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Revisão
Bibliográfica

2.1 Introdução
O tema “Aterramentos Elétricos” tem sido investigado ao longo dos anos por
pesquisadores de várias partes do mundo. A abrangência de sua utilização, comprovada
em diversas áreas da Engenharia Elétrica, traz consigo a necessidade do entendimento de
seu comportamento diante dos mais variados tipos de solicitações elétricas.
A diversidade de parâmetros envolvidos nesse estudo, sejam estes relacionados à
configuração dos condutores (parâmetros geométricos), ao solo, ou mesmo ao fenômeno
de propagação da onda eletromagnética no meio, acabou por gerar um grande número de
trabalhos que abordam o tema, os quais consideram tais parâmetros separadamente ou
em conjunto. Como exemplos de diferentes abordagens do tema proporcionadas pela
variação dos parâmetros geométricos, pode-se citar o estudo dos aterramentos
concentrados, dos aterramentos distribuídos, e da combinação destes. Já o estudo do solo,
além de abordar parâmetros como a resistividade, permissividade, permeabilidade, e a
variação de alguns destes em função da frequência, requer também considerações
adicionais relativas à sua estratificação em camadas e à sua ionização devida à passagem
de altas intensidades de corrente. Por fim, o estudo da propagação de onda num meio,
inclui, dentre outras coisas, a análise de fenômenos como distorção e atenuação da onda, e
do acoplamento eletromagnético entre as partes condutoras.

Na primeira apresenta-se os estudos que trataram de configurações genéricas de aterramentos frente a fenômenos impulsivos. Os trabalhos mais antigos preferem considerar os aspectos físicos envolvidos. e acoplando a análise física do comportamento do aterramento e a sua modelagem. No início da década de 40. Além disso. a seguir. e partem de realizações experimentais. quando encarada com a relação entre os valore instantâneos de tensão e corrente. Mais recentemente. Trabalhos posteriores abordam a questão da modelagem dos aterramentos elétricos. entre outras coisas. não apresentar um valor constante. os diferentes enfoques com relação ao tema. 4] muito interessantes. tratando o tema segundo a consideração de um número maior de variáveis. o qual foi analisado através da variação da impedância de aterramento em função do valor de pico da onda de corrente injetada. através de deduções analíticas. É interessante notar nos trabalhos. uma breve citação dos principais trabalhos relacionados ao tema. introduzidos pela utilização do computador. Para fins de objetividade com relação ao assunto de interesse. Apresentou também análises importantes. com a possibilidade de processamento de dados e cálculos matemáticos em alta velocidade. divide-se tal citação em duas partes. apresentou gráficos e tabelas ilustrando algumas relações. ponto a ponto no tempo. nos quais apresentou resultados da aplicação de ondas impulsivas e senoidais (60 Hz) em hastes verticalmente enterradas no solo. Alguns anos depois. o fenômeno da disrupção no solo. para diferentes valores de pico da onda impulsiva de corrente. 2. Atentou para o fato da impedância de aterramento. em 1945. Bellaschi et allii publicou dois trabalhos experimentais [3. que consideraram. apresentou expressões para o cálculo da resistência de aterramento . como a da impedância impulsiva de aterramento em relação à resistência em baixa frequência. Rüdenberg [5] publicou um trabalho no qual. apresenta-se especificamente os trabalhos relativos ao estudo dos sistemas de aterramento de linhas de transmissão quando submetidos a descargas atmosféricas. os trabalhos apresentam-se mais completos. Na segunda. ao longo dos anos.2 Trabalhos que Tratam Genericamente do Tema “Aterramentos Elétricos”.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 7 Apresenta-se.

como a variação dos parâmetros do solo com a frequência. ou. tratou basicamente dos mesmos aspectos. de expressões matemáticas. desenvolvidas na forma de circuitos elétricos. os quais muitas vezes dedicaram-se a investigar apenas aspectos em separado. e fez considerações da relação entre o valor dessa impedância e a resistência de aterramento em baixa frequência. fez considerações sobre a necessidade de se estudar não só a resistividade do solo. e o fenômeno de disrupção do solo. enfocaram o comprimento efetivo dos eletrodo de aterramento. É interessante notar o conteúdo desses trabalhos que datam da década de quarenta. em 1978 e depois em 1980. Gupta e Thapar [8. ou mesmo utilizando a teoria de campo. contribuindo assim de maneira significativa para os trabalhos posteriores. dentre outras coisas. utilizou o conceito de impedância de aterramento como sendo o valor da relação entre os valores de pico das ondas de tensão e de corrente. Além disso. A década de 80 inicia-se com a publicação de um trabalho de Takashima et allii [10]. a qual é responsável pela existência da corrente de deslocamento. Por fim. apresentaram trabalhos os quais. Essas modelagens. o comprimento e área efetiva do aterramento. de linhas de transmissão. mas também a sua permissividade elétrica. 11]. contudo relacionados à impedância de malhas de aterramento. propôs modelos simplificados na forma de circuitos elétricos para descrever o comportamento do aterramento em tais circunstâncias. O primeiro deles. no caso de malhas de aterramento. Os trabalhos que se seguiram apresentam uma preocupação pronunciada em modelar o aterramento para fenômenos de frequências representativas elevadas e que envolviam altos valores de corrente. Além disso. sua área efetiva. mas também aspectos particulares. tecem uma série de observações e considerações muito consistentes sobre o tema.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 8 em baixa frequência de várias configurações. dada a grande quantidade de variáveis envolvidas. O segundo trabalho. visaram não só o aterramento como um todo. que . em relação ao comportamento do aterramento quando submetido a solicitações de alta frequência. e a indutância dos eletrodos. em 1978. preocupou-se em modelar o eletrodo como indutâncias e admitâncias distribuídas. Apesar de não considerarem com exatidão todos os parâmetros. em 1980.

Oettlé realizou um trabalho [14] no qual considerou a variação dos parâmetros do solo em relação à frequência. . Já apresentando resultados derivados da utilização de recursos computacionais. Loboda e Pochanke [19] apresentaram a evolução de tal estudo. fazendo considerações sobre o comprimento efetivo do aterramento. A formulação dessas questões representaram um passo importante que foi utilizada em seus trabalhos posteriores. Em 1981. e também os efeitos de propagação da onda eletromagnética pelo solo. Kosztaluk. Um ano mais tarde. Loboda e Mukehedkar [12] utilizaram resultados experimentais de investigações acerca do comportamento do aterramento submetido a correntes impulsivas de alta intensidade. O princípio da similaridade também norteou Chisholm et allii. segundo a mesma linha de pesquisa. gerando assim uma série de estudos que apresentam modelos computacionais que tentam ampliar os parâmetros que estão envolvidos no processo.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 9 se utilizaram do método das imagens para investigar a característica em alta frequência do aterramento e para saber a distribuição de campo na região em torno dos eletrodos. apresentou novo trabalho [16] no qual estuda os aterramentos concentrados segundo o princípio da similaridade e considera o conceito de comprimento efetivo do aterramento. para gerar circuitos equivalentes. Meliopoulos e Moharam apresentaram. em 1989. Em 1990. Visacro e Portela [15. 17] apresentaram dois trabalhos que consideraram de forma bastante completa a variação da resistividade do solo em relação à frequência. em trabalho similar [18]. em 1983 um trabalho [13] no qual utilizaram o método de elementos finitos para modelar eletrodos de aterramento como linhas de transmissão. Em 1987 e 1988. Em 1986. permissividade e permeabilidade do solo. A década de 90 é marcada pela apresentação de trabalhos que utilizam de forma sistemática o computador. Enfocaram especialmente o caráter não linear de seu comportamento. Fez considerações em relação à corrente de deslocamento e aos parâmetros resistividade.

que modelaram o aterramento como uma linha de transmissão e utilizaram programa de simulação no domínio do tempo para estudá-la. Estão inseridos neste último caso os trabalhos de Loboda e Pochanke [19]. modelando o aterramento como uma linha de transmissão e a disrupção por elementos discretos de circuito. São trabalhos experimentais e teóricos muito interessantes. . que em 1992 apresentaram modelagem de aterramento no domínio da frequência. em 1994. em 1993 e 1995. deve-se citar Visacro e Portela [20].3 Trabalhos que Tratam Especificamente do Tema “Aterramentos de Linhas de Transmissão Frente a Descargas Atmosféricas” Acompanhando os trabalhos anteriormente citados. Desenvolveu realizações experimentais nas quais aplicou ondas impulsivas de corrente em cabos que se estendiam sobre a superfície do solo. os quais utilizaram programa computacional no domínio da frequência. 27]. Xiong e Dawalibi [23]. ao apresentar em seu trabalho [1] os resultados de uma séria de testes em campo para checar as teorias existentes sobre o tema. em 1995. alguns autores. 2. Visacro e Soares [24. e Radu Popa et allii [29]. Em 1934. Nesse trabalho. Menter e Grcev [25]. Com relação em específico aos trabalhos que utilizaram recursos computacionais para investigar o comportamento transitório do solo. através dos anos. suportados por pequenas estacas. e também em cabos enterrados paralelamente à superfície do solo. dedicaram-se especificamente a investigar o comportamento de configurações típicas de aterramentos de linhas de transmissão quando submetidos a descargas atmosféricas.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 10 Tiveram importância também os trabalhos relacionados ao estudo do comportamento não linear do solo quando da passagem de altas intensidades de corrente. que apresentaram em 1994 uma modelagem também no domínio da frequência. em 1992. que incluía seus resultados anteriores relativos à variação dos parâmetros do solo com a frequência e o fenômeno de propagação de onda no solo. que são brevemente apresentados a seguir. Bewley estabeleceu um marco na abordagem do tema. Bewley apresentou uma série de análises físicas muito interessantes. e Barros et allii [28].

finalmente. Algumas décadas mais tarde. sobre a velocidade de propagação da onda no solo. como seu comportamento não constante em função do tempo. desenvolveram um trabalho analítico no qual consideram as diferentes características dos aterramentos concentrados e distribuídos. sobre a influência dos cabos de energia nessa propagação e. Verma e Mukhedkar [9] representam o aterramento de linha de transmissão por meio de um modelo de linha de transmissão. no qual desenvolveu formulação analítica para equacionamento da condição de aplicação de uma série de ondas impulsivas e senoidais em eletrodos de comprimento finito e infinito. quando da incidência de descargas impulsivas. um trabalho [6] no qual apresentam modelos em forma de circuitos elétricos para os sistemas de aterramento distribuído. Para chegar a tal. Neste trabalho. em 1995. Em 1940. Liew e Darveniza [7] estudaram o comportamento dos aterramentos de linhas de transmissão segundo principalmente o fenômeno de ionização do solo. em 1973. No início da década de oitenta. Recentemente. que constituiu-se de parte experimental e parte analítica. Logo depois. Mais uma vez abordou-se o fenômeno da variação do comportamento da impedância em função do tempo. uma aproximação para a variação da resistividade e permissividade do solo com a frequência. desenvolvendo. Dentre outras coisas. assim. Modelos dinâmicos para o comportamento não linear de aterramentos concentrados frente a correntes impulsivas foram gerados. sua capacitância e indutância. expressões analíticas para a impedância de aterramento em função do tempo. em 1974.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 11 colocando em foco questões que se mostram fundamentais até o momento. Visacro e Soares apresentaram um trabalho [26] específico sobre o aterramento de linhas de transmissão. Sunde [2] apresentou um trabalho teórico. os autores consideraram a adoção . colocados no solo. Devegan e Whitehead publicaram. e o efeito de ionização do solo. fez considerações sobre o comprimento efetivo do aterramento. considerou a impedância de aterramento segundo alguns aspectos particulares. modela o fenômeno de disrupção como uma redução da resistividade do solo circunvizinho ao eletrodo. Este trabalho.

. para fins de estudo de transitórios associados ao desempenho destas frente a descargas atmosféricas.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 12 da impedância impulsiva de aterramento (relação entre os valores de pico das ondas de tensão e corrente) como uma representação simplificada para a impedância de pé de torre das linhas.