DIREITO ROMANO II: O CONFRONTO FINAL

OBRIGAÇÕES
CONCEITO: Em sentido amplo, todos os deveres jurídicos, mas em sentido
estrito é a relação jurídica de caráter patrimonial entre credor (direito de
exigir uma prestação) e devedor (dever de prestá-la). Ao contrário dos
Direitos Reais não é erga omnes, é em princípio temporária e pode ser uma
prestação positiva ou negativa.
PARTES: É sempre credor e devedor, em pé de igualdade. Pode haver o
fiador e também mais de uma pessoa em cada parte.
PARCIAIS: o crédito ou o débito é partilhado.
SOLIDÁRIAS: o a prestação pode ser assumida integralmente por
qualquer um dos credores (ativa) devedores (passiva).
Causas: prestação indivisível, disposição contratual ou testamentária
e prestação por ilícito por mais de uma pessoa).
OBJETOS: A prestação. Elas não podiam ser fisicamente impossíveis,
juridicamente impossíveis, ilícitas, imorais, totalmente indeterminadas ou
sem valor pecuniário.
impossibilidade desde a constituição = nulidade
impossibilidade superveniente = extinção
CLASSIFICAÇÃO DAS PRESTAÇÕES
dare/facere-prestare
divisíveis/indivisíveis
alternativas/facultativas
genérica/específica
INADIMPLEMENTO: É o não cumprimento de uma obrigação. Isso dá ao
credor o direito de abrir uma ação (actio in personan) contra o devedor, e
o juiz condena ao pagamento em valor pecuniário.
- Por impossibilidade sem responsabilidade do devedor: responsabilidade se
extingue.
- Por impossibilidade com responsabilidade do devedor ou por vontade: pode
ser culpabilizado ou não.
CULPABILIDADE: possui duas formas distintas, o dolo e a culpa.
(a) Dolus Malus: vontade consciente de agir em descumprimento.
(b) Culpa: (strictu sensu) imprudência e a negligência. Era graduada:
- levis: negligência leve (in abstractio, conforme um bônus
paterfamilias e in concreto, conforme conduta do próprio devedor.
- lata: negligência grave, sem o cuidado que todos têm.
- levíssima: quase um infortúnio
- casus: temo a casus/vis maior que é o caso fortuito, como um
raio, e vis menor, de terceiro, como um roubo.
Regra geral: o devedor só responde por dolo quando em contratos em que
ele não lucra, e por qualquer negligência quando lucra.
Exceções à regra geral: transportadores e hoteleiros, que respondiam a vis
maior como causa minor.
MORA: Demora no cumprimento da obrigação. Existe mora do devedor
(atraso de um pagamento), e do credor (atraso no recebimento desse pgto.)

- Mora do devedor: quando o pagamento é atrasado por vontade ou
impossibilidade e o credor reclame o pagamento. Esse atraso aumenta a
responsabilidade do devedor e o obriga a entregar os frutos no caso de
obrigação por bona fides . Se purga com a aceitação do pagamento.
- Mora do credor: quando o credor não aceita a prestação no seu
vencimento, então o devedor só responde por comportamento doloso,
podendo ainda exigir indenização. Se purga com a aceitação do pagamento
+ indenização.
FONTES DAS OBRIGAÇÕES:
OBRIGAÇÕES NATURAIS: quando o devedor não pode sofrer uma actio
por não ter tutela jurídica pessoal – o caso do alieni iuris. A obrigação não
podia ser objeto de ação, e podia ser executada pelo devedor, que era
impossibilitado de pedir devolução por ter pago o que não era sua dívida.
Podia ser garantida por fiador.
CONTRATOS
CONCEITO: Ato jurídico bilateral, que só era contrato se fosse um
contrato, e não um combinado. Só o contrato formal gerava obrigação.
No direito primitivo só havia o s contratos formais, o Nexum (empréstimo
realizado por um ato formal complexo semelhante à mancipatio. Além da
transferência da propriedade – geralmente dinheiro – criava para o
devedor a obrigação de devolvê-lo posteriormente.) e o Stipulatio
(promessa solene de uma prestação. )
CONTRATOS REAIS: Aqueles que se perfaziam coma entrega da coisa,
com a subsequente obrigação de restituí-la.
- Mutuum: entrega, com a transferência da propriedade, de uma coisa
fungível, com a obrigação de devolver a mesma quantidade. Unilateral.
Não previa juros, a serem definidos por stipulatio.
- Commodatum: contrato onde o comodante transferia ao comodatário
somente a detenção da coisa, durante prazo/uso determinado. Bilateral
imperfeito. Caso o uso tivesse sido diferente do natural da
coisa/acordado, houve um furto de uso/furtum usis
- Depositum: depositante cedia a coisa ao depositário a fim de guarda-la
e obtê-la em estado original. Bilateral imperfeito. O depositante se
responsabilizava pelo ônus e, caso algo acontecesse, só respondia por dolo.
Se usasse a coisa era furto de uso.
- Penhor/pignus: contrato acessório a um principal, onde o credor do
contrato principal fornecia uma coisa móvel ou imóvel como garantia. O
devedor desse contrato era o credor do contrato principal, e não tinha
direito de usar a coisa. Bilateral imperfeito. Se usasse, furto de uso.
CONTRATOS INOMINADOS: Contratos que passavam a existir e ter
tutela processual quando uma das partes realizava sua prestação. As
prestações são recíprocas e equivalentes, como a troca. Bilaterais
Perfeitos.

stabularios” .CONTRATOS CONSENSUAIS: Mero acordo de vontade que estabelecia o contrato e a obrigação entre as partes. . que extingue. executar algo mediante um aluguel. Há também os que procuram garantir o adimplemento da obrigação. Dano: determinava-se que todo dano dolosa ou culposamente causado à coisa alheia ficava obrigado à reparação. A punição. uma entrega de algo ou de dinheiro com o objetivo de confirmar a celebração do contrato. CONCEITO: Também fontes de obrigações mas que não eram contratos. causando dano a alguém.Sociedade: Contrato/liame jurídico entre as partes que as obriga temporariamente a cooperar numa atividade lícita. Já o comprador.Locação: contrato onde o locador colocava algo à disposição do locatário. a sociedade. A violência poderia ser física (absoluta).Compra e Venda: Trocar mercadoria contra dinheiro. ou quádruplo do valor da coisa furtada. mediante as instruções do mandante. cessão da prestação dos próprios serviços. . A ação decorrente desse instituto era a ação de repetição de indébito.Gestão de negócios: Assemelha-se ao mandato.Enriquecimento sem Causa: assemelhava-se ao contrato de mútuo. pagar o dano material (“damnum emergens”) e também a perda do lucro (“lucrum cessans”). de boa-fé. como se o contrato houvesse. do pagamento de uma indenização pecuniária pré-fixada para o caso do inadimplemento de uma obrigação. . Dolo: quando uma das partes faz a outra incidir em um erro através de um comportamento maliciosos. teto. que realiza a prestação caso o devedor principal (contatado primeiro) não o faça. GARANTIA DAS OBRIGAÇÕES CONCEITO: relações jurídicas acessórias que poderiam ser acrescentadas a uma obrigação principal a fim de reforçar-lhe o vínculo ou assegurar-lhe o cumprimento por parte do credor. QUASE CONTRATOS b) “Actio de deposito et suspenso” . Ocorria quando alguém realizava um pagamento indevido a outrem. O gestor respondia por dolo e culpa. se prontificava espontaneamente. cessão temporária do uso e gozo de uma coisa.Mandato: contrato onde uma parte se obrigavaa praticar um ato gratuitamente. Bilateral perfeito. consistia no pagamento de dobro. o dono do negócio. por meio de stipulatio. O vendedor respondia entrega da coisa. Os dois elementos básicos eram a subtração e a fraude. Bilateral perfeito e oneroso. qualificada pelo uso da violência. . O causador do dano deveria c) “Actio furti adversus nautas. Furto: subtração fraudulenta de coisa pertencente a outrem. Bilateral perfeito oneroso. Não tinha “causa civilis” mas tinha validade. Bilateral imperfeito. se constituía quando o gestor de negócio. ativa ou passivamente. 6. em uma fase posterior do Direito Romano. ou moral (compulsiva). a praticar determinada atividade no interesse de outrem. contra a vontade do dono. Ele ficava devendo mesmo sem ter causado. Possuem direito de regresso..ação do pretor contra hoteleiros e transportadores por furto sofrido por seus passageiros ou hóspedes. um fim comum.ação do pretor também contra o morador do prédio. respondia pelo pagamento e pelo seu recebimento. A pena era o quádruplo do valor da coisa. Garantias reais: . Um serviço. Praetoria: tutela pela atividade do pretor. Com ela não era necessário provar perdas e danos para obter a indenização.Arras: um sinal. a inclusão de um terceiro. cauopones. Podia ser uma coisa. qualquer que fosse o autor do furto e independente de culpa. o pacto. não gerando a transferência da propriedade. 5. no sentido físico ou moral. só divergiam deles por não apresentarem um acordo prévio: . Roubo: subtração fraudulenta de coisa pertencente a outrem. ou qualquer outro lugar externo que ameaçasse com a queda as pessoas que passassem na rua. QUASE DELITOS PACTA: convenção. DOAÇÃO: Não era contrato. O beneficiário desse pagamento ficava obrigado a restituir esse valor. . quando um objeto fosse colocado em um terraço. a) “Actio de effusis et deiectis” . (a consciência).Multa: uma promessa. Injúria: era toda a ofensa causada à pessoa. 3. assim como um acordo prévio. pela turbação/evicção e pelos vícios redibitórios. DELITOS CONCEITO: Violação de norma jurídica de interesse individual 1. . o fato. como é o caso da Fiança (que vem da ideia de fiador) que é uma garantia pessoal. Adjeta: convenções assessórias ao contrato. sem no entanto estar incumbido de tal. derivavam de uma relação voluntária e lícita que tinham semelhança com os contratos. visando fins lucrativos. . posse ou detenção. era uma causa que justificava um ato jurídico. 2. À parte ofendida cabia uma ação penal contra o autor da violência. voluntário ou involuntariamente. Coação: era compelir alguém à pratica de um ato jurídico. ou uma empreitada. Contra essa parte cabia uma ação.ação do pretor contra o morador do prédio de onde fosse atirado alguma coisa líquida ou sólida. Também teria direito de ser reembolsado pelas despesas que houvesse tido. CONCEITO: Eram obrigações decorrentes de fatos que não implicavam a culpa do devedor.. Legitima. triplo. tutela pelas decisões imperiais. 4.

.Delegatio: o credor decide que a dívida que o devedor possui deve ser paga para um novo credor. . . dependentes da vontade das partes. continuando o excedente não compensado. Só pode ser realizada por stipulatio.Novatio: extinção da obrigação pela substituição por uma nova. . com prestação idêntica.Solutio: o pagamento normal. confusio (credor e devedor são a mesma pessoa). morte. obrigação acessória e ordem legal. Quando as prestações são prestadas ela se extingue. . EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES A ideia inicial da obrigação é que ela seja cumprida e se extinga. . com o mesmo conteúdo.TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES Eram meios que permitiam a transferência das relações obrigacionais.Actiones utiles: baseava-se na ficção que credor cedia seu direito a outrem (o que não existia no direito). . Existiam também as que não dependiam das partes: impossibilidade.Procuração em causa própria: o credor fazia-se representar por um procurador .Compensatio: pressupondo a existência de mais de uma obrigação entre as mesmas partes. somente com algum elemento que justificasse a inovação.Acordo entre as partes: quando as partes em comum acordo decidiam extinguir a obrigação. Ou um devedor decide que outro deve prestar (delegatio passiva). condição resolutiva. que são ao mesmo tempo credores e devedores nas diferentes obrigações. capitis deminutio. prazo. elas se extinguem pela compensação enquanto equivalentes. no entanto havia outros meios legais para essa extinção. Concursus duarum csausarum lucrativum.

O liame jurídico que os ligava era o “parentesco” (Agnatício e Cognatício) PATRIO PODER: Autoridade da família. Caso o tutor agisse contra os interesses do tutelado (exigia prestação de contas) cabia uma ação. . IMPEDIMENTOS PARA O CASAMENTO: loucura. estrita a homens púberes. e adoptio. governador em jurisdição. sozinho. PODER MARITAL: podia ser adquirido pela confarreatio (formalidade religiosa com presença de testemunhas). . No contrário. soldado em campanha. . no caso das mulheres era somente assistência. não poderia tomar conta dos seus negócios jurídicos. poligamia. mas ainda viviam em situação semelhante aos filhos assumidos. tutoria. O Tutor era um homem que atuava como gestor de negócio alheio do tutelado. . RESTITUIÇÃO DO DOTE: morte da mulher. A tutela e a curatela visavam cuidar dos interesses de quem. . no casamento cum manu. . que precisava sempre de autorização do curador para agir. a mulher conservava sua independência e seus bens. DISSOLUÇÃO: pela morte ou por capitis diminutio. o “pater famílias”. ESPONSAIS: promessas de casamento sem efeito jurídico.Dotis promissio: quando fazia-se a promessa da doação para o noivo por stipulatio. diferença de classes. emancipação. esse poder era do pater. .Cura minorum : curatela dos púberes menores de 25 anos.Tutor Testamentarius: nomeado pelo testamento do paterfamilias . por mancipatio. Ao pater famílias se centravam-se os direitos patrimoniais – se um filho adquiria um poder. Tinha fundamento pois a noiva perdia o direito de sucessão do pai. o filho não estava sob o pátrio poder. também para filhas e netos com três vendas fictícias) . menores de 25 anos). ascendente masculino mais remoto.Aquisição: é originariamente o nascimento do filho. Das formas de transmissão do dote: . .Cura furiosi: curatela do louco e consistia na administração de seus bens . . . com a adoptio do alieni iuris e pelo casamento cum manu da filha. . in Iuri cessio ou tradicio. quando reconhecido.Dos Recpticia: dado por terceiro com reserva de recebe-lo se divorciarem. e pelo usus (usucapião do marido sobre a mulher) O fato social “Matrimonium”/Casamento possuía um elemento objetivo (convivência digna entre o casal). Visava proteger interesses em casos excepcionais (loucura. perdendo sua capacidade de agir. CONSTITUIÇÃO: coisa corpórea e incorpórea. TUTELA Estavam sob tutela os impúberes e mulheres sui iuris. DOTE Era uma quantidade de bens que o pai da noiva dava para o noivo no casamento. parentesco. ficava sujeita ao poder do marido.O filho.Tutor Datius: quando cabia ao pretor determinar alguém EFEITOS DO MATRIMÔNIO CURATELA . manus. e o subjetivo (consenso. A aquisição também pode se dar pela adoção (adrogatio. O “dos”/dote podia ser: -Dos Profecticia: dado pelo pater famílias da noiva para o marido. quando nascido de matrimonium justum. CASAMENTO CONCEITO: União duradoura entre homem e mulher. com o fim de cuidar de seu bem estar. o dote ficava com o marido. mas também era uma reserva financeira caso se divorciasse ou viuvasse.Dotis datio: transmitia-se a propeiedade de qualquer coisa para o noivo.Os cônjuges não podiam propor ações penais e infamantes um contra o outro. desejo de permanecer juntos). um fato social com consequências jurídicas – principalmente o poder marital.DIREITO ROMANO II: O CONFRONTO FINAL DIREITO DE FAMÍLIA CONCEITO: organização jurídica de várias pessoas sob o poder de um chefe. ficava sob o poder do pai.O adultério da mulher era considerado crime.Extinção: pela morte do paterfamilias ou do alieni iuris. coemptio (cerimônia que simulava uma compra e venda por mancipatio). diferença de classes. morte do marido ou separação o dote ficava com a esposa. REQUISITOS PARA O CASAMENTO: Conubium (capacidade jurídica matrimonial). Ela podia ser: . prodigalidade. Capacidade de fato e consentimento. .Tutor legitimus: quando o tutor era o parente agnado mais próximo. A doação era proibida entre cônjuges. . Podia adquirir ou alienar posse e propriedade em nome do tutelado.Cura prodigi: administração dos bens do pródigo.Cabia ao marido estabelecer o domicílio e prover o sustento dos seus.Dos Adventicia: dado por qualquer outra pessoa. ate mesmo pela noiva.No casamento sine manu.A mulher.