Aula 10

1.

Operações com vetores no espaço

Vamos agora definir as operações de adição de vetores no espaço e multiplicação de
um vetor espacial por um número real. O processo é análogo ao efetuado para definir essas
operações para vetores no plano e as propriedades são basicamente as mesmas, por isso
muitos detalhes serão omitidos.

Definição 1


Sejam −
u e−
v vetores no espaço E. Seja A ∈ E um ponto qualquer e sejam AB e BC segmentos


orientados representantes dos vetores −
u e−
v respectivamente.




O vetor soma dos vetores −
u e −
v , que designamos por →
u +−
v , é, por definição, o vetor
representado pelo segmento orientado AC.

Note que a definição da soma de dois vetores recai na
situação já estudada no plano, pois os pontos A, B e C estão
contidos num mesmo plano π.
De forma análoga ao que foi feito para vetores no plano,
podemos verificar que a definição do vetor soma não depende da escolha do ponto A ∈ E. Isto é, o vetor soma está
bem definido.
Fig. 1: Soma de vetores no espaço.
Na prática, a adição de vetores se efetua em relação às
coordenadas dos vetores parcelas num sistema de eixos ortogonais escolhido.

Assim, fixemos um sistema de eixos ortogonais OXYZ, e, com respeito a esse sistema,


sejam −
u = (a, b, c) e −
v = (a 0 , b 0 , c 0 ).


Então, o vetor soma −
u +−
v é dado em termos de coordenadas como:



u +−
v = (a, b, c) + (a 0 , b 0 , c 0 ) = (a + a 0 , b + b 0 , c + c 0 )
A demonstração deste fato se faz de modo análogo ao feito prar vetores no plano.

d2 − 2 = 2 e d3 − 0 = 0. tal que: − u + (−− u)=0 . −−→ −−→ → → Note que se − u = AB . 2. Frensel . 1. 3. Sejam − u. temos: 4. d2 . 1. tal que −−→ −−→ −−→ AD = AB + AC . 3: Associatividade da adição de vetores. existe um único vetor. 1. Temos. 0). 0). 1. então: d1 − 3 = −2.Aula 10 112 Exemplo 1 Sejam A = (3. que são herdadas das correspondentes propriedades da adição de números reais.. Portanto. Além disso. é o único vetor que satis→ → − → → faz: − u +0 =− u qualquer que seja o vetor − u . Solução.− v e− w − → → → 1. 2) pontos do espaço. D = (1. vetor − u . 0). temos 0 = (0. .Geometria Analítica . 0 = AA = BB = . → → → vetores no espaço. . representado por qualquer segmento nulo. 2) = (−2. d3 ) é a extremidade −−→ −−→ do representante AD do vetor soma AB + AC com origem no ponto A. −2). 2 − 0) = (1. −−→ −−→ AB + AC = (−3. 3. −2 − 0) = (−3. 0). 2. Logo. → → →. −2) + (1. Delgado . u +− v +− w =→ u + − v +− w IM-UFF K. Existência de inversos aditivos: Dado o → Fig. então −− u = BA . 2). 3. −−→ AB = (0 − 3. 2. Determinar o ponto D. Existência de elemento neutro: O vetor → − −−→ −−→ zero. −−→ e AC = (4 − 3. se D = (d1 .J. Comutatividade: → u +− v =− v +− u. 4. 2: Exemplo 1. Associatividade: Dados três vetores − u. 3 − 2. Fig. −2) e C = (4. Em → − termos de coordenadas.  Propriedades da adição de vetores no espaço A operação de adição de vetores no espaço possui as mesmas propriedades que a operação de adição de vetores no plano. 3 − 2. que é designado → − → → → → −− u e chamado de inverso aditivo (ou simétrico) de − u .− v e− w  → − → − → → → . B = (0. 0.

AD = AB + AC . se. como − v −− u. na figura 2 da página anterior. −−→ −−→ −−→ AC + AD = AG e −−→ −−→ −−→ AB + AD = AF .113 Geometria Analítica . B) = |λ| · |AB| . F. Fig. então: → λ·− u = λ(a. B. isto é. B. • os segmentos AB e AB 0 têm o mesmo sentido se λ > 0 e sentidos opostos se λ < 0. Observação 4 −−→ −−→ − → Note que se λ = 0. 4: Paralelepípedo. B e B 0 são colineares e satisfazem: • |AB 0 | = d(A. qualquer que seja λ ∈ R. e somente se. G. B 0 ) = |λ| · d(A. D. 0· AB = AA = 0 . Definição 2 −−→ −−→ −−→ −−→ Sejam AB um vetor do espaço e λ ∈ R. • A operação de multiplicação de um número real por um vetor no espaço é definida da mesma forma que no plano. AD − AB = AC . o vetor AC é exatamente o vetor que devemos −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ adicionar a AB para obter AD . abreviadamente. B) = 0. e H são os vértices de um paralelepípedo no espaço (veja a figura 4). então −−→ −−→ −−→ AB + AC = AE . C são pontos não-colineares do plano. então o ponto D faz do quadri−−→ −−→ −−→ látero ABDC um paralelogramo se. B. Na prática. se → − u = (a.Aula 10 Observação 1 → → → → A subtração do vetor − v menos o vetor − u é a soma de − v com o inverso aditivo −− u do vetor → − → → → → u . B 0 ) = 0·d(A. −−→ −−→ −−→ −−→ AB + AC + AD = AH . onde os pontos A. λc) K. a multiplicação de um escalar por um vetor se efetua em relação a um sistema de coordenadas cartesianas ortogonais da mesma forma que foi feito no plano. C e D são pontos não-coplanares no espaço. b. E. então d(A. B 0 = A e. Ou seja. c) = (λa. Observação 3 Se A.J. Observação 2 Já sabemos que se A. → − − → Analogamente. O produto de λ por AB é o vetor AB 0 = λ · AB . A. Delgado IM-UFF . C. λb. portanto. O vetor − v + (−− u ) se escreve. λ · 0 = 0 . Frensel . b. −−→ Por exemplo. c) é um vetor do espaço e λ ∈ R. Ou seja. e somente se.

5: Exemplo 2. Solução. D 0 e D 00 dos representan−−→ −−→ −−→ tes CD.  Fig. Observação 5 − → − Se → u é um vetor do espaço. D = (2. D = (d1 . 1. 3 − 2. Logo. IM-UFF K. 0). 2). d3 ) .Aula 10 114 Exemplo 2 Sejam A = (1. 2) . d200 . 2. −−→ −−→ −2AB = (−2 · 1. A multiplicação de escalares por vetores Sejam − u. −2. −4) . −4) e D 00 = (3. −2 · 2) = (−2. 2. 4). d300 ) . µ ∈ R. então o seu inverso aditivo −− u é obtido multiplicando → u por −1. Como C = (1. → → 1. − u + (−1)− u = (1 + (−1))− u = 0− u =0 . Delgado . −1. D 0 = (d10 . satisfazem:   d1 − 1 = 1 −−→ −−→ d2 − 1 = 1 . 1) e B = (2.Geometria Analítica . Frensel . Determinemos as extremidades D. e 2AB = (2 · 1. 2. Associatividade: λ · (µ · − a ) = (λ · µ) · − a . 3). −2 · 1. d30 ) e D 00 = (d100 . Usando coordenadas. → → 3. Elemento neutro multiplicativo: O número 1 ∈ R satisfaz 1 · − a =− a . d20 . podemos verificar que a multiplicação de escalares por vetores satisfaz as seguintes propriedades: Propriedades da multiplicação de escalares por vetores → → → vetores do espaço e λ. 1.  → − → − → → λ · ( − a +b )=λ·− a +λ·b 2. CD 00 = 2AB ⇐⇒  d200 − 0 = 4 3 Portanto. −2AB e 2AB com origem no ponto C = (1. 0). 3. as coordenadas dos pontos que procuramos. → − → → → → De fato. Distributividade: → → → (λ + µ) · − a =λ·− a +µ·− a .J. 2 · 1. D 0 = (−1. −−→ Em termos de coordenadas.− v e− w satisfaz as seguintes propriedades. d2 . 1. CD 0 e CD 00 dos vetores AB . 3. 3 − 1) = (1. 2 · 2) = (2. são os pontos procurados. 4) . temos AB = (2 − 1. CD = AB ⇐⇒  d −0=2 3   d10 − 1 = −2 −−−→ − − → d 0 − 1 = −2 CD 0 = −2AB ⇐⇒  d20 − 0 = −4 3  00  d1 − 1 = 2 −−−→ −−→ d 00 − 1 = 2 .

O 0 G = O A + O B + O 0 C . BC e AB. G o centro de massa de ∆. 6: G independe da escolha de O. (b) O ponto G é caracterizado pela relação −−→ −−→ −−→ − → GA + GB + GC = 0 Solução. N e P os pontos médios dos lados AC. B e C e seja O um ponto qualquer no espaço. qualquer que Fig. respectivamente. K. Exemplo 3 Seja ∆ = 4ABC o triângulo de vértices A. temos: −−0−→ −−−→ −−→ O G = O 0 O + OG −−−→ 1 −−→ −−→ −−→ = O 0O + OA + OB + OC 3   1 −−−→ 1 −−→ −−→ −−→ = 3 O 0O + OA + OB + OC 3 3   1 −−0−→ −−→ −−0−→ −−→ −−0−→ −−→ O O + OA + O O + OB + O O + OC = 3  −− → 1 −−0−→ −−0 → − 0 O A +O B +O C . na relação que define G. e M. temos: −−→ −−→ −−→ − → GA + GB + GC = 0 . 3 −−→ − → e. (b) Tomando O como sendo o próprio ponto G. 3 seja o ponto O 0 .J. O centro de massa ou centro de gravidade do triângulo ∆ é o ponto G definido pela relação −−→ 1 −−→ −−→ −−→ OA + OB + OC OG = 3 Mostre que: (a) A definição do ponto G não depende da escolha do ponto O. = 3  −−−→ −−→ 1 −−0−→ −−0 → − Isto é. Frensel . vemos que −−→ 1 −−→ −−→ −−→ GG = GA + GB + GC . Então.Aula 10 Aplicações da soma de vetores e do produto de um vetor por um escalar. como queríamos. AG = 2GN . sendo GG = 0 . IM-UFF . (a) Se O 0 é outro ponto qualquer. −−→ −−−→ −−→ −−→ BG = 2GM .  Proposição 1 Sejam ∆ = 4ABC um triângulo.115 Geometria Analítica . Delgado e −−→ −−→ CG = 2GP .

temos: −−−→ −−→ −−−→ −−→ −−→ 2GM = GA + AM + GC + CM −−→ 1 −−→ −−→ 1 −−→ = GA + AC + GC + CA 2 2 2 2 −−→ 1 −−→ −−→ 1 −−→ = GA + AC + GC − AC −−→ −−→ = GA + GC . G é o baricentro (interseção das medianas) do triângulo ∆.Aula 10 116 Prova. Observação 6 A proposição anterior nos diz que o centro de massa G pertence às retas que ligam os vértices aos pontos médios dos lados opostos de ∆. −−→ −−→ −−→ → − −−→ −−→ −−→ Da identidade GA + GB + GC = 0 . −−−→ −−→ −−→ Logo 2GM = −GB = BG . 7: Centro de massa como intersecção das medianas de ∆. B. Delgado .Geometria Analítica . Definição 3 Um tetraedro T é um poliedro com quatro vértices não coplanares. temos que a distância de G a um dos vértices é o dobro da sua distância ao ponto médio do lado oposto a esse vértice. Isto é. pela proposição anterior. Seja O um ponto do espaço. −−→ −−−→ −−−→ −−→ −−→ −−−→ De fato.  Fig. Frensel . como GA + AM = GM e GC + CM = GM .J. 8: Tetraedro T . O centro de massa ou centro de gravidade do tetraedro T de vértices A. C e D é o ponto G definido pela relação: −−→ 1 −−→ −−→ −−→ −−→ OG = OA + OB + OC + OD 4 IM-UFF K. Fig. −−→ −−→ −−→ −−→ As identidades AG = 2GN e CG = 2GP são verificadas de forma análoga. Além disso. obtemos GA + GC = −GB . seis arestas e quatro faces triangulares (veja a figura 8).

temos: −−−→ −−→ −−−→ −−−→ 1 OA 0 + OB 0 + OC 0 + OD 0 = 4 h −−→ −−→ −−→  −−→ −−→ 1 1 −−→ OB + OC + OD + OA + OC + OD 3 3 −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→i + 13 OA + OB + OD + 13 OA + OB + OC  −−→ −−→ −−→ 1 −−→ = 4 OA + OB + OC + OD . B. B 0 .  K. Exemplo 4 Sejam A. Usando essas identidades. podemos provar que o ponto G não depende do ponto O (figura 9).J. Chame A 0 o baricentro da face triangular de T oposta ao vértice A. e seja T o tetraedro que eles determinam.Aula 10 Da mesma maneira como foi feito no caso do triângulo. B 0 o baricentro da face oposta ao vértice B. que o centro de massa do tetraedro de vértices A 0 . C 0 o baricentro da face oposta ao vértice C e D 0 o baricentro da face oposta ao vértice D. C e D pontos não-coplanares do espaço. C e D. tomando O = G. Verificar que o centro de massa do tetraedro T coincide com o centro de massa do tetraedro T cujos vértices são os baricentros A 0 . obtemos que: −−→ −−→ −−→ −−→ − → GA + GB + GC + GD = 0 Fig. 1 4 mostrando. Em particular. B. C 0 e D 0 é igual ao centro de massa do tetraedro de vértices A. 9: Determinação do centro de massa G do tetraedro T . Os baricentros das faces triangulares são determinados pelas relações: −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−−→ −−→ OB 0 = 31 OA + OC + OD . assim. OA 0 = 13 OB + OC + OD . Frensel . B 0 . −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−−→ −−−→ OC 0 = 13 OA + OB + OD e OD 0 = 13 OA + OB + OC .117 Geometria Analítica . C 0 e D 0 . Delgado IM-UFF . 0 Solução.

como DG = 3GD 0 . Todo vetor é múltiplo de si próprio (neste caso. B e C no espaço são colineares se eles pertencem a uma mesma reta. λ = 1). BG = 3GB 0 e CG = 3GC 0 . nenhum vetor não-nulo pode ser múltiplo do vetor zero. λ IM-UFF K. temos −−− → −−−→ −−−→ − → D 0A + D 0B + D 0C = 0 . Frensel . se D 0 é o baricentro do triângulo 4ABC.Geometria Analítica . Veja a figura 10. dado um vetor arbitrário − u . D) = 3 d(G. 1→ → → → → → c. − v 6= 0 e − v = λ− u . Definição 4 → → → → O vetor − v é um múltiplo do vetor − u quando existe um escalar λ ∈ R tal que − v = λ− u. Fig. Para isso.J. Prova.  2. e d(G. temos que G pertence à reta que liga os pontos D e D 0 . Em contrapartida.Aula 10 118 Proposição 2 O centro de massa G do tetraedro T é o ponto de intersecção das retas que ligam os vértices de T aos baricentros das suas faces triangulares opostas. De fato. Colinearidade e coplanaridade de pontos no espaço Sabemos que três pontos A. Delgado . Vamos analisar a colinearidade de pontos no espaço usando a linguagem vetorial. −−−→ −−→ −−→ −−→ −−−→ −−→ Procedendo de modo análogo. Se − u 6= 0. Observação 7 a. Logo. −−−→ −−→ −−−→ −−→ −−−→ −−→ −−−→ 3GD 0 = GA + AD 0 + GB + BD 0 + GC + CD 0 −−→ −−→ −−→ −−−→ −−−→ −−−→ = GA + GB + GC − D 0 A + D 0 B + D 0 C −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ = GA + GB + GC = −GD = DG . temos 0 = 0 − u. O vetor zero ( 0 ) é múltiplo de qualquer vetor. podemos provar que AG = 3GA 0 . − → b. → − → → De fato. D 0 ). precisamos da seguinte definição. 10: G = AA 0 ∩ BB 0 ∩ CC 0 ∩ DD 0 −−−→ −−→ Finalmente. então λ 6= 0 e − u = − v .

Frensel . − u é múltiplo de − v . 0. obtemos y2 z1 = λy1 z1 = y1 z2 . 0). e somente se. necessariamente. 2 z 1 x1 x1 x1  → = (x2 . z1 ) e → v = (x2 . → → Sejam − u = (x1 .Aula 10 Proposição 3 − − − − Se → u = (x1 . tal que − v = λ− u. y1 . − → → → → → → Se − u = 0 = (0. sendo x1 z2 − z1 x2 = 0. λy1 . como x1 y2 − x2 y1 = 0. então. z2 ) = λ(x1 . Multiplicando a primeira das identidades (1) por z1 e a terceira por x1 . suponhamos que x1 y2 − x2 y1 = x1 z2 − x2 z1 = y1 z2 − y2 z1 = 0. z1 ) = (λx1 . z1 ) 6= (0. obtemos x2 z1 = λx1 z1 = x1 z2 . y2 = λy1 . y2 . isto é. y1 . isto é. y2 . x2 = λx1 . y1 . Delgado IM-UFF . x1 y2 − x2 y1 = 0. y1 . ou seja. x1 x − λ→ u = 2 (x1 . Finalmente. então → v é múltiplo de → u se. y1 . Se x1 6= 0. então − u = 0− v . y1 z2 − y2 z1 = 0. z1 ) = x1  x2 x x x1 . 2 y 1 . 0) = 0 . Os casos y1 6= 0 e z1 6= 0 são tratados da mesma maneira. Logo. Também. (1) z2 = λz1 .  K. (⇐=) Reciprocamente. existe λ ∈ R. y2 . x1 De fato. Multiplicando a primeira das identidades (1) por y1 e a segunda por x1 . z2 ) são vetores do espaço. Prova. Afirmamos que → v = λ→ u. → − → Podemos. → → → → (=⇒) Se − v é múltiplo de − u . temos x1 x2 z1 . − → → v = (x2 . x1 z2 − x2 z1 = 0. z1 ) e − v = (x2 . isto é.119 Geometria Analítica . y2 . 0. → Assim. temos y2 = z2 = x2 y1 . Logo. λz1 ) = λ− u.J. alguma das coordenadas de − u deve ser diferente de zero. z2 ) = − v . supor que − u = (x1 . x1 y2 − x2 y1 = x1 z2 − x2 z1 = y1 z2 − y2 z1 = 0 . isto é. multiplicando a segunda das identidades (1) por z1 e a terceira por y1 . z2 ). obtemos y1 x2 = λx1 y1 = x1 y2 . seja λ = x2 − − .

e o sinal negativo. B) sinal positivo caso B e C estejam do mesmo lado em relação ao ponto A na reta que os contém.Geometria Analítica . 1) e C = (−2. B e C são pontos distintos de uma reta. Exemplo 5 Determinar se os pontos A = (−1. B = (1. Para isso. 1). portanto. tal que AC = λAB . Solução. pois se AC = λAB . x2 . o seguinte resultado.  IM-UFF K. det x1 y1 x2 y2 ! = det 2 0 −1 −2 ! = (2)(−2) − (0)(−1) = −4 6= 0. x1 z2 − x2 z1 ou y1 z2 − y2 z1 . 1. basta verificar que um dos números x1 y2 − x2 y1 .J. B e C são colineares ⇐⇒ os vetores AB e AC são múltiplos. −1) são colineares ou não. então os pontos A. reciprocamente. −1. (b) Os números x1 y2 − x2 y. 0. 1. Como −−→ AB = (x1 . 0). e Fig. B e C estão sobre uma mesma reta. onde escolhemos o d(A. caso B e C estejam em lados opostos. z2 ) = (−1. −1). y2 . 11: Exemplo 5. os pontos dados não são colineares. E. é diferente de zero. −−→ AC = (x2 . Delgado .Aula 10 120 Observação 8 → → (a) Para mostrar que dois vetores − u e− v não são colineares. x1 z2 − x2 z1 e y1 z2 − y2 z1 são os determinantes 2 × 2 que podem ser formados com as colunas da matriz 2 × 3 ! x1 y1 z1 x2 y2 z2 → → em cujas filas aparecem as coordenadas dos vetores − u e− v . −2. −−→ −−→ Três pontos A. −−→ −−→ Essa definição está bem justificada. basta tomar λ = ± . Temos. se A. Definição 5 − − Dizemos que dois vetores → u e→ v não-nulos são colineares quando um deles é múltiplo do outro. C) existe λ ∈ R. x3 ) = (2. então −−→ −−→ d(A. Frensel .

121 Geometria Analítica . v2 . y2 . B e C são colineares. Então r1 está contida no plano π e intersecta a reta que contém os pontos A e B num ponto D1 . os pontos A. (=⇒) Suponhamos primeiro que D ∈ π. x2 . Definição 6 → − → −→ Um vetor − v que é soma de múltiplos dos vetores − v→ 1 . O teorema abaixo nos permite saber quando um quarto ponto D pertence ou não a este plano. −2) são colineares ou não. 1. Solução. . −2). . y1 y2 y3 −2 0 −2 e os determinantes 2 × 2 formados com as colunas dessa matriz são ! ! x1 x2 1 0 det = det = 1(0) − (−2)(0) = 0 . . − v→. −−→ −−→ Seja r1 a reta paralela a AC que passa por D e seja r2 a reta paralela a AB que passa por D. Delgado IM-UFF . . y2 y3 0 −2 −−→ −−→ Portanto.  Sabemos que três pontos A. AB e AC são múltiplos. . A fim de −−→ que o ponto D pertença ao plano π é necessário e suficiente que o vetor AD seja combinação −−→ −−→ linear dos vetores AB e AC . − v→. 1) e C = (−2. 1.Aula 10 Exemplo 6 Determinar se os pontos A = (0. B e C pontos não-colineares no espaço e seja π o plano que eles determinam. y1 y2 −2 0 ! ! x1 x3 1 1 det = det = 1(−2) − 1(−2) = 0 . ou seja. y ∈ R. . 1.J. tais que AD = xAB + yAC Prova. vn é chamado uma combinação linear de − v→. K. 1) e AC = (y1 . −−→ −−→ Temos AB = (x1 . 0). x3 ) = (1. y1 y3 −2 −2 ! ! x2 x3 0 1 det = det = 0(−2) − 1(0) = 0 . 1 2 n Teorema 1 Sejam A. 0. B = (1. −−→ −−→ −−→ D ∈ π ⇐⇒ existem x. . y3 ) = (−2. A matriz 2 × 3 que tem por filas as coordenadas desses vetores é ! ! x1 x2 x3 1 0 1 = . 0. B e C não-colineares determinam um único plano π no espaço. . ou seja. Frensel .

3. C e D coplanares. y ∈ R tais que −−→ −−→ −−→ AD = xAB + yAC . −−→ (⇐=) Suponhamos. AD = (0. que AD é combinação linear dos −−→ −−→ vetores AB e AC . também. Então. suponhamos que existem x. 2. r2 está contida no plano π e intersecta a reta que contém os pontos A e C num ponto D2 . tal −−−→ −−→ que AD1 = xAB . D = (1. e somente se. D ∈ π se.  Exemplo 7 Considere os pontos A = (1. 2). 1. Sendo AD1 DD2 um paralelogramo. B e C é igual −−→ −−→ −−→ a zero e.J. B e C não são colineares e. igual a zero (figura 13). 1. temos −−→ −−−→ −−−→ −−→ −−→ AD = AD1 + AD2 = xAB + yAC . de modo que a origem O coincida com o ponto A e que os eixos OX e OY estejam sobre o plano π.   −−→ −−→ 1 1 (a) Como AB e AC não são múltiplo um do outro. assim. Assim. 12: A. −−→ −−→ −−→ −−→ Temos AB = (1. pois det = 1 6= 0. B. um plano π. πXY = π. tal que AD2 = yAC . 4. D ∈ πXY = π. (b) Segundo o teorema anterior. Delgado .Geometria Analítica . (b) D não pertence ao plano π. Frensel . Como os pontos A. Solução. 3) . 5. portanto. B = (2. Isto é. y ∈ R. 2. concluímos que A. 2 3 B e C não são colineares. −−→ −−→ −−→ tais que AD = xAB + yAC . determinando. agora. Mostre que Fig. C = (3. −1) e AE = (3. determinam um plano π. Fig. existe x ∈ R. AC = (2. −1. −1). existem x. Também. −−−→ −−→ existe y ∈ R. 6) . (c) E pertence ao plano π. como AD = xAB + yAC . 13: Sistema OXYZ e D ∈ πXY . 3). IM-UFF K. 2) e E = (4. (a) A. 1). concluímos que a terceira coordenada do ponto D é. C e D2 são colineares. B e D1 são colineares. Escolhemos um sistema de eixos ortogonais OXYZ no espaço. 3. Isto é. 4) . como A. a terceira coordenada de A.Aula 10 122 Analogamente.

3) = (x + 2y. (3. x + 2y = −1 . e somente se. os números x e y devem satisfazer. v2 e v3 são LI. x + 3y) . B. E ∈ π se. C e D são coplanares. pois as duas primeiras implicam que 0 = −1. 1) + y(2. Portanto. −−→ → −−→ − −→ → → = − Se os vetores − u = AB . para cada vetor − → do espaço.  x + 2y = 3 Resolvendo o sistema. x e y são a solução do sistema x + 3y = −1. 1) + y(2.123 Geometria Analítica . as equações: x + 2y = 3 . Teorema 2 − → − → Sejam − v→ 1 .Aula 10 Isto é. Definição 7 −−→ → −−→ − −→ → →=− Dizemos que os vetores − u = AB . x + 2y = 3 . AE = 11AB − 4AC . Frensel . B. Como os vetores − v→ 1 . −1) = x(1. 1. então. AC e AD .  Provaremos. B. C e E são coplanares. (c) De novo. − v = AC e w AD são linearmente independentes (LI) quando os pontos A. dizemos que eles são linearmente dependientes (LD). v3 = AD e −→ − →=− − → − → w AP . z ∈ R. Então. isto é. que quatro pontos não-coplanares A. x + 3y = −1 . Portanto. −−→ −−→ −−→ e y = −4. C e D não são coplanares. x + 3y = −1 . x = 11 ou seja. 3. Logo D 6∈ π. 3) = (x + 2y. v2 = AC . C e D não são colpanares. simultaneamente. y. existem x. 1. Delgado IM-UFF . e os pontos A. C e D determinam o espaço todo.J. 2. os pontos A. Nesse caso. Isto é. o qual é impossível. agora. simultaneamente. existem escalares únicos x. Logo x e y devem satisfazer. D e P pontos do espaço tais que − v→ 1 = AB . B. x + 2y. −−→ − −−→ − −−→ → → Sejam A. 2. portanto. não pertencem a um mesmo plano. pelo teorema anterior. x + 2y. ou melhor. x + 3y) . B. K. v2 e v3 três vetores linearmente independentes no espaço. a impossibilidade da relação −−→ −−→ −−→ AD = xAB + yAC . Concluímos. os pontos A. −1) = x(1. (0. −1. C. que todo vetor do espaço se expressa de uma única forma como combinação −−→ −−→ −−→ linear dos vetores AB . obtemos. B. a não-existência dos números x e y e. tais que: w − → = x− − → − → w v→ 1 + y v2 + z v3 (2) Prova. y ∈ R tais que −−→ −−→ −−→ AE = xAB + yAC . as equações: x + 2y = 0 . − v = AC e w AD não são linearmente independientes.

 O Teorema 2 diz que qualquer vetor do espaço se exprime de uma única maneira como combinação linear de três vetores LI dados. como queríamos. a reta que passa por A e C não está contida no plano π2 . respectivamente. C = (2. intersecta o plano π20 . sendo então AD 0 = z AD . Sejam agora π10 . Assim. B = (3. A = (1. 0. 0).Aula 10 124 Designamos π1 o plano que contém os pontos A. 0. A. 1. AC 0 e AD 0 são arestas de um paralelepípedo no qual os pontos A e P são extremidades de uma das diagonais. Como a reta que contém os pontos A e D não está contida no plano π1 . Finalmente. IM-UFF K. B e D são pontos não-coplanares. B e D e π3 o plano determinado pelos pontos A. pelo ponto P. −→ → = (2. logo. π2 e π3 . Fig. para algum escalar y ∈ R determinado de maneira única pelo ponto P. 1. (a) Verifique que O. o plano π30 num único ponto B 0 . Delgado . intersectando. C 0 e D 0 . 14: Determinando os pontos B 0 . B e C. 2).Geometria Analítica . de onde −−−→ −−→ concluímos que AC 0 = y AC . portanto. tal que AB 0 = x AB . para algum número z ∈ R. determinado de maneira −−→ −−→ única pelo ponto P. existe um escalar x. Exemplo 8 Considere os pontos O = (0. Analogamente. π20 e π30 os planos que passam pelo ponto P e são paralelos aos planos π1 . −−→ −−→ OB e OD . essa reta intersecta o plano π10 −−−→ −−→ num único ponto D 0 . Por isso dizemos que o espaço tem dimensão três. Assim. π2 o plano determinado pelos pontos A. os segmentos AB 0 . portanto. A. 5) como combinação linear (soma de múltiplos) dos vetores − (c) Escreva o vetor − w OA . B e C são pontos coplanares. a reta que passa pelos pontos A e B não está contida no plano π3 . o qual é determinado de forma única pelo ponto D 0 e. 0. C e D (figura 14). Frensel . Por causa do paralelismo estabelecido entre os planos. 1). num único ponto C 0 . concluímos que: −→ −−→ −−−→ −−−→ −−→ −−→ −−→ − →=− − → − → w AP = AB 0 + AC 0 + AD 0 = x AB + y AC + z AD = x − v→ 1 + y v2 + z v3 . 6. −1).J. paralelo a π2 . (b) Verifique que O. 1) e D = (1.

que os vetores OA . Isto é. Logo C pertence ao plano π (b) Sabemos que o ponto D = (1. como β não pode assumir dois valores ao mesmo tempo. ou seja. A equação (5) também é satisfeita por α = −1 e β = 1. α e β devem ser soluções das equações: α + 3β = 2 (3) α+β=0 (4) α + 2β = 1 (5) Da equação (4). Delgado IM-UFF . 1) + β(3. β = 1. 2) não são múltiplo um do outro. A e B. Frensel . existem escalares α e β. 1) = α(1. β ∈ R. pois ! ! 1 1 1 1 1 da matriz extraímos o determinante det = −2 6= 0 . concluímos que não existem escalares α e β que resolvam as três equações simultaneamente. em coordenadas: (2. obtemos que α = −β. Logo. ou seja. primeiro. em termos de coordenadas. devemos determinar α. Logo.125 Geometria Analítica . Portanto. tais que: −−→ −−→ −−→ OC = α OA + β OB . A e B se. 0. 1. α + β. obtemos β = −1. pelo teorema 2. −−→ −−→ −−→ (c) Sabemos. D ∈ / π. obtemos β = 1 2 . 1. Portanto. K. −−→ −−→ −−→ Assim. e somente se. de forma única. que os pontos O. tais que: −−→ −−→ −−→ OD = α OA + β OB . 2) = (α + 3β. −1) pertence ao plano π que contém O. obtemos α = −β. todo vetor do espaço se escreve. 0. OC = −OA + OB . 1) e OB = (3.Aula 10 Solução. 1. obtemos −β + 3β = 2. portanto.J. α + 3β = 1 (6) α+β=0 (7) α + 2β = −1 (8) Da equação (7). A e B não são colineares. do item (b). α + 2β). como combinação linear desses vetores. 3 1 2 3 1 Para verificar que o ponto C pertence ao plano π determinado pelos pontos O. Substituindo na equação (6). (a) Observe. α = −1. Porém. OB e OD são LI. Substituindo na equação (3). substituindo α = −β na equação (8). 1. −−→ −−→ De fato os vetores OA = (1.

v3 } é uma base do espaço e w é um vetor qualquer. 1. isto é. e3 } é chamada base canônica do espaço em relação ao sisIM-UFF K. que existe apenas um terno de números reais x . 0) e e3 = (0. 5 3 Somando essas duas equações. Substituindo nas equações (9) e (11). 0. 6. Frensel . OB e OD  Terminologia Uma base do espaço é um conjunto formado por três vetores LI. pelo teorema 2. Isto é. Dessa identidade. y = − . x + 2y − z) . (2. −→ 5 −−→ 2 −−→ − → = 23 − w OA − OB − OD . Logo. − → − → − → Se B = { − v→ 1 . −1) = (x + 3y + z. 1) são LI. 1. y e z são chamados as coordenadas de − w → = (x. 6. y e z. z) . 5) = x(1. 2) + z(1. e Os números x. v2 . 1. temos o sistema:  2y + z = −4 y − z = −1. y. 5 3 z=y+1=− +1=− 2 3 e x=6−y=6+ 5 23 = . obtemos que: x + 3y + z = 2 (9) x+y=6 (10) x + 2y − z = 5 (11) Da equação (10). 1 2 3 → em relação à base B. os vetores − → − → e1 = (1. x + y. 3 3 3 −→ −−→ −−→ → como combinação linear de − é a expressão de − w OA . temos:  6 − y + 3y + z = 2 6 − y + 2y − z = 5. 0). escrevemos − w B Considerando um sistema ortogonal de coordenadas cartesianas OXYZ. 0. obtemos 3y = −5. obtemos x = 6 − y. Delgado . − e→ 2 = (0. ou seja.Geometria Analítica . sabemos. tais que − → = x− w v→ + y − v→ + z − v→ . tais que Se − w −→ −−→ −−→ − → = x− w OA + y OB + z OD . 0. 5). 3 3 Portanto. 1) + y(3. − → − → A base C = { − e→ 1 .J. então existem números reais únicos x.Aula 10 126 → = (2. e2 . y e z.

1 2 3 → no sistema OXYZ são exatamente as coordenadas de − → em Isto é. y. Frensel . z) .J. as coordenadas de − w w → = (x. z). então − → = x− w w e→ + y − e→ + z − e→.127 Geometria Analítica . Delgado IM-UFF .Aula 10 → em relação ao sistema OXYZ são tema OXYZ. z) = (x. y. Note que. relação à base canônica C do sistema OXYZ: − w C K. se as coordenadas de um vetor − w − → = (x. y.