[Resenha] Faça tudo acontecer, de David Allen [GTD

]
Twitter 6 Facebook 23 Google+ 4 Filament.io
Como ser mais produtivo? Quais são os passos necessários para transformar idéias em realidade?
Como se organizar melhor, tendo mais controle sobre suas ações, e, ao mesmo tempo, manter o foco
naquilo que realmente lhe interessa, com base em seus valores e prioridades? Um elemento-chave para
descobrir as respostas para tais perguntas é o livro de David Allen, “Faça tudo acontecer”, criador do
método GTD – Getting Things Done (“a arte de fazer acontecer”).
Informações técnicas

Título: Faça tudo acontecer! Um método para realizar seus projetos pessoais e
profissionais
Autor: David Allen
Número de páginas: 309
Editora: Gente Editora
Faixa de preço: R$58 a R$75
Compre o livro no Submarino [clique aqui]
David Allen define sua metodologia não como um simples “sistema de organização pessoal”, mas sim
como uma “abordagem sistemática”. No livro não encontramos respostas sobre as perguntas que eu fiz
no começo dessa resenha, mas sim abordagens confiáveis e executáveis para encontrá-las – afinal,
cada pessoa tem um conceito próprio de produtividade, organização e até mesmo valores e prioridades
(o que é prioridade para um pode não o ser para outro).
O sucesso do GTD se deve, em boa parte, ao fato de que os princípios centrais que giram em torno dele

O registro é importante na medida em que permite concentrar nossa energia mental em coisas que realmente são importantes. que nada mais é do que fazer com que as coisas estejam de acordo com o que elas significam para você. desdobrado em três possíveis caminhos: fazer imediatamente as ações que pode realizar por si mesmo. e cada um desses onze elementos tem seu próprio conjunto de ferramentas e comportamentos que levam ao ganho de eficiência. isolando-a para posterior análise. e fornecer uma perspectiva confiável. como o autor gosta de enfatizar. eliminando distrações ao transportá-las para outro lugar. e nem “complexa demais”. ou simplesmente adiar. vem o ato de organizar. em menos de dois minutos. Em seguida. a fim de que haja uma revisão constante dos dados do sistema para renová-los para coincidi-los com a realidade atual. tirar de sua mente algo que esteja interferindo em sua atenção. Saber integrá-los e usá-los cria a mais positiva experiência. que tem a dupla função de atualizar seu conteúdo. O segundo estágio é o do esclarecimento. ou seja. Você faz um processamento dos assuntos que foram registrados. mas não simplista. em que se foca a sua atenção naquilo que tem a sua atenção. com igual eficiência. segundo o autor. e nisso resido uma das chaves de seu êxito e ganho cada vez maior de adeptos ao redor do mundo inteiro. com o registro. Outra coisa interessante extraída da leitura do livro é que ele desmistifica a dicotomia que as pessoas costumam fazer entre trabalho e vida pessoal. ou qualquer outro elemento físico. Trabalhando com os seis horizontes de foco. para adquirir perspectiva Uma vez adquirido o controle das coisas. Para fazer tudo funcionar são necessários dois ingredientes-chave: controle e perspectiva. do senso comum. O quarto estágio do controle consiste na reflexão de seu sistema.são extraídos de princípios universais. Existem cinco estágios para adquirir controle. seja em software. seja em papel. de observações do cotidiano recolhidas e organizadas em uma abordagem que não seja “simplista demais”. tomando as atitudes apropriadas em relação a eles. e seis horizontes de foco para o ganho de perspectiva. por meio dos cinco estágios antes referidos. ou seja. como se fossem coisas separadas e que devessem merecer tratamento distinto – a metodologia GTD aplica-se. para ambos os ditos “lados” da vida de uma pessoa. David Allen estabelece diversas categorias de organização. delegar outros itens exequíveis a outra pessoa. Aqui. Os cinco estágios para o controle do fluxo de trabalho O primeiro passo para adquirir controle consiste em registrar tudo o que ocorra em seu pensamento. A derradeira etapa é o fazer propriamente dito. de forma tão simples quanto possível. agora o livro . A metodologia é tanto aplicável para uma organização governamental que queira ser mais eficiente como para a elaboração de um jantar em casa.

sempre nos deparamos com mudanças. a pergunta central é: “o que eu preciso manter?”. O que é preciso concluir? Para ser cumprido. À medida em que se avança na altitude. Exemplos: ficar sem dívidas. serviços ao cliente. a chave para esse horizonte de foco não é o futuro que elas descrevem. ainda que momentaneamente. que. Ao contrário dos projetos. A perspectiva a 9 mil metros de altitude corresponde ao horizonte de metas e objetivos: o que eu quero alcançar? Qualquer projeto que possa levar mais do que um ano para terminar deve ser colocado nessa categoria. revisões regulares. O quinto horizonte de foco. No mundo real… O grande barato do livro é que. no mundo real. Os projetos são tarefas a serem concluídas.desenvolve os seis horizontes de foco. consiste na visão. é preciso executar várias ações. a 12 mil metros de altitude. sendo resultados que podem ser alcançados e assinalados como “concluídos”. O terceiro horizonte de foco encontra-se a 6 mil metros de altitude: áreas de foco/responsabilidade. correr uma maratona etc. David Allen enfatiza a importância das revisões. nada mais é do que responder a seguinte pergunta: quais são suas metas de longo prazo – metas que avançam mais do que dois anos? De acordo com Allen. mas sim atuam como marcadores para suas áreas de vida e de trabalho. aqui. Desse modo. Os propósitos tanto podem se referir à meta final. O primeiro horizonte de foco para aquisição de perspectiva consiste em envolvimento/ações: essa categoria envolve todas as ações físicas e visíveis que você precisa executar. e seus princípios e valores encontram-se na altitude mais elevada (15 mil metros de altitude). Aqui. A 3 mil metros de altitude encontramos o segundo horizonte de foco: projetos. família. como à essência de algo – sua razão de ser. as coisas vão ficando mais abstratas. portanto. recreação (em nível pessoal). em termos simples. sobretudo a da revisão semanal. embora de um modo menos frequente que no horizonte de projetos. mas sim a mudança que elas provocam hoje. Finalmente. ter as coisas organizadas e alinhadas com seus objetivos não significa manter tudo em perfeita ordem e harmonia (ainda mais em um mundo de . o foco e a perspectiva. apesar da profunda descrição dos estágios para obtenção de controle e perspectiva. onde as tarefas mais mundanas correspondem à decolagem. o autor continuamente nos alerta que. a perspectiva em último estágio – 15 mil metros de altitude – reside nos propósitos e princípios. É também nesse ponto que controle e perspectiva se encontram. e. não dispensando. Já os princípios são os valores que você sustenta para a determinação de suas prioridades. Exemplos de conteúdos a 6 mil metros são: finanças. pesquisa e controle de qualidade (na área de trabalho). as áreas de foco não são destinadas a serem concluídas. fatos e situações que podem nos fazer – e muitas vezes nos fazem – perder. visando ao ganho de perspectiva. Esse eixo da abordagem GTD faz uma interessante analogia com as altitudes.

e abordada de modo recorrente ao longo do livro. uso de agendas. exigindo um interessante trabalho de amadurecimento e experimentação. que precisa ser lido e relido várias vezes e em diferentes momentos. os ensinamentos não podem ser todos absorvidos da noite para o dia. O convite do autor é para que o leitor teste os princípios contidos no livro. Paralelamente. ou de ambos. e fazê-la trabalhar como água (“mind like a water”). blocos de anotações. Uma das mensagens centrais do sistema GTD. papel e caneta etc. é prestar atenção naquilo que chama a sua atenção. Algumas das lições do livro podem ser postas imediatamente em prática (como colocar um bloco de anotações e caneta do lado de um telefone. mas também porque tais orientações são extraídas daquilo que se vê. permitem às pessoas ficarem mais leve a respeito de seu trabalho. que acabei de fazer :)). e também ao resto de sua vida. Por isso.constante mudanças como o que vivemos hoje). pelo menos à primeira vista. de modo a trabalhar melhor os pensamentos que estão em sua mente. quando executados de uma forma prática. mas que ainda não estavam sedimentadas e estruturadas em uma abordagem sistematizada e integrada em todos os seus níveis e estruturas. a leitura do livro exige uma certa dose de paciência e reflexão. ou da perspectiva. coisa. Quem é iniciante na metodologia GTD. Conclusão Esse é um dos melhores livros que já li.). aparentemente complexo. pois. são fornecidas dicas práticas de truques e ferramentas para fazer seu sistema funcionar. ou mesmo que ainda não teve o hábito de organizar suas coisas e projetos pessoais. uma vez que. não somente porque fornece um conjunto de orientações fáceis de serem implementadas na prática. quanto na parte mental (principalmente na questão de prestar atenção naquilo que tem sua atenção). existe um rigor metodológico que o torna. É como todo e qualquer novo processo de aprendizagem: exatamente por se tratar de um processo. mas sim ter familiaridade com o uso desse roteiro sobre aspectos horizontais e verticais da experiência. Para quem lê os princípios do GTD pela primeira vez Cabe aqui fazer algumas observações. se faz e se pratica no dia-a-dia. tanto na parte física (por exemplo. para absorção de seus ensinamentos. apesar de procurar tornar os princípios centrais do GTD os mais simples e fáceis de serem entendidos. já outros exigem mais tempo de reflexão para serem absorvidos (como a definição de projetos e mesmo visões). do que um livro de “uma leitura só”. se é possível tal fato) convivem lado a lado com . aliás. a ponto de sempre ser capaz de se reorientar quando as coisas estiverem fugindo – ou do controle. ao longo de uma jornada. defino o “Faça tudo acontecer” mais como um livro de consulta e referência. As regras práticas (como a de fazer algo em 2 minutos.

são necessários muitos comportamentos semelhantes aos dos negócios. ambos são a mesma coisa quando descem ao nível dos princípios .e esse é um conceito que vai sendo amadurecido ao longo das explicações sobre os cinco estágios para obtenção de foco e dos seis horizontes para a aquisição de perspectiva. vida profissional não passa de um falso dilema. Na verdade. e que Deus lhes abençoe! . e não das informações em si mesmas).questões mais profundas (como a de trabalhar com o significado das informações. Outra coisa que o livro destaca – e que acaba se confirmando durante a leitura – é que a dicotomia vida pessoal vs. para ser bem-sucedido em nosso bem-estar e saúde pessoal. na medida em que. Leitura recomendada e aprovada! É isso aí! Um grande abraço. provocando no leitor uma série de reflexões sobre o seu próprio comportamento diante de seus afazeres diários.