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Direito Penal Militar – Verbo Jurídico

Este material é apenas um resumo do resumo da obra Direito Penal Militar.
Montamos 20 dicas para o concurso da Defensoria Pública da União que estão inseridas no livro.

DIREITO ESPECIAL
A doutrina é unânime em afirmar que se trata de um ramo de Direito Penal e Processual especial,
no entanto diverge quanto aos fundamentos.

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Tempo do crime

O Direito Penal Militar adotou a teoria da atividade considerando cometido o crime no
momento da conduta (ação ou omissão). É a mesma teoria utilizada pelo Código Penal comum no seu art.
4º.
Diversa, entretanto, é a aplicação da lei no tempo para o crime continuado e para o crime
permanente. Para o crime permanente, embora consumado, a consumação se protrai no tempo, e para o crime
continuado criado como ficção jurídica para beneficiar o agente que pratica dois ou mais crimes da mesma
espécie, mediante mais de uma ação ou omissão e pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução
devem os subseqüentes ser considerados como continuação do primeiro. Aplica-se a lei quando da cessação
da permanência ou da última conduta na prática delitiva do crime continuado, em ambos os casos,
mesmo a lei sendo a mais severa.

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Lugar do crime

Interessante é o regramento do Código Penal Militar que adota duas teorias distintas na definição
do lugar do crime.
- crimes comissivos: teoria da ubiquidade;
- crimes omissivos: teoria da atividade.
Foi feita, no concurso para promotor de justiça militar, uma questão em relação ao lugar do
crime, tendo como assertiva correta a que afirmava que o Código Penal Militar adotou em relação ao lugar
do crime UM SISTEMA MISTO que engloba a teoria da atividade e a teoria da ubiqüidade. A resposta
seguiu a jurisprudência do STM:

3 Territorialidade, extraterritorialidade

A extraterritorialidade, no Direito Penal Militar ela é regra geral.

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CRIME MILITAR

Critérios de classificação
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irá responder por crime militar nos termos do art. Assim. licença de folga. Assim. Para fixar. 22 do CPM para responder como militar perante a Justiça Militar Federal ou para figurar no polo passivo e atrair a competência para a Justiça Militar da União do crime praticado contra este. a maioria da doutrina entende que não. 9º e 10º do CPM ( ratione materiae. 2 . Deserção. Crime impropriamente militar que pode ser praticado por militar e sempre por civil. usa-se a expressão o militar é militar 24 horas por dia. II. embora não saiba da condição de militar do outro. em tempo de paz: O inciso I contempla os crimes propriamente militares e os impropriamente militares que só podem ser cometidos por civil 7 Questão interessante é a possibilidade ou não de civil cometer crime propriamente militar.Para caracterizar o crime como militar devem estar presentes dois elementos: a) a tipificação do fato crime no Código Penal Militar (ratione legis) e a ocorrência de alguma das hipóteses delimitadas nos arts. 9º do Código Penal Militar consideram-se crimes militares. 6 Crimes militares em tempo de paz Conforme no art. quando citamos o art. 9 Situação que vem suscitando debate nos Tribunais é a possibilidade ou não de militar pertencente às Forças Armadas responder por crime militar na Justiça Militar Estadual e da possibilidade ou não de policial militar estadual ser julgado ou não na Justiça Militar Federal. Como vimos. ratione personae. 5 Conceito Para facilitar a compreensão divide-se em crime propriamente militar aquele que só pode ser praticado por militar violando o dever ou serviço militar e conseqüente com previsão apenas no CPM. que se referem aos crimes praticados em tempo de paz e de guerra. o delito de insubmissão insere-se no impropriamente militar. respectivamente. que não perderá a condição de militar. Assim. ratione loci e ratione temporis). “a”. pois falta a condição de militar no momento do consentimento do crime. No STF a questão não é pacifica como mencionado acima. 8 Como mencionado anteriormente. ex. 6º do Estatuto dos Militares. 9º . no entanto o Superior Tribunal Militar e Supremo Tribunal Federal entendem que pode o civil cometer crime propriamente militar em co-autoria. o militar da ativa pode estar em férias. no STJ é majoritária a corrente que entende militar federal não poder responder na Justiça Militar Estadual e da mesma forma o militar estadual não é considerado militar nos termos do art. se um militar cometer um crime contra outro militar.

Direito Penal Militar – Verbo Jurídico Em julgado recente o STJ entendeu que a Justiça Militar da União seria competente para processar e julgar integrante das Forças Armadas que teria. a competência seria da justiça comum conforme a ementa a seguir. Se o policial militar. O STM decidiu um caso nestes termos. ao interferirem em ocorrência policial. seria competência da Justiça Militar da União. Vamos mais além. na seguinte hipótese: sujeito vai a um país vizinho e adquire armamento privativo das 3 . se envolver em circunstância delituosa. pois não interfere a lei militar no lar conjugal. mencionando que. 11 Embora não considerado local sujeito à administração militar as agências bancárias no interior do quartel. na ocorrência de flagrante delito. Pode acontecer que o armamento seja de uso exclusivo das Forças Armadas. caso a instituição financeira suportasse o prejuízo. esta é considerada de natureza militar. em tese. competência da Justiça Comum Federal. que interfere em ocorrência policial cumprindo normas e deveres profissionais. por terem o dever de agir. no entanto. cometido crime contra bombeiro militar.558-3 MG do STF. no entanto não fazer parte do seu patrimônio. o STM decidiu que seria crime militar em razão da administração militar ser atingida por violação da segurança da unidade. conforme ementas a seguir em decisões recentes: 10 Outra situação interessante é aquela em que um militar da ativa subtrai uma folha do talonário de cheque de outro militar da ativa em local sujeito à administração militar. 13 O professor Jorge César de Assis menciona que os policiais militares. estariam na situação de ter-se colocado em serviço. em trajes civis e faça uso de arma própria. 12 Nas vilas militares as ruas ou locais públicos são considerados lugares sob administração militar. Este é o entendimento do Superior Tribunal Militar. como fuzis ou metralhadoras. Cita trecho do HC 6. se o prejuízo fosse suportado pelo militar. a competência será da justiça comum. se o prejuízo fosse da Caixa Econômica Federal. no entanto a residência não é considerada. mesmo utilizando arma particular. tais como armamento de uso exclusivo das Forças Armadas. ainda que o miliciano esteja de folga. Dessa forma se militar lesionar sua esposa em briga. 14 Questão interessante é a referente a materiais bélicos.

Em tese. que o dispositivo se dirige apenas aos policiais militares que cometessem crimes dolosos contra vida de civil. em relação ao militares federais. quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil. Caso o delito de falso testemunho fosse praticado na Auditoria Militar da União. Este Tribunal vem declarando incindenter tantum a inconstitucionalidade da Lei 9296/96 que acresceu o parágrafo único. 205 do CPM. 16 Homicídio praticado por militar contra civil O Código Penal teve a inclusão do parágrafo único com a Lei nº 9. seria mais benéfico responder na Justiça Militar da União. Poderá. 15 Outra situação é a do policial militar na reserva praticar crime de falso testemunho perante Auditoria Militar Estadual. §4º. por força do artigo 125. tem-se apoio na jurisprudência do Superior Tribunal Militar. pois em tese. Exemplo: sentinela de guarda em unidade militar da União desfere tiro que acaba matando civil que entrara no interior do aquartelamento para fumar maconha. pelo agente reformado.803/2003). da Constituição da República. 19 Desclassificação pelo júri 4 .299/ 96. sua conduta não está tipificada no inciso III do artigo 9º do Código Penal Militar. ou ainda crime contra a segurança nacional. a competência é da Justiça Militar Federal. pois não é aplicada a Lei 8072/90 na Justiça Castrense. não se enquadrando neste conceito a Justiça Militar do Estado. serão da competência da justiça comum. O Supremo declarou constitucional o dispositivo. No Superior Tribunal Militar. responder em tese. respondendo perante a Justiça Federal comum. nos termos do art. patrimônio sob administração militar.170/83. responderia por homicídio na Justiça Militar da União com incurso no art. mata civil em local sujeito à administração militar. Neste caso. sim. 12 da Lei 7. 17 O STM entende que. Essa questão não chegou ainda no STF. dessa forma. contra as instituições militares. Distinta é a hipótese se este armamento foi furtado ou receptado e pertencia a alguma unidade militar. porque mesmo que o policial da inatividade fosse considerado militar. que apenas define como crime de militar aquele praticado. por sua vez. a competência seria da Justiça Federal. que determinou que os crimes de que trata este artigo. esses sim seriam julgados pelo Tribunal do Júri. é pacífico. em que atuam órgãos do Poder Judiciário. 18 O Supremo. 17 e 18 da Lei 10. entende que o policial militar responde perante o Tribunal do Júri se cometer crime doloso contra a vida de civil. ainda. se o militar está de serviço. por crime de comércio ilegal de arma de fogo ou tráfico internacional de arma de fogo (arts. sendo competente a Justiça Estadual comum. tendo em vista que é uma justiça especializada que julga apenas militares.Forças Armadas.

que entende também ser incompetente. Bons estudos. resolve-se pro societate. o Tribunal do Júri manifestar-se sobre o tema. p. mesmo os decorrentes de desclassificação do homicídio doloso pelo Tribunal do Júri. e mesmo não atacado por recurso não opera a preclusão. sob a jurisdição da Justiça Militar. deve o Juízo Natural.Direito Penal Militar – Verbo Jurídico Partindo-se da premissa de que o policial militar que cometer crime doloso contra vida de civil será julgado pelo Tribunal do Júri. Neste breve resumo mostramos algumas. Assim. N a situação havia fortes dúvidas quanto à conduta do agente no elemento subjetivo (dolo ou culpa). não pode vincular o Juízo Militar. Espero que tenhamos demonstrado que o Direito Penal Militar tem algumas especificidades. pois é da opinião que houve dolo e não culpa por parte do agente. nos termos do art. em conflito negativo de competência. efetuada pelo Juízo Comum. 125. A decisão do juízo comum vincularia o juiz-auditor para o processamento do feito. 4ª da Carta Política. Assim. porém para uma preparação completa e segura recomendamos o aprofundamento da matéria. Na dúvida. a questão e decidiu que diante da desclassificação para homicídio culposo. uma vez desclassificado pelo Júri. permanecendo todos os demais. como fica a situação se os jurados desclassificarem a infração de dolosa para culposa? Quem seria competente para julgar: o presidente do Tribunal do Júri ou a Justiça Militar? O Supremo Tribunal Federal manifestou-se sobre o tema entendendo que a redefinição do crime ficou restrita aos homicídios praticados por policiais militares contra civis. ou seja. 20 Desclassificação pelo juiz presidente do júri E como fica a situação de desclassificação do crime doloso para culposo pelo juiz singular? Corretamente o juiz remete os autos para auditoria militar. O Superior Tribunal de Justiça enfrentou. que é de caráter constitucional. deve ser remetido a Justiça Militar Estadual . Ricardo Giuliani 5 .