You are on page 1of 19

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – UNIFESP

ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA

A HUMANIZAÇÃO NO TRATAMENTO ONCOLÓGICO

CARLOS FRANKLIN DA CUNHA VASCONCELOS
IVAN GUSTAVO DO NASCIMENTO DOS SANTOS

SÃO PAULO
2016

.... 5 A CIRURGIA ONCOLÓGICA E A OPÇÃO DE NÃO MUTILAÇÃO .............. 3 O TRATAMENTO HUMANIZADO DO PACIENTE COM CÂNCER ................................................... 14 CUIDADOS PALIATIVOS ....................................... 12 A ESPIRITUALIDADE..................................................... 2 COMO DAR O DIAGNÓSTICO DE CÂNCER .......................................................................................................................................................................... 15 BIBLIOGRAFIA ..................... 8 A RADIOTERAPIA ................................................................................................................................................................................................................ 17 ......................................................................... 6 A QUIMIOTERAPIA ....... 1 COMO ELE PODE AFETAR A VIDA DO PACIENTE ........................... 11 O PAPEL DA FAMÍLIA E DO ATENDIMENTO MULTIPROFISSIONAL .......................................................................................................................SUMÁRIO O QUE É CÂNCER ...............

portanto. atrelando a figura do doente à incapacidade de luta. Antigamente. o estado mental também apresenta papel fundamental para o tratamento. tornou-se necessário desenvolver técnicas de abordagem psicológica na área da saúde que pudessem melhorar a qualidade de vida do paciente e dos familiares. devido ao fato de o câncer estar relacionado com a morte iminente. nome dado a um gigantesco caranguejo pertencente à mitologia grega. a forma de lidar com o câncer tem sido associada com receio. 1 . sabese que. Este fato trazia consequências ruins ao paciente. preconceito e superstição devido à relação de sua imagem atrelada com a inevitabilidade da morte e com a falta de clareza ligada à sua etiologia. além do corpo. sendo isolado e infantilizado pela família. era afastado das decisões relacionadas às condutas que seriam tomadas. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A verdade é que o câncer sempre foi tratado de forma velada. Em outros momentos da história. Hoje. Hipócrates. considerado o pai da medicina. a palavra câncer “é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos. fatores sociais. alienado aos acontecimentos. psicológicos e comportamentais. Ao perceber-se que a adesão ao tratamento estava diretamente ligada ao estado emocional do paciente.O QUE É CÂNCER A palavra câncer é derivada do grego “karkinos”. abrangendo. podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo”. o câncer passou também a representar emoções recalcadas. Desde os tempos mais remotos. o diagnóstico era dado apenas aos familiares do doente e este. que percebia as mudanças de comportamento. gerando mais estigmas. utilizou o termo “câncer” pela primeira vez ao descrever neoplasias que pareciam invadir tecidos vizinhos de forma semelhante às patas de um caranguejo.

e não em outros. As perucas usadas nos casos em que há queda temporária de cabelo também podem ser consideradas próteses. como se nenhuma parte do corpo tivesse sofrido dano. o estado emocional do indivíduo. A queda dos cabelos ocorre porque os quimioterápicos circulam pelo organismo destruindo células cancerosas. A possibilidade de mutilação também contribui para essa redução de autoestima. que pode ser local ou generalizada e que pode parecer ainda mais intensa quando o indivíduo está deprimido. pois isso ajudará o doente a ter mais confiança e controle. Além do evento traumático causado pelo diagnóstico inesperado. A diminuição da autoestima é outro ponto muito comum entre pacientes oncológicos pois no tratamento do câncer. ou a quimioterapia. além de hormonioterapias que podem alterar os hormônios no organismo. O tratamento. dependente de medicamentos para o seu controle. além dos hábitos rotineiros de saúde e higiene.COMO ELE PODE AFETAR A VIDA DO PACIENTE O diagnóstico de câncer. a doença traz diversas consequência ao paciente. por ser uma doença potencialmente letal. A sexualidade abrange sentimentos e atitudes associados ao ato de se relacionar com alguém. ficando. Muitas intervenções do tratamento podem causar efeitos colaterais relacionados à sexualidade física como. pode ocorrer alopécia (queda de cabelos). traz a sensação de impotência por parte do doente. não se resume exclusivamente à relação sexual. ela muda os hábitos de sono. muito intenso no início. Alguns desses medicamentos causam danos à raiz dos cabelos provocando a queda. A dor. podendo afetar o desejo sexual. 2 . da perda de seu corpo saudável e modifica. que desencadeia náuseas e cansaço. podendo desencadear problemas para dormir. de forma profunda. em parte ou total. pode deixar a pessoa facilmente cansada e. muitas vezes. também é preciso investir mais tempo e mais energia na aparência. Os cuidados com a aparência são importantes durante o tratamento. por exemplo. e a utilização de próteses ajudam a pessoa a ter um aspecto normal. mesmo com a utilização do mesmo medicamento. em função disso. uma cirurgia mutiladora. que ocorre em alguns pacientes.

são: “o despreparo do profissional médico. quando e onde contar a má notícia”. inegavelmente. as dificuldades que mais se destacam ao analisar a vivência dos profissionais de saúde. As relações interpessoais são diferentes e não existe certo ou errado. dessa forma. em relação à comunicação com o paciente. 3 . em especial do médico. a forma de se revelar o diagnóstico do câncer é determinante para que o paciente consiga lidar de maneira positiva com a informação de seu estado de saúde. para uma medicina focada apenas nas manifestações clínicas da doença. com uma abordagem mais técnica e menos humanizada. COMO DAR O DIAGNÓSTICO DE CÂNCER Apesar de a comunicação de más notícias fazer parte do cotidiano dos profissionais de saúde. ansiedade e angústia pela incerteza desta nova determinação. podem acabar se afastando. segundo o ensaio realizado pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – USP. Além disso. tristes e assustados. Diante disso. mesmo nos casos em que as evidências mostram bom prognóstico. bem como da equipe de enfermagem em como. Todavia. com medo de magoar o doente. também. pessoas próximas podem se tornar protetoras em excesso ou podem ter facilidade em conversar sobre a situação. Tal incômodo reflete a visão cultural empregada à doença que. Em alguns casos. sabe-se que os avanços tecnológicos e o sistema de saúde brasileiro contribuíram para um atendimento seriado. altera a qualidade de vida do paciente e apresenta riscos de evolução e que está relacionada à imagem de sofrimento e morte. A experiência e a subjetividade de cada indivíduo diminuíram em detrimento das avançadas formas de diagnóstico e de tratamentos.O diagnóstico de câncer pode ser um problema. para amigos e familiares que. que não é necessariamente padronizada. tanto o paciente quanto seus familiares e pessoas próximas para as novas circunstâncias. contribuindo. Uma forma adequada. de apresentar ao paciente a sua nova condição é peça fundamental para iniciar uma intervenção terapêutica e preparar. provocando sensações de medo. há significativo desconforto quando a informação se trata de uma doença como o câncer.

a necessidade pelo esclarecimento e auxílio aos profissionais de saúde para uma comunicação segura e clara. respeitando a vontade do paciente sobre estar ciente ou não de toda a situação. crenças e concepções de saúde e doença .e de como o indivíduo enfrenta os problemas. a psico-oncologia. o foco nos aspectos psicossociais do paciente oncológico. Deve-se ter tempo o suficiente para que haja o esclarecimento de dúvidas e o alento por parte do médico. além de determinar o quanto o paciente quer saber. mas que sejam fornecidos pouco a pouco a cada consulta. o estágio do prognóstico da doença. deve ser um local tranquilo. mostra-se como uma questão que precisa ser discutida. adaptando a informação às necessidades específicas do paciente dentro de sua realidade de vida – cultura. há muita discussão sobre o quanto é necessário comunicar ao paciente em um primeiro momento. como função. a duração. é necessário que o médico tenha certeza de que há compreensão da ocorrência por parte do paciente e de seus familiares e. Neste cenário. deve-se levar em conta as suas características culturais e sociais. as condições de vida e o nível cultural do paciente. a fim de que o profissional de saúde esteja preparado para abranger. e repetidas sempre que necessário. com conforto e privacidade. 2001). Tendo em vista isso. Algumas condições são de extrema importância na hora de comunicar o diagnóstico do paciente como o ambiente. área de interconexão entre a psicologia e a oncologia. o ambiente. BM. 2000) é preciso considerar características subjetivas como a tolerância psicológica. tem.Através dessas considerações. mas também todas as outras variáveis que concerne ao indivíduo com câncer. Em relação ao volume de informações. como evidenciado em alguns estudos. não apenas a doença em si. A linguagem é outro fator preponderante pois o excesso de termos médicos na hora de se revelar o diagnóstico pode causar sérios problemas de interpretação. A duração também tem importância. estudando o impacto do diagnóstico no psiquismo do paciente e em 4 . a linguagem a ser utilizada e o volume de informações. visto que o momento pelo qual o paciente está passando é dramático e inesperado. bem como a possibilidade de colaboração familiar. É indicado que todos os detalhes do diagnóstico não sejam dados em um único momento. Conforme (NÁPOLES. Segundo (STUART TP. para isto.

A família também deve estar atualizada sobre o estado atual do paciente e os procedimentos terapêuticos. sendo considerada a segunda maior causa de mortes no mundo. nota-se um significativo crescimento de casos de neoplasia. No Brasil. há falta de definição sobre o caminho a ser tomado desde a primeira queixa até o início do tratamento. 5 . 2008). pois são estes que darão o prosseguimento aos cuidados a partir do momento em que o doente sai do consultório. assim como outros fatores como a qualidade do serviço de saúde e. à recuperação e ao tempo de sobrevida após o diagnóstico de câncer. consequentemente. Vera Anita. Embora haja muitas lacunas a serem preenchidas quando o assunto está relacionado à etiologia do câncer.toda a sua família. pois permite maior segurança em relação aos aspectos que norteiam o tratamento. já se sabe que há mecanismos de controle capazes de diminuir a incidência de mortalidade. esse novo campo de estudo traz. O TRATAMENTO HUMANIZADO DO PACIENTE COM CÂNCER Atualmente. É importante que o paciente se sinta confortável para falar sobre si. emoções como ansiedade e medo. a fim de deixar transparecer seus aspectos psicológicos. três aspectos são importantes para se estabelecer um vínculo entre o médico e o paciente na primeira consulta a fim de cultivar um vínculo de confiança entre o médico e o doente que poderá levar o paciente a uma adesão maior de tratamento. De acordo com (BIFULCO. A probabilidade de cura do câncer está relacionada com o estágio no momento em que ocorre o tratamento de primeira linha. 2010). esta circunstância tem levado a discussões sobre maneiras de controlar esse grupo de moléstias. que serão essenciais para que o médico seja capaz de aliviar o sofrimento do doente. quanto o seu grau de ansiedade e temor pelo que está por vir. MT. Como consequência. Tanto fatos significativos da sua vida. Tanto no cenário mundial quanto no Brasil. contribuindo. apesar de haver tratamento de alta tecnologia e alto custo para o paciente oncológico. diminuindo assim. A informação é extremamente terapêutica. a disponibilidade de recursos para tratá-lo. segundo (VEIT. resultados relacionados à incidência.

tanto do paciente. acelerando e promovendo constante cuidado em relação à progressão da doença. nota-se a complexidade do tratamento do paciente oncológico. cujo objetivo principal é o cuidado integral do paciente. pelo estabelecimento gradativo da videocirurgia concomitante com os avanços em outras áreas da medicina. A assistência por essa equipe. há a necessidade de uma equipe multidisciplinar. de forma humanizada. aliados a avanços das tecnologias e técnicas cirúrgicas e na radioterapia. relacionados às decisões médicas a serem tomadas. cada vez mais sofisticadas. Além da morte. sobretudo. como ideia. As medidas 6 . para o avanço da doença. O fato de haver tardio rastreamento de tumorações. a produção de novos medicamentos e terapias que interferem a nível molecular. essa doença ainda tem. atualmente. O cuidado integral do paciente eleva a autoestima e estimula-o ao autocuidado. o estigma é explicado pela possibilidade de dor física e mutilação. A partir disso. quanto dos familiares com o profissional de saúde a fim de tranquilizá-los através do esclarecimento de suas percepções e da busca por soluções em relação a problemas que podem ser originados durante o andamento da patologia. Apesar desse avanço. enfrenta desafios sob o ponto de vista multiprofissional. simultaneamente. uma nova era de padrões.desta forma. A oncologia cirúrgica vive. A CIRURGIA ONCOLÓGICA E A OPÇÃO DE NÃO MUTILAÇÃO Nas últimas décadas houve um avanço exponencial na ciência médica. Realidade concebida pelo transplante de órgãos. a medicina. consiste na confiança da relação médico-paciente e no diálogo. como a genômica. mudanças de concepções em relação à doença e a geração de um ambiente terapêutico. objetivando acelerar o processo entre o diagnóstico e o tratamento. característica de terminal. abrangendo todos os aspectos que afetam o indivíduo e. O papel do cirurgião e a assistência multidisciplinar a qual o paciente tem disposição são fatores que interferem diretamente na eficácia do tratamento do paciente com câncer. nas práticas cirúrgicas. visto que. suscitando atitudes positivas como a aceitação.

. sob um aspecto humanizado. além de toda a equipe responsável pelo cuidado com o paciente com neoplasias. com que a face clínica e a valorização humana fiquem em segundo plano: [. [. são fatores no qual o cirurgião. a genética.. porém. além do interesse que o profissional desenvolve em relação à patologia e à pesquisa acadêmica bem como a relação entre o médico. o paciente irá. Esses avanços tecnológicos devem ser louvados. É importante lembrar que a medicina está atualmente nos umbrais da cirurgia robótica. fomentando. a fisioterapia. O fetichismo pela tecnologia e o endeusamento dos métodos diagnósticos complementares desumanizaram os laços necessários com o paciente e a família.propostas. cada vez mais equipamentos ou instrumentos interpõem-se entre as mãos do seu operador e o paciente. que interferem de forma decisiva na qualidade de vida do paciente. ainda mais. como já referenciado anteriormente.. 7 .] (ANTUNES. o cirurgião pouco inspeciona.. também. é preciso estar ciente de que. os cuidados pré e pós-operatórios. fazem com que a cirurgia passe de uma simples forma de tratamento para uma complexa rede de variáveis. como o oncologista e o radioterapeuta. que faz com que não só o tratamento seja realizado da melhor forma possível. o serviço social. mas também sejam buscados novos meios de execução. necessita de uma equipe multiprofissional.] A natureza da relação médico-paciente requer profunda reflexão. a ondotologia. hoje. assim. o paciente e os familiares. a disponibilidade de recursos e de assistência multiprofissional. mas que a despeito de todas as vantagens que dela advirão. a enfermagem oncológica. A equipe multidisciplinar. é comum a visão do cirurgião como um profissional extremamente objetivo e tecnicista que faz. no fato de que variáveis como a experiência do cirurgião oncológico. a patologia. a medicina nuclear. sentir necessidade do conforto da presença humana e do apoio dedicado da figura do cirurgião. a fonoaudiologia. Ricardo César Pinto. muitas vezes. como a realização ou não da cirurgia. Dizer que. a hematologia. os estudos aplicados às técnicas e a descoberta de novos tratamentos. lida todos os dias. composta por variadas especialidades como a oncologia clínica. Atualmente. além das variantes relacionadas à sobrevida global e a sobrevida livre de progressão. com modos terapêuticos variados e inovadores. raramente ausculta e apalpa quando indispensável não soa mais exagerado. Ao basear-se. 2010) A oncologia cirúrgica. a nutrologia. da propedêutica à terapêutica. pois se encontra cada vez mais distante do contato humano.

de metástases. de seu estado atual. auxiliam. a fim de diminuir resultantes prejudiciais relacionadas à métodos muito invasivos. como as ressecções segmentares seguidas de radioterapia e múltiplas reconstruções mamárias. percebido por pesquisadores da época seus efeitos na redução das séries linfoide e mieloide da medula óssea. tem uma qualidade de vida superior. Durante a Primeira Guerra Mundial. ao ter à sua disposição a cobertura. através da descoberta do gás mostarda. entende-se por quimioterapia o tratamento que consiste na administração de drogas que tem como finalidade controlar sistemicamente o câncer. surgiram meios mais conservadores e menos agressivos. de forma integral. conforme o tempo. O paciente. melhorando a visão de si mesmo e. o quanto a cirurgia mutiladora foi. de todas as suas possíveis comorbidades. também. entre outras especialidades. em contrapartida. É relevante mencionar. como câncer de mama e. Atualmente. na busca pelo melhor tratamento de acordo com as limitações de conhecimento e técnicas atuais. tendo em vista a precocidade do diagnóstico graças ao estadiamento dos cânceres mais prevalentes na população. A QUIMIOTERAPIA A palavra quimioterapia foi utilizada pela primeira vez por 1909.a medicina paliativa. também. diferente da radioterapia e cirurgia que promovem um tratamento de forma regionalizada. que obtiveram bons resultados relacionados à ausência de recidiva local e. perdendo gradativamente seu espaço no tratamento oncológico. com o objetivo de descrever o uso de um composto de arsênico para tratar sífilis. também. foi utilizada como arma. constituindo um importante aspecto da vida humana que otimiza o tratamento do câncer. a psiquiatria. Ela pode ser empregada de forma adjuvante ou neo-adjuvante. portanto. as intervenções cirúrgicas vão se aperfeiçoando e atuando com outras formas de tratamento. por Paul Erlich. aumentando sua autoestima. Partindo desse paradigma. 8 . Na Segunda Guerra Mundial seus efeitos foram estudados. além de influenciar diretamente em uma melhora na condição psicossocial das pacientes.

que. impedindo a polimerização dos microtúbulos. Melfalan e Clorambucil – atuam através da ligação ao DNA. Anastrozol e Goserelina – são moléculas que bloqueiam os receptores de estrógeno.impedem a formação de novos ácidos nucleicos para síntese de DNA.Antimetabólicos – como Metotrexato e seus análogos . a adjuvância como forma de tratamento tem um impacto significativo na sobrevida do paciente.Antibióticos antitumorais – como Doxorrubicina. respectivamente. no qual a doença está localizada. reto. Idarrubicina e seus análogos – atuam principalmente na fase S do ciclo celular. .A prescrição de um tratamento neo-adjuvante é aquela que antecede um tratamento local definitivo. comprometendo a síntese de moléculas de DNA e RNA. Ciclofosfamida. bloqueando a divisão celular. O uso da quimioterapia adjuvante tem como finalidade combater pequenas metástases após ter sido realizado o controle local da doença com radioterapia e cirurgia. Os agentes mais conhecidos são aqueles que interagem predominantemente com o ácido desoxirribonucleico (DNA) ou seus precursores. sofrem algum tipo de dano. .Hormonioterapia – como Tamoxifeno. ao serem atingidos ou interagirem com a molécula administrada. Seu objetivo é a preservação do órgão. No entanto.Alquilantes/mostardas nitrogenadas – como Mecloretamida. Daunorrubicina. . Vimblastina. laringe e canal anal. como no caso de neoplasias da bexiga. inibição da enzima aromatase e bloqueio da ação das gonadotrofinas nas gônadas.Alcalóides – como Vincristina. Ifosfamida. As formas de administração de quimioterapia abordadas dependem do estadiamento do tumor e condição clínica do paciente. no qual inibem e podem causar danos irreparáveis no próprio DNA ou impedir que um novo material genético seja produzido Algumas das classes de agentes e seus principais compostos são: . 9 . promovendo danos irreparáveis e posterior morte celular. Os medicamentos utilizados para combater o câncer possuem alvos intracelulares. . Vinorelbina e seus análogos – são derivados de plantas e ligam-se nas proteínas do citoesqueleto.

pois tem como finalidade resgatar a autoestima e fazendo com que se sintam bem consigo mesmas. mucosite. demência e convulsões. ONGs como “Rapunzel Solidária” e “Cabelegria” tem como função arrecadar cabelos. vítimas dos efeitos colaterais da quimioterapia. diarreia e aparecimento de segunda neoplasia.O ponto mais crítico do tratamento está relacionado com as doses de quimioterapia. Quando muito baixas. Outros efeitos como mielotoxicidade – caracterizado pela queda brusca da contagem de glóbulos brancos. causando confusão mental. caracterizando as náuseas. Pode ocorrer duas ou três semanas após a aplicação do medicamento. Alguns hospitais de São Paulo possuem salas exclusivas com perucas para que as pacientes possam escolhê-las assim que iniciarem a quimioterapia. se em excesso. impedindo sua absorção. podem ser ineficazes contra o tumor. e neurotoxicidade. descrita pelos pacientes como um dos efeitos colaterais mais devastadores. e. O fornecimento de perucas para pacientes que sofreram com a queda de cabelo é um fator simples e ao mesmo tempo essencial. quando o organismo percebe sua administração. podem causar efeitos adversos graves e até intoleráveis aos pacientes. neurotoxicidade. visto que alguns medicamentos podem atravessar a barreira hematoencefálica. mielotoxicidade. 10 . ao passo que. vermelhos e plaquetas podem ocorrer. Como o cabelo é considerado parte fundamental da aparência física. confeccionar perucas e fornecer gratuitamente para pacientes adultos e crianças. sua queda é considerada um efeito assustador. É importante ressaltar que o paciente deve se sentir acolhido para que se sinta seguro durante o tratamento. Como os quimioterápicos são substâncias tóxicas. náuseas e vômitos. principalmente para mulheres. vômitos. surge a diarreia. com a descamação da mucosa epitelial do tubo digestório. A queda de cabelo é um ponto muito importante a ser considerado no início do tratamento quimioterápico. Os principais efeitos causados pela quimioterapia são: alopécia. na medida em que sua perda afeta a autoimagem e prejudica as relações sociais. mecanismos de defesa são ativados para expulsar essas substâncias.

e. O primeiro relato de uso foi em uma paciente portadora de câncer de mama. Os tipos mais comuns de radiação são as eletromagnéticas. em alguns casos. fazem com que a paciente se cuide muito menos. como os raios X. além do intervalo de tempo adequado para cada paciente. Sua indicação pode ser curativa ou paliativa. em tumores benignos. Palidez. em 1895. O planejamento do tratamento é fundamental para definir o local. dose. Há inúmeras aulas em canais na rede social de vídeos “Youtube” em que as próprias pacientes fazem tutoriais com dicas rápidas e efetivas sobre como se maquiar. por Röntgen. A RADIOTERAPIA O uso da radioterapia iniciou-se após a descoberta dos raios–X. diminuindo sua vontade ser vaidosa. avaliação de outras comorbidades. resultando na eliminação do tumor. aumentando as taxas de sobrevida e qualidade de vida ao paciente. Esse é um meio de a paciente resgatar a sua beleza e ajuda a contornar a apatia. é chamada de braquiterapia. A finalidade de seu tratamento é permitir que uma determinada dose de radiação atinja o tecido – alvo com o mínimo de dano possível. A radiação externa é assim denominada quando os raios são depositados nos tecidos a partir de uma fonte produtora distante do paciente.A maquiagem é utilizada como uma outra forma de resgatar a autoestima. resultando em uma maior erradicação e controle da doença sem que haja 11 . como radioterapia externa (teleterapia) e radioterapia interna (braquiterapia). sensação de abatimento e olheiras por noites mal dormidas. A radioterapia é uma modalidade de tratamento que consiste no uso de radiações ionizantes. Ela é empregada no tratamento de neoplasias malignas. O tratamento curativo tem como objetivo administrar a maior dose possível. em 1896. partículas e gama. Quando a fonte está em contato direto com o tumor. A radioterapia possui diferentes formas de aplicações.

sistema nervoso central. além de prejudicar a cicatrização de tecidos normais. os pacientes devem se sentir seguros em como enfrentar o tratamento. por isso. a radioterapia pode causar danos aos tecidos saudáveis de acordo com a região a ser irradiada. ao colocar a máscara. Seu uso pode ser prescrito antes ou após o tratamento cirúrgico. No caso do tratamento infantil. Como forma paliativa. Uma das formas de amenizar ou reduzir os efeitos colaterais da radioterapia é a orientação dos pacientes quanto ao uso de cremes. a adesão ao tratamento pode ser um empecilho por conta do medo que algumas crianças possuem ao entrarem na máquina. requerem tratamento. relutava em deitar para entrar na máquina. seu uso pode ser recomendado mesmo quando não há uma expectativa de sobrevida por grandes períodos e são levados em conta os sintomas que causam desconforto e diminuem a qualidade de vida do paciente. e. com medo de realizar seu tratamento. ao saber que a criança tinha como super-herói preferido o homem – aranha. como danos na tireoide. Atualmente. Um caso recente foi descrito em que uma criança. O PAPEL DA FAMÍLIA E DO ATENDIMENTO MULTIPROFISSIONAL Ter câncer não significa mais uma sentença que condena o paciente à morte. Como efeitos colaterais. o câncer não 12 . óleos e protetores para cuidado da pele. A criança. é importante que os serviços públicos e demais ONGs possam fornecer e ampará-lo neste quesito. Se o indivíduo é socioeconomicamente fragilizado. pulmão e fígado. sentiu-se feliz e segura e isso influenciou-a a entrar na máquina e iniciar o tratamento. como pode parecer para os menos informados.danos orgânicos ao paciente. Na questão da humanização. O técnico radioterapeuta. além de serem instruídos sobre o objetivo do tratamento de possíveis efeitos colaterais. bem como em associação com a quimioterapia para potencializar o efeito antitumoral. confeccionou uma máscara indicada para radioterapia semelhante a de um super-herói.

negação e não-adesão ao tratamento. trazendo melhores resultados globais dos tratamentos propostos com a real compreensão de cada um sobre o trabalho de uma equipe integrada. ela também deve receber apoio de equipe multiprofissional. 13 . ou estes. além do paciente. mas também psicológico e social. A família é uma peça importante no tratamento por possuir um duplo papel: cuidadora e merecedora de cuidados. por isso. o familiar se preocupa com o que é a doença e o que ela significará para o doente e para ele. podem querer manter o paciente na ignorância. Por isso. resposta. causar isolamento. refletindo uma conspiração contra o paciente. a transmissão de uma informação correta para o paciente e seus familiares contribui para uma maior adesão ao tratamento. que pode. Na fase do diagnóstico. por sua vez. as condutas estabelecidas podem levar em conta os diferentes pontos de vista de cada profissional. Os pacientes. Outros. Deve ser levado em conta que os gastos com o tratamento provocam alterações orçamentárias que podem até mesmo refletir em mudança de papéis sociais. É importante que as alterações estruturais e sociais sejam observadas por profissionais da saúde. inclusive. seus tratamentos e seus possíveis efeitos colaterais. que é considerado como doloroso e que traz sofrimento. A realização de reuniões multiprofissionais responsáveis pelo tratamento é essencial para compreender o paciente como um todo. sensação de segurança e apoio emocional. Desta forma. em sua grande maioria. não são conhecedores da doença. A família com bom nível de informação tenta promover um equilíbrio entre as necessidades de cuidados com outras necessidades. podem optar por não compartilhar a notícia do diagnóstico com os familiares.é somente um fenômeno biológico.

além de um sistema imune mais competente. principalmente entre os idosos. uma grande parte da população possui crenças religiosas/espirituais. é importante que o médico respeite as crenças de seu paciente. No cuidado ao paciente. Embora a análise científica deva ser independente de dogmas religiosos. Nessa hora. como em pacientes internados.A ESPIRITUALIDADE No Brasil. 77% informou que gostaria que seus valores fossem considerados pelos seus médicos. permitindo um tratamento mais humanizado. Por exemplo: um paciente muçulmano que não possa realizar suas orações nos horários que determina a sua religião irá ter um sofrimento adicional. Uma visão espiritualizada da realidade permite ao indivíduo uma amplitude de significados para o cotidiano. questões como qual o sentido da vida. Essa perspectiva é fundamental pois muitas pessoas baseiam sua vida em valores religiosos. fala-se muito sobre ciência e suas questões físicas. caso ele as tenha. a espiritualidade busca responder essas e outras perguntas. 14 . Ignorar a perspectiva religiosa do paciente pode criar constrangimentos e situações desagradáveis que podem até prejudicar o tratamento. além do próprio estresse causado pelo tratamento do câncer. Nesse caso. As respostas para essas perguntas ainda permanecem no desconhecido. que acreditam em Deus e consideram a religião importante. por isso. o lugar de onde viemos e se existe outro mundo além desse são desconsideradas. Outros estudos indicam que o equilíbrio espiritual está associado com uma vida saudável. O indivíduo recém diagnosticado com câncer experimenta um grande sofrimento pelo abalo em seu estilo de vida. a equipe multiprofissional deve saber remanejar os horários para permitir que o paciente exerça suas atividades religiosas e possa expressar sua fé. De acordo com alguns estudos realizados. reorganizando e transcendendo experiências. no entanto. Isso é necessário para garantir ao paciente conforto durante o tratamento. é necessário que o médico leve em conta a dimensão espiritual/religiosa do paciente.

são eles: . no Brasil o termo ainda tem uma perspectiva negativa. hospitais e clínicas.melhorar a qualidade de vida e influenciar positivamente o curso da doença. suas necessidades em relação aos alimentos que deseja consumir. Sua função é promover o tratamento da dor. A OMS estabeleceu em 1986 e complementou em 2002 os princípios que devem ser seguidos pela equipe de cuidados paliativos.promover alívio da dor e de outros sintomas angustiantes. psicossociais e espirituais. .oferecer um sistema de apoio para ajudar a família a lidar com a doença do paciente e com seu próprio luto e . Esses cuidados podem ser promovidos em domicílios. a escolha de uma ou mais formas geralmente depende das características do indivíduo.não abreviar ou prorrogar a morte. as visitas que deseja receber e até mesmo quando quer ver seu animal de estimação no leito. deve ser observada a dor do paciente. os cuidados paliativos constituem a quarta diretriz determinada pela (OMS) Organização Mundial da Saúde para o tratamento do paciente com câncer. . Além da prevenção. desde que a devida assistência seja fornecida. 15 . Como parte da assistência. através da detecção e avaliação precoce do paciente. . aceito universalmente para caracterizar a assistência multiprofissional a pacientes que já não possuem perspectivas de cura. .CUIDADOS PALIATIVOS O termo paliativo. além de aspectos físicos.afirmar a vida e considerar que a morte é um processo natural. Existem várias formas de práticas paliativas.oferecer um sistema de apoio para ajudar os pacientes a viverem tão ativamente quanto possível até a morte. .integrar os aspectos psicológicos e espirituais de assistência ao paciente. diagnóstico e tratamento.

acolher e acompanhar até o fim da vida. deste modo.Por isso. O tratamento do câncer e outras doenças crônicas exige a intensa necessidade de uma melhor promoção de cuidados paliativos. compartilhar. respeitar. Propostas como a criação de uma disciplina de cuidados paliativos se faz necessária. inúmeros congressos e reuniões de profissionais oncológicos estão trabalhando no tema. Atualmente. para que. 16 . é importante pensar que paliar é confortar. aliviar sintomas. ouvir. universidades e hospitais formem profissionais requeridos para esta prática.

São Paulo.pdf> Acesso: 22 Nov.univale. 2012. Oncologia para a graduação.br/rbc/n_58/v04/pdf/07-artigo-enfrentamento-resilienciapacientes-tratamento-quimioterapico-familiares. 476 Rev Bras Enferm 2005 jul-ago. Editora Summus. Editora Manole. 2016. SILVA. Temas em psico-oncologia.pdf> Acesso em: 22 Nov. Disponível em: <www.inca. Fernando et al. SILVA. MUKHERJEE. Disponível em: <http://www. Siddhartha. BIFULCO. Valéria et al. Ribeirão Preto. São Paulo. Porto Alegre (RS). Enfrentamento e Resiliência de Pacientes em Tratamento Quimioterápico e seus Familiares.A revelação do diagnóstico de câncer para profissionais e pacientes.Revista Brasileira de Cancerologia 2012. São Paulo.BIBLIOGRAFIA RODRIGUES. 2016. 2008. Ademar.scielo. Vicente Augusto de. et al. 2016. Disponível em <http://www. Minas Gerais (MG). Equipe Editorial. Câncer: cuidando do paciente em casa: um guia para o doente e seus familiares. Câncer – uma visão multiprofissional. 2008. Editora Tecmedd. COSTA. São Paulo. 1994. 2010. Vera Anita. ABRAMH. São Paulo. Cleonice et al. 58(4): 619-627. Rio Grande (RS). et al. ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO FRENTE AO TRATAMENTO HUMANIZADO EM CRIANÇAS SUBMETIDAS À QUIMIOTERAPIA. Disponível em: <http://www1. 17 .pergamum.br/pdf/reben/v56n3/a19v56n3> Acesso em: 22 Nov. Editora Companhia das Letras. 2016. O imperador de todos os males: uma biografia do câncer. 58(4):476-80. et al.br/pergamum/tcc/Atuacaodoenfermeirofrenteaotratamentohumanizadoemcriancassubmetidasaquimioterapia.pdf> Acesso: 18 Nov.br/pdf/reben/v58n4/a19v58n4.scielo. CARVALHO. LOPES. ASSISTÊNCIA HUMANIZADA AO CLIENTE ONCOLÓGICO: reflexões junto à equipe. Janete. SP. Cristiane et al.gov.