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GEOGRAFIA

AGRICULTURA MUNDIAL
Agricultura e pecuária são atividades agrárias, integrantes do setor primário da economia.
Os fatores naturais influenciam fortemente as atividades agrárias – solos férteis e água são fundamentais para o sucesso
dessas atividades. Entretanto, modernas técnicas de correção de fertilidade e de irrigação podem resultar em excelentes
resultados na produção agrícola. A função principal da agricultura é a produção de alimentos e de matérias-primas
para atender às necessidades humanas. Após a Revolução Industrial, as atividades agrárias têm contado com avanços
técnicos que resultaram no aumento da produtividade.
Essa atividade não é praticada da mesma forma nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Nos países ricos utilizamse maciçamente agrotóxicos, adubos e uma mecanização intensa. Nos países pobres, a agricultura tem graves problemas:
concentração de terras, melhores solos ocupados por produtos de exportação, baixos preços desses produtos no
mercado internacional. Tudo isso faz com que os rendimentos sejam escassos e as produções insuficientes.
A atividade agropecuária envolve técnicas produtivas aplicadas ao controle do desenvolvimento das plantas e animais,
objetivando o consumo alimentar e industrial.
Foi há 12 000 anos, com a Revolução Neolítica, que surgiu essa atividade e provocou mudanças no cotidiano da época,
cuja economia era predatória e baseada apenas na caça e pesca. A partir de então, a economia tornou-se produtiva,com
a domesticação de animais e cultivo de plantas. Do Neolítico, ou Idade da Pedra Polida, até o século XVIII (Revolução
Industrial), a agricultura foi a principal atividade econômica das sociedades, sendo o campo a moradia de maior parte
da população e o responsável pela geração de riquezas. Observe, pelo mapa, a agropecuária mundial atual.

1. SISTEMAS AGRÍCOLAS
Conjunto de técnicas utilizadas pelo homem para a produção de alimentos. Variam, de acordo com a natureza e a
evolução tecnológica, e estão intimamente ligadas aos fatores de produção agrícola: terra, capital e trabalho.
Na divisão clássica, temos os sistemas intensivo e extensivo. No primeiro caso, o elemento mais importante é o capital,
que sustenta uma produção mecanizada, com mão-de-obra reduzida e alta produtividade. Mas esse sistema também
pode valorizar o trabalho, isto é, utilizar grande quantidade de mão-de-obra com cuidados manuais intensivos, fazendo
surgir a agricultura de jardinagem, típica do sul e do sudeste da Ásia.
No sistema extensivo, o elemento mais importante passa a ser a terra. O emprego de tecnologia e de capital são
reduzidos, dando lugar à agricultura itinerante, marcada por baixos rendimentos e pela rotação de terras.

Professor: Aldo Souza Resende

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Historicamente, o sistema agrícola mais famoso, o plantation, ocorreu durante o colonialismo, e existe até hoje. Baseado
na monocultura de gêneros tropicais, é praticado em grandes propriedades, com mão-de-obra barata e visando à
exportação. É marcante nos países subdesenvolvidos, onde se destacam produtos como cacau, café, cana-de-açúcar,
entre outros.

2. MODERNIDADE
A biotecnologia corresponde ao conjunto de tecnologias utilizadas para o melhoramento genético de animais,
plantas e microorganismos, por meio de cruzamentos e seleção. O primeiro exemplo dessa evolução ocorreu após a
Segunda Guerra Mundial, com a Revolução Verde, concebida nos EUA. Visava à adoção de técnicas mais produtivas,
usando fertilizantes, agrotóxicos e sementes selecionadas, com o discurso de combater a fome e a miséria dos países
subdesenvolvidos. Mas, na prática, a fome não diminuiu e esses países ficaram mais dependentes, pois foram obrigados
a importar insumos dos países desenvolvidos.

Por outro lado, as pesquisas avançaram, em especial na área de engenharia genética, surgindo as plantas transgênicas,
isto é, derivadas da alteração genética. O produto agrícola criado pela engenharia genética tem traços genéticos
indesejáveis eliminados, são mais resistentes às pragas, reduzindo o uso de agrotóxicos, e podem até ser enriquecidos
com vitaminas. Entretanto, surgem questionamentos sobre os riscos à saúde humana, e a reação popular é a valorização
da agricultura orgânica, que utiliza métodos naturais para correção do solo e controle de pragas, alegando que a
agricultura transgênica provoca danos à saúde, contaminação de rios por pesticidas e esgotamento do solo.

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Percebe-se que o grande desafio da agricultura moderna é aumentar a produção de alimentos. No ramo empresarial,
surge o agrobusiness, um sistema intensivo, graças aos capitais e tecnologia investidos, de agricultura integrada à
indústria de alimentos e aos grandes circuitos mundiais de comercialização. Desaparece a figura do fazendeiro, do
homem ligado à terra, substituída por uma holding que contrata técnicos, visando ao aumento da produtividade e,
portanto, à lucratividade final.

AGRICULTURA E ALIMENTAÇÃO
Os recursos alimentícios mundiais encontram-se em uma situação de desequilíbrio. Enquanto em alguns lugares há
constantes excedentes de alimentos, em amplas regiões a escassez é contínua e a alimentação é deficitária em quantidade
e qualidade (subalimentação). Mas o mais grave é a impossibilidade de equilibrar excedentes e déficits, já que a falta
de capitais não permite aos países subdesenvolvidos fazer as compras necessárias. Portanto, a subalimentação é o
resultado da divisão desigual da riqueza e não de uma produção insuficiente.

SUPERALIMENTAÇÃO E SUBALIMENTAÇÃO
Apesar dos recursos alimentícios terem melhorado desde os anos de 1970, muitos países, especialmente do continente
africano, vêm verificando uma piora de sua situação alimentícia. Em casos extremos, provocados por circunstâncias
climáticas ou conflitos bélicos, têm-se produzido autênticos episódios de fome generalizada, que a ajuda internacional
não consegue solucionar. Por outro lado, muitos dos países ndustrializados apresentam uma produção de alimentos
muito superior a seu consumo.

ARROZ
As áreas arrozeiras não são tão extensas como as trigueiras. O predomínio do continente asiático é total: entre os
principais produtores, apenas o Brasil não pertence a esse continente. O arroz é a base da alimentação das culturas
do Extremo Oriente e do sul da Ásia. Apesar disso, muitos desses países não conseguem produzir as quantidades
necessárias para suprir suas necessidades, por causa dos baixos rendimentos por hectare. Na China, por outro lado, os
rendimentos de produtividade permitem cobrir sua demanda interna.

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TRIGO
O trigo é o cereal predominante na civilização ocidental. Os Estados Unidos, o Canadá, a França e o Reino Unido,
classificados entre os maiores produtores mundiais, dispõem a cada ano – diferentemente da Rússia ou da China – de
um importante excedente para exportar. É precisamente na Europa que são obtidos os melhores rendimentos por
hectare, enquanto no continente americano o volume da produção é determinado pela superfície semeada.

MILHO
O milho é um cereal que serve tanto para a alimentação humana, especialmente nas áreas indígenas no centro e no
sul da América, como para forragem nas zonas pecuaristas dos países industrializados. Os Estados Unidos, com mais de
40% da produção mundial, dominam amplamente o comércio desse cereal. Os rendimentos entre os países são muito
desiguais: enquanto no Brasil ou no México são escassos, na América do Norte são muito elevados, graças à aplicação
de métodos científicos de produção.

BRASIL
Existe a ação das cooperativas agrícolas e das empresas industriais, que, ao assegurarem a aquisição da safra (seja elas
em moldes capitalistas ou de base familiar camponesa), estimulam o cultivo e a especialização agrícola em determinadas
áreas do país. Frutas tropicais e soja são os principais produtos, cujos espaços de produção mais marcantes são,
respectivamente, os vales irrigados do Sertão Nordestino (rios São Francisco e Açu) e o oeste baiano.
Merecem ser mencionados os seguintes produtos da agricultura comercial brasileira:
- café: durante muito tempo, manteve-se circunscrito ao Paraná e a São Paulo, produzindo pelo regime de parceria.
Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo conservam a dianteira da produção. Bahia e Rondônia surgiram como novas
áreas produtoras, com uma particularidade: são cultivadas, principalmente, por paranaenses, antigos produtores
do norte do Paraná. O Paraná tem aumentado em grande quantidade sua produção de café nos últimos anos, pela
introdução de espécies novas (café adensado), desenvolvidas pelo IAPAR (Instituto Agronômico do Paraná);
- soja: expandiu-se com maior vigor no país, durante os anos 70, notadamente nos estados do Paraná e do Rio Grande do
Sul. Cultura típica de exportação, está cada vez mais voltada para o mercado interno em razão do crescente consumo de
margarinas e óleos na alimentação do brasileiro. Atualmente, verifica-se sua expansão nas áreas do cerrado, sobretudo
nos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Bahia;
- cana-de-açúcar: apesar de ser cultivada no Brasil desde o século XVI, sua produção foi estimulada, a partir de 1975, com
a criação do Proálcool. O Estado de São Paulo detém mais da metada da produção nacional, mas também é encontrada
em Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, além de estados nordestinos (Zona da Mata);
- laranja: produto largamente cultivado para atender à demanda da indústria de sucos, tem no estado de São Paulo seu
principal produtor. Paraná e Minas Gerais estão se convertendo em novas e importantes áreas de produção. O Brasil é
um grande exportador de suco concentrado, principalmente para os EUA;
- arroz: o Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional de arroz irrigado. Outros estados se destacam na produção
dessa cultura alimentar básica: Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Maranhão, Goiás e São Paulo.

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Outros produtos de destaque são: o trigo, apesar de ser insuficiente para abastecer o mercado interno; o algodão,
fortemente controlado pela indústria têxtil e de alimentos (óleo). O cacau, cultura ecológica, encontra-se em crise,
notadamente na Bahia, seu maior produtor.
Vale lembrar que muitos produtores do Sul, principalmente do Paraná e do Rio Grande do Sul, trocaram de território.
Entre as principais causas, está o preço da terra. Com isso, muitos migraram para outros estados do país, tornando-se
produtores de soja e café, principalmente. Outros transferiram-se para países vizinhos, como a Bolívia e o Paraguai.
Como já foi dito, a questão da terra não é apenas nacional, ela já se transforma em uma questão transnacional.

A AGRICULTURA BRASILEIRA
A DUPLA FACE DA MODERNIZAÇÃO AGRÍCOLA
Em 1996, 24% da PEA (população economicamente ativa) brasileira trabalha no setor primário, mas a agropecuária é
responsável por apenas 8% do nosso produto interno bruto (PIB).
Apesar da modernização verificada nas técnicas agrícolas em regiões onde a agroindústria se fortaleceu, ainda persistem
o subemprego, a baixa produtividade e a pobreza no campo.
Quando analisamos apenas a modernização das técnicas e esquecemos de observar quais são as conseqüências da
modernização nas relações sociais de produção e na qualidade de vida da população.
Cerca de 65% da força de trabalho agrícola é encontrada em pequenas e medias propriedades, que utilizam mão-deobra familiar.
O que se verifica, na pratica, são realidades de vida muito diferente. Uma família que tenha uma propriedade rural
próxima a um grande centro urbano e produza alimentos de forma intensiva para serem vendidos nas cidades ou forneça
matéria-prima para as industrias. Terá uma rentabilidade muito maior do que uma família que tenha a propriedade em
uma área de dificil acesso e pratique agricultura extensiva.
No Brasil, verificou-se, até fins dos anos 80, um enorme crescimento da área cultivadas com produtos agroindustriais
de exportação em detrimento de cultivos voltados ao abastecimento interno. Atualmente, produtos do mercado
interno apresentam grande aumento de produção. Isso se explica pela pratica da associação de culturas em grandes
propriedades.
Em algumas áreas do país, sobretudo no interior do estado de São Paulo e na região Sul, houve um grande fortalecimento
da produção agroindustrial e da organização sindical que, de forma geral, melhorou a vida da população, tanto rural
quanto urbana.
Norte e Nordeste não acompanham o ritmo de modernização e organização sindical do Centro-Sul por razões históricas,
como o amplo predomínio de latifúndios e a falta de investimentos estatais em obras de infra-estrutura.
A outra faceta da modernização das técnicas é a valorização e conseqüente concentração de terras, a plena subordinação
da agropecuária ao capital industrial, além da intensificação do êxodo rural em condições precárias.
Os pequenos agricultores se vêem obrigados a recorrer a empréstimos bancários para se capitalizar e ter condições de
cultivar a terra dentro dos padrões exigidos. É comum, depois de acumular dividas por alguns anos seguidos, serem
obrigados a vender seu pedaço de terra, que ficou penhorado no banco quando contraiu o empréstimo, para evitar a
quitação da divida através de leilão.

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HISTÓRICO
De 1500 a 1822, todas as terras brasileiras pertenciam a coroa portuguesa, que as doava ou cedia seu direito de uso a
pessoas de sua confiança ou conveniência, visando a ocupação do território e a exploração agrícola. A coroa portuguesa
controlou a posse da terra, através da criação das capitanias hereditárias e das sesmarias, que atendiam as suas
necessidades de obtenção de lucro a parti da exportação de produtos agrícolas cultivados no sistema de plantation, ou
seja, em grandes propriedades monoculturas, escravistas e cuja produção era voltada a exportação.
Entre 1822, ano da independência política, e 1850, vigorou no Brasil o sistema de posse livre em terras devolutas. Ao
longo desse período, a terra não tinha valor de troca, possuía apenas valor de uso a quem quisesse cultivar e vender
sua produção.
Nesse período ainda vigorava a escravidão, a utilização da mão-de-obra servil trazida forçadamente da África, e os
escravos negros eram prisioneiros dos latifundiários, o que os impediam de ter acesso as terras devolutas no imenso
território brasileiro. A entrada de imigrantes livres nesse período foi muito pequena e restrita as cidades.
Em 1850, com o aumento da área cultivada com o café e a Lei Eusébio de Queirós, esse quadro sofreu profundas
mudanças. Dada a proibição do trafico negreiro, a mão-de-obra que entrava no Brasil para trabalhar nas lavouras era
constituída por imigrantes livres europeus, atraídos pelo governo brasileiro.
Com o claro intuito de garantir o fornecimento de mão-de-obra barata aos latifúndios, o governo impediu o acesso dos
imigrantes a propriedade através da criação, também em 1850, da Lei de Terras. Com essa lei, todas as terras devolutas
tornaram-se propriedade do estado, que somente poderia vende-las através de leilões, beneficiando quem tinha mais
dinheiro, não o imigrante que veio se aventurar na América justamente por não ter posses em seu país de origem.
Isso nos leva a concluir que essa lei, além de garantir o fornecimento de mão-de-obra para os latifúndios, servia também
para financiar o aumento do volume de imigrantes que ingressava e, ao chegar ao Brasil, eram obrigados a se dirigir as
fazendas, praticamente o único lugar onde se podia encontrar emprego. Nessa época, a posse da terra, era considerada
reserva de valor e símbolo de poder.
Nesse período se iniciou no Brasil a “escravidão por divida”. Os “gatos” (pessoas que contratam mão-de-obra para
as fazendas) aliciam pessoas desempregadas para trabalhar nos latifúndios, prometendo-lhes transportes, moradia,
alimentação e salário. Ao entrar na fazenda, porém, os trabalhadores recrutados percebem que foram enganados, já
que no dia em que deveriam receber o salário são informados de que todas as despesas com transportes, moradia e
salário, que nunca é suficiente para a quitação da divida.
No inicio da década de 30, em conseqüente da crise econômica mundial, a economia brasileira, basicamente
agroexportadora, também entrou em crise. A região Sudeste, onde se desenvolvia a cafeicultura, foi a que enfrentou o
maior colapso. Na região Nordeste, ocorreram novas crises do açúcar e do cacau, enquanto a região Sul, com produção
direcionada para o mercado interno, sofreu efeitos menores. A crise de 30 foi uma crise de mercado externo, de produção
voltada para a exportação. Foi nesse período que ocorreu o inicio efetivo do processo de industrialização brasileira.
Outro desdobramento da crise foi um maior incentivo a policultura, e uma significativa fragmentação das grandes
propriedades, cujos donos venderam suas terras para se dedicar a atividade econômica urbanas, sobretudo a industria
e o comercio. Foi um dos raros momentos da historia do Brasil em que houve um aumento de pequenos e médios
proprietários rurais.

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Em 1964, o presidente João Goulart tentou desviar o papel do Estado brasileiro do setor social. Pretendia também
promover uma reforma agrária, que tinha como principio distribuir terras a população rural de baixa renda. Em oposição
a política de Goulart, houve a intervenção militar e a implantação da ditadura.
A concentração de terras ao longo da ditadura militar assumiu proporções assustadoras, e o conseqüente êxodo rural
em direção as grandes cidades deteriorou a qualidade de vida de imensas parcelas da população, tanto rural quanto
urbana. A parte da década de 70, foi incentivada a ocupação territorial das regiões Centro-Oeste e Norte, através da
expansão das fronteiras agrícolas, assentadas em enormes latifúndios pecuaristas ou monocultores.

O ESTADO DA TERRA E A ESTRUTURA FUNDIÁRIA
O estado da terra é um conjunto de leis criado em novembro de 1964 para possibilitar a realização de um censo
agropecuário. Para a sua realização, surgiu a necessidade de classificar os imóveis rurais por categorias.
Pra resolver a questão, foi criada uma unidade de medidas de imóveis rurais o módulo rural assim definida: “área
explorável que, em determinada porção do país, direta e pessoalmente explorado por um conjunto familiar equivalente
a quatro pessoas adultas, correspondendo a 1000 jornadas anuais, lhe absorva toda força e, conforme o tipo de
exploração considerado, proporcione um rendimento capaz de assegurar-lhe a subsistência e o progresso social e
econômico”. Em outras palavras, módulo rural é a propriedade que deve proporcionar condições dignas de vida a uma
família de quatro pessoas adultas. Assim, ele possui área de dimensão variável, levando em consideração basicamente
três fatores que, ao aumentar o rendimento da produção e facilitar a comercialização, diminuem a área do modulo:
- Localização da propriedade: se o imóvel rural se localiza próximo a um grande centro urbano, terá uma área menor;
- Fertilidade do solo e clima da região: quanto mais propícias as condições naturais da região, menor a área do módulo;
- Tipo de produto cultivado: em uma região do país onde se cultiva, por exemplo, mandioca e se utilizam técnicas
primitivas, o módulo rural deve ser maior que em uma região que produz morango com emprego de tecnologia moderna.
Foram criadas as categorias de imóveis rurais:
minifúndio: esses são os grandes responsáveis pelo abastecimento do mercado interno de consumo, já que sua produção
é, individualmente, obtida em pequenos volumes, o que inviabiliza economicamente a exportação;
latifúndios por dimensão: são as enormes propriedades agroindustriais, com produção quase sempre voltada a
exportação;
latifúndios por exploração: tratam-se dos imóveis rurais improdutivos, voltados a especulação imobiliária. O proprietário
não adquiriu a terra com a intenção de nela produzir, gerar emprego e ajudar o país a crescer, mas para esperar sua
valorização imobiliária, vende-la e ganhar muito dinheiro sem trabalhar;
empresa rural: propriedade com área de um a seiscentos módulos, adequadamente explorada em relação às
possibilidades da região.
É comuns os grandes proprietários, classificados na categoria de latifúndios por dimensão, parcelarem a propriedade da
terra entre seus familiares para serem classificados como empresários rurais e, pagarem um imposto menor.
Existe a grande concentração de terras em mãos de alguns poucos proprietários, enquanto a maioria dos produtores
rurais detem uma parcela muito pequena da área agrícola. Essa realidade é exatamente perversa, a medida que cerca
de 32% da área agrícola nacional é constituída por latifúndios por exploração, ou seja, de terras parada, improdutiva a
especulação imobiliária.

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AS RELAÇÕES DE TRABALHO NA ZONA RURAL
Trabalho familiar: Na agricultura brasileira, predomina a utilização de mão-de-obra familiar em pequenas e médias
propriedades de agriculturas de subsistência ou jardinagem, espalhadas pelo país. Quando a agricultura praticada pela
família é extensiva, todos os membros se vêem obrigados a complementar a renda como trabalhadores temporários
ou bóias-frias em épocas de corte, colheita ou plantio nas grandes propriedades agroindustriais. Ás vezes, buscam
subemprego até mesmo nas cidades, retornando ao campo apenas em épocas necessárias ou propícia ao trabalho na
propriedade familiar.
Trabalho temporário: são trabalhadores diaristas, temporários e sem vinculo empregatício. Em outras palavras,
recebem por dia segundo a sua produtividade. Eles têm serviço somente em determinadas épocas do ano e não
possuem carteira de trabalho registrada. Embora completamente ilegal essa relação de trabalho continua existindo, em
função da presença do “gato”, um empreiteiro que faz a intermediação entre fazendeiro e os trabalhadores. Por não ser
empresário, o “gato” não tem obrigações trabalhistas, não precisa registrar os funcionários.
Em algumas regiões do Centro-Sul do país, sindicatos fortes e organizados passaram a fazer essa intermediação. Os
bóias-frias agora recebem sua refeição no local de trabalho, tem acesso a serviços de assistência médica e recebem
salários maiores que os bóias-frias de região onde o movimento sindical é desarticulado.
Trabalho salariado: representa apenas 10% da mão-de-obra agrícola. São trabalhadores que possuem registro em
carteira, recebendo, portanto, pelo menos um salário mínimo por mês.
Parceria e arrendamento: parceiros e arrendatários “alugam” a terra de alguém para cultivar alimentos ou criar gado. Se
o aluguel for pago em dinheiro, a situação á de arrendamento. Se o aluguel for pago com parte da produção, combinada
entre as partes, a situação é de parceria.
Escravidão por divida: trata-se do aliciamento de mão-de-obra através de promessas mentirosa. Ao entrar na fazenda,
o trabalhador é informado de que está endividado e, como seu salário nunca é suficiente para quitar a divida, fica
aprisionado.

NOSSA PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA
O Brasil se destaca no mercado mundial como exportador de alguns produtos agrícolas: café, açúcar, soja, suco de
laranja. Entretanto, para abastecer o mercado interno de consumo, há a necessidade de importação de alguns produtos,
com destaque para o trigo.
Ao longo da história do Brasil, a política agrícola tem dirigido maiores subsídios aos produtos agrícolas de exportação,
cultivados nos grandes latifúndios, em detrimento da produção do mercado interno,. Porém, em 1995, houve uma
inversão de rumos e os produtos que receberam os maiores incentivos foram o feijão, a mandioca e o milho.
A política agrícola tem como objetivos básicos o abastecimento do mercado interno, o fornecimento de matérias-primas
para a industria, e o ingresso de capitais através das exportações.
Também se pratica pecuária semi-extensiva em regiões de economia dinâmica oeste paulista, Triangulo Mineiro e
Campanha Gaúcha, onde há seleção de raças e elevados índices de produtividade e rentabilidade. Nos cinturões verdes
e nas bacias leiteiras, a criação de bovinos é praticada de forma intensiva, com boa qualidade dos rebanhos e alta
produtividade de leite e carne. Nessa modalidade de criação, destacam-se o vale do Paraíba e o Sul de Minas Gerais. Já
o centro-oeste de Santa Catarina apresenta grande concentração de frigorífico e se destaca na criação de aves e suínos
em pequenas e médias propriedades, que fornecem a matéria-prima as empresas.

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AGRICULTURA X NATUREZA
A agricultura moderna é caracterizada pelo uso intensivo dos agrotóxicos que, apesar de serem usados no combate à
proliferação de pragas, provocam agressões ao meio ambiente e à própria saúde humana. No ritmo da globalização, a
tecnologia avança em nome da competitividade, provocando na natureza grandes impactos, reduzindo a diversidade
biológica e, pior, destruindo ecossistemas.
Dentre os vários problemas provocados pela agricultura moderna, podemos destacar a erosão, responsável pela
devastação de uma considerável parte dos solos cultivados.
Por outro lado, em alguns países ocorre a valorização de sistemas agrícolas mais primitivos, com baixa eficiência
econômica, mas com enormes vantagens, como a sustentabilidade. Um bom exemplo é o manejo integrado que envolve
a prática de defesa de lavouras que, além de aspectos de natureza econômica, leva em conta princípios ecológicos, ou
seja, concilia métodos químicos e biológicos. Objetiva a preservação da flora e da fauna, admitindo o uso de agrotóxicos
como reguladores das populações.
A agricultura e outras atividades antrópicas deixam o espaço fragilizado. Observe, pelo mapa, os exemplos.

Fonte: M. E. Simielli, Geoatlas.

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2. DEGRADAÇÃO DOS SOLOS
Nas ciências ambientais e na pedologia, o termo degradação dos solos é mais abrangente que erosão dos solos, porque
inclui outros problemas, como:
- Acidificação: corresponde ao elevado nível de acidez de um solo, comprometendo a agricultura, pois afeta a fertilidade.
- Diminuição de nutrientes minerais e orgânicos: ocorre mais em áreas chuvosas, onde a lixiviação é mais intensa, sendo
agravada pela não reposição de nutrientes (adubação).
- Contaminação dos solos por metais pesados, destacando-se o mercúrio e o chumbo, prejudiciais à saúde: ocorre em
áreas com atividades mineradoras e contamina solos, plantas e consumidores.
- Laterização: processo provocado pelas chuvas em áreas intertropicais, com estações chuvosas e secas, por meio do
qual ocorre a remoção da sílica, deixando o solo rico em ferro e alumínio, formando uma camada superficial ferruginosa
que dificulta a prática agrícola.
- Desertificação: ocorre em áreas devastadas pela ação antrópica e marcadas por tecnologias precárias, como iniciar o
plantio pela queimada, o que provoca perda de nutrientes do solo.
- Salinização: provocada pela irrigação descontrolada, pela qual a água atinge camadas profundas do solo, dissolvendo
sais e trazendo-os à superfície. Quando a água evapora dos solos encharcados, aumenta a quantidade de sal.
Percebe-se, pelos problemas citados, o papel da água como principal fator de degradação, aumentando a erosão e
provocando a perda de milhões de toneladas de solo.

3. IRRIGAÇÃO E PERIGOS
O uso excessivo de irrigação desperdiça grandes quantidades de água, elimina os nutrientes dos solos e pode fazer com
que a terra fique alagada ou demasiadamente salinizada ou alcalinizada.
Em relação ao uso da água no planeta, a agricultura absorve 70% do total, deixando a indústria com 22% e o uso
doméstico com apenas 8%. Esses dados evidenciam o grande papel da irrigação.
A mais usada é a irrigação por gravidade, que utiliza canais por onde as águas escorrem nas plantações, com baixa
eficiência. O outro tipo é a irrigação extensiva, envolvendo vastas áreas cultivadas e gerando problemas como a secagem
de poços artesianos.

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