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São vários os problemas que a nossa profissão atravessa nos presentes dias.

Proponhome a identifica-los e a idealizar um cenário que contribua para a sua melhoria.
Assim, e após alguma reflexão, pude identificar os seguintes eixos centrais da nossa
profissão:
1) Ensino de Enfermagem em Portugal
Em 2010 existiam em Portugal cerca de 18 escolas de Enfermagem
http://www.ordemenfermeiros.pt/sites/sul/informacao/paginas/escolassuperioresdee
nfermagem.aspx ) - se fizermos um pequeno exercício de calculo mental, em que

definimos uma media de 2 turmas com cerca de 30 alunos, por ano em cada
escola, obtemos uma média de 1080 enfermeiros recém licenciados por ano à
procura de Emprego, todos os anos!
Quem Lecciona? O que lecciona ? Como lecciona ?
Atrevo-me a afirmar que o ensino é leccionado maioritariamente por pessoal
longe da sua prática profissional, com mais professores e menos Enfermeiros,
em que os programas dos cursos de Enfermagem são diferentes de escola para
escola e os modelos de Ensino, também eles são diferentes.
Existem estágios de enfermagem realizados sem formação dos profissionais
nos locais de estágio e sem formação dos próprios professores em relação aos
locais de estágio (constata-se um Desenquadramento da realidade em ambos
os lados – Professor Enfermagem versus Enfermeiro ). Teoria versus Realidade.
Regra geral, são baixas as dotações nos serviços, não permitindo o ensino
adequado em contexto de estágio.
O Profissionais têm pouca ou nenhuma formação sobre abordagens educativas
do estudante de Enfermagem e os Professores, são alertados, mas distanciados
da realidade dos contextos por não exercerem há muito tempo, ou por nunca
terem exercido profissionalmente!
Foram Criadas especialidades de Enfermagem (actualmente existem 10 em
Portugal!!!!

consultar
http://www.ordemenfermeiros.pt/faqs/Paginas/Especialidades.aspx ), sendo
também estas leccionadas consecutivamente, ano após ano, quando não são
remuneradas em lado algum, sendo que praticamente não são reconhecidas
em Portugal, nos estabelecimentos profissionais! Não existe um controlo sobre
as especialidades, ou seja, quantos enfermeiros especialistas são formados, e
quantos se encontram efectivamente a desempenhar funções e a ser
remunerados por serem de facto Enfermeiros Especialistas!

Já se começava a desenhar o Ensino profissional Tutelado por Enfermeiros, um
“estágio” vigiado por Enfermeiros supervisores acreditados pelas escolas de 1
ano, ao aluno de Enfermagem, para poder obter a cédula profissional
definitiva!!??
(consultar
http://www.ordemenfermeiros.pt/faqs/Paginas/SupervisaoClinicadePTE.aspx )
2) Sindicalismo em Portugal
Centrais sindicais diferentes com cores políticas diferentes? CGTP versus UGT ?
Sindicato Enfermeiros Portugueses + Sindicato dos Enfermeiros da Região
autónoma da Madeira versus Sindicato dos Enfermeiros + Sindicato
Independente dos Profissionais de Enfermagem
Mesas de negociação diferentes, mas com propostas semelhantes? Terrorismo
Sindical em prol do Ativismo Sindical?
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10207587861603393&set=gm.10
13055948713928&type=3&theater
O Sindicalismo em Portugal bem como os diferentes governos conduziram ao
grande problema que vivemos hoje: Carreira de Enfermagem congelada desde
2005, assimetrias profissionais com diversos tipos de contratos, função publica
versus privado, contratos de trabalho públicos versus contratos individuais de
trabalho versus contratos a termo certo versus contratos de substituição ; 40
horas de trabalho semanal versus 35 horas de trabalho semanal. Perderam-se
as “horas de qualidade”, trabalhar actualmente no fim de semana, feriado, ou
de noite é praticamente igual a trabalhar em qualquer dia, a qualquer hora,
foram criadas as chamadas “bolsas de horas”, onde uma pessoa pode acumular
horas de trabalho extraordinário sem ser remunerada por tal (as horas de
trabalho extraordinário e o pagamento das mesmas também diminuíram
exponencialmente e perderam-se alguns direitos) e as chefias e as direcções de
Enfermagem, também elas em muitos dos casos deixaram de se preocupar com
os profissionais que representam, passando a representar os gestores e
administradores para os quais trabalham submissamente!
3) Políticas intensas de austeridade entre 2011 e 2015
A crise europeia contribuiu para uma crise interna e a necessidade de políticas
de contenção e cortes desmesurados para contenção monetária no nosso país.
Este pretexto serviu para cancelar todo e qualquer tipo de negociações
sindicais com o governo. Foram anos pejorativos que mais uma vez fragilizaram
e prejudicaram qualquer tipo de esforço para melhorar a qualidade de vida da
nossa classe.

4) Emigração de profissionais de Enfermagem
A saída de muitos profissionais com experiencia profissional para o estrangeiro
à procura de melhores condições de trabalho, bem como a emigração de recém
licenciados à procura de primeiro emprego no estrangeiro, e a não reposição
dos mesmos nos contextos profissionais levou a uma quase ruptura dos
serviços.
Em 2014 estavam mais profissionais a emigrar do que a formar-se!
http://www.dn.pt/portugal/interior/emigram-mais-enfermeiros-do-que-asescolas-estao-a-formar-5100105.html

Todos estes 4 grandes problemas levaram à desmotivação profissional aumentada, a
uma desvalorização profissional nunca antes vista (a começar pelo próprio enfermeiro
a desvalorizar-se a si mesmo e aos colegas pares), e, ao contrário do que se pretendia
com as medidas de austeridade, também a uma diminuição da produtividade sob
forma de aumento de absentismo.
Fala-se que este é o ano da viragem, que mudámos o ciclo governativo e que a crise
europeia se encontra lentamente a desaparecer (também se fala que se encontra a
desenhar uma nova crise política, portanto o futuro neste momento é incerto).
Acreditando que o contexto político económico do país se encontra em mudança, e
que podemos fazer parte desta mesma mudança, encontrados os 4 eixos centrais dos
problemas da nossa profissão, sabemos que é sem dúvida neles que devemos intervir!
Assim, parece-me clara uma solução base neste momento, com base assente em dois
grandes pilares:
1) Ao nível do sindicalismo em Portugal:
A anulação das antigas carreiras de Enfermagem e a criação de uma carreira
única, transversal, igual para todos, com um limite mínimo de ordenado, para
hospitais públicos e privados, bem como centros de saúde, com regras próprias
(todos com 35 horas de trabalho semanal, ou todos com 40 horas de trabalho
semanal… mas TODOS com o mesmo numero de horas de trabalho, bem como
o mesmo numero de dias de ferias), baseadas nos incentivos, tendo em conta o
modelo de avaliação de desempenho. A adaptação dos antigos funcionários a
esta nova carreira poderá e deverá ser feita através de instrumento de
regulamentação colectiva de trabalho, devendo os sindicatos de Enfermagem
deixar de medir cores políticas e passarem a utilizar a única cor política
possível: a cor da profissão!
Deverão ainda ser criadas regras de contratação iguais para todas as
instituições, de forma aos concursos serem transparentes!

2) Ao nível do Ensino de Enfermagem em Portugal:
Quando estiver bem definida uma carreira, então aí sim, deve-se apostar na
formação que justifique o incentivo… as especialidades aí terão sentido, e a
formação pós licenciatura terá o seu valor! O Ensino de Enfermagem deve ser
feito nos dois sentidos – com uma componente teórica e com uma prática, ou
seja… deverá ser leccionado por enfermeiros que desempenhem funções nos
campos de estágio! As escolas deverão contemplar profissionais do campo e
profissionais da investigação. Deverão existir “professores profissionais” e
“professores investigadores”. Os professores investigadores serão professores
a tempo inteiro na escola, a trabalhar na área da investigação, com vista à
promoção de evidências da profissão e os professores profissionais deverão ser
enfermeiros que trabalham 20 horas no campo profissional e 15 ou 20 na
escola a leccionar. Desta forma, a realidade nunca será esquecida e será
sempre adequada.
Finalmente, deverá existir um plano de estudos transversal a todas as escolas
do país, para a Enfermagem Portuguesa ser leccionada da mesma forma e
portanto as bases dos futuros recém licenciados serem também elas
semelhantes!

São portanto duas acções que deverão ser tomadas por duas entidades diferentes,
com funções bem diferentes…
Na questão sindical, como é óbvio, a pressão e as formas de manifestação deverão ser
realizadas pelos diferentes sindicatos! O problema, já é antigo… o entendimento entre
os mesmos… mas se bem me recordo a ultima vez que as duas centrais sindicais se
sentaram à mesa, conseguiram uma remuneração base para todos os profissionais do
sector publico de cerca de 1200 euros… até me pareceu uma boa conquista
intersindical!
Na questão do ensino … a pressão para a mudança deverá ser realizada pela Ordem
dos Enfermeiros… se em 2008 construiu o plano estratégico para o Ensino em
Enfermagem
(ver
http://www.ordemenfermeiros.pt/documentosoficiais/Paginas/EnsinodeEnfermagem.
aspx ), reunindo-se com o ministro da ciência, tecnologia e ensino superior, também
agora poderá e deverá exercer este tipo de pressão, preferencialmente com resultados
objectivos!
Estas parecem-me as bases para uma casa devidamente construída… os alicerces para
uma boa construção! Fomos demasiado gananciosos… quisemos dar passos maiores
do que podíamos dar… e neste momento estamos completamente parados…
estabilizando o ensino e o sindicalismo na profissão, talvez aí consigamos desenvolver
a própria profissão e a nossa vida possa melhorar! Saudações a todos!