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Retifica de trastes

lixa 400, 600, 1200
bombril
pedra de amolar faca
fita crepe
regua inox
oleo de peroba

Ferramentas para troca de trastes
Alicate de corte
cola branca
lima
martelo
apoios

Confecção de Rastilho / Saddle
Sem dúvida, o rastilho é uma das peças mais complexas de um violão. Transfere a
vibração das cordas ao tampo, ao captador, ajusta a tensão das cordas, e o que muitas
pessoas desconhecem, é que o rastilho garante a afinação precisa do instrumento.
Sim... tarraxas de boa qualidade, escala com a medida certa não são o suficiente, tudo
isso é compensado no rastilho.

Muitos já devem ter notado que, em alguns instrumentos, por mais que o deixe
afinado, ao tocarmos um acorde na região alta, notamos uma leve oscilação na
afinação. Esse é o som de um rastilho que não foi feito para seu instrumento. ''Como
assim? Não entendi.'' Calma, Luthier Henrique Maia explica:

Já se perguntou por que o contrabaixo é tão grande, ou o cavaquinho é pequeno?
Analise as características sonoras de cada um: O Baixo possui frequências graves,
muito mais graves que um cavaco. São as cordas, a finação? Sim, porém tudo está
muito mais relacionado ao comprimento de suas escalas. Escala é toda extensão de
CORDA VIBRANTE, serve também como padrão de afinação em instrumentos
populares. Quanto maior a escala, melhor as frequências graves se definem, mas não
são precisas às frequências agudas.
Exemplo: pegue um elástico e estique-o entre seus dedos em uma distância pequena,
faça-o vibrar como uma corda de violão, o volume será baixo. Agora deixe-o o mais
esticado possível, sem arrebentar (lógico), e repita, garanto que o som está com muito
mais volume desta vez, certo?
O mesmo princípio é usado, no baixo (grave), violão e guitarra (médio), cavaco,
mandolim etc. (agudo).
Mas e o rastilho? O rastilho entra no fim da escala, afim de compensar ajustes finos na
medida de escala, que por mais precisa que seja, o rastilho terá de corrigir com
milímetros de diferença.

O Rastilho pode ser removido facilmente, após tirar ou afrouxar as cordas. Colocamos a
nova peça, ainda bruta, para tirarmos medidas. Agora entram em ação os ótimos
ouvidos de um Luthier, como eu não tenho, usei um afinador eletrônico\o/ . Devemos
afinar o instrumento e conferir se a mesma nota continua com sua frequência real em
outras regiões da escala. Afinamos a corda MI, checamos, na mesma corda outro MI,
com harmônicos naturais e a própria nota digitada na 12ªcasa . O afinador deve acusar
ambas iguais, caso isso não ocorra, fazemos ajustes no rastilho. Se afinação estiver
mais baixa, diminuímos o comprimento do corda, limando o rastilho em direção do
braço. Se a afinação estiver acima, fazemos o contrário, limamos afim de aumentar o
comprimento até que tudo esteja preciso.

Este procedimento é feito em todas as cordas. Com tentativa, erro e muita paciência
chega-se ao fim das seis cordas. Note que, para cada corda, há uma compensação
diferente. Jamais o rastilho deve ser uma peça reta e nunca um rastilho será igual a
outro.

Também não podemos nos esquecer do raio de curvatura da escala e da altura das
cordas. A parte de baixo do rastilho deve sempre estar reta, para melhor acomodação
e transferência de vibrações, principalmente se o instrumento possuir captador
embaixo do restilho.
Não há como padronizar essa medidas, a ideia é: quanto mais grave a corda, maior
deve ser sua extensão de vibração, mas não dá para seguir isso ao pé da letra, apenas
com muitas tentativas, paciência e conhecimento do assunto para fazer uma peça
precisa e de enorme importância ao instrumento. Até a próxima. Abraços.