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Refletindo sobre o Filme WIT, “UMA LIÇÃO

DE VIDA”

O filme “Wit, uma lição de vida” é um retrato da realidade que se vive nos
hospitais, que mostra em sua maioria, o contato imparcial dos profissionais
para com os pacientes. Muito mais do que enredo, é o que se percebe nos
grandes centros de tratamento, principalmente os de serviço público. O filme se
passa em dois momentos, antes e depois da rotina hospitalar, podendo se ver
assim, nitidamente como a solidão afeta a vida de um ser humano. Em um
hospital britânico, tem se uma professora com um tumor avançado e com
chances remotas de cura, sendo submetida a árduos processos de tratamento
e longos períodos de sofrimento.
Vivian é uma professora universitária renomada, que ao longo de sua vida
contribuiu profundamente para a literatura britânica. Como realizava exames
periódicos, um dia, enquanto fazia sua consulta com Kelekian, um oncologista
famoso, descobriu a existência de um cancro, um tumor maligno que avançava
rapidamente. Após a descoberta do câncer que havia se instalado no ovário,
recebeu a proposta de ser submetida a um processo de cura de altos efeitos
colaterais, uma vez que era necessário tratamento e as chances de cura eram
mínimas. O objetivo do tratamento era acima de tudo, de caráter educativo,
visando a pesquisa e os resultados de um tratamento com doses máximas de
quimioterapia, que levaria Vivian ao extremo da sua resistência. Após ser
internada, foi submetida a exames com novas drogas, rígida observação e
longos períodos internada. Sua conduta extremamente rígida em virtude do
comprometimento excessivo com seu trabalho a levou a viver uma vida isolada
do calor humano, o que viria a trazer tristeza profunda durante o período em
que estava sob tratamento. Sofrendo muito devido aos efeitos colaterais e sem
amigos para compartilhar seus momentos de dor, estava sozinha. Sua
companhia era limitada às visitas médicas e aos estudantes que lhe
entrevistavam sobre os seus sintomas. Conforme o passar do tempo, os efeitos

que por toda a sua vida não lhe incomodava era agora seu maior mal. para se entender que não pode viver sozinha. Situações favoráveis e desfavoráveis na relação médico-paciente. No contexto em que vivemos a situação mostrada no filme “Wit. estar em situação de solidão e abstinência extrema. A questão da miséria emocional sensibiliza até o mais imparcial espectador. comunicativa. em virtude do desgaste físico e psicológico. Cada vez mais as pessoas são consideradas estatísticas. Isso nem . principalmente. uma lição de vida” é uma forma de visão um pouco mais profunda sobre a realidade em que se vive dentro dos hospitais. e a solidão.colaterais traziam mais dor e sofrimento. Sua visão sobre aquela rotina desgastante era evidenciada no filme. sem forças veio a óbito. A doença. uma lição de vida” é muito comum. que traz à pessoa sensibilidade e carência de afeto. expressando o qual singelo é o significado da vida. O enredo do filme nos mostra a questão da sensibilidade humana abordada de maneira extremamente rígida e imparcial. sem levar em conta que o que mais necessita de cura é a auto estima e a falta de carinho. Em contrapartida. A mensagem que se pode extrair do filme “Wit. pondo o médico como um comunicador – que tem que saber guiar a conversa de forma agradável ao seu paciente – e põe o próprio paciente numa posição mais “passiva”. Uma consulta médica ou qualquer outro tipo de situação que ponha médico e cliente/paciente juntos é regida por um tipo de relação/interação. e a quebra de paradigma da professora Vivian. Vivian sofria muito. o que faz com que o espectador se ponha em primeira pessoa e perceba o quão frágil é a vida humana quando somos submetidos a uma rotina hospitalar. em um contexto no qual criação e morte se encontram. Tal relação é. de “escutador”. e Vivian. Foi necessário assim. Não é necessário ir muito longe para notar um enfermo que não vê sua família há dias. e outro que realiza uma série de exames periódicos que prejudicam o seu bem-estar. que possuía caráter educativo para seus alunos. quando se depara com a falta de tato que por toda a vida de professora acadêmica não lhe fazia falta. o oncologista Kelekian se põe do outro lado do paradigma emocional. em meio à solidão e à doença. tendo em vista apenas os resultados do exame. é simplesmente diagnosticada.

todas essas situações acuam o paciente. principalmente. . Isso. às vezes. se ele não compreendeu completamente as informações e instruções do médico. Médicos arrogantes. acreditando que não vale a pena os esforços. porém. por exemplo). a velocidade dos resultados. que não tratam bem seu cliente durante a consulta. desinteressado. prognóstico e terapêutica. da posição das partes – médico e paciente –. nem sempre acontece. Outras situações que dificultam a comunicação parte do tratamento (custos. podendo estar relacionado a algum trauma passado. apressado. tempo de espera. que utilizam muitos jargões técnicos. no caso de psicoses) e da instituição (distância. que não explicam corretamente a enfermidade. por exemplo. sendo sua autonomia preservada. ou também por uma transferência negativa – a presença de sentimentos hostis em relação ao analista. ou até fazem uma contra transferência negativa – o paciente com quem ele trata tem o perfil de alguém do seu passado que não tem boas lembranças. ele quer ser mais que o médico. mas também há outras variantes que podem contribuir como: situação da doença. que sempre parece ocupado. se ele questiona os tratamentos propostos. já que. forma do tratamento proposto e a própria instituição de saúde. Esse tipo de situação pode ter dois tipos de reações: uma em que o paciente respeita a capacidade técnica do médico. Essa interação entre os dois deve ser marcada por compreensão.sempre acontece. Algumas situações podem ser tanto favoráveis quanto adversas. dificultando a compreensão do cliente. perguntam coisas muito pessoais (como sexualidade. tornando difícil relacionar-se. o paciente não permite se manter nessa posição e quer ser mais atuante no diagnóstico. participando somente das escolhas. exige demais). ajuda mútua. Mas também tais situações adversas podem partir do paciente se ele tiver concepções erradas sobre a enfermidade que o acomete. resultados a longo prazo. acesso ao serviço). cabendo ao profissional essa posição. efeitos colaterais. respeito etc. outra. doenças (dificuldade de cuidar. por achar o tratamento caro. depende. insensíveis. sendo que não tem a capacidade de ditar quais situações devem ser utilizadas.

deve respeitar suas opiniões técnicas. cabe ao médico saber contornar cada situação adversa. compreensivo e não julgá-lo. O paciente também não deve ser preconceituoso em relação ao seu médico. Ser empático. Partindo desses pressupostos. E no caso de situações negativas. cabendo a ele a autonomia de decidir pelas opções dadas. “O encontro entre médico e paciente não se rege apenas por elementos objetivos e racionais” (Botega) . preocupando-se mais um com o outro. teremos uma interação mais humanizada.É mister para um médico saber se relacionar com seu paciente.