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ISSN: 1645-443X - Depósito Legal: 86929/95
P r a ç a1645-443X
D . A f o n s o- V
, n º 8 6 , Legal:
4 1 5 0- 086929/95
24 P o r t o - P O R TU G A L
ISSN:
Depósito

Abril/Maio 2016
Ano XLVII- nº 379

LAICADO DOMINICANO

Praça D. Afonso V, nº 86, 4150-024 Porto - PORTUGAL

ACTO DE ENTREGA A MARIA
Bem-Aventurada Virgem de Fátima,
com renovada gratidão pela tua presença materna,
unimos a nossa voz à de todas as gerações
que te proclamam Bem-Aventurada.
Acolhe com benevolência de Mãe
o acto de entrega que hoje fazemos com confiança.
Guarda a nossa vida entre os teus braços.
Ensina-nos o teu mesmo amor
de predilecção pelos pequenos e pobres,
pelos excluídos e sofredores,
pelos pecadores e os de coração transviado;
reúne a todos sob a tua protecção
e a todos entrega ao teu amado Filho,
Jesus nosso Senhor. Ámen!
Papa Francisco

Laicado Dominicano

Abril/Maio 2016

S. Domingos de Fontelo

Neste Ano Jubilar em que celebramos os 800
anos da Ordem dos Pregadores, o passeio anual da
Família Dominicana levou-nos até S. Domingos de
Fontelo, muito próximo de Lamego, onde rezámos
vésperas com as Monjas do Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia. Ali, na esplêndida paisagem do
Douro Património Mundial da Humanidade, a ermida de S. Domingos, restaurada com bom-gosto e
funcionalidade, testemunha a passagem, desde tempos imemoriais, de irmãos nossos, dominicanos
que, a exemplo de S. Domingos, ali gastaram o seu
tempo e as suas vidas no anúncio da Boa Nova de
Jesus Cristo. E ficou mais do que uma tradição,
pois que a Irmandade de S. Domingos, apoiada pelo pároco de Fontelo, mantém viva a devoção que
alimenta a fé.
O próprio local, de onde se consegue avistar as
cidades de Lamego, Régua e Vila Real, é propício à

contemplação e, em si, mesmo uma metáfora do
que é a pregação dominicana: os socalcos do Douro
por aquelas encostas, onde não entram tratores pois
construídos há séculos são muito estreitos, representam o esforçado trabalho braçal de muitos homens e mulheres que ao sol e à chuva, ao calor e ao
frio, erguem a vinha, sacham, estacam, podam, limpam, vindimam e carregam – para que haja vinho,
pão quotidiano e alegria; lá em cima, no cume do
monte, distante e ao mesmo tempo próxima, a presença da ermida de S. Domingos a lembrar que
Deus é Pai e bem conhece o cansaço de quem trabalha – Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei. Tomai sobre vós o meu jugo e
aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e
achareis alívio para as vossas almas, pois o meu jugo é
suave e o meu fardo é leve. (Mt.11:28-30)
José Carlos Gomes da Costa,o.p.

CONTAS DO “Laicado Dominicano”
DESPESAS
RECEITAS
Expedição (6 números)
932,50€
Paginação e impressão (6 números) 757,35€ Donativos
1596,50€
Despesas variadas (etiquetas)
22,25€ Donativo “especial nº a cores”
170,00€
TOTAL DE DESPESAS
1711,75€ TOTAL
1766,50€
SALDO POSITIVO
54,75€
NOTA DA DIRECÇÃO: Em tempo de recessão...todo o saldo positivo é motivo de alegria! Mais uma
vez agradecemos aos nossos amigos leitores e benfeitores todas as ajudas que permitem a sobrevivência do
“Laicado Dominicano”, sem esquecer de um modo muito especial todos os que colaboram enviando artigos e notícias.
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Laicado Dominicano Abril/Maio 2016

O BOM SAMARITANO
Tema de estudo da Fraternidade do Porto
Lucas 10,25-37
Naquele tempo,
levantou-se um doutor da lei
e perguntou a Jesus para O experimentar:
«Mestre,
que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?»
Jesus disse-lhe:
«Que está escrito na lei? Como lês tu?»
Ele respondeu:
«Amarás o Senhor teu Deus
com todo o teu coração e com toda a tua alma,
com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento;
e ao próximo como a ti mesmo».
Disse-lhe Jesus:
«Respondeste bem. Faz isso e viverás».
Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus:
«E quem é o meu próximo?»
Jesus, tomando a palavra, disse:

‘Trata bem dele; e o que gastares a mais
eu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximo
daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
O doutor da lei respondeu:
«O que teve compaixão dele».
Disse-lhe Jesus:
«Então vai e faz o mesmo».

- O próximo não é o ser que precisa de ajuda, mas
o que se faz próximo de outrem socorrendo-o.
O modelo de amor ao próximo que dá a parábola
é ao mesmo tempo inesperado e chocante: um samaritano, objecto de desconfiança social e de ódio religioso, permite o acontecimento do amor.
O episódio do homem ferido entre Jerusalém e
Jericó é lido como uma narração travestida de uma
outra história conhecida: a história da salvação.
- Próximo é aquele que ama, que manifesta o seu
amor por gestos concretos de misericórdia.
O nosso próximo é o samaritano.
Jesus contou esta parábola porque a misericórdia
constitui uma parte essencial da sua mensagem.
Deus reina onde os homens começam a comportar-se como o samaritano. Agir como o samaritano,
eis o que testemunha sempre e em toda a parte o
acontecimento do reino de Deus.
- Jesus diz aos seus compatriotas judeus que não só
deveriam incluir os odiados samaritanos no seu amor
ao próximo como até poderiam aprender alguma coisa com eles acerca do amor ao próximo.

«Um homem descia de Jerusalém para Jericó
e caiu nas mãos dos salteadores.
Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no
e foram-se embora, deixando-o meio morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote;
viu-o e passou adiante.
Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar,
viu-o e passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem,
passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho,
colocou-o sobre a sua própria montada,
levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas,
deu-as ao estalajadeiro e disse:

PARA REFLECTIR:
1 – Em que situação Jesus narra esta parábola?
2 – O que é que Jesus ensina através desta parábola?
3 – Por vezes comportamo-nos como o sacerdote e
o levita. Porque o fazemos?
NOTA: Este texto é baseado:
- Padre Manuel Armindo Pereira Janeiro, A Parábola do
Bom Samaritano, Hoje, em A Misericórdia de Deus num
Mundo de Violência, Difusora Bíblica, 2006;
. Daniel Marguerat, As Parábolas, Difusora Bíblica, 1998.

José António de Guimarães Caimoto,o.p.

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Laicado Dominicano

Abril/Maio 2016

NOTÍCIAS DAS FRATERNIDADES
FRATERNIDADE DE ELVAS

FRATERNIDADE DA PAREDE
Retiro Quaresmal 2016
A Fraternidade Leiga de Sant’Ana em comunhão
com as Irmãs de Santa Catarina de Sena da Comunidade do HOSA, realizaram no dia 27 de Fevereiro/
2016, na sala de estudo do Hospital de Sant’Ana um
dia de retiro (retiro da quaresma) com o tema “A MISERICÓRDIA”, tendo como pregador o Pe. Prof.
Dr. João Lourenço – UCP. O retiro foi aberto à comunidade local. Participaram no retiro cerca 40 pessoas.
Maria do Céu Silva o.p.

FRATERNIDADE DO PORTO

No passado sábado dia 16 de Abril foi admitida
como simpatizante na nossa Fraternidade a irmã Sandra Pires, que irá estar durante este ano em estudo e
discernimento vocacional no ramo Leigo da Ordem
de São Domingos.
A pequena celebração, foi presidida pelo nosso Promotor, Francisco Piçarra e teve início na sala de reuniões da Fraternidade com uma pequena procissão
até á capela de Nossa Senhora dos Mártires, Padroeira do Convento Dominicano de Elvas, e ai depois da
celebração do Rosário, fez o seu compromisso por um
ano. Desejamos as melhores felicidades.

No passado dia 29 de Abril a Fraternidade do Porto celebrou a festa de Santa Catarina de Sena na eucaristia da 19 horas, na igreja de Cristo-Rei.
Presidiu o frei João Leite, promotor da fraternidade, e as leituras e cânticos estiveram a cargo dos leigos. Na homilia o frei João fez um resumo do que se
passou na primeira tertúlia “Santa Catarina de Sena:
mulher, leiga e mística do séc.XIV”, realizada no dia
20 de Abril.
Cristina Busto,o.p.

Tozé, op

CONVENTO DE CRISTO REI RECORDA O LEGADO DE SANTA CATARINA DE SENA, O.P.
Foi no passado dia 20 de abril que o Convento de
Cristo Rei, no Porto, inaugurou um ciclo de
"TERTÚLIAS DOMINICANAS", enquadradas na
celebração do Jubileu dos 800 anos da aprovação da
Ordem dos Pregadores.
Nesta primeira Tertúlia, que contou com a presença
dos Irmãos Gabriel Silva e Sérgio Dias Branco (leigos
dominicanos), fez-se memória do legado espiritual,
político e profético que é a vida e a obra de Santa Catarina de Sena: mulher, leiga e escritora mística do século

XIV. Entre os presentes, estiveram o Pe. Provincial, alguns Irmãos da comunidade de Cristo Rei e vários amigos, num ambiente descontraído e fraterno.
A próxima Tertúlia será no dia 24 de maio, na Sala da
Lareira pelas 18.30h, e contará com a presença do Frei
Pedro Fernandes (Provincial dos Dominicanos) que
nos falará sobre "S. Domingos de Gusmão: uma luz para
a Igreja".
Mário

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Laicado Dominicano Abril/Maio 2016

A ALEGRIA DO AMOR

1. Quando tudo parece sem remédio, surge o
Papa Francisco a dar uma estranha solidez à esperança, a virtude das situações difíceis. É normal
que nem todos vejam assim os seus gestos. Mesmo
dentro da própria Igreja, existem grupos, movimentos e personalidades que se opõem à sua orientação, usando diversos métodos para neutralizar a
sua influência. A prática mais corrente é a da resistência passiva. Fazem de conta que as suas iniciativas, convocatórias e tomadas de posição não têm
nenhuma importância. As pessoas com responsabilidades diocesanas e paroquiais sabem que as rotinas bastam para barrar o caminho a propostas desestabilizadoras.
Outro método frequente é a desqualificação de
Bergoglio. O que este argentino propõe de mais
acertado já estava dito pelos seus antecessores.
Quando procura ser original, não passa de um demagogo do terceiro mundo. A sua perspectiva social, condensada em três T- trabalho, tecto (casa) e terra
–, apresentada no Vaticano, ao acolher os Movimentos Populares(1), como anseios e direitos sagrados de qualquer família, é um exemplo de pregação
irresponsável. O jesuíta, C. Theobald, mostrou,
pelo contrário, a originalidade e a pertinência do
estilo concreto do Papa Francisco, atento à existência social infinitamente diversa e plural(2).
Enquanto ficava por aí, tinha de facto, muitas
passagens da doutrina social da Igreja a seu favor.
Agora, tudo se agravou. Em nome de ajustamentos
pastorais, a Exortação A Alegria do Amor, deu instrumentos àqueles que procuram destruir a concepção
católica da família.

Compreendo que o Prefeito da Congregação
para a Doutrina da Fé, o Cardeal Ludwig Müller,
viva momentos atribulados. Tinha revelado publicamente que se sentia investido da missão de estruturar teologicamente o pontificado do Papa Francisco, pois este não era um teólogo profissional.
Não sei se por vaidade ou megalomania, lutou até à
última para desautorizar as posições que acabaram
por vingar na Amoris laetitia. Paradoxalmente, é este
documento que exige revisões no ensino da teologia moral, denunciando a moral fria de escritório(3).
Terá ele a humildade suficiente para repensar a sua
teologia algo enfatuada?
2. O Movimento Internacional Nós Somos Igreja
reconhece que esta Exortação Apostólica introduz
uma nova época na ética sexual, na linha do Concílio Vaticano II. Agora, são essencialmente as igrejas
locais, incluindo as ciências teológicas e todos os
fiéis, que têm a obrigação de desenvolver as linhas
gerais, as ideias e as iniciativas básicas definidas por
Francisco. Quando afirma que nem toda a discussão
doutrinária, moral ou pastoral deve ser decidida com
uma intervenção do magistério (nº 3), o Papa Francisco devolve à Igreja a liberdade de diálogo e de desenvolvimento da doutrina, que muitos papas anteriores restringiram em excesso. Explicitamente, o
Papa também exige a reflexão dos pastores e teólogos,
sobre as ciências teológicas(4).
Bergoglio reparte as responsabilidades pastorais,
precisamente porque todos somos Igreja. Ele convoca, não substitui, mas dá o seu contributo e, neste caso, incontornável. Fala da alegria do amor com
muita alegria e pouca solenidade. Sabe que hoje
muitos noivos escolhem para a celebração do casamento o hino de S. Paulo(5) à caridade. Como esta
é confundida com uma esmola, passou a ser traduzida por amor e o Papa embarcou nesta opção. As
leituras na missa têm tão pouca sorte, que a homilia ou as repete ou interpreta o que ninguém ouviu.
Como este pontífice tem muita experiência dessa
desgraça, resolveu comentar este hino, estrofe a
estrofe. Confesso que não conheço nada de mais
adequado para os CPM(6) e os retiros de casais.
(continua na pág.seguinte)

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Laicado Dominicano Abril/Maio 2016

PASSEIO DA FAMÍLIA DOMINICANA
Realizou-se no passado dia 23 de Abril o passeio da Família Dominicana, ao belíssimo miradouro de S. Domingos de Fontelo, em Lamego.
Participaram várias comunidades dominicanas vindas de Macedo de
Cavaleiros, Porto, Guarda, Fátima e Lisboa, tendo-se reunido cerca de
90 pessoas.
Após a saudação inicial da equipa
organizadora, o frei José Carlos L.
Almeida proferiu uma interessante comunicação sobre a expansão
da Ordem Dominicana na região
a que se seguiu uma animada troca de perguntas e respostas.
Para o almoço estava preparado um delicioso churrasco saboreado ao ar livre e após um tempo digestivo em alegre convívio celebrouse às 16 horas a Eucaristia na capela do miradouro, recentemente
restaurada.
Para aqueles que
não pernoitaram em Lamego era a hora da partida; para
os que por lá ficaram, seguiu-se a oração de vésperas no
Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia das monjas
dominicanas. Houve ainda tempo para uma subida nocturna até ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.
No dia seguinte, antes da partida, participaram na eucaristia no mosteiro, presidida pelo prior provincial, frei
Pedro.
Cumpre salientar o excelente e criativo trabalho da
equipa organizadora do passeio, que nos proporcionou um dia (para alguns um fim-de-semana) espiritualmente rico e muito agradável.
Cristina Busto,o.p.
(continuação da pág.5)

guém.
Na apresentação do documento final dos movimentos que se dedicaram a Escutar a Cidade(7), tive a
alegria de ouvir a teóloga Cátia Sofia Tuna, cruzando experiência social e cultural, prática teológica e
espiritualidade, apontando caminhos a percorrer e
metas a atingir, para escutar sempre a voz de Deus,
nas vozes do mundo.

3. O que será que permite a este Papa tanta desenvoltura humana, pastoral e teológica ao relacionar-se com as crianças, os idosos, os doentes, os
sem-abrigo, os refugiados, inscrevendo tudo em responsabilidades locais e globais?
Se não me engano, é devido ao amor que move
o seu pensamento, os seus passos e as suas mãos. Se
fosse apenas um conhecimento científico da realidade, este criava, automaticamente, uma distância
analítica, especulativa, como o daqueles que sabem
tudo, mas não mexem uma palha. A sua teologia é
unitiva: é um conhecimento que nasce da alegria
do amor e alimenta a investigação contínua e concreta. Não é daqueles que fazem um curso de teologia, ou até um doutoramento, e ficam dispensados
de pensar e investigar até ao fim da vida. Como
nada os surpreende, também não surpreendem nin-

Frei Bento Domingues,o.p.
(1)

Encontro Mundial dos Movimentos Populares, 28. Outubro. 2014
(2)
L’enseignement social de l’ Église selon le pape François,
NRT 138 (2016) 273-288
(3)
Amoris laetitia, n.311-312
(4)
Comunicado de imprensa do IMWAC, Munique / Roma,
8 de Abril de 2016
(5)
1 Cor 13, 1-13
(6)
Cursos de preparação para o matrimónio
(7)
Contributos para o Sínodo da Diocese de Lisboa

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Laicado Dominicano Abril/Maio 2016

PELA MÃO DE CATARINA
Catarina de Sena, mulher, leiga, mística, santa,
tem marcado a história da Ordem dos Pregadores
desde o séc. XIV. Esta marca revela-se também em
Portugal, visível nas Irmãs Dominicanas de Santa
Catarina de Sena que Teresa de Saldanha fundou,
mas também manifesta na presença dela nas orações e reflexões feitas no interior da Ordem. O poema de José Augusto Mourão, simplesmente intitulado “Catarina de Sena”, é uma dessas manifestações:
entrai pela mão de Catarina
na cela do conhecimento de vós mesmos
descobri como sois amado
como Deus se enamorou da beleza
da sua criatura
descobri o segredo da paz e das mediações
admirai o dinamismo,
a fidúcia e a heroicidade
que fizeram de Catarina pregadora insigne
pedi a liberdade de falar e de escutar
e a coragem de mergulhar
nos corredores escuros deste tempo
onde a Luz aguarda os nossos olhos
Encontramos nestas linhas poéticas um sumário
do legado espiritual que ela nos deixou. O meu
propósito é analisá-las e comentá-las.
Os dois primeiros versos, “entrai pela mão de
Catarina / na cela do conhecimento de vós mesmos”, estabelecem Catarina de Sena como uma
guia que nos deu a mão. Diz o poema que ela nos
conduz ao conhecimento de nós mesmos. Reparese, no entanto, que esta condução toma a forma de
um convite, “entrai”, ao qual podemos responder
de forma afirmativa ou negativa. Conhecemo-nos
através de Catarina, porque só nos podemos conhecer através de outra pessoa. A palavra cela para caracterizar o auto-conhecimento pode ser entendida
unicamente como uma referência ao aposento de
um frade ou freira num convento, mas a etimologia
ilumina outros sentidos. Uma cela, como um celeiro, é um lugar onde se guarda alguma coisa, eventualmente preciosa. Esta cela não é, então, uma fortaleza num ermo, mas um lugar de guarda de um tesouro que é nosso, mas que só se revela para nós,
só se torna evidente aos nossos olhos, se estivermos

acompanhados e unidos em fraternidade com
quem nos acompanha. Catarina lembra que não é
no amor servil nem no amor interesseiro que Deus
se manifesta, mas no amor-amizade, um amor em
que há uma só alma entre quem ama, o amor que
“transforma (o amante) na coisa amada”.
O poema continua a chamar-nos pela mão de
Catarina e a descrever o que iremos descobrir:
“descobri como sois amado / como Deus se enamorou da beleza da sua criatura”. Descobrimos como
somos amados através do amor de Catarina pela humanidade, que é testemunho do amor de Deus no
mundo. As palavras belas e os gestos belos dela são
um espelho do amor divino, podemos dizer. Como
esclarece Herbert McCabe, o que distingue o cristianismo de outras religiões é a rejeição de uma relação
amo-escravo com a divindade, que nessa lógica não
poderia nunca amar a sua criatura, mas apenas, no
limite, tratá-la amavelmente. O amor de Deus, ou
Deus como amor, o tal amor de amizade de que Catarina fala, explícito na passagem em que Jesus contrapõe “servos” a “amigos” e escolhe a segunda designação para falar de quem se juntou a ele (Jo 15,15),
esse amor permite-nos participar na vida divina do
amor trinitário através de Cristo: quem ama, quem é
amado, e o amor que une os dois como uma seiva.
As linhas seguintes aparecem ainda sob o signo
da descoberta: “descobri o segredo da paz e das mediações / admirai o dinamismo, / a fidúcia e a heroicidade / que fizeram de Catarina pregadora insigne”. Estes são os segredos da vida de Catarina.
Segredos que deram frutos perante o olhar alerta
de todas as pessoas que observaram os episódios
históricos da sua vida e que os conheceram nos séculos seguintes. Ela agiu como uma força pacificadora, capaz de mediar entre tensões e ódios, sempre activa e ágil, com uma ousadia que vinha de
uma confiança profunda, comportando-se exemplar e corajosamente no espírito do evangelho. Para
além das reflexões teológicas e orações que nos deixou, a sua pregação tomou essencialmente a forma
da sua vida de entrega amorosa ao próximo, daí ser
considerada santa. Precisamente por isso, é necessário retirar Catarina do pedestal e conversar com
ela, conhecer o que disse e o que fez e convertermonos com ela.
(continua no próximo número)
Sérgio Dias Branco,o.p.

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Abril/Maio 2016

PALAVRA DO PROMOTOR
Ao organizar algum pensar dominicano para o LAICADO acheime confrontado com a figura de Maria,
Maria de Nazaré. É mês de
Maio, os tempos são favoráveis; ainda mais com a
viagem peregrina da Senhora de Fátima por todas as
dioceses, na preparação do centenário das Aparições.
Por toda a parte aparece como figura cativante do
povo e dos povos. Porquê cativante?! Porque nela brilha em abundância o espírito de Deus. Desde a notícia-saudação angélica “salvé!, achaste graça diante de
Deus!...” A confirmar a abundância do Espírito Santo
que nela gera o Filho de Deus, nunca mais se deixou
esvaziar dessa graça e da sua força; força e presença
em ordem a uma missão: de mãe que cuida de Jesus
onde Deus se faz proximidade total connosco – Deus
feito Homem! Ei-la que cuida igualmente de nós com
solicitude maternal inexcedível! É justo que todas as
criaturas cantem a sua beleza: “mulher vestida de sol,
com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na
cabeça!” (Ap.12,1)
Esta figura, figura de mulher é, atribuída à igreja
fundada por Jesus. As doze estrelas são os doze apóstolos do Cordeiro. Eles foram em missão para fazer
chegar esta notícia (boa) evangelho a toda a terra! Aqui
estamos nós, igreja militante, a caminhar nas dificuldades e contrariedades de toda a ordem, mas de
olhos postos no destino, no nosso destino. Desta
Igreja todos fazemos parte e podemos olhar para Maria, mãe e expoente maior de toda a criação. Mulher
que vai à frente, Senhora da Boa Viagem – Rainha
do céu e da terra! Com os Mistérios do Rosário, como é bom fazer caminho à sua luz, até contemplar
aquela mulher vestida de Sol!... Tal é o nosso destino!

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Jornal bimensal
Publicação Periódica nº 119112 / ISSN: 1645-443X
ISSN: 1645-443X
Propriedade: Fraternidade Leigas de São Domingos
Contribuinte: 502 294 833
Depósito legal: 86929/95
Direcção e Redacção
Cristina Busto (933286355)
Maria do Carmo Silva Ramos (966403075)
Colaboração: Maria da Paz Ramos

Mulher cheia de
Páscoa, participante em plenitude da força e
da graça da Ressurreição e Ascensão de Jesus
Cristo ao Céu.
Desta força todos nós recebemos “graça sobre graça” e em Maria, no seu corpo
glorioso, comtemplamos a Mulher cheia de Graça! Vemos nela o nosso futuro - o mesmo brilho e a mesma
luz! Ao contemplar os mistérios gloriosos do Rosário,
o povo cristão olha para o seu destino e para o futuro
absoluto de toda a criação – “novos céus e nova terra!”
Acontece, graças à sabedoria criadora de Deus.
Dela nos diz a Sagrada Escritura: “estava sempre a
seu lado… brincava o tempo todo na sua presença e fazia
suas delícias em estar com os Filhos dos Homens!” (Prov.8,30-31) É tempo de ir compreendendo
quão maravilhosos são os planos de Deus para nós e
para toda criação.
“Quando contemplo os céus, obra das tuas
mãos, a lua e as estrelas que lá fixaste…
O que é o
homem para dele te lembrares? O ser humano, para que o
visites? Tu o fizeste pouco menos de que um deus, e o coroaste de glória e esplendor… Senhor nosso Deus como é grande o teu Nome em toda a Terra!” (Sl.8) Depois do salmista não resisto a transcrever o nº 243 da Encíclica
Louvado Sejas, do Papa Francisco:
“No fim encontrar-nos-emos face a face com a
beleza infinita de Deus (1Cor.13,12) e poderemos ler com
jubilosa admiração, o mistério do universo o qual terá parte
connosco na plenitude sem fim. Estamos a caminhar para
a nova Jerusalém, para a casa comum do Céu. Diz-nos Jesus: Eu renovo todas as coisas”(Ap.21,5)
Frei Marcos Vilar, op.

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Administração: Maria do Céu Silva (919506161)
Rua Comendador Oliveira e Carmo, 26 2º Dtº
2800– 476 Cova da Piedade
Endereço: Praça D. Afonso V, nº 86,
4150-024 PORTO
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Tiragem: 400exemplares
Os artigos publicados expressam apenas
a o p i n i ã o d o s s e u s a u t o r e s .

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