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HABEAS CORPUS PREVENTIVO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIS DE DIREITO DA 15ª VARA CRIMINAL
DA COMARCA DE LAJEADO/RS.
A.C.V., brasileiro, casado, marceneiro, portador da cédula de identidade R.G. nº
9.999.999.9, e inscrito no CPF/MF Nº 111.111.111-11, residente e domiciliado na rua x,
nº 100, bairro Centro, CEP 95900-000, Lajeado, por seu advogado e bastante
procurador que esta subscreve, vem respeitosamente a presença de Vossa
Excelência, impetrar ordem de HABES CORPUS, com fundamento no artigo 5º, inciso
LXVIII da Constituição Federal, e os artigos 654, §1°, alínea “b” 660 §
DOS FATOS
I. O requerente foi autuado por autoridade policial por dirigir sob influência de álcool,
tipificado no artigo 306 do Código de Transito Brasileiro, ocorre que o requerente no
gozo de seu direito recusou-se a fazer o exame de alcoolemia visando o principio
constitucional da não incriminação. Em observância ao principio constitucional não
auto – incriminação o direito á prova ele não pode ser absoluto a ponto de constranger
o requerente ao fornecimento de provas sem a sua autorização, ou seja, é pleno o
direito que o requerente tem de não produzir provas que irão prejudica-los.
II. Ocorre também que p requerente suspeito de conduzir o veículo automotor sob
influência de álcool, não deverá ser obrigado a se submeter a qualquer procedimento
que implique em intervenção corporal que possa incriminá-lo.
III. O ato atentatório ao direito de locomoção figurado se traduz na hipótese de, no livre
exercício do direito de não auto – incriminação, o condutor ser constrangido
discricionariamente a realizar os testes em repartição policial ou médico – legal.
DO DIREITO
I. Primeiramente, necessário declarar o cabimento da presente medida para evitar a
inconstitucional coação à liberdade do cidadão (CF, art. 5º, LXVIII).
Alinho-me àqueles que emprestam exegese mais dilargada ao preceito constitucional
em apreço. A garantia patrocinada pela via do habeas corpus não se cinge
simplesmente à locomoção na acepção de ir e vir. Ela assegura acima de tudo a
liberdade de agir ou não agir; evita, no sentido físico da locução, a que o indivíduo seja

a que o cidadão se submeta ao "teste do bafômetro".gravíssima. e sim o ato coativo imposto pela novel legislação. que a exigência se justificasse.705.705.705. apreensão do veículo e da carteira de habilitação? O que seria viável somente em mandado de segurança. II. a menos. Essa é a questão.F.Não é somente a coação ou ameaça direta à liberdade de locomoção que autoriza a impetração do habeas corpus. repita-se. Também a coação ou a ameaça indireta à liberdade individual justifica a impetração da garantia constitucional inscrita no art. 76946. sob pena de automaticamente ser alvo de rigorosas sanções. PROCESSUAL PENAL. dispõe o Código de Trânsito Brasileiro: "Art. 165. há manifesta coação para que o motorista faça algo a que não deveria estar obrigado. depois da negativa. III. HABEAS CORPUS: CABIMENTO. (Redação dada pela Lei nº 11. . Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: (Redação dada pela Lei nº 11. Mesmo o demonstre. se a violação do direito fundamental constitucional é fundada em ato ilegal. Precedentes do STF. II. (Redação dada pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11. a multa será irreversível. Possibilidade da discussão da constitucionalidade de norma legal no processo do habeas corpus. é mais um motivo a corroborar a pertinência de habeas corpus preventivo. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTER TANTUM. de 2008) “Medida Administrativa .retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação”. Min. 5º. .multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses. Carlos Velloso). de 2008) .705/2008 impõe. I. a Lei n. A Suprema Corte já se manifestou no sentido da admissibilidade de habeas corpus para evitar coação ou ameaça indireta à liberdade individual: "CONSTITUCIONAL. que não havia ingerido qualquer dosagem de bebida alcoólica.obrigado a fazer algo que não queira. 11.Recurso provido" (RHC n. de 2008) "Infração .705. mesmo sem motivos justificadores. Noutros termos. de 2008) "Penalidade . da C. Como visto não se está atacando as sanções administrativas? Multa. LXVIII. E frise-se. A respeito da matéria em discussão. ou mesmo a não fazer algo a que não esteja impedido por lei e principalmente pela Constituição da República.

705. como argumenta o impetrante. 265). sob as formalidades previstas no art. envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito. A própria legislação especial esclarece que "as penalidades de suspensão do direito de dirigir e de cassação do documento de habilitação serão aplicadas por decisão fundamentada da autoridade de trânsito competente. exames clínicos. porém. necessário ressaltar que a ilegalidade da exigência é verificada somente nos casos em que o condutor do veículo apesar de não aparentar encontrar-se sob a influência do álcool? Pois a suspeita de alcoolização é pressuposto expressamente previsto no Código de Trânsito Brasileiro. 277. A embriaguez também poderá ser apurada na forma do art. assegurado ao infrator amplo direito de defesa" (CTB. Portanto. como consectário da negativa de submeter-se ao teste de alcoolemia. 277 do Código de Trânsito Brasileiro. suporta as penalidades administrativas que lhe são impostas automaticamente. 5º. "[. quando o motorista demonstra estar sob a influência de álcool e. art. em processo administrativo. art. pois ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si mesmo? É impelido às penas administrativas. mesmo sem se submeter ao teste de alcoolemia? Cuja imposição conforme dito é ilegal. "Art. Todo condutor de veículo automotor. com fundamento no § 2º do art. . e. sob suspeita de dirigir sob a influência de álcool será submetido a testes de alcoolemia. 165 deste Código ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo (Incluído pela Lei nº 11. 206/2006 do Conselho Nacional de Trânsito? Contran. por meios técnicos ou científicos. 277 do Código de Trânsito Brasileiro pode-se concluir que as penalidades administrativas previstas no art."Parágrafo único. 2º da Resolução n. de fato afrontaria direitos constitucionais expressamente previstos no art. de 2008)" (Grifou-se). permitam certificar seu estado. caput. Esse entendimento. Nessa hipótese. Da análise isolada do § 3º do art. 277. 165 do referido Código são aplicadas automaticamente em caso de negativa à submissão ao teste de alcoolemia ou a outros exames congêneres. 277.. não há qualquer abuso ou ilegalidade. em aparelhos homologados pelo CONTRAN. perícia ou outro exame que. Porém..] 3º Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art.

o procedimento tomado é acautelatório. 165 do Código de Trânsito Brasileiro. trata-se de uma circunstância corriqueira de exercício da cidadania. se é para fazer blitz. a respeito da questão ora enfrentada: “Veja o caso da atual e chamada lei seca e das ações praticadas contra os cidadãos de bem”. Interessante o raciocínio do Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. não pode ser abordado e nem se lhe pode impingir conduta que ele não se disponha a fazer. Nesse caso o policial é testemunha ocular e tem o dever de agir. se o veículo faz ziguezague na rua. discoteca. o fato de estar dirigindo um veículo após ter saído de um estabelecimento comercial ou nem isso: apenas porque está passando naquele local naquele momento”. Pergunto: qual o elemento objetivo e legal que permite esse tipo de abordagem? Nenhum. . “Há. Nesses casos não há a necessidade e nem a obrigatoriedade por parte da autoridade de trânsito de aplicar as penas administrativas previstas no art. Na verdade. O que se visa tolher com a presente medida é a penalização administrativa de condutores que. É assombroso. como por exemplo. apenas exercendo seu direito de locomoção assegurado constitucionalmente. danceteria. apesar de não se submeterem ao teste de alcoolemia. Rizzatto Nunes. boate. não há comportamento perigoso. rave ou o que seja e impedir que o ébrio entre no veículo. não há desvio de conduta nem manobra capaz de causar dano a outrem. eis o dado objetivo”. exigir o teste do bafômetro". depois de um árduo dia de trabalho? “Dou exemplo de quando é possível a abordagem: se a pessoa entra cambaleando num veículo para dirigi-lo. apenas e tão somente porque acabou de sair de um restaurante. Nessas condições a abordagem é ilegal. para dizer o mínimo. se a pessoa está na rua livremente. então é muito mais simples manter policiais em cada porta de bar. apenas. é preciso pará-lo. “De onde o Estado extrai o direito de evitar a locomoção de um pai de família que sai para jantar com sua esposa ou filhos” Ou com amigos. Não há suspeita. Isto é. sem base objetiva para tanto. com o objetivo de evitar a concretização dos riscos que a conduta representa. "Mas. demonstram estar absolutamente aptos a conduzir seus veículos.frise-se. Ou. A pessoa é parada na via pública pela polícia.

mesmo que nenhuma pessoa concreta tenha sofrido perigo)". Ressalto. os requisitos autorizadores da medida liminar em habeas corpus. de um perigo concreto indeterminado (risco efetivo para o bem jurídico coletivo segurança viária. com salvo-conduto da Justiça em baixo do braço". significaria apenas que a exemplo do que sempre ocorreu e continua ocorrendo.g.043055-1. afastar a imotivada multa pela compulsoriedade da submissão ao "bafômetro". Verificados. no caso de abuso. que se manifesta numa direção anormal (que coloca em risco concreto a segurança viária). cumpridor de seus deveres e cônscio das responsabilidades inerentes à direção de veículos. 2008. Em outras palavras: não se trata de um perigo concreto determinado (contra pessoa certa). O relevante é que o motorista pelo menos terá a chance de provar que não estava sob efeito do álcool e. sim. ainda. responderá pelo seu ato. Basta que a direção tenha sido anormal (em zig-zag. entende o jurista Luiz Flávio Gomes. não se exige a prova de risco concreto para uma pessoa determinada. Note-se. v. Por derradeiro. mas não concordo com a afirmação de que a subjetividade da aferição de estar o motorista sob a influência do álcool traria dificuldade intransponível no caso concreto (HC n. mas derivado dela (nexo de causalidade). 306 do Código de Trânsito Brasileiro: "O que significa estar 'sob a influência' de uma substância psicoativa? O estar 'sob influência' exige a exteriorização de um fato (de um Plus) que vai além da embriaguez.705/2008 em dissintonia com os preceitos constitucionais aplicáveis. 2008. houve falha na fiscalização por impossibilidade ou por incúria da autoridade de trânsito já que o salvo-conduto apenas impede a aplicação das sanções administrativas por quem se nega ao teste de alcoolemia sem apresentar "qualquer sinal exterior de embriaguez". Não é isso.043055-1). Ou seja: não basta a embriaguez (o estar alcoolizado). portanto. ao comentar a nova redação do art. Evidente que o juiz dessa aferição seria a autoridade de trânsito que. 11. impõe-se a comprovação de que o agente estava sob 'sua influência'.No mesmo sentido. que respeito as razões expostas pelo eminente Desembargador Vanderlei Romer ao indeferir a liminar pleiteada no Habeas Corpus n.): isso já é suficiente para se colocar em risco a segurança viária. III. nos termos da ordem. . o cidadão sério. ante o fundado receio de aplicabilidade da Lei n. o fato de alguém "cometer um homicídio em acidente de circulação. ou seja.

§4°. sendo feitas as comunicações necessárias á ilustre autoridade coatora e a autoridade judiciária de plantão.Por todo o exposto. Advogado Fernando Fernandes OAB 50217000 . nos termos do artigo 660. a possibilidade de condução coercitiva do recorrido para a produção de prova. Lajeado. Nestes termos pede deferimento. preservando o direito fundamental da liberdade física do requerente. inclusive criminal. requer a Vossa Excelência. representa o constrangimento ilegal apto a ensejar a concessão da ordem impetrada. 06 de novembro de 2015. a expedição de salvo conduto. tudo por ser de JUSTIÇA. do Código de Processo Penal.