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FACULDADE EVANGÉLICA DE GOIANÉSIA

KAREN MUNIQUE DIAS SOUSA

O ERRO MÉDICO E SUAS CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS

GOIANÉSIA
2016

FACULDADE EVANGÉLICA DE GOIANÉSIA

KAREN MUNIQUE DIAS SOUSA

O ERRO MÉDICO E SUAS CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS

Artigo Científico apresentado à Coordenação
de Trabalho de Conclusão Curso da Faculdade
Evangélica de Goianésia, como exigência para
a obtenção do grau de bacharel em Direito, sob
a orientação do Prof. Dr. Edson Tadashi
Sumida.

GOIANÉSIA
2016

FOLHA DE APROVAÇÂO

Título: O erro médico e suas consequências jurídicas.
Acadêmico (a): Karen Munique Dias Sousa
Data: Goianésia,____/____/____.

____________________________________________________
Prof. Edson Tadashi Sumida
Professor orientador

Transcreva o nome
_____________________________________________________
Membro da Banca Examinadora

Transcreva o nome
_____________________________________________________
Membro da Banca Examinadora

AGRADECIMENTO
Agradeço, primeiramente, a Deus, por estar comigo em todos os momentos, me
dando forças sempre que preciso.
A minha mãe, irmãos e namorado, pela compreensão e apoio neste momento em
que estive tão ausente.
Ao meu orientador Edson Tadashi Sumida, pelo suporte no pouco tempo que lhe
coube, pelas suas correções e sugestões.
E a todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação, o meu
muito obrigado!

atentando se para suas prováveis causas e fatores preponderantes. bem como relatar suas características e seus pressupostos. em descumprimento com e lei. acontece com frequência. Por fim será acrescida ao artigo. em qual situação o médico ou profissional a saúde é punido. fazer uma analise acerca do erro médico e suas consequências jurídicas. identificando. Far-se-á um relato acerca dos dispositivos que fazem referencia ao erro médico. quais os pressuposto vem sendo exigido pelos julgadores. e de eu modo vem ocorrendo as punições aos médicos faltosos. bem como seus direitos. seu modo de ocorrência bem como as devidas punições àqueles que o praticarem. trazendo diversas complicações á vitima e sua família. a visão jurisprudencial acerca do erro médico.O ERRO MÉDICO E SUAS CONSEQUENCIAS JURÍDICAS Karen Munique Dias Sousa1 Resumo: Pretende-se neste trabalho. Entender da Jurisprudência. Assim busca-se apresentar a história sobre o surgimento do erro médico. deseja-se então apresentar a realidade médica no que concerne ao assunto abordado. Ocorre que o erro médico. tenha conhecimento acerca dos deveres do médico. Legislação pertinente. 1 Graduanda em Direito pela Faculdade Evangélica de Goianésia – FACEG. de forma que a sociedade em geral. De modo que verificará. Palavras – chave: Erro médico. como é abordado na pratica essa questão. para que possa ser visualizado. . Consequências jurídicas.

Quando se iniciaram as primeiras atividades. ele ainda assim deve agir com cautela. outras vezes a sobrevivência e outrora apenas uma mudança estética por meios de cirurgias. Para tanto. diversos fatores como ambiente de trabalho propício e com estrutura favorável ao atendimento médico. por sua fundamental importância na vida humana de modo geral. como o tipo de obrigação devida pelo médico. que resultaram hoje na conhecida atividade médica. bem como alguns pressupostos que são as ações lesivas do médico. inúmeras famílias sofrem injustamente com danos diversos. Ele tem o dever de agir com ética e moral para com cada um dos seus pacientes. Ressalta-se que hoje em dia vêm crescendo significativamente os casos de complicações causadas por erros médicos e. como será observado. quando o tratamento é realizado no sistema público de saúde. A pessoa que realizasse a atividade médica era vista como um deus. e o nexo causal entre o dano sofrido e a atividade médica. é importante saber que muito embora nem sempre o médico tenha o dever de cura. este poderá ser punido em três esferas: a civil. o médico precisa demonstrar todo seu conhecimento. e por vezes acabam por acrescer ao seu diagnóstico outros problemas ou uma complicação de um problema que já possuía. habilidade e capacidade para exercer a profissão. que. podem ser de meio ou de resultado. tinha-se uma realidade completamente diferente. serão observados os dispositivos pertinentes à própria atividade do médico. atenhamonos em abordar o erro médico.INTRODUÇÃO Diante de tantos possíveis temas a serem tratadas no presente artigo. Na primeira. Existem pontos a observar. a administrativa e a penal. deverá o médico ressarcir a vítima pelos danos morais e materiais decorrentes de sua conduta inadequada. Ao ser caracterizado que houve o erro médico. São pessoas que buscam em determinados momentos uma melhora na saúde. a comprovação do dano material ou moral. morais e profissionais. observando tudo o que se fizer necessário para o exercício de sua profissão. como o código de ética. com isso. o que ocorre com ainda mais frequência. na segunda. que poderá aplicar ao . desde problemas menores até os casos de morte. Hoje vivenciamos outra realidade. devem ser observados. Os casos desses erros são os mais diversos e serão especificados no decorrer da monografia. além do atendimento médico. que dispõe sobre obrigações éticas.

obras de diferentes autores. a perda do direito de exercer a profissão. onde haverá a condenação do médico a multa ou mesmo a perda de liberdade por um determinado período. demonstra-se como objetivo geral: “Compreender o tratamento dispensado pelo ordenamento jurídico aos médicos que comentem erros que provocam consequências graves ou fatais.médico penalizações (como. bem como um estudo de caso por meio de jurisprudências. para sua conclusão. por exemplo. Seguindo ainda como meio de demostrar o erro médico e suas consequências jurídicas. Demonstrar os critérios utilizados pelos julgadores quanto à responsabilização do médico. Assim será possível que a sociedade obtenha maior conhecimento sobre como vem ocorrendo o erro médico e sobre como pode buscar seus direitos ao se deparar com tal situação. utilizam-se os seguintes objetivos específicos: a) Aprofundar os conhecimentos sobre erros médicos. bem como os critérios adotados para tal responsabilização. objetivando ser um estudo explicativo por meios bibliográficos. O trabalho monográfico será formado seguindo a problematização: “Qual o tratamento dispensado pelo ordenamento jurídico aos médicos que comentem erros que provocam consequências graves ou fatais?”. Diante do problema. A pesquisa dispensada ao artigo será de natureza básica trazendo alguns conceitos e a teoria conhecida até então. bem como diversos artigos exibidos na internet. indicando a forma como o médico responsabilizado. Seu método é dedutivo. b) descrever a legislação brasileira que trata sobre o erro médico. se comprovado a prática de atos descritos no dispositivo penal como crime. bem como a consequência jurídica do erro médico”. a depender do caso). e por fim na esfera penal. Deverão ser utilizadas. c) fazer um levantamento por meio de decisões jurisprudenciais. com ponto de partida no erro médico e suas consequências jurídicas. .

os tratamentos a doenças eram feitos segundo crenças místicas. iniciando-se a explanação acerca da responsabilidade médica. penal. quando infringidas. que. É. mediante rituais. este era responsabilizado pelo ato. 1. que certamente ocorrem também em uma relação outrora estável e quase intangível: a dos médicos e seus pacientes. Entretanto. “a Medicina... faz-se um paralelo quanto à evolução histórica. Explica Amaral (2012). realizadas por especialistas que eram feiticeiros ou xamãs. Quem conseguia o prodígio da cura era reverenciado. C. Assim iniciou-se a atividade médica. C.]”. e logo após são apresentadas a responsabilidade civil. Complementam-se às palavras de Herrero. explicando como se dá a responsabilidade médica em diferentes campos. por se tratar da vida. no período Paleolítico. que naquela época [período Neolítico]. Inicialmente. cerca de 2. ou de forma empírica. Segundo Thaís Herrero (2013). antes de adentrar ao tema. prolonga a vida. por erro do médico. se percebido qualquer conduta que viesse a prejudicar a saúde do paciente. conforme sua própria concepção. a atividade médica é regrada pela imposição de normas de condutas. a medicina era vista como um dom divino.1 Evolução histórica da responsabilidade médica Atualmente. quando possível. . no período Neolítico (10 mil a 03 mil anos a.5 milhões a 10 mil anos a. e diminui a dor e o sofrimento do doente. uma atividade que demanda grande atenção. e a saúde [. o tratamento das doenças passa a ser realizado por sacerdotes. entendida conceitualmente como os preceitos para a promoção do bem-estar e o prolongar da vida com qualidade. a sociedade passa por profundas modificações pessoais. Para Chaves.. sobrenaturais.1 DA RESPONSABILIDADE MÉDICA O capítulo que segue tratará da responsabilidade médica. no entanto. É o que explica Paulo Antoine Pereira Younes (2015). geram responsabilização.). como no Egito Antigo. Entretanto. faz-se importante saber que a atividade médica é de suma importância para a sociedade em geral. Diante de tamanha importância. e podia agir livremente. Conforme a mesma autora. pois traz a cura. após essa época. e administrativa do médico e demais profissionais da saúde no exercício da profissão.

2 O QUE É O CÓDIGO DE UR NUURM? 3 O Código de Hamurabi é um conjunto de leis criadas na Mesopotâmia.C.COM. segundo o qual. que vigorava em meados do ano de 2400 a. inclusive à morte. a responsabilidade com sua divisão entre penal ou civil veio a surgir na França. em face do delito praticado por uma pessoa.C. dente por dente”.Segundo explica Amaral (2012) apud Ligiera (2009) em sua obra. Havia também a Lei de Talião4. e ainda que o doente se salvasse estava o médico sujeito a penas várias. antigo país da Mesopotâmia. pagava não só ele (às vezes nem ele) como outros de família. 2 escrito cerca de 2000 anos a. por haver este sucumbido em consequência de uma infração dietética enquanto o médico se encontrava em um teatro”. o castigo alcança o autor do delito e a ideia de proporção entre a ofensa e o castigo se vai esboçando e afirmando-se cada vez mais”. como também buscou-se comprovar a causa efetiva do dano. na Suméria. também explicam sobre o Código Hamurabi3 [Mesopotâmia]. 304): “na fase anterior. ou metade de seu valor se ele ficasse cego.C. por volta do século XVIII a. E assim o tema era tratado também em outros códigos e locais: Entre os egípcios havia a tradição de punir o médico quando este se afastava do cumprimento das normas. momento em que buscaram exigir não apenas a comprovação do dano mediante perícia. GARRAFA e COSTA. 245) (grifo do autor). Entre os gregos havia também um tratamento rigoroso do suposto erro médico. imperícia ou negligência. (OSELKA. previa como penalidade ao médico que matasse alguém que tivesse as mãos cortadas se a vítima fosse livre. No âmbito das punições. pelo rei Hamurabi. conforme destaca Cretella Junior (1991. Segundo esta lei. por volta dos séculos XI e XII. médico de Efésio. Este código fazia referência a punições aos médicos e cirurgiões que não cumprissem bem o dever imposto por sua profissão. (SUA PESQUISA. Costa. que fosse pago o valor do escravo. ou sendo a vítima um escravo. em um de seus artigos. da primeira dinastia babilônica. Conforme dispõe Amaral (2012). Conta-se que “a mando de Alexandre Magno foi crucificado Clauco. As punições previstas eram multas.. a punição era do tipo “olho por olho. 1998. ONLINE) 4 Lei de talião? . Oselka e Garrafa (1998). se imprudência. o primeiro dispositivo a tratar da referida responsabilidade médica foi o Código de Ur-Nammu. p. A partir daí. dispositivo pertencente ao já citado código de Hamurabi. Com o Talião.

Como consequência. sem que houvesse qualquer distinção de área jurídica. Tais dispositivos serão tratados com maior ênfase posteriormente. onde é permitida a presunção de culpa nos danos causados por coisas inanimadas.. estabelece-se a obrigação de reparar o dano.2Ponderações iniciais acerca da responsabilidade médica . como também destruído ou deteriorado coisa corpórea alheia. quem tivesse ferido um escravo ou um animal alheio. Acerca da reponsabilidade do médico no Direito Romano. disciplinando a indenização devida pelos danos causados por um particular a outrem. formulou-se um conceito de culpa. como o Código Criminal de 1830. havendo então a responsabilidade penal e civil. sem se considerar o que hoje se define como dano moral. que foi em Roma que se tornou concreta a ideia de que a vingança privada não deveria ter lugar na sociedade e que seria dever do Estado tutelar as relações interpessoais. Retomando as palavras de Amaral (2012). Nessa época surge o instituto da culpa.inicia-se uma aproximação com responsabilidade conforme atualmente. como o abandono do doente. Quem matasse um escravo ou animal alheio seria condenado a pagar o mais alto valor que tivesse tido no ano anterior ao delito. conforme Dantas (2003). limitando-o ao prejuízo econômico. no Brasil. a recusa à prestação de assistência. O mencionado Código traz o instituto da satisfação. ressalta-se. depois surge o Código Civil de 1916 e posteriormente a Constituição de 1988 e ainda o Código de Defesa do Consumidor em 1990. deveria pagar ao proprietário o mais alto valor que o objeto tivera nos 30 dias precedentes ao delito. acrescenta-se que depois veio a responsabilidade médica a ser tratada por dispositivos brasileiros. Posteriormente. online) acrescenta: A Lei Cornélia estabelecia uma série de delitos relacionados à prática da profissão médica e as penas que deveriam ser cominadas. é reconhecida a distinção entre responsabilidade civil e criminal. bem como fixaram-se algumas espécies de delitos que os médicos poderiam cometer. Entretanto. que implica no dever de ressarcimento por parte do ofensor para com a vítima. em que a responsabilidade civil era interligada à responsabilidade penal. em 1841. 1. Dantas apud Miguel Kfouri Neto (2003. plebiscito posterior à Lei Hortênsia. inicialmente a responsabilidade médica era aplicada de forma subsidiaria à prevista no Direito Romano.C. que dará lugar à teoria da responsabilidade indireta. do século III a. os erros derivados da imperícia e das experiências perigosas. Segundo a mesma autora. com a lex Aquilia de damno.

Assim entende-se que os pacientes lesados possuem o direito de buscar reparação do dano causado sempre que possível e. no comportamento inconsiderado. a responsabilidade objetiva. do cuidado necessário às normas que regem a conduta humana. de acordo com as palavras do autor. nessa qualidade. 536-537). decorreu de um erro. 14 dispõe expressamente que. dispõe sobre a responsabilidade das pessoas jurídicas. pelo menos.Segundo Brandão (2016) apud José Idelfonso Bizatto (1990).] A imprudência revela-se na precipitação de uma atitude. . “a culpa é um dos pressupostos da responsabilidade civil. causarem a terceiros. 37. não se exigindo para tanto. [. de fato. Os atos praticados trazem consequências ilícitas previsíveis. assegurando que elas responderão pelos danos que seus agentes. que o médico no exercício de sua profissão é passível de cometer erros.. sejam elas de Direito Público ou privado. §6º. por displicência. em seu art. 186 do Código Civil que a ação ou omissão do agente seja “voluntária” ou que haja. é o descuido no comportamento. a responsabilidade médica é entendida como uma obrigação inerente aos profissionais que utilizarem-se. imperícia. embora não pretendidas. Outro dispositivo que trata da responsabilidade é o Código de Defesa do Consumidor. por ignorância inaceitável e impossível de justificar. o que. ou seja. a sua conduta adversa deve ser devidamente punida. urge. preceitua o art. Já a negligência consiste na ausência de diligência e prevenção.. [. Nossa Constituição.] Omitem-se as precauções exigidas pela salvaguarda do dever a que o agente está obrigado. que em se constatando negligência ou imperícia do médico. “negligência” ou “imprudência””. de imprudência. em seu ofício. Nesse sentido. como regra. contudo. pois. entende-se que podendo o erro significar a perda capital da vida. É preciso. (ARNALDO RIZZARDO. Assim. Nesse viés: “A imperícia demanda mais falta de habilidade exigível em determinado momento.. e observável no desenrolar normal dos acontecimentos. mediante um nexo causal. sucede também nas demais modalidades de culpa”. 18) Verifica-se. aliás. no caso do erro médico é exigido pela lei consumerista a comprovação de culpa. Para Gonçalves (2009. a comprovação de culpa. na insensatez e no desprezo das cautelas necessárias em certos momentos. aplicando-se então. buscar indenização. Para a caracterização do mencionado artigo. 2009. negligência ou dolo. sendo que muitos podem ser fatais. certificar-se de que o resultado. causando prejuízos a outrem. p. que em seu art. basta que haja comprovação do uso do serviço e configuração do dano. pois a atividade médica está sujeita a resultados diversos.. existe uma responsabilidade subjetiva. p. não o sendo.

que ocorre na esfera civil. quando no exercício de sua função. . imprudência ou imperícia.2. que são a negligencia. complementada pela lei federal 3268 de 30 de setembro de 1957. no âmbito administrativo. O descumprimento de qualquer de suas regras ou regras de outros dispositivos direcionados à conduta do médico ou de qualquer profissional atuante na área da saúde. cujo regulamento é o decreto 44045 de 19 de julho de 1958. comete atos que vêm a lesionar o paciente é responsabilizado na esfera administrativa.. classifica os danos sofridos pela vítima em danos materiais e danos morais.A culpa do médico se constitui levando em consideração três fatores determinantes. No âmbito administrativo apuram-se infrações médicas. 927 CC/02. Quanto ao Código Civil. enquanto o último trata dos direitos de personalidade e da família.. o médico ou profissional da saúde será punido por infrações que poderão estar descritas no código de ética médica ou mesmo em outros dispositivos pertinentes às atividades do médico. Verifica-se então que. A reparação do dano. independente de outras esferas legais como a civil e a penal. necessitando da caracterização da culpa. segundo o exposto no art. ou outros dispositivos pertinentes à atividade médica conforme será demonstrado adiante. configurará então uma infração que deverá ser apurada. Os Conselhos Regionais de Medicina são órgãos de fiscalização profissional que são incumbidos de estabelecer e garantir o cumprimento de regras técnico-científicas que garantam o bom exercício da atividade médica. adota-se também como critério para a caracterização do erro médico a responsabilidade subjetiva. por meio de processos éticos disciplinares. O erro médico na esfera administrativa é apurado junto aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). O primeiro se refere aos direitos reais e pessoais.] está prevista no código de ética médica através da resolução 1246. publicada no diário oficial da união de 26 de janeiro de 1988. Segundo José Renato Nalini (online): A normatização da responsabilidade ético-disciplinar do médico [. 1. estas sendo provenientes do descumprimento de vedações legais estabelecidas pelo código de ética médica em seu capítulo 3.1 Da Responsabilidade médica na esfera administrativa O agente público atuante na área da saúde que.

penal ou administrativa. por imprudência. seja ele o médico ou qualquer outro agente que atue na área da saúde.2 Da Responsabilidade médica na esfera civil A responsabilidade civil médica trata diretamente da obrigação do profissional da saúde. não ultrapassam o campo administrativo. suspensão. cassação de aposentadoria ou disponibilidade. de ordem civil. como penalidade: advertência. enquanto não estabelecido por processo civil. Havendo a instauração de sindicância. Ensina Ricardo Brandão (2016) que. Para Genival Veloso França (2002. ou seja. demissão. ela dispõe acerca das penas disciplinares aplicáveis pelos Conselhos Regionais de Medicina a seus membros. imperícia ou negligência”. Findo o transcurso do processo ético disciplinar. se inexistir indícios de infração. não obtendo assim qualquer efeito na área civil ou penal. ou instauração de processo ético disciplinar. nem mesmo sendo passível de reparação de danos. Em seu artigo 22. . sendo comprovada a infração cometida pelo profissional.2. homologação de acordo entre denunciante e denunciado. 435).informações ao consumidor). 1. delas resulta o arquivamento da denúncia.A Lei nº 3. onde será apurada a veracidade dos fatos. É possível também que o próprio Conselho instaure sindicância sem que haja denúncia. p.268/1957 é a responsável por reger os Conselhos de Medicina. É possível que qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma infração ética ou de descumprimentos dos deveres médicos acione o Conselho Regional de Medicina por meio de denúncia. dentro de 30 dias prorrogáveis por igual período. se de fato há indícios de infração. Os efeitos dos processos éticos disciplinares. dá-se o julgamento por meio das câmaras de julgamento (Guia sobre erro médico . quando tiver conhecimento de qualquer infração legal. A denúncia deve ser feita por escrito e direcionada ao presidente do CRM do local de onde se deram os acontecimentos. pode ser a ele aplicado. esta é realizada por meio das câmaras de sindicância dos conselhos regionais. a responsabilidade médica refere-se “a obrigação. inclusive. quando de um resultado lesivo ao paciente. entretanto. a que estão sujeitos os médicos. Após a denúncia. é realizada uma instauração de sindicância. de reparar o dano causado ao paciente enquanto no exercício de sua profissão. havendo indícios de infração ética. no exercício profissional. destituição de cargo em comissão e destituição de função comissionada.

2010. Parágrafo único. 03) Ante ao exposto. e por fim o nexo causal. surge entre ambos um vínculo de natureza contratual ou extracontratual estabelecido numa relação de confiança do doente no médico. É fácil entender que dessa aproximação. Assim sendo. 186 e 187). Se este em nada contribuiu para o dano de um paciente. Tendo sido esclarecido que a responsabilidade em questão se configura pelo dano causado por um profissional da saúde no exercício de sua profissão a outrem. verifica-se que a responsabilidade nesse caso tem por fim garantir a reparação do dano causado à vítima (paciente) pelo profissional da saúde. minorar os efeitos da doença ou controlar a enfermidade. independentemente de culpa. impedindo então a caracterização da responsabilidade. trata-se da exigência de que tenha havido uma ação ou omissão do médico ou profissional da saúde. não houve nexo causal. Haverá obrigação de reparar o dano. nos casos especificados em lei. fica obrigado a repará-lo. De acordo com Juliana Andrade Nunes (2004). p. Devendo essa reparação ser proporcional ao dano. pois que não há o que reparar sem que haja dano. não há que se falar em responsabilizá-lo. ou patrimonial. em seu art. por sua natureza. que impõe uma relação de causa (ação) e efeito (dano). de forma que se o dano não se deu pela ação ou omissão do profissional da saúde. Dano injusto de conteúdo pessoal. . causar dano a outrem. negligência ou imprudência. risco para os direitos de outrem”. Assim menciona Ramon Pizzaro (1991. violar direito ou causar prejuízo a outrem. não pode ocorrer em partes. pois que não basta o dano.Se tratando da responsabilidade civil. são eles:    Ação ou omissão lesiva ao médico. 186 e 927. No segundo. e Nexo causal. em nosso ordenamento jurídico. Outros autores também dispõem sobre o tema em questão. (POLICASTRO. busca-se regulação no Código Civil de 2002. por ato ilícito (arts. ainda que exclusivamente moral. O Código positiva ainda que: “aquele que. destacase um pequeno trecho acerca da forma em que se da o início da responsabilidade civil: Diz-se que a responsabilidade inicia quando o médico se dispõe a assistir o enfermo para encontrar a cura. comete ato ilícito”. que dispõe respectivamente: “Aquele que por ação ou omissão voluntária.96): “indenizar pela metade é responsabilizar a vítima pelo resto”. moral. exige-se a existência do dano. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. Três são os pressupostos necessários à configuração da responsabilidade civil médica. cabe esclarecer também acerca dos pressupostos para tal configuração. p. No primeiro.

Em primeiro lugar a responsabilidade decorrente da prestação de serviço direta e pessoalmente pelo médico como profissional liberal. haviam-se discussões quanto à sua natureza contratual ou extracontratual. há que se entender como consequência dessa natureza jurídica. Nesse sentido. casas de saúde. a imprudência. isso só tem significado com a outra distinção que se faz entre obrigação de resultado e obrigação de meio. como em casos de acidentes em que a pessoa encontra-se inconsciente. algumas exceções em que será a obrigação de resultado. restando por fim consolidado que pode ser a reponsabilidade médica tanto contratual quanto extracontratual. de meio. 369/370). para que se efetive é necessário um contrato entre o médico e seu paciente. Já na responsabilidade extracontratual. mas sim. 2008. bancos de sangue. a proceder conforme as regras e os métodos exigidos pela própria profissão”. (CAVALIERI FILHO. laboratórios médicos etc. Deve-se atentar. entretanto. Em segundo lugar a responsabilidade médica decorrente da prestação de serviços médicos de forma empresarial. não haja consentimento da vítima.. O contrato pode então ser autorizado pela assinatura escrita mediante todas as cláusulas contratuais pertinentes.Quanto à natureza da responsabilidade médica. Entendo que após o Código do Consumidor essas discussões perderam a relevância.. e sua obrigação ser de meio ou de resultado. Observa se: [. clínicas. se gerava obrigação de meio ou de resultado. também. essa responsabilização se dá pela simples prestação de serviços médicos à vítima. No tocante à responsabilidade contratual. não existe um contrato entre médico e paciente.. mesmo que a responsabilidade médica seja considerada contratual. podendo ser o contrato verbal ou escrito. . negligência ou imperícia do causador do dano (culpa). não se excluindo. 1999.. porém. p. a culpa do profissional não pode ser presumida. em regra. ainda. às palavras ressaltadas por Juliana Andrade Nunes (2004): “.] na responsabilidade extracontratual ou delitual. leciona: A responsabilidade médica foi muito discutida no passado quanto à sua natureza jurídica: se era contratual ou extracontratual. aí incluídos hospitais. e que sua obrigação será. Na prática. p. (RUY ROSADO DE AGUIAR JR. 35).. Hoje a responsabilidade médica/hospitalar deve ser examinada por dois ângulos distintos. o fato do médico não se comprometer a curar. mesmo que devido à situação de urgência. o autor da ação deve provar. isentando-se o réu de responder pela indenização se o autor não se desincumbir desse ônus. ou apenas pela aceitação tácita de determinado procedimento conduzido pelo profissional da saúde. Dessa forma.

sem.por intermédio de nenhum delesum mau resultado para o paciente. do profissional. avalia-se o resultado ao lado da desculpa tolerante da falibilidade. se não o fizer. obriga ao médico agir com todos os cuidados e todos os meios possíveis para trazer a cura ou amenizar a doença de um paciente. (2004. Normalmente as técnicas estão voltadas para a melhor qualidade possível (. em todo caso de ressarcimento e/ou indenização de dano. policiada e fiscalizada por órgãos competentes. contudo. imprudência e imperícia do profissional”. fazer uma análise sobre qual era a sua obrigação naquela prestação de serviço. Ou seja. A obrigação de meio é a obrigação que. dedicação. não estará cumprindo com sua obrigação de meio. como. neste caso. O que não pode ser confundida é a incerteza e imperícia da ciência e da arte com a negligência.. imprudência. é preciso. De forma que ele não está obrigado a curar ou salvar. 725) a obrigação de meio: . Investido em função determinada. ante ao exposto anteriormente. que então deverá responder. ou seja. conhecimento técnico. Não se pode esquecer. cuidados etc. é bem verdade. p. controlada. [. pelos atos que praticar. está alijado a uma obrigação de meio. 27). profissão ou arte. tanto civil como criminalmente.. só os elementos da culpa. para ele. observada a imperfeição da ciência e da arte. desde que resultem em dano a outrem. p. imperícia podem não criar responsabilidade se não adveio . antes de auferir a responsabilidade por determinada conduta ao médico. “a obrigação de meio é aquela que é satisfeita com a aplicação de forma diligente da técnica adequada ao caso. o melhor resultado possível. De acordo com Gomes (2006. Percebe-se então.] Para Stocco. Logo. amor. As obrigações do médico podem ser de meio ou de resultado. podendo ser responsabilizado. empenho. p. Nesta. fazer o possível para tanto. são suficientes as razões de crédito na habilitação pública da profissão. Ainda nesta perspectiva Giostri (2006. p. que toda doutrina apresenta imperfeição. por exemplo.. entende-se que este profissional não está obrigado a curar seu paciente. cultura. 128) aduz que: No campo médico. ofício ou arte divulgados. ter o dever de alcançar o resultado”. a cura ou salvação de um paciente.). Irineu Pedrotti (1990. nem sempre poderá ser cobrado determinado resultado. é preciso.. mas a obter. 630) sabiamente ensina: Não se pode afastar essa presunção de uma pessoa habilitada para o exercício de um ofício. a diferença no que concerne à responsabilização diante da obrigação e possibilidade do resultado exigido do profissional médico. contudo. sem se afastar da habilidade.Conforme explicado.

O médico deve esforçar-se. bem como quando cada obrigação enseja responsabilização do médico. Outro autor a tratar obrigação de resultado é Giostri (2006. de forma que a responsabilização do profissional está diretamente ligada ao tipo de responsabilidade que ele exerce sobre determinado ato. usar todos os meios necessários para alcançar a cura do doente. apesar de nem sempre alcançá-la. P. Já a obrigação de resultado é diferente. Em outras palavras. podendo também ser responsabilizado. independente de ser esta grave ou não. É o que se dá. publicitários. Diante da contribuição de cada autor acerca da obrigação de meio e obrigação de resultado. transporte e no de cirurgia estritamente estética ou cosmetológica. ao contrário. Entretanto. Esse tipo de obrigação é o que aparece em todos os contratos de prestação de serviços. o devedor. na ocorrência do dano. por exemplo. Ao ser contratado. A responsabilidade civil subjetiva é aquela que analisa a culpa do agente para caracterizar a obrigação de indenizar. havendo a culpa. o que – se não efetivado – põe o devedor em responsabilidade. quanto à obrigação de resultado afirma que “o que importa é a aferição se o resultado colimado foi alcançado. Ou consegue o resultado avençado ou deverá arcar com as consequências. fica clara a distinção entre ambos. médicos. a atividade médica tem de ser desempenhada da melhor maneira possível com a diligência necessária e normal dessa profissão para melhor resultado. etc. . é possível auferir a responsabilidade a este. o mencionado autor diz: Na obrigação de resultado. estando o médico ciente de seu dever de trazer o resultado. na obrigação de meios. Deve então a vítima provar que houve culpa do profissional. Neste caso. a finalidade é própria da atividade do devedor e na obrigação de resultado. é preciso observar que estas responsabilidades são classificadas como responsabilidade objetiva e responsabilidade subjetiva. obriga-se a chegar a determinado fim sem o qual não terá cumprido sua obrigação. no contrato de empreitada. Quanto à obrigação de resultado. mesmo que este não seja seguido. 77-78). desde que havendo todos os outros pressupostos. salvo que se prove interferência de caso fortuito ou força maior”. configura-se responsabilidade civil subjetiva. as obrigações de resultado têm como meta a obtenção de um resultado predeterminado e pactuado adredemente. Só assim a obrigação será tida como cumprida”. Já Venosa (2003 p. 144): “De modo geral. como o de advogados. Dessa forma. Assim. o médico já possui como objetivo chegar a determinado fim acordado entre as partes. o resultado dessa atividade. Depois de verificado o tipo de obrigação do profissional. caso não o faça estará inadimplente.É a própria atividade do devedor que está sendo objeto do contrato.

ou aquiliana. os pais podem acionar o hospital e nesse processo não cabe sequer discutir de quem foi a culpa. e subjetiva quando o erro ocorrer por serviço médico-preposto do estabelecimento. Se tratando da responsabilidade. Basta mostrar que houve defeito e o hospital será obrigado a indenizar a família.” A mesma autora apud REsp do STJ. Esta responsabilidade fundamenta-se pelo risco. se o serviço for prestado sem que haja defeito algum. explica Venosa (2004. negligentes ou imprudentes (isto é. o Estado também é responsável pelos danos causados a pacientes. da apuração pode-se resultar em responsabilidade objetiva ou subjetiva. imperitas. No caso dos hospitais e clínicas. ou mesmo o Estado. quando o profissional for atuante do sistema público de saúde. p. p. deve-se apurar a responsabilidade. exigindo-se. culposas). independentemente de qualquer ideia de dolo ou culpa”. . ou culposa. Já para a responsabilidade civil objetiva não há a necessidade de se provar a culpa do agente. enquanto a responsabilidade objetiva não necessita da culpa. Portanto. quando o causador do dano estiver exercendo como atividade profissional a prestação de serviço público. é obrigação de reparar danos. que violem direitos alheios”.Assim explica Fernando Noronha (2003. é obrigação de reparar danos causados por ações ou omissões intencionais (ou seja.” Segundo dispõe norma constitucional. dolosas). Fica entendido assim que a responsabilidade subjetiva exige a comprovação da culpa. 17): “Tem uma amplitude maior. apesar da existência de dano e nexo de casualidade. o hospital não pode ser levado a indenizar o paciente. exigindo-se apenas o nexo causal. se um defeito em um bisturi elétrico conduz à amputação da perna de um recém-nascido. Acerca da teoria do risco. Podem também ser responsabilizados os hospitais ou clínicas onde trabalhe o médico faltoso. considerando que toda vez que alguém exerce uma atividade da qual retira vantagem. também chamada de responsabilidade civil por atos ilícitos. o profissional que causou o dano não é o único responsável. ou pelo risco. a responsabilidade civil do hospital é objetiva quando o erro for oriundo de procedimentos inerentes à atividade do hospital. Nesse entender. entretanto. em acordo com o já citado artigo 927 do Código Civil de 2002. continua: “Porém. p. explica Fernanda Regina da Cunha Amaral (2012. O mesmo autor explica ainda: “a responsabilidade civil objetiva. mas que cria riscos de prejuízos para terceiros. o nexo causal da conduta e o resultado. 484): “A responsabilidade subjetiva. a culpa é presumida pela própria lei. deve arcar com o ônus dos encargos”. 132): “Destarte.

parágrafo 6º: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. Sabendo-se que o Estado. Perante essa informação. estados e municípios. mantendo sempre sua única personalidade de direito público". 2º como sendo consumidor ‘toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final’. por parte dos profissionais da medicina. pública ou privada. (NUNES. Brandão (2016. o próprio dispositivo faz menção direta à responsabilidade do médico. assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. nacional ou estrangeira. 37. inciso XX. Fato este que resultaria na exclusão da recepção da relação médico-paciente pelo dispositivo em questão. bem como os entes despersonalizados que desenvolvem atividade de produção ou prestação de serviços. Nesse sentido. constituído pela União. online) destaca ainda: “A legitimidade ad causam do Estado para figurar no polo passivo da relação processual em função de sua responsabilidade objetiva na culpa da administração ou na falha do serviço prestado pelos órgãos públicos por meio de seus prepostos é incontroversa”. Embora exista tal impasse. 2004. p. Explica a autora citada que a Lei nº 8. justifica-se então a responsabilidade do mesmo. causarem a terceiros. incluindo no conceito de fornecedor. em caso de culpa ou dolo. sendo sua responsabilidade objetiva com direito a regresso contra o autor do dano. certa resistência em reconhecer que a relação médico e paciente possa ser regulada pela lei consumerista. tanto pode atuar no campo do direito público como no do direito privado. 49-50). dispõe que “a natureza personalíssima da atuação profissional do médico não caracteriza relação de consumo”. toda pessoa física ou jurídica. nessa qualidade. necessita-se inicialmente esclarecer que o código de ética médica em seu capítulo I. Outro dispositivo importante a ser verificado dentro da esfera cível é o Código de Defesa do Consumidor (CDC). sob a alegação de não tratar se relação de consumo. é pessoa jurídica de Direito Público.078/90 dispõe sobre a . lei que tem por fim reger a relação jurídica entre consumidor e fornecedor. Brandão (2016) apud Hely Lopes Meireles (1991) esclarece: “como ente personalizado. Esclarecem-se os conceitos de consumidor e fornecedor de acordo com a lei consumerista: Define o art. em seu inciso XXI. Verifica-se então que o Estado também será responsabilizado quando seus agentes causarem danos a terceiros em exercício da função. Amaral (2012) inclusive relata que existe.Dispõe o art.

Ante ao exposto.3 Responsabilidade médica na esfera penal Enquanto na responsabilidade administrativa o médico.]”. onde exige se para a caracterização da responsabilidade a comprovação de culpa. Amaral (2012). independente da existência de culpa. Sob esse mesmo viés. Por fim. p. confirmando as palavras da autora supracitada. considera-se responsabilidade médica penal “a obrigação para os médicos de sofrer as consequências de faltas por eles cometidas no exercício da arte. de maneira que nem todas as disposições do Código de Defesa do Consumidor são diretamente aplicáveis”. sofre punições administrativas. adverte Amaral (2012) que “o contrato de prestação de serviços médicos é um contrato de consumo peculiar. ao cometer um dano a seu paciente. o médico também é responsabilizado pelo dano causado a outrem. ao passo que a clínica ou hospital responderá de forma objetiva [. restaurando lhe o direito ora violado por sua conduta ilícita. Na responsabilidade penal. entende-se que existe no CDC a responsabilidade médica de forma subjetiva. o lesante deverá suportar a respectiva repressão. terá este responsabilidade baseada na culpa.70). Para Lacassagne (1996. expõe: “O fornecedor de serviços responde. faltas que podem originar uma dupla ação – civil e penal”. p. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação de serviços. podendo inclusive perder o direito a exercer sua profissão. . isto é. Acrescenta Amaral (2012. em seu artigo 14. afirma: Na responsabilidade penal. o dever de reparar o dano recairá sobre sua própria pessoa. bem como por informações insuficientes e inadequadas sobre sua fruição ou risco”. podendo ser punido inclusive com sua própria liberdade. 14 da Lei nº 8. decorrente de um ato específico de seu exercício profissional que viola um dispositivo de ordem penal”.2.. O caput do art. ao passo que na responsabilidade civil. deve reparar o dano causado ao paciente. na responsabilidade civil. 651).66): “Mas caso este médico venha futuramente a se filiar a uma clínica ou hospital. Segundo Pacheco (1991.078/90. aquele ficará com a obrigação de recompor a posição do lesado. 1..responsabilidade pessoal dos profissionais liberais [incluindo o médico]. indenizando-lhe os danos causados. p. há responsabilidade “quando ocorre uma ação ou omissão.

tratar-seá da responsabilidade penal subjetiva. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”. JESUS. desde que comprovado o nexo entre a causa e efeito. de acordo com entendimento de Irani Novah Moraes (2003). como negligência. pode a conduta ocorrer por meio do dolo direto ou indireto. Diferentemente da esfera civil. quando observados os parâmetros estabelecidos pela doutrina médica e pela ciência. além da constatação de uma ou mais falhas por parte do médico.. da seguinte maneira: Art. com fundamento na simples casualidade objetiva. o principal dispositivo que dá sustentação a esse entender. Deve ser observado ainda. segundo esse principio. que se fundamenta na teoria da culpabilidade incompatível com presunções legais. 13 do Código Penal. se faz importante destacar também acerca da conduta do médico. O artigo 18 do Código Penal traz a definição de crime doloso e culposo. a responsabilidade subjetiva. Segundo o mesmo autor. É inadmissível no estado atual do Direito Penal brasileiro. adotando. . que pode ser dolosa ou culposa. [. 107): Entende se que a responsabilidade subjetiva e resultado causado dolosa ou culposamente são noções que caminham juntas. O sujeito. 82) Não fazendo parte do contexto ora estudado a responsabilidade objetiva. o erro médico se caracteriza pela presença de dano ao doente. de que depende a existência do crime. Enquanto dolosa. 2006. destaca-se as palavras de Chamon Junior (2003. qual seja o art. responde pelo crime tão-só em face da realização da conduta. Acidentes ou “defeitos” na cadeia casual de uma ação – não imputáveis a título de culpa – estão fora da responsabilização subjetiva. p. 18 – Diz se o crime: I – doloso. Para tanto.119) cita: “para nos inteirarmos da noção de culpa. (DAMASIO E. Este dispõe: “Art.. certamente não se causa dano à vida do paciente. portanto. p. Segundo este entender. quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. cumpre partir da concepção do fato violador de uma obrigação (dever) preexistente”. p. somente é imputável a quem lhe deu causa.E ainda. imprudência ou imperícia. no Direito Penal não se admite a responsabilidade objetiva. Tendo esclarecido que a responsabilidade penal do médico será sempre subjetiva. O dolo e a culpa são presumidos pelo legislador. Dias (1995. Para que se esclareça: Responsabilidade penal objetiva significa aplicação da pena sem dolo ou culpa.] somente é responsável aquele que por ato seu dá causa a um resultado ao menos imaginável. 13 – O resultado.

. p... Então percebe ser a imprudência um agir sem as devidas precauções. bem como quando quis o resultado.. entretanto. Voltando ao crime culposo. Para Jorge Henrique Schaefer Martins (online): “São crimes dolosos aqueles onde o agente tem deliberadamente a intenção de produzir o resultado (dolo direto). segundo Aníbal Bruno. 73): No eventual. tendo-o previsto. supôs levianamente que não se realizaria. p. 243).] deixando de empregar a atenção ou diligência de que era capaz em face das circunstâncias. 18. Já o dolo eventual. senão quando o pratica dolosamente.] ocorre quando o agente. trata-se da vontade de realizar uma conduta e produzir o resultado. ou. mas só como possível. ressalta-se como imprudência. inciso II. por outro lado. Mirabete (2001. p. mas apenas ao ato inicial. Assim. militando. de acordo com Capez (2005). embora não desejando o resultado. 139) explica: [. O dolo direto. Noronha (1979. sem os cuidados que o caso requer.II – culposo. a prática de um ato perigoso. a desistir da conduta. pode-se definir o dolo como a consciência e a vontade na realização da conduta típica. pela vontade. A vontade é querer alguma coisa e o dolo é a vontade dirigida à realização do tipo penal. do Código Penal)” (grifo do autor). 140). diz o mesmo autor: “Crimes culposos. e o resultado não é representado como certo. não previu o caráter delituoso desta. Parágrafo único – Salvo os casos expressos em lei. p. ninguém pode ser punido por fato previsto como crime. a vontade do agente não se dirige propriamente ao resultado. Tendo sido o crime culposo considerado pelo Código Penal como aquele resultante da imprudência. que nem sempre é ilícito. assume o risco de vir a produzi-lo (dolo eventual)” (grifo do autor). Mas o agente prefere que ele ocorra. “[. imperícia ou negligência. considera como seriamente provável que sua conduta poderá realizar o tipo penal previsto e concorda com sua possibilidade”. quando o agente deu causa ao resultado por imprudência.. negligência ou imperícia. negligência ou imperícia (art. conforme ensinamentos de Leal (2004. ocorrendo quando o agente quer diretamente o resultado. consubstanciam-se naqueles onde o agente deu causa ao resultado por imprudência. acerca do mesmo assunto. Acerca do crime culposo. em inescusável erro de fato. E ainda para Bruno (1967. ou seja. ou aqueles onde o agente apesar de não pretender o resultado. destaca: Toda ação consciente é dirigida pela consciência do que se quer e pela decisão de querer realizá-la.

considera-se que o médico agiu por negligência quando deixou de observar a conduta e os deveres necessários à determinada atividade. segundo o art. §§ 3º e 4º. será o médico ou profissional da saúde julgado por sua conduta. Assim.Enquanto a imprudência é agir sem cuidado. se condenado por homicídio culposo. a negligência é não fazer tudo o que era necessário para o bom resultado. entre outros. a imperícia trata-se basicamente da falta de aptidão no desempenho da profissão. Desta forma. omissão de notificação de doença. também com aumento de um terço. 129. Doutrinariamente falando: “A imperícia consiste. §§ 6º e 7º. 95). imprudência ou imperícia. 121. onde se encontram as infrações e sanções. após instauração do processo. por fim. . desatenção. descrevendo como cada legislação trata da responsabilidade médica. A ação penal responsável que se dá em face do médico faltoso é de iniciativa do Ministério Público. bem como demais informações pertinentes ao tema. com o aumento de um terço por inobservância de regra técnica ou omissão de socorro. na inaptidão técnica. pode ao médico ser imputado. desobrigação consciente ou inconsciente do labor profissional. De modo geral os erros médicos costumam ser culposos. De acordo com Gomes (2006). poderá o médico receber pena de detenção de 01 a 03 anos. tenha ela ocorrido por qualquer das modalidades ora mencionadas. violação de segredo profissional. há de se destacarem todos os dispositivos que vêm a dispor acerca da atividade médica. na ausência de conhecimentos para a prática de um ato ou a omissão de providência que se fazia necessária” (PACHECO. conforme art. p. ocorrendo na maioria das vezes por negligência. por inobservância de regra técnica ou omissão de socorro. E. sobretudo. 1991. os crimes de homicídio. Amaral (2012) explica em seu trabalho monográfico que. Panasco (1984) explica que a negligência é abrangente de outras sinonímias como o descuido. após tomar conhecimento do crime. imprudência ou imperícia. lesão corporal. Trata-se de Ação Penal Incondicionada. 2 LEGISLAÇÃO PERTINENTE SOBRE A ATIVIDADE MÉDICA No segundo capítulo. e pena de detenção de 02 meses a 01 ano. como a negligência. conforme o tipo de conduta.

visualiza-se que não se pode violar a intimidade. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. 37. Ocorre que tal direito muitas vezes é violado. Ao ser violada uma norma constitucional. causa um dano material ou moral a um paciente. a veracidade das alegações. e ainda na esfera administrativa. ferindo então um dispositivo constitucional. Não deixando de observar. assegurando à vítima o direito à indenização.. Junto à dignidade da pessoa humana são assegurados os direitos fundamentais e posteriormente os direitos sociais. 37. quando um paciente sentir que seus direitos constitucionais foram violados pela conduta médica. bem como no art. contudo. Assim sendo. a previsão constitucional para a responsabilização do mesmo encontra-se positivada no art. 5º em seus incisos V e X. proporcional ao agravo. moral ou à imagem. e a efetiva caracterização da má prática médica. a honra e a imagem.. §6º.. sem o qual não faz sentido nenhum outro. Assim sendo. pode também sofrer sanções na esfera penal.1 Constituição Federal de 1988 A responsabilidade médica possui fundamento em diversos dispositivos.] V – é assegurado o direito de resposta. a vida privada. de forma que todas as ações devem a ela observar.. diante da incompatibilidade entre sua conduta e o código de ética médica. XXI. a honra e a imagem das pessoas. deve indenizá-lo. Tratando-se do erro médico. O artigo 5º dispõe: [. Um dos direitos fundamentais é o direito à vida. quando um médico. este dispõe: (.] X – são invioláveis a intimidade. por má prática.2. inciso XXI. §6º. a Constituição propõe diferentes dispositivos positivando os direitos mencionados.. Tratemo- nos primeiramente da Constituição.) . A constituição prima antes de tudo pela dignidade da pessoa humana. inclusive pela má prática médica. [. Desta forma. Diante da descrição do mencionado dispositivo. além da indenização por dano material. poderá pleitear ação de indenização para que possa ser ressarcido pelo médico dos danos a ele causados. Se sua conduta configura crime.. fica expressa a necessidade de responsabilização daquele que comete a violação. Quanto ao art. a vida privada.

As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes nessa qualidade. Segundo disposições da própria lei. p. a nosso ver. sobre a qual afirma: A culpa. É o que dispõe o parágrafo ora mencionado. Nesse sentido. laboratórios. O erro médico. em sentido estrito. Geralmente os crimes praticados por médicos no ato da profissão são crimes culposos. do resultado e do nexo da causa e efeito que deve existir entre a conduta e o resultado”. 144): . ou negligência. em que o médico não possuía a vontade de produzir aquele resultado.§ 6º . esclarece Mirabete (2010. por ser mais técnica e precisa. p. que ele não deseja. da conduta. 222): “O elemento intelectual do dolo é a consciência do fato. negligência ou imperícia. 1988). p. a falta de cuidado do agente. Esse dispositivo surgiu como uma garantia ao terceiro prejudicado. Enquanto que para classificar-se como culposo. p. mas também os meios necessários e as consequências secundárias de sua atuação”. (TELES. poderá resultar em crime. se configurado por motivos como a negligência. 2. clínicas médicas. quando o agente encontrar-se em função pública. Ainda sobre o dolo. mas que. 1958. nem aceita. a às vezes nem prevê. expressão que preferimos.2 Decreto Lei nº 2. inclusive o Estado.848 de 07 de Dezembro de 1940 (Código Penal) Outro dispositivo onde se encontram positivadas sanções ao médico faltoso é o Código Penal. observam-se as palavras de Teles (1958. disponibilizado o direito de regresso contra o autor do dano. poderão também ser responsáveis os hospitais. imperícia ou imprudência. é. além de evitar confusões desnecessárias. assegurando o direito de regresso contra o responsável no caso de dolo ou culpa (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FERATIVA DO BRASIL. causarem a terceiros. O mesmo autor faz referência também à conduta culposa. o resultado deve ser proveniente da imprudência. 225) Já para Noronha (1979. Assim. entende-se que para que seja um crime classificado como doloso deve haver a vontade do agente em obter aquele resultado. numa situação em que ele pode prever a causação de um resultado danoso. 126): “o dolo inclui não só o objetivo que o agente pretende alcançar. com seu comportamento produz.

abreviando o conceito. Esse resultado é a meta. observando que o agente possui o dever jurídico de evitar a morte da vítima. arte ou ofício. é mister que seja querido. que dolo é a vontade de executar um fato. ou em sendo culposo. Deve-se atentar. por isso. o fim que o sujeito ativo busca com sua atividade consciente dirigida. que quando o crime for resultado da inobservância de regra técnica de profissão. Pena . de amador. de dois meses a um ano. 84): A qualificadora só é aplicável a profissional.611.. de 1965). De acordo com Mendes (2006).(. por exemplo. CP: “Art. ou se o agente deixar de prestar socorro à vítima. ele será punido por homicídio segundo o art. segundo o qual mantém pena de reclusão de seis meses a 20 anos. Quando o erro médico resulta na morte do paciente. cujo risco nem sequer foi assumido”. sobrevém um resultado ilícito não querido. Quando se trata. Noronha (1946) explica que não se refere apenas a uma ofensa ao corpo. o mesmo será punido pela conduta de lesão corporal culposa. devendo o julgador realizar um trabalho de adequação à figura típica. mostrando-se mais grave o seu descumprimento. Esclarece ainda Denis Caramigo (2015): “No homicídio culposo há uma ação voluntária dirigida a uma atividade lícita. porém. aponta Greco (2011. . 129. p. tipificada no art. pena de detenção de um a três anos. referindo-se ao homicídio culposo qualificado. não procurar diminuir as consequências de seu ato. p. Acerca da lesão corporal. é o que dispõe o art. existem outros crimes que podem ser resultantes do erro médico. pela quebra do dever de cuidado a todos exigido. haja vista tratar-se de tipo penal aberto”. ou foge para evitar prisão em flagrante. o homicídio refere-se à eliminação da vida de uma pessoa. Além do homicídio e da lesão corporal. contudo. 121 CP. A incidência da qualificadora significaria aplicar pena agravá-la diante da mesma circunstância.” Nesse viés. o grau de censurabilidade da inobservância do dever de cuidado não vai além do que normalmente se exige para a existência do crime culposo. tanto sob o ponto de vista anatômico. 299): “Exige-se […] que estejam presentes todos os requisitos necessários à configuração do delito culposo. como sob o fisiológico ou mental.detenção. Nesse contexto. podendo ocorrer por ação ou omissão.. observa se a visão de Damasio (2005. 129. mas em lesão ao paciente. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: § 6º Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4. §6º.) para agir com dolo não basta que o evento tenha sido previsto pelo individuo. 121 §3º. uma vez que somente nessa hipótese é maior o cuidado objetivo necessário. Quando o erro médico não resulta em morte. sua pena poderá ser aumentada de um terço. mas também à regularidade funcional do organismo humano. Costuma dizer-se.

deveria saber. coloca a responsabilidade médica sobre a ótica da ponderação. Deve-se então haver fiscalização. e os Conselhos de Medicina para cuidarem da aplicação das normas. o mais pertinente ao estudo do erro médico é o capítulo III. que dispõe sobre a responsabilidade profissional. é preciso que sejam impostas normas e limites. Dentre os dispositivos que fazem parte da legislação médica mencionada. mas quem descura aquela norma que todos os outros observam. do preâmbulo do código de ética médica.3 Código de ética médica Os atos médicos não podem ocorrer segundo a própria vontade médica. (Resolução CFM Nº 1931/2009) No sentido ora mencionado. utilizado pelo procurador geral da Corte de Apelação de Milão. 2. 1º do referido capítulo aduz: “É vedado ao médico: Art. Como instrumento para a imposição de normas aos profissionais da medicina. por todos os meios ao seu alcance. a lesão corporal. Itália. bem como punir o médico faltoso. caracterizável como imperícia. pelo perfeito desempenho ético da Medicina e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exerçam legalmente”. mas aquele que os utiliza sem necessidade. ordinariamente. Manual de ética em ginecologia e obstetrícia (online) destaca: Não é imperito quem não sabe. não é negligente quem descura alguma norma técnica. cabendo-lhes zelar e trabalhar. (Resolução CFM Nº 1931/2009) Segundo informado no inciso I. imprudência ou negligência”.Assim dispõe Gomes (2006. 43): “Dentre os crimes previstos na legislação penal brasileira que podem ser cometidos pelo médico durante a atuação da medicina. p. podemos citar o homicídio. adota-se o código de ética médica. não é imprudente quem usa experimentos terapêuticos perigosos. ou qualquer atividade que se utilize do conhecimento advindo do estudo da medicina. Fiscalização esta que irá buscar coibir o erro médico. 1º Causar dano ao paciente. Considera-se então “que os Conselhos de Medicina são ao mesmo tempo julgadores e disciplinadores da classe médica. . Esse argumento. neste contém normas que devem ser seguidas pelos médicos no exercício de sua profissão. O art. a violação de segredo profissional. a notificação de doença entre outros”. mas aquele que não sabe aquilo que um médico. por ação ou omissão.

(BRASIL. . O descumprimento a essa vedação. quando for de sua obrigação fazê-lo. inclusive pode vir a caracterizar como omissão de socorro e ser punida não só pelo Conselho de Medicina. cabe observar também acerca do dever de informar. expondo a risco a vida de pacientes. que quando descumpridas caracterizam-se como crime tipificadas no código penal. cabe observar que os tipos penais podem ser encontrados não apenas no próprio Código Penal. homicídio.7º. mesmo respaldado por decisão majoritária da categoria”. (Costa. 12 do Código de Ética Médica de 2009: “Deixar de esclarecer o trabalhador sobre as condições de trabalho que ponham em risco sua saúde. da medicina veterinária e das profissões de farmacêutico. etc. sob forma de vedações. temos o crime de omissão de socorro. lesão corporal. conforme expresso no art. que diz ser vedado: “Deixar de atender em setores de urgência e emergência. Além das vedações já expressas. parteira e enfermeira. e que seus pais ou responsáveis tenham tal conhecimento. como também no código de ética.No decorrer do capítulo III seguem as demais responsabilidades do médico. 1932. 1998) E acrescentam os autores: “O dever de informar é imperativo como requisito prévio para o consentimento. Os crimes praticados pelo médico já foram correlacionados no item anterior. e estabelece penas. O consentimento pleno e a informação bem assimilada pelo paciente configuram numa parceria sólida e leal sobre o ato médico praticado. Dentre as condutas vedadas no código de ética. ele tem o direito de ser informado e esclarecido. principalmente a respeito das precauções essenciais. 2. Oselka e Garrafa. como também por nossa legislação penal. p. omissão de notificação de doença.931/32.4 Decreto nº 20. Destacando-se o art. Mesmo que o paciente seja menor de idade ou incapaz. 1). da odontologia. devendo comunicar o fato aos empregadores responsáveis”. violação de segredo profissional. Sobre o dever de informar destaca-se: É fundamental que o paciente seja informado pelo médico sobre a necessidade de determinadas condutas ou intervenções e sobre os seus riscos ou consequências. no Brasil. Entretanto. O Decreto em questão inicialmente surge para regular e fiscalizar o exercício da medicina.” Ante ao exposto foi possível verificar condutas médicas que quando realizadas configuram-se como tipo penal previsto em nossa legislação.

a multa será duplicada a cada nova infração. a critério da autoridade atuante. escolhidos um pelo ministro da Educação e Saúde Pública. 42 do Decreto 20. poderão ser suspensos do exercício da sua profissão pelo prazo de seis meses a dois anos. Assim é relatado que a penalidade será imposta no Distrito Federal pelo diretor geral do Departamento Nacional de Saúde Pública. O primeiro dispositivo a trazer sanções ao médico. trazendo deveres e vedações quanto à atividade médica. 1932) Outro dispositivo que impõe sanção aos profissionais da saúde é o art. que estabelece: “Os médicos. e nos Estados pelo respectivo diretor dos serviços sanitários. depois de inquérito administrativo apreciado por três profissionais de notório saber e probidade. conforme a sua natureza. e se exercem função pública. por se tratar de questões de tamanha relevância para a sociedade em geral. um pelo diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública e um pelo diretor do Departamento Nacional do Ensino. verifica que o surgimento do Decreto em questão se deu diante da necessidade de regulamentação.000$ a 5. Parágrafo único. vem o art.000$. ele traz a previsão de multa para os casos de descumprimento das disposições presentes nesse dispositivo. os artigos 15 aos 23. Sabe-se que o erro médico é grave. (BRASIL. neste feito. veterinários. cirurgiões dentistas.O mencionado dispositivo reserva exclusivamente às disposições concernentes ao exercício da medicina. razão esta que não permite que a legislação seja omissa. ou haverá inúmeras violações aos direitos humanos. Nos casos de reincidência na mesma infração dentro do prazo de dois anos. serão demitidos dos respectivos cargos”. farmacêuticos. fiscalização e efetividade das atividades direcionadas a saúde. enfermeiros e parteiras que cometerem falta grave ou erro de ofício.931/32 é o artigo 11. um pelo diretor do serviço sanitário e um pelo juiz seccional federal. 42 A infração de qualquer dos dispositivos do presente decreto será punida com a multa de 2. a violação ao direito à vida. Em qualquer caso da aplicação da penalidade cabe recurso para o ministro da Educação e Saúde Pública. após inquérito administrativo procedido por uma comissão de três profissionais. é que foram criados todos os dispositivos citados. Art. Na busca de manter uma boa conduta médica. sem prejuízo das penas criminais. bem como resguardar os direitos dos pacientes. 13 destacar o procedimento acerca da imposição da pena. Na sequência.931/32. . escolhidos um pelo secretário do Interior do Estado. Estas penalidades serão discriminadas em cada caso no regulamento. Ante ao exposto. dentro do Decreto nº 20. conforme se verifica a seguir: A penalidade de suspensão será imposta no Distrito Federal pelo diretor geral do Departamento Nacional de Saúde Pública. como o mais fatal.

portanto. São diversos os casos de erros médicos que chegam ao poder judiciário. a título de dano moral. sendo todos eles provados pela autora da ação. constituindo-se em fato que foge à normalidade do dia-a-dia e. apesar de considerarem a sentença correta quanto ao mérito. onde existe um erro de diagnóstico por parte do médico. o fato causou evidente abalo psicológico. Nº do processo: 0121571-23. . que condenou solidariamente a Clínica Ginecológica Cecília Leão e a médica Vera Maria Torres a pagarem a indenização.3 ERRO MÉDICO E O ENTENDER JURISPRUDENCIAL Inicia-se agora. O que. “Inobservado o procedimento devido. br. Na 1ª Instância. Médica e clínica terão que pagar indenização por erro médico Um casal receberá R$ 10 mil de indenização. evidente que a ‘angústia e o transtorno psíquicos impostos aos autores pelo equívoco resultado do exame da 1ª autora. de forma que o valor da indenização foi abaixado para se fazer proporcional ao dano. Todos recorreram e os desembargadores. Ortopedia e Reabilitação de São Bernardo do Campo. Segundo o relator do processo.19.2006. por suposto erro de conduta médica praticado pelo Instituto de Fraturas. um levantamento jurisprudencial. segue agora outra situação: Justiça nega pedido de indenização por erro médico A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo negou ontem (5) pedido de indenização a S. ela descobriu que o resultado estava errado. A ação foi ajuizada após a noiva fazer um exame preventivo e o laudo do laboratório diagnosticar doença sexualmente transmissível. destacou o desembargador. ser indenizado. afeta o bem-estar da pessoa’. ao realizar exames com outro médico. decidiram diminuir o valor da verba indenizatória para atender aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.8. e foi ainda observado a proporcionalidade do dano à penalização do médico. no qual constou ser portadora de doença sexualmente transmissível. desembargador Mário dos Santos Paulo. causou à vítima dano moral. por erro em exame ginecológico às vésperas do casamento.19. são inequívocos. A decisão é da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio.T. portanto. para fins de conhecimentos práticos acerca da responsabilização em face de erros médicos.J. Deve-se observar que para tal configuração foi analisada a presença dos pressupostos para a caracterização do erro médico. 2011) O caso em tela retrata uma situação clara de erro médico. angústia e desestabilização emocional ao casal.0001 e 0143208-30. em outro laboratório. No entanto.2006. assim como ao caráter punitivo-pedagógico. como acentua o eminente julgador monocrático”. segundo a 4ª turma do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.com. O erro do médico acabou por culminar em abalo psicológico para a vítima. merecendo.0001 (âmbito jurídico.8. bem como uma situação de muita angústia. as rés foram condenadas a pagar R$ 20 mil de indenização por dano moral.

Para o relator do processo. Mesmo após a sua realização. entenderam os julgadores que não havia que responsabilizar o hospital. que o hospital só responde objetivamente quando comprovada a culpa do próprio hospital. É certo que a sentença combatida trouxe adequada solução à questão em debate. que lhe informaram sobre a presença de uma bactéria em seu pé. conforme evidenciado no trecho acima.J. procurou os diretores do hospital. O hospital somente responderá objetivamente se ficar demonstrada a culpa do corpo clínico que procedeu ao atendimento. experimentou dissabores. não se cumpre os pressupostos exigidos. em setembro de 2006. o que.T. que lhe recomendaram uma terceira cirurgia. . concluiu. e a autora não conseguiu comprová-la. para a extração de uma joanete. Qualquer acréscimo que se fizesse a seus bem deduzidos fundamentos constituiria desnecessária redundância”.com. mas os médicos alegaram que não havia mais nada a fazer. segundo os elementos constantes nos autos. em virtude do mau atendimento médico prestado.2007.J. restou verificado no presente caso. Os desembargadores Rui Cascaldi e De Santi Ribeiro também participaram do julgamento. de forma que não deu provimento a apelação da vitima. Ademais.S. A paciente sustentou em sua ação que teve prejuízos financeiros e perdeu muitas horas de trabalho. conforme ocorreu. S. Apelação nº 9070005-50. retornou ao estabelecimento. quando lhe foi prescrita uma segunda cirurgia para a colocação de enxerto. quando foi informada sobre o vazamento de líquido espinhal. Não alcançado o sucesso esperado. sem a colocação de qualquer enxerto. a invocação de tal responsabilidade não dispensa a prova da culpa na prática do ato danoso. onde a vítima passou por diversos problemas devido a erros de procedimento do médico. Diante da gravidade do fato. apelou da decisão.8. acompanhando o voto do relator e negando provimento ao recurso. afirmou que. foi submetida a uma cirurgia no pé direito. contudo.br 2011) Este caso trata-se de um pedido de indenização por erro médico. o sintoma de dor ainda persistia. serrando dois dedos do pé direito. A vítima acresceu ao pólo passivo na ação o hospital. sob os cuidados de profissional integrante do corpo médico do hospital. “A prestação de serviços médicos deve se dar de forma extremamente atenta e completa. a autora chegou a procurar outros médicos. merecendo ser integralmente confirmada.26. Obteve alta médica. Atribuiu responsabilidade ao hospital e pediu o pagamento de indenização pelos danos materiais e morais suportados. que ocasionou sua demissão. Não sendo então configurada a culpa. de forma a não ser caracterizado o erro. valendo-se o corpo de prepostos do apelado de todos os meios adequados para tanto. mas se dirigiu a outro hospital para o tratamento de uma dor de cabeça. Ocorre. nesses casos. desembargador Helio Faria. Fica evidenciado o que já foi observado no decorrer do presente feito. que se deve haver culpa para que possa responsabilizar o hospital. No dia em que seria realizado o procedimento o médico informou que faria a cirurgia de maneira diversa. Ainda sem êxito quanto aos resultados da segunda cirurgia e queixando-se de dores no pé operado.T.0000 (Âmbito Jurídico. Portanto. Insatisfeita. A decisão da 6ª Vara Cível de São Bernardo do Campo julgou a ação improcedente.

por julgarem que não foi comprovado que a conduta dos médicos tenha causado a morte da criança. o qual. A magistrada observou. Ademais. a mãe (autora) procurou um dos médicos réus (clínico geral) na ação de indenização em virtude de sangramento vaginal. realizou a cesariana para salvar a autora e o filho. portanto. o procedimento cirúrgico foi realizado no . houve inobservância do dever e falta de tomada de precauções necessárias com relação às hemorragias sofridas. Desembargador Paulo Roberto Lessa Franz. e a gestante foi então encaminhada à ginecologia-obstetrícia. Apelação A gestante apelou ao TJ alegando imprudência e negligência por parte dos médicos. Para a Juíza Taís Culau de Barros. com o auxílio de outro médico. o especialista constatou a existência de uma infecção vaginal e decidiu medicá-la. com auxílio de um anestesista. O resultado do exame apontou que o feto se encontrava em situações normais e a gestante foi liberada. A hemorragia. pois a realização da cesariana naquelas condições poderia implicar em contaminação pela infecção existente. face aos riscos inerentes à criança e à mãe. uma vez que não há evidências de urgência dias antes. deve-se ter presente que a obrigação destes profissionais é de meio e. colocando em risco a vida do feto e da própria mãe. sendo que somente efetuaram a cesariana naquele momento em razão da total urgência. ainda. reapareceu. Não podendo atender a paciente por problemas de saúde. entendo que eles cumpriram-na. a autora estava acometida por infecção vaginal. concluiu a Juíza ao negar o pedido de indenização da autora. pois a situação era alheia à sua vontade. da Comarca de Carazinho. reapareceu alguns dias depois. No 7º mês de gestação. A intervenção cirúrgica não era recomendada antes da recuperação da infecção vaginal. e o clínico geral foi contatado com urgência. “Além de não se mostrar o procedimento indicado para o quadro clínico apresentado em um primeiro momento. A autora sustentou ainda que os médicos não diagnosticaram a tempo a origem dos sangramentos. sendo que somente foi realizada em razão do quadro de urgência que se emoldurou naquela madrugada”. diante das circunstâncias fáticas delineadas ao longo do feito. O sangramento. cercando-se dos cuidados necessários. os réus. entende estar cabalmente comprovado que a cesariana não ocorreu de forma tardia. era necessário restabelecer o quadro de saúde da autora. E afirmou que não foram provados os fatos que justificariam a postergação da cesárea. que a ausência do clínico geral no momento da cesariana não caracteriza descaso ou desleixo com a paciente. ao verificar a situação de urgência. as quais provocaram a morte do bebê. no entanto. novamente indicou o obstetra. O médico determinou a baixa hospitalar da paciente e solicitou a feitura de uma ecografia. “fica visível o pronto atendimento prestado pelo réu obstetra. Com efeito. Com efeito. o que tornava arriscado a realização do procedimento cirúrgico (que até então era desnecessário). “Fica translúcido que os réus agiram cautelosa e diligentemente. Os Desembargadores mantiveram sentença de da Juíza Taís Culau de Barros. Segundo ela. pois fizeram tudo o que lhes estava ao alcance”. que não houve negligência dos réus. porém.Negada indenização por erro médico à mãe que perdeu bebê em cesariana A 10ª Câmara Cível do TJRS negou pedido de indenização por suposto erro médico a mãe que perdeu bebê em cesariana. E afirmou que a cirurgia não se realizou tardiamente. O relator. Nota-se. que decidiu realizar uma cesariana de urgência. Ao examiná-la. imediatamente dirigiu-se ao nosocômio e. Conforme o ginecologista. a toda evidência não tiveram culpa pelo óbito do recém nascido.

em razão da perda de seu filho”. conforme o caso narrado pelo portal Âmbito Jurídico. quando emoldurado o quadro de urgência pela intensificação do sangramento”. Ressaltouse então que o dever do médico é de meio e que nesse caso ele fez o que pôde para salvar a vida da mãe e filha. Henrique Monat. ressaltou. Para a desembargadora Leila Albuquerque. Zona Oeste da cidade. De acordo com esta. O magistrado vota pela improcedência da apelação. tendo sido atestada a previsibilidade de sua ocorrência”. acerca do erro médico: Município do Rio terá que pagar indenização por erro médico em posto de saúde O Município do Rio foi condenado a indenizar uma mulher que perdeu parcialmente a capacidade de movimentos do braço direito após tomar vacina contra febre amarela em um posto de saúde. A decisão é da 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio. O dano ocorreu devido à aplicação incorreta da vacina no Posto de Saúde Dr. pois não há nexo de causalidade entre a conduta dos médicos requeridos e a morte da criança. relatora do processo. destaca-se uma situação diferente das já descritas. houve descaso médico e imprudência. 2009) Neste caso. pois antes do momento do fato já havia procurado o médico por outras duas vezes por estar com sangramentos e ainda assim não foi seu problema solucionado. contudo. em Vila Kennedy. vindo a perder seu bebê na hora do parto.momento adequado. não podendo então atribuir ao médico a culpa pelo resultado. neste caso. que não houve imprudência médica nem tampouco descaso. Catia Cilene Reglo vai receber R$ 30 mil de indenização por dano moral. A vítima alega erro médico. Entenderam. o que houve foi uma complicação do quadro clínico da vítima.com. não foi possível salvar a filha. a juíza e demais julgadores. fato este.br . As reações adversas acentuadas apresentadas estão diretamente relacionadas à aplicação da vacina no Posto de Saúde do Município. Entretanto. que independe do médico. “O caso fortuito ou força maior que pode excluir a responsabilidade é aquela que não guarda conexidade com o evento. é dever do Município reparar os danos suportados pela autora. ressalva. “embora não se desconheça a dor e o sofrimento suportados pela autora. não sendo o que se verificou no caso da autora. Os Desembargadores Jorge Alberto Schreiner Pestana e Túlio de Oliveira Martins acompanham o voto do relator. . obrigação de resultado. Proc: 70028308922 (Âmbito jurídico. atividade inerente à atuação do ente público. já que sua obrigação não era. além de pensão mensal de 20% do salário mínimo. Apresento agora outra posição jurisprudencial.

a esposa de um agricultor que faleceu devido a erro médico no Hospital da Restauração (HR). Contudo. ao classificar a conduta como erro médico. que concluíram que a idade média do brasileiro. ele foi novamente transferido. Neste caso. "Percebe-se claramente a existência dos requisitos para a imputação da teoria da responsabilidade civil do Estado por má prestação do serviço público. afirmando que é necessário haver prova para a responsabilização decorrente da negligência hospitalar. foi transferido para o Hospital Regional do Agreste. Estado é condenado a indenizar família de homem que morreu devido a erro médico no HR. o Estado deverá pagar pensão vitalícia no valor de um salário mínimo. Ela relatou que o marido foi encaminhado ao Hospital de Quipapá. tendo alta médica ocorrido de forma precipitada. e que o paciente precisaria de cuidados hospitalares por mais tempo. imprudência e imperícia. Porém. tendo sido comprovada a conexão entre a atividade do médico com o resultado na vítima. . Além disso. Assim. 2010) Nesta situação observa-se que houve erro médico por parte da equipe que aplicou a vacina na mulher. De acordo com a viúva. o magistrado considerou improcedente a alegação de afastamento de responsabilidade do Estado. desrespeito. "A pensão deve ser paga à viúva do dia do falecimento da vitima até a data em que esta completaria a idade de setenta e quatro anos e seis meses".8. que acabou colidindo com outra. proferida pelo juiz José Viana Ulisses Filho. Já em relação ao requerimento de pensão vitalícia. tendo como marco inicial a data da morte até o dia em que a vítima completaria setenta e quatro anos e seis meses. tendo recebido alta hospitalar cinco dias depois da operação cirúrgica e vindo a óbito no dia 20 de setembro de 2009. desta vez para o Hospital da Restauração. foi publicada no Diário de Justiça Eletrônico da última sexta-feira (25/07). responsabilizou o Estado a pagar indenização por dano moral pelo erro médico. a ocorrência do erro médico. em virtude da gravidade dos ferimentos. Foi este o entendimento da desembargadora Leila Albuquerque. entretanto que a vítima foi vacinada em um posto de saúde.0001 (online. ou seja. As partes podem recorrer da decisão. A viúva disse que a perícia médica atestou como causa da morte do marido um traumatismo crânioencefálico hemorrágico aberto e ocorrências de irregularidades. oito horas após a liberação. mas. abusos. no Recife. negligência.19. como não havia neurologista na emergência. em danos morais. analisa os pressupostos já mencionados. Baseado em jurisprudência de instâncias superiores. A sentença.2004. de forma que deve responsabilizar o Estado. a vítima foi submetida a uma cirurgia. O Estado de Pernambuco contrariou as alegações da autora da ação. extremamente delicada.Nº do processo: 0014611-14. evacuação e drenagem mais reconstituição craniana. disse.6 anos. é de 74. Outra vez visualiza-se que a jurisprudência. o agricultor sofreu um acidente enquanto trafegava em sua motocicleta. No HR. tratando-se de atendimento público. verifica-se um erro por parte da administração pública. o juiz José Viana se baseou em pesquisa procedida por órgãos de previdência social do país e dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). segundo o laudo pericial. é possível concluir que o traumatismo craniano se deu pela realização da cirurgia. chamada de craniotamia descompressiva com aspiração. Observa-se. em Caruaru. para fins beneficiários. O Estado de Pernambuco foi condenado pela 7ª Vara da Fazenda Pública ao pagamento de R$ 50 mil. razão pela qual é devida a indenização por danos morais para a viúva".

16ª Câmara de Direito Criminal.2005. Dúvida inexistente a respeito da responsabilidade penal do acusado. o que não era de responsabilidade do médico. Erro médico.26. em suas decisões. prova esta que se deu com o laudo médico.Apelação: APL 00076109320058260438 SP 0007610-93. Relator: Leme Garcia. juízes e tribunais.26. Data de Julgamento: 10/11/2015.2011. 2014) Tem-se agora outra situação de erro médico que vem a resultar em morte. o dano à vítima e o nexo causal. Data de acesso: 13/06/16) Tem-se novamente um caso de erro médico resultante em morte. HOMICÍDIO CULPOSO (art. esses geralmente são culposos. Dentre todas as decisões. sendo estes a ação do médico.0001 (online. bem como o cumprimento dos pressupostos exigidos. Apelo defensivo não provido. foi possível aferir que os julgadores. Deve-se observar que para que fosse a possível a condenação do Estado à indenização. Negligência em não providenciar internação em UTI de paciente que deu entrada no pronto-socorro já com prévia suspeita de infarto do miocárdio e insuficiência coronariana. arbitrados no valor de R$ 2 mil. que houve negligência por parte do médico. bem como pelo reconhecimento da causa de aumento. (TJ-SP . fez necessário provar que houve o erro médico. pelo caso em tela. Verifica-se claramente. sendo inclusive destacado na decisão . uma por falta de comprovação de culpa do hospital.8. Cirurgião plantonista. APELAÇÃO. Dever de ofício de manter assistência periódica e permanente à vítima. Manutenção do regime inicial semiaberto e da substituição por restritivas de direitos. Cumpre ressaltar ainda que a sentença está em acordo com o assunto já abordado onde foi realçado que em caso de homicídio praticado por médico no exercício da profissão. o que provou também o nexo causal bem como a ação do Estado.0438. Busca Processual no 1º Grau NPU: 0055080-15. houve então uma condenação do médico pela prática de homicídio culposo. de forma a cumprir todos os pressupostos para a caracterização do erro e direito à indenização.2005. Data de Publicação: 11/11/2015) (JUSBRASIL. TJ-SP . Culpa evidenciada pela prova documental e testemunhal. sendo que ficou demostrado apenas uma complicação no quadro clínico da vitima. 121. Diante da comprovação do fato.APL: 00076109320058260438 SP 0007610-93. tendo sido evidenciada a culpa deste. em apenas duas não se demonstrou configurada a responsabilidade.8. De acordo com as seis (6) decisões jurisprudenciais demonstradas.O Estado de Pernambuco ainda foi condenado ao pagamento dos honorários advocatícios. Jurisprudência. e a outra não houve a comprovação do erro médico. Condenação mantida. já que a ação foi ajuizada em face do próprio hospital e não do médico.8. Demonstração de que a vítima não foi devidamente assistida conforme recomenda a conduta médica em casos de suspeita de infarto. Penas majoradas pela maior culpabilidade e conduta social.17. §§ 3º e 4º do CP).0438. observaram sempre o preenchimento dos pressupostos para a caracterização do erro médico e o dever de indenizar.

Nas outras quatro decisões. mostrou se configurado todos os requisitos. e por fim. exceto nos casos de procedimentos estéticos. tendo sido comprovada a culpa do médico por negligência no atendimento médico prestado. houve a condenação. de forma completamente diferente. uma delas condenou-se tanto o médico quanto a clínica. Uma arte que iniciou verdadeiramente com Hipócrates há muito tempo. Antes de Hipócrates já se falava no exercício da medicina. a arte da cura. a saúde ficava à mercê da vontade divina. O que ocorria de fato é que. trazer esperança. O então “médico” fazia alguns rituais. e. entretanto. Na época anterior ao chamado “pai da medicina”. esta era vista como um dom divino. Acreditava-se que a cura era trazida por via divina. de forma que aquele que conseguisse curar era tido como um deus. a arte de aliviar a dor. na época. de prolongar a vida. e ainda . CONCLUSÃO O nascimento da medicina evidencia o nascer de uma das mais solenes artes. de reconstituir a alegria de uma família inteira pela cura de um único doente. na última decisão houve uma condenação criminal por homicídio culposo. portanto.quanto à responsabilidade do médico ser de meio e não de resultado. Em outras duas condenou-se o Estado. não havia conhecimentos técnicos para que pudesse compreender a doença de uma pessoa. ânimo.

Com isso. a responsabilidade foi sendo alterada de forma a tornar-se proporcional. de forma que atualmente a responsabilidade médica é positivada por dispositivos diferentes. havendo maiores possibilidades de cura. ressalta-se que o erro é o que vem caracterizar o tema do presente artigo científico. conforme explicado. Faz-se a responsabilização de suma importância. inclusive quando do seu erro resulta a morte do paciente. às vezes. No momento em que se atribui ao homem a atividade da medicina. é dever do médico fazer tudo o que estiver ao seu alcance para tratar o paciente. que a medicina e o direito vêm evoluindo significativamente. ele é responsabilizado. existem. na segunda. bem como as diversas resoluções que dispõe sobre o exercício da medicina. Quando o médico pratica algum erro. novas técnicas e estudos que prolonguem a vida.menos conhecer a cura para tal doença. e a responsabilidade criminal pelo Código Penal. inicialmente com penalidades que detinham até mesmo a vida do médico. imperícia ou negligência. que não se faz adequada em determinado momento. contudo. Observa-se. assim não se distinguia a responsabilidade civil e penal. não podendo. como ocorre atualmente. época em que ela deixa de ser vista como um dom divino e passa a ser reconhecida como atividade humana. qual seja a reparação do erro. porque embora a medicina tenha evoluído gradativamente. que a obrigação do médico pode ser de meio ou de resultado. causando um problema ao paciente até pior do que o que ele já possuía ou simplesmente não trazendo a cura ou amenização do problema. Com o passar do tempo. busca reger com seriedade o exercício da medicina e manter a justiça. por meio do código de ética. Assim. situações em que mesmo diante de todas as possibilidades de salvar ou solucionar o problema de um paciente. geralmente tratando-se de questões estéticas. se preenchidos os demais requisitos para a caracterização da . e de cumprir a função que dela se espera. Observa-se. entretanto. com imprudência. Nos primeiros dispositivos a tratarem da responsabilidade médica. contudo. que estava a sua disposição. A partir de Hipócrates surge então o estudo da medicina. a ele é imposto também a responsabilidade pelos seus atos. contudo. e nessa é dever dele atingir o resultado determinado. muitas vezes o médico age de forma a não trazer esse resultado esperado por sua própria conduta. O médico age. Sua conduta pode ser considerada como homicídio. a medicina começa a ser disciplinada. o médico propõe ao paciente atingir determinado fim. exigir dele a cura ou salvação. não existia uma separação. A responsabilidade civil é regida pelo Código Civil. Na primeira. a responsabilidade administrativa pelo Conselho de Medicina. por dispositivos distintos.

São Paulo: Revista dos Tribunais. se existe um dano eminente. e por fim analisam se ocorreu o nexo causal. Outro ponto de destaque foi relatar como ocorre na prática o entendimento acerca da responsabilidade do médico. pois que se esperava uma responsabilização proporcional à conduta e ao dano sofrido pela vítima. Dissertação de Mestrado. 2012. Acesso em 02 de abril de 2016. Ademais. Quando o médico pratica o homicídio. AMARAL. Ruy Rosado. Fernanda Regina da Cunha. pois que não se pode punir o médico se não houver ligação entre sua conduta e determinado resultado. 2012. e ele é então penalizado pela nossa lei penal. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo. Disponível em: file:///C:/Users/Usr/Downloads/Fernanda_Regina_da_Cunha_Amaral. Orientador: Roberto Augusto de Carvalho Campos. Disponível em: file:///C:/Users/Usr/Downloads/Fernanda_Regina_da_Cunha_Amaral. nº 718 – Agosto de 1995. Curso de pós-graduação. Responsabilidade dos hospitais e operadoras de saúde pelos danos causados aos pacientes. observando quais as punições foram dadas aos médicos. tem-se o homicídio culposo. e se faz importante que todos saibam como conservá-la e protegê-la. pois que a vida está entre as maiores preocupações da humanidade. De forma que percebemos que para caracterizar tal responsabilidade os julgadores analisam sempre se de fato houve a conduta do médico. finaliza-se observando que se fez de grande valia tal estudo. Responsabilidade dos hospitais e operadoras de saúde pelos danos causados aos pacientes.pdf . Fernanda Regina da Cunha.responsabilidade médica. BIBLIOGRAFIA AGUIAR JUNIOR. Orientador: Roberto Augusto de Carvalho Campos. Assim foi feito um levantamento acerca do entendimento jurisprudencial. Responsabilidade civil do médico. Acesso em 02 de abril de 2016. por qualquer dos meios de erro.pdf AMARAL. Assim. bem como quais os critérios analisados. se verifica também pelo entender da jurisprudência que a pena do médico se dá levando em conta o tamanho do dano. Universidade de São Paulo. Curso de pós-graduação.

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