1, 6, 10!

Primeiras impressões acerca da reedição da obra completa de Max Martins

Thiago de Melo Barbosa (Unicamp)

Aspectos Gerais

Os três livros, O Estranho, Caminho de Marahu e Colmando a Lacuna, escolhidos
para dar início à reedição das obras completas de Max Martins não são os três primeiros
livros publicados pelo autor, são, na verdade, respectivamente: o primeiro, o sexto e o
décimo. O motivo pela não-cronologia é muito bem explicado pelo organizador da
“coleção”, Age de Carvalho, em entrevista a Elias Ribeiro Pinto: “São livros de três
momentos diferentes na carreira dele – quase poder-se-ia dizer que do início, meio e fim –
para esse pontapé inicial. Mas poderiam ter sido outros também. O que nunca cogitei foi a
publicação em ordem cronológica, que reduziria bastante o interesse pelos livros: os
admiradores da última fase do Max teriam de esperar muito para verem esses livros
publicados. Mesclando as fases, tem-se um panorama mais dinâmico e variado da obra,
com suas diferentes tendências e influências da hora”.
Ótimas escolha! Que desde já revela o excelente e cuidadoso trabalho que foi feito
na reedição dessas obras. O elogio não é bajulador, é sincero, e perfeitamente justificável
apenas em olhar, contemplar o objeto livro que nos é apresentado em capa dura coberta
com tecido, folhas costuradas e uma bela sobrecapa. Em todas as sobrecapas figuram, no
verso, um poema, e na frente um detalhe de uma foto do poeta, mais precisamente, um
recorte que enquadra a fronte compenetrada do poeta. As fotos das sobrecapas transmitem
compenetração, concentração quase preocupada, ou mesmo bastante tensão (como revela a
veia que salta da testa do poeta na sobrecapa de Caminho de Marahu). Nada mais justo que
essas fotos para nos evidenciar logo de cara a essência cerebral da poesia de Max Martins:
sim! com todo humor e erotismo, Max Martins sempre esteve alinhado aos poetas cerebrais
(rigoroso sim, sisudo, nunca!). Não são poucas, nem de somenos importância, as imagens
que comparecem nos poemas de Max revelando o fazer poético como algo árido, árduo,
duro, trabalhoso...
Além desse aspecto mais exterior, os três livros agora publicados contam com uma
apresentação, intitulada “Sobre essa edição”, de Age de Carvalho, material crítico extra
(prefácios, posfácios, entrevistas etc.), uma breve biografia, chamada de “sobre o autor”, e

nunca respeitada por tipógrafos e revisores. teria sido retirado por decisão do poeta nas reedições presentes em Não Para Consolar e Poemas Reunidos. o que se segue agora são minhas apreciações — de primeira vista. possui apresentação e notas de Age de Carvalho. para ter noção real da acuidade carinhosa para com a obra-e-memória do poeta: “Laïs. como já se deve imaginar pelos comentários aos aspectos gerais. Todos esses pontos estão muito bem feitos. segundo a própria nota.uma bibliografia das obras poéticas de Max (incluindo coletâneas e traduções). e Poemas Reunidos. e misteriosamente deixada de fora da reunião de 2001). a retomada da divisão que separa as Elegias como um capítulo do . que explica a correção na grafia do nome da esposa de Max Martins. com o trema sobre o i — esta a forma correta de grafar o nome da esposa. Veja a nota na íntegra. que comporta a produção martiniana de 1952 a 2001 (excetuando-se a obra Para Ter Onde Ir. publicada em 1992. na dedicatória. nem mesmo detalhes minúsculos como um ponto no segundo verso da terceira Elegia que existiria na primeira edição de O Estranho. por exemplo. p. pelo seu caráter sucinto e preciso. Feita essas primeiras observações. a qual o poema é dedicado. as leituras e as publicações. as viagens. Há ainda muitos outros “detalhes” importantes destacados pelas notas. motivo de permanente queixas de MM. Como todos. As notas de Age de Carvalho revelam um grande cuidado na edição. 36). vale ressaltar. a impressão é de que nada escapa aos editores. temos o prefácio “Homo Peticus” e a entrevista “As antenas do poeta”. mas destaco. especialmente para aquela grande maioria que só teve contato com o autor através das “obras completas”: Não Para Consolar. em especial. 1. falta que aqui procuramos definitivamente reparar” (2015. Outro detalhe revelado encontra-se na nota ao poema “A Varanda”. mas que. ambos assinados pelo jornalista Elias Ribeiro Pinto. O Estranho O primeiro livro dessa nova obra completa de Max Martins é de alto nível. com trema!). à francesa. Como particularidades. a pequena biografia. Nessas duas páginas de “sobre o autor” temos o essencial do que interessa da vida do autor para a sua poesia: as amizades. Laïs (isso mesmo. que reuniu os livros publicados entre 1952 e 1992. vale frisar — acerca do que cada nova edição traz de mais relevante para os amantes da poesia de Max Martins.

o diálogo ao qual me refiro é com o poeta norte-americano Walt Whitman (figura incontornável na poesia moderna). versa lugares comuns da crítica max-martiniana: a reivindicação localista — que. derivado desse. não me proponho aqui a fazer comentários críticos profundos sobre nenhum poema. Então. a visão de O Estranho como o livro do Max aprendiz de Drummond. a manhã com todas as suas nuances é pintada pelo vocábulo “branco”: “Branca pássaro branco”. nenhuma correção é tão importante no livro do que a (re)inclusão do poema “Branco Branco”. ainda desse “tão frágil” O Estranho.) e alinhava adjetivos grandiloquentes para o poeta (“Homo Poeticus”. às vezes. e de duas sessões do poema “Poemas”. o prefácio de Elias Ribeiro Pinto. Para quem gosta dos exercícios comparativos. Porém. as amizades. na primeira edição da obra. diferente dos poucos privilegiados que leram a primeira edição da obra. Dessas duas relevantes correções. apenas requenta fatos biográficos já muito conhecidos (o caso do “morra a academia”. “suaves pensamentos”. pois para todos aqueles que conhecem Max Martins um pouco mais de perto. “corrilhões de igrejas brancas” etc. “Buda Amazônico”. a publicação quase ocasional de O Estranho. presente no forte O Risco Subscrito. vale comparar esse “branco”. de um diálogo poético logo no primeiro verso do poema: “Manhã whitmaniana”. revela-se a tendência plástica de Max Martins. o prefácio traz muito Max e pouco O Estranho. o apego quase sagrado ao ensaio-prefácio de Benedito Nunes e. Isso não é de somenos importância quando se pensa na obra como um todo do poeta.livro. com o “verde”. demonstra. Evidentemente.. aparece com o título “As anônimas" e se resume à segunda parte daquele. nas já citadas edições anteriores das obras completas. por fim. já desde o título. negligenciado nas edições de Não para Consolar e Poemas Reunidos. Mas por que “Branco Branco”? Bem. de “Túmulo de Carmencita”. mas acredito que o meu comentário acima mereça pelo menos duas palavras que o justifiquem. não raro. “As velas indo”. “Lorde . De modo geral. a primeira “palavra” é: há uma revelação. apenas conhecem O Estranho reeditado nas obras completas de 1992 e 2001. Voltando aos aspectos mais editorias do livro. o qual. No poema. tendência esta que percorrerá toda sua obra. A segunda “palavra” é: em “Branco Branco”. “Homo Poeticus”. de acordo com a nota. acredito até que pouco comentada.. praticamente o prefaciador não explora o livro em si. acredito que sobreleva em importância a recolação de “Branco Branco” à disposição daqueles que. tal como seria. é nítida a funcionalidade poética de todos esses diálogos que o autor tece e. me parece uma reação de medo à poesia pouco presa de Max —.

Maior destaque merecem ainda as perguntas de caráter intraliterário. segue: “Por uma arbitrariedade . sendo presença velada na “coleção”. felizmente. e perguntas que deixam o autor livre para falar sobre alguns dos temas centrais dos seus poemas. como a relação do poeta com as vanguardas e os mais diversos autores. que no livro possui quase vinte páginas. são todas sucedidas de respostas bem humoradas e esclarecedoras. há o fato de que prefácio direciona o leitor de primeira viagem da obra de Max Martins ao realmente indispensável ensaio “Max Martins. uma questão interessantíssima sobre o posicionamento político em poesia.. acertadamente. temos verdadeiras lições poéticas do mestre Max Martins. que acaba. argumentando que O Estranho é um livro “percorrido pela ausência do pai do poeta.. dentre as notas que verifiquei. “Homo Poeticus” não é nenhuma tragédia como possa parecer. em 1990. Apesar do dito acima. traz algo realmente significativo no que diz respeito a mudanças com relação às edições anteriores. mas que pode ser muito interessante para aqueles que não têm o hábito de buscar em prefácios um trabalho crítico. com Drummond. mesmo que esta. é um texto simples. de Benedito Nunes. via Elias Pinto. recepção crítica e localismo. que o jornalista fez com o poeta para A Província do Pará.). de tantas notas que reparassem erros editoriais das outras edições. Caminho de Marahu Talvez a obra mais abrangente dentro do conjunto das obras de Max Martins. a contribuição mais profícua de Elias Ribeiro Pinto a essa edição vem com a entrevista. Sem dúvida. A nota preocupa-se em explicar a reorganização dos poemas visuais que aparecem no livro. Nessa entrevista. tenha optado por não “re-republicar” o texto do saudoso filósofo. perguntas relevantes sobre publicação das obras. Além disso. Mestre-Aprendiz”. um tanto forçada. 6. nos únicos momentos em que o autor realmente se preocupa de forma mais direta com O Estranho. já clássica da recepção de Max Martins. apenas esboça generalidades e cita as três Elegias que finalizam a obra fazendo uma comparação. ao passo que o pai de Drummond “morre um ano depois da estreia do filho em livro”. Caminho de Marahu não precisou. Por fim. nas duas sessões finais do prefácio.Inglês na rain forest”. creio que apenas a da página 67 (que a meu ver poderia figurar já na página 46). mais do que meras respostas. morto poucos anos antes da publicação do livro”. A estes questionamentos. como ponto positivo. mas sim os enxergam como apresentações elogiosas de um dado autor e sua obra. como o orientalismo e o erotismo.

há alguns detalhes em Caminho de Marahu que poderiam ter sido mais bem cuidados. senti falta de fontes maiores e mais espaços em branco ao redor desses poemas. o qual é composto por três elementos: uma foto do rosto do poeta. Desde esse início percebe-se a tendência de Arrigucci para uma visão mais ampliada do lugar de Max Martins. é como se o jovem poeta sentisse a necessidade íntima de se abrir aos ares novos. ao invés de inteira numa única página como nos Poemas Reunidos. refiro-me ao “abracadabra” e “um ovo novo vê do ovo”. Belém do Pará” (2015. Além dessa questão da ordem dos poemas visuais. aqui restabelecida”. Nele o prefaciador faz uma breve apresentação geral do poeta. Quanto aos “palpites”. também estão relacionados com os poemas visuais. mas. pareceu-me muito inibida. “poeta brasileiro”. Apesar dos vários elogios que as novas edições merecem. logicamente. O primeiro detalhe liga-se ao poema “Páginas do rosto”. se comparada à edição dos Poemas Reunidos. No que diz respeito ao material extra.editorial. este e outros poemas de natureza visual só aparecerão no final dos volumes da poesia completa de 1992 e 2001. começando pela frase já muito repedida. a qual é resumida ainda na parte introdutória do ensaio: “Num movimento compensatório da tendência para o insulamento interior. . consiste na inserção das datas de cada poema posta entre parêntesis no final dos títulos que compõe o sumário. sem deixar de ser de “Belém do Pará”. apenas um detalhe realmente é digno de nota. como nada no mundo é perfeito. para ele. p. a fim de cumprir seu verdadeiro papel” (2015. sem explicação plausível. Na verdade. é um belíssimo e autêntico trabalho de crítica literária. que prefacia o livro. p. ensaio de Davi Arrigucci Jr. os outros dois que citarei estão mais no campo do “palpite” e da “impressão pessoal” mesmo.13). cuja nova configuração. de acordo com a nota de Age de Carvalho. mas. que é o trabalho em cima da questão “insulamento” x “expansão”. outro ponto em que foi restabelecido o projeto editorial da primeira edição. ainda verdadeira: “Max Martins é um grande poeta brasileiro que pouca gente em nosso país sabe quem seja fora de sua terra natal. para além de qualquer ilhamento espiritual que pudesse encontrar apoio na situação geográfica de Belém. Por esse caminho o autor chega a um dos pontos mais interessantes de seu texto. desses três elementos. fora da ordem encontrada na edição original de 1983. 15). a foto na nova edição ficou “quebrada” em duas páginas. posso afirmar que “A outra margem de Marahu”. infelizmente. a assinatura-ideograma de Max Martins e os versos “das grades/ do branco// (assim/ natura)// razão e sina/ fiam a sua/ rasura ou arte”.

degustar. isto é. especialmente porque com seu “textinho” (da página 13 a 27) o autor — talvez até mesmo pelo próprio distanciamento geográfico-afetivo — nos leva a respirar ares de fora da ilha. todo Max que aparece é o poeta. vale destacar a sensibilidade do crítico para a materialidade dos signos. neste rio sem margens. significados possíveis que emergem de suas águas. e que tão forte falam quando nos permitimos escutar o que vemos. não só do ponto de vista temporal. inclusive esse que aqui escreve. O autor não demonstra necessidade de compartilhar do diário do poeta. “Aluída Lua”. por ser uma nota da . sua poesia. assim como Caminho de Marahu. praticamente nenhuma merece grande destaque. precisou de poucas notas explicativas quanto às diferenças de uma edição para a outra. 10. O prefácio crítico de Arrigucci.Para além das generalidades. assim. Isso porque é a primeira vez que tal livro sai em uma publicação autônoma. é um dos pontos mais altos dessa reedição de Caminho de Marahu. mas. Davi Arrigucci encara sem medo o desafio de mergulhar nos silêncios do Caminho de Marahu e pescar. Colmando a Lacuna A simples publicação em separado dessa obra já é motivo para comemoração de qualquer admirador da poesia de Max Martins. para o mutismo concreto dos vocábulos e espaçamentos que tanto comparecem nos poemas de Max Martins. “O silêncio invulnerável” e “Mútuo Contínuo”. Logo postula a centralidade do livro em questão dentro da obra poética martininana. A primeira que destaco é a presença de uma tradução para o português da nota que aparece em “A poem and some of its story”. ares que a recepção de Max Martins tanto carece. antes ele só figurava como parte integrante dos Poemas Reunidos. mas sob aspectos qualitativos-simbólicos também — algo com que muitos outros concordarão. Esta nota. últimos poemas publicados em vida por Max. conta um pouco da história de como surgiu a ideia para o poema. A nova edição de Colmando a Lacuna. que é assinada por James Bogan (nome que em Poemas Reunidos está grafado erroneamente como James Hogan). Mas isso não quer dizer que não existam diferenças a serem ressaltadas entre as publicações. dessas leituras. acredito. nessa “Outra margem de Marahu”. Arrigucci traz propostas interpretativas e comentários muito pertinentes para poemas como “Viagem”. apenas quer compartilhar. Nesta rápida viagem por Caminho Marahu.

Outra modificação que não tem grande justificativa — e essa ausência considero mais grave. p. Outra boa passagem. só que ainda mais ameaçadores” (2015. é a seguinte: “A cada . do que comentários espirituosos que ajudam a compor o imaginário dos aspectos gerais de um livro. Gosto e (des)gosto dessa nota. mas cumpre perfeitamente sua missão de “texto de abertura”. ao enfrentar os abismos que a poesia de Max margeia durante décadas. A pergunta que faço é: por que não permanecer com o apelo visual da publicação original? Existia algum desejo do poeta para que fosse diferente? São questões que ficam sem respostas. Nele é possível encontrar algumas daquelas típicas passagens bonitas de síntese de obra. é a que explica a referência ao local (Germânia) que aparece no fim do poema “Folhas vivas e verdes” acompanhado da data “85”. que funciona quase da mesma forma que a citada anteriormente. mas não a explica: “Poema publicado originalmente em forma manuscrita e sem título” (2015. que até possui nota que a revela. p. faço uma tentativa de interpretação para esse local — interpretação essa que a partir de agora. nesses casos. beira o ridículo. mas é quase triste perder a possibilidade especulativa que uma localização tão atípica (normalmente.tradução para o inglês. mas sim de um “a menos” —. Outra nota que surge no novo livro e originalmente não existia. pois não se trata de um “a mais”. A nota diz que “Germânia” seria um restaurante de cozinha alemã que Max Martins frequentou durante algum tempo com alguns de seus amigos. são menos reflexões intrínsecas acerca da obra. comparece no livro uma tradução para o alemão. em artigo publicado no livro O Educar Poético. leva o poeta para a beira de outros abismos – ou dos mesmos. é um texto breve. algo acertadamente reparado pela nova edição. a bem da verdade. Ainda passeando por questões de tradução. ao ler esse poema. 15). como: “Colmando a Lacuna.. com a nota. diz respeito à mudança no poema “Manga”. Não é nenhum estudo crítico como o ensaio de Arrigucci para Caminho de Marahu. assinada por Age de Carvalho. explico-me: é ótimo que a referência seja de fato esclarecida. se vê nome de cidades ou países) suscita. mas que não é justificado por nenhuma nota. Sempre”. mas que agora se concentra no poeta e não na obra. do poema “Sacha”: um “brinde” que ganhamos com a nova edição. Deixando as notações do Age de lado. em Poemas Reunidos ela aparecia apenas nesse idioma. que. prefácio de Tarso de Melo. Eu mesmo. direto e bastante digno. passo agora ao comentário sobre o prefácio e o posfácio: “Colmando a Lacuna: ainda.. 55).

vale atentar para o relato que fala sobre a intenção do poeta de escrever mais um livro (que viria depois de Colmando a Lacuna). de um texto bem típico da crítica paraense de Max Martins: carregado de afetividade e rememoração. porém. e este cito aqui na íntegra. de poesia erguida. o qual é composto apenas pelo verso: “um ramo de loucura”. do livro Marahu Poemas. um do próprio Colmando a Lacuna. Destaco essa fala. Além dos relatos de cunho mais biográfico. em forma de poema” (2015. com seu breve texto. traçar bons comentários sobre dois pequenos poemas de Max. como quem cruza o ‘inferno da linguagem’. com o acanhamento de quem tem a dura missão de criticar um amigo. Considerações finais Por fim. acabo essas primeiras impressões das novas edições da obra de Max Martins simplesmente com o sentimento de não saber a quem deve mais agradecer: ao Age . parece que será só mais um daqueles tantos outros textos confessionais e de relatos de amizade. Edison Ferreira ainda consegue. O posfácio do livro também é um texto curtinho. pois é um belo brinde que Edison Ferreira faz à poesia do seu amigo Max Martins: “Essa pedra. 65). lavrada palavra. não se constitui em um obstáculo a ser superado. escusado dizer. Outro bom comentário encontrado no posfácio é com relação ao poema sem título: “Ao mais antigo silêncio – a pedra/ ela mesma/ monumento”. inspirado na primeira faixa do LP Ballads. e faz alusões a possíveis diálogos com nomes como Ariosto e Paul Valéry que o poema carregaria. para me valer ainda da lição de Octavio Paz. Trata-se. coisa e poesia. intitula-se simplesmente por “Colmando a Lacuna” e é assinado por José Edison Ferreira. Trata-se. logo sobressaltam pontos de interesse para quem está preocupado em compreender mais a poesia do que a vida do poeta. Max desfaz as fronteiras entre ser.página. Ótima revelação! Ainda mais quando sabemos que Say it (over and over again) será publicado nessa reedição das obras completas. Edison Ferreira escreve hesitante. p. pois aqui o autor vai além da comum explicação biográfica acerca do fato do poeta ter em sua casa uma planta chamada “loucura” que ficava na sua varanda. de John Coltrane. como quem busca o ‘alto mar da fala’” (idem). fala sobre o poema “Ao luar”. nem tão pouco em um indício de pavimentação incipiente para quem pretender adentrar em seu universo poético. e outro. Primeiro. grosso modo. No começo. o qual teria por título Say it (over and over again). nesse caso. Destes pontos.

pelo projeto tão bem realizado? A Simone Neno. e. Colmando a Lacuna. _____. pela bela ideia que teve de reeditar as obras desse grande poeta? Ou a outros. há o sentimento de ansiedade pelas próximas publicações. espero. ufpa. ou melhor. ufpa. REFERÊNCIAS MARTINS. espero ainda com mais ansiedade pela reedição de Para ter onde ir. PINTO. pela publicação do inédito Say It (over and over again). Elias Ribeiro. 2001. pois esse livro foi estranhamente esquecido na edição das obras completas de 2001. O Estranho. Belém: ed. _____. logicamente. acho que devo agradecer a todos! Paralelo ao sentimento de gratidão. _____. Acesso: 02 de Jun. Poemas Reunidos: 1952-2001. e de forma alguma míngue pelo meio do caminho. 2015. Max.com/file/d/0B9MKRxkgsVrTVG1MZDlVX0ZMQkk/view>. que esse trabalho seja levado ao cabo. Belém: ed. devo confessar. Belém: EDUFPA. Belém: ed. Em: <https://drive. Entrevista com Age de Carvalho. será um prazer comprar todos os livros que forem saindo.de Carvalho. . Mantendo-se esse altíssimo nível das reedições.google. porém. de 2015. 2015. Caminho de Marahu. ufpa. desejo profundamente. de “bastidores”. 2015. que eu nem mesmo sei os nomes? Com justiça.