Dados Gerais

Processo: RO 00006696720125010038 RJ
Relator(a): Enoque Ribeiro dos Santos
Julgamento: 29/10/2013
Órgão Julgador: Quinta Turma
Publicação: 07/11/2013
Ementa
"DESVIO DE FUNÇÃO. VIGILANTE COBERTURA DE CARRO FORTE/VIGILANTE CHEFE
DE EQUIPE DE CARRO FORTE. DIFERENÇAS SALARIAIS E ADICIONAL DE RISCO.
Comprovado o desempenho de função diversa, atinente ao vigilante chefe de
equipe de carro forte, procede o pleito de pagamento de diferenças salariais.
Negado provimento. DANO MORAL. LABOR EXTRA E INTERVALO. O labor
extraordinário habitual e a irregularidade na concessão do intervalo intrajornada, de
forma objetiva, não é suficiente para a caracterização de dano moral. Recurso a que
se dá provimento.

atinente ao vigilante chefe de equipe de carro forte. . 251. Negado provimento.PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO Gab Des Enoque Ribeiro dos Santos Avenida Presidente Antonio Carlos.01.Gab 54 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ PROCESSO: 0000669-67. 6º andar . procede o pleito de pagamento de diferenças salariais.0038 .5. Comprovado o desempenho de função diversa. DIFERENÇAS SALARIAIS E ADICIONAL DE RISCO.2012.RTOrd Acórdão 5a Turma "DESVIO DE FUNÇÃO. VIGILANTE COBERTURA DE CARRO FORTE/VIGILANTE CHEFE DE EQUIPE DE CARRO FORTE.

38ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. da MM. prolatada pelo ilustre Magistrado José Mateus Alexandre Romano. sem preliminares. PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO Gab Des Enoque Ribeiro dos Santos . insurge-se contra o deferimento de diferenças salariais e contra a integração do adicional de risco de vida e triênios nas horas extras. de 11/03/2013. Deixei de remeter os autos ao douto Ministério Público do Trabalho em razão de a hipótese não se enquadrar na previsão de sua intervenção legal (Lei Complementar nº75/1993) e/ou das situações arroladas no Ofício PRT/1ª Região nº 214/13-GAB. como recorrente. 296-312. 253-6. Vistos. sentença de fls. É o relatório. Inconformando-se com a r. de formaobjetiva. com recorrido. e MARCIO DE ALBUQUERQUE FALCI. 258-66. de vales refeições adicionais e de indenização por dano moral. Em suas razões. às fls. Contrarrazões às fls. a Reclamada interpõe recurso ordinário. Recurso a que se dá provimento. Sustenta a improcedência dos pleitos de pagamento de horas extras pela supressão do intervalo intrajornada. não é suficiente para a caracterização de dano moral. relatados e discutidos os presentes autos de Recurso Ordinário em que são partes PROSEGUR BRASIL S/A . LABOR EXTRA E INTERVALO. que julgou procedente em parte o pedido.DANO MORAL. Olabor extraordinário habitual e a irregularidade naconcessão do intervalo intrajornada.

0038 . a reclamada inicialmente reconhece que o empregado exercia a função de “vigilante chefe de equipe de carro forte” (fl. o apelo é tempestivo. sofrendo reajustes de acordo com os Dissídios Coletivos da categoria. 249).Gab 54 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ PROCESSO: 0000669-67. sem receber o piso normativo estabelecido nas Convenções Coletivas. Preenchidos os pressupostos extrínsecos e intrínsecos de admissibilidade. 268v. eis que o Ato 95/13 prorrogou os prazos que venceriam em 19/06/2013 para o primeiro dia útil seguinte.2012. com fluência recursal até o dia 20/06/2013 – quinta-feira. pois interposto no último dia do prazo.01.Avenida Presidente Antonio Carlos. 170-91. hierarquicamente superior. 172) e. 251. afirma que ele fora admitido como “vigilante cobertura de carro forte”.RTOrd VOTO I – CONHECIMENTO O subscritor do apelo tem poderes à fl. II – MÉRITO DIFERENÇAS SALARIAIS POR DESVIO DE FUNÇÃO A inicial nos dá conta de que. conheço do recurso. após. 257). Com base na referida confissão e no depoimento da testemunha Irlanderson (fl. embora conste da CTPS a função de “vigilante cobertura de carro forte”. fls. a partir de junho de 2002 o autor passou a atuar como “vigilante chefe de equipe de carro forte”. 6º andar . A sentença foi publicada no Diário Oficial em 11/06/2013 – terça-feira (fl. o Juiz de primeiro grau julgou procedente o . Logo.5. Em sua defesa.

01. aduzindo que: PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO Gab Des Enoque Ribeiro dos Santos Avenida Presidente Antonio Carlos. para. não indica qualquer alteração de cargo ao longo do período do pacto e deixa claro que o demandante sempre recebeu o piso de vigilante de carro forte. Cumpre destacar que a ficha de registro do empregado. além dessa confissão. decorrente das contradições encontradas nas manifestações da empresa. A própria argumentação recursal volta a incidir em contradição. desde o ano de 2004 até 2011. conforme registro de empregado e contrato de trabalho anexos à inicial. fl. 251. que trabalhou com reclamante 08 vezes por mês no mesmo carroforte. Não merece reforma a decisão originária. asseverar que “na eventualidade de ter. 6º andar . 249 confirmou o desvio. .RTOrd “trabalhou com o autor no mesmo carro-forte e reclamante era o chefe da equipe. certo é que a testemunha de fl. nunca os de chefe de equipe de carro forte. exercido a função de chefe de equipe. restando. recebeu pelo desvio ocorrido”.5. 166. Como bem entendido na sentença. em raríssimas vezes. afirmando expressamente que o “Reclamante fora contratado para laborar na função de Chefe de equipe.2012. recebendo corretamente o piso salarial de sua categoria”.pedido de diferenças salarias pelo exercício da função de vigilante chefe de equipe de carro forte. após.Gab 54 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ PROCESSO: 0000669-67.0038 .

DIFERENÇAS DE HORAS EXTRAS PELA INTEGRAÇÃO DO ADICIONAL DE RISCO E DO TRIÊNIO Assevera a recorrente que o adicional de risco de vida e triênio não integram o salário do acionante. Nego provimento . observando-se os pisos salariais previstos nas respectivas normas coletivas. 08/08/2012)". foi promovido posteriormente para vigilante de carro forte e chefe de equipe. Des. VIGILANTE . são devidas as diferenças salariais pleiteadas. sem que a reclamada tenha procedido às devidas alterações na CTPS do obreiro. Assim uma vez comprovado o labor habitual do empregado em outras funções. para as quais não fora previamente contratado. embora tenha sido contratado. pois possuem natureza indenizatória. exemplificadamente. A jurisprudência é nesse sentido. tal como deferido. RO 00012208020105010082. Sem razão.Julg.portanto. devidas ao obreiro as diferenças salariais perseguidas. "DIFERENÇAS SALARIAIS . para exercer as funções de vigilante base. As normas coletivas colacionadas aos autos às fls.O contexto probatório firmado nos presentes autos atestou que o autor. Recurso que se nega provimento.(TRT 1ª Região. 31-116 preveêm o pagamento de adicional de risco de vida e de triênios aos empregados das empresas de transportes de valores na forma de gratificação. PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO Gab Des Enoque Ribeiro dos Santos . com seus reflexos. inicialmente. Mario Sergio Medeiros Pinheiro .

que na rua também não paravam para gozar intervalo de refeição.. INTERVALO INTRAJORNADA A recorrente insurge-se contra a condenação ao pagamento e integração de uma hora extra diária pela irregularidade na concessão do intervalo intrajornada. O artigo 457 da CLT dispõe claramente que integram o salário as gratificações ajustadas. deixa patente a irregularidade no gozo do intervalo intrajornada. mas para o horário de refeição quem batia o cartão era o setor de . É exatamente esse o caso dos autos. 6º andar . deve ser considerado para fim de base de cálculo do salário o adicional de risco de vida e os triênios recebidos pelo acionante.Gab 54 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ PROCESSO: 0000669-67. não merecendo reforma a sentença. 4 pessoas e. que reclamante e depoente batiam o ponto na entrada e na saída e estes horários estão certos. Assim.Avenida Presidente Antonio Carlos.0038 . Como bem ressaltado na sentença.01. que para cada carro-forte.5. Nego provimento. paravam em qualquer ponto seguro. dois desciam e compravam a marmita. voltavam para o carro. 251.RTOrd fls. a prova testemunhal. 34 e 44-5. A testemunha do acionante (fl. na rua. 249) disse: “que nunca voltavam para a base para gozar intervalo para almoço. inclusive aquela conduzida pela própria reclamada. os outros dois iam e compravam a marmita e voltavam para o carro e os quatro se alimentavam dentro do carro. nem deixando o carro-forte sozinho e saindo. . em momento algum afastando a natureza salarial que lhes é peculiar.2012..

nos períodos em que houve o efetivo labor. PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO Gab Des Enoque Ribeiro dos Santos Avenida Presidente Antonio Carlos. com reflexos em férias.Gab 54 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ PROCESSO: 0000669-67. enquanto que. devido o pagamento do intervalo intrajornada. na base. TST). 251).5. com o adicional de 50%. na forma de uma hora extra por dia de trabalho. etc. ele estava na rua trabalhando” e seu preposto confirmou que “realmente havia dias que reclamante não gozava do intervalo para refeições” (fl. era batido o horário de refeição do reclamante. . aviso prévio e FGTS + 40%. Assim.operações. da CLT. nos termos da r.” O próprio testigo trazido pela ré (fl. nos termos do disposto no parágrafo 4º do artigo 71 CLT. prevalece o decidido na r.RTOrd Isso porque a duração inferior ao limite legal também implica em violação total à norma legal (Súmula 437. 71.2012. item I. TST). 13º salário. estavam na rua trabalhando e os horários de refeição gozados que aparecem em alguns dias nos espelhos de ponto são inidôneos. 250) asseverou que “havia dias que. sentença. domingos e feriados. item III. na verdade. O caráter salarial desta violação é ponto pacífico na jurisprudência (Súmula 437. mas. Portanto.01. abono de férias. pela violação do art. na base.0038 . 251. na verdade. sentença. 6º andar .

(. VALES REFEIÇÃO ADICIONAIS A acionada foi condenada ao pagamento de vale-adicional para os dias em que o empregado ultrapassou 12 horas efetivas de trabalho. § 4º. Data de Publicação: 01/02/2013) Nego provimento. da CLT. assim. que o valor está remunerando os serviços prestados durante o intervalo não usufruído. logo. Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira. aviso-prévio e nos DSR e feriados. Nesse sentido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. FGTS.2011. RECURSO DE REVISTA DESCABIMENTO. quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação. 13º salário. 152-7 deixam patente a ocorrência de labor em jornadas que PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO . na forma das cláusulas normativas que instituíram o benefício e vigeram no período não prescrito. ainda. os controles de frequência de fls. no cálculo de outras parcelas salariais.É evidente.. repercutindo.) INTERVALO INTRAJORNADA. -possui natureza salarial a parcela prevista no art. Segundo o entendimento consolidado no inciso III da Súmula nº 437 do TST. com redação introduzida pela Lei nº 8.5. 71. Diversamente do que procura fazer crer a recorrente. NATUREZA JURÍDICA.. 3ª Turma. de 27 de julho de 1994. (TST . Data de Julgamento: 18/12/2012.AIRR -376-95. também é parcela salarial integrante da remuneração. justificando as incidências em férias.06.923.0102 .

Nego provimento. no sentido de que deve ser assegurado o vale refeição adicional.0038 . violando norma de ordem pública referente à saúde e segurança do trabalhador e sua dignidade. DANO MORAL A d. Não há prova da concessão de vale adicional a ele referente. § 1º da cláusula 11ª de fls. a intimidade e a imagem. O dano moral ou dano extrapatrimonial é aquele que se opõe ao dano material.Gab 54 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ PROCESSO: 0000669-67. de foro íntimo da pessoa. 6º andar .5. não afetando os bens patrimoniais propriamente ditos. ônus que cabia à demandada e do qual não se desincumbiu. Tome-se por exemplo o dia 11/06/2010.Gab Des Enoque Ribeiro dos Santos Avenida Presidente Antonio Carlos.000. como a honra. 251.00 ao argumento de que a submissão do empregado ao labor extraordinário habitual e sem pausa alimentar não pode se encarado como mero aborrecimento.e. em que o empregado ativouse das 08h21 às 20h31. O Reclamante pleiteou indenização por danos morais pela submissão habitual ao extrapolamento de jornadas e por não dispor regularmente de intervalo intrajornada. Wilson Melo da Silva considera morais as “lesões sofridas pelo sujeito físico ou pessoa natural de direito em seu patrimônio ideal. 45-6). o que atrai a incidência da previsão normativa (p. a liberdade.RTOrd chegaram a exceder as 12 horas diárias.01. em atentado contra os direitos da personalidade. mas atingindo os bens de ordem moral. em .2012. Juíza a quo deferiu o pagamento de indenização por dano moral no importe de R$ 25.

2012. 7º. reputação etc. a tranquilidade de espírito. havendo. provocada pelo fato lesivo. classificando-os em dano que afeta a parte social do patrimônio moral (honra. 1983. 1995.”(Dano Moral e a sua Reparação.). a integridade física. necessariamente. como a privação ou diminuição daqueles bens que têm PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO Gab Des Enoque Ribeiro dos Santos Avenida Presidente Antonio Carlos. Dalmartello enuncia os elementos caracterizadores do dano moral. 6º andar . 11) Nos ensinamentos de Maria Helena Diniz: “O dano moral vem a ser lesão de interesse não patrimonial de pessoa física ou jurídica.RTOrd um valor precípuo na vida do homem e que são a paz.“segundo sua visão. 3ª edição. atua ou que possa de alguma forma repercutir. a liberdade individual. Rio de Janeiro: Forense. que atingir o foro íntimo da pessoa humana ou o da própria valoração pessoal no meio em que vive.5. concluímos que são danos morais aqueles que se qualificam em razão da esfera da subjetividade ou plano valorativo da pessoa na sociedade.0038 . São Paulo: Saraiva. a honra e os demais sagrados afetos. dano que molesta a parte afetiva do patrimônio moral (dor. 67) Assim. o conjunto de tudo aquilo que não seja suscetível de valor econômico. v. p.contraposição ao patrimônio material. saudade etc. tristeza. 251. p.).Gab 54 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ PROCESSO: 0000669-67.” (Curso de Direito Civil Brasileiro.01. dano moral que provada direto ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz . 10ª edição.

A reparação do Dano Moral entre nós. o dano moral de um direito íntimo. São Paulo: Revista dos Tribunais. dificilmente desaparece. b) punir o causador do dano moral. oriunda de um ato ilícito perpetrado por uma das partes da relação contratual. objetivando mitigar a dor sofrida pelo ato ilícito e lhe proporcionar momentos de felicidade e alegria. por se tratar. o recôndito do espírito. possui duas finalidades básicas. de acordo com as circunstâncias e o estado de espírito. A dor moral é a dor do espírito. indesejáveis e nefastos ao convívio em sociedade.” (apud Rui Stocco.). aquilo que deveria ser indevassável. que é peculiar nas reparações por dano material. à consciência do indivíduo. Responsabilidade Civil e a sua Interpretação Jurisprudencial. 2ª edição. 523) O dano moral tem como pressuposto uma dor correspondente. de apagar as mazelas sofridas (valor compensativo da indenização). p. de amenizar. pelo menos em parte. atualmente. de forma violenta e injusta. Sempre voltará à tona. A dor moral é invisível e se manifesta no coração e na mente dos homens. tristeza etc. aquilo que ele possui de mais íntimo.deformante etc. é aquela que atinge as profundezas do ser. a sua reparação não terá o condão de refazer-lhe o patrimônio material. de arrefecer a dor experimentada em função da agressão moral a que foi acometido. em um misto de compensação e satisfação. e uma vez atingido. proporcionando-lhe meios de mitigar. a rigor. ou seja: a) indenizar pecuniariamente o ofendido. A indenização terá um sentido compensatório. Para o lesionador tem um sentido de pena. Assim. inibindo novos casos lesivos. 1995. que criem condições.) e dano moral puro (dor. subjetivo. funcionando como inibidora para .

o dano. da Constituição Federal .RTOrd incisos V e X. concretamente. segue os preceitos estabelecidos pelo Direito Civil. os efeitos desejados contra o lesante. fático da concordância dos seguintes elementos: a) o impulso só do agente (ação ou omissão). A caracterização do direito à reparação do Dano Moral Trabalhista.2012. tem-se que o dano moral trabalhista. tem. b) ato ilícito. Para a efetiva caracterização do Dano Moral no Direito do Trabalho.. 6º andar .01. ao qual o Direito do Trabalho recorre-se subsidiariamente.e. consistindo o seu efeito na reparação pecuniária ou natural. ato ilícito. PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO Gab Des Enoque Ribeiro dos Santos Avenida Presidente Antonio Carlos. 251.novas investidas para o lesante. um caráter exemplar.5. o dano ou prejuízo e o nexo de causalidade entre este e aquela. c) o resultado lesivo.Gab 54 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ PROCESSO: 0000669-67. com isto. .0038 . depende no plano. e d) o nexo etiológico de causalidade entre o dano e a ação alheia. i. mais propriamente no artigo 186 do Código Civil e artigo 5º. é necessário que estejam presentes todos os elementos exigidos no ordenamento jurídico para que se realizem. A responsabilidade civil requer à sua caracterização três elementos básicos: a ação ou omissão. Fixadas estas premissas. e ainda para aqueles que lhe cercam.

J. no caso concreto. comprovação. El respeto a la esfera privada del trabajador. a demonstração do resultado lesivo e a conexão com o fato causador. Já o dano material. Temse a perda. o conjunto das relações jurídicas de uma pessoa. o qual se presume. Un estudio sobre los lijmites del poder de control empresarial. 1988. somente serão reparados quando ilícitos e após a sua caracterização (dano experimentado). artigo 5º. Cumpre ressaltar que os danos morais. isto é. 313): “o pressuposto da indenização por dano moral é a existência do prejuízo. Dispensa-se. p. atinge os bens integrantes do patrimônio. para responsabilização do agente. o dano moral trata-se de “damnun in re ipsa”. PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO . G. Constituição Federal ).L. de modo semelhante aos danos materiais. bastando. Madrid: Civitas. deterioração ou diminuição do patrimônio. como no caso em análise. Pelo que foi demonstrado nos autos. a simples análise das circunstâncias fáticas é suficiente para a sua percepção pelo magistrado. De acordo com José Luiz Goñi Sein (SEIN. não há a menor demonstração de ofensa ao patrimônio ideal do trabalhador (direitos de personalidade. ou seja. sempre que se acredita na existência da intromissão ilegítima” O Direito do Trabalho constitui um campo fértil para a ocorrência de danos morais. o qual também é conhecido por dano patrimonial. com muito mais intensidade contra o empregado. apreciáveis economicamente. no caso concreto. V e X. pois.A rigor.

nos termos da fundamentação supra. dou-lhe parcial provimento para excluir da condenação o pagamento da indenização por dano moral. no mérito.Gab 54 Castelo Rio de Janeiro 20020-010 RJ PROCESSO: 0000669-67.5.01. III – CONCLUSÃO Ante o exposto. que a este dispositivo passa a integrar.por unanimidade. Rio de Janeiro. conhecer dorecurso e. conheço do recurso e. 6º andar . não é suficiente para a caracterização de dano moral.RTOrd O labor extraordinário habitual e a irregularidade na concessão do intervalo intrajornada. Dou provimento. nos termos da fundamentação do voto do Excelentíssimo Desembargador Relator.2012. Desembargador Federal do Trabalho Enoque Ribeiro dos Santos Relator . DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir da condenação o pagamento da indenização por dano moral. de forma objetiva. no mérito. 29 de Outubro de 2013.Gab Des Enoque Ribeiro dos Santos Avenida Presidente Antonio Carlos.0038 . 251. IV – DISPOSITIVO Acordam os Desembargadores que compõem a 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região.