You are on page 1of 60

Perspectivas para o

agronegócio brasileiro
2015

Este material destina-se exclusivamente à leitura e não pode ser, no
todo ou em parte, publicado, copiado ou distribuído para terceiros.
O propósito deste material é meramente informativo e não constitui
uma oferta de venda nem uma solicitação de compra de nenhum
produto oferecido pelo Rabobank. O Rabobank, assim como qualquer
outra entidade legal dentro do grupo econômico ao qual este pertence,
não se responsabiliza por quaisquer danos, perdas ou lucros cessantes
incorridos, direta ou indiretamente, em virtude do uso das informações
contidas neste documento.
Ouvidoria Rabobank Brasil
Nós disponibilizamos a você o serviço de Ouvidoria, com o objetivo
de garantir que as suas sugestões e/ou reclamações sejam analisadas
pela(s) área(s) responsável (is) do banco. Se após ter contatado os canais
pertinentes dentro de nossa organização, ainda assim não estiver
satisfeito(a) com a solução apresentada, sinta-se à vontade para nos
procurar. Você pode contatar a Ouvidoria do Rabobank Brasil de segunda
a sexta-feira, das 9h00 às 18h00, pelo e-mail: ouvidoria@rabobank. com
ou pelo telefone: 0800 703 7016 (ligação gratuita).

Este estudo Perspectiva para o Agronegócio Brasileiro é uma
publicação anual produzida pelo departamento de Pesquisa e
Análise Setorial para clientes e parceiros do Rabobank Brasil
Avenida das Nações Unidas, 12. 995 CEP: 04578-000 São Paulo – SP
Tel: 11 5503-7000 – Internet: www.rabobank.com.br
Este estudo Perspectiva para o Agronegócio Brasileiro é uma publicação

Analistas Rabobank: Renato Rasmussen, Rafael Barbosa, Andres
anual produzida pelo departamento de Pesquisa e Análise Setorial para
Padilla, Jefferson Carvalho, Adolfo Fontes e Andy Duff.
clientes e parceiros do Rabobank Brasil – Avenida das Nações Unidas, 12. 995
Coordenação Editorial:
Sirley
Souza,São
Mariana
Katsuren
CEP:
04578-000
Paulo –Saffioti,
SP Tel: 11Simoni
5503-7000
– Internet: www.rabobank.com.br
e Ricardo Campo (Departamento de Comunicação e Marketing).
Analistas Rabobank: Renato Rasmussen, Rafael Barbosa, Andres Padilla,
Projeto Gráfico e diagramação:
Vínculo Design Estratégico.
Jefferson Carvalho, Robério Costa, Guilherme Melo e Andy Duff.
Revisão: Ana Catarina Nogueira.
Coordenação Editorial: Sirley Souza, Mariana Saffioti, Simoni Katsuren e Ricardo
Foto de capa: www.morguefile.com
Campo (Departamento de Comunicação e Marketing).
Projeto Gráfico e diagramação: Vínculo Design Estratégico.
Revisão: Ana Catarina Nogueira e Odorico Ramos.
Foto de capa: Delfim Martins.

Perspectivas para o
agronegócio brasileiro
2015

Sumário Executivo 2015 .

Entretanto. Se por um lado a queda de preços dos grãos pressiona as margens dos produtores. as cotações de milho deverão seguir pressionados em Chicago. 30 Perante a superprodução nos EUA e a perspectiva de fraco crescimento do consumo mundial. devem pesar no crescimento do próximo ano. 6 Liderada pelos EUA. Etanol e Cana   p. Leite   p.   p. 50 Aumento da produção doméstica e desaceleração da demanda devem pressionar os preços pagos ao produtor no primeiro semestre. Entretanto. perspectivas positivas para exportação e baixo custo dos grãos devem garantir boas margens para o setor de aves de corte no Brasil. o aumento da produção doméstica limita novos recordes nas cotações de suínos no mercado interno. 24 Cotações internacionais mais baixas deverão pressionar margens dos produtores brasileiros. Consequentemente. A melhora de preços não será suficiente para eliminar a crise. A desconfiança gerada pela perspectiva ainda negativa no mercado interno e os juros mais altos nos EUA devem suportar a alta do dólar em relação ao real. No Brasil. com probabilidade de aumento nos preços na segunda metade do ano. os fundamentos apontam para um cenário mais favorável em 2015/16. 2015 ainda deve ser um ano difícil para o setor sucroenergético. 38 Preços elevados de carnes concorrentes no mercado interno. por outro. projeta-se um cenário de elevação dos estoques globais. 10 Apesar das perspectivas ligeiramente melhores. a expectativa é de ligeira melhora no cenário econômico mundial. tudo indica que a época de preços altos ainda não chegou ao fim. câmbio e clima ditarão o comportamento dos preços. 34 Café   p. Suíno   p. A maior intensificação da produção deve elevar a oferta de boi gordo em relação a 2014. Suco de Laranja   p. 46 Pressão na demanda internacional de suco limita a retomada dos preços da matéria-prima no primeiro semestre. condições climáticas na América do Sul serão decisivas para a volatilidade do mercado de soja e definição do patamar médio das cotações. juros elevados e a inflação persistente. . aliada à desaceleração da economia chinesa.Perspectivas Macroeconômicas   Soja p. a configuração de um excedente mundial da produção deverá pressionar as cotações internacionais e domésticas. juntamente com a necessidade de ajustes nas contas públicas. Milho   p. 54 Menores margens no campo devem impactar a adoção de tecnologia na próxima safra. Açúcar. Porém. No mercado doméstico brasileiro. Frango   p. Bovinos   p. A demanda mais fraca limita a alta nos preços de insumos. a fraqueza da zona do Euro e do Japão. Algodão  p. boas oportunidades começam a surgir na indústria de processamento. 20 Em 2014/15. Insumos   p. o crescimento econômico global definirá o ritmo das exportações e das compras de algodão pela indústria. Por outro lado. 16 Com mais um déficit à vista no mercado global de café e riscos para a produção brasileira. Câmbio será decisivo para a competitividade da produção nacional. Porém. 42 Cenário externo favorável deve suportar os preços da carne suína brasileira ainda em 2015. limita a retomada mais firme da economia global. Cenário externo favorável deve contribuir para a manutenção dos preços no mercado interno.

é provável que a inflação continue próxima ao teto da meta em função da desvalorização do câmbio e da necessidade de alívio nas margens dos setores impactados pelas políticas de controle de preços.0%. como gasolina e energia. • Com expectativa de crescimento econômico ainda fraco no Brasil e juros mais altos nos EUA. . aliada à desaceleração da economia chinesa. limita a retomada mais firme da economia global.80/USD até o final de 2015 parecem razoáveis. a expectativa é que o Banco Central eleve a taxa SELIC para 12. a expectativa é de ligeira melhora no cenário econômico mundial em 2015.5%. a fraqueza da zona do Euro e do Japão.5% .1. Entretanto. ligeira melhora em relação a 2014. • No Brasil. • Para enfrentar o desafio de inflação em 2015.Perspectivas Macroeconômicas • Liderada pelos EUA. Projeções de câmbio entre BRL 2. o câmbio deve seguir pressionado ao longo do ano. • As projeções crescimento do PIB brasileiro ficam entre 0.70/USD e BRL 2.

•  Desconfiança no mercado interno desestimula investimento estrangeiro. Países em desenvolvimento 3% 2% Riscos geopolíticos continuam a ameaçar a economia global Brasil 1% 0% Mundo 2011 2012 2013 Conflito Rússia/Ucrânia: impactos sobre comércio internacional e mercados de energia. Países Desenvolvidos 5% 4% Expectativa da elevação dos juros ao longo de 2015.p. 7 2014 CRESCIMENTO ECONÔMICO EM 2014 Retomada na economia norte-americana e pressionado Crescimento econômicocrescimento em 2014: retomada na nos emergentes economia norte americana e crescimento pressionado nos emergentes 2015 Crescimento econômico projetado em 3.1% em 2015 (2014 estimada em 7. Zona do Euro segue pressionada Endividamento e desemprego elevados pressionam a demanda e reduzem as expectativas de recuperação da economia na Europa.4%). Estagnação na economia brasileira •  Rabobank projeta crescimento do PIB brasileiro em 0.1%). 2014 Conflitos no Oriente Médio podem impactar preços de commodities.3% em 2014.0% (2014: 2. 7% Taxa de desemprego em queda e melhora do mercado imobiliário. Recuperação nos EUA e incertezas em relação à Ásia e Europa Retomada da economia nos EUA Figura 1. Destaque para petróleo e gás natural. Riscos acerca do mercado imobiliário chinês. Crescimento econômico mundial patinou em 2014 •  Retomada nos EUA foi compensada pelo menor crescimento nos emergentes. 2014e Fonte: FMI. Impacto no crescimento global: Queda Alta Neutro Perspectivas Macroeconômicas .1 Crescimento do PIB real 6% PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 China deve crescer menos Expectativa de crescimento de 7.

por exemplo. dúvidas sobre os rumos da economia persistirão até que medidas mais concretas sejam anunciadas.p. Sem dúvida.25 2. o que deixa menos espaço para manobras orquestradas pela presidente reeleita. a depender da capacidade de articulação da presidente e de sua coligação. 6% 5% 4% Países em desenvolvimento 3% 2% Brasil 1% 0% Para 2015. A manutenção do programa de intervenções do Banco Central no mercado de câmbio ajudou a acelerar a desancoragem das expectativas de inflação.00 ja A reeleição da Dilma Rousseff em outubro de 2014 eliminou uma grande incerteza a respeito das linhas gerais do governo. Como principais motivos.00 Ao mesmo tempo. Rabobank 2014 . como a indústria. é muito provável que a inflação continue próxima ao teto da meta. 8 Perspectivas Macroeconômicas 2.5% ao ano.3 Crescimento do PIB real 7% Enquanto as expectativas de juros mais altos nos EUA fortaleceram o dólar em relação à praticamente todas as outras moedas. a grande maioria dos indicadores econômicos e financeiros sinalizaram uma situação econômica bastante precária.75 2.75 1. a inflação em 6. Fatores externos (a expectativa de alta dos juros nos EUA) e internos (perspectivas negativas para crescimento econômico no Brasil) ainda devem pressionar o valor do real frente ao dólar n- BRASIL 2015: CRESCIMENTO LIMITADO E REAL MAIS FRACO Fonte: Bloomberg 2014 Projeções de crescimento econômico Figura 1. encostando no limite superior da faixa de tolerância do Banco Central. BRL / USD 1. Destaca-se ainda o crescimento do PIB pífio e a rápida deterioração da confiança em importantes setores. boa parte da pressão no valor do real ao longo do ano foi reflexo dos desenvolvimentos econômicos negativos na economia brasileira.50 1. como gasolina e energia.2 BRL/USD ab Ao longo de 2014. a composição partidária no Congresso e no Senado tornou-se mais heterogênea e tende a limitar a execução das reformas necessárias. destacam-se a desvalorização do câmbio e a necessidade de alívio nas margens dos setores da economia atualmente impactados pela política de controle de preços. Figura 1.25 4 4 t-1 ou 4 l-1 14 r-1 ju ab 3 t-1 nja 3 ou 3 l-1 ju 13 r-1 ab 2 ja n- 2 t-1 ou 2 l-1 r-1 ju 12 1. Primeiro. No entanto. a oposição saiu mais forte e mais unificada da eleição de 2014.50 2. Países Desenvolvidos Mundo 2011 2012 2013 2014e 2015p Fontes: FMI.

expectativa de crescimento econômico ainda fraco no Brasil e juros mais elevados nos EUA sugere que o câmbio deve seguir pressionado ao longo de 2015. deve limitar as perspectivas para crescimento do PIB em 2015. Nesse cenário. apesar de volatilidade ainda bastante presente no câmbio.Para enfrentar o desafio de inflação em 2015. a tendência principal é de desvalorização do real.80/USD parece razoável.5% ao longo do ano.5% .1. . O cenário com grande déficit em conta corrente.70/USD e BRL 2. aliado ao esforço para trazer o superávit primário recorrente para níveis mais confortáveis. reforçando a credibilidade da política econômica e fiscal. Mesmo considerando possíveis novos esforços para o controle de inflação e gestão das contas públicas. a expectativa é que a o Banco Central eleve a taxa SELIC para 12. Apesar disso. As expectativas do início do aperto monetário nos Estados Unidos para o segundo semestre de 2015 devem diminuir o influxo de capital estrangeiro no Brasil.3). ligeira melhora em relação a 2014.0% (Figura 1. O impacto dos juros mais altos em 2015 na taxa de câmbio deve ser analisado com cautela. O baixo nível de atividade econômica traz riscos para essa projeção. as projeções de crescimento ficam entre 0. uma vez que o aumento dos juros pode prolongar a recessão. Um aumento de juros. uma projeção de um câmbio entre BRL 2.

Açúcar. à medida que o mercado mundial caminha para um déficit de produção em 2014/15. etanol e cana Riscos e oportunidades para o setor Preços do açúcar ligeiramente maiores. Seca em 2014 pode afetar o potencial produtivo da próxima safra do Centro/Sul. Menor investimento em renovação dos canaviais e consequente aumento da idade média de corte . Aumento dos preços da gasolina e provável aumento da mistura de etanol anidro. Nova onda de consolidação no setor. Endividamento das usinas continua elevado.

Encorajados pelo governo local. Crescimento da frota de veículos leves aumentou o consumo de combustíveis no Brasil. 2. As cotações do etanol refletiram o aumento da demanda e dos preços da gasolina.80 1.20 25 2.60 15 1.00 0. União Europeia: clima favorável deve resultar em aumento significativo da produção Mercado de etanol: +6. China: redução da área de cana deve resultar em queda de 9% na produção de açúcar Margens apertadas dos produtores motivaram substituição de cana-de-açúcar por outras culturas. produtores de arroz seguem migrando para a produção de cana. produção similar ao ano anterior Figura 2.5% do real reforçou a tendência de baixa.80 4 4 t-1 Tailândia: Expectativa de redução da produção de açúcar em 9% ou 4 l-1 r-1 ju 14 ab nja t-1 3 3 ou 3 l-1 ju r-1 13 ab 2 t-1 nja 2 ou 2 l-1 r-1 ju ab 12 0 n- Projeção de déficit no mercado global de açúcar deve sustentar os preços Índia: em 2015. enquanto área deve ser aproximadamente 3% maior. Impacto nos preços globais: Queda Alta Neutro Açúcar.9% para anidro.20 5 Açúcar . Os níveis de produtividade foram mantidos com auxílio de irrigação.7% ICE #11 em 2014 Quarto excedente de produção no mercado internacional e estoques elevados em 2013/14 pressionaram os preços ao longo do ano. CEPEA.40 10 1.8% para etanol hidratado e +5. o nível acumulado das monções se mostrou próximo da média histórica na maioria das regiões.p.40 2. A área plantada com cana deve continuar crescendo. Desvalorização câmbial de 7. etanol e cana . Produção de açúcar deve crescer 7. Limite de exportações deve restringir o impacto do aumento da produção nos preços internacionais. 11 2014 PREÇOS EM 2014 Açúcar sob pressão dos fundamentos e melhores preços de etanol Preços em 2014: açúcar sob pressão dos fundamentos e melhores preços para etanol USc/lb Apesar dos receios iniciais. Mercado de açúcar: -5. Inundações em algumas regiões produtoras provocaram perdas nos canaviais em 2014.1%.NY 11 (eixo esquerdo) Aumento de área em Maharashtra e Karnataka. Produtividade de beterraba deve aumentar 6%. 2014 A seca prolongada de 2014 deve afetar a produtividade dos canaviais.00 20 1.1 BRL/litro 30 ja 2015 PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 Fonte: Bloomberg. Etanol Anidro Atrasos nos pagamentos aos fornecedores em Uttar Pradesh deve resultar em redução da área de cana na região Etanol Hidratado 1.

Além do crescimento contínuo da frota brasileira. que somaram cerca de 19 milhões de toneladas aos estoques mundiais. 12 Açúcar. Os fatores descritos acima levam-nos a crer que o cenário de preços é mais promissor para o etanol do que para o açúcar – o que indica provável aumento na alocação de cana para a produção do biocombustível. o balanço entre oferta e demanda global de açúcar aponta para déficit da ordem de 1. Apesar de o déficit sinalizar inversão da tendência de baixa – que acompanhou o mercado de açúcar nos últimos anos – o espaço para grandes elevações das cotações internacionais é limitado. a despeito das várias incertezas políticas que continuam a rondar o setor. acredita-se que a elevação de 25. sustentados pelo aumento significativo da demanda. O etanol hidratado deve beneficiar-se do aumento dos preços da gasolina de 3% anunciado em novembro de 2014. Estimado em 44. A seca que atingiu os canaviais em 2014 ainda deverá impactar a próxima safra. deve ficar entre 550 e 580 milhões de toneladas. Em relação aos preços internacionais de açúcar. pequena – redução da capacidade instalada de moagem. devem incentivar ainda mais o mercado doméstico de etanol. a confortável situação dos estoques no mercado mundial deve limitar grandes aumentos de preços do açúcar. Apesar de muitos agentes do setor já terem essa medida como certa.9 milhão de toneladas na safra 2014/15 (outubro/setembro). consequentemente.32 BRL/USD. Outras medidas de incentivo ao etanol também foram discutidas durante a campanha presidencial de 2014 e. A relação de atratividade entre açúcar e etanol.5% da mistura de etanol anidro na gasolina C se dê em algum momento anterior ao início da safra 2015/16. Os preços em moeda local devem ainda beneficiar-se. etanol e cana Após quatro anos consecutivos de excedente de produção. como comentado anteriormente. BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA A moagem de cana em 2015/16 (abril/março). a produtividade. sua efetivação ainda depende de aprovação de alguns órgãos governamentais. Também leva-se em consideração menores níveis de renovação dos canaviais em 2014. O mercado de etanol anidro também deve apresentar preços mais remunerativos em 2015. e a trajetória desta variável até o início da safra 2015/16 será crucial para a definição das estratégias de produção. em função do déficit projetado para o mercado mundial (como comentado na seção anterior) e a gradual redução dos estoques globais. no entanto. impedindo a recuperação plena da produtividade. o mix de produção para o açúcar pode ser reduzido para aproximadamente 43% – o menor valor em sete anos. O mercado de etanol também parece mais promissor em 2015.0% para 27. a complicada situação financeira de boa parte das usinas. é altamente dependente da taxa de câmbio. no Centro/Sul. . adicionando ao redor de 1 bilhão de litros à demanda anual projetada. da provável desvalorização câmbial em relação ao ano anterior – até o momento da conclusão deste relatório.p. que eleva o teto para os preços do biocombustível.6% na safra 2014/15. a taxa de câmbio média em 2014 se encontrava em 2. além de possível – porém. No entanto. a expectativa é de leve recuperação ao longo de 2015. aumentando sua competitividade e demanda no mercado doméstico. ao longo de 2015. Os estoques acumulados nos últimos anos devem pesar nos mercados e impedir grandes oscilações. se colocadas em prática. que pode influenciar os tratos culturais e.

Com a expectativa de manutenção dos altos preços da eletricidade. estimativas Rabobank. 13 Açúcar. etanol e cana INDÚSTRIA: MELHORA DE PREÇOS EM 2015 NÃO DEVE SER SUFICIENTE PARA TIRAR O SETOR DA CRISE A safra 2014/15 resultou em mais um ano árduo para boa parte do setor sucroenergético. Ao que tudo indica. Canaplan. Kingsman. valor bruto 10 44% 42% 5 40% 0 38% -5 36% 34% -10 32% 30% 14 / 15 (p ) ) (e 14 13 / 13 12 / 12 11 / 11 10 / 09 / 10 -15 09 Apesar da situação delicada de boa parte das usinas. Esse ciclo pode. De fato. os níveis de replantio ficarão novamente abaixo do ideal na próxima safra. caso esse período se confirme como mais um ano de margens apertadas. estimativas Rabobank. F. decorrente da seca sem precedentes que atingiu o país. que puderam beneficiar-se dos preços recordes de energia praticados em 2014. nem todas as usinas terminaram 2014 com margens pressionadas e alto endividamento. o risco de esse cenário se concretizar entre as empresas mais frágeis do setor aumentará significativamente em 2015/16. provavelmente. empresas em situação mais delicada devem ser pressionadas a reduzir custos e investimentos nos canaviais em 2015. com grande variação nas condições financeiras das empresas que o compõem. muitas usinas enfrentaram dura estiagem em 2014. o setor não foi capaz de reduzir seu endividamento. Milhões de toneldas 08 / Essas circunstâncias poderão ser o gatilho para uma nova onda de consolidação entre as usinas – que de fato foi prevista inúmeras vezes ao longo dos últimos cinco anos. 2014 Mercado internacional de açúcar deve ter o primeiro déficit de produção em cinco anos Figura 2.2 650 08 A grande ameaça deste cenário – que também se foi observado há poucos anos atrás – é de que essas usinas entrem em um ciclo vicioso no qual menores investimentos resultem em baixa produtividade. Como consequência.O.3 Milhões de toneladas. à medida que a crise no setor se perpetua. certamente se saíram melhor que seus pares que não atuam nesse setor. vale lembrar que o setor é altamente heterogêneo. a cogeração seja novamente a salvação de várias usinas. redução de receitas e margens. o que indica que. Licht. 600 Produção de cana no C/S 550 500 Intervalo de possibilidades 450 ) (p ) 15 14 /1 /1 6 5 (e 4 /1 13 3 12 /1 2 11 /1 1 /1 10 09 /1 0 400 Fonte: UNICA. que continua elevado – ao redor de R$ 114/tonelada de cana moída. Empresas com capacidade instalada de cogeração. em 2015. o que reduziu a produtividade e elevou os custos unitários. 2104 Excedente/Déficit Relação Estoque/ Consumo (eixo direito) . em última instância. Safra 2015/16 do Centro-Sul deve ficar entre 550 e 580 milhões de toneladas de cana 07 / Após mais um ano com margens apertadas. pode ser que. deterioração da situação financeira das empresas e ainda maior dificuldade para realizar novos investimentos. Fonte: LMC. desencadear uma crise de liquidez e erosão do patrimônio líquido dos acionistas. Figura 2.p. Além dos preços relativamente baixos de açúcar e etanol.

as margens apertadas dos últimos anos têm gerado crescentes desafios aos fornecedores quanto à manutenção e renovação dos canaviais. isso representaria um fator de custo adicional e inesperado. provavelmente. Em alguns casos mais críticos. etanol e cana PRODUTORES INDEPENDENTES: PREÇOS MELHORES EM 2015. E. a percepção de que a produtividade da safra 2015/16 será. . Tal como no caso das usinas. serão necessárias chuvas regulares antes do início da safra 2015/16 para que os produtores possam renovar os canaviais e evitar o aumento da idade média no próximo ano. colhendo-os como cana de 12 meses ao final da safra 2015/16. prejudicada pela seca também é válida para os fornecedores de cana. além do aspecto financeiro. MAS A SECA DEVE AFETAR A PRODUTIVIDADE E A RENOVAÇÃO DOS CANAVIAIS Uma vez que a expectativa para 2015 é positiva para as cotações do açúcar e do etanol. devido à seca no início de 2014. cogita-se renovar os talhões recém-reformados que foram mais prejudicados pela seca no início de 2014. em torno de 17%. Segundo dados da Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil). os fornecedores de cana do estado de São Paulo só conseguiram renovar cerca de 12% dos seus canaviais – nível bem abaixo da taxa ideal de renovação. Obviamente. fazendo que o alívio projetado para as margens seja apenas parcial.p. 14 Açúcar. No entanto. também se espera melhores preços para o quilo de ATR ao longo da próxima safra.

.

Café Riscos e oportunidades para o setor Preços mais elevados. evitando que suas margens sejam comprimidas A seca de 2014 deve afetar a produtividade e o potencial da próxima safra. O crescimento do mercado doméstico deve ser vigoroso. A capacidade de armazenagem poderá ser um diferencial importante em 2015. aliados a menores custos com fertilizantes e defensivos agrícolas. devem melhorar a margem média dos produtores. com destaque para os cafés de alta qualidade As indústrias torrefadoras deverão repassar as altas da commodity ao produto final. . nos casos mais críticos. já que a alta volatilidade nos preços deve manter-se durante o ano. reduzindo ou até anulando a alta de preços. Oportunidade de fixação de preços remunerativos aos produtores ao longo de toda a curva de futuros.

p. 17

2014

PREÇOS EM 2014
Quebra de safra no Brasil levou preços do
café aos níveis máximos dos últimos 2 anos

Preços de café apresentaram grandes elevações em
2014, refletindo a queda de produção no Brasil

USc/lb

2015

Figura 3.1

4000

300

3500

250

3000

200

2500

150

2000

100

1500

0

1000

Programa de renovação dos cafezais continua a
gerar resultados positivos;

Spread

Produção da safra 2014/15 é estimada em 12,8 milhões de sacas, aumento de 5,6% em relação ao
ano anterior.

ICE Arabica
Liffe Robusta
(eixo direito)

América Central começa a se recuperar da crise
da ferrugem (roya)

ja
n
ab -10
r
ju -10
l
ou -10
t-1
ja 0
n
ab -11
r
ju -11
l
ou -11
t-1
ja 1
n
ab -12
r
ju -12
l
ou -12
t-1
ja 2
n
ab -13
r
ju -13
l
ou -13
t-1
ja 3
n
ab -14
r
ju -14
l
ou -14
t-1
4

50

Crescimento da produção nas principais
regiões não devem compensar perdas
no Brasil

Pelo terceiro ano consecutivo, a produção
deve crescer na Colômbia

USD/tonelada

350

PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015

Produção conjunta da região, estimada em 13,9
milhões de sacas, representa 8,6% de aumento
em relação ao ano anterior;

Fonte: Bloomberg, 2014

Arábica: +41,2%

Honduras, Guatemala e Costa Rica devem aumentar
a produção em 13%, 9% e 6%, respectivamente.

Contrariando as expectativas do final de 2013, a produção brasileira
de café arábica sofreu expressiva queda, em razão do clima (combinação de seca, calor e insolação) sem precedentes que atingiu as
principais regiões produtoras;

Produção no Vietnã deve se manter estável
Após mais uma safra recorde registrada em
2013/14, estimada em 28,9 milhões de sacas, a
produção deve se sustentar em 2014/15.

Em Nova Iorque, os preços atingiram os patamares mais elevados em
mais de 2 anos, apresentando grande volatilidade. Estoques acumulados em anos anteriores evitaram altas ainda mais expressivas.

Robusta: +8,6%

Indonésia deve se recuperar parcialmente da
queda de produção da safra mais recente

Apesar do aumento de 2% na oferta, forte crescimento da demanda
manteve o mercado em equilíbrio;

Após sofrer grande redução na safra 2014/15 (abril/
março) devido ao clima desfavorável, a safra indonésia deve se recuperar parcialmente em 2015.

Com oferta e demanda em equilíbrio, preços se mantiveram sustentados e acompanharam parcialmente as elevações do arábica;
Arbitragem permaneceu alta ao longo do ano, em 86 USc/lb na média de 2014.
OBS: Preços 2014 X 2013 (jan. a nov.) na ICE Nova Iorque (arabica) e Liffe
Londres (robusta)
Impacto nos preços globais:

Queda

Alta

Neutro

Café

p. 18
Café

BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS
PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA

A perspectiva de um segundo ano consecutivo de déficit no mercado de café
arábica e o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de robusta, devem
suportar os preços de café em 2015. A produção brasileira continua sendo o
grande direcionador dos preços e muitas incertezas ainda cercam o potencial
produtivo da próxima safra. Na visão do Rabobank, existe pouco espaço para
a produção brasileira em 2015 superar a safra anterior. As informações disponíveis até o momento parecem suficientes para prever uma situação mais
apertada do ponto de vista de oferta no mercado mundial de café e uma
consequente redução dos níveis de estoques.
A seca que atingiu as principais regiões produtoras de arábica no Brasil em
2014, prejudicou o crescimento vegetativo dos pés de café, com desenvolvimento dos ramos produtivos aquém do ideal. Isso, somado ao fato de que
2015 seria um ano de baixa do ciclo brasileiro e dados de poda acima do
normal em regiões mais afetadas pela seca, indica que o potencial máximo
de produção para a próxima safra já parte de patamares reduzidos - em níveis
similares aos obervados em 2014. Como resultado, consideramos um intervalo de possibilidades para a próxima safra brasileira, entre 42 e 47 milhões de
sacas, com o ponto médio sendo considerado como cenário base.
Ao redor do mundo, não parece existir muito espaço para nenhuma grande
surpresa adicional de produção capaz de compensar as perdas do Brasil. Mesmo considerando aumento de produção nas principais regiões, o mercado de
café deve apresentar déficit de 5,1 milhões de sacas na safra 2014/15 (outubro/
setembro), sendo 4,7 milhões de arábica e 0,4 de milhões de robusta.
Apesar dos fundamentos apontarem para preços maiores em 2015, existem
fatores que podem limitar as altas ao longo do ano. A esperada desvalorização do real ao longo de 2015 deve restringir grandes elevações das cotações em dólar. Altas significativas também poderiam levar a uma retração
da demanda.

Por fim, acredita-se que, na ausência de eventuais surpresas em relação à safra brasileira, o movimento de alta deve se dar de forma gradual ao longo
de 2015. O elevado nível de estoques em posse dos torrefadores deve evitar
grandes elevações no curto prazo e os preços devem evoluir à medida que
os estoques se reduzam e o mercado passe a “sentir” o déficit de produção.

INDÚSTRIA: CONSUMO CRESCENTE E REPASSE DE
PREÇOS AO CONSUMIDOR DEVEM GARANTIR BOAS
PERSPECTIVAS PARA A INDÚSTRIA TORREFADORA
As perspectivas para as indústrias torrefadoras de café são positivas em 2015,
a despeito do aumento projetado no preço da matéria-prima. Segundo dados
da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), as indústrias torrefadoras
deverão repassar as altas da commodity ao produto final, evitando que as margens sejam comprimidas.

p. 19

Do ponto de vista do consumo doméstico, o cenário parece promissor, mesmo
levando em conta o provável aumento de preços do café no varejo e o recente baixo crescimento econômico do país. Dados da consultoria Euromonitor
apontam para crescimento de 4,7% do consumo em 2014 e projetam expansão
anualizada de 3,7% entre 2013 e 2018. Para a ABIC, o aumento da demanda
deve ser ao redor de 3% em 2014.
Os cafés especiais continuam sendo o grande destaque do setor, apesar de ainda apresentarem números absolutos relativamente modestos. Dados da ABIC
estimam crescimento de 15% para os cafés gourmets em 2014, puxados pelo
forte aumento do número de cafeterias e do consumo fora do lar. A busca do
consumidor por produtos de maior qualidade continua sendo uma importante
tendência que, apesar de gradual, se mostra cada vez mais sólida e constante.

Por fim, vale ressaltar que, apesar da possibilidade do mercado buscar novas
altas em 2015, a estratégia mais correta para tirar proveito dessa tendência
continua sendo escalar as vendas e fixações ao longo dos meses. O produtor
deve utilizar ferramentas de hedge que busquem a formação de um preço
médio de venda favorável, e que garanta margens positivas.

Produção brasileira em 2015/16 deve ficar entre 42 e
47 milhões de sacas

Figura 3.2

Milhões de sacas 60kg

60

PRODUTORES RURAIS: PREÇOS FAVORÁVEIS DEVEM
AUMENTAR AS RECEITAS, MAS O RESULTADO LÍQUIDO
DEPENDERÁ DOS NÍVEIS DE PRODUTIVIDADE

50

Arabica

40
Conilon

30
20

)

)
/1
15

14

/1

6

5

(p

(e

4
/1

3

13

/1

2

12

11

/1

1
10

/1

0
/1
09

9

8

/0
08

/0
07

Fonte: ABIC; Conab; Secex; estimativas Rabobank, 2014

Mercado global de café deve apresentar segundo
déficit de produção consecutivo

Figura 3.3

Milhões de sacas 60kg

10
8
6
4
2
0
-2
-4
-6
-8
-10

56%
54%
52%

Excedente/
Déficit - Arabica

50%
48%
46%
44%

)
/1
5

14

13

/1
4

(e

(p

)

3
/1
12

2
/1
11

1
/1
10

0
/1
09

08

/0

9

42%

8

Por outro lado, produtores menos afetados pela seca – seja por características
regionais ou por possuírem estrutura de irrigação – devem ser os grandes
beneficiados pela expectativa de preços melhores. A capacidade de armazenagem também pode ser um diferencial importante em 2015, já que a alta
volatilidade nos preços deve manter-se durante o ano.

0

/0

É sabido que a seca atingiu as regiões cafeeiras de forma heterogênea, com
danos reportados de menos de 10% em alguns casos e de mais de 50% em
outros. Nas situações mais críticas, em que a expectativa de produção para
2015 é extremamente baixa, produtores estão adotando estratégias radicais
de poda, diminuindo a área produtiva para reduzir custos.

Projeção -intervalo
de possibilidades

10

07

Tal como observado em 2014, o cenário para 2015 poderá afetar os produtores
de maneira bastante distinta. Preços mais favoráveis, aliados a menores custos
com fertilizantes e defensivos agrícolas (ver seção de insumos deste relatório),
devem melhorar a margem média do setor. No entanto, o nível de perdas em
consequência da seca e o potencial produtivo para 2015 definirão se a combinação entra quebra de safra e preços mais elevados será positiva ou negativa,
em cada caso.

Fonte: ICO; LMC; F.O. Licht; USDA; estimativas Rabobank, 2104

Excedente/
Déficit - Robusta
Relação Estoque/
Consumo Total
(eixo direito)

Café

No Brasil. Menores exportações da Índia podem favorecer aumento das cotações internacionais. espera-se que baixos preços e elevados custos resultem em menor área de plantio. Desenvolvimento cambial será decisivo na comercialização mundial da pluma.Algodão Riscos e oportunidades para o setor Boa safra norte-americana deverá acirrar competição internacional por compradores da pluma. . Consumo no sudeste asiático deverá ser insuficiente para enxugar estoques internacionais.

3% Maior nível de estoques globais na história da commodity deverá manter cotações arrefecidas Clima adequado proporciona maior colheita nos EUA em 4 anos nov-14 50 40 ago-14 50 mai-14 60 fev-14 60 nov-13 70 ago-13 70 mai-13 80 fev-13 80 nov-12 90 ago-12 100 90 mai-12 100 fev-12 2015 Figura 4.p. caindo para 5 milhões de toneladas em 2015.2 milhões de toneladas. Obs. o efeito da subida em Nova York foi potencializado pela desvalorização da moeda nacional em relação ao dólar. houve recuo de 3. a região deverá manter estáveis suas compras da fibra. 2014 Cotações internacionais: +6. a India não deve aumentar exportações Sinalizando intenção de conter sua produção de algodão para utilização doméstica. a China deverá reduzir suas importações. Rondonópolis NY-ICE União Europeia mantém estáveis suas compras de pluma Apesar de relativamente abastecida. Porém.1 Rondonópolis PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 Mudanças na estratégia chinesa de compras derruba importações •  Nas principais praças brasileiras de comercialização da pluma. Apesar de contar com amplos estoques. Preços no Brasil: +14. Fonte: Bloomberg. em decorrência de boas condições climáticas para as lavouras.2% na produção mundial. levaram à alta das cotações mundiais e domésticas NY/ICE (R$/@) (US$/lp) 40 A safra americana deverá apresentar aumento de 24% em 2014/15. resultantes de amplas compras chinesas. exportações indianas podem retrair-se em até 50%. a out. •  A rápida erosão dos estoques americanos ao longo do primeiro trimestre de 2014 contribuiu para a elevação das cotações internacionais e domésticas da pluma. desenvolvimento macroeconômico da região definirá o volume de compras pela indústria. Impacto nos preços globais: Queda Alta Neutro Algodão . Visando a maior utilização de seus estoques mais antigos.).: Preços 2014 X 2013 (jan. 21 2014 PREÇOS EM 2013/14 Amplas compras chinesas levaram à alta das cotações mundiais e domésticas Preços em 2013/14: Baixas reservas mundiais. chegando a 16.1% •  Após baixos preços no mercado global estimularem a substituição do algodão por outras culturas.

ao final do ciclo 2014/15 o desencontro entre a produção mundial (26. em função de forte pressão de pragas como ramulária. O maior mercado têxtil do mundo está em retração. A perspectiva reflete o panorama internacional de desaquecimento da demanda em decorrência de um dólar valorizado e de mudanças nas políticas de importação da China. diminuindo em 33% suas compras da pluma (atingindo 3.2 Mt) e o consumo (24. Assim.5 Mt. A situação sugere início de novo ciclo de redução das áreas de produção no Centro-Oeste. SINALIZANDO MENORES MARGENS E LEVANDO PRODUTORES A MIGRAR PARA MILHO E SOJA Segundo estimativas do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Valendo-se de um câmbio a R$ 2.8% no custo de produção do algodão em Mato Grosso. sobretudo. projetam-se menores margens para os cotonicultores em 2014/15. Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).1 mil/hectare. por soja e milho. Entretanto. o que pode implicar em uma margem operacional nula ou até negativa. Contudo. considerando despesas com frete. a área de algodão deverá retroceder 13%.6 Mt. Vale lembrar que a situação do cotonicultor brasileiro é ainda complicada pelos entraves logísticos nacionais. 22 Algodão BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA Preços 2015: Excedente mundial deverá pressionar preços internacionais e impactar cotações no mercado interno brasileiro. Consequentemente. com substituição. espera-se que as cotações internacionais se mantenham em baixa em 2015. Claramente. atingindo a marca de 21. espera-se elevação de 4.p. perante cenário de enfraquecimento dos preços internos e de elevados custos de produção. Essa situação deverá ser combatida por meio de intervenção governamental. Para o mercado brasileiro. Um melhoramento no crescimento econômico do Brasil em 2015 seria uma saída para o estímulo das compras e o consequente suporte dos preços no mercado interno brasileiro. produtores de Mato Grosso deverão experimentar receita bruta próxima a R$ 4 mil por hectare. Segundo projeções do Rabobank. cerca de 45% inferior ao patamar observado em 2014.65 – conforme verificado no momento de elaboração deste texto – projeta-se preço médio da paridade de exportação da arroba de pluma entre R$ 55/lp a R$ 65/lp em Paranaguá. Estima-se que o frete de movimentação do fardo da pluma da região norte do estado de Mato Grosso ao porto de Santos oscile entre R$ 320 a R$ 380 por tonelada. entre os principais motivos para a elevação dos gastos no campos.011 milhão de hectares. destaca-se a necessidade de maiores despesas com defensivos. Consequentemente. o que representará R$ 4. espera-se que a pressão nas cotações internacionais se repercuta nas praças domésticas de comercialização. o que pode refletir-se em menor procura pela indústria nacional. lagartas e bicudo-do-algodoeiro. Segundo estimativas do Rabobank. principal estado produtor. o que corresponde a queda na produção anual de 1. ficando em 1. Câmbio será decisivo para a competitividade da produção nacional de algodão Segundo dados do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac). . a evolução cambial será crucial para o direcionamento das cotações e para a volatilidade dos preços domésticos. principalmente por intermédio do Prêmio Equalizador de Preço Pago ao Produtor (Pepro). resultando em patamar médio de preços inferior ao verificado em 2014. a perspectiva de preços em queda e de menores margens traduz-se em potencial redução das áreas de plantio de algodão em 2014/15.4 Mt) resultará na formação do maior nível de estoques globais já registrado na história da commodity. conforme observado em 2014. tal panorama deverá levar a patamar médio em Nova York (NY-ICE) entre US¢ 65/lp e US¢ 75/lp em 2015. PRODUTORES: A PERSPECTIVA DE PREÇOS ARREFECIDOS ALIA-SE A UM CENÁRIO DE ELEVADOS CUSTOS. Além da desvalorização do real em relação ao dólar. os programas de preço mínimo nem sempre são suficientes para resultar em margens positivas para o produtor.0 Mt) preferindo maior utilização de suas reservas mais antigas. no momento considera-se a possibilidade de uma recessão técnica.

.

Intempéries climáticas nas lavouras sul-americanas poderão reduzir oferta e limitar a queda dos preços. espera-se que o aquecimento da indústria de proteína animal estimule o consumo doméstico.Soja Riscos e oportunidades para o setor Maior plantio na América do Sul. Aumento do consumo no sudeste asiático deverá ser insuficiente para enxugar estoques. deve pressionar o mercado. apesar da queda de preços. Desenvolvimento cambial do dólar será decisivo na comercialização mundial da soja. No Brasil. .

aumentar produção em 6%. •  No País. Impacto nos preços globais: Queda Alta Neutro Soja . totalizando 74 milhões de toneladas. especialmente após confirmação de boas safras nos EUA. porém. o desenvolvimento macroeconômico da região definirá patamar das importações. mesmo patamar de 2014. Obs. apesar dos preços Cotações internacionais: -8. chegando a 147 milhões de toneladas.8 milhões de toneladas. Brasil e Argentina deverão. Rondonópolis Estabilidade da demanda na União Europeia CBOT Importações na UE devem atingir 13. Assim. conjuntamente. 2014 Produção na América do Sul deve aumentar. um recorde de 107 milhões de toneladas. Aumento das importações chinesas Preços no Brasil: -2% Elevado estoque global deverá manter pressionadas as cotações internacionais e domésticas Superprodução nos EUA (R$/saca) Fev-12 2015 Figura 5. iniciou-se o processo de forte arrefecimento dos preços em Chicago.9% A queda dos preços ocorreu após decisão do plantio na América do Sul. CBOT (US$/bushel) 600 Exportações americanas devem aumentar em 3. Importações devem apresentar aumento anual de 7.p. 25 2014 PREÇOS EM 2013/14 Retração de preços em função da recomposição dos estoques nos EUA e volta de elevadas reservas mundiais Preços em 2013/14: Retração em função da recomposição dos estoques nos EUA e volta a fundamentos de elevadas reservas mundiais Aumento anual de 17% na produção americana. alcançando 46 milhões de toneladas.2%. Nov-14 30 Ago-14 800 Mai-14 1000 40 Fev-14 50 Nov-13 1200 Ago-13 60 Mai-13 1400 Fev-13 1600 70 Nov-12 80 Ago-12 1800 Mai-12 90 Fonte: Bloomberg.2%.1 Rondonópolis PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 Melhora das margens de esmagamento vem aquecendo a indústria. •  Com um quadro mundial de estoques de passagem atingindo seu nível mais elevado em três anos. retração foi limitada pela depreciação da moeda nacional e incertezas climáticas a respeito da produção nacional. Entretanto.: Preços 2013/14 X 2012/13 relativos ao ano safra (agosto a julho).

no primeiro trimestre de 2015. significativo aumento de produção na safra sul-americana. a safra 2015 poderá apresentar preços médios em Chicago próximos ou até mesmo inferiores a US$ 9. Para o mercado brasileiro. maior produtor e exportador do grão. crescimento de 9. respectivamente. alcançando 284 Mt. Condições climáticas na América do Sul serão decisivas para a volatilidade e o patamar médio das cotações Após aumento de 5. Caso se confirme. Com a expectativa de aumento da demanda de apenas 5% no ciclo 2014/15. caminha-se para uma grande ampliação das reservas mun- Também será decisivo o desenvolvimento climático nas áreas de lavouras. ao final da colheita brasileira. com a exceção da China. quando foram produzidas 285 Mt. Como resultado do descompasso entre oferta e demanda. projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam para nova e expressiva alta na produção mundial em 2014/15. a produção recorde deverá ter grande impacto sobre os estoques globais e no direcionamento dos preços da commodity. Vale lembrar que o aumento da mortandade de aves e suínos por conta da gripe aviária e do vírus da diarreia epidêmica suína (PED. esse patamar de preços internacionais resultará em cotação média próxima a R$ 50/saca de 60 kg no Mato Grosso e R$ 55/saca de 60 kg no Paraná. a evolução do comportamento cambial – que no momento da elaboração deste texto era de R$ 2. diais da oleaginosa. também. 26 Soja BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA Preços 2015: Cotações internacionais deverão pressionar margens.7% na produção mundial de soja no ciclo 2013/14. Assim. os estoques globais de soja deverão totalizar 90 Mt. devem elevar sua produção em 7. Nos EUA. projeta-se que a produção mundial no ciclo 2014/15 atinja 311 Mt. 17% a mais que na safra passada. o expressivo aumento de 36% nas reservas mundiais seria a maior variação já registrada para a commodity. espera-se que os preços globais em 2014/15 dirijam-se a patamares significativamente inferiores aos praticados nos últimos anos. totalizando 92 Mt e 55 Mt. resultados preliminares da colheita indicam que a produção atingirá 107 milhões de toneladas (Mt). na sigla em inglês) vem inibindo o crescimento mais expressivo da demanda em importantes polos mundiais de produção animal.2% em relação ao período anterior. o Brasil e a Argentina. segundo e terceiro maiores produtores e exportadores da oleaginosa.5% e 1. Segundo projeções do Rabobank.p.65 – será crucial para o direcionamento das cotações. Esse valor supera em 24 Mt o volume registrado em 2013/14. Espera-se. Assim. onde as margens de esmagamento vêm estimulando as importações. Porém.5%. Se confirmada. Apesar de as principais agências de meteorologia apontarem para a ausência . De acordo com estimativas do Rabobank.00/bu.

Soja . Isso pode sinalizar a possibilidade de mais um ano atípico para a agricultura brasileira. Segundo projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). O uso de sementes de alta tecnologia também se expandirá. o processamento aumentará em 2015. embora capitalizadas pelos elevados preços dos últimos anos. considerando a cotação do dólar a R$ 2.p. o preço da soja em Chicago a US$ 9. BIODIESEL: AUMENTO DA MISTURA COMPULSÓRIA FAVORECE SETOR Graças à ampliação do percentual compulsório de biodiesel no óleo diesel. Por outro lado. bem como maior procura por suporte técnico e acompanhamento mais próximo das lavouras. espera-se que as margens operacionais brutas para o cultivo da soja em 2014/15 fiquem próximas a R$ 15. há expectativas de forte volatilidade. por um lado. cuja produção deverá crescer significativamente (ver tópico a seguir). Assim. buscando um hedging que lhe permita trabalhar com margens confortáveis a longo prazo. atrasos nas chuvas marcaram a fase de plantio em grande parte do território nacional. a queda de preços dos grãos pressiona as margens dos produtores. O produtor deve atentar aos sinais de oferta e demanda. e a R$ 19. INDÚSTRIA: MELHORES MARGENS AO ESMAGAMENTO ESTIMULAM DEMANDA POR GRÃOS Se. adoção de práticas como Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP). Nesse sentido. será crucial a otimização das operações como forma de reduzir os custos variáveis.00/bushel e custo operacional estimado em R$ 1.65. projeta-se ampliação de 40% no mercado nacional de biodiesel em 2015. O aquecimento do mercado brasileiro de proteína animal (vide capítulo específico) vem sinalizando maior procura por farelo para ração em 2015. além de produtividade de 55 sacas/hectare.8 Mt em 2014. valores respectivamente 44% e 32% inferiores a 2013/141. que já enfrentam três anos consecutivos de perdas por intempéries climáticas. a perspectiva de margens mais apertadas fará com que os produtores brasileiros fiquem mais cautelosos em 2014/15.8 mil por hectare. Vale destacar que. o esmagamento será ampliado para 38. Espera-se aumento na 1. continuará a ser relevante a fixação de margens na originação e na troca por insumos (vide capítulo de insumos). que o governo aumentou de 5% para 7% (B7). quanto pela negociação dos fretes (de recebimento e entrega de grãos).3 Mt. OTIMIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES E DOS GASTOS COM INSUMOS SERÁ CRUCIAL Segundo estimativas do Rabobank. Vale notar que a situação revela-se um tanto mais crítica para parte dos produtores no oeste-baiano e Piauí.50/saca de 60 kg no Mato Grosso. a partir de novembro de 2014. como forma de minimizar gastos com defensivos. por outro. tanto para os mercados de grãos quanto para a taxa de câmbio. principalmente para a produção de biodiesel. Como resultado. para 2015. boas oportunidades começam a surgir na indústria de processamento. tanto por meio do hedge de preços dos grãos e do dólar. Assim. uma vez que a queda no prêmio pago por esse tipo de grão vêm tornando sua produção menos atrativa. O óleo vegetal também será mais demandado. É importante planejar a longo prazo e adotar uma visão de baixo risco. 27 dos fenômenos El Niño/La Niña em 2014/15. ante 36. O cálculo considera base equivalente a 15% do preço de paridade para Mato Grosso e 5% para o Paraná. variedades convencionais deverão perder espaço. PRODUTORES: EM ANO DE MARGENS APERTADAS.75/saca de 60 kg no Paraná.

atrás apenas dos Estados Unidos. 28 Soja Com a expectativa de produção de 4. Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é de 7. Destaque para o crescimento da demanda do mercado asiático. A capacidade total instalada e autorizada pela Agência Nacional de Petróleo.p.5 Mt em 2015. Assim. a ociosidade industrial brasileira continuará elevada. que o comportamento cambial será decisivo para a competitividade do grão nacional. Preços mais arrefecidos da soja em 2015 contribuirão para um cenário de margens mais positivas para a indústria. a indústria nacional de biodiesel deverá experimentar melhores margens em 2015. o Brasil deverá posicionar-se como segundo maior produtor mundial.5%. próxima a 45%.6 bilhões de litros. onde a contínua elevação das margens de esmagamento ao longo de 2014 vem aquecendo as compras do grão pela indústria de processamento. De qualquer maneira. as exportações brasileiras de soja devem crescer 6. Vale lembrar. totalizando 48.47 bilhões de litros. no entanto. ainda insuficientes para a interrupção do processo de consolidação iniciado em 2013. porém. TRADERS: CENÁRIO FAVORECE NOVOS INVESTIMENTOS Maiores compras internacionais possibilitarão aumento nas receita dos traders de soja. . Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

um ano bastante favorável à arbitragem. 29 No que diz respeito às tradings que operam no Brasil. 2015 deverá ser. Soja . a ampliação do diferencial de preços entre as praças de comercialização podem oferecer boas oportunidades para margens. especialmente a empresas com boa capilaridade de originação no País. de maneira geral.p. Como consequência direta do maior consumo de ração em importantes polos de produção de proteína animal no mercado brasileiro.

Atrasos nas operações de plantio da soja apontam para elevado risco climático para a safrinha. . preços devem permanecer pressionados ainda em 2015. espera-se que o aquecimento da indústria animal estimule o consumo doméstico. No Brasil. Porém. Retração da área de plantio sinaliza proximidade do fim do ciclo de queda de preços no Brasil.Milho Riscos e oportunidades para o setor Elevados estoques mundiais devem acirrar competição internacional por compradores. Desenvolvimento cambial do dólar será decisivo na comercialização brasileira de milho.

pressionando as cotações.6%   No País.p.. a queda internacional aliou-se a aumento dos estoques locais.: Preços 2013/14 X 2012/13 relativos ao ano safra (agosto a julho). Impacto nos preços globais: Apesar de historicamente autossuficiente em milho.E. deverá apresentar queda em suas compras em até 50%. 2014 Cotações internacionais: -36. Queda Alta Neutro Milho . Preços no Brasil: -7. para 16 milhões de toneladas. Fonte: Bloomberg.   Entretanto. principalmente através dos programas de preços mínimos. país deverá reduzir as exportações em 20%. a China vem dando sinais de que necessitará importar o cereal para suprir o crescente consumo de proteína animal no mercado interno. 31 2014 PREÇOS EM 2013/14 Preços pressionados pelo maior nível de estoques na história da commodity Figura 6. projeta-se cenário de elevação de estoques e preços arrefecidos Supersafra nos EUA pressiona preços internacionais Produtividade recorde (182 sacas de 60 kg por hectare) do maior produtor e exportador do cereal deve implicar no aumento das exportações americanas para 45 milhões de toneladas.1 2015 Nov-14 Aug-14 May-14 Feb-14 Nov-13 Aug-13 May-13 Feb-13 Nov-12 CBOT (US¢/bushel) Aug-12 May-12 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Feb-12 Rondonópolis (R$) 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Perante a superprodução nos EUA e a perspectiva de fraco crescimento do consumo global. para 7 milhões de toneladas. para 71 milhões de toneladas. retração foi limitada pela depreciação da moeda nacional e pela intervenção governamental. China pode aumentar importações em 2015 Obs. Produção na região deverá apresentar incremento anual de 11%.9% PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 Expectativa de grande safra na União Europeia reduz importações   2013/14 marcou ponto de inflexão no direcionamento dos preços com a chegada de grandes safras nos EUA e na América do Sul. Rondonópolis CBOT Instabilidade política na Ucrânia reduz exportações Em decorrência da instabilidade socioeconômica que vem enfrentando nos últimos meses. Em decorrência de ampla safra a U. importante zona importadora de milho.

tamanha elevação dos estoques globais parece sinalizar a chegada ao ponto de inflexão da relação estoque/consumo da cultura. Segundo projeções do Rabobank. como consequência da queda das cotações no mercado interno brasileiro. os dois principais estados produtores de milho no Brasil. Nesse país. Na verdade. estimada em 182 sacas de 60 kg por hectare. esperam-se margens brutas negativas na safra de 2015 (receita – custo variável) no Mato Grosso e no Paraná. em 2014/15 os estoques mundiais de milho deverão apresentar aumento significativo pelo segundo ano consecutivo. Com o aumento nos custos . não apenas maior pressão nos preços domésticos em decorrência das pressões em Chicago. Após a forte seca em 2013 ter retraido significativamente as vendas internacionais americanas. Segundo projeções do Rabobank. a pressão sobre os preços deve ser mantida. mas também acirramento da disputa por mercados importadores causado pela boa safra nos EUA. PRODUTORES: BRASIL Dentre os principais fatores para tamanho descompasso entre oferta e demanda. Com produção mundial projetada em 991 milhões de toneladas (Mt) e demanda de apenas 970 Mt. Consequentemente.25/bushel a 3. Consequentemente. espera-se que ao longo de 2015 o excedente nos estoques globais mantenha as cotações internacionais de milho pressionadas. a atual conjuntura permitirá a configuração de preços médios em Chicago no intervalo entre 3. maior produtor e exportador da commodity. os EUA devem retomar as exportações de milho. Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Para o produtor brasileiro.50/bushel. destaca-se a supersafra obtida pelos Estados Unidos.p. espera-se. projeta-se elevação dos estoques mundiais. o excedente será somado aos já elevados estoques globais e resultará no maior nível de reservas do cereal dos últimos 15 anos: 191 Mt. levando a preços internacionais suficientemente baixos para desencadear novo ciclo de retração da área mundial da cultura. condições climáticas excepcionais permitiram produtividade recorde. 32 Milho BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA Preços 2015: perante a superprodução nos EUA e a perspectiva de baixo aumento do consumo global. seu principal concorrente comercial. portanto.

o que representa 6. as margens devem ser negativas. em decorrência. a grosso modo. De qualquer maneira. certamente contribuirão para a volatilidade de preços em 2015. como congestionamento em portos e aumento dos custos de transporte. em consequência do retorno das exportações norte-americanas para importantes compradores internacionais. sendo a depreciação do real favorável ao escoamento da produção. o ritmo de exportações ditará o quão bem equilibrado estará o mercado brasileiro estará ao final de 2014/15. no Paraná. a intervenção governamental por meio de programas de preços mínimos deverá limitar eventuais colapsos de preços no mercado interno. Milho . para 2015 projeta-se. projeçções iniciais apontam para excedente de 17 Mt no mercado interno. Nesse sentido. Entretanto.1 milhões de hectares e uma produção total próxima a 28 Mt. da alta do dólar. retração próxima a 10% em volume da safrinha.R$ 11. com destaque para a soja.R$ 4.p. Consequentemente. O milho de primeira safra deverá perder espaço para outras culturas. Considerando esse volume.60/saca de 60 kg. em torno de . projeta-se. além do clima. projeta-se significativa substituição de áreas de milho por outras culturas em 2014/15. especialmente a China. a expectativa de resultados negativos no campo certamente resultará em menor adoção de tecnologia nas lavouras. Vale lembrar que dificuldades logísticas. dados coletados no início de dezembro – momento de elaboração deste artigo – já sinalizavam menor procura pelo produto brasileiro. Ain- Todas essas variáveis. A expectativa é de retração de 8% na área plantada com o cereal. também contribuem para menores margens de produtores que não contem com infraestrutura de armazenagem. e . estima-se que na safra 2014/15 a produção nacional de milho fique em 72 Mt. o comportamento cambial será decisivo para a competitividade nacional. o consumo interno do cereal deve aumentar 3% e atingir 55 MT em 2014/15. ainda é cedo para estimar o quanto as menores margens poderão promover a retração na área de plantio. atingindo 44MT. para 2015. O bom momento vivido pela indústria de proteína animal (ver capítulo específico) deve sustentar os preços do milho sobretudo em localidades próximas aos importantes polos de produção de aves e suínos. Em compensação. Em relação à safrinha. da assim. Entretanto. 33 dos insumos. principalmente. no Mato Grosso. Assim. Dessa maneira.00/saca de 60 kg.

Em um cenário econômico desfavorável. o consumidor brasileiro pode optar por migrar parte do consumo de carne bovina para alternativas mais baratas. . Alta exposição ao mercado russo e ao mercado chinês (incluindo Hong Kong) representa um risco para a cadeia brasileira. como Estados Unidos e Austrália. Baixo custo de grãos deve estimular a intensificação da produção.Bovinos Riscos e oportunidades para o setor Possibilidade de abertura dos EUA para a compra de carne bovina brasileira in natura. como o frango. Ainda há espaço para o aumento do consumo de cortes especiais em nichos do mercado interno. Além do reinício dos embarques para a China. Redução do rebanho em países que competem com o Brasil no mercado internacional.

Canadá e Austrália deve elevar ainda mais os preços na Rússia •  +11% Aumento das exportações de carne bovina da Austrália em 2014 reduzirá o rebanho nos próximos dois ou três anos. Preços de exportação: +4% em dólar e +13% em reais •  -5% Redução da produção de carne bovina nos EUA em resposta aos problemas climáticos enfrentados nos últimos anos. a China deve continuar a aumentar as importações de carne bovina. •  . Em 2014 X 2013. o crescimento das importações já havia sido de cerca de 20%. Perspectivas de aumento das importações chinesas •  +7% Crescimento do volume exportado para a Rússia entre janeiro e novembro. Cotações recordes também para o boi gordo (acima de R$ 145/@). as importações russas de carne bovina do Brasil devem manter crescimento em 2015. 35 2014 PREÇOS EM 2014 Baixa oferta e cenário externo firme impulsionaram os preços no mercado doméstico 2015 -3% Produção deve cair na tentativa de reter fêmeas e retomar o crescimento do rebanho em 2016.p. escassa durante 2014.2% Primeira queda nos abates após uma sequência de 10 trimestres. R$/kg Exportação 11 +1% Importação americana deve acelerar devido à baixa oferta de boi terminado no país. Impacto nos preços globais: Queda Alta Neutro Bovinos . Austrália e Canadá favoreceu as exportações brasileiras. Preços no atacado no Brasil: +22% Oferta restrita deve manter preços internacionais altos Oferta restrita deve forçar o aumento das importações nos EUA Figura 7. EUA. Média Exportação (2011-13) 10 9 8 Carcaça Bovina Mercado Interno 7 6 Média Mercado Interno (2011-13) Redução de 10% no rebanho australiano em relação a 2013 jan m /11 ar/ m 11 ai/ 11 jul /1 se 1 t no /11 v/ 1 jan 1 m /12 ar/ m 12 ai/ 12 jul /1 se 2 t no /12 v/ 1 jan 2 m /13 ar/ m 13 ai/ 13 jul / se 13 t no /13 v/ 1 jan 3 m /14 ar/ m 14 ai/ 14 jul / se 14 t/1 4 5 Número de cabeças não deve ultrapassar 26. CEPEA.1 12 PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 •  Embargo russo à UE. +12%. Embargo à carne dos EUA.1 milhões. 2014 -10% Volume exportado pela Austrália deve cair em relação aos recordes registrados em 2014. Em 2015. Como reflexo. implicou em altas no atacado.: Preços 2014 X 2013 (Jan a Nov). •  Oferta de boi terminado. UE. Fonte: MDIC. O Brasil pode exportar até US$ 1 bilhão em carne bovina para China. Rabobank.0. Obs.

Essa exposição poderá representar grande risco. somado à possível desvalorização do real em relação a 2014. a demanda internacional deve manter-se firme para a carne nacional. A provável migração do consumo para carnes mais baratas. como o russo.200 150 1. pois o mercado externo parece ser a principal rota de crescimento.2 Boi gordo (R$/arroba) 1. o cenário global será de oferta ainda restrita para carne bovina. se considerarmos a instabilidade de alguns mercados. Nesse cenário. Entretanto. As empresas exportadoras com considerável parcela de receita dependente de poucos destinos poderão ser pegas de surpresa por algum movimento internacional inesperado. como o frango.p. a indústria de carne bovina deve continuar investindo em garantia da qualidade e controle sanitário rígido. O crescimento das exportações. 2014 Bezerro Em relação à oferta. aliado ao atual embargo russo às carnes norte-americanas e australianas. existem alguns riscos. certamente impulsionará ainda mais as exportações brasileiras. em função dos menores preços de milho e de soja. deve limitar o espaço para altas de preços. sobretudo considerando a necessidade de recuperação do rebanho em grandes exportadores. também reduz a possibilidade de novos recordes nas cotações de bovinos. Com isso. apesar do cenário positivo no mercado internacional. a oferta deve apresentar recuperação em relação a 2014 Segundo as projeções do Rabobank para 2015. com destaque para os EUA e a Austrália. o preço da carne no supermercado poderá impulsionar o consumidor a migrar para a compra de produtos substitutos.100 140 130 1. por exemplo. Em relação ao mercado interno. deve favorecer o aumento do número de animais criados em confinamento ou em outros sistemas com maior utilização de grãos na dieta. . a expectativa de baixo crescimento econômico limita o aumento do consumo doméstico.5% de aumento da produção nacional. 36 Bovinos BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA Preços 2015: Cenário externo favorável deve manter os preços no setor de bovinos de corte firmes no Brasil. para 2015. deve contribuir para a manutenção das margens dos exportadores. somado à desvalorização do real em relação ao dólar. A reabertura do mercado chinês. tornará mais competitivas as vendas internacionais do Brasil. O atual patamar de preços do bezerro deve estimular o abate de animais mais jovens e pesados em 2015 Bezerro (R$/cabeça) Figura 7. Isso deve resultar em aproximadamente 2. Assim como também observado em todas as indústrias do setor de carnes. Esse volume adicional disponível. Além disso. Isso. aliado ao cenário de menor crescimento na demanda interna. a queda com os custos de ração.000 120 900 Boi 110 800 100 700 90 80 500 70 Jan-09 Abr-09 Jul-09 Out-09 Jan-10 Abr-10 Jul-10 Out-10 Jan-11 Abr-11 Jul-11 Out-11 Jan-12 Abr-12 Jul-12 Out-12 Jan-13 Abr-13 Jul-13 Out-13 Jan-14 Abr-14 Jul-14 Out-14 600 Fonte: CEPEA. INDÚSTRIA: MANUTENÇÃO DE BONS RESULTADOS EM FUNÇÃO DO AUMENTO DAS EXPORTAÇÕES E MELHOR OFERTA DE BOI GORDO A expectativa para 2015 é de que as margens se mantenham favoráveis para os frigoríficos com operações no Brasil.

como o que se desenha para 2015.p. a confirmação dessa tendência depende da disponibilidade e dos preços praticados no mercado de boi magro. a demanda por animais jovens deve manter-se firme também nesse ano. do criador de bezerros ao frigorífico. Impulsionada pelos altos níveis de preços para a arroba do boi gordo. Bovinos . os produtores de bezerros devem continuar a desfrutar de boas margens. 37 PRODUTORES: CENÁRIO FAVORECE CRIADORES DE BEZERROS Em 2015. para compensar o maior custo na aquisição de bezerros. Apesar disso. A desvalorização nas cotações de grãos também gera a expectativa de aumento no número de cabeças confinadas. Esse cenário deixa claro que ainda existem descompassos entre os elos da cadeia pecuária brasileira. o foco deve estar no ganho de eficiência. Já para os produtores que atuam nos ciclos de recria e engorda. Maiores investimentos em nutrição e genética devem colaborar com o abate de animais mais pesados e em menor tempo. Momentos de grandes oportunidades para o Brasil no mercado internacional. devem ser melhor aproveitados para evoluir na organização entre os agentes.

por exemplo. Oportunidade de aumento no consumo de processados/empanados no mercado interno. pode elevar a competição com a carne de frango brasileira no mercado externo. como o México. mais 150 mil toneladas de frango. Aumento da produção norte americana.Frango Riscos e oportunidades para o setor Possibilidade de consolidação das exportações para mercados ainda pouco explorados. A disciplina na expansão da oferta será fundamental para a manutenção dos preços. . Aumento das exportações para a Rússia: provavelmente. antes destinadas à Rússia. O redirecionamento das exportações americanas. Baixo custo de grãos deve estimular o aumento da produção nacional.

Média Exportação (2011-13) 3.5% aumento da produção de frango no Brasil.50 Frango resfriago 3. 2014 Os problemas enfrentados pela indústria de suínos em função do vírus da PED têm estimulado o consumo de frango. CEPEA. 39 2014 PREÇOS EM 2014 A escassez de carne bovina e suína não foi suficiente para impulsionar os preços de frango no mercado doméstico Preços em 2014 (R$/kg): A escassez de carne bovina e suína não foi suficiente para impulsionar os preços de frango no mercado doméstico 2015 +3%. Preços de exportação: -5% em dólar e +3% em reais •  +160% Aumento das importações russas de frango brasileiro até novembro de 2014 em relação ao mesmo período de 2013. estimulada pela restrição na oferta de carne bovina e suína. os destinos do volume antes comprado pela Rússia (em função do embargo).50 Média Mercado Interno (2011-13) Gripe Aviária continua a desafiar a produção mexicana jan / m 11 ar / m 11 ai/ ju 11 l/ se 11 t/1 no 1 v/ jan 11 / m 12 ar / m 12 ai/ ju 12 l/ se 12 t/ no 12 v/ jan 12 / m 13 ar / m 13 ai/ ju 13 l/ se 13 t/ no 13 v/ jan 13 / m 14 ar / m 14 ai/ ju 14 l/1 4 2.00 4. Altos preços das carnes bovina e suína no mercado europeu devem continuar a estimular o consumo de frango.p. Exportação 4. Impacto nos preços globais: Queda Alta Neutro Frango .00 PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 A produção local deve crescer cerca de 2%. México e Oriente Médio serão. •  A maior oferta de frango também limitou a alta dos preços. Mesmo com o crescimento da produção. Crescimento do consumo mexicano continua a ser maior que os incrementos da produção.50 Exportação americana deve manter-se firme em 2015.1 R$/kg 5. Restrição na oferta deve manter preços firmes na China. Produção de frango crescerá. Preços de carne suína elevados também favorecem as cotações de frango. Demanda europeia por frango deve permanecer forte em 2015 •  Os preços de frango não subiram tanto quanto os da carne bovina e suína. Fonte: MDIC. +2. Preços no atacado no Brasil: estáveis em relação a 2013 •  Inflação e baixo crescimento econômico impactaram o consumo nos supermercados. Rabobank.00 +4%.00 2. preços do frango devem ser sustentados pela baixa oferta de carne bovina e suína Oferta deve crescer nos EUA Figura 8. provavelmente. China ainda enfrenta problemas com a gripe aviária OBS: Preços 2014 X 2013 (Jan a Nov).

tanto no mercado interno. a expectativa de aumento no consumo interno é de apenas 2. Ração Frango vivo Em função do elevado crescimento do mercado de empanados e de produtos de rápido preparo no Brasil.85 0. Com isso. mais uma vez. Essa tendência deve envolver.45 0. a indústria deve manter os investimentos em plantas industriais de processamento de frango. estimulado pelo baixo preço dos grãos.90 0. 2014 Além disso. Oportunidades de comércio com a Rússia. Com isso. Entretanto. O Rabobank estima que o crescimento na oferta nacional deve ficar próximo a 3% em 2015. criam um cenário bastante positivo. Em relação ao mercado interno.65 0.50 0.70 0. Ja n1 Ab 1 r-1 Ju 1 l-1 O 1 ut Ja 11 n1 Ab 2 r-1 Ju 2 l-1 O 2 ut Ja 12 n1 Ab 3 r-1 Ju 3 l-1 O 3 ut Ja 13 n1 Ab 4 r-1 Ju 4 l-1 4 1.60 0. A queda nos custos com ração – devido ao aumento de disponibilidade de grãos no mercado interno e consequente queda nos preços do milho e da soja – deve estimular o aumento da produção de frango no Brasil. Logo. crescimento da oferta.55 0. aliados aos menores custos com ração e à expectativa de novo crescimento das exportações. as estimativas do Rabobank para 2015 apontam para um ano bastante favorável para a cadeia do frango no Brasil.80 0. pode pressionar o mercado no primeiro semestre Em 2015.40 2. aliadas à provável desvalorização do real em relação ao dólar. os riscos para a indústria avícola nacional parecem reduzidos em 2015. os atuais movimentos de fusão e aquisição na indústria devem manter-se também em 2015. a estimativa de preços elevados para a carne bovina deve fomentar o crescimento do consumo de frango.7 2. quanto no âmbito global. conforme observado em períodos anteriores. INDÚSTRIA: EXPORTAÇÕES FIRMES E MENORES GASTOS COM RAÇÃO SUSTENTAM AS MARGENS NA INDÚSTRIA Os custos da ração devem estimular aumento da produção em 2015 Preço indicativo da ração (R$/kg) Figura 8.5 2.75 0. .7 Em comparação ao histórico recente.9 2.p. operações entre pequenos e médios grupos e/ou empresas de capital internacional e fundos de investimentos. Os altos patamares de preços esperados para a principal carne concorrente (bovina). devem favorecer às exportações brasileiras.5 Fonte: CEPEA. dependente do desempenho das exportações. a formação de preços no mercado interno ficará.9 1.1 1. o cenário econômico projetado para o mercado doméstico em 2015 não deve sustentar altas taxas de crescimento.2 Preço do Frango Vivo (R$/kg) 0. principalmente. o cenário global será de oferta ainda restrita para as carnes concorrentes do frango (bovina e suína). No entanto. De toda forma.5% para o frango in natura. aquisições por parte dos grandes players não estão descartadas.3 2. Rabobank. 40 Frango BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA Preços 2015: Elevados preços de carnes concorrentes devem impulsionar as cotações do frango em 2015.

.

Oportunidade de aumento no consumo de processados e cortes especiais. Oportunidade de consolidação das exportações para mercados antes pouco explorados como Japão e Angola. Manutenção de controle sanitário firme favorecerá as exportações brasileiras em relação a países com dificuldades no controle de PED (Diarreia Epidêmica Suína) ou ASF (Febre Suína Africana). Alta exposição ao mercado russo. Coreia do Sul e Colômbia.Suíno Riscos e oportunidades para o setor Possibilidade de abertura de mercados como México. Capacidade de controle do vírus PED nos EUA e retomada das exportações .

A importação de carne suína deve reduzir em 2015.4% Redução na oferta nos EUA em função do vírus da PED. Impacto nos preços globais: Queda Alta Neutro Suíno . 43 2014 PREÇOS EM 2014 O vírus da PED. à Austrália e ao Canadá favoreceu as exportações brasileiras. influenciada pelo aumento da produção interna (+5%). aos EUA. •  Impacto significativo também no Japão e na Coreia do Sul. deve manter a pressão sobre os preços. o México deve apresentar queda significativa de produção em função do vírus da PED.6% Queda nos abates no primeiro semestre. 2014 Cotações internacionais: +23% em dólar e +33% em reais Ainda assim. Rabobank. em função do redirecionamento do volume antes exportado para a Rússia. Após a estagnação de 2014. OBS: Preços 2014 X 2013 (Jan a Nov). o crescimento em 2015 deve ficar abaixo de 1%. Exportação 8 Média Exportação (2011-13) 7 6 5 Porém. Fonte: MDIC. • +38% Aumento do volume exportado para a Rússia entre janeiro e novembro. Carcaça Suína Mercado Interno 4 3 Média Mercado Interno (2011-13) jan/12 fev/12 mar/12 abr/12 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out/12 nov/12 dez/12 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14 jun/14 jul/14 ago/14 set/14 out/14 Ritmo de importações russas deve perder força em 2015 -10%. Perspectivas de aumento das importações na China Crescimento da oferta de suínos no mercado domésico chinês deve ser de apenas 1%. CEPEA.p. •  . Importações devem continuar a aumentar em 2015. impulsionou os preços nos mercados internacional e doméstico 2015 Figura 11. impulsionou os preços nos mercados internacional e doméstico Preços em 2014 (R$/kg): O vírus da PED. Excesso de oferta no mercado interno. aliado ao embargo russo. Preços em queda desestimulam a produção Preços no Brasil: +18% Oferta restrita deve limitar a queda dos preços no mercado externo Os EUA ainda sentirão os efeitos do vírus da PED em 2015 R$/kg 2 PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 Embargo russo desestimula a produção na UE. as exporações brasieliras para a Rússia devem aumentar em 2015. +20%. •  -0. •  Embargo russo à UE.1 Aumento do peso de abate em função da maior 9 utilização de grãos limita a queda da produção e o volume de carne suína deve voltar aos patamares de 2013. aliado ao embargo russo.

principalmente. nas quais grande parcela da receita depende de poucos destinos. Estimativas Rabobank. deve favorecer as exportações de carne suína brasileira e criar um ambiente favorável à sustentação dos preços no mercado interno.60 3. devem resultar em aproximadamente 3. Isso. de outro há expectativa de aceleração da demanda em 2015.00 Ração 0.00 Fonte: CEPEA. considerando a instabilidade de alguns mercados. a oferta não tende a crescer significativamente. O primeiro deles diz respeito às empresas exportadoras.80 4. Margens favoráveis ao suinocultor devem estimular a produção doméstica em 2015 Preço indicativo da ração (R$/kg) Figura 11. principalmente no primeiro semestre. deve direcionar parte da demanda para o mercado de suínos. INDÚSTRIA: AUMENTO DE EXPORTAÇÕES E VENDA DE PROCESSADOS NO BRASIL A expectativa do Rabobank para 2015 é de que o ambiente continue favorável para os frigoríficos com operações no Brasil.p. os preços da carne suína em patamares recordes. em 2015 a indústria de carne suína deve continuar a investir em unidades processadoras para atender a essa nova dinâmica do mercado brasileiro.20 0 Ja n1 Ap 1 r-1 1 Ju l-1 O 1 ct -1 Ja 1 n1 Ap 2 r-1 2 Ju l-1 O 2 ct -1 Ja 2 n1 Ap 3 r-1 3 Ju l-1 O 3 ct -1 Ja 3 n1 Ap 4 r-1 4 Ju l-1 4 1. além de uma leve recuperação do consumo interno. Por outro lado. Além da redução de custos com ração. A retomada. por exemplo. Essa exposição pode representar um risco alto. do crescimento das exportações. Além disso. associada à restrita disponibilidade de carne bovina.00 0. aliado à provável desvalorização do real em relação ao dólar.00 0. A expectativa é de que o aumento no consumo de processados e de cortes especiais seja maior do que o de carne in natura. Apesar do cenário positivo.2 Preço do suíno vivo (R$/kg) 5. existem alguns desafios para a indústria. o que deve limitar um cenário de preços mais elevados. o que favorecerá as empresas com foco em produtos de maior valor agregado. de um lado. Se. Esse volume deve ser suficiente para atender ao crescimento da demanda interna e das exportações. aliados à redução de custos com ração (em função da queda dos preços do milho e da soja. 2014 Suíno Vivo Entretanto.00 0.00 1. 44 Suíno BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA Preços 2015: Cenário externo favorável deve suportar os preços no setor de suínos no Brasil ainda em 2015. o preço da carne suína no varejo do mercado interno pode levar o consumidor a migrar para o consumo de outras carnes concorrentes. Nesse cenário. o que proporcionou margens favoráveis para o produtor e para a indústria). a indústria deve beneficiar-se. .40 2. como o russo. ainda que lenta. aumento da produção doméstica limita novos recordes nas cotações da carne no mercado interno As projeções do Rabobank para 2015 indicam cenário global de oferta ainda restrita de carne suína.5% de aumento da produção nacional. do crescimento econômico global.

Espera-se que a manutenção dos preços internacionais e da carcaça suína no mercado doméstico sejam também refletidas nas cotações do suíno vivo. Coreia do Sul e México pagam mais pela carne de melhor qualidade. O aumento da garantia de qualidade da carne suína brasileira vai ao encontro da oportunidade de consolidação do Brasil como exportador para mercados mais exigentes. Lembrando que o Japão já é cliente do Brasil e tende a aumentar seus volumes de importação também em 2015.p. O cenário favorável é uma boa oportunidade para efetuar os investimentos necessários em produtividade e controle de doenças. Suíno . Importadores como Japão. Após um período recente de perdas. 45 PRODUTORES INDEPENDENTES: CENÁRIO FAVORECE NOVOS INVESTIMENTOS Tal como na indústria. a recuperação das margens em 2014 deve manter-se também em 2015. os produtores independentes brasileiros tendem a beneficiar-se com o aumento das exportações e o baixo preço dos grãos.

Rendimento mais elevado da fruta para produção de FCOJ e NFC reduz os custos dos processadores com matéria-prima. Relação estoque-consumo abaixo de 30% representa um possível aumento nos preços para o suco brasileiro no segundo semestre. Provável redução das exportações para a Europa. Retomada marginal dos preços da laranja em São Paulo ainda não é suficiente para a recuperação significativa das margens dos produtores. Cenário para 2015/16 apresenta-se mais favorável.Suco de Laranja Riscos e oportunidades para o setor Impacto do greening na safra da Flórida promoverá o aumento da demanda americana por suco brasileiro. principalmente os que operam com menor escala. Os reajustes nos custos da mão de obra e combustíveis devem pressionar a cadeia como um todo. maior mercado do suco brasileiro. .

800 10.6 8.200 7.400 6.3 200 2015 7.5 6. CitrusBR. Preços elevados do NFC podem intensificar a redução no consumo americano.000 100 Ja nM ar Ab /12 r-J un Ju /12 l-S e Ou t/12 t-D ez /1 Ja 2 nM ar / 13 Ab r-J un Ju /13 l-S e Ou t/13 t-D ez /1 Ja 3 nM ar / Ab 1 r-J 4 un /1 4 Ju l-S et /1 4 1. Preço médio trimestral listado FCOJ (Base The Public Ledger) Consumo continua em queda na Europa Preço médio trimestral da laranja posta na indústria (R$/40.800 Figura 9. •  Apesar disso. Preços FCOJ na Europa: -16%* entre janeiro e novembro de 2014 •  A demanda continua retraída tanto na Europa como nos EUA. Retração similar é esperada para 2015.p. Em um ano (dez/13 e nov/14).1 Estimativas privadas apontam para 90 a 100 milhões de caixas em 2014/15.8Kg) Mercado total de sucos e néctares teve queda de 2. os valores atuais estão ainda 33% abaixo dos picos registrados em 2010 e 2011. Cotações de FCOJ permaneceram abaixo da média dos últimos dois anos Milhares de toneladas 2. em função do greening US$ /tonelada 400 PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 Queda Alta Neutro Suco de Laranja .6 2.8 2. Rabobank 2014 Economia da Zona do Euro continua a dar sinais de fraqueza. 47 2014 PREÇOS INTERNACIONAIS DE SUCO EM 2014 Queda na demanda global reduziu as exportações brasileiras de suco de laranja em 9% nos primeiros dez meses. Fontes: Secex.0 6. As margens no campo continuam apertadas. com possibilidade de recessão em alguns países em 2015. *Preços referência: The Public Ledger Impacto nos preços globais: A contração da oferta na Flórida deve sustentar o mercado e elevar as cotações para toda a cadeia na segunda metade do ano 2014/15: Menor safra na Flórida em 50 anos. Exportações trimestrais em milhares de toneladas (FCOJ equivalente) Escassez de matéria-prima pode comprometer a escala econômica mínima de parte da indústria na Flórida.3 2. The Public Ledger. Produção chinesa não deve acompanhar crescimento na demanda interna Espera-se aumento no consumo doméstico em 2015.3 6.600 9. •  A redução de -22% na produção da Flórida não foi suficiente para amenizar a pressão nas cotações internacionais.4 8. Cotações desuco FCOJ Preços internacionais de empermaneceram 2014: Queda na abaixo da média demanda global reduziu as últimos exportações de dos doisbrasileiras anos suco de laranja em 16% nos primeiros nove meses.5 300 2. Queda de 4% a 14% em relação a 2013/14. Importações poderiam aumentar em 2015 com produção restrita por falta de fruta para indústria.9% em 2014. Contração da demanda em função da economia mais fraca e migração do consumo para outras categorias de bebidas.5 8. Recuo nas importações pode chegar a 5% – 10% em 2015. Preço spot da laranja em SP: +30% dezembro 2013 a Perspectivas de queda das importações do Japão dezembro 2014 •  A seca e a redução de área têm contribuído para a recuperação dos preços no mercado interno. •  Dados de 2014 apontam para queda de consumo próxima de 5% no mercado americano. a queda registrada foi de 6%.

Rabobank 2014 Queda na relação global estoque-consumo para o suco brasileiro deve melhorar os fundamentos do mercado em 2015.2 $R/caixa (40. Isso deve ser refletido nos preços internacionais.3 Relação estoque/consumo 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 20 08 /0 9 20 09 /1 0 20 10 /1 1 20 11 /1 2 20 12 /1 3 20 13 /1 4 20 14 /1 5f 20 15 /1 6f 1. podem levar a um novo aumento nos preços da laranja no segundo semestre de 2015.800 1. Apesar de possível queda nos gastos com fertilizantes e defensivos (ver capítulo de Insumos).8Kg (20% mesa e 80% indústria) 5 2014/15f 2013/14e 2012/13 2011/12 2010/11 2009/10 2008/9 2007/8 2006/7 2005/6 2004/5 2003/4 0 Fontes privadas apontam para redução de 4% – 14% na safra da Flórida em 2014/15.5% a 6. o cenário de preços internacionais apresenta-se mais favorável para 2015/16. para a indústria. A queda de frutos provocada pelo greening será determinante ao longo da safra.8Kg) 20 PRODUTORES: AINDA NÃO HÁ EXPECTATIVA DE RECUPERAÇÃO SIGNIFICATIVA DAS MARGENS NO CAMPO Os custos de produção devem apresentar aumentos significativos em 2015. A expectativa de reajuste do salário mínimo (8. menores gastos com matéria-prima. Oferta restrista aponta para cenário mais favorável no começo de 2015/16 Margens do produtor continuarão sob pressão na primeira metade do ano (dados indicativos para módulo de 100 ha e 408 pés/ha em Araraquara/SP) Figura 9. As margens da indústria também podem ser impactadas por possíveis elevações nos custos de processamento. 48 Suco de Laranja BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA Preços da laranja em 2015: Pressão no mercado internacional de suco limita a retomada dos preços da matéria-prima no primeiro semestre. Fonte: Informa Economics. Em 2013/14. a retomada dos preços não deve acontecer antes da metade do ano Milhares de toneladas (FCOJ equivalente) Figura 9. FCOJ equivalente Relação estoque/ consumo No Brasil. A estimativa é de que a produção total fique entre 90 e 100 milhões de caixas. a recuperação no teor de sólidos na safra 2014/15 representa. projeta aumento de custo entre 5.400 1. principalmente para os pequenos e médios produtores. principalmente a de cana-de-açúcar.8Kg (etapa produtiva) 15 10 Preço médio safra por caixa 40. Custo de produção R$/caixa 40. aliada à concorrência por mão de obra no campo com outras culturas. Porém. o cenário ainda é de pressão sobre as margens no final da safra 2014/15. em função da quebra da safra na Flórida e da produção restrita em São Paulo.600 1. A recente recuperação dos preços ainda se mostra insuficiente para aliviar os resultados negativos no campo. O rendimento da laranja durante a safra 2014/15 situa-se próximo de 250 caixas de laranja por tonelada de FCOJ. as mudanças no balanço global da oferta em 2015/16. . A contração da oferta na Flórida e o consequente aumento das importações americanas também devem favorecer o mercado global em 2015/16. com demanda europeia restrita.000 800 600 400 200 0 Fonte: Informa Economics. o USDA (Ministério de Agricultura dos EUA) ainda pode revisar para baixo sua projeção inicial de 108 milhões de caixas.8%). Rabobank 2014 INDÚSTRIA: MENORES CUSTOS COM MATÉRIA-PRIMA E REAL DESVALORIZADO DEVEM COMPENSAR PARCIALMENTE A ATUAL PRESSÃO NAS COTAÇÕES INTERNACIONAIS Produção est. Assim como em anos anteriores. eram necessárias 285 caixas para produzir o mesmo volume.5% em relação a 2014. Com a relação de estoque-consumo para suco brasileiro diminuindo para 26% no começo da safra.200 1.p. Porém.

49 Suco de Laranja .p.

As compras da Rússia poderão dinamizar o setor exportador brasileiro em 2015. Oriente Médio).Leite Riscos e oportunidades para o setor Mesmo com a redução nos preços de leite. No Brasil. . queda nos custos com ração deve contribuir para a manutenção das margens no campo. reestruturação das empresas líderes e entrada de um player global devem dinamizar o setor e aumentar a inovação. Maior concorrência para as exportações brasileiras nos mercados tradicionais (Venezuela. Demanda interna moderada por leite UHT e derivados. Menor preço por litro deve impactar os produtores e favorecer a indústria. África.

O Brasil pode ser beneficiado. Manteiga 2. Cotações internacionais: -49% (Índice GDT fevereiro – outubro) A demanda interna europeia não deve acompanhar o aumento da oferta. Preços no Brasil: +5% em comparação com 2013 (preço Oferta elevada deve manter os preços em níveis baixos no mercado internacional até o terceiro trimestre Preços domésticos nos EUA podem cair em 2015 Figura 10.500 Fonte: USDA. ou 3 13 oag n- r-1 ju 13 ab 2 12 v- fe z- t-1 de 12 o- ou ag Aumento da produção observado no segundo semestre de 2014 deve elevar ainda mais os estoques nos EUA.6% aumento global da oferta de matéria-prima nas principais regiões exportadoras do mundo. O embargo aos produtos europeus deve ser mantido no mínimo até o terceiro trimestre de 2015. ano foi positivo para o setor no Brasil Forte oferta nos países exportadores e redução nas compras da China e da Rússia derrubam preços de lácteos no mercado internacional em 2014 2015 Preços internacionais baixos devem ser refletidos no mercado interno norte-americano. •  O consumo interno firme ajudou a manter os preços em patamares elevados durante o ano.500 Queijo 4. médio Janeiro a Novembro) As importações de queijo e manteiga da América do Sul devem aumentar em 2015. 51 PREÇOS EM 2014 2014 Apesar da forte queda nos preços intercionais de leite.500 WMP (Leite em pó integral) 3.1 $USD/tonelada PERSPECTIVAS MUNDIAIS PARA 2015 Perspectivas de desaceleração das importações chinesas Maior oferta no mercado doméstico. 5. mais de 30% do queijo exportado pela Europa vai para a Rússia. Rabobank 2014 Necessidade de redirecionamento das exportações para outros mercados.p. •  +4. Tradicionalmente. Impacto nos preços globais: Queda Alta Neutro Leite . Estoques elevados pelas compras recordes em 2014.500 SMP (Leite em pó desnatado) Fim das cotas contribuirá para maiores superávits exportáveis 13 t-1 3 de z13 fe v14 ab r-1 4 ju n14 ag o14 Embargo russo prejudicará as exportações da UE. Embargo russo gera estresse nos mercados de leite •  Demanda internacional não foi suficiente para absorver o excesso de oferta.

deve colaborar para um cenário em que a demanda apresente aumento apenas moderado. o cenário para 2015 é de oferta firme. Entretanto. Como consequência da maior disponibilidade de leite e da atual situação da demanda. Com isso. o desemprego se mantém em níveis baixos. Isso considerando que.p. (Set 2012=100) mar-13 Preços 2015: Aumento da produção doméstica e desaceleração da demanda – reflexo do baixo crescimento econômico – devem pressionar os preços no primeiro semestre PRODUTORES INDEPENDENTES: ESTIMATIVA DE MENOR REMUNERAÇÃO DEVE SER ALIVIADA PELOS CUSTOS MAIS BAIXOS COM RAÇÃO EM 2015 dez-12 BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA set-12 Leite Fonte: Cepea. Rabobank – 2014 . Entretanto. parece provável que em 2015 haja menor remuneração do leite pago ao produtor. com a oferta de leite no Brasil crescendo acima de 10% em 2014. somado ao atual nível de inflação. o ano já começa em patamar bastante elevado. O baixo crescimento econômico. base Cepea (Set 2012=100) set-14 jun-14 mar-14 dez-13 set-13 jun-13 Índice custos de produção. os produtores foram incentivados a investir em substancial crescimento do rebanho e em equipamentos. Margens do produtor aumentaram nos últimos dois anos Figura 10. por enquanto.2 Set 2012 = 100 (R$/L) 130 125 120 115 110 105 100 95 90 Índice preço ao produtor. 52 Em função das margens positivas que o setor experimentou no último ano. custo da ração deve cair. uma vez que o milho e o farelo de soja continuam com estimativas de preço para 2015 inferiores à média de 2014 (ver capítulos para soja e milho). base Scot C. Scot Consultoria.

Sem o fator Rússia. notadamente no primeiro semestre. e a reestruturação da Nestlé e da Fonterra com o fim da parceria DPA.05 1.03 1.9 2. no Brasil. como resultado da reorganização das principais empresas do setor lácteo. Porém.p. 2014 Leite .11 1. somado à oferta firme. demanda firme eleva os preços do UHT no varejo e mantém preço pago ao produtor em patamares elevados Por outro lado. os custos de insumos para a indústria devem ser menores em relação ao ano passado. As perspectivas da Venezuela são incertas. limitará o aumento de preços. a multinacional francesa disputará a liderança com a Nestlé.13 1.95 Figura 10. Oriente Médio) e poderão sofrer perda de competitividade. as vendas dos ativos da LBR. o embargo russo às importações europeias. Rabobank 2014 Balança comercial -18 set-13 Mêdia (2012-14) 2.1 Preço médio bruto pago ao produtor 3 Mêdia (2012-14) -2 set-14 jul-14 mai-14 mar-14 jan-14 -22 nov-13 set-14 ago-14 jun-14 mai-14 abr-14 mar-14 fev-14 jan-14 dez-13 nov-13 out-13 set-13 jul-14 Fonte: USDA.97 0.3 UHT no varejo em SP ($R/litro) 10 6 3. norte-americanas e australianas pode trazer novas oportunidades para os exportadores brasileiros. considerando os sérios problemas macroeconômicos e fiscais que esse país vive atualmente. Figura 10.09 1. Rabobank. a Lactalis deve assumir a posição de líder de mercado na categoria de UHT.99 0. as margens não devem apresentar crescimento expressivo.07 1. com um market share próximo de 10%. a balança comercial brasileira apresentaria aumento do déficit em 2015. Entretanto.8 2 jan-13 3.4 Miles de toneladas nov-12 Pago ao produtor ($R/litro) A amplitude do déficit da balança comercial dependerá das compras da Rússia em 2015 set-12 Em 2014.2 1. Em 2015. DO EFEITO RÚSSIA Com a redução do preço médio estimado para grãos e leite. manteiga e leite em pó. Como consequência. Em termos de captação de leite. se as compras russas aumentarem nos patamares projetados. EM BOA PARTE.01 0. Fonte: Secex. Como consequência.6 -10 mai-13 2. África. parece pouco provável que a demanda por leite líquido e derivados apresente crescimento muito significativo em 2015. Dessa forma. Isso. os preços devem se manter baixos no mercado internacional.7 Preço do leite longa vida (São Paulo) no varejo Exportações -6 mar-13 2. em especial para o setor de queijo. 53 INDÚSTRIA: MENOR CRESCIMENTO NAS VENDAS DOS PRODUTOS LÁCTEOS DEVE SER COMPENSADO PELA REDUÇÃO DOS CUSTOS COM MATÉRIA-PRIMA BALANÇA COMERCIAL: PROJEÇÃO DE REDUÇÃO DO DÉFICIT EM LÁCTEOS PARA 2015 DEPENDERÁ. Entre as iniciativas de maior destaque podemos mencionar os investimentos por parte da Lactalis e a consequente saída da BRF. o Brasil poderá reduzir o déficit em 2015.5 Importações -14 jul-13 2. As projeções do Rabobank para 2015 indicam cenário global de elevada oferta de leite. A expectativa é de maior dinâmica e inovação industrial em 2015. as exportações brasileiras devem enfrentar acirrada concorrência em seus mercados tradicionais (Venezuela.

Alta exposição à volatilidade cambial. . Movimentos de fusão e aquisição. Exposição ao prazo safra com preço de commodities em aberto representa um grande risco para a cadeia.Insumos Riscos e oportunidades para o setor Possibilidade de redução na área plantada e na adoção de tecnologia no campo. principalmente no elo da distribuição.

55 2014 INSUMOS EM 2014 Alta do dólar. expectativa de queda nas margens no campo Médias entre janeiro e novembro de cada ano.1 Soja 0 PERSPECTIVAS 2015 Maior experiência no controle de Helicoverpa pode reduzir demanda por inseticidas. aliada à demanda por insumos ainda firme. respectivamente. gastos com defensivos e sementes subiram mais de 40% no MT • +76% e +60% estimativa de gastos com inseticidas para soja e milho safrinha no MT. Cana. aliada ao crescimento na demanda interna.p. •  Em dólar: -6% e -16% queda de ureia e KCl no mercado internacional. Estoques elevados na distribuição podem pressionar preços de insumos em algumas regiões. No geral. evitou a queda de preços no mercado brasileiro Queda nas cotações das principais commodities podem ser refletidas nos preços de insumos ao produtor brasileiro. Impacto nos preços globais: Queda Alta Neutro Insumos . a média do ano ficou apenas 2% acima da registrada para o mesmo período de 2013. Soja. produtores devem evitar investir em sementes de alta tecnologia na safrinha. 2014/15e Fonte: Imea. Demanda global enfraquecida deve limitar alta nos preços de fertilizantes Figura 12. com destaque para P e K. Para MAP. Café/Laranja. Fertilizantes 1800 1600 Sementes 1400 1200 Medidas de controle de estoque pela indústria internacional podem amenizar a queda nos preços. Algodão. Custos de produção em reais/ha – Mato Grosso 2200 2000 Aumento de 11% nas importações brasileiras e queda na área safrinha devem resultar em estoques domésticos relativamente confortáveis. elevou os custos de produção da última safra 2015 Produtores podem reduzir aplicações. Defensivos – Em média. 2014 Provável redução de área para algumas culturas. Defensivos: Menor adoção de tecnologia no campo Expectativa de margens negativas para o milho deve reduzir os investimentos com o controle de pragas. Fertilizantes – a alta de +6% no dólar. aliada à demanda por insumos ainda firme. elevou os custos de produção da última safra Insumos em 2014: Alta do dólar. Milho. Destaque para o milho. Defensivos 1000 800 Combustível 600 Opção por sementes de menor tecnologia deve reduzir os gastos médios 400 Outros 200 2009/10 2010/11 2011/12 2012/13 2013/14 Na tentativa de cortar os custos.

também.0 BRL/USD 1.1 KCl 2. Além da provável redução nas vendas de insumos. acostumadas a trabalhar com prazos mais longos. No caso de fertilizantes. as entregas no campo cresceram 6%. A expectativa de redução na área de safrinha pode. Em função das margens mais apertadas. Resultados negativos na distribuição e no campo podem impactar o recebimento das vendas a prazo realizadas pela indústria. a queda no consumo poderá vir principalmente da redução nas aplicações de fósforo e de potássio. ferramentas de hedging tornam-se essenciais para a manutenção de resultados positivos na cadeia como um todo. assim como verificado nas duas últimas safras. devem acompanhar cada vez mais de perto as operações no campo.4 550 500 450 400 350 2. deve resultar em estoques relativamente confortáveis. à semelhança do que já ocorreu nas duas últimas safras. aliado à volatilidade do câmbio. Assim como nas últimas duas safras. produtores podem optar por utilizar parte dos nutrientes já acumulados no solo em safras anteriores. 56 Insumos BRASIL 2015: PERSPECTIVAS GERAIS E IMPACTOS PARA OS DIFERENTES ELOS DA CADEIA Preços 2015: Menores margens no campo devem impactar a adoção de tecnologia na próxima safra. Nesse cenário. requer uma atenção especial ao carregamento de estoques na cadeia de insumos. Como a maior parte desses insumos é importada.2 Preços do fertilizante importado x Dólar USD/Ton . o volume importado pelo Brasil havia crescido 11% em relação ao registrado em 2013. a volatilidade do câmbio pode afetar diretamente as previsões de redução nos custos médios. Neste ponto. também. até outubro de 2014.5 600 2. Um possível aumento do salário mínimo poderá. INDÚSTRIA DE INSUMOS: PROVÁVEL REDUÇÃO NOS VOLUMES DE VENDA EM 2015. 2014 Entretanto. afetar os custos médios de produção no campo. Nesse mesmo período.p.9 250 1. a provável redução na demanda por fertilizantes. tanto para fertilizantes quanto para defensivos. A volatilidade no mercado de commodities também representa uma grande ameaça para a saúde financeira da cadeia de distribuição brasileira. normalmente o principal item na planilha de custos dentro da porteira. operações de troca e originação de grãos realizadas sem uma estrutura adequada de hedging podem afetar diretamente resultados de distribuidores de insumos. A demanda mais fraca pode impedir a alta nos preços de insumos A expectativa inicial de menor demanda global por fertilizantes e defensivos deve ser refletida nos preços pagos pelo produtor brasileiro na próxima safra.3 Ureia 2.8 ja n m /12 ar m /12 ai /1 ju 2 l/1 se 2 t no /12 v/ ja 12 n m /13 ar m /13 ai /1 ju 3 l/1 se 3 t no /13 v/ ja 13 n m /14 ar m /14 ai / ju 14 l/1 se 4 t/1 4 300 Fonte: Bloomberg. o potencial de alta nas cotações de adubo no Brasil parece limitado no primeiro semestre de 2015. . ter grande influência sobre a formação dos estoques de fertilizantes no início de 2015. aliada ao aumento das importações.CFR Brasil BRL/USD 650 2.2 MAP 2. o dólar mais forte impede que possíveis quedas nas cotações internacionais sejam refletidas nos preços pagos pelo agricultor brasileiro. Tomando a cadeia de adubos como exemplo. segundo dados da Anda (Associação Nacional para a Difusão de Adubos). a volatilidade no câmbio pode amenizar a queda nos preços de fertilizantes para o produtor brasileiro Figura 12. O provável recuo nas vendas no início do ano. Grande parte das dívidas com fertilizantes e defensivos importados é feita em dólar. companhias de defensivos e sementes. No mercado doméstico. CENÁRIO EXIGE BOAS ESTRATÉGIAS EM RELAÇÃO AO CARREGAMENTO DE ESTOQUES E À VOLATILIDADE DO CÂMBIO A indústria deve estar atenta ao possível aumento de estoques ao final de 2014. Nesse cenário.

.

o Rabobank é um dos principais parceiros de negócios para empresas destes segmentos.br . prezando sempre pelo relacionamento de longo prazo e crescimento sustetável.Soluções financeiras e estratégicas para o agronegócio Financiando o setor de alimentos e agronegócio há mais de 110 anos.rabobank. Buscamos entender profundamente as necessidades dos nossos clientes. Saiba mais em www.com.

.

Araçatuba (SP) Brasília (DF) Lucas do Rio Verde (MT) Querência (MT) Rondonópolis (MT) Uberlândia (MG) (18) 3609-8461 (61) 3321-3193 (65) 3549-6093 (66) 3529-2485 (66) 3423-4580 (34) 3215-8206 Balsas (MA) Chapadão do Sul (MS) Palmas (TO) Ribeirão Preto (SP) São Paulo (SP) Varginha (MG) (99) 3541-5707 (67) 3562-7137 (63) 3213-2278 (16) 3911-5092 (11) 5503-7000 (35) 3222-6727 Barreiras (BA) Cuiabá (MT) Patos de Minas (MG) Rio Verde (GO) Tangará da serra (MT) (65) 3642-3366 (34) 3823-9444 (64) 3613-5595 (65) 3329-1522 (77) 3612-0034 Rabobank International Brasil Food & Agribusiness Research and Advisory Telefone: + 55 11 5503-7000 www.com ou pelo telefone: 0800 703 7016 (ligação gratuita). das 9h00 às 18h00. assim como qualquer outra entidade legal dentro do grupo econômico ao qual este pertence. Ouvidoria Rabobank Brasil Nós disponibilizamos a você o serviço de Ouvidoria.rabobank. perdas ou lucros cessantes incorridos. com o objetivo de garantir que as suas sugestões e/ou reclamações sejam analisadas pela(s) áreas(s) responsável(is) do banco. sinta-se á vontade para nos procurar. no todo ou em parte. publicado.Balsas (MA) Querência (MT) Palmas (TO) Lucas de Rio Verde (MT) Barreiras (BA) Tangará da Serra (MT) Brasília (DF) Cuiabá (MT) Patos de Minas (MG) Rondonópolis (MT) Rio Verde (GO) Uberlândia (MG) Chapadão do Sul (MS) Ribeirão Preto (SP) Varginha (MG) São Paulo (SP) Araçatuba (SP) Este material destina-se exclusivamente à leitura e não pode ser.br ©2014 All Rights Reserved. copiado ou distribuído para terceiros. Se após ter contatado os canais pertinentes dentro de nossa organização. O propósito deste material é meramente informativo e não constitui uma oferta de venda nem uma solicitação de compra de nenhum produto oferecido pelo Rabobank. direta ou indiretamente. pelo e-mail: ouvidoria@rabobank. . ainda assim não estiver satisfeito(a) com a solução apresentada.com. O Rabobank. Você pode contatar a Ouvidoria do Rabobank Brasil de segunda a sexta-feira. em virtude do uso das informações contidas neste documento. não se responsabiliza por quaisquer danos.