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Os avanços na fisiologia cerebral do século XX foram muitos, porém nenhum deles fornec

eu a relação entre cérebro e pensamento. Portanto, explicar o pensamento a partir da c
onstituição fisiológica do cérebro é impossível, pois sabe-se que coisas acontecem no céreb
quando pensamos, mas o que isso tem a ver com o conteúdo do pensamento? nada. Port
anto, não se deve partir daí.
Há, se não uma diferença de natureza, ao menos um hiato na relação corpo e mente, que torn
a-se bastante complexa e paradoxal, pois quem está dizendo que existe corpo e ment
e é a mente, e não o corpo. Essa distinção é sempre feita pela mente, o corpo, por assim d
izer, "não fala".

Nós não sabemos o que é a psique, mas na prática sabemos onde ela está, conseguimos distin
guir origens psíquicas e corporais. Por exemplo, quando um sujeito bate num outro,
sabemos que a motivação não pode ser puramente corporal, não é possível conceber isso, há
motivação psíquica. A psique aparece como uma força causal, não sabemos o que ela é, mas s
bemos que ela causa algo. Ou seja, embora não saibamos o que ela é (a substância), pod
emos localizá-la pelos seus efeitos.
Gustav Theodor Fechner - acreditava poder medir a diferença entre o elemento físico
e o psíquico. Ele estourava um flash em seu próprio olho e media a permanência da imag
em na retina. Como o olho é o mesmo, então o tempo de permanência deve ser o mesmo. Se
houver uma diferença para mais ou para menos, então essa diferença é dada pea variação da
tenção, a diferença de atenção não pode ser dada pela luz que "estoura" em seu olho, então
iferença desse tempo assinalaria a presença de um elemento não fisiológico. Essa experiênc
i prova que existe um elemento psíquico, o que já sabíamos.
Bem, partindo do princípio de que não conhecemos a psique como coisa (substância), mas
como fator causal, quem sabe não poderíamos chegar a algo se aprofundássemos a questão
da causa.

Quando indagamos a causa, indagamos o "por quê?". Por exemplo, em 2+2=4, há uma caus
a ali. E o resultado é absoluto, é uma necessidade lógica. Já na afirmação "os jumentos não
am", é o que ocorre, mas não há uma necessidade lógica, pois o contrário não é inconcebível
eríamos imaginar, em outras condições (gravitacionais, por exemplo), o contrário. Mas em
"2+2=4", não há como imaginar nenhuma condição para a realização de outro resultado.
Quando falamos de causa, então, estamos falando de elementos que são necessários e out
ros nem tão necessários assim.
No mundo, entendemos que há poucas necessidades férreas como 2+2=4. Em geral, tudo p
oderia ser de outra maneira, embora costumeiramente não o seja, e isso pode ser de
bilhões de anos. Desde que quando os jacarés não voam? desde antes de existiram jacarés
, embora, como o exemplo do jumento, não seja inconcebível que eles possam voar, em
determinadas condições.
Estamos falando de necessidade absoluta (lógica) e necessidade relativa (física) são d
ois conceitos aos quais nós apelamos para explicar causas. Há elos que são absolutamen
te necessários e outros que são apenas prováveis, embora aconteçam costumeiramente. Essa
ideia de probabilidade só pode existir juntamente com a ideia de quantificação.
Finalmente, existe uma terceira ordem de causa que chamamos de acaso, na qual ou
vc desconhece a causa (acaso subjetivo) ou as causas são em número tão grande que não dá
pra conhecê-las, é impraticável (acaso objetivo)
Em resumo, três tipos de origens causais: necessidade absoluta (lógica), necessidade
relativa (probabilidade) ou acaso.
Ora, se só conhecemos esses três tipos de causas, como podemos falar de uma causa psíq
uica se esta não se enquadra em nenhuma das anteriores? Por exemplo, o sujeito peg
a a mulher na cama com o vizinho. A quantidade de reações psíquicas que podem sobrevir

vc fo i condicionado a condicionar os demais. necessidade física e acaso são absorvidos pela historicidade. A psique é aquilo pelo qual o ser humano individual se torna um agente causal. Não existe caso em que vc possa explicar a psi que de um pela psique de outro. como foi possível o primeiro reflexo? além disso. algo totalmente aleatório? Não. ao dar uma aula. ele não poderia reagir. Por fim. Como há essa con exão? Ela é imprevisível. os seres humanos ag em assim.9999% dos casos. essa probabilidade. visto que só podemos Psique . Por exemplo. matar um e/ou outro etc. tudo são reflexos condicionado . podemos quan tificar? tbm não. A expectativa de futuro tbm não determina. A psique é individual e irr edutível a um outro sujeito 2° propriedade: sua historicidade Cada reação da psique de cada sujeito tem algo a ver com passado dele. Portanto. o psicólogo deve ter em mente que o sujeito agi u assim unicamente por aquela causa psíquica e não por outro tipo de causa. Mas. Isto é impossível de provar. Podemos estabelecer probabilidades de acordo com a época histórica. ficar deprimido. ele é "agido" desde fora. mas conhecemos algumas propriedad es dela. O passado não determina a psique. ele é um de seus componentes. mas como aquilo com o qual a psique vai lidar para produzir os seus efeitos. fazer sexo gru pal. Enfim. Aí entramos em um terreno perigoso. Skinner acredita que é possível criar um reflexo condici onado no outro. Estamos então diante de um mi stério. Mesmo qu e haja uma probabilidade que diga que em 99. Ele tem algo a ver com esse passado e com uma expect ativa de futuro em relação a esse passado. Todos aqueles elementos de necessidade lógi ca. vc não espera que todos saiam correndo. mas eles não determi nam a ação. E qualque r que seja a causa psíquica atribuída. por exemplo. baseado em Pavlov. assim como reconhecer como tal todos os indivíduos que ele está estudando. bater em um e/ou em outro. não determinará que o indívíduo ne cessariamente agirá dessa maneira. E creio que as teorias psicológicas mais famosas . Neste sentido. Em todos os casos. Toda ação humana supõe uma expectativa do que vai ocorrer em seguida. o indivíduo humano não é uma força causal. e não a probabilidade que determina que eles agira m assim. o passado está ali não como a força causal. porque as expectativas em geral são óbvias. por mais mínima que seja. Seria o caso de se perguntar: se tudo são reflexos condicionados. É porque os seres humanos agem de tal ou qual man eira que a probabilidade é feita. então nada terá uma causa psíquica. 1° propriedade: ela é uma para cada um. ninguém pode dar uma aula baseado nessa expectativa. ma s forma-se uma equação entre o passado conhecido e o futuro esperado. podemos dizer que é o acaso. Poderíamos dizer que há uma necessida de absoluta? Não. o sujeito pega a mulher na cama com o vizinho. Mas a probabilidade não é ela mesma a causa. Se não aceitarm s isso. isso só seria possível se vc criasse um reflexo condicionado por reflexo condicionado tbm. de acordo com sua premissa. existe a interferência de um elemento misterioso que é a psique. o indivíduo humano é uma força causal.ordem causal irredutível às causas conhecidas e que atua diferentemente em indivíduos diferentes. é algo que ocorreu no passado que cria uma expectativa de futuro Quanto à historicidade. A p eculiaridade na psicologia é que o psicólogo tem que se reconhecer como força agente. Por exemplo. nada sobre nada daquilo que está se pas sado. A probabilidade é apenas um cálculo feito a posteriori e não uma força causal. por mais alta que seja.é bastante variada: ele pode ir embora. S e ele não soubesse nada sobre aquela mulher. embora haja uma interação. dada a variedade de reações. Claro que isso não precisa ser tot almente consciente. podemos dizer que a causa psíquica é uma causa que não se reduz às demais causas existentes. eu só fui "agido desde fora. embor a haja uma previsibilidade do que farão. pois não sabemos como as pessoas vão interpretar os fatos. Skinner nos diz que não exist e causa psíquica. É claro que o reflexo condicionado existe. Há uma necessidade relativa. Não sabemos o que é a psique. além daquelas já mencionadas.

Aco ntece que isso mexe com o todo. história é a parte da historicidade que vc sabe neste momento. Ela funciona c omo o elemento coordenador das suas ações. por ego/id/supereg o. A consciência tende para a integralidade e a unidade. O ego é a tentativa de criação de uma individua lidade subjetiva a qual eu vou tentar fornecer uma intersubjetividade. os elementos que o compõe são objetivos. mas o mesmo não se aplica à psique. e aí ele vai ser explicado por reflexos condicionados. pois esta é feita de transparência e de intimidade. o que é impossível. vc simplesmente troca o nome de uma coisa por outra. Ele não é uma força estrutural. Quando vc cria um mecanismo desviacionista (evita que algo vente à sua mente pensando em outra coisa ou criand o qualquer tipo de camuflagem). Todos esses elementos. na qual eu me reconheça como conjunto. segundo o Dr. Freud. a começar pela língua. Entendemos que a consciência não é toda preenchida de historicidade. A individualidade da psique é objetiva. e . que não é a mesma coisa que historicidade. O ego é o centro coordenador da sua história. Vc pode estar tot almente equivocado a respeito do que se passa no seu corpo e nem por isso ele de ixa de funcionar. a psie individual deixa de ser a gente única do processo e se torna o ponto de encon tro de uma infinidade de influências que vem de outras psiques. ele teria que ser pertinente em todas elas. Cada um dos elementos da psique é transparente em si. Uma coisa só pode ir para o inconsciente se passou p ela consciência. ou seja. por ex. Ego é história consciente . muitos elementos não são signif icativos para uma ação em particular e. do e m torno. não se torna inconsciente. O número de elementos que a psique pode absorver é ilimitado. É uma loucura achar que um inconsciente está a todo tempo forçando vc a fazer isso ou aquilo. O s elementos que são recalcados. pois. O inconsciente pode ser um fato. para que ele fosse um fator causal em todas as situações. O inconsciente é uma parte da sua historicidade. podendo interpretar a situação a luz do que vc sab e ou por meio de um plano. que vc já recebeu pronta. afinal. daí.). portant o. ela está coordenando o seu passado com a sua expectativa de futuro. pois no corpo ocorrem coisas que vc desconhece e das quais vc não tem c ontrole (até o século 16 se ignorava a circulação do sangue. não pa ra nem um minuto. sobre um futuro que ainda não existe. mas por aquilo que eu reconheço (a imagem que vc quer apresentar para os outros). mas o conjunto não é.querem justamente fugir desse perigo ou contorná-lo. vc começa a faz er isso com outras coisas tbm (o ato falho é justamente a expressão da falta de cont role sobre esses mecanismos). porque esse mecanismo se reproduz. é a sua história tal como contada por vc mesmo. Sabemos que a nossa psique não é redutív l à psique alheia. nada disso explica a ação. ela tem essa característica de ser expansionista. a psique constrói a história do ego. mas pode vir a ex istir através de sua ação Com tudo isso vc compõe sua história. 3° propriedade: consciência. mas não com aquelas prop orções que Freud reivindicava. embora sejam elementos com os quais vc vai contar na s ua ação. são elementos obscuros da sua h istoricidade. Transformam o sujeito da ação em objeto. porque vc não lembra de tudo a toda hora. é um elemento da sua historicidade como outros. O ego é construído com elementos de fora. Claro que não se pretende dizer que o ser humano leva todos esses elementos d e historicidade em conta em qualquer ação. O ego é um arranjo. na verdade. mas estão lá. Não se apaga. A psique é uma força causal que é transparente a si mesma e que se estabiliza na his tória do ego. A intimidade que vc tem com a sua psique é o que distingue mais claramente ela do seu corpo. nada impedindo que vc lembre depois. ou seja. Para isso. O ego é construído com quais elementos? Na construção do ego. são elementos da sua historicidades. Os elementos de sua historicidade não têm que ser transparen tes a você a todo momento. e embora ele esteja tent ando criar uma imagem subjetiva. da sociedade. não se presta atenção neles. De cara. só daquilo q ue interessa para um determinado momento. vc está instabilizando todo o resto. para mim. eu vou tentar fazer com que o outro me reconheça não pelo conjunto que eu desconheço. o ego é a tentativa de criação de uma individualidade subjetiva. a do ego não é. Por isso criamos o ego como centro de referência para responder à p ergunta "quem sou eu?".

concatená-los com os demais el ementos e obter uma somatória final Por exemplo.. O inconscient e não impele nada. terei que elabora r isso de alguma maneira. mas ao mesmo tempo o ego a oprime. que talvez vc não goste. as pessoas não reparam isso porque as deformidades dos egos são parecidas. trocou o nome da coisa. mas não quer a consequência. então. desment ir a história do ego a todo momento. para cada situação em particular. faz um aborto. que é a articulação consciente das tensões internas e externas. não tu a na psique. Isso o torna um assassino. Daí vc apela a racionalizaçoões. mas conti nua colando na prova. pedindo dinheiro emprestado e não devolvendo etc. se eu tenho um desejo que envergonha a mim mesmo. porque o ego é justamente uma adapt ação permanente. mas sem mutilação da ps que. ao toma r decisões. A autoimag em é desmentida. Dr. não na psique. só o ego doente. Aí eu entrei num processo neurótico (uma mentira esquecida na qual vc ainda acredit a. que é a possível geração de filhos. Vc sabe que é um assassino. p ois estou indo contra aquilo que ele é. v c quer que elas se somem.).ntre o ego e a psique nunca existe. E por que não gosta? Em parte porque eles são antagônicos na própria psique. e vai ficar até morrer. e em parte porque eles contrariam os valores e símbolos aos quais vc se a feiçoou na sociedade em torno. Eu dou outro nom e à coisa.correspondência perfeita. pois ele é apenas um conjunto de imagens. engano a mim mesmo. é uma coisa que não é vc. ou seja. e eles podem pressionar o ego. Daí vc passa a odiar antiabortistas. aí entra o recalque. mas eles não são inconscientes. mas vc não quer lembrar disso.. O seu corpo não decide n . O ego seleciona e quer amputar alguns elementos. vc sabe qu e tem uma unidade. costurando o passado com a expectativa de futuro. mas continua agindo como se aquil o fosse verdade. vc não se conforma em que essas decisões sejam atomísticas. mas os elementos dos quais vc está consciente podem não ser completos Autoimagem. que é o ego que não está conseguindo realizar a final idade dele. e esses elementos vc pode até aglo merá-los em algo que se chama o inconsciente. não e te psique doente. No entanto. Toda ação human a é consciente. Eu posso reprimir. só no ego. (vc inventa que é um sujeito honesto. e o resto vc chama de não eu. Já entendemos. e iss o pode virar uma patologia coletiva. uma parte do ego. que o princípio das doenças mentais está no ego. Vc pode fazer com que o sujeito recrie o ego. A psique tende ao ego. ainda mais se a cr iança já estiver formada. discursos justificadores etc. justamente um eforço de controle consciente. criar discursos defendendo o aborto etc. vc mentiu. O exemplo disso é o sex lib. no qual vc quer sexo com todo mundo. símbolos etc. é uma imagem que vc acha que as pessoas veriam se eles te conhecessem Os modelos sociais disponíveis. Então vc faz uma seleção dos elementos da sua psique que vc pa ssa a chamar de eu. O ego é justamente a expressão individual consciente do seu poder decisório e. Muller dizia que o objetivo da psicoterapia é reescrever a história do ego. eles estão lá presentes. elementos qu e ele ignorou ou dos quais fugiu poderão ser reintroduzidos. Daí ue vc faz? vc mata. separadamente.) Existe uma tensão entre ego e psique. Claro que a perfeição do ego é impossível.3 vezes. e essa é a história do ego. O ideal é que este ego forneça ao mesmo tempo a ação social eficaz. Na mai or parte do tempo. vc seleciona aqueles que vc acha que quer ser. foi vc q uem os tirou do ego. mas vc não sabe se lhe convêm. Então há uma tensão entre aquela tensão de repressão sexual e o a ssinato consequente. Se eu fizer isso 2. já banguncei o meu ego. E o corpo? O corpo é mais um elemento da sua historicidade. O ego terá que enquadrar os elementos da psique. por exemplo. A ideia de que há uma força inconsciente que te impele a algo é loucura.

Forma é o conjunto dos mec anismos em ação. Por exemplo. A doença mental é uma diminuição da atividade psíquica. . Da quase totalidade do corpo.ada do que vc vai fazer. A alma é a forma do corpo. vc leva um soco e aparece um hematoma. Todas as causas corporais não são psíquicas. o que ele faz por si mesmo é pouco. O corpo é um elemento da psique. O que tem de psíquico nisso? Nada. A m aior parte é integrada como ato humano.