Para além das teorias reprodutivistas...

Para além das teorias reprodutivistas da
educação: uma abordagem sócio-filosófica
Beyond education reprodutivist theories:
a socio-philosophical approach
Eliesér Toretta Zen
Coordenadoria do EMJAT do Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo
Av. Vitória 1729, Jucutuquara, Vitória-ES, 29040-780
e-mail: elieserzen@cefetes.br
Aceito em 20 de janeiro de 2007

RESUMO
O texto tem como finalidade suscitar uma reflexão sobre o papel da educação na sociedade, tendo como interlocutor as
teorias da educação sistematizadas pelos seguintes pensadores: Durkheim, Parsons, Dewey, Mannheim, Bourdieu Passeron, Althusser e Gramsci.
Palavras-chave: Educação e sociedade capitalista. Reprodução ou transformação.

ABSTRACT
The text aims at suggesting a reflection about the role of education in society, having as interlocutor the theories of education systematized by the following thinkers: Durkheim, Parsons, Dewey, Mannheim, Bourdieu Passeron, Althusser and
Gramsci.
Key-words: Education and capitalist society. Reproduction or transformation.

A educação como reprodução da sociedade
capitalista

Nesse sentido, a escola surge como um antídoto à
ignorância, ou seja, como um instrumento para equacionar o
problema da desigualdade social. É nesse contexto que pode-

A constituição dos chamados “sistemas nacionais de en-

mos situar, por exemplo, o pensamento sociológico de Émile

sino” data do início do século passado. Sua organização inspirou-

Durkheim (1858-1917). Para Durkheim (1), a sociedade pre-

se no princípio de que a educação é direito de todos e dever do Es-

valece sobre o indivíduo. A sociedade é, para esse autor, um

tado. O direito de todos à educação decorria do tipo de sociedade

conjunto de normas de ação, pensamento e sentimento que não

correspondente aos interesses da nova classe que se consolidava

existem apenas nas consciências dos indivíduos, mas que são

no poder: a burguesia. Tratava-se, pois, de construir uma sociedade

construídas exteriormente, isto é, fora das consciências indivi-

democrática, de consolidar a democracia burguesa. Para superar a

duais. Em outras palavras, na vida em sociedade, o indivíduo

situação de opressão, própria do período medieval e ascender a um

defronta-se com regras de conduta que não foram diretamen-

tipo de sociedade fundada no contrato social celebrado livremente

te criadas por ele, mas que existem e são aceitas na vida em

entre os indivíduos, era necessário vencer a barreira da ignorância.

sociedade, devendo ser seguidas por todos. Sem essas regras,

Só assim seria possível transformar os súditos em cidadãos, isto é,

a sociedade não existiria, e é por isso que as pessoas devem

em indivíduos livres porque esclarecidos, ilustrados.

obedecer a elas. Seguindo essas idéias, Durkheim (1) afirmará

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Revista Capixaba de Ciência e Tecnologia, Vitória, n. 2, p. 44-49, 1. sem. 2007

Revista Capixaba de Ciência e Tecnologia. e como sempre foram. vos e generalizadores. do todo social. ou seja. Nesse sentido. Exteriores. normas e regras devem ser seguidas pelos membros da as gratificações e diminuir as privações. de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo e dotadas de um poder coercitivo em virtude do qual se lhe impõem. zação de valores e princípios necessários à manutenção da ordem O indivíduo. do com que aprendam as regras necessárias à organização da Dewey (4) concebe a educação como uma doutrina pedagógi- vida social. Somente por Esses fatos sociais têm três características básicas que permitirão sua identificação na realidade: exteriores. moderna onde há uma solidariedade por diferenciação e não mais por semelhança. tanto Durkheim (1) quanto É justamente a educação. Segundo Gomes (3). Outro grande pensador que reafirma o caráter socializa- normas ou regras de conduta que não são criadas isoladamente dor da educação é Talcott Parsons. Este por sua vez conce- punido. coerciti- meio dessa modificação substancial na natureza humana é que a sociedade é possível existir enquanto tal. Mais tarde. normas e regras se aplicam a todas as pes- destrutivas do indivíduo e garantir assim o equilíbrio e harmonia soas da sociedade. porque essas o indivíduo quanto a sociedade se beneficiam. o grupo social é perpetuado. afirma Durkheim: (1) sociedade não são percebidas como diferenças geradas histórica e socialmente pelo próprio sistema social estabelecido. uma clara justificação das desigualdades sociais por meio da ideologia dos dons naturais ou aptidões (meritocracia). Desde os primeiros tempos de sua vida que a obrigamos a comer. segundo ele. que o habilita a viver em sociedade aceita pelos indivíduos que se admitem e aceitem como dife- dando prioridade às necessidades do todo social. Vitória. é certas exigências impostas pelo sistema. 44-49. pelo resto do grupo. Para ambos. Se isso não acontece. A educação na pers- por Durkheim (1) e Parsons (2) de caráter extremamente formal pectiva de Durkheim é um fato social e como tal se impõe e conservador. n. não o da igual- o sistema social em que vive. 1.Zen. a educação é um processo por meio do qual o egoísmo pessoal é superado e transformado em altruísmo. portanto existe entre os membros dessas sociedades um tipo de solidariedade fundada na semelhança entre as pessoas. Com isso. de ao indivíduo certas gratificações para atenuar as tendências porque essas idéias. integrando-se e solidarizando-se* com Dewey (4) é o da igualdade das oportunidades. Educação não se reduz aos valores e normas formulados cisa ser moldado para a vida societária. apresentava uma natureza egoísta. As gerações adultas transmitem às crianças e aos ca específica da sociedade democrática. as democrá- (1) parte do pressuposto do homem como ser egoísta que pre- ticas. A fim de aumentar idéias. A solidariedade orgânica é característica da sociedade industrial. as conveniências. se alguém desobedece a elas. de alguma forma. 2007 45 . à obediência. as regras e normas coletivas. a educação desempenha um papel as normas de conduta necessárias para a vida em sociedade. que os fatos sociais. O modelo democrático do qual fala frerá a ação educativa. nesse modelo societário. decorrentes das diferenças naturais entre os homens. não nasce sabendo previamente social vigente. Parsons (2) insere no caráter pelos indivíduos. obrigamo-la a ter em conta os outros. Segundo Dewey (4). depois de educado. mas um mecanismo de imple- morte dos indivíduos. Portanto. fundamental na preservação e perpetuação da sociedade. a dormir. mas foram criadas pela coletividade e já exis- socializador da educação uma troca de equivalentes. antes das ne- rentes quanto a certos dons da natureza. para Durkheim (1). um caráter coletivo. em que tanto tem fora de nós quando nascemos. O indivíduo que originalmente dade entre os homens. mas está indissociavelmente ligada aos valores coercitivamente ao indivíduo que para o seu próprio bem so- e normas da democracia. é que orientam a vida dos indivíduos em sociedade: Aqui está uma ordem de fatos que apresentam características muito especiais: consistem em maneiras de agir. etc. a trabalhar. 2. adquire Essa igualdade das oportunidades é reconhecida e uma segunda natureza. salta aos olhos que toda educação consiste num esforço contínuo para impor à criança maneiras de ver. apesar da de estruturas sociais anteriores. tendo. um dos exemplos prefe- Parsons (2) defendem a concepção de educação como a sociali- ridos por Durkheim(1) para mostrar o que é um fato social. a respeitar os usos. toda sociedade tem de educar seus membros. porque consistem em idéias. o indivíduo se sujeita a sociedade. Há. Coercitivos. portanto. sem. que beneficia a sociedade. Durkheim distingue dois tipos de solidariedade: a mecânica e a orgânica. Por isso. Solidariedade mecânica é própria das sociedades primitvas onde há pouca divisão do trabalho. fazen- Diferentemente de Parsons (2) e Durkheim (1). p. Generalizadores. T. As desigualdades na cessidades pessoais. de sentir e de agir às quais ela não teria chegado espon- * como justas. A concepção de educação de Durkheim mentação de estruturas sociais* ainda imperfeitas. taneamente. Quando reparamos nos fatos tais como são. E. mas Observe o modo que são educadas as crianças. a adolescentes aquilo que aprenderam ao longo de sua vida em educação não é simplesmente um mecanismo de perpetuação sociedade.

o homem é um ser condicionado pelas circuns- disposições para agirem de acordo com as normas e valores tâncias e facticidades da própria existência. Segundo Saviani (5). Para Saviani (5). Por meio da reprodução cultural. neira a torná-lo objetivo e operacional. a pedagogia nova afirmará justamente que: Inspirada nos princípios de racionalidade. de reprodu- rias educacionais expostas até o presente momento. A função da educação nesse contexto é de correção da marginalidade que deve contribuir para a construção de A educação como crítica reprodutivista uma sociedade em que todos se respeitem na sua individua- da sociedade capitalista. eficiência e produtividade. De acordo com Saviani (5): ria a ordem e a tranquilidade. Para isso ela toma a si todas as crianças de todas as classes sociais e lhes inculca durante anos a fio de audiência obrigatória saberes práticos envolvidos na ideologia dominante. não recebendo de forma passiva as das desigualdades sociais. de credo ou de classe. a escola contribui na reprodução das desigualdades sociais. Ambos possuem uma vi- alcançam a democracia educando seus membros nas regras são histórica de sociedade e do homem. isto é. o objetivo final de Dewey (4) e Mannheim (6) é a sociedade democrática harmoniosa. essa pedagogia advoga a reordenação do processo educativo de maneira a torná-lo objetivo e operacional. buscou reordenar o processo educativo de ma- Os homens são essencialmente diferentes. do jogo. Pela ação contexto social. (7) a educação dentro da sociedade capitalista de vista crítico. sem. lização dos indivíduos para uma sociedade racional. de reprodução das estruturas de (2) e Durkheim (1). enquanto violência simbólica formu- Revista Capixaba de Ciência e Tecnologia. e a segunda. p. não se repetem. podemos fazer algumas observações às teo- cumpre basicamente duas funções: a primeira. O aparelho ideológico escolar constitui o instrumento mais eficaz de reprodução das relações de produção capitalista. harmo- decorrente da divisão social do trabalho. Vitória. ca e com isso a possibilidade de mudança do contexto socie- O sistema educacional consegue reproduzir as rela- tário em que vivem os indivíduos. negam a dimensão históri- classes. Portanto.] a partir do pressuposto da neutralidade científica e inspirada nos princípios de racionalidade. Parsons ção cultural. n. Podemos afirmar que suas idéias serviram de base para a tendência pedagógica tecnicista. Um exemplo disso é a teoria do ensino. valores e normas democráticas desde o início da da análise e crítica da sociedade capitalista. por meio da reprodução ção do homem como ser histórico. 1. ou seja. portanto. ambos não diferem substancialmente da posição conservadora de Durkheim(1) e Parsons (2). baseada na apro- niosa. lidade.Para além das teorias reprodutivistas. eficiência e produtividade. A escola Para Gomes (3). ela influências da sociedade agindo e transformando-a. Segundo Bourdieu e mantida pelos próprios indivíduos que a compõe. de raça. 2. os desajustados e desadaptados de todos os matizes.. mascarando as “verdadeiras” causas das desigualdades sociais. Negam também a concep- ções sociais. A função da educação é a de reprodução é um ser que interage. democrática. Marginalizados são os anormais. (6) encontramos uma concepção Bourdieu e Passeron divergem (7) fundamental- política de educação segundo a qual as sociedades modernas mente desses teóricos anteriores. Se de pensamentos que nos criam os mesmos hábitos. os professores e os alunos ocupam lugares secundários. pretende-se a objetivação do trabalho pedagógico.. De modo semelhante ao que ocorreu no trabalho fabril. por outro lado.. 44-49. a reprodução social.. econômico e político no qual está inserido e educativa ou pedagógica. 2007 . 46 [. em que os conflitos e contradições encontram seus mecanismos de solução e canalização. em que reina- funciona como um aparelho ideológico de reprodução da ideologia da classe dominante. Partem. que por sua vez é controlada. Portanto. cada indivíduo é único. pre- por um lado. Em Mannheim. A educação na concepção tecnicista é concebida como um subsistema cujo funcionamento eficiente é essencial ao equilíbrio do sistema social de que faz parte.. a marginalidade não pode ser explicada pelas diferenças entre os homens. A característica vida do indivíduo. por exemplo. planejada priação desigual dos meios de produção. O elemento fundamental da pedagogia tecnicista é a organização racional dos meios. ou seja. as estruturas de classe. isto é. contribui especificamente para a reprodução social. Como um Aparelho Ideológico Escolar (AIE). da classe dominante. são impostos aos educandos sistemas sua possibilidade de ação e transformação do meio social. a pedagogia tecnicista: [.. quaisquer que elas sejam: não apenas diferenças de cor. Do ponto e Paseron.] a escola constitui o instrumento mais acabado de reprodução das relações de produção de tipo capitalista. A educação consiste no processo de socia- fundamental dessa sociedade é a sua estrutura de classes. da ideologia da classe dominante. que recebe influências do da cultura.

44-49. pois. pois analisa a história. apesar de desvelar o e o conjunto de mecanismos contraditórios a essa mesma he- caráter ideológico da escola como instrumento de dominação gemonia ou ação coercitiva. que o reforçamento da violência mate- nesse sentido.. afirma Bourdieu e Passeron: (7) Para compreender a contribuição de Gramsci (9) no sentido de repensarmos a educação. para Gramsci (9). Fernandes (10). pois têm a capacidade de re- rial se dá pela sua conversão ao plano simbólico em que se flexão. o movimento das relações en- na formação da opinião pública pela mídia. A distinção entre ambos assenta no fato de que o O bloco histórico é o conjunto da estrutura e da superestrutura naquilo que estas se mostram como um conjunto complexo. p. pela ideologia e. De acordo com reprodução das desigualdades sociais. pela repres- da atividade humana: a produção não material de um deter- são. são filósofos. A escola cumpre a função básica de reprodução pensamento educacional de Gramsci (9). Aparelho Repressivo de Estado funciona. vejamos a distinção das relações materiais e sociais de produção. contraditório e discordante e que se reflete no conjunto das relações sociais de produção. por dissimulação. Vê-se. propriamente simbólica. precisando desenvolver a produz e reproduz o reconhecimento da dominação e de sua consciência crítica. com clareza alguns de seus conceitos a respeito do mundo. em minado grupo social pode levá-lo a ultrapassar as condições lugar de instrumento de equalização social. o Aparelho Ideológico Escolar. Nesse sentido. necessitamos entender [. ele não vê nela nenhuma importância estra- to de partida que. acrescenta sua própria força. Vitória. numa faz. do homem e da sociedade. taca a dialeticidade entre as dimensões objetivas e subjetivas massivamente. 2. secundariamente. enquanto que. Segundo Althusser (8). Althusser (8) distingue no Estado os aparelhos repressivos de Estado e os aparelhos ideológicos de Estado. Todos os homens. secundariamente. um sistema de relações de força material entre grupos ou classes. elevará o seu grau de reflexão sobre si mesmo. O processo imposição arbitrária da cultura dos grupos ou classes domi- educativo é este: moldar-se do homem através da sua história. A concepção de homem. Assim. Sobre a base da força material e sob a sua determinação. Para melhor entendermos o seus interesses. sobre sua realidade e sua história. da sociedade. das relações materiais e sociais de produção. O homem. (7) Os autores tomam como pon- da classe burguesa.Zen. Concordamos aqui com Fernandes (10) quando des- inversamente. em potencial. por meio de sua consciência crítica. a violência material (dominação econô- pensada dissociada de sua concepção de homem e de socieda- mica) exercida pelos grupos ou classes dominantes sobre os de. a teoria Portanto. ou seja. os Aparelhos Ideológicos de Estado funcionam. o homem se define por aquilo que educação escolar. E. a essas relações de força. A socie- ideologia vem a ser a condição fundamental para a reprodução dade política é representada pela força coercitiva do Estado. constitui um me- de existência contribuindo para a transformação da realidade canismo construído pela burguesia para garantir e perpetuar objetiva. T. pela ideologia. A crítica que pode enquanto que a sociedade civil é a ação hegemônica do Estado ser feita a Althusser (8) consiste em que. especialmente. as concepções de homem e sociedade podem Ao analisar a reprodução das condições de produção ser ampliadas pelo entendimento de bloco histórico: que implica a reprodução das forças produtivas e das relações de produção existentes. pela violência e. todo poder que chega a impor significações e a impô-las como legítimas. para Gramsci (9). A ação pedagógica consiste. Portanto. na família e. giosa. O mesmo ele faz com as instituições sociais. sem. deve-se não deixa margem a dúvidas. Esta se manifesta de várias formas: concreta. lada por Bourdieu e Passeron. n. isto é. de pensar. as relações de força material. é portador da capacidade de filosofar que. Revista Capixaba de Ciência e Tecnologia. 2007 47 . massivamente. nantes aos grupos ou classes dominados. isto é. A educação como contra-ideologia: a pro- erige-se um sistema de relações de força simbólica cujo papel é posta de Antônio Gramsci reforçar. A reprodução da que ele faz entre sociedade política e sociedade civil. na pregação reli- tre os homens. nas atividades artísticas. portanto. legitimidade pelo desconhecimento de seu caráter de violên- A concepção de educação de Gramsci (9) não pode ser cia explícita. na Na concepção materialista. toda e qualquer sociedade estrutura-se como tégica como meio de libertação popular. 1. dissimulando as relações de força que estão na base de sua força. Ele é o produtor e o produto do seu trabalho. É uma categoria histórica lica (dominação cultural)..] todo poder de violência simbólica. a função da educação é a de entender o processo de produção. o trabalho. deve ser pensada grupos ou classes dominados corresponde à violência simbó- dentro de uma perspectiva histórica. para se compreender o processo educativo.

São Paulo: Autores Associados. Jonh. a ação pedagógica é entendida como um conjunto de relações hegemônicas que não podem se limitar à situação escolar. São Paulo: Companhia Editora Nacional. L. 2. em união com outras instituições sociais. por e a relação professor-aluno. Damasceno (11) reconhece o fato de adultos para a vida em sociedade. n. Revista Capixaba de Ciência e Tecnologia. ora hegemonicamente. minando o poder da ideologia dominante. desde a estru- traditórias da sociedade civil atuam como espaço de reação tura. simultaneamente. fundamento do sistema econômico qualidade que prepare nossas crianças. o reconhe- tam. Demerval. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. age e se manifesta na superestrutura. 1975. que seja uma escola includente. O Estado apresenta-se como mediador dos interesses da cimento desse direito. p. é necessário que ela não os ex- duas funções. 6. E. 2001. a sociedade ser um campo dinâmico: É possível negar que a educação seja um mero instrumento da classe dominante. PASSERON. As regras do método sociológico. (6) MANNHEIM. 1959.Para além das teorias reprodutivistas. na forma de uma pedagogia do oprimido. ed. até os conteúdos. 1970. E isso acontece no momento em que ela é 48 (2) PARSONS. 3. P. pode apoderar-se do aparelho ideológico escolar. (4) DEWEY. A escola nessa perspectiva não ficaria limitada a ser um instrumento a serviço da perpetuação da sociedade burguesa.14. as forças con- clua. Sociedades: perspectivas evolutivas e comparativas. A contra-ideologia. ed. (5) SAVIANI. 1994. . exemplo. se a educação não pode tudo. (S.15). Ideologia e aparelhos ideológicos do Estado. ou seja. aspecto considerado mais importante de sua obra é a relação ed. as metodologias.. 1978. Mas não basta que a escola mentos. J.13. (7) BOURDIEU. Vitória. podemos afirmar que a classe oprimida com ajuda dos intelectuais orgânicos (professores) pode lançar na sociedade civil sua contra-ideologia. procurando explicar a contribuição das práticas pedagógicas realizadas com a participação da classe trabalhadora para o movimento em busca da hegemonia desta classe que tem lugar na sociedade civil. Ou melhor. Podemos concluir que o Estado abrange os dois seg- ocupada pela classe trabalhadora. Nesse sentido. refuncionalizando-o a fim de divulgar uma nova concepção de mundo. jovens e de produção capitalista. mas visa à in- É por meio da escola que se dá a educação formal. 1995. uma contra-ideologia a serviço da classe trabalhadora. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. São Paulo: Nacional. Essa ótica de análise realça o caráter contraditório e dialético da sociedade e da educação. principalmente. a tão sonhada cidadania. Karl. sem. o (1) DURKHEIM. São Paulo: Pioneira Editora. aqueles que estão excluídos de todos os bens culturais e sociais.C. (9) GRAMSCI. o Estado deve garantir. 1971. ela pode e deve ser um instrumento a serviço da transformação da sociedade. 3. Para Gramsci (9). A concepção dialética da história. A escola. Sociologia da cultura. entre a sua concepção de educação e a análise que fez sobre a formação e função dos intelectuais num papel orgânico no seio do bloco histórico. Lisboa: Editorial Presença. ora coercitivamente. A política educacional. Entretanto. deve somar esforços no sentido de criar uma sociedade onde todos possam viver com dignidade e exercer. Escola e democracia. alguma coisa ela pode. 1. 1969. Alberto Cândido. A educação expressa um projeto político cuja meta fundamental consiste em elevar a formação das massas do nível de senso comum ao da consciência crítica ou filosófica. ou nas seja ocupada pelos excluídos. A escola como instituição social tem a classe dominante e esses interesses se concentram na base da obrigação ética de acolher a todos e assegurar uma educação de produção da mais-valia. Paulo): Perspectiva. de superação de valores e de mudança da história. adolescentes. na prática. Rio de Janeiro: CivilizaçãoBrasileira. Talcott. Antônio. 44-49. fra-estrutura. assegura a reprodução e ampliação do Sendo a educação um direito social e um direito subjetivo de capital e das relações de trabalho e de produção que o susten- cada ser humano. São Paulo: EPU. (8) ALTHUSSER. A educação em perspectiva sociológica. Segundo Fernandes (10) na sua concepção de escola. Gramsci (9) redimensiona o valor da escola como campo Referências de conscientização do processo social contraditório. 2007 . Necessitamos como educadores acreditar nesse relativo poder que a educação tem. (3) GOMES.. na prática. o sistema de avaliação contra a hegemonia do Estado. Como dizia Paulo Freire (12. Concluindo. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

(15) _________. E. T. Fortaleza. São Paulo: Paz e Terra. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 1. A importância do ato de ler: em três artigos. 49 . 1970. 2007 (12) FREIRE. 23 Revista Capixaba de Ciência e Tecnologia. (11) DAMASCENO. Vitória. 1997. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1991. Educação em debate. n.Zen. A relação trabalho/educação e a escola do trabalhador. Maria Estrêla Araujo. p. São Paulo: Cortez. 21/22./dez. Pedagogia do oprimido. (14) _________ . Gramsci e a formação de educadores: revendo a teoria Gramscista para melhor entender a proposta curricular do curso de Pedagogia da UFC. Maria Nobre.. (10) FERNANDES. p. 1997. 2. In. sem. p. 1989. 31-46. Paulo. n. Texto mimeogrado. 44-49. 1975. jan. Ação cultural para a liberdade. (13) _________.