Suporte Grafico - ESTADOCOR_teste - 19-03-2008

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Produto: EST_SUPL1 - INFORMATICA - 10 - 14/06/10

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SEGUNDA-FEIRA, 14 DE JUNHO DE 2010

O ESTADO DE S. PAULO

FERNANDA VIÉGAS

● Many Eyes

Nuvem de palavras da íntegra da entrevista com Fernanda

olhos de quem vê
Listadacomoumadasmulheresmaisinfluentesdatecnologianomundo,brasileirapartiudodesigngráfico para a visualização de dados, foi estudar no MIT e tem trabalho no acervo do Museu de Arte Moderna de NY
Carla Peralva
carla.peralva@grupoestado.com.br

Quando a revista Fast Company listou Fernanda Viégas entre as mulheres mais influentes do mundo da tecnologia, seu nome repercutiunomundotodo, principalmente aqui no Brasil. Paulista com sotaque carioca, Fernanda trabalha com visualizações de dados, disciplina que

busca organizar informações de forma que elas possam ser lidas visualmente. Na época em que listas de e-mails e salas de batepapo eram as ferramentas mais usadas na internet, ela começou a criar visualizações de e-mails pessoais. Nelas, era possível ver com quais pessoas você mais conversou e a evolução dos temas tratados com cada uma. O projeto que a consagrou, no entanto, é mais que uma visualiza-

ção. O Many Eyes, feito em parceria com Martin Wattenberg, é uma plataforma onde qualquer pessoa pode subir um banco de dados, personalizar um modelo de visualização e compartilhar o que foi criado. Esse sistema é usado pelo New York Times para fazer muitos de seus infográficos. É a própria Fernanda que nos conta sua trajetória, seus projetos e suas convicções em relação à visualização de dados.

INDECISA
“Eu comecei a universidade no Brasil. Tentei engenharia química na UFRJ, fiz um pouco de linguística na UERJ, masnãomeachava.Fiqueisabendoque,nos EUA,eupoderia estar indecisa e trocar de curso quando quisesse e me interessei.Conseguiumabolsa de estudos, vim para cá e me formei em design gráfico e história da arte. Mas comecei a ver que não queria ficar fazendo as coisas tradicionaisdaprofissão.Quandoouvi falar do Media Lab, do MIT, um centro de pesquisas interdisciplinar, achei muito legalefuiparaláfazermestrado e doutorado. Aprendi a programar e me apaixonei por visualização de informações. Meu interesse sempre foi usá-la para tentar entender as comunidades online. Em 2005, virei pesquisadora da IBM e foi nessa época que fiz o projeto Many Eyes com o meu colega Martin Wattenberg. Em abril deste ano, decidimos sair da IBM e montarnossaprópriaempresa, a Flowing Media.”

ESPELHO
“AFlowingMediaofereceserviços de estratégia, design e implementação de visualização de dados. Por enquanto, estamosfazendosóconsultoriaeaproveitandoesse período para entender em que tipos de projeto e dados as pessoas estão interessadas para, mais tarde, criarmos um produto, uma ferramenta. A gente está muito interessado no mercado do Brasil. Eu vejo muita oportunidade de fazer projetos legais que tenham a ver com mídia e redes sociais. Um dos nossos grandes focos é se voltar para o Brasil e pensar o que podemos fazer de novo no País, o que o Brasil pode mostrar para o mundo. Por exemplo, eu reparei como no último Big Brother Brasil a galera foi à loucuranoTwitter,umabsurdo. E não tem nenhuma forma legal de você capturar, mostraressaconversa.Agente está muito a fim de pegar justamente esse burburinho que está acontecendo naturalmente e mostrar para a sociedade, criar um espelho.”

History Flow mostra o histórico de edições do artigo “chocolate” da Wikipédia em inglês. O ziguezague é uma guerra de edição. Feito como um estudo científico em 2003, entrou para o acervo permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York depois de fazer parte de uma exposição ali em 2008

VER PARA DEMOCRATIZAR
“Uma das grandes razões pelas quais visualização é atraente para mim é o fato de ela ser realmente um canal poderoso para colocarpessoas emcontato com assuntos que geralmente são muito complexos. A partir do momento que você consegue mexer com determinadas informações, você se transforma em um consumidor muito mais sofisticado desse tipo de mídia. Então, quando o governo fala que tem dados abertos ou que tal indicador está subindo ou descendo, você vai olhar aquilo de uma forma muito mais crítica. Vai parar e pensar: “Será que esse gráfico é a melhor maneira de isso ser representado ou será que há uma agenda por trás disso?”. A ideia da Flowing Media é justamentedemocratizartecnologiadevisualizaçãodedadospara que isso vire parte do dia a dia daspessoas.Paraqueelasentendam que vivem em um mundo cada vez mais rico em dados e que várias decisões a respeito da vida e do país delas são tomadas apartirdessesdados.Comcerteza, as pessoas entenderem o que está acontecendo à sua volta e saberem como consumir este tipo de informação é de extrema importância para mim.”

Cada quadrado é um dia do mês, quanto mais escura a cor, mais e-mails foram trocados no dia

Variação das cores das estações do ano em Boston feita a partir de fotos postadas no Flickr

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