em 6 unidades temáticas: Unidade 1 – Partindo à aventura… Unidade 2 – Viajar.etapas6.pt Para o Professor – Manual (versão do Professor) – – Guia do Professor – Planos de Aula – Livro de Testes – CD Áudio – www. inseridos no final de cada sequência.8 Etapas 6 | Guia do Professor O projeto Etapas 6 contempla os seguintes componentes: Para o Aluno – Manual (inclui Guia Gramatical em apêndice final) – Caderno de Atividades – Fichas de Gramática – Oficinas de Língua – Oficinas de Escrita – Guiões de Leitura – Provas-modelo de Final de Ciclo – 20 Manual Multimédia – www. As restantes unidades desenvolvem-se em quatro sequências estruturadas por etapas. No final de cada unidade há espaço para consolidação dos conteúdos lecionados. que permitem um trabalho equilibrado de todos os domínios da língua. através da realização de uma Ficha formativa. Esta organização interna clara e sequencial promove um estudo e uma aprendizagem autónomos por parte do aluno. a cada etapa corresponde um domínio – Leitura.

9 . – Transcrições de recursos áudio e vídeo. O caderno termina com três Provas-modelo. com explicações acompanhadas de exemplos. Livro de Testes Um teste diagnóstico. em CD Áudio Recursos áudio de suporte às atividades do Manual.º ciclo. bem como estimula a prática de atividades de escrita de forma sequencial e em consonância com a metodologia preconizada pelo Programa da disciplina. em formato editável. Planos de Aula Planos de aula que abarcam todos os conteúdos abordados no Manual e que promovem a articulação entre todos os recursos do projeto Etapas. Guia do Professor Inclui: – Planificações anual e trimestral (6.° Ciclo. em formato editável. que o professor poderá ajustar ao perfil de cada uma das suas turmas.Projeto Etapas 6 Guia Gramatical (em apêndice final) Este Guia Gramatical apresenta uma sistematização de todos os conteúdos de gramática do 2. Manual (versão do Professor) Apresenta sugestões de implementação das atividades propostas e contempla soluções destas atividades.º ano). Caderno de Atividades Esta publicação permite uma reflexão linguística mais aprofundada através de fichas de gramática que trabalham os diferentes domínios da língua. Existe ainda espaço para dois Guiões de Leitura. . quatro testes por período (dois por unidade). De forma a constituírem uma base de trabalho útil. – Grelhas de observação e grelhas de avaliação (por domínio). em linguagem clara e acessível. Este componente contempla também duas Provas-modelo de Final de Ciclo. em . a que se junta uma secção de Compreensão do Oral. que permitirão uma adequada preparação para a prova final do 2.° ciclo. Todos os testes encontram-se disponíveis. em grau de dificuldade diferenciado e de acordo com a tipologia de questões das provas finais de 2. todos os planos encontram-se disponíveis.

de forma pedagógica. diversos conteúdos. projetá-los em sala de aula ou enviá-los aos seus alunos com correção automática. de forma divertida. Jogos – atividades lúdicas que permitem a revisão de conteúdos. através das novas tecnologias em sala de aula. Gramática interativa – animações que apresentam todos os tópicos gramaticais abordados ao longo do manual. disponíveis em formato Word. Apresentações em PowerPoint – apresentações editáveis que exploram. Testes interativos – extenso banco de testes interativos. sintetizadora e motivante. para tornar a sua aula mais dinâmica: Animações de textos – em cada unidade são apresentados textos com vocalização e ilustrações animadas. • personalizando os Planos de Aula com recursos do projeto e/ou com os materiais criados por si. • imprimir os testes para distribuir. Avaliação dos alunos Poderá: • utilizar os testes interativos predefinidos ou criar um à medida da sua turma. garantindo a componente didática com o rigor científico e educativo de conteúdos de gramática. personalizáveis e organizados pelos diversos temas do manual. integrando também questões de interpretação.10 Etapas 6 | Guia do Professor Possibilita a fácil exploração do projeto Etapas 6. • utilizar os testes constantes do Livro de Testes. Para explorar e ir mais longe Pode projetar e explorar as páginas do manual em sala de aula e aceder a um vasto conjunto de conteúdos multimédia integrados com o manual. . exclusivos do Professor. Links internet – endereços para páginas na internet de apoio às aprendizagens. que o apoiarão nas suas aulas com recurso a um projetor ou um quadro interativo. para obtenção de mais informação. Áudios – recursos áudio que dão voz aos textos do manual e que complementam e enriquecem as atividades propostas. Preparação de aulas Pode aceder aos Planos de Aula. e planificar as suas aulas de acordo com as características de cada turma: • utilizando as sequências de recursos digitais feitas de acordo com os Planos de Aula criados para si. acompanhadas de avaliação sobre a informação apresentada.

º ANO) .2 2 2 METAS CURRICULARES DE PORTUGUÊS (6.

definindo alguns tópicos de suporte a essa comunicação e hierarquizando a informação essencial. indicativo e conjuntivo). apresentadas quase aleatoriamente. do tom de voz. . 2. Utilizar procedimentos para registar e reter a informação. 2. 1. Ler um texto com articulação e entoação corretas e uma velocidade de leitura de. Fazer deduções e inferências. 1. Sempre que necessário. 4. Identificar argumentos que fundamentam uma opinião. na apresentação de factos e de opiniões. um mínimo de 120 palavras. com recurso eventual a tecnologias de informação. 4. 2. 2. Respeitar princípios reguladores da interação discursiva. Manifestar. das pausas. 1. devem continuar a ser mobilizados em anos subsequentes.º ano Domínios de Referência. Preencher grelhas de registo. Controlar as estruturas gramaticais correntes e algumas estruturas gramaticais complexas (pronominalizações. Compreender e apresentar argumentos. 1. de uma lista de palavras de um texto. Explicitar o significado de expressões de sentido figurado. a reação pessoal ao texto ouvido. uso de marcadores discursivos). 3. 6. na formulação de pedidos (com uso apropriado dos modos imperativo. 4. distinguindo introdução e fecho.1 Metas Curriculares de Português para o 6. Tomar notas e registar tópicos. Interpretar discursos orais breves. Construir uma argumentação em defesa de uma posição e outra argumentação em defesa do seu contrário (dois argumentos para cada posição) sobre um mesmo tema.12 Etapas 6 | Guia do Professor 2. gestos e expressão facial. no mínimo. Ler em voz alta palavras e textos. da entoação e do ritmo). 5. Fazer uma apresentação oral (máximo de 4 minutos) sobre um tema. Distinguir a informação explícita da informação implícita. Justificar pontos de vista. 3. proposto pelo professor. Oralidade O6 1. 3. 1. 2. 150 palavras por minuto. 3. 5. Leitura e Escrita LE6 5. por minuto. Planificar um discurso oral. Produzir discursos orais com diferentes finalidades e com coerência. Sistematizar enunciados ouvidos. Ler corretamente. Objetivos e Descritores de Desempenho Os objetivos e descritores indicados em cada ano de escolaridade são obrigatórios. justificando. 2. Captar e manter a atenção de diferentes audiências (com adequação de movimentos. Tratar um assunto com vocabulário diversificado e adequado.

13 . respeitando a articulação dos factos ou das ideias assim como o sentido do texto e as intenções do autor. Identificar. 2. Indicar os aspetos nucleares do texto de maneira rigorosa. Relacionar a estrutura do texto com a intenção e o conteúdo do mesmo. 2. o sentido global de um texto. b) ordenação correlativa dos tempos verbais. Registar ideias. 3. Antecipar o assunto. Fazer inferências a partir da informação prévia ou contida no texto. incluindo provérbios e expressões idiomáticas. tomando notas (usar títulos intermédios. de maneira sintética. mobilizando conhecimentos prévios com base em elementos paratextuais (por exemplo. 8. 3. Organizar a informação contida no texto. 3. Compreender o sentido dos textos. Procurar. de pontuação e os sinais auxiliares de escrita. Respeitar as regras de ortografia. colocar perguntas. Planificar a escrita de textos. retirar conclusões). deteção de título. 1. de acentuação. de retoma e de substituição que assegurem a coesão e a continuidade de sentido: a) substituições por pronomes (pessoais. Avaliar criticamente textos. 4. Exprimir uma opinião crítica a respeito de um texto e compará-lo com outros já lidos ou conhecidos. capítulos. 2. subtítulo. se concorda com o desenlace ou discorda dele e porquê. organizá-las e desenvolvê-las.Metas Curriculares de Português (6. 1. expressões ou fraseologias desconhecidas. 1. 3. 2. retratos. Exprimir uma opinião crítica a respeito de ações das personagens ou de outras informações que possam ser objeto de juízos de valor. configuração da página. roteiros. notícias. sumários e texto publicitário. 12. autor. Controlar e mobilizar as estruturas gramaticais mais adequadas. sínteses parciais (de parágrafos ou secções). Estabelecer objetivos para o que pretende escrever. c) uso de conectores adequados. selecionar e organizar informação. Ler textos narrativos. pelo contexto e pela estrutura interna. Realizar. 6. imagens). ilustrador. textos de enciclopédias e de dicionários. descrições. 7. se a conclusão é lógica. formular questões intermédias e enunciar expectativas e direções possíveis. 2. que alternativa sugere). 1. recolher. cartas. Fazer apreciações críticas sobre os textos lidos (por exemplo. Construir dispositivos de encadeamento lógico. Distinguir relações intratextuais de causa – efeito e de parte – todo. Ler textos diversos. Pôr em relação duas informações para inferir delas uma terceira. Detetar informação relevante.º ano) | Etapas 6 6. Organizar informação segundo a tipologia do texto. o sentido de palavras. entrevistas. 4. 1. 9. 2. se o tema e o assunto são interessantes e porquê. Redigir corretamente. Parafrasear períodos ou parágrafos de um texto. Extrair o pressuposto de um enunciado. 10. 1. 11. com vista à construção de conhecimento (de acordo com objetivos pré-definidos e com supervisão do professor). factual e não factual. 3. Explicitar. ao longo da leitura de textos longos. 1. demonstrativos). 5.

3. se estas estão devidamente ordenadas e se a informação do texto avança. da tradição popular. vocabulário. 13. Lista em anexo) 1. Reconhecer. Manifestar-se em relação a aspetos da linguagem que conferem a um texto qualidade literária (por exemplo. 2. poema (lírico e narrativo). Escrever pequenos textos informativos com uma introdução ao tópico. 10. 3. Responder de forma completa a questões sobre os textos. cruzada. interpolada). 1. e uma conclusão coerente. três razões que a justifiquem. 8. Educação Literária EL6 18. 3. Utilizar unidades linguísticas com diferentes funções na cadeia discursiva: ordenação. 1. Verificar se o texto respeita o tema. Escrever cartas. 7. 4. perífrase. a apresentação de. apresentando factos. Fazer relatórios. Fazer inferências. Escrever textos biográficos. e adaptações de clássicos. Ler textos da literatura para crianças e jovens. se revelar necessário. conotações. rima (toante e consoante) e esquema rimático (rima emparelhada. no texto escrito. 4. pelo menos. 11. Escrever textos informativos. Comparar versões de um texto e explanar diferenças. . campos lexicais e semânticos. 2. Escrever um texto de opinião com a tomada de uma posição. 6. 17. 1. Escrever textos narrativos. o desenvolvimento deste. reforço argumentativo e concretização. metáfora) e justificar a sua utilização. na organização estrutural do texto dramático. cena e fala. 9. condensando. 5. e usando o diálogo e a descrição. Identificar marcas formais do texto poético: estrofe. 16. 5. 15. Ler e interpretar textos literários. Distinguir os seguintes géneros: conto. tendo em atenção a riqueza vocabular. 5. a tipologia e as ideias previstas na planificação. estrutura). 1. com nexos causais. (v. Escrever textos de opinião. 14. suprimindo. 2. integrando os seus elementos numa sequência lógica. definições e exemplos. Usar vocabulário específico do assunto que está a ser tratado. explicitação e retificação. com uma explicação dessas razões. Expor o sentido global de um texto dramático. Rever textos escritos. ato. Verificar se os textos escritos incluem as partes necessárias. 4. com a informação agrupada em parágrafos. Verificar a correção linguística. Corrigir o que. e uma conclusão. reordenando e reescrevendo o que estiver incorreto. Fazer sumários. Relacionar partes do texto (modos narrativo e lírico) com a sua estrutura global. Resumir textos informativos e narrativos. Aperceber-se de recursos expressivos utilizados na construção dos textos literários (anáfora. 1. Escrever textos narrativos. Escrever textos diversos.14 Etapas 6 | Guia do Professor 4.

pretérito imperfeito e futuro). da tradição popular. Tomar consciência do modo como os temas. complemento agente da passiva e modificador. Conhecer classes de palavras. 2. 2. Distinguir frase complexa de frase simples. Ler textos da literatura para crianças e jovens. Fazer uma breve apresentação oral (máximo de 3 minutos) de um texto lido. teatro). 3. oralmente ou por escrito. ideias e sentimentos provocados pela leitura do texto literário. 20.º ano) | Etapas 6 19. designadamente os diferentes contextos históricos. complemento oblíquo. colocando-o corretamente nas seguintes situações: em frases que contêm uma palavra negativa. e adaptações de clássicos. e a representação de mundos imaginários. b) formas não finitas – infinitivo (impessoal e pessoal) e gerúndio. Explicitar aspetos fundamentais da morfologia. Aplicar regras de utilização do pronome pessoal em adjacência verbal. 2. em frases iniciadas por pronomes e advérbios interrogativos. 6. 3. Identificar as seguintes funções sintáticas: predicativo do sujeito. 4. as experiências e os valores são representados nos textos literários. Lista em anexo e Listagem PNL) 1. 1. Expressar. 23. Fazer leitura dramatizada de textos literários. Gramática G6 21. Selecionar e fazer leitura autónoma de obras. 5.Metas Curriculares de Português (6. 1. 15 . (v. 5. por iniciativa própria. Relacionar a literatura com outras formas de ficção (cinema. Substituir o complemento direto e o indireto pelos pronomes correspondentes. Identificar os contextos a que o texto se reporta. Distinguir derivação de composição. Ler e escrever para fruição estética. Distinguir regras de formação de palavras por composição (de palavras e de radicais). 22. Transformar frases ativas em frases passivas e vice-versa. quer no modo oral quer no modo escrito. c) pronome indefinido. Lista em anexo e Listagem PNL) 1. (v. 4. b) determinante interrogativo. 2. 3. Integrar as palavras nas classes a que pertencem: a) verbo: principal (intransitivo e transitivo). Analisar e estruturar unidades sintáticas. 1. copulativo e auxiliar (dos tempos compostos e da passiva). d) interjeição. Transformar discurso direto em discurso indireto e vice-versa. Identificar e usar os seguintes modos e tempos verbais: a) formas finitas – condicional e conjuntivo (presente.

16 Etapas 6 | Guia do Professor 2. “A Bela Infanta” in Romanceiro 3. Lista de obras e textos para Educação Literária – 6.° ano 1. Graça Vilhena ou Maria José Costa ou Teresa Aica Bairos) (escolher 3 contos) 8. John Lang) OU Ali Babá e os Quarenta Ladrões (adapt. António Pescada) . Irmãos Grimm Contos de Grimm (trad. Viagem de Bartolomeu Dias… 5. Sophia de Mello Breyner Andresen (sel.2. Almeida Garrett “A Nau Catrineta”. minha Irmã Rosa OU Chocolate à Chuva OU António Mota Pedro Alecrim 2.) Primeiro Livro de Poesia (escolher 8 poemas de autores portugueses e 8 poemas de autores lusófonos) 7. Alice Vieira Rosa. Manuel António Pina Os Piratas – Teatro 6. Daniel Defoe Robinson Crusoé (adapt. Manuel Alegre As Naus de Verde Pinho. António Sérgio Contos Gregos OU Maria Alberta Menéres Ulisses 4.

em .3 3 3 PLANIFICAÇÃO ANUAL/ TRIMESTRAL Esta planificação encontra-se disponível. em formato editável.

quantificador. o quê. inferência Estrutura narrativa e seus componentes: personagens (principal e secundária) e narrador Carta Sequência 2 Viagem pela cidade… – De que forma quer descobrir o Porto?”. em coro ou individualmente Ouvinte: atenção seletiva Opinião. quando. Sempé – Goscinny – “À conversa com José Jorge Letria”. Alice Vieira TEXTOS Biografia Notícia (quem. distinguindo facto de opinião. porquê) Entrevista Registo escrito: graus de formalidade. Revista Visão Sete Sequência 3 Viagem pela cultura… – “Uma aula de coisas”. onde. construção de conhecimento e fruição estética. Revista Visão Júnior (PNL) – “Terminaram as aulas”. António Mota (excerto e guião de leitura) Sequência 1 Ganhar planetas… e abraços – O Principezinho (PNL). Antoine de Saint-Exupéry – “Dá-me um abraço”. Revista Visão Sete – “De vespa no Porto”. Escrever para responder a diferentes propostas de trabalho. José Jorge Letria LEITURA Sequência 1 Viagem em família… Viagem à roda do meu nome (PNL). Interpretar a informação ouvida. implícito e explícito Informação relevante: factual e não factual Valores semânticos Entrevista Texto narrativo. Ler com alguma expressividade. Utilizar com autonomia processos de planificação. argumentos Princípio de cortesia Inferências Texto conversacional – entrevista Formas de tratamento Atenção seletiva Atenção seletiva Comunicação e interação discursiva ORALIDADE Plano morfológico – Formas verbais: finitas e não-finitas Plano morfológico – Formação de palavras: derivação / composição Plano das classes de palavras – Advérbio interrogativo Plano discursivo e textual – Formas de tratamento Plano das classes de palavras – Pronome indefinido Plano das classes de palavras e Plano morfológico – Nome. como. in As aventuras do menino Nicolau (PNL). Correio eletrónico Texto informativo (roteiro) Texto escrito Organização discursiva ESCRITA Texto oral – leitura em público. Interpretar a informação ouvida. RESULTADOS ESPERADOS 18 Etapas 6 | Guia do Professor . tomando consciência do modo como os temas. com vocabulário adequado. advérbio. in Pedro Alecrim (PNL + Metas). Produzir discursos orais coerentes em português padrão. Produzir discursos orais coerentes em português padrão. Interpretar a informação ouvida. Produzir textos coerentes e coesos em português padrão. verbo. determinante. Identificar e classificar unidades utilizando a terminologia adequada. Ler para construção de conhecimento e fruição estética. pronome GRAMÁTICA Escrever em termos pessoais e criativos. Ler textos literários. textualização e revisão.Unidade 1 – Partindo à aventura… Unidade 2 – Viajar. Miguel Gameiro – “Ao Principezinho” – Cartas aos heróis II (PNL). Revista Visão Júnior (PNL) Sequência 4 Viagem de amigos… – “Entrevista a António Mota”. Escrever em termos pessoais e criativos. ganhar países e galáxias… 1º PERÍODO Leitor Texto Significado Sentido global Notícia Inferências. distinguindo a informação explícita da informação implícita. Ler para recolha e organização de informação. adjetivo. as experiências e os valores são representados.

Identificar e classificar unidades utilizando a terminologia adequada. in Primeiro livro de poesia (PNL + Metas). José Jorge Letria – A Terra será Redonda? (PNL). com vocabulário adequado. Sentido (retirar conclusões) complemento direto. futuro. Ana M. Magalhães e Isabel Alçada – A História da UE. informáticos ou outros ORALIDADE Posicionar-se quanto aos efeitos produzidos pelos recursos verbais e não verbais utilizados. in Robinson Crusoé.) Unidade 3 – A aventura de versejar… 1º PERÍODO (Cont. complemento indireto Texto oral – planificação Atenção seletiva Inferências e deduções Termos relevantes para o assunto Ouvinte: atenção ao pormenor Texto oral: – coerência de uma sequência de enunciados. Portal da União Europeia Sequência 4 Viajar pelos mares… “As aventuras de Robinson Crusoé” (PNL + Metas). Ana M. Produzir textos coerentes e coesos em português padrão. Interpretar a informação ouvida. Respeitar e valorizar as diferentes variedades do português. Terêncio Anahory – “Santos”. RESULTADOS ESPERADOS Planificação Anual/Trimestral | Etapas 6 19 . Produzir discursos orais coerentes em português padrão. predicado. pretérito imperfeito Plano das classes de palavras – Determinantes interrogativos – Interjeições GRAMÁTICA Plano sintático Texto poético – Funções sintáticas: Recursos expressivos sujeito. seleção de Sophia de Mello Breyner Andresen LEITURA Sequência 2 Dentro do barco… A Terra será Redonda? (PNL).Unidade 2 – Viajar. Eugénio de Andrade. distinguindo a informação explícita da informação implícita. Daniel Defoe (excerto e guião) Sequência 1 Viajar nas nuvens… – “Porto Grande”. textualização e revisão. Magalhães e Isabel Alçada TEXTOS Texto poético: estrutura compositiva (caligrama) Diário Texto poético: marcas de literariedade Estrutura compositiva Escrita pessoal e criativa Memórias ESCRITA Plano das classe de palavras – Advérbio: valores e função Plano morfológico – Conjuntivo: presente. ganhar países e galáxias… (cont. Ler para fruição estética. Ribeiro Couto – “Canção de Leonoreta”. Relacionar diferentes registos de língua com os contextos em que devem ser usados.) 2º PERÍODO Componentes da narrativa Expressividade da linguagem Inferência Técnicas de tratamento da informação: – esquemas – notas Texto narrativo Componentes da narrativa Informação relevante Sentidos implícitos Texto poético Recursos expressivos Rima Sequência 3 Ganhar países… – O alfabeto dos países (PNL). reconhecendo o português padrão como a norma. Utilizar com autonomia processos de planificação. – recursos audiovisuais.

Manuel Alegre (excerto e guião) Texto poético Sentido figurado Contexto histórico Rima toante e consoante Texto escrito: em verso ou em prosa Texto poético: estrutura compositiva Argumentos Informação Texto literário em verso Sequência 3 Viajar pelos mares… – “A Nau Catrineta”. in Primeiro livro de poesia (PNL + Metas).) 2º PERÍODO (Cont. Almeida Garrett.) Sequência 4 Viajar sonhando… “As naus de verde pinho”. com base em práticas de experimentação. Escrever em termos pessoais e criativos. Descobrir regularidades na estrutura e no uso da língua. Manuel Bandeira – in Primeiro livro de poesia (PNL + Metas). descrição LEITURA Sequência 2 Modo lírico Viajar com a poesia… Texto literário em verso – “Prelúdio”.Unidade 3 – A aventura de versejar… (Cont. Ler com alguma expressividade. seleção de Sophia de Mello Breyner Andresen (excerto e guião) – “Fundo do Mar”. Jorge Barbosa – “Trem de ferro”. seleção de Sophia de Mello Breyner Andresen ESCRITA Texto escrito: memórias. RESULTADOS ESPERADOS 20 Etapas 6 | Guia do Professor . Almeida Garrett (PNL + Metas) e – “A Bela Infanta”. Sophia de Mello Breyner Andresen – in 101 Poetas: Iniciação à poesia em língua portuguesa (PNL). organização de Inês Pupo TEXTOS Texto poético Opinião / argumentos Sentido figurado Contexto histórico Processos interpretativos inferenciais Texto oral: destinador e destinatário Texto poético (ritmo. in As naus de verde pinho (PNL + Metas). estrofe) Leitura expressiva ORALIDADE Plano morfológico – Modo condicional Plano discursivo e textual – Discurso direto e discurso indireto: verbos introdutores do discurso Plano sintático – Função sintática: substituição dos complementos direto e indireto pelos pronomes correspondentes GRAMÁTICA Identificar e classificar unidades utilizando a terminologia adequada.

tom de voz. acento. pausas. com base em práticas de experimentação. Irmãos Grimm – “Mago”. Escrever.) Conto Sequências textuais Conto Opinião sobre a ação das personagens Sentido implícito Sequência 4 Ter asas para voar – “Irmão e irmã“ (Hänsel & Gretel). Descobrir regularidades na estrutura e no uso da língua. in Contos da Infância e do Lar (Metas). acento. pausa. deduções Sequência 2 Viajar dentro de nós Alice no país das maravilhas (PNL). expressão facial. adotando as convenções próprias do tipo de texto. Ler para fruição estética. gestos Ouvinte Assunto. Compreender os diferentes argumentos que fundamentam uma opinião. in Os bichos. Interpretar a informação ouvida. acento e ritmo ORALIDADE Plano das classe de palavras – Verbos transitivos e intransitivos – Processos de enriquecimento do léxico – Expressões idiomáticas Plano sintático – Funções sintáticas: complemento oblíquo Plano sintático – Funções sintáticas: predicativo do sujeito Plano das classe de palavras – Verbo copulativo Plano morfológico – Verbo irregular GRAMÁTICA Identificar e classificar unidades utilizando a terminologia adequada. com vocabulário adequado. Produzir discursos orais coerentes em português padrão. Miguel Torga Texto narrativo Relações intertextuais LEITURA Sequência 1 Viajar na imaginação Alice no país das maravilhas (PNL). in Contos da Infância e do Lar (Metas). Lewis Carroll TEXTOS Registo e organização da informação: – ficha bibliográfica – ficha de leitura Texto expositivo-descritivo Resumo Texto narrativo Sequência lógica Descrição ESCRITA Ouvinte: atenção seletiva Coerência de uma sequência de enunciados: – introdução e fecho Texto informativo Informação factual Conto Destinador e destinatário Articulação. entoação. Posicionar-se quanto aos efeitos produzidos pelos recursos verbais e não verbais utilizados. entoação. inferências. distinguindo o essencial do acessório. gestos. Irmãos Grimm Texto narrativo Sentidos implícitos. RESULTADOS ESPERADOS Planificação Anual/Trimestral | Etapas 6 21 . Ler com alguma expressividade. Lewis Carroll Sequência 3 Viajar sem sair do lugar – “Os músicos da cidade de Bremen”. entoação. tema ou tópico Articulação. pausa Texto oral Pormenores relevantes para a construção do sentido global Recursos linguísticos e extralinguísticos: movimentos.Unidade 4 – Os sonhos têm asas… 2º PERÍODO (Cont.

em frases negativas. Zaca. – Pronome pessoal em adjacência verbal: gestos e expressão facial. Produzir discursos orais coerentes em português padrão. com base em práticas de experimentação. indicações cénicas Relações entre o texto e o desenvolvimento cénico Sequência 3 Ouvir a voz do mar – “Os três avisos do mar” in Lendas do mar. do acento em frases iniciadas e do ritmo por determinantes e advérbios interrogativos Ouvinte Discurso Instruções Atividade discursiva: uso apropriado dos modos imperativo. Manuel António Pina (excerto e guião) Texto dramático: ato. cena. fala. porquê) Texto conversacional Texto dramático: Coesão e coerência cena. distinguindo o essencial do acessório. quando. com vocabulário adequado. o quê. Plano da representação gráfica e ortográfica – Sinais auxiliares de escrita: aspas. Interpretar a informação ouvida. Descobrir regularidades na estrutura e no uso da língua. adotando as passiva convenções próprias do tipo de texto.Unidade 5 – Tanto mar para navegar… 3º PERÍODO Tipologia textual: texto instrucional Plano. pausa ORALIDADE 22 Etapas 6 | Guia do Professor . onde. José Jorge Letria – Os piratas (PNL + Metas). fala. António Torrado – Enquanto a cidade dorme (PNL). Plano sintático – Frase ativa. em frases afirmativas. marcas e numerações GRAMÁTICA Plano sintático Ouvinte Adequação de movimentos. da entoação. Ler para fruição estética. frase passiva Ler com alguma expressividade. esboço prévio ou guião do texto Redes intertextuais Sequência 4 Viajar para evoluir – As viagens de Gulliver de Jonathan Swift (PNL). Manuel António Pina Notícia (quem. acento. como. das pausas. – Funções sintáticas: complemento agente da Escrever. Luísa Ducla Soares – Os piratas (PNL + Metas). do tom de voz. entoação. indicações cénicas Relações entre o texto e o desenvolvimento cénico Sequência 2 Mar e mar… e saber olhar – Zaca. Álvaro Magalhães ESCRITA Texto expositivo Vocabulário específico LEITURA Sequência 1 Texto dramático Mar e mar… ir – voltar? Contexto O bojador (PNL). RESULTADOS ESPERADOS Plano sintático – Pronome pessoal em adjacência verbal Identificar e classificar unidades utilizando a terminologia adequada. Sophia Temas dominantes de Mello Breyner Andresen TEXTOS Inferências e deduções Texto conversacional Princípio de cooperação Recursos extralinguísticos Posicionar-se quanto aos efeitos produzidos pelos recursos verbais e não verbais utilizados. ato. parênteses curvos – Configuração gráfica: alínea. indicativo e conjuntivo Ouvinte Discurso Essencial / acessório Conectores frásicos e marcadores discursivos Articulação.

Ler com alguma expressividade.) Texto literário Texto narrativo Valores estéticos. Fazer exposições sobre assuntos de interesse escolar. cartaz Resumo Vocabulário Relato Coesão e coerência Progressão temática ESCRITA Contexto Processo interpretativo inferencial Comunicação e interação discursivas Ouvinte Processo interpretativo inferencial Comunicação Registo de língua formal Ouvinte: atenção seletiva Apresentação oral Recursos extralinguísticos Processos interpretativos inferenciais Contexto Destinador e destinatário Coesão Sequência de enunciados Relato ORALIDADE Plano morfológico – Frase simples/frase complexa Plano sintático – Funções sintáticas Plano das classes de palavras – Classes de palavras – Flexão Plano sintático – Funções sintáticas: modificador GRAMÁTICA Identificar e classificar unidades utilizando a terminologia adequada. Interpretar a informação ouvida. Escrever. Fernando Pessoa. com algum grau de formalidade. in Primeiro livro de poesia (PNL + Metas). Ler para fruição estética. Produzir discursos orais coerentes em português padrão. seleção de Sophia de Mello Breyner Andresen Texto literário Categorias da narrativa Informação Valores semânticos Sequência 2 Na terra dos gigantes Ulisses (PNL + Metas). éticos.Unidade 6 – A crescer se fazem os heróis… 3º PERÍODO (Cont. textualização e revisão Texto com configuração diferente: anúncio. culturais Texto literário Raciocínio inferencial Sequência 4 Horizonte “Horizonte”. Apresentar e defender opiniões. José Jorge Letria Contexto histórico Texto narrativo LEITURA Sequência 1 As Aventuras de Ulisses Ulisses (PNL + Metas). Fazer apreciações pessoais de textos de diferentes tipos. Descobrir regularidades na estrutura e no uso da língua. adotando as convenções próprias do tipo de texto. RESULTADOS ESPERADOS Planificação Anual/Trimestral | Etapas 6 23 . Maria Alberta Menéres TEXTOS Texto de opinião: planificação. Maria Alberta Menéres Sequência 3 Os heróis portugueses Os Lusíadas narrados aos jovens. com base em práticas de experimentação. distinguindo o essencial do acessório. Posicionar-se quanto aos efeitos produzidos pelos recursos verbais e não verbais utilizados.

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em .4 4 4 GRELHAS DE OBSERVAÇÃO As grelhas incluídas neste Guia do Professor encontram-se disponíveis. em formato editável.

Para além disso.26 Etapas 6 | Guia do Professor A. o Professor tem a função de assessor. auxiliando nas dificuldades dos alunos ou conduzindo-os a materiais e fontes onde os mesmos possam encontrar respostas para as suas dúvidas. vídeo ou mesmo a voz do professor ou de colegas. REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades em começar a escrever em redigir frases em articular as partes do texto na ortografia. o Professor deve observar a que nível se manifestam as dificuldades do aluno em compreender o que ouve. Sendo certo que nem todos os alunos podem ser alvo de observação detalhada em todas as aulas. o Professor deve ainda observar o aluno durante as Oficinas de Escrita. podem os alunos desenvolver: a compreensão. seja a fonte um recurso áudio. a expressão e a interação. A nível da compreensão. por outro. conhecer o desempenho do aluno e. por um lado. audição distinguir factos de opiniões . ESCRITA Nas aulas de Oficina de Escrita. ORALIDADE Neste domínio. em estar calado captar pormenores todo o tempo da relevantes. Na compreensão oral REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades em estar com atenção em compreender as palavras ditas em memorizar aquilo que ouviu. na acentuação gráfica e na translineação na pontuação em organizar e estruturar o texto em adequar a temática e a intenção ao destinatário e suporte B. e tendo em vista. podendo socorrer-se da seguinte grelha. aferir as suas próprias práticas didáticas ou planear estratégias de remediação. pode o Professor selecionar 4 ou 5 alunos por sessão para um olhar mais particular. para responder em relacionar o que ouviu com a pergunta a que responder em tomar notas.

em detetar em distinguir o assunto compreender a informação sublinhar informação relações do texto a pergunta relevante para informação. LEITURA No que diz respeito à leitura. literariedade deduções dos textos 27 . cabendo ao Professor selecionar aqueles que deve focar em cada atividade. são vários os pontos de focagem. factual continuação sintetizar em fazer em apreciar a inferências. Listamos alguns nas grelhas seguintes.Grelhas de Observação | Etapas 6 Na expressão oral REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades na dicção no volume da voz na entoação na posição corporal em estar à-vontade no reportório vocabular na emissão na captação de da atenção conhecimentos da audiência e opiniões Na interação verbal REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades em estar à vontade em ser cortês em respeitar o turno de fala em cooperar com os interlocutores em adequar as formas de tratamento C. factual e não intratextuais ou a sua ou instrução a resposta esquematizar. REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades em sublinhar em antecipar em em localizar palavras-chave.

Aspetos fundamentais da morfologia REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades em flexionar verbos regulares/irregulares (frequentes) em identificar tempos e modos verbais: formas finitas do condicional e do conjuntivo em distinguir palavras compostas de palavas e radicais em distinguir derivação de composição .28 Etapas 6 | Guia do Professor REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades em distinguir o essencial do acessório em explicitar o sentido global de um texto em ler para confirmar hipóteses previstas em sintetizar e recontar textos lidos em ler em voz alta com fluência e expressividade REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades em identificar recursos expressivos em sintetizar e recontar um texto narrativo em explicitar temas dominantes e características formais de poemas em expor o sentido global de um texto dramático. as grelhas de observação que a seguir se apresentam focam cada um dos planos que o constituem. GRAMÁTICA Dada a natureza deste domínio. relacionando texto e desenvolvimento cénico em selecionar obras mais complexas e em as ler autonomamente D.

Grelhas de Observação | Etapas 6 Classes de palavras REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES EM IDENTIFICAR E CATEGORIZAR EM SUBCLASSES Nome Sem do Aluno dificuldades nomes determinantes adjetivos pronomes quantificadores verbos preposições advérbios interjeições Unidades sintáticas REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades em aplicar regras de utilização do pronome pessoal em adjacência verbal em substituir complemento direto e indireto pelos pronomes correspondentes em identificar as funções sintáticas de predicativo do sujeito e complemento agente da passiva em distinguir as funções sintáticas de complemento oblíquo e modificador em transformar discurso direto em indireto e vice-versa em em distinguir transformar frase frases complexa de ativas/passivas frase simples e vice-versa Propriedades das palavras e formas de organização do léxico REVELANDO ALGUMAS DIFICULDADES Nome do Aluno Sem dificuldades em identificar significados diferentes. conforme o contexto em explicitar relações de semelhança e de oposição em identificar o significado: referir e relacionar entidades em identificar o em distinguir recursos significado: localizar verbais que podem no espaço ser utilizados para e no tempo localizar no tempo 29 .

Desta forma. por um lado. faz o aluno confrontar-se com várias opiniões. quando não é bem conduzido pelo Professor. os alunos que devem desempenhar os papéis de “Iniciador” (starter) e de “Finalizador” (wrapper). deixando. No entanto. É importante que cada aluno faça uma avaliação do seu desempenho no grupo e do desempenho do grupo como um todo. como poderá também reduzir alguma potencial indisciplina.Etapas 6 | Guia do Professor E. ao exigir-lhe a verbalização do seu pensamento. uma vez que. de situação para situação. leva-o a tomar consciência das suas opções. por outro. num paradigma que entende o aluno como agente do seu desenvolvimento. o Professor distribua papéis. de forma rotativa. Nome do Aluno Sem dificuldades 30 TÍTULO DO TRABALHO: Iniciador/ finalizador/ membro Cumprindo o seu “papel” (sim/não) Atento/distraído Respeitando opiniões e diálogo (sim/não) Decisivo/ «empata» Cumpridor de prazos e instruções (sim/não) . ou seja. Sugerimos que. o que. em situação de trabalho de grupo. varie. a apresentação de uma grelha de autoavaliação e de uma grelha de heteroavaliação. a preencher pelos alunos. para gerar uma dinâmica justa dentro do grupo. estará a atribuir responsabilidades específicas a cada aluno. o trabalho de grupo pode gerar sentimentos de injustiça e de falta de reconhecimento por parte dos alunos. para a secção seguinte. Apresentamos agora uma grelha de observação para o Professor. TRABALHOS DE GRUPO O trabalho de grupo é a melhor forma de aprendizagem. não só irá gerir melhor a atividade do grupo.

em .5 5 5 GRELHAS DE AVALIAÇÃO As grelhas incluídas neste Guia do Professor encontram-se disponíveis. em formato editável.

pontualidade. Enquanto a avaliação externa avalia apenas a Leitura. Esperamos que os instrumentos agora apresentados possam ser uma ajuda nesse árduo processo. mas também temos de concordar que a avaliação é inerente à própria construção do saber e ao reconhecimento deste e do seu valor pela sociedade. visto que eles são os alicerces. mas antes. respeito pelo outros. a nosso ver. Queremos com isto recordar que. onde o Aluno e o Professor podem verificar o cumprimento (e o grau de consecução) dos descritores que comprovam o domínio da etapa-foco dessa mesma sequência. uma grelha exemplificativa de classificação de um teste escrito. a avaliação interna percorre os domínios da aprendizagem. quer do manual Etapas. treinado e desenvolvido com os alunos. que há outras formas de avaliar e que. no Guia do Professor. listas de realização de tarefas ou produção continuada de portefólio reflexivo de aprendizagem e sua regular avaliação formativa pelo Professor. …). Como toda a avaliação contínua. …). O mesmo se passa relativamente aos tradicionais testes escritos ou aos testes estruturados segundo o modelo das Provas Finais. já para não falar da Cidadania (responsabilidade. um instrumento de avaliação. para além disso. a avaliação continua a ser sobre os desempenhos que o aluno desenvolveu e. distribuída equitativamente. em determinado momento da sua aprendizagem em relação a dado objetivo e a um número particular de descritores. facilmente observáveis através dos descritores de desempenho. fornecedores de elementos que permitirão ao Professor desenhar estratégias de remediação ou de melhoramento das aprendizagens. em avaliação contínua ao longo do ano. os anteriores e ainda a Oralidade. nas nossas escolas. mesmo nos testes. e só. apresentamos aqui. quer de toda a planificação pressuposta. assiduidade. na nossa opinião. tal como os entendemos. no final de cada sequência. As Autoras . no manual. colaboração em trabalho de grupo. por conseguinte. cabendo ao Professor selecionar. pode haver momentos variados. Por tudo o que dissemos. Lembramos. a avaliação é também vulgarmente entendida como classificação. estes serão momentos de aferição. cada domínio deve estar contemplado e deve ser alvo de cotação específica. ao longo do ano. caderno diário. fundado na sua natureza formativa. não são um critério em si. quer ainda das grelhas incluídas neste Guia do Professor. com instrumentos diferenciados (listas de verificação. apesar de a função de seleção exercida pela avaliação ser apenas. Por avaliação. para além das grelhas específicas de cada teste constante do Livro de Testes. Deste modo. é fácil compreender que as grelhas de observação anteriormente apresentadas tenham como suporte os descritores enunciados nas Metas Curriculares e sejam uma forma de avaliar. das grelhas. É ainda pertinente abordar aqui a diferença natural entre avaliação externa e avaliação interna (e aqui ainda a distinção entre a classificação do teste escrito e a avaliação de desempenhos). contudo. a classificação é inevitável. uma vez que é preciso atribuir uma classificação quantitativa no final de cada período (embora ainda aqui seja de natureza formativa) e no final de cada ano letivo (já de caráter sumativo). Esse é. o maior objetivo da avaliação. não é difícil admitir que avaliar é uma tarefa complexa. Por isso. ou seja. a Escrita e a Gramática. é proposto um momento de Balanço das aprendizagens. Na prática. Eles não contemplam a totalidade dos domínios programáticos e.32 Etapas 6 | Guia do Professor Nota Prévia Serve esta nota para tecer algumas considerações sobre os conceitos de avaliação e de classificação. Por outro lado. os descritores em causa em cada momento de avaliação e ter o cuidado de avaliar aquilo que foi efetivamente ensinado e descoberto. Nesse sentido. ou seja. entendemos todas as observações e balanços de atividades que verifiquem a aprendizagem. empenho. um “mal necessário” às sociedades onde vivemos atualmente. de fazer o ponto da situação do aluno.

3. Planificar um discurso oral. com recurso eventual a tecnologias de informação. UTILIZAR PROCEDIMENTOS PARA DIFERENTES FINALIDADES E COM COERÊNCIA REGISTAR E RETER A INFORMAÇÃO 5. O Aluno não cumpre o descritor ou revela muitas dificuldades. Preencher grelhas de registo. Fazer uma apresentação oral (máximo de 4 minutos) sobre um tema. 4. Distinguir a informação explícita da informação implícita. 2. O Aluno realiza na perfeição as tarefas que exigem cumprimento do descritor. Tomar notas e registar tópicos. mas com imprecisões ou lacunas. definindo alguns tópicos de suporte a essa comunicação e hierarquizando a informação essencial. NÍVEL 4 NÍVEL 5 O Aluno realiza bem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. 33 . Manifestar. justificando. 1. PRODUZIR DISCURSOS ORAIS COM 2. NÍVEL 3 O Aluno realiza tarefas que exigem cumprimento do descritor. com autonomia e criatividade.Grelhas de Avaliação | Etapas 6 ORALIDADE 1. 1. Sistematizar enunciados ouvidos. 2. 2. distinguindo introdução e fecho. Explicitar o significado de expressões de sentido figurado. NÍVEL 2 O Aluno revela dificuldades que comprometem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. 3. Fazer deduções e inferências. a reação pessoal ao texto ouvido. INTERPRETAR DISCURSOS ORAIS BREVES OBJETIVO NÍVEL 1 DESCRITOR 1.

3. Identificar argumentos que fundamentam uma opinião. Respeitar princípios reguladores da interação discursiva.) DESCRITOR 3. Controlar as estruturas gramaticais correntes e algumas estruturas gramaticais complexas (pronominalizações. Captar e manter a atenção de diferentes audiências (com adequação de movimentos.Etapas 6 | Guia do Professor ORALIDADE (cont. 2. Justificar pontos de vista. COMPREENDER E APRESENTAR ARGUMENTOS 34 4. das pausas. proposto pelo professor. indicativo e conjuntivo). 1. uso de marcadores discursivos). Tratar um assunto com vocabulário diversificado e adequado. gestos e expressão facial. da entoação e do ritmo). NÍVEL 1 NÍVEL 2 NÍVEL 3 NÍVEL 4 NÍVEL 5 . Construir uma argumentação em defesa de uma posição e outra argumentação em defesa do seu contrário (dois argumentos para cada posição) sobre um mesmo tema. PRODUZIR DISCURSOS ORAIS COM DIFERENTES FINALIDADES E COM COERÊNCIA 3. 6. 5. na formulação de pedidos (com uso apropriado dos modos imperativo. do tom de voz. 4. na apresentação de factos e de opiniões.

150 palavras por minuto. de uma lista de palavras de um texto. no mínimo. apresentadas quase aleatoriamente. COMPREENDER O SENTIDO DOS TEXTOS 6. notícias. 1. LER TEXTOS DIVERSOS 5. com autonomia e criatividade. 1. 35 . com vista à construção de conhecimento (de acordo com objetivos predefinidos e com supervisão do professor). Ler um texto com articulação e entoação corretas e uma velocidade de leitura de. 2. um mínimo de 120 palavras. NÍVEL 2 O Aluno revela dificuldades que comprometem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. LER EM VOZ ALTA PALAVRAS E TEXTOS OBJETIVO NÍVEL 1 DESCRITOR 1. entrevistas. textos de enciclopédias e de dicionários. selecionar e organizar informação. FAZER INFERÊNCIAS A PARTIR DA INFORMAÇÃO CONTIDA NO TEXTO 7. formular questões intermédias e enunciar expectativas e direções possíveis. ao longo da leitura de textos longos.Grelhas de Avaliação | Etapas 6 LEITURA 8. Ler textos narrativos. O Aluno não cumpre o descritor ou revela muitas dificuldades. 1. NÍVEL 3 O Aluno realiza tarefas que exigem cumprimento do descritor. tomando notas (usar títulos intermédios. mas com imprecisões ou lacunas. descrições. retirar conclusões). sínteses parciais (de parágrafos ou secções). Realizar. sumários e texto publicitário. Detetar informação relevante. roteiros. 2. colocar perguntas. cartas. por minuto. NÍVEL 4 NÍVEL 5 O Aluno realiza bem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. Ler corretamente. O Aluno realiza na perfeição as tarefas que exigem cumprimento do descritor. recolher. retratos. Procurar. factual e não factual.

Distinguir relações intratextuais de causa-efeito e de parte-todo. 4. AVALIAR CRITICAMENTE TEXTOS 36 1. expressões ou fraseologias desconhecidas. Extrair o pressuposto de um enunciado. Procurar. ORGANIZAR A INFORMAÇÃO CONTIDA NO TEXTO 8. 3. NÍVEL 1 NÍVEL 2 NÍVEL 3 NÍVEL 4 NÍVEL 5 . Parafrasear períodos ou parágrafos de um texto. 1. respeitando a articulação dos factos ou das ideias assim como o sentido do texto e as intenções do autor. recolher. 3. FAZER INFERÊNCIAS A PARTIR DA INFORMAÇÃO CONTIDA NO TEXTO DESCRITOR 2. incluindo provérbios e expressões idiomáticas. o sentido de palavras. 6. 4. Explicitar. o sentido global de um texto. com vista à construção de conhecimento (de acordo com objetivos predefinidos e com supervisão do professor). 5. Exprimir uma opinião crítica a respeito de ações das personagens ou de outras informações que possam ser objeto de juízos de valor. 10. Indicar os aspetos nucleares do texto de maneira rigorosa.) 9. Pôr em relação duas informações para inferir delas uma terceira. Identificar. de maneira sintética. pelo contexto e pela estrutura interna. 2.Etapas 6 | Guia do Professor LEITURA (cont. selecionar e organizar informação. Relacionar a estrutura do texto com a intenção e o conteúdo do mesmo.

se concorda com o desenlace ou discorda dele e porquê. de acentuação. AVALIAR CRITICAMENTE TEXTOS DESCRITOR NÍVEL 1 NÍVEL 2 NÍVEL 3 NÍVEL 4 NÍVEL 5 2. NÍVEL 4 NÍVEL 5 O Aluno realiza bem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. com autonomia e criatividade. Fazer apreciações críticas sobre os textos lidos (por exemplo. 2. organizá-las e desenvolvê-las. mas com imprecisões ou lacunas. O Aluno não cumpre o descritor ou revela muitas dificuldades. Construir dispositivos de encadeamento lógico. 37 . 3. O Aluno realiza na perfeição as tarefas que exigem cumprimento do descritor. NÍVEL 2 O Aluno revela dificuldades que comprometem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. se a conclusão é lógica. 12. PLANIFICAR A ESCRITA DE TEXTOS OBJETIVO NÍVEL 1 DESCRITOR 1. Estabelecer objetivos para o que pretende escrever.Grelhas de Avaliação | Etapas 6 LEITURA (cont. Exprimir uma opinião crítica a respeito de um texto e compará-lo com outros já lidos ou conhecidos. Respeitar as regras de ortografia. NÍVEL 3 O Aluno realiza tarefas que exigem cumprimento do descritor. de pontuação e os sinais auxiliares de escrita. 3. REDIGIR CORRETAMENTE 1. b) ordenação correlativa dos tempos verbais. Controlar e mobilizar as estruturas gramaticais mais adequadas. demonstrativos). Organizar informação segundo a tipologia do texto. ESCRITA 11. c) uso de conectores adequados. se o tema e o assunto são interessantes e porquê. 2. que alternativa sugere). 3. Registar ideias.) 10. de retoma e de substituição que assegurem a coesão e a continuidade de sentido: a) substituições por pronomes (pessoais.

1. e usando o diálogo e a descrição. Fazer relatórios. 4. REDIGIR CORRETAMENTE DESCRITOR 16. Fazer sumários. explicitação e retificação. Escrever textos narrativos. NÍVEL 1 NÍVEL 2 NÍVEL 3 NÍVEL 4 NÍVEL 5 . integrando os seus elementos numa sequência lógica. e uma conclusão. ESCREVER TEXTOS INFORMATIVOS 13. a apresentação de. 1. 1. 3. definições e exemplos. com a informação agrupada em parágrafos. e uma conclusão coerente. campos lexicais e semânticos. Escrever pequenos textos informativos com uma introdução ao tópico. ESCREVER TEXTOS DE OPINIÃO 14. 5. tendo em atenção a riqueza vocabular. 2. ESCREVER TEXTOS NARRATIVOS 12. Escrever textos biográficos. Escrever um texto de opinião com a tomada de uma posição. 1.Etapas 6 | Guia do Professor ESCRITA (cont.) 15. o desenvolvimento deste. 5. Escrever cartas. pelo menos. com nexos causais. apresentando factos. reforço argumentativo e concretização. Utilizar unidades linguísticas com diferentes funções na cadeia discursiva: ordenação. com uma explicação dessas razões. Resumir textos informativos e narrativos. três razões que a justifiquem. ESCREVER TEXTOS DIVERSOS 38 4. Usar vocabulário específico do assunto que está a ser tratado.

reordenando e reescrevendo o que estiver incorreto. 2. ato. 3. suprimindo. Reconhecer. NÍVEL 3 O Aluno realiza tarefas que exigem cumprimento do descritor. condensando. na organização estrutural do texto dramático. 3. Verificar se os textos escritos incluem as partes necessárias. 4. se revelar necessário. Identificar marcas formais do texto poético: estrofe. cruzada. com autonomia e criatividade.Grelhas de Avaliação | Etapas 6 ESCRITA (cont. cena e fala. se estas estão devidamente ordenadas e se a informação do texto avança. da tradição popular. Corrigir o que. e adaptações de clássicos. 2. rima (toante e consoante) e esquema rimático (rima emparelhada. 4. EDUCAÇÃO LITERÁRIA 18. NÍVEL 2 O Aluno revela dificuldades que comprometem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. NÍVEL 4 NÍVEL 5 O Aluno realiza bem as tarefas que exigem cumprimento do descritor.) DESCRITOR NÍVEL 1 NÍVEL 2 NÍVEL 3 NÍVEL 4 NÍVEL 5 17. O Aluno realiza na perfeição as tarefas que exigem cumprimento do descritor. interpolada). a tipologia e as ideias previstas na planificação. LER E INTERPRETAR TEXTOS LITERÁRIOS OBJETIVO NÍVEL 1 DESCRITOR 1. Verificar a correção linguística. Ler textos da literatura para crianças e jovens. no texto escrito. mas com imprecisões ou lacunas. O Aluno não cumpre o descritor ou revela muitas dificuldades. REVER TEXTOS ESCRITOS 1. Relacionar partes do texto (modos narrativo e lírico) com a sua estrutura global. Verificar se o texto respeita o tema. 39 .

AS EXPERIÊNCIAS E OS VALORES SÃO REPRESENTADOS NOS TEXTOS LITERÁRIOS 40 1. Comparar versões de um texto e explanar diferenças. TOMAR CONSCIÊNCIA DO MODO COMO OS TEMAS. designadamente os diferentes contextos históricos. 19. NÍVEL 2 O Aluno revela dificuldades que comprometem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. 2. Identificar os contextos a que o texto se reporta. 9. poema (lírico e narrativo).Etapas 6 | Guia do Professor EDUCAÇÃO LITERÁRIA (cont. 8. 10. 18. . e a representação de mundos imaginários. Aperceber-se de recursos expressivos utilizados na construção dos textos literários (anáfora. O Aluno não cumpre o descritor ou revela muitas dificuldades. conotações. Responder de forma completa a questões sobre os textos. Relacionar a literatura com outras formas de ficção (cinema. NÍVEL 3 O Aluno realiza tarefas que exigem cumprimento do descritor. NÍVEL 4 NÍVEL 5 O Aluno realiza bem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. 11. Fazer inferências. estrutura).) OBJETIVO NÍVEL 1 DESCRITOR 5. Manifestar-se em relação a aspetos da linguagem que conferem a um texto qualidade literária (por exemplo. vocabulário. Distinguir os seguintes géneros: conto. teatro). mas com imprecisões ou lacunas. perífrase. com autonomia e criatividade. LER E INTERPRETAR TEXTOS LITERÁRIOS 6. O Aluno realiza na perfeição as tarefas que exigem cumprimento do descritor. Expor o sentido global de um texto dramático. 7. metáfora) e justificar a sua utilização.

5. 2. NÍVEL 4 NÍVEL 5 O Aluno realiza bem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. b) formas não finitas – infinitivo (impessoal e pessoal) e gerúndio. O Aluno realiza na perfeição as tarefas que exigem cumprimento do descritor. Fazer leitura dramatizada de textos literários. NÍVEL 3 O Aluno realiza tarefas que exigem cumprimento do descritor. Distinguir derivação de composição. com autonomia e criatividade.) 20. mas com imprecisões ou lacunas. Selecionar e fazer leitura autónoma de obras. ideias e sentimentos provocados pela leitura do texto literário. 41 . O Aluno não cumpre o descritor ou revela muitas dificuldades. Expressar.Grelhas de Avaliação | Etapas 6 EDUCAÇÃO LITERÁRIA (cont. 3. GRAMÁTICA 21 . Identificar e usar os seguintes modos e tempos verbais: a) formas finitas – condicional e conjuntivo (presente. NÍVEL 2 O Aluno revela dificuldades que comprometem as tarefas que exigem cumprimento do descritor. LER E ESCREVER PARA FRUIÇÃO ESTÉTICA DESCRITOR NÍVEL 1 NÍVEL 2 NÍVEL 3 NÍVEL 4 NÍVEL 5 1. e adaptações de clássicos. Distinguir regras de formação de palavras por composição (de palavras e de radicais). oralmente ou por escrito. por iniciativa própria. Fazer uma breve apresentação oral (máximo de 3 minutos) de um texto lido. pretérito imperfeito e futuro). EXPLICITAR ASPETOS FUNDAMENTAIS DA MORFOLOGIA OBJETIVO NÍVEL 1 DESCRITOR 1. 3. 2. Ler textos da literatura para crianças e jovens. 4. da tradição popular.

colocando-o corretamente nas seguintes situações: em frases que contêm uma palavra negativa. Transformar frases ativas em frases passivas e vice-versa. Distinguir frase complexa de frase simples. Integrar as palavras nas classes a que pertencem: a) verbo: principal (intransitivo e transitivo). ANALISAR E ESTRUTURAR UNIDADES SINTÁTICAS 42 1. Identificar as seguintes funções sintáticas: predicativo do sujeito. 6. 1. Aplicar regras de utilização do pronome pessoal em adjacência verbal. complemento oblíquo. em frases iniciadas por pronomes e advérbios interrogativos. Transformar discurso direto em discurso indireto e vice-versa. b) determinante interrogativo. 2. 3. NÍVEL 1 NÍVEL 2 NÍVEL 3 NÍVEL 4 NÍVEL 5 . 5. Substituir o complemento direto e o indireto pelos pronomes correspondentes.Etapas 6 | Guia do Professor GRAMÁTICA (cont. c) pronome indefinido. 4.) 22. complemento agente da passiva e modificador. copulativo e auxiliar (dos tempos compostos e da passiva). quer no modo oral quer no modo escrito. d) interjeição. CONHECER CLASSES DE PALAVRAS DESCRITOR 23.

lexical. 2 Segue a instrução de forma insuficiente quanto a tema e tipologia. • Nos itens de verdadeiro/falso. de acordo com níveis de desempenho a definir. Coerência e pertinência Redige um texto que respeita parcialmente os tópicos dados. 3x2) não se referem ao número de alíneas. desenvolvimento e conclusão adequados. Todas as outras respostas são classificadas com zero pontos. – com título. PARÂMETROS E DESCRITORES DE NÍVEIS DE DESEMPENHO DA PRODUÇÃO ESCRITA (GRUPO III) PARÂMETROS A. com lacunas ou com algumas insuficiências que não afetam a lógica do conjunto. morfológico e sintático. Produz um discurso globalmente coerente. Tema e Tipologia DESCRIÇÃO DOS NÍVEIS DE DESEMPENHO PTS Cumpre integralmente a instrução quanto a tema e tipologia. com alguns desvios e com alguma ambiguidade. nos de associação e nos de completamento. • Nos itens de resposta restrita. 2 1 43 . da informação Produz um discurso globalmente coerente. a cotação do item só é atribuída às respostas em que a sequência esteja integralmente correta e completa. No entanto. podem também ser atribuídas pontuações às respostas parcialmente corretas. Morfologia e Sintaxe. de acordo com níveis de desempenho nos seguintes parâmetros: Tema e Tipologia. além do conteúdo. 3 Cumpre parcialmente a instrução quanto a tema e tipologia. – com progressão temática evidente. • No item de resposta extensa (Grupo III). Ortografia. a organização e a correção da expressão escrita nos planos ortográfico. de acordo com níveis de desempenho a definir. são atribuídas pontuações. a cotação do item só é atribuída às respostas que apresentem de forma inequívoca a opção correta. de pontuação. Produz um discurso coerente: – com informação pertinente. As respostas são classificadas tendo em conta. 3 B. Coerência e Pertinência da Informação. são atribuídas pontuações às respostas total ou parcialmente corretas. Repertório Vocabular. Itens de seleção • Nos itens de escolha múltipla. Estrutura e Coesão. Itens de construção • Nos itens de resposta curta e nos de completamento. mas antes ao número de itens de resposta. • Nos itens de ordenação. com lacunas ou com algumas insuficiências que não afetam a lógica do conjunto.Grelhas de Avaliação | Etapas 6 NOTAS INTRODUTÓRIAS: • Os multiplicadores presentes nas grelhas (por exemplo. de acordo com níveis de desempenho a definir. abertura. 1 Redige um texto que respeita plenamente os tópicos dados. a classificação das respostas é dicotómica (a cotação só é atribuída às respostas corretas). são atribuídas pontuações às respostas total ou parcialmente corretas.

Por exemplo: – usa processos comuns de articulação interfrásica. acedido em junho de 2014) . espaço) ao longo do texto. Segmenta assistematicamente as unidades de discurso. Nota 2 – A resposta que seja classificada com 3 em todos os parâmetros recebe uma bonificação de 1 ponto. Pontua sem seguir sistematicamente as regras. de sequencialização…). a manutenção de cadeias de referência. Domina os mecanismos de coesão textual. Ortografia DESCRIÇÃO DOS NÍVEIS DE DESEMPENHO PTS Redige um texto bem estruturado e articulado. Apresenta muitas incorreções nos processos cde conexão intrafrásica. – garante a manutenção de conexões entre coordenadas de enunciação (pessoa. 1 Utiliza vocabulário variado e adequado. o que afeta a inteligibilidade do texto.). a manutenção de conexões entre coordenadas de enunciação ao longo do texto. 1 Manifesta segurança no uso de estruturas sintáticas variadas e complexas. Domina processos de conexão intrafrásica (concordância. faz um uso pouco diversificado de conectores. Procede a uma seleção intencional de vocabulário para expressar cambiantes de sentido. Repertório Vocabular F. 3 Redige um texto estruturado e articulado de forma satisfatória.min-edu. – garante.. com algumas descontinuidades. 2 Utiliza vocabulário restrito e redundante. propriedades de seleção.44 Etapas 6 | Guia do Professor PARÂMETROS C.gave. 2 Redige um texto sem estruturação aparente. Segmenta as unidades de discurso (com parágrafos. com repetições e com lacunas geradoras de ruturas de coesão. – assegura a manutenção de cadeias de referência (através de substituições nominais. recorrendo sistematicamente a lugares-comuns (com prejuízo da comunicação). 1 Nota 1 – No âmbito do parâmetro F – Ortografia – consideram-se também erros de acentuação. – assegura. de translineação e o uso indevido de letra minúscula ou de letra maiúscula. com infrações de regras elementares. http://www. flexão verbal.pt/np3/557. Apresenta incorreções pontuais nos processos de conexão intrafrásica. 1 Não dá erros ortográficos ou dá apenas um erro num texto de 100 palavras. de acordo com a estrutura textual definida. o que não afeta a inteligibilidade do texto. Pontua de forma assistemática. usando predominantemente a parataxe. pertinente e intencional.html (adaptado. com marcadores discursivos…). 2 Dá de dez a treze erros ortográficos em cerca de 100 palavras. tempo. 3 Utiliza vocabulário adequado. Pontua de forma sistemática. 2 Recorre a um leque limitado de estruturas sintáticas. recorre. mas comum e com algumas confusões pontuais. com algumas descontinuidades. a conectores diversificados (de causa/efeito. Recorre a um vocabulário elementar para expressar cambiantes de sentido. em particular. 3 Dá quatro ou cinco erros ortográficos em cerca de 100 palavras. Estrutura e coesão D.. Morfologia e sintaxe E. Organiza o texto de forma muito elementar ou indiscernível. Domina suficientemente os mecanismos de coesão textual. Por exemplo: – usa processos variados de articulação interfrásica. pronominais…). 3 Manifesta um domínio aceitável no uso de estruturas sintáticas diferentes e recorre a algumas das estruturas complexas mais frequentes.

6 6 6 TRANSCRIÇÕES Textos áudio e vídeo .

O peru. frangos e demais criação. Vasta era a sua sabedoria.. à volta do pobre corvo encolhido. Digam lá quem é então. É da espécie corona. se a compararmos com a pequenez da capoeira. nojento. mais chupado que um espinafre. esmoreciam as falas e ensombrava-se a capoeira. improvisou uma cantiga assim: Mais velhaco que um falcão. Digam lá quem é então o basbaque mamarracho? E toda a capoeira repetia a pergunta num coro chinfrim: – Digam lá quem é então o basbaque mamarracho? Ao que o galito respondia. a condizer com a figura que nem dava para fazer sombra. possui bico dentirrostro. Pássaro selvagem. rei daquele terreiro. tribo dos Corvídeos. Chamaram-lhe de tudo: “Tinhoso. ao falcão e ao milhafre. Depois veio a hora do milho. avejão e espanta-gente. Empanturrados e felizes. . mais preto que um tição. essas então. os galináceos ajeitaram-se no poleiro. Até com a força do riso.” Riam-se pintos. muito despachado: – É o corvo Vicente. cabide com penas. velhaco e ladrão.. mas igualmente muito usual na região que frequentamos. a galinha pedrês pôs um ovo. patego. Tudo dormia que era uma consolação. O galinho da Índia. Cacarejos e risadas puseram fim à dança trocista. achando que o adversário nem sequer merecia a rijeza de umas bicadas certeiras. ouvindo as falas doutoras do peru.. penas de chocho penacho.. Desciam as pálpebras das galinhas à medida que o sol descia. E a capoeira repetia o refrão e vira. muito tempo. denteado. ainda ensaiou contra ele uns passos de guerra. Mais humilhante ainda foi a entrada na capoeira. mas como o corvo não correspondesse ao desafio. que estava mesmo a apetecer. cobriram-no de dixotes. A presença do intruso foi esquecida. revira e torna a virar. avantesma. no que se assemelha à águia. Foi muito cumprimentado o peru. A galinhaça fez um escarcéu que ia deitando o telheiro abaixo. gato pingado. O galo. bico de rabo de sacho. E tenho dito. de porte mais reduzido que a espécie corax. das sêmeas e da hortaliça em caldo verde. isto é. sempre pronto a botar figura com uns lamirés de ciência. preparando o sono. que aprendera há muito.46 Etapas 6 | Guia do Professor UNIDADE 0 (Página 16 – áudio) Continuação do conto “O corvo das asas cortadas” (…) Nenhum.. corpo de fraque ou capacho. presumido poeta de talento miúdo. foi depenicar para outro lado. que era um erudito.. ditou: – O exemplar presente pertence à família dos carnívoros. mais ladrão que um milhafre. Fez-se noite. As fedúncias das galinhas.

. não é verdade? Pois era essa mesmo. senão veja estes restos de pêlo. amaldiçoando a espertina do corvo. muito taralhouco e enfiado. Portanto. as galinhas são umas pitosgas. tudo preparos minuciosos. que espevitou os olhos e viu o perigo. enquanto o galito da Índia. mas não tirava conclusões. já. só repetia nervosamente as palavras seguintes: – O corvo é um valente. com vozinha de cana rachada. As raposas. muita manha no focinho. A rede estava mal presa ao chão. Houve chiliques. Umas sabidas as raposas. tudo jogava a favor das raposas. o madeiramento meio apodrecido. A noite mais negra que capa de oleado e elas a escavarem de mansinho. não dizia coisa com coisa.. Acordaram estremunhadas as galinhas. encaminharam-se para a capoeira. acendeu-se uma luz. aproveite agora. experimentaram a camuflagem mais adequada e ensaiaram uns que tais passinhos de dança. Ora sucedeu que. se o corvo não continuasse a gritar: – Acudam! Acudam! À noite.. as raposas safaram-se a sete pés. Tudo visto e previsto. esse então.. Ui. à beira do arame.. já. quem acode? Foi o que gritou o corvo. com dois empurrões ia abaixo.. – Acudam! Acudam! – crocitava ele o mais que podia.. como um pintainho medricas. ainda comentou: – Deixem. – Olhem aqui este buraco – observou alguém. Um valente. Ai.. – Estas coisas não se fazem de improviso – costumavam elas dizer. a fingir de engraçado. e os donos das galinhas. as desfeitas que sofrera. atordoado. donde colheriam o êxito da missão. muito fofos e matreiros… enfim. naquela noite. não andavam prevenidos contra tais visitas. mas não o corvo que se desentranhava todo a gritar por socorro: – Acudam! Acudam! Na casa da quinta.Transcrições | Etapas 6 O único que continuava com o olhinho aceso era o corvo. caiu do poleiro e. piou. Um frango. calculem!. – Que será? Se o corvo está naquele berreiro. de confiantes que eram. que tinham decidido assaltar. Dali não levavam nada. porque elas estão a chegar à capoeira e nem uma pena se salva. 47 . – Seriam ladrões? – Quais ladrões! Diga antes raposas.. Ai que desgraça vai ser. nem arquitetava vinganças. ia ser um grande pesadelo para todos. já. Pressentindo gente. As pessoas.. apuraram táticas de surpresa. tinham combinado uma surtida pelas capoeiras dos seus sítios. Elas aí vêm a chegar-se. Tinha bom feitio o corvo. galinha assada. Já imaginaram que capoeira seria.. deite-lhes a mão. Ficaram tolhidas de susto as galinhas. examinaram os mapas da zona e deles excluíram os quintais com casota de cachorro refilão. os grandes aviários com guardas de caçadeira e os quintalórios já muito visitados em anteriores surtidas. Nós a fazermos pouco dele e ele a fazer tanto por nós. galinha de fricassé e de outras iguarias que incluíssem galinha na composição. E vieram ver. Escolheram o itinerário. presos ao arame. que eram estrategas com curso superior. O corvo é que salvou a capoeira. alguma coisa se passa – disseram lá dentro. que finórias! Quem as queira para gola de samarra. O galo. Sim. No seu canto. as quintas com muros muito altos e cercas de arame farpado. com uma lanterna. muita velhacaria pelo corpo todo.. duas raposas gulosas de canja de galinha. remoía o que passara. que o Vicente está com pesadelos. Um valente. discutiram a hora e o rumo dos ventos. a prepararem o buraco por onde entrar. pesquisaram as redondezas. Um valente. O peru.

48 Etapas 6 | Guia do Professor Todos assim pensavam. então acertaste. na busca de ser ele mesmo. no centro da Península Ibérica. sem grande importância. Qual é a capital da Espanha? Disseste Sevilha? Erraste. Uma viagem à terra dos seus antepassados reconcilia-o com a sua história e o seu nome.. O galo cantava e os frangos punham-se em sentido. e é de lá que partem quase todas as estradas e linhas férreas importantes da Espanha. ao largo espaço. O mais famoso é o Museu do Prado. Agora faz de conta que não leste o texto e tenta responder a esta pergunta. diferente daquilo que dele queriam fazer. História com grilo dentro. Madrid é uma cidade magnífica. um dos mais importantes de pintura do mundo. no tempo dos mouros. Bem arrependidos. mas vale mesmo a pena dar um salto a Madrid. Foi só no século IX. como Madrid é a mais importante cidade espanhola. Quem sabe se isso não sucederá. Vigo? Erraste também. muito grande e com prédios imponentes. o corvo foi promovido a sentinela da quinta. um dia… António Torrado. Caminho (2007) Sequência 2 (Página 34 – áudio) Cidade Real Madrid A maior cidade da Península Ibérica merece uma visita. em sua honra. Quando se chegava mais perto da capoeira. Madrid era pouco mais do que uma quinta. um herói muito estimado e. Não te esqueças de que. Fica muito longe do mar. O corvo era um herói. . A mudança de nome tem valor simbólico. o galito da Índia andava a juntar as rimas para uma ode ou coisa parecida. Até merecia que lhe crescessem de repente as penas das asas. Viagem à roda do meu nome.. No dia seguinte. segundo a tradição. ao reino do vento e das águias solitárias. e são por isso mais visitadas. que a povoação de Madrid foi fundada. mostra o instante em que Abílio entra em processo de crise. Porquê? Porque em Espanha comemora-se mais o Dia de Reis do que o Natal. E cheios de remorsos. E é nesta data – 6 de janeiro – que os espanhóis trocam os seus presentes. porque o corvo Vicente merecia isso e muito mais. Podia andar por onde quisesse. Sobretudo nesta época do ano. mas o Rainha Sofia e o Thyssen também merecem visita. No tempo dos romanos. como se fosse um general a passar. sobretudo nesta altura do ano Sabes com certeza que o país que fica mais próximo de Portugal é a Espanha. Aquelas duas outras cidades ficam mais perto da fronteira portuguesa. Tem uma vida animadíssima. Alice Vieira. foi no Dia de Reis que os Magos do Oriente ofereceram os seus presentes ao Menino Jesus. Edições ASA (2009) UNIDADE 1 Sequência 1 (Página 24 – áudio) Abílio detesta o seu nome e decide mudá-lo para Luís. vai por lá uma grande animação no princípio do ano. todas as galinhas se apinhavam de encontro ao arame da cerca para lhe dizer adeus. na sua tarefa de vigilante. Estavam bem arrependidos do que o tinham feito sofrer. Ora. que lhe tinham cortado. Mas se a tua resposta foi Madrid. lojas onde se compra e vende de tudo – e muitos museus. Até merecia voltar às alturas. sim.

não nos deixamos levar. – Podes rir. disse eu. mas rirás menos quando voltarmos com coisas boas e a preços acessíveis. Havia montes de gente que ia ao mercado. O vendedor explicou que eram especiais. por decisão do rei Filipe II. Papá! Lagostas! – gritei. deixou-me levar o saco e fomos embora. queria uma plantação deles por este preço? – perguntou a mulher. é como se fosse um recreio muito grande a cheirar bem. portanto a igual distância de todos os outros sítios. está bem. nº 104 Sequência 3 (Página 41 – áudio) De manhã perguntei ao Papá se o podia acompanhar e o Papá disse que sim. – É mesmo. – Bem. Madrid fica “apenas” a 630 km de Lisboa e a 563 km do Porto. enquanto a vendedora falava do Papá com as outras vendedoras. E quanto custa aquela grande que está a mexer as patas? – perguntou o Papá. os homens. e riu-se. Eu fiquei muito contente porque gosto muito de sair com o meu Papá e o mercado é muito engraçado. olhou e disse que os tomates não estavam caros. O Papá aproximou-se do vendedor e perguntou se as lagostas eram frescas. O vendedor disse o preço e o Papá arregalou imenso os olhos. – E a outra. Não é verdade. Tivemos azar para encontrar um lugar para estacionar. meu rapazinho? – disse o Papá. que mais deseja? O Papá olhou para o saco e. – E porque não? – disse o papá. Nicolau? – Claro. O Papá disse: ”Bom. O Papá disse-me para levar o saco das compras e a Mamã despediu-se de nós a rir. In Revista Visão Junior. e é fácil encontrar lá onde ficar em hóteis baratos. vamos provar à tua mãe como é fácil fazer compras. repita lá isso outra vez – disse a vendedora. está bem”. A Mamã continuou a rir e disse que ia aquecer água para cozer as lagostas que íamos trazer. 49 . No carro eu perguntei ao Papá se era verdade que nós íamos trazer lagostas. É que nós. e vamos ensinar-lhe a fazer economias. A vendedora pôs cinco tomates no saco das compras e disse: – Além disto. que também reinou em Portugal com o nome de Filipe I. Depois. – Se é homem. Afinal. a mais pequena? – perguntou o Papá. disse: – Mas como é? Um quilo são só cinco tomates? – E o que é que quer. vamos ver – disse o Papá. Felizmente o Papá viu um lugar livre – tem olho o meu Papá – e estacionou. e nós fomos buscar o carro à garagem. – Bem. E depois o Papá aproximou-se de uma vendedora que estava a vender montes de legumes. – Os maridos são todos iguais quando vêm às compras. que hoje. Não é verdade. – Dê-me um quilo de tomates – pediu o Papá. Só te falta pedires aos teus pais (ou avós) que te levem lá. está bem. é o que é! – disse o Papá. chamados hostales. vi um vendedor com imensos peixes em cima da banca e lagostas enormes: – Olha. – Os maridos não se deixam levar como as mulheres. O vendedor disse outra vez o preço e o Papá disse que era incrível e que era uma vergonha. o salsicheiro do nosso bairro. Há muita gente a gritar por todo o lado. Quanto a serem frescas ele pensava que sim. uma vez que estavam vivas. depois. Foi por ficar no meio do país e. quem fazia as compras eram os homens. que parecia o senhor Pancrace.Transcrições | Etapas 6 Mas apenas se tornaria a capital de Espanha em 1561.

ao romper do dia. – Nicolau – disse-me o Papá – se continuas vais para o carro e esperas lá por mim! Então desatei a chorar. – Mas. Então houve um grande ajuntamento e nós fomo-nos embora enquanto todos se punham a discutir e o vendedor fazia gestos com o seu linguado. E como eu não levava mecânico nem passageiros. parecia nunca ouvir as minhas. bem mais isolado do que um náufrago agarrado a uma jangada no meio do mar. deitei-me em cima da areia e adormeci a mil e uma milhas de qualquer lugar habitado. – A pescada que me vendeu anteontem não era fresca. Sempé-Goscinny. pouco a pouco. até ao dia em que. nem morto de cansaço. não era justo. que estas lagostas me pareciam fabulosas. Nem o gato a quis. As pessoas grandes obrigaram-me a desistir da minha carreira de pintor aos seis anos e eu não sabia desenhar nada. Editorial Teorema (1964) UNIDADE 2 Sequência 1 (Página 60 – áudio) Foi assim que vivi sempre sozinho. quando se é um ladrão não se chama aos outros avarento! – Um ladrão. com as patas a mexer. como se tivesse sido atingido por um raio. sem ter ninguém com quem falar a sério. Papá. Mas claro que o meu desenho é muito menos encantador do que o modelo. Aqui ao lado está o melhor retrato que. me foram revelando tudo. (…) Demorei muito tempo a perceber de onde é que ele vinha. por isso temos de comprar – disse eu. Era uma questão de vida ou de morte. A água para beber mal chegava para oito dias. Foi uma palavra aqui. há seis anos. Vamos procurar outra coisa – disse o Papá. A culpa não é minha. que. – Não era fresca. e ainda mais. – São lagostas ou camarões que quer comprar? Porque o preço não é o mesmo. que passava o tempo a fazer perguntas. Nicolau. a minha pescada? – gritou o vendedor. Esfreguei os olhos. uma frase ali. As aventuras do menino Nicolau. O principezinho. eu? Quer levar uma bofetada? – gritou o vendedor. O motor tinha qualquer coisa partida. – Preocupe-se com o que lhe diz respeito – gritou o Papá. – Vem. Mas eu disse ao Papá que não valia a pena ir a mais nenhum sítio. não só é avarento como não dá de comer à família. qual não foi a minha surpresa quando. Tinha os olhos completamente esbugalhados de espanto. Já não vamos comprar lagosta nenhuma. mais tarde. portanto. – Não discutas e vem daí. nem morto de medo. é – disse uma senhora. consegui fazer dele. Mas o meu rapazinho não parecia nem perdido. martiriza este pobre rapaz – disse o vendedor. A sua mulher devia tê-lo prevenido. Na primeira noite. a Mamã está a aquecer a água para as lagostas. fui acordado por uma voz muito fininha. a primeira vez que viu o meu avião (não vou desenhar o meu avião porque é demais para mim). Não se esqueçam de que eu estava a mais de mil e uma milhas de qualquer sítio habitado. preparei-me para tentar consertar o avião com as minhas próprias mãos. – E além disso. Voltei a olhar. Não apresentava quaisquer sinais de ser uma criança perdida no meio do deserto. E pegou num linguado com a mão. a mil e uma milhas de qualquer sítio habitado. e que lagosta era muito boa. perguntou-me: . Assim.50 Etapas 6 | Guia do Professor – Diga lá – perguntou o vendedor. a não ser jiboias fechadas e jiboias abertas. tive uma avaria em pleno deserto do Saara. – Muito bem. E vi um menino perfeitamente espantoso a olhar para mim com um ar muito sério. – É verdade. Imaginam. não. Nicolau – disse-me o Papá. a pedir: – Por favor… desenha-me uma ovelha! – O quê? – Desenha-me uma ovelha… Levantei-me de um salto.

Transcrições | Etapas 6

– Mas que vem a ser aquela coisa?
– Aquilo não é uma coisa. Aquilo voa. Aquilo é um avião. É o meu avião.
E sentia-me todo orgulhoso por lhe revelar que sabia voar. Mas ele exclamou:
– O quê? Tu caíste do céu?
– Caí – disse eu, com a maior modéstia.
– Ah! que engraçado!
E o principezinho soltou uma gargalhada muito linda que me irritou mesmo. É que eu gosto que as minhas desgraças sejam levadas a sério. Depois, acrescentou:
– Então tu também vieste do céu? De que planeta és tu?
Entrevendo uma pequena luz que talvez pudesse ajudar a esclarecer o mistério da sua presença, perguntei-lhe de chofre:
– Quer dizer que vieste de outro planeta?
Mas ele não me respondeu. Olhava para o avião e abanava a cabeça de mansinho:
– Também é verdade que montado naquilo não podes ter vindo de muito longe…
E ficou calado durante muito tempo, com um ar sonhador. Depois, tirou a minha ovelha do bolso e mergulhou na contemplação do seu tesouro.
Imaginam com certeza como eu fiquei intrigado com aquela inconfidência sobre “os outros planetas”.
Claro que tentei saber mais coisas:
– Donde é que vieste, meu rico rapazinho? Onde é esse “teu sítio”?
Antoine de Saint–Exupéry, O Principezinho, Editorial Presença (2001)

Balanço das Aprendizagens (Página 67 – animação)
Foi então que apareceu a raposa.
– Olá. Bom dia! – disse a raposa.
– Olá. Bom dia! – respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
– Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira.
– Quem és tu? – perguntou o principezinho. – És bem bonita…
– Sou uma raposa – disse a raposa.
– Anda brincar comigo – pediu-lhe o principezinho. – Estou tão triste…
– Não posso ir brincar contigo – disse a raposa. – Não estou presa…
– Ah! então, desculpa! – disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
– O que é que “estar preso” quer dizer?
– Vê-se logo que não és de cá – disse a raposa. – De que é que tu andas à procura?
– Ando à procura dos homens – disse o principezinho. – O que é que “estar preso” quer dizer?
– Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar – disse a raposa. – É uma grande maçada! E
também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm.
Andas à procura de galinhas?
– Não – disse o principezinho. – Ando à procura de amigos. O que é que “estar preso” quer dizer?
– É uma coisa de que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
– Laços?
– Sim, laços – disse a raposa. – Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho igual a
outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti,
eu não sou senão uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar
um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo…

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Etapas 6 | Guia do Professor

– Parece-me que estou a começar a perceber – disse o principezinho. – Sabes, há uma certa flor… tenho
a impressão que estou presa a ela…
– É bem possível – disse a raposa. – Vê-se cada coisa cá na Terra…
– Oh! Mas não é na Terra! – disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
– Então, é noutro planeta?
– É.
– E nesse tal planeta há caçadores?
– Não.
– Começo a achar-lhe alguma graça… E galinhas?
– Não.
– Não há bela sem senão… – disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
– Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu caço galinhas e os homens caçam-me a mim. As galinhas
são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de Sol. Fico a conhecer uns
passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os
teus hão de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não
me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu
estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há de fazer-me lembrar de ti. E hei de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante algum tempo para o principezinho:
– Por favor... Prende-me a ti! – acabou finalmente por dizer.
– Eu bem gostava – respondeu o principezinho – mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer…
– Só conhecemos as coisas que prendemos a nós – disse a raposa. – Os homens, agora, já não têm mais
tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de
amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
– E o que é que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.
– É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da
relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.
Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
– Era melhor teres vindo à mesma hora – disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às
três já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto
já hei de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu
nunca saberei a que horas é que hei de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São
precisos rituais.
– O que é um ritual? – perguntou o principezinho.
– Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu – respondeu a raposa. – É o que faz com que
um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por
exemplo, têm um ritual. À quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um
dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os
dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho prendeu a raposa.
Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho, Editorial Presença (2001)

Transcrições | Etapas 6

Sequência 2 (Página 74 – áudio)
Dividir o mundo ao meio
Enquanto os portugueses faziam viagens para encontrar o caminho marítimo para a Índia, contornando
a África, um navegador genovês – Cristóvão Colombo – concebeu o plano de lá chegar: navegando para
ocidente. Apresentou a proposta ao rei D. João II, que recusou porque tinha ideias corretas a respeito da
dimensão da Terra e sabia que seria mais fácil e mais rápido ir pela rota do Cabo. Cristóvão Colombo tentou
a sorte em Espanha e conseguiu que os Reis Católicos lhe financiassem a viagem. Assim descobriu as ilhas
da América Central, em 1492.
Logo que D. João II soube, declarou que, segundo um acordo que ele e os Reis Católicos tinham assinado
alguns anos antes, aquelas ilhas pertenciam a Portugal. Houve discussões, negociações, e por fim assinaram outro acordo: o Tratado de Tordesilhas (1494). Desta vez dividiam o mundo ao meio com uma linha
Norte-Sul (meridiano). Todas as terras que viessem a descobrir na metade leste ficavam para Portugal; as
da metade oeste, para Castela.
Parece extraordinário que dois países se sentissem no direito de dividir o mundo em duas partes, uma
para cada um. Mas o Papa concordou! Claro que os outros países vieram a reclamar e o rei de França até
escreveu uma carta ao Papa a perguntar se Adão e Eva tinham deixado o mundo em testamento aos países
ibéricos.
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Portugal – Histórias e Lendas, Editorial Caminho (2001)

Sequência 3 (Página 76 – áudio)
Grã-Bretanha
Já foi senhora dos mares
Com uma coroa de glória
E até teve uma rainha
Que se chamava Vitória.
Pergaminhos e nobreza
Deram-lhe um lugar ao sol,
E até lhe sobrou tempo
Para inventar o futebol.
E à música popular
Deu honras de prato forte
Com os Beatles e os Stones
No altar do pop rock.
J. J. Letria, O alfabeto dos países, Oficina do Livro (2009)

53

54

Etapas 6 | Guia do Professor

Sequência 4 (Página 86 – áudio)
Apresentação de Robinson – de como Robinson se fez ao mar pela primeira vez e como naufragou
Há muito, muito tempo, ainda antes de os nossos pais terem nascido, vivia na cidade de York um rapaz
chamado Robinson Crusoé. Embora já fosse crescido e nem de vista conhecesse o mar, sempre desejara
ser marinheiro e partir num navio, a visitar longínquos e maravilhosos países estrangeiros. Sentia que só
isso o poderia tornar completamente feliz.
Porém, seu pai desejava que ele fosse advogado e conversava muitas vezes com Robinson, enumerando-lhe o que de terrível lhe poderia acontecer se ele partisse, e explicando-lhe que as pessoas que se deixavam ficar na pátria eram sempre as mais felizes. Além disso, lembrava-lhe que seu irmão havia partido e
morrera na guerra.
Por esse motivo, Robinson acabou por prometer que renunciaria aos seus projetos de ser marinheiro.
Mas, daí a poucos dias, o mesmo desejo atacou-o de novo, tão tenaz como dantes, e ele pediu à sua mãe
que convencesse o pai a que o deixasse fazer, ao menos, uma única viagem. A mãe ficou muito contrariada
e o pai, ao tomar conhecimento, disse: – Se ele sair do reino, virá a ser o maior desgraçado que Deus deitou
ao mundo. Não posso dar o meu consentimento. Robinson ficou em casa mais um tempo, até completar
dezanove anos de idade, sempre a pensar no mar. Mas, um dia, ao visitar Hull, uma grande cidade à beira-mar, a fim de se despedir de um dos seus amigos que ia para Londres, não pôde resistir à oportunidade.
Sem sequer avisar seus pais, tomou lugar no navio do seu amigo e fez-se à vela.
Daniel Defoe, Robinson Crusoé, Lisboa Editora (2013)

UNIDADE 3
Sequência 3 (Página 102 – áudio)
Santos
Nasci junto do porto, ouvindo o barulho dos embarques.
Os pesados carretões de café
Sacudiam as ruas, faziam trepidar o meu berço.
Cresci junto do porto, vendo a azáfama dos embarques.
O apito triste dos cargueiros que partiam
Deixava longas ressonâncias na minha rua.
Brinquei de pegador entre os vagões das docas.
Os grãos de café, perdidos no lajedo,
Eram pedrinhas que eu atirava noutros meninos.
As grades de ferro dos armazéns, fechados à noite,
Faziam sonhar (tantas mercadorias!)
E me ensinavam a poesia do comércio.
Sou bem teu filho, ó cidade marítima,
Tenho no sangue o instinto da partida,
O amor dos estrangeiros e das nações.
Ah, não me esqueças nunca, ó cidade marítima,
Que eu te trago comigo, por todos os climas
E o cheiro do café me dá a tua presença.
Ribeiro Couto, Brasil, in Primeiro Livro de Poesia,
seleção de Sophia de Mello Breyner Andresen, Caminho (2011)

. que me não levas? Onde vais tu.Transcrições | Etapas 6 Balanço das Aprendizagens (Página 105 – áudio) Canção de Leonoreta Borboleta. Na ponta da sua lança A cruz de Cristo levava. Selim de prata doirada.” – “Pelos sinais que me deste Lá o vi numa estacada Morrer morte de valente: Eu sua morte vingava. – “Dize-me. ó capitão Dessa tua nobre armada.. Caminho (2011) Sequência 1 (Página 118 – áudio) Bela Infanta Estava a bela infanta No seu jardim assentada. Com o pente de oiro fino Seus cabelos penteava Deitou os olhos ao mar Viu vir uma nobre armada. Leonoreta? Vou ao rio. Leonoreta. flor do ar.” 55 . Capitão que nela vinha. borboleta. Muito bem que a governava. in Primeiro Livro de Poesia. Portugal. não te ponhas no caminho.” – “Levava cavalo branco. Leonoreta.” – “Anda tanto cavaleiro Naquela terra sagrada. seleção de Sophia de Mello Breyner Andresen. que já deve estar florido. Vou ver o jacarandá. Eugénio de Andrade. ó senhora As senhas que ele levava. Que me não levas contigo. Dize-me tu. Se encontraste meu marido Na terra que Deus pisava. e tenho pressa. onde vais.

Não os quero para mi: Que darias mais. Outro mói do gerzeli: Rica farinha que fazem! Tomara-os el-rei para si. A quem no trouxera aqui?” – “De três moinhos que tenho. Outra para te vestir A mais formosa de todas Para contigo dormir. senhora minha. Não nos quero para mi’: Que darias mais. Nem tu mais que me pedir. Ai triste de mim coitada! De três filhinhas que tenho.. infanta. Se queres que o traga aqui.” –“Que darias tu. Que tão vilão é de si.56 Etapas 6 | Guia do Professor – “Ai triste de mim viúva. A quem no trouxera aqui?” – “De três filhas que eu tenho Todas três te dera a ti: Uma para te calçar.. senhora.” – “Não quero oiro nem prata. .” – “Tudo não. senhora.” – “As telhas do teu telhado Não nas quero para mi: Que darias mais. senhora. Sem nenhuma ser casada!. Que inda não te deste a ti. Não são damas para mi’: Dá-me outra coisa. senhora.” – “Cavaleiro que tal pede. senhora. Todos os três tos dera a ti.” –“As tuas filhas. A quem to trouxera aqui?” – “As telhas do meu telhado. Um mói o cravo e a canela.” –“Não tenho mais que te dar.” – “Os teus moinhos não quero. A quem no trouxera aqui?” – “Dera-lhe oiro e prata fina Quanta riqueza há por í. Que são de oiro e marfim.

os meus vassalos. Romanceiro.Transcrições | Etapas 6 Por meus vilãos arrastado O farei andar por aí Ao rabo do meu cavalo À volta do meu jardim. Era uma vez um país entre Espanha e o Atlântico. vê-la aí!” – “Tantos anos que chorei. Que me ias matando aqui.” Almeida Garrett. Acudi-me agora aqui!” – “Este anel de sete pedras Que eu contigo reparti. Mas o reino era tão pouco que se pôs a perguntar: – E se o mar fosse um caminho deste lado para o outro? E da flor de verde pinho as trovas do seu trovar mandou plantar um pinhal. Deus te perdoe. Tantos sustos que tremi!. marido.. Dinis que gostava de cantar. E lá se foi Portugal caravela a navegar. Depois a flor foi navio... Que é dela a outra metade? Pois a minha. Vassalos. Tinha por rei D. 57 . Círculo de Leitores (1997) Sequência 4 (Página 120 – áudio) As naus de verde pinho De um lado o chão do outro o mar e o seu cântico..

desta vez em voz alta. não lhes contaria nada disto. ao passar por um dos armários. . mas estavam todas fechadas à chave. Alice não sofreu uma única beliscadura e pôs-se em pé no mesmo instante. Não queria deixar cair o frasco com medo de matar alguém e. À volta do átrio havia uma série de portas. catrapus! Caiu num monte de ramos e de folhas secas e ali ficou. pois teve ocasião de olhar à sua volta e interrogar-se sobre o que iria passar-se a seguir. Ao passar.58 Etapas 6 | Guia do Professor Já não era o doce rio com seu canto de encantar. – Devo estar a aproximar-me do centro da Terra. tentou lobrigar qualquer coisa lá em baixo e perceber para onde ia.) Para baixo. Era o mar desconhecido com seus medos e gigantes onde ninguém tinha ido nunca dantes nunca dantes. cada vez mais para baixo. retirou um frasco de uma das prateleiras. “Bem”. olhou para as paredes do poço e verificou que estavam cheias de armários e de prateleiras: aqui e ali havia mapas e desenhos presos por pequenas estacas. Lia-se no rótulo “Doce de laranja”. mas estava demasiado escuro. depois. sem saber como conseguiria voltar a sair dali. tentando todas as portas. encaminhou-se tristemente para o centro. Em primeiro lugar. (…) Para baixo. (…) Deu consigo num átrio baixo e comprido. Era o longe e a aventura até onde o olhar se perde era um país à procura de caminhos por achar era um barco verde verde era um barco sobre o mar. de um lado para o outro. muito dececionada. Manuel Alegre. de repente… Pum. “depois de uma queda como esta. As naus de verde pinho. mas. Olhou à sua volta mas estava escuro. conseguiu enfiá-lo lá dentro. iluminado por uma fila de lâmpadas suspensas do teto. lá em casa! Ora. (…) quando. nunca mais terei medo de cair nas escadas! Como me acharão corajosa. pensou Alice. Alice viu que ele estava vazio. Caminho (2013) UNIDADE 4 Sequência 1 (Página 133– áudio) Ou o poço era muito fundo ou ela caiu muito devagar. Nunca mais chega o fundo! – Que distância terei já percorrido? – perguntou Alice. mesmo que caísse do telhado!” (O que provavelmente era verdade. E quando Alice acabou de percorrer o átrio. cada vez mais para baixo.

O Coelho deu um salto violento. deixou cair as luvas brancas de pele e o leque. Era o Coelho Branco que voltava. Alice no país das maravilhas. começou a abanar-se. e quatro vezes sete são. não muito maior do que a toca de um rato. toda de vidro sólido. nunca mais chego aos vinte! Mas a tabuada não é importante. Vamos tentar a geografia.. – Tenho a certeza que não sou a Ada – disse – porque o cabelo dela tem uns caracóis muito compridos e o meu não tem nem um. senhor. Vinha a correr. Ajoelhou-se e. ao espreitar pelo corredor. Como ansiava por sair daquele átrio escuro e passear por entre aqueles canteiros de flores de cores vivas e aquelas fontes de água fresca!… Mas nem sequer a cabeça lhe cabia no buraco. Não.Transcrições | Etapas 6 De repente. à distância.. esse é o grande quebra-cabeças! E começou a pensar em todas as crianças da sua idade que conhecia. No entanto. mas de qualquer modo não servia para abrir nenhuma delas. isto está tudo errado. Mas se não sou a mesma. quando o Coelho se aproximou dela.. Ora vejamos: quatro vezes cinco são doze. e o primeiro pensamento de Alice foi que ela poderia pertencer a uma das portas. tenho a certeza! Devo ter sido trocada pela Mabel! Vou tentar recitar “Como o pequeno. com um par de luvas brancas de pele numa das mãos e um grande leque na outra. ela é ela. Paris é a capital de Roma e Roma. Por isso. a Duquesa! A Duquesa! Vai ficar furiosa por eu a fazer esperar! Alice sentia-se tão desesperada que estava pronta a pedir ajuda a quem quer que fosse.. como tudo isto é confuso! Vou experimentar se sei tudo aquilo que sabia. reparou numa cortina baixa que não vira antes. Londres é a capital de Paris. quatro vezes seis são treze. com uma voz tímida: – Por favor. Meu Deus. Ediçoes Nelson de Matos (2010) Balanço das Aprendizagens (Página 137 – áudio) Algum tempo depois. e enxugou os olhos à pressa para ver o que lá vinha.. não tinha nada em cima. Alice tentou enfiar a pequena chave dourada na fechadura e ficou deliciada ao ver que ela servia ali! Abriu a porta e descobriu que esta dava acesso a um pequeno corredor. Lewis Carroll.. numa grande azáfama. ouviu um ligeiro ruído de passos. como estava muito calor no átrio. o mais depressa que pôde.. para ver se teria sido trocada por alguma delas. e também não posso ser a Mabel porque eu sei tudo e ela sabe muito pouco! Além disso. e. Será que me modifiquei durante a noite? Ora deixa-me pensar: esta manhã quando me levantei eu era a mesma? Tenho a impressão de que me lembro de sentir-me um pouco diferente.. esplendidamente vestido. dizendo baixinho: – Oh. Meu Deus! por este andar. Alice apanhou o leque e as luvas. começou a dizer. quem sou eu afinal? Ah. hoje! E ainda ontem as coisas corriam como de costume. Mas – que pena! – ou as fechaduras eram demasiado grandes ou a chave era demasiado pequena. exceto uma minúscula chave dourada. e eu sou eu.” 59 . ao mesmo tempo que dizia: – Meu Deus! Como tudo é estranho. deparou com uma pequena mesa de três pés. viu do outro lado o mais encantador dos jardins. por detrás da qual havia uma pequena porta com cerca de trinta centímetros de altura. e desapareceu na escuridão. numa segunda volta.

tentando encontrar uma maneira de sair. enquanto nadava. devia ter agora cerca de sessenta centímetros de altura. – Foi por um triz. “As coisas estão piores do que nunca”. um dos pés escorregou-lhe e. “É tudo tão extraordinário aqui em baixo. “Servirá de alguma coisa falar com este rato. e. Vou afogar-me nas minhas próprias lágrimas! Para falar com franqueza. (Alice fora à praia uma única vez e concluíra que. bastante assustada com aquela mudança tão rápida. pelos seus cálculos. “e nesse caso tenho que voltar de comboio”. e que estava a encolher com rapidez. Como estende as suas garras E acolhe os peixinhos Nas mandibulas sorridentes!” – Tenho a certeza que não são estas as palavras certas – disse a pobre Alice.60 Etapas 6 | Guia do Professor E Alice cruzou as mãos no regaço. – disse Alice. Se sou a Mabel. mas depois lembrou-se de como era pequena agora. Atirou-o depressa para o chão. e as palavras não pareciam as mesmas: “Como o pequeno crocodilo Exibe a cauda brilhante E agita as águas do Nilo Nos seus reflexos dourados Como parece alegre. devo ser a Mabel. sempre que nos aproximamos da costa. como se estivesse a repetir as lições. fico aqui em baixo até me transformar noutra pessoa qualquer. disse com os seus botões.” Mas. ficou mergulhada na água salgada até ao queixo.. oh! tantas lições para aprender! Não. A princípio pensou que fosse uma morsa ou um hipopótamo.” Levantou-se e dirigiu-se para a mesa para comparar o seu tamanho com o dela. – Quem me dera que eles enfiassem a cabeça aqui em baixo! Estou tão cansada de estar aqui sozinha! Ao dizer isto. depois uma fila de hotéis e pensões e. pensou Alice. e ficou admirada ao ver que calçara uma das pequenas luvas brancas do Coelho enquanto estivera a falar. Em breve chegou à conclusão de que o causador de tudo isto era o leque que tinha na mão. ficarei aqui em baixo! Não servirá de nada enfiarem a cabeça aqui em baixo e dizerem: “Volta para cima. Foi precisamente nessa altura que ouviu qualquer coisa chapinhar na poça. então? Digam-me primeiro. – Agora vou ser castigada por isso. não muito perto dela. mas a voz saía-lhe rouca e esquisita. Nadou até lá para ver do que se tratava. a não ter brinquedos e. olho para cima e respondo: “Quem sou eu. pensou. em breve percebeu que estava dentro da poça das lágrimas que chorara quando ficara com dois metros e setenta e cinco centímetros de altura. “Devo estar a encolher outra vez. Finalmente. descobriu que era apenas um rato que escorregara para a água. crianças a fazer covas na areia com pás de madeira. “porque eu nunca fui tão pequena como sou agora! E isto é mesmo muito mau!” Ao completar este pensamento. tal como ela.) Todavia. valha-me Deus! – exclamou Alice com um súbito acesso de choro. agora?”. acho que é uma coisa estranha! Mas tudo o que está a acontecer hoje é estranho. Descobriu que. – Afinal. e os seus olhos voltaram a encher-se de lágrimas ao continuar. e começou a recitar. pensou a pobre criança. vemos barcos no mar. se eu gostar de ser essa pessoa. para o jardim! Mas – que desgraça! – a pequena porta fechara-se outra vez e a chavezinha dourada continuava em cima da mesa. minha querida!” Nessa altura. depois. – E agora. olhou para as mãos. De qualquer modo. que não me admiraria se ele falasse. mas muito contente por sentir que continuava viva. Se não. uma estação de caminho de ferro. Vou ter de passar a viver naquela casa acanhada.. Primeiro pensou que caíra ao mar. volto para cima. “Como posso ter feito uma coisa destas?”. – Quem me dera não ter chorado tanto! – disse Alice. não faço mal em tentar. mesmo a tempo de evitar desaparecer por completo. segundo creio. por trás.” . tomei uma decisão. de repente.

O Rato deu um salto repentino na água e começou a tremer de medo. talvez não – respondeu Alice num tom consolador. pois desta vez o Rato ficara com o pelo todo eriçado e ela teve a certeza de que ficara ofendido. Alice no país das maravilhas...) E recomeçou : – Où est ma chatte? (que era a primeira frase do seu livro de francês). se a visses. Alice continuou a falar. – E tu gostarias de gatos. se estivesses no meu lugar? – Bem. Alice não tinha bem a noção do tempo que já se passara desde então. Nunca fizera nada semelhante. pensou Alice. Oh. receosa de ter ferido os sentimentos do pobre animal. e faz toda a espécie de habilidades. já que não gostas deles! Ao ouvir isto. – Não falaremos mais dela! Francamente! – gritou o Rato que tremia até a ponta da cauda. desculpa! – apressou-se a dizer Alice... E tão simpática e sossegada.Transcrições | Etapas 6 E começou assim: – Ó Rato.. – É tão engraçada quando se senta em frente da lareira. – Como se eu falasse em tal coisa! A nossa família sempre odiou os gatos: que coisas nojentas. Já era tempo de irem. afastando-se dela e revolvendo a água. pensou Alice) e disse. Oh.. em parte para si própria. o Conquistador” (Porque. uma Águia e várias outras estranhas criaturas. – E tu não gostas… Não gostas… De. Edições Nelson de Matos (2010) 61 . – Querido Ratinho! Volta outra vez! Não falaremos mais de cães nem de gatos. trazido por Guilherme. meu Deus! – exclamou Alice. a fazer ronrom. E deixa-se cuidar tão bem! É um ás a caçar ratos. entusiasmada: – Perto da nossa casa há um cãozinho lindo que eu gostava de mostrar-te! É um pequeno terrier. – Oh. o Rato deu meia volta e recomeçou a nadar lentamente na direção de Alice. senta-se nas patas traseiras e pede comida. – Não falaremos mais dela.. Eu diria que é um rato francês. um Dodó.. sabes? Ele diz que o cão é muito útil e que vale cem libras! Diz que ele mata todos os ratos e. com o pelo muito comprido e encaracolado. – Creio que te ofendi outra vez! O Rato recomeçou a nadar com toda a força. desculpa! – exclamou de novo Alice. apesar de todos os seus conhecimentos de História.. De cães? O Rato não respondeu e Alice prosseguiu. com uns olhos muito vivos. Então ela chamou-o com meiguice. – Eu não gosto de gatos! – exclamou o Rato. com uma voz estridente e desesperada. Vai buscar as coisas que nós atiramos para longe. Mesmo assim gostava que conhecesses a nossa gata Dinah: creio que passarias a gostar de gatos. pareceu piscar-lhe um dos olhinhos. apressando-se a mudar de assunto. sabes? É castanho. com uma tremura na voz: – Vamos para a margem. Não me lembro nem de metade. se preferes. mesquinhas.. O dono é um lavrador. – Não fiques zangado. enquanto nadava na poça de um lado para o outro. Estava lívido (“com a comoção”. desolada. ordinárias! Nem voltes a pronunciar esse nome! – Prometo que não volto! – disse Alice.. a lamber as patas e a lavar o focinho. Alice foi à frente e o grupo nadou até à margem. Lewis Carroll.. um Papagaio. Vou contar-te a minha história e compreenderás porque não gosto de cães nem de gatos. pois a poça começava a ficar cheia de passáros e outros animais que ali tinham mergulhado: um Pato. mas lembrava-se de ter lido na gramática de latim do irmão: “Um rato – de um rato – a um rato – um rato – ó rato!” O Rato olhou-a com um ar bastante curioso. ó Rato! Alice pensava que esta era a maneira correta de falar a um rato. sabes a maneira de sairmos desta poça? Estou tão cansada de nadar. – Esqueci-me completamente que tu não gostas de gatos. “Talvez ele não perceba inglês”. mas não disse nada.

Alice pensou e depois respondeu: – A quatro. – Podias muito bem dizer ”Eu gosto do que tenho”. que não é a mesma coisa que ”Eu tenho o que gosto” – acrescentou a Lebre de Março. – Em que dia do mês estamos? – perguntou. voltando-se para Alice. – Há muito espaço! – replicou Alice. – Queres dizer que sabes qual é a resposta? – perguntou a Lebre de Março. e que lhes servia de almofada. mas tudo o que disse foi: – Em que se parece um corvo com uma secretária? “Finalmente vamos divertir-nos!” pensou Alice. – Podes muito bem dizer ”Eu vejo o que como”. – Exactamente isso – disse Alice. . Estivera a observar Alice com grande curiosidade e foi esta a primeira vez que falou. – Não é a mesma coisa! – ripostou o Chapeleiro. – Não há espaço! Não há espaço! – exclamaram ao ver Alice aproximar-se. pensou Alice. meio adormecido. – É uma grande falta de educação. que estava sentado entre eles. deves explicar-te quando falas – continuou a Lebre de Março. zangada. não é muito delicado da tua parte estares a oferecer-mo – disse Alice. indignada. – Também não foi muito delicado da tua parte sentares-te sem seres convidada disse a Lebre de Março. – Nesse caso.. Todos ficaram em silêncio enquanto Alice tentava lembrar-se de tudo o que sabia a respeito de corvos e de secretárias. – Eu não sabia que a mesa era vossa. A mesa era muito comprida. e que não era muito. “Ainda bem que eles começaram a dizer adivinhas. quando falo.” – Acho que sei essa – acrescentou em voz alta. – Podias muito bem dizer ”Eu respiro quando estou a dormir”. ”Deve ser muito desconfortável para o Arganaz”. E sentou-se numa enorme poltrona que havia no topo da mesa. inquieto. Ao ouvir isto. abanando-o de vez em quando e levando-o ao ouvido. que não é a mesma coisa que ”Eu como o que vejo”. – Pelo menos. O Chapeleiro foi o primeiro a quebrar o silêncio. Tirara o relógio e olhava-o. – É o que eu faço – apressou-se a responder Alice. ”mas como está a dormir.. – É o que se passa contigo – disse o Chapeleiro. – Precisas de cortar o cabelo – disse o Chapeleiro.62 Etapas 6 | Guia do Professor Sequência 2 (Página 142 – animação) A LEBRE DE MARÇO E O CHAPELEIRO ESTAVAM A TOMAR CHÁ numa mesa debaixo de uma árvore.. que não é a mesma coisa que ”Eu durmo quando estou a respirar” – disse o Arganaz que parecia estar a dormir enquanto falava. em frente da casa. é natural que não se importe”. Está posta para mais de três pessoas – respondeu Alice. Apoiavam os cotovelos sobre um Arganaz. – Nesse caso. – Bebe vinho – disse a Lebre de Março num tom encorajador. É a mesma coisa. – Devias aprender a não fazer comentários pessoais – disse Alice com alguma severidade. o Chapeleiro abriu muito os olhos.. E aqui a conversa morreu. mas estavam os três encolhidos a um canto. explico-me. Alice percorreu a mesa com o olhar mas só viu chá e perguntou: – Onde está o vinho? – Não há – respondeu a Lebre de Março.

– Que relógio tão engraçado! – comentou. Mas não sabia dizer mais nada senão repetir: – Era manteiga da melhor qualidade. – Era manteiga da melhor qualidade – respondeu a Lebre de Março com brandura. contudo. sem abrir os olhos: – Claro! Claro! Era mesmo o que eu ia dizer. Depois. com toda a delicadeza que lhe foi possível. precisamente a altura de começar as lições. – Já sabes a resposta da adivinha? – perguntou o Chapeleiro voltando-se de novo para Alice. – Mas. Alice suspirou de cansaço. lançando a Lebre de Março um olhar furibundo. – Qual é a resposta? Não faço a menor ideia – disse o Chapeleiro. imagina que são nove horas da manhã. nesse caso… Eu não teria vontade de almoçar. mergulhou-o na chávena cheia de chá e voltou a olhar para ele. O comentário do Chapeleiro parecia não ter qualquer significado e. – Era capaz de apostar que nunca falaste com o tempo! – Talvez não – respondeu Alice à cautela. O Arganaz abanou a cabeça. – Ora. – A princípio talvez não – disse o Chapeleiro. – Ele não suporta que lhe batam. não falarias em gastá-lo. Mas se estiveres de boas relações com ele. Alice estivera a observar o relógio por cima do seu ombro. – O Arganaz está a dormir outra vez – disse o Chapeleiro despejando-lhe um pouco de chá quente em cima do nariz. e disse. – Não devias ter usado a faca do pão. impaciente. – Não te percebo muito bem – disse Alice. mas isso é porque um ano dura muito tempo.Transcrições | Etapas 6 – Dois dias atrasado! – disse o Chapeleiro com um suspiro. O Chapeleiro abanou a cabeça tristemente e respondeu! 63 . – Sim. Por exemplo.) – Isso seria uma grande coisa. mas também devem ter entrado migalhas lá para dentro – resmungou o Chapeleiro. nem mais! – replicou o Chapeleiro. horas de almoçar! (”Quem me dera que fosse assim”. ele não dissera nenhuma palavra errada. Alice sentiu-se terrivelmente confusa. Só tens que fazer um sinal ao tempo e o relógio avança num abrir e fechar de olhos! Uma e meia. com alguma curiosidade. Desisto – respondeu Alice. – Mas poderias fazer com que a uma e meia durasse até te apetecer. – Não. deixa-te fazer quase tudo o que quiseres com o relógio. – Bem te disse que a manteiga não lhe faria bem! – acrescentou. – Acho que vocês podiam passar melhor o tempo em vez de gastá-lo com adivinhas que não têm resposta. – Claro que não percebes! – replicou o Chapeleiro. A Lebre de Março pegou no relógio e olhou-o com um ar tristonho. – É assim que tu fazes? – perguntou Alice. – O teu relógio indica o ano em que estamos? – Claro que não – respondeu Alice muito depressa –. – Nem eu – acrescentou a Lebre de Março. abanando a cabeça com um ar de desprezo. – O que é exatamente o caso do meu – disse o Chapeleiro. Disse a Lebre de Março com os seus botões. – Não percebo o que queres dizer – disse Alice. – Se conhecesses o tempo tão bem como eu. na verdade – disse Alice com um ar pensativo. – Indica o dia do mês mas não indica as horas! – Porque haveria de o fazer? – disse o Chapeleiro entre dentes. – Mas sei que tenho de bater tempos durante as lições de música.

– E de que viviam elas? – perguntou Alice que se interessava sempre muito por tudo o que dissesse respeito a comer e a beber. brilha… E como nunca mais se calava. tiveram de dar-lhe um beliscão.. – Eu não estava a dormir – disse numa vozinha roufenha. – Estamos sempre na hora do chá. – Ouvi tudo o que vocês estavam a dizer. Antes de ela enlouquecer. Brilha. o Arganaz conta uma! – gritaram ambos. – Estou a ficar cansada desta conversa. – Acorda.. Lacie e Tillie e viviam no fundo de um poço. – Alimentavam-se de mel – respondeu o Arganaz – depois de pensar durante um minuto ou dois. o Arganaz sacudiu-se e começou a cantar em pleno sono: – Brilha. brilha… Nesta altura. – E vão andando à roda da mesa. – Mal tinha acabado a primeira estrofe – continuou o Chapeleiro – quando a Rainha deu um pulo e começou a gritar. – Agora são sempre seis horas. – Mas o que acontece quando voltam ao princípio? – atreveu-se a perguntar Alice. Alice tentou imaginar como seria aquela extraordinária maneira de viver. Arganaz! E beliscaram-no os dois ao mesmo tempo. À medida que as coisas se vão gastando – respondeu o Chapeleiro. brilha. – E desde então ele não me faz uma única coisa que eu lhe peça – lamuriou o Chapeleiro.. – E despacha-te. . Proponho que a menina nos conte uma história. brilha. – Então é por isso que têm tantos lugares postos à mesa? – perguntou. não! Em Março tivemos uma briga. Ficaram muito doentes. – Infelizmente não sei nenhuma – disse Alice. muito assustada com aquela sugestão. por favor! – suplicou Alice. mas estava muito confusa e continuou: – Mas porque viviam elas no fundo de um poço? – Bebe mais chá – disse-lhe a Lebre de Março com um ar muito sério.64 Etapas 6 | Guia do Professor – Eu. e eu tive de cantar: Brilha. e não temos tempo de lavar a louça nos intervalos. – Mudemos de assunto – interpôs a Lebre de Março com um bocejo. – Isso é impossível – atalhou Alice com delicadeza. – E foi o que aconteceu. – Continua assim: Voa pelo céu Como um tabuleiro de chá. O Arganaz abriu os olhos devagarinho. – Sim. – Exatamente. – Então. à pressa – que se chamavam Elsie. Fez-se luz no cérebro de Alice. percebes? (e apontou para a Lebre de Março com a colher do chá). creio? – perguntou Alice. senão adormeces outra vez antes de acabares – acrescentou o Chapeleiro. Foi durante o grande concerto dado pela Rainha de Copas. morceguinho! Como te invejo! Talvez conheças a canção… – Já ouvi qualquer coisa parecida – respondeu Alice. – Era uma vez três irmãzinhas – começou o Arganaz. brilha. – Teriam adoecido. – É – respondeu o Chapeleiro com um suspiro.. “Ele está a assassinar o tempo! Cortem-lhe a cabeça!” – Que horror! – exclamou Alice. – Conta-nos uma história! – pediu a Lebre de Março.

indignado. – Isso não existe! Alice começava a ficar muito irritada. – É muito fácil tomar mais do que nada. levantou-se. tomou o lugar da Lebre de Março. Alice não queria voltar a ofender o Arganaz. desta vez sem pensar. – Estavam a aprender a desenhar – prosseguiu o Arganaz... bocejando e esfregando os olhos (estava a ficar muito sonolento) – e desenhavam toda a espécie de coisas. sem o interromper. Alice calou-se. muito. uma vez que a Lebre de Março acabara de entornar o bule do leite no prato. – Há.Transcrições | Etapas 6 – Ainda não bebi nenhum – respondeu Alice. eu não compreendo. minha estúpida? Alice preferiu ignorar este comentário e continuou: – Mas elas estavam dentro do poço. No entanto. Tenho esperança de que haja mesmo uma história. – Claro que estavam! Bem lá dentro. O Chapeleiro foi o único que ficou a ganhar com a troca. muito atrapalhada.. não achas. creio que também poderás tirar mel de um poço cheio de mel... com cautela: – Mas. agora que me perguntas. Já imaginaram como se desenha muito? – Realmente. esquecendo a promessa. o Arganaz já fechara os olhos e dormia uma soneca. Todas as coisas que começavam por um M. – O que queres dizer é que não podes beber menos – atalhou o Chapeleiro. com um gritinho. como mata-ratos.. e preferível seres tu a acabar a história.. muito contrariada. Donde tiravam elas o mel? – Se podes tirar água de um poço cheio de água. voltou-se para o Arganaz e repetiu a pergunta: – Mas porque viviam elas no fundo de um poço? O Arganaz levou um minuto ou dois a responder e por fim respondeu: – Era um poço de mel. – O que desenhavam elas? – perguntou Alice.. A Lebre de Março foi para o lugar do Arganaz e Alice. por isso serviu-se de chá e de pão com manteiga. Quando dizemos muito. que deixou falar o Arganaz durante algum tempo. voltou a acordar. – Não! Continua. por isso não posso beber mais. – disse Alice. memória. Alice não sabia o que responder a isto. e continuou: – … que começavam por um M. ofendida – .. Esta resposta confundiu de tal modo a pobre Alice. – Não creio… 65 . Nesta altura. – E porque não? – respondeu a Lebre de Março. – Ninguém te pediu opinião – disse Alice. mas o Chapeleiro e a Lebre de Março mandaram-na calar e o Arganaz disse-lhe num tom azedo: – Se não sabes ser educada. – Mel – respondeu o Arganaz. – Vamos mudar de lugar. Mas. – Porque por um M? – perguntou Alice. sim senhora! – exclamou o Arganaz. continuou: – E as três irmãzinhas estavam a aprender a desenhar. – Quem é que esta a fazer comentários pessoais agora? – perguntou o Chapeleiro com um ar triunfante. Enquanto falava. assim que o Chapeleiro lhe deu um beliscão. – Quero uma chávena limpa – interrompeu o Chapeleiro. – Não voltarei a interromper-te. seguido do Arganaz. por favor! – pediu Alice com grande humildade... Alice ficara pior do que antes. Depois. por isso começou a dizer..

”Desta vez. Esta indelicadeza era mais do que Alice podia suportar. Nunca há de fazer nada de jeito na vida. Passados dois dias. respondeu ele. Creio que poderei entrar imediatamente. e nenhum dos outros pareceu dar pela sua partida. não aprendia nada e.66 Etapas 6 | Guia do Professor – Então não fales – disse o Chapeleiro. Em seguida. mas a figura não respondeu. à volta da lareira. deu uma dentada no cogumelo (conservava ainda um bocado na algibeira) até atingir trinta centímetros de altura. ”É curioso!”. que já lhe digo.” Pouco tempo depois. Sabes muito bem como o teu irmão se esfola a trabalhar enquanto tu pareces não ter remédio. subir até ao campanário e repicar o sino.” E assim fez. Quem nasce torto. “Quem está aí?”.” Sucedeu então que o pai lhe disse um dia: “Escuta lá.” “Não seja por isso”. vou ser mais cuidadosa”. “Agora é que vais aprender o que é ter arrepios de medo”. – Foi o lanche mais estúpido a que assisti na minha vida! No momento em que disse isto. diziam: “Aquele ainda há de dar trabalhos ao pai!” Sempre que havia uma tarefa para fazer. Levantou-se. Quando olhou pela última vez. pai. o mais velho respondia: “Ai. muito aborrecida. se contavam histórias que davam pele de galinha.” O pai suspirou e respondeu: “Isso acabarás por aprendê-lo mais cedo ou mais tarde. acordou-o à meia-noite. junto da pequena mesa de vidro. ó tu aí no canto. Alice no país das maravilhas. pensou e saiu em segredo antes do rapaz.” “Sim. pensou. na esperança de que a chamassem. Mande-o vir ter comigo. encontrou-se naquele jardim maravilhoso. o sacristão foi fazer uma visita lá a casa e o pai contou-lhe os apoquentos em que vivia e disse-lhe que o filho mais novo era tão desajeitado em tudo e não percebia nada nem aprendia coisa nenhuma. entre canteiros de flores de cores vivas e fontes de água fresca. Mas se por acaso o pai lhe pedia para ir buscar algo que o obrigasse a passar pelo cemitério ou outro lugar igualmente arrepiante quando já era tarde ou a meio da noite. ”Mas hoje tudo é curioso. Ficar arrepiado deve ser uma arte que me escapa por completo. e afastou-se. que disso não percebo nada de nada. No topo do campanário. Mas o mais novo era burro. desceu o pequeno corredor. já estás a ficar grande e forte. gostaria de aprender a ficar arrepiado de medo. Ou quando ao serão. – Seja qual for o motivo. não tugiu nem mugiu. tarde ou nunca se endireita. “Eu gostaria de aprender a fazer alguma coisa – aliás. mandou-o levantar-se. mas não será assim que ganharás o teu pão. o meu irmão não passa mesmo de um palerma.” O mais velho riu-se ao ouvir aquilo e pensou: “Oh! meu Deus. ao retomar o seu caminho no bosque. “Imagine só. . perguntou ele.” O sacristão levou-o então para sua casa e ele tinha de fazer soar o sino. quando as pessoas o viam. está na hora de aprenderes um ofício que te permita ganhar o teu próprio pão. não. finalmente. nunca mais lá volto! – disse Alice. embora ela olhasse para trás uma ou duas vezes. Depois. que isso me dá arrepios!” O mais novo ficava sentado a um canto a ouvi-los e não conseguia perceber o que queriam dizer com aquilo. Edições Nelson de Matos (2010) Sequência 3 (Página 147– áudio) Conto do rapaz que partiu para aprender a ter medo Um pai tinha dois filhos. reparou que numa das árvores havia uma porta. lá é que não vou que aquilo me dá arrepios!” Isto porque tinha medo. não percebia nada. Lewis Carroll.” O pai ficou satisfeito porque pensou: “O rapaz sempre vai aprender alguma coisa. E. pensou. quando lhe perguntei como iria ele ganhar o seu pão. E começou por pegar na minúscula chave dourada e abrir a porta que dava para o jardim. O Arganaz adormeceu instantaneamente. respondeu o sacristão. “Eles passam a vida a dizer ‘Ai que arrepios! Ai que arrepios!’ A mim nada me dá arrepios. João voltou-se e ia puxar a corda do badalo quando se apercebeu de uma figura branca nas escadas em frente ao buraco do sino. as pessoas por vezes exclamavam: “Ai. ambos tentavam enfiar o Arganaz dentro do bule do chá. Mais uma vez deu consigo no grande átrio. pai”. prudente e sabia o que fazer em qualquer situação. disse que queria aprender a ficar arrepiado de medo. se pudesse. 0 mais velho era esperto. era sempre com o primeiro que se podia contar. “Arrepios ensino-lhe eu.

“ouve. respondeu o rapaz. seguindo pela estrada fora dizendo sempre para consigo: ”Se ao menos me arrepiasse! Se ao menos me arrepiasse!” Passou um homem que ouviu a conversa que o rapaz estava a ter sozinho. O rapaz fez soar os sinos. disse ela.” Não proferiu um som e permaneceu quieto. e colocou-os à volta dele para se aquecerem. reavivou-o. foi para casa. que já não te posso ver. Depois voltou a sentar-se ao pé da fogueira e adormeceu. Na manhã seguinte. Então o homem disse-lhe: “Estás a ver? Aquela é a árvore onde sete homens se casaram com a filha do cordoeiro e estão agora a aprender a voar. vendo que era em vão. como não dizia nada nem se ia embora. E como ficou com frio. “O seu filho”. Mas por volta da meia-noite. e eram tão burros que deixaram queimar os parcos farrapos que traziam no corpo.” O homem percebeu então que não ia ganhar cinquenta táleres naquele dia e foi-se embora. Toma cinquenta táleres. o vento soprava em rajadas tão geladas que nem a fogueira o conseguia aquecer. fala.” Os mortos. Não vou ficar a arder convosco.” “Aprende o que te apetecer”. acordou o rapaz e perguntou-lhe: “Não sabes onde ficou o meu marido? Ele subiu à torre antes de ti. Basta vires ter comigo amanhã de manhã cedo. disse o rapaz. assim farei. Vá lá agora e veja se é ele. O rapaz disse-lhes: “Tenham cuidado senão eu volto a pendurar-vos lá em cima.” “Não”. O rapaz perguntou segunda vez: “O que queres daqui? Se vens por bem. como alguém que está a tramar alguma. Começou a ficar com medo. O sacristão caiu de uma altura de dez degraus e ficou a jazer no chão a um canto. de bom grado. O rapaz ficou então zangado e disse-lhes: “Se não vão ter cuidado.” E como teve pena deles. tomei-o por um patife e atirei-o pelas escadas abaixo. não vos vou poder ajudar. “ou então vai-te embora.” “Sim. se é esse o seu desejo. acendeu uma fogueira. de noite. senão atiro-te pelas escadas abaixo. pai. respondeu o rapaz.” O sacristão pensou: “Isto são só ameaças. dizendo: “Um assim é que ainda não me tinha calhado na rifa. Ela levou-o dali e foi aos gritos a casa do rapaz. levantou a escada. disse o pai. “mas havia alguém junto ao buraco do sino do outro lado das escadas e. trepou pela árvore acima. correu para junto do rapaz e repreendeu-o. vais ficar a saber o que é arrepiares-te de medo num instantinho. sentou-se sob a árvore e aguardou que chegasse a noite. Mas eles permaneciam lá sentados e não se mexiam e o fogo pegou-se-lhes às roupas.” “Ora”. dizendo: “Então. desatou-os um a um e levou-os aos sete lá para baixo.” 67 . gemendo e com uma perna partida. que não tens nada que fazer aqui a estas horas da noite.Transcrições | Etapas 6 “Responde”. lá apareceu o homem na expectativa de receber os cinquenta táleres. esperai apenas que se faça dia que eu partirei e aprenderei a arrepiar-me para aprender um ofício que me possa alimentar. porém. pensou: “Se tu. “parece-me fácil. o rapaz enfiou os cinquenta táleres no bolso e partiu. continuavam calados e deixavam que os seus farrapos continuassem a arder.” A mulher foi a correr e encontrou o marido deitado a um canto.” E tornou a pendurá-los um a um lá em cima. Depois atiçou o fogo. O rapaz falou-lhe então pela terceira vez e.” O pai ficou horrorizado. Atirou o meu marido das escadas abaixo e ele partiu uma perna. Lamento muito se for. disse o pai. Ele estava lá parado. chegaram a um ponto de onde conseguiam avistar uma forca. como se fosse de pedra. “contigo são só arrelias. pai. Senta-te lá e aguarda que a noite chegue. ficarás com os meus cinquenta táleres. que estás ao pé do fogo. “causou-nos grande infelicidade. respondeu o rapaz. E vendo que o vento empurrava os enforcados lá em cima uns contra os outros.” “Sim. deu uma corrida e atirou o fantasma pelas escadas abaixo. “A mim tanto se me dá como se me deu.” E o rapaz lá foi para a forca. fazendo-os baloiçarem-se de um lado para o outro. Sai-me mas é da frente. não ouviam. respondeu o rapaz.” Mas o sacristão permaneceu imóvel para que o rapaz pensasse que se tratava de um fantasma.” “Se é só isso que tenho de fazer”. eu sou completamente inocente. Eu não sabia de quem se tratava e adverti-o três vezes para falar ou se ir embora. leva-os e faz-te ao mundo e não digas a ninguém de onde vens nem quem é o teu pai pois tenho vergonha de ti. deitou-se sem dizer uma palavra e adormeceu. Quero esse inútil longe da nossa casa. aqueles lá em cima devem estar enregelados. Mas se eu aprender a arrepiar-me assim tão rapidamente. “como haveria de saber? Aqueles lá em cima não abriram o bico. já sabes o que é ter arrepios?” “Não”. Algum tempo depois.” Ao romper do dia. A mulher do sacristão esperou muito tempo pelo marido. “Mas que raio de brincadeiras são essas que o diabo te deve ter metido na cabeça?” “Pai”. mas o marido nunca mais voltava. estás cheio de frio.

” O rei deixou-o levar as coisas para o castelo durante o dia. sentem-se à fogueira e aqueçam-se. por entre soleiras e escadas. se ao menos me arrepiasse! Ai. Era um belo rapaz. Na manhã seguinte. respondeu ele. “perdi a vontade de jogar às cartas. O carroceiro voltou a perguntar: “De onde vens?” “Não sei. não te vai faltar aqui oportunidade de o realizares. outros matou-os e atirou-os para o lago. pensou que os fantasmas o tinham liquidado e estava morto. até que ele já não se conseguia mexer. se ao menos me arrepiasse!” Um carroceiro que prosseguia atrás dele escutou-o e perguntou-lhe: “Quem és tu?” “Não sei”. disseram: “Ó compincha. “já houve abelhudos suficientes a perderem a vida. riu-se e disse: “Se é esse o teu desejo.” E eles estenderam as garras. mas. disse ele. “Mas que unhas compridas as vossas! Um momento. A quem ousasse fazê-lo. deitou-os na tábua de cortar e enroscou-lhes as patas umas nas outras. mas têm de ser coisas sem vida. Foi para isso que abalei de casa. de repente. quando achou que já chegava. “É isso mesmo”. E ao ficar assim sentado. “Ui!”. os olhos começaram a querer-se fechar e ele teve vontade de dormir. porque lhe agradou o que viu.” O rei olhou para ele e. “Ao olhar para os vossos dedos”. “Porque estão a gritar? Se têm frio. Naquela manhã.” Cerca da meia-noite. reavivou as centelhas do lume e aqueceu-se. quem quiser conduzir. Mas. “Mas primeiro mostrem-me lá as vossas patas. disse a estalajadeira. pegou na faca e gritou: “Fora convosco. gritou.” O rei . “Mas também não vai ser aqui que vou aprendê-lo. se ao menos me arrepiasse!”. Além disso. resolveu atiçar novamente o fogo e.” “O que andas para aí a resmungar entredentes?” “Ora”. mas ninguém conseguira sair. para cima e para baixo.” “Deixa-te de disparates”. Passado um pouco. respondeu o rapaz. “mas mais depressa ainda é melhor. a cama começou a andar sozinha e desatou às voltas por todo o castelo. exclamou. quando se tinha livrado daqueles dois e se ia sentar novamente ao pé da fogueira.” E o rapaz disse: “Então peço lume. que era a mais formosa donzela que o sol já vira. surgiram com um salto violento dois grandes gatos pretos. canalha!” E desatou a esquartejá-los. ao ouvir tal coisa.” “Cala-te. ao vê-lo ali deitado por terra. o rapaz lá disse bem alto: “Se ao menos me arrepiasse! Se ao menos me arrepiasse!” O estalajadeiro. miau! Que frios que estamos!” “Mas que burro”. À entrada da sala. Ele ficou a vê-los muito quieto durante um bocadinho. mas é”. saiu de lá de baixo e disse: “Agora. respondeu: “Tens direito a pedir três coisas para levares contigo para o castelo. João atirou ao ar almofadas e cobertores. mas.” Deitou-se junto à fogueira e adormeceu até ao dia seguinte. o rapaz subiu e fez uma bela fogueira para si num dos quartos. o rei prometera a mão da sua filha.68 Etapas 6 | Guia do Professor O rapaz também seguiu caminho e recomeçou a falar para consigo: “Ai. dizendo: “Ainda não foi desta. vem comigo. um torno e uma tábua de cortar com a faca.” “Quem é o teu pai?” “Isso não posso dizer. Arranjo-te um sítio onde ficares. venham.” Agarrou-os pelo pescoço. surgiram de todos os cantos e recantos gatos pretos e cães pretos em cadeias incandescentes. que tal um joguinho de cartas?” “E porque não?”. seria uma pena se aqueles olhinhos bonitos não voltassem a ver a luz do dia. “Anda.” E não deu sossego ao estalajadeiro enquanto este não lhe contou que havia ali perto um castelo assombrado onde qualquer um aprenderia a arrepiar-se bem depressa se lá ficasse de vigia três noites. o rei chegou junto dele e. eu hei de aprender como é. desmancharam-na e tentaram apagá-la. e a cama pesava-lhe agora como uma montanha.” E matou-os e atirou-os lá para fora para dentro de água. disse. o rapaz foi ter com o rei e disse-lhe: “Se me fosse permitido.” E mal acabou de o dizer. “Ai. Alguns fugiram. sempre cada vez mais e mais. virou-se ao contrário.” Mas o rapaz respondeu: “Mesmo que seja muito difícil. “Assim é bom”. após se terem aquecido. mas ninguém me consegue ensinar a fazê-lo. colocou a tábua de cortar com a faca a seu lado e sentou-se junto ao torno. ouviu-se subitamente um grito vindo de um canto: “Au. que conduza. Soltavam uivos terríveis e enfiaram-se na fogueira. Mas quando estava quase a fechar os olhos. a parte de baixo voltou-se para cima. gostaria de ficar três noites de vigia ao castelo assombrado. disse o carroceiro. disse ele e deitou-se nela. Ao regressar. Ao cair da noite. Olhou em volta e viu a um canto uma cama grande. “gostava de me arrepiar de medo.” O rapaz foi com o carroceiro e à noite chegaram a uma estalagem onde pretendiam passar a noite. Já muitos se tinham aventurado a entrar no castelo.” O rapaz ouviu isto e logo se ergueu. o castelo escondia grandes tesouros vigiados por maus espíritos. up! up!. que se sentaram a seu lado e lhe deitaram um olhar selvagem com olhos de fogo. primeiro tenho de as cortar. dizia. e esses tesouros seriam então libertados e fariam de quem é pobre muito rico.” E a cama moveu-se então como se seis cavalos a puxassem. enquanto o fazia. respondeu o rapaz. Disse então: “Que pena.

disse o rapaz. vieram os seis homens e levaram o caixão consigo. “Então é assim que me agradeces? Vais mas é já de volta para o teu caixão.” Então ouviu-se uma vez mais o barulho. apareceram seis homenzarrões transportando um caixão. anda!” Eles colocaram o caixão no chão. “Se tiver de morrer. atirou-o para dentro do caixão e fechou a tampa. disse o rapaz.se junto à fogueira e retomou a velha cantilena: “Se ao menos me arrepiasse!” Quando se aproximava a meia-noite.” Na terceira noite. o morto começou a aquecer e a mexer-se. Deitou-se então e adormeceu em paz. enfiou-as no torno e torneou-as até elas ficarem redondas. mas contente. seguiu-se um curto silêncio. colocaram-nas em posição e puseram-se a jogar ao boliche. disse ele. mas o rapaz não deixou. “Calminha. “quero aquecer-te um pouco”. disse o monstro. “Sei fazer melhor do que isto” disse o rapaz e dirigiu-se para a outra bigorna.” Agarrou numa barra de ferro e desferiu-a contra o velho até este começar a gemer e lhe pedir para parar. “É inútil! Se ao menos alguém mo pudesse ensinar!” Na segunda noite. “Muito bom”. “Não foi esse o nosso acordo”. “Uma noite já se passou. Como isto também não servia de nada. disse. “Ah! assim é que elas vão rolar bem”.Transcrições | Etapas 6 ficou admirado. “e aqui nunca hei de aprendê-lo. e clamando e ganindo a outra metade caiu. mas velho e com uma longa barba branca. traziam nove pernas mortas consigo e duas cabeças. apareceu o rei à sua procura. “Olá. depois cada vez mais alto. O rapaz pegou então no machado. deitou-o no seu regaço e friccionou-lhe os braços para o sangue voltar a circular.” Ao chegar junto do estalajadeiro. Se ao menos soubesse o que é uma pessoa arrepiar-se. respondeu ele.” Entrou então um homem.” Tendo feito isto e dando meia-volta. E ele disse: “Aha. dizendo muito aborrecido: “Se ao menos me arrepiasse!” Quando se fez tarde. sentou. vamos lá ver isso. “mas as vossas bolas não são bem redondas. respondeu. e perguntou-lhe como tinha sido. “Se fores mais forte do que eu. priminho. tudo desapareceu perante os seus olhos. Anda.” E levou-o por corredores escuros até à forja de um ferreiro. “e perdi uns tostões. agora é que nos vamos divertir!” Jogou com eles e perdeu uma parte do seu dinheiro. Então o rapaz tirou-o do caixão. o rapaz voltou ao velho castelo. disse o rapaz. Mas o morto continuava frio. este esbugalhou os olhos. “Não consigo arrepiar-me”. “E como foi desta vez?”. respondeu. priminho. “Diverti-me. Passado um pouco.” “Não tão depressa”. Já aprendeste então a arrepiar-te?” “Não”. respondeu o velho. O velho aproximou-se para ver melhor com a sua longa barba branca caída.” “E então não te arrepiaste?” “Qual quê!”. respondeu o rapaz. disse. disse. “Essa tábua é minha. “Nunca pensei”. disse. “agora é que vais aprender o que é arrepiares-te. empurrou-o com violência e voltou a sentar-se no seu lugar. e por fim meio homem caiu chaminé abaixo com um grande grito e estatelou-se à sua frente.” “Isso é o que vamos ver”. Então começaram a cair mais homens chaminé abaixo. porque vais morrer. isto é com certeza o meu priminho que morreu apenas há uns dias. estava fria como gelo.” “Tenho que chegue”. Foi à fogueira. também posso jogar com vocês?” “Sim. “que te tornasse a ver vivo. “Espera aí”. “Agora apanhei-te”. cobriu-o e deitou-se a seu lado. disse. partiu a bigorna de um só golpe. exclamou ele. “Olé!”. se tiveres dinheiro. perguntou. aquecem se uma à outra. deixo-te ir. primeiro baixo. O rapaz tocou-lhe na cara. “não te faças mais forte do que és: sou tão forte como tu. replicou o jovem. ouviu-se um barulho e um rebuliço. O rapaz ficou com vontade de jogar e disse: “Oiçam lá. Disse o rapaz: “Estás a ver. O velho 69 . “ainda falta metade. Na manhã seguinte. quando bateu a meia-noite. calminha”. se é que não sou mais forte ainda. aqueceu a mão e colocou-lha depois em cima da face. “Ó desgraçado”.” O homem quis afastá-lo. “deixa-me primeiro acender-te um pouco o fogo. dizendo que o encheria de grandes riquezas. as outras duas também se hão de passar. “joguei um pouco ao boliche”. mas. se eu não te tivesse aquecido!” Mas o morto levantou-se e disse: “Agora vou estrangular-te.” Então pegou nas cabeças. voltou a sentar-se na sua tábua. o rapaz aproximou-se e abriu a tampa: lá dentro jazia um homem morto. “Espera”. viu que as duas metades se tinham reunido e um homem medonho estava sentado no seu lugar. sentou-se junto à fogueira. Pegou nele. apanhando a barba do velho no movimento.” Levou-o para a cama. quero ter uma palavra a dizer sobre o assunto. respondeu.” Fez sinal com o dedo e chamou: “Vem. um a seguir ao outro. respondeu o rapaz.” “O quê?”. “e és tu quem vai morrer.” “Eu já tas digo”. O rapaz largou o machado e libertou-o. que assim não chega. maior ainda do que os outros homenzarrões e com um aspeto medonho. pegou num machado e de um só golpe deitou por terra uma bigorna. lembrou-se: “Quando duas pessoas estão deitadas juntas na cama.

“Uma parte vai para os pobres. seus preguiçosos.” Saiu para o ribeiro que corria pelo jardim e encheu um balde inteiro de cadozes. cada um deles comeu o seu naco de pão. E. Depois voltou para casa e disse a Margarida: “Consola-te. mas o jovem rei. puseram-se todos a caminho da floresta. Em seguida. quando a chama ardia bem alto. O pai disse-lhe: “Joãozinho. e fez isto uma e outra vez. uma parte para o rei e uma parte para ti. Temas e Debates (2012) Sequência 4 (Página 163– áudio) Irmãs e Irmã (parte final do conto) (…) E enquanto os mais velhos dormiam. abriu a porta de baixo e esgueirou-se lá para fora. mas para onde estás para aí a olhar que te deixas ficar para trás? Vamos lá. Disse-lhe então a criada de quarto: “Vamos resolver isto. disse o velho. o pai disse: “Vão agora apanhar lenha. pelo meio-dia. apesar de amar muito a esposa e de estar muito contente.” A certa altura. Quando já tinham caminhado algum tempo.se. Quando tivermos terminado. mas não comam já porque não levam mais nada. Vou fazer uma fogueira para não morrerem de frio. O brilho do luar era muito claro e os seixos brancos espalhados pelo chão em frente à casa brilhavam como moedas de prata. voltamos para vos virmos buscar. “como haveria? O meu primo morto apareceu. mas o sol da manhã que está brilhar na chaminé. maninha querida. já sei o que é arrepiar-me!” Jacob Grimm e Wilhem Grimm.” “Isso está tudo muito bem”. respondeu ele. ele levantou-se.” E voltou a deitar-se na cama. de Teresa Aica Bairos. Contos da Infância e do Lar. aquilo não é o teu gatinho.” Joãozinho e Margarida apanharam juntos um montinho de gravetos. quando o jovem rei dormia.” Joãozinho e Margarida sentaram-se junto à fogueira e. Joãozinho deteve-se e voltou a olhar para a casa. Pôs-se às apalpadelas. a jovem rainha aborreceu-se com aquilo. julgavam que se tratava do pai que estava por perto. “Deste ouro”. Quando chegaram a meio da floresta. mas a arrepiar-me ninguém me ensinou. Nesse momento. disse ele. que me arrepio. respondeu Joãozinho. “mas ainda não sei como é arrepiar-me. Mal raiou o dia. a rainha afastou-lhe os cobertores.” Disse então o rei: “Libertaste o castelo do feitiço e casarás com a minha filha. Ele vai aprender a arrepiar-se. e dorme em paz. a mulher levantou-se e acordou os dois irmãos: “Levantem. Na manhã seguinte apareceu o rei e disse-lhe: “já aprendeste agora a arrepiar-te?” “Não”. Trad. vestiu o seu casaquito. deitou-lhe para cima o balde de água fria com os cadozes e os pequenos peixes começaram a saltitar em cima do seu corpo. mexe essas pernas!” “Ai. Deus não nos vai abandonar. ainda o Sol não tinha bem nascido. que me arrepio. e depois veio um homem de barba. Joãozinho agachou-se e enfiou tantos seixos quantos conseguiu meter no bolso do casaco. De noite. encontrou o caminho para o quarto e ali ficou a dormir ao pé do lume. meus filhos.” Depois deu um naco de pão a cada um deles e disse: “Aqui têm qualquer coisa para o almoço. Acenderam-se os gravetos e. continuava ainda a dizer: “Se ao menos me arrepiasse. pai”. Mas não era um machado e sim um ramo que o pai tinha atado a uma árvore envelhecida e que o vento baloiçava . respondeu.70 Etapas 6 | Guia do Professor voltou a conduzi-lo para dentro do castelo e mostrou-lhe numa cave três caixas cheias de ouro.” Mas Joãozinho não tinha ficado a olhar para o gato. se ao menos me arrepiasse. a mulher disse: “Agora deixem-se estar ao pé da fogueira e descansem.” Margarida meteu o pão debaixo do avental porque o bolso de Joãozinho estava cheio de seixos. pelo que o rapaz ficou às escuras.” O ouro foi levado para cima e o casamento celebrado. vamos à floresta apanhar lenha. querida mulher! Agora sim. como escutavam golpes de machado.” Disse-lhe a mulher: “Seu tolo. “estou a olhar para o meu gatinho branco. ai. Tinha era começado a deitar para o chão os pequenos seixos brancos que levava no bolso. “Hei de conseguir encontrar o caminho de saída”. Então ele acordou aos gritos: “Ai. que me mostrou muito dinheiro lá em baixo. que está sentado lá em cima no telhado e me quer dizer adeus. Nós vamos à floresta cortar lenha. bateu a meia-noite e o espírito desapareceu.

viram um bonito pássaro branco como a neve pousado num ramo entoando um canto tão belo que eles pararam para o ouvir. respondeu Joãozinho. Joãozinho disse a Margarida: “Haveremos de encontrar o caminho. houve de novo fome e miséria por toda a parte e os irmãos escutaram a mãe a dizer à noite na cama para o pai: “A comida já se foi toda.Transcrições | Etapas 6 para trás e para a frente. também tem de dizer B e. Cada um deles recebeu o seu naco de pão. em que o pássaro pousou. Estavam mortos de fome pois não tinham comido mais do que duas ou três bagas que encontraram pelo chão. Joãozinho voltou a levantar-se para ir lá fora apanhar seixos como da outra vez. A mulher embrenhou-os ainda mais pelo bosque dentro. Senão não temos salvação. dizendo: “Não chores. E como os dois se deixaram ficar ali longo tempo sentados. dizendo: “Aguarda só que a Lua apareça. Enquanto os mais velhos dormiam. e dorme sossegada. quando tivermos acabado. se não viesse ajuda em breve. se estiverem cansados. Não muito depois. Agora já tinham passado três manhãs desde que tinham deixado a casa do pai. Quando terminou de cantar. Margarida. quando a mulher abriu e viu que era Joãozinho e Margarida. mas para onde estás para aí a olhar. fome e cansaço. Depois adormeceram e assim se passou o serão sem que ninguém tivesse ido buscar as pobres crianças. durmam um bocadinho. deitaram-se sob uma árvore e adormeceram. Bateram à porta e. Seguiram-no até que chegaram a uma casinha. “e ter uma refeição abençoada. meninos e. desta vez levamo-los ainda mais para dentro da floresta para que eles não encontrem o caminho de volta. que nessa altura conseguiremos ver os pedacinhos de pão que eu espalhei pelo caminho e eles vão mostrar-nos o caminho para casa. “Joãozinho. que te deixas ficar para trás?”. era já noite escura. pois os milhares de pássaros que voam pela floresta e pelos campos já os tinham comido. e pensou para consigo: “Mais valia repartires o último pedacinho de pão com os teus filhos. mas já não encontraram quaisquer pedacinhos de pão. mas o sol da manhã que está a brilhar na chaminé. disse: “Seus malvados. detendo-se com frequência e atirando pequenos pedacinhos para o chão. que reluziam como moedas de prata acabadas de cunhar e lhes indicaram o caminho. Joãozinho esmigalhou o seu pão no bolso.” 71 . podes comer da janela. viram que a casinha era feita de pão e coberta de bolos. que depois encontramos logo o caminho. as pálpebras cerraram-se-lhes de cansaço e adormeceram. que havia espalhado as migalhas do seu pelo caminho. No caminho para a floresta. mas estavam a embrenhar-se cada vez mais na floresta e.” Ao meio-dia. De manhã cedo. Margarida. voltamos para vos apanhar.” Puseram-se a caminho quando apareceu a Lua.” “Ai.” E Joãozinho continuou a espalhar pedaços de pão pelo caminho. mas a mulher tinha trancado a porta e Joãozinho não podia sair.” Quando surgiu a lua cheia. desta feita ainda mais pequeno do que o anterior. Eu quero comer um pedaço do telhado e tu. Caminharam toda a noite e ao nascer do novo dia chegaram a casa do pai.” Mas a mulher não se deixou demover pelos seus argumentos. o bom Deus não nos vai abandonar”. que está sentado lá em cima no telhado e me quer dizer adeus. As crianças. Margarida. Nós vamos andar pela floresta a cortar lenha e à noite. perguntou o pai. Fizeram de novo uma grande fogueira e a mãe disse: “Deixem-se ficar aí sentados. já só temos meia fatia de pão e depois acabou-se! Os miúdos têm de ir embora. “Toca lá a andar. porém. como ele cedera uma vez. disse-lhe a mulher. Caminharam pela noite fora e todo o dia de manhã à noite. criticou-o e ralhou-lhe. um após outro. Margarida começou a chorar e disse: “E agora como havemos de sair da floresta?” Mas Joãozinho consolou-a: “Espera só um momento até que a Lua apareça. Ao meio-dia. mas sempre sem conseguirem sair da floresta. abriu as asas e desatou a esvoaçar à frente deles. e as janelas eram de açúcar. Retomaram o caminho.” Mas não o encontravam. Quando finalmente acordaram.” “Seu tolo”. E como estavam tão cansados que as pernas já não os conseguiam arrastar. Ao se aproximarem.” O homem ficou com o coração apertado. “Vamos mas é comer a casa”. Consolou a irmãzinha. disse Joãozinho. “Aquilo não é o teu pombo.” O pai é que ficou muito contente. Margarida repartiu o pão com Joãozinho. eles acabariam por morrer de sede. ainda estavam acordadas e ouviram a conversa. “estou a olhar para o meu pombo. Só acordaram quando já era noite cerrada e Joãozinho consolou a irmãzinha. tinha agora de ceder outra. que é doce. ficaram tanto tempo a dormir na floresta que nós já julgávamos que não voltavam. a mulher levantou os dois irmãos da cama. onde eles ainda nunca tinham estado na vida. pois se lhe partira o coração de os deixar ali sozinhos. Joãozinho levou a irmã pela mão e seguiu o caminho dos seixos. Quem diz A. pai”.

leva água ao teu irmão e cozinha-lhe algo de bom. ela perdeu a paciência e não quis esperar mais tempo. de nada lhe valeu. porém. Como vou lá dentro?” . ajuda-nos por favor”. que não vos acontecerá nada de mal. é o vento. encerrou-o atrás de uma grade. enquanto Margarida tirou um vidro redondo inteirinho. sentou-se no chão e regalou-se a comê-lo. Ouviu-se então uma vozinha suave de dentro da casinha: Morde. adormecidos e encantadores. “vai já buscar água. abanou-a até ela acordar e gritou-lhe: Levanta-te.” Ela empurrou a pobre Margarida em direção ao forno. “e vê se já está mesmo quente. Quem petisca a minha casa pequenina? As crianças responderam: É o vento. Joãozinho e Margarida ficaram tão assustados que deixaram cair o que tinham nas mãos. não o conseguia ver e julgava que era o dedo de Joãozinho. A velha estava a fazer-se muito amiga. Mas a velha abanou a cabeça e disse: “Ora esta. disse a velha. Quando Joãozinho e Margarida chegaram perto da casa. a velha iria fechar o forno para a menina ficar lá a assar e a poder comer também a ela. “Primeiro vamos cozer pão”. saiu arrastando-se. arrancou um pedaço bem grande.” E quando Margarida se encontrasse lá dentro. leite e panquecas com açúcar. “já aqueci o forno e amassei a massa. “Espreita lá para dentro”. suplicou ela. De repente. enquanto para a Margarida não sobravam senão cascas de caranguejo. Agora a melhor comida ia para Joãozinho. enquanto Margarida se apoiou na janela e começou a mordiscar os vidros. Todas as manhãs. Quando já se tinham passado quatro semanas e Joãozinho estava a ficar cada vez mais magro. estendia-lhe um pequeno osso e a velha. Filho do céu. As bruxas têm olhos vermelhos e não conseguem ver muito longe. mas era uma bruxa má que se punha à cata de crianças e só construíra aquela casinha de pão para as aliciar até ali. ela riu-se maldosamente e disse em tom trocista: “Estão nas minhas mãos. Depois preparou-lhes duas belas caminhas com roupa limpa e alva. meus queridos meninos. que é para podermos meter o pão. “Vamos. ao vê-los assim. que ele está lá fora no curral e tem de ser cevado. a velha esgueirava-se até ao curral e dizia: Joãozinho. é o vento. “que não te vale de nada.” Margarida começou a chorar amargamente. Depois foi ter com Margarida. teríamos ao menos morrido juntos. a quem o telhado estava a saber deliciosamente. mas de nada lhe serviu porque tinha de fazer o que a bruxa má lhe mandava. “Se as bestas selvagens nos tivessem devorado na floresta. antes de os irmãos acordarem. preguiçosa. E continuaram a comer sem se desconcertarem. remorde. cuja vista era fraca. Pôs-lhes boa comidinha à frente. maçãs e nozes. mas têm um faro muito apurado. e dão logo por ela quando alguém se aproxima.” “Poupa-me a tua choradeira”. Margarida teve de se levantar muito cedo para pendurar o caldeirão com água e acender o lume. disse-lhe a velha.” Joãozinho. Joãozinho e Margarida deitaram-se. murmurou baixinho para consigo: “Mas que belo pitéu!” Depois pegou em Joãozinho com a sua mão engelhada e levou-o para um pequeno curral. disse a bruxa. estica cá para fora o teu dedo para eu ver se estás quase a ficar gordo. rápido! Amanhã vou matar e cozinhar o Joãozinho. por mais que ele gritasse. quer ele esteja gordo ou magro. julgando que estavam no céu.72 Etapas 6 | Guia do Professor Joãozinho subiu lá acima e tirou um pedaço do telhado para o provar e ver a que sabia. e. entrai. de onde saía já fogo em labaredas. de faces cheias e rosadas. como os animais. cozinhava-a e comia-a e esse era um dia de festa. matava-a. agora não me escapam.” Na manhã seguinte. já ela estava levantada e.” Ui! O que foram os lamentos da pobre irmãzinha enquanto levava a água! E as lágrimas que lhe escorriam pelas faces abaixo! “Deus do céu. Joãozinho. Quando uma lhe caía nas mãos. Mas Margarida percebeu o que ela tinha em mente e disse: “Mas eu não sei como se faz. pelo que ficava muito espantada por ele não estar a engordar. velha como a serpe. disse ela à menina. mordisca e rumina. agarrada a um cajado. Margarida”. Quando estiver gordo. e ficai aqui comigo. vou comê-lo. quem vos trouxe até aqui? Entrai.” Deu-lhes a mão e levou-os para casa. a porta abriu-se e uma mulher.” De manhã bem cedo.

o cavalo certamente o atropelaria. Como a mulher era muito esparvoada. respondeu Margarida. escuta. ouviu um barulho de galope e viu um rico cavaleiro que se aproximava. disse a velha. a mulher saiu para ir buscar água e logo se pôs a gritar: – Ai. Margarida abriu o avental e as pérolas e pedras preciosas espalharam-se pela sala enquanto Joãozinho esvaziou os bolsos às mãos-cheias. Tanta aflição chegava ao fim e eles viveram juntos em grande felicidade.” “E também não passa nenhum barquinho por aqui”. “para sairmos desta floresta embruxada. disse-lhe: – Tu já viste a lebre que caçou o nosso galo? E a mulher. Mas. Ele vai levar-nos. até que finalmente avistaram a casa do pai na distância. Não fosse dar um salto para o campo.” E assim fez a boa ave e. Apanhai o tratante e com ele fazei um boné elegante. e depois o outro. a floresta começou a parecer-lhes cada vez mais conhecida e familiar. o homem decidiu enterrar a mala perto de casa e foi comprar uma grande porção de chouriços. depois de caminharem um bocado. não vês. patinho.” Espreitou e enfiou a cabeça no forno. respondeu Margarida. “Estas são bem melhores do que seixos!”. e encheu o avental com elas. O pobre homem ainda ouviu as gargalhadas de troça do outro. Sem a mulher ver. que esta noite choveram chouriços! Anda cá ver o nosso quintal! 73 . “Não conseguimos atravessar”. abriu a porta do curral e disse: “Joãozinho. Ui! O que não foram os berros daquela bruxa. “Não vejo nem ponte nem passagem alguma. pois a mala estava cheia de joias e moedas de ouro. fechou a porta de ferro e trancou a fechadura. Abriu-a com cautela e quase desmaiava de espanto. Temas e Debates (2012) Balanço das Aprendizagens (Página 162– áudio) Certo dia andava um camponês a apanhar lenha perto de sua casa. Contos da Infância e do Lar. Quando a noite chegou. entraram em casa da bruxa e por todos os cantos havia caixas cheias de pérolas e pedras preciosas. primeiro um. ele ajuda-nos a atravessar. e com medo de que ela não se calasse. Então Margarida deu-lhe um empurrão tal que a atirou lá para dentro. entretanto. e encheu os bolsos com quantas pôde. Mal a porta se abriu.Transcrições | Etapas 6 “Sua gansa tola”. levou-a para casa e escondeu-a numa grande arca que tinha junto da porta.” Chamou então: Escuta. o homem foi caçar uma lebre e trouxe-a para casa. pato. Margarida. Se eu lhe pedir. disse Joãozinho. quando se encontraram ambos do outro lado. O pato foi ter com eles. Para distrair a mulher. No dia seguinte. e a mulher tinha morrido. Como ficaram contentes e se abraçaram e beijaram e saltitaram de alegria! E como já não tinham razões para medo. O homem não tivera uma hora de paz desde que os abandonara na floresta. Joãozinho saiu dali para fora como um pássaro da gaiola. Jacob Grimm e Wilhelm Grimm. acreditou que tinha sido o galo a caçar a lebre. estamos livres. precipitaram-se para dentro de casa e caíram nos braços do pai. exclamou Joãozinho. Desataram então a correr. verificou que o cavaleiro deixara cair uma mala. até eu caibo lá dentro. enquanto a nuvem de pó assentava. a bruxa velha morreu”. de repente. de Teresa Aica Bairos. “Não”. Assim acaba o conto e ali corre um rato tonto. “A abertura é suficientemente grande. Joãozinho pulou para as costas dele e disse a Margarida para se sentar a seu lado. marido. Somos Margarida e Joãozinho. de boca aberta. Leva-nos às costas para a outra margem. pendurou-os na figueira e espalhou-os pelo quintal. Juntava os galhos na beira da estrada quando. “Mas agora temos de ir”. “é demasiado peso para o patinho. quando finalmente se recompôs do susto. tinham caminhado umas duas horas quando chegaram a um grande curso de água.” Porém. Pegou nela. pela manhãzinha. Margarida disse: “Também eu vou levar alguma coisa para casa”. Trad. Não temos ponte. que coisa mais horrenda e atroz! Mas Margarida fugiu dali e a bruxa endemoninhada morreu miseravelmente queimada. correu que nem uma flecha para Joãozinho. disse Joãozinho. ainda receoso. “mas vai ali um pato branco. não temos passagem.

Mas o juiz não se deu por convencido. O juiz começou a rir-se e tornou a perguntar-lhe: – Mas em que dia é que foi isso? – Olhe. seleciona “construir a estrutura casa”: o cursor transforma-se numa pré-visualização do edifício – arrasta-a para um local da tua preferência e clica para o fixares”. clica em “Tutorial II”. dizendo que perdera uma mala perto do sítio onde morava o casal. Foram então buscar a mulher e o marido logo disse: – Ó senhor doutor juiz. o juiz mandou-a em paz e o pobre camponês ficou com a riqueza toda. clicando para acederes à informação detalhada sobre ele e as opções que permite. clica em cima delas ou clica e arrasta para selecionares várias ao mesmo tempo. senhor juiz. Mas o homem rico teimava que era aquele o local onde perdera a mala. Convencido de que a mulher era tonta. o primeiro jogo de estratégia em tempo real feito em Portugal. num cenário medieval inspirado na nossa História. Quando o edifício ficar completo. clica num ponto vazio depois de as selecionares. senhor juiz? Meu marido escondeu essa mala na arca que está à entrada da casa.74 Etapas 6 | Guia do Professor O marido foi ver os chouriços. olhe que a minha mulher é esparvoada e não diz coisa com coisa. Texto das Autoras . Mandou-a entrar na sala do tribunal e perguntou: – Então vossemecê deu conta de uma mala ter aparecido perto de sua casa? Ao que ela retorquiu: – Então não havia de dar. Aqui estão algumas dicas para começares a jogar: Para selecionares as personagens. quando aparecer o menu de construção na barra inferior. Olhe. Entretanto o homem rico fora queixar-se à justiça. sim. Pergunta-lhe o juiz: – E lembra-se em que dia foi? – Lembro. seleciona-o. Para prosseguires para mecânicas mais avançadas. Seleciona a personagem “Camponês” e. foi naquele dia em que o meu galo caçou uma lebre. Contos e lendas de Portugal e do mundo. mostrou-se admirado e pouco depois começaram a apanhá-los e a metê-los num cesto. vamos passar à construção de edifícios. foi na véspera daquela manhã em que choveram chouriços. senhor juiz. João Pedro Mésseder e Isabel Ramalhete. Para as moveres. O juiz mandou chamar o camponês e este declarou: – Eu cá não vi mala nenhuma. Agora que já sabes selecionar e mover as personagens. Ficamos por aqui nas instruções das mecânicas básicas do jogo. Porto Editora (2013) UNIDADE 5 Sequência 2 (Página 177 – áudio) Tutorial Portugal 1111 – À conquista de Soure Bom dia! Bem-vindo ao jogo “Portugal 1111 – À conquista de Soure”. Este guia serve para te orientar nas mecânicas básicas do jogo.

(Gulliver tira um porta-moedas de rede metálica.) GULLIVER – Não. todos à uma. onde vim parar quando o meu navio naufragou.. SAXOFONE – Nada de nada.) Entretanto.. (Dirigindo-se a Gulliver.. que ele devora. Não toca. António Torrado. Editorial Caminho (2005) Sequência 4 (Página 198– animação) II Ato – No Reino de Lilliput (O cenário é constituído por um palácio. tens aqui um balde cheio de água. Nem um suspiro. Mais instrumentistas se queixam dos ouvidos. Não sai som. estou desgraçada! GULLIVER (fazendo um cumprimento) – Eu não faço mal a ninguém! Vocês é que me podiam ajudar. Os outros instrumentistas olham-no. Não toca. já me sinto melhor.. (Empunhando a flauta... Anda. Não toca. CELESTINO (regressando) – A flauta que estava guardada é igual à outra. depois.) Mostra o que guardas nas algibeiras. LILIPUTIANO I – Ai que horror! O Homem-Montanha! LILIPUTIANA (correndo) – Deixa-me fugir! Se me pisas. é uma rede de pesca! E tem lá dentro duas mós de moinho de ouro! (Apontam para as moeda. Despacha-te. à volta.) GULLIVER (para as crianças) – Este é o reino de Lilliput. Arrancar! O Bombardino esforça-se. também não queremos que passes fome. MAESTRO – Irra e mais irra e mais irra. Entra o Bombardino. Tudo isto deve estar colocado sobre um plano alto para não ser necessário Gulliver encarar as anões baixando-se muito e ser possível manipular marionetas ou fantoches por trás do cenário. acompanha-o o Trompete e.) Um e dois e.. Não dá som.. como se fosse a batuta. Vários instrumentistas metem os dedos nos ouvidos. Estou cá com uma fraqueza.) GULLIVER – Nem me tapa o buraco dum dente! Eu comia à vontade vinte bois! (Os liliputianos trazem-Ihe alimentos em miniatura. a partir do Bombardino..Transcrições | Etapas 6 Sequência 3 (Página 190 – áudio) MARIA BENAMOR – Há outra flauta. muralhas.) LILIPUTIANA (voltando atrás) – E um pão com queijo. TROMPETE (experimentando-a e sacudindo-a) – Está inutilizada. (Gulliver engole o pão como se fosse um comprimido. Ao lado da plano alto.) GULLIVER – Ai. e exibe-o...) LILIPUTIANO 1 – Ah. à esquerda de quem entra. segunda página ao alto. vezes trinta. De qualquer forma. Deixou de tocar e também me doem os ouvidos. (Gulliver engole-a com sofreguidão e pede mais. e uma sede. uma paisagem em miniatura. (Celestino sai. com algumas moedas. vezes cinco. TROMPETE – O meu também não. MAESTRO – Irra e mais irra e mais irra. REI (chegando à varanda do palácio) – Não há dinheiro que chegue para matar a fome a este gigante.. Vamos lá ver se ele tem alguns bens que nos dê em troca. há um braço de mar com barquinhos. isto é apenas a minha bolsa! 75 . nós vamos ensaiar para a frente. Até me doem os ouvidos de tanto soprar.. na primeira gaveta a contar de cima. Gulliver tem sempre de se baixar extraordinariamente para falar com os interlocutores. MAESTRO (para Celestino) – Vai buscá-la. LILIPUTIANO 2 (carregando um dedal) – Toma.. Toca e foge ou a flauta mágica. Que temos agora? BOMBARDINO – Está entupido. casinhas de bonecas e. Estão a ver? Atenção. Incitam-no. como que a desentupi-los. no vestiário.

Nesta terra não é assim que se faz um juramento. (Gulliver faz uma vénia ao rei e ajoelha-se diante dele. os poderosos senhores de Lilliput. retesa os músculos. desmaiados. já me esquecia.) GULLIVER – Ah. Faz de conta. Os Liliputianos procuram em vão abri-la. (Endireita-se.) LILIPUTIANO I – Que grande corrente! Dava para nos prender a todos! Ajudem-me. (Toma uma atitude que consiste em conservar o artelho na mão esquerda e colocar o dedo grande da mão direita no alto da cabeça e o polegar na ponta da orelha direita.) REI – Que arma é essa.) Mui poderoso imperador. que fico surdo com este barulho infernal. (Todos puxam. que não tem balas. (Gulliver encosta o relógio ao ouvido do Rei. se queres viver entre nós. delícia e terror do Universo.76 Etapas 6 | Guia do Professor LILIPUTIANO 1 – Que mais tens? (Gulliver apresenta uma cigarreira. ajudem-me a puxá-la.) LILIPUTIANO 2 – E no colete. GULLIVER (trocista) – Ai.. pousando-a junto ao Rei. (Gulliver encara-o de frente e depois beija-lhe a mão. (Gulliver ri-se. Deve ser a maior joia do mundo..) (Gulliver pega no relógio e dá-lhe corda. Consulto-o a toda a hora.. (O Rei exprime por gestos a sua irritação. mostrando para que serve o pente. prepara-se para o combate.. REI – Deixa-me ver bem a tua cara. magnífico soberano. (Gulliver ri-se e dá-lhes o relógio.) GULLIVER – Estou às vossas ordens. estou às vossas ordens.) REI (todo emproado) – Homem-Montanha. O deus a que ele obedece. (Os liliputianos caem todos. que os matei com o susto! (A pouco e pouco. Gulliver aproxima-se da torre e um dos liliputianos começa a puxar-lhe pela corrente do relógio. não somos para brincadeiras. REI – Falaste em brinquedos? Olha que nós. O Rei assoma à varanda. não? REI (mostrando um ovo de avestruz de Lilliput) – Estamos em guerra com os nossos inimigos porque eles insistem em partir os ovos pela ponta mais estreita. Penteia-se.. ) GULLIVER (puxando de duas pistolas) – E isto. GULLIVER (disparando para o ar) – Não se assustem.. Aproveita para espreitar para dentro do palácio. GULLIVER (pegando num ovo e dirigindo-se às crianças) – Por uma coisa destas se declara uma guerra! E pedem-me que entre nela. Gulliver colabora e na ponta da corrente aparece um relógio a baloiçar. que entrega também. Todos se afastam com receio. sabem o que é? LILIPUTIANO 1 (observando) – São duas torres de metal… LILIPUTIANO 2 (espreitando por um dos buracos) – Que escuridão! Deve ser um túnel onde se esconde algum monstro.. LILIPUTIANO 1 – Deve ser um objeto sagrado. com mais de vinte espetos? Deve ser para matar um batalhão de uma só vez. GULLIVER (à parte para as crianças) – Esta amostra de gente considera-se o máximo.) .) LILIPUTIANO 2 – Ai que peso! Que cofre tão forte! REI – Vem já para o meu tesouro! (GuIIiver entrega a cigarreira. GULLIVER – É por ele que me guio. jura fidelidade ao mais poderoso imperador do universo.. quando o meu avô decretou que se devem partir pela ponta mais larga.) GULLIVER – Ai.) LILIPUTIANA – Que objeto mais estranho! É reluzente.) GULLIVER (para as crianças) – Isto parece um mundo de brinquedos. que tens? (Gulliver tira um pente.) REI – Ai. as criaturinhas voltam a si. Vou fazer-lhes a vontade. após várias tentativas de os liliputianos lho tirarem. Deve ser um animal que ronca assim: tic-tac. tic-tac.

A poetisa Safo. com uma bisnaga. Mas. A partir de então. só tu nos podes salvar! (Gulliver vira-se de costas para o público e. vejam só o que aconteceu depois! (Veem-se luzes vermelhas a acender no palácio real. rindo. dançam de contentamento.. deixara exatamente esta parte do corpo vulnerável. (Solta um grito de guerra e. Era um guerreiro perfeito! Acabou por morrer na Guerra de Troia ao ser atingido por uma flecha envenenada no seu tendão posterior da perna. uma cidade grega e é filho de Tétis (deusa grega do mar) e Peleu (rei dos mirmidões). Nasceu em Téfis. a mãe de Aquiles tê-lo-ia mergulhado. agitam bandeiras. Luísa Ducla Soares. devem ter achado que o senhor era um herói fantástico! GULLIVER – Nem sempre. Os liliputianos aplaudem. aflitos. passado pouco tempo. finge urinar para cima do palácio.) LILIPUTIANOS – Ai. na língua portuguesa. Após tornar-se adulto foi um grande guerreiro e participou.) LILIPUTIANOS – Fogo! Fogo! E o palácio real a arder. em várias batalhas. calcanhar de Aquiles significa o ponto fraco e vulnerável de alguém ou de alguma coisa. puxa os barquitos com uns cordéis que correspondem a grossos cordames de navios. Segundo lendas antigas. As luzes vermelhas apagam-se..) GULLIVER (gritando) – Já vou! Contem comigo! (Gulliver gritando pega em vasilhas minúsculas com água para apagar o fogo.) GULLIVER – Achei melhor fugir dali e voltar para a minha terra. Civilização (2001) UNIDADE 6 Balanço das Aprendizagens (Página 213 – áudio) Aquiles é um dos mais famosos heróis gregos. Texto das Autoras 77 . de um lado para o outro. nas águas do rio Estige (rio que dava sete voltas ao inferno) para protegê-lo de qualquer mal que lhe pudesse acontecer. Porém. Adaptação livre de As viagens de Gulliver de Jonathan Swift. imortalizou-o principalmente ao citar. conforme diz a lenda. ainda recém-nascido. consegui apagar o fogo! REI (à janela) – É punido com pena de morte quem urina no palácio real! (Gulliver sai do palco e vai para junto das crianças.) GULLIVER (aproximando-se dos espetadores) – Que tal? MARIA (entre os espetadores) – Ah. Tornou-se famoso pela sua bravura e pela sua força. por várias vezes. junto com outros heróis e príncipes da Grécia. na altura do calcanhar – a única parte do corpo desprotegida. fiz-me novamente ao mar e sabem onde fui ter? Vejam se adivinham. que vamos todos morrer queimados! Salva-nos Homem-Montanha.) GULLIVER – Que bom. Já vão ver como dou cabo dela num instante.Transcrições | Etapas 6 GULLIVER – Além está a esquadra inimiga. da sua época. (Os liliputianos correm. nos seus versos a expressão Calcanhar de Aquiles. ao segurá-lo pelo calcanhar.

Assim fizeram.78 Etapas 6 | Guia do Professor Sequência 2 (Página 214 – áudio) Lá iam a caminho de Ítaca.. Mas era tarde. Começaram a explorar a ilha. e sei isso muito bem.. resolveram sair e ir apanhar alguma fruta fresca. Mas antes de saírem. E de tal maneira que se acaso obrigassem o navio a seguir a direção que pretendiam. Já iam longe de tudo. – Devoradores de homens?! – gritaram os marinheiros. este corria o risco de se virar. tivemos uma sorte espantosa! – Uma sorte espantosa?! – admiraram-se os marinheiros. e como realmente não aparecesse ninguém por ali. viemos parar à Ciclópia. o que era quase inevitável. De súbito começaram a notar que o navio estava a ser arrastado por uma estranha corrente submarina que os ia levando para onde eles não queriam ir. – Sim. as pedras. Chegaram à gruta e lá dentro respiraram. meus amigos. Assim fizeram. é ciclópico: os animais. Edições ASA (2011) . que. Então Ulisses decidiu: – Não vale a pena resistirmos agora. se não me engano. A certa altura. – Olhem. às ilhas da Ciclópia. sentado num rochedo altíssimo. mesmo de encontro ao desconhecido. mas acalmem-se. depois de terem subido uma pequena colina. Deixemo-nos ir nesta corrente. – Sim – explicou Ulisses. Ulisses lembrou que era melhor levarem um pequeno barril de vinho que traziam no navio. Começaram a avistar terra: era uma ilha onde o navio calmamente aportou. cabras e carneiros. Ulisses. pois se tentassem voltar para trás e o ciclope os visse. beber água pura! Aventuraram-se também a percorrer a ilha deserta. nem um bocadinho se lhes aproveitava! Esconderam-se então no meio do rebanho. pois o ciclope não os tinha pressentido. Ulisses olhou em volta e de repente deu um grande grito: – Ai. existem? (…) Maria Alberta Menéres. – Aqui é realmente o arquipélago da Ciclópia.. E o pior de tudo é que avistaram mesmo no meio do rebanho. quiseram fugir. que nem deu por eles. Agora pergunto-vos eu: E os ciclopes.. Pelo menos por uns tempos estavam a salvo. porque esta é a única ilha desabitada. como é hábito os pastores fazerem de palhinhas. onde nós viemos parar! – Onde foi? Onde foi? – perguntaram os marinheiros. um ciclope formidável! Ele estava tão entretido a aparar um tronco de árvore para fazer uma flauta. e que são devoradores de homens. Mas esperem. espavoridos. para lá se dirigiram todos rastejando com muita cautela para o monstro não os ver. pelo mar fora. Os seus habitantes são os ciclopes. Aí já a corrente misteriosa abrandara. aflitos. e como reparassem que ali ao lado havia uma entrada de uma gruta enorme. as plantas. espécie de gigantes com um só olho no meio da testa. pois podia apetecer-lhes. Já aqui passei uma vez ao largo.. Mas a corrente não abrandava nunca.. Tudo neste lugar é gigantesco.. e quando ela abrandar retomaremos o rumo de Ítaca. vencendo vento e vento através de onda e onda. todos contentes e cada vez mais descansados. ao descerem a vertente do lado de lá viram-se de repente no meio de um enorme rebanho de ovelhas. Aumentava aumentava aumentava.. Todos sossegaram então um pouco. Apavorados.

Mal raiou o dia. que reluziam como moedas de prata acabadas de cunhar e lhes indicaram o caminho. puseram-se todos a caminho da floresta. A mulher embrenhou-os ainda mais pelo bosque dentro. onde eles ainda nunca tinham estado na vida. (…) Em seguida. Joãozinho levou a irmã pela mão e seguiu o caminho dos seixos. Caminharam toda a noite e ao nascer do novo dia chegaram a casa do pai. pois os milhares de pássaros que voam pela floresta e pelos campos já os tinham comido. Mas não era um machado. ainda o Sol não tinha bem nascido. No caminho para a floresta Joãozinho esmigalhou o seu pão no bolso. nascido. E. viram um bonito pássaro branco como a neve pousado num ramo… Seguiram-no até que chegaram a uma casinha… feita de pão e coberta de bolos…    Puseram-se a caminho quando apareceu a lua. cansaço junto e adormeceram. Desataram então a correr. como escutavam golpes de machado. (…) Em seguida. precipitaram-se para dentro de casa e caíram nos braços do pai. e sim um ramo que o pai tinha atado a uma árvore envelhecida e que o vento baloiçava para trás e para a frente. pelo meio-dia. pelo meio-dia. julgavam que se tratava do pai que estava por perto. mas já não encontraram quaisquer pedacinhos de pão. Mas    Quando surgiu a lua cheia. A velha estava a fazer-se muito amiga. houve de novo fome e miséria por toda a parte… Agora já tinham passado três dias que tinham deixado a casa do pai… estavam cada vez mais a embrenhar-se na floresta. … depois de caminharem um bocado. a mulher levantou-se e acordou os dois irmãos. mas era uma bruxa má que se punha à cata de crianças… 79    . puseram-se todos a caminho da dois floresta. julgavam que se tratava do pai que estava por perto.     Ao meio-dia. cada um deles comeu o seu naco de pão. E como os se deixaram ficar ali longo tempo sentados. E.Transcrições | Etapas 6 Sequência 4 Oralidade – Cartas de Jogar (Página 158) Joãozinho levantou-se e foi à rua apanhar seixos brancos. a floresta começou a parecer-lhes mais conhecida e familiar até que finalmente avistaram a casa do pai à distância. a mulher levantou-se e acordou os dois irmãos. detendo-se com frequência e atirando pequenos pedacinhos para o chão. Joãozinho e Margarida sentaram-se junto à fogueira e. cada um deles comeu o seu naco de pão. Não muito tempo depois. as Joãozinho Margarida pálpebrasecerraram-se-lhes de sentaram-se à fogueira e. como escutavam golpes de machado.