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AÇÃO PENAL - CONTINUAÇÃO

Condições da ação

Genéricas: são aquelas exigidas para todas as ações penais.

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Legitimidade de parte (legitimidade ad causam ) : refere-se a

quem pode figurar no pólo ativo e no pólo passivo da ação.

Legitimidade ativa:

MP, nos crimes de ação pública; e ofendido e CADI, nos crimes

de ação privada.

Legitimidade passiva:

pessoa física que completou 18 anos e pessoa jurídica, no crime ambiental.

Interesse de agir : geralmente vincula-se à necessidade e à adequação do provimento jurisdicional (necessidade da ação penal para a pretensão punitiva do Estado, pelo meio processual adequado.

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Possibilidade jurídica do pedido e da causa de pedir :

o

pedido da denúncia e

condenação.

da queixa é sempre o

mesmo: a

O pedido será juridicamente possível quando a inicial descrever um fato penalmente típico.

Efeito da falta de condições da ação:

para o processo civil, a falta das condições da ação significa a

carência da ação. Para o processo penal, contudo, a carência

da ação demanda a rejeição da denúncia ou da queixa

Condições da ação

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Específicas (ou de procedibilidade): são aquelas exigidas

apenas para alguns tipos de ação penal.

Representação do ofendido;

Requisição do Ministro da Justiça ;

Entrada do agente no território nacional (art . 7º, § 2º, a , do CP) .

Ação Penal Pública

O art. 129, I, da CF/88 estabelece que o exercício da ação penal pública é privativo do MP.

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Princípios

Obrigatoriedade ou legalidade (art . 24 do CPP) : uma vez preenchidos os requisitos legais, o MP tem o dever de ingressar com a ação penal.

Este princípio é absoluto ou relativo?

É relativo, Ex.: no JECrim (Lei nº 9.099/95), vige o Princípio da Discricionariedade Regrada, constante no art. 76.

Indisponibilidade ou indesistibilidade (arts. 42 e 576 do CPP) : é vedado ao MP desistir da ação ajuizada e do recurso interposto. Exceção: suspensão condicional do processo (89, 9.099/95).

Ação Penal Pública

O art. 129, I, da CF/88 estabelece que o exercício da ação penal pública é privativo do MP.

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Princípios

Oficialidade (art . 129, I, da CF/88) : o órgão encarregado de exercer a ação pública pertence ao Estado. Intranscendentalidade ou Intranscendência : a ação só pode ser ajuizada em razão dos supostos sujeitos ativos do fato. A ação penal não transcende a pessoa do acusado.

Indivisibilidade: sendo o exercício da ação pública um dever legal, não é dado ao MP escolher a quem processar. Estando preenchidos os requisitos legais, a ação deverá ser ajuizada em face de todos os agentes.

Ação Penal Pública condicionada à Representação

Aspectos formais da representação

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Verbal ou escrita; Pessoal ou por procurador com poderes especiais;

Caráter não vinculatório: MP não é obrigado a denunciar.

É possível a retratação até o oferecimento da denúncia;

É possível também a retratação da retratação (mudar de idéia

mais de uma vez), desde que antes do oferecimento da denúncia, e dentro do prazo decadencial de 06 meses, que corre desde o conhecimento da autoria delitiva.

Tomar cuidado com a Lei Maria da Penha (art. 16 da Lei nº

11.340/06): para que a retratação da representação produza efeitos, ela deve ser confirmada em juízo.

Denúncia

Requisitos (art. 41 do CPP e art . 319 do NCPC)

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Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou

esclarecimentos pelos quais se possa identificá - lo, a classificação do

crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

Art. 319. A petição inicial indicará : I - o juízo a que é dirigida ; II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a

profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no

Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu ; III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido ; IV - o pedido com as suas

especificações; V - o valor da causa ; VI - as provas com que o autor

pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados ; VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.

Denúncia

Requisitos (art . 41 do CPP e art . 319 do NCPC)

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Exposição do fato criminoso e de suas circunstâncias ;

Delimitação dos limites da cognição judicial ;

limites da cognição judicial e qual fato poderá ser julgado pelo juiz.

Parâmetro para o exercício do direito de defesa ; A acusação deve ser clara, apreensiva e concreta, sob pena de rejeição da denúncia por inépcia (art. 395, I, do CPP).

Grupo das circunstâncias que o juiz só pode reconhecer se estiverem descritas na denúncia: Qualificadoras; Causas de aumento; e Agravantes objetivas.

Grupo o juiz pode reconhecer: Crime tentado; Crime culposo; e Concurso de pessoas.

Denúncia

Requisitos (art . 41 do CPP e art . 319 do NCPC)

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Qualificação do acusado ou elementos que o identifiquem

A denúncia deve individualizar os fatos criminosos às pessoas.

Deve haver uma indicação clara sobre quem pesa a acusação.

O art. 259 do CPP dispõe que os dados do acusado podem

ser retificados a qualquer tempo.

Qualificação jurídica do fato

É a tipificação do ato. É extremamente importante, pois a

tipificação determina a competência, o rito, dentre outros.

A qualificação jurídica corresponde à tipificação provisória. A tipificação definitiva virá com a sentença.

Denúncia

Requisitos (art . 41 do CPP e art . 319 do NCPC)

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Rol de testemunhas (se houver) .

Há acusações sem que haja nenhuma testemunha. Isso é difícil, mas não é impossível. O momento adequado para a acusação arrolar testemunhas é a denúncia/queixa.

Ordinário: 8 testemunhas/ Sumário: 5 testemunhas/

Sumaríssimo: 3 testemunhas

Prazo para o oferecimento

O prazo da denúncia encontra-se no art. 46 do CPP.

Réu solto 15 dias prazo penal;

Réu preso 5 dias prazo processual.

Denúncia

Requisitos (art . 41 do CPP e art . 319 do NCPC)

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Consequências da não observância do prazo:

- Relaxamento da prisão;

- Início do prazo para oferecimento da ação penal privada subsidiária;
-

Caracterização

de

falta

funcional,

atraso

for

se

o

injustificado.

Causas Extintivas da Punibilidade

Decadência;

Renúncia;

Perempção;

Perdão aceito.

Causas Extintivas da Punibilidade

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A decadência e a renúncia aplicam-se aos crimes de ação penal privada, bem como aos crimes de ação penal pública condicionada.

Elas ocorrem antes da ação penal, ou seja, antes que ação

penal seja iniciada.

A perempção e o perdão aceito, por sua vez, aplicam-se somente à ação penal privada, salvo a APPriv Subsidiária da Pública.

o

Eles ocorrem durante recebimento da queixa.

ação

penal,

a

seja,

após

ou

Causas Extintivas da Punibilidade

Renúncia

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É a manifestação de vontade em que o titular da queixa ou representação abre mão do exercício destes direitos (abdicar, renunciar).

Expressa: é aquela feita por escrito;

Tácita: é aquela que decorre de ato incompatível com a vontade de processar o agente. Ela pode ser comprovada por

qualquer meio de prova admitido em Direito.

O recebimento de indenização configura renúncia tácita?

Não. Exceção ocorre no âmbito do JECrim (art. 74, parágrafo

único, da Lei nº 9.099/95), a chamada composição civil

extintiva da punibilidade.

Causas Extintivas da Punibilidade

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Decadência

É a causa extintiva da punibilidade que se verifica com o

decurso do prazo para o exercício da queixa ou

representação, sem que o titular destes direitos os exerçam.

Em regra o prazo decadencial é de 06 meses.

O termo inicial do prazo decadencial é o conhecimento da autoria delitiva.

Causas Extintivas da Punibilidade

Perempção (art. 60 do CPP)

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A perempção corre nos casos da desídia do querelante, ou também de um desinteresse na condenação.

Casos de perempção:

O querelante deixa de dar andamento à ação penal por mais de 30 dias (inciso I);

O querelante deixa de comparecer a um ato processual no qual a sua presença seja necessária (inciso III);

O querelante morre ou se torna incapaz, e o CADI não retoma a ação pelo prazo de 60 dias (inciso II);

O querelante deixa de pedir a condenação nas alegações finais

(inciso III);

O querelante, pessoa jurídica, extingue-se sem deixar sucessor (inciso IV).

Causas Extintivas da Punibilidade

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Perdão aceito

O perdão gera a extinção da punibilidade apenas com a aceitação do querelado.

Trata-se, portanto, de ato bilateral porque, neste caso, a ação penal já está em curso.

Portanto, há um legítimo interesse do querelado de provar a sua inocência. Se o querelado não aceita o perdão, o processo continua correndo: não há extinção da punibilidade.

COMPETÊNCIA

Competência

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A competência é a medida e o limite da jurisdição, dentro dos

quais o órgão judicial poderá dizer o direito.

É a delimitação do poder jurisdicional (fixa os limites dentro dos quais o juiz pode prestar jurisdição).

Aponta quais os casos que podem ser julgados pelo órgão do Poder Judiciário. É, portanto, uma verdadeira medida da extensão do poder de julgar.

Espécies de competência

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Material (absoluta):

a) ratione materiae

b) ratione personae

c) ratione loci (relativa)

Funcional - objeto do juízo (absoluta):

- em razão da fase do processo

- primeira ou segunda instância ou tribunal superior

- conselho de sentença ou juiz presidente (Júri)

Espécies de competência

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A doutrina tradicionalmente distribui a competência material

considerando três aspectos diferentes:

a) ratione materiae: estabelecida em razão da natureza do crime praticado;

b) ratione personae: de acordo com a qualidade das pessoas

incriminadas;

c) ratione loci: de acordo com o local em que foi praticado ou consumou-se o crime, ou o local da residência do seu autor.

Como saber qual o juízo competente?

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Em primeiro lugar, cumpre determinar qual o juízo competente em razão da matéria, isto é, em razão da natureza da

infração penal.

Para a fixação dessa competência ratione materiae importa verificar se o julgamento compete à jurisdição comum ou

especial (subdividida em eleitoral, militar e política).

Ao

lado

dessas

jurisdições

especiais

(típicas

ou

não),

a

Constituição prevê a jurisdição comum estadual ou federal.

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a) à justiça federal (art. 109, IV) compete processar e julgar os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento

de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas (Sociedade de Economia Mista? Ver Súmula 42 STJ), excluídas as contravenções

penais de qualquer natureza.

(que sempre serão da competência da justiça estadual, nos exatos termos da Súmula 38 do STJ: “compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o

processo por contravenção penal, ainda que praticada em

detrimento de bens, serviços ou interesses da União ou de suas entidades”);

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b) à justiça comum estadual compete tudo o que não for de competência das jurisdições especiais e federal (competência

residual).

Finalmente, no que diz respeito aos crimes dolosos contra a vida, e outros a que o legislador infraconstitucional

posteriormente vier a fazer expressa referência, a competência para o julgamento será do tribunal do Júri, da jurisdição comum estadual ou federal, dependendo do caso (art. 5º, XXXVIII, d).

Fixada a competência em razão da matéria, cumpre verificar

o grau do órgão jurisdicional competente, ou seja, se o órgão

incumbido do julgamento é juiz, tribunal ou tribunal superior.

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Essa delimitação de competência é feita pela Constituição Federal, de acordo com a prerrogativa de função, que é a chamada competência ratione personae .

A competência ratione personae está assim distribuída:

a) Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, b e c);

b) Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, a);

c) Tribunais Regionais Federais (art. 108, I, a);

d) Tribunal de Justiça

O foro por prerrogativa de função assim se apresenta:

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Presidente da República - crime comum STF

Presidente da República - crime de responsabilidade - Senado Federal

Vice-Presidente crime - comum STF

Vice-Presidente - crime de responsabilidade - Senado Federal

Deputados federais e senadores - crime comum STF

Deputados federais e senadores - crime de responsabilidade - Casa

correspondente

Ministros do STF - crime comum STF

Ministros do STF - crime de responsabilidade - Senado Federal

Procurador-Geral da República - crime comum STF

Procurador-Geral da República - crime de responsabilidade - Senado Federal

Ministros de Estado - crime comum e de responsabilidade STF

Ministros de Estado - crime de responsabilidade conexo com o do Presidente da República - Senado Federal

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Ministros de Tribunais Superiores (STJ, TSE, STM e TST) e diplomatas - crime comum e de responsabilidade STF

Governador de Estado - crime comum ou eleitoral STJ

Governador de Estado - crime de responsabilidade - depende da Constituição Estadual

Desembargadores - crime comum e de responsabilidade STJ

Procurador-Geral de Justiça - crime comum TJ

Procurador-Geral de Justiça - crime de responsabilidade Poder Legislativo Estadual

Membros do Ministério Público e juízes estaduais - crime comum, de

responsabilidade e doloso contra a vida - TJ

Membros do Ministério Público e juízes estaduais - crime eleitoral TRE

Membros do Ministério Público e juízes federais - crime comum, de responsabilidade e doloso contra a vida TRF

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Membros do Ministério Público e juízes federais - crime eleitoral TRE

Deputados estaduais - crime comum TJ

Deputados estaduais - crime doloso contra a vida - Tribunal do Júri

Deputados estaduais - crime de responsabilidade - Poder Legislativo Estadual

Prefeitos municipais - crime comum e doloso contra a vida TJ

Prefeitos municipais - crime federal TRF

Prefeitos municipais - crime eleitoral TRE

Prefeitos municipais - crime de responsabilidade - Poder Legislativo Municipal

Outros critérios para se saber qual o juiz competente

Os autores Grinover, Scarance e Magalhães (As nulidades no processo penal, cit., p. 40) apontam o caminho.

Devem ser formuladas as seguintes indagações:

Qual a jurisdição competente?

Justiça comum ou justiça especial?

Qual o órgão jurisdicional hierarquicamente competente?

O acusado tem foro por prerrogativa de função?

Qual o foro territorialmente competente?

Competência ratione loci (lugar da infração ou domicílio do réu?).

Qual o juízo competente?

Qual a vara competente, de acordo com a natureza da infração penal?

Vara comum ou vara do Júri?

É a chamada competência de juízo.

Qual o juiz competente? (competência interna).

Qual o órgão competente para julgar o recurso?

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Competência absoluta e relativa

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Nos casos de competência ratione materiae e personae e competência funcional, cumpre observar que é o interesse público que dita a distribuição de competência.

Assim, por exemplo, no caso da jurisdição comum e especial, dos juízes superiores e inferiores (competência originária e competência recursal) e segundo a natureza

da infração penal, a competência é fixada muito mais por imposição de ordem

pública do que no interesse de uma das partes.

Trata-se, aí, de competência absoluta, que não pode ser prorrogada nem modificada pelas partes, sob pena de implicar nulidade absoluta.

Ratione loci

 

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Delito plurilocal art . 70 CPP TEORIA DO RESULTADO

 

Ex. estelionato e cheque sem fundo (S. 244 STJ)

Crime tentado?

 

R.: local do último ato de execução.

 

Ação

do

homicídio

em

Uberlândia,

consumação

em

Franca,

qual

o

juízo

competente?

 

STF TEORIA DA ATIVIDADE

 

Crime à distância, de espaço máximo : Art . 6 º CP TEORIA DA UBIQUIDADE

 

Ex. Antrax Carta de São Paulo para Nova Iorque.

 

Infração de menor potencial ofensivo art . 63 Lei n . 9099 /95 TEORIA DA ATIVIDADE

Competência absoluta e relativa

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No caso de competência de foro (territorial), porém, o legislador pensa preponderantemente no interesse de uma das partes.

Costuma-se falar, nesses casos, em competência relativa, prorrogável, capaz de gerar, no máximo, se comprovado prejuízo, nulidade relativa.

A prorrogação de competência consiste na possibilidade de substituição da competência de um juízo por outro, sem gerar vício processual.

Como já se disse, a competência inderrogável é chamada de absoluta. Ao

contrário, quando a lei possibilitar às partes que se submetam a juiz originariamente incompetente, a competência é tida como relativa.

A competência territorial é relativa; não alegada no momento oportuno, ocorre a

preclusão. Por conseguinte, é prorrogável (STF, Tribunal Pleno, HC-AgR 88.759/ES, rel. Min. Ellen Gracie, j. 31-3-2008).

Prorrogação de competência necessária e voluntária

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A necessária ocorre nas hipóteses de conexão e continência (arts. 76

e 77).

A voluntária ocorre nos casos de competência territorial, quando

não alegada no momento processual oportuno (art. 108), ou no caso

de ação penal exclusivamente privada, onde o querelante pode optar pelo foro do domicílio do réu, em vez do foro do local da infração (art. 73).

Competência “ratione materiae” na Constituição Federal

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a) Jurisdições especiais: justiça do trabalho (arts. 111 a 116), justiça eleitoral (arts. 118 a 121), justiça militar (arts. 122 a 124) e a

chamada jurisdição política, no caso de crimes de responsabilidade

praticados por certas autoridades (julgamento pelo Poder Legislativo).

Obs.: A proibição da existência de tribunais de exceção não

abrange a justiça especializada, na medida em que esta representa

divisão da atividade jurisdicional do Estado. Este é o entendimento de Celso Bastos e Ives Gandra (Comentários à Constituição do Brasil, Saraiva, p. 204-5).

b) Jurisdição comum ou ordinária: justiça dos Estados (arts. 125 e 126), Justiça Federal (arts. 106 a 110).

Competência por distribuição

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Havendo mais

de

um juiz

competente no foro do processo,

a

competência será determinada pelo critério da distribuição.

Nesse caso, existem dois ou mais juízes igualmente competentes, por qualquer dos critérios, para o julgamento da causa.

A distribuição de inquérito policial e a decretação de prisão

preventiva, a concessão de fiança ou a determinação de qualquer diligência (p. ex.: busca e apreensão), antes mesmo da distribuição do inquérito, tornam o juízo competente para a futura ação penal.

Competência por conexão

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Conexão é o vínculo, o liame, o nexo que se estabelece entre dois ou mais fatos, que os torna entrelaçados por algum motivo, sugerindo a sua reunião no mesmo processo, a fim de que sejam julgados pelo mesmo juiz, diante do mesmo compêndio probatório e com isso se evitem decisões contraditórias.

São efeitos da conexão: a reunião de ações penais em um mesmo processo e a prorrogação de competência.

Espécies de conexão

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a) Intersubjetiva, que se subdivide em:

Conexão intersubjetiva por simultaneidade (CPP, art. 76, I, primeira parte): quando duas ou mais infrações são praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, sem que exista liame subjetivo entre elas, ou seja, sem que estejam atuando em concurso de agentes. É o caso da autoria colateral.

Por exemplo: ao final do jogo entre Corinthians e Portuguesa, em setembro de 1980, após o árbitro ter apitado um pênalti contra o Corinthians, seus torcedores, impulsivamente, sem ajuste prévio e de inopino, começaram a destruir todo o estádio do Pacaembu. O ideal é que o mesmo juiz julgue todos os infratores.

Conexão intersubjetiva concursal ou por concurso (CPP, art. 76, I, segunda parte): quando duas ou mais infrações são praticadas por várias pessoas em concurso, embora diversos o tempo e o lugar.

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Nesse caso, os agentes estão unidos pela identidade de propósitos, resultando os crimes de um acerto de vontades visando ao mesmo fim.

Ao contrário da primeira hipótese, não há reunião ocasional, mas um vínculo subjetivo unindo todos os agentes.

É o caso, por exemplo, das grandes quadrilhas de sequestradores, em que um executa o sequestro, outro vigia o local, um terceiro planeja a ação, outro negocia o resgate e assim por diante. Todos devem ser julgados pelo mesmo juiz.

Conexão intersubjetiva por reciprocidade (CPP, art. 76, I, parte final):

quando duas ou mais infrações são praticadas por várias pessoas, umas

contra as outras.

É o caso das lesões corporais recíprocas, em que dois grupos rivais bem identificados se agridem. Os fatos são conexos e devem ser reunidos em um mesmo processo.

b) Conexão objetiva, lógica ou material : a infração é praticada para facilitar a execução de outra ( teleológica ) ou para ocultar, garantir vantagem ou impunidade a outra ( consequencial ).

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No primeiro caso, tomemos como exemplo o traficante que mata policial para garantir a venda de entorpecentes a seus clientes. Outro exemplo é o do agente que falsifica cartão de crédito e com ele pratica inúmeros estelionatos (não há absorção porque o crime-meio não se exauriu no crime-fim, já que o documento falsificado continuou sendo usado após o primeiro golpe).

Na hipótese da conexão consequencial, o sujeito, após matar a esposa, incinera o cadáver, ocultando as cinzas, ou mata a empregada, testemunha ocular do homicídio (garantindo sua impunidade).

c) Instrumental ou probatória : quando a prova de uma infração influir na

outra.

A questão, aqui, é de exclusiva conveniência da apuração da verdade real.

Competência por continência

Na continência não é possível a cisão em processos diferentes, porque uma causa está contida na outra.

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Hipóteses de continência:

a) Quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração (CPP,

art. 77, I): nesse caso, existe um único crime (e não vários), cometido por dois ou mais agentes em concurso, isto é, em coautoria ou em participação, nos termos do art. 29, caput, do CP.

Aqui o vínculo se estabelece entre os agentes e não entre as infrações.

É o caso da rixa (crime plurissubjetivo de condutas contrapostas), em que se torna conveniente o simultaneus processus entre todos os acusados.

Há um crime praticado, necessariamente, por três ou mais agentes em

concurso.

b) No caso de concurso formal (CP, art. 70), aberratio ictus (CP, art. 73) e aberratio delicti (CP, art. 74):

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aqui, existe pluralidade de infrações, mas unidade de conduta.

No concurso formal, o sujeito pratica uma única conduta, dando causa a dois ou mais resultados. Por exemplo: motorista imprudente, dirigindo perigosamente (única conduta), perde o controle e atropela nove pedestres, matando-os (nove homicídios culposos).

Na aberratio ictus, o sujeito erra na execução e atinge pessoa diversa da pretendida ou, ainda, atinge quem pretendia e, além dele, terceiro inocente.

Na aberratio delicti, o sujeito quer praticar um crime, mas, por erro na execução, realiza outro, ou, ainda, realiza o crime pretendido e o não querido. Exemplo: irritado com o preço elevado de um terno, o sujeito

joga uma pedra na vitrine, para produzir um dano na loja; quebra o vidro

e, por erro, fere a vendedora (dano e lesão corporal culposa).

As causas são continentes e devem ser julgadas pelo mesmo juiz.

Competência por prevenção

Prevenção significa prevenir, antecipar. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que houver dois ou mais juízes igualmente competentes, em todos os critérios, para o julgamento da causa.

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Surge como uma solução para determinar qual o juízo competente.

Trata-se de uma prefixação da competência, que ocorre quando o juiz toma conhecimento da prática de uma infração penal antes de qualquer outro igualmente competente, sendo necessário que determine alguma medida ou pratique algum ato no processo ou inquérito.

Exemplos de prevenção: decretação da prisão preventiva, concessão da fiança, pedido de explicações em juízo, diligência de busca e apreensão no processo dos crimes contra a propriedade imaterial, distribuição de inquérito policial para concessão ou denegação de pedido de liberdade provisória etc.

Casos em que não ocorre a prevenção: pedido de habeas corpus, remessa de

cópia de auto de prisão em flagrante, decisão do tribunal que anula processo etc.

A nulidade decorrente da não observância da regra da prevenção é relativa, considerando-se sanada, quando não alegada no momento oportuno, uma vez que não se vislumbra ofensa direta a princípio constitucional. (Súmula 706 do STF)

QUESTÕES

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- Crimes conexos JF e JEst ?

Súmula 122 STJ - Compete a justiça federal o processo e

julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, "a", do Código de Processo Penal. (Súmula 122, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 01/12/1994, DJ 07/12/1994 p. 33970)

- Crimes cometido por indígena?

Súmula 140 STJ - Compete a Justiça Comum Estadual processar e

julgar crime em que o indígena figure como autor ou vítima. (Súmula

140, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 18/05/1995, DJ 24/05/1995

p. 14853)

QUESTÕES

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- Funcionário Público federal e crime doloso contra a vida?

Art. 5º, XXXVIII, d) Tribunal do Júri (Federal ou Estadual)

- Crimes doloso contra a vida praticado por militar?

Ver art. 9º CPM

- acidente de trânsito com viatura militar?

Súmula 6 STJ - Compete a Justiça Comum Estadual processar e julgar delito decorrente de acidente de trânsito envolvendo viatura de polícia

militar, salvo se autor e vítima forem policiais militares em situação de atividade. (Súmula 6, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 07/06/1990, DJ

15/06/1990)

- abuso de autoridade praticado por militar?

Súmula 172 STJ - Compete a Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço. (Súmula 172, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 23/10/1996, DJ 31/10/1996)

SÚMULAS IMPORTANTES

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Súmula 208 STJ- Compete a Justiça Federal processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal. (Súmula 208, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 27/05/1998,

DJ 03/06/1998)

SÚMULA 703 STF - A extinção do mandato do prefeito não impede a instauração de processo pela prática dos crimes previstos no art. 1º do Dl.

201/67.

SÚMULA 704 STF Não viola as garantias do juiz natural, da ampla

defesa e do devido processo legal a atração por continência ou conexão do processo do co-réu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados.