ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA E DIVERSIDADE

LINGUÍSTICA
Profa. Dra. Maria Célia Lima-Hernandes
Disciplina: Introdução à Linguística Cognitiva
Aluno: Alan Cardek Guimarães

FENÔMENOS E TENDÊNCIAS DE USO DA INTENSIFICAÇÃO COM BASE EM
PRINCIPÍOS COGNITIVOS

Sabe-se que a língua, a fala e a linguagem humana são os principais objetos
de estudo da Linguística, sendo esses fatores fundamentais para comunicação
humana. Partindo desse pressuposto que estudiosos abordam teoricamente a
Linguística Cognitiva, pois ela trata a Linguagem a partir da relação humana com o
mundo, sendo assim, pode-se afirmar então que a Linguística Cognitiva olha os
conteúdos da linguagem para melhor explicar os fenômenos que ocorrem na língua.
De acordo com a concepção cognitivista não existem significados prontos,
mas uma estrutura de construção de sentidos a partir de dados pertencentes a um
contexto. Dessa forma, a linguagem não pode ser estudada a partir de seres
isolados, mas visando a interação linguística em contextos socialmente concretos.
Partindo dessa premissa que este breve estudo analisará alguns casos de
intensificação, colhido de falantes que são próximos ao autor deste trabalho, seja no
âmbito familiar ou no contexto profissional à luz do que foi aprendido de acordo com
a Linguística Cognitva.
Givón

(2001)

postulou

princípios

da

organização

gramatical

icônica ou Princípios de iconicidade. Para o autor ao enunciar relações de
motivação entre forma e função, os Princípios de iconicidade se opõem ao
princípio

da arbitrariedade do

signo

linguístico.

Portanto,

busca-se

nos

condicionamentos cognitivos e discursivos que caracterizam cada momento da
interação, as explicações que justifiquem a forma da expressão linguística utilizada.
Esses princípios de iconicidade representam uma preferência ou tendência no uso
de uma língua natural. Observe os enunciados a seguir:

localização. ou seja. comunicacionais. tamanho. socioculturais. Mas a associação entre a complexidade estrutural e a frequência de uso de categorias gramaticais.I. a categoria marcada é menos frequente no texto.“A canjica estava uma delíiiiiiiiiicia!” O enunciado II foi retirado de um falante que elogiava uma comida típica na noite de São João. “O milho cozido é mais melhor do que o assado”. em que se alonga e/ou se imprime maior tonicidade a um componente sonoro: II.  No plano lexical – com carga intensiva no próprio lexema. sejam eles cognitivos. também exige mais explicações. neurobiológicos ou evolutivos. Silva (2006) afirma que as evidências semântico-cognitivas da intensificação podem ser expressas das mais diversas maneiras. força ou alguma sensação físico-psicológica impactante. É perceptível a intenção do falante de intensificar a qualidade do alimento e para isso ele utiliza-se da escansão da sílaba “Líiiiiiiiiiiiii” como componente sonoro de intensificação. por si só. a seguir serão apresentadas algumas delas analisadas a partir da presente pesquisa:  No plano fonético – através de traços supra-segmentais. Conjunto de palavras de mesma classe morfológica: III. enquanto a não-marcada é a mais frequente. Nota-se no enunciado I a intenção do falante de intensificar a noção de qualidade do substantivo milho e para isso recorre às construções intesificadoras que podem expressar noções de quantidade. Analisando a frase I segundo o Princípio da Marcação.“Eu tenho pavor a fogos!” . que demandam fundamentos mais consistentes.

estabelece-se uma conexão analógica entre o conteúdo intensivo significado e outro de natureza mais “concreta”.“ Luan só fala.O substantivo pavor carrega a carga intensiva de outros substantivos como: medo < pavor < aversão.  No plano morfológico – Ocorre por meio de acréscimo de afixos. observe a seguir: IV. fala e não chama a menina para dançar. Utilizado para reforçar a intensidade da rejeição do falante a fogos. No exemplo IV a repetição da mesma base lexical demonstra ações repetidas e exemplifica a intensidade com que ela ocorre.“O arroz doce está muito quente!” VI. .“Quer um gole? A cerveja está geladíssima!” A intensificação presente no enunciado IV foi marcada pelo acréscimo do sufixo -íssima que emerge do esquema imagético de quantidade. resultante da nossa relação somática com o contexto que estamos inseridos e com a intenção do falante.  No plano sintático – Ocorre mediante combinação de formas sintagmáticas/ oracionais ou pela repetição da mesma base lexical: V. nos processos de intensificação. também com a finalidade de intensificar algum elemento no enunciado.” No enunciado V o falante utilizou-se da combinação sintagmática para se referir ao alimento que estava demasiadamente quente. ou seja. ele quis demonstrar que a cerveja estava muito gelada. A partir do que fora apresentado. percebe-se que.

2001 Universidade Federal do Ceará . Márcia Teixeira. . Aspectos semântico-cognitivos da intensificação. Os Princípios De Iconicidade E Marcação traduzindo GIVÓN.21. Niterói: Ed. In: Gragoatá. Amsterdam: John Benjamins. NOGUEIRA. sem. V. 2006 (p. 2. Syntax: an introduction.Instituto UFC Virtual.REFERÊNCIAS SILVA. José Romerito. da UFF. 201-218). T.