NEOPLASIAS DO ESTÔMAGO

Adenocarcinomas gástricos
O adenocarcinoma é a neoplasia gástrica epitelial mais frequente, correspondendo a
95% dos casos. A distribuição na população mundial não é uniforme e, enquanto na maioria
dos países a incidência dessa neoplasia tem diminuído, em países como o Japão, China, Chile e
Irlanda as taxas permanecem altas. O adenocarcinoma gástrico tem uma forte relação com o
estado socioeconômico, sendo maior o risco de desenvolvê-lo nas classes mais inferiores. A
incidência é 2 a 3 vezes maior nos países em desenvolvimento e os homens são os mais
acometidos.
O principal fator de risco para o desenvolvimento do adenocarcinoma gástrico é a
infecção crônica pelo Helicobacter pylori. O ato de fumar também tem uma associação
comprovada com o desenvolvimento dessa neoplasia. Aproximadamente 17% dos
adenocarcinomas gástricos são causados pelo tabagismo. A dieta, apesar de ainda não
totalmente compreendida, também tem influência na oncogênese desse tumor, o que
explicaria as diferenças na distribuição geográfica dessa neoplasia. Os principais alimentos
envolvidos são aqueles com alta concentração de nitratos, como alimentos secos, defumados
ou salgados. Esse nitrato seria convertido em substancias canceríginas pelas bactérias. Outros
fatores de risco são o refluxo biliar (comum após alguns tipos de cirurgias gástricas), gastrite
autoimune, hereditariedade, hipocloridria, gastrite, atrofia e metaplasia intestinal. O consumo
aumnetado de frutas e vegetais, apesar de não comprovado, são considerados fatores
protetores.
As principais manifestações clínicas dos pacientes com adenocarcinoma gástrico são:
perda de peso (61,1%), dor abdominal (51,6%), náuseas (34,3%), anorexia (32,0%), disfagia
(26,1%), melena 20,2%), plenitude gástrica (17,5%), dor tipo úlcera (17,1%), e edema de
membros inferiores (5,9%).
A carcinogênese gástrica constitui processo multifatorial que se desenvolve em etapas
sucessivas ou sequenciais a partir da gastrite crônica induzida pela bactéria. Iniciado o
processo carcinogênico, dois tipos de adenocarcinomas gástricos podem ser formados,
classificados conforme a sua macro e microscopia. O tipo intestinal apresenta-se geralmente
como lesões ulcerativas, que acometem mais o antro e a curvatura menor do estômago. À
microscopia suas células são coesas e formam estruturastubulares semelhantes a glândulas.
Esse é o tipo mais comum nas áreas geográficas de alto risco. O segundo tipo é o difuso, que
pode ocorrer em todo o estômago, incluindo a cárdia. É caracterizado pela não coesão celular
e pela infiltração de células neoplásicas individuais que acabam espessando a parede gástrica,
sem formar uma massa bem definida, característica conhecida por linite plástica. Essa
infiltração da parede resulta numa menor distensibilidade gástrica, levando ao aspecto
chamado “bolsa de couro”. Esse tipo é mais comum em pacientes jovens e tem um pior
prognóstico comparado ao tipo intestinal.
O diagnóstico pode ser feito por meio de exame radiológico de duplo contraste ou por
endoscopia digestiva alta (EDA). Contudo, devido a grande dificuldade muitas vezes de
diferenciar um adenocarcinoma de um linfoma gástrico, a biópsia e análise anatomopatológica

a sobrevida em 5 anos é de 20% para tumores distais e menos de 10% para tumores proximais. A grande maioria são linfomas não Hodgkin de células B. Macroscopicamente os adenocarcinomas gástricos são classificados em quatro tipos. devido a localização mais profunda do tecido linfoide. Outras neoplasias linfoproliferativas que também podem acometer o estômago são: linfoma difuso de grandes células B (LDGCB). vômitos. linfomas foliculares. linfoma da zona marginal (LZM). de bordas elevadas. neoadjuvante e adjuvante. de acordo com a classificação de Borrmann: • • • • Borrmann I: lesão polipoide ou vegetante. principalmente os originados de tecido linfoide associado à mucosa (MALT). Borrmann III: lesão ulcerada. O processo neoplásico tem início com a gastrite crônica induzida pelo H. sobretudo nos linfomas MALT. As manifestações clínicas incluem queixas dispépticas inespecíficas e dor epigástrica. associada à radioterapia reduzem a recorrência e aumentam a sobrevida. Semelhante também à maioria dos adenocarcinomas gástricos. e outros. Borrmann II: lesão ulcerada. apresentando uma sobrevida em 5 anos maior que 80%. o estômago é o principal sítio extralinfonodal de linfoma. hematêmese e melena. Aproximadamente 75% são classificados como estádio I no momento do diagnóstico. com discreto predomínio do sexo masculino. O tratamento consiste na remoção total do tumor com ressecção dos linfonodos adjacentes. menos de 33% são operáveis quando diagnosticados e. mesmo para esses. em bem menor frequência. principalmente as translocações t(11. t(1. pylori. a idade média do diagnóstico de indivíduos com linfomas gástricos é 60 anos.14) e alterações no gene p53 também estão envolvidos na oncogenese dos linfomas MALT. Contudo. Mutações genéticas. náuseas. devendo ser o mais profunda possível. presente em mais de 70% dos pacientes. Entretanto. Borrmann IV: lesão difusamente infiltrativa. Linfomas gástricos primários Os linfomas gástricos primários são relativamente incomuns. Essa é a única chance de cura. responsável por 52% dos casos. não se notando limite entre o tumor e a mucosa normal. bem delimitada. correspondendo a menos de 15% de todos os cânceres gástricos e aproximadamente 2% de todos os linfomas. Outros sintomas menos frequentes são inapetência. A quimioterapia. Os linfomas gástricos tendem a permanecer localizados por um longo período de tempo.18). . bem demilitada.é sempre necessária. Os linfomas MALT representam 40% dos linfomas gástricos. Assim como para os adenocarcinomas. infiltrativa em parte ou em todas as suas bordas. o principal fator envolvido no desenvolvimento dos linfomas gástricos é a infecção pelo Helicobacter pylori.

Rev. Available from: <http://www. A não resposta à terapia antimicrobiana foi relacionada com uma anormalidade cromossômica. Uma característica importante dos linfomas gástricos MALT é que até 75% regridem com a erradicação do H. São Paulo : Editora Ateneu. principalmente a t(11. Os pacientes com resposta positiva ao tratamento antibiótico devem ter seguimento com endoscopias de triagem periódicas.scielo. São Paulo. 2010 .A diferenciação macroscópica entre um linfoma e um adenocarcinoma gástrico é bastante difícil levando sempre à necessidade de biópsia e análise anatomopatológica da lesão. Available from <http://www. ed. 35(3): 212-213. Rev. Linfomas de alto grau devem ser tratados com remoção cirúrgica do tumor e poliquimioterapia. Falco W. Harrison medicina interna.scielo. macroscopicamente a lesão é ulcerada e infiltrativa.br/scielo. Kallás DC. Histologicamente é caracterizado pela presença de lesões linfoepiteliais (invasão de glândulas e criptas por células tumorais) e linfócitos de núcleo irregular. Tumores estromais gastrointestinais Os tumores estromais gastrointestinais conhecidos por GIST. Rio de Janeiro: McGraw-Hill. Linfoma não Hodgkin gástrico.php?script=sci_arttext&pid=S151684842010000100015&lng=en&nrm=iso>. Hemoter. Bras. Juntamente com os leiomiossarcomas. do inglês gastrintestinal stromal tumors. O papel da radioterapia nesses casos permanece incerto. Contudo. 2008. ou simplesmente como pregas gástricas espessadas. pylori através do uso de antibióticos.php?script=sci_arttext&pid=S010069912008000300016&lng=en. 32(1). Hematol. COSTA RO. 2011. os GIST representam 1 a 3% das neoplasias gástricas. Esses tumores são mais comuns nas paredes anterior e posterior do fundo gástrico e muitas vezes podem ulcerar e sangrar. Cir. O tratamento para esses tumores é basicamente a remoção cirúrgica. Eisig JN. . Fauci AS. 17º. et al . Falando especificamente dos linfomas MALT.br/scielo. 2002. Bras. Tratado de gastroenterologia: da graduação à pós-graduação. Col. Miranda FJ. Caracterizam-se por não invadir vísceras adjacentes ao estômago e por não enviar metástases para linfonodos. Harrison TR. Ravanini NL. são neoplasias mesenquimais relativamente raras. Referências Zaterka S. podem se disseminar para pulmões e fígado. com eritema e erosões. Câncer gástrico de origem estromal: relato de caso.18). que acomete o trato gastrointestinal em todos os segmentos.