You are on page 1of 2

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA – PPGEO

DOSSIÊ DA DISCIPLINA – ELEMENTOS DE EPISTEMOLOGIA DA
GEOGRAFIA
Hérick Lyncon Antunes Rodrigues
A geografia conforme Santos (1986) passou por um processo chamado de
“involução” onde havia uma extensa valorização de velhas ideias, devido a isso, a
reprodução dessas ideias por parte de outros estudiosos era constante, dessa forma
existia uma ausência de novas ideias.
Toda essa ausência de se pensar o novo dentro da geografia era alavancada pelo
excessivo ato de glorificação dos mestres já consagrados da época e seus escritos.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939/1945) o centro de dispersão das
ideias geográficas deslocava-se da Europa para os Estados Unidos (SANTOS, 1986).
Com isso teve inicio nos EUA a produção das chamas “ideias de encomenda” que
tinham como foco assuntos comerciais, econômicos e políticos.
A produção desse conhecimento era destacada pelo grau de liberdade dentro do
qual seus professores e estudantes trabalhavam de acordo com Santos (1986). Mas,
assuntos direcionados e baseados em interpretações dialéticas eram totalmente
repudiados pela comunidade acadêmica.
Essa atitude segundo Santos (1986) vista como discriminatória comprometia
muitas vezes o avanço do espírito científico, causando uma limitação na produção do
conhecimento.
Tal pensamento norte-americano passou a ocupar lugar em vários países
subdesenvolvidos se consagrando nesses locais como “pensamento geográfico oficial”.
Após isso, Santos (1986) expõe criticas focadas nas linhas de pensamento como
o empiricismo abstrato e a intitulada geografia quantitativa, assim como explora
assuntos direcionados a perca do objeto de estudo da geografia (espaço), pulverização
do mesmo por parte da Geografia dos EUA e a crise da ciência geográfica que se torna
viúva do seu próprio objeto de estudo.

Enquanto isso Andrade (1992) aborda a geografia crítica ou radical destacando pontos como fato de não apresentar uniformidade de pensamento. fazendo com que houvesse uma evolução dentro das áreas de morfologia. econômicas e políticas (GOMES. Esse método tem como princípio ter uma visão totalizadora. que só foi ganhar a atenção por parte da comunidade dos geógrafos a partir da segunda metade da década de 1970. Devido ao seu caráter ultrapassado e por não inserir em seus temas um contexto mais social e critico. . organizada e operacionalizada em um sistema de pensamento. quantitativa e da percepção) embora se neutralize em meio a esses problemas tem um compromisso com isso dentro da sociedade. Fazendo com que a geografia perca sua capacidade explicativa quando apela para o marxismo. dando maior poder. referindo-se a ela como geografia dos professores (GOMES. não ser considerada uma escola propriamente dita e que dentro dela os geógrafos tem consciência que existem problemas sérios dentro da sociedade no seu entorno. Seguindo essa mesma linha de raciocínio Gomes (2007) traz o pensamento marxista que se baseia no materialismo histórico e dialético. 2007). Com a aplicação de conhecimentos especializados as pesquisas se tornaram mais amplas com relação ao meio ambiente e suas áreas específicas. deixando de lado toda problemática social com um completo descaso pelas condições de vida da população. Mesmo assim. visibilidade e riqueza às potencias mundiais e suas respectivas multinacionais. Uma vez que o crescimento industrial passou a exercer um grave impacto a natureza e sociedade. 2007). clima hidrologia e etc. A partir dessa discussão social Andrade (1992) mostra que os geógrafos passaram a voltar seus olhares mais seriamente aos problemas ambientais. Destacando que os programas de desenvolvimento industrial tinham fins inteiramente econômicos. Compreendendo assim que toda a geografia (tradicional. O marxista Lacoste faz uma grande critica com relação à geografia tradicional.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA – PPGEO Diferente disso Andrade (1992) expõe a problemática social. ele afirma que a análise marxista na geografia geralmente supervaloriza bastante as questões históricas.