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Recife-PE,27 a 29 de outubro de 2015.

OSCILAÇÕES DOS ELEMENTOS METEOROLÓGICOS E
SUASMODIFICAÇÕES CLIMÁTICAS NO MUNICÍPIO DE PATOS, PB,
BRASIL
Hudson Ellen Alencar Menezes1;Raimundo Mainar de Medeiros2;Francisco de Assis da Costa
Neto3;Hamstrong Ellen Alencar Menezes4
1

Doutor em Meteorologia, UFCG, Campina Grande – PB, Brasil, e-mail: hudson.ellen@ufcg.edu.br2Doutorando em
Meteorologia, UFCG, Campina Grande – PB,Brasil,email:mainarmedeiros@gmail.com;3Especialização em Engenharia
Civil, UFCG, Campina Grande – PB, Brasil, e-mail: francisco.costa@ufcg.edu.br;3Engenheiro Florestal, UFCG, Patos –
PB,Brasil, e-mail: hamstrong@bol.com.br

RESUMO
A variabilidade é um dos elementos mais conhecidos da dinâmica climática, o impacto produzido por esse fenômeno,
mesmo dentro da normalidade pode ter representações significativas nas atividades humanas. O trabalho tem como
objetivo avaliaras variabilidades climáticas no município dePatos – PB, enfocando tais variações como um meio para
compreender futuras mudanças. Para realização deste trabalho utilizou-se dados de temperatura máxima do ar, umidade
relativa do ar e totais pluviométricos mensais e anuais no período de 1994 a 2012, da Estação Meteorológica do INMET
na cidade de Patos. Como resultado pode-se afirmarque a temperatura do ar máxima anual demonstrou grande variação
entre o período estudado, a temperatura máxima absoluta foi incrementada de 7% e a temperatura mínima absoluta
sofreu uma redução de 10, podendo acarretar vários problemas socioeconômico, bem como, para a saúde humana. A
partir dos dados, verifica-se, também, que a umidade relativa do ar está sendo incrementado ao longo da série estudada,
fato que pode estar relacionado com o aumento da temperatura e consequentemente com uma maior evaporação das
águas.Sobre os totais pluviométricos anuais, nota-se que os valores estão aumentando gradativamente, sendo que esse
aumento pode estar relacionado com o aumento da temperatura, que faz com que se tenha uma maior evaporação e
consequentemente uma maior precipitação.
Palavras-chave:Clima, impactos de mudanças, oscilações meteorológicas.

OSCILLATIONSOFWEATHERELEMENTSANDCLIMATECHANGESINTH
E PATOS CITY, PB,BRAZIL
ABSTRACT
The variability is one of the most popular elements of climate dynamics, the impact of this phenomenon, even within
the normal range may have significant representation in human activities. The study aims to assess climate variability in
Patos – PB city, focusing on such variations as a means to understand future changes. For this work we used maximum
air temperature data, relative humidity and total monthly and annual rainfall from 1994 to 2012, the INMET
Meteorological Station in Patos city. As a result one can be said that the temperature of maximum annual air showed
great variation between the study period, theabsolute maximum temperature was increased from 7% and the absolute
minimum temperature was reduced by 10, which may cause various socio-economic problems as well as to human
health. From the data, it appears also that the relative air humidity being incremented along the series studied, which
can be related to the temperature rise and consequently with a greater evaporation of water. On the annual rainfall totals,
note that the values are gradually increasing, and this increase may be related to the temperature increase, which makes
it has a higher evaporation and hence greater rainfall.

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A. Porém vale ressaltar que as anomalias podem desestruturar tanto o sistema ambiental. as alterações climáticas e suas consequências para a humanidade. A variabilidade é um dos elementos mais conhecidos da dinâmica climática. ainda não foi bem determinada (IPCC. A dinâmica do ciclo hidrológico nas bacias pode ser mais bem entendida pelo balanço hídrico simples (BHS) ou balanço hídrico climatológico (BHC). nove estados. mais populosos e mais úmidos domundo. o impactoproduzido por essa variabilidade. Keywords:Climate. em uma área de aproximadamente 969. Suas condições ecológicas típicas estão representadasnas ecorregiões. As atividades humanas são. Nas últimas décadas.ellen@ufcg. 2003). correspondendo a 85% da sua área. 170 municípios.133 municípios. tem sido uma das maiores preocupações de cientistas de todo o mundo. estando situado na porção central da região Nordeste abrangendo. ouem parte.27 a 29 de outubro de 2015. uma possível variabilidade climática natural. cujos máximos de precipitação ocorrem de novembro a janeiro (MENEZES et al. Entretanto. deve-se levar em consideração.4km² e 21 milhões de habitantes. H.br 1. as responsáveis por parte destas mudanças.edu.. No Estado da Paraíba. 2005). resultado da quantidade de água que entra e sai de certa porção da terra (bacias hidrográficas) em um determinado intervalo de 336 . que vêm se acentuando desde meados do século XX. uma vez que a magnitude do sinal associada a ela nos registros climáticos existentes. onde a vegetação predominante é a Caatinga. onde as precipitações significativas ocorrem no bimestre março-abril. 1.). INTRODUÇÃO O semiárido brasileiro é um dos maiores. na visão de alguns pesquisadores. udson. O Nordeste apresenta uma variabilidade espacial e intrasazonal. Principalmente no tocante aos fatores responsáveis pela variabilidade climática. 1996. o que produz pelo menos três regimes de precipitação em três áreas distintas: uma área mais ao norte. quanto o socioeconômico. a faixa litorânea leste que se estende do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia.Recife-PE. com período chuvoso entre maio-julho.impactschanges. E. no todo. e uma terceira região que abrange grande parte da Bahia e sul do Piauí e Maranhão.weatherfluctuations. 2001). *E-mailparacorrespondência: (Menezes. estão inseridos nesta região(MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL. mesmo dentro da normalidade pode ter representações significativas nas atividades humanas.589.

dependendo da região analisada. é uma necessidade para estabelecer oefeito das mudanças climáticas sobre a dinâmica climática.3%. é consenso que as mudanças no clima têm impacto direto e significativo nosecossistemas e nos fatores socioeconômicos. nestes estudos que a precipitação havia aumentado de 0. Contribui para isso o fato de que os instrumentos e ferramentasutilizadas para se entender à variabilidade climática são deficientes para se tratar de algo tãocomplexo e dinâmico como o clima.0% pordécada. aindanão foi suficiente para se perceber estas mudanças. Mesmo com os estudos empreendidos por pesquisadores sobre a variabilidade climática. cuja variabilidade resulta em vários 337 . na hora da semeadura e da colheita. Os estudos elaborados pelo IPCC ("Intergovernmental Panel on Climate Change") no ano de2001 indicam uma situação preocupante em relação ao aumento da temperatura no planeta. Entre pesquisadores. na classificação climática.2007). tempo.4e 5.além de representar dados científicos importantes. até o final do século XX. visualizar cenários futuros para uma melhor compreensão da dinâmica climática. fundamental para o planejamentofuturo dos recursos hídricos.8ºC. envolvendo o manejo e o planejamento dos recursos hídricos. pode provocar alterações contínuas nos elementosmeteorológicos (precipitação. A tentativa de identificação na variabilidade climática nos registros meteorológicos é de sumaimportância para os estudos socioeconômicos. temperatura do ar e umidade relativa do ar).Recife-PE. ventos.5 a 1. entre outras várias atividades.2 a 0. tais como na determinação dos intervalos de irrigação. Embora esta indicação tenha sido feita há aproximadamente doze anos atrás. Esse aumento foi mais significativo no hemisfério norte. Naregião tropical o aumento na precipitação foi da ordem de 0. saúde humana e produção de alimentos(OBREGON. (2003) mostram que a variabilidade climática no Brasil. Os estudos envolvendo o balanço hídrico são empregados em inúmeras atividades. MARENGO. na previsão da produtividade agrícola.27 a 29 de outubro de 2015.Estudos elaborados por Pinto et al. A visualização de tendências de mudanças climáticas em séries temporais meteorológicas. devesedestacar que o sistema climático é complexo em relação a variáveis que não são ainda compreendidas por completo. Aprevisão é que num tempo relativamente curto a temperatura global poderá aumentar entre 1. ouseja. uma vez que se podem apresentar tendências. Verificou-se também.

É fato que estas variabilidades climáticas dependem desta dinâmica. A variabilidade climática é dependente da complexa dinâmica atmosférica. Gomes (1984) ao estudar a variabilidade das precipitações para a bacia hidrográfica do Alto Tietê associou sistemas atmosféricos e fatores locais que foram responsáveis por produzirem os 338 . salientando a dificuldade em se detectar eventuais mudanças. porém são através dos estudos locais que se podem desenvolver estudos em escala regional e global (NUNES. de onde emanam os mecanismos geradores da sucessão de seus estados. A variaçãotemporal é uma característica que deve ser estudada com maiores particularidade e em diferentes escalas cronológicas.Esteartigo tem como objetivo analisar a variabilidade climática em Patos . por parte de moradores que a temperatura tinha aumentado. A variação espacial e temporal são características próprias do tempo e clima. porém são as escalas local e regional que sentirão os maiores impactos desta variabilidade climática. De acordo com Monteiro (1978) e Nunes e Lombardo (1995).PB. a dificuldade de se detectar que os processos globais fossem afetados por fatos decorrentes em outras escalas. presente e até mesmo fazer prognósticos e diagnósticos para situações climáticas futuras. Alguns cientistas questionam em diferentes graus a validade de estudos desenvolvidos em escala local para a compreensão da variabilidade global. excluindo-se mudanças periódicas ou quase periódicas”. impactos. enfocando tais variações como um meio para compreender futuras mudanças. ainda que não dominasse a dinâmica intrínseca da atmosfera. Escolheuse trabalhar com o município de Patos devido à percepção. mas também de influências externas ao planeta como as mudanças solares. Hare (1985) apud Nunes e Lombardo (1995) discute interações escalares. 1995). a partir de modelos matemáticos utilizados. ao atuar sobre as propriedades extensivas do clima). nas últimas décadas. Considera-se variabilidade climática como sendo as variações do clima em função dascondicionantes naturais do globo terrestre e suas interações (TUCCI. 2003). a ação modificadora do homem agiria em grau crescente da escala taxonômica (criando as menores unidades e alterando as médias. Yevjevich (1972) define tendência ou variação “como uma mudança sistemática e contínua em qualquer parâmetro de uma dada amostra.Recife-PE. LOMBARDO. Pois estes estudos permitirão o conhecimento do clima no passado. E aponta ainda. Portanto vale uma investigação maisapurada dos dados existentes.27 a 29 de outubro de 2015.muita até irreversíveis.

2005). Ayoade (2010) afirma que “o clima de uma região é descrito com a ajuda de gráficos das variações sazonais nos valores dos elementos climáticos. portanto que os estudos de séries meteorológicas. Quanto mais úmido estiver o ar. Danni-Oliveira.” (Mendonça. Este fenômeno se dá em função das partículas de água em suspensão no ar ter a capacidade de receber calor do Sol e se aquecerem. seja na escalalocal. como uma barreira da radiação solar que atinge o solo e. usualmente a temperatura e a precipitação”.] a temperatura. mais acentuada será sua temperatura extremas (mínimas e máximas). conforme descrito por Frota e Schiffer (2003). ou seja. SCHIFFER. o conjunto destes três são os principais agentes formadores do clima. destacar que há uma relação intrínseca entre estes dois elementos climáticos.. regional ou global. Isto equivale a dizer que quanto mais seco for o clima. principalmente. aumidade e a pressão atmosférica. Ainda sobre a umidade e temperatura do ar.Nestas séries. (2007) estudaram as médias extremas de chuva noSudeste da América do Sul no período de 1960-2000. a precipitação teve um aumento significativo nos últimos 50 anos.. a temperatura do ar. Paraguai. Nota-se.27 a 29 de outubro de 2015. à noite. Vários estudos têm sido preparados tendo como tema a variabilidade e suas características climáticas. portanto ainda está longe de chegar a um consenso. principalmente de dados extremos são essências para a compreensão da dinâmica climática. a precipitação e a umidade relativa do ar tem papelprincipal. maior será a quantidade de água em suspensão. além de se aquecerem pela radiação solar que recebem. (FROTA. Sobre a temperatura e umidade do ar vale salientar que “[. o calor é dissipado pelo solo. Marengo et al. também funcionam. Essas partículas. evidenciando tendências para condições mais úmidas no Sul do Brasil. tipos existentes de tempo dominantes na área em estudo. Sobre a utilização de gráficos. Uruguai e no Norte e Centro da Argentina. (2007) observou que. de dia. que interagem na formação dos diferentes climas da Terra. no que tange a influência local nas tendências globais. Notaram que a região Sudeste da América do Sul experimentou um aumento na intensidade e frequência de dias com chuva intensa. no Sudeste e Sul do Brasil. Contudo os estudos de variabilidade climática local.Recife-PE. 2003). A grande diferenciação que o grau de umidade relativa do ar acarreta nas condições climáticas de um local é quanto à amplitude da temperatura diária. principalmente sobre a temperatura e umidade relativa do ar e precipitação são essenciais para se 339 . Marengo et al.

340 . deste que seu centro esteja no oceano. fatores que aumentam a cobertura de nuvens. alagamento. contribuição dos Vórtices Ciclônicos de altos níveis. caracterizado por possuir uma estaçãochuvosa que vai de janeiro a abril. a 07º01’04” Latitude Sul e a 37º16'40" Longitude Oeste de Greenwich. São José do Bonfim e Mãe d'Água. Segundo a classificação climática estabelecida por Köppen. o clima é do tipoAw' (Quente e úmido com chuvas de verão a outono). enxurradas e desmoronamento.Se realmente as flutuações forem significativas em âmbito local. MATERIAL E MÉTODOS O município de Patos localiza-se no Polígono das Secas. no centro do estado.27 a 29 de outubro de 2015. sendo o fenômeno La Niña o principal fator para ocorrência de chuvas acima da média histórica provocando inundações. com uma área equivalente a 416 2 km . leste com São Mamede. na Microrregião da Depressão do Alto Piranhas. a umidade relativa do ar e provocam chuvas de intensidade moderada a fraca em quase todos os meses do ano. e. na produção agrícola e agropecuária). a umaaltitude de 240 m. oeste. enchentes. está situado na zona fisiográfica do Sertão Paraibano. 2. Dadas às informações climatológicas e dinâmicas do nordeste brasileiro. compreender os impactos que estas variações podem trazer para a população em geral. essas mudanças poderão causar impactos socioeconômicos (por exemplo. com precipitações máximas nos meses de janeiro. às contribuições dos efeitos locais. impactos ambientais (mudanças nos ecossistemas) e impactos sociais (proliferação de vetores de doenças). Limita-se ao norte com São José do Espinharas e São Mamede.Recife-PE. quando da sua atividade mais ao sul do equador. A precipitação média está em torno dos 800 mm. tem seu clima controlado pela variabilidade espacial e temporal da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). com Malta e Santa Teresinha (Figura 1). o município. sul com Cacimba de Areia. Quixaba e Cacimba de Areia. fevereiro emarço.

bem como a presença de "bajadas". elevações rochosas isolada. Verificase a ocorrência de inselbergues. e. Geomorfologicamente. disseminadas sobre a superfície pediplanada. noroeste nos serrotes Campo Alegre. constitui-se numa extensa superfície suavemente ondulada e. Figura 1.27 a 29 de outubro de 2015. do Caboclo e do Tamanduá. a oeste nos serrotes Pitombeiras. em certos trechos. Do ponto de vista geológico. os quais se encontram geralmente associados aos micaxistos e granitos. com declividade média à baixa. serra do Boqueirão. o município de estudo é caracterizado pela presença de gnaisses e migmatitos. ao sul nos serrotes de Espinho Branco e Forquilha. e. O seu relevo é predominantemente ondulado à suavemente ondulado. ondulada. centro-oeste no serrote Serra Negra.Recife-PE. circundada por elevações periféricas do Planalto da Borborema. 341 . Nestas áreas a declividade é média à elevada. com exceção de áreas ao norte onde se localiza a serra de Carnaúba. A topografia dos terrenos do município de Patos revela cotas situadas entre 240 metrosa 580 metros. incluindo diques de quartzo. Trapiá. Localização do Município de Patos em relação ao Estado da Paraíba.

Figura 2. METODOLOGIA Para se compreender a variabilidade climática existente no município de Patos – PB.Recife-PE. foi utilizado dado do período de 1991– 2010 por conterem 342 . De acordo com o Mapa Exploratório de Reconhecimento de Solos. domina a associação de bruno não cálcico fase pedregosa e solos litólicos eutróficos com fraca textura arenosa e/ou média fase pedregosa e rochosa. trabalhou-se com a série meteorológica de temperatura máxima do ar. Mapa Geológico. substrato gnaise e granito. umidade relativa do ar e precipitação total mensal e anual.27 a 29 de outubro de 2015.

8 36. Parâmetros/meses Temperatura máxima absoluta Média máxima absoluta Temperatura mínima Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual 36. Pode-se afirmar que a estação já se encontra sendo ilhada pela urbanização vertical e pela falta de área verde. Temperatura do ar máxima absoluta.Temperatura média máxima absoluta. os dados são aferidos dentro de abrigos meteorológicos (SANT´ANNA NETO.5 36.5 32. As séries da temperatura utilizadas foram relativamente homogêneas. devido à influência da continentalidade e da média altitude.8 20. Tabela 1.9 32.Temperatura mínima absoluta e Temperatura média mínima mensal e anual em Patos-PB.6 37.7 34.5 343 .4 19.0 37. A temperatura é a medida.7 20.7 33.9 35.9 34. TOMMASELLI. As estatísticas utilizadas foram as bases para se gerar médias.Recife-PE.2 19.27 a 29 de outubro de 2015. em graus Celsius. observar na Tabela 1.2 33. Nas plotagens dos dados e na elaboração dos gráficos utilizou-sedo software Microsoft Office Excel.1 34.9 18.5 36.0 36. No que se refere às temperaturas máximas absolutas e a média da máxima mensal e anual. portanto. pois a paisagem está praticamente diferentedas últimas décadas. Utilizou os dados observados nos horários sinóticos e aplicaram-sealgumas estatísticas com a finalidade de obterem-se os resultados.9 19.2 34. do aquecimento do ar pelos raios solares.3 17.7 36. 3. os dadosforam adquiridosda Estação Meteorológica de Patos localizada na latitude 07º01’ de latitude Sul e 37º16’ de longitude Oeste a uma altitude de 240m acima do nível médio do mar.9 32.3 ºC (junho) a 36. FONTE: INMET. máximos e mínimos valores absolutos para as séries de dados disponível para a área de estudo. 2009).0 34. que a temperatura média máxima flutua entre 32.5 33.4 35.8 18. desvio padrão.9 34.3 18. Mede-se a temperatura do ar e não aquela exposta ao sol. já registrada em Patos.9 33. menores falhas e boas consistências. umidade e precipitação foram disponibilizados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).4 20. RESULTADOS E DISCUSSÃO Patos – PB.0 36.2 ºC.2 20.9 37. e outros municípios paraibanos apresentam elevadas temperaturas médias anuais. coeficientes de variâncias.0 20.4 36.6 ºC (novembro) com uma taxa anual de 34. Os dados de temperatura.3 18. (1994-2012).

8 21. 1998 (março 37 ºC).9 22. 37ºC).6 20.9 Na Figura 2. (a) 344 .6 22.3 22.0 20.8 21.Ao longo do período analisado ocorre uma tendência de aumento nas temperaturas máximas anuais.4 22.0 22. a variabilidade da temperatura máxima e mínima absolutas é as que apresentam maiores flutuações.6 ºC. e no ano de 1994 no mês de março com 31. absoluta Média mínima absoluta 22.27 a 29 de outubro de 2015.3 22.1 ºC e em janeiro de 1995 com 30.6 21.Recife-PE. Ressalta-se que tanto na flutuação das temperaturas máximas absolutas como nas mínimas absolutas as oscilações foram maiores no mês de março. 1998 (fevereiro 37 ºC).4 21. com destaque para os anos de 1997 (dezembro.

julho e agosto. 1995. fevereiro e março ocorrem as mais altas temperaturas. A linha de tendência mostra umincremento na flutuabilidade das temperaturas máximas observadas dos anos estudado. 1999. 2010 e 2012 ocorreram temperaturas mais elevadas que a normalidade e os anos de 1994. A umidade relativa do ar é a relação entre a quantidade de água existente no ar (umidade absoluta) e a quantidade máxima que poderia haver. média da máxima.Recife-PE. 345 . na mesma temperatura (ponto de saturação).27 a 29 de outubro de 2015. 2003. as menores flutuações forma registradas nos mesesjunho. Temperatura do ar máxima absoluta. Analisando-se as médias das máximas e mínimas das temperaturas máximas ver-se que no mês de dezembro. A Figura 3demonstra a variabilidade da temperatura do ar máxima anual e sua tendência linear para o município de Patos – PBno período de 1994-2012. Observando a Figura nota-se que os anos de 1998. 2008 e 2011registraram-setemperatura máxima abaixo da normalidade. temperatura mínima absoluta e média da mínima (a) temperatura máxima anual e linear em Patos – PB (1994-2012) (b). estas oscilações podemestar relacionadas aos fenômenos de larga escala El Niño e La Niña e aos efeitos locais. (b) Figura 3.

a umidade relativa do ar média mínima oscila entre 43.2 75. A média da umidade relativa mínima varia entre aproximadamente 25 a 75%. em parte.0 68. Pode-se afirmar.3 57.2 44.4%. uma seca e outra chuvosa. No período de registro (1994 – 2012). observado na Tabela 2.3 43. nos anos em estudo.7% em abril com uma média anual de 69.2009. portanto.PB.8 73.9 49. Tabela 2.Esse fenômeno pode estar relacionado com o aumento da temperatura média nas últimas décadas.2 43.5 51. os quais possuem apenas duas estações.4 47.8 82.2 47.5 85. O que. 2008.7 49. Apesar da clara divisão da umidade relativa do ar em dois períodos bem distintos: um seco (agosto a dezembro) e um período úmido (janeiro a julho)observam-se na série que ocorreu uma elevação da umidade relativa. Com destaque os anos de 1994.0 49.6 48.Umidade relativa do ar máximo e mínima absoluta e sua médiahistórica mensal e anual no município de Patos .2% no mês de setembro a 44.2 63.6 64.6 Umidade relativa mínima absoluta 48.2%. pode ser explicada pelo aumento da temperatura.8%. e os anos de 1998 e 1999 como valores de umidade relativa do ar próximodos 50% sendo considerado de baixa umidade.4 48. no período de 1994 a 2012.1% no mês de dezembro com uma taxa anual de 47.5 52. 2006.2007.4 A Figura 4 Demonstra a variabilidade da umidade relativa do ar máxima anual e sua tendência linear para o município de Patos.1 43. Parâmetros/meses Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual Umidade relativa máxima absoluta 74.2 69.7 69. As oscilações das médias máximas fluem entre 55.3 68.4 57. Ao analisar a umidade relativa do ar máximo e mínima absoluta e suas médias máximas e mínimas mensais e anuaisno município de Patos .6 65. A umidade relativa do ar apresenta-se com grandes oscilações diárias e mensais.8 Média histórica 59.4% no mês de outubro a 85.6 49. 2005.Recife-PE.2 51.8 63.PB.Na média mínima destacamos o ano de 1998 no mês de dezembro com 43.6 58.27 a 29 de outubro de 2015.8 48. que essa normalidade da variabilidade climática é típica da área semiárida. observou três anos que se considera como úmido(2008.6 54.1 55. A 346 . 2010 e 2011 com maiores taxas de umidade relativa do ar e os anos de 1998 e 1999 como os de menores taxas de referido parâmetro em estudo.5 65. no período de 1994 a 2012. 2009 e 2011) com taxas de umidade relativa maiores que 65%. conforme os padrões das regiões de transições entre semiárido e úmido e por outro lado devido à faixa de transição de telecomunicação com a Amazônia.7 79.0 58. no decorrer do ano.

Recife-PE.27 a 29 de outubro de 2015. (a) 347 . linha de tendência nos mostra aumentos significativos para os índices de umidade relativa do ar no período estudado.

2010 e 2012com índices pluviométricos abaixo da normalidadejá os anos de 1994. O total pluviométrico mensal é a soma total das chuvas ocorridas no decorrer de um mês.27 a 29 de outubro de 2015. média e mínima anual em Patos – PB no período de 1994 a 12012. Umidade relativa do ar máxima. 1997. No período de 1994 a 2012 choveu emPatos – PB826. 1999. A linha de tendência mostra aumentos não muitos significativos nos índices pluviométricos para o período em estudo Esse fato pode estar relacionado com o aumento da temperatura do ar que vem ocorrendo nas últimas décadas. 2003. 2002. 2004. em milímetros. (b). 2006. 2008 e 2009 ocorreram chuvas acima da normalidade. 2000. Essa estação chuvosa (janeiro a junho) é responsável por aproximadamente 89.Umidade relativa do ar anual e linear (a). 348 . Na Figura 5a é possível observar que os totais pluviométricos anuais têm uma distribuição espaço temporaiscom irregularidade onde se destacaos anosde 1995.48% das chuvas no município. Esta variabilidade vai depender dos sistemas meteorológicos atuante na atmosfera. (b) Figura 4. 2007. 2001.1mm/anoem média de forma irregular.Recife-PE. Pode-se considerar a existência de duas estações: uma chuvosa e uma seca. o que podem acarretar em chuvas acima ou abaixo da normalidade. 1998.

mínima absoluta e da média climatológica do período de 1994 a 2012. as mesmas flutuações são observadas neste período de tempo o que coincidem com a inicialização das chuvas de pré-estação e sua caracterização.Recife-PE. nos meses de agosto a outubro a variabilidade dos índices pluviométricos máximos.os maiores valores máximos de precipitações registrados ocorrem entre os meses de dezembro a maio.27 a 29 de outubro de 2015. mínimos e médios são insignificantes para a agricultura e represamento de água. Na Figura 5b observa-se a oscilação da precipitação máxima absoluta. (a) 349 .

para á área da bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto e para o município de Lagoa do Portinho. na umidade relativa do ar e na precipitação. A temperatura do ar máximaanual demonstrou grande variação entre o período estudado. CONCLUSÕES O estudo procedeu àvariabilidade e a caracterização da análise da evolução de três elementos climáticos. integrado às informações disponíveis no posto meteorológico do INMET. apontando para uma tendência a condições mais quentes e chuvosas. Totais pluviométricos anuais em Patos . indicam possíveis variações climáticas na temperatura do ar. média da máxima.27 a 29 de outubro de 2015. Resultado idêntico às analise destes trabalhos foram encontrados por Medeiros. umidade relativa do ar e precipitação pluvial no município de Patos. (b) Figura 5. Piauí 4.Recife-PE.PB período de 1994-2010 (a). mínima da máxima e média mínima máxima anual em Patos .PB no período de 1994 a 2010. a temperatura máxima absoluta foi incremento de 7% e a temperatura mínima absoluta sofreu uma 350 . Os resultados apresentados. 2013 e 2014. Precipitação máxima. temperatura do ar.

p. 37-68. 123 f. Clirnate ImpactAssessment. REFERÊNCIAS Ayoade. redução de 10%.. nos últimos anos vem ocorrendo um aumento gradativo nestes valores. 1985. urbanismo. Distribuição espacial da precipitação e sua variação na bacia hidrográfica doAlto Tietê. 351 . Esse índice pode estar relacionado com o aumento da temperatura e consequentemente com uma maior evaporação das águas. Rio de Janeiro: BertrandBrasil. ed. S. In: KATES.Recife-PE. Climatic variabilityand change. 7. com possibilidades de ocorrências de incêndios acima a normalidade. K. Gomes. 1984. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE. que faz com que se tenha uma maior evaporação e consequentemente uma maior precipitação. pode-se afirmar que ela vai influenciar mais ainda no cotidiano das pessoas. Disponível em: <http://www. 2012. Dissertação (Mestrado em Meteorologia) . 13.ibge. O. problemas no conforto térmico e até mesmo maior incidência de proliferação de doenças e pregas na agricultura e no ser humano. 1984. Introdução à climatologia para os trópicos.inmet. Acesso em: ago. Sendo a umidade relativa do ar proporcionalmente inversa à temperatura. INMET. A precipitação total anualvem-se demonstrando um aumento gradativo nos seus índices nos últimos anos.Não se trata de um índice significativo. com agravamento dos problemas respiratórios. 5. R. A.. Manual de conforto térmico: arquitetura.br>. 2003. 2012. B. 2010. esse aumento pode estar relacionado com o aumento da temperatura. (Scope). John Willey & Sons Ltd. M. ela é fator delimitante para ocorrência de chuvas com mais intensidades.São Paulo: Studio Nobel. Disponível em:<http://www. ed. Acesso em: ago. Hare. INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA. A. J. R. nos meses secos já atingiram níveis críticos abaixo de 20%. Salienta-se que a umidade relativa do ar. et al. uns períodos secos mais secos e mais acentuados.br/portal/>.Universidade de SãoPaulo.gov. W.portanto. porém deve-se ficar alerta.27 a 29 de outubro de 2015. F. Schiffer.gov. Frota. pois essasreduções podem vim a causar vários problemas socioeconômico tais como: influência na perda de plantações.

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