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ISSN: 1645-443X - Depósito Legal: 86929/95
P r a ç a1645-443X
D . A f o n s o- V
, n º 8 6 , Legal:
4 1 5 0- 086929/95
24 P o r t o - P O R TU G A L
ISSN:
Depósito

Agosto/Setembro 2016
Ano XLVII- nº 381

Praça D. Afonso V, nº 86, 4150-024 Porto - PORTUGAL

LAICADO DOMINICANO

AINDA E OUTRA VEZ OS REFUGIADOS

Tinha um amigo que às vezes escrevia para
um jornal de pequena tiragem cujos artigos
eu, e bastantes outras pessoas diziam gostar
de ler. Disse-lhe isto mesmo e ele respondeume “afinal tinha três leitores e não sabia…”
Identifico-me com esta pequena história e
por isso arrisco-me a pedir a vossa atenção e
tempo mais uma vez.
O assunto anda à volta do mesmo
“holocausto mediterrâneo” e a burocratização
da indiferença, mesmo que aliada do medo,
faz da Europa um continente desumano, merecedor de ser chefiado por um qualquer
Trump!
Há no nosso país e aqui no Norte casas
preparadas para receber famílias de refugiados que estão há longos meses à espera…de
serem utilizadas. Em Vila do Conde as Irmãs
Doroteias, por exemplo, têm duas espaçosas
casas já preparadas há meses para receberem
famílias de refugiados.
No meio deste incomensurável drama com
tantos mortos na travessia de um mar a que
os romanos chamavam “nosso” e que agora se
transformou para tantos homens, mulheres e
crianças num imenso cemitério, ainda há
quem faça distinção entre os que arriscam a
vida nestas travessias sem o mínimo de condições de segurança e à mercê de traficantes,
quando são todos uma mesma coisa – seres
desesperados que arriscam a vida porque têm
a esperança de vir a viver dias um pouco melhores.
E quem é que pode continuar indiferente
ou mesmo construir muros físicos e morais?
Um grande número de chefes europeus recusa receber refugiados e a que deu abrigo a um
milhão e trezentos mil, esperando que outros
a acompanhassem, arrisca-se a perder as próximas eleições – a Chanceler alemã Ângela
Merkl - , mas não abandona a sua política de
acolhimento
Nós próprios nos sentimos muitas vezes a
construir muros internos que nos protejam
destas terríveis notícias que nos agridem constantemente, mas como portugueses fomos
dos povos que proporcionalmente ao número

de habitantes e recursos disponíveis fomos
mais generosos do que a maioria, mas quase
ninguém desses países ouviu falar de nós,
aqui nesta periferia, neste último cantinho da
Europa…e não vêem porque o desconhecido
também assusta e burocracia dificulta.
Mas o pior de tudo são as crianças órfãs da
guerra, fugindo dos bombardeamentos, abandonadas ou “exportadas” pelas famílias, do
inferno em que viviam.
E estas crianças e adolescentes são muitas
vezes levadas para outro inferno ainda pior,
da escravatura e prostituição infantil, vítimas
das redes de traficantes.
Mas nem tudo é mau e sem saída: num
programa da RTP2, “Ecclesia”,vi uma entrevista ao presidente da Cáritas portuguesa onde ele dizia que vai canalizar a acção e próximos donativos para esta causa. Os fundos
recolhidos no dia da caridade (5 de Setembro), serão para as crianças refugiadas.
Soube também, através de uma amiga, que
existe uma casa de acolhimento para crianças
e adolescentes refugiados – o endereço é:
Quinta do Pombeiro – Casa Senhorial Norte
– Azinhaga do Pombeiro – s/n 1900-793 Lisboa, telef. 218314372. A coordenadora é Dora Estoura (dora.estoura@cpr.pt). Além do
acolhimento procuram reunir as crianças com
as suas famílias de origem sempre que possível. Mais informações no site do Conselho
Português para os Refugiados – http://
www.cpr.pt/
Se vos for possível enviar algum contributo
para alguma destas instituições, pessoal ou
das Fraternidades e comunidades... Nunca
pensei pedir contributos caritativos através do
“Laicado”, mas faço apelo aos meus 3 (?) leitores que por certo influenciarão outros, e dada
a justiça imperativa desta causa decerto irão
colaborar.
Há que lutar contra esta “globalização da
indiferença” como nos alertou o nosso bem
amado Papa Francisco.
Porto, dia a seguir à proclamação de Santidade da
Irmã Teresa de Calcutá,
Maria do Carmo Ramos, o.p.

Laicado Dominicano

Agosto/Setembro 2016

INFORMAÇÃO SOBRE O CAPITULO GERAL DE PROVINCIAIS EM BOLONHA, ITÁLIA

15 de Julho a 04 de Agosto de 2016

O Capítulo Geral de Provinciais realizou-se em
Bolonha, no Convento de São Domingos, onde se
realizara o 1º Capitulo Geral da Ordem.
Estavam presentes, além do Mestre Geral, 35
Provinciais, 6 Vice Provinciais, 3 Vigários Gerais, e
5 Delegados Vicariais.
Os 2 eis Mestres Gerais não estiveram presentes:
O Frei Carlos Aspiroz porque agora é Bispo, e o Fr.
Timothy Radcliffe porque estava doente da garganta, e pediu dispensa.
Havia frades convidados pelo Mestre Geral: dois
Irmãos Cooperadores, o Director da Escola Bíblica
de Jerusalém, e um dominicano, perito em Direito
Canónico. Além destes, havia duas representantes
das Monjas, um membro das Fraternidades Leigas,
um Padre das Fraternidades Sacerdotais, e o José
Alberto Presidente Mundial do Movimento Juvenil
Dominicano. Havia ainda três moderadores, e um
Secretário Geral.
Este Capitulo realizou-se durante este Ano Jubilar dos 800 Anos da Ordem. Estava no programa
que de 1 a 15 de Julho de 2016, orientada pelo Mestre da Ordem, se realizasse uma peregrinação com
os Estudantes dominicanos e representantes dos
diferentes membros da Família Dominicana, passando pelos diferentes lugares por onde passou e viveu
São Domingos. A Concentração foi em Madrid,
passando por Caleruega, Osma, França, e terminou
em Bolonha. Segundo o testemunho dos Estudantes, foi uma experiência muito rica. Foram momentos de uma vivência muito forte, criando e fortalecendo laços da Família Dominicana.
O dia de chegada dos Capitulares e dos” peregrinos”, foi um bom momento de encontro uns com

os outros, de oração, e de comunhão fraterna. Foi
uma boa maneira de começar o capítulo. Foi uma
maneira de caminharem, rezarem, partilharem, o
que cada um sentia, nesta peregrinação.
Assim, na noite desse dia 15 de Julho, após o
jantar, houve uma concentração de todos Capitulares e “peregrinos” no Monte onde está um Mosteiro
Beneditino, e para onde tinham levado São Domingos, quando estava muito doente, na esperança que
ficasse melhor. Mas, não só não melhorou, como
pediu insistentemente que o levassem para o seu
convento, onde queria morrer. Os Irmãos fizeramlhe a vontade.
Neste monte iniciámos uma Vigília de Oração,
presidida pelo Mestre da Ordem, seguida de procissão de velas, onde cantamos e rezamos o terço, até à
chegada à Basílica do Convento de São Domingos,
onde terminámos o dia. Foi uma longa caminhada,
que simbolizou a caminhada da Ordem com as diferentes gerações, países, tendo Domingos como nosso companheiro de viagem.
No dia seguinte, o Frei Bruno começou por dar
Boas Vindas aos padres capitulares, agradecendo
igualmente ao Provincial de Itália o acolhimento, e
o ter aceitado que o Capitulo se realizasse em Bolonha, no Convento de São Domingos.
Houve a apresentação das pessoas, apresentação
do horário para os dias em que ia decorrer o capitulo, e qual o espirito que devia reinar entre os capitulares.
Houve um encontro e partilha entre os Capitulares e os Estudantes. Estes disseram aos capitulares o
que esperavam do Capitulo Geral. Foi, na verdade,
o eco das reflexões, que fizeram durante a peregrinação: Como pregar aos homens de hoje? O problema
da inculturação; a vida comum dos irmãos, e sua
formação etc. Como somos formados para sermos
evangelizadores? Como somos formados, na vida
contemplativa? Que fazemos para acompanhar os
novos sacerdotes?
Abordou-se também o tema da liturgia e sua importância na tradição dominicana. A importância
da oração contemplativa, Também se abordou esta
questão: para ser pregador, implica saber escutar os
homens de hoje e os seus problemas. Será que a
vida dominicana fala aos homens de hoje?
(continua na pág. seguinte)

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Laicado Dominicano Agosto/Setembro 2016
(continuação da pág.anterior)

Não há dúvida que foi uma partilha muito rica entre os peregrinos e os padres capitulares. Foi uma experiência muito positiva, para iniciar o Capitulo.
No dia seguinte, tivemos um dia de reflexão espiritual orientado pelo Geral dos Franciscanos, que foi
muito rico porque falou de São Francisco e São Domingos, que nasceram numa época difícil e desafiante;
quer um quer o outro, aceitaram o desafio do Espírito
Santo.
No dia seguinte, o Mestre Geral fez um resumo, do
que escrevera no seu relatório, referente a estes quatro
anos do seu mandato. Partindo das visitas que fez às
diferentes comunidades, nos diferentes países, falounos da necessidade de renovação interior e o abrir horizontes de esperança em relação ao futuro.
Teremos que responder aos novos desafios. Terá
que haver uma maior colaboração entre os membros
da Família dominicana, quer no campo da formação,
quer na pregação. É preciso ter a coragem de criar novas missões comuns.
7. O Frei Bruno falou ainda da das comunidades
para a Missão, concretamente de Santa Maria Maior,
que estás em plena renovação. Falou de Santa Sabina,
com novas assignações. Falou da restruturação dos
medias: IDI, internet, Atrium, Formação; Inter acção
das províncias
Falou da importância dos estudos complementares
e dos meios, da formação dos formadores, criando
comunidades de formação, e da formação permanente. A questão do discernimento vocacional para ser
frade pregador. É necessário e urgente formar pregadores. Foi um grande desafio que foi nos foi lançado.
8.Depois começou-se a trabalhar por comissões.
Criou-se uma comissão para fazer um Prólogo único às
Actas, que desse o tom e o sentido a todos os temas a
abordar nas Actas. Houve comissões de Restruturação
e colaboração, Criatividade Apostólica, Comissão Económica, Vocações e renovação, Governo e Vida Comum Constituições
Gostaria de chamar a atenção para a importância
do prólogo. Este, tem como tema central o seguinte:
“Enviados a pregar a graça e a Misericórdia”. Começa
por dizer que “iniciámos uma nova etapa num caminho itinerante. Começamos as sessões capitulares com
o encontro dos jovens em formação, que peregrinaram, e percorreram os caminhos de São Domingos.
Foi um encontro que nos animou e desafiou.

Este prólogo é muito rico e reflecte, em grande parte, o que se reflectiu no Capitulo. Aconselho que todos os ramos da Família Dominicana o leiam, meditem, aprofundem, e passem à acção evangelizadora.
O prólogo parte do Capitulo décimo de Evangelho
de São Lucas, em que Jesus “designou os setenta e
dois discípulos e os enviou dois a dois em missão, dizendo-lhes: curai os enfermos e dizei: o Reino de Deus
está próximo.” Também nós, membros da família Dominicana, somos enviados a pregar a misericórdia de
Deus e a nossa reconciliação com Ele e com os irmãos
( 2 Cor, 5,20).
A onde envia Jesus os seus discípulos? Aos lugares
aonde Ele havia de ir. O mesmo acontece hoje, devemos saber ir aos que se encontram dentro e fora da
igreja; somos enviados às periferias, para anunciar o
evangelho.
Não nos esqueçamos que São Domingos pregou
com alegria a Palavra feita Carne, em tempos de confusão e de crise de fé e da igreja Hoje vivemos num
mundo globalizado que nos mostra diversas realidades
complexas. Mas é aí, que devemos anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo, como uma proposta de vida.
Este anúncio dever ser feito por equipas de pregação compostas por membros dos diferentes ramos da
família dominicana.
Não devemos esquecer, que os Leigos dominicanos, têm um papel importantíssimo a desempenhar
neste campo, pois são eles que vivem no mundo, e
conhecem, melhor que ninguém, as realidades terrestres. E conhecem os problemas dos homens de hoje.
Para concluir: O Capitulo foi um encontro muito
fraterno entre irmãos, vivendo e celebrando a fé, reflectindo sobre a nossa identidade e missão, analisando o mundo que temos, e os homens a quem somos
enviados em missão. Isto é tarefa de todos os membros da Família Dominicana.
Insistiu-se muito na importância da formação de
equipas de formação e de acções comum.
Penso que, na nossa província, tendo em conta a
nossa realidade, temos muito que rever e fazer, para
dar seguimento a estas propostas.
Rezemos para que os sonhos se tornem realidade,
quer com a nossa acção evangelizadora, quer com o
estudo, oração, e colaboração comum.
Futuramente, poderemos abordar esta e outras
questões e todos somos convidados a dar novas achegas.
(continua na pág.seguinte)

NOTA: Por motivos editoriais, a 2ª parte do artigo “S. Domingos de Gusmão, uma luz para a Igreja”,
só será publicada no próximo nº do “Laicado Dominicano”.
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Laicado Dominicano

Agosto/Setembro 2016

FRATERNIDADE DE ELVAS
No passado dia 8 de Agosto celebrámos o Nosso Pai São Domingos. Iniciámos com uma vigília com Oficio de Leitura no dia 7 à noite em que teve lugar a
absolvição das transgressões à Regra, feita pelo nosso Presidente João Cardoso.
No dia 8 de Agosto, dia da Solenidade
de São Domingos, teve lugar a Eucaristia
Solene presidida pelo Padre António
Carlos, (Pároco de Santa Eulália, Vila
Boim e São Vicente) e solenizada pelo
Coro Beato Aleixo Delgado. No final da
Eucaristia foi venerada a Relíquia de São
Domingos. Estiveram ainda presentes
além de muitos amigos que frequentam
a nossa igreja, a Fraternidade de Elvas da
Ordem Franciscana Secular e no final
foi o tempo de convívio no Jardim da
igreja, numa bela noite de verão.
Tozé,o.p.

Faleceu no passado dia 05 de Agosto a
irmã da Fraternidade de Elvas, Teresa
Custódia Rodrigues Figueiredo Pires
de 77 anos de idade e esposa do nosso
irmão Vítor Pires, tesoureiro da Fraternidade.
A irmã Teresa Pires nasceu em Portalegre em 01
de Dezembro de 1938 fez o Postulantado em
14/06/1992, a admissão em 19/02/1994, a promes-

sa temporária em 15/10/1995 e a promessa definitiva 16/10/1997, depois da promessa definitiva foi por
várias vezes Formadora da Fraternidade. A Irmã Teresa Pires era uma pessoa muito simpática, embora a
saúde não a deixar frequentar as reuniões e as
era muito presente através da oração. Temos
esperança que Deus a tem em bom lugar pelo bem
que na terra fez. Paz à sua alma.

(continuação da pág.anterior)

Depois de termos ido almoçar a Santa Sabina, partimos para Bolonha, de comboio, para terminarmos o
Capítulo com a celebração solene da Eucaristia, presidida pelo Senhor Arcebispo de Bolonha.

P.S. No dia 04 de Agosto ( festa de São Domingos,
que em Bolonha se celebra neste dia) fomos de comboio para Roma para sermos recebidos pelo Papa
Francisco às 10.00h.
O Mestre Geral dirigiu- a Palavra ao Papa Francisco dizendo que tínhamos estado em Capitulo Geral, e
que queríamos continuar a reflectir e agir, sobre a
nossa missão de Pregadores. Sua Santidade respondeu, em espanhol, e deixou uma mensagem em que
pediu:” que os dominicanos sejam contemplativos da
palavra e do povo”
Podem ler ,na íntegra, o discurso que vem no L’Osservatore Romano de 11 a 18 de Agosto na pág. 5.
Depois do discurso, cumprimentou cada um de
nós, oferecendo um terço a cada um.

Tozè,o.p.

Porto 4 de Setembro de 2016.
Frei Pedro da Cruz Fernandes, O.P.

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Laicado Dominicano Agosto/Setembro 2016

OS SINAIS DOS TEMPOS CHAMAM PELOS DOMINICANOS
Em 2012, o grande Papa
Bento XVI fez o seguinte
diagnóstico:

nárias, como já pedido em 2010 pelos bispos portugueses a toda a Igreja nacional:
“Para se dar à animação e cooperação missionária o
lugar a que têm direito, torna-se necessário fazer surgir também na Igreja portuguesa Centros Missionários Diocesanos
(CMD) e Grupos Missionários Paroquiais (GMP), laboratórios missionários, células paroquiais de evangelização” [CEP, Carta Pastoral “Como eu vos fiz fazei vós
também”, 2010].

“em vastas áreas da terra a fé
corre o perigo de se extinguir
como uma chama que deixa
de ser alimentada. Estamos
diante de uma profunda crise
de fé, de uma perda do sentido
religioso que constitui o maior
desafio para a Igreja de hoje.”

Que os leigos dominicanos se concentrem e vivam
a vocação essencial da ordem religiosa a que pertencem, nestes tempos de rápida descristianização e desumanização da sociedade, para que sejam verdadeiramente filhos de S. Domingos.

E o Papa Francisco, na sua Exortação Apostólica
“A Alegria do Evangelho” (nº 23), apela o seguinte:

José Alves
S. Domingos de Benfica, Lisboa

“Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia
para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em
todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo.”
A Ordem Dominicana, primeira ordem religiosa
verdadeiramente missionária, fundada por S. Domingos para que seja especificamente missionária, tem de
estar na linha da frente na resposta aos apelos do Papa Bento XVI e do Papa Francisco, dando assim o
exemplo a todos os baptizados da vocação missionária
de todos os cristãos. É preciso fazer surgir do interior
das comunidades leigas dominicanas, equipas missio-

TOMADA DE HÁBITO DE OITO NOVIÇOS NO CONVENTO DE LISBOA
Após vinte anos de noviciado em Espanha, realizou-se no passado dia 11 de Setembro a tomada de
hábito de 8 noviços no convento de Lisboa, sete angolanos e 1 português.
Durante o ano os noviços vão ser formados em
vários temas da consagração religiosa com maior destaque para vida fraterna e comum, a liturgia e a oração, o silêncio, o estudo e o ministério da palavra.
A todos eles e ao seu mestre, frei Filipe Rodrigues, desejamos um ano repleto de bênçãos e que
Nosso Pai S. Domingos proteja as suas vocações ao
longo das suas vidas!
Cristina Busto,o.p.

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Laicado Dominicano Agosto/Setembro 2016

ENSINO AOS DISCÍPULOS = SEDE MISERICORDIOSOS
TEMA DE ESTUDO DA FRATERNIDADE DO PORTO

Lucas, 6, 27-38
“Naquele tempo,
Jesus falou aos seus discípulos, dizendo:
«Digo-vos a vós que Me escutais:
Amai os vossos inimigos,
fazei bem aos que vos odeiam,
abençoai os que vos amaldiçoam,
orai por aqueles que vos injuriam.
A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a
outra;
e a quem te levar a capa, deixa-lhe também a túnica.
Dá a todo aquele que te pedir,
e ao que levar o que é teu, não o reclames.
Como quereis que os outros vos façam,
fazei-lho vós também.
Se amais aqueles que vos amam,
que agradecimento mereceis?
Também os pecadores amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem,
que agradecimento mereceis?
Também os pecadores fazem o mesmo.
E se emprestais àqueles de quem esperais receber,
que agradecimento mereceis?
Também os pecadores emprestam aos pecadores,
a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos,
fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca.
Então será grande a vossa recompensa
e sereis filhos do Altíssimo,
que é bom até para os ingratos e os maus.

como o vosso Pai é misericordioso.
Não julgueis e não sereis julgados.
Não condeneis e não sereis condenados.
Perdoai e sereis perdoados.
Dai e dar-se-vos-á:
deitar-vos-ão no regaço uma boa medida,
calcada, sacudida, a transbordar.
A medida que usardes com os outros
será usada também convosco».
O Papa Francisco considera que o nosso tempo é
o “tempo da misericórdia”.
Segundo o Santo Padre, este nosso tempo e a
nossa humanidade precisam de misericórdia “porque
é uma humanidade ferida, uma humanidade que tem
feridas profundas. Não sabe como as curar ou acredita
que não é possível curá-las”.
S. Tomás de Aquino chama à misericórdia, em
relação com as obras exteriores, a summa religionis
chistianae.
A mensagem da misericórdia divina não é uma
teoria estranha ao mundo e à prática das coisas; não
se contenta tão-pouco com declarações sentimentais
de comiseração. Jesus ensina-nos a sermos misericordiosos segundo o exemplo de Deus (Lc. 6,36).
Na carta aos Efésios lemos: <Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos bem amados, e procedei
com amor, como também Cristo nos amou e Se
entregou a Deus por nós como oferta e sacrifício de
agradável odor> (Ef, 5, 1).

Sede misericordiosos,

(continua na pág.seguinte)

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Laicado Dominicano Agosto/Setembro 2016
(continuação da pág.anterior)

Assim, a mensagem da misericórdia divina tem
consequências para a vida de qualquer cristão, para a
prática pastoral da Igreja e para o contributo que os
cristãos devem dar para a configuração de uma ordem social digna, justa e misericordiosa.
Se Deus nos trata com misericórdia e nos perdoa,
também nós temos de nos perdoar uns aos outros e
demonstrar misericórdia. Na nossa misericórdia realiza-se, de forma concreta, a misericórdia de Deus para
com o nosso próximo; na nossa misericórdia manifesta-se a ele algo do prodígio do Reino de Deus que
irrompe em segredo.
Assim, a mensagem da misericórdia divina tem
consequências para a vida de qualquer cristão, para a
prática pastoral da Igreja e para o contributo que os
cristãos devem dar para a configuração de uma ordem social digna, justa e misericordiosa.
Se Deus nos trata com misericórdia e nos perdoa,
também nós temos de nos perdoar uns aos outros e
demonstrar misericórdia. Na nossa misericórdia realiza-se, de forma concreta, a misericórdia de Deus para
com o nosso próximo; na nossa misericórdia manifesta-se a ele algo do prodígio do Reino de Deus que
irrompe em segredo.
Jesus, quando Lhe perguntam qual é o mandamento mais importante, destaca o amor a Deus e o
amor ao próximo.
Não existe amor a Deus sem amor ao próximo. Só
em conjunto os dois constituem a recapitulação e o
cumprimento de toda a lei. Juntos, eles são a quintaessência, a súmula, a encarnação da existência cristã.
Tomar a sério esta unidade não significa certamente deixar que o amor de Deus se esgote no amor ao
próximo, algo que não poderia deixar de conduzir a
um humanismo unidimensional, inteiramente carente do amor de Deus e da relação com ele. O amor ao
próximo na radicalidade com que Jesus o formula é
impossível sem a força que emana do amor de Deus.
A atitude de perdão e de misericórdia de Deus em
Jesus Cristo deve ser modelo para a acção do cristão:
<Sede, antes, bondosos uns para com os outros, compassivos; perdoai-vos mutuamente, como também

Deus vos perdoou em Cristo> (Ef 4, 32; cf. Cl, 3, 12).
No Sermão da Montanha, o ponto alto, como exigência de misericórdia e do amor, é, para Jesus, o
mandamento de amor aos inimigos: <Amai os vossos
inimigos e orai pelos que vos perseguem>.
O mandamento do amor aos inimigos revela-se na
exigência de renúncia à violência: <Não oporás resistência aos que praticam o mal>.
Jesus abole a pena de Talião: <Olho por olho, dente por dente> (Ex 21, 24), substituindo –a : <A quem
te bater numa face, apresenta-lhe também a outra>
(Lc. 6, 29).
Isto ultrapassa a força humana normal e requer
uma grandeza de alma e um domínio de si, tanto humano, como cristãos, capazes de romper a circulação
do mal e o circulo vicioso da violência e da contraviolência a fim de restabelecer a paz.
Aonde iriamos parar se não existissem perdão e
absolvição, se saíssemos de cada injustiça de que somos vitimas com nova injustiça – olho por olho, dente por dente?
Depois das terríveis experiencias de abominação
do século XX, o problema do perdão e do amor aos
inimigos ganhou uma nova actualidade e levou, nalguns círculos, à reorientação absolutamente necessária do pensamento.
Ficou demonstrado que a misericórdia, o perdão e
a absolvição, embora sejam actos quase sobrehumanos, também constituem actos sumamente racionais.
NOTA: Este texto é baseado no livro do Cardeal
Walter Kasper, A Misericórdia, Lucerna, 2015.
José António de
Guimarães Caimoto, OP
Porto, 20 de Fevereiro de 2016

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Agosto/Setembro 2016

ORAÇÃO DA SAPIÊNCIA
Aproveitando as férias estivais, ando a ler – não sei se deva dizer a ler ou a
estudar – A Alegria do Amor, a segunda exortação apostólica do Papa Francisco. Mas isso fica para outra vindima, pois hoje, com a devida e agradecida vénia, vou buscar parte do título deste artigo e o respetivo texto ao Almanaque Boa Nova 2016 (p.132). Li este texto numa das minhas meditações matinais e logo senti desejo de o partilhar com os leitores do Laicado
Dominicano, pensando na idade de muitos de nós (onde me incluo). Reza
assim o tal texto:

“Ó Senhor, Tu sabes melhor que eu que estou a envelhecer em cada dia que passa.
Livra-me, Senhor, da tolice de que devo dar a minha opinião sobre tudo e em qualquer ocasião.
Livra-me também, Senhor, deste desejo enorme de querer colocar a vida dos outros em ordem.
Ensina-me a pensar nos outros e a ajudá-los, sem nunca me impor a eles, mesmo considerando, com modéstia, que é uma pena não dar aos outros a sabedoria acumulada.
Tu sabes, Senhor, que quero conservar alguns amigos e manter uma boa relação com os filhos mas que, por
isso, não me devo intrometer nas suas vidas.
Livra-me, Senhor, da tolice de querer contar tudo em pormenor.
Dá-me asas para voar diretamente ao ponto que interessa.
Não me permitas falar mal de ninguém.
Ensina-me a silenciar as minhas dores e doenças.
Elas aumentam de dia para dia e, com elas, também aumenta a vontade de as descrever.
Não ouso pedir o dom de escutar com alegria a descrição das doenças dos outros… mas ensina-me, Senhor,
a suportar ouvi-las com alguma paciência.
Ensina-me a maravilhosa sabedoria de admitir que posso errar em algumas ocasiões.
Já descobri que as pessoas que acertam sempre são maçadoras e desagradáveis.
Mas sobretudo, Senhor, nesta prece de envelhecimento, mantém-me o mais amável possível.”
José Carlos Gomes da Costa,o.p.

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Colaboração: Maria da Paz Ramos

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