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Temos aprendido que o Velho Testamento é um livro missionário, isto porque

como revelação de Deus, a Bíblia é um todo onde o Senhor revela-se a si
mesmo a todos os homens. Observamos que esta maravilhosa manifestação
de Deus aconteceu para que a sua glória fosse percebida por todos que
fazem parte de sua criação, assim, pudessem glorificá-lo. No seu processo
de revelação ao ser humano, Deus criou o homem, estabeleceu alianças
com o mesmo em diversos momentos da história, e ainda, escolheu um
homem para formar um povo através do mesmo, como propósito de
abençoar as famílias da terra.
Em meio ao processo divino de se fazer conhecer, e de fazer conhecida a
sua vontade ao ser humano e às nações da terra, Deus falou às nações por
meio dos profetas.
Em toda a história bíblica, os profetas sempre se apresentaram como
instrumentos levantados por Deus para a proclamação dos seus oráculos,
tanto ao povo formado por Ele, a nação de Israel, como também às outras
nações, especialmente as nações circunvizinhas de Israel.

I – ISAÍAS, O PROFETA MESSIÂNICO

Entre os profetas do Antigo Testamento, ninguém é mais missiológico no
conteúdo de sua profecia do que Isaías, filho de Amós, que profetizou nos
reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias.

Tal foi a influência profética de Isaías que ele ficou conhecido como “o
profeta messiânico, ou o profeta evangélico”. Isso porque maior parte de
sua profecia está relacionada com os ensinamentos da vinda do Messias
Cristo.

A profecia de Isaías tem sido aceita, do ponto de vista da ação profética
vétero-testamentária, como um dos pináculos missionários do VT. Isso se faz
notório pelo fato de que a mensagem profética de Isaías se apresenta de
modo mais específica no que diz respeito à ação universal de Deus e ao
chamado missionário de Israel.

A – AVISOS PARA AS NAÇÕES (Isaías 1 a 39)

Na primeira parte de sua profecia, Isaías é usado pelo Senhor para levar um
significativo alerta para as nações da época. Neste aviso, transmitido pelo
profeta, Deus se faz conhecer como sendo soberano sobre as nações.

4.22-23.22-23. tem sido melhor percebida como uma “figura corporativa’. Egito. fidelidade. 46.13-53. O sofrimento do servo para a salvação dos povos ( 52. B – AS CANÇÕES DO SERVO ( Isaías 40 a 53) O servo do Senhor – esta figura profética descrita por Isaías.4.6-7. O servo é chamado para revelar justiça às nações (42.5.42.18 encontramos a palavra profética de Isaías contra várias nações ( Babilônia.1) 2. 45.21.1-7. santidade. amor perfeição. 43. Estas profecias têm sido vistas como estritamente missionárias e encontramo-las resumidas nas duas canções do servo de Javé. soberania e unidade.1 até o capítulo 23.1.9-11) 5. evidenciando. 1. Etiopia. Filístia.6.12. Moabe. Deus escolheu um povo para cumprir sua missão no mundo ( 42. 46.9-11) 4. a ação soberana de Deus sobre as mesmas.6) 3.12) C – A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL ( Isaías 54 a 66) A ação poderosa do Senhor na restauração de Israel causará grande surpresa no mundo das nações. Arábia e Tiro). a qual pode ser entendida tanto coletivamente ( nação de Israel ) como individualmente ( o Messias Cristo). 40.Do capítulo 13. 49. em Isaías 42.1-7 e 49. . (41. O sevo é chamado para ser luz para as nações ( 42.10. A missão de Deus é fazer conhecido todo o seu esplendor.43. 45. assim. As nações gentias estão incluídas também nas promessas e bênçãos de Deus (Isaías 25).

66. tanto para com o povo de Judá ou Israel. 56. O que observamos na ação profética que proclama o juízo de Deus sobre as nações. 46. Moabe. Elão. 10-16. onde permaneceu por cerca de setenta anos.4-5. levados para Babilônia. Filistia. 2. que permaneceu em Jerusalém. Consciência da ação missionária de Deus 16. Damasco. 1. estamos lembrando o tempo em que Israel foi levado cativo para Babilônia.19-21. 59. A – PROFETAS DO EXÍLIO Quando nos referimos ao exílio. e dirige-se às seguintes nações : Egito . Quedar. Esta ação profética de Jeremias está registrada em Jr. 60.19. Hazor. o profeta Jeremias foi usado pelo Senhor para declarar a sua a soberania e o seu juízo sobre a mais variadas nações ao redor de Israel. Ezequias e Daniel.1a 52. Babilônia.3-7. ( 55.A restauração de Israel inclui as nações. como para com as demais nações. Os profetas de Deus que viveram este momento foram: Jeremias.34 de modo mais substancial.18-21) II – PROCLAMANDO OS JUÍZOS DE DEUS Uma das realidades do ministério profético no VT é a proclamação de mensagens de juízo divino. é que o Senhor tem um propósito missionário mundial e que a proclamação de sua justiça também é manifestação de sua glória. Ezequiel . Jeremias Mesmo permanecendo em Judá. Edom.

o profeta Ezequiel se tornou um dos responsáveis pelo consolo divino aos exilados. Joel O profeta proclama os juízos de Deus contra todas as nações ( 3. junto ao Rio Quebar. Filístia. Moabe.18-28. Daniel não está dentro da característica usada por Deus com os profetas Jeremias e Ezequiel na proclamação dos seus juízos. a reconhecerem a grandeza e a soberania do Deus de Israel.1-7) . 4.21-22.26. foram instrumentos de Deus na manifestação de Sua glória e juízo entre os povos.1 a 28. 3.26 – nações em juízo: Amom. 1.27) B – OS PROFETAS MENORES Os chamados profetas menores em seus vários momentos na história dos reinos de Judá e Israel. 5. A ação profética de Daniel.47. 6. Edom.Daniel Mesmo sendo um profeta que viveu toda a realidade do exílio babilônico. levando todos os reis que governavam aquele império. enquanto ele esteve cativo.20. mesmo antes do seu chamado profético que veio a acontecer já no cativeiro. especialmente após a queda de Jerusalém.34-47. Consciência da ação missionária de Deus: 39. ( 2. foi muito mais didática e testemunhal. Mesmo sendo portador de uma mensagem de esperança. em Babilônia. Ezequiel 25. Tiro e Sidom. Ezequiel foi igualmente instrumento de Deus para a declaração de seus juízos entre as nações.Levado para Babilônia.

e assim.Naum Enquanto a profecia de Jonas gerou misericórdia de Deus para com os Ninivitas. sobre Nínive. ele é aquele que julga e restaura ( 9.Ele é o responsável pela grande profecia do derramento do Espírito Santo (2. mas pelas palavras de graça e misericórdia que ele profere para com os gentios ( 4.5-11) Juízo divino sobre a nação dos caldeus ( 2. usa os caldeus para exercer o juízo sobre o seu próprio povo Israel ( 1.1-4).Habacuque Deus. Sofonias Várias nações são ameaçadas pelo juízo de Deus ( 2. na sua soberania absoluta. .6-20) 5. mais de um século depois.9-12) 3. Naum foi o profeta escolhido por Deus para proclamar toda a sua ira sobre a nação Assíria.1-2. surge um novo profeta com uma mensagem de destruição contra Nínive. 2. 6.5-6. 9.26-32). Amós Sua presença inicia com ameaças contra as nações ( 1. Miquéias Estamos mencionado este profeta. não pela mensagem de juízo divino. especialmente.3) Deus está no controle de tudo.1-15) 4.

como se segue. Cena 2 = ( 1. como o do profeta Isaías. dividindo-a didaticamente em oito cenas distintas. viveu em Samaria durante o reinado de Jerobão II ( 782-753 a. O ETNOCENTRISMO DE UM ENVIADO O profeta Jonas.4. o livro de Jonas.1-3) – Jonas recebe a ordem de Deus de ir à Nínive. O missiológico holandês Johannes Verkuly procura descrever o conteúdo da profecia de Jonas. Cena 1 = ( 1. Pelo seu conteúdo e propósito.25) Seu livro foi composto perto do final de sua carreira profética. filho de Amitai. Cena 5 = ( 3.).1-4) – Deus repete a ordem e Jonas obedece . Jonas tivera o prazer de profetizar com respeito à expansão das fronteiras nacionais de Israel durante o reinado de Jeroboão II ( 2 Reis 14. A – O CONTEÚDO DA PROFECIA O livro inicia e encerra com Deus falando ao profeta Jonas.C. ele era natural de Gate – Hefer ( hoje Meshed ) cidade localizada a 7 Km de Nazaré. Cena 4 = ( 2. pode-se perceber que a teologia do livro gira em torno da extensão da graça de Deus aos gentios.10) – Jonas implora a Deus por livramento.17) – Jonas engolido pelo grande peixe. e pode ser datato de 760 a.C. também tem sido considerado um dos expoentes missionários do Velho Testamento. Assim.16) – Deus reage à fuga de Jonas Cena 3 = ( 1.III – JONAS.

10-9-11). em uma aventura missionária”. era uma grande e antiga cidade. C – O LIVRO DE JONAS . a Assíria era o último lugar onde um israelita gostaria de dirigir-se .5-10) – Nínive atende à mensagem e se arrepende Cena 7 = ( 4. Jonas tomou a trágica decisão de iniciar sua jornada numa direção diametralmente contrária àquele ordenada por Deus.1-4) – Jonas confirma seu etnocentrismo Cena 8 = ( 4. Schultz). Jonas se caracterizou como profeta desobediente. Jonas. As atrocidades dos assírios. Com todos os questionamentos perfeitamente possíveis ao coração de um judeu profundamente nacionalista.Cena 6 = ( 3. portanto. talvez já vinham sendo praticadas por esse tempo. um profeta exageradamente patriótico. O conteúdo central da profecia é ensinar ao povo judeu que Deus não é propriedade privada deles. a oportunidade para o arrependimento e. mas que também é Deus dos gentios. Logo. para a suspensão misericórdiosa da sentença pronunciada por Deus.5-11) – Deus continua ensinando ao missionário cabeça-dura. submetendo-se as Tiglate-Pileser II. especialmente conhecida por sua violência e crueldade. “Jonas tipificava o judeu que nunca entenderia com o seria possível Javé amar os assírios. nem queria aceitar o fato de que Deus estava dando aos ninivitas. os mais hostis e agressivos inimigos de Israel. bem como mostrar o tratamento de Deus com aqueles aos quais tem chamado para a sua obra. fundada por Nironde ( Gn. que mais tarde aterrorizaram nações. com esta atitude. capital do império Assírio. não conseguia entender. ( Samuel J. B – QUESTIONAMENTOS DO PROFETA Nínive. Do ponto de vista humano.

que o povo de Israel ‘orientado para a sua verdadeira vocação no mundo. é difícil negar que o mesmo respira um espírito universal. . As lições missiológicas do livro de Jonas podem ser aplicadas tanto para o autor. Para o profeta Jonas. Para o Autor A mensagem missionária foi dirigida em primeiro lugar ao próprio profeta através de sua experiência com Deus. portanto. sem ambigüidades. como para os ouvintes e os leitores. tem sido freqüentemente usado como justificativa clara da missão entre os gentios. como o de Isaías. poderemos imaginar as seguintes lições: a) Não vale a pena desobedecer um mandato de Deus. que tem um tom profético.O livro de Jonas. D – LIÇÕES MISSIOLÓGICAS NA PROFECIA DE JONAS A mensagem missionária do livro de Jonas é apresentada na forma da experiência pessoal. ao analisarmos o conteúdo deste livro. Assim. trabalha pela salvação do mundo”. Entre os principais exegetas vétero-testamentários. sempre tem sido considerado como um dos pináculos missionários do Velho Testamento. e a pergunta última do livro não tem qualquer resposta. de modo factual e não apenas mítico. “O livro de Jonas não tem conclusão alguma. c) Deus é misericordioso para com as nações. e caracteriza compaixão de Deus pelas nações. O livro de Jonas caracteriza-se na sua posição definida contra o exclusivismo judeu. Nas palavras de Jacques Ellul. b) Deus nos socorre nas aflições. 1. exceto por parte daquele que percebe a grandeza da misericórdia de Deus e que. percebemos aqui. existe unanimidade de que o ideal missionário é proclamado no livro de Jonas.

3.2. c) O pensamento futuro levou o povo a esquecer que a compaixão pelas nações deveria ser uma preocupação presente. desde o oitavo século a. Ø Amar aquele que nos envia e aqueles a quem fomos enviados. a) Ser missionário: Ø Ver o mundo pelo ponto de vista daquele que nos envia.Para os leitores A mensagem missionária de Jonas tem significativas implicações para todo o povo de Deus. sentimentos…) . b) Aquele que no envia: Ø Está preocupado com os oprimidos. a) Devido ao seu etnocentrismo. nem as paredes de um templo. Ø Deu-nos uma mensagem que inclui não somente a proclamação verbal. Ø Não está limitado a uma raça. Ø Reconhecer o amor de Deus ortodoxa e ortopraxamente. não entendia o universalismo de Javé b) O nominalismo levara-o a esquecer a misericórdia. até a consumação dos séculos. a justiça e a humildade. e também com os opressores.C. mas todo o nosso ser (atitudes. Para os ouvintes A mensagem missionária foi dirigida ao próprio povo do profeta.

d) Numa cultura diferente: Ø Devemos ser sensíveis àquilo que Deus quer fazer com as pessoas. Ø Deus nos chama para amar as pessoas em sua própria cultura. Ø Deus nos mostra que não existe cultura superior. Ø Apresenta um caráter persuasivo. e não ao que (NÓS) queremos fazer deles. e) O fruto do trabalho: Ø O nosso fruto é ver a glória de Deus brilhando em todo lugar. . Ø Deve ser proclamada a todos os povos.c) A mensagem a ser anunciada: Ø Não pode ser mudada pelo que foi enviado.