UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

ESCOLA DE ENGENHARIA CIVIL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOTECNIA,
ESTRUTURAS E CONSTRUÇÃO CIVIL

INFLUÊNCIA DO PERFIL DE SUCÇÃO EM
OBRAS DE CONTENÇÃO EM SOLOS NÃO
SATURADOS

MELINA FREITAS ROCHA

D0076G13
GOIÂNIA
2013

MELINA FREITAS ROCHA

INFLUÊNCIA DO PERFIL DE SUCÇÃO EM
OBRAS DE CONTENÇÃO EM SOLOS NÃO
SATURADOS

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em
Geotecnia, Estruturas e Construção Civil da Universidade
Federal de Goiás para obtenção do título de Mestre em
Engenharia Civil.
Área de Concentração: Geotecnia
Orientador: Carlos Alberto Lauro Vargas
Coorientador: Gilson de F. N. Gitirana Jr.

D0076G13
GOIÂNIA
2013

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação na (CIP)
(GPT/BC/UFG)

R672i

Rocha, Melina Freitas.
Influência do perfil de sucção em obras de contenção em
solos não saturados. [manuscrito] / Melina Freitas Rocha. 2013.
271 f. : il., figs, tabs.
Orientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Lauro Vargas;
Coorientador: Gilson de F. N. Gitirana Júnior.
Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Goiás,
Escola de Engenharia Civil, 2013.
Bibliografia.
Inclui lista de figuras, abreviaturas, siglas e tabelas.
Apêndices.
1. Estrutura de contenção – Influência de sucção. 2.
Solos não saturados – Sucção. I. Título.
CDU: 624.137

Structures Retaining wall. assinale as permissões: [ ] Capítulos.TERMO DE CIÊNCIA E DE AUTORIZAÇÃO PARA DISPONIBILIZAR AS TESES E DISSERTAÇÕES ELETRÔNICAS (TEDE) NA BIBLIOTECA DIGITAL DA UFG Na qualidade de titular dos direitos de autor. de acordo com a Lei nº 9610/98.171-86 E-mail: Melinafreitas27@htomail. . A extensão deste prazo suscita justificativa junto à coordenação do curso. Especifique: __________________________________________________ [ ] Outras restrições: _____________________________________________________ Havendo concordância com a disponibilização eletrônica. torna-se imprescindível o envio do(s) arquivo(s) em formato digital PDF ou DOC da tese ou dissertação. Área de concentração: Geotecnia Data defesa: (dd/mm/aaaa) 22/07/2013 Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Geotecnia. Mecânica das Estruturas e Construção civil Orientador (a): Carlos Alberto Lauro Vargas E-mail: carloslauro@hotmail. Informações de acesso ao documento: Liberação para disponibilização?1 [x] total [ ] parcial Em caso de disponibilização parcial. impressão e/ou download. Dimensionamento. 1. Identificação da Tese ou Dissertação Autor (a): Melina Freitas Rocha CPF: 020. receberão procedimentos de segurança. Perfil de sucção. Identificação do material bibliográfico: 2.com Co-orientador (a): Gilson de F. criptografia (para não permitir cópia e extração de conteúdo.496. esta poderá ser mantida por até um ano a partir da data de defesa. Suction Profile. por meio da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD/UFG). a título de divulgação da produção científica brasileira. Gitirana Fr. gratuitamente. E-mail: gilsongitirana@gmail. que os arquivos contendo eletronicamente as teses e ou dissertações. o documento conforme permissões assinaladas abaixo.com 3. Sheet length. Todo resumo e metadados ficarão sempre disponibilizados. antes de sua disponibilização. a partir desta data. Comprimento de ficha. sem ressarcimento dos direitos autorais. Estruturas de contenção. autorizo a Universidade Federal de Goiás (UFG) a disponibilizar. Título em outra língua: Influences of profile suction retaining wall in unsaturated soils Palavras-chave em outra língua: Unsaturated soils. O Sistema da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações garante aos autores. para fins de leitura. N.com Seu e-mail pode ser disponibilizado na página? Vínculo empregatício do autor: [ X ] Dissertação [x] Sim [ ] Tese [ ] Não Nenhum Agência de fomento: Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Sigla: CAPES Pessoal de Nível Superior País: Brasil UF: Go CNPJ: Título: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Palavras-chave: Solo não saturado. Structural design. permitindo apenas impressão fraca) usando o padrão do Acrobat. Assinatura do (a) autor (a) 1 Data:22/09/2014 Em caso de restrição.

.

Vocês foram a minha retaguarda para vencer mais esta etapa. aos meus irmãos Kamila.DEDICATÓRIA Apoio e oportunidade era o que precisava para concretizar meus objetivos. Sávio e Gabriela e ao meu namorado Gustavo Henrique que me apoiaram durante toda essa jornada. Dedico este trabalho aos meus pais Maria de Lourdes e Fábio Levy. . Ao grupo de professores do GECON que acreditaram na minha capcidade e por fazerem da Geotecnia uma paixão profissional.

muito mais do que eu. por fim. Agradeço também ao meu professor Renato Angelim que quando deveria ser simplesmente professor. Lilian. Carolina. assim. por ser pessoa digna de minha total confiança e a quem posso recorrer quando a vida se mostrar difícil. A senhora.AGRADECIMENTOS Àquele que nunca vejo ou ouço. Carlos. Obrigada por afastar o medo das coisas que pudesse não compreender. Gilson e Klebber por transmitirem todo o conhecimento durante esses dois anos e por saberem despertar em mim o instinto de pesquisadora. ao senhor. levando-me. minha gratidão por ter me dado o dom da vida e a possibilidade de completar mais uma etapa. pela positividade de que tudo daria certo. . por ser exemplo de vida e sabedoria. que acredita na minha capacidade. Às minha companheiras de estudos e amigas: Ludmila. engenheiro papai. Márcia. fazê-lo cada vez melhor. a compreendêlas. foi meu mestre. que quando deveria ser simplesmente meu mestre. que fez despertar em mim a paixão pela Engenharia Civil. Aos meus irmãos queridos sempre com alegria e disposição me incentivando e me fazendo acreditar. Obrigada meu Deus. por resolver o que achava complicado. Francielle. Adriana por confiarem em minha capacidade. Patrícia. pela paciência. por me acalmarem nos momentos difíceis. por me ajudar a descobrir o que fazer de melhor e. Aos meus professores: Maurício. Aos meus pais Maria de Lourdes e Fábio Levy por serem as pessoas que mais me inspiram nessa vida. por me apoiarem e me acalmarem nos momentos de sufoco. mas um contentamento. Obrigado por me orientarem. por despertarem em mim o interesse ainda maior pela geotecnia. por me fazer sentir pessoa de valor. mas posso sentir ao meu lado. foi meu amigo e em sua amizade me compreendeu e me incentivou a seguir meu caminho. Michelle. Agradeço em especial aos meus orientadores Carlos Lauro e Gilson Gitirana por fazerem do aprendizado não um trabalho. sempre me zelando. mamãe.

Agradeço em especial ao meu namorado Gustavo Henrique que juntos atingimos nosso objetivo. Muito Obrigada! . À Universidade Federal de Goiás por propiciar a oportunidade de cursar o mestrado e à CAPES pela bolsa durante todo o desenvolvimento da pesquisa. me apoiando e fazendo acreditar cada vez mais. João. Joaquim. Cíntia. dando uma visão crítica positiva para que tudo saísse perfeito. que mesmo longe estiverem presente e me apoiaram em cada momento durante esse período. apoiamos um ao outro. Obrigada a todos que mesmo não mencionando nomes sabem de sua importância durante essa realização.A Eletrobrás Furnas e aos funcionários dos Laboratórios. dando conforto. Obrigada pela sua paciência e cumplicidade e por estar sempre ao meu lado durante todos esses anos. carinho e atenção. Zé Roberto por auxiliarem na realização dos ensaios. aos amigos distantes. Helmar. Diógenes. Divino. Antônio que no decorrer da pesquisa me ajudaram com ideias. Aos colegas de mestrado.

F.0 e 1.5. O desempenho e dimensionamento da contenção exigem um bom entendimento do estado de tensões do solo. há um aumento da profundidade da tensão horizontal nula que foi um dos parâmetros que contribui para a redução dos esforços horizontais na contenção. isto é. para os solos saturados foram desenvolvidas as formulação para cálculo dos empuxos ativos e passivo levando em consideração a não saturação do solo. Dimensionamento. logo uma redução no comprimento da ficha. funcionalidade e durabilidade. principalmente para chuvas com intensidade relativa próxima de 1 (q/ksat) e solos com permeabilidade saturada alta. para três comportamentos diferentes da sucção. A valorização do uso do solo tem levado a exploração ampla do subsolo.A.RESUMO A necessidade do uso das estruturas de contenção tem sido cada vez mais frequente em obras de engenharia. ROCHA . A vida útil de uma obra deve garantir estabilidade. 6 e 9 m) e para várias condições inciciais de N. sucção variando linearmente com a profundidade e perfil de sucção misto (i. Perfil de sucção. Por outro lado o peso específico natural varia com a sucção e esse é um fator que pode aumentar os esforços. Estruturas de contenção. parte é mantido constante e parte varia linearmente com a profundidade). com a intensidade e duração da precipitação. implicando em grandes escavações que alteram o estado de equilíbrio do solo. E observou-se que o comportamento do perfil de sucção está intimamente relacionado com os parâmetros saturados bem como os não saturados de cada solo. ___________________________________________________________________________ M. Devido a sucção. Palavras-chave: Solos não saturados. Com intuito de avaliar a influência da sucção no dimensionamente de uma estrutura de contenção em balanço. Comprimento de ficha. sucção constante ao longo da profundidade. Após a determinação dos empuxos ativo e passivo foi estabelecido o equilíbrio limite da contenção e determinado o comprimento da ficha para dos fatores de segurança de 1. submetida à mesma carga externa. Percebeu-se que há redução do empuxo ativo e um acréscimo do empuxo passivo para todas as condições de perfil de sucção. onde a sucção é pequena e tem-se distribuição constante no perfil do solo. A análise da interação solo-estrutura torna-se importante pelo fato de que a mesma estrutura. foram simulados condições reais de precipitações em três solos distintos para três profundidades de escavações (3..e. Através da teoria do empuxo de terra de Rankine. apresenta reações de apoio que variam com as condições particulares do maciço de solo em que ela se encontra. Portanto o estudo da interação solo-atmosfera é um dos fatores essenciais para os solos não saturados. da interação solo-estrutura e da variação da saturação do solo durante a construção e vida útil da contenção.

Structures Retaining wall. i. Otherwise the specific weight natural varies with the suction and that is a factor that can increase efforts.. Structural design. there is an increased horizontal depth tension zone that contributes to the reduction in the horizontal efforts on the structures retaining wall . The useful life of retaining wall must ensure stability. then a reduction in the sheet length. ___________________________________________________________________________ M.e. ROCHA . F. After determination of the active and passive earth pressure was established equilibrium limit retaining wall and give the sheet length for safety factors of 1. the formulation was developed to calculate the active and passive earth pressure into account the unsaturated soil for three different behaviors of suction. Due to suction. where suction is small and has constant distribuiton in the soil profile. Therefore the study of soil-atmosphere interaction is an essential factor for unsaturated soils. resulting in large excavations that change the equilibrium state of the soil. soil-structure interaction and varying the saturation of soil during construction and useful life. The performance and design of retaining wall require a good understanding of the stress state of the soil. with the intensity and duration of precipitation. Suction Profile. Through the theory of earth pressure Rankine for saturated soils. Sheet length. It was noticed that there is reduction in the active earth pressure and increased passive earth pressure for all conditions in suction profile.ABSTRACT The need for the use of structures retaining wall have been increasingly used in engineering works.5. It was observed that the behavior of the suction profile is inwardly related to the parameters as well as saturated and unsaturated soil each. the part is kept constant and decrease linearly with depth).A. constant suction over the depth matric suction decrease linearly with depth and suction profile mixed (ie. The valuation of soil use has led to wide-ranging exploration of the subsoil. 6 e 9 m) and inciciais different conditions N. The analysis of soilstructure interaction becomes important by the fact that the same structure subjected to the same external load. Key-words: Unsaturated soils.0 and 1. functionality and durability. particularly for rainfall with relative intensity close to 1 (q/ksat) and saturated soils with high permeability. In order to evaluate the influence of suction on structural design in balance were simulated real conditions of rainfall in three different soils for three excavations (3. presents support reactions that vary with the particular conditions of the mass of soil in which it lies.

....... 31 CAPÍTULO 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .........................................................1.................................................3 CURVA CARACTERÍSTICA SOLO ÁGUA...1 Ensaios realizados ................... 132 ___________________________________________________________________________ M..3 WP4C ........................ 108 3........... 104 3.......1 OBJETIVOS ... 47 2..........5 CONDITIVIDADE HIDRÁULICA DOS SOLOS NÃO SATURADOS ....................... F.......... 98 3....6 PERFIL DE SUCÇÃO NA TEORIA DE EMPUXO DE TERRA ...............................2 Análise paramétrica ....................................................3 Programa FlexPDE ............... 111 3...... 90 3.....1 ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO E PROCESSOS CONSTRUTIVOS ................... 116 CAPÍTULO 4 ANÁLISES DE RESULTADOS ......2 Ensaio de compressão diametral .........................................................................................1......................................................... 128 4............................. 116 3...............................................2 ESCOPO DA DISSERTAÇÃO .............................3................................1 Técnica do papel filtro .............................................................. 27 1...................................................................................... 114 3... 45 2...........................................3 METODOLOGIA PARA ANÁLISE NUMÉRICA DO PERFIL DE SUCÇÃO ...........4 RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO DOS SOLOS NÃO SATURADOS ..................................................................................................................................................................1 RESULTADOS DOS ENSAIOS E AJUSTES DE PARÂMETROS ................................1.......... 33 2............................................................................................ 98 3................................1........1..................2 Ensaio de compressão diametral ....................1 Curva característica solo água.......2 FORMULAÇÃO ANALÍTICA PARA O DIMENSIONAMENTO DE CONTENÇÃO EM SOLOS NÃO SATURADOS .......... 33 2..................................... 122 4................1 Determinação da precipitação .................................................. ROCHA Sumário . 69 CAPÍTULO 3 MATERIAIS E MÉTODOS ........SUMÁRIO CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO ......................2 MÉTODO DE DIMENSIONAMENTO DE ESTACA PRANCHA PARA SOLOS SATURADOS ....................................................................................................1 CARACTERÍSTICA DOS SOLOS ESTUDADOS .......................1...................1................ 43 2...........1....................... 30 1. 121 4.........................................................3 WP4C Dewpoint PotenciaMeter ......1........................................... 114 3............................................1.............................................3............................................................3........ 58 2...... 122 4.... 90 3..........

................................ 226 4.........................................................................................................5........................................3 Solo João Leite ........................................1 WP4C ........................................................................................................... 137 4................... 260 A........... 248 A..5 EXECUÇÃO DO ENSAIO .......... 266 APÊNDICE C TRATAMENTO DOS DADOS PLUVIOMÉTRICOS.....................................................5 DIMENSIONAMENTOS COM OS PERFIS DE SUCÇÃO .......................1 SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS ...................................2..3.........................2 Estimativa do potencial osmótico .............................................3 Solo João Leite ........................................... 172 4.................................................................... 228 4.....................6 EFEITO DA SUCÇÃO NO EMPUXO ATIVO . 166 4.................. 248 A.........................1 Solo Brasília ...........................................1 Solo Brasília ................ 140 4....................3 ANÁLISES NUMÉRICAS FLEXPDE ....................1.............................. 217 4....................................................................................................................................................... VERIFICAÇÃO E PROCEDIMENTO DE ENSAIOS DE CURVA CARACTERÍSTICA A PARTIR DO WP4C (DEWPOINT POTENCIALMETER)..........................................................2 FORMULAÇÕES MATEMÁTICAS PARA O MÉTODO DE DIMENSIONAMENTO DE CONTENÇÃO PARA SOLOS NÃO SATURADOS .. 248 A......................4 ANÁLISES COMPARATIVAS .................. 187 4............ 265 B..3.............3......................................................2 Solo Furnas .................... 267 ___________________________________________________________________________ M.............................................................................. 259 A.........4 LIMPEZA E VERIFICAÇÃO DA CALIBRAÇÃO DO EQUIPAMENTO .............D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 4.......3 MODOS DE LEITURA ................1 PRECIPITAÇÃO COM CHUVA DE 1 DIA DE DURAÇÃO ...................................................................... F...... 202 4....... 233 4.......................................................................................................... 231 4........................5......5................................. 248 APÊNDICE B CÓDIGO PARA OBTENÇÃO DAS PRECIPITAÇÕES MÁXIMAS ANUAIS................... 235 CAPÍTULO 5 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS ..267 C....2 A TEORIA DO POTENCIAL DE ÁGUA ..............................................................................2 Solo Furnas .......... 242 5.....................1 Efeito da temperatura no potencial de água .............................................2......256 A.............. 248 APÊNDICE A METODOLOGIA DE EXECUÇÃO...........................................2 PRECIPITAÇÃO COM CHUVA DE 30 DIAS DE DURAÇÃO ............................1 PRECIPITAÇÃO GOIÂNIA .......................265 B.............................................................4 Dados pluviométricos ...... ROCHA Sumário ......................... 248 A.....................................

..... 273 ___________________________________________________________________________ M....... 267 C..........................................................1..........................................2 Chuva com 30 dias de duração ...... 271 C...........................................1 Chuva com 1 dia de duração ....2 Chuva com 30 dias de duração ............D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados C................................................. ROCHA Sumário ...........2......................................... 271 C...........................2...... 269 C.................................1 Chuva com 1 dia de duração ..........2 PRECIPITAÇÃO BRASÍLIA .......................... F.......................................1......

........modificado)................. 1996).....................................3 – Seções de estacas prancha....... 1999 modificado)..7 – Esquema executivo de paredes diafragmas moldadas in situ (FUNDESP................................. .10 – Elementos da curva característica (modificado de FREDLUND...... 2007)..........1 – Perfil típico de poropressão d’água (modificado de FREDLUND.............9 – Curvas características solo água para três solos distintos (modifica de FREDLUND........ ... 51 Figura 2................. ...........8 – Cortina em perfil metálico............ 2006 ................... ................2 – Seções de estacas prancha de aço (OU................. 35 Figura 2. 41 Figura 2..................................... 1999 ............11 – Elemento de solo não saturado com uma fase de ar contínua (modificado de FREDLUND................ (c) Diagrama simplificado da pressões laterais (DAS. 42 Figura 2......... 42 Figura 2............. ROCHA Lista de Figuras .............. (b) Distribuição das pressões laterais obtidas pelas teorias da elasticidade e da plasticidade............. 1993).... (b) Método da extremidade fixa (DAS........ ........... 48 Figura 2.................................... RAHARDJO...... 19791 apud TACITANO................ MILITITSKY.................... 2006).. RAHARDJO...............6 – Cortinas de estacas moldadas in situ................1 – Principais elementos de um sistema de contenção (MARZIONA........ 1996 ...................... XING......4 – Diagrama de pressões laterais em uma cortina em balanço em solo granular: (a) Deformação da parede... 1994) . 56 ___________________________________________________________________________ M........ ...................................... 29 Figura 2...................12 – Envoltória de ruptura estendida de Morh-Coulomb para solos não saturados (modificado de FREDLUND...................15 – (a) Elementos típicos da curva característica.................. 52 Figura 2................................................. 2001)........... 38 Figura 2.......................... ....modificado)...................5 – Variação da deflexão e do momento em estacas prancha ancoradas: (a) Método da extremidade livre......................... 1996).. . ...... .............................. 1993).... F................................... ......................... ........... RAHARDJO.... 35 Figura 2......... 39 Figura 2....................... 46 Figura 2................... ... XING 1994)........... (a) Estacas pranchas de madeira.... 35 Figura 2..................................................... WOODS. (b) função hiperbólica e condições assumidas para obter os parâmetros a e b (modificado de VILAR....................47 Figura 2......13 – Variação do intercepto coesivo de acordo com o valor de sucção (modificado de FREDLUND................14 – Relação entre a curva característica solo água e a resistência ao cisalhamento (modificado de VANAPALLI...................... (b) Estacas pranchas de concreto armado (CLAYTON...... 1993)......................LISTA DE FIGURAS Figura 1....modificado)............... 55 Figura 2................

...26 – Perfis típicos de sucção abaixo de uma superfície descoberta...................... ............................................ 71 Figura 2................ 74 Figura 2............................................D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Figura 2...............27 – Perfis típicos de sucção abaixo de uma superfície descoberta...... 72 Figura 2....................... flutuação sazonal (BLIGHT 1980 apud FREDLUND............................................. ........ RAHARDJO 1993 – modificado)............................................ 2006)................................24 – Processo da zona de infiltração para um perfil de solo (modificado de WILLIAN E OUYANG.............................. ................. 2004)....................16 – Entrada de ar em diferentes estágios de sucção e consequente redução do coeficiente de permeabilidade.................... RAHARDJO 1993 – modificado)... RAHARDJO 1993)..... 73 Figura 2.................... influência da condição de secagem com o nível do lençol freático profundo (BLIGHT 1980 apud FREDLUND....................................... solo saturado e solo não saturado (modificado de FREDLUND............... E FREDLUND 2004).................................28 – Infiltração na massa de solo não saturada no estado estacionário com variação do fluxo de umidade (modificado de ZHANG et al.. 1998 )................. 68 Figura 2. 63 Figura 2....................... 62 Figura 2................... ................29 – Infiltração na massa de solo não saturada no estado transiente de percolação com duas diferentes condições de fluxo: (a) q < ksat ....... .................. .. ........... 2004)...................... RAHARDJO 1993 – modificado)..18 – Previsão condutividade hidráulica baseado na curva característica solo água (modificado de GITIRANA JR........ função permeabilidade (JÚNIOR......... 70 Figura 2.................20 – Parâmetros de uma curva unimodal com dois pontos de inflexão (modificado de GITIRANA JR. ........21 – Parâmetros de uma curva bimodal (modificado de GITIRANA JR.......................... ........................................................ 2005)............................ ......... 64 Figura 2.... ........................................................ influência da condição de secagem com o nível do lençol freático raso (BLIGHT 1980 apud FREDLUND.....................23 – Perfil típico de um solo saturado e não saturado (modificado de FREDLUND............. 59 Figura 2..... 75 ___________________________________________________________________________ M.............. ROCHA Lista de Figuras ........................................... F............ (b) q ksat (modificado de ZHANG et al........... E FREDLUND 2004).................................. E FREDLUND 2004)......................................................... 2000).......... ................ 66 Figura 2..............19 – Parâmetros de uma curva unimodal com um ponto de inflexão (modificado de GITIRANA JR................ ......................................................17 – Representação da variação do coeficiente de permeabilidade com a variação da sucção............... ..... 72 Figura 2.....................22 – Superfície constitutiva de variação volumétrica da estrutura do solo (GITIRANA Jr......25 – Perfis típicos de sucção abaixo de uma superfície descoberta......................... 60 Figura 2........... 1999)..................

................................ ..36 – Perfil de infiltração para precipitação = 4.................. ...... 93 Figura 3. 2011).................................. índice de vazios versus tensão líquida normal média (modificado de GITIRANA Jr... .......... ............. 91 Figura 3...... 79 Figura 2... 81 Figura 2.......................38 – Tensão vertical e horizontal em uma massa de solo....... 77 Figura 2.......... 82 Figura 2................... 2007 – modificado). ............................................................ (c) força de tração no muro (modificado de KIM e BORDEN................ 83 Figura 2...............................40 – Dados experimentais e função de ajuste. ............................................33 – Taxa de infiltração versus tempo (HORTON................ 84 Figura 2.................................5 – Resultado do ensaio de compressão diametral Solo 1 (SANTOS.................. 2013)................................................... 95 Figura 3.................2 – Localização do solo Brasília (imagem obtida do Google EarthTM................................3 – Localização do campo experimental do DCT.............1 – Localização geográfica das cidades de Goiânia e Brasília (ANGELIM. 80 Figura 2.....37 – Aumento da: (a) deflexão no muro.... (b) deformação no muro. 96 ___________________________________________________________________________ M........................................ 88 Figura 3...31 – Exemplos de perfis de poropressão de água submetido a um fluxo transiente com vários valores de a com ksat = 10-5 m/s e q = 10-5 m/s (modificado de ZHANG et al...................................... 2005)....................35 – Perfil de infiltração para precipitação = 1................................C (BORGES............... 2001).................... 2004).................................. ...................32 – Mudanças no perfil de sucção matricial e da carga total em resposta da chuva no meio do talude sob três condições diferentes de cobertura da superfície (modificado de LIM et al.................... 1993).................................................. ...34 – Perfil de infiltração para precipitação = kwsat (modificado de GITIRANA JR..................... 2004)................................ 1993)............................... 85 Figura 2.. .........D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Figura 2............. 76 Figura 2........... 1933)...................................... 2010).............................................. ROCHA Lista de Figuras ............................. 2005)............... 91 Figura 3.........5×kwsat (modificado de GITIRANA JR..................39 – Relação entre o coeficiente de empuxo em repouso e a sucção matricial (modificado de FREDLUND.................. 2005)..................4 – Localização da barragem do Ribeirão João Leite (ANGELIM 2011)............ .......... F..... RAHARDJO.....41 – Procedimento utilizado pra designar o perfil de sucção matricial (modificado de FREDLUND............................ 2005)....6 – Idealização da curva característica solo água com dois pontos de flexão (modificado de GITIRANA JR........ 06/08/2013)........................ ........ 1996)..... 92 Figura 3........ 82 Figura 2..................................................................0×kwsat (modificado de GITIRANA JR.. RAHARDJO......... . .. 86 Figura 2................................. ...............30 – Exemplos de perfis de poropressão de água submetido a um fluxo estacionário com vários valores de a (modificado de ZHANG et al.....

.............. ........................................................... 102 Figura 3............................ 109 ___________________________________________________________________________ M. (c) ruptura no centro do corpo de prova.........15 – Base metálica com o corpo de prova na prensa juntamente com a célula de carga pronta para o ensaio de compressão diametral ....................11 – Preparação das amostras........ 97 Figura 3.......... 100 Figura 3. (e) e (f) colocação do calço de PVC perfurado sobre corpo de prova.....19 – WP4C................................................ .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Figura 3.............. ( i ) corpo de prova envolvido no plástico filme com todos os papéis filtros. . (a) saturação por fluxo ascendente............ ....... ...... (b) visão do relógio comparador utilizado para medir o deslocamento... 2010) ... ........... 105 Figura 3................10 – Moldagem dos corpos de provas: (a) regularização da amostra.................. 101 Figura 3........................... (b) colocação do corpo de prova na base metálica para ruptura......... (c) e (d) corpo de prova sendo colocado sobre os papeis filtros para medir a sucção matricial........ (b) início de cravação do molde....... (b) corpo de prova rompido...................... 2005)...... (a) Equipamento WP4C Dewpoint PotenciaMeter..9 – Amostra......... (b) secagem................... (f) amostra embalada. (b) anel de PVC utilizado na moldagem... 2005). 106 Figura 3........................ .17 – Visualização da ruptura nos corpos de provas: (a) corpo de prova rompendo.....................................13 – Preparação dos corpos de provas para a medida da sucção matricial e sucção total: (a) e (b) colocação dos papeis filtros superior.......................18 – Determinação da coesão total.....................7 – Idealização da curva característica solo água bimodal com quatro pontos de inflexão (modificado de GITIRANA JR................ (d) análise visual do plano de ruptura.......... 105 Figura 3.............. (e) molde rasado......8 – Idealização da função de condutividade hidráulica (modificado de GITIRANA JR......................... .............. ROCHA Lista de Figuras ..... 106 Figura 3............... 108 Figura 3....14 – Base metálica utilizada no ensaio de compressão diametral: (a) friso superior móvel nas hastes verticais.. (d) conjunto base metálica mais corpo de prova.................. 99 Figura 3.......12 – Montagem utilizada no ensaio de papel filtro..................... (c) processo de cravação do molde.............. ( j) corpo de prova envolvido no papel alumínio pronto para ser colocado para entrar em equilíbrio.......................................... (b) Vista interna do bloco da câmara (modificado de DECAGON DEVICE........16 – Visualização geral da prensa utilizada na ruptura: (a) visão da prensa montada pronta para realizar o ensaio de compressão diametral................................................... 101 Figura 3... (a) bloco indeformado.. (d) rasamento do molde........................... ............ 98 Figura 3............................... (g) e (h) colocação do papel filtro sobre o calço de PVC perfurado para medir a sucção total........................... central e inferior........................ F..... (c) corpo de prova colocado na base metálica com os dois friso apoiados...................................................................

........................... ....... solo Brasília..10 – Relação coesão total versus sucção matricial (escala aritmética). 134 Figura 4........... 111 Figura 3............. 133 Figura 4...... ............. 117 Figura 3............ 125 Figura 4.....5 – Ajuste da CCSA com os dados experimentais....... solo João Leite............................. 126 Figura 4...........12 – Variação do φb2 com a sucção....7 – Dados experimentais e ajuste da CCSA com os dados experimentais........... 124 Figura 4................. b) dados de saída... .. 127 Figura 4....... .......... 118 Figura 3................D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Figura 3............................................................................. . ................ .................................................... ...................... 110 Figura 3....................................... .. .........26 – Componentes das pressões passiva com sucção variando linearmente com a profundidade............................................................................................................ 113 Figura 3........................... 113 Figura 3.................................27 – Geometria do problema..................................................6 – Ajuste da CCSA com os dados experimentais..............23 – Componentes das pressões ativa com sucção constante........... solo João Leite..............29 – Condições de contorno adotadas....................... ROCHA Lista de Figuras ............................ ......11 – Variação do φb1 com a sucção. solo João Leite ...... 112 Figura 3. 120 Figura 4.............22 – Modelos de previsão de resistência ao cisalhamento para solos não saturados........13 – Valor adotado de φb1 para o dimensionamento da contenção.... 124 Figura 4...... .......... a) tela do editor do programa............................................. .. .9 – Relação coesão total versus sucção (bi-log).14 – Tipos de amostras ensaiadas........ solo João Leite.... 112 Figura 3............... dos três solos analisados...............................................20 – Cápsula com solo submetida ao WP4C........... solo João Leite............................................... 126 Figura 4... ..... ................... ..24 – Componentes das pressões passiva com sucção constante............28 – FlexPDE.............. ..................................... ...............4 – Previsão da condutividade hidráulica não saturada............... 132 Figura 4...................................................................... 123 Figura 4............................................. solo Furnas.......16 – Comparativo entre os tipos de amostras.......................... 131 Figura 4............ .. .............. 129 Figura 4............ .... 128 Figura 4........................ 134 ___________________________________________________________________________ M............... F.........2 – CCSA dos três solos analisados em função do grau de saturação.. 110 Figura 3............... solo João Leite..........................25 – Componentes das pressões ativa com sucção variando linearmente com a profundidade.........................................3 – CCSA dos três solos analisados em função do teor gravimétrico de água..........8 – Comportamento tensão versus deslocamento para obtenção dos valores de ruptura................21 – Procedimento para esfriar as amostras....................................................................................... .........1 – CCSA dos três solos analisados em função do teor volumétrico de água.......... ..15 – Dados obtidos pelo WP4C................................... 130 Figura 4............................................. 131 Figura 4...

..................................................................................................................... ....... ............42 – Gráfico de contorno da poropressão de água.....................30 – Componentes das pressões ativa com sucção mista............... ......... 139 Figura 4................ para o trecho com sucção variando linearmente.......... 167 Figura 4...............................29 – Componentes das pressões passiva com sucção variando linearmente com a profundidade..................... 136 Figura 4...............34 – Componentes da pressão passiva........... 164 Figura 4.............21 Curva intensidade-duração-frequência de precipitação de Brasília.28 – Componentes das pressões ativa com sucção variando linearmente com a profundidade...... . 168 Figura 4.............. 151 Figura 4.............. 162 Figura 4.23 – Círculo de Morh para o caso ativo........ . ROCHA Lista de Figuras ....33 – Componentes das pressões passivas com sucção mista............22 – Geometria do problema a ser analisado................... 136 Figura 4....... yt > za............... 163 Figura 4........38 – Malha de elementos finitos utilizada nos problemas................................26 – Componentes das pressões passiva com sucção constante........... onde percebe-se a comunicação lado ativo e passivo.............. yt > za .................. 166 Figura 4.......... ....................................... F..................... ...................................... yt < za.........25 – Componentes das pressões ativa com sucção constante..... 140 Figura 4. 154 Figura 4..... ...................................35 – Componentes da pressão passiva...... 141 Figura 4................................................. ......... ...........................18 – Comparativo entre a técnica do papel filtro e o WP4C.......36 – Componentes das pressões ativa com sucção mista.............................. ..... 144 Figura 4...................... ........ 138 Figura 4..................................... para o trecho com sucção variando linearmente........37 – Componentes da pressão ativa..........................31 – Componentes da pressão ativa.................. 163 Figura 4.............................41 – Gráfico de contorno da poropressão de água................20 – Curva intensidade-duração-frequência de precipitação de Goiânia..39 – Posições na geometria do problema onde obteve-se retirada dos dados........................ ......................................................... para o trecho com sucção variando linearmente.............40 – Gráfico de contorno do grau de saturação...........................19 – Comparativo sucção WP4C x papel filtro............. 169 ___________________________________________________________________________ M.. 159 Figura 4.............. ............... 150 Figura 4........... .................................. 150 Figura 4.. 165 Figura 4............................................ 154 Figura 4.................................................. . para o trecho com sucção constante..................................32 – Componentes da pressão ativa..................... ........D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Figura 4............17 –Metodologias para obtenção da CCSA...27 – Distribuição dos esforços na estaca em balanço.............................................. 167 Figura 4.... yt < za....... para o trecho com sucção constante........ yt < za ............................................................ 135 Figura 4................ ....... .. ............ 160 Figura 4....24 – Círculo de Morh para o caso passivo..... 161 Figura 4.................................. .....

..................................... chuva de 1 dia..... 177 Figura 4........ chuva de 30 dias.............. escavação de 3 m e N.............A profundo....... chuva de 1 dia........ .............. 178 Figura 4.. 181 Figura 4..5 m...................... com N..........................58 – Perfis obtidos para o Solo Brasília......................47 – Pontos definidos nos perfis..............A............... 174 Figura 4... .................................D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Figura 4.............................. chuva de 1 dia......................A profundo................................46 – Avanço da frente de molhagem para uma chuva de 30 dias de duração no lado passivo.................................... escavação de 9 m e N............ 176 Figura 4....54 – Perfis obtidos para o Solo Brasília....50 – Evolução do perfil de sucção com o tempo....................................................... 182 Figura 4....................................A inicial na cota -4.................. .................................................................45 – Avanço da frente de molhagem para uma chuva de 30 dias de duração no lado ativo............. ............. escavação de 6 m e N.......43 – Avanço da frente de molhagem para uma chuva de 1 dia de duração no lado ativo.................................................A constante..... ........... apresentando o avanço da frente de molhagem.................................. com N................................................................................ 170 Figura 4.......... ROCHA Lista de Figuras ................0 m........................................ 184 Figura 4......... 169 Figura 4.............................................................5 m ... solo Brasília.........52 – Perfis obtidos para o Solo Brasília....A no fundo da escavação......55 – Perfis obtidos para o Solo Brasília...... ...............A inicial na cota 3....................................................53 – Perfis obtidos para o Solo Brasília......... .............................................A inicial na cota 9.48 – Perfis obtidos para o Solo Brasília........................................A profundo. escavação de 6 m e N.............................................A profundo....... 180 Figura 4.. escavação de 6 m e N........ com N.................... escavação de 3 m e N........0 m........ escavação de 3 m e N.................. chuva de 30 dias.................................... apresentando ausência de frente de molhagem a partir da elevação do N........................................................................................................56 – Perfis obtidos para o Solo Brasília................................... t1........................................ F..........................A inicial na cota -4.... 170 Figura 4.............. .... 175 Figura 4.. ........ ............... com N................ .......... 175 Figura 4....................... para o N.. escavação de 9 m e N............A profundo...49 – Evolução do perfil de sucção com o tempo............. t30............A no fundo da escavação..........57 – Perfis obtidos para o Solo Brasília. ... 172 Figura 4............. 185 ___________________________________________________________________________ M.......................51 – Perfil do grau de saturação correspondente ao perfil de poropressão ao final das precipitações...........A no fundo da escavação....44 – Avanço da frente de molhagem para uma chuva de 1 dia de duração no lado passivo........ 171 Figura 4................... ............................................................ ...................................................

................. .... ROCHA Lista de Figuras ..................A profundo........ .......................... 192 Figura 4................................... .. .. 189 Figura 4..............................................A profundo................................................................A profundo............ ..71 – Perfis obtidos para o Solo Furnas.......................... escavação de 9 m e N.......... ................................ solo Furnas............................... 203 Figura 4....................A profundo... ... chuva de 30 dias....... F......................... 206 Figura 4............................66 – Perfis obtidos para o Solo Furnas....74 – Evolução do perfil de sucção com o tempo..............A profundo.......... escavação de 6 m e N. ........................67 – Perfis obtidos para o Solo Furnas.................................. t30........................................ chuva de 1 dia......... escavação de 6 m........65 – Perfis obtidos para o Solo Furnas........................................... ........................69 – Perfis obtidos para o Solo Furnas......72 – Perfis obtidos para o Solo João Leite......... chuva de 30 dias..... N.................... 186 Figura 4....... 197 Figura 4............................. . chuva de 30 dias........................................ ..... 205 Figura 4............................................................ t1. 191 Figura 4......... t30..59 – Perfis obtidos para o Solo Brasília............... solo João Leite....................................... 188 Figura 4.......... t1.63 – Perfil do grau de saturação correspondente ao perfil de poropressão ao final das precipitações...........................................................A profundo................A no fundo da escavação.... escavação de 3 m..........61 – Evolução do perfil de sucção com o tempo.. ....................................................................... chuva de 30 dias....... chuva de 1 dia...................................A no fundo da escavação.............................. escavação de 3 m e N..................... ..A profundo.............64 – Perfis obtidos para o Solo Furnas...........62 – Evolução do perfil de sucção com o tempo.......................76 – Perfis obtidos para o Solo João Leite escavação de 3 m e N............ escavação de 9 m e N......................68 – Perfis obtidos para o Solo Furnas....................................... .........73 – Evolução do perfil de sucção com o tempo.......... . ............................. ............ escavação de 3 m e N............. escavação de 9 m e N.................................. 204 Figura 4........................................... chuva de 1 dia... 193 Figura 4................... 195 Figura 4................. chuva de 1 dia...................A profundo..........60 – Perfis obtidos para o Solo Furnas................. escavação de 3 m e N......................................................... ............. 207 ___________________________________________________________________________ M...................... 199 Figura 4............ escavação de 9 m e N.............................D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Figura 4........... 196 Figura 4....... 200 Figura 4... escavação de 6 m e N......................A profundo................................ 201 Figura 4.....................................................................................................75 – Perfil do grau de saturação correspondente ao perfil de poropressão ao final das precipitações..........A no fundo da escavação...............................70 – Perfis obtidos para o Solo Furnas................ 190 Figura 4. N...........................................

.A profundo................................................... 224 Figura 4..... F...89 – Relação do coeficiente de permeabilidade saturado com a taxa de dessaturação na profundidade da frente de molhagem........ escavação de 6 m e N.........88 – Influência da taxa de dessaturação na profundidade da frente de molhagem............A profundo...................................................... wt12.....................91 – Perfis de todas as escavações para N........... 212 Figura 4..........................81 – Perfis obtidos para o Solo João Leite................ ....... escavação de 9 m e N....................................... 222 Figura 4............ 208 Figura 4... escavação de 9 m e N............ escavação de 6 m... chuva de 30 dias.............. 214 Figura 4............................85 – Variação da profundidade da frente de molhagem..................... 222 Figura 4.........77 – Perfis obtidos para o Solo João Leite...... (b) M............................A no fundo da escavação........... 221 Figura 4........................... ............................... .95 – Resultados dos dimensionamentos................................. 225 Figura 4.........86 – Poropressão atingida na superfície........ .............. D6 wt12..... .......................80 – Perfis obtidos para o Solo João Leite................ 216 Figura 4...... .......... ..............87 – Comportamento dos perfis... ............................................................... ............................................ ......................................... N.............A profundo.....................................D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Figura 4...............................84 – Perfis de poropressão de água................A profundo.......... 211 Figura 4..................................................90 – Influência da profundidade da escavação para precipitação de 1 dia de duração....... ....................... ......................................A profundo............. 219 Figura 4........................... 210 Figura 4..................................82 – Perfis obtidos para o Solo João Leite. .....................93 – Influência do nível do lençol freático na poropressão mantida na superfície para precipitação de 1 dia de duração...........92 – Influência da profundidade do lençol freático na frente de molhagem para precipitação com 1 dia de duração................... 230 Figura 4..................... chuva de 1 dia............................ escavação de 3 m e N................ ...... .......... 215 Figura 4..................................................S na estrutura de contenção. chuva de 30 dias........ (a) FH..... 237 ___________________________________________________________________________ M..................................................................79 – Perfis obtidos para o Solo João Leite........... chuva de 30 dias........................................78 – Perfis obtidos para o Solo João Leite........ ROCHA Lista de Figuras .. 220 Figura 4......................96 – Variação do empuxo ativo com a sucção constante.. 226 Figura 4.................... 218 Figura 4........ chuva de 1 dia. Solo Brasília.....................83 – Perfis obtidos para o Solo João Leite. escavação de 6 m e N.......... ........................................................ período de retorno de 50 anos... escavação de 9 m e N.....................A profundo..................A profundo.......... 227 Figura 4...... 223 Figura 4......................94 – Alternativas de distribuição de esforços e adoção do F...................... .................................

..... sucção constante e sucção variando linearmente................5 – Procedimento para calibração do equipamento...... 2010 – modificado)............................... (a) ficha devido às forças horizontais...3 – Representação do modo escolhido no painel (DECAGON DEVICE. (b) empuxo ativo devido aos momentos... 2010 – modificado).......................... 261 Figura A.....................................................99 – Influência da sucção............... 263 Figura A....................................6 – Cloreto de potássio (KCl) e especificações utilizado para calibração do equipamento.................. ........................... . .. (b) ficha devido aos momentos................................................. ROCHA Lista de Figuras ...................................... 264 ___________________________________________________________________________ M..... (b) porcentagem de redução do empuxo ativo devido a sucção linear................................ (c) Vista interna do aparelho e da câmara (DECAGON DEVICE.... (b) Vista interna do bloco da câmara.....................7 – Procedimento para esfriar as amostras...................................................................... ............................ 239 Figura 4.......... 264 Figura A........... (b) porcentagem de redução do empuxo ativo devido a sucção constante.......... (a) Variação do empuxo ativo: com o método convencional com 3’ versus dimensionamento não saturado com sucção constante... .... F..... (a) Equipamento WP4C (Dewpoint PotenciaMeter).........................4 – Kit de limpeza: (a) Elementos utilizados na limpeza.... .101 – Comparação do comprimento de ficha................. 257 Figura A......... 237 Figura 4.............. sucção constante e sucção variando linearmente..... (a) Variação do empuxo ativo: com o método convencional com m’ versus dimensionamento não saturado com sucção linear. 258 Figura A... 241 Figura A...............................................100 – Comparação dos empuxos ativo..... .............. 240 Figura 4. 2010 – modificado)......98 – Influência do peso específico.. (b) Kimwipes enrolado na haste para limpeza........................................................................ ....1– WP4C........................................................... D6 wt12....... (a) empuxo ativo devido às forças horizontais......... ......................... 241 Figura 4............D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Figura 4...........................97 – Variação do peso específico natural com a sucção e porcentagem de redução do empuxo ativo devido a sucção....... ........2– Painel do WP4C (DECAGON DEVICE........ 262 Figura A...........................

.................. 179 Tabela 4.......................................................... F......3 – Parâmetros de acréscimo de resistência devido aumento de sucção (SANTOS.............................. ........................ 182 Tabela 4........... 137 Tabela 4................. .... e Fredlund (2004)...... 178 Tabela 4. 94 Tabela 3............13 – Precipitações adotadas para a cidade de Goiânia................................................................ para a cidade de Brasília..................................... ..................... ................2 – Índices físicos das amostras utilizadas na determinação da CCSA......... período de retorno e precipitações adotadas para projeto........... .................... .. ................ D9 – lado ativo..................... ROCHA Lista de Tabelas . . 129 Tabela 4.. período de retorno e precipitações adotadas para projeto....................... 94 Tabela 3.... 61 Tabela 2.... 197 ___________________________________________________________________________ M..... .......... 173 Tabela 4........ D3 – lado ativo............................... ...8 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção............. 123 Tabela 4.................. 137 Tabela 4...................................................................... ......... ......... D6 – lado ativo............... Borges (2010) e Angelim (2011)...... 128 Tabela 4................... k( )................................1 – Resultados dos parâmetros de ajuste das CCSA para o modelo Gitirana Jr.............2 – Resultados de intercepto coesivo e ângulo de atrito de amostras retiradas dos blocos indeformados de Santos (2007)............16 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção.......... ............................. Brasília.... 193 Tabela 4..12 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção......... .. D6 – lado ativo..............10 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção.. .... Goiânia.........11 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção.. ...1 – Índices físicos médios das amostras indeformadas de Santos (2007)...................... Borges (2010) e Angelim (2011)...... D3 – lado passivo.................................................... 194 Tabela 4....... ..... D3 – lado ativo......5 – Duração...LISTA DE TABELAS Tabela 2...... D6 – lado passivo.............. D3 – lado passivo..7 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção.............................5 – Análises realizadas. D9 – lado passivo. 115 Tabela 3. 186 Tabela 4...........9 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção. 95 Tabela 3. .............1 – Equações empíricas para a previsão do coeficiente de permeabilidade do solo não saturado......................................... ........14 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção..... 187 Tabela 4........... 2007 – modificado)...............3 – Dados do ensaio de compressão diametral com suas respectivas sucções........ ...................4 – Descrição das estações hidrológicas analisadas..........2 –Equações de ajuste para a CCSA.. 62 Tabela 3.................................. solo João Leite....... ... ..... .......................4 – Duração.15 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção.................... 183 Tabela 4.. 119 Tabela 4.6 – Precipitações adotadas. 187 Tabela 4...

273 Tabela C.29 – Resultados do dimensionamento convencional para o solo Furnas........... ...........26 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção...............22 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção......27 – Resultados dos dimensionamentos convencionais da ficha para a contenção em balanço no solo Brasília......................... . ...32 – Resultados dos dimensionamentos não saturados para o solo João Leite...271 Tabela C.35 – Variação do empuxo ativo e do peso específico no dimensionamento não saturado com sucção linear.......... 228 Tabela 4..... 230 Tabela 4.......30 – Resultados dos dimensionamentos não saturados para o solo Furnas................. ....................17 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção.... chuva com 1 dia de duração................... ... 234 Tabela 4.... ............ 208 Tabela 4..... 198 Tabela 4. .... .... 201 Tabela 4....... chuva de 30 dias.................. ................................28 – Resultados dos dimensionamentos não saturados para o solo Brasília............................ .....................................6 – Dados das precipitações de Brasília com seus respectivos T.............273 ___________________________________________________________________________ M................... .......5 – Dados da estação pluviométrica de Brasília............................................. ......269 Tabela C... D6 wt12..21 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção.....4 – Dados das precipitações de Goiânia com seus respectivos T............. chuva com 30 dias de duração....R.... 233 Tabela 4................. 212 Tabela 4.............. 202 Tabela 4............ D9 – lado ativo.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Tabela 4...........267 Tabela C.R..23 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção....... 236 Tabela 4.................................... ........... 209 Tabela 4................................. chuva com 30 dias de duração...............25 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção........ chuva de 1 dia..... 3’...... 238 Tabela 4....1– Dados da estação pluviométrica de Goiânia....... F....R.. D6 – lado ativo........ D9 – lado passivo.........33 – Variação do empuxo ativo e do peso específico no dimensionamento não saturado com sucção constante...................... .. 213 Tabela 4.31 – Resultados do dimensionamento convencional para o solo João Leite....... D3 – lado passivo..... 239 Tabela C........................7 – Dados da estação pluviométrica de Brasília................................................... ROCHA Lista de Tabelas ................20 – Precipitações adotadas para a cidade de Goiânia. . 216 Tabela 4........... 232 Tabela 4. D9 – lado ativo.. 202 Tabela 4..........3 – Dados da estação pluviométrica de Goiânia......... 234 Tabela 4....................... D6 – lado passivo......................... D3 – lado ativo.....34 – Variação do empuxo ativo no dimensionamento convencional levando em conta o peso específico natural correspondente à sucção constante.. ......... D6 – lado passivo......... chuva de 1 dia...................... chuva com 1 dia de duração.............19 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção............ ....... . D9 – lado passivo..........271 Tabela C..18 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção..24 – Pontos obtidos através dos perfis de sucção.......... . 217 Tabela 4............... ................269 Tabela C....2 – Dados das precipitação com seus respectivos T...............

F. E outros eficha Espessura da ficha em Frente de molhagem F Comprimento de ficha fw Fator relacionado com a condição hidrostática h Profundidade H Altura I Taxa de infiltração i. Isto é IP Índice de plasticidade Ka Coeficiente de empuxo ativo Kp Coeficiente de empuxo passivo ___________________________________________________________________________ M.LISTA DE SÍMBOLOS.e. ABREVIAÇÕES E SIGLAS A 7-6 Solo argiloso CCSA Curva característica solo água CL – ML Argila siltosa CL Argila de baixa compressibilidade c Intercepto coesivo c’ Coesão efetiva do solo cult Máximo valor de resistência ao cisalhamento cm Máxima coesão medida CP’s Corpos de prova D Comprimento de ficha d Fator de ponderação Ddom Profundidade do domínio Desca Profundidade da escavação Dfica Profundidade da ficha E Módulo de elasticidade respectivo a mudança de tensão total líquida e Índice de vazios Ea Empuxo ativo Ep Empuxo passivo et al. ROCHA Lista de Símbolos .

ROCHA Lista de Símbolos . F.A Nível do lençol freático pa Pressão ativa P’a Empuxo ativo devido à zona com sucção constante P”a Empuxo ativo devido à zona com sucção variando linearmente pp Pressão passiva P´p Empuxo passivo devido à zona com sucção constante P”p Empuxo passivo devido à zona com sucção variando linearmente r Abertura do ângulo tangente S Grau de saturação Sres Grau de saturação residual Sres1 Primeiro grau de saturação residual (macroporos) Sres2 Segundo grau de saturação residual (microporos) Tan Tangente Ts Temperatura da amostra Tb Temperatura do bloco da câmara ua Poropressão de ar uw Poropressão de água uw1 Poropressão de água do ponto 1 uw2 Poropressão de água do ponto 2 uw3 Poropressão de água do ponto 3 uw3’ Poropressão de água do ponto 3’ v Velocidade do fluxo ___________________________________________________________________________ M.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados Ko Coeficiente de empuxo em repouso kf Linha de ruptura kx Coeficiente de permeabilidade na direção x ky Coeficiente de permeabilidade na direção y k1 Coeficiente de permeabilidade para sucção 1 k( ) Coeficiente de permeabilidade do solo não saturado k( ) Coeficiente de permeabilidade do solo não saturado L Profundidade da escavação ML Silte de baixa compressibilidade ML – CL Silte argiloso de baixa compressibilidade Mmáx Momento máximo n Porosidade N.

zona ativa Valor de sucção constante obtida no perfil. obtida no perfil w Umidade gravimétrica wPF Umidade do papel filtro wL Limite de liquidez wP Limite de plasticidade wt Altura do nível d’água WP4C Dewpoint PotencialMeter yc Profundidade das trincas de tração pré-existentes yt Profundidade da zona de tensão nula ytL Zona de tensão com sucção variando linearmente y1 Elevação do ponto 1 y2 Elevação do ponto 2 y3 Elevação do ponto 3 y3’ Elevação do ponto 3’ za Profundidade em que a sucção se mantém constante com a profundidade na zona ativa zp Profundidade em que a sucção se mantém constante com a profundidade na zona passiva Peso específico do solo d Peso específico seco s Peso específico dos sólidos Tensão normal total ’ Tensão normal efetiva h Tensão total horizontal v Tensão total vertical 1 Tensão principal maior 3 Tensão principal menor a’ Tensão efetiva ativa do solo ___________________________________________________________________________ M. ROCHA Lista de Símbolos . F.F Frente de molhagem (ua – uw) Sucção matricial Sucção matricial na ruptura Valor de sucção constante obtida no perfil.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados VEA Valor de entrada de ar W. zona passiva Valor de sucção linear com a profundidade.

ROCHA Lista de Símbolos . m1 ___________________________________________________________________________ M.a Parâmetros de ajuste da curva característica solo água Declividade de dessaturação w Inclinação da curva do volume d’água versus tensão líquida normal quando a sucção é zero m2 w Inclinação da curva de volume d’água versus tensão líquida normal quando a tensão líquida normal é zero. na ruptura Tensão cisalhante Tensão de cisalhamento no plano de ruptura no momento de ruptura ø Ângulo de atrito ø’ Ângulo de atrito efetivo ø Ângulo de atrito interno associado à tensão líquida normal øb Ângulo que indica a razão do aumento da resistência ao cisalhamento relativo à sucção matricial Coeficiente de Poisson Inclinação do aterro ’ Ângulo de atrito entre o solo e o muro Ângulo de ruptura da cunha Umidade Volumétrica r Umidade Volumétrica residual s Umidade Volumétrica de saturação 's Umidade Volumétrica de saturação obtida pela curva de molhagem s- ’s Teor de água residual Sucção h/ y Gradiente hidráulico na direção vertical vea Sucção correspondente ao valor de entrada de ar b Sucção correspondente ao valor de entrada de ar b1 Primeiro valor de entrada de ar (macroporos) b2 Segundo valor de entrada de ar (microporos) res1 Primeiro valor de sucção residual (macroporos) res2 Segundo valor de sucção residual (microporos) . na ruptura Tensão líquida normal no plano de ruptura. F.m.n.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados p’ Tensão efetiva passiva do solo ( – ua ) Tensão líquida normal Tensão efetiva normal no plano de ruptura.

Desta forma. Em regiões com estações seca e chuvosa bem definida. ___________________________________________________________________________ M. submetida à mesma carga externa. há um aumento de resistência do solo devido ao efeito da sucção gerando menor solicitação dos elementos de suporte horizontais. tirantes. necessita-se de uma estrutura com maior rigidez que a massa do solo para fornecer estabilidade na sua nova configuração. usando travamentos horizontais temporários. numa obra de contenção bem planejada pode-se aproveitar do período de seca para realizar um projeto mais vantajoso economicamente. Em escavações de subsolos que utilizam cortinas com travamento. O desempenho e dimensionamento de contenção exigem um bom entendimento do estado de tensões do solo e da interação solo-estrutura. após as estruturas definitivas serem colocadas (lajes e vigas do subsolo). estruturas de concreto ou madeiramento (BOWLES. F. O melhor uso por área do terreno tem levado a exploração ampla do subsolo. As estruturas de contenção que utilizam de estacas podem apresentar travamento horizontal. funcionalidade e durabilidade. A análise da interação solo-estrutura torna-se importante pelo fato de que a mesma estrutura. ROCHA Capítulo 1 . os elementos de travamentos horizontais deixam de exercer seu papel. Nestas situações. os elementos de travamento são definidos como temporários. em grandes escavações.CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO A necessidade do uso das estruturas de contenção tem sido cada vez mais frequente em obras de engenharia. Como elementos de travamento. 1996). cabendo às lajes e vigas suportarem os esforços. A contenção pode ser realizada utilizando perfis metálicos. Devido à alteração do estado de tensões. Durante a estação seca. podendo este ser aplicado como definitivos ou temporários. bermas. A vida útil de uma obra deve garantir estabilidade. apresenta reações de apoio que variam com as condições particulares do maciço de solo em que ela se encontra. implicando em grandes escavações que alteram o estado de equilíbrio do solo. pode-se citar as estroncas. pode-se ter elementos temporários menos robustos. Como a maioria das obras de contenção está localizada acima do nível freático.

Na prática. Devido a isso. tendo-se assim uma abordagem mais ampla e geral. com isso a sucção matricial está intimamente relacionada com as mudanças do meio. O perfil de sucção in situ pode variar de forma dinâmica. como ilustrado em Fredlund e Rahardjo (1993). Independentemente de ser tratar de uma região de clima árido. O que se observa é que na maioria dos casos a condição de saturação não é atingida e as escavações são executadas em um maciço de solo onde a água está sob pressão negativa. conforme representa a Figura 1. a estabilidade das escavações está sujeita a essas flutuações de sucção. as estruturas de contenção são projetadas considerando os parâmetros de resistência ao cisalhamento do solo na condição saturada. principalmente nas camadas mais rasas do perfil..1. A variação no perfil de sucção do solo é maior que a variação comumente ocorrida no perfil de tensão líquida normal e essas variações dependem de vários fatores. 1993). considerando também a interação solo-atmosfera. tensões totais líquidas e sucção matricial) ao invés da análise baseada em tensões efetivas ou totais dos solos saturados. aproveitando o aumento da poropressão negativa (FREDLUND.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 28 torna-se relevante analisar o solo sob a ótica da teoria da mecânica dos solos não saturados. Nessas regiões os períodos secos e chuvosos são bem definidos. RAHARDJO. a posição relativamente profunda do nível d'água no terreno ___________________________________________________________________________ M. permite a compreensão da condição de não saturação.e. A compreensão da interação solo-atmosfera é um dos fatores essenciais para o estudo dos solos não saturados. tornando-se necessário o estudo detalhado do comportamento dos solos não saturados. ROCHA Capítulo 1 . em cada perfil de sucção sujeito na região com a tentativa de simular o que se pode ocorrer em obra. Regiões de clima árido e semiárido se caracterizam por possuírem taxa de evaporação superior a de infiltração e grande parte dos solos dessas regiões não atingem a condição de saturação durante a vida útil de diversas obras nelas construídas. as condições microclimáticas são os fatores principais para que um depósito geológico seja não saturado e apresente poropressão negativa. Então. Este fenômeno indica uma condição favorável para o uso do comportamento mecânico dos solos não saturados em obras temporárias no período de seca. A diferenciação entre os solos saturados e não saturados torna-se necessária devido ao contraste de comportamento mecânico e natureza do solo. F. sendo que no período seco a poropressão de água se torna bastante negativa e no chuvoso tende a uma redução da sucção. As condições atmosféricas são responsáveis por constantes variações no teor de água dos poros do solo. A utilização das duas variáveis de tensão (i.

por ser extremamente conservador. ROCHA Capítulo 1 . baseados em períodos de retorno e duração dos eventos de precipitação de projeto. o conservadorismo necessário para o projeto seria expresso. 1996). Uma metodologia de determinação de perfis de poropressão de projeto deve ser baseada em análises de fluxo não saturado e da interação solo-atmosfera. considerando a precipitação e o escoamento superficial. Nas abordagens convencionais de dimensionamento de estruturas de contenção. em termos de cenários de precipitação extrema.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 29 propicia uma espessura de solo não saturado e que se encontra submetido à poropressões negativas. A abordagem e hipóteses apresentadas nesse estudo partem exatamente da noção de que ao se desprezar as poropressões negativas tem-se um projeto inadequado. agora. F. Portanto.1 – Perfil típico de poropressão d’água (modificado de FREDLUND. a desconsideração da sucção presente no solo é normalmente considerada uma abordagem adequadamente conservadora. Desta forma. ___________________________________________________________________________ M. Figura 1. esta poropressão negativa (sucção) é desprezada. muitas vezes pela crença de que se trata de um estado de tensões nos poros transitório e que ao longo da vida útil da estrutura essa condição será perdida em algum momento.

no período de seca. As precipitações de projeto é uma delas e podem ser selecionadas com base em períodos de retorno. o que não seria possível observar se considerasse a resistência do solo saturado.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 30 A análise do solo na condição não saturada pode alterar o dimensionamento da contenção. Para uma boa análise e previsão do perfil de umidade e sucção do solo. tornando o projeto e a obra economicamente mais viáveis. também. F. Para um dimensionamento adequado é necessário que se entenda o comportamento do solo não saturado em todas as épocas do ano. a resistência e a compressibilidade destes solos tendem a variar sazonalmente. No caso de projetos de estruturas acima do lençol freático. Pode-se ter. ou seja. Como objetivos específicos têm-se: ___________________________________________________________________________ M. além da compreensão do comportamento de solos não saturados. Em muitas regiões tropicais no hemisfério sul a estação chuvosa ocorre no verão e a estação seca no inverno. Acompanhando o ritmo natural do tempo. simulando início ou fim da época seca ou chuvosa. onde são afetadas com redução da sucção. o nível do lençol freático dos solos não saturados destas regiões tende a subir no verão e a descer no inverno. 1. Torna-se interessante. avaliar a estrutura quando submetida a um evento de precipitação extremo. uma ficha da estrutura de menor dimensão. levando a estudos detalhados considerando vários perfis de sucção. Assim. considerando situações de eventos concentrados de chuva intensa e propondo uma metodologia de cálculo de empuxos para dimensionamento de estruturas de contenção considerando perfis de solos não saturados. existem vários outros componentes experimentais e teóricos que precisam ser analisados. utilizariam-se as poropressões reais. representativo de condições possíveis de solicitação. ROCHA Capítulo 1 . No caso da abordagem de solos não saturados.1 OBJETIVOS O principal objetivo desta pesquisa é estudar como a variação do perfil de sucção altera o comportamento da interação solo-estrutura em obras de contenção. o perfil geralmente adotado é o de poropressão nula. nas camadas superiores do maciço. a poropressão negativa. por exemplo.

bem como o procedimento para o ___________________________________________________________________________ M. considerando suas respectivas propriedades (curva característica e condutividade hidráulica do solo não saturado) e estudar os perfis de poropressão de projeto. • no Capítulo 2 é apresentado uma revisão bibliográfica necessária para compreensão e análise do comportamentos dos solos não saturados em estruturas de contenção. • Aplicação da metodologia proposta considerando perfis típicos de Goiânia e Brasília no dimensionamento de cortina em balanço. • Definir os vários perfis de sucção do solo para simulações com diferentes precipitações. • Simular numericamente o fluxo de água e umidade em três solos distintos. consistindo na determinação dos parâmetros do solo não saturado. da seguinte forma: • o presente capítulo exibe a relevância da pesquisa. Este estudo contribuirá para o aperfeiçoamento do dimensionamento de estruturas de contenção. a determinação da grandeza dos esforços do solo sobre a cortina e a forma com que esta é solicita. o modo como foram tratados os dados hidrológicos. para o desenvolvimento de um projeto seguro com viabilidade econômica e que tenha soluções simples e de fácil utilização. são fatores primordiais. uma vez que. onde são feitas várias considerações sobre os solos na condição de não saturação que é a real situação de obras de contenção.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados • 31 Complementação do banco de dados dos solos dos perfis selecionados. escavações e profundidade do nível do lençol freático. o script do programa FlexPED para obtenção dos perfis de sucção. principais objetivos e a importância da dissertação. 1. F. ROCHA Capítulo 1 . toda a metodologia utilizada nos ensaios laboratoriais de curva característica e compressão diametral.2 ESCOPO DA DISSERTAÇÃO Este trabalho é constituído por cinco capítulos. baseados nas condições atmosféricas. • o Capítulo 3 consta as características geotécnicas dos solos estudados.

dos perfis obtidos para cada solo. as equações analíticas para o dimensionamento de estruturas de contenção em solo não saturado e os valores dos dimensionamento realizado para cada perfil de sucção.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 32 desenvolvimento das equações analíticas para o dimensionamento de estruturas de contenção em solo não saturado. • no Capítulo 5 são apresentadas as conclusões obtidas com a pesquisa e sugestões para pesquisas futuras. • no Capítulo 4 são apresentados os resultados e discussões dos ensaios realizados. F. ___________________________________________________________________________ M. ROCHA Capítulo 1 .

solo grampeado. de gravidade. • Estruturas provisórias como escoramentos que compõem-se. ROCHA Capítulo 2 . solo cimento (jetgrouting). suportando seus empuxos. F.1 ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO E PROCESSOS CONSTRUTIVOS Contenção é todo elemento ou estrutura destinado a contrapor-se a empuxos ou tensões geradas em maciços cuja condição de equilíbrio foi alterada por algum tipo de escavação. muros de gabião e de contrafortes. 1998). e métodos de dimensionamento de ficha de contenções em balanço. As contenções devem garantir estabilidade ao terreno. oferecendo uma nova condição de estabilidade (HACHICH et al. fazendo as funções de paramento e escoramento. longarinas.. teorias de empuxo de terra para solos não saturados. sendo eles de flexão. respectivamente ligados à estabilidade local e estabilidade global. • Cortinas ancoradas ou apoiadas em outras estruturas.CAPÍTULO 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Neste capítulo são apresentados assuntos que servirão de base para o desenvolvimento da pesquisa. corte ou aterro. mistos. 2. escoras. conceitos fundamentais da teoria da mecânica dos solos não saturados. atirantados. como estruturas de contenção. A necessidade de cada um desses dois elementos de contenção dependerá da relação entre a resistência do maciço e a resultante das ações atuantes. de um modo geral. dos seguintes elementos: paredes. como grampos ou tirantes. Dentre os principais tipos de estruturas de contenção podem-se citar: • Muros de contenção. ___________________________________________________________________________ M. • Reforços de solo. distribuição de sucção em um perfil de solo para as épocas secas e chuvosas segundo dados da literatura. terra armada.

1. • Estroncas ou escoras são elementos de apoio das longarinas. sendo disposta horizontalmente.2 e 2. Trabalhando a tração.1.3 representam algumas seções e tipos de estacas prancha de madeira.D0076G12: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 34 Devido o foco da pesquisa ser o dimensionamento em cortinas são apresentados detalhadamente os tipos de estrutura de contenção realizados com a mesma.1. (1998) definem os escoramentos como sendo destinados à estabilização do paramento e compõem-se. Paramento. de um modo geral. • Escoramento: estroncas. porém existe também de concreto. Em geral são constituídas de barras de madeira ou aço. podendo ser construídas de vigas de madeira. linear. ___________________________________________________________________________ M. denominado bulbo. É composta de paramento e escoramento: • Paramento: estacas prancha. Hachich et al.1 apresenta de forma esquemática alguns elementos citados e as Figura 2. É mais comumente vertical e formado por materiais como madeira. aço ou concreto armado. A Figura 2. ver Figura 2. tirantes. paredes diafragmas e estacões. concreto e aço. concreto ou por combinações entre estes. parede de contenção ou cortina é a parte em contato direto com o solo a ser contido. de acordo com a Figura 2. grampos. dos seguintes elementos: • Longarina é um elemento longitudinal. podem suportar as longarinas em lugar das estroncas. bermas e estruturas definitivas. podendo ser contínuo ou descontínuo. ROCHA Capítulo 2 . Parede ou cortina de contenção é todo elemento ou estrutura destinado a contrapor-se a tensões geradas em um maciço de solo cuja condição de equilíbrio foi alterada por algum tipo de escavação e eventual reaterro que tenha ocorrido em um de seus lados. aço. perfis metálicos com pranchões de madeira. sendo dispostos horizontalmente e perpendiculares às longarinas. • Tirantes são elementos lineares introduzidos no maciço contido e ancorados em profundidade por meio de um trecho alargado. onde a cortina se apoia. quando essa solução for mais adequada. F. ver Figura 2.

2006). 81p.D0076G12: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 35 Figura 2. _____________ 1 MARZIONA. ROCHA Capítulo 2 . (a) Estacas pranchas de madeira.modificado). Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil). (b) Estacas pranchas de concreto armado (CLAYTON.3 – Seções de estacas prancha. Figura 2. WOODS. ___________________________________________________________________________ M. 2006 . Figura 2. J. D.2 – Seções de estacas prancha de aço (OU. 1996 .1 – Principais elementos de um sistema de contenção (MARZIONA. 1979. Sobre o cálculo de vala. F.modificado). MILITITSKY. Escola Politécnica Universidade de São Paulo (EPUSP). 19791 apud TACITANO. 1979. São Paulo.

D00076G12: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 36 Entre os tipos de contenção em estacas. Estas cortinas de estaca podem ser diferenciadas. As cortinas destinam-se a resistir às pressões laterais e possui larga aplicação em obras portuárias. formando cortinas de estacas prancha. bem como pelos empuxos laterais na estrutura já pronta. Deve-se utilizar somente concreto de alta qualidade. serem relativamente leves. serem fáceis de aumentar ou reduzir o tamanho do perfil e suas juntas serem menos deformáveis. a armadura longitudinal deve suportar os esforços de flexão provocados pela manipulação.. as estacas prancha podem ser de perfis de aço laminado. Se a cortina de aço for dimensionada para resistir a empuxos exercidos pelo solo ou pela água. as cortinas classificam-se em dois grupos principais: cortinas em balanço (cantilever) e cortinas ancoradas ou apoiadas. durante o transporte e a instalação. Baseadas em seu tipo estrutural e esquema de carregamento. a característica mais importante na especificação do seu perfil está no módulo da seção. A justaposição das peças com engastes laterais que vão sendo encaixadas e cravadas permitem a construção de paredes contínuas. ROCHA Capítulo 2 . As estacas prancha de concreto armado possuem encaixes tipo macho e fêmea. trabalhando como vigas verticais apoiadas em longarinas e estroncas. Estruturalmente a diferença básica das cortinas com os muros de gravidade é devido estas serem flexíveis e terem peso próprio desprezível. Segundo Tschebatorioff (1978) a dificuldade de obter juntas estanques é uma das maiores desvantagens das estacas prancha de concreto armado. Perfis em “Z” são utilizados para resistirem grandes momentos fletores. proteção de taludes e de construções vizinhas (HACHICH et al. 1998). de madeira ou de concreto armado. possuírem alta vida útil acima ou abaixo do nível d’água. relativamente ao espaçamento entre estacas. podendo ser: secante. Conforme as cortinas sejam instaladas a uma pequena profundidade ou a uma profundidade considerável. Bowles (1968) afirma que as cortinas de aço são as mais utilizadas devidas estas serem mais resistentes a altas tensões. as cortinas poderão ser de extremidade livre ou extremidade fixa ___________________________________________________________________________ M. F. com devidos tratamentos. afirmando também que as estacas prancha de madeira são raramente empregadas hoje em dia. ver Figura 2.2. podendo estas ser moldadas in loco ou cravadas no terreno (pré-fabricadas). poderem ser reutilizadas várias vezes. A escolha do tipo de perfil dependerá do terreno ao qual será cravado e da solicitação de esforços. tangentes ou espaçadas.

devido à natureza do arranjo da cortina. A principal restrição está relacionada à sua empregabilidade em terreno com presença de pedregulhos e matacões. podendo afirmar que a zona B da Figura 2. ___________________________________________________________________________ M. A Figura 2. cortante e momento fletor máximo. os elementos a serem determinados são: comprimento da ficha. podendo considerar então apenas a pressão efetiva lateral do solo. pode oferecer boas condições para a utilização desse tipo de estrutura. do lado esquerdo. A ficha é definida como o comprimento mínimo de embutimento da cortina no solo abaixo do nível de escavação. a pressão lateral atuante é só a pressão ativa do solo. considera-se o diagrama de pressão aproximado para condição drenada representado pela Figura 2.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 37 respectivamente. Na zona C. haverá uma pressão ativa. ou seja. Como a pressão hidrostática em qualquer profundidade e para ambos os lados da cortina é a mesma. dependendo do tipo de solo). Para fins de projeto. que oferece o equilíbrio a estrutura. ROCHA Capítulo 2 . A utilização de estacas prancha tem permitido facilidade e rapidez na execução de obras de contenção. À resistência ao cisalhamento. do lado direito e pressão passiva.4(c). devido à dificuldade de cravação dos elementos. principalmente a coesão do solo. as cortinas atuam como vigas em balanço acima da linha de escavação. No caso de cortinas ancoradas em balanço. sendo assim. tem-se pressão passiva do lado direito e pressão ativa do lado esquerdo. sem necessidade de qualquer apoio acima do nível de escavação. Segundo Das (1999) a cortina gira no ponto “O”. já no caso de cortinas ancoradas acrescenta-se o esforço no tirante. a situação é inversa. As estacas são executadas até que permaneçam com um trecho enterrado (ficha) abaixo da linha de escavação. Na zona A. a) Cortinas em balanço As cortinas de estacas prancha em balanço são geralmente recomendadas para alturas moderadas (até 6 m.4 apresenta como resultante a pressão ativa menos a pressão passiva.4 representa a distribuição dos esforços atuantes em uma cortina em balanço (na condição de extremidade fixa) em um solo granular com presença do nível d’água. abaixo do ponto de rotação. Na zona B. assim esta pressão hidrostática se anula. F.

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados

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Figura 2.4 – Diagrama de pressões laterais em uma cortina em balanço em solo granular: (a) Deformação da
parede; (b) Distribuição das pressões laterais obtidas pelas teorias da elasticidade e da plasticidade; (c) Diagrama
simplificado da pressões laterais (DAS, 1999 - modificado).

b) Cortinas ancoradas
Das (1999) afirma que as cortinas ancoradas são utilizadas para alturas que superam 6 m,
sendo mais econômico ancorar a cortina na parte superior do que aumentar o comprimento de
sua ficha. Estas estruturas suportam os empuxos de terra tanto pela ficha quanto através dos
níveis de ancoragem acima da escavação. O número de ancoragens está relacionado à altura
de solo a arrimar, reduzindo assim o comprimento da ficha, a área da seção transversal e o
peso das estacas.
As ancoragens dos elementos verticais ou subverticais de concreto armado, que funcionam
como paramento poderão ser ancorados no substrato resistente do maciço através de tirantes
protendidos, grampos ou através de apoio com estroncas.
Os dois métodos clássicos para projetar estacas prancha ancoradas são o método da
extremidade livre e o método da extremidade fixa. A Figura 2.5 representa a natureza das
deformações das estacas nos dois métodos.

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M. F. ROCHA

Capítulo 2

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados

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Figura 2.5 – Variação da deflexão e do momento em estacas prancha ancoradas: (a) Método da extremidade
livre; (b) Método da extremidade fixa (DAS, 1999 - modificado).

Quando uma contenção necessita de escoramento pode-se empregar a utilização de estroncas,
tirantes, bermas ou até mesmo a própria estrutura definitiva da obra. Na escolha do elemento a
ser utilizado deve levar em conta as características do terreno, as condições das construções
vizinhas, condições do lençol freático e de outros fatores que podem variar de uma situação
para outra.
A utilização de estroncas segundo Tschebotarioff (1978) está, na maioria dos casos, limitada
a situações em que as distâncias entre os paramentos não é muito grande (menor que 12 m) e
tem como mérito não utilizar os terrenos vizinhos à contenção. Estroncas de madeira são
comuns na contenção de valas pouco profundas para instalação de águas pluviais, esgotos e
adutoras. A integração das estroncas como estruturas definitivas tem sido bastante empregada
em obras de canalização, onde a estroncas constituídas de vigas de concreto passam a fazer
parte integrante da laje de cobertura.

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M. F. ROCHA

Capítulo 2

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados

40

Por outro lado o emprego dos tirantes já não ocupa espaço entre os paramentos, facilitando a
escavação e execução da estrutura definitiva. Esses elementos podem ser provisórios ou
definitivos. No caso de definitivos tem-se o exemplo na utilização em encostas que requerem
tratamento e proteção especial contra corrosão. Pelo próprio processo construtivo na
utilização dos tirantes não é possível retirá-los do terreno vizinho, o que pode vir a ter
interferências significativas na implantação de obras futuras. Como estruturas provisórias, por
exemplo, em subsolos, durante a escavação os tirantes exercem sua função estrutural,
diminuindo os deslocamentos das cortinas, possibilitam que o inferior da vala fique livre,
permitindo maior flexibilidade e trabalhabilidade. Mas com a construção das estruturas
definitivas, como lajes, vigas, deixam de executar seu papel.
Os processos construtivos das estruturas de contenções do tipo estaca prancha ou cortinas
podem ser separados de duas formas; aquelas que são cravadas no terreno (metálicas, madeira
e concreto armado) e as que são moldadas in situ. O processo inicia-se por um vasto estudo
das condições topográficas e geológicas do local.
No caso das estacas cravadas, o método de cravação é escolhido levando-se em conta as
características do solo, as restrições da obra, o prazo de execução, a seção e geometria das
estacas e o equipamento disponível. Existem vários métodos, dentre eles, pode-se citar:
penetração estática; percussão; vibração e furação. As estacas podem ser cravadas uma a uma,
por painéis ou alternadas.
Escoramentos tipo berlinense (metálico-madeira), são constituídos de perfis verticais “I” de
aço, cravados antes do início da escavação. A vala é aberta até atingir uma determinada
profundidade que possa ser contida pelos perfis verticais, trabalhando em balaço, e pelas
pranchas horizontais encaixadas em suas abas. A partir daí são instaladas, longarinas, que
passam a suportar os perfis que são mantidos pelas estroncas. Os esforços devido ao empuxo
são absorvidos pelas pranchas horizontais que transmitem às abas dos perfis verticais que, por
sua vez, se apoiam nas longarinas mantidas em posição pelas estroncas. Como cuidados
especiais as pranchas devem manter contato íntimo com o maciço arrimado, para evitar vazios
responsáveis por deslocamentos e abatimentos da superfície do terreno vizinho à escavação.
As estroncas devem ser encunhadas contras as longarinas também para reduzir a possibilidade
de deslocamento horizontal, sempre prejudicial (HACHICH et al., 1998).
___________________________________________________________________________
M. F. ROCHA

Capítulo 2

A. estas podem ser de dois tipos. conforme representado na Figura 2. tangentes ou secantes. sem praticamente desconfinar o solo adjacente e sem provocar vibrações. mas nem toda obra possui o espaço necessário para as mesmas. A Figura 2. Para realização da escavação é necessário um equipamento especial. Portanto. denominado clamshell.7 apresenta o processo executivo de uma parede diafragma moldada in situ com uso de lama bentonítica.6 – Cortinas de estacas moldadas in situ. com camisa perdida ou camisa recuperável. acima ou abaixo do N. sendo essas do tipo raiz. Neste caso. fica difícil a cravação dos elementos da contenção. ROCHA Capítulo 2 . esse tipo de escavação são executados da superfície do terreno. o que leva a alternativas como os perfis metálicos que ocupam ___________________________________________________________________________ M. Estacas espaçadas Estacas tangentes Estacas secantes Quanto às paredes diafragmas escavadas. O custo benefício tem sobressaído na escolha do tipo de estrutura de contenção a utilizar. F.6.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 41 Quando o terreno a ser contido apresenta matacões ou é extremamente resistente. A estabilidade durante a escavação é mantida devido à utilização da lama bentonítica. Dependendo da distância entre as estacas pode-se classificar em estacas espaçadas. utilizam-se as estacas moldada in situ. com placas prémoldadas ou moldadas in situ. podem ser executadas em praticamente qualquer tipo de solo. Figura 2. A escavação das estacas pode ser realizada com lama bentonítica . Várias estacas escavadas podem sair mais baratas. tipo hélice contínua ou tubulões.

ROCHA Capítulo 2 . ___________________________________________________________________________ M.8 – Cortina em perfil metálico. a Figura 2. 2001). F. e suportarem maior flexão com menor seção. Figura 2. Figura 2.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 42 menos espaço.8 apresenta um cortina em perfil metálico. por serem de aço.7 – Esquema executivo de paredes diafragmas moldadas in situ (FUNDESP.

etc. Diferenças finitas. em tese. F.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 43 2. ROCHA Capítulo 2 . Segundo Tacitano (2006) para as cortinas em balanço e com um nível de escoramento. compatibilidade. Para se obter uma solução. capacidade de carga da fundação. o estado de tensão em que se encontra o solo contido é tal que a condição limite de plastificação é atingida. normalmente recai em ___________________________________________________________________________ M. Tschebtarioff. Tschebtarioff. as tensões advindas da Teoria de Rankine. devido a sua natureza estaticamente indeterminada (hiperestaticidade). as cortinas de contenção: • Cortinas em balanço ou engastadas. Blum. dividir para fins de cálculo. Para isso existem três grupos básicos de métodos para dimensionamento com características bem distintas: métodos empíricos.2 MÉTODO DE DIMENSIONAMENTO DE ESTACA PRANCHA PARA SOLOS SATURADOS O dimensionamento de uma estrutura de contenção depende dos esforços gerados pelo próprio solo. dimensionar uma estrutura consiste em verificar a mesma quanto ao deslizamento. etc. Considerando os tipos de contenção em cortinas. fazendo com que outras hipóteses sejam necessárias. • Métodos analíticos (Rankine. tombamento. • Cortinas com um único nível de escoramento e. Portanto. estabilidade global e local etc. é necessário que o método incorpore as condições de equilíbrio. • Métodos empíricos (Terzaghi e Peck. da compactação do solo em caso de contenção de aterros e dos deslocamentos induzidos pela execução da estrutura. Já no caso de paredes com dois ou mais níveis de escoramento. comportamento do material e condições de contorno (força e deslocamento). pela presença da água no subsolo. Coulomb. dos empuxos laterais provocados por carregamentos externos. métodos analíticos e métodos numéricos. o estado ativo não é totalmente mobilizado no solo contido. por exemplo. • Cortinas com mais de um nível de escoramento. de modo que o dimensionamento é feito adotando-se. Rowe. tampouco o passivo do lado interno da vala. é possível ainda. • Métodos numéricos (Winkler.). Elementos finito. acidentais ou permanentes. etc).). exata.

permitindo desenvolver um método de cálculo simples e que não leve a resultados tão conservadores. resultando em obras ___________________________________________________________________________ M. principalmente no nível de pré-dimensionamento. Embora os métodos empíricos não utilizarem nenhuma formulação teórica que permita generalizações. sem ou com ou vários níveis de escoramentos (TACITANO. isto é. torna-se útil avaliar as cargas e deslocamentos por meio de monitoramento dos deslocamentos da estrutura e do maciço de solo. O método mais comumente utilizado é o Método da Envoltória Aparente de Tensões. como a proposta por Terzaghi e Peck (1967). apresentam resultados mais precisos. em geral. Dos três tipos de métodos de cálculo citados. além de mais precisos que os anteriores. que se baseia em medições experimentais. análises que consideram parâmetros de deformabilidade do solo-estrutura. Os métodos empíricos baseiam-se em dados de observação de empuxos em contenções de valas escoradas. ROCHA Capítulo 2 . F. complementados por análises através de métodos mais sofisticados. podem ser de grande utilidade. Com isso Mota 2008 realizou um estudo de monitoramento de um muro de contenção composto por perfis metálicos e pranchões de madeira. Os métodos analíticos são os mais utilizados em cortinas em balanço e com um nível de escoramento. acompanhado por ensaios laboratoriais para obtenção de parâmetros de resistências. E os métodos numéricos. retroanálises dos parâmetros de resistência e deformabilidade do solo pelo Método de Elementos Finitos (MEF). as suas aplicações são consideradas válidas devido à sua simplicidade contida. O autor realizou também. principalmente em função do menor número de hipóteses simplificadora.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 44 aproximações empíricas ou com auxílio dos métodos numéricos através do uso de programas computacionais. Portanto. 2006). foi verificado o dimensionamento da obra. Por meio dos resultados dos ensaios de laboratório e dos dados obtidos no monitoramento. Concluindo que a ferramenta numérica torna-se confiável para verificação do dimensionamento. utilizando para isso o programa SIGMA/W. simulado assim o comportamento tensão-deformação da obra. Tacitano (2006) afirma que estudos nesse sentido. podem ser aplicados indistintamente a todas as situações. os métodos empíricos aplicam-se essencialmente às cortinas com dois ou mais escoramentos. realizado durante a escavação de uma trincheira em Goiânia. Contenções são estruturas são projetadas cargas que dependem de deslocamentos.

Fredlund. Utilizando os programas GEO-FEM e Sheeting Check. ROCHA Capítulo 2 . como condutividade hidráulica. Concluindo que as ferramentas numéricas e instrumentação são de fundamental importância para o estudo desse tipo de estrutura. que é a razão da massa de água com a massa de sólido é o mais comumente utilizado para representar a CCSA. Huang (1994). A sucção é comumente referida como o estado de energia livre da água no solo e é composta pelas parcelas matricial. ( ). resistência ao cisalhamento e o comportamento volumétrico.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 45 mais econômicas e que a intensidades dos movimentos laterais depende da sequência de escavação e instalação da estrutura de contenção (MOTA. Xing. Vários estudos como: Fredlund. O teor de água pode ser expresso em termos de umidade volumétrica. O autor monitorou a fachada oeste instrumentada. realizando um acompanhamento do deslocamento do topo das estacas através de medidas diretas. Windger ___________________________________________________________________________ M. Morgestern. umidade gravimétrica. Gitirana Jr. previsão e quantificação das características do solo não saturado frente à variação de umidade. fazendo análises numéricas. Fredlund. e Fredlund (2004) têm mostrado a utilização da CCSA para estimativa de parâmetros do solo. Zakerzadeh (2001). 2. Xing (1994) afirmam que na prática da engenharia geotécnica o teor de água gravimétrico (w). (w) ou grau de saturação. F. Mualem (1976). Fredlund. como por exemplo. os métodos de previsão da função de permeabilidade para um solo não saturado. A curva contribui para o entendimento do comportamento. Leong.3 CURVA CARACTERÍSTICA SOLO ÁGUA A curva característica solo água (CCSA) é definida como a relação entre o teor de água e a sucção. 2008) Medeiros (2005) também estudou o comportamento de uma cortina de estaca justaposta grampeada assente em solo poroso de Brasília. (Sr) definindo a quantidade de água que contém o poro do solo. Procedimentos semelhantes também têm sido tomados como forma de previsão da resistência ao cisalhamento dos solos não saturados. 2005). como: Fredlund. Van Genuchten (1980). Rahardjo (1997). que dependem dos efeitos de adsorção e capilaridade. e pela osmótica que dependem da concentração de solutos na água. sendo possível simular o processo construtivo das obras (MEDEIROS.

Fredlund e Rahardjo (1993). (1995). define o fenômeno de histerese. teor de umidade inicial. por incrementos de água. 1994) A CCSA pode ser determinada em laboratório por secagem. Figura 2. Vilar (2006). (1996). A Figura 2. textura ou granulometria. as propriedades peculiares da curva característica dependem de vários fatores tais como: estrutura e agregação. sabendo-se que: s = teor de umidade volumétrica de saturação para a curva obtida pelo processo de secagem.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 46 (1978). conforme representado na Figura 2. mineralogia e método de compactação. ’s = teor de umidade volumétrica de saturação para a curva obtida pelo processo de molhagem. e por molhagem quando a amostra seca tem o potencial matricial reduzido gradualmente. quando a amostra é exposta ao ar para obtenção de potenciais matriciais crescentes.’s = teor de ar residual e r = teor de umidade volumétrica residual. índice de vazios. As curvas de secagem e molhagem quando não coincidem. Vanapalli et al. Segundo Fredlund e Xing (1994). Fredlund et al. Rahardjo (1993). s . Fredlund.9 representa três CCSA típicas de secagem para diferentes tipos de solos e observase que o valor de entrada de ar (VEA) geralmente cresce com a plasticidade e quantidade de finos do solo.10. diminuindo a umidade. XING. afirmam que devido a uma distribuição não ___________________________________________________________________________ M. ROCHA Capítulo 2 .9 – Curvas características solo água para três solos distintos (modifica de FREDLUND. tipo de solo. que é evidenciada por essa diferença entre as duas curvas. F.

Processos de escavações. F. ROCHA Capítulo 2 . XING 1994). RAHARDJO. textura. Figura 2. na capacidade de carga de fundações. Portanto. tais como na previsão da estabilidade de taludes e aterros.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 47 uniforme no tamanho do poro pode-se resultar em histerese na curva característica. nos cálculos dos empuxos de terra em estruturas de contenções. 1993). A resistência ao cisalhamento dos solos saturados é descrita com base no critério de ruptura de Mohr-Coulomb.10 – Elementos da curva característica (modificado de FREDLUND. 2. além da mineralogia. estrutura e outras características físico-químicas do solo. etc. o histórico de tensões e a trajetória de sucção também podem influenciar na forma da CCSA. remoldagens e recompactações do solo resultam em um material não saturado que se enquadra em um meio onde a teoria clássica da mecânica dos solos fica limitada para prever seus comportamentos.4 RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO DOS SOLOS NÃO SATURADOS O valor da resistência ao cisalhamento envolve grandes problemas geotécnicos. e para os solos não saturados será tratado como uma extensão da teoria em termos de tensão líquida normal ( – ua) e sucção (ua – uw) (FREDLUND. como consequência é indispensável o estudo ___________________________________________________________________________ M. utilizando o estado de tensão efetiva.

1993). A sucção dos solos é um parâmetro que está relacionado com as tensões efetivas e como consequência à resistência ao cisalhamento. Oloo. Aggour (2007) mostraram que o empuxo ativo aplicado em uma estrutura de contenção calculado incorporando a teoria da mecânica dos solos não saturados foi reduzido ___________________________________________________________________________ M. RAHARDJO. RAHARDJO. 1993). conforme representado na Figura 2. sólida e. Rassam. F. Gan (1997) concluíram que a sucção matricial poderia ter um efeito significativo na capacidade de carga em estrutura de pavimentos.11.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 48 aprofundado da mecânica dos solos não saturados para descrever o comportamento desses materiais. devido à interface ar-água. Hamid. Os solos não saturados são constituídos por quatro fases: líquida. (1995) demonstraram a importância da sucção matricial na estabilidade de taludes em um solo residual de Cingapura. admite-se a existência da película contráctil como sendo a quarta fase. mostrando que a estabilidade foi reforçada em 22 e 28% quando a sucção matricial foi levada em conta nos cálculos. Figura 2. Tawfik. a película contráctil interage com as partículas de solo influenciando o comportamento mecânico do material e a propriedade mais importante dessa quarta fase é sua habilidade de exercer uma tensão de tração. e essa propriedade é conhecida como Tensão Superficial (FREDLUND. onde deslizamentos são comuns. Quando a fase de ar é contínua.11 – Elemento de solo não saturado com uma fase de ar contínua (modificado de FREDLUND. Williams (1997) previram o perfil de sucção matricial de depósito de rejeitos. Fredlund. gasosa. levando-se a pensar no efeito da mesma no empuxo de terra em uma escavação e consequentemente na capacidade de carga de uma contenção. Rahardjo et al. ROCHA Capítulo 2 . Essa contribuição da sucção à resistência dos solos tem atraído maior atenção em pesquisas recentes.

( – ua) e ( – uw) Onde: = tensão normal total. Fredlund. ___________________________________________________________________________ M. Rahardjo (1993). De forma análoga a resistência ao cisalhamento dos solos saturados que é defina pela equação abaixo. F. são essas duas que variam. afirmam que a primeira combinação torna-se mais satisfatória para uso na engenharia prática. (ua – uw) = sucção matricial. Entretanto. quando comparado ao valor do empuxo usando a mecânica dos solos saturados. Na tentativa de entender o comportamento mecânico dos solos não saturados Freddlund. pois na maioria dos problemas práticos. ( – ua) e (ua – uw) 2. Pois assim separam-se os efeitos de mudanças na tensão total dos efeitos de mudanças na pressão de água. 1. devido à separação da tensão total da poropressão de água. Morgenstern (1977) apresentaram uma análise teórica do estado de tensões. ROCHA Capítulo 2 .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 49 cerca de 25%. baseados na mecânica da multi-fases do solo e concluíram que duas das três possibilidades das variáveis de tensão normal poderiam ser usadas para descrever o estado de tensões dos solos não saturados. As três combinações existentes são mostradas abaixo. ( – uw) e (ua – uw) 3. ( – ua) = tensão líquida normal. uw = poropressão de água. ua = poropressão de ar. como consequência resultando em uma estrutura mais econômica.

será sempre referida como coesão efetiva. = tensão efetiva normal no plano de ruptura. Rahardjo. onde o eixo da tensão líquida normal e da sucção matricial na ruptura é igual à zero. = ângulo que indica a razão do aumento da resistência ao cisalhamento relativo à sucção matricial. Enquanto que para solos altamente colapsíveis. os parâmetros c’ e ø’ são razoavelmente constantes. voltando à equação original de Mohr-Coulomb para solos saturados. = tensão total líquida normal ao plano de ruptura. Pereira (1996) afirma ser necessário idealizar um comportamento não linear para os três parâmetros. Gan (1987) têm demonstrado experimentalmente que para solos que possuem estrutura estável. Fredlund. e a sucção matricial tende a zero. c’ = coesão efetiva.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 50 Onde: = tensão de cisalhamento no plano de ruptura. ___________________________________________________________________________ M. ’ = ângulo de atrito efetivo. Windger (1978) como: Onde: c’ = intercepto coesivo da envoltória estendida de Mohr-Coulomb. na ruptura. Morgestern. Pode-se formular a equação da resistência ao cisalhamento dos solos não saturados em termos da segunda combinação.2 observa-se que quando o solo aproxima-se da saturação. a pressão de água aproxima da pressão de ar. Analisando a Equação 2. enquanto que o parâmetro øb pode ser não constante. Escario. na ruptura. segundo Fredlund. ROCHA Capítulo 2 . F. = ângulo de atrito interno associado com a variável de tensão total líquida normal. Saez (1986). = sucção matricial na ruptura.

Para os solos saturados a envoltória de ruptura é plotada em duas dimensões. O aumento na resistência ao cisalhamento devido ao aumento da tensão líquida normal é caracterizado pelo ângulo de atrito. 1993). conforme representado na Figura 2.12. ROCHA Capítulo 2 . tensão normal versus tensão cisalhante. F. Fredlund (1979) observou variações nos valores de intercepto coesivo para diferentes valores de sucção em um diagrama bidimensional tensão cisalhante versus sucção matricial. onde a sucção matricial é zero e a poropressão de ar torna-se igual à poropressão de água. Devido à existência de quatro fases tornando-se difícil a compreensão dos solos não saturados em termos de tensões efetivas. Rahardjo (1993) apresentam uma coletânea de valores de øb publicados na literatura até aquela data.12 – Envoltória de ruptura estendida de Morh-Coulomb para solos não saturados (modificado de FREDLUND. RAHARDJO. O plano frontal representa o solo saturado.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 51 A equação proposta por Fredlund. o aumento da resistência ao cisalhamento causada por um aumento da sucção matricial é descrito pelo ângulo (øb). Para os não saturados a envoltória tem que ser plotada em um diagrama de três dimensões. Por outro lado. O comportamento dos solos não saturados é mais complexo que os solos saturados. De forma geral. tensão cisalhante e sucção. Figura 2. Por isso. Windger (1978) permite uma modelagem adequada da resistência ao cisalhamento de solos não saturados. Morgestern. pode-se observar que os valores de øb variam de 1/2 a 2/3 do valor de ø’. tem-se grande aceitação e aplicação na mecânica dos solos não saturados pela maioria dos pesquisadores. tensão líquida normal. (ø’). conforme ___________________________________________________________________________ M. Fredlund.

O valor do intercepto coesivo é acrescido proporcionalmente ao acréscimo no valor de sucção. que frequentemente apresentam envoltórias não lineares. como a resistência ao cisalhamento e a condutividade hidráulica.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 52 a Figura 2. complexos e onerosos. Devido a isso surge a ideia de métodos de previsão das propriedades desses materiais. para um certo valor de sucção matricial este intercepto coesivo (c) é definido da seguinte forma: Onde: c = intercepto de coesão total. Além disso. 1993). vale lembrar que o mesmo procedimento é parte da prática na Geotecnia para a envoltória de solos saturados argilosos muito pré-adensados. Esses ensaios comparados aos convencionais são demorados. RAHARDJO. F. não se deve ignorar o simples fato de que a representação linear permite uma avaliação simples e de fácil aplicação prática. ___________________________________________________________________________ M. ROCHA Capítulo 2 . Sabendo-se que muitos solos apresentam variações não lineares de resistência com a sucção matricial. Figura 2. Na maioria dos problemas de engenharia a obtenção da envoltória de resistência do solo não saturado torna-se de grande importância para análise do problema.13.13 – Variação do intercepto coesivo de acordo com o valor de sucção (modificado de FREDLUND. Para obtenção da resistência ao cisalhamento em solos não saturados necessita-se de técnicas laboratoriais que exigem conhecimentos especializados.

F. Fredlund et al. Khabbaz (1998) tiveram como base a equação de Bishop (1959) e como parâmetros para a previsão utilizaram o valor de entrada de ar e de parâmetros de resistência ao cisalhamento de solos saturados. Khalili. Com base na observação relativa à redução da área molhada. que permite levar em conta a proporcionalidade não linear entre a taxa de ganho de resistência ao cisalhamento e os valores de $. Segundo os autores o parâmetro. !" # Onde: = coesão efetiva. = tensão líquida normal. = ângulo de atrito efetivo.4 pode ser reescrita em termos de grau de saturação (S) e teor de água volumétrico (%). Fredlund et al. = parâmetro de ajuste. O valor de interfere na taxa de decréscimo de ___________________________________________________________________________ M. de valores da coesão efetiva e ângulo de atrito efetivo determinados em ensaios de compressão triaxial saturados. Vilar (2007) apresentou um ajuste para previsão de resistência ao cisalhamento na qual utilizou parâmetros de uma série de ensaios de compressão triaxial saturado e com amostras sob condições de teor de umidade residual após secagem ao ar. como representado na equação abaixo. A Equação 2. propuseram métodos de previsão de resistência de forma alternativa com o auxílio da CCSA. Vanapalli et al. . ROCHA Capítulo 2 . (1996). (1996). Cook (2002) utilizaram informações de amostras saturadas. w/ s. (1996) propuseram uma função mais geral. foi introduzido para melhorar a qualidade dos ajustes de resultados experimentais. CCSA e resultados de ensaios em amostras não saturadas no teor de água residual. ! = conteúdo volumétrico de água normalizado.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 53 A variação não linear da resistência ao cisalhamento com a sucção matricial pode ser vista como uma resposta do solo à diminuição da “área molhada” onde a sucção de fato atua. Já Rassam. não linear para previsão da resistência ao cisalhamento de solos não saturados utilizando dados da CCSA e parâmetros de resistência do solo saturado.

+' - S = grau de saturação. conforme a Figura 2. 54 = 1 fornece resultados satisfatórios em solos granulares. mas sem utilizar o parâmetro de ajuste . A Equação 2. Outra alternativa que pode ser encontrada na literatura para a representação de variações de resistência não lineares é dada por Vilar (2007) que apresenta uma função hiperbólica como ajuste matemático para a previsão de resistência ao cisalhamento de solos não saturados. para solos coesivos 1 < < 3. além da sua simplicidade. para estimar a resistência ao cisalhamento do solo não saturado. já que não necessita-se da realização de ensaios de sucção controlada. ROCHA Capítulo 2 . & % %( %' ) %' * %( = teor volumétrico de água saturado. %' = teor volumétrico de água residual. mostra-se atraente do ponto de vista prático. F. No caso de ser considerado o valor de = 1. ___________________________________________________________________________ M. (1996).5 pode ser escrita em termo de grau de saturação: & + +' ) .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados para valores de sucção superiores à entrada de ar.14. A relação típica entre a CCSA e a resistência ao cisalhamento pode ser representa de acordo com a Figura 2. Vanapalli et al. (1996) propuseram outra equação como forma de previsão baseado no mesmo conceito. conforme a equação: % = teor volumétrico de água..14. A proposta de Vanapalli et al. Sr = grau de saturação residual.

14 – Relação entre a curva característica solo água e a resistência ao cisalhamento (modificado de VANAPALLI. 1996). F. ROCHA Capítulo 2 .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 55 Figura 2. ___________________________________________________________________________ M.

0 Onde: c = intercepto coesivo. ___________________________________________________________________________ M. A determinação do parâmetro “a” é relativamente simples. /. o grau de saturação ou o teor de água associado com a sucção residual são dois pontos notáveis da CCSA e são usados qualitativamente fundamentais para o modelo proposto. Já o parâmetro b requer a estimativa do intercepto coesivo para altos valores de sucção.15 – (a) Elementos típicos da curva característica. ROCHA Capítulo 2 . (b) função hiperbólica e condições assumidas para obter os parâmetros a e b (modificado de VILAR. a e b = são parâmetro da curva de ajuste. = sucção do solo. O valor de entrada de ar. obtido nos ensaios de resistência em amostras saturadas. c’ = intercepto de coesão efetiva.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 56 Figura 2. F. . o que exigiria a realização de ensaios especiais de sucção controlada. 2007). pois depende do ângulo de atrito.

ROCHA Capítulo 2 . Onde: cm = máxima coesão medida. Vanapalli. (1996) apresentou uma boa comparação entre os valores de resistência medido e previsto na faixa de sucção entre 0 e 1500 kPa para os ___________________________________________________________________________ M. F.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 57 Na tentativa de obter soluções mais simples para a determinação dos parâmetros os autores admitiram que: a) a taxa de ganho de resistência é igual a sucção. e b) o máximo valor de resistência ao cisalhamento. (1996). (1996). determinando-se o parâmetro “b” de outra forma: / 7 . 1 para baixos valores de pode ser obtido em ensaios com corpos de prova submetidos a “elevadas sucções” e tomado como parâmetro da curva: 5 / 234 6 Vilar (2007) apresenta ajuste para vários solos e mostra que para solos granulares apresentouse valores conservadores. Khabbaz (1998). Juca (1989) a fim de fazer uma comparação entre as previsões e os dados experimentais. Oberg. Vanapalli et al. aplicando as mesmas aos materiais com diferentes propriedades geotécnicas estudados experimentalmente por Escario. Fredlund (2000) apresentaram resultados das equações de previsão da resistência ao cisalhamento de solos não saturados proposto por Fredlund et al. 234 . O novo ajuste mostrou-se adequado em solos cujas curvas correspondente à parcela de sucção possam ser efetivamente representadas por uma hipérbole. Sallfors (1997) e Khallili. Entretanto menciona que essas limitações devem ser vistas como uma característica comum de todos os métodos empíricos. juntamente com a resistência ao cisalhamento efetivo do solo saturado. Os autores concluíram que o modelo de Fredlund et al. A simplicidade do modelo procede pelo fato de requer apenas um conjunto de ensaios em amostras secas ao ar ou em um sistema de sucção conhecido.

Já o proposto por Oberg. o coeficiente de permeabilidade é função do índice de vazios e do teor de água. os estágios de 1 a 5 representam a posição da interface ar-água para valores crescentes de sucção e. ___________________________________________________________________________ M. RAHARDJO 1993). apresentado apenas uma boa concordância para o solo areno argiloso de Madrid nos valores de sucção entre 0 e 200kPa. logo os poros preenchidos com ar comportam-se. O modelo de Vanapalli et al. podendo justificar pela possibilidade de erro no valor da sucção residual usando dados limitados da CCSA. Khallili. forçando a água a fluir pelos microporos.5 CONDITIVIDADE HIDRÁULICA DOS SOLOS NÃO SATURADOS A permeabilidade nos solos saturados é função do índice de vazios e pode-se assumir como sendo um valor constante. Khabbaz (1998) apresentaram boa concordância com dois dos três solos estudados para valores de sucções baixos e uma grande discrepância para sucções mais altas. Para os solos não saturados. criando caminhos mais longos e tortuosos.16 representa a situação. portanto afirma-se que a permeabilidade diminui com o aumento da sucção matricial do solo. a previsão não foi boa para valores de sucção mais altos em dois solos estudados. Os estudos mostraram a necessidade de mais pesquisas experimentais em diferentes solos para uma melhor compreensão da resistência ao cisalhamento dos solos não saturados a fim de desenvolver melhores modelos de previsão. que descreve que a razão do fluxo através de uma massa de solo é proporcional ao gradiente hidráulico. A lei que governa o fluxo de água para os solos saturados e não saturados é a Lei de Darcy. ROCHA Capítulo 2 . A Figura 2. O fluxo de água em uma massa de solo é diretamente proporcional à área transversal dos poros preenchidos com água. (1996) apresentou também bons resultados para valores de sucção entre 0 e 1500 kPa. Sallfors (1997) não apresentou boas previsões para o solos estudados.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 58 três tipos de solos. obtendo grande discrepância entre os dados experimentais e os previstos. como resultado. do ponto de vista do fluxo de água. uma redução da umidade volumétrica e do coeficiente de permeabilidade do solo (FREDLUND. como se fossem barreiras. Quando o solo torna-se não saturado primeiramente o ar substitui a água nos macroporos. justificando a redução da permeabilidade conforme o aumento da sucção mátrica. 2. Entretanto. F.

h/ y = gradiente hidráulico na direção vertical (y). Fredlund e Rahardjo (1993) demostram que o potencial fundamental apropriado para engenharia é a carga hidráulica. k( ) = coeficiente de permeabilidade do solo não saturado.16 – Entrada de ar em diferentes estágios de sucção e consequente redução do coeficiente de permeabilidade. O fluxo de água em um solo não saturado tem sido explicado por diversos conceitos. portanto o coeficiente de permeabilidade é o saturado. A Figura 2. Figura 2. ROCHA Capítulo 2 . O Estágio 1 o solo encontra-se com uma sucção abaixo do valor de entrada de ar. nos quais o potencial governante do fluxo pode ser o potencial de sucção mátrica. No Estágio 2 o solo ___________________________________________________________________________ M. :< Onde: v = velocidade do fluxo. solo saturado e solo não saturado (modificado de FREDLUND. RAHARDJO 1993). F. a umidade ou a carga hidráulica (pressão + elevação).17 ilustra a variação da permeabilidade em dois estágios de fluxo.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 8 9 % 59 :. mantendo-se assim na situação saturada.

Várias equações empíricas são usadas para relação do coeficiente de permeabilidade e a sucção. Figura 2.1 apresenta algumas formulações encontradas na literatura. função permeabilidade (JÚNIOR.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 60 encontra-se com uma sucção maior que o valor de entrada de ar. Leong e Rahardjo (1997) afirmam que a determinação da função permeabilidade de forma direta requer um longo tempo para completar a série de medição de permeabilidade. F. principalmente para altos valores de sucção. Todas as equações empíricas mostraram um bom ajuste quando comparadas com os dados experimentais. pode ocorrer um fluxo osmótico através da amostra e para altos valores de sucção as amostras podem retrair e separar-se das paredes do permeâmetro ou da pedra porosa. perdendo água.17 – Representação da variação do coeficiente de permeabilidade com a variação da sucção. 2006). k( ). Com isso surge a proposta de formulações numéricas como forma de facilitar a previsão da condutividade hidráulica dos solos não saturados. ROCHA Capítulo 2 . A Tabela 2. aumentando a sucção e diminuindo a permeabilidade. trazendo uma boa perspectiva para uso das mesmas como forma de previsão ___________________________________________________________________________ M. devido ao baixo fluxo. A curva de condutividade hidráulica de um solo não saturado pode ser obtida de forma direta ou de forma indireta a partir de equações empíricas e modelos incluindo a teoria dos macroporos e microporos (estatísticos). necessita-se de uma acurácia na medição do volume de água.

9 Referência Brooks e Corey (1964) Gardner (1958) Richards (1931) Rijtema (1965) Wind (1955) OBS. k1 = é o coeficiente de permeabilidade para = 1. k( ). em escala aritmética e o log da sucção (log( )). Fredlund et al. Mualem (1976). 9 . ? . B 9' 9J & ) = > .@A 9( 4 .1 – Equações empíricas para a previsão do coeficiente de permeabilidade do solo não saturado. Burdine (1953). B = corresponde à sucção residual ( r).@A . Tabela 2. Arbhabhirama e Kridakorn (1968).: 1 9' Função = > . algumas dessas equações estão representadas na Tabela 2. Essa são baseadas na equação geral hiperbólica representado em termos do grau de saturação (S). Várias equações têm sido propostas para ajuste da CCSA. Xim e Huang (1994). propuseram modelos de equações para previsão da função permeabilidade. ? . uma vez comparada com dados experimentais de diversos solos obtidos em laboratório. ? . C . Gardner (1958). e Fredlund (2004) que propuseram três equações. Todos os modelos citados anteriormente no geral necessitam de dados obtidos através da CCSA. K . (1994). como o teor de umidade volumétrico saturado ( s) e o residual ( r).@A 9' D BEF 9( 4 9 . Estudos como o de Fredlund.@A BE FBFGHI D = > . B 9' & ) = > . a segunda é ___________________________________________________________________________ M. F. do valor de entrada de ar ( vea). Van-Genuchten (1980). ROCHA Capítulo 2 .J 9 L.@A ? .J .2. Para este trabalho optou-se pelo uso da equação de ajuste para a CCSA proposta por Gitirana Jr. Segundo Leong e Rahardjo (1997) os modelos estatísticos se baseiam na distribuição do tamanho dos poros para a função permeabilidade e CCSA.J . Gerscovich e Guedes (2004) mostram que os modelos de previsão estáticos para a função permeabilidade possuem uma precisão bastante satisfatória. A primeira equação é a unimodal com um ponto de inflexão. Childs e Collis-George (1950). Baseado nessa hipótese. Brooks e Corey (1968). / 9 9( 4 = > .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 61 da condutividade hidráulica dos solos não saturados.

são o grau de saturação e o teor de água residual respectivamente. ? M L. A Figura 2. en e eb r 0 7 a. Q7 S .A U \ onde Se = grau de saturação efetivo. Figura 2. K . W X Y Z[ . res.X.17 apresenta o esquema de uma curva unimodal com dois pontos de curvatura. +A bBbc bd Bbc M L. s . BJO & ) .nem ] . 0 r r r %( .. S . Y ' e s . K .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 62 unimodal com dois pontos de inflexão e a terceira trata-se de uma bimodal. Tabela 2. ROCHA Capítulo 2 . e Fredlund (2004) BN Parâmetros de ajuste r= %` a. b.A TU VD Fedlund e Xing (1994) Gitirana Jr. s . . L... X. 2005). F.'A( s . ___________________________________________________________________________ M.18 – Previsão condutividade hidráulica baseado na curva característica solo água (modificado de GITIRANA JR.2 –Equações de ajuste para a CCSA.. . ^_ ' %` . Referência +A Brooks e Corey (1964) +A Campbell (1974) Van Genuchten (1980) +A % . r MR U W %J % r M .. e 0 =0.Oa.. P +A Equação L.

e Fredlund (2004). r = tan( /2) = abertura do ângulo tangente e./2 = ângulo de rotação da hipérbole. ___________________________________________________________________________ M. ( b. Uma hipérbole é utilizada para representar este primeiro tipo de curva. representada pela equação abaixo segundo Gitirana Jr. F. = arctan{1+[ln(106/ b)]} = declividade de dessaturação.1) são as assíntotas da hipérbole.1). + 4 beJf' g hij kOkl JB' g 4 g b eJf4 JB' g 4 g bh gb m> ` U `]k^ kl g JB' g 4 Jf4 gb gb Onde: = . ROCHA Capítulo 2 . Curva unimodal com um ponto de inflexão Os parâmetros que correspondem e que darão o formato típico de uma curva unimodal com um ponto de inflexão são: o valor de entrada de ar ( b) e outro que define a transição próxima ao valor de entrada de ar. Figura 2. 1) e (106. denominado de “a”.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 63 1. conforme representado na Figura 2.19 – Parâmetros de uma curva unimodal com um ponto de inflexão (modificado de GITIRANA JR.19. E FREDLUND 2004). As duas linhas retas definidas por (0.

1) são as assíntotas da hipérbole.20 – Parâmetros de uma curva unimodal com dois pontos de inflexão (modificado de GITIRANA JR. Duas hipérboles são necessárias para definir totalmente a curva. como representado na Figura 2. Estas duas hipérboles são fundidas através de uma terceira equação.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 64 2. ( b. 1).1). As três linhas retas por (0. denominado “a”. F. produzindo uma equação contínua segundo Gitirana Jr. a sucção residual do solo ( res) eo grau de saturação residual (Sres).20. e Fredlund (2004) correspondente a: + +J +` kOak k'A( +` Onde: ___________________________________________________________________________ M. E FREDLUND 2004). define as transições ao longo de ambos os pontos de curvatura. ROCHA Capítulo 2 . ( res. Curva unimodal com dois pontos de inflexão Os parâmetros que correspondem e que darão o formato típico de uma curva unimodal com dois pontos de inflexão são: o valor de entrada de ar ( b). Um quarto parâmetro. Figura 2. Sres) e (106.

+ = 0. i)/2] = abertura do ângulo tangente. Sres1. res2. b2. kJ = k k` = k'A( k = 106 d = 2exp[1/ln( res/ b)] = fator de ponderação para S1 e S2 que produz uma curva contínua e suave. F.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados >n ` o kOkn `% >n ` n %n +n p >n ` ` 65 n %n q>n ` U `% n ` kOkn r >n ` `% n `% n +n # i = 1. 3. Sb. Sres2 e a. +` = +'A( . i = arctan{(+n +J = 1. = ângulo de rotação da hipérbole. res1. i =-( i-1+ ri = tan[( i)/2 i-1+ 0 = 0.2. segundo representado na Figura 2. +nfJ )/[ o knfJ Okn Q} = declividade de dessaturação. ROCHA Capítulo 2 . Curva bimodal Na curva bimodal os parâmetros que correspondem e que darão o seu formato típico com quatro pontos de inflexão são: b1. ___________________________________________________________________________ M.21.

ri. ___________________________________________________________________________ M. F. e i = são definido da mesma forma que os da equação (2.21 – Parâmetros de uma curva bimodal (modificado de GITIRANA JR. i = 1. 3. ( res1. Estas hipérboles são combinadas conforme Gitirana Jr.1).4. ( b1. ROCHA Capítulo 2 . +u = +'A(` . Onde: Si. i. E FREDLUND 2004).12). Sres1). 1). ( b2. +` = +'A(J . Sres2) e (106.1).D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 66 Quatro hipóteses são necessárias para esse modelo de curva delineada pelas cinco assíntotas que são definidas por (0. + = Sb. ( res2. 2. e Fredlund (2004) equivalente a: +J + +` kOak J k'A(J st +` + kOak ` k'A(J sg + +u kOak ` k'A(` sv +u * Figura 2. +J = 1. 1). +w = 0.

16. Baseado nas equações de continuidade e na Lei de Darcy. t = tempo. &9{ ) :< :< :% : - Onde: kx = coeficiente de permeabilidade na direção x. kw = 106. ky = coeficiente de permeabilidade na direção y. Fredlund e Morgenstern (1977) propuseram a seguinte relação constitutiva para a fase água nos solos não saturados: |% RJ | R` | 0 Onde: = tensão total. k` = k'A(J . = k `. dj = 2exp[1/ln kxfJ Okx Q = fator de ponderação. : &9z ) :y :y : :. a equação diferencial parcial que governa o fluxo transiente bidimensional através dos solos não saturados pode ser formulado conforme a Equação 2. 2. ROCHA Capítulo 2 .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 67 kJ = k J. j = 1. :. w = teor volumétrico de água. h = carga hidráulica. 3. ___________________________________________________________________________ M. F. k ku = k'A(` .

2004).22 – Superfície constitutiva de variação volumétrica da estrutura do solo (GITIRANA Jr. ROCHA Capítulo 2 . F. Figura 2. m1w = é a inclinação da curva do volume d’água versus tensão líquida normal quando a sucção é zero ( i. 1999). |% R` | 5 Substituindo a Equação 2. : &9z ) :y :y : :...16 obtém a equação diferencial parcial que governa o fluxo através dos solos não saturados.e compressibilidade da fase água em relação à variação de sucção).38 ilustra a superfície constitutiva de variação volumétrica. pode-se assumir que a tensão total se mantém constante e a poropressão de ar se mantém nas condições atmosféricas.e compressibilidade da fase água em relação à variação de tensões totais líquidas) m2w = é a inclinação da curva de volume d’água versus tensão líquida normal quando a tensão líquida normal é zero ( i. Com isso a variação volumétrica do teor de água pode ser relacionada com a variação de poropressão de água (ZHANG et al. A Figura 2. : 6 ___________________________________________________________________________ M.18 na 2.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 68 ua = poropressão de ar. :. &9{ ) :< :< R` } ~ :. Para a análise de fluxo transiente.

a dependência do tempo com o perfil de sucção matricial deixa de compor a equação. Assim. A Figura 2. A parte do solo acima do nível d’água é chamada de zona vadosa. mostrando que o solo não saturado pode estar bem próximo a 100% de saturação e com poropressão negativa e a porção acima da franja capilar chamada de não saturada. o nível do lençol freático dos solos não saturados. &9z ) :y :y : :. Se a região é árida ou semiárida. 1996). A água aplicada na superfície do solo através de precipitação e eventos de irrigação subsequente entra no solo por meio do processo de infiltração.e. ROCHA Capítulo 2 . .e. A localização do nível do lençol freático (i.19 foi utilizada como governante nos modelos criados com a ferramenta numérica FlexPDE. precipitação) e fluxo ascendente (i. o nível do lençol freático é lentamente reduzido com o tempo.6 PERFIL DE SUCÇÃO NA TEORIA DE EMPUXO DE TERRA Acompanhando a sazonalidade das regiões de clima tropical. 2. A Equação 2. podendo ser subdividida em duas porções. A variação de umidade e sucção ao longo de um perfil de solo pode ser obtida utilizando abordagens mecanísticas. o excesso de água se ___________________________________________________________________________ M. Entretanto. É a diferença entre o fluxo descendente (i.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 69 Sob a condição de fluxo estacionário. Se a taxa de precipitação de água é maior do que a capacidade do solo para permitir que esta entre... o nível do lençol pode ficar bem perto da superfície do solo. e pode-se escrever: : :. F.. &9{ ) :< :< . a resistência e a compressibilidade destes solos tendem a variar sazonalmente. que determina a localização do lençol freático (FREDLUND.e. Se o clima é temperado ou úmido. tende a subir na época chuvosa e a descer na época seca. evaporação e evapotranspiração) ao longo prazo. A porção imediatamente acima do nível d’água é chamada de franja capilar. separação entre as poropressões negativas e positivas) é fortemente influenciada pelas condições climáticas da região.23 apresenta as zonas bem distintas. a eficiência do método depende principalmente da acurácia dos dados meteorológicos e das propriedades do solo.

proteção de recursos naturais. O conhecimento do processo de infiltração é um pré-requisito para o gerenciamento de fluxo de água no solo (WILLIAN e OUYANG. Dependendo da duração da precipitação oferecida. ver Figura 2. Em geral esta zona é um alongamento não saturado com um teor de ___________________________________________________________________________ M. Compreender o movimento da água para dentro da zona não saturada é de grande importância para a geotecnia. e se estenderá aproximadamente alguns centímetros. estabilidade de talude etc. Willian e Ouyang (1998) idealizam um perfil de solo homogêneo com cinco zonas para o processo de infiltração. 2000). gestão de terras agrícolas. F. Figura 2. 3) Zona de transmissão: caracterizada por uma pequena alteração no teor de água com a profundidade. 1) Zona saturada: todos os vazios estão preenchidos por água. O processo de movimentação da água é muito dinâmico. ROCHA Capítulo 2 . esta zona geralmente se estende a uma profundidade de milímetros. 2) Zona de transição: está zona é caracterizada por uma rápida redução no teor de água com a profundidade. seja para avaliação do destino e transporte de contaminantes. barragens. mudando drasticamente ao longo do tempo e espaço. 1998). estruturas de contenção.23.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 70 acumula ou torna-se escoamento (run-off).23 – Perfil típico de um solo saturado e não saturado (modificado de FREDLUND.

___________________________________________________________________________ M. O gradiente hidráulico nesta zona é principalmente impulsionado pelas forças gravitacionais. formando um fronteira definida entre o solo molhado e seco.25. particularmente perto da superfície. atingindo profundidades maiores de _____________ 2 BLIGHT. 6) Frente de molhagem: caracterizada por um gradiente hidráulico íngreme e é impulsionado principalmente por potenciais matriciais. The Mechanics of Unsaturated.26 a vegetação absorve água do solo aumentando a taxa de evaporação. Os autores concluíram que as mudanças de estações causam mais variações no perfil de sucção. 1998 ). O trabalho de Blight (1980)2 apud Fredlund e Rahardjo (1993) representa perfis de sucção e suas interferências. G. of California.24 – Processo da zona de infiltração para um perfil de solo (modificado de WILLIAN E OUYANG.D00076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 71 4) água elevado uniforme. Berkeley. E. 1980. O perfil de sucção matricial abaixo de uma superfície descoberta é afetado significativamente pelas mudanças do meio ambiente. F. 5) Zona de molhagem: nesta zona o teor de água aumenta bruscamente com a profundidade. conforme representa Figura 2. sendo esse fenômeno ocorrido por duas parcelas. sendo que quanto mais profundo o nível do lençol freático maior a profundidade a ser influenciada. Figura 2. Já na Figura 2. ROCHA Capítulo 2 . uma que acontece pela atmosfera e outra pela vegetação. Notes for a serie of lectures delivered as part of Course 270C at the Univ.

F. Figura 2. ___________________________________________________________________________ M. Figura 2. flutuação sazonal (BLIGHT 1980 apud FREDLUND. observando que a influência maior foi da evaporação pela atmosfera e não da vegetação.D00076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 72 variação da sucção. junto com a ordem de grandeza da sucção.25 – Perfis típicos de sucção abaixo de uma superfície descoberta. conforme representa a Figura 2. RAHARDJO 1993 – modificado).27. RAHARDJO 1993 – modificado). Já para o nível do lençol profundo observa-se que a espessura de solo que seca aumenta. na condição do nível do lençol freático raso. ROCHA Capítulo 2 . influência da condição de secagem com o nível do lençol freático raso (BLIGHT 1980 apud FREDLUND.26 – Perfis típicos de sucção abaixo de uma superfície descoberta.

ROCHA Capítulo 2 .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 73 Figura 2. Green e Ampt (1911). (2007). O modelo de infiltração simples proposto por Green e Ampt (1911) indica que a profundidade da frente de molhagem durante a infiltração da chuva é proporcional ao coeficiente de permeabilidade saturado (ksat). Paiva et al. Kasim. Fredlund e Gan (1998). (2010) e Kim e Borden (2013). (1996). mas inversamente proporcional ao escoamento no solo. Vários pesquisadores vêm observando a influência da análise do perfil de sucção. ___________________________________________________________________________ M. RAHARDJO 1993 – modificado). Lu e Griffiths (2004). como os trabalhos de Krahn. Lim et al.. F. q/ksat) e o valor de entrada de ar do solo são fatores dominantes que afetam a distribuição do perfil de sucção. e. é importante quantificar o perfil de sucção para avaliar a integridade dessas estruturas em termos do empuxo de terra e da resistência do solo não saturado. (2004).27 – Perfis típicos de sucção abaixo de uma superfície descoberta. Fredlund e Gan (1998) realizaram uma simulação numérica para investigar a influência do coeficiente de permeabilidade sobre a condição estacionária do perfil de poropressão numa camada de solo não saturado horizontal e inclinado. Em muitos problemas da engenharia geotécnica envolvendo solos não saturados como. Fredlund et al. Fredlund e Klassen (1989). O estudo comprovou que a razão da taxa de infiltração com o ksat (i. estabilidades de taludes e aterros. influência da condição de secagem com o nível do lençol freático profundo (BLIGHT 1980 apud FREDLUND. estrutura de contenção. Kassim. Zhang et al.

O tempo para atingir o estado ___________________________________________________________________________ M. A teoria retém simplicidade e generalidades do princípio da tensão efetiva. e assim. Com isso.28 – Infiltração na massa de solo não saturada no estado estacionário com variação do fluxo de umidade (modificado de ZHANG et al. conforme representado na Figura 2. sob condição de estado estacionário. em conjunto com outras ferramentas de análise. estabilidade de taludes. podendo esta ser negligenciada. respectivamente. ROCHA Capítulo 2 . 2004). Há uma percepção entre os engenheiros geotécnicos que a poropressão se dissipará com a infiltração da chuva.D00076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 74 No trabalho de Lu e Griffiths (2004). capacidade de carga e contenção de resíduos. Se a magnitude do fluxo de água é o mesmo que o coeficiente de permeabilidade não saturado para um determinado valor de sucção. Sob condição hidrostática. levando em conta o tipo de solo e as taxas de evaporação e infiltração quando a CCSA é conhecida.29 mostram típicas distribuições de poropressão de água sob condições no estado estacionário e transiente. Já a infiltração na condição de percolação transiente pode ser considerada um estado de transição entre o estado inicial e final do estacionário. o fluxo ascendente e descendente do solo atinge o equilíbrio. 2007) e análises pelo método dos elementos finitos. foi apresentada uma teoria geral para prever perfis de sucção em solos não saturados. os autores ilustraram que sob certas condições a sucção do solo pode ser mantida. o valor da poropressão de água é constante. pode ser aplicada diretamente em estudos clássicos de problemas geotécnicos..28. F. tais como empuxo de terra. no estado transiente e estacionário utilizando o SEEP/W (GeoStudio.28 e Figura 2. Figura 2. Basearam-se na teoria da infiltração e fluxo através de solos saturados e não saturados. Zhang et al. As Figura 2. (2004) afirmam que o efeito da poropressão negativa de água é frequentemente ignorada nos estudos de estabilidade de taludes. não há fluxo.

___________________________________________________________________________ M. Os autores realizaram uma simulação de um fluxo estacionário em um solo com ksat = 10-5 m/s . Lembrando-se que os resultados obtidos foram baseados na condição de fronteira com nível do lençol freático fixo. 2004). e a profundidade da porção de sucção constante aumenta com a redução do valor de a. Analisando os gráficos da Figura 2.29 – Infiltração na massa de solo não saturada no estado transiente de percolação com duas diferentes condições de fluxo: (a) q < ksat . A sucção matricial pode ser eliminada somente quando o fluxo de água da superfície for maior ou igual ao ksat . Concluindo que sob condições de estado estacionário. Figura 2. F. diferentes razões de fluxo e ksat (q/ksat). (b) q ksat (modificado de ZHANG et al. a sucção matricial pode diminuir. o fator mais importante que afeta a sucção matricial perto da superfície do solo é a magnitude do fluxo de umidade da superfície expressa como uma porcentagem do ksat. Os valores de sucção matricial diminuem com a redução de a. n = 2 (inclinação da CCSA no ponto de inflexão) e m = 1 (parâmetro de ajuste relacionado ao teor de água residual). onde se aplica na superfície do talude na análise numérica. Os perfis de poropressão de água mostrados na Figura 2. do coeficiente de permeabilidade do solo e da capacidade de armazenamento de água do solo.30. observa-se que à medida que o fluxo de chuva aproxima-se do ksat a sucção matricial na superfície do talude aproxima-se de zero. mas não dissipar por completo.30 correspondem a solos com diferentes a (valores de entrada de ar). Ao longo prazo a sucção não desaparece e se mantém essencialmente perto do perfil hidrostático quando o fluxo estacionário é duas ou mais ordens de magnitude menores que o ksat e a for maior que 100. conforme representado na Figura 2. Quando o fluxo é menor do que o coeficiente de permeabilidade saturado (ksat)..D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 75 estacionário é uma função do fluxo da superfície do terreno. ROCHA Capítulo 2 .29.

31. ROCHA Capítulo 2 ..30 – Exemplos de perfis de poropressão de água submetido a um fluxo estacionário com vários valores de a (modificado de ZHANG et al. ___________________________________________________________________________ M. F. conforme representa a Figura 2. analisaram para vários valores de a. 2004). (2004).D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 76 Sob condições de fluxo transiente. Para a condição de fluxo transiente. o perfil de poropressão de água depois da chuva depende da magnitude de precipitação da chuva. Figura 2. 2004). Zhang et al. com o fluxo de chuva igual ao ksat. do ksat e função da capacidade de armazenamento de água do solo (ZHANG et al.

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 77 Figura 2.31 – Exemplos de perfis de poropressão de água submetido a um fluxo transiente com vários valores de a com ksat = 10-5 m/s e q = 10-5 m/s (modificado de ZHANG et al. o solo com menor valor de entrada de ar corresponde a um coeficiente de permeabilidade inicial menor. Dado a mesma sucção matricial inicial (i. Se o q (fluxo) é o mesmo para todos os casos.. F.. Os resultados mostraram que à medida que o valor de a aumenta. a frente de molhagem tornase cada vez menos distinta. e o solo com maior valor de entrada de ar possui um maior coeficiente de permeabilidade.e. ROCHA Capítulo 2 . 2004). todos os casos são inicialmente na condição hidrostática). ___________________________________________________________________________ M.

(1996) estudaram a variação do perfil de sucção matricial dividindo um talude em três partes com condições distintas de cobertura e as variações das condições climáticas. mas podem começar a aumentar para valores positivos ao final do período de chuva. teoricamente até o seu valor de ksat. 10-5. mas não são muito influenciadas pelo estado inicial de poropressão. Para um solo com um baixo ksat e uma grande capacidade de armazenamento de água. Um solo altamente permeável irá permitir uma elevada taxa de fluxo. Quando ksat = 10-5 m/s. Lim et al. Consequentemente.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 78 os valores de q/k é maior para o solo com menor valor de entrada de ar. a sucção matricial necessita de uma quantidade substancial de tempo para dissipar e. ksat = 10-4. A análise numérica para esses problemas requer vária características hidrológicas do solo com informações climáticas da região. 10-6 m/s) sob precipitações com intensidade e duração distintas e diferentes estados iniciais de poropressões.. A instabilidade de talude devido à chuva é um problema comum na área da geotecnia. Já solos com baixa permeabilidade o perfil e poropressão pode não variar significativamente durante a precipitação. este torna-se essencialmente o limite superior da taxa de infiltração. por exemplo. a sucção matricial do solo com ksat maior irá dissipar mais cedo. pode ser mantida ao longo de um período de tempo mais longo do que a chuva. os tipos de vegetação. Tsaparas et. Com o mesmo ksat o solo com maior coeficiente de armazenamento de água tem uma maior capacidade de armazenamento de água. ROCHA Capítulo 2 . o gradiente de poropressão de água é maior para o solo com menor valor de “a”. tem-se uma frente de molhagem mais profunda. dado um solo com a mesma capacidade de armazenamento de água. F. al. (2002) estudaram a influência de alguns parâmetros na estabilidade de taludes não saturados durante uma chuva. Outros estudos analisam a influência da cobertura da superfície como. (2004). e. Por outro lado.. a quantidade de água a infiltrar no solo reduz e tem-se uma grande influência na condição inicial do perfil. Os autores concluíram que o coeficiente de permeabilidade saturado que controla a taxa de infiltração no solo. considerando três permeabilidades (i. portanto. a infiltração é mais lenta para um solo com uma menor capacidade de armazenamento de água. Sendo uma superfície com tela coberta de grama. A análise também mostrou que o pior caso é quando se tem um evento de precipitação distribuído por um longo período de duração. quando o fluxo da superfície sob condições transientes for igual ou maior do que o ksat. Segundo Zhang et al. outra com a superfície limpa e a ___________________________________________________________________________ M. Consequentemente.

.32. existem uma tendência de estabilização da umidade no centro da área e uma grande variação nas bordas da área. ROCHA Capítulo 2 . (2006) apresentaram alguns resultados comparando a sucção matricial e a variação volumétrica de um campo experimental onde o solo foi exposto a três condições distintas de umidificação. A variação do perfil de sucção foi mais significante na porção em que a superfície do talude encontrava-se limpa e menos significante na superfície com tela gramada. enquanto na área abaixo da placa. Verificou-se que na área com vegetação a variação volumétrica era muito acentuada. F.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 79 terceira apenas com grama. ___________________________________________________________________________ M. Paiva et al. Alguns pesquisadores vêm observando que sob áreas impermeáveis. conforme representado na Figura 2. 1996). Entretanto a presença da vegetação pode aumentar a sucção matricial in situ e alterar a carga total do perfil. tipo residência e pavimentos. na área sem vegetação houve uma variação moderada e. movimentos diferenciais que podem levar as estruturas à ruína. desta forma. Figura 2. causando.32 – Mudanças no perfil de sucção matricial e da carga total em resposta da chuva no meio do talude sob três condições diferentes de cobertura da superfície (modificado de LIM et al. uma variação volumétrica constante.

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 80 Segundo Silva Júnior (2011) para uma boa análise e previsão do perfil de umidade e sucção do solo. podendo-se utilizar de valores correspondentes às médias históricas. Considerando que a carga total é constante na superfície do solo. o escoamento (runoff) acontecerá. existem vários outros componentes experimentais e teóricos que precisam ser analisados. 1933).. O potencial de condução responsável pela infiltração da água é o gradiente de pressão total entre a superfície e a frente de molhagem. em partem porque a taxa de infiltração diminui com o tempo e excedendo a taxa máxima. ROCHA Capítulo 2 . 1990) e a aplicação de condições de fronteira especiais para o cálculo do escoamento superficial (GITIRANA JR. considerando que existe água disponível para infiltração. Um exemplo importante é a aplicação de condições de fronteira especiais para a determinação da evaporação real na superfície do solo (WILSON. Horton (1933) apresentou que durante um período de precipitação constante. a velocidade de infiltração diminui com o tempo e que há uma curva limite que fornece a taxa de infiltração máxima ao longo do tempo. As propriedades constitutivas são necessárias para a aplicação do modelo mecanístico de comportamento.33 – Taxa de infiltração versus tempo (HORTON. Podendo explicar. ___________________________________________________________________________ M. conforme representado na Figura 2. Em se tratando de necessidades experimentais. F. A avaliação das propriedades constitutivas do solo não saturado e a medição do estado do solo (umidade e sucção) são determinações experimentais indispensáveis. se a frente de molhagem está avançando. 2005). Além disso. devem ser concebidos modelos teóricos que representem as condições atmosféricas em termos de condições de fronteira. o gradiente de pressão total estará diminuindo. Figura 2. a determinação das condições atmosféricas é a primeira a se definir. além da compreensão do comportamento de solos não saturados.33.

a sucção matricial na superfície do solo permaneceu igual à sucção matricial no ponto de inflexão da curva de condutividade hidráulica (i. ROCHA Capítulo 2 . Figura 2. Analisando as frentes de molhagens o autor concluiu que quanto maior a taxa de precipitação mais profunda a frente de molhagem. Sabendo-se que kwsat = 1×10-6 m/s as precipitações analisadas foram de 86. 2002) e FlexPDE.34 e Figura 2. resultando em escoamento. 2005). (2005) estudou a precipitação (1×kwsat. 345. 2xkwsat .34 – Perfil de infiltração para precipitação = kwsat (modificado de GITIRANA JR. Figura 2. F. As maiores taxas de precipitação produziram pressões maiores da água na superfície. eventualmente. mas se deslocou para cima com a precipitação representada na Figura 2. ___________________________________________________________________________ M. 1. O N.5×kwsat . sob condições isotérmicas através de análises numéricas utilizando o Seep/W (Geo-Slope International Ltd.4. 129.36. como mostra a Figura 2.6 e 864 mm/dia.35.4. Para uma taxa de precipitação igual ao coeficiente de permeabilidade saturado.8.A localizado na elevação 0 m. em qualquer intervalo de tempo dado. 172.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 81 Gitirana Jr.34.. com o N.e 10kPa).. 4×kwsat e 10×kwsat) aplicados durante um período de 7 dias. chegando à zero.A quase não foi afetado para precipitações mais baixas.

2005). Boa concordância foi observada por Gitirana Jr..5×kwsat (modificado de GITIRANA JR.35 – Perfil de infiltração para precipitação = 1. ROCHA Capítulo 2 . (2005) quanto aos perfis de sucção gerados utilizando os programas FlexPDE e o Seep/W para precipitações menores ou iguais a 1.36 – Perfil de infiltração para precipitação = 4.5×kwsat .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 82 Figura 2. ___________________________________________________________________________ M.. Figura 2. 2005). F.0×kwsat (modificado de GITIRANA JR.

0 m após o período de 12 dias de infiltração. Com isso as deformações totais computam a soma da deformação devido a redução da sucção (i. atrás da estrutura. atingindo valores máximos de 12 mm e 24 mm. A Figura 2. devido a maioria da água na superfície não poder se infiltrar no solo por causa da baixa permeabilidade. (b) deformação no muro. redução da tensão cisalhante) e a deformação volumétrica devido a água infiltrada.F = 1. Os autores analisaram 4 casos. Figura 2. ao passo que para o Caso 4 a frente foi apenas de 1. incluindo fluxo transiente analisando o comportamento tensão deformação sob a superfície de infiltração em um muro de contenção. diferenças finitas).3 m abaixo da superfície do solo.F) Para o caso 3 em que W.. Para o Caso 2.37 mostra claramente que as deformações tornam-se muito mais significativas com o aumento da frente de molhagem (W. respectivamente. F. variando o material do reaterro..e.0 m. onde tem-se o material mal compactado a profundidade da frente de molhagem foi cerca de 3.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 83 Kim e Borden (2013) realizaram simulações numéricas utilizando o FLAC (i. a deflexão do muro aumenta muito. Caso 1 e 2 para representar a construção do muro sem o reaterro e com o reaterro mal compactado por trás da face do muro e os Casos 3 e 4 representando a possível variação da permeabilidade do reaterro. e. quando W. ___________________________________________________________________________ M.2 m e 4.0 mm). 2013). (c) força de tração no muro (modificado de KIM e BORDEN. 2013). utilizando uma permeabilidade duas vezes maior do que o medido em laboratório (ksat). há um aumento muito pequeno na deflexão do muro (menor que 2. ROCHA Capítulo 2 .37 – Aumento da: (a) deflexão no muro. A mesma tendência é observada para a força de tração (KIM e BORDEN.F = 3.8 m da superfície do solo (Caso 2 e Caso 4). Entretanto.

Ko. A teoria de empuxo de terra para os solos saturados encontra-se com mais detalhes em Bowles (1968). A poropressão de ar geralmente está em equilíbrio com a pressão atmosférica. das condições climáticas como duração e intensidade da chuva. taxa de evapotranspiração. Em alguns casos. a tensão total vertical pode ser definida conforme a equação abaixo e representada como na Figura 2.38. RAHARDJO. F. Das (2011). Terzaghi e Peck (1963). 1993). Hachich et al. Figura 2. @ €. Onde: = massa específica do solo. A pressão horizontal em qualquer profundidade abaixo da superfície do solo pode ser escrita em termos da pressão vertical em função do coeficiente de empuxo em repouso. ___________________________________________________________________________ M. h = profundidade do solo a ser considerada.38 – Tensão vertical e horizontal em uma massa de solo. para um solo homogêneo.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 84 A distribuição e variação do perfil de sucção são ditadas pelas propriedades hidráulicas do solo. (1998). Portanto. incluindo a CCSA. A poropressão de água acima do lençol freático pode ser estimada ou medida. Dentro da mecânica dos solos não saturados a tensão vertical total na massa de solo é calculada da mesma forma que os solos saturados. ROCHA Capítulo 2 . pode ser estimada com base na condição hidrostática (FREDLUND. definido segundo a equação. Bowles (1996). Das (1999).

F.538. Conforme a sucção matricial do solo aumenta. conforme representa a Figura 2. v = tensão total vertical. Quando o solo está saturado (i. Gitirana Jr. Quando o coeficiente de empuxo em repouso é zero. RAHARDJO. 1993). mas a taxa de redução de Ko é maior para profundidades mais rasas. Figura 2. fornecendo informações adicionais que podem ajudar na ___________________________________________________________________________ M. Fredlund e Rahardjo (1993) expõem um exemplo da interferência da sucção no coeficiente de empuxo em repouso ao longo da profundidade. ua = poropressão de ar. Isto é verificado para todas as profundidades. ROCHA Capítulo 2 .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados • 85 ‚ @ Onde: h = tensão total horizontal.39 – Relação entre o coeficiente de empuxo em repouso e a sucção matricial (modificado de FREDLUND. Ko diminui.39. ilustrando a relação entre o coeficiente de empuxo em repouso (Ko) e a sucção matricial para diversas sobrecargas. sucção matricial zero) o Ko = 0.e. indica uma tendência de fissura no solo. (2001) apresenta uma função da tensão horizontal líquida que se ajustou aos dados experimentais obtidos pelo ensaio de compressão oedométrica sob sucção constante e com medição da tensão horizontal.. uw = poropressão de água.

a poropressão de água no solo torna-se mais negativa.40 nota-se que à medida que o solo vai saturando o Ko vai alterando seu valor.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 86 modelagem do comportamento tensão-deformação do solo. Em outras palavras. 2001). a ruptura é atingida com a redução da tensão horizontal. ROCHA Capítulo 2 . o empuxo ativo diminui. A tensão horizontal é reduzida até um valor limite correspondente ao estado de equilíbrio plástico. Terzaghi e Peck (1963) utilizaram à variável.. Fredlund. Como resultado a tensão horizontal torna-se a principal menor. Observando a Figura 2. RAHARDJO. índice de vazios versus tensão líquida normal média (modificado de GITIRANA Jr. Assim. 1993).40 – Dados experimentais e função de ajuste. Rahardjo (1993) definem a pressão ativa para um elemento de solo a qualquer profundidade com sucção constante como: ___________________________________________________________________________ M. Figura 2. À medida que aumenta a sucção matricial. ƒ ` „#* 1 … † ƒ ` „#* 1 … Onde: ø’ = ângulo de atrito efetivo. enquanto a tensão vertical é a principal maior. F. o solo torna-se mais resistente. Nø para designar a seguinte relação trigonométrica. Isso significa que menos força seria transferida para o muro (FREDLUND. (a) Empuxo ativo Considerando que um muro se afasta de uma massa de solo.

N = tan²(45 + ’/2). Já para a sucção variando linearmente com a profundidade os autores definem: A pressão ativa. pa. fw = fator relacionado com a condição hidrostática. = sucção matricial. em qualquer profundidade acima do lençol freático é dado conforme a equação abaixo. D = profundidade da superfície até o lençol freático. c’ = coesão efetiva. ROCHA Capítulo 2 . ___________________________________________________________________________ M. @ b = tensão líquida normal vertical.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 87 = # ƒ @ 1 aƒ aƒ Onde: = = pressão ativa do solo não saturado. = @ ƒ 1 aƒ ‡ aƒ & . = ângulo de atrito em relação a sucção. ) ˆ * Onde: = sucção matricial na superfície. ø’ = ângulo de atrito efetivo. F.

Quando a ruptura do solo é atingida. (b) Empuxo passivo Se um muro se move em direção ao solo (i. desprezando a existência da fenda de tração. a tensão horizontal torna-se a tensão principal maior e a tensão vertical a principal menor. F. ROCHA Capítulo 2 . variando mais lentamente quando a sucção matricial decresce linearmente com a profundidade. A pressão passiva pp. Zhang et al. ___________________________________________________________________________ M.41 – Procedimento utilizado pra designar o perfil de sucção matricial (modificado de FREDLUND. 1993). (2010) também apresentam formulações matemáticas para a obtenção do empuxo ativo assumindo a sucção matricial constante e variando linearmente com a profundidade.e. Os autores concluíram que com o aumento da sucção o empuxo ativo diminui drasticamente. o solo é comprimido). RAHARDJO. RAHARDJO. levando em consideração a componente da coesão total. = ƒ @ 1aƒ aƒ - Onde: = sucção matricial. para o elemento de solo a qualquer profundidade. pode ser escrita como. a pressão horizontal aumenta até ser maior que a vertical. Observa-se que com o aumento da sucção o empuxo passivo aumenta (FREDLUND..D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 88 Figura 2. 1993).

considerando que a sucção varia linearmente com a profundidade é obtida conforme a expressão abaixo. A pressão passiva em qualquer profundidade acima do lençol freático.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados @ 89 = tensão líquida normal vertical. @ = tensão líquida normal vertical. b = ângulo de atrito em relação a sucção. ) aƒ ˆ 0 Onde: = sucção matricial na superfície. = ƒ @ aƒ ‡ & . ROCHA Capítulo 2 . ø’ = ângulo de atrito efetivo. F. D = profundidade da superfície até o lençol freático. ___________________________________________________________________________ M. fw = fator relacionado com a condição hidrostática.

no comportamento dos mesmos perante as simulações de precipitações. situados nas cidades de Goiânia e Brasília conforme representa a Figura 3. analisando com mais detalhes a frente de molhagem de cada material. ___________________________________________________________________________ M.1 CARACTERÍSTICA DOS SOLOS ESTUDADOS Para o desenvolvimento da pesquisa foram utilizados três solos com comportamentos.CAPÍTULO 3 MATERIAIS E MÉTODOS Nesta seção são apresentadas as características dos três tipos de solos utilizados para o estudo. propriedades e características distintas. a fim de se analisar a influência da sucção no dimensionamento de contenção. Apresenta-se também a metodologia do dimensionamento analítico de contenções para solos não saturados. ROCHA Capítulo 3 . Com isso parte-se para os cálculos do comprimento de ficha de uma cortina em balanço para cada solo. como forma complementar da bateria de ensaios do solo estudado por Angelim (2011) visando à utilização de dados de entrada na simulação numérica para obtenção dos perfis de sucção. as metodologias dos ensaios realizados para obtenção da curva característica solo água (CCSA) e da resistência do solo não saturado. Finalmente com estes perfis de sucção obtidos são feitas comparações com a metodologia de dimensionamento analítico convencional e considerando o solo não saturado 3. Esses três solos foram escolhidos com cautela na tentativa de se realizar uma análise paramétrica. usando o programa FlexPDE e considerando várias condições de análise.1. considerando o perfil de sucção constante e variável. Borges (2010). atentando-se assim principalmente nos valores da condutividade hidráulica e do valor de entrada de ar (VEA) correspondente na CCSA. Os solos selecionados para as análises foram os estudados por: Santos (2007). e Angelim (2011). Bem como a metodologia para a obtenção de forma numérica do perfil de sucção para os três tipos de solo propostos. F.

Santos (2007) trabalhou com um silte de alta compressibilidade colapsível localizado no Setor de Transporte Rodoviário e Carga Sul.1 – Localização geográfica das cidades de Goiânia e Brasília (ANGELIM. Guará-DF.2 – Localização do solo Brasília (imagem obtida do Google EarthTM. Conjunto A.2. F. 2011). Figura 3. ROCHA Capítulo 3 . ___________________________________________________________________________ M. trecho2. 06/08/2013). conforme mostra a Figura 3.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 91 Figura 3.

4 m.4. ___________________________________________________________________________ M. 7. Angelim (2011) estudou o comportamento de um solo compactado com baixa compressibilidade situado no aterro da ombreira esquerda da barragem do Ribeirão João Leite. 2.0 m. Goiânia-GO.3 m.0 m a 2.6 m a 4.3 – Localização do campo experimental do DCT. F.5 m.0 m a 4. Para padronizar uma profundidade para o estudo adotou-se como média das profundidades de 2.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 92 As amostras foram retiradas nas profundidades de 2.9 m.0 m a 1.4 m. Figura 3. 2010). denominado de Solo Brasília.7 m. Optou-se por trabalhar com as médias dos resultados laboratoriais das profundidades de 2. 3. região constituída principalmente de micaxisto e quartzitos micáceos.7 m e 11.7 m. 3.9 m.3 m e 4.C (BORGES. conforme representado na Figura 3.9 m a 4.C). denominado de Solo Furnas. ROCHA Capítulo 3 . Foram retirados blocos das profundidades de 1. Figura 3. 5. Borges (2010) trabalhou com um silte de alta compressibilidade do campo experimental nas dependências do Departamento de Apoio e Controle Técnico (DCT.4 m a 7.0 m a 3.3. em Aparecida de Goiânia-GO.

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados

93

Figura 3.4 – Localização da barragem do Ribeirão João Leite (ANGELIM 2011).

Foram retirados blocos das profundidades 0,15 m; 1,15 m; 2,45 m; 3,15 m; 4,15 m; 5,15 m e
7,15 m. Os blocos foram transportados para o Laboratório de Solos do Departamento de
Apoio e Controle Tecnológico – DCT.C, de FURNAS, em Aparecida de Goiânia-GO, para
realização dos ensaios. Em se tratando de um perfil relativamente homogêneo optou-se por
trabalhar com as médias dos resultados correspondentes às profundidades de 3,15m e 4,15m
como características do material. Essas profundidades foram adotadas devido à
disponibilidade de amostras indeformadas para realização de uma bateria complementar de
ensaios não saturados, denominado de Solo João Leite.
Nas Tabelas 3.1 a 3.3 estão as médias dos parâmetros de cada solo dos ensaios realizados
pelos autores. A média de cada resultado foi calculada nas profundidades pré-estabelecidas
anteriormente.

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Capítulo 3

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados

94

Tabela 3.1 – Índices físicos médios das amostras indeformadas de Santos (2007), Borges (2010) e Angelim
(2011).
Parâmetros
Material
wL(%)

wP(%)

IP(%)

s(kN/m³)

ksat 20°C
(m/s)

Classificação
Unificada

wot
(%)

e

Solo
MH
1,52
58
40
18
25,4
2,78×10-6
Brasília
Solo
MH
21,2
0,94
57
38
19
26,7
1,59×10-7
Furnas
Solo João
ML
20,6
0,63
46
28
18
27,2
1,81×10-8
Leite
OBS.: s = peso específico dos sólidos; wL = limite de liquidez; wP = limite de plasticidade; IP = índice com
plasticidade; ML = silte com baixa compressibilidade; MH = silte com alta compressibilidade; wot = umidade
ótima; ksat20°C = coeficiente de permeabilidade saturado.

O Solo João Leite estudado por Angelim (2011) ao longo de todo o perfil apresenta um
coeficiente de permeabilidade na faixa de 10-8 a 10-9 m/s. Apenas na profundidade de 4,15m
observou-se a incidência de um ksat na ordem de 10-7m/s. O autor atribui essa variabilidade a
variações do peso específico seco e do índice de vazios do solo ao longo da espessura da
camada compactada, além de possíveis deficiências nas ligações entre camadas criando
caminho preferencial à percolação. Devido a isso, para este solo a média da condutividade
hidráulica foi adotada a média das profundidades com exceção a de 4,15 m.
Tabela 3.2 – Resultados de intercepto coesivo e ângulo de atrito de amostras retiradas dos blocos indeformados
de Santos (2007), Borges (2010) e Angelim (2011).
CDsat
Material

c’
(kPa)
9,0
29,75

Solo Brasília
Solo Furnas


(°)
29,5
32,37
CDnat

Solo João Leite

wmédia
4 CPs
(%)
20,1

Smédio
4 CPs
(%)
79,9

c
(kPa)

(°)

103,5

30

A interpretação dos resultados do ensaio CDnat fica comprometida devido as amostras
estarem na situação não saturada e não haver o controle da sucção durante a execução do
ensaio, podendo este iniciar com uma saturação que varia ao longo do ensaio. Portanto os
resultados do mesmo são em termos de tensões totais (coesão efetiva + coesão devido a
sucção) não sabendo-se ao certo o valor da sucção correspondente para os respectivos
parâmetros e principalmente não ter sido feito o controle de sucção durante todo o ensaio. No
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M. F. ROCHA

Capítulo 3

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados

95

próximo capítulo pode-se estimar através da CCSA e dos ensaios de compressão diametral
qual o valor possível da sucção. Logo os resultado do CDnat serviram apenas para ter noção
dos parâmetros de resistência do solo João Leite
Santos (2007) realizou ensaios de compressão diametral a fim de se obter a resistência a
tração do solo na condição não saturada. Com isso o autor pode observar qual a taxa de
incremento de resistência devido ao aumento da sucção (φb1) assim como o decréscimo (φb2),
a Tabela 3.3 apresenta a média dos valores e na Figura 3.5 consegue-se ver o comportamento
do material. Apesar da grande dispersão dos dados experimentais o valor de φb1 foi adotado
como dado de entrada nos dimensionamentos realizados.
Tabela 3.3 – Parâmetros de acréscimo de resistência devido aumento de sucção (SANTOS, 2007 – modificado).
Material

φb1 (°)

φb2 (°)

Solo Brasília

7,6

-0,097

Coesão Total (kPa)

Figura 3.5 – Resultado do ensaio de compressão diametral Solo 1 (SANTOS, 2007 – modificado).
Compressão Diametral 2,4m
Compressão Diametral 5,0m
Compressão Diametral 7,7m

220
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
0

10000 20000 30000 40000 50000 60000
Sucção Matricial (kPa)

As curvas características solo água dos materiais em estudo foram tomadas a partir dos dados
experimentais das profundidades analisadas e com isso obtido uma média com ajuste
matemático usando as equações propostas por Gitirana Jr. e Fredlund (2004). Duas equações
foram utilizadas aqui, ou seja, equação unimodal com dois pontos de flexão e equação
bimodal. Gitirana Jr. (2005) afirma que o número de parâmetros de ajuste corresponde ao
número de características da forma típica da CCSA. A Figura 3.6 mostra que quatro
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M. F. ROCHA

Capítulo 3

7 apresenta esquematicamente esse ponto e define-se eles como sendo: b1 = primeiro valor de entrada de ar (macroporos). Figura 3. a = parâmetro relacionado com a suavidade das transições. res1 = primeiro valor de sucção residual (macroporos). As principais características da forma são: b = valor de entrada de ar. Já para o ajuste bimodal pode-se definir 8 parâmetros de ajuste.6 – Idealização da curva característica solo água com dois pontos de flexão (modificado de GITIRANA JR. res = sucção residual. resultando em quatro pontos de curvatura. Sres1 = primeiro grau de saturação residual (macroporos). b2 = segundo valor de entrada de ar (microporos). F. a Figura 3.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 96 características definem uma forma da CCSA com dois pontos de inflexão. ROCHA Capítulo 3 . 2005). Sres = grau de saturação residual. ___________________________________________________________________________ M.

a = parâmetro relacionado com a suavidade das transições. ROCHA Capítulo 3 . igual à condutividade hidráulica saturada. conforme representa a Figura 3. ___________________________________________________________________________ M.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados res2 97 = segundo valor de sucção residual (microporos). A segunda parte da curva foi assumida como sendo uma linha reta definindo uma inclinação constante. ksat. η. determinado experimentalmente em laboratório. Figura 3. 2005). Determinado a CCSA média de cada solo a função de condutividade hidráulica foram ajustados usando a função bi-linear em uma escala bi-log. Sres2 = segundo grau de saturação residual (microporos).8. F. A primeira parte da curva é definido por um valor constante.7 – Idealização da curva característica solo água bimodal com quatro pontos de inflexão (modificado de GITIRANA JR.

precisa e confiável.1.1. 3. ROCHA Capítulo 3 . a mesma irá passar do solo para o material poroso (papel filtro) até que o equilíbrio seja alcançado. de forma rápida.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 98 Figura 3. que tem sido amplamente utilizada para medição indireta da sucção e através da utilização do equipamento WP4C Dewpoint PotenciaMeter (medidor do ponto de orvalho) é um equipamento utilizado para medir o potencial de água. realizou-se ensaio de compressão diametral para o solo João Leite. Para a moldagem dos 11 corpos de prova foram ___________________________________________________________________________ M.1 Ensaios realizados Nesta pesquisa foram realizados ensaios para obtenção da CCSA através da técnica do papel filtro. a fim de realizar um comparativo entre as duas metodologias.8 – Idealização da função de condutividade hidráulica (modificado de GITIRANA JR.1 Técnica do papel filtro Este método baseia-se segundo Marinho (1994) no princípio de absorção e equilíbrio existente quando um solo é colocado em contato com um material poroso que possua capacidade de absorver água.1. 3. F. Os corpos de prova foram moldados diretamente do bloco indeformado retirado durante a execução do platô da barragem João Leite. Como forma complementar para obtenção dos parâmetros de resistência do solo não saturado. 2005).

embaladas com papel filme.9. F. (b) anel de PVC utilizado na moldagem. ___________________________________________________________________________ M. (a) bloco indeformado. Figura 3. antes do início do ensaio. Concluído esse processo as amostras eram pesadas. alumínio. colocadas em um recipiente com tampa e armazenadas na caixa de isopor para que não houvesse perda ou ganho de umidade. com uma das extremidades biselada. as amostras eram rasadas com auxílio da régua biselada e retirada do bloco. Durante a moldagem amostras foram retiradas para obtenção da umidade. A Figura 3. Atingido esse ponto. (a) (b) O anel de PVC foi posicionado com o lado biselado no bloco sendo cravado continuamente até que uma porção do solo excedente no topo do molde fosse visível.10 representa o processo realizado. ROCHA Capítulo 3 . O papel filtro utilizado nos ensaios foi o Whatman n° 42 para pesagem dos papéis e posterior obtenção da sucção e o papel Quanty relativamente baixo custo como forma de proteção aos papéis Whatman a fim de evitar a contaminação dos mesmos com o solo. Foram moldados 12 CP’s. O mesmo processo foi realizado do outro lado do molde até que se observasse que a superfície encontrava-se plana. conforme representado na Figura 3.9 – Amostra.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 99 utilizados anéis de PVC com 5 cm de diâmetro e 2 cm de altura.

(c) processo de cravação do molde. (a) (b) (c) (d) (e) (f) A curva característica obtida nesta pesquisa foi a de secagem onde todas as amostras receberam inicialmente incrementos de água próximo à saturação por ascensão capilar até que percebesse um filme de água na superfície da amostra sendo posteriormente submetidas à secagem até a massa correspondente a cada teor de umidade de cada amostra calculado previamente a partir dos índices físicos. F. ROCHA Capítulo 3 .10 – Moldagem dos corpos de provas: (a) regularização da amostra. (f) amostra embalada. ___________________________________________________________________________ M.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 100 Figura 3. (b) início de cravação do molde. (d) rasamento do molde. (e) molde rasado.

12. coloca-se um calço de PVC perfurado espaçando o papel filtro da amostra. (a) saturação por fluxo ascendente. isto é. F. ou seja.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 101 Figura 3. (a) (b) Como medição da sucção matricial adota-se o papel filtro em contato com a amostra. ROCHA Capítulo 3 . ___________________________________________________________________________ M. Já na sucção total utilizou-se o contato indireto. (b) secagem. fez-se uma sobreposição de dois papeis filtro da marca Quanty que servem de proteção para não contaminar o papel do centro com diâmetro inferior da marca Quanty. A disposição dos papéis podem ser melhor visualizadas na Figura 3.11 – Preparação das amostras. Figura 3. com um papel Quanty por cima para proteção.12 – Montagem utilizada no ensaio de papel filtro.

13 – Preparação dos corpos de provas para a medida da sucção matricial e sucção total: (a) e (b) colocação dos papeis filtros superior. (a) (b) (c) (d) (e) (f) ___________________________________________________________________________ M.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 102 Figura 3. (g) e (h) colocação do papel filtro sobre o calço de PVC perfurado para medir a sucção total. (e) e (f) colocação do calço de PVC perfurado sobre corpo de prova. central e inferior. ( i ) corpo de prova envolvido no plástico filme com todos os papéis filtros. (c) e (d) corpo de prova sendo colocado sobre os papeis filtros para medir a sucção matricial. ( j) corpo de prova envolvido no papel alumínio pronto para ser colocado para entrar em equilíbrio. ROCHA Capítulo 3 . F.

wPF 47% wPF < 47% ‰ ‰ Š‹† Š‹† . os papéis foram retirados e pesados em balança de precisão de 0.u••uBŽ•ŽŒ`` ’“” Onde: wPF = corresponde a umidade do papel filtro. os mesmos foram levados à estufa por 24 horas e pesados novamente. para determinação do teor de umidade e cálculo da sucção através da Equação 3. (g) (h) (i) (j) Depois de embaladas em papel filme e papel alumínio.0001 g.Œ•ŽwB`•u• i•‘ ’“” .D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 103 Tabela 3. para que não houvesse variação de temperatura. al (1992). ROCHA Capítulo 3 .1 conforme proposto por Chandller et. ___________________________________________________________________________ M. Após este período. F. Os corpos de provas permaneceram armazenados por 14 dias. Em seguida.13 – Continuação. Reservou-se o conjunto em um recipiente plástico com tampa e colocados dentro de uma caixa de isopor.

o superior é colocado entre a célula de carga e o corpo de prova. cujas dimensões são medidas e as sucções conhecidas. conforme representa a Figura 3. em altura e diâmetro. estas são posicionadas em uma base metálica contendo um friso superior e outro inferior sendo todos os dois côncavos para apoiarem bem na amostra de solo. depois movimentou-se a base da prensa para que a célula apoiasse no friso superior.1. com o auxílio do paquímetro e adotou-se a média aritmética das mesmas. F.1. onde colocou o mesmo entre a base da prensa e a célula de carga. Na etapa seguinte levou-se o conjunto base metálica mais corpo de prova para a prensa de ruptura. esses frisos são móveis em hastes na vertical. Com base nesta metodologia executaram-se ensaios de compressão diametral para determinar a resistência à tração de um solo compactado não saturado. conforme Figura 3. ROCHA Capítulo 3 . Encerrado o ensaio do papel filtro as amostras foram medidas.15.14. entre o pistão da prensa e a amostra.2 104 Ensaio de compressão diametral O ensaio de compressão diametral foi desenvolvido pelo professor Fernando Luiz Lobo B. Para serem submetidas à carga de ruptura. já o inferior é posicionado na base. ___________________________________________________________________________ M. Carneiro para a determinação da resistência à tração de corpos de prova cilíndricos de concreto de cimento Portland. Para a realização dos mesmos utilizou as amostras ensaiadas para obtenção da curva característica pela técnica do papel filtro. Mais tarde utilizando esta ideia para realização de ensaios à compressão diametral em amostras de solos coesivos compactados. até que se observasse uma pequena compressão.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 3.

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 105 Figura 3. (d) conjunto base metálica mais corpo de prova. (b) colocação do corpo de prova na base metálica para ruptura.15 – Base metálica com o corpo de prova na prensa juntamente com a célula de carga pronta para o ensaio de compressão diametral ___________________________________________________________________________ M. ROCHA Capítulo 3 . F. (c) corpo de prova colocado na base metálica com os dois friso apoiados. (a) (b) (c) (d) Figura 3.14 – Base metálica utilizada no ensaio de compressão diametral: (a) friso superior móvel nas hastes verticais.

(a) (b) ___________________________________________________________________________ M. Figura 3. A carga foi aplicada por meio de uma velocidade de deslocamento controlada. ROCHA Capítulo 3 .16. (b) visão do relógio comparador utilizado para medir o deslocamento.17 mostra o processo. (b) corpo de prova rompido. até que se observasse a ruptura ao longo do plano diametral. (a) (a) A prensa utilizada foi a manual. (d) análise visual do plano de ruptura. Figura 3. Realizou-se leituras de carga e deslocamento.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 106 Depois deste processo instalou-se um relógio comparador na base da prensa para medir os deslocamentos e a leitora para adquirir o valor da aplicação da carga conforme representado na Figura 3. a Figura 3. (c) ruptura no centro do corpo de prova. mantendo-se constante durante o ensaio.17 – Visualização da ruptura nos corpos de provas: (a) corpo de prova rompendo.16 – Visualização geral da prensa utilizada na ruptura: (a) visão da prensa montada pronta para realizar o ensaio de compressão diametral. F.

D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 107 Tabela 3. H = altura do corpo de prova. A carga de ruptura foi obtida através da leitora e o estado de tensão no plano de ruptura foi determinado em função dessa carga no momento da ruptura e das dimensões do corpo de prova. no momento da ruptura. & ™ ) †‰š = š # Onde: ___________________________________________________________________________ M. F. 4 ˜ • –ˆ— -• –ˆ— Onde: F = carga de ruptura. considerando a aplicação pontual de carga e o não confinamento da amostra. A coesão total é calculada pela Equação 3. ROCHA Capítulo 3 .4 e melhor representada na Figura 3.18. Com base na teoria da elasticidade.17 – Continuação. (d) (c) A coesão total (coesão efetiva mais a parcela da sucção) foi calculada com base no estado de tensão no plano de ruptura. pode-se determinar os valores de tensões de tração e compressão no plano central da amostra conforme a equação abaixo. D = diâmetro do corpo de prova.

A detecção exata em que a condensação aparece pela primeira vez no espelho é registrado por uma célula fotoelétrica devido à mudança do feixe de luz na reflexão e a temperatura do ponto ___________________________________________________________________________ M. Sua técnica baseia-se no ponto de orvalho (i. F.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 108 ™ * = & ˜ 4 ˜ 4 ) - Os valores da coesão total são representados graficamente versus a sucção para a obtenção do (Øb). 3.e.18 – Determinação da coesão total. de forma rápida e precisa.1. ROCHA Capítulo 3 . A temperatura do espelho é precisamente controlada por um refrigerador termoelétrico (Peltier).3 WP4C Dewpoint PotenciaMeter O WP4C Dewpoint PotenciaMeter (medidor do ponto de orvalho) é um equipamento utilizado para medir o potencial de água. Figura 3. medindo a sucção total das amostras (i. sucção osmótica mais a sucção matricial) e pode ser calculada a partir da pressão de vapor de ar em equilíbrio com a amostra em uma câmara selada de medição.e temperatura à qual o vapor de água presente no ar passa ao estado líquido na forma de pequenas gotas por via da condensação). O equipamento usa um espelho como meio de detecção do ponto de orvalho das amostras.1.

___________________________________________________________________________ M. levando de 3-5 minutos. As leituras são menos precisas. 2010).5 MPa. O WP4C sinaliza piscando um LED verde e apitando quando os valores finais são alcançados e no painel é registrado o potencial de água final e a temperatura da amostra. Nesta pesquisa todas as amostras foram ensaiadas no modo preciso (DECAGON DEVICE. Já o modo rápido a amostra é medida apenas uma vez. Este pode ser útil para fazer um longo monitoramento de amostras que levam um tempo maior para entrar em equilíbrio. As amostras utilizadas no ensaio foram às mesmas do papel filtro e da compressão diametral. Os valores começam a ser exibidos no painel do equipamento indicando que medidas iniciais estão sendo tomadas. mas são recomendadas para amostras de solo seco.3 MPa). contínuo e rápido.03 MPa para sucção ( ) > .19 mostra o equipamento.40 MPa. Figura 3. (b) Vista interna do bloco da câmara (modificado de DECAGON DEVICE. Para reduzir o tempo de equilíbrio o equipamento possui uma ventoinha para circular o ar dentro da câmara de amostras. O modo preciso às medidas nas amostras são repetadas até que sucessivas leituras estejam dentro da tolerância (0.40 MPa.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 109 de condensação é registrado por um termoelétrico conectado ao espelho. Ao final da ruptura de cada amostra retirou-se um pouco de amostra para o ensaio no WP4C. a Figura 3. F.19 – WP4C. 2010) (a) (b) O WP4C possui três modos de leitura: preciso. (a) Equipamento WP4C Dewpoint PotenciaMeter. tais como amostras de plantas e solos úmido com > .0. caso contrário 0. ROCHA Capítulo 3 . O modo contínuo mede o potencial de água da amostra continuamente até que o operador abra a gaveta. durando um tempo de 10-15 minutos de leitura.20 ilustra a cápsula metálica do equipamento com amostra de solo. com < . a Figura 3.

21.5 °C. podendo este verificar a diferença de temperatura antes de começar a leitura.21 – Procedimento para esfriar as amostras.20 – Cápsula com solo submetida ao WP4C. (a) (b) Figura 3. A função Ts – Tb ajuda o operador a não cometer esse erro. Sendo recomendado retirar a amostra e coloca-la em um local onde possa esfriá-la sem perder umidade. conforme representa a Figura 3. ROCHA Capítulo 3 . quando essa diferença torna-se acima de 0 o equipamento acusa que a amostra encontra-se muito quente. Figura 3.D0076G13: Influência do perfil de sucção em obras de contenção em solos não saturados 110 Outro cuidado a se tomar durante a operação do equipamento é em relação à temperatura da amostra (Ts) e a temperatura do bloco da câmara (Tb). Atingido a diferença de temperatura especificado no manual inicia-se a leitura no equipamento até o registro dos valores finais. Maiores detalhes do equipamento estão no Apêndice B. Isto irá causar erros na medição. Como procedimento para esfriar as amostras utilizou-se um disco metálico dentro de uma cápsula com água gelada. F. Quando a amostra encontra-se mais quente que o sensor do bloco a água irá condensar no interior do bloco. ___________________________________________________________________________ M. e em medições subsequentes até a condensação desaparecer. sendo indicado quando esse se encontra entre 0 e -0.