Sobre a Criatividade...

Quando eu era criança não me importava muito com arte, cultura e
esse tipo de coisas mais subjetivas. Sempre fui um garoto muito tímido. Não
era espontâneo, nem extrovertido, mas me lembro de pensar com admiração,
como essas pessoas conseguiam ter criatividade e inspiração pra criar obras,
pinturas, músicas e todo esse conteúdo cultural.
Acho que foi essa admiração que me fez, mais tarde, começar a me
interessar por arte. Me lembro que foi no 3º ano do ensino médio que o
interesse se tornou aparente pra mim. Quando meu professor de literatura, ao
ensinar sobre a arte Barroca, nos apresentou uma letra da cantora Pitty:
“Semana que vem”. E ali meus amigos, eu, que gostava muito da artista e já
tinha ouvido a música diversas vezes, enxerguei algo que nunca tinha visto (ou
ouvido, no caso): a subjetividade, as entrelinhas da arte. Ao relacionar
conceitos com a música, a compositora conseguiu transmitir sentimentos que
só ficaram aparentes pra mim depois de uma visão mais detalhada. A partir daí,
busquei essa subjetividade com avidez crescente. Primeiramente na música,
depois na leitura e finalmente em todos os tipos de arte.
Ao crescer me deparei com várias respostas para minha pergunta
sobre a criatividade e a inspiração. Várias negativas, do tipo: “Você tem que
nascer com o dom.” e “Essas pessoas são inspiradas de maneira inata, isso
não se adquire”. Eu, como o rapaz ingênuo que sempre fui, acreditei. E então
aos 19 anos me propus a aprender violão. Eu sabia que não tinha o dom, nem
a criatividade, pois nunca tive coordenação motora, era desastrado e
desajeitado. Então fui com o seguinte pensamento: “Sei que não vou ser o
melhor. Aliás, sei que não vou nem ser bom, mas quero pelo menos saber tocar
alguma coisa. Nem que seja só para mim.”
E realmente, o começo foi difícil. Eu era muito ávido pra aprender, mas
isso às vezes me atrapalhava. Perseverei nos três primeiros meses
(geralmente os mais difíceis para o iniciante), e depois disso por um ano,
depois dois anos, e assim por diante. Hoje em dia toco razoavelmente bem e
depois desse processo, descobri uma coisa muito interessante. As mesmas

vieram me falar que eu tinha o tal do dom. Basta exercitar”. Só aí tive a comprovação de que pra ser criativo não precisa nascer criativo. a prática e a persistência vão te levar à esse incrível lugar que é o da criação de ideias. e que eu tocava super bem.pessoas que me falaram que o artista já nasce com o dom. E aí quando ingressei na Universidade tive um professor que me falou uma coisa diferente: “A criatividade é uma habilidade. Aprendi a tocar guitarra. Quando você quiser desenvolver esse lado seu. . imagine tocar pra outras pessoas ouvirem. as organiza e depois as expõe. talvez gere resultados insatisfatórios. Claro que não é tão simples assim. ela pode ser melhorada. Eu era tão tímido que tinha vergonha até de falar na sala de aula. O simples ato de pensar já é em si uma criação. O único requisito verdadeiro para ser criativo é querer. A falácia do dom inato é tão forte. Você formula ideias. Seja para um colega. É a persistência que vai trabalhar sua habilidade e melhorar a qualidade das criações. bastava tentar e praticar. que sufoca a criatividade de vários artistas em potencial. basta pensar em alguma ideia que você queira passar e se propor a organizar esse pensamento de modo à apresenta-lo. e passei a assumir desafios pra aumentar minhas habilidades. parei de me limitar ao que eu achava que eu era capaz. Portanto. Tive sorte de ter tido uma visão que me permitiu ignorar essa falsa afirmação e conseguir desenvolver esse meu lado criativo. A partir daí. seja para o professor no seminário apresentado diante da sala. para criar algo de valor cultural. por não ter sido desenvolvida. E no começo a criatividade. E foi me desafiando que percebi que eu era sim capaz de todas essas coisas. e brinquei com a ideia de escrever. um pouco de bateria e teclado.