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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo

10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo
Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012

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Faro jornalístico: entre intuição, inteligência e cultura
profissional
Luiza Martin da Rosa 1

Resumo: Investigar as “tendências” que compõem o faro jornalístico é o objetivo deste artigo.
Parte-se do bergsonismo para a compreensão do faro como modo intuitivo e inteligente de
conhecimento próprio do jornalismo. A cultura profissional jornalística garante a especificidade
dessa forma de conhecer o mundo, que, caso contrário, consistiria em mera caraterística da
mente humana. O faro jornalístico, de essência intuitiva, seria um método de trabalho do
jornalista. Um método para o qual se busca aprofundamento neste artigo, sem a pretensão de
sistematizá-lo por completo. Parte-se de dois pressupostos principais: de que o jornalismo é uma
forma de conhecimento; e de que o bom jornalismo se aprende.
Palavras-chave: faro jornalístico; intuição; inteligência; cultura profissional; jornalismo.

1. Introdução
Ser um bom jornalista depende de vocação? Encontraremos respostas variadas
para essa pergunta. Uns dirão que o sujeito “bem nascido” possui faro jornalístico e que
só é bom jornalista aquele que tem o instinto aguçado para a caça de notícias. Outros
defenderão que a capacidade para identificar acontecimentos noticiáveis é adquirida,
aprendida com a experiência. Cabe refletir em que medida o faro poderia ser composto
por tendências simultaneamente apreensíveis e inapreensíveis. Seria o faro jornalístico
algo objetivo e subjetivo, lógico e instintivo, inteligente e intuitivo?
1

Jornalista e mestranda do Programa de Pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC). E-mail: luiza.martin.jornal@gmail.com.

que se destaca dos demais na medida em que o produto de seu trabalho se torna diferenciado. 8-9). a partir de visões complementares. 2. Guiado pelo instinto. A ideia de vocação surge. Procura-se. um intelecto que conhece dialogicamente a partir da inteligência e da intuição. serão discutidas diversas formas de abordagens do faro jornalístico. A noção de “faro” está ligada à ideia de instinto. o jornalista sai das redações à caça de acontecimentos noticiáveis. por isso a relação com o intuitivo e o . 4) Instinto e intuição caminham juntos na definição de faro. apresenta-se a intuição enquanto teoria e método cunhado por Henri Bergson. Trabalhar com o jornalismo mobiliza o intelecto do sujeito que constrói notícias. e se associa à metáfora da caça. (SIQUEIRA. À procura do conceito de faro jornalístico A ideia de faro jornalístico aparece de passagem em artigos e livros pesquisados para a produção deste artigo. inclusive. Num primeiro momento. uma forma de conhecer voltada para o singular e para ao senso comum. Existe velado nessa capacidade do bom jornalista algo de subjetivo. Além daquilo que aprendeu com estudo e experiência. identificada naturalmente pelos “reais” membros da profissão. um caminho para a definição dessa forma de conhecimento peculiar do jornalista. a terceira etapa consiste em relacionar. neste artigo. de naturalização do trabalho jornalístico. 2008. essas duas ideias. Há os que afirmem sua característica instintiva: “O faro é considerado um instinto. para definir o que é notícia. Tendo apresentado faro e intuição. muitas vezes utilizada para descrever a busca pela notícia. A conquista da preza é um troféu ao profissional. RIOS. o bom jornalista teria a seu favor a vocação e o instinto. principalmente. uma percepção diferente que o jornalista possui ao interpretar a realidade” (CARMO. 2010. Na segunda parte.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: A leitura de alguns autores e de abordagens sobre o faro jornalístico faz crer que essa capacidade exclusiva do jornalista esteja atrelada ao pressuposto de que o jornalismo é uma forma de conhecimento. apontando para a busca de um método jornalístico de conhecimento.

Esse conceito enfraquece na medida em que recai sobre subjetivismos. as escolhas do gancho do que um chute. 14) . a ponto de parecer óbvia. Hoje. pois. A aversão àquilo que é subjetivo leva à incompreensão da capacidade de superação das regras que norteiam a cultura jornalística. o que não impossibilita de perceber que existe algo de objetivo nessa capacidade dos jornalistas de conhecer o mundo. 2010. bem mais e melhor.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: instintivo é estabelecida a priori quando se pensa no farejar da notícia. sabe-se também que o gancho não é uma intuição natural (sobrenatural) de alguns jornalistas privilegiados. Caso estivesse. atrelado mais à prática e a familiaridade com o trabalho. regulando assim o processo de produção de sentido no jornalismo contemporâneo. REINO. se distanciou bastante da ideia de objetividade” (PORTO. com os diversos estudos sobre as rotinas de produção. Relacionar deliberadamente intuição. Ele passa a ser visto como algo secundário na tarefa de reconhecer a notícia e o gancho. 14) A crítica ao faro é válida e diagnostica o sintoma do subjetivismo excessivo na abordagem da ideia. pode ser percebida como uma espécie de intuição. Isso se deve a naturalização de procedimentos que são considerados como o padrão estabelecido e que. critérios de noticiabilidade e os próprios manuais de orientação dos veículos guiam. como então considerar que o acontecimento possa ser transformado em notícia por um olhar domesticado? Nem tudo está dado. O mundo se apresenta de forma singular para o jornalista. “Não é difícil perceber que esta noção de “faro”. e que escolhas editoriais. Não explicitar a relação entre a cultura jornalística e o investimento subjetivo que é uma tendência do faro jornalístico lança o conceito ao descrédito. que. A relação entre instinto. 7). intuição e faro jornalístico está internalizada no discurso profissional. previamente dada e fácil de ser identificada. como tal. o jornalismo não teria o que forjar em notícia. (BUENO. com o advento da modernidade. para eles o gancho É o produto de um olhar “domado” pelas técnicas e regras da notícia. de sentido. devem ser seguidos. 2012. instinto e faro consiste em um problema para a consolidação da própria ideia de faro. É nesse sentido que a visão de Thaísa Bueno e Lucas Santiago Arraes Reino parece incompleta. (2012.

A ideia de faro integra a cultura jornalística como visão compartilhada pelos sujeitos que vivem dentro dessa “aldeia”. mas não são o único itinerário de encontro do singular da notícia. Wolf. 1986). um conjunto de valores-notícia. a proximidade geográfica (ver Galtung. 1965/1993. Nem sempre se opta por transformar determinado acontecimento em notícia conscientemente dos critérios que embasam a escolha. aqui o jornalista mobiliza os critérios de noticiabilidade. instituído. ele é também objetivado. o seu “faro para a notícia”. ou seja. e subjetivas quando . 2005. consciente e inteligente dos fatos. (TRAQUINA. o conflito. a sua “perspicácia noticiosa”. pensados. os quais atuam no reconhecimento do que é noticioso. no feijão com arroz das notícias. tais como a notoriedade. 2005. que o jornalista consegue reconhecer a notícia. tem a experiência do mundo exterior subjetivada em modelos que são referências daquilo que acontece. O “saber de reconhecimento” é a capacidade de reconhecer quais são os acontecimentos que possuem valor como notícia. No entanto. de modelos mentais. 2007. O jornalista tem a capacidade de reconhecer a notícia. 42) O jornalista partilha com seus colegas valores-notícia. O profissional do jornalismo parte dos valores notícia para identificar a notícia entre os inúmeros acontecimentos cotidianos. Isso faz do jornalismo uma “profissão que desenvolveu um modelo mental (o “faro jornalístico”) extremamente eficaz para identificar e reconhecer o novo e o relevante” (MEDITSCH. 43). “Modelos mentais representam como as pessoas subjetivamente constroem os eventos do mundo através de suas experiências” (VAN DIJK. quando não são a razão pela qual os manuais são escritos. a maneira como ele chega à escolha demarca um processo subjetivo de acionamento de modelos internalizados. repensados e reescritos. essa “capacidade secreta do jornalista que o diferencia das outras pessoas”. É nesse sentido que o faro jornalístico se a presenta como misto de tendências subjetivas e objetivas: objetivas na medida em que se reconhece uma operação lógica. pois vive o jornalismo. Manuais de redação são importantes para fornecer caminhos possíveis.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Eis uma bela forma de pensar no que é produzido diariamente. É a partir de um conhecimento adquirido. nas palavras de Tuchman (1972/1993:85). 22). Na medida em que o conhecimento se torna comum. Aqueles que se destacam na profissão oferecem ao público um conhecimento para além dos guias profissionais.

2011. habilidade e reatividade. com base no que constrói sua matéria. mais que um agente inteligente. SARDINHA. vez por outra calibrado internamente de modo variado. 2007. Mas nada tem de mágico ou misterioso é apenas uma competência humana que. não rigidamente preestabelecido. o aspecto de negociação consiste no fato de que a avaliação de noticiabilidade é sempre o resultado de uma mistura. esta tarefa requer identificar a essência. como todas as outras. (IJUIM. mais objetiva será a forma com que é abordado tanto no campo jornalístico quanto no campo acadêmico. o “faro jornalístico” seria não uma capacidade “misteriosa” de captar as notícias. com envolvimento da sensibilidade e da capacidade intuitiva. (. portanto. o que parece pouco plausível ignorando-se a condição subjetiva.. Pode-se chamar isso de intuição.. Identificar notícias não consiste em uma operação estanque. Na minha opinião. o que contribui com suas habilidades para observar e se expressar. o tão propalado ‘faro jornalístico’ ― a sensibilidade para enxergar o mundo de forma singular. Nesse caso. monótona. que não há diferenças entre eles. (LAGE. 4) Não se ousaria concordar neste artigo que faro e intuição são sinônimos. 27-28) O faro jornalístico deve ser desmistificado... os sentidos dos fenômenos. dinâmico. A distinção mais notável é a especificidade do conceito..SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: o conhecimento se dá de forma instantânea. a elevação da sensibilidade do sujeito (. um arquétipo jornalístico baseado no mundo objetivo. intrinsecamente atrelada à cultura profissional. mas uma capacidade-padrão (adquirida com base em parâmetros delimitáveis: os valores/notícia) de . Além de processar dados com autonomia. O faro jornalístico confere ao jornalista que o possui a capacidade para lidar com os acontecimentos tanto objetivamente quanto subjetivamente.) permite-lhe também a elevação de sua capacidade intuitiva.. pode ser aprimorada pela educação e pelo exercício. Portanto. O singular das notícias é antes algo que aponta para o (. intuição é. Subjetividade. em que os fatores em jogo possuem sempre um “peso específico” desigual. afinal. O repórter é.) caráter elástico.) O aprimoramento dos sentidos. modela para si mesmo a realidade. para a produção de relatos verazes. a cada vez articulada de modo diferente. do processo de noticiabilidade. faro ou percepção. Quanto mais claro for o conceito em que se cristaliza. quase inexplicável racionalmente. tal como o descreve a atual teoria da inteligência artificial. A intuição opera a partir de um modelo mental internalizado.

Dirão que nem assim ultrapassamos nossa inteligência. Alguns negam a intuição. A atividade jornalística demanda esforços intelectuais. E teriam razão em dizê-lo. ele habita o embate entre sujeito e objeto. feita da substância mesma às expensas da qual se formou o núcleo luminoso que chamamos de inteligência. caso não houvesse sobrado. em volta de nosso pensamento conceitual lógico. um processo inconsciente de conhecimento. num ponto de equilíbrio. das coisas. O jornalismo consiste em uma forma de conhecimento. para o que der e vier” (MEDITSCH. O faro não é somente conhecimento lógico elaborado por um indivíduo. “É preciso ter claro que o jornalista é acima de tudo um intelectual. através de nossa inteligência que olhamos as outras formas da consciência. (BERGSON. e a capacidade crítica sua principal competência técnica. Se algo de intuitivo existe no faro jornalístico. A mente do jornalista é sua primeira aliada na busca pelo noticiável. 2005. A intuição se dá em meio à ação. 265) Quando se dissipa a aura de mistério que envolve o faro é possível crer na sistematização de sua prática. 59). sua manifestação ocorre perante o acontecimento. . mas também com intuição. 2005: XIII) Tal substância feita às custas do núcleo inteligência é chamada de intuição. uma vez que é ainda com nossa inteligência. Como se não houvesse algo além. caso fôssemos puras inteligências. Entender a mente do sujeito consiste em desenhar um caminho fértil para a compreensão de como jornalistas se movimentam pelo mundo. de seu modo de conhecer o mundo.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: combinar “instantaneamente”. Acreditam que o conhecimento é puramente fruto de uma inteligência. em seu desenrolar. ao movimento. 2007. uma nebulosidade vaga. fatores muito diferentes. (WOLF. 3. Se o faro é intuição em certa medida. A intuição como método de busca da essência e do singular O faro jornalístico é um modelo mental operado pelo sujeito pensante. pois consiste na entrega da própria percepção do sujeito àquilo que almeja compreender. Lógica pura. O que significa dizer que essa forma de conhecimento se fundamenta na própria capacidade dos seres humanos de agir não só com inteligência.

4). A intuição. ela própria é o método. ela fornece o controle. O ato intuitivo é sintético e distinto das demandas analíticas da inteligência. é uma faísca para o conhecimento. “A intuição é o gozo da diferença. Deve-se observar os movimentos de sistematização do ato intuitivo na filosofia de Henri Bergson. uma pluralidade de esforços e de direções” (DELEUZE.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Ao pensarmos na intuição. Ela recebeu a sugestão. (. A despeito do conhecimento fugidio que nos apresenta.) assim que percebemos intuitivamente o verdadeiro. nossa inteligência se emenda. se corrige. a intuição foi sistematizada: A intuição é o método usado por Bergson para apreender aquilo que faz a coisa ser o que ela é. para. pois ao diferenciar-se ela muda de natureza fazendo tencionar ou distender a própria duração. se . O mergulho para o fundo do conhecimento é proveitoso quando a direção definida por uma intuição primeira se apresenta como válida. Mas ela não é somente o gozo do resultado do método. muitas vezes. não podemos tomá-la à revelia de uma explicação do tipo de conhecimento que implica. na medida em que consiste não somente no entendimento primeiro evanescente. Assim. Assim como o mergulhador vai apalpar no fundo da água os destroços que o aviador apontou do alto do céu. Vários caminhos são traçados pela intuição. A intuição já pressupõe a duração na medida em que a diferença interna da coisa é diferença em relação a si mesma. analiticamente. Ele é sempre uma busca (eterna procura para quem almeja sua pureza). para o bergsonismo ela é teoria e método.. a inteligência imersa no meio conceitual verificará ponto por ponto. Como tal. então. 24. ela não é um ato único.. sugerir que o faro jornalístico tem características intuitivas. o que fora objeto de uma visão sintética e supraintelectual. A intuição não consiste somente em uma maneira sintética de conhecer os objetos. 2011) A intuição demarca seu território no momento em que o impulso da compreensão acontece. por contato. 1956. (BERGSON. formula intelectualmente seu erro. mas em procedimentos que compõem o método. ela nos propõe uma pluralidade de atos. Perante o ato intuitivo temos a sensação de saber a resposta para um problema sem necessariamente conseguirmos explicar analiticamente pela linguagem o ato intuitivo. em sua diferença a respeito de tudo aquilo que não é ela.

nem um pressentimento. Esse problema proposto não pode ser inexistente ou mal apresentado. Ambas apresentam entre si diferenças de natureza.) é somente a intuição que pode.. quando tomou consciência de si como método. È no tempo que as coisas do mundo se alteram e revelam as diferenças de natureza reconhecidas pela intuição. seu modo de se alterar e durar no tempo.. O ato intuitivo. em como se alteram. A maneira de durar desenha como as coisas são. . que diferem por natureza. O filósofo. mas de qualidade. nas suas diferenças de qualidade. nós devemos determinar primeiramente qual é o seu caráter realmente metódico. 2004. ou seja. A pergunta não pode ser feita direcionada para aquilo que a coisa não é. 1999. estamos diante da essência almejada. A segunda providência consiste em dividir o misto identificado em duas tendências. o qual se conhece na duração das coisas. já o fazemos desde um ponto de vista interno à duração e isso seguindo três passos que determinam as próprias regras do método. nem simplesmente um procedimento afetivo. buscar a duração nas coisas. portanto. 16). não se apresenta como conhecimento de 2 Duração é um dos conceitos mais relevantes da obra de Henri Bergson. se a intuição não é um simples gozo. 2) O caráter metódico da intuição consiste no encontro da diferença de natureza.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: desejamos apreender a diferença a partir do método intuitivo. 33) Sandro Kobol Fornazari (2004) apresenta os três passos. mas o tempo percebido como indivisível” (BERGSON. Assim se apresenta o misto que consiste na própria mente humana. A exemplo: não seria possível definir o que é tudo pela simples explicação e consideração da existência do nada. Busca-se a essência e não o lugar onde o essencial se ausenta. Portanto. (. para a qual se identificam duas tendências: a inteligência e o instinto. requerer a duração. Ter consciência da intuição como método é saber que ela pressupõe a elaboração de uma pergunta válida.. quando se refere à duração. a identificação de um misto que apresenta diferenças de natureza e o gozo dessa diferença ― quando se percebe o objeto. evocar a duração. (FORNAZARI. não aponta para diferenças de quantidade. precisamente porque ela deve à duração tudo o que ela é. 2011. O primeiro se refere ao tipo de pergunta que se almeja responder.) a duração real é o que sempre se chamou tempo. (DELEUZE. quer evocar a ideia de um tempo contínuo e indivisível: “É justamente essa continuidade indivisível de mudança que constitui a verdadeira duração (. O terceiro movimento consiste em reconhecer que a intuição está intimamente ligada à duração2..

em função da solidez de sua construção. nesse caso. um conceito apropriado tão-somente ao objeto. 3). Para compartilhar o entendimento necessitamos da linguagem. mas em transformá-las em conteúdo noticioso. 2007. Gilles Deleuze (1956) destaca a busca pelo singular: “Bergson propõe o ideal da filosofia: talhar. pois a essência parece inatingível. “Intuição é conhecimento imediato. o fruto do ato intuitivo precisa ser mediado. fato que leva Bergson a referir-se ao conceito como sendo brutal. isto significa que o ato de conhecer acontece de forma direta. O conceito pode representar vários objetos porque abstrai deles o que têm em comum. aquilo que está presente na intuição” (ROSSETTI. Assim como o jornalismo. por exemplo. 2). “A linguagem surge . sem mediações” (ROSSETTI. conceito do qual mal se pode dizer que seja ainda um conceito. fielmente. Ambos buscam a diferença. uma vez que só se aplica unicamente a esta coisa’”. 2007. O conceito é apreendido pela inteligência. mas a intuição lhe foge ao alcance das rédeas. a filosofia de Bergson almeja o singular. sem a operação inteligente não seria possível exprimir tais singularidades. banal e impessoal e. ‘para o objeto. mas convém igualmente a muitos objetos. não singular. O ato de encontrar a essência no modo como o objeto se altera ou apresenta seu movimento parece algo que tende a ficar no plano ideal. conseqüentemente. aquilo que é próprio do objeto. Se o conhecimento intuitivo se dá “diretamente”. Eis um conhecimento que busca um sentido universal. o jornalista não está preocupado em expor a essência das coisas. No entanto. não é capaz de comunicar. O único meio de sinalizarmos o conhecimento do âmago esbarra na linguagem. assim. 8) O instrumento que se usa para elaborar o conceito é a inteligência. faz-se necessário construir um caminho de sua profundidade à superfície onde se torna comunicável. Eis. Esta nos serve fielmente quando pretendemos conceituar. 2007.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: características universais. “A linguagem conceitual. o papel da linguagem. isto lhe dá extensão. Conceituar é buscar o que há de comum entre vários objetos tidos como semelhantes. considerá-lo impróprio para representar a absoluta singularidade dos estados da consciência. Embora o jornalismo almeje o singular. o conceito não é uma representação singular. Para ser expressado. quer antes ser um mergulho na singularidade do objeto. (ROSSETTI.

A expressão pela palavra é primordial para o jornalismo. A princípio percebe-se que ele consiste em um modo de o jornalista conhecer o mundo. . Nesse sentido. pois esse é o modo de sua existência subjetiva. Por estar objetivado institucionalmente. devemos fazer algumas distinções que a própria intuição como teoria e método ajudará a traçar. procedimentos. como um instrumento para exercer uma atividade meramente prática e de interesse social visando à comunicação entre os seres humanos que necessitam de cooperação” (ROSSETTI. o faro não precisa ser reinventado a cada dia.) a maneira possível de se exprimir e de apreender a intuição original é por meio da metáfora.. 4. Enquanto composto por uma cultura profissional. 12-13). Existem normas. e modelo mental. Mas se as palavras se prestam para expressar conceitos cristalizados. percebe-se que a cultura jornalística consiste no elemento de especificidade do faro e que a mente do jornalista opera a partir dessa especificidade. critérios que regem a profissão e que são compartilhados por seus pares. 2007) e instituição. sim. que troca a cristalização simbólica do conceito pela expressividade mutável das imagens convergentes” (ROSSETTI. 2007. Nesse sentido. um modo: “(. Primeiramente identificamos as tendências do misto que é o faro. Mas como fazer jornalismo sem ter em mente a especificidade de seus procedimentos? Caso não houvesse algo de perene nas práticas jornalísticas estaríamos diante de outro tipo de conhecimento. com outro nome. o faro jornalístico é “modelo mental” (MEDITSCH.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: como a principal função da inteligência. A essência do faro jornalístico Antes de chamarmos o faro jornalístico de intuição. 2007. de forma objetiva. As coisas mundanas são conhecidas ao passo que o sujeito investe sua própria mente na compreensão dos acontecimentos. a linguagem revela um duplo papel a serviço tanto do conceito quanto da intuição. Instituição porque existe independentemente do sujeito. como seria possível através delas alcançar a intuição? Haveria. qualquer ser humano poderia desempenhar tarefas jornalísticas. Portanto. 9)..

trabalham em mutualismo. que por esse feito manifesta afinidade com o jornalismo. enquanto tendência do faro.. No entanto. p. percebe-se que o modelo mental é aquilo que se mantém firme. A intuição encontra as diferenças de natureza. apesar de distintas. apresenta diferenças de grau. Sabe-se que ela está em constante mudança. E essa fotografia muda constantemente. Eis uma forma de conhecer voltada ao singular. 2010. é um conjunto de ‘imagens’. É possível supor como se pode encontrar o singular. contribuinte.. de Henri Bergson: “A matéria. É preciso relembrar que a própria mente humana é também um misto de duas tendências: intuição e inteligência. para nós. assim como precisam da intuição. porém menos do que o realista chama uma coisa – uma existência situada a meio caminho entre a ‘coisa’ e a ‘representação’” (BERGSON. mas se afirma que ambos tendem à preservação de seu estado atual. o que encontra de peculiar. A inteligência opera com o perene e o quantificável. É como se fosse possível fotografar a cultura jornalística e usar esse instante virtualizado feito o norte do modo jornalístico de conhecer o mundo. (BERGER. pois “(. E por ‘imagens’ entendemos uma certa existência que é mais do que aquilo que o idealista chama uma representação. Ambas as tendências. a matéria é divisível e quantificável. Diferente da duração. As instituições criam ‘programas’ para a execução da interação social e para a ‘realização’ de currículos de vida. de modo que deduz logicamente como agir no mundo. 2004. transeunte. diferenciado. A mente consiste na força motriz do movimento e o movimento é alteração. Os jornalistas precisam da inteligência para desempenhar suas funções.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: As instituições foram criadas para aliviar o indivíduo da necessidade de reinventar o mundo a cada dia e ter de se orientar dentro dele. Não que a cultura seja privada de alteração. empregado. Não se pode dizer que enquanto instituição e modelo o faro seja matéria estanque. a inteligência aponta para diferenças de grau entre as coisas e serve a um conhecimento lógico. Elas fornecem padrões comprovados segundo os quais a pessoa pode orientar seu comportamento. pai. 1-2). a dedução lógica se embasa em modelos mentais jornalísticos. 54-55) A cultura jornalística se assemelha à matéria3 e. Mas. consumidor.) a singularidade estará em como o jornalista vivencia o processo de reportagem. Praticando esses modos ‘prescritos’ de comportamento aprende a cumprir as expectativas ligadas a certos papéis como casado. Se a ação é jornalística. . quando se observa o movimento do faro jornalístico. 3 O entendimento considerado neste artigo sobre a ideia de matéria está escrito em “Matéria e memória”. Cultura e modelo sozinhos não são responsáveis pelo conhecimento proporcionado pelo faro. LUCKMANN. modo de durar. A inteligência lida com pressupostos.

Tais conhecimentos mais subjetivos apontam a direção. o jornalista se move intuitivamente. como é o caso de Ryszard Kapuscinski: Formado. Fruto da observação e. 15).SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: menos generalizante nos protagonistas do processo comunicativo” (IJUIM. por puro gosto” (KAPUSCINSKI. Se a era industrial precisava de mão-deobra para tocar as máquinas mecânicas e elétricas.. “Ao estimular a elevação do nível de sensibilidade ― intuição ― não quer dizer que propomos o abandono da razão ― e das técnicas jornalísticas. o sujeito tem sensibilidade. O autor segue seus caminhos com frequência inconscientemente. A repórter Elvira Lobato escreveu sobre sua experiência em diversas investigações que resultaram em reportagens desencadeadoras de mudanças. da intuição. 5-6). SARDINHA. Ao contrário. 2002. na escola de Annales franceses. 2007. É interessante perceber que ela própria age de forma intuitiva. (NADOTTI. tornando-a uma razão criativa” (IJUIM. Isto determina a centralidade do trabalho intelectual no processo produtivo. temos a convicção que esta será aperfeiçoada com o melhor uso das subjetividades. não. Uma história atenta às pequenas coisas. 2007. 50. a história de Kapuscinski é. nunca feita de teses. (MEDITSCH. 2007. aos humores. embalsamada. como ele próprio declara. Na falta de um método sistematizado. Se o conhecimento lógico preponderasse na busca pelo singular. construída a partir de baixo. para extrair da informação eletrônica o que ela pode dar da melhor..) ficou claro onde os seres humanos não poderão ser substituídos com vantagem pelas máquinas. 42) Além de dar sentido aos dados. unilateral. 12) Kapuscinski aponta para como o conhecimento instintivo e intuitivo atua em seu modo particular de compreender o mundo: “O instinto diz a quem escreve: “Isso pode”. Nas palavras dela: “Tracei um roteiro de investigação . a era do conhecimento vai requerer cérebros operantes. simultaneamente. Agir intuitiva e inconscientemente se apresenta como uma das características que definem grandes jornalistas. 2003. Por aqui a coisa não vai”. Basta reconhecer que o movimento intuitivo está presente nas ações do jornalista tanto quanto a inteligência. tradução livre). (. pois. A intuição diz: “Não. aos pormenores. Nunca burocrática. SARDINHA. máquinas seriam mais eficazes para cumprir as tarefas do jornalismo.

“(.. a intuição se apresenta como a essência do faro porque pressupõe a duração e evoca o movimento dessa forma jornalística de conhecer o mundo. Eis uma grande necessidade dos campos profissional e acadêmicos do jornalismo: enxergar métodos nas práticas jornalísticas.. como é capaz o místico. (FORNAZARI. num ato repentino e esclarecedor. As grandes almas são antes as dos artistas ou dos místicos que a dos filósofos porque estes não são ainda suficientemente penetrados pela emoção-intuição que lhes permitiria aceder à criação. de que forma é possível. pois se dá na relação direta com os acontecimentos. a qual Bergson já respondeu na filosofia. como é capaz uma filosofia que vai além dos dados da experiência. também se torna dificultoso sistematizá-lo. O ato intuitivo germina na inteligência. 49) A intuição aparece como ideal.) é preciso sistematizá-las em teorias e modelos com base científica e aplicação tecnológica. seguindo suas linhas de diferença até o ponto virtual em que todas as linhas se reencontram. é a seguinte: como sistematizar a intuição do . deve-se retomar as tendências do misto: a cultura profissional e a mente do sujeito.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: baseada unicamente na minha intuição de repórter. O jornalista lida com o desconhecido e mesmo que estabeleça formas de agir. É a emoção criadora que cria a intuição na inteligência. intuição-inteligência. 2007. Parece que a pergunta para o Jornalismo. antes que outros aventureiros o façam” (MEDITSCH. seus métodos estão sempre em constante mudança. 69). à totalidade criadora. “A natureza humana inteligente do agente-repórter manifesta-se por outro traço difícil de reproduzir. Por meio da intuição se encontra o singular e não somente o que se repete. A partir do próprio método da intuição. Assim como é difícil de ser reproduzido por máquinas. Insight consiste em outro nome para o conhecimento de natureza intuitiva. Como estar preparado para agir diante de acontecimentos surpreendentes? É nos territórios desconhecidos que o conhecimento intuitivo ganha espaço. 59). 2004. Resta reconhecer de que maneira ela se apresenta. Ora. Mas não só de intuição é formado o faro jornalístico. 2011. acompanhando o ritmo dos acontecimentos. 2005. 26). se a mente (enquanto misto) é dividida entre intuição e inteligência. pois não existe nenhum procedimento padrão para esse tipo de trabalho” (LOBATO. em um equipamento: o insight” (LAGE. com qualquer tecnologia previsível.

In: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. O faro jornalístico consiste em uma forma de conhecimento exclusiva do jornalismo. mais saberemos que ― para além da vocação ― se aprende a fazer bom jornalismo. apenas ajuda a apontar para a possibilidade de um método jornalístico composto por intuição. Peter L. ______. São Paulo: WMF Martins Fontes. inteligência e cultura profissional.org. pluralismo e crise de sentido: a orientação do homem moderno. São Paulo: WMF Martins fontes. 2005.br/papers/regionais/nordeste2012/resumos/R32-0748-1.. Quanto mais próximos estivermos de desvendar esse método. Se a intuição é dificilmente expressada pela linguagem enquanto ponto de chegada do conhecimento. O bergsonismo ilumina o problema do jornalismo.intercom. Matéria e Memória. BUENO. Anais do XIV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste. essencialmente intuitiva e necessariamente inteligente. Referências BERGER.SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Novembro de 2012 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: jornalista? Quais os passos que o levam ao encontro do singular? Parte-se de um misto de tendências? De uma pauta? Considerações O faro jornalístico é uma forma de conhecimento peculiar do jornalismo. Petrópolis. é desafiante pensar em um modo de sistematizar essa forma de conhecimento e sua especificidade em relação ao jornalismo. S. A.pdf . A evolução criadora. Recife: 2012. 2011. Deve-se evitar ideais e buscar na prática a reposta. L. mas não o resolve. LUCKMANN. 2004. Como a intuição se manifesta no jornalismo? Eis a dificuldade de explicitar o método. que requisita os modelos mentais da profissão. Henri. BERGSON. São Paulo: Martins fontes. mas de conhecimento adquirido pela experiência e aprimorado pela sensibilidade. 2010 ______. Modernidade. RJ: Vozes. Memória e vida: textos escolhidos por Gilles Deleuze. Thomas. Disponível em: http://www. Não se trata de uma capacidade secreta ou nata. T. Onde Está o Gancho? A difícil tarefa de hierarquizar informações.. REINO.

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