INTRODUÇÃO

Drogas anti-rejeição ou imunossupressores são, medicamentos indicados
para pacientes que foram submetidos a algum transplante de órgãos ou tecidos ou
em casos de doença auto imune.
As drogas foram desenvolvidas devido a vários fracassos nas tentativas de
transplante, as tentativas de transplantar órgãos e tecidos, possuem relatos desde a
Grécia antiga, porém somente no século XX foram formuladas as bases biológicas
de aceitação e rejeição de transplante [1].
Os primeiros relatos de rejeição ocorreram por especialista em tumores no
inicio do século XX, por Schöne (1912), Tyzzer (1916) e Woglom (1929), foi descrito
que transplante feito em animais da mesma espécie foram aceitos e em animais de
espécie diferente foram rejeitados, a partir daí surgiu o termo de “imunidade de
transplante” , porém estas observações foram confirmadas através de experimentos
durante a segunda guerra mundial, realizando transplante de pele em soldados
devidos as queimaduras, experimentos realizados pelo pesquisador britânico, Peter
Medawar, neste experimentos foi possível descobrir que:
 enxertos do próprio indivíduo eram aceitos (autoenxertos);
 enxertos de outros indivíduos eram rejeitados (aloenxertos);
 a rejeição de um segundo aloenxerto ocorria de forma acelerada se ele era
originado do mesmo doador do primeiro aloenxerto.
Sendo assim foi possível concluir que ocorria um sistema de mecanismo de
imunização ativa do individuo. Sistema este definido por Sistema imunológico, que
tem papel de reconhecer, defender e proteger o organismo contra infecções, e
rejeita tudo o que é estranho. O órgão transplantado é visto pelo sistema imune
como algo estranho, que não pertencente ao organismo do receptor. Para tanto, é
condição é essencial, sem a qual não pode deixar de existir, o uso dos
imunossupressores, que irão adequar o sistema imunológico e evitar a rejeição do
órgão. [2]

frequência de rejeição e perda de enxerto. Portanto o objetivo dos imunossupressores no transplante de órgãos sólidos é a redução da frequência de rejeição.[4] Portanto este trabalho irá apresentar o princípio de funcionamento das drogas anti-rejeição. Hoje. preservando o paciente de se tornar imunologicamente comprometido. relacionada aos efeitos adversos e melhoria de enxertos dos pacientes. HISTÓRICO DE TRANSPLANTE NO BRASIL As primeiras tentativas de transplante de órgão sólidas como rins fígado e coração ocorreram na década de 1970 no Brasil com exceção do transplante renal. esquema duplo de azatioprina e prednisona. Ainda nesta época a qual se origina a descoberta foi surgindo à percepção dos efeitos adversos causados por determinadas drogas. [8] DROGAS ANTIREJEIÇÃO OU IMUNUSSUPRESSORES . desde então as drogas vem cada vez mais se aprimorando.Com o avanço das pesquisas foram desenvolvidas fármacos mais seletivos para a inibição da rejeição do tecido transplantado. Exatamente em 1978 foi à descoberta da ciclosporina se tornaram eficaz e seletiva. seu mecanismo de ação e os fatores de riscos. o mecanismo principal do tratamento imunossupressor é alterar a função linfocitária usando fármacos ou anticorpos contra as proteínas imunológicas. infecções. [7] Foi necessária a descoberta de novos medicamentos para melhoria e sobrevivência dos pacientes. decorrentes as complicações encontradas como. a partir de então todos os centros de transplantes começou a utilizar imunossupressão tripla. alguns procedimentos foram abandonados devido ao insucesso.

o benefício de viver.movendo o terceiro sinal. O primeiro sinal constitui a ativação das células T no complexo receptor CD3 por um antígeno na superfície de uma célula apresentadora de antígeno (CAA). O primeiro sinal isolado é insuficiente para ativar as células T e precisa do segundo sinal. No início dos estudos para o desenvolvimento dos fármacos.[4] Porém para atuação dos imunossupressores. daí que se dá importância dos imunossupressores. e a ativação de linfócitos B dependentes de células T. que são dadas para a grande maioria dos pacientes transplantados. também chamado de coesti. pois supera a mudança de estilo de vida e até mesmo os fatores de risco associados a estas drogas. como a interleucina-2 (IL-2).Drogas anti rejeição ou imunossupressores. sendo uma delas a via calcineurina. A IL-2. fixa-se ao receptor IL-2 (também conhecido por CD25) na superfície de ou.-cálcio. primeiro e segundo. Hoje o mecanismo principal é alterar a função linfocitária usando fármacos ou anticorpos contra as proteínas imunológicas.tras células T. Ambos os sinais. Muitas descobertas e . então. que é o estímulo para proliferação de células T. alguma via precisa ser inibida para obter sucesso no tratamento. O segundo sinal. ativam várias vias intracelulares de transdução de sinais. ativam CD28 nas células T. são fármacos desenvolvidos para atuar reduzindo a resposta imunológica é utilizada nos casos de doenças autoimunes e evitando rejeição a transplantes. na superfície das CAAs. Órgão rejeição acontece quando o corpo do receptor reconhece a novo órgão como um corpo estranho. Essas vias iniciam a produção de citocinas. muitos pacientes sucumbiam devido as infecções decorrentes da supressão de ambos os ramos do sistema imune: o mediado por anticorpos (humoral) e o mediado por células. ativando o alvo da rapamicina em mamíferos (mTOR) e pro.mulação. Em uma via de sinalização normal do sistema imune ocorreria da seguinte maneira. ocorre quando CD80 e CD86.

Atualmente. inibem a atividade fosfatase da calcineurina. Estes agentes induzem a apoptose de células T activadas e inibe a síntese tanto de purinas como de pirimidinas. são a Prednidona e Prednisolona  Inibidores de sinalização de linfócitos: Como a Ciclosporina e o Tacrólimus. como por exemplo a IL1 e IL2 consequentemente não vai ter a ativação e a proliferação dos linfócitos. se tem uma inibição da expressão de citocinas. Além disso. o ácido micofenólico também induz a apoptose de células T activadas. os diferentes fármacos imunossupressores são divididos em vários grupos de acordo com o mecanismo de acção:  Reguladores da expressão de genes: Como os glicocorticóides que exercem atividade anti-inflamatória e imunossupressora principalmente inibindo a expressão das citocinas. depletando assim os nucleótidos de guanosina. que serve de sinalização.os metabolitos da ciclofosfamida alquilam as bases de DNA e suprimem preferencialmente as respostas mediadas pelos linfócitos B. (que são substâncias liberadas pela celula de defesa.  Agentes alquilantes .  Antimetabolitos (inibidores da síntese de novo de purinas e pirimidinas) o caso do metotrexato e seus derivados de poliglutamato suprimem as respostas inflamatórias através da libertação de adenosina. [5] . A Azatioprina inibe diversas enzimas da síntese de purinas.avanços nas pesquisas estão sendo feitas constantemente para reduzir os riscos associados a estas drogas . O ácido micofenólico inibe a inosina monofosfato desidrogenase. Exemplo de glicocorticóides. são substancia quimioatrativa para atrair ou para iniciar um processo de ativação e de proliferação celular) ou seja. suprimindo assim a produção de IL-2 e de outras citocinas.

fígado e coração. se torna mais eficaz quando o uso é associado em um regime duplo ou triplo de fármacos com corticóides e um antimetabolico. é um polipeptídeo cíclico lipofílico composto por onze aminoácidos. A ciclosporina suprime as reações imunes mediadas das células uma vez que a imunidade humoral é menos afetada.Segue abaixo algumas drogas mais conhecidas no mercado  Azatioprina Tacrolimo Ciclosporina  Prednisona  Predcort Micofenolato de sódio  Mofetil Everolimo Sirolimo [6] TIPOS DE AGENTES IMUNOSSUPRESSORES E SEUS MECANISMOS DE AÇÃO CICLOSPORINA A Ciclosporina um inibidor da calcineurina. este fármaco é extraído de um fungo do solo Beauveria NíveaEsta droga é basicamente usada para evitar a rejeição de transplantes alogênicos de rins. depois de ir para as células T ela se une a ciclofilina formando então a calcineurina esta calcineurina é responsável pela desfosforilação do FNcTA (fator nuclear citosólico da célula T ativada) esta reação não consegue entrar no núcleo para promover as reações necessárias. sendo seu resultado é a diminuição da IL2 que nada mais é que um estimulo primário para o aumento de linfócitos T. [7] . incluindo a IL2 .

[8] Um dos efeitos adverso frequente deste fármaco é a hiperlipidemia em outras palavras elevação de colesterol e triglicérides. [8] O Sirolimo e o tacrolimo são a mesma proteína ligadora FK citoplasmática. diarreia. [8] Everolimo É outro inibidor da MTOR aprovado para uso de transplante renal. reguladores envolvidos na translação de proteínas. leucopenia e trombocitopenia. náusea. Streptomyceshygroscopicus também conhecida como rapamicina. A nefrotoxocidade é um dos efeitos adversos causados. A ligação do sirolimos ao MTOR bloqueia a progressão das células T ativadas da fase G para fase S do ciclo celular. pois inibem a reestenose desses vasos presentes no coração. hipertensão. esta droga está aprovada para uso de transplantes renais juntamente com ciclosporina e corticóides. reduzindo a proliferação das células endoteliais. . sempre usando baixas doses diminuindo então o potencial tóxico. também pode ser usado como segunda opção em pacientes com carcinoma de células renais avançado. portanto é necessário monitorar os níveis de fármaco no sangue além do mais cabe consultar um médico ao invés de auto se medicar. Possui o mesmo mecanismo de ação do sirolimos. efeitos indesejados também como a cefaleia. cabe também um cuidado com as funções renais. ele inibe a ativação das células T formando um complexo com o FKBP-12 bloqueando o MTOR. E sempre usado em pacientes que ficam sem rejeição durante três meses pós-transplante. é atuante na ultima cascata de ativação imune. é necessário doses mais baixas. [8] SIROLIMOS O Sirolimos (SRL). as proteínas TOR são essenciais para varias funções celulares como reparo do DNA. o sirolimo se une ao MTOR interferindo sinal 3. a sua ação está relacionada com o uso na cardiologia. é um macrolideo obtido de fermentação de um fungo do solo.A maioria dos efeitos adversos causados por ciclosporina são doses dependentes.

Corticosteróides (prednisolona ou prednisona) Os corticosteróides foram os primeiros fármacos usados como imunossupressores entre várias doenças autoimunes. Entre os genes afetados. em condições autoimunes são usados prednisona e prednisolona. O complexo entra no núcleo e regula a transcrição do DNA. Os linfócitos T são os mais atingidos. Além disso. usado com a combinação de ciclosporina e corticoides. Seu efeito adverso adicional é angioedema que pode aumentar com o uso simultâneo de inibidores da enzima conversora. o lúpus eritematoso sistêmico. Entrando nas células. [4] Azatioprina A azatioprina foi um dos primeiros fármacos amplamente usados no transplante de órgãos. eles se ligam ao receptor glicocorticóide. o ácido tioinosínico. estão os envolvidos com as respostas inflamatórias. eles também são eficazes contra uma variedade de condições autoimunes. necessária para a divisão celular. faz parte dos antimetabólicos. a artrite temporal e a asma. então. devido à rápida proliferação da resposta imune e à sua dependência da síntese de purinas.É mais usado para rejeição de transplantes de rins. [4] . Os linfócitos são predominantemente afetados pelos efeitos citotóxicos da azatioprina. através da lise ou redistribuição dos linfócitos. geralmente usados em associação a corticosteroides e aos inibidores de calcineurina (ciclosporina e tacrolimo). os fármacos mais comuns são a prednisona e a metilprednisolona. [4] O mecanismo exato responsável pela ação imunossupressora dos corticosteroides não é claro. incluindo a artrite reumatóide refratária. O efeito imunossupressor da azatioprina é conseguido pela analogia com o nucleotídeo. ao nucleotídeo correspondente. Em transplantes. Seu mecanismo de ação é primeiro convertido em 6-mercaptopurina (6MP) e.

pois o individuo corre o risco de varias infecções. mais tempo do que ela seria capaz de viver sem aquele órgão. Tais drogas aumentam a chance do corpo de um individuo aceitar o órgão transplantado para que tal pessoa possa viver mais anos de vida.. [4] . embora as drogas tenham alguns riscos. fatores de riscos estão interligados aqui. efeitos colaterais e cuidados pré. infecções estas do próprio órgão transplantado. Benefícios dos imunossupressores O desenvolvimento da terapia imunossupressora tem garantido maior segurança para pacientes transplantados.existentes ao uso de medicamento sem orientação médica.Imagem 1: Mecanismo de ação de fármacos imunossupressores.

Como qualquer medicamento. mudanças de humor. Há casos quem os médicos reduzem a dosagem ou frequência para diminuir a chance de que isso aconteça . o que muitas vezes não acontece. os imunossupressores podem causar efeitos colaterais. náuseas. Os medicamentos anti -rejeição pode causar doenças graves . Enquanto o paciente está se ajustando a estas drogas . ganho de peso. edema. catarata. elevação da pressão arterial. por exemplo o coração e a hospitalização é muitas vezes necessária para combater a infecção . glaucoma. dependência de corticóide. pés e boca. vômitos e diarréia. [10] . se forem tomados por um curto período de tempo . risco aumentado de infecções. Outro risco é a infecção. como: irritação gástrica. Durante este periodo . como diabetes e câncer. formigamentos de mãos.Esses efeitos dependem de medicamento para medicamento e de dosagem para dosagem. porque ele é mais suscetível a infeccções. se forem tomadas por um período prolongado . corrimento nasal. Se são ingeridos após as refeições.[9] . alguns pacientes podem desenvolver uma infecção em um dos principais órgãos . os sintomas podem ser reduzidos. ele geralmente é mantido em um ambiente estéril . sangramentos ou hematomas anormais (plaquetopenia). alterações nos testes de função hepática e renal. tremores de mãos e pés. aumento do açúcar sanguíneo.Fatores de Risco Drogas anti-rejeição (medicamentos) são bastante seguros . úlceras. até mesmo um resfriado pode ser mortal. crescimento dos pêlos. crescimento da gengiva. anemia. fogachos e sudorese. alterações da pele.

Segue abaixo tabela com esquema de ação e efeitos adversos dos fármacos. .

essa terapia possibilita uma qualidade de vida melhor para os pacientes. como por exemplo a diabete. Sem contar atuação conjunta em grupos multidisciplinares no tratamento de pacientes transplantados ou com doenças auto imune. nefrotoxicidade. nestes casos um acompanhamento com nutricionista é fundamental para obter sucesso na qualidade de vida após alta hospitalar. principalmente por permitir conhecer seus efeitos adversos. aumento da pressão arterial. para então as drogas anti-rejeição desempenhar seu papel ao contrario do sistema imune para beneficio do paciente. que para entender a ação da terapia com imunossupressores é indispensável entender ação do sistema imune. . A terapia imunossupressora é essencial em casos de transplantes e doenças autoimune.CONSIDERAÇÃOES FINAIS A realização deste trabalho possibilitou o aumento do conhecimento sobre o sistema imunitário.

01/2010. Whalen. Finkel. Farmacologia ilustrada [recurso eletrônico] / Karen Whalen. Farmacologia ilustrada.aspx?c=927 3. Michelle A. Guanabara Koogan. Panavelil . 2016. Richard.SILVA.Whalen. Richard Finkel. disponível em http://www. Irene Lourdes Noronha.org.abto.br/pt-surgeriesoperations/pt-operations/1009062361.aspx?c=927. 01/2013. VitalSource Bookshelf Online. SP : Manole. 8ª edição. Rey.Ricardo Amorim 6. 5.abto.br/abtov03/default. 4.SILVA. 10.Portal Drogas anti rejeição. Penildon. acesso em 13-11-2016 7.365saude. ArtMed. 9. 2.pdf< .Barueri. – 6. 5th edição.com. – Porto Alegre : Artmed.http://www.Clark.org. -.Joana Melo . 2014. VitalSource Bookshelf Online. ed.abto. Penildon.Farmacologia da Imunossupressão Elsa Brandão . 8ª edição.html . Guanabara Koogan. Karen. disponível eemhttp://www. VitalSource Bookshelf Online. Thomas A. Alvaro Pacheco e Silva Filho. ed.. acesso em 05-11-2016. tradução e revisão técnica: Augusto Langeloh.. Karen. 01/2010.br/abtov03/Upload/file/Biblioteca_Teses/Textos/Cuidados_com_Drogas_I munossupressoras.Bartira De Aguiar Roza Carla Fatima de Paixão Nunes Cuidados com Drogas Imunossupressora acessado 12-10-16 disponível em < http://www.REFERÊNCIAS 1-Manual de transplante renal / coordenadores Roberto Ceratti Manfro.Portal Medicamentos Imunossupressores.org.br/abtov03/default. Farmacologia. Jose A. 8.2. -. Farmacologia.