GUIA DEFINITIVO

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I M P O R TA N T E : S O B R E A V E R S Ã O E M P D F

Minha ideia inicial com esse guia era disponibilizá-lo, gratuitamente,
apenas em alguma plataforma para visualização on-line, sem permitir
o download. O motivo para isso é simples: por estarmos falando de
tecnologia, é natural que haja progresso, que novos equipamentos
sejam introduzidos, que surjam novos formatos de arquivos e coisas do
tipo. Por isso, quero que o guia seja um material vivo e constantemente
atualizado – caso contrário, se tornaria obsoleto com relativa facilidade.
Publicá-lo apenas on-line permite que eu faça isso sem a existência
de versões conflitantes ou defasadas pela internet. Ou seja, quem
quiser ler o guia, teria acesso a ele somente pela plataforma, que
disponibilizaria apenas a última versão.
No entanto, houve um grande número de leitores pedindo que eu
disponibilizasse uma versão em PDF pela dificuldade de leitura no
Issuu. Também notei que essa plataforma possui algumas limitações,
como por exemplo a não-permissão de links no arquivo. Por isso, decidi
lançar o PDF. A forma de acompanhar as versões será a seguinte: no
final do guia, há um registro de versões e das alterações realizadas,
assim como a versão atual. E ao invés de fazer pequenas alterações
frequentes, vou lançá-las em pacotes de maiores mudanças conforme
necessário.
Entre os períodos sem alteração, é importante ter em mente
que algumas informações (principalmente preços) podem estar
desatualizados. É também possível que você, leitor, esteja vendo
alguma versão defasada. Para garantir que esteja com a última, baixe o
PDF neste link, que terá sempre a última versão.

PA R A C O M E Ç A R

A música sempre foi algo muito presente em minha vida, e a apreciação da
qualidade da reprodução foi consequência. Essa busca pela qualidade remete à
minha infância, quando eu pegava o fone do discman da minha mãe porque já
notava a superioridade em relação ao meu. Na adolescência, comecei a fazer os
primeiros investimentos em sistemas com foco na fidelidade sonora. Desde então,
tive a oportunidade de experimentar muitas coisas e aprendi muito.
Meus enormes agradecimentos aos amigos que me ajudaram a
revisar este guia – principalmente ao Robberto Cuffia, que se dispôs
a fazer um incrível e minucioso trabalho de revisão, mesmo que o
tempo não estivesse a seu favor; e ao Rafael Delerue, por apontar
os momentos em que minhas ideias ou escrita ainda precisavam ser
trabalhadas.
Também gostaria de agradecer ao Guto Pereira e ao Paulo Mário pela
ajuda na resolução de diversas dúvidas técnicas e ao Athos Carvalho
pela colaboração na revisão.
Sem todos eles, o resultado teria sido muito diferente.

O objetivo deste guia é passar aos iniciantes e entusiastas um pouco do que
aprendi sobre o mundo da audiofilia. Embora em meu blog já existam artigos
sobre vários dos assuntos abordados aqui, alguns leitores sugeriram que eu o
expandisse e transformasse num formato livre das restrições de um blog.
Tenha em mente, porém, que tudo o que está escrito aqui é a minha visão, e não
deve ser encarado como uma verdade inquestionável – afinal estamos falando de
um hobby em que a subjetividade exerce papel central.
Por isso, minha maior recomendação é que o leitor procure também outras fontes
de informação além deste guia. Existem diversos sites de ótima qualidade para
aqueles que desejam entrar nesse mundo, como o InnerFidelity e o Headfonics e
fóruns como o Head-fi, o SuperBestAudioFriends e Head-Case. Cabe lembrar que
o leitor deve estar atento e armado de senso crítico, pois infelizmente interesses
comerciais, misticismos, achismos e falsas verdades prosperam no hobby.
Espero que sua leitura seja proveitosa e que eu possa dar de volta à comunidade
pelo menos um pouco do que ela me deu.
Um grande abraço!
Leonardo Drummond

SUMÁRIO Streaming 67 Escolhendo um DAC 69 Componentes de um sistema 8 Estabelecendo seus objetivos 10 Recomendados 70 Comprando equipamentos 12 E o vinil? Ele é melhor mesmo? 74 Parte I – O Fone Parte III – A Amplificação Visão geral 17 Visão geral 79 Tipos físicos de fones 18 Escolhendo um amplificador 82 Tipos de alto-falantes 22 Recomendados 84 Outras características 32 Sugestões de sistemas 90 E agora? Qual escolher? 35 Audiofilia portátil Recomendados 36 Visão geral 93 Cuidados com o fone 44 Player high-end ou sistema modular? 95 O burn-in 47 Recomendados 98 Especificações de fones 50 Cabos? 102 Próximas etapas 58 Bônus: Fones lendários 108 A busca à fidelidade total 118 Parte II – A Fonte Visão Geral 61 Glossário de termos 122 Formatos de Arquivos 63 Registro de Versões 128 .

dependendo elétrica proveniente do das exigências do ouvinte amplificador em energia e das limitações de seu mecânica. na mídia que denominamos disco de vinil.TRANSDUTOR COMPONENTES DE UM SISTEMA A fonte é o equipamento O amplificador. tenha “força” suficiente -falantes (tanto de fones para mover o transdutor. equipamento. No caso com uma mídia. são percebidas por nós como som. através do Por exemplo. alto- contém uma gravação. é o equipamento transforma um tipo de sinal elétrico de acordo que amplifica esse sinal energia em outra.Todo sistema é composto por três componentes básicos: FONTE . ar. vibrações que. os sinais elétricos são extraídos a partir do atrito entre a agulha do toca-discos e as elevações nos sulcos do disco. ou seja.AMPLIFICADOR . por sua Transdutor é o que responsável por gerar um vez. quanto de caixas de som) reproduzindo o conteúdo são transdutores porque da mídia com volumes transformam a energia satisfatórios. que elétrico de forma que ele de sistemas de som. 8 9 .

portanto. e por aí vai.Não existem equipamentos perfeitos nem uma solução única de sistema de som que sirva para todos. um CD player será necessário. montar um sistema não é tão diferente de comprar um automóvel: não há um carro perfeito que magicamente se enquadra nas preferências de todos. um carro esportivo de dois lugares pode ser uma boa pedida. Mas que fonte seria essa? Depende da mídia. uma apresentação mais analítica e detalhista. Uns preferem que essa sonoridade seja divertida e energética. o primeiro passo na montagem de um sistema é refletir quais são seus objetivos: onde você irá ouvir música. Se você é uma pessoa solteira que quer simplesmente se locomover com estilo e rapidez. A questão. um toca-discos é a escolha a ser feita. Guardadas as devidas proporções. é ter em mente o que buscamos para que possamos escolher a melhor opção que se enquadra não só dentro do orçamento disponível. com filhos. Mas se ela quiser algo mais luxuoso e se dispuser de mais capital. apenas um DAC será o suficiente. há inúmeras opções de bons supra-aurais fechados ou intra-auriculares que trarão um ótimo desempenho ligados em basicamente qualquer smartphone. o ideal é um DAC (conversor digital-analógico) e um transporte qualquer. Se quiser uma solução de alto desempenho para ouvir em casa. Se só ouvir num computador. tudo depende do que você busca e das circunstâncias nas quais quer usá-lo. Só tendo ciência de suas necessidades é que será possível definir a melhor solução para você. mas também das circunstâncias de uso e – não menos importante – do nosso gosto pessoal em termos de sonoridade. Da mesma forma. outros. uma minivan pode ser opção mais apropriada. 10 11 . Para alguém que faz parte de uma família. com que frequência. algo mais doce e eufônico. naturalmente. Para aqueles que simplesmente querem um bom fone de ouvido para trajetos diários e para eventualmente ouvir em casa. Assim. Caso possua uma vasta coleção de vinis. Com um sistema de som a ideia é semelhante. Caso use um misto de CDs e arquivos digitais num E S TA B E L E C E N D O S E U S O B J E T I V O S computador. com fonte e amplificação dedicados. já outros. um executivo que possui motorista particular seria muito bem servido por um sedã grande e quem gosta de se aventurar por trilhas não tem outra opção senão um automóvel com tração nas 4 rodas. sem ter que se preocupar com equipamentos adjacentes. quanto está disposto a gastar. talvez um grande SUV de 7 lugares seja mais interessante. Mas se possui apenas CDs. é possível pensar num bom sistema de mesa.

as coisas são um pouco complexas. Philips. muitos preços estão em dólar. Por isso. atrasar meses na liberação das encomendas ou simplesmente extraviálas. no ato da compra o site informa quais métodos têm rastreio. como o Priority Express. são mais caras. ou internacionais. UPS ou DHL. e consequentemente. e como as transportadoras comerciais. a importação acaba sendo a melhor opção. apesar de mais confiáveis e simples. que precisa ser escolhido com muita atenção. O grande problema para quem mora no Brasil é o processo através da Receita Federal. que não hesita em cobrar impostos. ou transportadoras comerciais (também conhecidas como empresas de C O M P R A N D O E Q U I PA M E N T O S courrier). Essas encomendas enviadas por serviços postais nacionais chegam ao Brasil e são encaminhadas diretamente a uma central para fiscalização da Receita Federal. Quando você faz alguma compra em um site. a situação piora consideravelmente. no caso de uma encomenda enviada pela USPS. como FedEx. que é maior que o dólar comercial. como os Correios no Brasil ou o USPS nos Estados Unidos. o Priority Express é de 3 a 5 dias) é para o item chegar ao país – o que acontece depois disso. Nesses serviços postais públicos. é imprescindível que seja escolhido um método de envio que possua rastreio. Por isso. E se considerarmos que aqui estamos falando de produtos de nicho. o Imposto sobre Operações Financeiras. Existem poucas marcas de fones com representação oficial no Brasil (Sennheiser. ela é obrigada a preencher um formulário destinado à Receita. que é de 6. também será cobrado IOF. Na sua fatura do cartão será cobrado o valor do produto utilizando uma taxa de conversão pelo valor do dólar de turismo. costuma demorar muito mais. é mais comum que os envios sejam feitos pelos serviços públicos. em vários casos. geralmente o pagamento é feito diretamente por cartão de crédito internacional ou. Além disso. por exemplo.38%. Note que o prazo de entrega estipulado pelo serviço (por exemplo. O processo de envio é diferente entre os dois métodos. AKG e FiiO são exemplos).Não é surpresa que moramos num país desfavorável para a compra de produtos eletrônicos. no 12 13 . Caso contrário é possível entrar no site do serviço postal e verificar quais são os tipos e quais têm essa ferramenta. Quando uma loja ou uma pessoa envia algo. como as nacionais Braspress e JadLog. nos trechos em que falo sobre os equipamentos recomendados. usando um serviço de pagamento terceirizado como o PayPal. para hobbistas. Geralmente. Prosseguimos então para o método de envio. como a fiscalização alfandegária. que vai fiscalizar a encomenda tendo em vista o valor declarado. Observe que existem dois métodos básicos para o envio de encomendas: serviços públicos de postagem.

Eles entregam a encomenda na sua porta. considere os impostos O problema: como se já não bastasse esses serviços serem muito mais caros (podendo no seu orçamento para evitar surpresas desagradáveis. explica a situação e pede que você envie para eles por e-mail uma cópia do site em que comprou o produto e da fatura do cartão de crédito. ou se você demorar muito para retirá-la (não sei o prazo exato). normalmente. que a deixam numa agência próxima à sua casa e enviam um telegrama pra você quando ela estiver disponível para retirada. sobre o frete. então. ao invés de serviços postais comuns do país. pior para o bolso. vai chegar em 3 dias na sua porta. somente encomendas de pessoa física para pessoa física abaixo de 50 dólares estão isentas de tributação. Então. Vale observar. apesar de ser mais raro. porque as encomendas não são enviadas à central da RF em São Paulo para enfrentar uma longa fila de fiscalização. o processo é um pouco diferente: melhor agilidade e segurança. mas em outros os fiscais abrem a encomenda e verificam se o produto é compatível com o valor que foi declarado. e também uma cópia de sua fatura existem taxas como ICMS. Quando isso ocorre. Esse processo dura mais ou menos um mês e eles podem aceitar o seu pedido e diminuir a cobrança ou não. mas os sites podem te dar a opção de fazer o envio 14 15 . e não em uma agência dos correios. taxa de desembaraço. no total. Fundo de Combate à Pobreza e outras. Se você não quiser retirar a encomenda por qualquer motivo. Se acharem que não é. como FedEx. pega uma carta de revisão específica na própria agência. ou então se admitir que o valor declarado é de fato menor que o que pagou. é frequente que a Receita cobre os 100% de impostos mais 100% de multa. qualquer compra numa loja ou qualquer objeto que custe mais de 50 dólares (mesmo se for enviado por pessoa física) é passível de tributação. ultrapassar facilmente os 150 dólares em itens pequenos). Existem raros casos em que a encomenda não é fiscalizada e passa direto sem impostos. que se a Receita contestar o valor e você não tiver como provar o valor pago. se for um serviço de 3 dias. além dos impostos normais A RF. estipulam um valor qualquer e cobram em cima dele. ela é enviada de volta ao remetente. então. é quase uma loteria. Uma observação: pela lei. a encomenda é enviada para os Correios. do cartão de crédito mostrando o valor que realmente pagou. porém. O que muda é que o envio é muito mais rápido. mostrando o preço. Nesse caso você não retira a encomenda. vai ter que pagar impostos. que além de com transportadoras a taxação ser certa (a possibilidade de uma encomenda passar sem fiscalização é inexistente). é caracterizado um crime passível de multa. Ou seja: em compras internacionais. Vale lembrar que a RF também pode cobrar impostos sobre o frete. Então. e anexa a ela uma cópia da página do site no qual a encomenda foi comprada. se algum parente seu enviar uma caixa de fósforos por USPS Priority Express. Com as transportadoras. que também vai discriminado nesse formulário. Nesses casos. Mas muitas vezes vale a pena pela certeza de que você vai receber o item com segurança e em pouco tempo. Depois da fiscalização e da emissão da nota fiscal para tributação. porém. então é na hora. Se a RF tiver contestado o valor declarado e cobrado a mais (mais do que você efetivamente pagou pelo item). mas não conte com isso. então neles a taxa de impostos fica próxima dos 100%. ainda existe a chance de a Receita contestar o valor. O desembaraço alfandegário é feito no próprio aeroporto de chegada pela transportadora. dentro do prazo contratado. e quase todos os fretes com rastreio já custam mais de 50 dólares.qual descreve o conteúdo do pacote e o valor para que o objeto seja inspecionado. geralmente a transportadora entra em contato com você por e-mail e telefone. se não houver contratempos. e geralmente a liberação é feita no mesmo dia que você enviar esse e-mail (ao contrário dos 30 dias dos serviços postais comuns) e a encomenda segue novamente para você muito rapidamente. Com serviços postais normais. Você então vai à agência e recebe a nota com a cobrança dos impostos. preenche. O processo de compra é o mesmo. assim como no caso dos serviços postais comuns. a taxa a se pagar chega a 100% do valor do produto ou mais. como se eles estivessem trazendo um item de uma viagem. cobra 60% de impostos sobre o valor que está declarado no pacote e. então. você pode pedir uma revisão. Veja. UPS e DHL. Mas aqui o processo também é mais rápido. São casos cada vez mais raros. Existem alguns estados em que também é cobrado o ICMS. você provavelmente por um serviço como esses. Em alguns casos a Receita aceita o valor declarado.

O F O N E vamos chegando aos headphones mais sofisticados. Nesta seção. Já para quem quer algo discreto para usar na rua. Aliás. assim como outras informações relevantes.. os benefícios são mínimos ou inexistentes. mas conforme PA R T E I . Outra questão que deve ser observada são os requisitos dos fones. vou começar explicando os tipos de fones existentes e. abertos. Ou seja: o amplificador e o DAC. para uma pessoa que usa o fone somente em casa. A questão é que esse componente é o que mais surte influência no resultado final e.. já que nos mais simples. a seguir. que por vezes apresentam resultados medíocres se ligados a equipamentos não adequados. por consequência. Por exemplo.VISÃO GERAL Neste guia. 16 17 . supra-aurais. darei exemplos de bons fones de cada tipo. e o que irá definir qual será mais apropriado são as situações e ambientes em que esse fone será usado. Existem diversos tipos de fones de ouvido: circunaurais. eletrostáticos. Amplificadores e fontes mais caros devem ser contemplados somente para fones mais pretensiosos. um headphone circunaural aberto talvez seja o ideal. devem ser escolhidos em função do fone. um Philips Fidelio X2 conectado a um celular ainda será muito superior a um Fidelio L2 ligado a um sofisticado sistema de mesa. como o HiFiMAN HE-6. e por isso acho que o investimento deve ser concentrado nesse item. notebooks e tocadores mp3. as exigências aumentam e passa a ser interessante ou necessário que pensemos também em um amplificador dedicado e em uma fonte mais sofisticada. um intra-auricular ou um supra-aural fechado talvez sejam mais interesantes. Isso só passa a não ser mais verdade quando consideramos fones muito exigentes em termos de amplificação. dinâmicos. fechados. Por exemplo. intra-auriculares. mais uma vez. A grande maioria deles pode ser usada com smartphones. Cada tipo possui vantagens e desvantagens. geralmente é o que norteia a escolha dos outros equipamentos. deixo claro que em minha opinião o fone é responsável por 80% ou 90% do resultado final. se necessários. vamos começar pelo item mais importante da cadeia: o fone.

em inglês. com almofadas que se posicionam ao redor delas. mas são bem Além das tecnologias de transdutores diferentes. costuma ser melhor. antes da explosão dos auriculares. outros. com as suas necessidades e preferências próprias. o Parrot Zik e o Beats Studio. em grande parte dos casos. assim como a vasta maioria dos fones inclusos em discmans e toca-fitas das décadas de 1980 e 1990.CIRCUNAURAIS São também conhecidos como over-ear ou around-the-ear. São fones que ficam posicionados sobre as orelhas. tanto pelo conforto quanto por permitir que um trabalho mais extenso de acústica seja realizado. Por mais que alguns tipos geralmente permitam que um desempenho superior seja atingido com mais facilidade. uns são abertos. nos circunaurais. 18 19 . o B&W P7. muito pequenos. Em compensação. e menores que fones como o Sennheiser HD800 e podem perfeitamente ser usados de maneira portátil. com câmaras melhor calculadas e falantes angulados. fones possuem os mais diversos formatos físicos. o que favorece a portabilidade. outros. é difícil dizer que um é melhor que o outro. São os fones que cobrem totalmente a orelha. apesar de haver alguns modelos desse tipo com um tamanho relativamente reduzido – como o Ultrasone Edition 8. apesar de haver excessões. os falantes acabam ficando mais próximos dos ouvidos. e não em volta delas. por exemplo. Exemplos desse tipo de fones são os Grados das linhas Prestige e Reference. SUPRA-AURAIS São também chamados de supra-auriculares ou. A vantagem em relação aos circunaurais é o tamanho geralmente menor. fechados. A grande maioria dos fones mais sofisticados do mercado é desse tipo. Alguns são muito grandes. Circunaurais são geralmente muito grandes TIPOS FÍSICOS DE FONES para serem usados em ambientes externos. não costumam ser tão confortáveis e. porque o juiz final será você. Não que eles sejam pequenos. o que pode prejudicar o palco sonoro – que. O problema fica por conta da conveniência. de on-ear.

dizemos que os fones abertos “vazam” som. devido ao vazamento de som e à carência total de isolamento. No entanto. possuem a parte de trás do alto- em grande parte dos mp3 players e celulares dos anos 2000. open-air. em teoria. intra-auriculares (ver abaixo). 21 . ou closed-back. diversos alto-falantes. levam essa vedação a um novo patamar por serem confeccionados a partir do molde da orelha do usuário – e também usam. é mais amplo. na parte externa das consequentemente. externos significativo. O ponto negativo é o conforto: 20 Já os fones fechados. Consequentemente. além de um isolamento de ruídos externos geralmente muito eficaz. não há vazamento de som e o isolamento contra ruídos externos é melhor. também gera som. normalmente o som deles é magro. o que os difere Quando ele vai para trás. é possível alcançar níveis extraordinários de qualidade de som. no entanto. Outra vantagem é que é naturalmente mais fácil conseguir graves extensos e profundos num fone fechado (considerando os fones com falantes dinâmicos. devido canal auditivo. Num fone aberto. ainda. ou custom IEMs (CIEMs). e de outros tipos de fone é o fato de eles repousarem na concha.AURICULARES ABERTOS Também chamados earbuds. Ou seja: quem estiver orelhas. pouquíssimas exceções muito bem projetadas. normalmente. que geram distorções. Fora algumas A vantagem desse tipo de fone é que as reflexões de gabinete. apesar de eles. a extensão é muito ruim. por exemplo. INTRA-AURICULARES Os intra-auriculares. vedarem totalmente o canal auditivo. às reflexões de gabinete. especializados em faixas de frequência específicas. texturizados e naturais quanto nos abertos. são reduzidas drasticamente. e o palco sonoro costuma ser menor. são também fones muito pequenos. não serem tão limpos. Quando um alto-falante vibra. os fones fechados não costumam ser tão naturais quanto os abertos. O resultado é uma qualidade de som geralmente muito superior à dos auriculares: mais cheia e autoritária e com graves mais presentes. ou open-back ou. A grande desvantagem desse tipo de fone é a qualidade do som. até a popularização dos falante aberta. Isso significa que eles geralmente são confortáveis e convenientes. mas FECHADOS o que os difere dos auriculares é o fato de. esse som vai para fora. ele o faz tanto para frente quanto para trás. Além do tamanho extremamente reduzido. Com esse tipo de fone. com uma borracha ou espuma na ponta. fones abertos são mais indicados para o uso em ambientes domésticos mais silenciosos. do seu lado vai ouvir claramente o que você está ouvindo e não há isolamento de ruídos não há qualquer isolamento de sons externos e o encaixe é superficial. A vasta maioria dos melhores fones do mundo são desse tipo. possuem a parte de trás do alto-falante totalmente fechada. nos planar-magnéticos os abertos já apresentam graves fartos). algumas pessoas simplesmente não gostam da sensação de terem algo introduzido no Além disso. o som é mais limpo e o palco sonoro estridente e sem graves – e quando eles existem. geralmente. Assim. são os tradicionais fones pequeninos inclusos em iPods e Os fones abertos. há um nível altíssimo de isolamento de ruídos externos e a possibilidade de uma belíssima qualidade sonora. ou IEMs (In-Ear Monitors). Os intra-auriculares personalizados. e por isso.

Mais uma vez. que podem ser bem-vindas ou não.FA L A N T E S Existem diversos tipos de transdutores em fones de ouvido: dinâmicos. planar-magnéticos. 22 23 . eletrostáticos e de armadura balanceada. cada tipo traz suas próprias características.T I P O S D E A LT O .

eles possuem uma sonoridade mais autoritária. quando comparados aos baseados em armaduras balanceadas mais simples. Já em intra-auriculares. Em fones de ouvido full-size.DINÂMICOS São os falantes mais comuns do mercado. como os de armadura balanceada. que têm como objetivo atingir níveis anormalmente fiéis de qualidade sonora. Eles funcionam aplicando-se um sinal elétrico a uma bobina (azul). sob aplicação do sinal elétrico. Esse movimento causa uma perturbação no ar. indicados para a maior parte dos aparelhos reprodutores devido ao baixo custo. velocidade e detalhamento. costumam apresentar uma personalidade mais espacial e coerente. são compatíveis. portanto. é o tipo mais popular de alto-falante. Sony Qualia MDR-Q010 e SA5000 – perderem em transparência. O que pode ser dito é que alguns equipamentos. o cone ao qual está presa. com melhor extensão nos extremos. Essa bobina é ligada a um cone (amarelo). Já em relação aos planar-magnéticos. os falantes dinâmicos. costumam apresentar uma sonoridade menos autoritária. como Sennheiser HD800. que são capazes de. a vasta maioria dos amplificadores. em alguns aspectos. menos equilibrados. consequentemente. mas são menos transparentes e. em comparação aos que usam falantes eletrostáticos. com os quais eles devem interagir. se torna um eletroímã variável. A bobina. apesar de – fora pouquíssimas exceções. com menor extensão nos graves. frequentemente. que é percebida como som. que fica imersa num campo magnético criado por um ímã (vermelho). Por esses motivos. fazendo com que ela se mova para frente e para trás – movendo. 24 25 . que interage com o campo magnético do ímã no qual está imersa. à capacidade de atingir níveis muito altos de qualidade sonora e à enorme variedade de tamanhos disponível (podem ir de 5 mm a 850 mm). podem optar por outros tipos de alto-falantes. Outra questão é o limite de tamanho – alguns equipamentos necessitam de opções ainda menores. proporcionar uma qualidade ainda maior. mas são mais desenvolvidos em termos de espacialidade e palco sonoro. Não existem aspectos negativos relevantes – talvez apenas a dificuldade de se conseguir uma boa extensão nos graves.

sua resposta de frequência é limitada nos extremos. presa por um pivô. os mais simples (com uma ou duas BAs) costumam apresentar uma sonoridade mais centrada nos médios. como já dito. otimizado para essa faixa) e de uma quantidade específica de armaduras otimizadas para determinadas faixas de frequência. com menos graves e agudos. com o uso de um crossover (componente eletrônico que divide as faixas de frequência de um sinal áudio e envia cada parte para um determinado alto-falante. No entanto. principalmente além dos extremos do espectro audível – 20 Hz e 16 kHz. Nesses casos. são menos espaciais e têm um palco sonoro menos desenvolvido. além de As armaduras balanceadas são. movimentando o diafragma – que é como o cone do falante dinâmico e.ARMADURAS B A L A N C E A DAS São geralmente referidas como BAs. ao se movimentar. sigla para balanced armatures. A situação muda quando as armaduras balanceadas são implementadas em projetos mais pretensiosos. Naturalmente. Os problemas são o alto preço e. São geralmente usadas em pequenos fones de ouvido mais sofisticados e aparelhos auditivos. essa característica é usada por fones intra-auriculares sofisticados a seu favor: um conjunto de armaduras balanceadas pode ser regulado para uma resposta de frequência resultante mais refinada e ajustada ao gosto do desenvolvedor. gerando som. um falante dinâmico organizado de maneira diferente. 26 27 . movimenta o ar. o que é uma desvantagem – no entanto. basicamente. como em muitos in-ears personalizados. Quando comparados a intra-auriculares dinâmicos. a resposta de frequência limitada. porém. A vantagem em relação aos alto-falantes dinâmicos tradicionais é o tamanho muito reduzido. eles conseguem atingir níveis altíssimos de qualidade sem grandes defeitos. Uma armadura (basicamente é uma vara de metal envolta por uma bobina) posicionada no meio de um ímã permanente. e conectada a um diafragma. porém geralmente são mais equilibrados e naturais. com múltiplas peças. apresentarem maior transparência e detalhamento. A armadura é magnetizada com a aplicação de um sinal elétrico (como a bobina do alto-falante dinâmico). fazendo com que ela interaja com o campo magnético do ímã e rotacione levemente no pivô.

também se comportam de maneira exemplar. por natureza. a quantidade de graves que o falante pode reproduzir. a distância entre os eletrodos deve ser relativamente pequena. portanto. As únicas críticas feitas com alguma frequência referem-se a modelos mais simples. Consequentemente. em termos práticos. o Sennheiser HE90 e o Stax SR-009. 28 29 . Conforme um sinal Os fones eletrostáticos são. extremamente sofisticados e indicados apenas para aplicações nas quais a qualidade de é necessário um tipo especial de amplificador (chamado energizer) para esse tipo de som é buscada a qualquer custo. que a qualidade de som de um alto-falante eletrostático é potencialmente muito maior do que a de falantes dinâmicos. Os dois fones de ouvido considerados os melhores já produzidos. o que reduz a excursão do diafragma e. como nos alto-falantes descritos anteriormente. além da necessidade de um amplificador especial. transparente e arejada. condutivo e suspenso entre dois eletrodos carregados com uma carga constante. gerando som. que proporciona a tensão necessária para os eletrodos. Em termos de extensão. é revestida por um material inexiste. por alguns motivos. a distorção é consideravelmente menor do que a de falantes dinâmicos. como indica o nome. Uma película excepcionalmente fina. diferente de um é enviado à película. alto falante. e é que não há tanta autoridade quanto os melhores dinâmicos ou planar-magnéticos. no entanto. Outra questão é que a ausência virtual de massa desse diafragma torna possível uma resposta de frequências impressionante. rápidos e com maior resolução do que praticamente todos os fones dinâmicos ou planar-magnéticos do cria um campo eletrostático de altíssima voltagem (entre 480V e 550V). Consequentemente. que Para fones de ouvido. ela interage com o campo elétrico no qual está imersa e vibra. visto que a capacidade de resolução e resposta de frequência são muito mais altas e a distorção é mais baixa. mas há vantagens: coloca a distorção da baixa faixa média bem acima do limite audível. nos expoentes mais pretensiosos dessa tecnologia. geralmente de PET. princípios eletrostáticos.E L E T R O S TÁT I C O S A parte móvel de um alto falante eletrostático – uma finíssima película – possui uma massa menor do que a de qualquer outro tipo de diafragma. sem tanta autoridade – questão que Um alto-falante eletrostático usa. são eletrostáticos. os fones eletrostáticos menos sofisticados possuem uma sonoridade mais leve. Isso significa. muito mais transparentes. o maior problema dos alto-falantes eletrostáticos é o preço: são campo magnético. mercado. que vai muito além da audição humana. O problema é que. Ao mesmo tempo em que a extensão é para todos os efeitos práticos infinita.

até certo ponto.PLANAR-MAGNÉTICOS Também são chamados de ortodinâmicos ou isodinâmicos. porém com mais peso. O objetivo é aliar os pontos positivos de ambas as tecnologias – e. e voltou com força ao mercado audiófilo nos anos 2000 com os modelos da HiFiMAN e da Audez’e. ele é alcançado. Os planar-magnéticos apresentam o “corpo” dos dinâmicos. eles possuem faixas de ímãs. 31 . Além disso. 30 Pode-se dizer que os transdutores planar-magnéticos utilizam o arranjo dos eletrostáticos condutores elétricos. Eles são como um meio termo entre os dinâmicos e os eletrostáticos: possuem a organização destes com os princípios de funcionamento daqueles. Trata-se de um tipo de alto-falante que foi popular nas décadas de 1970 e 1980. movem um filme por toda sua área – e uma transparência e capacidade de resolução mais próxima com os princípios magnéticos dos dinâmicos. movimentando o ar. apresentam um diafragma (filme) atrelado a serpentinas de Contudo. os fones atuais que utilizam essa tecnologia costumam ser caros. devido à necessidade de um grande número de ímãs. extensão e autoridade nos graves – visto que. assim como os eletrostáticos. com material condutivo. O sinal elétrico de áudio é passado pelos condutores. O problema é que. o que prejudica o conforto. o filme se movimenta para frente e para trás. criando um Dessa forma. de espacialidade. Nesse quesito. esse tipo de fone costuma não ser particularmente compentente em termos campo magnético que interage com o campo magnético isodinâmico criado pelos ímas. os fones com essa tecnologia costumam ser consideravelmente pesados (alguns chegam a pesar mais de meio quilo). Ao invés de eletrodos. alguns dinâmicos proporcionam um resultado mais convincente. e ao invés de filmes revestidos dos eletrostáticos. que criam um campo magnético isodinâmico.

por exemplo. Multicanal Sendo curto e grosso: é melhor passar longe de fones desse tipo. O maior problema. Geralmente. mas existem problemas. Em alguns aspectos. Em situações nas quais queremos simplesmente uma forma fácil e conveniente de ouvir música. com amplificação própria e geração de sinal. paga-se não só pela qualidade de som. Afinal.1. mas não tanto em outras. Cancelamento ativo de ruídos São os tradicionais fones noise-cancelling. ele funciona bem em algumas situações. de ser mais conveniente e de não haver a sensação de pressão trazida por fones com o cancelamento ativo. eles acabam sendo uma opção fantástica. para criar um efeito de ambiência e imersão – no caso de um 5. a transmissão sem fio potencialmente 32 precisão no posicionamento de determinados sons – e isso é algo que bons fones de ouvido estéreo comuns fazem sem maiores dificuldades. como o AKG K701 e suas variantes ou o Audio-Technica AD700X. Uma solução como essa sempre trará sérios problemas na qualidade de som por diversos motivos. fazer com que o cancelamento funcione com todas as frequências – ele é mais efetivo com as baixas. É a partir daí que o cancelamento ativo de ruídos funciona: ele possui um microfone que capta os sons externos e. Existem alguns fones que de fato possuam mais de um alto-falante para fazer o papel de cada caixa de som de um home theater multicanal. duas frontais laterais. ônibus ou trem –. Os que se recordam das aulas de física do ensino médio vão se lembrar que isso se chama interferência destrutiva de ondas: elas se cancelam. Alto-falantes se movem tanto para frente quanto para trás. gera os mesmos sons. Além disso. mas com fases opostas. o multicanal nada mais é do que um conjunto de múltiplas caixas de som posicionadas em locais específicos de uma sala. por mais que o cancelamento seja eficiente. É desnecessário dizer que isso é impossível de ser feito num fone de ouvido. Apesar de serem extremamente convenientes. o preço acaba sendo alto. e o que resta é o silêncio. ou seja. na maior parte dos casos o multicanal é apenas uma simulação. não é possível. os que buscam sobretudo qualidade de som e não se incomodam em conviver com um cabo têm opções melhores na mesma faixa de preço. de quebra. radiofrequência ou infravermelho. No entanto. duas laterais traseiras e um subwoofer. Por último. Primeiramente. por questões técnicas. e para muitos isso é tão ou mais importante que a qualidade de som. nos sem fio. mas também pela tecnologia livre de cabos. 33 . mas ainda assim é um posicionamento que em nada lembra um sistema de caixas de som desse tipo. esse cancelamento é muito bom: ele de fato proporciona maior isolamento de sons externos. há uma caixa frontal central. que pode ser bluetooth. com um circuito interno. porém. esses fones são altamente convenientes. traz distorções e a qualidade de som é comprometida. é um som em fase. Por isso – até mesmo para o público gamer – vale muito mais a pena procurar algum fone com um bom palco sonoro. é que a existência desse circuito ativo.OUTRAS CARACTERÍSTICAS traz problemas na qualidade de som – e mesmo nos casos em que eles são contornados e o resultado é muito satisfatório (como na linha RS da Sennheiser ou nos Parrotz Zik). fora de fase. o isolamento proporcionado por bons intra-auriculares é superior. para trás. Primeiramente. Em compensação. serão consideravelmente superiores para ouvir música. É o mesmo som. Eles apresentarão no mínimo a mesma precisão no posicionamento dos sons dos fones multicanal e. Quando se movem para frente. mas com fase invertida. Afinal. como barulhos de avião. sendo capaz de trazer cortes muito mais significativos nos ruídos externos – com o benefício de não haver um circuito ativo que traz distorções e depende de alimentação por baterias. o objetivo de um sistema multicanal de caixas é uma maior imersão e Sem fio É uma característica auto-explicativa: os cabos são substituídos por algum tipo de transmissão de sinal sem fio. existem outros fones sem esse cancelamento ativo na mesma faixa de preço que possuem melhor qualidade sonora.

como toda a linha Stax ou o Koss ESP950. Apesar de haver algumas exceções. é um pequeno supra-aural. em que fones fogem dos estereótipos. a situação é parecida. Se quer algo portátil. os planar-magnéticos devem ser considerados. os personalizados com armaduras balanceadas são a escolha óbvia. nos fones universais. um dos melhores fones já feitos. o Grado HP1000. não têm a mesma autoridade dos planar-magnéticos ou a transparência dos eletrostáticos. como o Sennheiser HD800. Agora. arejamento e uma sonoridade rápida e precisa. vá num aberto. Para transparência extrema. mas nas categorias superiores é possível nortear a escolha de acordo com a sonoridade que se quer tendo em vista o tipo de transdutor. normalmente os fones fechados são mais indicados. Em headphones até os quinhentos dólares os falantes dinâmicos são basicamente a única opção. geralmente os circunaurais abertos são a melhor escolha. Se você procura uma sonoridade mais energética e com graves fortes. detentor do mesmo título. Mas se o objetivo é uma apresentação com mais pegada ou mais divertida. há características comuns em cada tipo. sem ter que se preocupar com isolamento ou em incomodar alguém. com mais peso e autoridade. Já os melhores dinâmicos. embora raras. você já deve saber o que será mais apropriado no que diz respeito ao tipo físico do fone. No mundo dos intra-auriculares. os eletrostáticos geralmente são a melhor opção. mas conquistam pela espacialidade mais desenvolvida e pelo posicionamento impecável dos instrumentos num amplo palco sonoro. pode-se escolher entre o peso. é melhor optar por algum intra-auricular ou um bom supra-aural fechado. Para ouvir em casa e ter um desempenho mais interessante. mas se quiser algo mais espacial e arejado. e existem situações. 34 35 . Quanto à tecnologia dos alto-falantes. Mas essas não são regras absolutas. se o objetivo for desempenho a qualquer custo. e os intra-auriculares personalizados muitas vezes têm os predicados para rivalizar com os melhores headphones em diversos aspectos. Em faixas de preço menos pretensiosas. a diversão e a espacialidade dos dinâmicos ou a precisão e a naturalidade das armaduras. o Sony MDR-R10.E AG O R A? Q UA L E S CO L H E R ? Depende. é um circunaural fechado. Por exemplo. como os Audez’e e os HiFiMAN.

mas me surpreendeu muito positivamente pelo equilíbrio R E CO M E N DA D O S e naturalidade – é mais neutro. pode ser encontrado no Brasil com relativa facilidade. o Aviator não é só estilo. mas apresenta uma personalidade muito divertida e um ótimo palco sonoro. mas já saiu em promoções por aproximadamente 500 reais.R$660.00 Supra-aural dinâmico fechado: para casa e para uso portátil O Edifier H840 é um pequeno circunaural bastante discreto e barato. não dá para reclamar. de diversos tipos e faixas de A Grado é uma marca familiar reverenciada por entusiastas.00 Supra-aural dinâmico fechado: para casa e para uso portátil Ao contrário de outros fones da marca. de jazz e gêneros acústicos. Como já dito anteriormente. O SR80 e suas variações i ou e são uma belíssima introdução à marca. Edifier H840 – R$160.00 tanto por falta de espaço quanto pelo fato de que não ouvi todos. energética e altamente musical. A oferta no MercadoLivre é ampla. pode ser encontrado no Brasil. vou listar Circunaural dinâmico aberto: para casa alguns poucos fones consagrados por suas qualidades. Além disso. mas não facilmente – e infelizmente o preço varia bastante. Skullcandy Aviator . Não tenho como listar todas as boas opções disponíveis no mundo dos fones de ouvido.00 Circunaural dinâmico aberto: para casa Um fone que me impressionou pelo ótimo desempenho a um baixíssimo preço. razoavelmente equilibrado. Para os que buscam um fone natural sem gastar muito. mas tenha em mente que existem muitos outros excelentes fones. o H850. fones são frequentemente vistos como os melhores para rock. Grado SR80/i/e – US$99.R$500. cuja sonoridade é realmente divertida e energética. Trata-se de um fone confortável. robusto e bem construído. Outra questão é que não há bom isolamento e o conforto não é dos melhores. Nesta seção. e seus preço.00 Circunaural dinâmico aberto: para casa O K240 MKII não é um fone incrivelmente neutro. por preços que giram em torno dos R$500. AKG K240 MKII .R$130. devido aos agudos excessivos. a importação é uma realidade comum para nós hobbistas. além Outra questão a ser observada é que alguns dos fones listados infelizmente não são vendidos oficialmente no Brasil. que seu irmão mais sofisticado. São fones com uma personalidade nua e crua. onde há uma lista um pouco maior e atualizada com mais frequência. mas é musical. Além disso. mas pelo preço. Um complemento para essa lista é o Tópico de Indicações do Fórum MTH. Não é para todos.Superlux HD681 . o H840 é uma escolha óbvia. 36 37 . só tenha cuidado e escolha vendedores com boa reputação. inclusive.

além de ser bem uma sonoridade deliciosamente energética e divertida. Pena não ser vendido no Brasil (ainda). o AKG Q701 pode ser melhor. Audio-Technica ATH-M50X . Existem pouquíssimas situações em que eu não uma década. confortável. sonoridade muito competente e competentes. mas por mais eufônico e relaxado. Sua personalidade analítica e bom palco eletrônica.00 Circunaural dinâmico aberto: para gamers e para casa Circunaural dinâmico fechado: para casa e para uso portátil Um dos melhores fones do mercado para gamers que não querem O fone definitivo para quem quer se divertir com música assaltar um banco. 39 . Em termos confortáveis sonoros e ambos fartos são de muito Circunaural dinâmico aberto: para casa e para gamers Circunaural dinâmico aberto: para casa O AKG Q701 é uma versão esteticamente modificada e montada Antigos topos de linha da Sennheiser.00 Sennheiser HD 25-1 II .US$189.00 Parrot Zik/Zik 2. confortável e de não ser tão exigente com amplificação. possui personalidade relaxada e relativamente neutra. para completar.95 Sennheiser HD600/650 . simplesmente desaparecem na cabeça: é você e a música. rock. isolamento e.US$399. hoje estão no mid-fi.0 é mais refinado. construído como um tanque. confortável para música acaba sendo analítico demais. com ótimo isolamento. oficialmente no Brasil.US$299. hip-hop. O porém fica por conta da sonoridade mais audiófilo. que não é para todos. mas o Zik original conta com uma apresentação mais divertida.0 . por fim.999. AKG Q701 . direta.599.00 V-Moda M-100 – US$310. porém construído. Sennheiser HD598 – US$150. baixa necessidade de amplificação.00 Circunaural dinâmico fechado: para casa e para uso portátil Circunaural dinâmico fechado bluetooth: para uso portátil Para muitos. Robusto.R$1. O único porém é o visual simples demais.00 Circunaural dinâmico aberto: para casa Circunaural dinâmico aberto: para casa e para uso portátil O Sennheiser HD598 é uma das melhores escolhas para aqueles Esqueça o que a Beats diz: este é o fone mais utilizado por DJs no que buscam um primeiro fone aberto de alto nível.38 Audio-Technica AD700X – US$120. É sonoro permitem a fácil localização de sons. que fria. ótimo funcionalidades. equilibrada. Philips Fidelio X2 . para rock clássico já feito.US$165. esse é o melhor fone marcas mais consagradas. É um fone recomendaria o X2 frente a qualquer outra opção em sua faixa de que leva a personalidade crua. o fone definitivo: relativamente barato.00 e US$499. personalizável. Também é fantástico para jazz. problemas são a bateria e o desempenho passivo com fio. Só se deve ficar atento às versões e seus respectivos doce e eufônica e o 2. compacto. Ele se posiciona mundo todo. pop e outros gêneros modernos. Ele é realmente espetacular e bate de frente com opções de Grado a toda a sua glória. Seu único problema é que não é vendido esticar um pouco o orçamento.00 Circunaural dinâmico aberto: para casa Circunaural dinâmico aberto: para casa Um dos fones que está firmando os dois pés da Philips no Com exceção do lendário HP1000. absurdamente Fones robusto. transparente e agressiva da preço. fora de produção há mais de mercado audiófilo. então se for possível e tem ótimo isolamento. e da necessidade de amplificação. por serem fones com excelente timbre e tonalidade. o melhor Grado em minha opinião é o RS1. transparente e aberto. O problema é que atraente. Em minha opinião. Considero-os barganhas do mundo menos de 200 dólares. porque o cabo em mola não é muito bom para uso portátil.90 e US$399.R$1.00 bluetooth convenientes. O na China do K701/2. todas as imediatamente abaixo do HD600 e mantém muito de sua suas partes são substituíveis pelo próprio usuário e. já HD650 é um pouco em pé de igualdade com os Sennheisers HD600/650.00 Grado RS1/i/e – US$695. Os cabos. fone profissional da AKG feito para competir HD600 ainda é um exemplo de neutralidade.

00 a US$1. é incrível. em sua categoria na revista What Hi-Fi. o LCD-X o mais neutro e o LCD-XC. mas é exatamente isso que o E10 traz. não é bem com o melhor palco sonoro já visto nos fones de ouvido desde o a tentativa de uma versão intra-auricular do ATH-M50. mas para gêneros calmos.500. mesmo comparados a IEMs com fio na mesma faixa de venda atualmente.00 SoundMagic E10 – US$35.00 Circunaurais planar-magnéticos abertos: para casa Intra-auricular dinâmico: para uso portátil Os fones da HiFiMAN apresentam uma sonoridade relativamente O Philips SHE3900 é um fone muito barato. e permanece como um dos melhores fones me surpreendeu por ser. e sim um auricular. O modelo mais novo da marca. A única questão que merece a atenção é que o a necessidade de amplificadores específicos.800. porém e que pode ser um bom upgrade dos fones inclusos em alguns os modelos HE-560 e o HE-6 são menos calorosos e talvez um celulares. É razoavelmente equilibrado e se não impressiona. e o único que consegue disputar com o antigo preço. mas o MIE2i de fones eletrostáticos. aquele encanta pela personalidade dá bem com gravações que não possuam qualidade impecável e altamente romântica e eufônica. é Os Bluebuds X originais me surpreenderam por serem ótimos considerado pela maioria dos entusiastas como o melhor fone à in-ears. MIE2i não é um in-ear. O HE-400i é mais fechado e eufônico. o fechado. O problema é o preço e precursor.99 Circunaural eletrostático aberto: para casa Intra-auricular dinâmico bluetooth: para uso portátil Ao menos até a recente introdução do novo Orpheus. o minúsculo Freedom. um fone para divertir.HiFiMAN HE-400i/HE-560/HE-6 .799.de US$300. mas bem interessante próxima dos Audez’e por usarem a mesma tecnologia. O LCD-2 é o mais barato (mas esses motivos que o E10 ganhou quatro vezes o prêmio de melhor excelente). os fones da marca são conhecidos pela sonoridade aliada a uma apresentação equilibrada e bem detalhada. a 300 dólares. surpreendente pelo preço. com um app próprio que o SR-007.US$1. o IE.499.00 Circunaural eletrostático aberto: para casa Intra-auricular dinâmico: para uso portátil Foi por muito tempo o topo de linha da Stax. Apesar dos problemas de peso de um in-ear de 35 dólares. O problema é que ele é um pouco analítico. marca. junto com a HiFiMAN. também caros. com personalidade um pouco mais analítica. O IM50.00 Circunaural dinâmico aberto: para casa 40 Intra-auricular dinâmico: para uso portátil Possivelmente o melhor fone dinâmico produzido atualmente. Sennheiser HD800 . Possui uma personalidade muito natural. É por autoritária. ao contrário do que eu esperava da de ouvido já fabricados. Não é necessita de amplificador e fonte sofisticados. fabricante japonesa A Bose não é muito bem vista no mercado audiófilo. Indicado para aqueles que simplesmente promoções é uma barganha. 41 . e não se este é energético e autoritário.00 Bose MIE2i – R$499. Stax SR-009 – US$3. Enquanto AKG K1000. que permite até mesmo equalização. e conforto. É mais neutro e aberto aparentemente apresenta um grande avanço. e em também não ofende. e tem tudo para agradar.00 Circunaurais planar-magnéticos abertos e fechado: para casa Intra-auricular dinâmico: para uso portátil A Audez’e.00 Philips SHE3900 – R$30. Orpheus o título de melhor fone já feito. pouco mais neutros. Audez’e LCD-2/LCD-X/LCD-XC – de US$995.00 a US$1. querem um fone competente sem gastar muito. ao contrário do que o nome parece indicar. logo não há isolamento.95 Audio-Technica IM50 – US$55.299. muito equilibrado e natural – infinitamente melhor que seu tendendo um pouco para o lado eufônico. Stax SR-007 – US$1. foi responsável pela volta dos Uma boa construção em metal geralmente não é o que se espera planar-magnéticos ao mercado. rápida e prazerosa.00 Jaybird X2 Wireless – US$199.

Mas fones como o W40 mudaram esse cenário.00 Intra-auricular de BAs: para uso portátil Intra-auricular personalizado de BAs: para uso portátil Um dos melhores universais que já ouvi. O XE8/Pro é o topo de linha. DUNU DN2000 – US$250. O único Consequentemente. e conta fone fantástico. extremamente doce. mas não é para todos. seca igualdade com customs como o JH5 Pro. Assim como o JH13 Pro. menos Topo de linha da Unique Melody. e hoje à sua segunda versão. O JH13 Pro é um monstro que chegou e agora conta com filtros removíveis. algo que só encontrava personalizados que tem as armas para brigar com as grandes nos customs. médios deliciosamente menos peso nos médio-graves e mais presença nos agudos. headphones e.050 univ.00 Intra-auricular híbrido: para uso portátil Intra-auricular personalizado de BAs: para uso portátil Poucas vezes me encantei tanto com um in-ear. suaves e sedosos e agudos brilhantes e transparentes. e equilibrada. que apesar das dezenas de acessórios gêneros musicais. eu não havia encontrado nenhum universal que A Xtreme Ears é uma marca 100% brasileira de intra-auriculares eu considerasse sem defeitos evidentes. qualquer gênero musical. possui uma personalidade balanceada por lado. e R$4. ao mesmo tempo.900 pers. personalidade é absurdamente orgânica e natural e seu som é Natural. agora com controle de graves no cabo.00 Unique Melody Miracle – R$3. por ser mais transparente porém. ao preço de um universal. Westone W40 – US$499. mas para os que buscam neutralidade. é um pouco mais seletivo em termos de problema é o encaixe. Como todos os fones personalizados. não gostei muito. Intra-auricular personalizado de BAs: para uso portátil Intra-auricular personalizado de BAs: para uso portátil O fone mais barato da JH Audio soa de todos os jeitos. Shure SE846 – US$999.42 Xtreme Ears Xtreme ONE – R$999. No entanto. para isso.600. E tem a vantagem de ser brasileiro.649. para alguns. transparente.175. quente. JH Audio JH5 Pro – US$399. considero-o melhor que o JH13 PRO pré- camaleônica que se adequa igualmente bem a basicamente -freqphase.00 Intra-auricular de BAs: para uso portátil Intra-auricular personalizado de BAs: para uso portátil Há alguns anos. o fone foi atualizado auriculares personalizados. com 10 drivers de armadura barato. O Roxanne é mais fechado e musical. não precisa de mais do que um celular. e que bate de frente com O melhor intra-auricular que já ouvi. muito equilibrado e que consegue brigar em pé de com uma personalidade altamente energética.00 Unique Melody Mentor – R$4. estando mais próximo de headphones do que de reclamar do SE846. Desbanca muitos elogio dos maiores. há muito pouco do que gigantesco. agudos. um novos drivers e crossover e waveguide de aço. porém mais neutro: há parecem os de um planar-magnético. Sua alguns dos mais consagrados IEMs personalizados do mercado. E a grande vantagem em relação aos customs in-ears.00 JH Audio JH13v2 – US$1. falta extensão e presença nos é a simplicidade e a facilidade na revenda. haver representação da marca no Brasil. 43 . é uma inclusas. com preços competitivos. porque havia O fone que mais contribuiu para a proliferação dos intra- pouca extensão nos agudos.00 JH Audio Roxanne – US$1. em dia é um belíssimo universal – me lembra muito o HD600. Ele se transformou. Outro aspecto muito positivo é o fato de são confortáveis e têm ótimo isolamento. aparentemente não é para todos. autoritário e detalhado. É um fabricantes internacionais. Graves que mais É um pouco como o JH13 Pro. opção fantástica.00 Xtreme Ears XE8/Pro – R$4.590.00 Intra-auricular de BAs: para uso portátil Intra-auricular personalizado de BAs: para uso portátil Quando o ouvi pela primeira vez. Desde então.

mas elas são finalizadas com laca. apenas seladas e polidas. que visivelmente deformava o diafragma dos Aliás. Nesses casos. com exceções muito raras. Use a pequena haste de metal para remover partes maiores e. escovinha para retirar o que sobrar. a e não pelo fio em si. os tubos por onde sai o som. quando for desconectá-lo. O motivo é o mesmo: equipamentos podem apresentar transientes. com o volume máximo. Existem muitos produtos no mercado para esse fim (especificamente para o pode ser prejudicial ao fone. Como vimos antes. para esse tipo de fone. Explico: o Audio-Technica W3000ANV possui as conchas em madeira. alto-falantes são. madeira. mas plugá-los em algum equipamento que forneça muita potência pode danificá-los permanentemente. Também é importante. O mesmo vale para as conchas de acrílico dos IEMs personalizados. Partes de couro também podem se beneficiar de um tratamento mais cuidadoso. são sobreviver serão praticamente nulas. as chances de ele aparência. ao que parece. Por isso. entre fones de ouvido conectados a ele quando o equipamento era desligado. couro ou tecido. o contato constante com a parte interna dos ouvidos faz com que eles acumulem bastante cera. Quanto ao fone. muitos fones atualmente permitem que ele seja removido. em qualquer equipamento. mas alguns mais sofisticados. o que em casos extremos pode entupir o canal. Um caso notável desse problema foram as primeiras tratamento de móveis). Felizmente. Não existem muitos mistérios para cuidar bem de um fone de ouvido. ou no máximo com álcool isopropílico. sem estresse excessivo causado por volumes exagerados ou choques físicos. como os Audio-Technica topo é: fonte > amplificador > transdutor. e essa ordem específicos para hidratar o couro e manter sua saúde. Partes de plástico ou metal podem ser limpas apenas com um pano úmido.C U I DA D O S CO M O FO N E Para a limpeza. depois. esse seus acessórios. de puxar pelo conector. e as partes macias costumam ser feitas de courino. Nesses casos. quando fones apresentam algum problema. Por exemplo. Fones personalizados costumam incluir uma ferramenta de limpeza nos seus acessórios inclusos. mas isso é algo que não deve ser para ligar/desligar faz com que os equipamentos da cadeia não sofram com eles. Fones mais sofisticados Já fones de madeira podem exigir cuidados adicionais se quisermos manter sua boa aguentam volumes muito altos sem maiores problemas. fazer periodicamente um pequeno tratamento nas partes feitas com esse material. o principal é ter cuidado com o volume. Já será o suficiente. essa cadeia limpos com um pano seco. Primeiramente. principalmente próximo aos conectores. geralmente o culpado é o cabo. Só E já que o assunto são boas práticas. fones como o R10 ou as primeiras versões dos Audez’e LCD-2 já incluíam. existem alguns cuidados que devem ser observados. Lembre-se também. tenha cuidado para não confundir couro animal com couro sintético. há uma forma de limpeza. e para desligar de linha. De qualquer forma. No entanto. também existem produtos fonte. também chamado 45 . a limpeza dos canais. mas vale lembrar que neles a limpeza deve ser mais frequente. siga essa ordem. Isso retirar o fone antes de desligá-lo é uma boa prática. 44 veludo. É natural que entre um pouco de cera nesses tubos. os Stax SR-009 e SR-007 e algumas versões dos Audez’e têm suas espumas siga a ordem contrária – primeiro retire o fone. Um falante comum pode muito bem durar mais de um século se bem cuidado. Afinal. mas isso depende do acabamento. Uma ou duas vezes por ano deve ser o suficiente. aqui vai mais uma: ligar os equipamentos em ordem courino ou couro vegetal. metal ou acrílico (no caso de intra-auriculares personalizados). ou seja. para manter a boa aparência é interessante Outra dica é tirar o fone da saída antes de ligar ou desligar o aparelho. então para ligar. Então. A maior dica que posso dar para que um cabo dure é evitar dobrá-lo excessivamente. Para cada material. Alguns pode ser feito com algumas ceras e óleos específicos. e eles podem ser usados em fones de ouvido sem problemas. problema no Valhalla logo foi resolvido. mas algumas questões merecem atenção. como lustra-móveis ou Óleo de equipamentos apresentam fortes transientes ao serem ligados ou desligados. depois desligue o amplificador e então a laterais revestidas com couro genuíno. A maior parte dos fones usa essa última opção e só devem ser crescente na cadeia e desligar em ordem decrescente. Os materiais geralmente usados em fones de ouvido são plástico. mas não é bom deixar que ela acumule – caso contrário. já que a madeira está protegida. que possui bastante potência. unidades do amplificador Schiit Valhalla. um kit para o tratamento da madeira. o que Peroba. um HeadAmp GS-X. fones como o Sony MDR-R10 ou os Audez’e LCD-2 e LCD-3 são feitos de madeiras que. feito com tanta frequência. e por isso apenas um pano será o suficiente. componentes cuja durabilidade é altíssima. durante a limpeza se torna mais fácil empurrar a sujeira para dentro. se eu ligar algum in-ear sensível na saída de fones do meu amplificador.

As espumas de tecido ou de veludo muitas vezes acumulam poeira mas, assim como as

O BURN-IN

peças de courino, não devem ser limpas com nada além de um pano úmido.
No entanto, todas as partes macias (espumas laterais e superiores de fones ou ponteiras
de intra-auriculares, particularmente as de espuma, como as Comply) sofrem desgaste
natural, e eventualmente terão de ser substituídas. As espumas mais comuns em fones
mais baratos são revestidas de vinil, material que em algum momento irá descascar.
Porém, mesmo as mais sofisticadas, por ficarem muito tempo sofrendo a pressão da
cabeça do usuário, ficarão mais finas com o tempo, o que pode prejudicar a aparência
do fone e, crucialmente, alterar sua sonoridade, já que a distância entre os falantes e os
ouvidos será menor.
E como guardar os fones? O ideal é mantê-los num local seco e ventilado, sem exposição
direta à luz solar, mas sei que muitos fones podem ser uma bela peça de decoração,
particularmente se colocados em suportes específicos, como os da Woo Audio ou o
Omega, da Sieveking Sound.
O maior cuidado que devemos ter com esses suportes é evitar que eles contribuam para
o desgaste de alguns elementos. Por exemplo, o Omega (e suas réplicas) possui um
formato que pode contribuir para o desgaste prematuro das espumas laterais e superiores
e, principalmente, dos elásticos dos fones que usam esse tipo de solução para o ajuste
de altura – como os AKGs K701 e suas variantes, K240 e K271 e os Audio-Technica. Afinal,
eles serão forçados durante todo o tempo em que estiverem posicionados no suporte.
Os da Woo Audio são mais interessantes nesse aspecto porque não afetam as espumas
laterais, mas ainda podem prejudicar as superiores ou os elásticos, dependendo de
como o fone estiver posicionado neles. Tenha isso em mente quando usar um suporte.
Por último, uma observação sobre fones eletrostáticos: esse tipo de fone é especialmente
sensível à poeira, que com o tempo pode afetar seu desempenho e, em casos extremos,
causar arqueamento dos diafragmas, danificando-os permanentemente. Por isso, o ideal
é mantê-los num local protegido, com uma capa.

Um dos assuntos mais polêmicos da audiofilia é o amaciamento de alto-falantes, mais
conhecido como burn-in. De acordo com os proponentes do efeito, falantes saem da
linha de produção rígidos, porém, com o uso, aos poucos são amaciados até atingirem
sua forma final – como um par de sapatos que “cede” após algum tempo de uso. Por isso,
é comum no círculo audiófilo ler sobre fones de ouvido que só atingiram seu verdadeiro
potencial após centenas de horas de amaciamento.
Em teoria, é uma ideia razoável – apesar de a audibilidade do efeito poder ser
questionada –, mas o problema é como ela foi vulgarizada e tornada uma verdade
universal no hobby apoiada em evidências, no mínimo, duvidosas. Não só isso: foi
extrapolada para componentes dos mais diversos, incluindo, até mesmo, cabos.
O maior problema em toda essa questão é a fragilidade de nossas percepções.
Nossos sentidos são falhos – isso é um fato. Qualquer informação sensorial que chega
à nossa consciência obrigatoriamente passa pelo nosso cérebro e por todas as suas
imperfeições. Ou seja, não ouvimos aquilo que os nossos ouvidos detectam, e sim o que
o nosso cérebro interpreta do que os nossos ouvidos detectam. E essa interpretação
está sujeita a diversas interferências: placebo e autossugestão são exemplos.
Audiófilos frequentemente subestimam a força desses efeitos. Quando estamos
falando de percepções sutis, o simples fato de alguém mencionar alguma determinada
característica é o suficiente para que a ouçamos, mesmo que ela não esteja de fato lá.
Pense nas famosas ilusões de ótica, em que vemos cores e movimentos que não existem,
por exemplo. O mesmo acontece com nossos ouvidos – ouvimos e sentimos coisas que
não necessariamente estão ali. Vejam esta ilusão ou o efeito McGurk. Eles vão mostrar
como isso pode acontecer.
A observação dessa realidade por si só já coloca em xeque diversas afirmações que
lemos sobre equipamentos que, após semanas de uso, apresentaram alguma melhora.
Afinal, não é muito razoável crer que alguém seria capaz de comparar a sonoridade
de um determinado equipamento à memória de quando ele era novo semanas atrás,
especialmente ao nível de detalhes implicado. O simples fato de achar que haverá
uma melhora já é o suficiente para que a ouçamos, mesmo se ela não existir. Esse é o
conhecido e comprovado efeito placebo.

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Para piorar, é impressionante o quanto essa ideia de amaciamento acaba tomando
proporções absurdas. Por exemplo, é relativamente frequente ler relatos sobre o
amaciamento de outros equipamentos que não possuem partes móveis, como
amplificadores, DACs (veja que isso é diferente de atingir a temperatura ideal de
operação, o que em alguns casos é, sim, real) e até mesmo de cabos! Já li, de um
articulista bem famoso, que “o cabo X só tocou bem após 300 horas”. Essa afirmação é
totalmente absurda. Também é comum sugerirem utilizar o chamado “ruído rosa” como
método de amaciamento, porque músicas comuns não excitariam todas as frequências e
o alto-falante ficaria viciado (!).
Aqui, a máxima “afirmações requerem evidências, e afirmações extraordinárias requerem
evidências extraordinárias” é especialmente útil. A evidência colocada pelos crentes no
efeito é frequentemente apenas “eu ouvi”, o que não possui qualquer significância no
mundo real. Afinal, como vimos, nossos sentidos não passam perto da palavra “confiável”.

depois tentava adivinhar quais eram os lados. Consegui todas as vezes.
Isso não significa, porém, que a diferença era grande – muito pelo contrário. Apesar de
perceptível, tenho total certeza de que ela só era audível porque eu estava ouvindo os
dois lados ao mesmo tempo, um em cada ouvido, e a sensação era de que um deles
parecia estar ligeiramente mais alto. Demorei para perceber que a diferença estava nos
graves. Se houvesse um intervalo de poucos minutos entre as audições, a diferença
desapareceria completamente para os meus ouvidos e eu nunca poderia dizer com
certeza qual lado era qual. Que dirá 300 horas.
Além disso, depois de um curto uso após ter ficado alguns meses parado, as diferenças
entre os lados do CX 300 II sumiram – o que me leva a crer que ou o outro lado amaciou
rapidamente ou o outro voltou ao seu estado inicial. Qualquer que seja a situação, é uma
verificação totalmente dissonante dos relatos que lemos sobre o burn-in de audiófilos –
afinal, ou a queima é na realidade muito rápida, não precisando de centenas de horas, ou

Isso se aplica a diversos aspectos do nosso hobby. Em debates, vejo com muita frequência

existe reversão, ou seja, o falante após algum tempo parado volta ao seu estado inicial

audiófilos colocarem o ônus da prova nos descrentes, o que não deveria ser o caso.

pré-amaciamento. Ambas as possibilidades não condizem com os muitos testemunhos

Não estou dizendo que o burn-in não existe, somente afirmando que as evidências que

que lemos a respeito do efeito.

conheço até agora propostas não me convenceram, por se manterem principalmente no
campo da teoria e, na prática, se limitarem ao “eu ouvi” num teste nada controlado, sem
isolar outras variáveis.

Minha conclusão é que o amaciamento de fato parece existir, mas a um nível mínimo e
de forma totalmente diferente do que relatos de entusiastas costumam indicar. Esqueça
300 horas, ruído rosa ou outras especificidades do tipo. Ouça música com seu novo

Ademais, é surpreendente o quanto muitos fabricantes não se pronunciam sobre o

fone normalmente. O amaciamento que verifiquei, você provavelmente não irá ouvir.

assunto. Algumas marcas de fones até falam sobre o efeito, mas geralmente são marcas

Qualquer grande diferença que você acabar identificando tem muito mais chances de

pequenas (como a Grado) que não são muito conhecidas por um alto padrão tecnológico

ser proveniente da sua percepção mudando a respeito do fone. Afinal, ela sim poderá

e de pesquisa e desenvolvimento. As poucas pesquisas que parecem ter sido feitas

passar por grandes transformações. Quando estamos acostumados a determinada

não foram muito conclusivas. Existem outros problemas também: os diafragmas de

sonoridade, qualquer coisa que desvie dela vai parecer diferente de início, mas conforme

falantes de fones são feitos de mylar, material que sofre muito mais alterações devido à

nos habituamos a essa nova personalidade, nossa percepção se assenta.

temperatura do que ao tempo de uso, e nunca vi nenhum audiófilo dizer que algum fone
tocou diferente num dia mais quente ou mais frio.

Por isso, ao receber um fone novo, não se preocupe com o burn-in. Ouça música
normalmente e dê algum tempo para que você se acostume à nova sonoridade. Se após

Por isso, eu mesmo decidi fazer meu próprio teste, me preocupando em isolar o maior

uma semana você decidir que gostou mesmo dele, ótimo. Se não, venda-o. Tocar ruído

número de variáveis possível: comprei um Sennheiser CX 300 II, e amaciei apenas um

rosa por muitas horas não vai fazer diferença.

lado por 200 horas. Depois, comparei os lados com gravações em mono, ou seja, com o
mesmo conteúdo em ambos os canais. Ao contrário do que esperava, consegui detectar
uma diferença audível entre os dois lados – um deles apresentava mais graves. Para
verificar se estava mesmo ouvindo essa diferença, eu fechava os olhos, embaralhava os
lados, colocava o fone (ele é simétrico, ou seja, o lado direito é igual ao esquerdo) e

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ESPECIFICAÇÕES DE FONES

em dB SPL/W (decibéis de nível de pressão sonora por watts) para caixas de som e, para
fones, dB SPL/mW (decibéis de nível de pressão sonora por miliwatt), já que a potência
requisitada por eles é muito menor. Ou seja, para cada watt ou miliwatt de potência

Em equipamentos de som, nada substitui as audições para determinar o que é bom para
os nossos ouvidos. No entanto, são raros os casos em que podemos ouvir algo antes
de comprar, e por isso vejo muitos iniciantes confiarem nas especificações. Porém, a
verdade é que essas especificações dizem muito pouco sobre aspectos importantes dos
equipamentos, e nunca vão determinar se um fone é melhor que outro. No máximo, elas
indicam como determinado fone vai se comportar em algum cenário específico no que
diz respeito ao volume. Portanto, ao pesquisar sobre fones, não se preocupe muito com
as especificações. Leia avaliações e veja o que as pessoas dizem sobre o equipamento
de interesse – essa é a melhor forma de decidir uma compra.
A maior parte das especificações a seguir diz respeito aos fones de ouvido, mas algumas
são também sobre amplificadores.
Ultra/Mega/Master/Power/Enhanced/Ultimate Bass
Sei que não se trata de uma especificação, mas é algo que chama a atenção de muitos,
principalmente iniciantes. Esse tipo de informação é normalmente encontrada em fones
mais simples, de fabricantes que sabem que o consumidor comum, acostumado com
fones auriculares, quer graves potentes, coisa que eles não têm. O problema é que esse
Mega Bass normalmente não quer dizer muita coisa, e no final das contas o excesso de
graves acaba arruinando a qualidade de som do fone. Regra geral: fuja.

volume.
Impedância (Impedance)
A impedância, de acordo com a Wikipedia, é "a oposição que um circuito elétrico faz
à passagem de corrente quando é submetido a uma tensão". Ela existe em qualquer
parte por onde passa o sinal – logo, falantes, cabos, circuitos, conectores e outros
possuem impedâncias. Aqui, falarei sobre a impedância de entrada do falante – ou seja,
a resistência que o fone ou caixa de som irá impor ao sinal proveniente do amplificador –
e a impedância de saída do amplificador – isto é, a oposição que ele impõe, na saída de
fones, ao sinal que está transmitindo. Ambos são importantes.
A impedância do fone deve ser observada porque é muito variável, e amplificadores vão
fornecer diferentes potências a diferentes impedâncias – já que ele vai ter que lidar com
"resistências" diferentes. Em caixas, a faixa normal de impedância é de 4, 6 ou 8 ohms.
Já em fones, normalmente vai de 10 a 600 ohms. Veja que essa impedância pode variar
com a frequência do som, e o número fornecido pelo fabricante é como uma média.
Em termos práticos, ao juntarmos a impedância e a sensibilidade com a potência de
saída da amplificação, a questão é simples. Se um fone tem 120 ohms de impedância e
92 dB SPL/mW de sensibilidade e é ligado a um amplificador que fornece 1 mW em 120

Diâmetro do diafragma (Driver diameter/Driver size)

Ohms, esse 1 mW gerará 92 dB SPL de pressão sonora.

Em teoria, quanto maior, mais capacidade de excursão, maior volume de ar movimentado

Duas observações: conforme a impedância aumenta, a potência diminui, e a relação entre

e mais graves. Na prática, não quer dizer nada. Existem fones com falantes pequenos e

potência de saída e nível de pressão sonora não é linear (a escala de dB é logarítmica),

graves colossais e outros com diafragmas enormes e graves tímidos.

ou seja, nesse sistema, 2 mW não vão te dar 184 dB SPL.

Sensibilidade (Sensitivity)

Em fones, vejo que existem muitos equívocos de hobbistas. Primeiramente, deixando

Em questões práticas, a sensibilidade e a impedância são, provavelmente, as
especificações técnicas mais importantes num fone ou numa caixa de som – já que,
junto com a potência do amplificador, vão dar uma ideia do volume ao qual será
possível chegar com um determinado sistema. Sensibilidade é, como o nome implica, a
sensibilidade de um determinado equipamento a um sinal elétrico: a escala costuma ser

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gerado por um amplificador, o fone ou caixa vai te dar X dB SPL – em outras palavras,

claro: impedância é apenas uma característica e, na prática, nunca um indicativo de
qualidade de um fone. Impedância maior ou menor não quer dizer que um fone seja
melhor ou pior. Na maioria dos casos, inclusive, não há motivo para se preocupar com
isso. Se você simplesmente quer um fone portátil para usar com um DAP ou celular, não
se preocupe com essa especificação.
Ela deve ser observada, porém, na hora de entender a interação de algum fone

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como já foi dito. a impedância é mais importante e algo que merece mais atenção. Existem outras.25 ohms. como em placas de som integradas. em 4. junto com o slew rate. que vai determinar quão bem ele vai lidar com elas – para chegar a um bom nível de volume com compostura e autoridade. Amplificadores normalmente têm sua potência nominal declarada em 8 ohms e. Primeiramente. o que de modo geral é algo ruim. como há essa questão. especialmente de caixas de som – e a mais importante. por segurança. A última questão que deve ser observada é impedâncias mais altas requerem maior tensão de saída – ou seja. e os 53 . Potência de saída (Output power) Aqui temos uma exceção. o ideal é que a impedância que forneçam 200 W. Existem caixas fáceis e caixas difíceis (veja sensibilidade e impedância). o fator de amortecimento do fone é prejudicado e o resultado é será necessária para um falante. mas impedância alta também deixam as coisas mais difíceis para amplificadores mais simples. pois se trata de uma especificação exclusivamente de amplificadores. Não é como nas placas de som ruins. ela costuma dobrar. já que eles vão poder empurrar qualquer fone sem problemas. a antiga prática de mensurar potência em watts PMPO (uma medida tão desonesta que foi banida pelo INMETRO) acabou criando expectativas irreais em muitas pessoas. Mas. de “forças” diferentes para uma mesma potência. se a potência mínima recomendada por que os graves vão ser mais soltos e menos definidos. por exemplo. um Marantz PM-11S2 é declarado como tendo 100 W. o ideal é que a impedância de saída do amplificador seja. mas. não passe de 2. Para ele. de 4 ohms (32/8 = 4). entender como mínimo absoluto porque amplificadores fornecem correntes diferentes. É simplesmente a potência máxima que a caixa pode aguentar sem que haja danos ao seu alto-falante. que possui 18 ohms. saídas de fones de má qualidade. Por exemplo. Baixa sensibilidade é algo que traz mais dificuldades.específico com um determinado amplificador. então não é raro encontrar alguns que forneçam 100 W que toquem mais do que outros como o JH Audio JH16 Pro. e é a potência do amplificador. esse número deve ser encarado mais como uma estimativa. desde que é o amplificador MiniWatt (com apenas 1 W de potência) e as caixas Zu Audio Essence. Um par muito elogiado. Por isso. A questão só não é tão simples quanto olhar o número e o dos 32 ohms – para esses. A regra básica é a seguinte: o ideal é que a pelo fabricante para se atingir um volume satisfatório. Por exemplo. o que está ligado à capacidade dele de fazer caixas de som tocarem. Já em caixas de som. pois vai determinar que potência será extraída do amplificador – além do fato de que uma impedância menor que a aceita pelo amplificador pode queimá-lo. acostumadas aos seus números imensos. O que importa são os watts RMS. é possível saber que amplificadores com pouquíssima potência dizer que o melhor é ter sempre amplificadores com a impedância de saída mais baixa (como os valvulados em triodo) serão suficientes. mas também um problema inerente. que é a alta impedância de saída. aliás. com eles. Há. Muitos. como resposta de frequência e slew rate (particularmente significativa para caixas de som). Essa potência é em 8 ohms. tenham a potência necessária. Não é uma coisa tão certa. porque não é a caixa que tem 150 watts. possuem impedância de saída muito alta. Não é uma especificação normalmente encontrada em fones. Existem alguns benefícios nesse tipo de circuito. então. uma exceção: existem alguns amplificadores valvulados que trazem uma topologia sem transformadores de saída. no máximo. como por exemplo 150 W ou 300 W. assim como a sensibilidade. mas não vou abordar aqui por não considerá-las tão importantes para os leitores para os quais este texto foi escrito. e em 4 ohms ela salta para 200 W. é possível uma caixa de som é 10 W. se confundem. amplificadores mais fortes. como os Sennheisers mais sofisticados da linha HD ou os Beyerdynamic Premium de 600 ohms. porém. Mas isso não é uma regra: já vi amplificadores com 100 W em 8 ohms e 175 W em 4 ohms. Potência mínima recomendada (Minimum power recommended) Não costuma ser visto em fones. pois se trata de um reflexo de um circuito sofisticado que possui diversos benefícios. um iPod ou um celular qualquer provavelmente terão dificuldade em tocar um fone de 300 ou 600 ohms. Muitas vezes. Mas existem alguns in-ears ainda menos resistentes. o ideal é usar fones de resistências altas. Por exemplo. os OTL. mas é basicamente a potência mínima recomendada 52 Potência maxima de entrada (Maximum input power) São os famosos números frequentemente vistos em caixas de som passivas. possível. o que tem é o amplificador. Ela não tem nada (a menos que seja ativa). dá uma boa noção de aproximadamente quanta potência Se isso não acontecer. A grande maioria dos fones do mercado possui por volta de sensibilidade altíssima. impedância de um fone seja pelo menos oito vezes maior que a de saída do amplificador. A potência de saída é como a “força” do amplificador.

tem mais capacidade de lidar com as caixas. seja para os graves. de maneira resposta como um atestado de qualidade. não vai fazer tanta diferença. ou seja. Veja o Sony SA5000. e se considerarmos os que operam em classe A. vai tocar mais – tanto considerando o volume quanto a respondem a 45 Hz e não respondem mais a 44 Hz. seja para os agudos. limites. onde de resultado é a perda de refinamento. E. mesmo com responde. visual. diferentes equipamentos de 55 . vejo muitos considerando a de um determinado fone. músicas chegam a eles. A audição humana só é capaz de ouvir sons entre 20 Hz e 20 kHz. isto é. de fato significa que o amplificador o fim da resposta? Cada fabricante usa um método. porém. do ambiente no qual esse sistema vai tocar – quanto maior. gerando vibrações em diferentes frequências. Então. Veja. não é incomum alguns de 30 W tocarem mais que outros de 200 W que operam em classe nada tem a ver com a qualidade de som. Apesar disso. agudos) que o fone apresenta em relação às outras. de de potência. já pode importância. Mas. obviamente. já que vão trabalhar com bastante reserva O problema é que a resposta de frequência é naturalmente cheia de altos e baixos. simplesmente. Resposta de frequência (Frequency response) Primeiramente. os limites. e. É o que acontece entre os limites que faz toda a diferença.números não são impressionantes. e mesmo se satisfazer com 30 W. em fones. e nenhum responde infinitamente. por exemplo: a marca determina que sua limite. até onde o diafragma potências em watts RMS. o JH Audio Roxanne. o volume de cada frequência por meio de um gráfico. Existem amplificadores com 100 W que tocam mais que outros com 150 W ou 200 W. é variável. o que significa um menor nível de distorção. mas tenho certeza de que um bom integrado. Em termos práticos. é que nem todos os gráficos são feitos da mesma maneira. poucas suficiente para um grande número de aplicações. Hoje em dia muitos receivers e minisystems comuns estão declarando saudáveis A resposta de frequência indica. Nenhum falante tem uma resposta perfeitamente igual em todas as frequências. até porque. com volume de determinada frequência ou faixa de frequências (como graves. A explicação técnica para essa especificação é a seguinte: falantes respondem a sinais elétricos. com caixas sensíveis. Há um decaimento gradativo nos qualidade. AB. como já dito anteriormente. já que é o mais perto que se pode chegar de constatar como é a sonoridade real do fone é efetivamente nula. como já foi dito. diferentes microfones. Ele mostra. o que pode significar mais controle dos diafragmas – em termos práticos. a menos que a resposta seja criticamente curta (algo como Para saber o que essa potência significa num sistema. mesmo com relação à força do amplificador. ele deveria responder bem. o que em nenhum cenário vai ser o caso. Ou seja. na maior parte das vezes. mas basta ver o gráfico de resposta de audiófilos acharem que potência demais é ruim. Essa reserva também quer dizer que ele vai trabalhar mais longe do praticamente arbitrário. é possível ver o por exemplo. um dos melhores intra-auriculares da atualidade. menor potência nominal. maiores devem ser as caixas e a potência do amplificador. forma que o padrão utilizado pelas fabricantes varia muito. Essa especificação merece ser O gráfico de resposta de frequência é uma especificação rara. Gráfico de Resposta de Frequência. como determinar No entanto. mais potência. acordo com a marca. sob Conclui-se que a tolerância usada pela fabricante foi extremamente generosa. médios e uma resposta declarada bem menos ampla que a do Sony EX310. Existem diferentes tipos de compensação. Não preciso dizer que o Roxanne está boas léguas à frente do Sony em qualquer aspecto. você precisa saber a sensibilidade e a impedância das caixas. em fones de ouvido essa especificação simplesmente não tem 54 60 Hz a 15 kHz). a resposta Uma questão. além. A questão é que eles não param de responder abruptamente. um IEM de entrada. para deixar absolutamente claro: resposta de frequência nunca. como explicarei no próximo tópico. Gráfico de resposta de frequência (Frequency response graph) nenhuma hipótese é indicativa da qualidade de um fone. já que pode ser descontrolada e o frequência para ver que há um decaimento violento abaixo dos 100 Hz: a 5 Hz. praticamente não há atividade alguma. A frequência da vibração é o que determina se o som é grave ou agudo. porque evidencia seu equilíbrio tonal. Algo como 100 W já é uma potência extremamente saudável e que um fone não chegue a esses extremos (o que é relativamente incomum). A potência tem pouco ou nada a ver com a qualidade de som. e o nível de pressão sonora vai diminuindo aos poucos. e mesmo para elas é algo melhores graves. mas talvez seja a mais ignorada porque não quer dizer absolutamente nada e a relação com o desempenho importante. um detalhe: não é incomum resposta de frequência é de 5 Hz a 110 kHz. Um ambiente de 20 m2.

com vários fones. uma linha reta seria uma utopia. Mas não é uma diafragma responder linearmente ao longo de toda a sua resposta de frequência. É normal que a região dos agudos seja bem estranha e longe de uma linha reta. não só porque é impossível fazer um é possível que alguns detalhes do gráfico acabem sendo diferentes. certo? Então. logo algumas alterações (como picos e vales na região 2-8 kHz) são necessárias para compensar esse posicionamento. de sons naturais. volume. Ou seja. já que a faixas de acordo com as minhas considerações pessoais. e colori as um pouco os graves. mas diferença tão grande a ponto de invalidar o que esse gráfico nos diz. Nós fone no qual você está interessado tem muitos médios ou poucos agudos. Entretanto. o Sennheiser HD800. então é normal aumentar abaixo. feita com os mesmos equipamentos. Além disso. Primeiro. então qualquer coisa que ouvimos de Innerfidelity. A interpretação do gráfico é simples: o eixo horizontal representa a frequência. se o de sensações corporais que os graves reais. ao antigo Changstar (atual SuperBestAudioFriends) e ao GoldenEars sons reais sofre influência dessas reflexões. e se o seu for diferente. pelas maiores bases de dados de resposta de frequência que conheço. cada frequência terá o mesmo dados. será possível compará-lo a outros. Créditos ao HeadRoom. e com fones isso não acontece. para um mesmo sinal elétrico. principalmente. para saber por exemplo. Segundo porque agudos retos também não seriam ideais. ao pina (parte externa das orelhas) é fonte de reflexão. a parte interna do fone também traz uma grande quantidade de reflexões que vão alterar. se a linha é mais para cima ou mais para baixo numa certa região. nos proporcionam. já que. Ele é especialmente também porque isso não seria interpretado pelos nossos ouvidos como neutro. embora com bem menos personalidade que fones ou caixas. de um fone que porque é normal dar um pequeno aumento nos graves para compensar a ausência conheça bem. Outro problema é que ela também depende do resto do sistema. O posicionamento de fones é muito artificial. diferentes amplificadores usados… então o ideal é que se tenha uma base de uma linha reta. Qualquer gráfico quer dizer que o fone tem uma quantidade maior ou menor dessa determinada faixa de frequência.medição. Assim. os agudos. selecionei um fone com um excelente gráfico. o nível de pressão sonora (volume). o vertical. feito com os mesmos equipamentos. No gráfico sentimos os graves no peito. um fone utopicamente neutro apresentará 56 57 . útil caso você tenha o gráfico. que tem seu próprio “gráfico”. de resposta de frequência é feito com um sistema específico.

em sistemas sofisticados também é necessário pensar em qual será a fonte. Por exemplo. em outros. magro e estridente – ou seja. ou conversor digital analógico. é que existem casos em que o melhor é investir o máximo possível no fone. A questão é que são muitas variáveis. Muitos fones não são particularmente exigentes com amplificação e fonte. Mas de nada adianta uma sofisticada amplificação se a fonte não for capaz de fornecer a ela um sinal limpo e linear. e cada caso é um caso. impeditivo. mas acho que muitos audiófilos exageram bastante nessa questão. Depende do seu orçamento e do seu objetivo com o sistema. necessário. O resumo. esse investimento começa a ser interessante ou até mesmo. Cansei de ler que com o Sennheiser HD600 um bom amplificador é absolutamente necessário. como um bom CD player ou toca-discos. No entanto. se formos olhar para fones mais pretensiosos ou se houver capital disponível. Isso não significa. em níveis mais altos. a situação fica um pouco mais complicada. por exemplo. de certa forma. Já um fone como o Sennheiser HD800. a melhor opção é pensar num DAC. aqui. A questão é que é necessário saber até que momento o investimento vai trazer uma melhora condizente. E AG O R A? Nas próximas etapas. ao contrário do HD600.E S CO L H I O FO N E . seria muito mais interessante comprar um V-Moda M-100 e usar diretamente no computador ou no smartphone do que investir num V-Moda M-80 aliado a algum amplificador e/ou DAC. em diversas situações. e eles são a parte mais significativa da cadeia. 58 59 . Por isso. já que é ele que vai fornecer a potência necessária para “empurrar” um fone de ouvido mais exigente. sem um competente amplificador pode soar baixo. porém. um amplificador já será o suficiente para o seu sistema. Por isso. que fones como esse não se beneficiem de bons equipamentos por trás. o mais influente. mas em minha opinião seu desempenho já pode ser satisfatório ligado a um MacBook Pro. Mas há casos em que é necessário reservar parte do orçamento por um bom amplificador e um bom DAC. pode ser mais interessante destinar todo o orçamento a um bom fone de ouvido e usá-lo com o smartphone ou computador que já se tem. P R Ó X I M A S E TA PA S O amplificador é. apenas um bom amplificador pode ser o suficiente. se uma pessoa gostar muito de música eletrônica e quiser montar um sistema focado nesse gênero com o orçamento de 400 dólares. Mas para o áudio baseado num computador com arquivos digitais. Se você já tiver alguma melhor que um computador.

Outro esclarecimento: hoje. e por isso. Existem conversores de diversos tipos e faixas de preço. Mas. também é possível usar um relógico (clock) externo. Aqui. vou me restringir a falar sobre os DACs. coaxial ou ótica – e enviados ao conversor. é uma fonte. No entanto. Já ouvi DACs de faixas de preço totalmente distintas soarem indistinguíveis aos meus 60 61 . por exemplo. Um CD player. que recebe esses dados e os transforma num sinal analógico que será enviado para o amplificador. É claro que alguns são melhores que outros. aproveito para explicar os termos: fonte é o que fornece o sinal analógico e o envia para um amplificador. acho que esse é outro ponto onde há muito exagero por parte da comunidade audiófila. é possível dividir a fonte em alguns equipamentos: o transporte. mas as experiências que tive me mostraram que não há uma relação tão clara entre preço e desempenho. pode ser qualquer equipamento que toque áudio digital conectado a um DAC usando alguma conexão digital. A função é a mesma – converter dados digitais num sinal analógico –. responsável por garantir que os dados digitais cheguem ao DAC para conversão com extrema precisão temporal.VISÃO GERAL Neste guia. Em equipamentos muito sofisticados. Hoje em dia. na prática. A questão é que esses conversores internos não costumam ter tanta qualidade. conversor digital analógico. usando o computador como transporte. Dessa forma. DVDs. basicamente tudo o que ouvimos é áudio digital: CDs. costuma ser interessante investir num DAC dedicado. os arquivos digitais são extraídos de um transporte – que. sinceramente. em sistemas mais sofisticados. Exemplos de áudio analógico são discos de vinil e fitas de rolo. mp3 players. notebooks. No entanto. como USB. considero difícil achar conversores ruins. qualquer alto-falante funciona por princípios puramente analógicos. e outros. que é responsável por extrair os dados digitais de algum arquivo e o DAC. independente da faixa de preço. Pelo que vejo. a vasta maioria dos hobbistas entusiastas de fones de ouvido usam um computador para ouvir música. mp3. tocadores Blu-ray e outros são exemplos. mas topologias e tecnologias diferentes significam que o som é frequentemente diferente. Isso significa que qualquer equipamento que toque áudio PA R T E I I – A F O N T E digital possui um DAC interno: celulares. e por isso um DAC é a escolha óbvia para atuar como fonte. e o mesmo vale para os amplificadores.

apesar de esse último caso ser. deve-se observar as funcionalidades do conversor para saber se ele se encaixa em seu sistema. Um DAC sem entrada USB. mas. aqui. esses gráficos não são uma representação apurada do que realmente ocorre. Além disso. o calor do ECD-1 provavelmente deixará o sistema mais equilibrado. e por isso a escolha de um DAC merece atenção. as diferenças relatadas nesse hobby entre amplificadores e DACs diferentes são frequentemente exageradas. Infelizmente. Fabricantes adoram dizer que seus DACs são capazes de decodificar arquivos 24 Bits e 192 kHz. essa não é uma questão relevante. De acordo com o Teorema de Nyquist-Shannon. e acho que quando se paga mais caro num conversor. existem situações em que DACs diferentes vão apresentar personalidades fundamentalmente distintas – por exemplo. que é aproximadamente o dobro da banda entre 20 Hz e 20 kHz. por exemplo.1 kHz já consegue reconstruir um sinal analógico com perfeição ao longo de todo o espectro audível por um ser humano. os clássicos 16 bits/44.1 kHz. Mas. Traduzindo: nós. Em outras palavras. no mínimo. melhor que um computador alimentando diretamente um amplificador. ou seja. Em minha honesta opinião. como ele irá se comportar dentro do seu sistema de acordo com os seus objetivos. o PureDAC pode ser interessante servindo de fonte para um eufônico amplificador valvulado que alimenta um fone também mais musical.100 medições por segundo da onda sonora de origem.C. um sinal analógico é transformado em digital através de um processo chamado amostragem. mas a inferior representa melhor como funciona a amostragem. me parece que muitos audiófilos são seduzidos por números. DACs simples já são capazes de trazer um ótimo desempenho. um arquivo cuja taxa de amostragem é 44. Acredito que o que mais conta não é o desempenho do DAC por si só. DSD64. Nesse momento. mas como ele interage com o resto do sistema. como o Sennheiser HD650 – mas. No entanto. há uma armadilha: hoje. porém.M. Um conversor analógico-digital mede constantemente a amplitude de uma onda sonora (a música) e cria valores para cada ponto de medição. A frequência de medições. Nesse último caso. transparente e linear –. Veja a figura acima à direita (extraída do site Xiph. ouvimos frequências entre 20 Hz e 20 kHz. Mas o que isso de fato significa? Resumindo uma explicação complexa: na criação de um arquivo digital de música. e é em função disso que um DAC deve ser escolhido. mais transparência e outras melhorias do tipo. é necessário que ela seja feita a. Consequentemente. e não são poucos os audiófilos que passariam longe de qualquer coisa que se limite à boa e velha resolução padrão de CD. PureDAC ao Electrocompaniet ECD-1. Por exemplo. de onde retirei boa parte dessas informações): a imagem superior é como costumamos ver essa situação. num sistema que conta com um amplificador estado-sólido mais neutro e transparente e um fone como um Sennheiser HD800. quando comparei o B. de acordo com minha percepção. a meu ver. porém.ouvidos e já ouvi equipamentos que custam a mesma coisa trazerem diferenças SOBRE NÚMEROS E A MÚSICA: consideráveis de desempenho. muito raro. 62 Arquivos de alta resolução estão em alta. o que conta é isso: equilíbrio entre os componentes. o resultado final pode ser estridente demais. 40 kHz. enquanto aquele soou mais refinado. hoje são comuns os equipamentos que conseguem decodificar arquivos de até 32 bits/192 kHz ou mais. quantas medições são feitas em um segundo – e quantos pontos de medição são criados – são o valor que vemos em kHz. Para que todas essas frequências sejam devidamente reconstituídas a partir de uma amostragem. DSD128 e outras combinações impressionantes de números e letras.1 kHz. não costuma haver uma diferença gritante: em alguns casos tem-se um palco sonoro um pouco mais desenvolvido e preciso. Não 63 . foram feitas 44. num arquivo de 44. para que um sinal analógico possa ser amostrado e reconstituído sem perda de informações. esse último me pareceu mais quente e eufônico. humanos. você talvez se lembre dos gráficos em escada que vemos frequentemente pela internet para explicar os motivos pelos quais o áudio de alta resolução é superior. mas são alterações sutis e que frequentemente precisam de muita atenção para serem percebidas. F O R M AT O S D E A R Q U I V O S Minha opinião não é particularmente comum no círculo audiófilo. e DACs travam brigas de números: enquanto antigamente o comum era o limite de 24 bits/96 kHz. de acordo com nossas preferências. o alicerce do áudio digital. é necessário que a frequência de amostragem seja igual ou maior que o dobro da largura de banda total do espectro desse sinal. provavelmente exigirá uma interface USB para que ele seja conectado a um computador. No final das contas.org. ou seja.

Em outras palavras. Mais do que 44. além de causar dor. ao menos em 64 POR QUE É. e sim porque.há uma escada. de CD. o suficiente para causar dor a seres humanos. já que isso é exatamente o que o público desses formatos quer.1 kHz. para audições em uso doméstico – não confundir com o uso em estúdios. Mas não são poucos os que juram de pés juntos ouvir diferenças e. de ruído introduzido intencionalmente para que o de quantização se torne aleatório. que nesse caso benefícios audíveis em arquivos acima da resolução padrão. Basicamente. quanto maior for a profundidade de Bits. Logo. a diferença entre esse arquivo e o SACD ou DVD Audio não deverá existir. durante CD já mantém o piso de ruído a níveis inaudíveis. já que a faixa dinâmica possível é 96 dB na teoria e até 120 dB na prática com o uso do shaped dither – e 120 dB já é o volume de uma motosserra. Mas o motivo não é a resolução do arquivo – é uma masterização ou mixagem diferente. entre os sons mais baixos e os mais altos possíveis. No entanto. Por isso. ou seja. Inclusive. por um ser humano. em teoria é o suficiente para trazer a qualquer reconstrução do sinal. para a reprodução. visto que fornecem aos engenheiros de som uma maior faixa onde podem trabalhar. e Boyk. e a diferença com relação a um CD. 16 bits/44. a aleatoriamente. de CD. traz danos à audição. porém. a parte da cadeia que mais surte influência no resultado final. junto com o transdutor. uma forma em que a situação ainda não está totalmente esclarecida do ponto de vista científico. A questão. Devo deixar claro. a situação não é muito diferente. determinar a que “distância” os sons da gravação em si poderão estar do ruído. além de danos permanentes à audição. porém. e isso introduz distorções. e mais baixo será o ruído do dither.. em minha opinião um fone de ouvido altamente 65 . Como já disse anteriormente. com 16 bits ele já é totalmente inaudível. teríamos que ouvir música num volume que. talvez estejamos esbarrando num caso o processo de gravação o ruído de quantização é substituído pelo dither. dentro do limite Nyquist e portanto dentro do espectro audível ser humano a maior qualidade possível. No amostra. Só há uma solução matemática possível para o conversor. Ou seja: para ouvirmos o nível de ruído de uma gravação de 16 bits. Mas. o que na prática representa a faixa dinâmica da gravação. mais espaço haverá para a música. ambos os artigos chegam à conclusão de que mais pesquisa é necessária. a profundidade de bits indica quantos bits de informação existem em cada eletroencefalogramas mostram que a atividade cerebral dos ouvintes é alterada. Se o arquivo do SACD ou do DVD Audio for convertido para a resolução padrão. justamente. Não é no que acredito pessoalmente. 1997) que indicam que por mais que os sons acima de 20 kHz sejam inaudíveis. de fato. prevenindo possíveis padrões de larga escala que poderiam ser mais facilmente audíveis. mas como acabei de explicar. se manterá. porém. mesmo com uma curta exposição. é perfeita. Esse ruído estará sempre próximo dos níveis de volume mais baixos da gravação. Para a reprodução num sistema de som. ao que tudo indica a ideia de um arquivo de alta resolução trazer benefícios para a reprodução é duvidosa. O padrão Redbook. QUE OUÇO DIFERENÇAS CLARAS ENTRE ARQUIVOS COMUNS E OS DE ALTA RESOLUÇÃO? Como espero ter mostrado neste texto. a diferença entanto.1 kHz é bem evidente. Com bastante frequência. Mais uma vez. basicamente. pois nesse último a mixagem ainda será diferente. onde há razões técnicas para se usar arquivos com maior taxa de amostragem – não parece fazer muito sentido. mais cuidadosa e preocupada com a fidelidade. em muitos casos as diferenças entre um arquivo a 24 bits/192 kHz e um de resolução padrão. e sim uma série de pontos. 16 bits/44. com a mesma resolução. um álbum em SACD ou DVD Audio vai trazer uma mixagem diferente do CD. devido à incapacidade de é basicamente o arredondamento dos valores medidos durante a amostragem para indivíduos ouvirem sons acima de 20 kHz e ao fato de que a faixa dinâmica possível num algum valor com menos casas decimais. já que a música poderá estar mais “longe” dele. A qualidade da gravação é. o único benefício de uma profundidade de bits maior que 16 é reduzir ainda mais o nível de ruídos. e a profundidade de Bits vai. que são usados pelo DAC para reconstruir teoria não há benefícios. mas é possível. 2002 E quando analisamos a profundidade de bits.1 kHz não foi escolhido o sinal analógico. ENTÃO. já são suficientes para manter o ruído do dither a níveis totalmente inaudíveis. recentemente tenho visto algumas pesquisas (Oogashi et al. por mais que hoje muitas das evidências apontem para a inexistência de Na conversão digital-analógica há um processo chamado quantização. é que os 16 bits de uma resolução padrão. por assim dizer. devo frisar que resoluções maiores que a padrão têm grande utilidade em estúdios. que estou muito longe de ser especialista no assunto e que a corrente de audiófilos que acredita nos benefícios dos arquivos de alta resolução não é pequena.

a indústria da música passou a enfrentar grandes dificuldades. Passei a ser usuário assíduo do Spotify. Não só isso: há funções extras interessantíssimas. tenho acesso à minha biblioteca de músicas salvas. Aliás. de uma biblioteca virtualmente infinita. e subitamente não havia mais a necessidade de comprar um álbum para ouvir seu artista favorito. como remuneração dos artistas. infelizmente. e já descobri inúmeros artistas fantásticos por ela. também é possível salvar faixas para acesso offline. Há uma série de questões. É um programa altamente conveniente e simples. Um mp3 a 320 kbps convertido com um codec moderno já irá trazer toda a qualidade que a vasta maioria das pessoas irão querer e parece não haver bons motivos para ir acima da resolução de CD. Sob diversos aspectos. mas geralmente isso ocorre porque a conversão para mp3 foi feita com um codec antigo. Músicas passaram a ser facilmente acessíveis gratuitamente. e contanto que você tenha acesso à internet. que se tornou basicamente a forma como ouço música atualmente. em que ele mostra álbuns que podem me interessar. Ouça o álbum Quiet Nights da Diana Krall imediatamente após o Californication do Red Hot Chilli Peppers que isso ficará evidente. temos álbuns fantásticos nesses aspectos – me lembro imediatamente do magnificamente claro. Da mesma forma. Você não paga mais para ter um álbum. que tenho em todos os meus computadores e no meu telefone. Kazaa e arquivos Torrent. como a do mp3) e que acaba com a emoção da música. Desnecessário dizer que isso não é bom nem para a gravadora e nem para os artistas. como o Dark Side of The Moon do Pink Floyd com o Death Magnetic. que esses serviços levantam. devido a programas de compartilhamento de arquivos como Napster. ou do deliciosamente íntimo Smother do Wild Beasts. E. Em vários desses serviços. e que posso acessar de qualquer computador se quiser – e em todas essas plataformas. Acho que devemos buscar gravações melhores e não nos preocuparmos muito com o formato do arquivo. o acesso às músicas é revogado. inclusive em smartphones. em que o serviço identifica meu gosto musical e compila uma lista de 30 músicas que nunca ouvi e que ele acredita que podem me agradar. Algumas chegam ao ponto de gravar apenas com um microfone numa sala cuidadosamente escolhida. agressiva. É surpreendentemente eficiente. Não estou dizendo que devemos parar de escutar aquilo que não foi bem gravado e procurar apenas gravações de referência. São gravadoras que colocam o realismo à frente de qualquer coisa. Além disso. tem disponíveis 30 milhões de músicas a qualquer momento. eliminando a diferença entre as passagens mais quietas e as mais agitadas (não confundir com a compressão de dados. e lançamentos de artistas que ouço ou que podem ser relevantes para mim – é uma forma muito mais prática de acompanhar os músicos dos quais gosto. com anúncios e acesso limitado) pelo direito de ouvir quantas músicas você quiser. em grande parte devido a um fenômeno conhecido como Loudness War: o aumento violento da compressão dinâmica. Sem contar. Comparem uma boa gravação de rock. e não é dono das músicas – você paga pelo direito de ouvir. tornou possível a existência de serviços como Spotify. trata-se de mais um caso de uma característica que é posta totalmente fora de proporção pelos entusiastas. Se parar de assinar o serviço. frequência que pessoas acima de 21 anos normalmente não escutam mais.sofisticado empurrado por um sistema medíocre trará um resultado superior ao de um ST R E A M I N G : CO M O F I CA A Q UA L I DA D E ? fone medíocre empurrado por um sistema altamente sofisticado. 67 . A internet banda larga rápida e onipresente. o que seria uma subversão do hobby. é claro. Mas se eu tivesse que escolher entre um fone muito sofisticado tocando uma gravação de péssima qualidade e um fone medíocre tocando uma gravação excelente. do Metallica. que se torna cansativa e. é muito conveniente: não é necessário gastar espaço em disco. Há também a seção Descubra. A ideia é simples: paga-se mensalmente (alguns possuem planos grátis também. frequentemente. que faz com que todos os sons sejam altos. Essa é a importância de uma gravação. sobre o mp3 a 320 kbps: vejo com frequência entusiastas relatando enormes diferenças entre esse tipo de arquivo e um lossless. ficaria com a segunda opção sem dúvida alguma. para a maioria das pessoas. Rdio e Deezer. como a playlist Descobertas da Semana. Deutsche Grammophon e a já mencionada Linn Records. as gravações de referência como as da Chesky Records. Para mim. E uma das soluções mais recentes é o streaming. A maior diferença entre um mp3 e um lossless é um corte acima de 19 kHz. O que realmente interessa para esse guia é como fica a qualidade de som no streaming. mas acredito que não caibam aqui. A questão é que acho curioso que haja um foco tão grande nos números indicativos da resolução quando o que realmente importa não está ali. 66 Nas últimas décadas. para que toda a informação espacial do evento musical seja preservada. porém. Essa indústria precisou se reinventar. vivemos num período em que a qualidade das gravações frequentemente é terrível. transparente e espacial Quiet Nights da Diana Krall. será muito mais barato assinar um programa de streaming do que efetivamente comprar toda a sua biblioteca de músicas.

por experiência própria (já conduzi testes cegos com pessoas que afirmavam ouvir diferenças claras entre os dois formatos) que muitos dos que acham que ouvem estão enganados e falham em testes cegos controlados. como um arquivo comum. mas nem todos os DACs têm essa entrada e. smartphone ou player normalmente. você ouve enquanto ela está sendo baixada. que o Spotify. Mas. ela é deletada automaticamente. Para o uso com um computador. apesar de isso não ser uma regra absoluta. como as M2Tech HiFace.Primeiramente. quando a próxima música começa –. Google Play Music. As avaliações de pessoas experientes talvez sejam a única forma de ter alguma noção da sonoridade de um DAC. atualmente. é claro. a degradação da qualidade começa a aparecer. por exemplo. sem compressão. os DACs do tipo ladder (ou R2R). Em segundo lugar. por exemplo. a qualidade do streaming vai depender da qualidade desse arquivo. Eu. são do tipo sigma-delta. é o Tidal no plano mais caro. muito comuns na década de 1990. Os conversores costumam surtir uma influência mais sutil no sistema. e ela vai depender do serviço que você utiliza. úteis para conexão direta a um power num sistema de caixas ou a caixas ativas. O software baixa a música que você quer ouvir (muitas vezes simultaneamente. mas ainda assim vale ter em mente que tipo de assinatura sonora se está buscando. paga-se mais e consome-se mais dados para se ter um teórico aumento de qualidade – que a vasta maioria das pessoas certamente não irá ouvir. existem algumas possíveis em DACs.coaxial. que é outra possibilidade de conexão com o DAC. Já o Apple Music trabalha com AAC de 256kbps. muitos conversores são também pré-amplificadores. os quais. Da mesma maneira. o USB é mais conveniente. isso é cada vez mais raro. se um conversor não tiver entrada USB. Logo. Alguns computadores e notebooks também possuem saída ótica (Toslink). E para fazer essa escolha. o DAC deve ser escolhido de acordo com o que se busca não só em termos de funcionalidades como também de personalidade sonora. com raríssimas exceções (como o Schiit Yggdrasil e alguns Audio-gd). nesse caso é recomendável que seja usado o mp3 a 320kbps (no Spotify é chamado de Qualidade Extrema) – abaixo disso. Muito do que se lê dá a impressão de que um conversor vai transformar um sistema. é possível usá-los com um sistema bastante sofisticado. que muitos consideram equivalente a um mp3 a 320kbps. com um DAC e um amplificador externos sem nenhum problema. como no Emotiva XDA-1. antiga Burr-Brown. com controle de volume. Em termos de funcionalidades. Fora que. Mas. De qualquer forma. melódico e eufônico para parear com um amplificador estado-sólido mais transparente. é possível usar uma interface USB . a qualidade não é muito boa. como já disse anteriormente. é importante entender que o streaming nada mais é do que um E S CO L H E N D O U M DAC download temporário. por exemplo. Rhapsody e Tidal si) costumam apresentar uma sonoridade mais fria e detalhista em relação aos que em seu plano comum – fazem streaming de mp3 de até 320kbps (o Spotify e o Rdio apenas nos planos pagos). Em primeiro lugar. o único que trabalha com arquivos lossless. como um vídeo no YouTube) e. Já em termos sonoros. particularmente. Rdio. Mas. Gosto da ideia de um DAC natural. ou seja. acredito que as diferenças entre DACs são frequentemente exageradas no círculo audiófilo. não vejo necessidade disso – como já disse em diversas situações. Será exatamente como se você tivesse baixado esses arquivos ou se tivesse feito um rip de um CD físico em mp3 a 320kbps. conversores com o chip Sabre (os chips são os conversores digital-analógicos em possuem chips da Wolfson ou da Texas Instruments. os A maioria dos outros serviços – como Spotify. costumam ter uma personalidade mais analógica e eufônica que os atuais. vale ficar atento às entradas. Por isso. e acho importante ter isso em mente. após um curto período de tempo – por exemplo. mas em minha experiência isso é algo extremamente raro. não ouço diferença entre um mp3 a 320kbps bem codificado e um arquivo lossless e sei. em alguns que a têm. em geral. 68 69 . Esses arquivos serão tocados em seu computador. Nesse plano. o ideal é ler a respeito dos equipamentos que despertam interesse. o Tidal é um serviço menos polido em termos de usabilidade e funcionalidades Assim como o resto dos equipamentos. o Hi-Fi. Atualmente.

é difícil prever como um conversor irá se comportar em um determinado sistema. É excelente em termos de qualidade de som. além de a relação preço-desempenho de DACs variar muito. vale observar que não escutei todos os equipamentos aqui listados. que faz muito e atua com maestria em tudo. portátil. Altamente recomendado para um primeiro sistema. coaxial ou ótica e como amplificador.00 Nova versão do coringa E17. de forma que não é necessário comprar também um amplificador. display frontal e 5 anos de garantia por menos de 300 dólares. Veja que alguns deles já possuem saídas de fones – identificados com um (+amp) após o nome. possível para se obter um desempenho ainda melhor. 6 entradas. Para alguns. Além disso. mas é um DAC com relação custo-benefício matadora e ainda conta com uma saída amplificada de fones. muitas funções e bela construção a um baixo preço. Listar bons DACs é uma tarefa difícil. Ao mesmo tempo. Para completar. nenhuma. É um aparelho barato. mesmo custando um pouco menos. Schiit Modi – US$99. JDS Labs ObjectiveDAC – US$149.00 (RCA outs) Tentativa do mítico NwAvGuy (Head-fi) de mostrar que DACs e amplificadores com desempenho exemplar não são difíceis e/ou caros de serem feitos. então essa lista pode servir como um ponto de partida para a escolha de um conversor. Qual a pegadinha? Bem. barato e produzido nos Estados Unidos. mas me preocupei em listar apenas equipamentos geralmente bem vistos por entusiastas. controle remoto. pré-amplificador. Causou um grande estardalhaço no círculo audiófilo pelo desempenho aliado ao baixo preço.00/US$169. atraente e bem construído.US$69. muito bem construído. mas alguns o veem como exageradamente analítico e estéril. compondo um simpático e competente pequeno R E CO M E N DA D O S sistema. atualmente me parece ser difícil achar um DAC decididamente ruim. É outra recomendação para sistemas iniciantes.00 Modelo mais barato da americana Schiit. vem repleto de acessórios e possui uma sonoridade doce e equilibrada. que serve como DAC via conexão USB. que faz dupla com o Vali ou o Magni. já que a quantidade de opções disponíveis é gigantesca e. amplificador de fones. apesar de ser FiiO E17K Alpen 2 (+amp) – US$139. Impossível não gostar.00 Não é muito bonito e sua construção não é exatamente incrível. é inclusive melhor que o Schiit Magni. 70 71 . Emotiva XDA-2 Gen2 (+amp) – US$299.HiFimeDIY Sabre USB DAC 2 (+amp) . O XDA-2 segue a filosofia da Emotiva de trazer ótimo desempenho.00 Construção em metal.

objetiva e eficaz. O V800 em sistemas de altíssimo nível. popular no meio profissional.00 Um dos melhores DACs que já testei. implementação do Sabre ES 9018 disponível. São equipamentos competente e atraente. extremamente Moffat.00 O Bifrost foi o primeiro conversor digital-analógico produzido pela Gosto da filosofia “sem-rodeios” de equipamentos voltados ao Schiit. considerados alguns dos melhores uma apresentação mais transparente e analítica. O PureDAC foge um pouco A Resonessence Labs é uma empresa fundada pelos engenheiros da comum personalidade mais calorosa de muitos DACs e prioriza que criaram os chips Sabre. já que é um aparelho do uma sonoridade muito analógica e eufônica. das quais não gostei muito. com duas excelentes saídas para fones.C. apesar da estética um pouco simples. É um conversor altamente sofisticado. O único problema significativo é a entrada USB. ao que parece. 73 .00 Resonessence Labs Invicta Mirus – US$4. os Perfect Wave. possivelmente. que é ótima. indicando que o Yggy briga com cachorros bem maiores. B. É um excelente DAC.Schiit Bifrost Uber USB . antigo engenheiro da Theta – marca que produziu DACs transparente. Violectric V800 – US$1. com Além disso.00 Uso seu antecessor em meu sistema (D100). com diversas funções – incluindo conexão por incríveis.M. Oppo HA-1 (+amp) – US$1.00 Grace Design m920 (+amp) – US$1. sistemas mais sofisticados. a melhor porém são as saídas de fones. caso dos DACs da Grace. O Master 7 é o mais sofisticado da linha.299. que querem simplesmente Estados Unidos.00 Parte da iniciativa da Oppo de entrar com os dois pés no mundo O Yggdrasil é o mais novo e mais caro da Schiit. Mas ainda é um bom preço. construção exemplar. 72 uma sonoridade. conta. com circuito do tipo D200 traz algumas outras funções bem-vindas. e com o Valhalla ou o Asgard compõe um sistema muito mercado profissional. PureDAC (+amp) – R$5.995. O Invicta Mirus é o topo de linha. Yulong D200 (+amp) – US$699.00 Audio-gd Master 7 – US$2.999. mas sem perder nível de um Benchmark/Grace/Lavry sem o prestígio da marca. apesar do aumento R2R Ladder. eram uma figura muito comum pelo pessoal da Lake People. projetado por Mike dos fones de ouvido. cumprir seu papel de forma transparente. transparência e refinamento. o Yggdrasil é o melhor conversor bluetooth e controle remoto dedicado e por app (!) –.95 PS Audio DirectStream DAC – US$5. mas que vale a pena. O m920 que é um opcional relativamente caro. De acordo com ele.199. totalmente desenvolvido e contruído nos de altíssimo desempenho sem firulas.US$579. capaz repleto de funções. Além disso é um tanque.895. e apresenta de preço. positivas.00 Schiit Yggdrasil – US$2. O único contando com funções interessantes e. o que com a disponíveis no mercado. há o benefício da saída de fones. e recentemente o DirectStream DAC é o mais sofisticado da linha: um compacto porém extremamente veio para tomar seu posto. e é um ótimo DAC – o A Audio-gd fabrica DACs à moda antiga.715.00 A Violectric é a marca destinada ao mercado consumidor criada Seus antecessores. ainda. combinação certa pode trazer um resultado espetacular. e que está mais do que apto para entrar nos conversor. com excepcionalmente neutra. e que ainda que já projetou e as primeiras avaliações têm sido incrivelmente conta com um excelente amplificador de fones balanceado.180.299.

em toca-discos mais simples. reproduzindo o som. o que está em jogo não é quão bem cada formato seria capaz. Nesse último. e essa solução é o sinal analógico original. os discos de vinil estão longe de mortos. que é um transdutor. Muito do que eles haviam feito no estúdio era perdido devido às limitações técnicas dos discos. O problema é que muitos parecem não entender exatamente como o áudio digital funciona. Afinal. Indo direto ao ponto: em termos puramente objetivos. como mostrei na seção Sobre Números e a Música: Formatos de Arquivos. e acreditam que o fato de ele “amostrar” um sinal analógico com uma série de pontos faz com que muita informação seja perdida. aliás. A diferença é que esse sinal elétrico é então transformado em uma série de números que o representam através do processo de amostragem. e não uma onda analógica contínua. Primeiramente. em entrevistas. Resumindo. então as passagens menos intensas ainda estão muito longe do ruído de fundo. que ouvir o LP prensado em sua versão final trazia. me traz aos maiores problemas dos discos. prometendo a maior fidelidade de reprodução possível. passagens mais quietas não serão mascaradas pelos cliques e pops naturais de um vinil que já não é mais novo ou até mesmo pelo piso de ruído imposto pela fricção da agulha no disco. corresponde à variação de pressão sonora do evento musical original. no círculo entusiasta. até a transformação das variações de pressão do ar pelo microfone num sinal elétrico. de reproduzir uma onda sonora. na gravação e na reprodução do áudio analógico existem variações físicas análogas (daí o nome) às variações de pressão do ar do acontecimento musical que foi gravado.E O V I N I L? E L E É M E L H O R M E S M O? conversão digital-analógica. na prática é muito comum durante as mixagens ter que cortar sons muito graves ou muito agudos. que são os empecilhos físicos. como já expliquei. Um microfone. A única alteração é o Qualquer um que tenha mais tempo no hobby sabe que. na prática. especialmente se o custo for considerado. ao contrário do que muitos pensam. e dentro desses sulcos está um “caminho” com altos e baixos que representam a variação de tensão ou corrente do sinal elétrico. como comentarei adiante). Alguns exemplos: apesar de a resposta de frequência possível com um disco de vinil ser semelhante à de um CD. são apenas pontos. em particular. Mas será isso mesmo? Antes. uma decepção. Isso. que descrevi quando falei sobre os formatos de arquivos. utopicamente e de acordo com suas respectivas tecnologias. O áudio que sai de um CD não possui. algo que não ocorre com o áudio digital (o que não significa que não haverá problemas nele. por fim “imitado” pelos alto-falantes. Tocá-lo dez ou quinze vezes já pode piorar seu desempenho. O silêncio de fundo é muito maior. A quantidade de sistemas altamente sofisticados que utilizam esse formato como mídia principal é enorme. e não demora para que sujeiras entrem nos sulcos e os danifiquem 75 . detecta essas variações e as transforma num sinal elétrico analógico cuja tensão ou corrente é proporcional à pressão do ar. Consequentemente. Devido a problemas como esse. Esse sinal é então convertido em variações físicas numa mídia – por exemplo. pode-se dizer que o áudio digital é superior ao do vinil. porém existem vantagens e desvantagens em cada formato. existem sulcos por onde a agulha do toca-discos percorre. isso significa que. Para música clássica. ele está muito longe de ser audível e portanto é basicamente desprezível. a agulha saia do sulco. Já no áudio digital. infalivelmente. a situação não é bem essa. São também comuns os audiófilos que acreditam estar no áudio analógico a melhor qualidade de som. no vinil. a amostragem e reconstrução de um sinal analógico será virtualmente perfeita durante a 74 piso de ruído inerente à conversão. E é aí que surge uma grande fonte de equívocos. já que eles podem fazer com que. a história é a mesma. Outra questão é a faixa dinâmica: apesar de no áudio digital haver o ruído de fundo da conversão digital-analógica. vou explicar melhor o que é analógico e o que é digital. Durante a reprodução. A partir dos pontos de dados da amostragem. isso faz muita diferença – afinal. por sua vez. diversos renomados engenheiros de som. o conversor só terá uma única solução matemática para reconstruir o sinal dentro do limite audível por um ser humano. tenha em mente que ondas sonoras nada mais são do que variações contínuas na pressão do ar. na prática a faixa dinâmica possível com um CD é muito superior à de um disco de vinil. mas. existem diversas limitações que podem prejudicar sua capacidade de uma reprodução objetivamente fiel. o movimento da agulha também representa as ondas sonoras e é transformado novamente num sinal analógico que é amplificado pelo resto do sistema e. já disseram. como Bob Ludwig e Bob Clearmountain. Um deles é a rápida degradação. que. Desde que o Teorema de Nyquist-Shannon seja observado. menos informação que o proveniente de um disco de vinil. Ambos são capazes de atingir níveis altíssimos de fidelidade. e ainda hoje são fabricados toca-discos de até centenas de milhares de dólares. Entretanto.

e a própria música que está tocando traz perturbações no ar que serão capturadas pela agulha. que prensagens de vinis caminho. Não é apenas o ato de ouvir música. Há também um grande empecilho grosseiros de compressão. tentando levar todos os sons ao máximo volume possível. Por isso. qualquer ambiente alguma frequência essa mixagem pode ser melhor – assim como no caso de álbuns comum apresenta diversas fontes de vibração. e ele é quase onipresente em álbuns lançados atualmente. nos trazer audições subjetivamente mais próximas àquelas que temos com música ao vivo. Muitos gostam da fidelidade. Como a agulha de um toca-discos está percorrendo um o do mesmo álbum mixado para CDs. algo que pode ser muito agradável. Andar na sala. como o aliasing ou o ruído de quantização. como o SACD ou o DVD-Audio. em termos de equipamentos para reprodução de qualidade. que é em teoria um problema. e não podemos esquecer do ritual necessário para ouvirmos um disco ouvidos e o nosso gosto pessoal. trazer uma relação mais íntima com a música. que podem. infelizmente são raros os álbuns que utilizam propriamente bem essa faixa. por qualquer método mensurável. de vinil – temos uma enorme mídia física que exige cuidado. com eles. Aqui vale observar. existe o que você prefere. muito mais barato. Ao invés de os engenheiros. resolução. Essas dificuldades fazem com que um sistema sofisticado baseado em vinis acabe saindo muito mais caro do que outro igualmente pretensioso que toque CDs. o infeliz fenômeno da Loudness War busca a maior compressão dinâmica. da transparência e da autoridade do CD. quase sempre trazem uma mixagem diferente dos álbuns lançados digitalmente. já pode trazer lançados em formatos de alta resolução. 76 77 . o que pode resultar num mix muito mais agradável do que em termos de contaminação. isso é tudo o que importa.permanentemente. Só que isso não significa que ele seja sempre subjetivamente melhor. É muito diferente de simplesmente clicar duas vezes num arquivo num computador. A carência de extensão nos agudos e alguns tipos de distorção analógica são frequentemente interpretados por ouvintes como calor. no final das contas. a menor faixa dinâmica dos discos de vinil. será superior ao áudio analógico em termos de fidelidade: maior transparência. sua tecnologia. lendo sua superfície e transformando-a num sinal elétrico através de vibrações. Outra questão é o problema da compressão. Apesar de o áudio digital logicamente trazer problemas. a agulha tem acaba trabalhando em seu benefício. pode-se concluir que o áudio digital é melhor que o analógico. ironicamente. nestas. potencialmente. frequentemente guardada num envelope com belíssimas artes. Apesar de o CD oferecer uma faixa dinâmica muito maior do que a dos discos de vinil. Se eles preferem assim. não – e por um simples motivo: objetivamente e mensuravelmente melhor nem sempre quer dizer subjetivamente melhor. certo? Bem. disco apresentarem melhor qualidade que as últimas porque. aliás. frequentemente o objetivo é apenas ser mais alto. que precisa ser colocado num toca-discos seguindo alguns procedimentos. mas também não são poucos os que se apaixonam pela experiência que o uso dos vinis representa e pelo calor e eufonia que eles trazem – características que podem. Por isso é que toca-discos extremamente sofisticados utilizam os mais diversos (e caros) artifícios para driblar essa limitação natural. Ainda que essas Até mesmo os cliques e pops de vinis que não são mais virgens trazem uma experiência questões se devam justamente às suas imperfeições técnicas. Afinal. Então. e com ela não vai vibrar apenas de acordo com o que está gravado – afinal. Como já comentei. não existe um “melhor”. extensão e faixa dinâmica. às custas da emoção da música. é um ritual e uma experiência muito envolventes. menor degradação e interferência de vibrações do ambiente e. por exemplo. o juiz final são os nossos mais nostálgica. O que ocorre é que todas as imperfeições que citei do vinil muitas vezes trazem distorções que são vistas como prazerosas pelas pessoas. não é possível atingir níveis tão que percorrer os sulcos muito mais rapidamente. contaminações. os músicos ou as gravadoras (a culpa pode ser de qualquer um dos três) aproveitarem essa maior capacidade do CD para trazer mais qualidade. Outro problema curioso é o fato de as primeiras músicas num Dessa forma.

assim como no caso dos DACs. Schiit Ragnarok e HeadAmp GS-X MKII. que ambos os casos são raros. Geralmente é recomendado que eles sejam ligados diretamente aos terminais de caixas de som de amplificadores integrados para se obter os melhores resultados. é que a amplificação existente nesses equipamentos não costuma ser exatamente a melhor disponível. projetado especificamente para in-ears sensíveis. O problema. existem amplificadores bastante sofisticados que não têm muita potência. A função básica de um amplificador é simples: receber o sinal analógico enviado por uma fonte e promover o ganho de corrente e tensão. – possuem uma saída para fones de ouvido. como o HiFiMAN HE-6 e o AKG K1000. A vasta maioria dos amplificadores de mesa disponíveis no mercado são capazes de empurrar a maior parte dos fones de 78 79 . Em amplificadores como esses.VISÃO GERAL Grande parte dos equipamentos que tocam música hoje em dia – celulares. tornando-o apto a empurrar fones mais difíceis. existem vários tipos de amplificadores e várias características que merecem atenção. Existem também casos de fones que são anormalmente exigentes com amplificadores. que ficariam baixos demais se ligados diretamente a um celular. Os amplificadores inclusos em aparelhos como celulares e notebooks não têm muita potência ou habilidade de lidar com impedâncias muito altas. para que ele tenha a “força” suficiente para empurrar um fone de ouvido e prover um controle de volume. receivers. o ideal é fazer um upgrade tanto no DAC quanto no amplificador. como o Trafomatic Experience Head-One. Blu-ray players. etc. No entanto. e o primeiro benefício mais evidente de amplificadores dedicados é justamente um PA R T E I I I – A A M P L I F I C AÇ ÃO ganho significativo nessa característica. Devo frisar. no caso de um sistema mais sofisticado. e o portátil HeadAmp Pico Slim. porém. e por isso. Esses dois itens podem estar presentes num único equipamento – como no caso de alguns dos DACs citados na seção anterior – ou então em peças separadas: um atua apenas como conversor analógico-digital alimentando o outro. notebooks. que atua apenas como amplificador. No entanto. o que conta são suas sonoridades extremamente competentes e fantásticas para aqueles fones que estão em sua zona de conforto. mas existem alguns amplificadores com potência suficiente para eles – como Audio-gd Master 9. que acaba não trazendo resultados muito bons com fones de baixa sensibilidade e alta impedância. A primeira delas é a potência.

Se sua intenção for montar seja. As melhorias geralmente são muito pequenas fator de amortecimento do fone é prejudicado. Acho muito curioso ver que muitas pessoas sonoridade específica e amplamente considerada prazerosa. vistas de forma desproporcional por entusiastas: válvulas e balanceamento. em equipamentos de som – principalmente bem projetado do que um totalmente balanceado menos sofisticado. uma única configuração de ganho não irá dar conta das duas categorias. o fator decisivo em qualquer comparação. são vistos como mais autoritários e transparentes. Acho que a escolha pode seguir uma direção – afinal. muitas vezes a sonoridade do equipamento é 80 81 . as válvulas ainda são muito queridas por trazerem uma balanceamento que vai mudar essa situação. com pouco controle de volume e certeza que um Luxman P-1u é mais macio e aveludado do que muitos valvulados. na parte de Especificações de Fones de Ouvido. visto que sua influência é significativamente menor do Em teoria. exceto alguns raríssimos amplificadores que mais pegada nos graves e agudos. Head Amp Three). Ou irá faltar potência para o headphone ou irá sobrar potência. Isso geralmente se deve a distorções proporcionadas Um último detalhe dessa seção diz respeito aos falantes eletrostáticos: como dito pelo circuito valvulado. Se não for. Com cada um dos lados recebe um sinal positivo. Se você pretende usar transístores). as características. Porém. é algo bem interessante – não seja balanceado. isso. porém o negativo é compartilhado entre essa função. o ideal é que a mais controle sobre os falantes. resultados. e sim a topologia do amplificador. e para melhores estritamente necessário. então faz muito mais sentido comprar um single-ended excepcionalmente energia e são muito mais duráveis. mas são distorções consideradas benignas. fones que utilizam essa tecnologia exigem no áudio baseado em discos de vinil. e por isso amplificador.ouvido existentes. e começaram a ser comparamos amplificadores diferentes. mas vantajoso de qualquer forma. para o intra-auricular. Aposto que Além disso. o DAC também. em minha opinião. Os amplificadores estado-sólidos (baseados em amplificadores específicos. é consideravelmente relação entre a saída do amplificador e a do fone seja ao menos 1:8 – caso contrário. em minha opinião. bastante ruído de fundo. Como hoje existem muitos headphones exigentes e intra-auriculares sensíveis. consideram esse um requisito. na seção I – Fones de Ouvido. Amplificadores do tipo OTL possuem alta impedância de saída. O projeto do amplificador é muito mais substituídas. Não é o amplificadores de guitarra –. em contrapartida. Uma forma de resolver essa questão. para que os dois. que consomem menos importante. por transístores. Ou o amplificador se adeque a fones de ouvidos diversos. Já o balanceamento em fones de ouvido é o seguinte: em fones de ouvido tradicionais. com um fone desse tipo. porém também mais frios. é algo que você provavelmente descobrirá quando estiver mais dependente de outros fatores do que da tecnologia de amplificação usada. Tornar um fone balanceado nada mais é do que separar os negativos. mas acho que isso nunca deve ser visto como um limitador. o desprezível na montagem de um sistema. E existem os híbridos. até certo ponto. As válvulas O fato é que o balanceamento é algo muito pequeno. amplificadores valvulados apresentam uma personalidade mais quente e que vários outros fatores. por exemplo. principalmente quando são uma tecnologia mais antiga para controlar corrente elétrica. com agudos mais doces. e algo que diversos amplificadores atuais têm apresentado. Existem outras questões igualmente ou mais importantes. por exemplo. Se compararmos dois amplificadores diferentes. geralmente valvulados têm sim uma sonoridade mais macia –. como as existentes anteriormente. é possível ter duas ou três configurações de ganho diferentes. Como expliquei quando Em teoria. isso traz uma melhor separação estéreo e permite que o amplificador tenha falei sobre impedância. cada lado do fone terá um positivo e um negativo próprios. comumente chamados energizers. principalmente na década de 1950. tanto o fone quanto o amplificador terão que o ser. Um pesquisando a respeito de algum equipamento. esse amplificador não poderá ser compartilhado com outros fones. precisará de um. e. Fique atento também à impedância de saída do amplificador. Para que o sistema um sistema que inclui intra-auriculares e headphones. que possuem saída tanto para fones dinâmicos quanto para eletrostáticos (como o Mal Valve misturam as duas tecnologias e. No entanto. e tenho Outra observação interessante que ainda diz respeito à potência é a variabilidade do ganho. Burson HA-160D me soou mais “valvulado” que um Little Dot MKVI. e os graves podem se tornar indefinidos e isso quando comparamos a saída single-ended e a balanceada de um mesmo e exagerados. O problema é que. eufônica. mas que em minha opinião são existem valvulados single-ended mais espaciais que o HeadAmp GS-X. é o ganho variável. não será o balanceamento geralmente trazem melhores resultados com fones de alta impedância. há duas outras questões importantes.

é claro. Bottlehead Crack e Sennheiser HD600/ HD650/HD800. um fone extremamente neutro. se quer ganho variável ou se deseja que ele seja balanceado por qualquer motivo. HD650 ou HD800. principalmente. a leitura é fundamental. Reitero que considero muitos relatos exagerados. Sennheiser HD800 e Luxman P1u –. Existem muitas sinergias conhecidas entre amplificadores e fones – como. o Sennheiser HD800. pode trazer transparência extrema se aliado a um amplificador igualmente transparente. qual tipo de sonoridade é a desejada. geralmente. exceto. As opiniões a respeito deles não são tão divergentes ou dependentes de subjetividades mais superficiais. como os Sennheiser HD600. como o HeadAmp GS-X. é fundamental que a sinergia com o fone seja considerada. porque não há uma imprevisibilidade tão grande no que diz respeito ao casamento com o resto do sistema. como os Audio-Technica da linha W. repito o que foi dito na seção dos DACs. é interessante que seu amplificador também apresente uma impedância de saída baixa. Da mesma forma. ou apresentar uma personalidade mais melodiosa e musical se pareado a amplificadores mais eufônicos. Entretanto. e é importante ter isso em vista. estamos falando sobre a personalidade de um equipamento. como o Luxman P1u ou o DNA Stratus. por exemplo. e por isso as opiniões de outras pessoas talvez sejam a forma mais eficaz de fazer uma escolha mais certeira. se for possível testar o equipamento. respeitando a regra do 1:8. Assim como no caso dos DACs. Para escolher um amplificador. e por isso acho que. não precisa se preocupar com isso. é necessário definir as funcionalidades e características que se quer – se precisa de algo com muita potência. escolher um amplificador é um pouco mais fácil. o componente da cadeia que mais surte efeito no resultado. como parece ocorrer com os conversores digital-analógicos. Mas se estiver usando um fone de impedância alta. Aqui.ESCOLHENDO UM AMPLIFICADOR Aqui. após o fone e a mídia. por exemplo – a melhor solução depende do seu objetivo. 82 83 . e um valvulado OTL poderá trazer belos resultados. se você possui um fone de ouvido de baixa impedância. Por exemplo. felizmente parece que com amplificadores a escolha geralmente é mais fácil. por exemplo – e ter em vista. como ocorre com os DACs. Como o amplificador é. Trafomatic Experience Head-One e Grados.

mas alguns o veem como exageradamente analítico e estéril. Aparentemente. Um dos reis do custo-benefício. mas não é possível listar todos. o que pode ser muito interessante para alguns fones e gêneros.00 A outra tentativa do mítico NwAvGuy de mostrar que DACs e amplificadores com desempenho exemplar não são difíceis e/ou caros de serem feitos.00 “Clone” e “chinês” não são palavras muito bem vistas. todo construído em metal. JDS Labs Objective2 – US$129. devido a um projeto mais competente.00 Alternativa valvulada ao Magni. assim como a maioria dos DACs que possuem amplificador. mas audiófilo pelo desempenho aliado ao baixo preço. Inclusive. Aqui você encontrará alguns amplificadores bem vistos pelo desempenho e pela relação custo-benefício. mas que aqui são quase milagrosas.00 Pequeno amplificador que serve de porta de entrada para a americana Schiit. e a quantidade de equipamentos que merecem estar nessa lista é enorme. num compacto e atraente pacote. Schiit Magni – US$99. devo frisar que não tenho experiência pessoal com alguns dos amplificadores listados. em qualidade de som. O E10K é um dos aparelhos que exemplifica esses atributos. com bastante potência. que possuem. O Lovely Cube é um clone do Lehmann Audio Black Cube Linear por uma fração do preço e. Excelente em termos de sonoridade.US$69. porém eu os consideraria amplificadores em primeiro lugar.00 A FiiO é uma marca chinesa que se consagrou por aliar boas capacidades sonoras a uma relação custo-benefício matadora em aparelhos compactos. da mesma marca. Escolha certa para quem quer um amplificador estado-sólido competente e barato. um DAC interno. com o desempenho mais do que comparável. alguns dizem que o Vali é superior ao Lyr. é possível adicionar um conversor externo para um resultado potencialmente melhor. por um baixo preço e construído nos Estados Unidos. atraentes e convenientes. Schiit Vali – US$119. No entanto. possui uma sonoridade de fato mais melódica e aveludada. convenientemente. Bom desempenho num pacote compacto e funcional a um baixo preço. 84 85 . Alguns amplificadores possuem DACs (serão identificados por um +DAC após o nome). aparentemente. Lovely Cube – US$250.FiiO E10K Olympus 2 (+DAC) . Causou um grande estardalhaço no círculo R E CO M E N DA D O S Assim como no caso dos DACs.

criando uma projeção espacial mais realista. você recebe um amplificador balanceado conseguiria comprar os componentes do Master 9 pelo preço pelo altamente competente. que tive o prazer de avaliar.00 Burson Soloist (+DAC) – US$990. Clonus Audio Secret – R$1. com uma sonoridade equilibrada e qual ele é vendido. que pode empurrar desde como os Sennheisers mais sofisticado.00 SPL Phonitor 2 – €1. De quebra.550/US$1. pode ser equipado com duas opções altamente ouvi uma pequena melhoria. potência de saída de 100W. um amplificador valvulado Recentemente lançado como a mais incrível obra-prima da Schiit. não consegui ouvir dos aparelhos da marca não devem nada aos superlativos MSB.649. que conta com uma fantástica e completa seção de compensa pela pura engenharia capaz de entregar tudo o que se crossfeed – funcionalidade que busca atenuar a separação estéreo precisa para qualquer fone.00 O Bottlehead Crack na realidade é vendido em forma de kit. Wire-with-gain dos melhores. É OTL que traz excelentes resultados com fones de alta impedância. no mínimo. Trata-se de um dos melhores e mais versáteis energética típica dos melhores amplificadores estado-sólidos.699.900. O amplificadores estado-sólidos do mercado. foi engenheiros por trás da Violectric. competentes de DACs. 87 . melhores qualidades de construção do mercado e um belo DAC. qualquer fone.995. extrema dos fones. com sua saudável Unidos e também serve como peça de decoração – é lindíssimo. justo. Acho que isso já diz o bastante. Schiit Mjolnir – US$749. Um amigo audiófilo certa vez me disse que o interior GS-X. Woo Audio WA3 – US$599. mas amplificador. o HA-160D. era o topo de linha da Schiit. É um fácil projeto DIY para iniciantes. Pelo O lendário engenheiro Kevin Gilmore certa vez disse que sequer (competitivo) preço. Comparando ambos em single-ended.00 Schiit Ragnarok – US$1. Tem todas as capacidades para ser o Excelente opção pelo preço. basicamente um amplificador “faz tudo”.00 É.86 Bottlehead Crack – US$279. É produzido nos Estados intra-auriculares sensíveis até caixas de som. que traz uma personalidade você acaba com um belíssimo amplificador valvulado OTL que traz doce porém autoritária e transparente.00 A Lake People é a marca voltada ao mercado profissional dos O SPL Phonitor. para criar um espetacular all-in-one. possui uma das sinergia atestada com os Sennheiser HD600/650/800. e faz impressionado com o quão próximo ele soou do meu HeadAmp jus ao preço. assim como o Bottlehead Crack. O inclusas no pacote.00 Burson Conductor Virtuoso (+DAC) – US$1.00 Audio-gd Master 9 – US$1. me deixou O Conductor Virtuoso é o Burson mais sofisticado já lançado.00/1.630 Até a introdução do Ragnarok. por um preço. Lake People G109-P – US$695.495. um equipamento desenhado para estúdios.00 Projeto do engenheiro brasileiro Antonio Cunha. centro de um versátil sistema high-end. diferença – apenas quando usei o americano balanceado é que Para completar. então A australiana Burson encantou o círculo dos entusiastas com seu o próprio comprador deve montá-lo de acordo com as instruções primeiro aparelho. capaz de empurrar problema fica por conta das saídas apenas balanceadas. e no final Soloist é a versão mais atual dele. Por isso ele perde um pouco descoberto por audiófilos que se encantaram com esse incrível da estética mais elaborada dos seus irmãos mais populares.

compondo uma apresentação O SRM-323S é tido com uma exceção. o Apex Pinnacle..00 Stax SRM-323S (para eletrostáticos) – US$630. ou BHSE. tornando-o um pareamento acessível. competentes e faz qualquer fone eletrostático cantar. 89 . mas existe uma simples e rápida modificação que considerada. apesar de em teoria incrivelmente sedutora e eufônica. é capaz de derreter o coração mesmo fabricação já foi encerrada. para qualquer audiófilo que não quer nada além do melhor. e.796.980. fone que leva o título de o melhor engenheiro criador da antiga Moth Audio. seu desempenho é para brilhar. HeadAmp GS-X MKII – US$2.000.88 DNA Stratus 2A3 – US$2. O Sennheiser HE90 Orpheus.00 Stax SRM-727A (para eletrostáticos) – US$1. é um energizer concebido por Kevin Millet. O Aristaeus é a bem-sucedida tentativa de sendo extremamente competente sonicamente e versátil.00 HeadAmp Blue Hawaii SE (para eletrostáticos) – US$5. Luxman P1u – US$3. Considerado o melhor preocupar com o custo e você terá.00 Peça para um dos mais renomados engenheiros do ramo. Eddie Current Balancing Act – US$3.060. está muito longe de ser barato ou conveniente. já sabe o que comprar. mas se você tem o junto com um SR-009 ou SR-007 compõe um sistema definitivo capital e quer o melhor. projeto DIY de Kevin do que se espera tendo em vista a topologia. construir o melhor amplificador que ele conseguir sem se Gilmore e produzido pela HeadAmp. É um verdadeiro wire-with-gain.00 HeadAmp Aristaeus – (para eletrostáticos) US$3. E o estilo fazer um amplificador específico para o HE90. Ele amplificador comercialmente disponível para fones eletrostáticos. ao fim. para que ele atinja old-school é nada menos que matador. seu total potencial.. Infelizmente ele não está disponível comercialmente. é melhores amplificadores que já tive o prazer de ouvir. Também funciona muito bem com o SR-009.000.20 O DNA Stratus 2A3 é a epítome de um amplificador valvulado. Os energizers da Stax. Com ela. considerado extremamente respeitável.700. Sua sonoridade é Gilmore para um energizer de altíssimo desempenho a um preço extremamente musical e eufônica. É sem dúvida alguma um dos ser mais simples que muitos outros amplificadores da marca. exatamente perfeito. Apex Pinnacle – US$10.60 Amplamente visto como o melhor amplificador estado-sólido Muitos hobbistas não veem o SRM-727A com bons olhos em sua já fabricado.00 Amplificador mais sofisticado construído por Craig Uthus. com neutralidade e transparência absolutas.950. Pete O Blue Hawaii SE.996. frequentemente considerado melhor. dos fones mais frios e analíticos. É amplamente visto por já fabricado. fantástico com o Sennheiser HD800 – principalmente para os que mas é um projeto aberto que pode ser construído por DIYers querem a sonoridade dos valvulados sem suas inconveniências. um amplificador que faz com que ele mereça o título de amplificador estado-sólido simplesmente dá a qualquer fone exatamente o que ele precisa topo de linha da japonesa Stax. que não era hobbistas como um dos melhores amplificadores do mercado. com algumas poucas exceções cuja Altamente romântico. não são particularmente bem vistos.00 Kevin Gilmore KGSSHV (para eletrostáticos) – DIY O Luxman P1u é um daqueles casos em que o resultado foge muito O KGSSHV é a versão mais recente do KGSS.00/2.596. e um dos melhores se qualquer tecnologia for forma original. era limitado pelo amplificador HEV90.

Lovely Cube + HiFimeDIY Sabre USB DAC 2 + AKG Q701 ~ US$500 O Lehmann Black Cube Linear e seus clones Lovely Cube e Matrix M-Stage são uma bela combinação com os AKGs. apesar do baixo preço. Veja que na maior parte desses casos não cheguei a ouvir essas combinações exatas e por isso. mais transparente. Combinação espetacular. às custas de um pouco de musicalidade. certamente fará uma bela dupla com o calor do X2. abaixo disso. tem tudo para encantar.300 Virtudes planar-magnéticas on a budget versão dois. e a combinação da dupla com o revelador ODAC formará um sistema que de simples só terá o preço. 90 91 . Se você gosta é de ouvir tudo o que está na gravação. Nessa seção. HeadAmp GS-X + Schiit Yggdrasil + Sennheiser HD800 ~ US$6.100 Os fones ortodinâmicos precisam de um amplificador com pegada.200 O Audio-gd Master 9 é um dos poucos monstros que conseguem lidar com o HE-6. JDSLabs O2 + ODAC + Philips Fidelio X2 – US$580 O Philips Fidelio X2 é um dos melhores fones até 500 dólares que conheço. DNA Stratus 2A3 + Violectric V800 + Sennheiser HD800 ~ US$5. acredito que as sugestões são válidas e podem servir para ajudar iniciantes na montagem de um sistema ou então inspirar os já mais experientes em combinações mais pretensiosas. Adicione um bom DAC e pronto. Stax SRM-323S + Violectric V800 + Stax SR-007 ~ US$4. minha opinião aqui deve ser considerada apenas um ponto de partida. Sistema para trazer uma refinada e musical pancada nos ouvidos.700 Os três equipamentos são o ápice da transparência. Observe que me restringi a fones supra-aurais ou circunaurais de mais de 300 dólares porque. Com o SRM-323S e o V800. SUGESTÕES DE SISTEMAS Schiit Vali + HiFimeDIY Sabre USB DAC 2 + HiFiMAN HE560 ~ US$1. esse é o seu sistema.500 O melhor fone produzido atualmente aliado ao melhor amplificador para eletrostáticos comercialmente disponível. pensei em algumas sugestões de sistemas dentro dos quais a sinergia tem tudo para dar certo. HeadAmp BHSE + PS Audio DirectStream DAC + Stax SR-009 ~ US$15. coisa que o Vali tem de sobra. talvez não haja a necessidade de montar um sistema completo. mais uma vez.000 O Stax SR-007 é um dos raros fones que aliam transparência extrema a muita musicalidade e suavidade. Audio-gd Master 9 + Audio-gd Master 7 + HiFiMAN HE-6 ~ US$5. DAC estelar e tem-se um dos melhores sistemas possíveis. Sistema planar-magnético on a budget. ou como fazer um LCD-2 cantar sem precisar quebrar a banca. Dito isso. e a dupla O2 e ODAC. Bottlehead Crack + JDSLabs ODAC + HD600/HD650 ~ US$900 O Crack possui sinergia atestada com os Sennheisers. mas um amplificador como o 2A3 traz a ele muita musicalidade sem perder as habilidades técnicas. JDSLabs O2 + ODAC + Audez’e LCD-2 ~ US$1.500 O HD800 pode ser um fone um pouco estéril.

Hoje existe um grande mercado para amplificadores e DACs portáteis e para mp3 players decididamente high-end – alguns chegam a custar assustadores 3. Por mais que os tocadores portáteis comuns geralmente sejam muito bons. essa busca por qualidade extrema também chegou a eles. Mas não necessariamente tocadores caros vão resolver o problema – alguns ainda trazem ruído de fundo audível. foi natural que algumas pessoas quisessem mais qualidade – não é a toa que o mercado de intra-auriculares e de fones portáteis explodiu. São exceções. No áudio portátil. Nesses casos. 92 93 . Tudo começou com as fitas cassete e depois com os discmans. deixei bem claro que os benefícios trazidos por esse tipo de equipamento são. alguns aparelhos podem trazer muito ruído de fundo ou outros problemas. A questão é que muitos smartphones e mp3 players comuns já são capazes de uma ótima qualidade de reprodução. Na seção de amplificadores e DACs. a relação custo-benefício é frequentemente muito complexa. mas é de suma importância entender um pouco A U D I O F I L I A P O R TÁT I L mais sobre esse universo porque. Tendo em vista essa popularidade. mais brandos do que a maioria dos relatos que lemos na internet nos fazem acreditar – certamente é uma influência muito menor na cadeia do que a do fone de ouvido. e por isso não é fácil medir em que momento será mais interessante investir num equipamento portátil mais sofisticado ao invés de num fone de ouvido superior ao que se tem. e isso deve ser observado. isso é ainda mais verdade.VISÃO GERAL Um dos grandes motivos para os fones de ouvido terem se tornado tão populares nos últimos anos foi o avanço de equipamentos portáteis. nele. São equipamentos de alto desempenho. da mesma maneira que montamos sistemas de mesa com componentes discretos para substituir a placa de áudio interna de um computador. apesar de hoje eles estarem basicamente incorporados nos smartphones. porém.500 dólares. A função dos amplificadores e DACs portáteis e dos tocadores high-end é simples: trazer um desempenho mais competente do que o que encontramos em mp3 players e smartphones comuns. em minha opinião. casos de sistemas com fones de sensibilidade anormalmente alta e/ou impedância muito baixa. como os iPods. foram responsáveis pelo grande boom da música portátil. mas os tocadores mp3.

também pode qualidade da reprodução. como um intra-auricular personalizado topo de não é só a qualidade de som que conta – existem outros fatores como conveniência. uso tão elegantemente simples quanto a de um iPod Classic ou Touch. os únicos players high-end que conseguem brigar em pé de igualdade com os tocadores da Apple ou da Cowon em fatores como esses são os Sony NW-ZX1 Outra situação em que vale a pena pensar num sistema portátil é no caso de o fone e NW-ZX2 e. e queira tirar dele a última gota de desempenho. a compra de um sistema portátil sofisticado só deve ser contemplado desenvolver amplificadores portáteis. muitos dos players high-end atuam também como DACs para outros têm duração pífia de bateria. como o Meier Audio Corda 2Move.E N D O U S I S T E M A M O D U L A R ? portáteis com intra-auriculares universais medianos. como os iBasso DX100. Calyx M e muitos outros que vão entrando E mesmo se você já tiver um bom sistema de mesa e quiser algo melhor para ouvir na nesse mercado. mas se esse não for qualidade de reprodução superior à de tocadores comuns e a capacidade de empurrar seu caso. outros possuem fontes externas. Recentemente isso tem melhorado. Alguns também vinham trazer um melhor desempenho por um custo semelhante ou inferior – é evidente que com DACs internos. outros têm pouquíssima memória. é preciso saber que sistemas de mesa costumam de modo a substituir a amplificação mais fraca desses aparelhos. No início da década de 2000. mas a partir do HM-801. isso começou a mudar. Por exemplo. os Astell & Kern mais novos – apesar de em minha opinião eles não usado ser mais exigente ou se as funções a mais dos tocadores e/ou DACs portáteis estarem ainda nesse nível. E aí fica a questão: o que é melhor. feitos para serem usados com tocadores normais. No entanto. com alguma frequência vejo entusiastas usando sofisticados sistemas P L AY E R H I G H . Caso contrário. dinheiro em algo superior para quando você estiver em casa e poderá dedicar atenção total à música? O aparelho da HiFiMAN foi seguido por muitos outros. será que não vale mais a pena ter algo simples na rua para poder gastar mais fones dos mais difíceis. Em primeiro lugar. caso você já tenha um fone definitivo. Nesse mesmo ano. apesar de o conjunto de mesa mais aparelhos do tipo chegaram ao mercado. para que eles pudessem atuar em algo pequeno e alimentado por bateria há comprometimentos que não existem como conversores se combinados a um computador. vários fabricantes começaram a Em minha opinião. Essas são funções que os tocadores normais minha opinião os tocadores high-end em geral ainda não oferecem uma experiência de geralmente não têm. que podem ser tão ou mais importantes que a fone melhor provavelmente trará um upgrade mais sólido. algumas opções. DX50 e DX90. Sony NW-ZX1. superior a um tocador Astell & Kern AK100 II ou AK120 II. talvez. uma nova tendência surgia com o HiFiMAN HM-801: a dos tocadores Logo. Os outros têm problemas variados: uns são muito grandes. que em teoria trazia uma que investir em um sofisticado sistema portátil faça mais sentido. num equipamento de mesa que será ligado numa tomada e que não possui muitas a Cypher Labs e a Fostex lançaram. 94 Se você decidiu que para o seu caso vale a pena investir num sistema portátil. a linha da Astell & Kern. em minha opinião. E no final de 2010. Se você viaja muito e está sempre na rua. por exemplo. portáteis high-end. pode ser Passou a ser possível ter apenas um aparelho de altíssimo nível. ser interessante essa compra se o objetivo for montar um sistema definitivo que já irá suportar qualquer upgrade futuro. mas em funcionam como transportes digitais. um tocador high-end como esses ou rua. montar um sistema portátil de alto nível é mais caro que montar um de mesa. quem quisesse qualidade num sistema portátil tinha como então é necessário ponderar quando. respectivamente. Desde então. custar mais ou menos metade do preço. Por exemplo. investir num portabilidade. existem Em primeiro lugar. Até então. linha. e que podem ser valiosas em determinados sistemas. algo inexistente anteriormente. a questão não é tão simples. usabilidade e preço.Por exemplo. em alguns casos. traria um resultado muito superior a um IEM mediano ligado a um sistema high-end. julgar o que será mais apropriado. Esse investimento. não tenho dúvidas de que o amplificador Lovely aparelhos que permitiam que os iDevices atuassem apenas como transportes: eles eram Cube alimentado pelo DAC ODAC ligado ao seu computador será consideravelmente também DACs para os aparelhos da Apple. restrições de tamanho. Seria muito mais interessante usar o orçamento que foi investido no sistema portátil high-end num in-ear personalizado de alto nível – que. o que permite que eles sejam usados com um computador e outros sistemas operacionais boçais e por aí vai. 95 . onde e como você costuma ouvir música para opção apenas um sistema modular. forem úteis. ligado a qualquer bom smartphone. o Algorhythm Solo e o HP-P1. Em sistemas desse tipo. só valeria a pena um iPod aliado a um DAC e amplificador externos? Depende.

mas são melhores. mas são totalmente diferentes. usar um tocador high-end alimentando um amplificador portátil. outros custam menos. Cito como exemplo o FiiO X5 e os iBasso DX50 e DX90. a situação não é dramaticamente diferente. 96 97 . Por exemplo. porém. ou seja. e comparável ao Calyx M. Minha experiência com equipamentos portáteis sofisticadas me lembra um pouco a que tive com DACs: uns custam mais. e outros custam o mesmo. mas a vantagem é que geralmente estamos considerando apenas um componente e podemos controlar melhor a interação com o resto do sistema. mas felizmente hoje existem alguns players sofisticados. mas um iPod pode ser uma única fonte que pode alimentar o amplificador que se quer – e existem aparelhos dos mais variados.E a questão crucial é que os benefícios sonoros frequentemente não são tão evidentes a ponto de fazer com que as limitações sejam esquecidas. embora com uma personalidade diferente. o iBasso DX100 que tive me pareceu consideravelmente melhor que o HiFiMAN HM-801 quando usado como fonte ligada a um amplificador externo. pode ser combinar as duas coisas. Existem até mesmo amplificadores portáteis valvulados! Uma solução interessante. com sonoridades e funcionalidades diferentes. outros custam mais. mas são iguais. Considerando amplificadores e DACs portáteis. O problema geralmente é o custo final. mas são piores. alguns custam o mesmo. com DACs internos de alto nível. que não custam muito. sistema que se mostrou muito superior em termos de qualidade de som não só ao iPod Classic mas também a todos os tocadores portáteis que já tive. mas este último me pareceu melhor quando ambos foram usados alimentando diretamente um fone de ouvido. Assim. Os tocadores high-end geralmente são considerados um pacote fechado. mas soam iguais. tem-se uma sofisticada fonte que pode fornecer o sinal para qualquer amplificador que se queira. É a solução que uso atualmente: um FiiO X5 aliado a um HeadAmp pico Slim. E mais: já encontrei players que possuem um desempenho melhor ou pior que o outro dependendo de como estão atuando.

No caso da audiofilia portátil.99 O E06 foi minha primeira experiência com um amplificador portátil. tamanho conveniente. mas olhando para ele não dá para dizer.00 O E12 e o E12A são os amplificadores topo de linha da FiiO. o Shure SE530. mas aparentemente isso melhorou muito no PCSTEP.00 O Corda PCSTEP é o sucessor do Corda 2Move. Por isso. transparentes e bastante divertidos. Com ele. Meier Audio Corda PCSTEP – US$240. para uma pesquisa extensa. mais do que nos outros casos.00 O Leckerton UHA-6S MKII é muito frequentemente citado como um amplificador exemplar. O E12 é uma usina de força dedicada a fones mais exigentes e o E12A é mais apropriado para fones menos exigentes. com potência saudável. ótimo acabamento e preço relativamente baixo. a lista a seguir deverá ser apenas um ponto de partida O C5B também não é um amplificador caro. devo frisar que não tenho experiência pessoal com alguns dos equipamentos listados e. como você interpretará os resultados obtidos com esses equipamentos é imprevisível. logo que comprei meu primeiro fone melhor. 98 99 . Por menos de 30 dólares não dá para esperar milagres. consegui um desempenho indistinguível do meu pico Slim. No entanto era um equipamento inconveniente. R E CO M E N DA D O S Cayin C5B – US$159. Existem amplificadores mais caros. me parece que as opiniões são muito variadas e por vezes divergentes. mais compacto. mas talvez o Leckerton seja tudo o que o audiófilo viajante precisa. Ao que parece. é mais apropriado para fones mais analíticos ou para quem quer um pouco de romance. porém com bastante senso crítico. de 400 dólares. Ambos são muito competentes: energéticos.99 Assim como no caso dos DACs e dos amplificadores.FiiO E06 Fujiyama – US$27. sua personalidade sonora segue o visual mais clássico: sua sonoridade é bastante calorosa e mais eufônica e melódica. que me impressionou bastante. FiiO E12/E12A Mont Blanc – US$129. muito próximo da neutralidade. mas o E06 pode ser uma primeira experiência com amplificação portátil ou uma forma de dar um pouco mais de força a fones mais exigentes. Consequentemente. Ambos são muito atraentes e bem construídos.00 e US$159. Leckerton UHA-6S MKII – US$279. e um competente DAC.

00 Calyx M – R$4. mas o PAW Gold tem grandes funcionalidades e à qualidade de som compensavam. sistema operacional lento e a bateria pífia são grandes problemas. É quente.500 O CEntrance HiFi-M8 é enorme e muito caro. facilidade de uso. Linha HeadAmp pico – US$349. e conta Se há um player high-end que pode ser considerado um upgrade com algumas opções para propostas diferentes. mas o autoridade e a competência para empurrar até mesmo um HD800. potência. ao menos para os acumuladores. e aparentemente ele traz um desempenho equivalente é que perdeu um dos dois slots para cartões microSD. Neutralidade quase absoluta. tem a eufônico e muito espacial. Sua espessura extremamente fina não traz menores – versatilidade. são ótimas. É um conjunto de amplificador e DAC balanceados que.00 Sony NWZ-ZX2 Walkman – US$1. Alia um Gen é a nova versão do aparelho. expansão e bateria – porém com contrapartidas: a bateria dura muito. Mas o que há em todos os aspectos em relação a um iPod (incluindo sistema em comum entre todos é o acabamento impecável. ao de sofisticados sistemas de mesa. é o que acabamento e do visual atualizado. FiiO X5 2nd Gen – US$349. O único ponto negativo. memória. autoritário.00 a US$475.100 Headstage Arrow – US$399. wire-with-gain.95 Lotoo PAW Gold – US$2. O único problema é o preço: a mais Justin. crossfeed.00 A pico é a linha de amplificadores portáteis da HeadAmp. e traz a mesma filosofia do seu pouco do calor do Calyx M ao refinamento e à transparência do antecessor: simplicidade e desempenho a um preço honesto.050. o melhor tocador que se trata de um dos melhores equipamentos portáteis do portátil que já ouvi – o FiiO X5 com o HeadAmp pico Slim é a mercado. tamanho e duração de bateria (60 horas no Slim!) e a sonoridade típica de conveniência). ou seja. é o Sony ZX2. a potência é impressionante e todos os benefícios do sistema operacional Android e um módulo as funcionalidades são muitas: controles de grave. bateria. em termos de qualidade de som.000 O X3 foi o primeiro tocador portátil da FiiO. além de trazer várias ferramentas para talhar sua sonoridade.499. trazendo os predicados de seus irmãos avançados do mercado. Exemplar. Mantém a ótima qualidade de som. O X3 2nd chances de ser o melhor tocador portátil que já pude ouvir. A memória expansível é ótima. mas além do melhor no território da piada mas. CEntrance HiFi-M8 – US$699. agora suporta mais formatos se paga pela perfeição. E. 101 . é melhor que a qualidade de som compense. meu FiiO X5 aliado ao pico Slim. FiiO X3 2nd Gen – US$214.00 O Arrow é sem dúvida alguma um dos amplificadores portáteis mais Topo de linha da FiiO. de acordo com muitos hobbistas. a um preço extremamente competitivo. a excelente operacional. mas é quase unânime O Calyx M é. de mil dólares.00 Nova versão do X5. o baixo preço aliado às (principalmente a cômica interface). agudo.00 FiiO X7 – US$649. a boa Três mil e quinhentos dólares por um tocador portátil talvez entre duração da bateria e a fartura de potência. como sempre na FiiO.00 Astell & Kern AK380 – US$3. O sistema operacional e as funcionalidades digitais. e se o sistema Pequeno e caro tijolo que parece ter vindo diretamente de 1990 operacional não era nada incrível. ganho e de amplificação substituível. única coisa que já escutei que chega perto. como no antigo HiFiMAN HM-801.

até porque não sou nada versado em engenharia. melhor. capacitância e indutância. como com acelerômetros. Se eu não estivesse comparando os dois ao mesmo tempo. A regra normalmente é que quanto menor a impedância de um cabo. Se você já tiver alguma familiaridade com o hobby. microfones e sensores de temperatura. Não vou entrar em muitos detalhes. CABOS Já li um relato de um engenheiro mecânico que comenta que cabos utilizados na aquisição de informações em testes. e de acordo com alguns engenheiros que conheço. nossos sentidos são naturalmente falhos. não passam de 300 dólares por metro. deve saber que existem cabos que custam o mesmo que uma BMW e que. movimento e umidade. entre outros problemas. poeira. São grandezas relacionadas. A questão é que nenhum desses fatores é difícil e/ou caro de se conseguir. Por que é que um cabo para um sistema de som custaria 10 ou até 100 vezes mais? E por que é que mesmo os melhores estúdios de gravação usam cabos comuns? Devo dizer que eu mesmo acredito já ter ouvido diferença entre cabos em algumas situações. como um Belden. Nenhum cabo vai melhorar um sistema. que faz com que o cabo seja menos suscetível a interferências que trariam ruído de fundo ao sistema. Como comentei na seção O Burn-In. mas somente porque eu estava ouvindo um em cada ouvido – e por isso comparando os dois ao mesmo tempo. nunca teria confiança para apontar diferenças de maneira categórica. Esses cabos. se para a maioria isso é motivo de piadas. em teoria já apresenta um desempenho ideal. Era uma diferença ínfima que ainda assim pode ser atribuída a algum desequilíbrio em algum lugar do sistema ou até mesmo diferença entre minha audição em cada ouvido. mas um bom cabo vai interferir menos – e esse é o objetivo. como muitos entusiastas fazem. apenas diferente. Além disso há a blindagem. mas elas são pequenas e não há um "melhor" ou "pior". e o tempo necessário para trocar cabos e reiniciar um sistema já é o suficiente para embaralhar 102 103 . têm de ter excepcional qualidade porque precisam transmitir dados com total integridade num ambiente incrivelmente hostil – que sofre com campos magnéticos de um motor.E agora chegamos a um ponto que traz muitas discórdias no mundo da audiofilia: cabos. mas até onde sei existem basicamente três fatores que influenciam o comportamento de um cabo: impedância. num sistema de som apenas a impedância deveria surtir alguma influência audível no resultado final. que podem fazer a diferença entre um avião decolar ou não. A bitola do cabo também pode trazer diferenças. Um bom cabo. para muitos audiófilos é assunto sério.

Existem casos em que a transmissão USB é um pouco problemática. mas para pior: o TWag arruinou o JH13 Pro. possivelmente. porém digitais são competentes o suficiente para isolar o sinal dos ruídos espúrios – nesse caso. Exemplos são diversos cabos da MIT Cables ou da Transparent com seus Articulation Poles ou Network Boxes – há vários relatos na internet de pessoas que conseguiram. é que seus cabos possuem “tecnologia de articulação fracional” (o que quer que seja isso) explicar o funcionamento dos seus cabos e por que eles podem custar 40 mil dólares. apesar de a função deles ser apenas transmitir pacotes de zeros Evidentemente.(e muito) a nossa percepção acerca de uma sonoridade – principalmente se estivermos falando de diferenças que são. o grau de audibilidade dessa questão é duvidoso visto que os receptores dos dados mas em minha opinião esses efeitos podem ser atingidos de formas muito mais baratas (como por exemplo colocando um resistor num cabo comum) e. nesse momento. e não melhorar o desempenho Mesmo se considerarmos que cabos em geral podem fazer diferenças. ou seja. sendo vítima de chiados. anasalado e de certa forma sem foco. ou até mesmo simplesmente apresentando. Corrupção de dados também não é um problema – caso contrário. ou HDMI – caríssimos. é algo muito mais fácil do que em um sinal analógico. Os sites de algumas marcas são motivo de piada para os mais versados em ciências. no entanto. ou até mesmo de problemas de gerenciamento de sistema do computador. não são cabos digitais caros que irão resolver. era como se tudo e uns. por exemplo. Chegamos ao ponto de ver cabos digitais – como USB ridiculamente simples. Cabos digitais caros não parecem fazer nenhuma das duas coisas. impedância muito alta. os carinhosamente apelidados de USB decrapifiers – na prática. outras Devo apontar. justificativas mais elaboradas para que seus cabos sejam melhores – algumas dizem que realmente pequenas. De fato. porém. com frequência alarmante. porque eles chegariam corrompidos o tempo inteiro – e tampouco deve ser o jitter. ou então comprar mais um fone que nos trará uma outra sonoridade? Ou então comprar mais músicas? 105 . outros indicarem Consequentemente. ultrapassando com frequência os dez mil dólares. hubs USB com alimentação própria e outros recursos feitos para eliminar problemas comumente encontrados nesse tipo de conexão. que deveria ser interferir menos num sinal. para a existência de diversos cabos que são efetivamente e temos até fabricantes que apelam para a física quântica e para a Teoria das Cordas para projetados para atuar como filtros num sistema. no final das contas. Acho que não é à toa que as caixinhas são tão difíceis de serem abertas e resultam quase que infalivelmente na quebra desse item de milhares ou dezenas de milhares de dólares: eu ficaria bem decepcionado se gastasse uma fortuna num cabo e quando abrisse encontrasse apenas um capacitor e um resistor. nesses casos. Contudo. é que é algo que teoricamente não deveria acontecer. qualquer transferência de arquivos via USB para um pen-drive ou HD externo seria um martírio. É o que conta. ainda há um problema: o quão válido é investir montantes significativos em cabos ao invés de numa eletrônica melhor ou em fones ou caixas acústicas melhores? Será que pelo preço de um cabo não podemos fazer um upgrade de amplificador. Ademais. interrupções. Para algumas pessoas até pode ser um cabo fenomenal que leva o JH13 Pro a outro patamar. o atraso de alguns dados. alterando intencionalmente o sinal com resistores ou capacitores e outros componentes do tipo. o custo desses produtos me parece uma verdadeira afronta. me parece que o TWag é um cabo com propriedades particulares de um sistema. é que geralmente essas teorias propagadas por fabricantes de cabos têm pouquíssima (ou inexistente) base teórica ou prática comprovada. Acredito já ter me deparado com uma dessas situações: certa vez testei um TWag com o meu antigo monitor JH13 Pro. Apesar de alguns tivesse saído do lugar. curiosamente. não deveria ser algo desejável – mas e se alguém preferir o resultado com ele? Não há nada de errado nisso. o original no outro e liguei cada cabo em uma saída do meu amplificador. podendo ouvir os dois ao mesmo tempo. e sim acessórios como Schiit Wyrd e iFi iPurifier. em teoria e não considerando algumas exceções. Tecnicamente. uma impedância muito alta. esse tipo de alteração vai contra o objetivo de um cabo. A diferença foi bem evidente. já que hoje em dia qualquer bom conversor digital-analógico já faz um reclock do sinal. esses filtros podem trazer efeitos até desejáveis em muitos sistemas. não é difícil projetar um cabo com qualquer impedância que se queira. Deixou o som focado nos médios. relatos indicarem melhoras na qualidade de som (e. eliminando qualquer eventual anomalia temporal. como. Coloquei o TWag em um ouvido. após muita dificuldade. A questão. o objetivo parece ser a resolução de problemas. você esteja se perguntando sobre marcas que apresentam piora). mas será que esse cabo deveria custar mais de 500 dólares? Afinal. ou seja. 104 Talvez. abrir essas caixinhas e constatar que o que há dentro delas. a transmissão desses pacotes pode ser afetada por interferências. seus cabos têm um campo eletrostático que polariza moléculas do isolamento. como já deve estar claro para algumas pessoas. que provavelmente custam apenas centavos. A questão.

por exemplo. com bons conectores e bom isolamento. Porém. só que não é preciso gastar fortunas com isso. após um tempo. uso cabos absolutamente comuns. Nada que vá custar acima de 100 dólares – isso. e não acho que eles estejam perdendo nada com isso – acho até que sobra dinheiro para coisas mais importantes. dois Sony MDR-R10. Os cabos de força que já estão inclusos nos aparelhos são o suficiente. há quem discorde. com transporte Accuphase e amplificadores como HeadAmp Aristaeus e BHSE – usa cabos Monoprice. em minha opinião. vendi porque vi que. Já cheguei a investir aproximadamente 10 mil reais em cabos para esse sistema mas. ao menos em suas opiniões. Grado HP1000 e Sennheisers HD800 e HD600. Minha percepção é de que a maioria dos hobbistas valoriza investimentos em cabos. um HE60. que usam cabos da Belden ou da Mogami. um AKG K1000. não havia a menor necessidade de um investimento dessa magnitude em cabos. um Yulong D100 e pelos fones Audio-Technica W3000ANV. já é bem mais do que suficiente para qualquer sistema. outros não o fazem e seus sistemas. um par de monoblocos Bel Cantos REF1000. mas equipamentos sofisticadíssimos muitas vezes usam cabos comuns. empurrados por um raríssimo DAC Stax X2T (que custava 20 mil dólares). composto por um par de Jamos R907. composto por um HeadAmp GS-X. É muito comum vermos sistemas sofisticados com cabos caros. HDMI ou óticos. procure cabos bem construídos. Nos de interconexão. entre outros. Mas ao mesmo tempo em que existem audiófilos que gastam fortunas com isso. com pouca ou nenhuma interferência no resultado final. Eu mesmo sou um exemplo. um pré Musical Fidelity M6PRE e um DAC Eletrocompaniet DAC-1. se você quiser pegar algo um pouquinho melhor. Tudo o que digo aqui é apenas a minha visão pessoal sobre o assunto. 106 107 . um Stax SR-007. como os da BlueJeans.Meu ponto aqui não é que cabos têm que ser ignorados ou que não fazem diferença nenhuma num sistema. não são piores por isso. um Stax SR-009. Um dos sistemas de fones mais insanos que já vi – que conta com dois Sennheisers HE90 Orpheus. e o mesmo serve para cabos USB. e não deve ser levada como verdade absoluta. para mim. dois Stax SR–Ω. porque cabos não precisam de tecnologias esotéricas ou de magia negra para atuarem de forma transparente e competente dentro de um sistema. relativamente sofisticado. Em meu sistema de fones. O mesmo para o sistema de caixas de som da sala. de caixa ou de fones. e acha que modelos sofisticados são parte fundamental na construção de um bom sistema. naturalmente.

e ainda comanda os preços mais altos no mercado de usados. e por isso decidiu criar um statement product. que já tiveram sua produção encerrada. À época. da Meier Audio.C U R I O S I DA D E S : FO N E S L E N DÁ R I O S Quer saber quais são considerados os melhores fones já fabricados? Aqui estão eles.500. o sistema era vendido por aproximadamente 14 mil dólares e fones adicionais eram vendidos a 7. O resultado foi o sistema Orpheus. Veja que existem fones produzidos atualmente – como Sennheiser HD800 e Stax SR009 – que merecem estar nessa lista mas. alguns usuários do fórum Head-fi fizeram uma petição com a ajuda de Jan Meier. mas também devido à raridade são clássicos muito valorizados pelos audiófilos. Apesar de o energizer HEV90 não ser perfeito (dizem que o HeadAmp Aristaeus traz um desempenho ainda melhor). fora uma única exceção. o HE90 ainda é considerado pela maioria dos entusiastas como o melhor fone já produzido. A Sennheiser quis mostrar que tinha total capacidade de brigar com os eletrostáticos japoneses. aqui vou colocar somente os clássicos. Foram produzidos inicialmente 300 fones. mas. composto pelo fone HE90 e pelo energizer HEV90. a Stax tinha a fama de ser a melhor fabricante de fones de ouvido do mercado. Um sistema em bom estado pode ultrapassar os 30 mil dólares. Sennheiser HE90/HEV90 Orpheus Até o final da década de 1980/início da década de 1990. no início da década de 2000. 108 109 . Eles não necessariamente são melhores que vários dos fones atuais. algo para revelar ao mundo do que ela era verdadeiramente capaz se todas as limitações – incluindo de custo – fossem jogadas pela janela. e conseguiram convencer a marca a produzir mais 30 unidades.

é o sucessor do HE90 e foi apresentado um pouco menos sofisticada e muito mais barata do HE90. 110 111 . consideravelmente menor. Stax. as válvulas são colocadas dentro de tubos de vidro feitos para isolá-las de vibrações provenientes do ar. e um energizer e DAC. dos fones de ouvido. Hoje. revestidos a ouro. junto a algum amplificador da Carrara. assim como seu antecessor. chegando a 9 falhas em 10 tentativas –. o sistema é o resultado de dez anos parecido. evidentemente. o chassi do HEV1060 é feito de mármore A maior diferença é o energizer. foi uma versão O sistema HE1060/HEV1060. o HEV70. ele usa diversas peças de plástico. mas também suas visões do que é um headphone perfeito. feito de vidro revestido com partículas de ouro e com alta taxa de falha eletrostático. Assim como o Orpheus original. mas ainda é eletrostático e de cada componente são impressionantes: os eletrodos de cerâmica do fone são consideravelmente sofisticado. os “Baby Orpheus” de 99. o HEV1060. Entretanto.9% das pessoas. o que. grande parte dos entusiastas que usa um HE60 utiliza. o novo Orpheus. Os detalhes de construção durante a fabricação.Sennheiser HE60 Sennheiser HE1060/HEV1060 Orpheus O HE60. o coloca fora do alcance título de um dos melhores fones de ouvido já produzidos. o que melhora o resultado final consideravelmente – tornando-o merecedor do O resultado é um fone de 55 mil dólares. o diafragma a platina. Devemos ficar felizes simplesmente por ele existir. e há um estágio de amplificação dentro do próprio fone para reduzir drasticamente a capacitância que seria introduzida pelo cabo. Hoje. mas o HE60 é menor e usa materiais menos nobres em sua construção: ao de desenvolvimento e representa não só o melhor que a Sennheiser e seus engenheiros invés de metal e madeira. mais simples e no final das contas considerado um grande limitador do desempenho do fone. são capazes de fazer. de um sistema composto por um fone de ouvido extremo. o HE1060. carinhosamente apelidado de “Baby Orpheus” pelos entusiastas. O formato dos dois é muito no final de 2015. o novo Orpheus é como o Bugatti Veyron ou o SR-71 costumam ser vendidos por aproximadamente 3 mil dólares. É um feito de engenharia que representa uma visão. O alto-falante também é mais simples – o do Orpheus é conhecido por ser bem Trata-se.

mas é também seu algoz. já do fone. DACs. ao contrário aproximadamente 180. As conchas do R10 são feitas de madeira zelkova e o mais interessante são os alto- Sua produção durou aproximadamente dois anos. ainda considerado o energizer duas versões básicas (não identificadas). dólares. está longe de centrada nas baixas frequências. o equivalente a 1. Ela contava com CD players. Ambas são muito bem vistas e a Bass Heavy. começaram do zero. mas costuma ficar perto dos 5 mil dólares. por exemplo. já que em 1995 a Stax faliu. outro fone cujo desenvolvimento foi realizado feitos. mas que aparentemente possui uma das sonoridades formato diferente do tradicional e são maiores. No final da década de 1980. o R10. uma com mais graves. forma a aumentar a resposta dos graves e os cabos foram redesenhados. Durante -falantes: seus diafragmas são feitos de biocelulose.000 ienes. e outra com mais incrível já feito. esse fone não foi feito para durar muito mais de 20 anos – idade que eles já têm. caixas de som e um fone. Os drivers possuem um Trata-se de um circunaural fechado. 112 pré-amplificadores. estima-se que tenham sido produzidas aproximadamente 600 unidades. ainda era assustadoramente caro. A Stax basicamente quis reescrever o que sabia sobre fones de ouvido. de acordo com entusiastas foram feitas Em 1993. Bass Heavy. O valor de Ou seja: apesar de no mercado de usados o preço frequentemente ultrapassar os 6 mil mercado de um usado varia. amplificadores. Seu preço não era tão exorbitante quanto o do Orpheus – um pouco menos. era lançado o SR-Ω junto com o SRM-T2. Essa talvez seja parte da mágica esse tempo. mas à época o SR-Ω do que o nome indica. transportes. Bass Light. ele é biodegradável.500 dólares –.Stax SR-Ω Sony MDR-R10 Após o lançamento do HE90 Orpheus. a gigante japonesa lançou uma linha de produtos de sem limites. Sua resposta ao O Sony R10 é outro fone da década de 1990 que traz o título de um dos melhores já topo de linha da Sennheiser foi o SR-Ω. áudio completa de altíssimo nível. 113 . e ao invés de partir de algum outro fone já existente. Por ser um material orgânico. que já foram vistas unidades com o número de série próximos a esse número. a R. as conchas foram desenvolvidas de mais abertas e um dos palcos sonoros mais amplos do mundo dos fones de ouvido. Durante a produção de suas duas mil unidades. a Stax não podia ficar parada.

para outros ele é excessivamente é vendido. sendo todas O bom encaixe do Q010 é de suma importância para que seu desempenho seja bom. o Q010. 50 foram revestidas com couro verde. Na década de 2000. Quantos sistemas baseados num W5000 Qualia. sendo construído em fibra de carbono e com 114 No entanto. como o arco. um fone. Aston Martin e outras marcas O fone.Sony Qualia MDR1-Q010 Audio-Technica ATH-L3000 A história do Sony Q010 é parecida com a do R10. e as suas unidades vendidas a 2. de vez em quando a marca cria algo realmente especial. um projetor de vídeo. feitas de madeira – nesse caso. que reuniria tudo de melhor que a marca conseguiria fazer. e o L3000 é um automotivas de alto luxo. detalhes curiosos. Em termos de som. mas fora um ou outro modelo de popularidade extrema – como o muito variado. um tocador de SACD e amplificador. Não é mistério que a Sony é uma A Audio-Technica é uma marca japonesa um tanto curiosa. com graves que é um fone fácil de gostar. ele é polarizador: enquanto Consequentemente. ao invés de ser ajustável. uma câmera filmadora. Havia um processador de vídeo. que vinha em três tamanhos. uma de retroprojeção e uma CRT. quando muitos não têm dúvida de que se trata de um clássico. demonstrando suas você já viu.500 dólares. por exemplo? melhores tecnologias. Em termos de sonoridade. cujas conchas dos fones são LCD. eles ainda são um pouco obscuros. Seus fones estão presentes das maiores fabricantes de equipamentos eletrônicos do mundo. e que. Bentley. mas definitivamente é único no que oferece. isso não é particularmente fácil. de árvore de cerejeira revestida com couro da Connolly. fabricante inglesa que fornece para Rolls-Royce. uma TV desses casos. o famoso fone de couro frio e possui uma coloração estranha. Delas. 115 . o L3000 é um fone extremamente raro no mercado. era bem exorbitante. não raramente são vistos como os melhores do mundo dos fones. e seu portfólio é na comunidade. Trata-se de uma edição limitada da linha W. ultrapassa os 3 mil dólares. apesar do palco sonoro muito desenvolvido. ela resolveu fabricar uma série limitada chamada ATH-M50 –. O L3000 é o fone de ouvido mais caro que a Audio-Technica já produziu. uma câmera digital e um tocador mp3 com um par de intra-auriculares. Não apresenta uma personalidade energética e extremamente autoritária.

800 dólares. Independentemente da versão. não se sabe).200 e 1.000 dólares. usando alto-falantes fabricados pela Primo do Japão de – um que alia aspectos de fones de ouvido à espacialidade proporcionada por caixas de acordo com suas exigências. o engenheiro decidiu criar o melhor fone possível – um exatamente um fone de ouvido: mais do que qualquer fone que se venda dessa forma. Também existem necessária para ele. dos ouvidos. Mas -discos e microfones. Foi aí que surgiu o HP1000. mas o que ele oferece é absolutamente único no mundo dos fones de ouvido. que geralmente é ligado diretamente a amplificadores de caixas duas variações de cabo. em três versões: HP1. no HP3. um pequeno par de caixas de som suspenso na frente considerado um dos primeiros fones dinâmicos verdadeiramente high-end. O preço atual de mercado costuma variar entre 1. consistente e confiável para esse fim. e o HP3. 117 . Hoje. No final da década de 80. capaz de competir com modelos muito mais atuais. variação durante a produção.05 dB. que fosse apurado. com alguma ouvido. dependendo da versão e do estado geral do fone. ele é um verdadeiro earspeaker. com um seletor de polaridade. o palco sonoro projetado pelo K1000 parece um pequeno palco ao redor do ouvinte.Grado HP1000 AKG K1000 A Grado foi criada por Joseph Grado. e ainda com drivers com um casamento mais ser incrivelmente difícil de empurrar (poucos amplificadores de fones têm a potência tolerante a erros (nas outras versões é 0. É um circunaural que foi produzido em edição limitada – todas as mil unidades foram O K1000 foi uma tentativa da marca austríaca de criar um novo conceito em áudio pessoal feitas à mão pelo próprio Joe. Esse AKG não é perfeito em termos de equilíbrio tonal ou de detalhamento e pode HP2. insatisfeito com o que estava disponível o mais ousado dentro dessa busca é sem dúvida alguma o AKG K1000. sem o seletor. e fabricava principalmente cartuchos para toca- Alguns fones dessa lista foram uma tentativa de fazer o melhor fone do mundo.500 e 3. o som. totalmente fora de sua cabeça. Ele não é no mercado para monitoração. também sem. de som). o valor de mercado fica entre 1. e mais de 10 mil unidades foram feitas. porém. ainda é considerado um marco em termos de neutralidade no mundo dos fones de Sua produção durou muito tempo. o HP1000 116 Diferentemente de qualquer outro.

o resultado seria diferente. Um instrumento acústico ou uma voz têm seus sons captados através de um microfone. E uma outra música. Em gravações normais. ou então ele pode ser ligado diretamente num pré que vai para a mesa de som – e nesse caso existe uma necessidade ainda maior de efeitos. para que o resultado seja minimamente alto (leia sobre a Loudness War). temos também o fato de que as músicas são sempre mixadas e masterizadas – processos em que se aplicam efeitos. temos as mais diversas influências que deixam o que está gravado na mídia realmente distante do que realmente aconteceu quando o som foi gravado. a mesclagem deles deve ser feita pelo técnico de som. com outro técnico. e ao final ainda temos. com seu gosto pessoal. como as de música clássica – são realizadas em salas escolhidas a dedo por sua acústica. Mesmo os audiófilos da “linha eufônica” exigem essa proximidade. que simulam um amplificador. que já impõe sua voz própria no sinal. vantagens e também mitos e falsas verdades. e este é transmitido para um pré-amplificador e então para a mesa através de cabos. no dia da mixagem e da masterização – lhe soava bom e próximo do evento original. Gravações de gêneros populares costumam ser realizadas em espaços acústicos mortos. cabos. É uma experiência estranha. um equipamento é neutro quando apresenta de forma passiva o sinal que lhe é fornecido. Uma das preocupações da audiofilia é justamente que a reprodução seja próxima da performance original. com os equipamentos de gravação disponíveis. fones de ouvido. preferências. o que está gravado naquele CD ou vinil não é a performance 119 . equalizações. Algumas gravações mais pretensiosas – ou gravações ao vivo de performances acústicas. terá sua mixagem feita de maneira diferente. Consequentemente. a acústica do ambiente… como podemos esperar que o que ouvimos seja exatamente o que aconteceu no dia da gravação? Sei que ninguém espera isso dessa forma. para que o resultado final seja o mais fiel possível à performance original. etc. overdubs. e nos ativermos a exigir apenas que seja fiel ao que está na mídia em si. ajustes. auto-tune… é um longo processo. Eu mesmo uso e abuso desse termo. 118 microfone só é a Chesky Records –. é absolutamente impossível. powers. mesmo aqueles que preferem a eufonia ao invés da fidelidade ainda têm grande preocupação com a neutralidade. pode-se gravá-lo usando um microfone num determinado amplificador – escolhido pelo artista – e aí o processo se repete. E daí vem o tão buscado conceito de neutralidade. de estúdio. os sons nascem e morrem neles mesmos. é melhor desistir… O ponto é que até a mídia temos um longo caminho. nos seus monitores de referência. Se formos até os gêneros populares. ou seja. O objetivo é gerar a gravação mais crua possível. então a espacialidade é totalmente fabricada. temos uma outra grande influência no processo: a acústica. porque todo o palco será inteiramente artificial: os instrumentos costumam ser gravados separadamente. Fora isso. pré-amplificadores. são gravações mais puras. Tanto os cabos quanto o pré e a mesa também têm influência no sinal. No fundo é tudo uma questão de gosto. sujeitos a demandas bem diferentes. Mas mesmo se diminuirmos nosso grau de exigência. normalmente. gravada num outro estúdio. Consequentemente. mas é muito curioso perceber o quanto essa qualidade da reprodução é subjetiva. e da mídia até a reprodução sabemos bem o que acontece: DACs. Caso o instrumento seja amplificado. No entanto. Nesse caso.9% das gravações. e os efeitos de reverberação também são artificiais. o que é o caso em 99. desenhados para o som não rebater. reverberações.A B U S C A À F I D E L I D A D E T O TA L Mas aí entra um outro problema: como é o palco sonoro imbuído na gravação? Se mais de um microfone for usado. o problema se agrava. e os efeitos de reverberação – necessários para que a música soe agradável – são adicionados artificialmente. Percebeu a quantidade de processos envolvidos? Mesmo em gravações com o puro objetivo de serem fiéis ao original. e conforme o que – de acordo com os seus ouvidos. Falando em reverberações. existem diversas correntes muito divergentes no meio audiófilo – cada uma com suas peculiaridades. Num outro estúdio. toca-discos. Mas será mesmo que isso é possível? Pensemos primeiramente em como funciona um processo de gravação comum. com outro artista e outros equipamentos. mesmo as com pretensões audiófilas – acho que a única gravadora que utiliza frequentemente um Uma das melhores definições de audiofilia que já li afirmava que se trata do reconhecimento de que a qualidade da reprodução afeta o aproveitamento da música. Basicamente. que nos render aos males da compressão. Vai ser produzida e julgada em circunstâncias diferentes e o resultado vai atingir uma determinada “neutralidade” naquele momento que não seria necessariamente replicada se fosse reproduzida no estúdio do primeiro caso. Concordo plenamente. caixas de som. o que está na mídia foi produzido por um ser humano.

O problema é que o que ouço de músicas acústicas no HE90 me soa respeitando-se. das salas. Os processos de gravação foram distintos. alguns limites de tolerância. é possível dizer para diferentes ocasiões – cada um vai interpretar uma situação de uma forma diferente. obviamente. Qual o valor disso? A música e nossas 120 121 . mas acho que é muito importante termos consciência de que essa Devemos ter a consciência de que essa busca infindável pela neutralidade em qualquer não passa de uma utopia. Em termos absolutos. o que ouvimos está sujeito ao nosso julgamento do que é neutro. e um equipamento que se dá muito bem com a visceralidade na mídia e muito menos à performance original. no final das contas. o processo basicamente se repete. muito mais parecido com o que ouço de um violão tocando na minha frente. ele acaba voltando à performance original. não existe o errado – quem vai infinitamente mais neutro e envolvente do que o que ouço no seu contemporâneo. provavelmente precisaremos de equipamentos de reprodução diferentes. para fazer hobby. Não estou em momento algum dizendo que não devemos procurar a neutralidade. Apenas você. como podemos exigir neutralidade de um equipamento? Como pode ele ser O resultado disso é o tão temido “equipamentófilo”: aquele que gasta tempo e. então. Novamente. Ali existe um calor. “neutro” e renderizar com competência o Death Magnetic do Metallica ao mesmo tempo principalmente. e depois restringem-se a ouvir e procurar gêneros que também soem bem no sistema que montaram. Com suas sensíveis colorações e particularidades. dos técnicos e engenheiros de som e até mesmo do detalhamento e da neutralidade absoluta em detrimento do mais importante: a as intenções dos artistas também são muito divergentes. mas não podemos nos render à obsessão equipamentos usados. Todo o processo é permeado por de um rock ou metal pesado dificilmente se dará bem com uma delicada performance imperfeições e subjetivismos. A música deveria ser o foco. enquanto o Orpheus segue uma linha e cada um deles vai calhar de estar “mais certo” em momentos diferentes. de Chris Whitley? Isso me peça de percussão excepcionalmente bem-gravada ou para ficar procurando toques de parece impossível. a mídia voltar ao acontecimento. qualquer som gravado está sujeito a isso.7 km do microfone no momento alterações. Nessa decisão. o estilo dos nível de passividade de nossos equipamentos. com músicas que eles não conhecem e não gostam. Todo o processo. E então. É claro que é de nosso interesse que obtenhamos um alto de uma sonata de piano. decidir isso é você. que passou por diversas telefone. que me parece frio e seco. interpretações e subjetividades até chegar ali. e. passarinhos cantando e galhos quebrando a 2. É uma interpretação. desde o humanidade da música. que o HD800 é mais neutro. mais eufônica. Daí para o nosso fone ou caixa da gravação. É mais humano. e se perdem montando um sistema de dezenas ou centenas de milhares de dólares que soa perfeitamente bem com o CD de testes da Dynaudio. mas quem está mais perto do acontecimento musical não é ele – é o Orpheus. de som. em muitos casos muito distante do evento que gerou a preferências devem reger o sistema. Ele pode estar mais perto da mídia. dinheiro montando um sistema exorbitante para ficar ouvindo aquela que mostra toda a humanidade e sinceridade do Dirt Floor. O resultado pode ser uma desvirtuação dos objetivos desse acontecimento musical até a gravação trilhou caminhos diferentes. e o que ouvimos nunca será absolutamente fiel ao que está gênero não é possível. Daí vem o motivo para muitos hobbistas terem mais de um fone Isso me lembra os Sennheiser Orpheus e HD800. Eu mesmo busco isso.original. Ele é mais passivo. O que está na mídia já é distante do artista. O problema é que muitos audiófilos parecem não entender essa questão. não o contrário. De que adianta basear nosso suor gravação. enquanto o HD800 se limita à mídia. em menor ou maior e nosso investimento para construirmos algo que vai acabar ditando o que vamos ouvir? proporção. uma envolvência que o HD800 não apresenta. Devemos abraçar a ideia de que nunca conseguiremos essa passividade absoluta de nossos equipamentos.

com piso de mármore branco. É como se as notas chegassem realmente atacando. vigorosa mas cansativa. • Ataque: Sensação de força e vigor. que interagem com ele e reverberam – ou seja. Geralmente significa que os agudos são proeminentes e os médios e graves. • Colorido: Diferente de neutro – com diferenças evidentes em relação à realidade. o alto-falante progressivamente começa a parar de responder com o mesmo volume. oposto de um som fino. 122 123 .• Agressividade: Personalidade energética. • Decaimento/Roll-off: Diminuição do volume nos extremos das faixas de frequência. com bom detalhamento e precisão espacial. GLOSSÁRIO DE TERMOS • Arejamento: Apresentação leve. Geralmente. como as emitidas por pratos de bateria ou o zumbido de um mosquito. com massa e volume. • Definição: Capacidade de mostrar cada instrumento ou som de maneira definida. • Ambiência: Espacialidade da gravação. Como ela apresenta um espaço definido ao redor dos instrumentos. fica mais fácil enxergar o acontecimento musical como se ele estivesse acontecendo numa sala real. com um equipamento que proporcione boa ambiência. • Brilho: Picos na região aguda que trazem. geralmente relacionada a graves com impacto e/ou médios para a frente. uma sonoridade agressiva tem uma grande quantidade de médios e/ou agudos em relação aos graves. secos. • Analítico: Relacionado a frio. Mais preocupado em mostrar a gravação em todos os seus detalhes do que proporcionar uma audição musical e cativante. mais fria. Sensação atribuída a alta atividade na região dos agudos. • Corpo: Som que aparenta ser encorpado. Analogia: é como se fosse uma imagem com um filtro de embelezamento. • Agudos: Frequências mais altas. poucos móveis brancos e janelas mostrando um exterior frio. que aparenta trazer ar no espaço entre os instrumentos. com força. Analogia (oposto de quente): pense numa sala minimalista. Relacionado a tridimensionalidade. uma sensação de brilho no som. literalmente. No limite dos graves ou dos agudos. Analogia: o som de uma banda de rock muito pesado.

• Granulação: Sensação de “grãos” na sonoridade. fones de ouvido grandes. Apresentação da música de maneira correta no que diz respeito ao espaço apresentado. • Médios: Frequências médias. Detalhes ficam mais escondidos. • Frio: Subjetivo! Minha visão parece ser a da maioria. geralmente relacionada aos graves. Capacidade de mostrar. • Equilíbrio tonal: Equilíbrio entre cada faixa de frequência – graves. Som calmo. mas significa “embelezamento” da apresentação. força e/ou impacto. Analogia: é como se falássemos com o nariz entupido ou cobrindo a boca com as mãos em forma de concha. sem agressividade. possivelmente em detrimento da fidelidade. e agudos comedidos. • Imagem: Relacionado a palco-sonoro e espacialidade. na gravação. • Full-size: Outro nome para designar headphones. a diferença de volume e espaço entre os sons mais baixos e os mais altos da gravação. como o atrito físico entre os dedos do violonista e o violão. antes de um decaimento/roll-off significativo. com brilho. oposto de energético e agressivo. Personalidade que prioriza um • Musicalidade: Também é subjetivo no que realmente representa. Pode significar que falta definição. um espaço definido onde os instrumentos estão tocando para que a música aconteça. • Extensão: Até onde os graves e agudos são audíveis com bom volume. entre graves e agudos. são sons que possuem poucos agudos que trariam “picos” e consequentemente uma sensação de granulação. Em minha interpretação. circunaurais ou supra-aurais. em detrimento uma apresentação agradável. Ver ataque. Capacidade de mostrar. • Escuro: Oposto de um som claro. • Médios anasalados: Sons que parecem ser anasalados e. mais fria. Analogia (idêntica à de analítico): pense numa sala minimalista. Analogia: é como se fosse uma de boa parte dos instrumentos. mas sei de pessoas que interpretam da maneira oposta. um espaço definido ocupado por cada instrumento. seja à gravação ou ao verdadeiro som dos instrumentos. trompetes. • Graves: Frequências mais baixas. que fazem com que ela não pareça lisa. espacialidade. ou seja. • Espacialidade: Similar a ambiência. Similar a da neutralidade. eufônico e musical – ver essas definições. eufônico. É onde se encontra a resposta gerando um som estridente e altamente cansativo. com piso de mármore branco. Oposto de analítico e relacionado a quente. com um espaço definido e cada instrumento ocupando uma porção específica desse espaço. Relacionado a agressivo. • Palco sonoro: Relacionado a imagem. Similar a doce e musicalidade. exterior frio. • Para a frente/forward: Com maior volume em relação ao resto. saxofones ou pessoa gritando.• Detalhamento: Capacidade de mostrar os detalhes da gravação. Geralmente relacionado a médios mais suaves. Contrário de quente e fortemente relacionado a analítico. • Impacto/Punch: Força. distorcidos e não naturais. • Eufônico: Ver quente. através do som. ao invés de falando. tentando torná-la mais agradável. Um equilíbrio tonal bom e neutro apresenta as mesmas quantidades de cada faixa. Um som dinâmico é capaz de distinguir claramente as passagens mais calmas das mais intensas. como contrabaixos ou bumbos de bateria. consequentemente. o passar do arco do violino nas cordas ou o sopro num saxofone. Um som energético é mais vivo. médios e agudos. quente. como a maioria das vozes. Geralmente significa graves recuados e secos e agudos excessivos e ásperos. mais animado e divertido. • Energia: Vigor. • Macio: Relacionado a doce. • Estridência: Volume excessivo de médios e/ou agudos em relação ao restante. • Doce: Som relaxado e calmo. poucos móveis brancos e janelas mostrando um • Neutro: Som fiel ao original. inofensivo e ligeiramente esmiuçado. Geralmente significa médios e graves presentes e agudos recuados. guitarras. recorte e arejamento. 124 125 . • Dinâmica: Como se fosse a “amplitude” da música.

• Timbre: Característica tonal/personalidade sonora de algum instrumento • Transparência: Habilidade de ser transparente. musical. com carpetes. mas esse exterior talvez não seja tão bonito e agradável. há pouca variação entre a resposta em diferentes faixas de frequência. Analogia (oposto a frio e analítico): pense numa sala aconchegante. mas sei de pessoas que interpretam da maneira oposta. num fone com boa textura nos graves é possível ouvir a vibração das cordas e ela batendo nos trastes. • Profundidade: Palco sonoro que parece apresentar profundidade além de comprimento. Apresentação mais musical. • Resolução: Capacidade de resolver passagens musicais com competência. uma textura audível. Analogia: é como com vídeo – um fone com boa resolução mostra a música como se ela fosse em Full HD ou 4K. Vê-se o exterior. • Recorte: Definição dos limites espaciais de cada instrumento dentro do palco sonoro apresentado. fortemente relacionado a uma apresentação seca e analítica. ou seja. a mostra no que aparenta ser uma resolução padrão. geralmente relacionado a quente. • Velado: Oposto de transparente. Se um fone é neutro. tudo deve ser propriamente definido espacial e temporalmente. de maneira que cada um deles tenha seu lugar próprio que não interfira com o dos outros. com graves e médios doces e macios e agudos mais comedidos. cada instrumento ou som deve ter seu espaço e seu tempo dentro da música. Por exemplo. ou seja. Em geral. velocidade e detalhamento. fio-com-ganho. com instrumentos que dão a impressão de estar audivelmente atrás de outros. • Resposta de frequência: Como o fone responde em diferentes frequências (sons graves. com imagens mais emboladas e menos definidas. estar presente e audível dentro do todo. mostrando a música em todos os seus detalhes. Um fone rápido apresenta um som que aparece muito rápido e decai muito rápido. e é usada para caracterizar amplificadores que atuam justamente como um “fio com ganho”. mas não os menores detalhes. Relacionado a transparência. literalmente. sem invadir os dos outros. • Quente: Subjetivo! Minha visão parece ser a da maioria. o que significa que os graves são fortes e volumosos. Oposto de frio. de fato. • Wire-with-gain: Expressão em inglês que significa. Pense em “tuc” ao invés de “tummm” • Sibilância: Problema nos agudos que causa um som de “S” rasgado. Analogia: ouvir música num equipamento mais velado é como se fosse ver o exterior através de uma janela mais opaca. • Tridimensionalidade: Capacidade de mostrar instrumentos que aparentam ter um corpo e uma massa definidos. como se fosse. sem embolações. sofás com almofadas fartas e uma lareira. sendo quase perfeitamente neutros. Analogia: pense numa pessoa muito pesada pisando forte no chão. enquanto um fone com baixa capacidade de resolução • Seco: Oposto de “gordo”. • Relaxado: Oposto de energético. • Textura: Capacidade de mostrar o som de instrumentos de maneira física e realista. impedindo que nuances sejam ouvidas. som magro e definido. não imprimem suas características sonoras.• Pesado: Forte e maciço. • Presença: Literalmente. Ou seja. Som calmo e inofensivo. sem qualquer agressividade. Geralmente é usado para graves. Ver essas definições. médios e agudos). tridimensionais. • Velocidade: O quão rápido o fone responde a sinais elétricos. 126 127 . ou seja. toda de madeira. doce e eufônico. Analogia: ouvir música num equipamento transparente é como se fosse ver o exterior através de uma janela transparente. Som que esconde detalhes com o que aparenta ser um “véu” sobre a música. • Pico: Pequeno segmento da resposta de frequência com grande volume relativo ao resto.

lançada em PDF. Apresenta algumas alterações de texto para melhor compreensão dos assuntos abordados.REGISTRO DE VERSÕES DO GUIA • 0. • 1. 128 129 . Adicionada seção Streaming.8 (01/12/15): Primeira versão lançada on-line por meio do Issuu. assim como a modificação de alguns equipamentos e preços nas listas de recomendados (Clonus Secret e Dunu DN-2000).0 (07/06/16): Versão atual.

130 versão 1.0 .