FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL

Celso Furtado
Capítulo 28 – Defesa do nível de Emprego
Em relação a Mão-de-obra
Devido a mão-de-obra europeia assalariada através do forte fluxo
imigratório, permitiu que a economia cafeeira se expandisse, sem que
houve tendência para a alta dos salários reais. Para que houvesse uma
maior produtividade física (MDO ou terra) era necessário que o
empresário aperfeiçoasse os processos de cultivo ou aumentasse a
capitalização na terra ou na MDO. Não havia nenhuma pressão da MDO no
sentido de elevação do salário real, então não interessava para o
empresário trocar essa MDO em capital, então: quanto maior fosse a
quantidade produzida por unidade de capital imobilizado, mais vantajoso
seria para o empresário, pois era ele quem apropriava dos ganhos. Enfim,
favoreceu a acumulação de capital no setor.
Em relação a Terra
O empresário tratava de utilizá-la aplicando o mínimo de capital por
unidade, por ser, assim como a MDO, muito abundante. Sempre que a
terra dava sinais de esgotamento, o empresário a destruía e abandonava,
transferindo-se o capital pra solos novos de mais elevados rendimentos.
Os incentivos econômicos induziam os empresários a estender suas
plantações ao invés de aumentar seu capital em MDO e na Terra, pois o
capital era escasso no momento. A destruição consciente de solos seria
de efeitos negativos a longo prazo. Mas, se o aproveitamento da reserva
esgotável se faz para dar início a um processo de desenvolvimento
econômico, não somente a geração presente mas também as futuras
serão beneficiadas. Mas a terra sempre era possível reconstruí-las. Em
suma, não houve melhorias no sistema produtivo por causa da
disponibilidade de terras e não melhorou os rendimentos.
Economia de Exportação
O setor exportador não apresentou, graças à sua expansão,
nenhuma tendência a aumentar sua produtividade física. Os frutos do
aumento de produtividade, que retinha o
empresário, refletiam
principalmente elevações ocasionadas de preços. Essas elevações de
preços se manifestavam por meio do ciclo econômico, sendo portanto de
esperar que o empresário devolvessem na forma de lucros mais baixos,
aquilo que ganhara em lucros extraordinários na etapa cíclica favorável,
mas não ocorria. O aumento dos lucros não se refletiam sobre os demais
setores. As flutuações dos preços de exportação traduziam em contração
ou expansão dos lucros dos empresários. Uma contração cíclica ( baixa
dos preços de exportação, a procura das importações, e a forma de
financiamento das importações = déficit na balança de pagamentos)

e da vantagem relativa que apresentasse esse artigo de exportação. Desequilíbrio = baixa dos preços -> reajusta pela desvalorização cambial: o dólar ficava mais caro. As desvalorizações cambiais eram recorrentes quando . reduzindo-se automaticamente sua procura dentro do país. 3. Contou também com terras de ótima qualidade. Havia uma transferência de renda daqueles que pagavam importações para aquele que vendiam as exportações. realizavam o ajuste pelo taxa cambial. cuja correção se fazia através de reajustes na taxa cambial. portanto. mas sim da disponibilidade de mão-deobra e terras subocupadas. Era inevitável que a oferta de café tendesse a crescer. com a produção asiática prejudicada por enfermidades. Capítulo 30 – A crise da economia cafeeira No último decênio do século XIX. proporcionando o crédito necessário para financiar a abertura de nova terras e elevou os preços do produto em moeda nacional com a depreciação cambial. encareciam todos os produtos importados. (Havia uma transferência de renda daqueles que pagavam importações para aquele que vendiam as exportações). interferindo na compra dos bens essenciais importados.trazia um desequilíbrio na balança de pagamentos. para amenizar o desequilíbrio externo. Assim. Estratégias utilizadas com vistas a esse controle: 1. A redução dos preços tendia a baixar bruscamente o poder aquisitivo externo da moeda nacional. através do reajustamento era possível passar o prejuízo para a grande massa consumidora. Os estoques que se formavam era disponibilizados quando ocorria desabastecimento do mercado ou em razão do crescimento da renda dos países importadores. Os empresários controlavam três quartas partes da oferta mundial desse produto. Dessa forma. Retiraram parte da produção por meio da montagem de estoques reguladores. elevando o preços deste. fazendo pagar mais àqueles que desejassem reverter fundos para o exterior. A grande inflação de crédito nesse período beneficiou duplamente a classe de cafeicultores. pois havia o baixo poder aquisitivo da moeda. e também estabelecia uma taxa de exportação de capitais. à expansão do café no Brasil foi favorável. A crise penetrava de fora para dentro. 2. Uma contração da renda global resultante da crise se manifestaria basicamente numa redução das remunerações das classes não assalariadas (classe de renda alta) e. Havia. uma tendência a concentração da renda nas etapas de prosperidade (aumento da produtividade pelas condições de abundância de terra e MDO). assim como a redução dos lucros afetaria o volume de inversões (decisões para o investimento). não em função do crescimento da procura. tenderia a reduzir a procura de bens importados. mas nas etapas de depressão. cortava-se o poder de compra dos consumidores de artigos importados. como os lucros do setor exportador reduziu. Quando a primeira crise de superprodução que se observou no início do século XX os produtores adotaram mecanismos de controle da oferta e dos preços com vistas a manter a renda do setor.

a fim de solucionar mais o problema a longo prazo. Com o agravamento da crise se exigiu medidas mais contundentes. Desvalorizações cambiais mostra ineficientes dada a inelasticidade da demanda em relação a preço. As desvalorizações cambiais sobre o desestímulo às exportações não tinha mais efeito por causa da inelasticidade da demanda em relação ao preço e por causa da queda da renda das economias desenvolvidas e do desemprego que se verificava. configura-se o problema de superprodução. . a fim de defender a rentabilidade do setor cafeeiro. Mantendo a renda e o emprego internamente dada a essa manutenção. onde foi visto no Acordo de Taubaté. Estabeleceu o equilíbrio entre a oferta e demanda e assim se estabilizou os preços do mercado. comprando excedente e destruindo posteriormente.havia queda dos preços no mercado mundial (penalizava o mercado interno. Porém. Estabilização do preços: a medida que os preços não declinavam houve continuidade do aumento da oferta de café. que chamaria de política de valorização do produto. d) Os estados produtores deveriam desestimular a expansão da produção em seus territórios. provocava a elevação dos preço dos produtos importados e com isso promovendo um desabastecimento interno. c) O pagamento dos serviços dos empréstimos seria feito através da cobrança de um imposto sobre saca exportada. novas medidas foram tomadas. Por outro lado. desvinculando com o modelo exportador. Governo adota politicas econômicas para atender o setor e protege-lo. pressão sobre a massa consumidora): exatamente nessa etapa em que se fazia impraticável apelar para o mecanismo cambial. para manutenção da renda e dos preços: a) Deveria estabelecer o equilíbrio do mercado por meio das compras de excedente por parte do governo. Para resolver o problemas. a economia cafeeira enfrentava os problemas por meio da adoção de mecanismos de desestimulo à produção e de desvalorização cambiais. a Grande Depressão também afetou o setor. isso fez com que em pouco tempo nova crise de superprodução se estabelecesse. Até a década de 20 do século XX. À medida que manteve a renda se manteve a demanda interna. A renda do setor exportador cafeeiro reduziu (demanda e preço internacional caiu) reduzindo a capacidade de importar (desabastecimento interno). porém essa demanda não era atendida de modo satisfatório dada a redução das importações. fazendo com que os investidores investissem mais no mercado interno da economia. Concedeu credito aos produtores a fim de que colhessem o café e mantivessem sua atividade econômica. b) O financiamento das comprar seria realizado através de empréstimos no mercado internacional.