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®ma Hfntrotrução ao

glrmímamámo Clássico
HISTÓRIA, DOUTRINAS EFUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA
Z winglio Rodrigues
é

*
FHIT OPJ A

ClUli T \jn A 1

Cpossível a um verdadeiro
■istão ter um a vida piedosa
baseada na Bíblia, ter
mvicção da sua salvação e
desconhecer por completo
testões teológicas históricas,
m indivíduo assim estaria
livre do conflito e da
*brigação de posicionar-se
tio arm m iano ou calvinista.
Em bora, aparentemente,
esses termos sejam m ais
apropriados aos círculos
los seminários teológicos,
sua utilização tem
•xtrapolado as fro n te ira s
das salas de aula
levido à sua importância
denológica. Isso, p o r si só,
justificaria a publicação
s/e livro. M a s há também
m outro motivo, revelado
nos grupos ar m in i anos
das redes sociais
onsiderado como uma dasiusas da calvm ização das
igrejas pentecostais:
bequeno número de títulos
publicados a respeito de
u ó A rm ín io e suas idéias,
ue as expliquem com zelo e
honestidade intelectual.
Por isso, a S a l C ultural
’m a satisfação de tra zer
ao público esta
rodução ao arm /nianism o,
in a certeza de que o leitor
íonlrará nela os subsídios
ssános para aprofundar-se
no assunto.
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Zwinglio Rodrigues

Zfma ^ntrodução 00
^ r m in ia n is m o £ l« s s ic o
HISTÓRIA, DOUTRINAS E FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA

Digitalizado por: Jolosa

Editora Sal Cultural
Maceió 2015

Aryosvaldo Pereira Cintra.7 / 234 / 273 Editora Sal Cultural Av.: (82) 3033-0834 . 181 Maceió/AL . Uma introdução ao Arminíanismo Clássico: História. Remonstrância 5. Maceió: Editora Sal Cultural.Tel. Jacó Armínio 2. Livre-arbítrio CDD 230 / 233. Graça Preveniente 6. Doutrinas e Fundamentação Bíblica. 2015 ISBN 978-85-67383-02-6 1. Arminíanismo 3.Z w ingíio R odrigues C opyright @ 2015 Editora Sal Cultural Todos os direitos reservados Coordenação Editorial: Eduardo Vasconcellos Revisão: M arlon M arques Capa: Glória Hefzibá Projeto Gráfico e diagram ação: Sal Cultural I a Edição . Zwingíio.Fevereiro 2015 Ficha Catalográfica RODRIGUES. Sínodo de Dort4.

Para P riscilla Rodrigues. . esposa amada.

Douglas.” Fiz. Devo gratidão a Samuel Coutinho e Luis Henrique por terem perm itido o uso nesta obra de textos traduzidos por eles e que constam nos anexos. Ele disse um a vez: “faça o m elhor que puder.Hgrabecím entos A gradeço ao irmão Douglas Ferreira por ter incentivado a escrita desse livra. agradeço à Editora Sa! Cultural e ao Pr. Sou grato tam bém ao Pb. V alm ir N ascim ento por ter endossado esse livro e ao Pr. doutrinas e fundam entação bíblica. . K leber M aia por ter escrito o prefácio. Por fim. Eduardo Vasconcellos por darem essa oportunidade de publicar Uma introdução ao Arm iníanism o Clássico: história.

no entanto seguem o pensam ento do teólogo holandês. que defendem a Eleição Condicional. O autor apresenta uma sustentação bíblica e teológica vasta e contundente para cada um destes artigos. “ destacando sua infância m arcada por tragédias. Zwingíio Rodrigues esm iuça os cinco artigos rem onstrantes. sua oposição ao infralapsarianism o. ponto central do arm inianism o. O autor fornece aos leitores brasileiros um a excelente introdução ao arm iníanism o clássico. Em bora a m aioria dos evangélicos tupiniquins concorde com a soteriologia arm iniana. além de apresentar o entendim ento dos rem onstrantes quanto à Perseverança dos Santos. sua estim a elevada para com as Escrituras e o respeito profundo de am igos dedicados". biblicam ente fundam entada e com fortes raízes históricas. O livro deste pastor baiano vem oferecer um a im portante contribuição para que este quadro seja m udado. seguem a soteriologia . Zw ingíio R odrigues é muito oportuno e necessário para a teologia brasileira. não teve força para deter a dissem inação daquelas assertivas. Zwingíio arrem ata sua obra m ostrando que o arm inianism o clássico é um a teologia válida e sólida. fruto de uma pesquisa bibliográfica am pla e acurada. assem bleia eclesiástica onde estes pontos foram rejeitados e que. O autor tam bém defende A rm ínio das denúncias de envolvim ento com o Catolicism o Rom ano e o Socinianism o e ainda m ostra os desdobram entos teológicos após a m orte do teólogo holandês. a história e as asserções do teólogo holandês Jacó Arm ínio perm anecem sendo injustam ente ignoradas e grosseiram ente mal interpretadas por muitos. com o R em onstrance (docum ento que defende os principais pontos do arm iníanism o) e o Sínodo de Dort. possibilitado pela graça divina. o fato dele ter sido um grande e piedoso pastor. seu testem unho cristão. N a segunda parte do livro. e o livre arbítrio. que na visão arm iniana clássica é libertário.p re fá c io O livro do Pr. N a terceira parte do livro. uma perseverança condicionada pela m anutenção da fé. enfeixando-se a outras obras que dispõem sobre esta matéria. devido à parcialidade. seu labor acadêm ico. apesar de ser apresentado com o docum ento oficial de condenação do A rm iníanism o. a Expiação Ilim itada. O pastor baiano conclui sua obra apresentando dois conceitos muito im portantes: a graça preveniente. Um a das razões para isto é a pequena oferta de literatura especializada no assunto em português. Zw ingíio traz um resgate histórico da vida de Arm ínio. em sua m aioria. As igrejas pentecostais. suas refregas com proponentes do calvinism o rígido. diferentem ente dos proponentes destes sistem as. defendia uma antropologia pessim ista e cria na absoluta necessidade da graça divina. sua credibilidade diante de poderosos e pessoas sim ples. a Depravação Total e a Graça Resistível. Uns afirm am que não são arm im anos. que inicia defendendo o arm iníanism o de uma das principais acusações injustas que este recebe. quando o distingue do Pelagianism o e Sem ipelagianism o (ou Sem iagostianism o) e m ostra que A rm ínio.

tanto os que discordam de seu pensam ento quanto aqueles que seguem as suas proposições necessitam conhecer m elhor a verdadeira teologia arminiana.Z w ingíio R odrigues | arm iniana. e para isto este livro é uma grande introdução. A ssim . mas não conhecem as asserções desta teologia nem a história do seu proponente. 28 de outubro de 2014. Pr. De fato. K leber M aia. N atal. . o trabalho do Pastor Zwingíio R odrigues é de grande valor. pastor da Igreja Evangélica Assem bléia de Deus. tanto para os arm inianos como para os contrários.

Doutrinas Arm inianas Capítulo 6 .L evantam entos H istóricos C apítulo 2 . Expiação Ilim itada e Breves Fundamentações Bíblicas 91 Capítulo 7 .Um a H istoriografia da V ida de Jacó A rm ínio (Parte 2) D o Conflito com F rancisco G omarus A té a M orte 47 Capítulo 4 .R em onstrance e R em onstrantes 61 Capítulo 5 .Terceiro e Quarto Artigos R em onstrantes (Parte 2) D epravação Total.Pelagianism o.Prim eiro e Segundo Artigos Rem onstrantes (Parte 1) Eleição.Livre-A rbítrio C onsiderações Finais A pêndices 161 Anexos 175 B ibliografia 181 N o ta s 187 157 137 145 113 . Graça Resistível e Breves C onsiderações Bíblicas Capítulo 8 . Sem ipelagianism o e A rm inianism o Capítulo 1 .G raça Preveniente Capítulo 10 .Uma H istoriografia da Vida de Jacó A rm ínio (Parte 1) D o N ascim ento A té Alguns C omentários Sobre Seu Suposto Calvinism o 35 Capítulo 3 .0 A rm inianism o C lássico D istinguido dos Sistemas Pelagiano e Sem ipelagiano 17 Parte II .Breves C onsiderações H istoriográficas Sobre o Sínodo de Dort Parte III .áèmmárto Prefácio 7 Introdução 11 Parte I .Quinto Artigo R em onstrante (Parte 3) P erseverança dos Santos 125 Capítulo 9 .

Estamos cientes. mas proposital. está na prim eira pessoal plural. pois a Igreja está saturada delas. Ditas essas coisas. Julgam os que será facilm ente percebido pelo leitor que em alguns m om entos nossas abordagens são de caráter exortativo e pastoral. O que segue é um a historiografia calcada no que já foi escrito articulações interpretativas fundadas em especialistas da Teologia Exegética. N ossa pretensão com esse livro é de contribuir para o debate teológico em tom o da teologia do arm inianism o clássic* m uito mal com preendida no Brasil. No entanto. Para tanto. Sabem os que há m uitas pessoas inteiradas discutindo e defendendo ■ arm inianism o clássico no B rasil com propriedade. de modo introdutório.| Introdução . a partir desta introdução. em hipótese algum a. M as. até onde temo podido constatar. P ortant este trabalho é m ais deles do que de qualquer outra pessoa. a m atriz da tradição teológica conhecida comc arm inianism o clássico. O leitor já e: percebendo que nossa escrita. mas pelo M eu Espírito. Não estam os apresentando um traball inédito que esteja oferecendo resultados de um a nova pesquisa acadêm ica envolvendo arm inianism o clássico. Este livro é um a introdução ao arm inianism o clássico. prossigam os. Se som os m erecedores c algum crédito o m esm o consiste na pesquisa. A finalidade deste livro < dar a conhecer. em nom e do exercício de algum a justiça. isso nos circunscreve em um âm bito de autoridad sobre o tema. é preciso esclarecer o que é este livro para nc . observar algum as doutrinas arm inianas clássicas e propoi algum as discussões bíblicas.: que ele não é. tais inverdades precisam ser confrontadas. escolha da bibliografia e com posição c texto. que não existe um trabalho com o esse escrito no Brasil por um autc brasileiro. Há m uita inverdade dissem inada sobre o arm inianism o clássico e. Para confecção desse livro. Este livro é. Esperam os de coração ter alcançado esse propósito. optam os escolher com o divisa norteadora desse trabalho a seguinte declaração do profeta Zacarias: “Não por força nem por violência.■'iiiinmramiw Sntrobução Iniciando esta introdução. E ste livro não é para nós um trabalho que pretenda qualquer atribuição d autoridade no tocante ao arm inianism o clássico. um a com pilação. crem os ter tom ado os cuidados devidos para não infrigirm os violência lingüística e/ou sim bólica contra os críticos de A rm ínio e do arm inainism o clássico. diz o Senhor dos Exércitos“(Zc 4:6). passam os a nos tom ar devedores de muitos autores. Isso não é por acaso. visto o farto uso de um a exten bibliografia para a arquitetura deste livro. : ■. já está de bom tam anho. No apontam ento desses erros. II . antes de qualquer coisa. teólogo holandês do século XVI. o leitor notará que não nos exim im os de apontar erros históricos e herm enêuticos por parte dos críticos quando se debruçam sobre o arm inianism o clássico para discuti-lo. no decurso da leitura. sistema teológict originado de Jacó Armínio. De antem ão esclarecem os que não é nossa intenção provocar controvérsias teológicas. Se assim for.

o perfil traçado do arm inianism o clássico no Brasil é caricato. a saber: a graça preveniente e o livrearbítrio. m anterem os a discussão sobre o arm inianism o clássico através de pequenos textos. N a esteira da desconstruçâo das propositais versões distorcidas e exageradas do arm inianism o clássico. a principal razão tem a ver com o ótim o trabalho realizado pelos teólogos e mestres calvinistas. dividim os esse livro em três partes: Pelagianismo. e a Defesa Rem onstrante Contra a Acusação de Pelagianism o e Sem ipelagianism o entregue ao Sínodo de Dort. www . Estamos cientes da elasticidade dada à designação “ arm inianism o clássico” . Eis os títulos: A s Antiquíssim as D outrinas da Graça de D eu s. Sem ipelagianism o e A rm inianism o.com. Em nossa opinião. o leitor poderá ler em anexos.Z w ingíio R odrigues Lam entavelm ente. sem pre que precisam fazer m enção a A rm ínio e ao arm inianism o clássico. Por fim. escrito por Sim ão Episcópio. em alguns casos e sem a preem inência da honestidade intelectual em outros. ocupar-nos-em os em m ostrar o arm inianism o distinguido dos sistem as teológicos pelagianos e sem ipelagianos. Todos foram escritos pelo autor desse livro. faremos um a incursão histórica envolvendo o Rem onstrance e os Rem onstrantes e. Os textos dos apêndices são m ais curtos. p or fim. o M em orial a Jacó A rm ínio. A literatura e as palestras dos irmãos calvim stas. Para tanto. tem sido a tônica dos discursos antiarm inianism o. N a prim eira parte. no entanto. tecerem os com entários concom itantes e posteriores a inform es históricos sobre o Sínodo de Dorr. propom o-nos delinear os autênticos perfis de Arm ínio e do arm inianism o clássico. 1 Dokimos é o blog de Zwingíio Rodrigues. Ordo Salutis.br . Nestes. Infelizm ente. Que é o “arm inianism o clássico”? D elim itam os neste trabalho a adesão aos cinco artigos da Rem onstrance e a conclusão final dos rem onstrantes no tocante ao 5o A rtigo como definidor do que vem a ser o “arm inianism o clássico” . O leitor ainda contará com três apêndices. D ébil Exclusivism o e G nosticismo. em nosso parecer. discutirem os m ais duas doutrinas caras ao arm inianism o. prim am por caricaturá-los. na terceira parte. diretos e não são inéditos. Quanto à segunda parte. Entendemos que introduzir o leitor o m áxim o possível nas discussões envolvendo o arm inianism o clássico será de grande proveito para você. pois estão postados no blog D okim os1. Tal com portam ento. Ainda m ais. discutirem os as doutrinas apresentadas nos Artigos Rem onstrantes e. traçarem os em dois m om entos um percurso histórico sobre a vida de A rm ínio. e Confirmando Nossa Eleição. com preendem os que o m ínim o delim itador faz-se necessário para a m anutenção da pureza do m ovim ento original iniciado com A rm ínio e constituído como um m ovim ento de fato com os rem onstrantes. afirm ar qualquer coisa sem o devido rigor acadêm ico.dokimos. em capítulos a parte. c um a tentativa de m odelar o m áxim o possível segm entos diversos da Igreja Evangélica Brasileira à imagem e sem elhança do calvinism o. Esses textos estão diretam ente relacionados ao coipo do texto escrito nas páginas desse livro. Na tentativa de concretização desse intento. Levantam entos H istóricos e D outrinas Arm inianas.

| Introdução ao A rm inianism Convidam os o leitor para ler nosso trabalho de mente aberta e ser preconceitos. N osso público alvo são cristãos leigos. líderes e estudantes de teologia arm inianos ou calvinistas. Boa leitura! .

emtpelagtantsimo e lirmtntamámo .Jàarte l Iklagtantámo.

um a noite sem estrelas e sem lua. sem elhantes quanto ao pensar teológico pelagiano e sem ipelagiano.” Vamos às considerações. abandonou a ortodoxia. portam -se assim devido o desconhecim ento das prem issas fundantes dos três sistem as a serem discutidos brevem ente neste capítulo. como argum enta R oger Olson.Introdução ao A rm inianism o Capítulo l H rm tm am ám o Clásíâtco tuátíngutUí) íioá üuátem aá p e la g ia n o e áê>emtpelagtano Que nenhum homem esbraveje contra o arminianismo a menos que saiba o que ele significa. Não negam os a existências de m uitas denom inações ditas arm inianas que não passam de instituições dadas aos discursos e práticas francam ente pelagianas e/ou sem ipelagianas. No tocante a esta segunda razão. Pelagianism o Que é pelagianism o? O termo deriva de Pelágio (360-420 d. segundo Confúcio. Essa confusão decorre de duas razões: 1“D esconhecim ento absoluto das prem issas dos três sistem as e. que. 2 “ A seleção arbitrária de opiniões de teólogos que abandonaram a soteriologia. no mínim o. original do arm inianism o clássico. A razão dos equívocos é a ignorância. dotado de muita 17 . John Wesley Introdução O arm inianism o clássico é com um entc confundido com os sistem as teológicos pelagiano e sem ipelagiano. /. revela um a ignorância acadêm ica. alguns estudiosos deveriam dedicar-se m ais à acuidade intelectual honesta evitando colocarem no m esm o bojo os teólogos que negaram as prim eiras prem issas do sistem a arm iniano clássico juntos aos teólogos fiéis às mesmas. N ão é honesto rotular todos calvim stas de liberais apenas porque Friedrich Schleierm acher (1768-1834). “é a noite da mente. Com o dem onstrarem os por todo esse trabalho. N o entanto. Pelágio era um hom em de caráter im poluto. exprim ida na introdução do livro.C)). linkar o arm inianism o clássico com o pelagianism o e o sem ipelagianism o se constitui em um a fraude intelectual ou. calvinista. teólogo e professor britânico bem popular em Roma e notável por causa de sua erudição e elevado padrão moral. e considerado o pai da teologia liberal. é do nosso parecer que essas denom inações vinculadas ao espectro evangélico arminiano.

A alma nâo herda a contam inação do pecado de Adão. De acordo com a teoria. o elemento imaterial constituinte do ser do homem é criado diretamente por Deus.Z w ingiío R odrigues austeridade e tem peram ento equilibrado'. pelo sim ples fato do hom em ter um “eu”. das bases p a ra a justificação.) Caso Pelágio tivesse m elhor refletido que. Ou seja. segundo G. ele tenha sido um m onge. com quem travou uma grande controvérsia. incorrupta e dotada de condições. O historiador A lister M cG rath1' aponta os seguintes pontos principais envolvendo a polêm ica entre Pelágio e Agostinho: • • • • O O O O conceito conceito conceito conceito de “livre-arbítrio de pecado. bispo de Hipona. de viver em plena obediência a Deus. Deus cria uma alma nova e intacta.tado de neutralidade podendo inclm ar-se livrem ente em qualquer direção que desejassej nos explica Louis B erkhof (1873-1957). Em sua opinião. Possivelm ente. o pecado é um ato e nâo existe fora dele. Ele elaborou um sistem a doutrinário controverso incluindo a defesa da vontade hum ana com o sendo livre para escolher o bem e a negação do pecado original. a vontade hum ana depois da Queda não tem tendência intrínseca de praticar o mal. não há pecado o rig in a l. N ão se sabe ao certo a data de seu nascim ento e de sua morte. sempre que há a fecundação do óvulo pelo espermatozóide. esta. Porém. Nâo há pecado original na alm a recentem ente criada por D eus2. Esta teoria é chamada de teoria criacionista. no tocante à vontade livre. K elly atribui a Pelágio o título de m onge (m onachus) com o designação conotativa de “servo de D eus. originalm ente Adão nâo estava em uma condição de santidade ou pecam inosidade e sim em um es. em bora sejam grandes as incertezas quanto a algum m onacato exercido por ele. de graça. Para Pelágio. sentenciava o teólogo britânico. pois.N.'" O sistem a teológico de Pelágio tratava a natureza hum ana diam etralm ente em oposição às reflexões de Agostinho (354-430). Então. Ou seja. K. Para Pelágio. de 409 a 411 d. As pessoas só podem Pelágio refere-se à origem da alma. as almas são criadas por Deus no momento da concepção.”" Suas doutrinas foram expostas prim eiram ente em Rom a. Ou seja. Daí reafirm ar que o hom em é o que é devido à desobediência proposital. Opõemse a esta teoria as teorias da pré-existência e do traducianismo. Seu pecado contra Deus deve ser com preendido com o um ato deliberado eele é o responsável por suas decisões."' M as o caminho investigativo de Pelágio é outro. . caso o hom em queira. Para o erudito J. Pelágio não pertenceu a nenhum a ordem religiosa. é “um a das prim eiras coisas em que acreditam os. A dão nâo possuía um a santidade positiva. Não há vínculo orgânico entre Adão e seus descendentes. C hesteiton (1874-1936).Q. (a queda de Adão prejudicou apenas a ele mesmo." E o hom em quem pratica o bem ou o mal. intacta. mas ela é pura. N ão há transm issão hereditária. a perm anente possibilidade de egoísm o é im inente e isso deve volver o hom em para o pecado original. Kelly (1909-1997).D.

com ju stiça.'11 Em seu em bate com A gostinho. Pelágio descreve a capacidade do cristão viver sem pecado: O cristão é aquele que o é não em palavras. 19 .. fazia do hom em um a m arionete controlada pela graça divina e sugeria uma perm issão para pecar até que o desejo pecam inoso desaparecesse dando ao hom em a condição de viver sem pecado.v" Segundo Kelly. Pelágio incom odava-se com a seguinte oração do bispo hiponês: “O Deus. para Pelágio.] sede vós perfeitos com o perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5:48) para sustentar a doutrina da impeccantia. Ora. o hom em age voltando-se para o mal ou para o bem conform e bem entender .lx A queda adâm ica e o próprio satanás não podem destruir isso. p o d e dizer: ‘Eu não ofendi ninguém. aquele que é santo. Pelágio tinha a natureza hum ana pós-queda em tão elevada conta que ensinava ser possível ao hom em escapar do pecado (im peccantia). aquele que se recusa a injuriar ou ferir a quem quer que seja. Reagindo. ordena tudo que quiseres. inocente. Admitir ao hom em ser im possível não pecar era um insulto a Deus.. para Pelágio “qualquer im perfeição em um ser hum ano teria um reflexo negativo sobre a bondade de D eus. mas em obras.jO poder para nâo pecar (posse non pecaré) c um equipam ento hum ano dado ao hom em desde a criação. mas socorre a todos [. raciocinava. Pelágio apresenta a pedra de toque de seu sistema: o livre-arbítrio. Pelágio não desconsiderava o m au am biente com seus costum es perniciosos na deform ação da criança inocente como nos inform a Paul Tillich (1886-1965). Pelágio não com preendeu Agostinho. R oger O lson transcreve um a resposta de Agostinho mostrando o quanto o teólogo britânico entendeu errado o bispo de Hipona: “A inda que as pessoas façam boas coisas que pertencem ao serviço de Deus.. se Deus ordena ao hom em que não peque.} N essa esteira. o hom em nasce sem desejos e tendências para o mal em sua natureza.”x Portanto. N ascem inocentes como Adão.” Pelágio ficou perturbado com esse tipo de oração porque lhe parecia um convite à passividade..já dissem os isso reiteradas vezes. Através desse instrum ental. o hom em não necessita pecar. em cujo coração não há maldade alguma.''"' A natureza hum ana. De acordo com M cGrath. mas faça o bem. porque eu [.] E cristão aquele que. e sua m anutenção fincada num a determ inação crescente. sem culpa.. em essência. fruto de um esforço extraordinário.| Introdução ao A rm inianism o ser cham adas de pecadores depois que pecam. m as dá o que tu ordenaste.. mas apenas piedade e bondade. a graça de Deus auxilia o hom em no cum prim ento das exigências divinas. aquele que imita e segue a Cristo em tudo. é ele próprio quem faz com que elas façam o que Ele ordenou. sem mácula.” M1' Ou seja.] sou santo” (Lv 19:2) e “ [. é livre e não está enfraquecida por qualquer fraqueza m isteriosa. porém ele não concebia um a vida sem pecado obtida de um a vez por todas. tenho vivido corretam ente p a ra com todos O teólogo britânico citava Escrituras como “ Santos sereis. mas defendia a possibilidade da perfeição. conclui-se que o hom em pode cum prir a ordem. De fato.

Pelágio só vai ser encontrado nos registros históricos quatro anos mais tarde. ao mesmo tempo . e em C artago novam ente. no terceiro Concilio de Efeso. e fazia chover fogo e enxofre sobre a cabeça de Pelágio.. primeiro. Ele conseguiu algumas adesões episcopais ao seu construto teológico.C.até m esm o em com unidades cristãs.. e não condenará ninguém p o r algo de que não é culpado. G onzález.. o pelagianism o foi perdendo terreno no Ocidente e Oriente. discípulo e am igo de Pelágio.Z w ingíio R odrigues Para explicar a universalidade do pecado.. segundo. clam am os a Deus e dizemos. o pensam ento pelagiano ensinava que “os pecados das pessoas da geração passada enfraqueciam a carne da geração atual...sua p rópria criação . "Isto é fa tig a n te dem ais! Isto é difícil dem ais! N ão podem os fa zê-lo ! Somos apenas humanos. nos queixando de que Deus ordenou o impossível. A questão para Pelágio era pragm ática. Pelágio apontava para a fraqueza da carne hum ana.C. C airas. V am os a um exemplo. p o is D eus é santo™ Pelágio sustentava sua antropologia apresentando figuras do Antigo Testam ento como provas da condição hum ana de viver sem pecado. recebera condenações em Cartago no início de 412 d. De acordo com o historiador Earle E. acusam os o Deus do conhecim ento de um a dupla ignorância ignorância da própria criação de D eus e dos próprios m andam entos de Deus. Loucura cega! Presunção ostensiva! Com isso.C. pois era causa de assom bro as desculpas dos pecadores ao atribuírem a culpa dos pecados à com balida natureza humana..”'"' O excerto a seguir m ostra com o a antropologia de Pelágio era otimista: [Em vez de considerarm os os mandam entos de D eus um privilégio]. imaginando que alguns receberão a condenação de D eus por algo de que não são culpados. e não salvar. num grande concilio realizado nesta cidade em 418 a.Deus tivesse imposto sobre nós mandam entos que som os incapazes de suportar. Seria como se. e a fra q u eza da carne nos im p ed e!”. Na opinião de Olson.. em Cartago e M ilevo.”"" C oncordam os com essa asserção.”XV1 O pelagianism o foi condenado finalm ente em 43l_d. pois Deus é ju sto . esquecendo-se da fra q u eza da hum anidade . antes.C.ah! Que blasfêm ia! . “o pelagianism o ainda está m uito vivo e atuante . N inguém conhece a extensão de nossa fo rç a m elhor do que o Deus que nos deu essa força. de modo que . com o escreve o historiador Justo L. M as. Pelágio ficava estupefato frente às ideias consideradas pessim istas e desm oralizantes em relação à natureza hum ana. o m esm o que condenou o nestorianism o. enfrentou um duro em bate com Jerônim o que “trovejava do seu retiro em Belém. D epois do início de sua refrega com A gostinho em 405 d.D eus é tido como Aquele que busca nos castigar.que D eus nos p erdoe! . Deus não decidiu ordenar nada impossível.. .C. E. em 416 d. sendo representado por Celéstio. Gradativam ente.atribuím os injustiça ao Justo e crueldade ao Santo. mas.

o hom em . quando o hom em pensa poder decidir. o hom em não tem o “gene” nefasto transm itido por qualquer pecado original. assim. ou apenas um fragmento: uma ilha. Mircea. ou. em seu íntimo. Augustus Nicodemos sob o título “O Liberalismo Teológico Morreu?” . precisando apenas de m otivações para fazer o certo. Em seu labor teológico e herm enêutico. ser a favor ou contra Deus.Introdução ao A rm inianism o O filósofo francês Jean Jaques R ousseau (1712-1778) aproxim ava-se dos velhos conceitos antropológicos de Pelágio. pela filosofia da religião em ergindo do liberalism o teológico protestante de Schleierm acher. mas a todo evento m iraculoso registrado na Bíblia. o tempo fabuloso do "princípio". não precisam os adm itir uma antropologia pessim ista. usando sua “ liberdade individual” . 4 O historiador das religiões e filósofo. Portanto. é a seguinte: o mito conta uma história sagrada: ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial.br/2011/09/o-liberalismoteologico-mo!reu. Disponível em < http://tempora-mores. por causa da Q ueda. Mircea Eliade (1907-1986). 1972. define “mito”: “A definição que a mim. apontarem os as distâncias entre ambos no tocante à antropologia teológica e a ham artiologia (doutrina do pecado). Prim ando por conclusões como a perfeição da natureza hum ana e a negação do pecado original. m as. o “bom selvagem ”. Mito e Realidade. uma espécie vegetal. Eva. e isso significa que o ser hum ano é bom. Para tanto.) A antropologia pelágio-rousseauneana está representada na cristandade. com um a variação ou outra quanto a seus adeptos.com. Esse conceito foi aplicado não apenas ao relato da criação do hom em .1 . seja uma realidade total. farem os um contraponto entre os sistem as de Pelágio (pelagianism o) e A rm ínio (arm inianism o clássico). p. 'Rousseau atribuiu às instituições sociais a culpa por toda m azela social. Sim. por ser a mais ampía. Em outros termos. foi escrito pelo Dr. Adão. As diferenças entre eles no que concerne àquelas disciplinas. pessoalmente.html> Acesso 23 out. com enta Olson. inocentando. me parece a menos imperfeita. instituição. Outros exem plos de pelagianism o na igreja são a crença corrente de que o hom em pode efetuar algum bem espiritual sem o auxílio da graça sobrenatural divina ou. J Um texto breve. a Queda e o pecado original não passam de m itos. o pelagianism o pode ser encontrado nas igrejas cristãs. 2014.” (ELIADE. um comportamento humano. mas muito esclarecedor sobre a teologia liberal e sua sobrevivência entre cristãos. A seguir. por exem plo. p e r s e . A ssim . a serpente. 9. o mito nana como. o hom em possui uma fagulha divina. São Paulo: Perspectiva. O cristianism o liberal3 considera a narrativa da criação do Gênesis um m ito4. o Cosmo. propõe a supressão e abandono do elem ento sobrenatural encontrado na Bíblia. o liberalism o teológico. tem repercussão direta 110 pensar soteriológico de cada um. então. Feito isso. conceito usado por ele para apresentar o im poluto ser humano.blogspot. uma realidade passou a existir. graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais. Isso é o m ais puro pelagianism o.

por sua vez. Pelágio não cria no pecado original ou no pecado herdado. . Pelo próprio esforço o hom em pode deixar o hábito de pecar e viver com o foi criado.. o homem não é capaz. Com o diz o Caim s: “Para Pelágio [. Ele escreveu: [. A gostinho sempre renegou a doutrina do pecado de Pelágio. em todo percurso desse livro. ■A antropologia de Arm ínio. a natureza pecam inosa do hom em procede do pecado original. Ipois ele cria na total depravação5 do hom em e sua dependência da graça divina para fé. sendo agostiniano. o hom em pode alcançar a salvação apenas por meio de suas boas obras.. então. T e m o s então um a antropologia otimista. pensar. A crença de am bos era antípoda.] cada alm a é uma criação de Deus.. Segue uma lista com alguns desses pontos. D esta m aneira. os quais.Z w ingíio R odrigues L 1. não existe depravação humana total e nem em qualquer outro sentido. Ou seja. G onzalez reuniu nove pontos destacados por A gostinho relacionados às doutrinas de Pelágio e seu mais proem inente discípulo. Portanto. A rm ínio era agostiniano no tocante ao estado do hom em pós-queda adâmica: Jacó A rm ínio (ênfase nossa) e John Wesley eram totalmente agostinianos nos seguintes aspectos: (a) a raça hum ana é universalm ente depravada como resultado do pecado de Adão. a saber: “sem tendências e desejos maus em sua n a t u r e z a . Para A rm ínio o hom em está caído e em estado de pecado como conseqüência da Queda. A rm ínio nunca resvalou em Pelágio. será dem onstra n vezes o quanto é inadequado rotular A rm ínio e o arm inianism o clássico de pelagiano e que apenas insistem nesta Trabalharemos esse conceito mais de perto no capitulo 7. mas tam bém quanto à ham artiologia (doutrina do pecado). Desse modo."' A gostinho e Pelágio divergiam abertam ente sobre a condição hum ana pósqueda adâmica.”" 111A ssim . para o teólogo britânico. | D istâncias conceituais entre Pelágio e A rm ínio A respeito da natureza hum ana. (b) a capacidade do homem de querer o bem está tão debilitada que requer a ação da graça divina p a ra que p o ssa alterar seu curso e ser salvo. não herdando por isso a contam inação do pecado de A dão. N a análise de R ichard Taylor. Nào apenas notam os a distância entre os teólogos no tocante à antropologia.] Mas em seu estado caído e pecaminoso. serão negados pelas crenças de Arm ínio. Portanto. Coelestius. de e p o r si mesmo. com a qual concordam os. era altam ente pessim ista. nesse quesito Arm ínio jam ais poderia ser taxado de pelagiano.. conform e dissem os. ou fazer aquilo que é realm ente bom l-]-" " O contraponto é claro. conform e dito acima. desejar. Arm ínio defendeu que o pecado original expõe o hom em à ira de Deus e francam ente aceitava o conceito agostiniano de pecado original.

ao com entar exatam ente sobre a (suposta) im pecabilidade hum ana..”vuv Em sua D isputa VII.XXI1 • Que o pecado de A dão fe r iu som ente ele próprio . 1. se nós desejarmos. A hum anidade nâo m orre com ele. Sobre essa acusação. eu não deveria ser considerado pelagiano.Armínio confirm a o ensino agostiniano da raça hum ana estar sob os lombos de Adão triangulando as seguintes Escrituras: “porquanto todos pecaram ” (R m 5:12). para A rm ínio as crianças não têm sobre si im putado o pecado adâm ico. deixou a questão em suspensão para averiguações posteriores. 18-19). p. No tocante a este últim o ponto. Rodríguez conclui: “O pecado original segundo Arm ínio. podem os viver sem pecado. isso não significa isenção da corrupção resultante do pecado original. • Que existiram alguns antes do tempo de Cristo que viveram sem pecar. A s crianças nascem em estado de pureza. a saber: "que é possível para o regenerado nesta vida. m as. • Que.. Vam os aos pontos de Pelágio. Aqui viram nele sinais de pelagianism o. . U m estudo cuidadoso dos escritos de A rm ínio não nos leva a tais conclusões. E relatado que eu tenho um a opinião imprópria sobre este assunto quase aliada à dos pelagianos. que A dão estava antes de sua queda.]. No tocante aos pontos 4 e 7.. porém . o ato de Adão e tam bém um ato de todos e com o tal ninguém está livre da culpa e da p ena.| Introdução ao A rm inianism o acusação pessoas alheias aos sistem as teológicos daqueles teólogos ou que optam pela desonestidade intelectual. viver perfeitam ente os preceitos de Deus ". 356. No entanto.] nesta vida. disse nunca ter afirm ado isso. “são por natureza filhos da ira” (E f 2:3) e “carecem da ju stiça e santidade original” (Rm 5:12. • Q ue recém -nascidos estão no m esm o estado em. P ara a contraposição aos pontos 2. seja p a rcia l ou totalmente. A isto respondo: ainda que esta fosse minha opinião. p o is eles poderiam fa z e r isso apenas p e la graça de Cristo e não de outra maneira 23 . de suas Obras. em um a de suas defesas.”XX1" Aqui A rm ínio nega três teses pelagianas de um a só vez: • • • A penas Adão f o i ferid o p o r seu pecado. ele declarou: há m uita discussão entre a respeito da perfeição dos crentes [. é um ato. vol. Arm ínio.. devido à m orte de Cristo. • Que a totalidade da raça hum ana não m orre na morte ou queda de A dão [. envolvendo o alcance do pecado dos nossos prim eiros pais. transcrevem os a seguinte declaração de Armínio: “em A dão ‘todos nós pecam os’ (Rm 5:12). pois A rm ínio não nega a liderança federal de Adão sobre a raça humana. e não toda a raça humana. 5 e 6. o pecado original é posto de lado.

resultando daí em distanciam entos teológicos entre ambos.”XXV!1 “G raça” é a autonom ia hum ana (livre-arbítrio) conferida por Deus à hum anidade. tam bém . o Espírito Santo.. concluiu Pelágio. labora em erro. Arm ínio lem bravaos que A gostinho defendia a possibilidade de um hom em viver sem pecado am parado pela graça de Cristo. é o Espírito Santo. Em bora A rm ínio cresse no livre-arbítrio. meu ensino está de acordo com as Escrituras e a posição ortodoxa: o livre-arbítrio é incapaz de iniciar ou aperfeiçoar qualquer bem verdadeiro e espiritual. é uma Pessoa. Vam os a um sum ário do que discutim os nesta seção: • A natureza do pecado p a ra Pelágio prescinde de uma propensão hum ana p ara o pecado. Já para Pelágio. O utra linha dem arcatória entre o teólogo britânico e o teólogo holandês é o conceito de “graça” ] Para A rm ínio a graça é sobrenatural. Pelágio negou o conceito de transm issão hereditário do pecado. ele não o concebia com o um equipam ento hum ano capaz de levar o hom em a viver de m odo agradável a Deus sem o auxílio da graça divina. Arm ínio respondeu: No tocante à graça e o livre-arbítrio. sem a graça. de acordo com Kelly. “o próprio livre-arbítrio ou a possibilidade de não pecar com que Deus nos dotou no m om ento de nossa criação. atingida p elo pecado. Portanto. D efendendo-se novam ente da acusação de pelagianism o.. uma doença passada de geração a geração. ela é.Z w ingíio R odrigues Arm ínio continua sua defesa: “ [. concluím os que as teologias de Pelágio e A rm ínio sustentam -se em prem issas diferentes. A rm ínio fez questão de declarar a existência de um a abissal distância entre ele e Pelágio e ainda o cham ou de herege conform e m ostram os.] declaro que este pensam ento de Pelágio é herético e está diam etralm ente em oposição a essas palavras de Cristo: ‘sem mim nada podeis fazer’ (Jo 15:5). • Arm ínio negava a capacidade hum ana natural do homem em voltar-se p a ra D eus ou fa z e r o bem. Arm ínio a entendia com o sendo um a P essoa. • Para Arm ínio a hum anidade fo i totalmente.”WI A inda explicando-se diante dos críticos. . A ssim . • Pelágio entendia a graça como o livre-arbítrio. Pelágio considerava a natureza humana capaz de cum prir a vontade divina p o r sua própria escolha. a acusação de que o sistem a de Arm ínio (e o arm inianism o clássico) é pelagiano.11'”' Uma defesa suficiente.

aqueles que o apoiaram no em bate contra Pelágio não aceitaram suas doutrinas predestinacionista e da graça irresistível. no entanto. negava algum as prem issas de Agostinho. (Sintetizando. Após a m orte de Agostinho. na natureza hum ana há capacidade para retom ar a Deus. 'semia g o stin ia n o s' que rejeitavam as doutrinas de Pelágio e admiravam e respeitavam Agostinho. para colocar em m ovim ento o início da salvação.1 Passem os a palavra ao M assiliano: A pesar de. Disso. Sem ipelagianism o No tocante ao sistem a sem ipelagiano. ele se opunha ao peiagianismo. mas não 25 . estim ula e direciona isso p a ra salvação.j Para Cassiano. dando crescim ento àquilo que ele mesmo plantou. o prim eiro impulso de uma boa vontade proceder claram ente de Deus. decorre que a vontade hum ana apenas foi enfraquecida na queda. às vezes.1922). o m ovimento parte do núcleo agostiniano que. outras vezes ela tem origem na própria volição do homem. f Pondo-se entre a predestinação de A gostinho e a visão otim ista da natureza hum ana segundo Pelágio. C assiano foi o mais notável teólogo ce seu tem po a contestar os ensinos agostinianos. na verdade. O uso da term inologia “ sem ipelagianism o” indica a adoção de um a forma m odificada do sistem a teológico pensado por Pelágio. segundo o historiador W illiston W alker ( 1860 . ele ilumina. Para Gonzalez. em bora não estivessem dispostos a seguir o bispo de H ipona até as últim as conseqüências de sua teologia. e D eus a confirma e f o r t a l e c e i O uçam os Cassiano. tal term o é impreciso. esta capacidade só é operada pela ação divina. além de objetar contra as prem issas de Pelágio. No homem há uma condição residual que o possibilita realizar o m ovim ento inicial de fé . a vontade hum ana perm anece sem pre livre. ! os assim cham ados sem ipelagianos eram. Como anotou Gonzalez. seu principal representante foi o teólogo ■ia Alta Idade M édia João C assiano (360-435): C assiano foi um m onge do sul da Gália responsável pela introdução do m onasticism o oriental no ocidente. De igual m odo. o sem ipelagiano C assiano dizia haver no hom em força volitiva rem anescente. No entanto. pois nos afasta da sensação de que o sem ipelagianism o tenha brotado do seio do pelagianism o. ou àquilo que ele tem visto nascer do nosso próprio esforço. pós-queda.Introdução ao A rm inianism o 2. novam ente: Tão logo ele [D eus] vê em nós o com eço de um a boa vontade."" / O esclarecim ento acim a é im portante.

. _ Se alguém afirm ar que podem os fo r m a r algum a opinião correta ou fa z e r qualquer escolha correta que se relacione com a salvação da vida eterna. como é expediente p o r nós. o agostinianism o tam bém não. “ P orque sem mim nada podeis fa z e r ” (João 15:5). “ N ão que sejam os competentes. contesta e rejeita ensinos sem ipelagianism os e agostinianos. que sejam anátemas i . K elly e Gonzalez. e a p alavra do Apóstolo. claram ente.] Nós não som ente não crem os que haja qualquer m au pré-ordenado p o r Deus. [. mas a nossa com petência vem de Deus ” (2 Coríntios 3:5). o 2. de p en sa r algum a coisa. que fa z com que todos os hom ens alegrem ente assintam e creiam na verdade. isto é. o qual é a morte da alma. e não entende a voz de D eus que diz no Evangelho. A decisão do Concilio é descritas nos seguintes termos por Olson: Os bispos ali reunidos afirm aram que até mesm o o com eço de uma boa vontade p a ra com Deus é um a obra da graça de Deus. p o r nós. à parte da m anifestação prévia da graça divina. na França 1 Este Concilio foi convocado para averiguar o sem ipelagianism o em contraposição ao agostinianism o. A crença na ação de uma boa vontade hum ana para com Deus. Leiam os.Z w ingíio R odrigues totalm ente corrom pida. passado através de um hom em p a ra . assentir à pregação do evangelho através de nossos poderes naturais sem a. mas até mesm o declaram os com absoluta aversão que se há aqueles que desejam crer num a coisa tão má. condena o pelagianism o: Se alguém assevera que o pecado de A dão afetou som ente a ele e não os seus descendentes também. Porém. Com o resultado da reunião. o cânone 7 e um trecho da conclusão do Concilio. foi condenada em 529 d. condenaram igualm ente qualquer f é na predestinação divina p a ra o mal ou o pecado.C. porém .r - N o cânone. respectivam ente. ilum inação e inspiração do Espírito Santo. o sem ipelagianism o não saiu vitorioso. ou p elo menos se ele declara que é som ente a m orte do corpo que é a punição p elo o pecado. está desencam inhado por um espirito herético.. de acordo com Olson. como de nós m esm os. O utro cânone.*"'" O C oncilio. no Segundo Concilio de O range. ou que possam os ser salvos. tem os a condenação do sem ipelagianism o e na conclusão lemos a condenação da predestinação divina para o m al agostiniana. e não também aquele pecado. e perm itiram aos cristãos fié is crerem no livre-arbítrio que coopera com a graça divina.

as doutrinas da graça irresistível. e pelo peca d o a morte. O reform ador luterano Philip M elancthon (1497-1560) cria na graça resistível e rejeitava a predestinação incondicional. nunca foram unanim idade na história da Igreja.-M artinho Lutero (1483-1546) acreditava na expiação ilimitada.^ ' O agostinianism o tornou-se regra ortodoxa da igreja? Só depois de cerca de mil e duzentos anos é que teses de A gostinho foram confrontadas e abandonadas pela igreja? Isso não é verdade. a teologia de Agostinho. A palavra "ortodoxia” não está na Bíblia. a princípio. “correto” . assim também a m orte passou a todos os homens por isso que todos pecaram . é bastante curiosa a seguinte declaração do historiador Jessy Lym an H uribut (1843-1930): [. K elly escreve: Do grego heterodoxos . “reto” e. nos tem pos modernos. e podeo. suavizou algum as das doutrinas m ais radicais de A gostinho. Alguns ensinos da teologia agostiniana são heterodoxos. vi que não procediam corretam ente segundo a verdade do evangelho [. fa z injustiça a D eus e contradiz o Apóstolo. a palavra “ortodoxia” era usada para detinir crenças com o crenças correias. representante do agostinianism o contra os setnipelagianos. em uma predestinação com o contingente à presciência divina. 27 .. do m esm o m odo que A rm ínio cria. Ainda no tocante ao agostinianism o. é que a igreja se afastou do sistem a doutrinário a g o s tin ia n o . Q uando as crenças divergiam dos consensos eclesiásticos. como p o r um hom em entrou o pecado no mundo. na Holanda. seu sentido etim ológico pode ser encontrado em Gálatas 2:14: “ Quando. bem como sua soteriologia. O problem a com a afirm ação de H ulburt em relação às doutrinas agostinianas é que elas. Enfim . nos inform a Gonzalez. Por exemplo. elas eram taxadas de heterodoxas6. No entanto.” A palavra “corretam ente” vem da palavra grega orthopodeo com posta de orthós. figuradam ente. ” (Rom anos 5:12). ensinos caros à soteriologia agostiniana não são ortodoxas no sentido apontado por Hulburt. "reto” e dóxa “opinião” . Som ente mais tarde. crendo.. lato sensu.. Que é “ortodoxia"? Palavra originária do grego orthós. “pé” . os m esm os nos quais A rm ínio se apoia na defesa de sua soteriologia. “P ortanto. e no século dezoito com João Wesley.] a teologia de Agostinho tornou-se a regra ortodoxa da igreja. A igreja não adotou a soteriologia agostiniana m totwn em tem po algum.. elas foram negadas pelo Concilio de O range.” Já nos C oncílios do século IV e V.oposto à ortodoxia: considerado herético.| Introdução ao A rm inianism o ioda a raça humana. Daí “ortodoxia” vir a significar “crença correta” . Fazendo referência a A gostinho ainda vivo. pois elas nâo são encontradas nos Pais gregos pré e pós nicênicos. porém . A junção dessas palavras nos leva à sentença “não procediam corretam ente” ou “não andavam [pé] corretam ente. A té Próspero de Aquitânia.]. nâo são regras quanto à totalidade de suas premissas. que diz. dupla predestinação e expiação limitada. sob a orientação de Arm ínio (ano de 1600).

).Z w ingíio R odrigues Agostinho não podia afirm ar com ju stiç a que seu ensino distintivo fo ra totalm ente ratificado p ela igreja.. o im portante Concilio de O range é convocado exatam ente por causa da falta de unanim idade em tom o das teses agostinianas. a soteriologia sem ipelagiana é essa esboçada. em bora livre em seu estado caído. A rm ínio opô-se a algum as declarações de fé calvinistas. pois Arm ínio.” "™ 11 Sendo assim. A rm ínio nunca a subscreveu. pois. nâo é possível à parte da liberdade hum ana. segundo W alker. mas desta depende totalm ente. Riez. quer no Ocidente.”^ Em linhas gerais. Como inform ado. Lérins. não nos opom os. Indiretam ente. Ele dizia que o initium ftd e i. insistia ter o hom em a “possibilidade de se esforçar para a salvação. está em consonância com a voz da Igreja em um sentido m ais am plo que Agostinho. Entre elas destacavam -se a sugestão de que. suas ideias não tiveram. de fato. no sul da Gália. a acusação de heterodoxia que H urlbut impõe sobre A rm ínio (e W esley) é um equívoco. consoante Gonzalez. especialm ente no sul da Gália. \ j \ I . A gostinho e alguns de seus ensinos foram resistidos e rejeitados. M as o mais honesto aqui é enxergar A rm ínio com o ortodoxo no tocante à Palavra de Deus e atribuir heterodoxia à outra parte. Outro nom e pertencente à escola sem ipelagiana é Faustus de Riez (410-495) ardoroso expositor das teses antagônicas ao agostinianism o. por isso. tais ensinos não eram no que os cristãos sem pre creram. M esm o adm itindo a realidade do pecado original. C aso Hurlbut esteja dizendo que . quod semper. cham ou A gostinho e seus seguidores de “ inovadores” .. nenhum impacto perceptível. No que diz respeito ao Oriente. No Ocidente. Ora. Espanta ler Charles Hodge (1797-1878) dizendo que o sistem a agostiniano foi “em todas as épocas [.^™ ' Louis Berkhof.] nós devemos ter certeza que nós conservam os aquilo que tem sempre sido crido por todos e em todo lugar (q u o d ubique. Lérins com preendia os ensinos agostinianos com o divergentes da doutrina eclesiástica. deve ser considerado um heterodoxo. havia muitas pessoas..] a vida da igreja. no tocante à soteriologia. o resultado do Concilio não consolidou todas as teses de Agostinho. e o fa ta lism o que p a recia inerente em sua teoria da predestinação. Q uer no Oriente. conform e veremos. Vejamos.C. quod abi om nibus).. o prim eiro passo da fé. devido à soteriologia agostiniana.”xxxlx Encontram os tam bém com algum destaque V incente de Lérins ("f antes de 450 d. ao passo que a doutrina da graça irresistível e a doutrina da predestinação dupla foram preteridas. Ou seja. a vontade é incapaz de escolher o bem. indo na m esm a direção. Lérins escreveu: “ [.Armínio contraditou a ortodoxia dos calvinistas (séculos XVI e XVII) fundadas em A gostinho e. com enta que apenas a doutrina da salvação unicam ente pela graça prevaleceu. um m onge de Lérins. que achavam absolutam ente ofensivas algum as delas. incluindo ardorosos defensores do concilio.

A lbert O utler (1908­ 1989) disse: '‘A rm ínio defende que o hom em tem vontade de se voltar para Deus cintes que a graça o incite Esta afirm ação sugere um A rm ínio acreditando na habilidade inata do ser hum ano em exercer boa vontade para com Deus. quando nele laborava. não era dom de Deus. mutilado. nos casos de M ateus e Paulo).dlv Sim. julgando que a fé. o prim eiro impulso de uma boa vontade proceder claram ente de Deus.. • A pesa r de.. K elly apresenta quatro ponderações de C assiano contra a posição de Agostinho. A fraqueza é com pleta (im p o te n tia f^. Este confessou: "convenci-m e tam bém do erro. Leiamos Armínio: Confesso que a m ente de um homem carnal e natural é obscura e sombria. doente. e perdido. Ou então leu e não entendeu.] está preso. que suas afeições são corruptas e excessivas.1.g. A rm ínio não incorreu no m esm o erro que Agostinho. destruído. O utler não leu A rm ínio. • A pesar dos efeitos calam itosos da queda. que nos leva a crer em Deus.xlu Com o o hom em .. às vezes (e. outras vezes (e. Adão m anteve seu conhecim ento do bem. D iferenças conceituais entre João Cassiano e Arm ínio No tocante a uma suposta relação entre o pensam ento soteriológico de Armínio. ''1" E vidente que no escopo soteriológico de Arm ínio o hom em nunca dá o prim eiro passo da fé ( initium fid e i) e não tem nenhum a boa vontade para com Deus sem o auxílio de Sua graça sobrenatural. Não se pressupõe em parte algum a dos escritos de A rm ínio a capacidade hum ana de dar o prim eiro passo da fé nem a ideia da conservação intacta do livre-arbítrio hum ano depois da Queda. Citarem os três delas já contraditadas por A rm ínio conform e fragm entos apresentados acima. o gérmen do sem ipelagianism o pode se encontrado em um Agostinho anterior. no caso de Zaqueu) ela tem origem na própria volição do homem e D eus a confirm a e fortalece.g. mas se originava em nós por nossa iniciativa (ênfase nossa).Introdução ao A rm inianism o 2. Vejamos. curvado e enfraquecido p ara a realização de qualquer bem verdadeiro [.. no estado descrito acim a pode ter algum a vontade de se voltar para Deus sem a ação prévia da graça? Passem os a palavra para A rm ínio mais um a vez: N este estado [de queda]. C assiano e dem ais representantes do m ovim ento sem ipelagiano. que sua vontade é obstinada e desobediente. Suas habilidades estão debilitadas e são inúteis a menos que seja [o hom em ] assistido e estimulado p ela graça divina. o livre-arbítrio do homem está ferido. e que o homem está morto em pecados. .

outros teólogos calvinistas. . É necessária m aior distinção? Já em relação aos sem ipelagianoss. Arm ínio. Pelágio era antiagostiniano. Eles concluíram: • Arm ínio cria na absoluta necessidade da graça. por exem plo. Para fins didáticos. As prem issas teológicas das partes envolvidas são antagônicas. afirm ava um a antropologia altam ente pessim ista ensinando não haver qualquer rem anescente de bondade no hom em . não havia espaço para a crença em um a espécie de poder residual no hom em depois da Queda que facultasse qualquer condição de ir a Deus independente da graça divina. em seu tem po. desertores dos ensinos de A rm ínio. e que se aproxim aram do liberalism o teológico. Berkhof. que acusa àqueles de “suavizarem a doutrina do pecado original”xlviJ.r C om pare as afirm ações de C assiano com as declarações de A rm ínio e responda: que convergência há entre eles? A soteriologia. A rm ínio agostiniano. Em bora existam teólogos calvinistas que acusam Arm ínio e o arminianism o clássico de sem ipelagiano. citados por Olson. mas o perverso pela sua falsidade cairá”(Pv 11:5). Enquanto Pelágio pregava contra a doutrina do pecado original. em seu escopo doutrinário. N esse quesito. Para A rm ínio o hom em é totalm ente depravado. E com o diz a Escritura: “ A justiça do sincero endireitará o seu cam inho. A acusação de que A rm ínio e o arm inianism o clássico sustentam que a vontade hum ana caída está livre não passa de um a inverdade. mas doente i. antropologia e harm atiologia de A rm ínio estão diam etralm ente opostas aos ensinos dos sem ipelagianos. pois. Conclusão Face ao que foi dito até então. Armínio estava num a posição distinta da deles. optam pela verdade dos fatos. apresentam os o seguinte quadro com parativo.Z w ingíio R odrigues • O problem a da vontade humana não é tanto estar morta. defensores do initium fid e i. com preendem os serem levianas as acusações feitas a A rm ínio e sua teologia quando equiparados ou aproxim ados ao pelagianism o e ao sem ipelagianism o. a vontade do hom em caído está livre. como Robert Peterson e M ichael W illiams. • Para Arm ínio e arm inianas clássicos a vontade humana está totalmente corrompida. • O arm iniansim o não ép elagiano e nem semipelagiano. A penas entre os teólogos.

em últim a análise. direção à salvação. mas a salvação do hom em . 0 hom em não tem m érito algum na salvação. depende da graça de Deus. em tudo. portanto.| Introdução ao A rm inianism o Disciplinas A ntropologia H am artiologia Soteriologia Diferenças dos Sistem as T eológicos Sem ipelagianism o Pelagianism o Otim ista: a vontade Otim ista: o hom em hum ana não está nasce com a m orta. Quadro I 31 . Arm inianism o Pessim ista: o livrearbítrio hum ano está destruído. 0 hom em pode dar o 0 progresso da prim eiro passo santidade do (initium fid e í) em hom em e. sua salvação. Adão de Adão. m anteve seu conhecim ento do bem. A pesar dos efeitos A raça hum ana não calam itosos da m orre com a queda queda. apenas vontade livre. do início ao fim. A queda adâm ica atingiu toda hum anidade levando-a ao estado de depravação total. enferma. intacta. ocorre pelos m éritos hum anos.

Hetmntamentosí SMátórtcoá .

Atanásio com preendeu Deus. C ertam ente eie está no rol dos teólogos mais mal com preendido da história da igreja. nada há de heterodoxa nela. citando um escritor do século XIX. portanto. Algum as razões para os rótulos im postos a Arm ínio em nossa opinião são. Certam ente. erudito calvinista. soteriologia. No capítulo anterior com eçam os nosso trabalho de desconstrução das infâm ias lançadas sobre Arm ínio m ostrando com o sua teologia é ortodoxa em oposição à heterodoxia do pelagianism o e sem ipelagianism o. escreve: "(Arm ínio) o m ais im portante dos três grandes teólogos da Igreja. um racionalista. A rm ínio foi um herege. ham artiologia e antropologia bíblica. A gostinho com preendeu o hom em . R ichard M uller. O teólogo e filósofo da religião.I Introdução ao A rm inianism o Capítulo 2 33ma ?|tátortografta ba ^ ib a be Ja có ülrmtmo ©o ôeit naônmento ati alguns comentários. adm ira-se: “É surpreendente. José C. conform e já apontado. áofare o áeu éupoèto Calbtnismo Viveu na Holanda um homem a quem os que não o conheciam não o podiam estimar suficientemente. o desconhecim ento de sua história e desonestidade intelectual. Mas o fato é que a história de A rm ínio nos apresenta um teólogo notável.”*1'" 1 Ao debruçarm o-nos sobre a história e teologia de Arm ínio dem o-nos conta de sua im portância para o pensam ento teológico no século XVI. dísticos im pressos em sua biografia. 35 . a intenção é fazer um resgate histórico da vida do teólogo holandês Seu nome latinizado era Jacob Harmenszoon. abertam ente.”xllx Para Rodríguez. um inim igo da cruz. Pouco conhecido e ignorado. Neste capítulo. Pedro Bertius Introdução Quem foi Jacó A rm ínio? ' Para m uitos. para os calvinistas. aqueles que não o estimavam jamais o haviam conhecido suficientemente. que A rm inio tenha recebido tão pouca atenção positiva por parte dos eruditos. Rodríguez com enta sobre alguns calvinistas que acusam A rm ínio de ensinar heresias secretas posteriorm ente ao escrutínio de sua teologia e da constatação de que. O Dr. Rodríguez. A rm ínio com preendeu a relação entre Deus e o hom em . Ele foi um gigante na defesa da teologia. talvez o escritor esteja exagerando um pouco. isso é um exagero sem medida.

Sua m ãe A ngélica e irm ãos em 1575 foram assassinados no m assacre de O uderw ater realizado por soldados católicos leias à Espanha. Possivelm ente. Carl Bangs.1' N essa época. De Jong credita aos Irmãos da Vida Com um um trabalho de estim ado valor junto à população dos Países Baixo. conduziu muitos a uma mais profunda espiritualidade.11 É notável a presença das características da Irm andade em Arm ínio. A rm ínio pertencia a um a fam ílía de classe m édia até antes da m orte de seu pai e seu nascim ento. fundada em 1371 pelo m inistro neerlandês G ehard G roote (1340-1384). o fato dele ter sido um j grande e piedoso pastor. seu labor acadêm ico. sua estim a elevada para com as Escrituras e o respeito profundo de amigos dedicados. fundada pelos Irmãos da V ida C om um no século X V . com o de costum e entre os estudantes de sua época. . financeira. exerceu grande influência sobre a reform a protestante. um a relevante panorâm ica a respeito da vida de A rm ínio tenha sido apresentada.Unicamp. era um fabricante de armas. obediente.1’ Sam ira Saad Pulchério Lancilloti8 apresenta-nos a Escola: “Irmãos da V ida Com um . O Dr. interessado na vontade de Deus e de fortes e profundas convicções m orais. um hom em sensível.”'" Esta com unidade. A rm ínio: D o seu nascim ento até alguns com entários sobre seu suposto calvinism o ' Jacó A rm ínio nasceu em 10 de outubro de 1560 na cidade de O udew ater no sul da Holanda. já tinha falecido.Z w ingíio R odrigues destacando sua infância m arcada por tragédias. segundo a autora. seu pai. seu testem unho cristão.1' 1O senhor Herm ann faleceu antes do nascim ento de A rm ínio e deixou sua fam ília em dificuldades de diversas ordens. um ferreiro.11' N o tocante a fam ília de Arm ínio. H erm ann Jakobs. i ! . latinizou seu nome. sua credibilidade diante de poderosos e pessoas sim ples.1.com unidade religiosa católica. Arm ínio. sua : oposição ao infralapsarianism o. O professor calvinista Pedro Y. fez seus estudos prim ários em U trecht (1572) possivelm ente na Escola São Jerônim o. O udew ater era um pequeno povoado de um a beleza natural vivida onde vivia um povo amável e agradável. suas refregas com proponentes do calvinism o rígido. N ossa expectativa é que ao final da leitura desse capítulo. Adulto. 1. escreveu: s Doutora em educação pela Universidade Estadual de Campinas . seu pai. . considerado o m aior erudito em Arm ínio. Ele escreveu: A Irm andade da Vida Comum. uma organização leiga dedicada a educar o p o vo e estim ular a vida piedosa.1 Q uando A rm ínio nasceu O udew ater estava sob o dom ínio da Espanha e da Igreja Católica. inclusive. ao norte de Roterdã. segundo W alker.

A rm ínio ficou sob o cuidado do benfeitor Theodore Aem ilius (m orte em 1574). A rm ínio vive essa crise. sua m ãe e irmãos mortos. seu benfeitor e am igo.na Universidade de M arburg. A em ilius. F. Snellius se condescendeu de Arm ínio. Entra em cena R udolphus Snellius (1547-1613). acolheu-o e enviou-o para estudai. 37 . Em Leyden. m atem ático e poliglota. Esta U niversidade foi fundada por Guilherm e de Orange em 8 de fevereiro de 1575. solapa o dever universal dos pecadores de crer salvificamente no Senhor Jesus com a certeza de que Cristo realmente morreu por eles e encoraja a introspecção na busca de alguém saber se e eleito ou não. D epois da m orte de sua fam ília e agora.| Introdução ao A rm inianism o E muito p o ssível que A rm ínio não venha de uma fa m ília desconhecida e. saindo de Ouderw ater. grego e em teologia. Foi Aem ilius quem m atriculou A rm inio na Escola de Sâo Jerônim o. Ele concluiu a discência com excelência e louvor. Arm ínio estudou com o professor Johann Kolm ann.v Em 23 de outubro de 1576. depois de ter sido convidado pela Corte Eclesiástica de Am sterdã. possivelm ente. As prim eiras disciplinas cursadas foram m atem ática. seja esta a razão dele ter cham ado a atenção de vários benfeitores desejosos de assegurar o acesso a m elhor educação p o s s ív e lh" São escassos os dados sobre a infância de Armínio. quem sabe.. A rm ínio era considerado um dos jovens mais prom issores para o m inistério. um opositor do hipercalvinism o9. Instaura-se aqui urna nova crise. Vance. seus estudos são interrom pidos por causa do m assacre de O uderw ater realizado pelos espanhóis. Um dos prim eiros atos do Príncipe foi criar a prim eira U niversidade protestante da Holanda. M ais um a vez sozinho e sem ajuda para continuar os estudos. D. convertido ao Protestantism o. Arm ínio. Todos os soldados da cidade e tantos quantos estiverem frente a frente com os espanhóis foram mortos. alm a bondosa. um ex-sacerdote católico. lógica. teologia e hebraico. p. B. Q uando A rm ínio tinha quinze anos de idade. sozinho.l. D e acordo com o historiador Laurence M. por isso a Igreja Reform ada de A m sterdã custeou seus estudos em Leyden e G enebra. que minimiza a responsabilidade dos pecadores. 2009. Ele retom a a M arburg e.1'" 1 Em 1575. centro da vida com ercial holandesa. S. encontra-a desolada. Ali exerceu o pastorado por quinze anos sob um a notoriedade honrosa devida suas prédicas e dedicação pastorallxj. Seus paroquianos e a m agistratura 9 “Escola do calvinismo supralapsariano dos “cinco pontos” que enfatiza muito a soberania de Deus por enfatizar demasiadamente a vontade secreta sobre a vontade revelada e a eternidade sobre o tempo.Ix Ele foi ordenado no ano de 1588 e aos vinte e nove anos tornou-se pastor da igreja em Am sterdã.. A em ilius.” FERGUNSON. Aem ilius treinou Arm ínio em latim. O Príncipe Guilherm e com suas tropas libertou a cidade de Leyden do jugo espanhol e do dom ínio da Igreja Católica. assim. WR1GHT. Os estudos de A rm ínio em Leyden se encerram aos vinte e dois anos de idade. 505. A rm ínio torna-se um dos prim eiro alunos da recem criada U niversidade de Leyden. morre. notadamente com respeito a negação do uso da palavra “oferta” em relação a pregação do evangelho. estuda na U niversidade por um ano. levou A rm ínio para a cidade de Utrecht. ao retom ar à sua terra natal.

Juntam ente com sua família. estudantes e professores ' O esm ero pastoral de A rm ínio pode ser dim ensionado pelo seguinte caio contado por seu biógrafo C aspar Brandt: A chando-se o pastor. ganhou respeito e admiração do poro. se distinguiu como pastor e pregador. que “tão logo ele (A rm ínio) foi visto no púlpito. certa vez. ^ A esposa de A rm ínio cham ava-se Elizabeth Real. pregava com poder e sabedoria. é im possível descrever a graça e o favor extraordinários que ele obtinha dos hom ens de todas as classes.!x' A pesar de tantos reconhecim entos. ganhou o am or e a confiança de rodos. Depois de as socorrerem. atraindo muitos ouvintes N arrativas da época dão conta de seu notável labor pastoral. a segunda com Franciscus Junius (1545-1602) e a terceira com o teólogo anglicano e docente de C am bridge W illiam Perkm s (1558-1602). Destacou-se a tal ponto quanto à piedade e ao com bate ao mal. dedicava-se ao rebanho em meio aos m aiores desafios e perigos. Como pastor. Como pregador da Palavra e da sã doutrina. O pai de Elizabeth cham ava-se Laurens Jacobs Reael.Z w ingíio R odrigues nutriam m uita estim a por ele. R odríguez expõe a repercussão do pastorado de Arm ínio: Prontam ente.”lx" M ildred Bangs W ynkoop comenta: E ra um pregador brilhante. O quarto em bate foi em Leyden com Francisco Gom arus (1563-1641). A prim eira foi com Plancius. num disrrito pobre. e continuou a atacá-lo m esm o depois de sua m orte. deixou recursos em dinheiro com os vizinhos p a ra lhes m anterem a assistência. D ava assim provas de bom sam aritano. A rm ínio entrou para o . Peter Bertius (1564-1629). de acordo com V ance.(Amsterdã foi o palco de três dos quatro grande em bates de Arm ínio com o calvinismo.. não faltou quem se indispusesse com A rm ínio por causa de seus ensinos distintos do calvinism o rigoroso. ouviu gem idos fracos. um hom em de negócios. Suas mensagens expositivas lhe deram especial celebridade e sua oratória o fe z popular. comerciantes. partidos do interior de humilde moradia.. pastor da Igreja Reform ada em Roterdã. Entrou e viu algumas pessoas que pareciam dominadas pela enferm idade e p e la sede. amigo de Arm ínio. Um a dessas pessoas foi seu com panheiro Petrus Plancius (1552-1622) que “ se opôs a Arminius durante todo seu pastorado em A m sterdã e professorado em Leyden. Com esse casam ento. disse. que foi cham ado de “navalha para ferir os erros da época” e “filete da verdade” .ixM1 Eles se casaram em 16 de setem bro de 1590. irmã de um m agistrado em A m sterdã e com ela teve doze filhos sendo que três deles faleceram prem aturam ente. dotado exegeta bíblico.Kv. cristão hum ilde e consagrado. pois ele revelava uni forte espírito de cuidado.

cargo nâo desejado. e p o ssa obter uma reputação aprovada na igreja dos Santos. por causa das seguintes razões: • C om promisso com a cidade e igreja de Amsterdã. no ano de 1603.ur T eodoro Beza era um escritor conhecido e atuou como docente na Universidade de G enebra de 1559 a 1599. • A excelente relação com os m agistrados de A msterdã. observando os trâmites legais. Falando sobre ambição.a indagar com toda a dedicação nas Sagradas Escrituras p ela Verdade Divina. Esta cátedra ele ocupou até sua m orte.lxi>l •jlJm dos m estres de A rm ínio foi Teodoro Beza (1519-1605). e tornando-a o centro do sistema teológico. Esta Universidade foi fundada por Calvino para preparar m inistros. sucessor do teólogo francês João C-alvino (1509-1564) e extrem ado defensor do predestinism o rígido. ou trabalhar p ara fo rç a r consentimento. Ele assum iu o lugar do Dr. dando-lhe uma precisão lógica e ordenação sistem ática que não se encontra no próprio Calvino. Tal condição em m om ento algum o tornou autoritário. o salário era bom e ele estava seguro que a cidade cuidaria de seus filhos e esposa depois de sua morte. muito menos através de um desejo de "ter dom ínio sobre a f é dos outros ” mas. B eza assum ira e desenvolvera a doutrina da predestinação de Calvino.)Segundo W alker. antes pelo propósito de vencer algum as almas p a ra Cristo. exceto aquela espécie honrosa que me im pele a este serviço. segundo Rodríguez. Até seus críticos viam -no como um hom em dotado de elevado padrão m oral e espiritual. A rm ínio torna-se professor em Leyden.| Introdução ao A rm inianism o grupo de pessoas distintas e de grande influência em toda Holanda. . • A fa m ília era muito importante p a ra ele. C om por esse grupo fez de A rm ínio um hom em influente. arrogante ou am bicioso frente ao cargo pastoral. eu não a possuo.!xiiií Depois de pastorear em A m sterdã.. Franciscus Junius (1545-1602). M cG rath diz que a A cadem ia era um instituto para treinam entos de m inistros calvinistas. sem prescrevê-la a ninguém. p a ra que eu p o ssa ser um doce arom a a Ele. A rm ínio abriu o coração: Com relação à Ambição. e brandam ente e sem contradição declará-la quando encontrada. De todas as partes da Europa jovens se dirigiam para G enebra no ensejo de 39 . • O cultivo da santificação espiritual j á era dificil no pastorado e mais ainda seria com a docência. M esm o relutante Arm ínio aceitou a função com a certeza de ter à sua frente m ais um a oportunidade de servir a Deus e a causa do Evangelho.

W alker explica: Ele (Arm ínio) ensinava. concernente à salvação do homem pecador. e que os crentes são predestinados p a ra a salvação som ente em Cristo. A grande obra de B eza escrita em três volum es.om arem os esse assunto estendendo a com preensão arm iniana clássica sobre a . A rm ínio tem Jesus Cristo com o o ponto principal da predestinação divina. mas por Jesus como sendo o predestinado. Sacerdote e Rei. O prim eiro e absoluto decreto de Deus.. portanto. ao receber a Jesus. Ele contrapunha-se ao predestinism o rígido por falta de cristocentricidade no raciocínio quanto à eleição. recom endou Arm ínio à igreja reform ada de Am sterdã..] irá produzir os mais ricos fru to s. Leiamos. Quem O rejeita. ao contrapô-lo. em um a carta. o predestinism o de Beza em pobrece a obra redentora de Cristo. e a predestinação tem que ser discutida apenas nesse contexto cristológico! xx‘' D eus salva a"s pessoas de m aneira condicional. e. p o d e obter..^Esse m odo de pensar de A rm ínio faz de Cristo o fundam ento da eleição e nega ser Ele m eram ente a causa de uma salvação pre­ determ inada. que p o d e destruir o pecado p o r sua própria morte. é que Ele decretou designar seu Filho Jesus Cristo^ por Mediador. Ali. inicia seu em bate contra o calvinism o rígido. está condenado (no capítulo seis re. ao invés. Ou seja. Ele expressava abertam ente sua adm iração pelo brilhantism o de Arm ínio. e p o d e com unicá-la p o r sua própria virtude . f O prim eiro decreto absoluto de Deus. Salvador. N esse sentido.xxf [ Em sua teologia da redenção. p o r sua obediência. teve Cristo som ente como seu objeto. Em um trecho ele diz: D eus lhe deu um apto intelecto tanto ao que concerne a apreciação quanto ao discernim ento das coisas. doravante.lxx" A rm ínio não aceitava (ou deixou de aceitar?) o predestinism o de Beza. Para Arm ínio.. este f o r regido pela p ied a d e [. aspessoas são salvas. a salvação que havia sido perdida. Redentor. Por isso.lxxi B eza tinha A rm ínio em alta conta devido a seus talentos intelectuais e sua vida piedosa.Z w ingíio R odrigues ingressarem na Academ ia. Em seu esquem a dos decretos divinos A rm ínio não com eça pela criação. Se.] inevitavelm ente este p o d e r intelectual [. o eleito.. Tractationes Theologicae (Tratados Teológicos). A rm ínio se m atriculou na Universidade em Io de janeiro de 1582. que D eus prim eiro nom eara Jesus Cristo com o o R edentor e Salvador do pecador. apresenta os principais pontos da teologia reform ada a partir da lógica aristotélica. B eza ensinava ser a graça dependente da eleição ao passo que para A rm ínio a eleição segue a graça.

A rm ínio “discordou (de Beza) desde o início” . p o is ele retornara recentem ente de Genebra. Essa história popular. a explicação envolvendo K oom heert. Arm ínio era o mais preparado. visto que m e parece que eu posso p ro va r pelos argum entos mais convincentes que tal m udança ocorreu para m elhor kxv U m a dessas “opiniões” seria o predestinism o de seu mestre Beza? Para W alker. Carl Bangs dizia estar convencido de que A rm ínio nunca subscrevera a form ulação de B eza da doutrina da predestinação. Picirilli1™ 11.lxxw De acordo com R obert E. 1539-1601). com o de difícil atestaçâolNX\ Bangs. C alder continua: Para executar esta tarefa. M as. na m elhor das hipóteses. tem a ver com a tentativa de refutar D irkc K oom hert (1522-1590). narra que alguns calvinistas sublapsarianos (infralapsarianos) publicaram um trabalho cham ado Responsio ad argum enta qum dam Beza el Calvini ex Tractatu de Predestination {Resposta aos A rgum entos de B eza e Calvino Sobre a Predestinação — tradução livre) onde eles questionavam a doutrina da predestinação de C alvino e Beza.| Introdução ao A rm inianism o doutrina da eleição). ex-pastor em A m sterdã. segundo Carl Bangs é um a lenda ou. Pelo menos de acordo com o seguinte excerto: 41 . a educação teológica de Arm ínio em G enebra foi calvinista. questionador da doutrina da predestinação dos calvinistas rígidos a quem Arm ínio tentou rebater. mas logo sucum biu à exatidão de alguns pontos defendidos por K oom hert. segundo Gonzalez. Tendo B eza com o m estre. hum anista e Secretário de Estado Holandês. onde havia assim ilado totalmente os ensinos de seu antigo m estre B e z a hxix É atribuída a essa incursão a guinada teológica de Armínio. Leiamos. escritor de M emoirs o f Simon Episcopius (M em órias de Sim ão Episcópío). 1611). ao cham ar de lenda a história e depois cham ar de hipótese de difícil atestação. Outra possibilidade. 1545-c. W ynkoop a tem com o verídica. E u não me envergonho de ter ocasionalm ente abandonado algumas opiniões que tinham sido instiladas p o r meus próprios mestres. V ance apresenta os nomes dos m inistros de Delft a serem refutados: A rent Com eliszoon (1547-1605) e R eynier D onteklok (c. Bangs disse: “( m o há) evidência clara de que A rm ínio tenha aceitado a doutrina da predestinação de B eza. Esse docum ento chegou às m ãos de M artinus Lydius (c.'’1*™" O reverendo Frederick C alder (1808-1851). que incum biu A rm ínio de refutar os sublapasananos. obviam ente. não sepulta. Aqui surge a pergunta: A rm ínio era calvinista em algum sentido? V ance apresenta um trecho de um a carta de A rm ínio no qual ele diz ter m udado de concepções.

A B íblia não ensina tal monstruosidade. então. C itando a dissertação Arm inius a n d R eform ed Theology (A rm ínio e a Teologia R eform ada) de Ph. Adem ais. apenas por ter estudado sob a docência de B eza não nos leva à conclusão da adesão ao sistema soteriológico de seu professor. se fo s se como Beza argumentava. D eus causaria o pecado.” 1™'1 Por fim. levantou uma tormenta nos círculos teológicos p o r suas dissertações e escritos em refutação da teoria supralapsahana dos decretos divinos. um leigo instruído. Bangs.D do Dr. Parecia que nenhum m inistro era capaz de refutá-lo e. R odríguez adm ite um a transição m etodológica e teológica quando o confronto com Beza se desenrolava. Como pano de fundo dessa transição. chegou-se a temer que seu pensam ento solapasse a estrutura total do calvinismo. Porém . da Holanda. e mesm o a estabilidade política dos Países Baixos. J.Z w ingíio R odrigues Em 1589. talvez a mudança de paradigm a tenha ocorrido por causa dos incansáveis estudos de Arm ínio. três fontes consultadas para a com pilação desse trabalho dizem ter sido A nnínio um calvinista. M atthew Pinson em seu artigo Que o Verdadeiro Arm inius se Apresente! escreve: E evidente que tais relatos de A rm inius pressupõem um a definição do arm inianism o que não po d e ser derivado do próprio Arminius. A prim eira fonte destacada apresenta um a afirm ação do erudito Carl Bangs. talvez seja mais prudente adm itir que as m udanças consentidas por A rm ínio estejam envolvidas na ausência de evidências históricas que deem conta de esclarecer quais foram elas. A rm ínio f o i incum bido desta tarefa (ênfase nossa). K oornheert argum entava que.lxxu Para W ynkoop. diante desse leque de possibilidades. K o o m h eert atraía um núm ero cada vez m aior de ouvintes e como polem izasse de fo rm a tão brilhante. em realidade. uma das referências m ais confiáveis do século X X em m atéria de A rm ínio e arm inianism o segundo Olson. D em onstram im paciência e desapontam ento com seu calvinism o (ênfase nossa) e em seguida mudam sua p esquisa p a ra algum período posterior . Bom. A nnínio. convenceu-se quanto ao fato da doutrina da predestinação de B eza estar equivocada e. E significativo que o tremendo descontentam ento gerado com a posição de Calvino e Beza. p o r isso. Isto significa que os autores com eçam com pré-concepções daquilo que se espera que Arm inius deveria dizer e depois quando procuram em suas obras publicadas não encontram exatam ente aquilo que procuram . Koornheert. ao estudar a Epístola aos R om anos visando refutar K oom heert. por isso. estão os estudos da Bíblia. “jam ais se realizou a refutação da ‘h eresia’ de K oom heert. da doutrina da graça e dos pais da igreja. tenha levado um leigo a fa z e r tal coisa. Ele é seu autor.

M as aí estão as im pressões ou confissões de estudiosos de destaque. O autor tom a a acusação de abandono da fé calvinista por parte de Arm ínio com o m ais um a m entira dos detratores.]” . A q u i A rm ínio nunca deixou de ser um calvinista.xc C oncordam os que tudo isso é bastante nebuloso.] que fosse oposto à Confissão de Fé H olandesa. G onzalez ainda diz: “ [. Em outro trabalho. Talvez A rm ínio seja considerado um calvinista porque subscrevia o Catecism o de H eildelberg (1563) e a Confissão Belga (1 5 6 1 )'1: “Eu confiantem ente declaro. sinergético e talvez sem ipelagiano [.. 2. nossa segunda fonte: Ele [Arm ínio] f o i um calvinista convencido.”'XXXV1 Leiam os Wynkoop: “A rm ínio viveu e m orreu com o calvinista (ênfase n o s s a ) .. e perm an eceu com o tal p o r toda sua vida (ênfase nossa). A rm ínio “tinha um calvinism o” . ainda m ais. Matthew. 2003.. em bora em muitos dos pontos debatidos.. dessa vez citado por Rodríguez: “A rm ínio e os rem onstrantes haviam sido considerados calvinistas tanto por católicos como por luteranos..Introdução ao A rm inianism o quando o arm inianism o passa a ser aquilo que estão procurando: um sistem a não calvinista. Arm ínio pode dar provas de que todas essas acusações eram r j Ix x x v iii falsas. essas fontes não m ostram porque consideram A rm ínio um calvinista. Ou talvez por ter recom endado a leitura dos com entários de C alvino e o consentim ento às doutrinas ali apresentadas: “ Eu os aconselho a ler os com entários de Calvino [..|XXX1X anotou Armínio. vol. 2. segundo Olson. p.. p. 11 O Catecismo e a Confissão são os símbolos de fé das Igrejas Reformadas holandesas e belgas. porque. Ou então. 2003. alguns calvinistas diziam em A m sterdã que este havia perdido a verdadeira f é calvinista (ênfase nossa). ele óbvia e conscientem ente se afastou dos ensinos de C alvino!xxm' Arm ínio foi um calvinista convencido diz o historiador. se tinha um calvinism o era calvinista. A rm ínio continuava calvinista [. Bom... Ora. 10 PINSON. Traduzido e publicado com autorização. ele tenha tido um a educação calvinista: “sua form ação cristã na juventude não foi pesadam ente calvinista. Rodríguez tece um com entário: Anos depois da m orte de Armínio. Revisão: Rejane Eagleton..] Jam es A rm ínio. 43 . as fontes são objetivas: A rm ínio foi um calvinista. Q ue o V erdadeiro A rm inius Se A presente! Um Estudo da Teologia de Jacobus Arminius à Luz de Seus Intérpretes..]!° Observe a parte em negrito.. Passem os a palavra para Gonzalez. 121-139 Traduzido por Kenneth Eagleton. que eu nunca ensinei qualquer coisa [. ou ao Catecism o de H eildelberg ”. J. A bem da verdade. Publicado originalmente em: Integrity: A Journal o f Chrísnan Thought.]”lxxxv E... calvinista de boa qualidade [.]” ‘“otlv e “ Em quase tudo mais.

que pudesse criar. A rm ínio não era indiferente a elas. alistam os alguns pontos levantados por Olson que podem legitim ar a inclusão do “arm inianism o dentro da ampla categoria da família reform ada da fé. com plexo e o espaço aqui insuficiente. T rabalhar o conceito de “reform ado” seria o ideal nesse m om ento. Richard M uller acaba por definí-lo assim: “Talvez. Olson. segundo Rodríguez: o escolasticism o protestante. “grosso modo.” xu R odríguez tam bém cham a A nnínio de eclético. O conhecimento médio de Deus dos atos livres futuros não determina. p. o professor de lógica e filosofia da U niversidade de Pádua. Com o foi possível notar. de Carl Bangs. pois o assunto é am plo. diz que “A rm ínio sem pre se considerou reform ado e na linha dos grandes reform adores suíços e franceses Zw ingíio. .”xcv" 12 Conhecimento médio. devido à insistência de negarem a A rm ínio e. a m etafísica de Francisco Suarez (1548-1617).” (MORELAND. A rm ínio sempre se considerou reform ado em um sentido m ais lato e isso é m ais im portante. por conseguinte. A rm ínio possa ser classificado m elhor como um pensador eclético com um enfoque centro-tom ista. a influência de M olina sobre A rm ínio é posta em dúvida por Olson. Q ualquer aproxim ação de A nnínio à teoria de M olina não durou muito. mas certamente repousa sobre o que aquelas escolhas serão. um espaço na “taxonom ia dos tipos protestantes”xcvl.xclv Pinson classifica-o com o “consistentem ente reform ado”^ '. não faz parte de nosso escopo. são m uitas as influências de Arm ínio.’'xc" W alker comenta: E le (Armínio) tem sido descrito frequentem ente como hum anista ou racionalista. 2005. Porém. conhecida tanibém como “conhecim ento m édio.. Este contexto plural influenciou o pensam ento de Arm ínio. a filosofia tom ista (Tom ás de Aquino). Calvino e Bucer.” 12 No que concerne a essa últim a inform ação de Rodríguez.xcw Rodríguez tam bém liga A rm ínio à tradição reform ada: “A rm ínio está definitivam ente na tradição reform ada quanto ao conteúdo essencial de sua teologia. pois A nnínio teria notado incongruências entre o m olinism o e a doutrina do livre-arbítrio libertário. pois liga seu pensam ento teológico à Reform a Protestante. teólogo e filósofo jesu íta e Luís de M olina (1535-1600) jesuíta e teólogo espanhol. de quem originou a teoria “m olinista”.Z w ingíio R odrigues Pertinente a esta discussão é entender o contexto teológico de onde Armínio emerge. Ele não surge em um vácuo intelectual e sim de um a conjuntura onde diversas correntes teológicas e filosóficas eram ensinadas no final do século XVI e início do século XVII. recorrendo ao trabalho Arm inius: A Study in the D utch Reformation (Armínio: Um Estudo da R eform a H olandesa). é o conhecimento de Deus do que cada criatura livre. N o entanto. CRAIG.. C alvinista ou não. faria em cada circunstância possível na qual ela fosse colocada. ao anninianism o clássico. G iacom o Zabarella (1533-1589). mas é muito m elhor vê-lo como encontrando-se na tradição dos reform adores (ênfase nossa) protestantes holandeses autóctones que p o u co ou nada deviam ao calvinism o genebrino. 351).

No próxim o capítulo continuarem os nossa historiografia sobre a vida apaixonante de Arminio. .| Introdução ao A rm inianism o • Origens e temas com uns são abundantes. mas tentava enfatizar pontos comuns. mesmo fo r a do grupo dominante. mas o declara com o ortodoxo: “A rm inius m erece ser classificado com o um teólogo holandês reform ado ortodoxo. em todos os sentidos. • M uitos teólogos reformados m oderados agora reconhecem o arm inianism o e a teologia reform ada como intim amente ligados. um a figura cativante e com inquestionáveis m arcas de piedade no m elhor estilo bíblico foi-nos apresentada. • Arm inio e sua teologia representam uma variedade do pensam ento reformado. com o foi possível notarmos. Já nessa prim eira parte historiográfica de sua vida.”XCM" O leitor deve estar lem brando que acim a fizemos um a breve defesa dessa ortodoxia. Conclusão A vida de A rm inio foi intensa. Estudiosos como Vance não apenas põem Arm inio entre os teólogos reform ados. • Ênfases partilhadas são mais num erosas do que a m aioria das pessoas pensa. • Arm inio não se opôs a tudo no calvinism o ou teologia reformada.

| Introdução ao A nninianism o

Capítulo 3
© m a bíáão iM átorío gráfica ba ^ tb a be fa c ó üírm üuo
B e áeu conflito com Jfrancíôco (êom aruè até áua jfôlorte
Este servo de Deus, Arminio, a fim de estar aprovado diante de
Deus, escolheu suportar o ódio e a contradição de toda a
humanidade, antes de violar a sua consciência. Ele hasteou a
todo o mundo cristão a insígnia da paz e da concórdia, e
desejou iniciar isto nas Igrejas Reformadas.
Simott Episcápio

Introdução
N esse capítulo, conform e o subtítulo, darem os destaque à disputa entre
Arm inio e Gom arus. N esse percurso, verem os A rm inio se defendendo bravam ente
contra a acusação de antitrinitarianism o, de papism o, de pelagianism o, novam ente e,
tam bém , tom arem os conhecim ento de sua defesa da sola scriptura, tota scriptura acima
da fidelidade aos credos e confissões. A inda há mais: voltarem os ao debate envolvendo
a doutrina da eleição e a total negação da doutrina da predestinação rígida por parte de
Arminio. D essa feita estará em foco o debate com Gom arus. O leitor ainda encontrará
neste capítulo a apresentação do contexto onde foi foijado o pensam ento teológico de
Arm inio, o que o inocenta da acusação de ter sido um inovador. Por fim, chegarem os às
inform ações concernentes à sua morte.
1.

A rm inio: D e seu conflito com F rancisco Gom arus até sua morte.

Em clim a de total discordância do predestinism o rígido de Beza, a inevitável e
mais ferrenha colisão acadêm ica entre A rm inio e o calvinism o rígido aconteceu em
Leyden quando ele foi indicado com o professor de Teologia (1603). Seu opositor foi
Francisco Gom arus (1563-1641), um colega, mas tam bém um calvinista e teólogo
supralapsariano. Ele considerava A rm inio um elem ento perigoso à form ação das novas
gerações de m inistros. Conform e V ance, a controvérsia entre ambos foi tão intensa ao
ponto de envolver na disputa estudantes de teologia e trabalhadores têxteis.
Gom arus reagia de m odo irracional diante das ideias de A rm inio chegando a
levantar falsas acusações. O lson escreve: “Gom arus acusou Arm inio de socinianism o13,

13 Doutrina formulada por Lélio Socino (século XVI). Seu sobrinho Fausto Socino (1539-1604)
desenvolveu doutrinas antitrinitárias, negou a deidade ontológica de Jesus Cristo, a expiação
substitutiva e o pecado original crido como uma total depravaçâo herdada. “Ele foi o heresiarca

“47

Z w ingíio R odrigues

que era um a negação da Trindade e de quase todas as dem ais doutrinas cristãs
clássicas.”xc,x No tocante a essa acusação, no capítulo seguinte tratarem os dela m ais de
perto, pois os prim eiros seguidores de A rm ínio tam bém foram acusados de
antitrinatarianism o. N o entanto, vale a pena antecipar a discussão passando a palavra
para Arm ínio:
E ssa p esso a é o Filho de D eus e Filho do homem; consistindo de duas
naturezas, divina e hum ana, inseparavelm ente unidas sem m istura ou
desordem , cuja união foi denom inada pelos antigos de hipostática [...]
E le herdou a natureza hum ana da virgem M aria sobre a qual veio a
operação do Espírito Santo p a ra que p o r sua instrumentalidade,
nascesse de modo sobrenatural o M essias prometido. ‘
E possível apresentar um a declaração m ais trinitariana que essa? N ela está
garantida a deidade ontológica do Senhor Jesus, diferente da tese de Fausto Socino
(1539-1604), unitansta e fundador das prim eiras igrejas unitarianas14 na Europa.Cl
No iníco de agosto de 1598, os socinianos C histophorus Ostorod e Andreas
V oidoxius chegaram a A m sterdã. Eles atraíram logo a atenção das autoridades devido à
doutrina sociniana. A rm ínio foi acusado de alinhar-se a esses socinianos e de exaltá-los
a tal ponto com o teólogos que nem C alvino e Beza poderiam refutá-los.0'1 Rodríguez
diz: “nada disso está docu m en tad o ”01" Bangs declarou: “A rm ínio leu os escritos
socinianos e apresentou a seus alunos argum ento convincentes contra eles.”clv Ele fòi
acusado diversas vezes de ser sociniano e não m ediu esforços para desm entir a calúnia.
Em D isputation V (Sobre a Pessoa do Pai e do Filho) e VI (Sobre o Espírito Santo), em
The Works o f Jam es Arminius, vol. 2, A rm ínio se m ostrou ortodoxo em suas
concepções a respeito da trindade. N ão há um a linha sequer antitrinitariana nas obras de
A nnínio. M as todas as tentativas de defesa por parte de A rm ínio não o livrava das
im procedentes suspeitas levantadas. A ortodoxia de A rm ínio no tocante ao debate
trinitariano pode ser constatada no o quadro abaixo.

da Europa protestante no século XVI” (Olson, 2013, p. 103). Armínio afirmou por diversas
vezes não ser sociniano e não mediu esforços para demonstrar isso.
Vem de “unitarismo - [Do lat. unitas + ismo]. Doutrina que, embasada no monoteísmo
radical, rejeita a realidade bíblica da Santíssima Trindade.” (ANDRADE, 1998, p. 283).

j Introdução ao A rm inianism o

A Trindade
Pontos Básicos

A rm inio

A Unidade de Deus

"Esta doutrina da sagrada e indivisível
Trindade contém
um mistério que
ultrapassa todo entendim ento humano e
angélico, se ela fo r considerada segundo
a união interna que existe entre o Pai, o
Filho e o Espírito Santo, e de acordo com
a relação entre eles quanto a origem e
p ro ce d ên cia .” (ARM IN IUS, vol. 1, p.
350)
"A respeito da divindade do Filho de
Deus, tenho ensinado que o Pai nunca
existiu sem seu Verbo e seu Espírito. ”
(A RM IN IU S, vol. I, p. 330)
“Porque o Pai, o Filho, e o Espírito
Santo, não tem apenas um a relação
natural entre si [...] Existe um aprocessão
interna nas pessoas; e há outro externo,
que é cham ado nas escrituras e nos
escritos do Pai, com o nome de ‘M issã o '
ou 'en via r’. ” (A R M IN IU S, vol. 1, p. 28)
‘‘Porque o Pai manifesta o evangelho
através de seu Filho e Espirito. Manifestao p o r meio de seu Filho ao ser enviado
com o propósito de ser M ediador entre
D eus e os pecadores [...] Ele manifesta
também através do seu Espírito [...] ”
(ARM IN IUS, vol. 1, p. 28)
Q uadro 2

A Eternidade das T rês Pessoas da
Trindade

Relações T rinitarianas

A Ordem R edentora da Trindade

A doutrina da Trindade crida por A rm inio é ortodoxa. Acim a ele afirm a a
unidade da divindade e defende a eternidade e divindades das três Pessoas. Como
dissem os, voltarem os a esse sub-tem a adiante.
Por causa de um a viajem a Rom a em 1586 A rm inio foi acusado por seus
opositores em A m sterdã de
• Ter se associado aos jesuítas;
• T om ar-se católico;
• B eijar os sapatos do Papa;
• Tornar-se amigo íntimo do C ardeal Bellarmine, apologeta católico e
inimigo do calvinism o rígido de Beza.

49

. . Arm ínio passou a ser papism o.Z w ingíio R odrigues A partir disso. não pode ser considerado m eritório. Todas essas acusações tinham com o fundamento apenas a discordância da venerada doutrina da predestinação rígida. repulsiva e detestável Está para além de qualquer razoabilidade pensar em um . devidam ente refutadas. O ato de crer som ente é possível por causa da graça sobrenatural de Deus e. e isso cheira a Pelagianismo. Socinianism o e Pelagianism o estão. W ynkoop escreveu: A li (em Leyden) chocou-se diretam ente como o "elevado calvinism o de G om arus Este desafiou Arm ínio sobre o fu ndam ento da autoridade .Armínio não m anteve ligações com lideranças eclesiásticas católicas. em Haia. seus próprios poderes e força. A rm ínio encontra-se. Para evitar esse tipo de conclusão m eritória. assim o m érito da salvação é atribuído ao livrearbítrio do homem. no dia 30 de m aio de 1608. A rm ínio trabalhou o conceito de graça preveni ente (discutirem os esse conceito na parte 3). finalm ente. com G om arus conform e reivindicação deste. Uma dessas diferenças girava em tom o da ênfase à graça de Deus dada por Gom arus que relegava a nada a fé com o o elem ento do lado hum ano na questão da salvação. Porque ele gaba-se de sê-lo. Arm ínio. por sua vez. Posteriorm ente. a nosso ver. D essa viagem a Rom a Papal. M ais ainda: até aqui. N esta tentativa não há qualquer licença para o hom em se envaidecer por causa da sua salvação.. M as ele era anti-católico e disse: “o Igreja. a situação se agravou entre ambos e os m esm os foram convocados a com parecerem perante A Corte Suprem a em Haia. mas apenas desfrutou da presença de seu am igo A drian Junius.”1" Citando a tese de A rm ínio On culpado de levar m uitas pessoas ao pontífice rom ano não é a cabeça da título de A nticristo lhe pertence Idolatry.'"'" Em 6 de m aio de 1603.Armínio papista.cVl N a Itália. na presença de oito m inistros pará exporem suas divergências teológicas. Outro em bate entre A rm ínio e Gom arus envolveu a autoridade da Bíblia. N este encontro foram debatidos vários tem as e' o final do m esm o ocorreu com algum grau de fraternidade. tentava conciliá-las. e que apresentam a ele a honra que ele exige. o m erecidam ente.] Qualquer contradição oferecida a esta doutrina despoja D eus de sua glória e graça. p o r esses m esm os atos m ostram -se idólatras. V ance transcreve: O Pontífice Romano é ele mesm o um ídolo: E que aqueles que o estimam com o a pessoa que ele e seus seguidores ostentosam ente descrevem -no ser. todas as denúncias de envolvim ento com o C atolicism o Rom ano. por isso. A rm ínio chega as seguintes conclusões: “ ’o m istério da iniqüidade’ em um a form a m ais sórdida. Arm ínio constantem ente apontava esse estratagem a dos calvinistas: [.

N essa esteira. sola scriptura. “Deve estar ligada a consciência do hom em cristão pela Palavra de Deus ou pela Palavra do hom em ?”cx Pinson relata: Em 1607.’'CXIV Tais posicionam entos de Arm inio.CXI A Palavra de Deus deve ser a autoridade final para toda questão teológica. sem pre m ais condescendente e pacífico. Por isso. Para Arm inio. foi dito por alguém. em uma reunião da Convenção Preparatória p ara o Sínodo Nacional. fosse forçado a argum entar contra os extrem ism os calvinistas. Frente a tantas hostilidades de G om arus e a am abilidade de . “mais im portante é que em sua herm enêutica as Escrituras sem pre tem a prim azia. de acordo com Calder. em Haia. embora. Ele escreveu: Que possa abertam ente parecer a todo o mundo que atribuím os à p a la vra de D eus apenas a honra devida e adequada.” ' A rm inio apenas reputava o Catecism o e a Confissão com o obras hum anas e. Toda questão teológica deve subm eter-se ao juízo das Escrituras assim como credos e confissões quaisquer que sejam. toia scriptura. conform e Rodriguez. no entanto. com as opiniões teológicas de A rm ínio. Arm inio negou-se a subm eter sua interpretação escriturística aos credos. enfatizando a prioridade da P alavra de Deus acim a das confissões. dizia não ter como intenção im por suas ideias a ninguém. argum entaram que a regra de f é e prática da igreja deveria ser as Escrituras.[ Introdução ao A rm inianism o bíblica. Artninius. Nas discussões ele sempre optava por debater a respeito dos pontos convergentes. Arm inio. A isso A rm inio replicou com duas questões constrangedoras: “D eve prevalecer a palavra do hom em sobre a Palavra de D eus?” . D iversas vezes ele foi acusado de distanciar-se desses docum entos. o seguinte: -"prefiro m orrer com a caridade de Arminio do que com a fé de G o m a ru s .”CXV11 . ju n ta m en te com outros delegados.'t'" E ssa foi um a resposta dada a Gom arus por um leigo presente na reunião de 30 de maio diante da Suprem a Corte. postulou-se que “as Escrituras deviam ser interpretadas segundo as Confissões e o Catecismo ”clx. N o calor da controvérsia. m uitas vezes. tê-las com o tal. não o levava a desconsiderar o Catecism o de H eidelberg e a Confissão Belga. por Gom arus ter dito: “não me agrada com parecer diante de D eus. o juiz. não im plica em ultraje.Arminio. ao ponto de estabelecê-la acim a de todas as disputas grande dem ais p ara ser assunto de qualquer objeção e digna de toda aceitação™ 1 Esse era o espírito das palavras de Arm inio. não a Confissão ou o Catecismo. ele não se sentia “obrigado a adotar todas as inteipretações particulares dos reform ados”™". Já Gom arus vivia por condená-lo diante de seus ouvintes durante sua prédica e diante de autoridades provinciais. N esse em bate. Arm inio não estava disposto a negociar a autoridade da B íblia com o fundam ento para a ortodoxia.

ensinar algo do qual fo r a possível. partindo da análise teológica sob a luz das Escrituras. Deus determinou o destino de :id a pessoa logo após seus decretos para criar e permitir a queda de Adão. D eus é o autor do pecado com etido p e la criatura. Em relação às duas posições.”cxf C onform e já indicam os. esses sistem as lapsários são problem áticos. depois desse vento. que eles “abertam ente declarem D eus com o autor do p e c a d o ”. posição original do calvinism o. A rm ínio condenou essa heresia com tais palavras: D e todas as blasfêm ias que p odem p ro ferir-se contra Deus. N o infralapasarianism o Deus perm itiu a queda e.Z w inglio R odrigues Retom em os a questão da eleição nesse no contexto de polêm ica entre Arm ínio e Gomarus.. N o entanto. salta aos olhos o cristocentrism o nos escritos de Arm ínio. a mais ofensiva é aquela que O declara autor do pecado. “é pro vá vel que alguém possa.. com o claro resultado. a eleição de alguns " Palavra derivada do latim supra (antes de) e lapsus (queda). N o tocante ao prim eiro. No entanto. então.. inexoravelm ente. desse modo. em seu parecer. p o r essa doutrina. Arm ínio as concebia com o doutrinas sem cristocentricidade.cx' ul Para Arm ínio.' N o supralapsarianism o Deus decretou na eternidade a eleição e não eleição de algum as pessoas e perm itiu a queda para que ela fosse o m eio através do qual esse decreto divino absoluto fosse executado. N ão p o d e atribuir-se a nenhum dos doutores da Igreja Reformada. D eus p erm aneça declarado autor do pecado.. p o r ignorância. segundo essa perspectiva. Cristo deve ser a fonte e causa da salvação e não os decretos divinos. N ada imputará tal blasfêm ia a Deus. ” Se tal f o r o caso.. a quem todos concebem com o bom. deduzir que. “E le seria a causa da iniqüidade do hom em p a ra p o d er infligir o sofri­ m ento etern o ”.VNo supralapsarianism o. O conceito diz ter Deus determinado o destino eterno de cada pessoa antes de seu decreto de criar o homem e a mulher permitir a queda adâmica. a subsunção da teologia pela lógica poderia produzir (como produziu) um a heresia desta grandeza. G onzalez escreve: “A rm ínio estava profundam ente preocupado com que qualquer doutrina da predestinação fosse cristocêntrica. o p eso dessa imputação é aum entado seriam ente se lhe agrega que. (os doutores) devem ser adm oestados a abandonar e desprezar a doutrina da qual se tem tirado tal inferência.. supra e infralapsariana.. decretou a eleição e não eleição das pessoas. Porque. Palavra derivada do latim infra (abaixo de) e lapsus (queda). Arm ínio negava o supralapsarianism o15 de G om arus objetivam ente e insistia que o infralapsarianism o16 tam bém incorria em erro. era im possível chegar a um a heresia desta natureza. p a ra p o d e r condená-la e lançá-la à p erdição eterna que lhe havia destinado p a ra ela de antem ão sem ter relação com o pecado. Para Arm ínio. .. Para ele.* D eus se tom a o autor do pecado.

em seus decretos. a salvação que havia sido perdida. concernente à salvação do homem pecador. e. e.Introdução ao A rm inianism o para a vida vem em prim eiro plano. Este decreto tem su a base na presciência de Deus. Seu esforço consistia na apresentação de um a predestinação cristológica: “O prim eiro decreto de Deus foi nom ear a Jesus Cristo com o m ediador. A rm ínio apresenta os decretos de Deus conform e ele entendia estarem m ais em conform idade com a Bíblia: O p rim eiro decreto absoluto de Deus. O segundo decreto absoluto de D eus é aquele no qual Ele decretou receber em fa v o r os que se arrependem e creem. p o r intermédio de sua graça subsequente. e ter tal adm inistração instituída (l) de acordo com a Sabedoria D ivina p ela qual Deus conhece o que é próprio e adequado tanto p ara sua m isericórdia quanto p ara sua severidade. p o r intermédio de sua graça preventiva crer. realizar a salvação de tais penitentes e crentes conform e perseveram até o fim. p o r sua obediência. de igual m odo trata o sacrifício de Jesus em segundo plano. não repetindo o m esm o erro dos calvinistas rígidos. portanto. Barth ressalta seu pensam ento cristocêntrico nos seguintes termos: “ Eleitos estam os nós quando dizem os sim a nossa eleição em Jesus C risto. Posteriorm ente. perseverar. D essa forma. Em um de seus escritos.”cx' Barth.de 53 . Sacerdote e Rei. . mas deixar em p eca d o e sob a ira todos os impenitentes e descrentes. N estas teorias Cristo não passa de m ero instrum ento que concretizará o decreto abstrato de eleição. Salvador. Deus pensou em prover um Redentor para salvar os eleitos. Estes resultam no quarto decreto. pastor e teólogo reform ado. o sacrifício de Jesus tom a-se secundário visto que Sua m orte objetiva atender a uma eleição prévia e im utável e nada mais. que p o d e destruir o p eca d o p o r sua própria morte. é que Ele decretou designar seu Filho Jesus Cristo p o r M ediador. p o r Seu am or e p o r intermédio dele. e condená-los como desconhecidos de Cristo.” ] K arl B arth (1886-1968). negava a “ dupla predestinação” calvinista. os hom ens foram predestinados à salvação antes de Cristo ser predestinado a salvá-los e nega a Jesus o m érito pondo-o com o um a causa subordinada da salvação pré-ordenada. pois esta desconsiderava o ensino bíblico (Efésios 1:4) de que Deus escolheu Cristo e nEle nós som os escolhidos. Redentor. pela qual Ele está preparado a adotar tudo o que sua sabedoria possa prescrever e colocála em execução. criticava o calvinism o exatam ente neste ponto onde Cristo era excluído da teoria da eleição. e pode com unicá-la p o r sua própria virtude. em Cristo. e (2) de acordo com sua Justiça Divina. O infralapsarianism o. dizia Arm ínio. p o d e obter. assim com o A rm ínio. pelo qual Deus decretou salvar e condenar certas pessoas específicas. p elo qual Ele sabia desde toda a eternidade as pessoas que iriam. Não abrindo m ão da distinção de Cristo. salvador e rei dos hom ens. Essa doutrina desonrava ao Senhor Jesus. O terceiro decreto divino é aquele pelo qual D eus decretou adm inistrar de uma m aneira suficiente e eficaz os meios necessários p a ra o arrependim ento e a fé . nosso salvador. Ou seja.

do universalimo.cxxn Esta doutrina extraiu de . decretada e aprovada em nenhum concilio geral ou p articular durante os prim eiros 600 anos depois de Cristo. • Nenhum dos doutores e teólogos da igreja dos prim eiros 600 anos depois da m orte de Cristo apresentou esta doutrina nem lhe deu aprovação. fe z com a doutrina da justificação libertando-a do sistem a sacram ental da Igreja Católica Romana. 16:18. O evangelho requer arrependim ento e f é p o r parte do homem p a ra que se converta (M r 1:15. igualm ente conhecia os que não creriam e não perseverariam . pp. O em bate de A rm ínio com Gom arus teve outros episódios. vol. 1. mas ele se encerra com a m orte de Arm ínio em P ieterskerkhof por causa de tuberculose. Ele apontou vinte razões para isso em suas The Works o f Jam es Arminius. A rm ínio presta um grande serviço ao calvinism o. E possível que A rm ínio tenha ficado estupefato com tanta oposição calvinista.Z w inglio R odrigues acordo com a administração antes descrita destes meios que são apropriados e adequados para a conversão e a fé . pois propõe a correção de um erro doutrinário perigoso. retornando às suas bases bíblicas. do pelagianism o hum anista e a interpretou de acordo com as Escrituras. assim como M artinho Lutero. é disparada e consistentem ente cristocêntrica. no século XVI. • Esta doutrina inverte a ordem do evangelho de Jesus Cristo. • E sta predestinação é injuriosa á glória de Deus porque o fa z autor do p ecado (para fun d a m en ta r a afirmação. e que. citam os algumas: • Esta doutrina nunca f o i admitida. ele. N este sentido. pela presciência. em relação ao supralapsarianism o de Gom arus e ao infralapsarianism o. armínio cita quatro argumentos capazes de p ro va r sua certeza).cxx' Parece-nos claro o quanto a doutrina da predestinação de Arm ínio. • Esta doutrina da predestinação f o i negada anteriorm ente e em nossos dias p ela grande m aioria dos que professam o cristianismo. • E sta doutrina não concorda com a Confissão Belga nem com o Catecismo de Heidelberg.Armínio mais energia e tempo que qualquer outra. Por falta de espaço. A predestinação absoluta (supralapsarianism o) de Beza e Gom arus foi rechaçada por A rm ínio firm em ente. pois “as igrejas reform adas das Províncias Unidas na época de A rm ínio eram . 36). Jo 3:10. 142-161. Segundo Rodríguez: Jacó Arm ínio libertou a doutrina da predestinação da rigidez calvinista.

onde os ministros. adm itindo a exatidão da últim a inform ação de C alder baseado em Benthem . passaram -se cerca de quarenta e três anos para Arm ínio com eçar a defender abertam ente a eleição condicional. na qual ele tratou da eleição condicional. publicou uma obra. N esse ano. no ano de 1678. assunto do capítulo cinco. para com bater a “novidade” teológica trazida por A rm ínio aos Países Baixos. sem exceção. m ais ou m enos. Fazendo as contas. o sinergism o de Philip M elancthon (1497-1560). N a H olland e em Friesland. ocorreu a m esm a coisa [. E le logo atraiu muitos ouvintes. M as não foi isso. sob o título H ollandischer K irch im d Schulen Staat (H istória da igreja e Universidades da H olanda). no ano de 1554. registra: N o início do século passado. C ontudo. um a p esso a com o nom e de Hardenberg. O livro foi muito vendido e contou com muitos adm iradores e defensores. não é isso que os historiadores consultados dizem . O Sínodo de Dort. agitador. Isso nada mais é que um discurso caindo na categoria de “tradição inventada”. A rm ínio nasceu em 1560. Aos vinte e dois anos. Tal acusação não passava de um artifício das relações de poder. dizem . citando um livro sobre um a história eclesiástica da H olanda. Calder.| Introdução ao A rm inianism o genericam ente protestantes em vez de rigidam ente calvinistas”cxxm. Em Leyden colidiu com G om arus. pro fesso r de teologia em Franeker. Já existiam disputas entre as Igrejas R eform adas por causa dos ensinos de Beza. Ele foi acusado de ter deflagrado discórdias nas Províncias Unidas por causa de suas “novidades” teológicas. No entanto. conceito pensado pelo historiador britânico Erick H obsbaw n (1917-2012). posteriorm ente. ele não foi um inovador. predestinista alinhado com Beza. iniciou seus estudos em G enebra e. Este homem. foi convocado. foram pretextos para justificar o cruel e injusto Sínodo de Dort. já se defendia a eleição condicional. estudou sob Beza e. aderiram aos ensinos defendidos no livro. Não havia um a predom inância do supralapsarianism o de B eza sobre.v Observe a data: 1554. as doutrinas de A rm ínio. p regou contra a Igreja Romana. pelo m enos. Os ensinos de M elancthon encontraram aceitação e livre fluxo na Holanda m uito antes dos ensinos de Calvino. m ais notadam ente a eleição 55 . se contrapôs ao predestm ism o do m estre.. Este livro f o i posteriorm ente aprovado p o r H enry Antonides. vários dos quais abraçou seus ensinamentos. m orador de Emden. Olson nega uma prevalência do calvinism o rígido. O fato dos críticos de A rm ínio rotulá-lo de inovador não passa da tentativa de quererem transm itir a falsa m ensagem de que o calvinism o foi o sistem a teológico pioneiro. conclui Calder. As injúrias de inovador. Em Genebra. Portanto. corrente e predom inante na H olanda de Armínio. Entre os ouvintes estava um com o nom e de Clemens M artenson. publicado em alem ão e escrito p o r H einrich L udolf B enthem (1661-1723). Acim a. por exem plo.]ax. com cerca de quarenta e três anos assum iu a docência de teologia em Leyden. Isso foi notório na p rovíncia de Utrecht..

”LX" ' Essa é um a crítica à doutrina agostiniana da predestinação que “ não é o que tem sido ensinado por todos e em lodo lugar. A doutrina da predestinação de Agostinho. A diversidade doutrinai trazia tam bém em seu rol as doutrinas da graça universal e sua resistibilidade. C alder anota: Alguns teólogos da R eform a m antiveram publicam ente os princípios da graça universal..”" * '” A gostinho..]cx" Agora o autor absolve A rm ínio de ser um inovador quanto à graça universal e a resistibilidade da graça: . é cham ado de autor presunçoso. m ais um a vez em outro contexto. O utra inform ação envolvendo M clancthon diz que professores de Leyden tinham perm issão de ensinar segundo o pensam ento do reform ador sinergista Phlillip M elanchton: “Alguns professores de Leyden sentiam -se livres para ensinar em conform idade com a doutrina de M elancthon”cxxlx. mas aqueles que divulgaram as doutrinas de C alvino. mas antes faziam parte da vida comum.Z w inglio R odrigues condicional. e não com a presunção de um autor (ênfase nossa). escreve Calder. antes de Arm inius ter pregado em Amsterdã. outrora tida como inovação. ele escreve: “descrever aquelas coisas que foram legadas a nós por nossos ancestrais e deixadas conosco. anota o m esm o autor. m as repercussão de uma doutrina am plam ente difundida e apresentada antes do calvinism o. eram am plam ente aceitos'’" '" ’"1. e. sendo m ais antigos. não eram os defensores da predestinação condicional. Leiam os C alder mais uma vez: Sendo este o caso. ensinando-os a muitos holandeses. Falando sobre o propósito de um de seus trabalhos. segue-se que os inovadores sobre a opinião pública. e defendendo-os abertamente. repete-se aqui a acusação de Vincente de Lérins contra A gostinho citada no prim eiro capítulo. N ão há inovação. e fazê-lo com a fidelidade de um narrador. é considerada uma inovação. desconsiderando a doutrina eclesiástica anterior. Por ironia. da resistibilidade da graça e da predestinação condicional. muito antes de Gomarus se insurgir contra ele. Suas obras (dos teólogos) ainda existem [.'1" Inovações eram as doutrinas calvinistas. Eles haviam sido apresentados em palestras públicas em Leyden. não eram inovações. E exatam ente pelo fato dos ensinos de M elancthon estarem em sintonia com a patrística anterior a Agostinho que recebiam am pla aceitação nas Províncias U nidas antes do supralapsarianism o: “Os ensinos de ívlelancthon estavam mais de acordo com os pais gregos prim itivos do que os de A gostinho. Lérins chamou Agostinho e seus discípulos de “inovadores" saindo em defesa das doutrinas tradicionais.

Gellius Snecanus. Rodríguez descreve a situação religiosa e teológica. John Holm ann. gom aristas e os políticos alinhados com M aurício de Nassau (1567-1625) em relação a A rm ínio e Episcópio. A novidade era a predestinação rígida. A lém disso. foram encorajados a prepararem uma confissão calvinista gerando m uito desconforto. sob a atenção e apoio do Príncipe de Orange. M esm o com o surgim ento da nova doutrina e a rejeição da confissão.in tro d u ção ao A rm inianism o Sendo este o caso. seguidores dos ensinos de M lechor Hoffman. por sinal a m ais arbitrária de todas as novidades. por exemplo. com o insistiu Gom arus. em 1567. alguns m inistros franceses adeptos da predestinação absoluta. A presentada a confissão. prepararam o solo p a ra a fertilização das semen tes da Reforma. pregador em Roterdã. alguns teólogos holandeses reagiram devido ao ineditism o da doutrina oposta à teologia corrente. um contexto altam ente eclético e aberto à diferença teológica. • P o r último. de Dort. de G enebra e do sul da A lem anha. de Hom . pregador em Friesland. As Províncias Unidas eram um a terra revolvida e com o húm us da abertura religiosa e teológica. havia nos Países Baixos um intenso m ovim ento de reforma. antes de A rm ínio atuar.'1"'" Sem dúvidas. C ornelius M einards e C om elius W iggerts. entre outros. 57 . H erm an H erberts. mas não foram bem sucedidos. • A nabatistas mais radicais tentaram se fixar em algum as cidades. não eram os defensores da predestinação condicional. Jasper K oolhaes. chegaram os pregadores calvinistas.1'*" Esse m esm o autor ainda certifica a fluidez dos escritos de Erasm o e M eiancthon entre as pessoas da província em detrim ento das hipóteses rígidas do calvinism o. professor de teologia em Leyden. plural. de Leyden. Dentre esses estudiosos. Todos m antinham um a convivência respeitosa e os rótulos de herege e heresia nunca foram opções para um grupo designar o outro. apontando o seguinte desenvolvim ento: • A ntes da Reform a Luterana se instalar. oriundos da França. chegaram ao país. • Pregadores luteranos chegaram à região e conseguiram muitas conversões. • Os Irm ãos da Vida Comum. pois. dos Países Baixos. ficam os sabendo da existência de um cenário doutrinário plural no contexto onde A rm ínio atuou com o teólogo da graça. não havia anim osidade entre os m inistros e o povo. • Depois. j á presentes nos Países Baixos. os anabatistas. esta sim era um a inovação. Assim . com o estam os instando. C alder cita John Isebrand. segue-se que os inovadores sobre a opinião pública. mas aqueles que divulgaram as doutrinas de Calvino.

da verdadeira adoração a Deus. do “livre-arbítrio” entre outros. Seu testam ento revelava um a fé inabalável no Senhor e a certeza de um im inente encontro celestial com seu Salvador. com o qual nenhum a unidade de fé. não tenha concordado com os registros sagrados. .e também p a ra contribuir. The Works o f Jam es Arm inius (As Obras de Jam es A rm inius). gravem ente enferm o. D e sua prole.e ensinos com o a eleição condicional. seu am igo. nenhum laço de p ied a d e ou da paz cristã pode ser conservado axxn Em seu funeral. Arm ínio falece ladeado por fam iliares e am igos. da devoção de todos. aos 49 anos. e que tenho guardado com a m aior solicitude e prudência. ante o qual eu também testifico que cam inhei com sim plicidade e sinceridade. qualquer conexão entre ele e essas doutrinas no sentido de que ele as introduziu entre os holandeses não passa de um a falsa afirmação. “quatro discursos sobre a natureza da Teologia” e.cxxxv A rm ínio não sistem atizou suas doutrinas. Tam bém declarou estar certo de não ter corrom pido a sà doutrina. N o tomo II. depois de um a visita. e que destes fa vo res eu excluí o Papado. que. econtram os tem as com o “o sacerdócio de Cristo”. aqueles que não o estimavam ja m a is o haviam conhecido súficientem ente. há um a “carta sobre o pecado contra o Espírito Santo” . “vinte e cinco debates públicos”. ainda. apenas dois filhos estavam vivos. e de uma sagrada relação entre os homens. A rm ínio apresenta uma . pois iria para seu Senhor. a descreve: “Me deu a im pressão de ser um hom em que verdadeiram ente tem ia a Deus [ ]„cx. em casa. confio minha alma.p o st mortem . Seu grande trabalho.vx"r g m dg 1609. Ele escreveu: A cim a de tudo. a graça resistível e a universalidade da graça têm sentido. Finalm ente. às m ãos de Deus. a um estado de tranqüilidade e p a z característico do nom e cristão. M atías M artinus.Z w inglio R odrigues A conexão entre A rm ínio . de acordo com a palavra de Deus. A rm ínio vive um m isto de serenidade. e preocupação quanto ao suprim ento das necessidades de sua fam ília depois de sua morte. Bertius proferiu as seguintes palavras: Viveu na H olanda um homem a quem os que não o conheciam não o po d ia m estim ar suficientem ente.700 páginas e não está traduzido para o português. e “com toda a boa consciência. e que todas as doutrinas p o r mim expostas fo ra m na intenção de levar à propagação e crescim ento da verdade da Religião Cristã. que é seu Criador e fiel Salvador. de expor ou ensinar qualquer coisa. pois ele as defendeu habilm ente. em sua partida do corpo. da “predestinação”. N o tomo I. ” em meu oficio e vocação. um a discussão a respeito da “divindade do Filho de D eus”. No entanto. após uma diligente busca nas Escrituras. som am m ais de 1. a coletânea de três volum es. No tomo III.

Introdução ao A rm inianism o “análise do capítulo 9 da Epístola aos R om anos” e m uito m ais. assim m esm o. quarenta e seis (o núm ero exato 'é incerto) pastores e leigos assinaram o Rem onstrance. Episcópio. porém seus enfrentam entos com seus desafetos sem pre prim aram pelo alto nível da discussão teológica. O lson diz: Eles contêm discursos eventuais. assumiu a cadeira de teologia deixada por ele em Leyden. o lema de A rm ínio era: “Bona conscientia p a ra d isu s" (U m a boa consciência é o paraíso). Conclusão Esses últim os dois capítulos ocuparam -se em narrar um pouco da história desse grande teólogo da graça de Deus cham ado Armínio. . em bora alguns dos tratados mais longos de Arm ínio abranjam uma grande porção de assuntos teológicos. A m orte de A rm ínio não am ainou a difusão do arm inianism o clássico. Sim on Episcópio (1583-1643). Desse modo. Como reação. A teologia de A rm ínio ficou exposta à inquisição pública de políticos e teólogos. Gom arus voltou sua artilharia. pregador da Corte. preferiu viver o injusto escárnio à negação da piedade. lideraram os seguidores de Arm ínio. Parece-nos ter ficado claro o quanto ele foi injustiçado e. D epois de sua morte. Estes escritos nâo são uma teologia sistemática. c x .x x v ii espanhóis... 59 .] provavelm ente centenas [. G om arus e seus seguidores pressionaram a saída de todos os professores arm inianos da U niversidade de Leyden. Bangs sugere um núm ero desses seguidores e indica suas nacionalidades: Existem muitos seguidores de Arm ínio [..] alguns são holandeses. outros ingleses. alguns franceses. Sobre esse trabalho. indonésios e americanos..cxxxvi Segundo Rodríguez. outros 1 ' • ? t . filosófica e bíblica. com John U yttenbogaert (1557-1644). C ontra Episcópio. nom e de destaque do arm inianism o clássico no período im ediatam ente posterior à m orte de Arm ínio. Claro que ele nâo se portou passivam ente e nem poderia. com entários e cartas.

Esse foi o título do docum ento que rejeitando tanto o supralapsarianism o de Beza e G om arus. para um olhar mais detido sobre eles. Gom arus e. apresentava os cham ados Cinco Artigos Arm inianos. com o o infralapsarianism o. pois am igos. Sua m orte não am ainou as coisas nas Províncias Unidas. m antiveram a lutar pela liberdade religiosa. tal como a crença no pecado original e na depravação total. Outro candidato à autoria do Rem onstrance é João U yttenbogaert (1557-1644) líder político dos R em onstrantes.! Introdução ao A im inianism o Capítulo 4 Bftemcmôtrance e JXemonsítranteá [. A lém desta discussão neste capítulo. Então.. eles foram instados.] a Remonstrância [. sua teologia é perfeitamente compatível com as idéias por ele defendidas. mas ele não está no rol de arm inianos clássico e sim no de arm inianos da cabeça. possivelm ente escrito por Simon Episcópio.17 1.. 61 . por razões distintas. Episcópio talvez seja o m aior nom e de destaque depòis da m orte de Armínio. na predestinação. adm iradores e adeptos da teologia de A rm ínio não arrefeceram e insistiram na crítica ao supralapsarianism o de Beza.São classificados como tal os teólogos que continuaram a trilhar os mesmos passos de Armínio.São os que abandonaram alguns dos princípios basilares da teologia arminiana clássica. Seu foco principal está nas questões da salvação e. A cuados pelo poder político. ou seja. proem inente líder dos seguidores de Arm ínio. R em onstrance Rem onstrance significa “protesto” . um ano depois da morte de A rm ínio. a com parecerem diante das autoridades para apresentarem suas causas. Arminianos da Cabeça .CXXXV1" 17 Arminianos do Coração . Roger Olson Introdução N este capítulo discutirem os aspectos dos eventos seguintes à m orte de A rm ínio aos 49 anos de idade. As disputas com Gom arus e calvinistas rígidos continuaram . Trata-se de Sim on Episcópio e Philip Lim borch. eles escreveram o Rem onstrance um docum ento contendo explicações sobre a doutrina arm iniana para ser exposto em um a conferência de líderes eclesiásticos e políticos. em especial. colocarem os em relevo dois rem onstrantes destacáveis... Já Lim borch abandonou a ortodoxia de A rm ínio e se aproxim ou do liberalism o teológico. M uitas acusações contra o arm inianism o clássico partem dos ensinos de Lim borch. Ele foi fiel às prem issas teológicas de seu mestre.] é o documento de origem do arminianismo clássico.

Caso quisesse. m as se eles podem apostatar-se. isso deve ser m ais particularm ente determ inado pelas Sagradas Escrituras. em Gouda. Quadro 3 Esses artigos seguiram à discussão onde foi rechaçado inapelavelm ente o calvinism o. proporcionando redenção se alguém crer nele. eles se reuniram em 14 de janeiro de 1610. Ele cria em um sacrifício substitutivo. Deus não precisava entregar Seu Unigênito. m as necessita ser nascido de novo. personagem de destaque nos Estados Gerais das Províncias U nidas e o em inente historiador e ju rista H ugo Grotius (1583-1645). João O ldenbarneveldt (1547-1619). O R em onstrance teve com o signatários 43 teólogos e pastores holandeses (o núm ero é incerto)CXVM\ O docum ento respondia a um pedido anterior dos Estados da Holanda. segundo Calder. O hom em está num estado de pecado. estadistas e líderes políticos. informa-nos Olson (2013). Grotius defendeu a teoria da expiação governamental. leigos respeitados. Nesse sentido. A ssinaram o docum ento.Z w inglio R odrigues Laurence Vance credita a U yttenbogaert a autoria do docum ento. na Holanda. de acordo com Walker. sistem atizaram e desenvolveram os ensinos de Armínio. o objetivo da morte de Cristo foi dar um exemplo do ódio divino para com o pecado. O hom em nâo pode sem a graça de Deus realizar qualquer boa obra ou ação. foram am igos próxim os de A rm ínio e. Episcópio e U yttenbogaert. conform e escreve Rodríguez. m inistros. Em junho de 1611. deixando no pecado os incrédulos para serem condenados. Segue um resumo do docum ento: Artigo 1 2 3 4 5 C inco Artigos da R em onstrance Descrição D eus decretou salvar aqueles que irão crer em Jesus Cristo e perseverar na fé. segundo W alker. e form ularam o docum ento. incapaz de si m esm o fazer qualquer coisa verdadeiram ente boa. mas esta graça pode ser resistida.1625).18 Esse grupo de personalidades tinha com o m arca a defesa da liberdade de consciência. que lhe rendeu o título de "fundador do direito internacional”.\ as Províncias Unidas eram plurais e abarcavam um a diversidade de tendências teológicas onde até o predestinism o radical 18 Autor da famosa obra De jure belli ac pacis (Das leis de guerra e paz . fizeram tam bém parte desse rol de políticos im portantes. C rentes têm poder para perseverar. Jesus Cristo m orreu por todos os hom ens.txl C onvocados por U yttenbogaert. poderia perdoar os pecados sem buscar uma satisfação para sua justiça. W alker descreve-os com o políticos republicanos e tolerantes no tocante à expressão Religiosa e teológicacx\ Com o anotam os no capítulo anterior. um respeitável político. o docum ento foi apresentado aos Estados-G erais. . pois Ele não tinha que punir os pecados. Esta teoria afirma não haver na natureza divina nenhuma necessidade de propiciação. expiatório e propiciatório. Armínio nunca defendeu essa teoria. Além do já m encionado U yttenboagaert.

Ao analisar o docum ento. o em penho para evitar cismas e prom over a com unhão e o convívio fraterno não logrou êxito. 19 Esse caráter prático da teologia para Armínio (e remonstrantes) está vinculado ao modo como Petrus Ramus (1515-1572). diziam . é que a paz e a liberdade voltaram a reinar nas Províncias Unidas. negavam a trindade. eles não obedeceram às decisões das Províncias Unidas argum entando que questões eclesiásticas deveriam ser resolvidas pelo clero. Esse aspecto especulativo. as Províncias Unidas o recebeu favoravelm ente e determ inou: • • • Os m inistros remonstrantes não deveriam sofrer censura eclesiástica p o r causa dos Cinco Artigos. Os Artigos rem onstrantes foram apresentados na tentativa de pôr fim às perseguições nas localidades onde o clero calvinista era m ajoritário. O Sínodo de Dort é o ícone m aior dessa intolerância religiosa instalada e nem ele pôs fim às contendas. M inistros removidos do ministério p o r nâo terem subsccrito a predestinação absoluta deveriam ser reintegrados às suas atividades eclesiásticas.Introdução ao A rm inianism o de B eza e Gom arus encontrou pouso posteriorm ente. A penas quando esta últim a tentou se im pôr a ponto de querer suprim ir doutrinas cridas. Apenas com a m orte do Príncipe M aurício de Nassa. concebia que a teologia deveria ser. Tum ultos se seguiram por causa da insatisfação dos calvinistas rígidos até culm inar n a fam osa C onferência de Haia m ontada para tentar encontrar lima saída am igável. Para os rem onstrantes. reivindicaram um sínodo. buscava o exercício da curiosidade e não a adoração a Deus. De acordo com Calder. conclui O lson (2013). a teologia era totalm ente prática19 e nâo especulativa ou teórica. Os m inistros calvinistas distorciam as crenças dos rem onstrantes. filósofo e educador francês. Seis m inistros de cada lado com pareceram diante dos nobres e poderosos na tentativa de dirim ir as dúvidas e pôr um fim ao litígio. Com a divulgação da Rem onstrance o anseio pela proteção e liberdade religiosa era anunciado. N este docum ento. Assim. Em 1621 os rem onstrantes publicaram a The Arm inian Confession o f 162! (A Confissão Arm iniand) docum ento breve e de fácil entendim ento de sua fé. acusações de que Arm ínio e os rem onstrantes eram socinianos. No entanto. não poderia. praticadas e defendidas anteriorm ente é que colisões e enfrentam entos ganharam espaço culm inando no Sínodo de D ortJassunto do próxim o capítulo. seriam pelagianos e sem ipelagianos foram respondidas de modo claro e inequívoco. 63 . A os candidatos ao ministério não deveria ser im posta qualquer doutrina que violasse suas consciências. Estas decisões contrariaram os gom aristas (calvinistas rígidos). pois foi instituído exatam ente para reduzir a pó a R em onstrance e os rem onstrantes. com o para Arm ínio. Aliás.0*1" O docum ento tam bém serviu para apresentar a opção dos arm inianos por um m étodo teológico m ais bíblico em detrim ento do racionalism o reform ado e toda sua especulação teológicacxlm. partidário dos gom aristas e estes daquele.

criar algum tipo de credalism o. informa-nos Rodríguez. coisa contra a qual eles sem pre se opuseram. De acordo com V ance. Pobre. Isso não significa desconsiderar as C onfissões e o C atecism o. sua mãe m orre transpassando mais ainda seu coração. Tom ou-se especialista em grego e latim. a quem interessasse.’**1™ M al Episcópio viveu o luto com suas dores.cxKl" Assim com o seu m estre Arm ínio. Armínio constatava isso e. por conseguinte. Digna de nota era a preocupação dos rem onstrantes quanto à confecção da C onfissão. o evento “foi m otivo para que todos exam inassem a si m esm os e pensassem no verdadeiro significado e propósito da vida./ D ois nom es rem onstrantes que m erecem um a atenção especial. 2. recomendamos a leitura do livro de Rodríguez alistado na bibliografia deste livro. ao m esm o tem po. posteriorm ente. Para mais detalhes a respeito da lógica de Ramus. p. algum as revisões foram feitas. Submetido ao diretório. redundando em doutrina (fé e obras) e disciplina (obras consistindo de oração e obediência por um lado e sacramentos por outro). aproximou-se de Ramus. os rem onstrantes aprovaram e acataram o docum ento. por causa disso. pois tem iam dar à m esm a o status de “credo” e. são Simon Episcópio e Phillip Lim borch. em 08 de Janeiro de 1583. porém. 2013. laboriosam ente. pois a entendia como rígida. Em seu trabalho pastoral. por razões distintas. ali ele foi educado sob A rm ínio e. teve seus estudos bancados por benfeitores que não negaram -lhe a m eíhor educação possível na Holanda. Em síntese. tornou-se responsabilidade de Simon Episcópio e m ais dois outros. Armínio usava a lógica ramaniana. Ramus formulou um método mais prático na expectativa de fazer da lógica “uma ciência prática” (RODRÍGUEZ. 42). O lson classifica a Confissão de “um a afirm ação bastante ortodoxa da doutrina protestante”cMv|. estudou filosofia por três anos e depois se dedicou à teologia segundo inform ações de Calder. Em 6 de fevereiro de 1620 o texto estava pronto. desejava defenderse das m entiras e calúnias de seus detratores após o Sínodo de Dort. A peste dizim ou cerca de 20. Seus pais se cham avam Egbert R em m etzen e G eertruyd Jan. Desde seu tempo de estudo em Leyden. . xa Confissão quis inform ar. Coube a Episcópio e U yttenbogaert traduzi-lo para o holandês e. dentre os quais setes deles m orreram na infância ou m uito cedo. Foi em 1600 que ele conheceu e estreitou sua am izade com A rm ínio na U niversidade de Leyden. Em 1602 ele perdeu o pai por causa da peste bubônica que assolou Am sterdã. seguia em frente. o labor caiu no colo daquele"'1". Os credos para Episcópio são secundários com parados à B íbliacxl'. essas perdas não lhe tiraram o vigor acadêm ico e ele. O R em onstrante Sim on E piscópio Episcópio (1583-1643) nasceu em A m sterdã. resultado de discussões quando os rem onstrantes estavam exilados em A ntuérpia.000 pessoas e. quais eram as crenças dos rem onstrantes da prim eira geração e. consoante Rodríguez. em 9 de fevereiro. assim com o não fez Arm ínio. assum iu a vaga de Ramus entendia que a teologia deveria ser prática.Z w inglio R odrigues A elaboração da Confissão. Episcópio teve dez irm ãos. No entanto. Armínio também lançou mão da lógica de Ramus que questionava a lógica aristotélica.

de outros im portantes docum entos dos rem onstrantes e. A razão de destacar Lim borch é que os críticos posteriores do arm inianism o conheciam seus ensinos próxim os ao sem ipelagianism o e que estavam am algam ados com a nova religião natural do Ilum inism ochv. quem desenvolveu e sistem atizou os pensam entos de A rm ínio depois de sua morte em outubro de 1609. Rouen e Paris por sete anos (de 1619 até 1626). Após o Sínodo de D ort Episcópio tom ou-se o responsável pela sobrevivência do Arm inianism o. Em 1612 Episcópio é convidado para assum ir o lugar de Gom arus com o professor de teologia na U niversidade de Leyden. M uitos ao se referirem ao arm inianism o dizem do m esm o como sendo um m ovim ento herético geralm ente partindo dos erros de 20 . Episcópio ficou exilado em A ntuérpia. professores e pastores. . N esse interregno. U m a tentativa de Lucas Estofo (1588-1657) para conquistá-lo à fé rom ana envolveu-o tam bém em um a polêm ica com o famoso je s u íta dn No m ês de julho de 1926 Episcópio chega a R oterdã onde trabalhou arduam ente m inistrando. Lim borch (1633-1712) fez o arm inianism o aproxim ar-se da teologia liberal. Ele faz parte do grupo denom inado arm inianos da cabeça. Provavelm ente. Phillip Lim borch. O reconhecim ento de Episcópio entre aqueles que com partilhavam da teologia de A rm ínio avançou rapidam ente.dm 3. D oente. um a pequena aldeia perto de Roterdã. certam ente. Episcópio era um defensor da liberdade de consciência. Em 1610 Episcópio se tom ou pastor em Bleyswick. Esta perda produziu m uita tristeza e frustração em seu coração. de quem foi aluno tam b ém ^1'*. no funeral. escreveu um M em orial a A rm ínio20. em 1632. Em bora exilado. e neste período defendia o m ovim ento e anim ava os rem onstrantes para que perm anecessem na Holanda. diz R oger Olson.01 A utor da Confissão de 1621. Q uando foi perm itido retom ar do exílio im posto por Dort. exclam ou: “Ó líder! Ó lider! Q uanta sabedoria havia dentro de você!” . com U yttenbogaert. ele m orre em 4 de abril de 1643 em paz. um sim patizante do m ovim ento R em onstrante. já citado. infelizm ente. revitalizando a igreja em A m sterdã e fundando o Sem inário R em onstrante. foi ele. possa ser considerado com o o principal líder dos rem onstrantesdl. Em 27 de fevereiro de 1606 recebe o grau de mestre e desenvolveu sua vida acadêm ica sempre envolvida em em bates teológicos. talvez. O fim do exílio inicia-se com a m orte do Príncipe M aurício em 1625 e com a assunção à direção do país de seu m eio-irm ão Henry.| Introdução ao A rm inianism o professor de teologia deixada por G om aras. * Leia em anexo a. em 1623. ele tenha sido influenciado pelo Ilum ínism o do século XVII e pelo socianism o. serviu como um propulsor para a divulgação das ideias dos rem onstrantes. Episcópio viveu por 16 anos depois de seu retom o do exílio. O R em onstrante P osterior Phillip Lim borch C onsiderado um rem onstrante posterior. Episcópio fundou o Sem inário R em onstrante na H olanda e ali exerceu seu professorado ensinando a geração posterior de teólogos. Isto. Episcópio. ele era incansável.

Arm ínio jam ais negou que a vontade hum ana é totalm ente depravada ou afirm ou que ela sofreu apenas uma “m iséria universal'’ como afirm ou Lim borchcK. filosofia. por exem plo. 1. desenvolveu um a doutrina da justificação distante de A rm ínio21 e fez da vontade hum ana a base da fé. porém não os estim aram como im utáveis cânones de fé. Os rem onstrantes não rejeitaram a Confissão Belga e o Catecism o de H eidelberg. Os desvios de Lim borch não se tom aram regra para todos os arm inianos. e pondo todos rem onstrantes no m esm o bojo. /. do docum ento de Heidelberg. Gom arus e com panhia porque elas não figuravam na Palavra de Deus e nem no Catecism o de H eidelberg (1563). cabe aqui a seguinte declaração: “Não tenho consciência de ter ensinado qualquer pensamento sobre a justificação do homem diante de Deus que não tenha sido aceita unanimemente pelas igrejas reformadas e protestantes Esta declaração encontra-se em The Works o f James Arminius. segundo Vance. 334-336. 89-90 e V. IX. Eles seguiam a A rm ínio com esta conclusão. V am os ao Catecismo: 21 Como Arminio foi questionado também sobre sua doutrina da justificação. Em uma ocasião. Neste tópico IX ele desenvolve seus argumentos. vol. Partindo de Lim borch. vol. 2. Por exem plo. a acusação sobre o arm inianism o clássico de defender uma antropologia otim ista. Vance escreve que os rem onstrantes discordavam das doutrinas pregadas por Beza. Uma p a lavra aos críticos dos R em onstrantes e do arm inianism o clássico Os críticos de A rm ínio e de rem onstrantes como Episcópio. Posteriorm ente a sua morte. vol. p. Arm ínio apresentou como um a das razões de sua rejeição à doutrina da predestinação a Pergunta 20. 135. Além desse desvio. Ainda em The Works o f James Arminius.L|VI1 4. No tocante a Arm ínio e seus críticos. Também. fontes e norm as extrabíblicas. muito teólogos de destaque tornaram -se seus seguidores. dentre os quais estão Richard W atson (1781-1833). Em alguns casos a segunda alternativa é a razão de tantas calúnias. os críticos com etem um a grande injustiça. . com sua respectiva resposta. reform ados à sem elhança de Armínio. Lim borch adotou a teoria governam ental da expiação01' 1. XLVII. Armínio escreve sobre a justificação. Uma m arca do m ovim ento rem onstrante era a suprem acia das Escrituras sobre toda tradição.Z w inglio R odrigues Lim borch. precisam voltar àqueles para com preenderem o quanto foram ortodoxos. o assunto é novamente tratado. p. XIX. Reiteramos: os ataques consistem em um desconhecim ento total do arm inianism o clássico ou então em desonestidade intelectual. John Wesley (1703-1791) é um im ponente exem plo disso. Pinson comenta: é uma irresponsabilidade sim plesm ente ler os temas destes arm inianos posteriores e deduzir que fossem a posição de Arm inius som ente porque o seu nome está ligado aos sistem as teológicos arm inianos11' "‘. em The Works o f James Arminius. Thom as Summers (1812-1882) e W illiam Burtot) Pope (1822-1903). p.

Esse é um assunto difícil e um dos m ais com plexos da doutrina de D eus. concluo que Deus não predestinou absolutam ente nenhum homem para a salvação. Os rem onstrantes defendiam sola scriptura. todos os homens foram salvos p o r Cristo.clx'” Para os rem onstrantes uma doutrina não pode ser fundada em passagens obscuras nem tam pouco em especulações lógicas. Episcópio declarou: “Estes muitos livros (da Bíblia) perfeitam ente contém um a revelação plena e m ais que suficiente de todos os m istérios de fé. mas apenas aqueles que em seu decreto ele considerou com o crente. exatam ente como p o r meio de Adão todos pereceram ? R. • Crença na inspiração sobrenatural.j Introdução ao A rm inianism o P . conform e dissemos. A doutrina •'M onarquia cio Pai' advoga que a essência das outras Pessoas da Trindade tem a sua origem por geração e expiração. O Filho foi gerado. possuem autoridade intrínseca e nâo de hom em e são regra perm anente de fé. foram enxertados em Cristo e aceitaram todos os Seus benefícios. A razão descansava na defesa da antiga doutrina da M onarquia do Pai. Esse é o critério e não qualquer predestinação rígida.clxn 67 . por exem plo.dx N esse episódio. para os rem onstrantes. o Espírito expirado. A opção é pela suficiência das Escrituras e crença em sua perspiscuidade com o ensinava o reform ador alem ão M artinho Lutero. Então. A rm ínio raciocina: A p a rtir desta resposta. São notáveis nos escritos dos rem onstrantes as seguintes com preensões sobre as Escrituras: • Revelação p len a e m ais que suficiente. cria nesta doutrina. Não. tota scriptura.chx Partindo da resposta. A Bíblia era inerrante para os rem onstrantes. Só estão salvos os que. Resum indo: as Escrituras. • R egra de fé e prática. • E xclusiva supremacia. Os rem onstrantes tam bém foram acusados de heterodoxia quanto à Trindade. • A utoridade absoluta. Os rem onstrantes atribuíram autoridade apenas à Palavra observando a necessidade da Confissão e do Catecism o serem sem pre desafiados pelas Escrituras. A rm ínio foi m uito arguto. O Catecism o responde que a salvação é para quem tem a “verdadeira fé” . o rem onstrante Episcópio. • Submissão à sua autoridade.20. N ada m ais ortodoxo. são suficientes. p e la verdadeira fé. Assim como Arm ínio. • A utoria divina.

As Escrituras ensinam: [. uma vez que D eus é eterno e Ele Lhe pertence como Filho. ao ser cham ado repetidas vezes “o U nigênito” (Jo 1:18. cheio de graça e de verdade. nunca precisou que se Lhe acrescentasse algum aspecto essencial: nem a geração do Filho é como a de um hom em em relação a seu pai. E le e o P ai são um só na união íntim a de Sua natureza e na identidade de Sua D ivindade [.).] A divindade do Filho é a divindade do Pai [. • c lx iii inteireza..] Tu és m eu Filho.“ D isso não se deduz que o Filho não seja da m esm a essência que o Pai.Z w inglio R odrigues P or defenderem a M onarquia do P a i. g era r no tempo: mas a geração de D eus é eterna. glória com o do unigênito do Pai.. Pelo contrário. sugere sua geração. . e habitou entre nós.N.C. O primeiro publicado pela editora Vida Nova e o segundo pela ASTE. cham á-lO de geração eterna do Pai. E plenam ente correto. é o único “ingerado” agennetos . sendo Sua natureza sem pre perfeita [.D. E o verbo se fe z carne. devido à imperfeição de sua natureza. eu hoje te gerei (Sl 2:7). o que exigiria que ele tivesse vindo à existência depois do Pai. (Jo 1:14). O que ambos ensinavam era a negação da íb n n u la p u to th e o s\D e u s em si mesm o ou D eus de D eus) em pregada ao Filho.. B erk h o f explica: A propriedade característica do Filho consiste em que ele é eternam ente gerado do Pai [... defendeu a M onarquia do Pai: A ssim como o Pai é sem pre bom p o r natureza..] A plenitude da divindade do P ai é o ser do Filho f. Esta fórm ula é aplicada apenas ao Pai que.] D esse modo.] (e) lhe com unica a essência divina em sua • . e Sua 22 Sugerimos para um estudo mais aprofundado sobre o assunto os livros Patrística de J. Ele é geração de Deus.. e. Kelly e História do Pensamento Cristão de Paul Tillich.] P orque o Filho pertence à substância do Pai e porque ele è totalm ente sem elhante ao P ai [.. eterna. 18.. mas com o D eus E le é o mesm o e único. Eles são um.. segundo Orígenes.] E (o Filho) obviam ente outro em relação ao Pai.. e vimos a sua glória. Patriarca de A lexandria. Atanásio (298-373 d.] A divindade do Pai é idêntica à do Filho [. 1 Jo 4:9). M as não era o caso. E le tam bém é p o r natureza sem pre generativo.. A rm ínio e Episcópio foram acusados de negar a divindade do Filho.. pois o Ser paterno ja m a is esteve incompleto... O Pai é a fonte da divindade. E característico dos homens. O Filho. existe desde a eternidade. 3:16. como geração.. a partir do Pai.

corretam ente. significa que Ele tem a verdadeira essência divina. é da m esm a substância do Pai.. sem m istura ou confusão [. teve como principal finalidade estabelecer a unidade eclesiástica do Oriente” (1998. portanto. em 451. dotado de duas naturezas.] os antigos denom inaram . Mas. de divindade idêntica. são pessoas distintas. de acordo com Andrade. p. que é Deus.| Introdução ao A rm inianism o D ivindade é uma.. esta união de hipostática [... Leiam os Arm ínio: A p a lavra "D eu s”. tudo isso partindo da doutrina da geração eterna do Filho.clxv R eafirm am os a com plexidade do assunto. E que ‘diante dele todo joelho se dobre para a glória de Deus P ai” ’. A derentes a essa doutrina. dotadas da m esm a essência. e não um a 23 O Credo de Calcedônia é o resultado do Concilio de Calcedônia (451) que. A essência divina do Filho é a m esm a do Pai. geração m isteriosa.dxiv Para A tanásio. desde que ele não p o d e ser cham ado Pai. inseparavelm ente unidas.) • Ofício S acerdotal de Cristo “D eus lhe concedeu o dom ínio sobre todas as coisas e plenos poderes para salvar e condenar com uma ordem expressa: ‘que todos honrem o Filho com o honram o P ai’. de m aneira que tudo aquilo que se atribui ao Filho é atribuído ao Pai. 88). 69 . a divina e a hum ana. mas a palavra "Filho” significa que ele tem a essência divina procedente do Pai. A rm ínio e Episcópio se articularam cuidadosam ente para em nenhum m om ento pôr em cheque a plena identidade da divindade do Filho.. O Credo de Calcedônia apresentou uma declaração cristológica que passou a ser aceita como ortodoxa. o Filho tem a m esm a natureza do Pai. a"'" A rm ín io lem b ra que a h o n ra d ad a a Jesus deve ser na m esm a p roporção à h o n ra d ad a ao Pai (Jo 5:23). imperador oriental. foi "convocado por Marcion.D. P o r isso ele é corretam ente denom inado Deus e Filho de Deus.. A d o ração ao C risto.chv' Arm ínio apresentou a divindade do Filho nos seguintes termos: • A Pessoa de N osso S en h or Jesus Cristo “E ssa pessoa é o Filho de Deus e o filho do homem.]”clxv“ A qui A rm ínio repercute o Credo de Calcedônia"'’ (451 A.] Ele tem a m esm a natureza com o Pai [. assim com o o Filho é Deus. nâo é possível dizer que tem a Essência D ivina de si mesm o e de outro qualquer.

que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1:3) e “Quem me vê a mim.. p. • A R essurreição de Cristo “A tribuím os essa ressurreição não só ao Pai através do Espírito Santo.”ob. “Ele. (p. mas tam bém ao próprio Cristo que tinha todo poder de tom ar a sua vida novam ente. • Im u ta bilidade divina . 2o “Um que é Deus de si m esm o” . 1. Toda bondade do Pai está revelada no Filho porque o Filho é Deus. poderia realizar tal coisa. M uitas discussões surgiram em torno das declarações de Arm ínio.Vol.A rm ínio conclui: “Por isso Cristo é cham ado ‘poder de Deus e sabedoria de Deus (1 Co 1:24)’” . Esses exem plos da elevada cristologia de A rm ínio encontram -se em The Works o f Jam es Arm inius .. Nesta.” (p. 13). Desses. Porém.A rm ínio comenta: “Deus é apresentado a nós com o im utável em todos os aspectos. A rm ínio apresentou um artigo intitulado The Deity o f lhe Son o f G od (A D eidade do Filho de Deus) às autoridades holandesas em Haya na tentativa de esclarecer sua crença.Arm ínio escreve: “Em Cristo.]” (p.Z w inglio R odrigues obediência forçada e obrigatória. 14). Para corroborar sua declaração.” A conclusão é óbvia. é recom endada ao citar Filipenses 2 : 10 . o aluno não se deu por vencido e contra- . um debate em tom o da divindade do Filho de D eus levou um estudante a fazer a seguinte objeção: “o Filho de Deus é autotheos e Cristo. Deus revela toda a Sua bondade. em uma tarde na Universidade. N inguém mais.x A isso. portanto. apenas o prim eiro podia ser atribuído ao Filho. que n ’Ele residisse toda a plenitude” (Cl 1:19). Consoante Rodríguez. 2.Vol. Em seguida. 14.’*1''1* A rm ínio faz uma clara referência ao conteúdo de João 10:17-18. “ Ele é a im agem do Deus invisível. mas tam bém quanto à sua vontade [. 14). além do próprio Deus. tem sua essência de si m esm o e não do Pai. • P lena divindade . e o será para sem pre. A rm ínio cita H ebreus 13:8: “Jesus Cristo ontem e hoje é o mesm o. vê o Pai” (Jo 14:9). apresenta as seguintes Escrituras: “Porque aprouve ao Pai. Em 13 de outubro de 1608. • P oder e Sabedoria de D eus . o prim ogênito de toda a criação” (Cl 1:15). A rm ínio respondeu dizendo que a palavra autotheos tem dois significados: Io “Um que é verdadeiro D eus” . N ão só no tocante à sua natureza. Jesus revela possuir autoridade para entregar e reaver sua vida. V ejam os m ais em The Works o f Jam es Arm inius .

o Filho é Deus com o o Pai. E em Jesus Cristo. Na tréplica. A outra tem a sua causa ou è gerada pelo Pai. e Espirito Santo. mas D eus. D eus deve ser considerado distintam ente em três pessoas ou substâncias. o unigênito do Pai. isto se torna mais evidente quando as Sagradas Escrituras lhes dão os mesm os nomes. que desde toda eternidade. esta essência procede do Pai. a igreja grega e latina criam na geração eterna do Filho. Seu único Filho. em relação ao seu ser ou substância. a saber. e tam bém ao Espirito Santo. Ele tem com unicado desde toda eternidade a sua p ró p ria D eidade ao seu Filho unigênito. /. não é um a criatura. como os anjos foram fe ito s filh o s de Deus. Esta Trindade de pessoas é conhecida p o r nós como: Pai.”clxM) Em sua Confissão de Fé. em bora secreta e inefável. o único dentre as Pessoas da Trindade que não é gerado e de ninguém procede. que cordialm ente cremos. como E le mesm o as tem expressado na sua Palavra. o Pai é mais corretam ente considerado a fo n te e a origem de toda Deidade. e lhes atribuem as mesm as propriedades que as do Pai. E também a outra igualmente procede e em ana do Pai pelo Filho. diz. nem m eram ente p o r uma graciosa com unicação de poder divino ou glória como ser mediador. Leiamos alguns trechos. mas p o r uma real geração. Todavia. 3. o Credo dos Apóstolos sobre este assunto. etc. D estaquem os algum as confissões. eterno. isto é. Uma destas pessoas divinas ou hipóstases da Deidade é â vahioç (anaitios).] introdução ao A rm inianism o argum entou insistindo na aplicação do segundo significado ao Filho. incomensurável^ e da m esm a divindade com o Pai e o Filho. • C onsiderado distintam ente em três pessoas ou substâncias. A rm ínio alegou que a Palavra de Deus. o Filho e o Espirito Santo. isto é. No entanto. sâo verdadeiram ente distintos do Pai. “[C rem os] em Deus Pai. A respeito do Espírito Santo Arm ínio expressou: “E infinito. Filho. e todas as declarações que adotam os. sem causa e ingerada. [C rem os] no Espirito Santo. são verdadeiram ente participantes da m esm a Deidade e também pela m esm a essência D ivina distintos do Pai. todopoderoso. P ortanto. ( Para Arm ínio. só o Pai é desprovido de origem ou ingerado. etc. em bora o Filho tenha a verdadeira essência divina. 71 . Portanto. tem procedido de ambos p o r uma secreta em anação ou expiração. C riador do céu e da terra. Episcópio dedica um capítulo para tratar sobre a Trindade e responde às acusações de negação da deidade de Jesus Cristo. Por isto. pois assim deve ser conhecido e contem plado p o r nós. Porém. fe ito Filho. 2. No entanto. não por criação.

que desde toda eternidade.. "Não era em relação à divindade de Cristo que eu estava falando.C.Z w inglio R odrigues • Esta Trindade de pessoas é conhecida p o r nós como: Pai. G regório de N anzianzo (330-389) e G regório de Nissa (330-395) tam bém adotaram a teologia de A tanásioclMI".. Os prim eiros rem onstrantes eram heterodoxos quanto às doutrina de Deus e de Cristo? As afirm ações de Episcópio acim a podem ser resum idas assim : O Pai.). ingerado. • Ele tem com unicado desde toda eternidade a sua própria D eidade [.. condenar A rm ínio e Episcópio como arianos devido à doutrina da M onarquia do Pai é acusar esses patrísticos tam bém . Logo..] de acordo com o modo adotado pelos Socinianos? ” E píscopius rssponde: "Senhor.] Sei que depois de partícípares de uma das m inhas palestras.] . o unigênito do Pai.. mas de seus pontos de vista sobre a Trindade [. tem procedido de am bos (do P ai e do Filho) p o r um a secreta em anação ou expiração. e E spírito Santo. • E le tem com unicado desde toda eternidade a sua própria D eidade ao seu Filho unigênito..) A má com preensão de alguns contem porâneos de Episcópio no tocante a doutrina da M onarquia do P ai (por isso tam bém a acusação de socianism o) recebe m aior relevo na seguinte narrativa de Calder: Festus [. flagrantem ente. nâo interpretas quase todas as passagens das Escrituras [. o Filho. senhor. igualm ente procede e em ana do Pai p elo Filho. disse: "mas senhor. respondeu Festus. estou totalm ente surpreso ao ouvir esta acusação. Dídim o.] também ao Espírito. a saber. nessas ocasiões você nunca me ouviu dizer qualquer coisa que estava em oposição direta às opiniões da Igreja? Ouvistes m inha oposição às opiniões de Socino? [. você vai negar que em suas palestras na faculdade.\A cusá-los de negarem a divindade do Filho com prom ete A tanásio.). o Cego (313 -398 d. gerado. • E também a outra pessoa. o Espírito Santo.. pois tens me honrado com sua presença em minhas palestras desde que estou na cadeira do p ro fesso r. • Uma destas pessoas (o Pai) divinas ou hipóstases da D eidade é sem causa e ingerada. • A outra pessoa tem a sua causa ou é gerada pelo Pai.] dirigindo-se a Epíscopius. Eis ai a Tríndadel Arm ínio e Episcópio. respondeu Festo. "Bem. deixam claras suas crenças em um a Trindade O ntológica.. Como vim os. Filho." "Não fo i isso". díssestes a Borrhius que eu tinha brava e sabiam ente defendido a divindade de Cristo em oposição aos que a neg o u . • E spírito Santo. A doutrina dos prim eiros rem onstrantes sobre a Trindade era ortodoxa." "Tenho acom panhado seus debates". Os Pais C apadócios como B asílio (330-379 d.. não há negação algum a.C.. e o Espírito Santo procedente do Pai e do Filho.

portanto.| Introdução ao A rm inianism o "Bem. segundo W alker. Conclusão Os rem onstrantes defenderam -se devidam ente de todas as difam ações apresentadas contra eles. Sendo assim . R econhecendo isso. senhor. teria dito: “ Senhores. pois a teologia estava vinculada à política. . na defesa da divindade do Filho. Festus não parou por aí. tenho que sustentar a divindade de Cristo dxx. Quando a reposta é satisfatória. p o r conseqüência.v Xeque-m ate! C alder diz que nesse m om ento. sentiu-se superado. M as o clim a do Sínodo de D ort se aproxim ava e ele era em inentem ente político. m as insistiu em tentar flagrar Episcópio em algum desvio interpretativo. não defendo a doutrina da Trindade? Para m anter a doutrina da Trindade. estou disposto e pronto a reconhecer sua validade. de sobrenome H om m ius. eu concordo. o Sínodo era inflexível a qualquer argum ento racional e piedoso e as opiniões dos rem onstrantes foram condenadas como heresia e eles subm etidos às m ais vergonhosas hum ilhações. o m inistro Festus.” clxxv Porém .

Carl Bangs m ostra a sua dim ensão para os calvinistas apresentando as seguintes palavras com um ente ditas: “O C alvinism o chegou. Amém Richard Watson / Introdução Nosso assunto agora é o famoso Sínodo de Dort. A história posterior da H olanda e das igrejas holandesas não p o d e ser adequadam ente com preendida fora do Sínodo. Para os calvinistas.'1'^ " Para estudiosos calvinistas com o De Jong. Segundo este último autor. pelo m enos. vento. palha. Holanda. Um sínodo é um a assem bléia eclesiástica convocada para deliberar sobre um assunto conflituoso ou nào. toda a assembléia. A esse respeito. Podem com por um sínodo tanto eclesiásticos como leigos. N este sínodo foram realizadas oitenta sessões. Outros sínodos já tinha ocorrido em Dott. Arm inius quase o arruinou.tortográfícas áobre o üúnotici bc © ort y O sínodo de Dort. esse sínodo é de grande valor histórico e religioso. um nó. Antes de apresentarm os um a historiografia sobre este sínodo. O Sínodo de D ort O Sínodo de D ort se reuniu na cidade de Dort (atual Dordrecht). doente. o Sínodo de D ort o restaurou”1'1''""1. /. Sua convocação foi feita pelo estadista geral da H olanda para discutir a controvérsia arminiana. A palavra “sínodo” vem do grego synodos que significa “cam inhar ju n to s” . o Sínodo é. a sessão. durante sete meses (13 de novem bro de 1618 a 9 de maio de 1619). avaliado de três m aneiras: 75 . a conferência. mas esse convocado para tratar da questão arm iniana foi mais notório ao ponto de ser denom inado de “o grande sínodo”cl' xvl. a im portância ultrapassa os lim ites eclesiásticos envolvendo o destino do Estado conform e exprim e De Jong.| Introdução ao A rm inianism o Capítulo 5 P rebeá ConètberaçÕesí ?|ts. entendam os o significado da palavra “sínodo” e o que é um “sínodo” . De Jong escreve: H istoriadores tem reconhecido am plam ente que o grande Sínodo de D ort (1618-1619) m erece ser lembrado como um dos dois ou três eventoschave na história dos Países Baixos.

assunto já abordado no capítulo três. valendo-se do contexto político do m om ento. em 1711. Som ente o p o d e r do príncipe (M aurício de N assau) ia l. os países envolvidos no conflito. ou seja.q j ra^acj0 jg Utrecht era um conjunto de acordos estabelecidos pelos países europeus depois da Guerra de Sucessão espanhola (1701-1714). Utrecht estabeleceu uma nova ordem europeia regida pela “balança de poderes”. em Restadt.ÜXXLX A princípio. trata-se do triunfo tem porário de um sistem a teológico severo e inflexível sobre pessoas am antes da liberdade que precisavam ser sufocadas. Segundo Olson.xxx A inda por Calder. as potências em litígio deram sinais de esgotamento e iniciaram contatos que levaram.00. p elo Tratado de Utrecht24. f o i dada liberdade p a ra regular os assuntos de religião da m aneira que mais conviesse aos seus interesses.c.html Acesso 14 ago. as pessoas podiam se identificar com a linha teológica que desejasse. firmado entre 1713 e 1715. Utrecht. de sufocar a diversidade do pensar teológico característico das Províncias Unidas. o Sínodo foi a tentativa de ura sistem a teológico rígido. o Sínodo foi um ato do Senhor de toda a história que m ostrou fa v o r ao p a ís protegendo sua unidade política e a integridade confessional da Igreja. tanto m onergistas quanto sinergistas eram representados nela. ainda. pois am eaçavam (supostamente) a unidade nacional. se dispuseram a firmar a paz. eram contra o Sínodo de Dort exatam ente por conta da autonom ia de cada província quanto as questões religiosas. M as.POR-971-4047-h. além disso. Para outros. um sistema de contraposição de forças antagônicas destinado a assegurar a paz. à paz. com exceção da Áustria.6674.Z w inglio R odrigues A lguns o consideram como um fen ô m en o tem porário do cenário da história holandesa. A Convenção de Fontainebleau (agosto de 1712) propôs o armistício geral. é com entada por Calder: A cada uma das províncias. mediante o equilíbrio militar. foram questões políticas os propulsores por trás das m udanças: _ A questão é que a igreja p rotestante holandesa anterior abarcava diversidade teológica. Em 1705. .br/bcoresp/bcoresp_mostra/0. mas o esgotamento econômico e militar tomou necessário colocar um fim na briga com os Bourbons em 6 de março de 1714. 2014. somos inform ados que três das províncias. em nossa opinião. definitivamente. H olanda e O veryssel.com. N estas. pelas razões dadas ao longo desse capítulo. e a mudança de atitude da diplomacia inglesa. Para outros. Utrecht firmou as bases do primeiro império britânico.” Disponível em http://klick. o que implicava o reconhecimento de Felipe V como rei da Espanha. A Áustria continuou a guerra. A garantia da diversidade teológica. após a ascensão de Carlos VI ao trono imperial. já que a Grã-Bretanha recebeu Gíbraltar e Menorca e obteve vantagens territoriais no continente americano. Mas. o que alterou esse cenário plural? As relações de poder.

Com o reinicio dos conflitos. Alemanha. Como resposta.chxx. cinco catedráticos de teologia dos Países Baixos. os C ontra-Rem onstrantes (calvinistas) apresentaram um docum ento contendo os cham ados Cinco Pontos do calvinism o. um grupo de presbíteros das igrejas holandesas. Os holandeses eram quase setenta. dezoito deputados dos Estados Gerais e 27 estrangeiros.dxxxi D epois da m orte de A rm ínio em 19 de outubro de 1609. a controvérsia que dividiu a nação continuou viva com os rem onstrantes que escreveram o Rem onstrance e o apresentaram em 14 de janeiro de 1610 aos Estados Gerais. R eceberam as cartas convite: • Rei Tiago da Inglaterra • D eputados das igrejas reform adas da França • E leitor do Palatinado e Brandenburg • Conde de H esse • R epúblicas reform adas da Suíça • D uques de Wetterau • República de G enebra • República de Brem en • República de Em den O teólogo calvinista H erm isten M aia apresenta a com posição do Sínodo com o segue: O Sínodo f o i constituído de 35 pastores. em 25 de ju n h o de 1618.u . conform e apontado no capítulo anterior. pois o m aior núm ero de delegados era da H olanda alinhado com os acusadores. tais como: Inglaterra. o Parlam ento convocou o Sínodo N acional para resolver o impasse. O Sínodo de Dort não foi ecum ênico. desde a Grã-Bretanha. mas também dos do resto da Europa. P o r isso estenderam convites a outras igrejas reform adas e um total de vinte e sete delegados apresentaram-se.clxxxi' G onzalez tam bém descreve a form ação do Sínodo: O p ro pósito dos estados gerais ao convocá-lo f o i conseguir o apoio não som ente dos calvinistas no pais. e com o p oder do estado p erseguir os sinergistas.Introdução ao A rm inianism o perm itiu ao partido m onergista controlar a igreja. Segundo Vance. protestante. a quarta pa rte de anciãos leigos e o resto m embros dos Estados gerais. de diversos p a íses da Europa. Suíça e A lem anha (os franceses não puderam assistir p o rque Luís X III os proibiu). os convites foram enviados a alguns estrangeiros solicitando a presença de seus principais teólogos para participarem do Sínodo na qualidade de delegados. França e Suíça. dos quais aproxim adam ente a m etade eram m inistros e professores de teologia.

V o l t a r e m o s à questão política m ais a frente.”clx’" lv Para Vance. U yttenbogaert e Armínio. apontam os que para Gonzalez o viés político ditou as coisas. que reuniu Bogerm an. posterior às nossas pesquisas. disse: “ Para que não dem orem os mais. Gom arus. sobre questões políticas locais. Em um episódio. Compareciam apenas quando cham ados p elo presidente sinodal. W ynkoop diz que 13 representantes dos arm inianos estiveram presentes. eles “estavam presentes apenas como acusados. Para presidir o Sínodo foi escolhido um calvinista rigoroso. M aurício tam bém queria resolver os problem as políticos e econôm icos que estavam dividindo a H o l a n d a . em 14 de janeiro de 3619. Bogerman perguntou ao rem onstrante Episcópio se eles iriam capitular e passariam a obedecer ao Sínodo. \ Im agine a fúria de Bogerman depois destas palavras. outras ações repugnantes foram cometidas: • Os rem onstrantes tinham uma sala anexa à p rincipal onde aconteciam as reuniões. antes foram os calvinistas que fizeram isso. Episcópio e dem ais rem onstrantes disseram não. A Bogerm an. R odríguez fala de 12 representantes. defensor da pena de morte para “hereges” . vociferando. A pesar da presença dos rem onstrantes. e instituí-los como os dois bezerros idolátricos em Dã e B erseba?dwv" . os remonstrantes eram retirados e decisões eram tomadas sem tréplicas. Vão em bora!’"’1''' Bogerman era um calvinista tão extrem ado que dizia ser necessário interpretar as Escrituras à luz do Catecism o e da Confissão. • Os rem onstrantes não escolheram seus representantes. a rigor. não tiveram assento. segundo W alker. A esse respeito. . depois de um mês de deliberações. vocês estão despedidos. Bogerm an considerava os remonstrantes com o heréticos e dem onstrava sem pre um a disposição iracunda com os “réus"'. Porém . Por exem plo: M aia disse que representantes franceses estiveram no Sínodo ao passo que G onzalez nega isso e aponta a razão. a presença dos delegados seculares em um sínodo eclesial indica a intenção de garantia de um resultado político esperado. De Jong apressa-se a dizer que Dort não foi uma assem bléia política. seguimos Rodríguez: “O propósito principal do Sínodo era condenar o arm inianism o. porém. A rm ínio respondeu: Como alguém poderia afirm ar mais claram ente que eles estavam decididos a canonizar estes dois docum entos hum anos. Tal com preensão foi pronunciada numa conferência.Z w m piio R odrigues Geralm ente as inform ações não são precisas. M ais adiante. Em ato contínuo. B o g cm an . antes de Dort. • Ao apresentar seus argumentos. O pano de fundo do concilio era. cham ado João Bogerman (1576-1637 ). A lém do absurdo da pena de m orte defendida e levada às últim as conequências por Bogerm an e pelo Sínodo.

um dos delegados presentes. De fato. M as houve quem dissesse: “Se algum a vez o Espírito Santo esteve presente em um C oncilio. que durante o curso dos procedim entos deste Sínodo. Ele escreve: O Sínodo de D ort fo i fo rm a d o para resolver a controvérsia nas igrejas reform adas da Holanda. ainda mais. n a prática as coisas não seguiram o rum o piedoso do juram ento acima. cham ados arm inianos ou rem onstrantes. e como sendo o P esquisador de todos os corações. E durante todas estas discussões. eu não usarei nenhum a com posição humana. mas só puderam se apresentar no Sínodo na vigésim a segunda sessão?cxc Incrivelm ente. ele esteve presente em D ort”clx“ ".t''u" Um grande núm ero de arm inianos? Quantos? W ynkoop diz 13. R odríguez 12.um sistem a teológico iniciado p o r ja c o b Arminius. professor de teologia na U niversidade de Leiden. Episcópio declarou: “O Senhor ju lgará entre nós sobre as artim anhas e m entiras que vocês prepararam para nossa acusação.Introdução ao A rm inianism o • Os rem onstrantes fo ra m intim ados a com parecerem como réus. Prom eto diante de Deus. mas som ente a palavra de Deus.”cxc" Interessante é o tom de im parcialidade. a p a z da Igreja. arrem atou: “(havia) alguns divinos. Então me ajude. “um grande núm ero” . com o estando p resen te neste lugar. M atthias M artinius (1572-1630). Ora. e especialm ente a preservação da pureza da doutrina. seus pon tos de vista fo ra m rejeitados (ênfase nossa). Um gran de núm ero de seguidores de A rm inius. N a últim a aparição dos rem onstrantes junto ao sínodo. ocasionada p elo aparecim ento do arm inianism o . que é uma infalível regra de fé . meu Salvador. Seus pontos de vista foram rejeitados? Eles tiveram a oportunidade de defenderem -se am plam ente apresentando-se diante do Sínodo apenas 79 . que exam inarei e julgarei. lisura e justiça que o teólogo calvinista A nthony A. não apenas os cinco pontos. somente objetivarei a glória de Deus. • A cassação do direito de voto dos teólogos arminianos. estava presente no sínodo. alguns diabólicos”clx>:xvm. mas também qualquer outra doutrina. • Os rem onstrantes fo ra m impedidos de expressarem diante de todas suas teses p o r diversas vezes. como tudo isso é possível visto as ações indignas acim a listadas e. estas ações claram ente injustas e ardilosas do Sínodo estavam sob o seguinte juram ento: . e todas as diferenças que deles resultam. H oekem a (1913-1988) tenta dar ao Sínodo. • Os rem onstrantes fo ra m obrigados a responder às indagações em latim. Jesus Cristo! E u lhe suplico assistir-m e p elo seu Espírito Santo!cxu Pelo visto. alguns hum anos. com o chegar a uma conclusão daquela lem brando que os arm inianos estavam sendo julgados. no qual creio e ao qual adoro. Tais absurdos denotam o quanto foi parcial e intolerante o Sínodo que estava próxim o de um a eclésia de m alfeitores.

O primeiro e o mais importante deles foi o de Trento. 2009. a posição do Concilio endureceu e se tomou extremamente hostil a Reforma. que se reuniu em três estágios distintos entre 1545 e 1563. que a caracterizou ate o século XX. O Sínodo de Dort foi um m assacre previam ente arquitetado. autoridades respeitáveis.. Após tentativas iniciais frustradas de incluir. a Igreja Católica convocou três concílios a que deu o nome de "ecumênicos”. os arminianos foram injustiçados ainda com a acusação de fazerem ressurgir o pelagianism o e sem ipelagianism o.]. WRIGHT. • N ão há mérito no hom em p a ra merecer a graça. • Centralidade da graça contra a vaidade e arrogância espiritual. vigésim a segunda sessão? O Sínodo foi m ontado apenas por um a questão pró-form a i de sagacidade. ainda que nenhuma outra igreja os reconheça. O reverendo C alder escreve sobre isso: A condenação f u i determ inada antes do Sínodo N acional [. • O livre-arbítrio ê aperfeiçoado p e la graça. • N ão há initium jidei (início da fé ) a p a rte da graça sobrenatural como propunham os m assüianos. No entanto. • L em brança da vontade livre do hom em contra a indolência espiritual. Contando com a presença de m inistros estrangeiros. alguns protestantes no encontro. e o fez de tal modo que conseguiu polarizar a Igreja de Roma.” (FERGUSON. . pois o veredito já era previsto. / 2' “Desde a Reforma.] montado. pelo menos.. buscavam legitim ar um a sentença elaborada e acordada anteriorm ente entre aqueles que estiveram à fre n te dos trâmites p ara a instalação do Sínodo. • A graça e o livre-arbítrio operam em conjunto. optam os por m ais um a ênfase de quanto é estapafúrdia a acusação dos críticos listando a seguir alguns esclarecim entos contidos na defesa apresentada pelos rem onstrantes.R. p. Esforços hum anos são inúteis. não tanto p a ra exam inar as doutrinas dos arminianos com o objetivo de analisar se eles eram dignos de tolerância e indulgência.icngues r. mas para denotar um certo ar de solenidade e ju stiç a [.. • N ão há perseverança p a ra o bem sem a graça especial. Trento teve seu tempo todo tomado na definição e regulamentação das doutrinas e práticas católicas que os reformadores haviam atacado. levando-a a uma Contrarreforma.. Entretanto.26 O capítulo um dá conta de desconstruir essa falácia calvinista do passado e do presente.. 212) ' 6 Lei em anexo b. seguidores de João Cassiano.. os rem onstrantes apresentaram um a defesa robusta e convincente. Além do exposto até aqui no tocante a falta de ju stiça em Dort. C alder diz que os arm inianos estavam bem inform ados." l'v O autor com para as articulações do Sínodo de D ort com o Concilio de Trento (1545-1563)25 que decidiu a causa protestante antes de exam iná-la. A esse respeito.

Quando R oterdã optou p ela posição remonstratense. Mas. Amsterdã. Já as cam adas m ais pobres se opunham . descreve M aurício de Nassau: . Como o m ovim ento rem onstrante recebia crescente apoio..j Introdução ao A rm inianism o Desse conjunto de esclarecim entos quanto a pontos de fé.CXCV1 M aurício de N assau era um hom em de caráter duvidoso. Assim como as províncias m arítim as apoiaram João Barneveldt em sua oposição ao poder crescente de M aurício de Nassau. enquanto M aurício era a fa v o r dos Gomaristas. A m aioria das províncias marítimas. de 1688. portanto. apoiaram o Calvinism o rígido de Gomarus. assum iu a posição oposta. bem como aqueles das ilhas que viviam da p esc a . pois a coesão política e a supressão da diversidade política deveriam ser estabelecidas. D e qualquer form a. não dá para extrair nada pertencente a Pelágio e ao sem ipelagiano João Cassiano. e seu trabalho H istory o f the Revolution o f E ngland (H istória da R evolução na Inglaterra).CXLV N a H olanda era debatido como deveria ser a relação com a Espanha. ressentida. apoiaram as incursões de Gom arus e N assau para condenar e frear o arm inianism o tanto em seu aspecto políticoeconôm ico quanto teológico. [. citado por Calder. pois elas não desfrutavam da m esm a prosperidade e. portanto.] a controvérsia fic o u envolvida num conjunto de questões políticas e sociais. em 1618. A s classes baixas rurais. Sir Jam es M ackintosh. N assau tratou de filiar-se aos cultos da igreja gom arista juntam ente com toda a corte. A oligarquia desejava m anter relações abertas com os espanhóis para favorecer as transações com erciais. e especialm ente a burguesia. conform e dissem os. com o já dem onstram os no capítulo um. os arminianos contaram com o apoio de Barneveldt. o Sínodo tinha um indiscutível viés político e econôm ico que exigia um a solução im ediata para a disputa e. M aurício de N assau e seu partido tinham consolidado seu poder. Ele é descrito por C alder com o despótico e um hom em de rancor político. Voltando à discussão política. e fo ra m acom panhadas nesta posição p o r diversos estrangeiros exilados p a ra quem a p u reza da f é era essencial.. tomaram a p o sição arminiana. e. Definitivam ente. o Sínodo já tinha deliberado condenar a teologia arminiana. C entralizar o governo e operacionalizar um a política eclesiástica presbiteriana eram as intenções. quando o Sínodo de D ort fo i convocado estava claro que ele condenaria a posição rem onstratense. portanto. que era num erosa e poderosa naquelas províncias. G onzalez vai direto ao ponto e explica em tom o de quais questões girou o debate depois da publicação do Remonstrance'. explicações teológicas não precisavam ser entendidas. os epitetos ofensivos não cabem nos rem onstrantes nem em Armínio. que há muito era su a rival.

Porém. na tentativa de conseguir o apoio político dc O ldetibam eveldt. 2014 . o filh o mais velho de William. M aurício também queria resolver os problem as políticos e econôm icos que estavam dividindo a H o la n d a f xcv"’ A im agem ' a seguir ilustra o peso do viés político predom inando em Dort. ultrapassou seu pai em gênio m ilitar. O Sínodo de Dort foi o instrum ento da vingança de M aurício de Nassau. resolveu alinhar-se abertam ente ao partido calvinista e ju n to com os gom aristas conseguiu ascender ao poder. sem o qual suas aspirações políticas ficariam am eaçadas. "' Disponível em http:Ver). m as fic o u aquém dele no toccmte ao dom ínio próprio (tem peramento) e princípios.Z w inglio R odrigues Maurice. virtudes mais importantes e indispensáveis p a ra o líder de um estado livre.jpg Acesso 27 nov. depois de um estratagem a frustrado usando a viúva Princesa de Orange. diz Calder.wikipedia. R odríguez comenta: O propósito principal do Sínodo era rechaçar e condenar o arminianism o.''"" M aurício de Nassau.org/wiki/File:Allegory_of_theological_disputeAbraham_van__der_Eyk-MBA_Lyon_Hl 151-IMG_0428.

o arm inianism o não teria sido banido. 83 . ou a cada um em particular. se houvesse um concilio de espíritos imundos reunidos no inferno. e valendo-se destes para um fim religioso. C inco Pontos Calvinistas Inglês Totkl Depravity U nconditional Election L im ited A tonem ent Irresistible Grace P erseverance o f the Saints Tradução D epravação Total Eleição Incondicional Expiação Lim itada G raça Irresistível Perseverança dos Santos Q uadro 4 Esses Cinco Pontos não adm item as teses extrem as de G om arus. sociais e econômicos.LXC.” (RODRÍGUEZ.acrônim o. sem qualquer consideração pelo pecado. N o entanto. o Sínodo de Dort (1618-1644) condenou os rem onstrantes e estabeleceu a doufrina reform ada dos Cinco Pontos . Apenas com a ajuda e os interesses políticos do Príncipe é que o arm inianism o foi considerado heresia. notam os a espada do Príncipe M aurício dando m aior pessoa às obras de Calvino o que significa que enquanto o calvinism o contar com o apoio de M aurício. ao inferno p o r nenhum a outra razão senão a m era vontade de Deus. para aprender sua opinião sobre o meio m ais p rovável de incitar o ódio dos homens contra Deus seu Criador. assim com o a d e ser condenado. ou que poderia colocar uma afronta m aior sobre o am or de D eus pela humanidade. nada poderia ser inventado p o r eles que seria mais eficaz p a ra este propósito. a questão anniniana estará fadada ao desterro. N J. que eu estou persuadido que. em inglês em 23 de abril de 1619. Parece que primeiramente foi usado em 1905 pelo Reverendo Cleland Boyd Mcafee. e seu príncipe o diabo fosse colocar a questão a todos eles em geral. tam bém um m em bro do Sínodo. T U L IP*. 263).Introdução ao A rm inianism o Esta im agem representa as obras de Arm ínio e dos R em onstrantes sendo postas na balança para serem contabalanceadas com as obras de Calvino. em uma conferência da União Presbiteriana. a necessidade de pecar. do que esse infam e decreto do recente Sínodo.X 28 "Não se sabe cora segurança a origem do acróstico TULIP. p. O cupando-se com aspectos políticos. V ejam os os Cinco Pontos dispostos no quadro a seguir. 2013. p ela qual a im ensa m aioria da raça hum ana é condenada. Caso não fossem as controvérsias com erciais. e a decisão dessa detestável fórm ula. Do lado direito. estando fixa d o sobre eles p o r esse grande prego do decreto previam ente m encionado. Vance diz que esse desfecho doutrinário de Dort deixou o Rei Tiago da Inglaterra perplexo a tal ponto de se expressar do seguinte modo: E sta doutrina é tão horrível. Newark.

Van O ldenbarnevedelt fo i declarado culpado de traição e em 14 de maio f o i decapitado. Im ediatam ente depois do Sínodo de D ordrecht tomaram medidas contra os arm inianos e seus partidários. não tem am paro patrísticcre foi rejeitado pelos rem onstrantes seguindo m ais um a vez a Arm ínio. p o d e escapar e fu g ir em 1621. Os calvinistas rígidos. também f o i exigidoa aceitarem form alm ente as decisões de Dordrecht. A os que insistiam em continuar pregando f o i determ inada a p risã o perpétua. m as deliberou favoravelm ente ao infralapsarianism o que. Dort.. N o tocante a sentença e execução de O ldenbarneveldt. Os Cinco Pontos serão contraditados nos capítulos 6.. descrevem o resultado do Sínodo. Im ediatam ente depois do Sínodo. não adotou as ideias supralapsarianas de Gom arus. Grócio f o i sentenciado à prisã o perpétua. dentre os quais Gom arus. Para se assegurarem de que os m inistros não ensinassem doutrinas arminianas. Contase que um deles com entou que não sabia como tocar no órgão os cânones de D ordrecht. A queixa acim a é voltada para a doutrina da predestinação fixada. os rem onstrantes esperavam ser reconhecidos com o iguais e que o sínodo ocorresse com espírito de fraternidade. por sua vez. que o escondeu em um baú grande. Em alguns lugares se chegou a exigir dos tocadores de órgão uma decisão sem elhante. m ais notadam ente o príncipe M aurício de Nassau. com eçaram as represálias e perseguições dos remonstrantes. m as não f o i assim. m esm o considerado um calvinism o m oderado. com a ajuda dos regentes das Províncias Unidas.cc Q uando o Sínodo de D ort se reuniu em 1618. 7 e 8 quando tratarem os dos Cinco Artigos Rem onstrantes. Gom arus conseguiu convencer Nassau de que o calvinism o representava proteção m ais segura contra a influência do catolicism o espanhol que se espalhava pela Europa. 80 fo ra m exilados. condenaram em Dort os rem onstrantes. Líderes políticos tiveram seus bens apreendido. respectivam ente. quase 70 fizera m um acordo p ara deixarem seus m inistérios e guardarem silêncio. po rém com a ajuda de sua esposa. com seus Cinco P ontos. supostam ente cheio de livros. leiamos a narrativa de C alder sobre os últim os m om entos do ancião remonstrante: . Vejam os como G onzalez e R odríguez.Z w inglio R odrigues A decisão doutrinária do Sínodo desagradou sobrem aneira ao Rei Tiago que enviou delegados para Dort. Quase uma centena de m inistros de convicções arm inianas f o i banida e outros tantos fo ra m privados dos púlpitos. Um total de 200 ministros arm inianos fo ra m depostos de seus cargos. Os leigos que assistiam aos cultos arm inianos corriam o perigo de ter que p a g a r pesadas multas.

como um verdadeiro patriota". visitar suas casas. e. 13 de maio de 1619." A joelhando-se p ara receber o golpe fatal. em seguida. visto que o Sínodo estava sendo m ontado para exam inar os pontos em disputa [. finalm ente. Mas. em seguida. ele orou p o r um tempo. Pois. eles violaram a sua palavra. ajoelhando-se. e. p a ra servir como o selo de sanção dos trabalhos do Sínodo. apoiado em seu cajado.I Introdução ao A rm inianism o Na m anhã seguinte.]. em bora tivessem fe ito a prom essa acima. levantou-se e começou a preparar-se. p elo contrário. a sentença fo i lida [. como os príncipes católicos fizeram com John Huss. prometeram. ajoelhando-se sobre as tábuas ásperas.]. E assim caiu este ilustre estadista e cristão? ' " Houve m uita com oção por parte das pessoas que assistiram a execução. perguntou: "Será que não há almo fada ou banquinho p a ra que eu m e ajoelhe? " e. Senhor. ao apontar p a ra o carrasco: "Esse homem não p recisa me tocar. levantando as m ãos p ara o céu. ocorreu mesmo com a garantia de que nenhum m al séria infringido a eles. "Bons cidadãos. mas. p o r meio de seus deputados. fo ra m banidos do país como c r im in o so s..] que term inava assim: "John O ldenbarneveldt sairá p a ra o local da execução. o último ato dessa tragédia foi realizado com o assassinato da vítima inocente.. ele se dirigiu ao povo." Ele recebeu esta sentença de morte [. dizendo. Então. e levantando-se da assento f o i im ediatam ente conduzido através do grande salão p a ra o cadafalso. que nenhum dano físic o deveria ser infringido a eles. não lhes perm itiram sair de Dort.. não acredito que m orro com o um traidor. Pai.^ 85 . e apoiado p o r seu servo. mas sendo informado pelo presidente que ele deveria subm eter-se a sua sentença. e continuou a dar-se com a m esm a grandeza e serenidade em seu caminho p a ra o cadafalso. e seus bens serão confiscados.. disse: "Cristo é o m eu guia.. f o i quando o carrasco deu um golpe só em sua cabeça. Ele nâo tomou conhecim ento de nenhum deles quando passou. Trazido à presença de seus juizes. Leiamos C alder novamente: ' ' Os Estados da Holanda. ” Estas últim as palavras ele pronunciou com uma voz fr a c a e sem blante abatido.. exclam ando em voz alta. A sala estava cheia de seus am igos e conhecidos.] com um sem blante destemido.. e disse: “Eu estava com boas esperanças de que vossas excelências [. nas tuas m ãos entrego o m eu espírito”.. mesmo quando na ocorrência das aflições fa m ilia res mais urgentes. terá a cabeça cortada p ela espada da justiça. ou em caso cie morte [.] perm itissem que meus bens ficassem para m inha esposa e filh o s. Outro rem onstrante foi decapitado publicam ente00"1. Quando chegou lá. Incrível! Tudo isso.. tem piedade de mim. verbalm ente. retom ou a sua firm eza..

a Igreja R em onstrante foi oficialm ente . persistir na violação com prisão ou banim ento da cidade. à seguinte regra evangélica: "O que quereis que os hom ens vos façam. a piedade cristã. fazei-o tam bém a eles” (Lc 6:31) D esconsideraram toda e qualquer ética da reciprocidade. apontam os aquelas atrocidades em tom de total desaprovação porque as com param os com as Escrituras. Aqueles cristãos tinham as Escrituras em m ãos e sim plesm ente a desconsideraram no tocante. Sucedendo a seu irmão M aurício. O notável pesquisador Dave Hunt (1926-2013)..LC> O poder político e o prestígio social parecem ter fom entado na Igreja cristã e em alguns de seus personagens. blasfêm ia ou idolatria com a morte. foi preterida por Calvino e o Sínodo de Dort. Em 1630 foi-lhes concedido liberdade para seguir sua religião em paz. cujos preceitos e m andam entos são perenes. N ão incorrem os no equivoco do anacronism o. Os relatos nos m ostram com o as Escrituras foram abandonadas. 2 Coríntios 3:17: “Ora. N os anos de 1558-1559 houve 414 processos p o r ofensas m orais. entre 1542 e 1564 houve 76 banim entos e 58 execuções.. não na Igreja Reform ada. com tendências imorais fo ra m banidos. pois não estam os retratando aqueles contextos distantes partindo de um a análise calcada em nosso tem po e sem levar em cosideração o contexto e os costum es. D esconsideraram Escrituras com o Zacarias 4:6: “Não por força nem p or poder. Em 1795. para construir igrejas e escolas. . fa la r desrespeitosam ente de Calvino ou do clero era crime. Claro que as proporções devem àer observadas. um a obssessão pela perseguição e im posição de padrões doutrinários estritos. H. adultério. M as. As Escrituras são o fundam ento da nossa crítica. Fornicaçào era p u n id a com o exílio ou afogam ento. a população de G enebra era na época de 20. uma criança f o i decapitada p o r agredir seus pais. por conseguinte. onde está o Espírito do Senhor. e.. Lamentável! A pós a m orte de M aurício de N assau em 1625 os rem onstrantes receberam tolerância pelo país. mas p e lo m e u Espírito. diz o Senhor dos exércitos” . em seu artigo O Lado “B ” do Calvinismo escreveu: Censura de im prensa f o i usada e am pliada sobre os Católicos e precedentes seculares: livros. mas.. De acordo com o historiador luterano J. historicam ente falando.000 p essoas. Frederick Henry (1584-1647) concedeu aos rem onstrantes exilados o direito de retom arem 00''1'. violações posteriores com multas. o Senhor é o Espírito e.CCV1 Calvinistas em Dort seguiram C alvino à risca nesse ponto. pelo m enos.Z w inglio R odrigues Esse teatro de horrores nos faz voltar à G enebra de Calvino. K urtz (1809-1890).. a liderança de Calvino em G enebra inaugurou “um reinado inquisitorial de terror” . ali há liberdade” e M ateus 5:44: Am ai aos vossos i n i m i g o s A lei do amor. A prim eira violação dessas ordens era punida com uma advertência. sinal inconteste da m ais profunda espiritualidade. o espírito de violência é o m esm o.

Assim. As Igrejas Batistas G erais de John Smyth e Thom as Helwys. incorporando-o à teologia inglesa p osterior do anglicanismo. Episcópio. em 1612. C alder corita que os rem onstrantes eram recebidos de modo côrtez por 87 . pós Dort. consoante Calder. a evolução do arm inianism o. 11a Am érica. Tilenus (1563-1633). Thom as Goad (1576-1638) clérigo inglês e Daniel. depois de suspensas as infam es decisões contra eles. teólogo inglês. mais que isso: o poder político despótico logrou êxito. foram influenciadas pelo arm inianism o através dos m enonitas em Am sterdã. O arm inianism o tam bém triunfou em B randenburg.| Introdução ao A rm inianism o reconhecida e perm anece até o dia de hoje. O historiador R oberi H. é a “conversão” de alguns calvinistas ao arm inianism o. Tilenus. Frankfurt em 1631 e 1635 e foi am plam ente divulgado. M as. Nichols atesta isso: “ Mas o ensino destes foi vitorioso na H olanda e se espalhou por toda a Inglaterra e. a saber: o banim ento de lideranças políticas arm inianas e a asfixia da liberdade religiosa. século XIX. depois. foi possível devido os esforços de H. representada no Sínodo. M ovim entos restauradores com o as Igrejas de Cristo. ”cc' O teólogo Francisco Lafarga Cueva (191 1-2005) com enta o alcance do arm inianism o pós a forte e contundente resistência do Sínodo: Os teólogos ingleses fo ra m receptivos cio aim inianism o. recusaram subscrever o Sínodo. entre outros. tam bém adotaram a teologia arminiana. Hugo Grócio. tam bém não subscreveu o Sínodo. escreveu um trabalho defendendo os rem onstrantes da acusação de pelagianism o. Estes acontecim entos pós-m orte do Príncipe M aurício de N assau confirm am que o Sínodo alcançou resultados esperados pelos calvinistas rígidos.ccix ~ A pesar dos efeitos do Sínodo terem sido desfavoráveis aos arm inianos. A Rem onstrance foi publicada em Leiden cm 1629. o arm inianism o fincou raizes na Holanda e extrapolou fronteiras. professor e ex-calvinista rígido negaram o calvinism o e aderiram ao arm inianism o. A Inglaterra. Bremen e Genebra. Segundo Kevin Jackson00'". o que favoreceu sua divulgação universal de modo e f i c a z ‘A! A perseguição e os decretos de D ort não foram capazes de deter o arm inianism o. Enfim. Poucos opositores do arm inianism o clássico sabem disso. conform e m encionado acim a. John Hales (1584­ 1656). U m Sem inário Teológico R em onstrante foi fundado em Am sterdã. Quatro províncias da Holanda. Uyttenbogaert. Olson registra as seguintes palavras de um historiador m oderno: “o m odo dc [o príncipe] M aurício tratar os estadistas arm inianos só pode ser considerado um dos grandes crimes da H istória” . um acontecim ento espetacular em meio a essa batalha política.. como do metodismo. diante do apoio popular ao arm inianism o. com algum viés eclesiástico e que obscurece as páginas da história eclesiástica. todas as acusações contra os arm inianos foram suspensas e ficaram no p a p e l . Os m enonitas aderiram ao arm inianism o. o arm inianism o triunfou e Os Cinco Artigos Arm inianos foram m antidos. com Episcópio e Hugo Grócio (1583-1645) entre os seus prim eiros professores. N a Holanda. Sobre os crim es do príncipe M aurício de N assau contra os arm inianos.

stramen. enquanto a causa deles ainda estava pendente. eles eram recebidos com muita gentileza e cortesia pelos teólogos estrangeiros. ou melhor. removidos de suas igrejas. ccx‘" C onsideram os esses acontecim entos com o resultados da obra do Vento (Jo 3:8) soprando de m odo livre e indicando reprovação a tanta ingerência do mal em um infeliz Sínodo. (D ordrechti synodus nodus. teólogo arm iniano do século XIX. a lu z) C onclusão Bom . palha. Amém. fica registrada essa sintética historiografia. A m e n . um nó. chorus integer. ventus. a história é longa e. Para encerrar. Para encerrar esse capítulo. vento. doente. Evidente que esse trabalho não pode com portá-las. toda a assembléia.Z w inglio R odrigues m uitos teólogos estrangeiros no Sínodo e se indignavam com o tratam ento dados aos arminianinos: Geralm ente. tom am os por em préstim o o lem a de Calvino: P ost Tenebras L u x (Depois das trevas. antes de ser levado perante o Sínodo. repleta de variantes. aeger. transcrevem os novam ente as im pressões de R ichard W atson. a sessão. M uitos desses senhores m anifestaram desagrado ao ouvir que os Rem onstrantes fo ra m depostos dos seus ministérios. M as. Conventus. a respeito do Sínodo de Dort: _— O sínodo de Dort. sessio. a conferência. claro.f .

iParte 3 ©outrinaá Hntuntanasí .

Introdução ao A rm inianism o Capítulo 6 &rtígosí íRemonsítranteá dBletção.e. p o r meio da sua graça preventiva [i. Artigo I o Jesus Cristo morreu por todos os homens. Ali nós propusem os. Cxptação Hílímítatia c pketoes Jfunfcamentações P tb ltta s Deus decretou salvar aqueles que irão crer em Jesus Cristo e perseverar na fé. Artigo 2° Introdução A partir desse capítulo passam os a um a discussão dos Cinco Artigos rem onstrantes apresentados no capítulo quatro. Prim eiro A rtigo: D eus elege ou reprova com base na f é ou na incredulidade prevista s. creriam e perseverariam p o r meio de sua graça subseqüente. e nos capítulos sete e oito. explicar o quê e quais são os A rtigos. deixando rio pecado os incrédulos para serem condenados. brevem ente. os rem onstrantes se fundam entaram nas seguintes palavras de Armínio: Deus determ inou salvar e condenar certas pessoas em particular. precedente]. Este decreto tem seu fundam ento no pré-conhecim ento de Deus. a finalidade da elaboração deles e o im pacto causado nos chefes das Províncias Unidas e nos calvinistas. proporcionando redenção se alguém crer nele. por um a breve incursão historiográfica. pelo qual ele conheceu desde toda a eternidade aqueles indivíduos que. de acordo com a adm inistração anteriorm ente descrita daqueles meios que são adequados e próprios . Já aqui.. No que tange a esse artigo. os sustentarem os com análises bíblicas. 1. associarem os cada artigo a A rm ínio e.

tom a-se um eleito. Significa ‘o que inspira reverência” ’. Ia Jo 4:7­ 8. m as. Rm 8:35. dá-se a eleição. C alvino ensinou a dupla predestinação: “Deus ordenou desde a eternidade a quem quer abraçar em am or e exerce sua ira contra quem quer. a teoria é horrível e causa espanto.] trata-se de um decreto horrível. exclam ou: “decretum horribile!29" . Eleger arbitrariam ente uns para a salvação e o utros^paralfpeíH íçlo nega aquele atributo moral divino. . segundo a presciência de D eus Pai A prognosis (presciência) divina "sabe de antem ão (Rm 8:29) quem responderá com arrependim ento e fé à obra do Espirito Santo no m om ento da"pregação do Evangelho. mas seus argum entos não passam de pontuações sem ânticas. segundo Calder. assim. em obediência de fé. No entanto. vivem se perguntando se são ou não eleitos. N ão existe seleção de algum as pessoas para a salvação nem para condenação. confesso!” . ( o arm inianism o clássico acredita num a eleição incondicional. A eleição é condicional à resposta do hom em e depende da presciência divina que antevê a fé. N esse instante.10).. que seria uma causa ou condição previam ente requerida ao homem p a ra ser 1t ■ 1 c c x v ii escolhido..ccxv Decorre desse com entário a ideia da salvação do hom em não porque ele é um eleito. e. Tillich. Deus é Todo-amoroso e por isso am a a todos (Jo 3:16. o decreto de salvar alguns leva ao decreto de condenar outros. mas. 29 “Em latim horrível não significa horrível. 2a Co 5:14.[Em Calvino. Rm 5:8. Ela é irreconciliável com o Deus que é am or (1 Jo 4:8). a glória de Deus substitui o am or de D eus.Z w inglio R odrigues p a ra a conversão e a fé. conhecedores de tal doutrina.” ) Em resposta ao artigo rem onstrante.38-39. A dupla predestinação calvinista é um terror para aqueles que. santidade ou qualquer boa qualidade ou disposição. É tendo p or base a presciência que Deus predestina ou elege indivíduos para a salvação ou perdição. p o r esse mesmo pré-conhecim ento. porque recebe a Cristo com o Senhor e Salvador e. ele sem elhantem ente conheceu aqueles que não creriam eperseverariam . anota: “ [.”00*''"' Assim está negada a universalidade do am or de Deus. Os rem onstrantes repercutiram A rm ínio conform e o A rtigo I o: “Deus decretou salvar aqueles que irão crer em Jesus Cristo e perseverar na fé. (Quanto a pessoas específicas. A resposta calvinista não faz ju s à I a Pe 1:2: “eleitos. Podem os apontar com o exem plo desta incom patibilidade a negação da onibenevolênciacc™ de Deus.jA dupla predestinação é tão chocante que Calvino. o Sínodo de Dort concluiu: E sta eleição não é baseada em f é prevista. Inexoravelm ente.ccx'x Há calvinistas que negam a dupla predestinação. T t 3:4-5. citando Calvino. a eleição é sempre condicional ao uso que os hom ens fazem dos m eios de graça. efetivam ente. deixando no pecado os incrédulos para serem condenados. isso no tocante ao povo de D eus. Arm ínio negou a doutrina da eleição incondicional que é incom patível com o caráter de Deus.

LÍ1X> Esse é um caso de duplipensar. defendam que a m ensagem do Evangelho pregada pelos calvinistas seja bem intencionada. D adas essas razões.Introdução ao A rm inianism o O artigo rem onstrante em foco condiz m ais com o caráter de Deus e dá à hum anidade o conforto de que m esm o estando todos perdidos. isto é. recebem o Filho com o Senhor e Salvador. pois. \ Os rem onstrantes disseram o seguinte no Sínodo de Dort: “A quele que Deus cham a para a salvação ele cham a seriam ente (serio vocat). com o anunciar sinceram ente o Evangelho para quem em hipótese algum a. N esse últim o caso. é para todos. É contraditório crer nas doutrinas da eleição incondicional e expiação lim itada e ao m esm o tem po ensinar que “a graça de Deus se m anifestou salvadora a todos oshom ens” (Tt 2:11). discordam os desta defesa. também insistem que D eus sinceram ente tem boa intenção na oferta da salvação a todos os hom ens. caem nessa contradição ao tentarem harm onizar essas doutrinas. poderá experim entar os benefícios de seu poder? Algum as razões que fazem do sistem a arm iniano clássico um portador do anúnico bem intencionado do Evangelho são as seguintes: • A oferta do Evangelho é universal. O calvinista Herm an H oeksem a (1886-1965) censura: E les professam crer que a expiação é limitada. sem hipocrisia. am ável e justo. por determ inação divina. 4:10. Tanto o calvinism o supralapsariano. com intenção sincera e desejo de salvar com pletam ente. cham ando-os seriamente (serio vocantur). • D eus deseja que os ouvintes (todos) do Evangelho sejam salvos. pela fé. p o r outro lado. posto está que apenas o arm inianism o clássico pode anunciar o conteúdo de Ezequiel 33:11. o sacrifício alcança àqueles que. Em bora os Cânones de Dort.”ccxx Isso porque os rem onstrantes criam na eleição condicional e não na dupla predestinação calvinista. A nthony H oekem a reconhece: . Apenas ela faz da apresentação do Evangelho um a oferta sincera. I a Tim óteo 2:4. como o infralapsariano. de fato. quando na verdade Ele só salvará os eleitos. conform e as E scrituras acim a. não passa de jogo de cena. • A pregação do Evangelho é graça p a ra todos perdidos. conceito pensado pelo escritor inglês Goerge Orwell (1903-1950) e que significa m anter na m ente duas crenças contraditórias. Capítulo H ~íFtTgõ~5'‘. 2a Pedro 3:9 sem incorrer em encenações. Tito 2:11. • A eleição é condicional e a expiação é ilimitada. Jesus é o eleito e nEIe Deus elege aqueles que Ele anteviu expressarem fé em Seu Filho posteriorm ente ao arrependim ento dos pecados^A doutrina da eleição na perspectiva arm iniana clássica é a única que pode apresentar D eus com o sendo bom. e que Cristo morreu só p elo s eleitos. pois afirm ar que Deus deseja salvar a todos. ainda assim.

Alhures. mais um a vez os quatro decretos. Salvador.ÍLXX“ Bom . esse é um conflito desnecessário. ele está dizendo: “desça do m uro” . o teólogo calvinista V incent Cheung disse que essa tentativa de conciliação. Cristo não é um m ero instrum ento que concretizará o decreto abstrato de eleição. E deste prim eiro decreto divino que em erge a doutrina da predestinação de Arm ínio. M as. continuarem os a m anter nossa crença em am bas as doutrinas.Z w inglio R odrigues Urna vez que a Bíblia ensina tanto a eleição eterna quanto a boa intenção da vocação do evangelho. é crer com o um calvinista e pregar com o um arminiano. Leiam os A rm ínio novam ente: O prim eiro decreto absoluto de Deus. m esm o que não possam os reconciliá-las em nossa m ente fin ita . Em outras palavras. Redentor. que pode destruir o peca d o p o r sua própria morte. desnecessária. em form ato de diagrama. agora. . p o d e obter. R elem brando uma questão im portante: no sistem a arm iniano clássico. é que E le decretou designar seu Filho Jesus Cristo p o r M ediador. m as Ele é a razão da eleição. Sacerdote e Rei. a salvação que havia sido perdida. e po d e com unicá-la p o r sua própria • * c c x x iii virtude. Isso é sofrer m entalm ente por nada. para fins didáticos. pois as Escrituras não corroboram com a expiação lim itada nem com a eleição incondicional. seguem. concernente à salvação do hom em pecador. Os três decretos seguintes já foram apresentados anteriorm ente. p o r sua obediência.

oc^nlr!COt P °b « » * • com Jesus Cristo. cr*8. p rin cip al «faS! ^ ^ « ^ ^ ^ >eiy . Fundamentos deste decreto. sujeito sublime por KaHBarthf * e 'eÍÇâo d™ a * descrita de modo Sobre J e s m C™ t°. nada sabem os com m aior certe~a e Pm t u ^ a essa .I Introdução ao A rm inianism o PRIMEIRO DECRETO Nomear Jesus Cristo como SEGUNDO DKf R FT o TERCEIRO DEÇRFTn Eleição Repxovaçãn Administrar os meios QUARTO DECRFTn Salvar e condenar certas pessoas.

ou vocação.. depende da resposta em arrependim ento e fé de quem ouve o Evangelho: “ [. “nos predestinou (indivíduos)” (E f 1:4-5. B reve fu n dam en tação bíblica do prim eiro artigo de f é rem onstrante. Os atos livres das pessoas em aceitar ou rejeitar a graça de D eus são levados em conta (Lc 13:34. “senhora e le ita ” e sua “irmã e le ita ” (2a Jo 1.. 14:2. Rufo. Este decreto tem seu fundam ento no pré-conhecim ento de Deus. A respeito da eleição corporativa. A “eleição’7 é um decreto divino anterior á salvação e depende totalm ente da livre e soberana expressão da m isericórdia de Deus: “não me escolheste vós a m im .] arrependei-vos e crede no Evangelho” (M c 1:15).. reiteram os. mas é um a eleição para a salvação. . Deus elege antevendo a resposta de fé e a perseverança. Deus é a causa eficiente da eleição. em Rom anos 16:13 é identificado com o um “eleito” . não apenas isso.13). O apóstolo Pedro escreveu: “eleitos.x 2. a eleição e a reprovação (não entenda “reprovação” com o um a preordenação para a condenação) no sistem a arm iniano clássico se relaciona com a doutrina da presciência cognitiva divina que antecipa o conhecim ento de Deus quanto aos pensam entos e ações das pessoas. 11). da revelação de nós m esm os como filh o s de D eus. A teologia arm iniana clássica reconhece isto tanto no sentido de um a eleição de com unidades (Dt 7:6. Esse pensam ento não pressupõe que D eus seja surpreendido pela decisão de alguém. conform e dem onstração im ediatam ente acima. O arm inianism o clássico sustenta que Deus determ inou salvar e condenar certas pessoas em particular. Porém . N o N ovo Testam ento a eleição dos crentes é apresentada de m odo individual ou coletivo. sendo esta últim a o sentido m ais elevado que as Escrituras dão à eleição. Paulo escrevendo aos Rom anos diz: “porque aos que dantes conheceu [. A eleição individual pode ser vista em expressões como “D eus escolheu vocês (pessoas) para a salvação” (2a Ts 2:13). Soberanam ente ele decreta. N esse sentido. Expressões com o “raça ele ita ’’ ( I a Pe 2:9). A t 13:17) e eleição de indivíduos (Rm 16:13. ela é para um serviço. Com o indicado. V incular eleição à presciência não supõe causalidade visto que D eus não necessita predestinar para conhecer previam ente.] E nele que a eleição eterna se converte im ediata e diretam ente na prom essa da nossa eleição. nesse ato de livre obediência e p o r meio dele. apenas. mas envolve indivíduos.ccxx. concluím os que a eleição nâo está restrita a um plano im pessoal. para o anúncio das boas novas. refletem essa eleição coletiva.]” ( I a Pe 1:2).]’’ (Rm 8:29). do consentim ento p o r nós concedido p a ra a intervenção a nosso fa vo r... mas.. conform e dissem os. assim com o Israel no Antigo Testam ento. pois Ele é onisciente. A presciência divina envolve tudo. ou seja. um a especulação filosófica. segundo a presciência de Deus pai [. decretada que fo i no tempo do nosso chamado.. O decreto arbitrário proposto pelo calvinism o não é uma doutrina bíblica.Z w inglio R odrigues eleição se dá na eleição de Jesus Cristo e p o r meio dela. At 7:51). para a fé .. 13). Como a eleição é por presciência. p o r obra de Seu Filho [. 2a Jo 1:1. ela é condicional. mas eu vos escolhi a vós” (Jo 15:16).

265) ~97~ . o desígnio de Deus. N ão é de se adm irar tal resistência quando voltam os aos capítulos 5:17 a 6:11 onde eles 30 Uma explicação clara e objetiva do conceito de soberania de Deus nos é dada por Andrade: “Autoridade inquestionável que Deus exerce sobre todas as coisas criadas. D iscordam os. por conseguinte. a eleição incondicional no calvinism o consiste em que D eus escolhe alguns indivíduos para a salvação enquanto os que não são chamados irresistivelm ente vão para o inferno. algo im pensável em qualquer circunstância. A soberania divina É com um os arm inianos clássicos serem acusados de negligenciarem a soberania30 divina. pois a isto nos levam doutrinas com o a eleição condicional. dispondo de tudo de acordo com os seus conselhos e desígnios. p. A prim eira é condicional. D este m odo. a últim a é incondicional.” (1998.^O que o arm inianism o clássico ensina em consonância com as Escrituras é que Deus. C onform e dito anteriorm ente. ouvindo as Boas novas de salvação. N este caso. E difícil não adm itir que a eleição incondicional calvinista contraria as Escrituras. e evidente. mas nâo existe situação onde seja cabível a ideia de Deus ser coagido. Caso D eus sofresse algum a coação de fora. pois é im possível para alguns pecadores. A predestinação de D eus de p essoas é condicionada p ela f é destas /(a eleição de Deus de um povo p a ra sua glória é incondicional. a Igreja. A últim a englobará todos os que ccxcv ) creem . No escopo soteriológico divino a Igreja deve cum prir sua m issão de dissem inação do Evangelho e da expansão do Reino de Deus. Diferente. A rm inianos clássicos não negam a soberania de Deus nem m esm o quando argum entam em favor da eleição condicional.| Introdução ao A rm inianism o N a teologia arm iniana incondicional. 2. escolheu livrem ente e segundo seus propósitos criar um universo com pessoas livres capazes de tom ar decisões o que.a acusação. A té porque eleição condicional nâo im plica em enfraquecim ento da soberania divina. converterem -se. Deus não abre negociação quanto a isso. trata-se de um a eleição incondicional para o serviço. Por exemplo: “M as os fariseus e os intérpretes da lei rejeitaram . quer nos céus. não tendo sido batizados por ele” (Lc 7:30). N ão há um a oferta sincera do Evangelho. O lson explica: clássica tam bém há lugar para um a eleição Os arm inianos interpretam o conceito bíblico de eleição incondicional (predestinação p a ra a salvação) com o corporativa.. a predestinação tem um significado pesso a l (presciência de escolhas individuais) e um significado coletivo (eleição de um povo). em Sua soberania. ■ A eleição é incondicional para o arm inianism o clássico apenas no tocante a um coletivo. é claro. Lucas m ostra a reação dos fariseus frente ao m ensageiro de Deus.1. quer na terra. poderíam os aceitar. João Batista. determ ina situações.” . D izem que nossa visão é m inim alista. quanto a si m esm os.

• A s vezes. m as não excluindo a liberdade . explicam os. 29). Quanto ao segundo. significa “baldar a eficácia de algo. em últim a análise. um a concepção de soberania aos m oldes calvinistas. e essa é a razão da queixa calvinista contra os arm inianos clássicos. em sua liberdade. em latim. Deus impede o homem de fa z e r o que. pois um governo absoluto para ser caracterizado como tal não necessita da im postura de um controle das m inúncias e toda particularidade da vida dos governados. Agindo assim. arm inianos clássicos. atheteo em Lucas 7:30. Aqui tem os a agência hum ana definindo o resultado e a soberania divina sendo lim itada pela escolha libertária dos fariseus. O prim eiro significa que Deus já controla a história de form a determ inista e m inunciosa. Isso ocorre sem pre? Não! Como explica o teólogo arm iniano Henry C larence Thiessen (1883-1947): • D eus às vezes perm ite que o homem aja conform e bem entender. nós não. Escrevendo a seu amigo H ippolytus Collibus.ccxxx A essa altura não dá para esquecer dois conceitos fundam entais e decisivos para o distanciam ento entre os m odos de entender a soberania divina e o controle da história hum ana por parte dos arm inianos clássicos e calvinistas. O verbo em negrito no texto grego é atheteo. m as rejeitamos uma que seja param ente arbitrária p o r ser totalm ente inconsistente com a natureza de D eus e com os grandes fa to s da Sua providência. A vancem os um pouco m ais nesse assunto. • D eus sem pre prevalece sobre o que o hom em fa z p a ra os Seus próprios fins. “ re je ita ra m o desígnio de D eus” . segundo Lucas. por direito e poder. faz Deus ser o autor do pecado e do mal moral. Deus está no controle da história hum ana. diz Olson. Lucas 7:30 não concorda com isso.ctxxvm D eus é soberano no universo e isso nunca foi negado pelo arm inianism o clássico. frustrá-lo. invalidá-lo. A rm ínio disse: “Deus não pode ser acusado de autor do pecado”. M antem os que nós. fato veem entem ente negado pelo arm inianism o clássico. V alendo-nos de Olson. Os conceitos. por m eio de quem chegam os a esses conceitos. são: de fa c to e de ju re .”0"™ Como o hom em pode frustar (ou como diz Jam es Strong: “arruinar. O teólogo arm iniano John M iley (1813-1895) explica: N ão pom os em dúvida um a verdadeira soberania divina.Z w inglio R odrigues reagiram negativam ente ao Filho de Deus. N o D icionário Vine. Esses m om entos de oposição caracterizam a opção dos fariseus por sua própria ju stiça em detrim ento da justiça de Deus revelada em Jesus (v. nada frustra a vontade divina. ele p o d eria vir a fazer. N esse sentido. Ademais. “D eus está no controle sem controlar tudo”ccxxlx. Eles exigem o exercício de uma soberania m eticulosa. não negligenciam os a soberania divina com o dizem os calvinistas. rejeitar”ccxxv") o desígnio divino se não for p or um a concessão divina vinculada à Sua vontade de lidar com criaturas livres0 A história em erge das agências divina e hum ana. eles.

isso não a torna ilegítim a. Ele arquitetou com o deveriam ocorrer as coisas concernentes à salvação do hom em . o sacrifício de Jesus Cristo foi extenso em seu alcance: Em relação à extensão e potencialidade do preço e em relação à única causa [geral] da humanidade. em sua soberania. o sangue de Cristo é a redenção de todo o mundo.t D isso inferim os ser antibíblico um conceito de soberania que propõe strictu senso. 3.CCXSX1 Olson arremata: ■ Jesus ensinou seus discípulos a orar “seja feita a sua vontade. Desta form a. controla as coisas no presente de fa cto . por sua vez. W ynkook se expressa de forma sublim e quanto ao modo como os arminianos clássicos refletem sobre a soberania divina: Sua soberania suprem a é o fundam ento da totalidade da teologia cristã. D eus. M esm o que os calvinistas não adm itam nossa reflexão. apenas em parte. Para A rm ínio. aqui na terra como no c é u ” (M T 6:10). p o r que alguém precisaria orar p ara a vontade de Deus ser fe ita naterra? N este caso.Introdução ao A rm inianism o hum ana nem fazendo dEle o autor do pecado. sem . Portanto. reiteram os: arm inianos clássicos não negam a doutrina da soberania de Deus m esm o m antendo a doutrina da eleição condicional que. um sentido de controle absoluto. mas o perdão divino dado ao hom em não é em resposta ao arrependim ento por causa de seu ato pecam inoso? N ão há aqui um a ação divina condicionada ao com portam ento humano? D ar aquela m edida de autodeterm inação consagra m ais a soberania de Deus do que negá-la. em hipótese algum a.ccaxm A doutrina da eleição condicional foi pensada pelo próprio Deus.] Se D eus não é com pletam ente soberano não pode sustentar a fé cristâ. a salvação era universal. Esta diferença entre a soberania de D eus de facto e de ju r e é exigida na Oração do Pai N osso./O que há de errado em um D eus soberano. Segundo A rtigo: Cristo m orreu p o r todos e p o r cada homem. O onipotente Deus concedeu essa autodeterm inação aos anjos e seres humanos.ccxxx. Cada doutrina cristã depende desse ensinam ento f. N ão se pode perm itir nenhum a teoria filo só fica que adm ita a mais leve brecha nessa soberania.. ela j á estaria sem pre sendo fe ita na terra. ou seja. conceder ao hom em algum a m edida de autodeterm inação?/ feeria a reação divina a algum a ação hum ana? Ora.. M as aqueles que p assam p o r esta vida sem fé em Cristo. pois o conceito de soberania não é m onopólio deles. anula aquela. Se a soberania de D eus j á estivesse com pletam ente exercida de fa cto .

pois toda a salvação na soteriologia arm iniana clássica. Jesus é o salvador do m undo. senão ã causa dos incrédulos. de m aneira que tornou a salvação possível p ara todos. são totalm ente estranhos à Jesus m orreu por todos os hom ens. ele recorreu ao am igo de Agostinho. p. O conceito de expiação ilim itada foi defendido por Calvino: 31 Segundo esta teoria. .Z w inglio R odrigues o sacram ento J ~ C X X X . P ró sp e ro 3 e A q u itâ n e a (390-460) para m ostrar a antiga crença da expiação ilim itada. m as isso não leva ao universalism o real31. m as sua obra de redenção alcança apenas as pessoas arrependidas e que m anifestam fé nEle. independente de suas obras. O tipo de universalism o à nossa frente é o qualificado que advoga ser a expiação ilim itada quanto ao fato de ter Cristo m orrido p o r todos. Para A rm ínio. da regeneração.”ccxxxv Para Arm ínio e os rem onstrantes. conform e já apontam os. W iley (1877-1961) seguindo os passos dos rem onstrantes e A rm ínio explica a expiação universal: A expiação é universal. não considera a virtude do sacram ento.T ÍV redenção. Porém . A rm ínio lem bra que essa era crença na antiguidade. Aos seus interlocutores.”A redenção é universal (Jo 3:16. O teólogo arm iniano do século XX O rton H. no final dos tempos. Em um de seus artigos. ê universal ou g era l no sentido de provisão. Leiam os A rm ínio novam ente: “Eu atribuo à graça o com eço. IJo 2:2). A redenção. é inteiram ente da graça divina. a salvação depende de um a resposta de fé. reconciliará todos os homens a Si. I. 227'. em The Works o f Arm inius A rticle X II. João 1:19. A quitànea disse: “Quem disse que o Salvador não foi crucificado para a redenção de todo o m undo. a continuidade e a consum ação de todo bem ” . 6:51. Arm ínio. desafiou seus contem porâneos defensores da expiação lim itada a contestarem as Escrituras de 1 João 2:2. proporcionando redenção se alguém crer nele. O A rtigo 2 o da Rem onstrance diz: “Jesus Cristo m orreu por todos os hom ens. m as apenas que a oferta sacrificial de Cristo satisfez as pretensões da lei divina. posto que o sangue de Jesus Cristo é o preço pago por todo o m undo. jlo m a n o s 14:15 e 2 P edro_2ü. mas a conquista apenas para os que creem. o sacrifício de Cristo disponibiliza salvação a todos os hom ens. A resposta da fé é assistida pela graça preveniente. portanto. Ela não será discutida porque é rejeitada pelos particularistas e adeptos do universalismo qualificado. intenções e mérito. ação operante do Espírito Santo junto ao hom em . Isto não quer dizer que toda a hum anidade se salvará incondicionalmente. mas especial ou condicional na sua aplicação ao indivíduoc“ x™. vol. A razão desta rejeição se dá devido ao fato das Escrituras negarem peremptoriamente a sua validade como doutrina. Deus. A conexão entre a resposta de fé e a salvação não nega a preem inência da graça.

Cranmer. que a eficácia vívificante e salvífíca da preciosíssim a morte de seu Filho fo ss e estendida a todos os eleitos. p. a doutrina encontra-se em Lutero. Latimer.. 6:33. no Artigo VIU do Capítulo II. ou seja. Continuemos evocando e analisando bases bíblicas para darem sustentação à doutrina da expiação ilimitada. propõe salvação para todos. 3:16. A rm ínio e os rem onstrantes convergem nesse ponto. o universalism o qualificado havia sido a opinião m ajoritária desde o início da igreja. com entando I a Tim óteo 2:6 escreveu: “É um resgate para quantas alm as for necessário. Entre os reformadores.] E incontestável que Cristo veio p a ra a expiação dos pecados da hum anidade como um t o d o " " " h. Lutero e a patrística grega tam bém diziam isso. e não som ente pelos nossos próprios. Bullinger. portanto..] A palavra “muitos ” (em M arcos 14:24) não significa som ente uma p a rte do mundo..| Introdução ao A rm inianism o [.”ccxxxl!t O teólogo Daniel B. mas a totalidade da raça hum ana [. 4. fundado nas Escrituras apresentadas acima. B reve fu n dam en tação bíblica desse artigo de f é rem onstrante R eferências como Jo 1:29. o Pai. incluindo praticam ente todos os escritores antes da Reforma. um arm iniano clássico. Pois este fo i o soberano conselho. teólogo pentecostal. Elwell diz: Os que defendem a redenção geral com eçam indicando que ela é o ponto de vista histórico da igreja sendo sustentado p ela vasta m aioria dos teólogos. mas ainda pelos do mundo inteiro. 7. Por ser exclusivista. Calvino.”ccxl O professor W alter A. “m undo” trata-se . evangelistas e pais. Rm 11:12. A soteriologia bíblica é inclusivista. o Artigo em discussão rem onstrante procede. M elanchton. a vontade graciosa e o propósito de Deus. John W esley. Pecota (1929-1997). reformadores.. Coverdale e até m esm o Calvino. os Cânones de Dort.” 1^*™11' Em outro lugar ele disse: “(Cristo) se deu a si m esm o em resgate por todos. com a p ossível exceção de Agostinho. Leiam os Ia Jo 2:2: “Ele [Jesus] é a propiciação pelos nossos pecados. escreveu: “antes da ascensão do calvinism o.” Segundo Jam es Strong. desde o início da igreja até o dia presente. em alguns de seus com entários. 15 e U o 2:2 ensinam ter sido a m orte de Jesus em favor de todo o m undo.crxh C ontra todo testem unho histórico. O uso desse vocábulo nessas referências (entre outras) aponta para todas as pessoas constituintes da raça hum ana. a crença acim a é antibíblica. defendeu um escopo salvífico exclusivista.

teólogo anglicano da U niversidade de Cam bridge. atrairei todos a m im m esm o” (Jo 12:32).\. Esse vocábulo tem sentidos variados na Bíblia. m as só é eficiente para os que creern nele.. O crítico da expiação ilim itada levanta um a nuvem de fum aça quanto à questão do significado de “m undo” em Ia João 2:2. m as Jesus oferece salvação a todos. o sistem a m aligno sob o dom ínio do diabo. nunca é associada a “m undo dos eleitos” .Z w inglio R odrigues de um a m etonim ia. a hum anidade. A rm ínio insistiu na disputa com o Dr. inforraa-nos Olson e Rodríguez. E. W illiam Perkins (1558-1602). em bora “m undo” (kosm os) possa significar. tam bém . contanto que se reconciliem com Deus (ver 2 Co 5:19-21).ccxl" O m undo é a com unidade de todos os hom ens pecam inosos e a redenção em e por meio de Cristo é ofertada a todos os hom ens desde A dão até ao últim o. Consultando os lexicógrafos Jam es Strong (1822-1894).”**'1”1 Leon Afom's(T914-2006): “C risto fez am pla provisão. os hom ens. W ilbur Grinch (1901-1993) e Frederick W. em inglês. que “m undo” nas Escrituras refere-se a todo corpo da hum anidade e em lugar algum das Escrituras é possível inferir “m undo” com o sendo “m undo dos eleitos” sem que sérias suspeitas herm enêuticas suijam . a sua provisão tem eficácia para os pecados do m undo inteiro (ênfase no original). • V in e’s Expository D ictionary o f N ew Testament Words. F. A expiação de Cristo é apresentada com o sendo potencialm ente universal. quando for levantado da terra. Robertson (1863-1934): “A propiciação operada por Cristo provê salv para todos (ver Hb 2:9). A obra de Cristo na cruz é a base sobre a qual o perdão divino é oferecido a todos os hom ens de todas as nações através das gerações. e com o tal. T. os seguintes com entaristas concluem: E arl R adm acher (1965-1989) [et al. Vine (1873-1949). . • VincentVs W ord Studies in the N ew Testament. Ia João 2:2 é uma Escritura nitidam ente inclusiva e isso tom a a conjectura calvinista arbitrária. enciclopédias e léxicos. em seu artigo A Extensão da E xpiaçãoCí' hu. N em todos serão salvos. C om entando João 3:16. D anker (1920-2012) não notam os neles kosm os (m undo) aparecendo no Novo Testam ento com o sentido de m u n d o dos eleitos. Toda ensaio de im por limites a essa referência consitui-se em erro. em nenhum lugar do N ovo Testam ento esta palavra é usada com o sinônim o para “eleitos” ou “m undo dos eleitos” com o advogam os calvinistas. “m undo”.”ccx. As obras são as seguintes: • K itteVs Theological D ictionary o f the N ew Testament. O am or de Deus é lato ao ponto de envolver a todos. Essa tentativa é um a ofensa sem tam anho contra a palavra de Deus.v’ Ron Rhodes. por exemplo. Por isso é dito: “E eu. N enhum a lim itação pode ser im posta a Ia João 2:2. N o entanto. W. apresenta um a lista de dicionários. “A m orte de Cristo é suficiente para todos..”codv John A lbert Bertgel (1687-1752): “A propiciação é tão grande quanto o pecado . consultados por ele e nos m esm os kosm os.”ccxhv A. refere-se aos “habitantes da terra.

( I a Tm 2:6) Ora. a efetivação histórica da graça salvadora divina. diz Pedro. N o capítulo 4. senão que todos cheguem ao arrependim ento (2 a Pe 3:9) . quando for levantado da terra.. 2a A pa ro u sia : “Não retarda o Senhor a sua prom essa. ternos João. ' Todo capítulo 2 de I a Tim óteo enfatiza a possibilidade de todos os hom ens serem salvos. pelo contrário. S outer 's P ocket Lexicon o f the New Testament. Paulo mais um a vez introduz essa certeza. Eles são objetos do poder salvífíco de Deus. ele é longânim o para convosco. ( I a Tm 4:10) Porquanto a graça de D eus se m anifestou salvadora a todos os hom ens (Tt 2:11). Essas Escrituras escaparam à análise do 103 . Cristo. é p a ra esse fim que labutam os e nos esforçam os sobremodo. The N ew Bible Dictionary. A graça divina não é estendida a um grupo seleto de pessoas. porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo. atrairei todos a m im ” (Jo 12:32). Salvador de todos os hom ens. Para Tito. p e lo contrário. ( I a Tm 2:4) O qual (Senhor Jesus) a si mesm o s e deu em resgate p o r todos: testem unho que se deve p resta r em tempos oportunos. não querendo que nenhum pereça. Pedro segue nessa esteira: N ão retarda o Senhor a sua prom essa. Baker s D ictionary ofTheology. Paulo e Pedro ensinando claram ente a expiação ilimitada. Paulo escreve sobre essa universalidade da provisão divina da salvação. ' Então. com o alguns a julgam dem orada. senão que todos cheguem ao arrependim ento” (2a Pe 3:9). A rn d t a nd Gingrich ’s A G reek-English Lexicon o fth e New Testament. oferta o dom da salvação para “ todos os hom ens” e não para alguns. Duas poderosas razões nos dão a certeza disso: Ia A cru z: “E eu. H astings ’ D ictionary o f the Bible. The N ew Schaff-H erzog Encyclopedia o f Religious Knowledge. não querendo que nenhum pereça. como alguns a ju lg a m demorada.| Introdução ao A rm inianism o • • • • • • • • Thayer's G reek-English Lexicon o fth e N ew Tesíament. A parousia ainda não ocorreu. especialm ente dos fiéis. O utras escrituras inclusivistas podem ser encontradas nas Epístolas Pastorais: O qual (Deus) deseja que todos os hom ens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecim ento da verdade. porque Deus anseia pela salvação de todos. ele é longânimo p ara convosco. The International Standard B ible Encyclopedia. m as interessa-se por todos.

entre os quais estão representados hom ens de todas as raças e tipos. P or exemplo. sejam quais fo re m as dificuldades intelectuais que possam surgir. A salvação é condicional. a m esm a g raça haverá de encontrar o seu cam inho seguro. Há. mesm o que tardiamente. Essa com preensão rem onta a A gostinho e ela é inconsistente em qualquer aspecto.”ccl N otável é o fato de Agostinho. Kelly. D. . (Rom anos 10:7-17 resum e bem esses pontos) . “Porque todo aquele que invocar o nom e do Senhor será s a lv o ” (Romanos 10:13). mas que essa é um a referência a “todas as classes e tipos de hom ens” . b.ccxUx A cruz é inclusiva e isso é notado escrituristicam ente. D eus deseja que todos se salvem. Contudo.Z w inglio R o d n g u e s j Sínodo de Dort quando no C ânone A rtigo VIII do Capítulo II se diz “ [. N. de tal forma que ele obteve tudo para eles. Segundo J. p elo fa v o r m isericordioso daquele Deus “que fa r á com que todos os hom ens se salvem e cheguem ao conhecim ento da verdade” LCl E sta é um a declaração inclusivista. A história com pleta é a seguinte: a. O calvinism o tem um m odo estranho de interpretar passagens como Ia Tim óteo 2:4. porém . não. M as isso é só pa rte da história. não tem os dúvida de que. p o is depende da nossa resposta a cristo. uma fa lh a que desde os prim órdios f o i nociva à história das crenças fundam entais do cristianismo. anteriorm ente. ter sido um defensor da expiação ilimitada: Se..]preciosíssim a morte de seu Filho fosse e sten d id a a todos os eleitos (ênfase nossa)”? Parece que sim. aconteceu de alguns terem sido retirados da influência desta claríssim a luz da verdade. por meio de sua m orte na cruz. em bora trate de uma p a rte muito importante. e ignorar os problem as com plicados que advêm do fa to de falarm os dele em sua condição de deus e homem simultaneamente. é muito mais fá c il fa la r de Jesus como homem ju sto . Já para os rem onstrantes. No R em onstrance está escrito: “(Jesus) m o rre u p o r todos os h o m en s e p or cada um deles. Ele supõe que a declaração totalizante “todos os hom ens” não im plica en T ^ o S o s” no sentido de cada hom em . o bispo de Fíipona distorce I a Tim óte 2:4 “ interpretando que Ele (D eus) deseja salvação de todos os eleitos.. O único im pedim ento dessa conclusão é a adoção de um a teologia irresponsável. D eus quer muito que todos sejam salvos. redenção e perdão de pecados” . ou como D eus justo.ccxlvi“ Qual declaração faz mais ju s às Escrituras abordadas? A lister M cG rath vai direto ao ponto: O N ovo Testamento proclam a a salvação universal de Deus. e dos quais a cegueira exige esta iluminação. até mesm o p a ra estes. um a teologia responsável exige que contem os a história p o r inteiro. na verdade.

‘Todos os homens.Í ■. eles seriam tom ados com o hereges. 105 ’ * *iJ. Spurgeon diz que calvinistas - • m udam o sentido da Escritura. e explode o texto expondo-o [. C aso os arm inianos dissessem tais coisas. conhecer o método com am com qual os nossos am igos C alvinistas mais velhos lidaram com esse texto. — 'quer dizer.D. E ntre os “pais da Igreja" pré e pós-nicêm cosJ' a doutrina da expiação ilim itada era corrente.| Introdução ao A rm inianism o H onestam ente. • aplicam dinam ite gram atical no texto. ’ dizem eles.tJ“ j Educadam ente. ele aplica dinam ite gram atical no texto. ’ dizem eles. as demais foram pinçadas da obra de Norman Geisler. alguns de todos os tipos de h o m e n s'. como se o Senhor não p o deria ter fa la d o ‘Todo tipo de hom em ’ se quisesse fa la r isto. alguns hom ens como se o Espírito Santo não po d eria ter fa la d o ‘alguns hom ens ’ se quisesse fa la r alguns homens.] O meu am or p ela consistência com as minhas próprias doutrinas não é de tal tamanho para m e autorizar a alterar conscientem ente um só texto da Escritura. Teologia Sistemática e do artigo A Extensão da Expiação de Ron Rhodes.^ . ’ e sem dúvida quer dizer todos os homens. Precisa-se. O Espirito Santo através do apóstolo escreveu ‘todos os homens. Eis algum as citações’’: 32 Referência ao Primeiro Concilio de Nicéia (325 A. ‘quer dizer. • explodem o texto expondo-o. 33 Exceto as citações de Clemente de Roma e Epístola de Diogneto que foram constatadas in loco . para a m aioria de vocês. Leiamos um de seus com entários^1": E então ? Tentaremos colocar um outro sentido no texto do que j á tem? Penso que não. Mas Spurgeon não é um berege. Respeito grandem ente a ortodoxia... • e são inconsistentes. ‘Todos os homens. • alteram o texto em fa v o r de suas próprias doutrinas. mas a m inha reverência p a ra a inspiração é bem maior. • estim am mais a ortodoxia do que a inspiração bíblica. E stava lendo agora mesm o uma exposição de um doutor m uito apto o qual explica o texto de tal fo rm a que m uda o sentido. ÇPrefiro p a recer cem vezes ser inconsistente com igo mesm o do que ser inconsistente com a palavra de D eus.) convocado pelo imperador Constantino a fim de resolver problemas causados pelo arianismo que dividiam a cristandade. o calvinista C harles Spurgeon (1834-1892) evitava im por sobre I a Tim óteo 2:4 seus pressupostos calvinistas.

) "Percorram os todas as gerações e aprendam os que de geração em geração o Senhor deu possibilidade de conversão àqueles que a ele quiseram retornar. se entregou à m orte por todos nós com o um sacrifício para Seu Pai. “Cristo veio para a salvação de todos.” P ais pós-nicenos • A tanásio (296-373 d.C.” • Gregário de N azianzeno (330-390 d.): “Cristo o Filho de D eus. salvação a toda a raça hum ana.. estão indispostos para ser curados. D eus. porquanto Ele trouxe um rem édio pelo qual todos podem se salvar.” Até onde tem os podido constatar.): “ O sacrifício de Cristo é um a expiação im perecível do m undo todo.C.): “Ele dotou a obra das suas próprias m ãos de salvação...” Ele tam bém disse. no lugar de toda a fam ília hum ana. ao destruir o pecado.C..para que o m undo-' todo possa ser liberto do pecado.): “Cristo gratuitam ente traz.): “Se tam bém desejas alcançar esta fé.C.] O Pai de todos desejou que o seu Cristo. tendo com o últim o deles a m orte .. levasse sobre si a m aldição de todos.” • B asílio (330-379 d.): “M as algo foi achado que foi equivalente a todos os hom ens.C.” • Clem ente de A lexandria (150-215 d. anunciou-lhes o reino do céu.): “Cristo sofreu por todos.. enviou-lhes o seu Filho unigênito.” • A m brósio (337-397 d. . D eu-lhes (a todos os hom ens) a palavra e a razão.C. amou os hom ens. que Ele derram ou por todos nós.C. e o dará àqueles que o tiverem am ado. o santo e precioso sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.165 d. pois fom os todos expostos à m orte [que abrange m ais do que os eleitos].” • Orígenes (182-254 d. Pois ele é o santíssim o e m isericordiosíssim o Senhor.C. e só a eles perm itiu contem plá-lo.Z w inglio R odrigues Pais ante-nicenos • Clemente de Roma (30-101 d.. ressuscitou por todos. com efeito.” • Justino M ártir (100 . e Ele am a a raça hum ana. ele se priva deste benefício geral.): “Ele tira o pecado até que todos os inimigos sejam destruídos. prim eiro deves obter o conhecim ento do Pai.C.): “Toda a raça hum ana estará debaixo de m aldição [. M as se alguém não crê em C risto. tendo assum ido um corpo com o o nosso. Para eles (todos os hom ens) criou o m undo e a eles subm eteu todas as coisas que estão sobre a terra.” • Irineu (130-202 d." • E pístola de D iogneto (120 d. e garantiu a redenção de todos. em bora haja m uitos que. Form ou-os (todos os hom ens) à sua im agem . todos os pais da igreja dos quatro prim eiros séculos defenderam um a expiação ilimitada.C..

mas tam bém os seus. Não som ente meus pecados e os seus.. sim. Apropriem -se de Cristo. M as declaram os que a prom essa do Evangelho é universal. Robertson • John A lbert Bengel • J.N. Cristo retirou os pecados. T.D...| Introdução ao A rm inianism o R ecapitulem os os nom es dos estudiosos. K elly • Agostinho • Ron Rhodes • Charles Spurgeon • C lem ente de Roma • Justino Mártir • Irineu de Lion • Orígenes • Clemente de A lexandria • Atanásio • Gregário de Nazianzeno • B a sílio • A m brósio • Colin Brow n Rhodes ainda cita: M a rtin h o L u te r o : Cristo não é um cruel exator. mas é aquele que perdoa os pecados do m undo todo.. não de certos homens apenas. a fim de que não raciocinam os que esta prom essa dizem respeito a poucos outros e nós mesmos. essa reconciliação é oferecida e prom etida a toda a humanidade. Ele se entregou a Si mesmo p o r nossos pecados. mas também os p ecados do mando todo. e com um a oblação retirou os pecados do m undo todo.. do m undo todo.. em oposição a quaisquer im aginações sobre a predestinação. • E arl Radm acher • Leon M orris • A. E a isto são trazidas essas expressões universais que são usadas constantem ente nas Escrituras.. isto é. . teólogos e eruditos citados até então que com preendem as Escrituras arroladas acim a como inclusivistas. P hilip M e la n c h to n : E necessário saber que o Evangelho é uma prom essa universal.. E necessário sustentar que esta prom essa é universal.

B .. propom os um olhar sobre o vocábulo grego holos nas passagens de Ia João 5:19 e 2:2. eu p u d er converter um único cético a um a f é inocente nele. “m undo” . a coisa m uda de figura. que viveu e m orreu p o r mim e p o r todos. esses intérpretes dão sentidos diferentes à m esm a palavra (todo) e expressão (mundo todo). eu sentiria que eu não vivi em vão. inteiram ente.. Partindo desta. significa “ ’todo’ ou "tudo’. pois o autor está a tratar disso. “tom ar a palavra em seu sentido usual e com um ” . Estive34 em um a m esa de debate com o doutor em ’4 Peço licença para o uso da primeira pessoa do singular nesse instante. em últim a análise... E ele é a propiciação pelos nossos pecados. ao ler I a João 2:2. a obra d e Cristo estende p ara o mundo todo. D essa forma. Nas Escrituras inclusivistas. em um contexto im ediatíssim o. M as. livra-o rapidam ente de incorrer em eisegeses. Repetim os: tom ar a palavra em seu sentido usual e com um possibilita de pronto a com preensão da presença daqueles vocábulos em Escrituras com o Ia Tim óteo 2:6 e I a João 2:2. Sabem os que som os de D eus e que o m undo todo j a z no maligno. o intérprete com preenderá que a regra básica. rebelde. deve prevalecer. está nas garras do m aligno. mas ainda pelos do m undo todo. N enhum intérprete calvinista ousa im por (ou ousa?) ao texto um a espécie de categoria de pessoas. m as tom a a referência com o um todo inclusivo. a m elhor herm enêutica em uso. N o entanto. p e la graça de Deus. pois o estudioso calvinista sabe que o m undo. Um a lista de respeito..Z w inglio R odrigues P hilip S c h a f f i 1819-1893): Sua graça salvadora flui e superabim da a todos e. em um m esm o texto. segundo Jam es Strong. sob a pena do m esm o autor. É disso que trata Spurgeon. W estcott (1825-1901): Potencialm ente. mas para apropriar a benção do amor. ( I a Jo 5:19) “M undo todo” . “M undo todo” aqui para intérpretes calvinistas significa “m undo dos eleitos” . p o r todos. . H olos. nesta referência. ‘com pleto’: emextensão ou quantidade [. em term os de quantidade. a hum anidade inteira. E o am or de D eus é sem limite de Sua parte.e. o hom em deve cum prir a condição necessária da fé. i. “todos” diz respeito a todas as pessoas. Se.”ccliv G ingrich e D anker estão de acordo e Rienecker e Rogers idem. Passem os à leitura das referências bíblicas. indica a totalidade das pessoas. sob a sim ples condição de fé . quer dizer a totalidade dos hum anos. A inda no tocante a interpretação bíblica. F.] com o advérbio: tudo. e não som ente p elo s nossos próprios.

o próxim o passo herm enêutico é a análise contextual.ccly: Como dissem os. Outro m alabarism o interpretativo proposto por calvinistas chega ao ponto de concluir que quando João diz “pelos nossos” ele está se referindo aos judeus convertidos e quando diz “pelos do m undo inteiro” trata-se de um a indicação dos gentios convertidos. . A análise gram atical. antes de ir a outros textos e autores é preciso averiguar se a palavra ou expressão ocorre no mesmo texto e autor estudado. o apelo calvinista ao contexto histórico tam bém desconstrói a interpretação dada à palavra “todo” e à expressão “m undo todo” chegando ao sentido de “m undo dos eleitos” . a prim eira Epístola de João é um texto tardio escrito em cerca de 90 d.cch Em seguida A rm ínio comenta: A interpretação das palavras deve alcançar o significado que está de acordo com o sentido prim ário das palavras. e ele cham ou a atenção para a necessidade de se entender um a palavra revestida de algum a obscuridade exatam ente no contexto m ais im ediato possível. seu propósito.C. resolve a questão. Portanto. Ora. Perfeito! Logo. deve-se estudar diligentem ente o contexto. Tom ando por certo que as epístolas joaninas foram endereçadas às com unidades cristãs da Ásia M enor. o “m undo todo” em 5:19 que está em pecado é o “m undo todo” de 2:2 passível de receber os benefícios da expiação. reforça-se ainda m ais o caráter m isto das igrejas. Sobre o significado e interpretação das Sagradas Escrituras ele disse: Som ente pelo sentido gram atical é possível buscar argum entos eficazes p a ra pro var a doutrina. a conexão com o que precede e se segue. Disso supõe-se serem os interlocutores de João todos judeus. e “pelos do mundo inteiro” referindo-se aos descrentes.| Introdução ao A rm inianism o herm enêutica e interpretação bíblica. N isso tam bém seguim os Arm ínio. A boa herm enêutica deve chegar a essa conclusão. Adem ais. Além disso. encerra-se ser necessário usar do m esm o procedim ento no tocante à palavra “todo” e a expressão “m undo todo” nas referências joaninas em foco. D eve-se considerar a ocasião. e esta prova não poder com portar outro significado que não seja entender “todo m undo” com o a totalidade das pessoas. pois estam os tratando de regras básicas. D uas categorias bem distintas. A ugustus N icodem us. O u seja. Portanto. bem como alcançar a intenção autoral na passagem . a gram ática dá conta de resolver o (suposto) im passe quanto à intenção do autor em 1 a João 2:2 ao dizer “todo m undo” . p e r se. N ão sendo suficiente para alguns. Também deve observar as circunstâncias das p essoas e dos tem pos. e as com unidades já há muito eram com postas de crentes judeus e gentios. João fala sobre “pelos nossos pecados”. referindo-se aos crentes. Dizendo isso dem onstram os o alto valor que dam os ao sentido gram atical.

sugeria que a salvação pertencia a uma classe de pessoas. O consenso histórico está do lado das conclusões dos rem onstrantes. “escola teológica que floresceu nos primórdios do Cristianismo. Para C olin B rown a m ensagem paulina inclusivista apresentada nas Pastorais tem com o foco opor-se ao exclusivism o de judeus e gjiósticos. era a m ensagem de A rm ínio e dos rem onstrantes. • A salvação é oferecida a todos e não há um a classe especial de pessoas. • D eus está interessado nos homens. Ele escreveu: Contrastam -se (as Epístolas Pastorais) com a atitude exclusiva da sinagoga e dos gnósticos. 167). Gnosticismo vem do grego gignoskein. Contrariando as pregações dos apóstolos. Em extensão. o contexto im ediato e o contexto histórico observados seguidam ente nos inform a que “m undo todo” em 5:19 e 2:2 trata da totalidade das pessoas sem ocupar-se com eleitos e não eleitos. “Porquanto a graça de Deus se m anifestou salvadora a todos os hom ens” (Tito 2:11). os calvinistas alinham -se. a expiação é em favor de todos. Portanto. de algum m odo.Z w inglio R odrigues Os arm inianos clássicos seguem a boa herm enêutica e contentam -se tranquilam ente com a intenção autoral. ou um a espécie de judaísm o gnosticizado. p. evangelistas e pais. U m a doutrina herética judaica. reformadores. A gram ática. de intenções salvíficas ao alcance de todos. a um exclusivism o herético do prim eiro século. ou gnóstica35. R epetim os W alter A. 1998. sendo sustentado p ela vasta m aioria dos teólogos. que prom etiam a salvação som ente p a ra os justos ou p a ra aqueles que possuem o co n h ecim en to cchu Leiam os. seus adeptos diziam-se os únicos a possuírem um conhecimento perfeito de Deus” (ANDRADE. desde o inicio da igreja até 35 Gnosticismo. mais um a vez. A m ensagem universal. eles faziam ju s ao testem unho bíblico e ao m esm o tem po colocavam -se distantes da heresia com batida nas Pastorais e alinhavam -se aos patrísticos dos quatro prim eiros séculos. sincera. . • E ssa salvação é o mais elevado nível de glória. Essas Escrituras quando analisadas em seu contexto im ediato e histórico leva-nos às seguintes certezas: • Todos os hom ens são alvo da redenção. Elwell: Os que defendem a redenção g era l com eçam indicando que ela é o ponto de vista histórico da igreja. que significa “saber”. as seguintes passagens e depois vejam os algumas conclusões: “O qual deseja que todos os hom ens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecim ento da verdade” ( I a Tm 2:4). Seguindo a interpretação agostiniana posterior sobre o assunto.

incluindo praticam ente todos os escritores antes da Reforma. mas brotam da clareza e da substancialidade das Escrituras citadas . As razões para essa crença estão para além de qualquer argumento logico..| Introdução ao A rm inianism o O dia presente. filosofico..] Conclusão Estam os convencidos a respeito da condicionalidade da eleição e do sacrifício universal de Cristo. com a p o ssível exceção de A gostinho [.

Este últim o é razão de grande controvérsia teológica entre arm inianso clássicos e calvinistas. mas é necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto. p o r Deus em Cristo ' 6 Este conceito será trabalhado no capítulo 9. . o homem não é capaz. afeições ou vontade. desejar. D iferente do pensam ento com um entre os calvinistas.| Introdução ao A rm inianism o Capítulo 7 A rtigos SRemonátranteá ©epratoação ÍEotal. e em todos os seus poderes. 1.. Terceiro A rtigo: O hom em é tão depravado que a g raça divina é necessária tanto p a ra a f é com o p a ra as boas obras. A rm ínio escreveu: [. mas esta graça pode ser resistida. Discutirem os as doutrinas da depravação total e graça resistível.. E piscópio. Artigo 4 " Introdução N esse capítulo apresentarem os os artigos terceiro e quarto do Rem onstrance. Todos nascem “filhos da ira” .] no estado de apostasia e pecado.. A antropologia de A rm ínio e seu im ediato seguidor. de e p o r si mesmo. mas necessita ser nascido de novo. Artigo 3 U O homem não pode sem a graça de Deus realizar qualquer boa obra ou ação. Os rem onstrantes disseram “que o ser hum ano [. fato devidam ente dem onstrado em capítulos anteriores. (fèraça Stóísittbcl e p retie s jfuníramentaçficá p tblúasí O homem está num estado de pecado. não pode por si m esm o pensar. A rm ínio e os prim eiros rem onstrantes não negaram a depravação total. incapaz de si mesmo fazer qualquer coisa verdadeiramente boa. pensar. é pessim ista. A hum anidade está sob a égide do pecado. Apenas pela graça preveniente36 o hom em é capacitado a crer na m ensagem do E vangelho e a fazer qualquer coisa boa..] M as em seu estado caído epecam inoso. ou fa z e r aquilo que é realm ente bom. desejar ou fazer qualquer coisa que seja verdadeiram ente boa”cdvm.

. parcim oniosam ente bom de ou a aprtir de si [.] ' ax N o rol dos rem onstrantes. intelectual e volitiva. sem a graça. Exatam ente como ensinava Pelágio. o livre-arbítrio. em virtude do medo da morte. ele è capaz de pensar. Segundo Olson. m ais uma vez. e as afeições fica ra m alienadas. Em seu com entário da C arta aos Hebreus. os hom ens nascem sem herdar um a natureza corrupta e corrom pem -se posteriorm ente devido à influência do meio familiar. Para ele o hom em está caído. Sua confissão nega qualquer antropologia elevada.] vivendo no estado de pecado ele não pode pensar. N ão há nenhum a habilidade hum ana natural dando ao hom em condições de iniciar sua salvação. visto que ele está liberto do pecado. devem os observar. o intelecto dele obscureceu-se.. Apenas pela graça os efeitos do pecado original podem ser superados e o ser hum ano. são incapazes de realizar qualquer bem diante de Deus sem o am paro de Sua graça preveniente. nem resistir a qualquer tentação do mal. Lim borch não m erece ser cham ado de arminiano. e executar o que quer que seja verdadeiram ente bom. Todo aspecto da natureza e personalidade hum anas são afetados. Em outro m om ento A rm ínio afirmou: “(O hom em ) não vai fazer nenhum bem (ênfase nossa). Quando ele é feito participante desta regeneração ou renovação. W iley (1877-1961).Z w inglio R odrigues através do Espírito Santo. c c lx i . conform e expusem os no capítulo quatro. de fato. avaliar. finalm ente. eu considero que. Arm ínio trata da Queda juntam ente com suas conseqüências em um tom de seriedade.. escreveu: A vontade do homem tornou-se p e r\rersa. por isso. desejar. poderá cum prir os m andam entos espirituais de Deus. A rm ínio e os rem onstrantes criam que os hom ens nascem espiritual e m oralm ente em estado de total depravação e. um a exceção quanto a Phillip Lim borch. desam parado espiritualm ente e em estado de escravidão da vontade. A crença na depravação total conform e entendida por A rm ínio e os rem onstrantes foi defendida por teólogos arm inianos posteriores com o Orton H. muito menos desejar ou fazer qualquer coisa boa que seja.” Simão Episcópio escreveu: O homem [.. considerar. p a ra que ele p o ssa ser capacitado corretam ente a entender.?Para Lim borch. e. alcançando. toda a sua vida fic o u sujeita à servidão. A depravação total é extensiva. A vontade hum ana tom ou-se escrava do pecado. a teologia de Armí ni o defendendo uma "‘m iséria universal” em detrim ento de uma “depravação total” . que abandonou. desejar e fa z e r aquilo que é bom. inclusive. N ão há nenhum bem espiritual que o ser humano possa fazer á parte da graça divina. Tal incapacidade é física. todavia não sem a ajuda contínua da Graça Divina.

] a graça. 12. de certo e errado [. que sua vontade é obstinada e desobediente.] C onfesso que a m ente (anim alis) de um hom em carnal e natural é obscura e som bria. pode superar os efeitos graves e devastadores do pecado. a depravação total é extensiva. Capítulo VIL p.”cclxi‘ É im portante explicar que a depravação total não é intensiva.. 74 Agostinho descreve-se: “Tu me colocavas diante de meu próprio rosto para que visse com o estava indigno. e som ente a graça. ela significa que eles não são tão bons quanto precisariam ser [. 2a T m 3:2-4 Rm 6:17 Quadro 5 . nós vem os a hum anidade caída. Ou seja. que suas afeições são corruptas e excessivas. que pessoa não-regenerada seja totalm ente insensível em questões de consciência.| Introdução ao A rm inianism o Todo arm iniano clássico defende a doutrina da depravação total. Areas D epravação Total Extensiva R eferências O corpo hum ano A razão hum ana As em oções hum anas A vontade hum ana R m 6:6. sórdido.. cc!x“‘ N orm an G eisler concorda: A pesar dessa depravação não significar que todos os seres humanos sejam p o ten cia l e extrem am ente maus. isto é. disform e. M illard J.. e que o hom em está m orto em pecados. 7:24 Rm 1:21. com depravação total.. mas extensiva. Por depravação total intensiva entende-se a destruição integral da natureza hum ana e de suas potencialidades essenciais."dxn Para am bos. m anchado e ulceroso.” No quadro a seguir dim ensionam os essa extensão com as devidas referências bíblicas.. em estado de depravação total intensiva o pecador é tão pecador o quanto possível e se envolve em todas as formas possíveis de pecado. estende-se “a todas as dim ensões do nosso ser. Crem os que os hum anos são totalm ente incapazes de fazer qualquer bem espiritual à parte da graça divina.] a depravação total implica que m esm o o altruísmo da pessoa nãoregenerada sem pre contém um elem ento de m otivação imprópria. 2a Co 3:14-15 G1 5:24.”cdxv Ela afeta a plenitude do ser do homem.. pois com o Agostinho via a si mesm o. N as Confissões. Erickson nega esse quadro dizendo: Não querem os dizer. Como disse Arm ínio: “ [. conform e Deus o m ostrava a ele mesmo.

assim como p e la desobediência de um só homem muitos fo ra m constituídos pecadores. desobedientes.6). B reve fu n dam en tação bíblica desse artigo de fé. D a queda adâmica. assim também a morte passou a todos os homens. Tais Escrituras adm item a participação da hum anidade no pecado original. a hum anidade passou para o estado de depravação total. Esse estado decaído e irredim ivel. com sua som bra. O pecado. A dm itir a Queda conform e apresentada na B íblia faz de quem nela crê um cristão. quando ele escolheu o mal. “ filhos da ira” (E f 2. E ssa m orte é tanto física (Rm 5:14) com o espiritual (Rm 5:17-18. ele . 19). Devem os salientar a não exclusão da ideia do pecado de cada indivíduo. assim como p o r um só homem entrou o pecado no mundo. O pecado de A dão afetou toda a hum anidade (Rm 5:12-21.6).“irrem ediavelm ente perverso”.será condenado.20). As referências seguintes são claras: Portanto.3). extraviados” (Tt 3.“totalm ente depravado e corrompi do” . . muitos serão constituídos ju sto s (Rm 5: 12. Ia Co 15:21-22).3). dizem as Escrituras.ctlxv" É assim que a Bíblia descreve o estado da hum anidade decaída sob os efeitos devastadores do pecado original: “ím pios” (Rm 5. detestáveis p a ra condenação. J • . 2 . 4 .16). N egá-la confirm a o descrente como sendo um pagão. claro. O hom em foi criado “à im agem de D eus” (Gn 1:17) e “Deus fez o homem reto” (Ec 7:29). e os pecados individuais são os frutos. cobriu toda a existência hum ana e os dram as da vida m ostram isso. e 5 . assim também p ela obediência de um. deixou a hum anidade e cada indivíduo em particular mortos: “a m orte passou a todos os hom ens” (Rm 5:12). A rm ínio comenta: Q ualquer que tivesse sido a punição dada aos nossos prim eiros pais. por isso. os pecados da hum anidade são os ramos. teria sido da m esm a fo rm a transm itida e mesm o assim continuada a toda a sua posteridade: D e fo rm a que todos os hom ens são p o r natureza filhos da ira ' (E f 2. Em Adão cada ser hum ano estava presente de forma potencial. à parte da graça preveniente.Z w inglio R odrigues 2.“só má continuam ente” . Por am bas. c c lx v iii tem poral assim como eterna. “insensatos. Mas o hom em caiu (Gn 3).?’"*"1 O arm iniano John W esley em pregava algum as expressões fortíssim as para descrever esse estado de depravação. seus descendentes herdaram o estigm a do pecado. “filhos da desobediência” (Cl 3. Porque. “servos do pecado” (Rm 6.3). porquanto todos pecaram . Russel N onnan C ham plin apresenta a seguinte figura como ilustração: >“0 pecado de Adão é a raiz. e p ara a morte . e p e lo pecado a morte. “abom inável e corrupto” (Jó 15.“m orto em transgressões e pecado” .‘'im piedade e injustiça” . 3 . São elas: 1 .

E le está em estado de inim izade com Deus (Rm 8:7). Esse argum ento da teoria am biental. U m a graça suficiente e universal segue a pregação do Evangelho e ela pode ser resistida. N ada disso suplanta a explicação da depravação total com o resposta para a tendência à m aldade hum ana e a própria m aldade humana. N egam o conceito de depravação total conform e tratado aqui. porém . A rtigo Quarto: P ode-se resistir à graça divina. E por contam inação social que o hom em se degenera. cientistas sociais. teve A lbrecht RitschI (1822-1889) afirm ando ser o hom em degenerado devido à transm issão com unal. sua m aldade e deterioração é fruto da influência da sociedade (ou cultura). 117 . V ide Rm 1:28. dizem. Adão pecou e seus descendentes O resultante do pecado adâm ico é o “pecado o rig in ar7. Ele disse que o hom em nasce bom e livre. A lgum as conseqüências da depravação total do hom em em relação a Deus podem ser assim esboçadas: • • • • Por sua rebeldia. dependendo da vontade de cada um. Tudo isso não passa da tentativa de livrar o hom em da responsabilidade por seus próprios atos. Sturz (1924-2009) recorda isso argum entando que “a imago D ei tom ou-se (na aliança noética) a base da lei da ‘vida pela vida. jS Expressão latina que significa “modo de operação”. 2 Co 4:4. sociológica. partindo da teologia. tam bém foi usado pelo filósofo alem ão Karl M arx (1818-1883). a vontade hum ana fo i infeccionada (Rm 3:11. a “poluição original”. entre outros. Esta capacidade de responder à graça de Deus aceitando-a ou recusando-a não fora perdida 37 Do termo grego nous. a “corrupção herdada”. O homem não po d e agradar a Deus (Rm 8:8). A rm ínio negou a irresistibilidade da graça. teólogos liberais. No capítulo prim eiro fizemos m enção ao conceito do “bom selvagem ” apresentado pelo filósofo francês Jean-Jacques Rousseau. a doutrina da depravação total é inegociável em qualquer sentido que seja. 3. P o r isso recebe o salário do pecado. Para o arm inianism o clássico. com o queiram designar. o homem afasta-se de D eus (Rm 3:12). ou não. ao am biente social. a m orte (Rm 6:23). Isso não quer dizer que foi destruída..| Introdução ao A rm inianism o 21). a saber.L'cL“ O arm inianism o clássico não adm ite qualquer isenção hum ana no tocante à culpa adâm ica e aos pecados dos hom ens. e apenas isso explica satisfatoriam ente o estado no qual se encontra o m undo e explica com propriedade porque o hom em é responsável por seus atos. 9:16). R ichard J. Posicionam ento sem elhante. racionalistas. Outros estragos são os seguintes: a imago D ei no hom em foi danificada. Este m odus o p e ra n d f8 da “graça” não faz ju s às Escrituras. “mente”. A universalidade do pecado adâm ico e sua relação com a raça hum ana é um a doutrina basilar da fé cristã ortodoxa. a m ente hum ana fic o u corrom pida e obscurecida (são os cham ados efeitos noèticos"').’”“ Lvlx.

Disso. ela não é irresistível. Hb 12:5). Tais referências provam que ninguém élxTagid a aceitar a graça dívina... segundo as Escrituras.Z w inglio R odrigues com a queda do homem. S. de acordo com as escrituras. At 7 :5 1. p ara amar. creio.) mas ela diz respeito unicamente ao modo de operação. chama. ação operante do Espírito Santo junto ao hom em . . que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que lhes é oferecida. Leiam os um trecho da Epístola: D eus o enviou. a controvérsia não diz respeito àquelas ações ou operações que possam ser atribuídas à graça.] sim plesm ente passar p o r cim a da vontade humana. Apenas assim é possível conceber um a obra salvífíca sem violência^] Aliás. finalm ente. o hom em pode resistir à graça divina. Enviou-o p a ra chamar. A Epístola de D iogneto (início do segundo século) já dem onstrava que a crença corrente era de um a ação divina persuasiva e não violenta. tudo o que Ele p o d e fa z e r é persuadir. convencendo.” cdxx" Olson transcreve as seguintes palavras de Episcópio: “o hom em . não possui fé salvífíca de ou a partir de si m esm o [. incorre-se em erro inferir ou afirm ar que A rm ínio negava a salvação apenas pela graça com o fazem alguns de seus críticos. e não p a ra violentar. p o is em D eus não há violência. sem a qual nada lhe é possível. e não para julgar. que m uitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que é oferecida (ênfase nossa). enviou-o p ara nos salvar. Ele é incapaz de violentar. todavia. ilum inando e capacitando. ele disse: A graça de D eus é um a certa fo r ç a irresistível? Isto é. enviou-o. (pois eu reconheço e ensino muitas destas ações ou operações quanto qualquer um. Em um de seus escritos A rm ínio declarou: “creio. O espírito arm iniano da negação de uma “graça irresistível” é apresentado por C. para persuadir. O Rem onstrance diz que “opecador necessita da graça de Deus. A respeito da qual. Os rem onstrantes m antiveram -sc com prom etidos com o legado deixado por Arm ínio no tocante a esse ponto.cdxxn Deus não arrasta.” N outra ocasião. com o arbítrio libertado. se ela é irresistível ou não. Seria inútil p ara Ele [. Ele persuade. Lc 7:30. portanto.j’*01’01''1. e não p a ra castigar. Posteriorm ente a isso. 2a Co 6:1.. Lewis (1898-1963): O “Irresistível” e o “Inquestionável” são as duas armas que a própria natureza dos planos de D eus o proíbem de usar. . atrai.cdxx' A lgum as passagens bíblicas eram citadas para sustentar esse ensino (M t 23:37. ( Deus atua pela graça preveniente cham ando. e o enviou como homem p a ra os hom ens.

se diz: “Não por força nem por violência. em nenhum sentido. Arm ínio exalta um a graça transm issora do bem e do am or às criaturas sem m érito algum da parte destas.00'™'1 O arm inianism o clássico confessa um a teologia da sola gratía (som ente a graça) em qualquer circunstância. Tudo é pela graça. com as quais ele poderá m anter-se a si m esm o e a sua fam ília. Nos trabalhos de Arm ínio vemos a graça divina y> Figura de linguagem que se aproxima de uma meláfora.. • Ela não depende de boa índole. da liberalidade do D oador e. por isso. Não se trata de obra m eritória. cujo recebim ento exige atos muito m aiores da Graça D ivina!ccLxv ' O encontro cooperante da graça com o livre-arbítrio não im plica em m éritos do hom em regenerado. nem no todo. citado p or Olson: Um hom em rico entrega esm olas a um mendigo fa m in to e miserável.] Se estas afirm ações não puderem ser verdadeiram ente fe ita s acerca de um mendigo que recebe esmolas. nem de quaisquer coisas que ele (a) tenha feito ou quaisquer coisas que ele (a) seja. diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6). • Ela não depende de esforços.Introdução ao A im inianism o a obra do Espírito nunca está vinculada a atos violentos. 119 . desejos bons. das boas obras ou ju stiç a do receptor. nem em parte. em parte. em parte. Em outro m om ento. m as pelo m eu Espírito. ’’ apesar de não ser possível ao segundo a p osse dela não fo sse p elo estender da sua mão? [. nem em nível algum. pois todos estes fluem da graça livre de D eus. • Não depende de qualquer força ou m érito no homem. A defesa da resistibilidade da graça leva à conclusão que optando por aceitá-la isso se torna o fator decisivo na salvação? Ora. Será que isto deixa de ser um presente p uro p elo sim ples fa to do m endigo estender a sua mão p a ra recebê-las? Será que poderíam os dizer com propriedade que “as esm olas dependem. um a m era aceitação livre de um presente faz com que ele deixe de ser um presente? V ejam os um sím ile39 proposto por A rm ínio. da liberdade do recebe dor.. de que fo rm a poderiam ser fe ita s acerca do dom da fé. propósitos bons e intenções boas. • Ela não depende. Q ualquer reação de boa vontade para com D eus é e sem pre será obra da graça divina. O arm iniano John W esley descartou o mérito hum ano em sua salvação com bastante clareza: • A salvação é gratuita. Ela torna vivida a representação de uma verdade.

pois Estevão lem bra à sua audiência o m esm o com portam ento de seus antepassados frente aos profetas enviados pelo Espírito Santo.” Ora. a continuação e a consum ação de todo bem. A rticle V. dizem. M ataram os profetas por se negarem a enxergar neles valor espiritual (v. Os defensores da graça irresistível argum entam que os desígnios divinos não podem ser obliterados pelas decisões hum anas. e A Letter A d ressed to H ippolytus A. • A graça é absolutam ente necessária p ara ilum inar a mente. Trocaram a substância das . vós sem pre resistis (no grego. 4. antipiptõ) ao Espírito Santo.” Estevão lem bra Escrituras com o D euteronôm io 10:16 e Jerem ias 4:4. ele nada po d e fa z e r sem a g raça de D eus. “opor-se a [0]”ccb“vi" Espírito? Esta não foi a prim eira vez que isso aconteceu.Z w ingiio R odrigues tratada em altíssim a conta. • A graça com eça a salvação. carta escrita ao am igo H ipollytus em 5 de abril de 1608. entre outros. Collibus (Carta Escrita a H ippolytus A. “esforçar-se contra”cclxxv" o Espírito? Ou então. • A graça infunde bons pensam entos. como diz W. IV . com o puderam os interlocutores de Estevão resistir ao Espírito Santo? Como eles foram capazes de. Collibus). • Em todo processo de redenção do homem. Essas declarações estão em A D eclaration o f The Sentim ents (Declarações e Sentimentos). As gerações anteriores abertam ente se rebelaram . Vine {et a i). B reve fu n dam en tação bíblica desse artigo de f é rem onstrante. O reform ador Philip M elanchton afirm ava a graça resistível. Caso tivesse Deus planeado um esquem a sotenológico para salvar todos os hom ens. A atitude dos antepassados foi de desobediência deliberada ao Senhor. reforça a defesa de que o arm inianism o é um a opção evangélica ortodoxa prom otora dos sím bolos da fé cristã. E. Vejam os. em 13 de outubro de 1608. os seguintes: • A graça é um a Pessoa. aperfeiçoa e a consuma. 52). Eles im pediam a aproxim ação do Espírito junto a seus corações. em Haia. Seus sentim entos a respeito da graça são. assim como fizeram vossos pais. • Atribuo à graça o começo. com o conclui Olson. A tos 7:51 é uma Escritura que com prova a resistibilidade ao Espírito: “hom ens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos. A ssum iram um a postura de “incircuncisos de coração e de ouvidos. tal esquem a deveria ser cum prido inapelavelm ente. Isso. juntam ente com o fato dos pais gregos dos quatro prim eiros séculos tam bém crerem na resistibilidade da graça. Essa conclusão não leva em conta uma série de senões bíblicos. como diz Jam es Strong (1822-1894). apresentado às Províncias Unidas. • A salvação é p ela graça e não pela s obras. • A graça restaura o livre-arbítrio. tam bém vós o fazeis.

Gênesis 6:3 diz: “Então disse o Senhor: o m eu Espírito não agirá para sem pre no hom em . Jerusalém foi assolada pelo G eneral Tito.C. Trenchard com enta ter sido o com portam ento dos contem porâneos de Estevão m ais grave que o dos antepassados: Eles haviam resistido ao em penho do Espírito Santo de fo rm a até mais p ersistente que os seus pais.crlxxix O m aior grau de resistência por parte da audiência de Estevão é identificado com a negação do Cristo. e ele mesm o pelejou contra eles. em um m au sentido. • Eles rejeitaram e perseguiram (e mataram) os profetas. 22:14).]. por desobedecerem a voz do Espírito Santo que insta ju n to aos hom ens diutum am ente. D esobedecer é conseqüência da resistência.. se ouvirdes a sua voz.. Contrariaram o Espírito por serem rebeldes. 3. segundo Richard J. E. e eles haviam traido e assassinado o Justo (cf. a vontade (boule) de Deus. as gerações presentes e do passado. significa “contrariar” . a decisão. M as os fa rise u s e os intérpretes da lei rejeitaram.14.| Introdução ao A rm inianism o coisas divinas pela adoração às formas externas. O escritor aos Hebreus tam bém trata sobre as gerações passadas dos filhos de Israel desafiando a autoridade divina de m odo aberto e franco. 18) e d e J u d á (Ne 9 :2 7 ). Tendo-as com o exem plos negativos.” O utra Escritura contundente é Lucas 7:30. e contristaram o seu Espírito Santo pelo que se lhes tornou em inimigo. tem a de prom essas proféticas. não endureçais os vossos corações” (3:7-8). não tendo sido batizados. Em Isaías 63:10 o profeta anota: Mas eles foram rebeldes. e. Rienecker escreveu: “Os 121 . pois os seus predecessores haviam m artirizados os profetas. ele exorta seus leitores: “Hoje. é acusado de resistência obstinada à palavra de Deus. Em sum a. • D eus enviou profetas repetidam ente p ara corrigir seu modo de agir.. • D eus im pôs um terrível ju ízo sobre eles em fo rm a do fim dos reinos de Israel (2Rs 17. de acordo com Strong. Dillon.^hXK N o ano 70 d. anularam (atheteo) “o desígnio divino” . lembra: • Todo Israel. H. O verbo “contristar” em hebraico é asabh. Os intérpretes da lei “rejeitaram ” . o desígnio de Deus. o decreto. pois este é carnal [. a determ inação. quanto a si mesmos. ou seja. Foi assim com eles com o costum a ser conosco. ajmrêxiÊse de Estevão.

Jerusalém. m ediante duas coisas im utáveis. 2 aPedro 3:9 Jerusalém . jNitidamente. Este corpus argum entativo apresentado até então não im plica em afirm ar que o cerne do arm inianism o é o livre-arbítrio como caluniam os críticos. e não o quiseste! M atem 23:37 O direito do uso do livre-arbítrio perm anece. pois as pessoas foram dotadas por D eus de vontade e Ele não salva à revelia da volição hum ana. em sua soberania. mas não sendo correspondido: O Senhor não retarda a sua prom essa. Ia Jo 2:17). a resistência hum ana à graça divina. O fato é que resistir ao Espírito não nega a onipotência de Deus. não querendo que ninguém se perca. a) João 6:44 Passem os nesse instante a um a discussão de João 6:44 tão usado pelos críticos para tentar negar a resistibilidade da graça. 12:50.” . Hebreus 6:8 diz: “para que. se o Pai. que m atas os profetas. 7:7. nem deixais entrar os que estão entrando” (Mt 23:13). nas quais é im possível que D eus minta [.. O hom em desafia a vontade divina. O arm inianism o inicia com a bondade de Deus e term ina ao afirm ar o livre-arbítrío. Ele m esm o. o livre-arbítrio nâo é a pedra angular do construto teológico arminiano clássico em oposição ao determ inism o calvinista.”cdvxxi A resistência deles foi tão obstinada que afetou a outras pessoas. Deus não sofre prejuízos. as Escrituras exibem Deus m anifestando desejos condicionais e incondicionais. a Deus. como. que m e enviou. por exem plo. como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas. pois vós não entrais..]”. apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filh os. pois. colidir com Sua própria natureza. Isso parte de um a decisão soberana de Deus. N o capítulo dez voltarem os ao tem a livre-arbítrio.Z w inglio R odrigues J líderes frustraram ou aniquilaram o desígnio redentor de Deus para si m esm os e para os outros. o não trouxer. João escreveu: “N inguém pode vir a mim. Então. do encontro entre a graça preveniente (esta não dobra a vontade hum ana) e o assentim ento hum ano (arbítrio libertado) que os benefícios da expiação de Cristo podem ser aplicados na vida de um a pessoa. Jesus os acusou: “Ai de vós. decidiu ser possível ao hom em resisti-lo. m as a p esso a/R esistir à operação da graça exalta. E stá previsto. senão que todos venham a arrepender-se. Jo 5:40. e eu o ressuscitarei no últim o D ia. ainda que alguns a têm p o r tardia. dentro do plano soteriológico. São m uitas as referências bíblicas m ostrando a vontade de Deus sendo desafiada (M t 7:21. ]Caso um a pessoa rejeite as convicções do Espírito Santo. porque fechais o reino dos céus diante dos hom ens. Há coisas que D eus não pode fazer.cd™ Este é o percurso. As referências a seguir m ostram Deus desejando. porém é longânimo p ara convosco. Ia Ts 4:3. Esta é a razão óbvia de nem todos serem salvos. hipócritas. escribas e fariseus.

Não são os ricos que vos oprimem. por conseguinte.): E ste significado menos violento. N a prim eira. C. puxar” . de relacionam entos hum anos cujos .cdmiv Observe que helkõ em João 6:44 é usado de m odo m etafórico para tratar de um a ação de influxo e resposta. O poder interior atuante é de atração e não de arraste. Para Sproul. é visto no uso metafórico de helkõ. N esse sentido. mediante impulso divino. E cabível esperar do hom em atitudes de violência contra o hom em . o Pai influencia (atrai) a pessoa e esta. agarrando Paulo e Silas. descarta o paralelo proposto po r Sproul com os textos de Tiago e Atos que lidam com situações concretas. helkõ não pode ser tom ada com o sentido de surõ. crem os que significados agressivos não caem bem. à presença das autoridades. o vocábulo helkõ pode ser traduzido tam bém por “atrair” (Strong). vós outros m enosprezastes o pobre. porém. responde positiva ou negativam ente. com o significado. por sua vez. arrasta forçosam ente os eleitos até Cristo e João 6:44 prova isso. São elas: Entretanto. pois os lexicógrafos não nos perm item chegar a esse ponto interpretativo. ou seja. para significar "puxar" p o r p o d er interior.Introdução ao A rm inianism o O teólogo calvinista R. Na segunda. no tocante ao texto joanino. temos a opressão dos ricos sobre os pobres. N esta situação de influxo e resposta. Sproul e dem ais calvinistas estão convencidos que D eus coage. e não são eles que vos arrastam p ara tribunais? Tg 2:6 Vendo os seus senhores que lhes desfizera a esperança do lucro. os arrastaram p a ra a praça. Sproul está correto em optar por “arrastar” com o tradução e. Um a “atração forte” pode ser adm itida. o verbo “com pelir” denota um ato vigoroso. Vamos ao com entário de Vine {et. (Jo 6:44. im plica em term os mais suaves como “atrair” e "trazer". mas sim pelo m eu Espírito. Isso. Sproul está convencido que a palavra grega traduzida por “trouxer” deve significar “com pelir”. “arrastar” .Vão p o r fo r ç a nem p o r violência. “atrair” e “trazer” (R ienecker e Rogers). At 16:19 A m bas tratam de ações do hom em sobre o homem. P o r é m . encontram os Paulo e Silas sendo conduzidos aos m agistrados num clim a de extrem a violência. 12:32). à luz de Zacarias 4:6 que diz “ . Em nossa opinião “com pelir” na pena de Sproul é um eufem ism o para “violentar” . M as. p e r se. na tentativa de suster seu significado preferido. al. Talvez a palavra grega mais apropriada para denotar o que se deseja dizer com “graça irresistível” seja surõ cujo significado é “arrastar. com o foi dito. presente norm alm ente no termo helkõ. Sproul cita duas referências onde helkõ aparece. diz o Senhor dos Exércitos”. não concebem os. Helkõ. um a “ atração na m arra” . físicas. um “arraste violento” . mas sem pre ausente em surõ.

2 o uma vez alvejado p ela graça. em Sua soberania e arquitetura salvífica. Igualm ente.10. Induzir significa aconselhar. iguais ao ato de arrastar uma rede (Jo 21:6. 12:32). A tra ir Jo 6..6. decidiu perm itir ao hom em resisti-lo. arrastar Tg 2. a graça eficaz opera em sua vida levando-o. m as am oroso: “Com am or eterno eu te amei. podem os chegar à conclusão do desam paro lingüístico e lexicógrafo de Sproul. in d u zir alguém a vir (Jo 6:44.puxar. não é exercida sem o consentim ento volitivo do homem. 't D esse m odo. o homem tem seu arbítrio liberto p a ra receber ou não (resistir ou não) a Cristo. Tg 2:6) [.32. referir que o arm inianism o clássico acredita em graça irresistível. mas não em João 6:44. des em bainhar Jo 18. 11.kíkú (helkuo) e fAko) (h e lk õ )p u x a r. irresistivelmente. “£A. trazer à fo rç a diante de m agistrados (At 16:19. Puxar. incutir instigar alguém a algum ato. 11). 12. Então. At 16. de força. p o r isso com benignidade te atraí” (Jr 31:3). A rm ínio enfatizava o papel da graça na ordem da salvação exaltando-a citando Efésios 2:7: “para m ostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça (ênfase nossa) pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.” Amém. m as nâo no sentido calvinista. “induzir alguém a vir” nunca é “ arrastar alguém a” . C onclusão Para fechar esse capítulo onde dem onstram os a crença do arm inianism o clássico na depravação total e na graça resistível tendo com o fundam ento a clareza bíblica sobre o assunto.”ccIxxxv Esses lexicógrafos enxergam um a ação irresistível.cchxxV! sàkvoj Ora.. à regeneração..44.. claro. A “atração” aludida por João nâo é m ecânica. lançar Jo 21. 18:10). precisam os. Em Tiago e A tos cabe a interpretação de helkõ com o sentido de surõ. faz Jam es Strong: (helkyÕ) ou sãkco (helkõ): arrastar (literal ou figurado): . “arrastar” e “atrair” quando apontam o significado de helkõ'. a esta altura. N a soteriologia arm iniana clássica. pois os especialistas acim a fazem naufragar a conexão entre João 6:44 e um “arraste violento” . arrastar (Jo 21:6. Gingrich e D anker separam “puxar”. “A traí-os [.Z w inglio R odrigues contextos claram ente expõem ações violentas. além de exaltarm os a Deus entendendo que Ele mesmo.30. Recebendo-o. . Referindo-se a pessoas: arrastar. N ão é um ato violento. a graça é irresistível em dois m om entos: ll° a graça preveniente não p o d e ser resistida no sentido que ninguém pode exim ir-se de ser alvo dela.19. exaltam o-lo tam bém reconhecendo instâncias de irresistibilidade da graça divina conform e ponderam os im ediatam ente acima.] com laços de am or” (Os 11:4). forçosa. O “texto-prova” usado p o r ele o deixa em m aus lençóis.] De modo m etafórico: atrair. 21. 11.6. em Tiago 2:6.

isso deve ser mais particularmente determinado pelas Sagradas Escrituras. mas se eles podem apostatar-se. 125 . o prim eiro a ponderar sobre um a perseverança incondicional (um a vez salvo.cdvxxv“ Como verem os. Isso não im plica em um a salvação auto-sotérica40. A rm ínio e os rem onstrantes criam em um a perseverança condicional (condicionada pela m anutenção da fé).”ccxc A rm ínio respondeu a W illiam Perkins quanto à sua doutrina da segurança etem a. com pom os o seguinte quadro resum indo alguns argum entos de Perkins usados na defesa da perseverança incondicional dos santos e as respostas de Armínio. portadoras da vida e da fé autêntica. Valendo-nos m ais um a vez do trabalho de R odríguez. deixa de ser um m em bro (de C risto).x Outra declaração é apresentada por Bangs: “ Se o crente não cuidar de si m esm o. caia em contradição quando adm itia a possibilidade de certas pessoas cham adas. se perderem por não receberam a “graça da perseverança” . ”cdxxx. um autêntico crente pode ir m orrendo lentam ente até chegar ao estado definitivo de m orte espiritual. 40 Referente a uma salvação realizada pela própria pessoa. esse lapso pode se constituir em um estado definitivo? Agostinho.| Introdução ao A rm inianism o Capítulo 8 glrtígosí í&emonótratttesí ^eráeberança íiosíá^antoé Crentes têm poder para perseverar. A rtigo quinto: Se todos os verdadeiros regenerados perseveram com certeza na f é é uma questão que exige m aior investigação. ou seja.”cdxxxvm Ele ainda argum enta sobre a queda do crente: “ sem pre teve m ais adeptos na igreja de Cristo do que aqueles que negam. m orrendo com pletam ente. sem o cuidado devido. É possível decair da graça? Se sim. salvo para sem pre). A rm ínio declarou: “é certo que o regenerado por vezes perde a graça do Espírito Santo. batizadas. Artigo 5" Introdução Chegam os ao quinto e últim o artigo rem onstrante: a perseverança dos santos. 7. Pretendem os deixar isso claro. volta-se para o pecado e m orre lentam ente.

Os citados acim a bastam para nos dar uma ideia de com o Arm ínio concebia o assunto. A rm ínio disse que ser enganado é diferente de apartar-se. e de ganhar a vitória. e não pode viver pecando." A rm ínio responde dizendo que não é pelo poder do inferno. o pecado. Perkins conclui que as portas do inferno não prevalecerão contra todos que estão edificados n a rocha. “poderoso é D eus para os tom ar enxertar. esquecer o início de sua vida em Cristo e de novam ente abraçar o presente mundo. o qual estende p a ra eles suas mãos e (tão som ente sob a condição de que eles estejam preparados p a ra a luta. de modo que.” Para Arm ínio esse era o argum ento m ais forte. A ncorou-se tam bém em M ateus 24:24 que diz os eleitos não serão enganados. através de seu Espírito. porque a sua sem ente perm anece nele. sejam transviados ou tirados das mãos de Cristo. p o r nenhum engano ou violência de Satã. mas por sua própria vontade que a pessoa cai da fé. mas aos poucos a sem ente pode deixar seu coração. Eie tom ava a palavra “perm anece” com o sentido de “ m orando” . de p erd e r a sua boa consciência e de negligenciar a graça isto deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada nas . com a assistência de Jesus Cristo em todas as suas tentações. p o r preguiça e negligência. o crente não com ete o pecado para a morte. A rm ínio em itiu o parecer de que Perkins não refutou a doutrina da possibilidade da queda de um crente da verdadeira fé. que peçam seu auxílio e não deixar de ajudar-se a si mesmos) os impele e sustenta. sem pre —bem entendido —com o auxílio da graça do Espírito Santo. Que aqueles que são enxertados em Cristo p o r um a verdadeira fé . Quadro 6 Outros argum entos de Perkins seguidos das respostas de A rm ínio são apresentados p or Rodríguez. porque é nascido de Deus. A partar-se totalm ente da fé exige um segundo enxerto para ser salvo. Enquanto a sem ente perm anece. de modo a se afastarem da santa doutrina que um a vez lhes f o i entregue. Perkins baseava-se em 1 João 3:9: “Q ualquer que é nascido de D eus não vive na prática do pecado. A rm ínio cita Rom anos 11:23.Z w inglio R odrigues Perkins: incondicional Perseverança dos Santos Arm ínio: condicional R efletindo sobre M ateus 16:18. o m undo e sua própria carne. Em resposta. O A rtigo 5° do Rem onstrance é o m aior de todos e o transcrevem os na íntegra. são abundantem ente dotados de p oder p a ra lutar contra Satã. e que assim fo ra m fe ito s participantes de seu vivificante Espírito. Mas quanto à questão se eles não são capazes de.

este não é um evento im possível de ocorrer. 2. em bora os verdadeiros crentes às vezes caiam em graves pecados e. N em tampouco perm ite que venham a cair tanto que recaiam da graça da adoção e do estado de justificados. Arm ínio disse isso a Perkins. 3. o Rem onstrance optou por suspender qualquer juízo sobre a perseverança dos santos até que m aiores estudos fossem realizados. Nem p erm ite que com etam o pecado que leva à morte. de acordo com a multidão das suas m isericórdias p o d e voltar a cham álos p o r sua graça ao arrependim ento.ccxc' O artigo não nega nem afirma. segundo R ichard W atson. Em bora os signatários do Rem onstrance tenham tido essa cautela. que Deus. negam a perseverança incondicional dos crentes dizendo: Entretanto. eles. Artigo 6.j Introdução ao A rm inianism o Santas Escrituras antes que possam os ensiná-lo com inteira segurança. em bora tais crentes caídos não podem ser “mais plenam ente convencidos ” sobre aquilo que certam ente e indubitavelm ente . Porém. destroem a consciência. como tal. isto é. E isso que ensinam as Escrituras? E quanto às exortações a perm anecer na fé? E as advertências contra a apostasia? E os casos de apostasia? Passem os às análises. e mais. Sendo assim. mas reconhecem os que. que é rico em misericórdia. B reve fu n dam entação bíblica desse artigo de f é rem onstrante. cremos na possibilidade de um autêntico cristão decair . Episcópio e Lim borch. porém . o pecado contra o Espírito Santo e assim sejam totalm ente abandonados p o r ele. declarou: P ois Deus. seguindo A rm ínio. não crem os que eles im ediatam ente se afastam de toda a esperança de arrependim ento. o Sínodo de Dort. em outro docum ento tratando dos “cinco pontos” disputados com os calvinistas e que foi entregue ao Sínodo de Dort. somos da opinião que tal cham ado ocorre frequentem ente. não retira com pletam ente o seu Espírito dos seus. de acordo com o im utável propósito da eleição. mesm o em sua deplorável queda. lançando-se na perdição eterna. Como vim os. p. r CCXCÜ acontecera. no Capítulo V. Em resposta ao Artigo 5. a rejeição da graça inam issível (graça da qual ninguém pode cair) cede lugar a um a perseverança contingente na fé e santidade am parada pela graça. B astante objetivos os rem onstrantes. deixa o assunto em stand by até m aiores pesquisas.

e se tornaram participantes do Espírito Santo. Daniel B. 14.4. Há um a lista considerável de advertências bíblicas (M t 24. alguns apostatarão da fé. sim. e provaram o dom celestial. nele. Jo 15. f T n f i l .Z w inglio R odrigues da fé e perder-se. guardarm os firm es. 1 Co 9. “A quele que perseverar até o fim. A nalisem os um a passagem bíblica em blem ática. de fato. Q ue é apostasia? A definição dada por Ferguson e W right é m uito clara: “E o abandono geral da religião ou negação da fé por aqueles que antes a sustentavam . de novo. N outro espectro. e caíram. o Espírito afirm a expressam ente que. C onserva o que tens. A nálise de H ebreus 6:4-6 Essa passagem é m uito discutida. 3.6. para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3:11). A apostasia é possível de form a real? Já sinalizam os que sim. finalm ente. encontram os arm inianos com preendendo as adm oestações com o alertas a respeito da possibilidade de um a apostasia real. por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de dem ônios. O utro modo de interpretação calvinista é a “calvinista franca” para a qual os apóstatas nunca foram cristãos genuínos. será salvo” (M t 10:22).19. e eu. Para alguns defensores da perseverança incondicional. Leiamos. nos últim os tem pos. “”Quem perm anece em m im . "Sede vigilantes. que aqueles que um a vez foram iluminados. Entre eles destacam -se os argum entos “arm iniano norm al” e “arm iniano radical”. visto que.13. por exem plo. 12. tivem os” (Hb 3:14). 2 Tm 2. se. pois. é im possível outra vez renová-los p ara arrependimento. perm anecei firm es na fé” (IC o 16:13). esse dá m uito fruto” (Jo 15:5).17-21.62. Esse conjunto de advertências só fazem sentido caso seja possível tanto o desvio da fé (o caso do filho pródigo) com o a apostasia final. Pecota . a confiança que. E impossível. Lc 9. cf. as advertências contidas no texto em apreço e a clara ideia da possibilidade da apostasia não passam de uma articulação autoral hipotética com o objetivo de assustar crentes verdadeiros. “Porque nos tem os tom ado participantes de Cristo. sois realm ente meus discípulos” (Jo 8:31).32. Cl 1:21-23.” Outras passagens são Lucas 8:13 e Hebreus 3:12. “apostatar”)ccxclv e pode ser encontrada em 1 Tim óteo 4:1: “Ora. o teólogo calvinista A nthony Hoekem a. desde o princípio. estão crucificando p ara si m esm os o Filho de D eus e expondo-o à ignomínia. Rm 11. “Sê fiel até a m orte.12.27. a passagem de Hebreus apoia a teoria da apostasia real de um crente verdadeiro. 1 Tm 1. G1 5.” CCXC1“ A palavra vem do vocábulo grego aphistêm i (“retirar-se” .12. 2 Pe 3:17 entre outras ) e exortações à perm anência na fé: “V enho sem dem ora. Lc 17. até ao fim. Para o prim eiro. e provaram a boa palavra de D eus e os poderes do mundo vindouro. Temos aqui a cham ada interpretação “calvinista hipotética” defendida por M illard Erickson. e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2:10). A deriu a essa vertente. “ausentar-se de”. “ Se vós perm anecerdes na m inha palavra. Hb 3:6.

defendido por M yer Pearlm an (1898-1942). Lendo e relendo o texto integral. 4:1. D efende-a Russel N orm an Cham plin.Hb 12:12.Hb 5:12. 12:16-17.H b 10:33-34. O utra m aneira de interpretar a referência em questão é a cham ada “interpretação do paradoxo” que diz serem a segurança eterna dos crentes e a possibilidade real de queda deles lados diferentes de uma verdade maior. 3:12-14. O segundo. • A profissão de f é era genuína e a paciência fren te à intensa perseguição f o i um sinal disso . caso perm itissem o endurecim ento do coração H b 6:1-4. • O ápice do sofiim ento era alcançado na luta contra o pecado e quando enfrentavam a derrisão —H b 12:3-4. Tudo isso está implícito em H ebreus 10:29.| Introdução ao A rm inianism o aderiu a essa perspectiva. havia pertencido à nação que crucificou a Cristo. quiçá. p o rque a pessoa que está endurecida a p o n to de com etê-lo não p o d e ser “renovada p a ra arrependim ento ”. seria com o o pecado im perdoável p a ra o qual não há remissão. devido à indiferença. • A rrefeceram no desenvolvim ento espiritual e estavam em vias do desvio e. seria digna dum castigo 129 rSESK . 6. publicam ente. requeria-se deles que. 10:25-27. da apostasia. abandonarem a fé negligenciando a cam inhada de perfeição até a glória da ressurreição. fizessem as seguintes declarações (10:29): que Jesus não era o Filho de Deus. 11. notam os reiteradas vezes o escritor advertindo aos destinatários quanto ao zelo no em preendim ento espiritual para não retom arem aos antigos caminhos. diz que um genuíno cristão não apenas pode apostatar da fé. Isso nos parece claro em toda a epístola. • A fra q u eza se apoderou a tal p ronto que o escritor usa a m etáfora de um corpo débil ep ro stra d o . estavam tentados a voltar ao Judaísmo. . que seu sangue havia sido derram ado ju sta m en te como de um m alfeitor comum. • Gs crentes hebreus professaram a f é cristã. seria o terrível pecado da apostasia (Hb 6:6). m as que seu retom o é im possível. 31. que. voltar à sinagoga seria de novo crucificar o Filho de D eus e expô-lo ao vitupério. V ejam os um sumário. Antes de serem novam ente recebidos na sinagoga. 13:13. fato que redundará em juízo etem o (2:1-3. 29). podem os afirm ar que por toda a epístola o autor cham a a atenção dos destinatários sobre o perigo de rejeitarem a Palavra de Deus e. 25. desanim ados e perseguidos (10:32-39). A princípio. Antes de sua conversão. 3:3 O elucidativo com entário de Pearlm an nos ajudará a entender m ais vividam ente os alertas e a real situação de perigo dos interlocutores do autor da epístola: A queles aos quais fo ra m dirigidas essas palavras eram cristãos hebreus. e que seus m ilagres jo ra m operados pelo p o d er do maligno.

Z w inglio R odrigues

mais terrível do que a morte (10:28); e significaria incorrer na vingança
do Deus vivo (10:30, 31).ccxt'
A perseguição e o desânim o produziram um a apatia espiritual (“vos tom astes
lentos para ouvir”) e nesse estado eles estavam expostos às falsas doutrinas (Hb 13:9),
prestes a serem levados por elas com o um a nau dispersa pelo vento e m ar agitados. Por
isso a epístola deve ser lida com o um a advertência a autênticos cristãos passíveis de
experim entarem as agruras do abandono da genuína fé. Por isso se diz:
N ão abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande
galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, p a ra que,
havendo fe ito a vontade de D eus, alcanceis a prom essa. (Hb 10:35-36)
A epístola foi dirigida a autênticos crentes e negar isso força-nos a adm itir
term os à frente um texto cristão dialogando com não cristãos. Isso é possível?
Passem os a um a análise da passagem dividindo-a assim:
• Oue um a vez fo ra m iluminados.
• P rovaram o dom celestial.
• E se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa
p a lavra de Deus.
• Os pod eres do mundo vindouro.
• Caíram e, sim, é im possível outra vez renová-los p a ra arrependim ento.
À prim eira vista, a ideia passada por essas descrições é que o autor trata de
autênticos cristãos. Elas sinalizam para um a experiência salvífica real. N a últim a
descrição, som os instruídos sobre um tipo de queda na fé que não perm ite um retom o
ao estado anterior. A queles que chegam a esse nível de fracasso espiritual são
cham ados por Donald G uthrie (1916-1992) de os “sujeitos da im possibilidade” .
A crença nesse tipo de afastam ento da fé rem onta ao segundo século d.C. Segundo
G erald F. H aw thom e (1925-2010), O P astor de H erm as41 (c. 148 d.C.) talvez tenha
sido o prim eiro a apresentar essa interpretação. N o Q uarto M andam ento, capítulo 29,
ele escreve: “Para os servos de D eus existe apenas uma conversão.”CC!'CV1
A ssum im os essa interpretação. N a tentativa de justificar esta adesão, na
seqüência, apresentam os a interpretação dos versículos onde estão as palavras-chave,
articulada por alguns intérpretes que concluem , a partir da totalidade do argum ento, a
possibilidade real da apostasia de um crente convertido.

41 Livro muito lido entre os séculos II e IV da era cristã. Faz parte do Códice Sinaítico, do século
IV, como um dos livros do Novo Testamento.

! Introdução ao A rm inianism o

3.1.

Foram ilum inados

A palavra grega usada para “ilum inados” é phôtisthentas. Leiam os cinco
explicações sobre este vocábulo.
• Fritz R ienecker e C leon Rogers escrevem que ela indica “a iluminação
indica que D eus dá o entendim ento e os olhos da luz espiritual. ”ccxcv"
• Jam es Strong diz “que o processo de salvação inicia-se com Deus
concedendo lu z ’ a todos os homens. ”CC';CVI"
• Fritz Laubach afirma: “trata-se de um acontecim ento de f é
caracterizado como único [...] A iluminação que acontece uma única vez
deve estar se referindo à fundação da fé, ao recebim ento do Espírito
Santo na conversão e no renascimento. ”LCXUX
• D onald Guthrie com enta que “aqueles que são referidos aqui, portanto,
devem ter algum a revelação inicial de Jesus Cristo. ’,ccc
• G erald F. H aw thom e explica que essa "expressão p o d e significar
iluminação interior com pleta - a capacidade dada p o r D eus para
entender e responder de form a positiva à mensagem cristã. '*QQ1
Que nos parece, depois da leitura acim a? O uso de phôtisthentas pelo escritor
canônico indica que em algum m om ento os sujeitos da im possibilidade alcançaram
entendim ento e luz suficientes para a sua salvação. O correu a fundação da fé e, com o
verem os, o recebim ento do Espírito Santo com o qual um a com unhão m ística foi
inaugurada. Sem dúvidas, a experiência de salvação foi consum ada:
Em H b 10:32 consta: "Lem brai-vos, porém , dos dias anteriores, em que,
depois de iluminados (phôtisthentas), sustentastes grande luta e
sofrimentos. Também a form ulação "... depois de termos recebido o
p len o conhecim ento da verdade...” (Hb 10:26) rem ete-nos a um
acontecim ento fundam ental na vida hum ana.CCL"
Fritz Laubach está dizendo que a "ilum inaçãov de Deus na m ente dos
indivíduos traz com preensão da glória de Deus. Simon K istem aker fala sobre o uso de
phôtisthentas em 10:32 apresentando uma expressão sinônim a de “conhecim ento da
verdade” (Hb 10:26). Então, os indivíduos da im possibilidade obtiveram um a revelação
especial do Salvador.
E sta “ilum inação” é “a ilum inação dada pela fé em C risto”cccll‘, diz M yles M.
Bourke (1917-2004). Bourke reforça sua conclusão citando 2 Coríntios 4:6:
P orque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem
resplandeceu em nossos corações, p a ra iluminação do conhecim ento da
glória de Deus, na fa c e de Jesus Cristo.

ZwingUo R odrigues

Laubach segue na m esm a direção.
Se com pararm os o que diz o apóstolo Paulo em 2Co 4:6, ao descrever o
mesm o acontecim ento com essas palavras, som os levados à conclusão de
que a iluminação [...] deve estar se referindo à fu n d a çã o da fé, ao
recebim ento do Espírito Santo na conversão e no renascim ento [...].ccc,v
Sendo assim , a luz do evangelho penetrou coneretam ente na vida dos sujeitos
da im possibilidade. T entar reduzir essa ilum inação a um a m era acuidade intelectual faz
do texto um a zom baria.
Para W ayne G rudem , teólogo calvinista, o uso de phôtisthentas em Hebreus 6:4
não im plica em salvação de pessoas. Estas foram ilum inadas, mas não responderam
com um a fé autêntica. Ele argum enta sobre o fato da palavra phôtizo não ser um term o
técnico que carregue em si a necessidade de ser tom ado com o indicativo de uma
regeneração. M as há um problem a para esse tipo de explicação superar. O term o grego
hápax, presente no texto sob análise, traduzido pela expressão “ um a vez”, denota,
segundo Vine (et. al.), “ ’de um a vez por to d as’, acerca do que é de validade perpétua e
não requer repetição (Hb 6:4, 9:28, 10:2; 1 Pe 3:18; Jd 3, 5).ccc' Observe: a
“ilum inação” é um a experiência sem repetição. Perguntam os: o sentido restrito da
experiência de “ilum inação” reivindicado por G rudem não pode m ais acontecer em
hipótese algum a na vida de um a pessoa? Possivelm ente nenhum calvinista dirá sim.
Duas coisas:
Ia A palavra hápax não revela que a experiência não vai se repetir condicionada
às razões a ou b, m as ela sim plesm ente dá com o certo que a experiência passada não
m ais ocorrerá em qualquer m om ento futuro.
2a W iley escreveu: “N a presente acepção, não significa um a vez no sentido de
preparação para algo a seguir, m as de um a vez p o r todas.”CCCvl
G rudem nega a experiência real, regenerativa, m as Laubach a confirma.
V oltem os a W iley:
D eve observar-se tam bém que a expressão u m a vez (ênfase nossa) não
m odifica meram ente o prim eiro particípio, iluminados, mas aplica-se a
todos os particípios seguintes.CÍCWÍ
Ou seja, as experiências seguintes foram reais e tam bém são irrepetíveis.
3.2.

Provaram o dom celestial, a boa Palavra de D eus e os poderes do
m undo vindouro.

N o grego, “provaram ” é geuom ai e esta palavra de acordo com R ienecker e
Rogers “expressa o desfrutar real e consciente das bênçãos apreendidas em seu
verdadeiro caráter.”CCCV11’ D avid Peterson escreve: “sugere experim entar algo de form a
real e pessoal - e não sim plesm ente um a degustação.”ccc,x Para esses autores,

. de posse.Introdução ao A rm inianism o “provaram ” significa um a experiência profunda.24.” G uthrie comenta: Visto que em 3:1 o escritor está se dirigindo àqueles que participam de um a vocação celeste. com er A t 10. Leiamos.. Fig.9.] De m odo m etafórico. Ou seja. Cl 2. M as. provasse a m orte p o r todos. não tiveram um a experiência pessoal de fé. chegar a conhecer. com o outra form a de descrever a nova vida recebida por m eio de Cristo Jesus. os sujeitos da im posibilidade. A palavra grega para “participantes” é metochos. ele evidencia a distinção entre “provar” e “beber” . porém . m as não beberam . 6:4-5)”cccx' A novidade aqui é a referência 2:9. p o r causa da paixão da morte. coroado de glória e de honra aquele Jesus que fo r a fe ito um p o u co m enor do que os anjos.. al. em 3:14: “Porque nos temos tom ado p a rtic ip a n te s de C risto . obter H b 6 . o m esm o sentido deve ser pretendido aqui. experimentar. provar.11. Jo 2. partilhar de (Hb 2:9. encontram os a m esm a palavra grega com o m esm o sentido atrelada a um a real experiência de conversão.) confirm a-a com o “participantes” .52. R ecorrendo ao contexto im ediato.4 fccxn Os lexicógrafos acim a optam pela palavra “obter” . N os escritos rabínicos. e Peterson. em outras palavras. Laubach entende a declaração “tom aram -se participantes do Espírito Santo” . de consum ação de um a experiência de regeneração.. p ara que. A t 20.3.10. não ingeriram .cix*"' 3.9. provaram . “experiência em” . que p a rtic ip a is da vocação cele stia l. o term o “provar” significa “participação” . Isto im ediatam ente distingue a . C om preendem os que isso contribui para não deixar dúvidas quanto a um a experiência real.” . Interessante é o que dizem G rinch e Danker: ysvopai provar. m etaforicam ente falando.cccx Assim . nesse contexto em análise.21. experim entar. Vine (et. H b 2. 1 Pe 2. experim entar Mc 9. Vemos. sem qualquer m odificação da ideia. de salvação consum ada. santos irm ãos. Strong explica o sentido: “ [. desfrutar Lc 14. p ela graça de Deus. Strong não entende haver variação de significado da palavra passando de um a referência à outra.1. Tam bém pode ser traduzida por “com panheiros” (Lc 5:7).3... verdadeira. discordam de Calvino. Vamos ao ponto: Jesus provou a m orte em sentido am plo e irrestrito ou ele apenas “provou-a com a ponta da língua”? A palavra é a mesma: gueom ai. Jo 8. H ebreus 3:1: “Por isso. Rienecker e Rogers. A idéia de p a rticip ar do Espírito Santo é notável. passando de um a experiência à outra. C alvino interpretava geuom ai como indicando apenas um m ovim ento feito com a ponta dos lábios. Tornaram -se participantes do Espírito Santo.

Provaram o dom celestial.LLCXn Guthrie confere à experiência dos “sujeitos da im possibidade” o status de uma experiência de salvação integral. ou voltaram . alguns crentes estavam querendo voltar. quatro experiências relativas à conversão foram trabalhadas: • • • • Foram iluminados. não sabem os m ais com o descrevê-la. Laubach e Guthrie. A té aqui. Portanto. A m agnitude dessas experiências espirituais é eloqüente e se tais experiências não confirm am um a autênctica conversão. 3. a negação total e cabal da fé em Cristo. às práticas sacrificiais do Levítico. Possivelm ente. d e sv ia r-se ^" '. Dai. p elo contrário. Trata-se de um assunto tão excepcional. P rovaram a boa palavra de Deus. 5) e “os poderes do mundo vinvdouro’’ (v. Tornaram -se participantes do Espírito Santo. cair p a ra fo r a . não basta dizer que o cristão que decai da f é ê privado da fo r ç a da cruz. A “queda” em relevo é a apostasia. mas também os m embros da igreja que fracassam . o alerta passa da constatação do estágio de progresso espiritual autêntico e profundo dos sujeitos da im possibilidade para o ponto alto da advertência: a adm issão de um estado de queda irredim ível. como tam bém com aquela maldade que levou à crucificação de Jesus CCCiV" .4. Otto M ichel (1903-1993) escreveu: A cruz de Jesus torna-se um acontecim ento atual.cccxv‘ A razão da queda era de ordem doutrinai e litúrgica. combatendo-o.Z w inglio R odrigues pesso a daquela que não tem mais do que um conhecim ento superficial do cristianism o. 5). De fato. houve um a com unhão m ística entre eles e Cristo. parapipto revestir-se de um significado teológico ímpar. do qual são culpados não som ente os adversários de Jesus. sinais da genuína experiência cristã. ele com eça a pa rticip ar diretam ente da luta contra Cristo. inform a-nos Strong. Eles tam bém “provaram a boa palavra de D eus” (v. Essa negação eleva-se ao nível da mais profunda inim izade. que esta palavra aparece em 6:6 e em nenhum a outra parte do Novo Testam ento. Guthrie comenta: Q ualquer pessoa que voltasse do cristianism o p a ra o ju daísm o se identificaria não som ente com a descrença judaica. N o grego a palavra é parapipto sendo traduzida por cair. Com a apostasia com eça um a situação que entrega Cristo ao mundo. Caíram Agora.

”CCC!tlx O estado deles é irrecuperável. A m esm a é usada em Hb 6:18. mas agora estão im possibilitados de serem renovados “outra vez para arrependim ento”. a saber: é im possível um apóstata ser recuperado e é possível um 135 . Daí o apóstata ser incluído na seguinte escritura: “De quanto m aior castigo cuidais vós será julgado m erecedor aquele que pisar o Filho de Deus. A advertência em term os tão enfáticos não está na Epístola apenas para dar sustos a respeito do que não pode ocorrer. o tem or das atrozes perseguições.5. Está ele dizendo que D eus não perm ite (6:3) um segundo arrependim ento? Ou ele quer dizer que um a p essoas que caiu.LL"XÍ D isso tudo. trazer de volta ao arrependim ento e à fé original. E m o N ovo Testam ento. 3. A Epístola foi escrita para crentes. que se desviou do Deus vivo não pode ser restaurada ao arrependim ento p o r causa do coração endurecido? E m bora o escritor não dê a resposta. todos esses usos encerram “declarações absolutas”CCLXVm. Esta escritura registra o que é impossível e o que é possível. Os apóstatas não podem ser recuperados. O autor escreve para crentes que corriam o perigo da apostasia. Eles não podem m ais ser “renovados” . refere-se a eles e os com prom ete com o conteúdo de 6:4-6. e tiver por profano o sangue do testam ento. o próprio Guthrie. nós entendem os que am bas as perguntas poderiam receber um a resposta afirm ativa. possibilitando a ruína espiritual abissal. podem os concluir existir um estado do qual um retorno à fé original é im possível. A gravidade desse estado sem retorno exige um a experiência de salvação autêntica e esta é descrita abertam ente nos versículos 4-5. Jam es Strong apresenta seu sentido: “Renovar. Conclusão A lguém só pode chegar a um grau de apostasia como esse se de fato foi regenerado. e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hb 10:29). A rrependeram -se um dia. De acordo com G uthrie. conform e dissem os acim a. Im possível outra vez renová-los p ara arrependim ento A palavra grega utilizada para “ im possível” é adynaton. K istem aker com enta: O escritor não revela a identidade do agente implicado. 10:4 e 11:6. m ais um a palavra encontrada apenas em Hebreus. Por isso. C rer nisso tom a o texto inspirado um a zom baria. No grego o vocábulo traduzido por “renovar” é anakainízein.Introdução ao A rm inianism o Tam bém estaria servindo com o fator de desestim ulo e apatia espiritual. utilizado de form a m etafórica em referência às pessoas que caíram da fé verdadeira. com que foi santificado. usa a designação “sujeitos da im possibilidade” . restaurar ao estado original.

. um declínio que vai da descrença á desobediência e até à apostasia.Z w inglio R odrigues autêntico crente apostatar. Avisamos: Hoekema não se dá ao trabalho de observar a construção gramatical do texto. ler MACKN1GHT. P or fim. A Excelência da Nova Aliança em Cristo.. a doutrina da perseverança incondicional dos crentes é negada. ler HOEKEMA. é parte de um ^processo gradual. Para uma posição contrária ao nosso modo de interpretar Hebreus 6:4-6. . p. passando a palavra a Kistem aker. Salvos Pela Graça. 243-244. citado por WILEY. 293. registram os: “a apostasia nao acontece de repente e inesperadam ente. Antes.. pp.42 Desse m odo.LCCI“ _ 42 Para uma leitura sobre a construção gramatical do texto (Hb 6:4-6).

em Haia. Terceira. volve-se para o hom em em estado de m iséria e. Esse m odo de conceber a graça conform e acabam os de descrever. D eus justifica o pecador arrependido e em Cristo Jesus concede o direito filial e a salvação. a graça é a assistência contínua do Espírito Santo inspirando o hom em quanto às coisas boas. dar o initium fid e i (prim eiro passo da fé). Vol. A rm ínio e o arm inianism o clássico apresentam um a sólida teologia da sola gratia. Arm ínio. m as do hom em . A graça de D eus E m The Works o f Armirims: A D eclaration O f The Seníim ents (Declarações e Sentimentos). o primeiro alvor de luz em relação à vontade dEle e a primeira leve e transitória convicção de ter pecado contra Ele. A rm ínio propõe três partes com declarações sublimes a respeito da graça. 1.| Introdução ao A rm inianism o Capítulo 9 ^ re b e n te n te A salvação começa com o que é usualmente denominado (e de forma muito apropriada) de “graça preveniente incluindo o primeiro desejo de agradar a Deus. a graça é o Espírito Santo operando no entendim ento e na vontade da pessoa realizando um a regeneração infundindo no pecador. N a segunda. John Wesley Introdução Discutirem os neste capítulo o conceito de graça preveniente. ato contínuo. Caro porque frequentem ente o arm inianism o é culpado de não ser uma teologia da graça. que põe o livrearbítrio à frente da graça e pode. e fazer qualquer coisa boa. desprovido de qualquer condição de pensar. p e r se. 130. deixa Armínio confortável para m ostrar quão injustas eram as acusações de reduzir a graça à uma posição de segunda categoria ao passo que dava um valor ao livre-arbítrio hum ano . apresenta sua com preensão sobre a graça de D eus de m odo claro e com pleto. apresentada às Províncias U nidas. conceito caro ao arm inianism o clássico. p. N ada disso procede conform e j á apontam os ao longo do livro. IV. infundindo pensam entos louváveis e bons desejos. N a prim eira. segundo R odríguez. 1. descreve a graça com o a m anifestação da bondade de Deus que. envia seu Filho “para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. fé. juntam ente com as declarações sobre a graça de Deus apresentadas no tópico 2. com am or. esperança e amor. em 13 de outubro de 1608. salvador de si m esm o.” Encontrando-se com o Salvador. afetuosam ente.

• O pecado original incapacita o homem a dar o prim eiro p a sso da fé. A rm ínio podia provar que jam ais passou por sua cabeça a adm issão de que o hom em pode salvar a si mesmo. Claro que de m aneira distinta dos calvinistas. • A graça vai à frente do homem p a ra atraí-lo em direção à jè. (Carta escrita a Hipollytus A Collibus. é falaciosa e indigna de crédito. por exem plo. Em todo m om ento é enfatizada a preem inência da graça divina n a salvação do hom em . • P essoa algum a p o d e se arrepender e crer sem a influência da graça divina. Graça preven iente Em sua A Letter A ddressed to H ippolytus A Collibus. 2. m as um a Pessoa. segue. • N inguém po d e desejar Deus sem que a graça atue interiormente. Tam bém . outra é atribuir a esse m odo particular um a série de acusações insustentáveis. O valor da graça O bservando os excertos de A rm ínio transcritos ao longo desse trabalho. • E a graça divina e não o mérito humano que salva.” A graça “precede” qualquer ação hum ana em direção a Deus. • A graça não é um a força. excita. opera para que queiram os e coopera para que não desejem os em vão. conclusões com o “o arm inianism o faz com que a redenção seja um a obra hum ana”CCLM1‘. adm itida pelo teólogo calvinista R. A penas a graça p o d e dar início à relação divino-humana. é nítido o valor dado à graça de Deus por parte do teólogo holandês. • A graça antecede todo movim ento da vontade em direção à salvação. Ou seja. C. Assim . • Ela é a única base de todo bem espiritual que um a p esso a pode realizar. a graça . • A graça é a única cansa eficaz da salvação.Z w inglio R odrigues acim a da graça de Deus. N o entanto. A rticle IV. acom panha. Sproul. devemos dem arcar que um a coisa é não com preender um m odo distinto de explicar a suprem acia da graça. ajuda. pois advém apenas da redenção divina p o r m eio de Jesus Cristo. Aritgo IV) A rm ínio escreve a seu am igo H ipólito sobre a im portância da doutrina da graça em seu pensam ento teológico e diz: “ Esta graça precede (pra even it). N ão há conflito com a Bíblia. Portanto. 3. o que de fato os incomoda. a graça preveniente (precedente) é o ato de Deus ilum pecador em trevas e influênciá-lo a desejar e buscar a espiritualidade. Partindo dos textos lidos e dos fragm entos citados aqui podem os apresentar tal suprem acia da graça divina assim: • E la é gratuita. A rm ínio trabalhou a necessidade e prim azia da graça divina de m odo consistente e intenso nos m elhores m oldes calvinistas.

Tam bém o escolástico Tom ás de Aquino (1225-1274). e. é a graça que antecede qualquer decisão do . Este decreto tem sua base na presciência de Deus. Em arrependim ento e fé o hom em responde ao cham ado do Evangelho.x’im A gostinho usou o term o em sua disputa com Pelágio. era precedente. afirm a ser a graça o efeito do am or de Deus e isso leva à conclusão de que a graça é preveniente. A Escritura que o hiponês apresentava de antem ão era Salmo 59:10: “ Sua m isericórdia irá adiante de m im .' Expondo sua com preensão acerca da predestinação. p o r intermédio de sua graça subsequente. Não há volver hum ano das trevas para a luz da salvação sem a graça preveniente. Continuando.. perseverar. é luz. o teólogo holandês Erasm o de R oterdã (1466-1536) debateu com Lutero por causa da controvérsia m onergism o/sinergism o e defendeu a graça preveniente com o a libertadora da vontade hum ana e a possibilitadora da decisão livre de aceitar ou rejeitar a salvação. e que.] D eus decretou salvar e condenar certas pessoas específicas. já tinha feito uso do termo. que é um a pessoa. diz: [.. por volta de um século antes. mas um a categoria teológica desenvolvida para capturar um tem a bíblico central.”CCCXX1VÉ com o o term o Trindade. sim bolicam ente. M as. antes de crer. chamada tam bém de “preventiva” ou “precedente”. p e la presciência. .” A m isericórdia precedia. D a ação do Espírito Santo. A gostinho de Hipona concebia a “graça” de várias formas. ele igualm ente conhecia os que não creriam e não perseverariam . isso não significa que o fator determ inante para a salvação é a resposta hum ana. segundo ele. Esta graça. as faculdades hum anas são esclarecidas e restauradas por Ele que transm ite à pessoa tudo o que concerne à salvação em e por m eio de Cristo. p o r interm édio de sua graça preven tiva (ênfase nossa) crer. para A rm ínio e o arm iniansim o clássico. introduzido no círculo teológico. em seu quarto decreto divino. “Deus desperta em nossas alm as qualquer bem que im aginam os.”cc‘. O teólogo arm iniano H. que é o Espírito Santo que. . Deus salva por Seu pré-conhecim ento e essa é a causa da eleição. Aquino em sua Sum a Teológica com enta sobre o am or de Deus com o preveniente: “Deus nos am ou prim eiro” . ansiam os ou desejam os. Arm ínio. A prim eira dentre elas era a graça preveniente (gratia praevenians) que.de acordo com a administração antes descrita destes meios que são apropriados e adequados p a ra a conversão e a fé. O term o graça preveniente. preveniente. Ray D unning explica que a graça preveniente “não é um term o bíblico. Arm ínio tom a o term o “graça preveniente” em prestado de Agostinho. Porém . o pecador é assistido pela graça preventiva (preveniente). passou a ocupar um lugar de destaque e ele pode ser encontrado em contextos teológicos protestantes e católicos de caráter sinergistas.Introdução ao A rm inianism o preveniente é a causa eficaz de toda boa ação espiritual. Como está dito de modo claro no excerto acima. pelo qual Ele sabia desde toda a eternidade as pessoas que iriam.

a continuidade e a consum ação de todo o bem. finalm ente. conform e já nos exprim im os. Sem a graça divina o hom em não pode fazer qualquer m ovim ento em direção a Deus. A graça preveniente é fundamental na soteriologia de A rm ínio e arm inianos clássicos. Para eles a graça antecede qualquer m ovim ento hum ano em direção a Deus. Leiam os o rem onstrante Episcópio: . A graça salvífíca opera bem antes da obra regeneradora e santificadora do Espírito. por si só. e. E evidente que o ato de não resistir à graça im plica no assentim ento hum ano. R em onstrantes e Graça Preveniente Os rem onstrantes tam bém criam na graça preveniente com o o fundam ento de todo bem espiritual conform e dem onstrado. A graça preveniente faz em ergir a convicção do pecado e pretende elevar as pessoas à salvação m oral e m etafísica. conciliadora. bem com o esclarece que o hom em não é seu próprio salvador. em qualquer aspecto que seja. convidativa e capacitadora. 4. isso faz do hom em seu próprio salvador: A rm ínio escreveu: A tribuo à graça o início. o arm inianism o clássico reconhece a existência de um m istério por trás dessa colaboração. em bora regenerado. A salvação é de Deus! Ao hom em cabe apenas não resistir à Sua graça. fazer qualquer bem. Esta graça atua de m odo colaborativo com a vontade hum ana. a obra salvífíca fundada unicam ente nos m éritos de C nsto é levada a efeito na vida do hom em por meio da regeneração. A graça é o fator decisivo na salvação do hom em . A preem inência é sem pre da graça divina. os rem onstrantes e arm inianos clássicos são associados frequentem ente. resistir ao mal. A graça preveniente é ilum inadora. Isso já foi discutido sobejam ente nos capítulos anteriores. No entanto. em hipótese alguma. mas no arm inianism o clássico isso não im plica em um nivelam ento entre am bas. Todavia.c" " A rm ínio é claro quanto à incapacidade hum ana de iniciar sua salvação ou de auxiliar no processo. Tal cooperação não é com plem entar ou substitutiva. A ação divina tem prioridade. não p o d e conceber. não tem condições de arrepender-se. A razão é simples: o hom em está m orto em delitos e pecados (E f 2:1).Z w inglio R odrigues hom em frente aos apelos do Evangelho. Ou seja. Isso está num a posição diam etralm ente oposta da antropologia otim ista dos sem ipelagianos aos quais Arm ínio. Cedendo às convicções do Espírito Santo. à obra da graça divina. seguinte e cooperante. ou que elas são iguais. sem esta graça preveniente e estimulante. desejar. o hom em está em estado de depravação total. que um homem. de tal form a elevo sua influência. convincente. Por isso tom a-se necessána um a ação graciosa da parte de Deus que venha tom ar a vontade hum ana livre para escolher ou não cooperar com o Espírito Santo.

" rr!V. Que isso quer dizer? Leiam os O lson novam ente: A rm ínio acreditou veem entem ente na graça preveniente como graça regenerativa. Arm ínio cria em um a graça preveniente regeneradora. estava em sintonia com A rm ínio e Episcópio. um a discussão sobre a ordem da redenção. Sem dúvida. são totalm ente atribuídas à graça de Deus em Cristo como sua prim eira e principal causa. pois concebe um residual de boa vontade no hom em caído. está entre a 43 Apresentamos uma ordo salutis arminiana no apêndice 2.’i £J . p e la prim eira vez. a conversão e todas as boas obras. Graça Preveniente e R egeneração Antes de irm os ao ponto deste subtópico. faz necessário dizer que A rm ínio não tinha um a ordo salutis (ordem da salvação)43 no sentido dado pela Teologia Sistem ática. Para ele. O lson comenta: Os p roblem as de Lim borch com eçaram quando ele tentou explicar a relação entre a graça e a fé . e todas as ações piedosas de salvação.i Introdução ao A rm inianism o A fé . a graça preveniente não é som ente persuasiva. Esse é um afastam ento total do arm inianism o clássico. Esta ilum inação está para além de qualquer acuidade intelectual e deve ser entendida com o a luz da verdade de Deus infundida no entendim ento hum ano e em sua vontade. a fé com eçou a se afastar de seu em basam ento arm iniano na graça como sua única causa. Para Lim borch. para A rm ínio não se trata ainda da salvação consum ada. Porém . ele tentava arranjar sua teologia da redenção de tal m odo que seus pares e alunos pudessem com preendê-la com algum a ordem lógica. Phillip Lim borch. ele tom ou seu próprio cam inho quando tentou relacionar graça e fé. a graça preveniente não libera a vontade. mas trata-se de uma iluminação. em linhas gerais. exercitar uma boa vontade p a ra com D eus em arrependim ento e O term o “regeneração” aqui não deve ser tom ado stricto sensu. mas fortalece-a. no tocante à graça preveniente. Ou seja. nas quais alguém p o d e pensar. 5. ela também renova a p esso a na imagem de D eus e libera a vontade de modo que a p esso a pode. 141 . Quem diz isso é Rodríguez que detecta nos escritos de Arm ínio. A este falta apenas o conhecim ento devido a respeito do que fazer. pensada em um sentido lato sensu. Que estam os dizendo? Esta regeneração. O rem onstrante posterior e “arm iniano da cabeça”. Aqui ele é sem ípelagiano. e Lim borch desloca seu em basam ento p a ra o livre-arbítrio.cccxxv‘ Episcópio segue na m esm a esteira que Arm ínio.

Coutinho diz: Os teólogos protestantes anteriores e contem porâneos a Arm inio nâo se preocuparam em desenvolver um arranjo seqüencial dos processos salvíficos.com do arminianismo. que é o coração hum ano para Agostinho. . e liberta a vontade hum ana.visto estar sendo ilum inado . todavia. um a vivífícação que pode não ocorrer desde que a pessoa rechace a graça ao resistir ao Espírito Santo.. É também editor do site .” Portanto. A atenção deles estava muito mais voltada p a ra os aspectos objetivos do que p a ra os aspectos subjetivos da salvação. Sam uel Paulo Coutinho44 dem onstra que a regeneração. uma seqüência progressiva e abrangente. desejar.deusamouomundo.verdades básicas relacionadas à salvação.. mas é necessário q u e ele seja re g e n e ra d o (ênfase nossa) e renovado” . E extam ente isso que o conceituadíssim o teólogo puritano John Owen (1616­ 1683) parece apontar quando escreve: 44 Samuel Coutinho é um estudioso www. é um a incursão teológica posterior a Arm ínio. pois as disputas envolvendo a ordo salutis são relativam ente recentes na história da Igreja.. Em seu ótimo artigo. de e por si m esm o.” C outinho dem onstra ser plausível enxergar em A rm ínio o uso da palavra “regeneração” para referir-se a três fenôm enos distintos. distinta da própria ■ CCCXXXÍ vivijicaçao. ao lerm os A rm ínio dizendo “mas em seu estado caído e pecam inoso. com posta de obras preparatórias e conducentes à vivificação do novo homem. A graça preveniente opera vigorosam ente deixando o hom em em condições de discernir . bem com o dota-o de condições de resistir ou não à graça divina. O lson escreveu: “a alma do pecador está sendo regenerada. O Espírito Santo opera poderosam ente n a alm a hum ana com vistas à salvação dela.. O que nos interessa é o seguinte: O processo pelo qual o Espírito leva o homem ao novo nascimento. “regeneração” para A rm ínio nào exige o sentido de d ovo nascim ento ainda. O que está em curso é a ilum inação e não.]. A rm ínio sem pre acreditou que posterior ao arrependim ento e à fé é que se concretiza a salvação..CCCXXLX Portanto. pensar. pensando em ordo salutis (ordem da salvação). ratificam os que não devemos com preender “regenerado” no sentido de tom ado salvo. Jacó Arm ínio: Regeneração e Fé. o hom em não é capaz. Esta regeneração que está sendo tom ada como um a ilum inação para além da acuidade intelectual é a m esm a apresentada de m odo poético por Paulo em Efésios 1:18: “sendo ilum inados os olhos do vosso entendim ento [.Z w inglio R odrigues inform ação intelectual e a regeneração stricto sensu. ”cccxxx Era pensando nesse processo que A rm ínio disse: “ [. pois sua penetração vai à “câm ara escura”.].. ou fazer aquilo que é realm ente bom. ainda.] é necessário que ele seja regenerado [.

| Introdução ao A rm inianism o

H á certos efeitos internos, operados nas almas dos homens, dos quais a
palavra pregada é a causa instrumental, e que geralm ente precedem a
regeneração (ênfase nossa). E estes sâo a iluminação, a convicção e a
reforma. A prim eira diz respeito apenas à mente; a segunda à mente,
consciência e afeições; e a terceira à vida e ao com portam ento "CLXXX“
Esses esclarecim entos são im portantes porque alguns teólogos querem dar o
sentido às palavras de A rm ínio que concorde com a ordo salutis calvinista na qual a
regeneração precede à fé. Com o está posto, no arm inianism o clássico, ou pensando
num a ordo salutis arm iniana, a fé precede a regeneração stricto sensu.
6.

B ase B íblica Para a Graça Preveniente

Com frequência os arm inianos são requisitados a apontarem bases bíblicas que
deem sustentação à doutrina da graça preveniente. Para responder aos calvinistas e
subsidiar arm inianos em seus estudos, alistam os algumas passagens da Bíblia.
F u n d a m e n to B íblico
Há muito que o SENHOR me apareceu, E uma certa mulher, chamada Lídia,
dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e
que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe
por isso com benignidade te atrai. Jr 31.3
abriu o coração para que estivesse atenta ao
que Paulo dizia. At 16.14
E
de um só sangue fez toda a geração dos
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas,
homens,
para habitar sobre toda a face da
e apedrejas os que te são enviados! quantas
vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a terra;, determinando os tempos j á dantes
galinha ajunta os seus pintos debaixo das ordenados, e os limites da sua habitação; para
que buscassem ao Senhor, se porventura,
asas, e tu não quiseste! Mt 23.37
tateando, o pudessem achar; ainda que não
está longe de cada um de nós. At 17.26, 27
Porque o Filho do homem veio buscar e Ou desprezas tu as riquezas da sua
benignidade, e paciência e longanimidade,
salvar o que se havia perdido. Lc 19.10
ignorando que a benignidade de Deus te leva
ao arrependimento? Rm 2.4
Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a De sorte que a f é é pelo ouvir, e o ouvir pela
palavra de Deus. Rm 10.17
todo o homem que vem ao mundo. Jo 1.9
Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me Porque pela graça sois salvos, por meio da fé;
enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no e isio não vem de vós, é dom de Deus. Ef2.8
último dia. Jo 6.44
E eu, quando fo r levantado da terra, todos Porque a graça salvadora de Deus se há
manifestado a todos os homens. Tt 2.11
atrairei a mim. Jo 12.32
Homens de dura cerviz, e incircimcisos de Porque Deus é o que opera em vós tanto o
coração e ouvido, vós sempre resistis ao querer como o efetuar, segundo a sua boa
Espírito Santo; assim vós sois como vossos vontade. Fp 2.13
pais. At 7.51
...
.

143
«asse

Z w inglio R odrigues

Sentimos que nada somos, pois Tudo és Tu
e está em ti;
Sentimos que somos algo, e isso também
'
veio de Ti;
Sabemos que nada somos, mas Tu nos
ajudarás a ser algo.
Santificado seja o teu nome, Aleluia!

Conclusão

Sem dúvida, o arm inianism o clássico apresenta um a teologia da graça de alto
valor. O livre-arbítrio não precede ou suplanta a graça no escopo soteriológico
arm iniano clássico, pois é adm itido o estado de depravação total do hom em . Todo bem
espritual procede da graça de Deus e isso nega qualquer m érito natural. Em sua
salvação, o hom em nada com plem enta, pois resta-lhe fazer no m om ento de sua
salvação “nada de nada”cccx''xlu.
Para fechar este capítulo, propom os a agradável leitura do poem a de Alfred
Tennyson (1809-1892)4' cheio de graça:

45 Alfred Tennyson, Io Barão de Tennyson, nasceu em Somersby, Lincolnshire, Inglaterra. Poeta
inglês considerado, muitas vezes, como o principal da era Vitoriana. Disponível em <
http://global.britannica.com/EBchecked/topic/587422/Alfred-Lord-Tennyson > Acesso em 10
out. 2014.

| Introdução ao A rm inianism o

Capítulo 10
Hüjre-Arbítrio
A existência e a natureza do livre-arbítrio são questões de
importância prática, de como empregaremos uma perspectiva
ética em nossas condutas individuais e sociais com os outros.
William Lane Craig & J. P. Moreland
Introdução
A expressão “ livre-arbítrio” (liberum arbitrium ) não é bíblica. Segundo Alíster
M cG rath, ela entrou na igreja ocidental p o r m eio do teólogo do segundo século
Tertuliano.cwxxxlv O livre-arbítrio, conform e G eisler & Feinberg, “sustenta que nossas
ações livres nem são causadas por outras, nem estão sem causa. Pelo contrário, são
causadas por si m esm as.”cccxxxv Ou seja, o próprio agente exercita livrem ente seus
poderes causais e faz opções entre agir ou não de determ inada m aneira debaixo das
mesm as condições. E ra palavras diferentes, o indivíduo pode escolher entre A e B sem
que causas outras determ inem o m odo com o ele fará sua escolha. O agente é livre! “Ele
é um prim eiro m otor ou m otor não-m ovido: nenhum evento ou causa eficiente o faz
agir,,cccxxx", dizem os filósofos J.P. M oreland & Willian Lane Craig. D istrinchando m ais
ainda, citam os o filósofo A lvin Plantinga:
O que é relevante p a ra a defesa do livre-arbítrio é a ideia de ser livre
com respeito a um a ação (ênfase no original). Se uma pessoa fo r livre
com respeito a uma dada ação, então, tem a liberdade de realizá-la ou
não; nenhum a das condições anteriores e / ou leis causais determ inam
que ela realizará ou não a açào.cccxxxvu
Segundo Olson, “os arm inianos afirm am o livre-arbítrio libertário. Q uando um
agente age livrem ente no sentido libertário, nada fora do ser causa a ação.”CCOXXXV111 É
exatam ente o que disseram os teóricos acima. Esta capacidade do agente decidir sobre
seu com portam ento sem causas antecedentes que não seu próprio poder de realizar ou
não um a ação, segundo M cGrath, “encontra-se distorcido pelo pecado”tccxxx,x e sua
restauração só é possível através da operação da graça de Deus.
Em A rm ínio, o livre-arbítrio para o bem está totalm ente destruído:
N este estado o Livre-Arbitrio do homem em direção ao Verdadeiro Bem
não está apenas fe rid o , mutilado, débil, inclinado, e enfraquecido; mas
também aprisionado, destruído, e perdido: E seus poderes não estão
apenas debilitados e inúteis a menos que eles sejam assistidos p ela

145

U m alcance am plo e irrestrito.] as vontades livres dos homens ou de anjos. ações. qualidades. segundo suas essências. ações boas podem ser executadas por uma opção livre.Z w inglio R odrigues graça. c o n se n a çà o e direção. progresso e térm ino.CCLxln Eis o alcance do governo da providência divina para Arm ínio. m esm o sob a intensa influência dos efeitos nefastos da Q ueda. m esm o nesta condição de inclinação para o mal. estão sujeitos ao Seu governo. estações e hábitos. Deus governa e nada escapa ao governo divino. som os inform ados a respeito da atividade governam ental de D eus e sua extensão. A ntes de discorrerm os sobre o que propõe este tópico. Para tanto. Sabem por que podem decidir em oposição a uma força contrária. tempos. ju n ta m en te com todas as suas propriedades e poderes. A propensão para o mal perdura. e que Ele está supervisionando tudo que criou. A rm ínio cria nisso: M eus pensam entos a respeito da providência divina são os seguintes: a providência está presente com e governa sobre todas as coisas. Eu também não excluo [. benevolente. com o o hom em não é m au em toda potencialidade m áxim a. . N o entanto. lugares. A inda mais. relações. A rm ínio realça em cores vivas os efeitos da depravação hum ana pós-queda adâmica. bons ou maus. quantidades. Este controle soberano é cham ado de Providência. sábio e onipotente também exerce controle soberano sobre eles. Esta é a razão pela qual o ser hum ano pode ser responsabilizado por seus pecados. no tocante às questões de ordem natural. paixões.“V erdadeiro B em ” . Para o teólogo holandês o hom em em seu estado caído está destituído do livre arbítrio para as questões espirituais .CCLXh D esta explicação. precisam os com preender o que é a doutrina da providência divina. m as que um Ser santo. franqueam os a palavra a Henry Clarence Thiessen: O cristianism o afirm a que Deus não sim plesm ente criou o universo. m as.cccxl . e todas as coisas. os hom ens m aus sabem dar boas coisas a seus filhos. Porém .. independente da corrupção moral de sua natureza. eu não removo o governo da providência divina até sobre o pecado levando em consideração seu início.. Sim. iniciada. mas nâo têm p o d er nenhum exceto se excitados p ela graça D ivina. A doutrina da providên cia divina e o livre-arbítrio segundo A rm ínio e arm inianos clássicos. Tem os aqui um m odo distinto de falar sobre o livre-arbítrio. disse Jesus. 1. qualquer decisão do hom em é originada.

[ Introdução ao A rm inianism o

A doutrina da providência divina tem um lugar muito im portante na teologia de
A rm ínio. R odríguez chegou a essa conclusão e aponta duas razões para sua
com preensão: I aA atenção e o tempo dedicado ao assunto p o r Arm ínio; 2 a P or causa
da implicação que a doutrina da providência tem p a ra várias doutrinas im portantes e
essenciais p a ra a teologia reform ada de seu tempo.
A rm ínio discute a doutrina da providência em pelo m enos dois m om entos. Em
The Works o f Arminius, vol. 2: A L etter A dressed to H ippoíytus A. Collibus e The
Works o f A rm inius, vol. 1: A D eclaration o fT h e Sentiments. Ele trabalha a doutrina no
tocante ao alcance da providência divina, sua relação com o pecado, a providência e o
pacto, a providência e o dom ínio de Deus, a criação e a providência divina, entre outros.
N o que im porta a este tópico, destacam os a relação entre a providência divina e livre
arbítrio.
Vim os acim a que para A rm ínio nem os atos livres dos hom ens estão fora do
governo de Deus. N o entanto, isso em hipótese algum a significa que os atos dos
hom ens são determ inados pela providência. Para Arm ínio, a providência não determ ina
a volição hum ana. E isso que desejam os fixar. Em bora Deus seja soberano sobre todas
as coisas, isso não precisa ser concebido com o um a soberania toda-detem iinativa. No
ponto 6 retom arem os ao assunto.
2.

Os conceitos de determ inism o, determ inism o duro e determ inism o brando.

O determ inism o duro e brando são pontos de vista opostos ao livre-arbítrio
libertário. G eisler e Feinberg explicam determ inism o e os dois tipos de determ inism os.
D eterm inism o:
E a crença de que todos os eventos são governados p o r leis.cccxk“
D eterm inism o duro:
A ceita um ponto de vista incompatibilista, de que a liberdade e o
determ inism o não podem ser reconciliados.cccxkv
Determ inism o brando:
E o po n to de vista [...] de que somos livres e, portanto, às vezes
responsáveis pela s nossas ações, p o sto que não haja qualquer
constrangim ento externo. Estam os m eram ente agindo de acordo com
nossas próprias escolhas, desejos, e volição. ':calv
O determ inism o tem com o característica básica a certeza de que tudo o que
acontece tem um a causa. Q ualquer acontecim ento do universo é resultado de um
conjunto de condições que, se repetidos, redundariam no m esm o acontecim ento. Para

Z w inglio R odrigues

|

um efeito, há um a causa e isso rem onta infinitam ente para trás. O determ inism o duro
sustenta ser a causalidade uma verdade e que “tudo, m esm o toda causa, é o efeito de
algum a causa ou grupo de causas',cccxlvl, concluem G eisler & Feinberg. Assim , liberdade
e determ inism o são irreconciliáveis. Q uanto ao determ inism o brando, adm ite-se o
com patibilism o, ou seja, ações podem ser determ inadas por causas anteriores
(hereditariedade e o am biente) e m esm o assim os resultados dessas ações devem ser
aceitos com o livres.
Esses conceitos são naturalistas e deles discordam os. M as nossa preocupação
aqui é com o conceito de determ inism o teísta.
3.

D eterm inism o teísta
Ferguson e W right explicam o determ inism o teológico:
O determ inism o teológico é a doutrina de que a form a de todos os
eventos é determ inada de acordo com o propósito determ inado e o p réconhecim ento de D eus.CCLXlv"

. D efendendo o livre-arbítrio, A rm ínio e o arm inianism o clássico não adm item
qualquer tipo de determ inism o, pois qualquer determ inism o isenta o hom em de suas
responsabilidades visto que suas escolhas não são realm ente suas. N inguém pode ser
responsável por suas ações, pois nada daquilo que se pensa ou faz é realizado pelo
indivíduo. Na tentativa de afirm ar a responsabilidade hum ana ao m esm o tem po em que
defendem o determ inism o divino, calvinistas propõem a crença em um determ inism o
com patibilista. Ou seja, Deus pode determ inar a todas as pessoas que façam o que Ele
quer sem suprim ir a liberdade delas. Ora, liberdade e determ inism o não são
com patíveis, pois se não é possível a um a pessoa decidir livre e diretam ente em
oposição a qualquer m aior influência recebida, ela não pode ser responsabilizada por
seu ato já que não dispõe de poder para decid ir.T o m á-la responsável por qualquer ação
sem possibilidade de um a escolha livre é injustiça.. Pelo m enos três razões podem ser
levantadas contra o determ inism o teísta:
• F azer o que não quero é contrario à experiência.
• Um agente livre p o d e causar um ato livre.
• A s p essoas não são máquinas, portanto toda ideia m ecanicista da
p ersonalidade hum ana labora em erro.
N o subtópico seguinte tecem os outras considerações.
Fechando esse subtópico, deixam os esta desconcertante reflexão de C. S. Lewis
sobre o determ inism o:
P ara o determ inism o (teísta ou natural) ser verdadeiro, seria necessária
um a base racional p a ra seu pensam ento. Mas, se o determ inism o é

| Introdução ao A rm inianism o

verdadeiro, não há base racional p ara o pensam ento, j á que tudo é
determ inado. Portanto, se o determ inism o fo r verdadeiro, então deve ser
fa ls o .cccxh™
'
4.

Livre-arbítrio e a responsabilidade hum ana

As discussões voltadas para juízos m orais do dia a dia são instigantes. Questões
com o “posso fazer?”, “ fiz voluntariam ente?”, “ sou responsável?” necessitam de
respostas as m ais claras possíveis para a atribuição de responsabilidade aos hom ens. O
livre-arbítrio libertário em contraposição aos tipos de determ inism os (teológico e
natural) citados, larga na frente, pois, dentre os três, ele oferece explicações que
justificam m ais satisfatoriam ente o estabelecim ento de padrões de julgam ento,
atribuição de responsabilidade e as repreensões ou louvores.
O livre-arbítrio é condição sine qua non para a responsabilização humana.
A dm itir a ação hum ana com o resultado da com pulsão divina e não de um a ação livre,
com prom ete a responsabilidade do hom em a tal ponto de criar uma situação de injustiça
ao condenar o hom em . A ssim com preendia A rm ínio, antes dele, Agostinho, Tom ás de
Aquino e René D escartes, por exem plo. O eu é um agente livre (com livre-arbítrio) e
por isso pode fazer escolhas m orais.cccxllx Em bora sob a forte e nefasta influência
recebida das conseqüências da Queda, o hom em tem condições de escolher o bem, o
bom , contrariando a m aior influência recebida. Paulo confirm a isso ao declarar:
“Aquilo que quero, isso não faço” (R m 7:19). Tem os um a prova bíblica sobre ser o
livre-arbítrio parte de nossa essência. Tem os livre-arbítrio! Com o escrevem K reeft e
Tacelli: “A alternativa de possuir ou não livre-arbítrio não seria para um ser hum ano,
m as para um anim al ou para um a m áquina.”^ 1
5.

L ivre-arbítrio e a origem do pecado

O livre-arbítrio é um a doutrina fundam ental para A rm ínio e o arm inianism o
clássico. Razão básica: o livre-arbítrio é a causa da Queda e não qualquer determ inism o
divino. A rm ínio considerava um a blasfêm ia fazer recair sobre os om bros de Deus a
culpa pelo pecado do hom em . Seu opositor, Francisco Gom arus, se satisfazia em dizer
que Deus m ovia a língua dos hom ens para blasfemar. Argum entando, o teólogo
holândes escreveu: “nós deduzim os [...] que D eus, de fato, peca [...] que D eus é o único
pecador [,..]“ccdl Em outro m om ento ele escreve sobre essas perspectivas calvinistas:
“nem m esm o o próprio diabo pôde conceber em seu propósito m ais m aligno.”‘'cül1
A rm ínio inferia, inexoravelm ente, a partir dos decretos calvinistas, que Deus
era o autor do pecado e do mal moral. Ele afirmou: “ Segue-se, a partir de sua doutrina,
que Deus é o autor do pecado.”Lcdl“ N ão havia conclusão m ais lógica. De fato, há
calvinistas que não escondem suas certezas quanto a D eus ter sido o criador do mal. Por
exemplo,,,Edwin H. Palm er (1922-1980): “ A Bíblia é clara: Deus ordena o pecado.”cccliv;
R.C. Sproul Jr.: “ [...] Deus quis que o hom em caísse em pecado. N ão estou acusando
Deus de pecar; estou sugerindo que Deus criou o pecado.”ccclv e G ordon Clark (1902-

149

que estão no Vale do Filho de Hinom. As Escrituras negam frontalm ente que tenha passado pelo coração de Deus criar o mal moral e determ inar que o hom em pecasse: E edificaram p a ra fa zerem nunca lhes abom inação. 2014. Três pontos esclarecem isso: A doutrina calvinista não condiz com a natureza de Deus.php/categorias/diversos/artigos/81-jack-cottrell/166-jackcottrell-soberania-e-livre-arbitrio> Acesso 08 nov.arminianismo. f cd" “ 2. Adm itam os duas coisas em ergentes: 1. os altos de Baal. mas ele não se om itia e declarava não poder se chegar a outro resultado. . pois colocava em xeque Sua natureza..46 D efender a doutrina do livre-arbítrio cria problem as para a doutrina da soberania divina? Não. o que ordenei. iJerem ias 32:35. Is 6:3. f LÜ'" A luz disso tudo (referências bíblicas).. 6. a B íblia ensina explicitam ente que Deus cria o pecado.com/index. Soberania divina e livre-arbítrio. Tudo é um a questão de perspectiva. As articulações teológicas de A rm ínio negando ter sido Deus o autor do pecado não descansava em um a tentativa de denunciar a violação do livre-arbítrio por parte das crenças calvinistas. p assar seus filhos e suas filhas p elo fo g o a Moloque. que fizessem tal p ara fa zerem p eca r a Judá. Tratava-se da injúria à glória de Deus. . Sugerim os outras Escrituras: Jó 34:10. A cusar Deus de ter sido o criador do mal m oral é uma blasfêm ia. em bora os calvinistas digam que sim. .Z w inglio R odrigues 1985): “Portanto. E um insulto à glória de Deus. O arm inianism o clássico concebe: 46 Esse ponto é uma paráfrase do texto Soberania e Livre-Arbítrio de Jack Cottrel disponível etn <http://www.] P or implicação. em bora esses reform adores adm itissem ter Deus incluido o pecado em Seu Decreto. Dt 32:4. SI 92:16. . ”ceclvi N os reform adores Ulrich Zwinglio (1484-1531) e João C alvino (1509-1564) encontram os o m esm o ensino. Porém .. . Ele jam ais poderia ser concebido com o o autor do pecado. . Reflita nos trechos em negrito. N ão se ajusta ao caráter de Deus. nem veio ao m eu coração. ~ A rm ínio tinha o conhecim ento das tentativas calvinistas de isentarem Deus com o o criador do pecado. A questão era outra e m ais revestida de seriedade. escreve o teólogo calvinista Louis Berkhof: Todos os conceitos determ inistas [. eles fazem de D eus o autor do pecado f . seria blasfêm ia fa la r de D eus com o o autor do pecado [ .

7. à conclusão de que Ele é finito e limitado.| introdução ao A rm inianism o • Um p la n o divino todo-abrangente. porque Deus. M as Ele determ inou dotar o hom em de livre-arbítrio. não há problem as em argum entar que todos os detalhes dos acontecim entos envolvendo os seres hum anos estão inclusos no decreto divino. • Um Deus que se auto-limita. com entar. N desejar fazer algum a coisa é diferente de não poder fazer algum a coisa. O oposto colocaria Deus em um a situação de não poder fazer o que Lhe apraz. a respeito da acusação dos críticos que afirm am ser o cerne do arm inianism o o livre-arbítrio. O livre-arbítrio não é o cerne do arm inianism o C abe nesse instante. Em outras palavras. o arm iniano concluirá que adm itir um plano divino todoabrangente não im plica em ter que afirm ar um plano divino todo-determ inativo. • Que D eus decreta o que lhe apraz. R oger Olson m ostra que A rm ínio e Episcópio em m om ento algum apelam para o livre-arbítrio com o a razão prim eira para oporem -se ao determ inism o divino (aos decretos calvinistas supra e infralapsarianos). escolheu autolim itar-se deixando por sua própria vontade espaço para a ação livre do hom em . de passagem . logo. • Q ue D eus é absolutam ente soberano. N em Philip Lim borch. soberanam ente. Q ual lógica pode suster que caso Deus desejasse dotar o homem de livrearbítrio e perm itisse que este executasse ações livres Sua soberania estaria com prom etida? Deus decretou dotar o hom em de livre-arbítrio e isso exalta Sua soberania e não a dim inui. controvertido 151 . devido à im portância da doutrina do livre-arbítrio para A rm ínio e o arm inianism o clássico. inclusive não determ inar todas as coisas. Dados os pontos acim a com entados de m odo brevíssim o. não vem os problem a com a perspectiva arm iniana clássica. mas. D eus não determ inou todas as ações hum anas de antem ão. D iferente do calvinista. * D eus é absolutam ente soberano m esm o sem determ inar todas as coisas. '■ O hom em exerce seu livre-arbítrio à parte do controle divino não porque o hom em detenha poderes divinos ou poderes próxim os aos de Deus.. é soberano. D aí sim chegaríam os. Deus pode fazer o que deseja. Ou seja. D issem os que a com preensão da harm onia entre soberania divina e livrearbítrio tem a v er com perspectiva. inexoravelm ente..

nunca perm ite o mal. Arm íno estranhava essa articulação. Deus não pode ser o criador do mal porque Ele é bom. segundo Perkins. 2a a manifestação da perfeição divina. seus contem porâneos. m as não à parte de Sua vontade. poder e b o n d a d e de Deus. am ável e ju sto A rm ínio estava com prom etido com a b o n d ad e de Deus. A Queda foi “perm itida” por Deus. .”ccclxi Deus perm itiu o pecado por duas razões: Ia a liberdade (libertas voluntaria). • D eus é bom p o r natureza. por sua onipotência. não im plicava na atribuição a Deus da autoria do pecado. confom ie dem onstrado. sabedoria.CLlx” Para dar suporte ele cita A gostinho: “Deus. que para ele fazem de D eus autor do pecado. Ele suscite o bem do m al. Olson escreve sobre Armínio: Contrário à opinião popular. vol. e isso era insuportável para Arm ínio. Ela com eçou depois do lançam ento do livro de Perkins chamado The Order A n d M ode o f Predestinaiion (A Ordem e o Modo da Predestinação).Zvvinglio R odrigues rem onstrante posterior. em sua b o n d a d e . 3. Sua teologia é cristocéntrica. am or e justiça.cccK O problem a da autoria do pecado era um a delas. Para Perkins. explicou A rm ínio. seu impulso teológico básico é absoluto: com prom isso com a bondade de D eus (ênfase nossa). e contra os sistem as supralapsariano (e infralapsariano tam bém ). Esta perm ite às criaturas racionais irem além das ordens prescritas com o intuito de exaltar a justiça. explicava cham ando a atenção para a doutrina da “perm issão” .) Considerem os as conseqüências das perspectivas de A rm ínio e as de seus contrários a partir das conclusões do próprio Arm ínio. Antes. e nele Deus é revelado como compassível. pois lhe parecia ilógica. D eus era o autor do pecado? N egando. A intenção de Perkins era apresentar uma doutrina da predestinação m ais razoável que o supralapsarianism o. V am os passar rapidam ente os olhos na disputa de A rm ínio com Perkins. A rm ínio o reprovou por diversas razões. Essa com binação. A rm ínio lida com o pensam ento de Perkins em The Works o f Jam es Arminius. a) A b o n d a d e D eus • Jesus C risto: misericórdia. Jesus Cristo é a nossa m elhor p ista p a ra o caráter de Deus. O livre-arbítrio seg u e-a. Arm ínio não com eçou com o livre-arbítrio e chegou até a eleição condicional ou graça resistível. misericordioso. segundo Olson. Partim os dessa prem issa. a m enos que.i.”cl'cIxi11 f E a bondade divina o âm ago do arm inianism o e não o livre-arbítrio. Esse era o fio condutor de seu em bate contra os teólogos W illiam Perkm s e Francisco G om arus. Ele ponderou: “Como pode ocorrer a queda porque Deus a deseja e a vontade de Deus não ser a causa da queda. Ao ler o livro algum as vezes. conform e afirm ado acim a. partiu de tal prem issa em sua oposição ao calvinism o.

Seu desejo. chocou m oradores do bairro Petrolândia que. • A natureza boa e ju s ta de D eus leva-o a desejar a salvação de todos os homens. essa é Sua vontade. Por exem plo. Ou seja. V am os a um exemplo. na G rande B elo H orizonte. se D eus desejou a dupla predestinação. Para a m anuntenção da soberania divina. revoltados. ou seja. Tam bém ela exige o assentim ento de um a ação divina qualquer m esm o que contradiga as ideias de m oralidade do hom em . de três.”ccclxiv O filósfo grego Sócrates foi quem levantou essa questão. perguntando: “U m a coisa é direita porque D eus a determ ina pela sua vontade. ou Deus determ ina algum a coisa porque ela é direita?”ccclxv O voluntarista dirá que algo é direito porque Deus disse que o é.)D esse modo.além disso. ou para fazer justiça a ela. são trazidas à existência de acordo com o propósito eterno de D eus. os voluntaristas sustentam ser um princípio válido. o caráter moral. Para ele. conceito que “insiste que algo é correto.’<cclxvi V eja que para M achen. Um caso de estupro envolvendo um garoto de som ente 14 anos e outra criança. pois ela contrasta com o livre-arbítrio. essa noção filosófico-teológica. • D eus deseja destruição dos impios. chutaram e deram chineladas no garoto que teve parte da orelha arrancada . • D eus é glorificado exatam ente p o r revelar sua bondade na criação e redenção. • Injustiça. Objetam os. por ser o desejo de Deus. • D eus opta apenas p o r salvar um a parcela da humanidade. com o Arm ínio. A rm ínio coroava sua ênfase na bondade de Deus como ponto de partida para chegar a tem as com o a eleição condicional. a vontade divina precede qualquer abordagem envolvendo. film aram . b) Os d ec reto s in fra e su p ra la p s á rio s • Arbitrariedade. A rm ínio negava o voluntarism o. • D eus o autor do pecado. ou m oralm ente bom. resolveram partir para agressão e cuspiram . O teólogo calvinista John G resham M achen (1881-1937) declarou: “Todas as coisas. e então passa a ser correto. por exem plo. • D eus desejou e tornou certa a Queda dos homens. apenas pelo fato de Deus desejar assim.| Introdução ao A rm inianism o • D eus é necessariam ente bom. Deus decide que algo é correto. está correto e isso não deve sofrer objeções e inquirições. incluindo até m esm o as ações m alévolas dos hom ens perversos e dos dem ônios. na cidade Contagem . os atos pecam inosos dos hom ens estão inclusos na vontade de Deus. Ele deseja o mal. portanto. Para ele Deus decreta o mal. Deus é bom devido a uma necessidade interna e natural e Ele deseja algum a coisa porque ela é correta e coadunase com Sua natureza (essencialism o).

Se o gênero hum ano não tem p o d er de fugir. C onclusão A doutrina do livre-arbítrio é bíblica: antes da Queda vem os o livre-arbítrio em G ênesis 1:27.C. Irineu de Lion (130-200 d. do que è vergonhoso e escolher o belo. a obrigação m oral tom a-se um absurdo.47 Para M achen e m uitos calvinistas. rebaixar o padrão de m oralidade de Deus em qualquer sentido é um a blasfêm ia.).C. Ap 22:17. A quele que ouve. escreveu: N ós aprendem os dos profetas e afirm am os que esta é a verdade: os castigos e tormentos. Encontram os a doutrina do livre-arbítrio tam bém em em inentes patrísticos: Justino M ártir (100-165 d. Isso é inaceitável. mas tudo acontecesse p o r destino. M t 23:37.C. não haveria absolutam ente livre-arbítrio. 3:9-10. 2:16-17. Se não fo ss e assim. que Deus sabe o que faz disso não tem os dúvida. é im possível que o Eterno induza alguém ao mal (Tg 1:13) ou que tenha program ado as pessoas para a execução de atos horrendos. Clem ente de A lexandria (150-215 d.C. sem coações. poder escolher ou não. nem aquele m erece elogio. pois.br/video-garoto-de-14-anos-tem-orelhaarrancada-apos-ser-suspeito-de-abusar-crianca-de-tres/ Acesso set. Bom .ccc!xv“ 47 Noticia disponível em http://varelanoticias. Sem livre-arbítrio.Z w inglio R odrigues toda a ação.). assim com o as boas recom pensas são dadas a cada um conform e as suas obras. 2014 . Esta últim a referência claram ente insinua o concurso do livre-arbítrio hum ano para a salvação: “O espírito e a noiva dizem: Vem.). beber da água da vida. ele não é irresponsável de nenhum a ação que fa ç a . 13. estam os errados em negar o voluntarism o divino. 3:6. Jerônim o (347-420 d. Jo 7:17. 11. Depois da Queda o livre-arbítrio é encontrado em G ênesis 2:17.” “Q uem quiser”. A quele que tem sede venha. em sua A pologia 43:2-3. D eus ter desejado aquele circo de horrores O rebaixa a tal ponto dEle ficar aquém do nosso padrão moral. e q u em q u is e r receba de graça a água da vida. diga: Vem. devido Sua suprem a santidade. 28. O rígenes (185-254 d. m as.C.com. p o r livre determinação. im plica em .) entre outros. Deus desejou o estupro de um a criança com três anos de idade. realizado por um adolescente de quatorze anos de idade que teve sua orelha decepada por populares. M esm o que nós jam ais desejássem os um a coisa horrenda como essa por causa de nossas ideias de m oralidade.). nem este. diante da oferta. É isso que propõem os voluntaristas. se j á está determ inado que um seja bom e outro m au. Qual sistem a moral poderá subsistir se culpa o hom em por aquilo que ele não pode evitar? Justino M ártir. D essedentar-se é um a possibilidade universal: “quem quiser” . pois D eus quis que as coisas fossem assim e Ele sabe o que faz. Com efeito. vitupério.

| Introdução ao A rm inianism o 1 Segundo o trecho em negrito. . ' N eguem o livre-arbítrio hum ano e destruam os m andam entos m orais das Escrituras. para Justino. é im possível ju lg a r um a pessoa caso suas ações estejam condicionadas às causas anteriores sem que ela pudesse agir de outra m aneira caso desejasse.

M etodistas Livres. Note que são denom inações im portantes e sérias. Até A gostinho. foi dem onstrado ao longo deste livro. Se os calvinistas podem falar a respeito de sua soteriologia como sendo “as antigas doutrinas da graça”. quanto à suprem acia da graça divina sobre o livre-arbítrio hum ano. Findam os nosso trabalho orando ao Eterno para que Ele nos abençoe. conform e entendem os. Com esse êxito. As prem issas teológicas apresentadas e defendidas neste trabalho são m ais antigas que as defendidas pelos calvinistas. A rm ínio e o arm inianism o clássico apresentam um a teologia válida e sólida. duvidosas. por exem plo. A teologia arminiana nunca buscou fundar-se em fontes espúrias. porque m uitas denom inações não são bem orientadas. Entendem os ter alcançado esses objetivos. os críticos deverão se resignar para passarem a tratar A rm ínio e o arm inianism o clássico com ju stiça e responsabilidade. as M etodistas do Brasil e M etodistas W esleianas. para o bem e para o mal. buscou cercar-se de teólogos e ramos teológicos de excelência. os Batistas gerais (que nâo são particularistas). esperam os que um entendim ento m ais claro e honesto a respeito de A rm ínio e do arm inianism o clássico tenha chegado a você. além de se m ostrar com o um ramo teológico im bricado diretam ente com a história da igreja desde a patrística dos quatro prim eiros séculos até os dias atuais. caro leitor. N o Brasil. Para o bem porque estam os certos que a soteriologia arm iniana clássica é mais fiel às Escrituras. M uitos desconhecem que a m aioria das igrejas evangélicas no Brasil são arm inianas. A luz dos resultados da nossa pesquisa. seguindo Arm ínio. é im possível classificar o arm inianism o clássico com o heterodoxo em qualquer sentido que seja. os arm inianos podem tranqüila e corajosam ente referir-se à sua doutrina da salvação com o “as antiquíssim as doutrinas da graça de D eus” e isso. escrituristicam ente falando. foi cham ado diversas vezes para fundam entar o pensam ento de A rm ínio e ele atendeu ao chamado. Há um contigente m uito grande de arm inianos no Brasil. são denom inações arm inianas as A ssem bléias de Deus. Para o mal. Oram os p ara que m estres surjam ensinando a sã doutrina e tais denom inações se alinhem à soteriologia dos apóstolos naquilo que for necessário. O rtodoxia é que não falta à teologia arm iniana clássica. . herói dos calvinistas. Igreja do N azareno entre outras. Portanto.Introdução ao A rm inianism o Conôtberaçõesí Jf tnatá N ossa proposta com este livro foi oferecer inform ações prelim inares e históricas a respeito de A rm ínio e do arm inianism o clássico am parando suas doutrinas biblicam ente. m as. Isto. Somos m ajoritários com parados aos calvinistas.

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] que Agostinho pregava. a credibilidade dim inui. Escolhe-se um texto de uma versão antiga e recorre-se aos pais da Igreja em busca de conferência. p. Quanto mais antigo for o docum ento em análise. quanto m ais “antigo”. D enom ina-se de “As Antigas D outrinas da G raça de D eus” o acrônim o TULIP (tulipa em inglês): • Total D epravity = D epravação Total • Unconditional Election = Eleição Incondicional • L im ited Atonem ent = Expiação Lim itada 48 “A critica textual é a atividade que se dedica a restaurar o texto original de documentos que possam ter sido expostos a incidentes devido a sucessivas cópias e recópias” (FERGUSON.403 d. que Paulo pregava. o teólogo calvinista Augustus N icodem usccclxvin cita Epifãnio (310 . . O título do livro de A nglada traz o mote calvinista “As Antigas Doutrinas da G raça de D eus” . melhor.C). WRIGHT. Com estas palavras introdutórias desejo apontar que evocar a “antiguidade” nos estudos bíblicos é sinônim o de evocar “autoridade” . Portanto.. que Orígenes cita Júnia no m asculino em um com entário da Epístola aos Rom anos. é a verdade que tenho que pregar hoje [.]“ clxlxSpurgeon disse “velha” . citando Charles Spurgeon. N icodem us argum enta ainda. Para nós também. para dizer que Júnia m uito provavelm ente era homem. Passem os a um exemplo. retrocedendo no tem po. Sabedor disso.. 2009. 265). m aiores são as chances de correspondência com o original. Aqui há um a vivida evocação de testem unhos antigos. bispo de Salam ina. O utro critério adotado tem a ver com a citação patristica. para os calvinistas. escreve: A velha verdade [.[ Introdução ao A rm inianism o üpênbtce l S á SntígutÊtéímasí IBoutrínaá ba # ra ça be IBeué Introdução O critério m ais im portante usado pela Crítica Textual*H para determ inar se um texto bíblico está m ais próxim o de seu autógrafo é o da “antiguidade” . o teólogo calvinista Paulo A nglada.. Sendo m ais recente. Ao estudioso. D evem os tom ar Júnia em R om anos 16:7 por nom e m asculino ou fem inino? V alendo-se do testem unho antigo. os “p ais” poderão inform ar sobre a interpretação e o entendim ento de determ inados textos ao m esm o tem po em que dem onstram a com preensão adotada na época..

16:13. amou os homens.. e o dará àqueles que o tiverem am ado (ênfase nossa). ele escreve: “Por causa da fé [. vam os apresentar testem unhos m ais antigos que posso para dem onstrar isso. os calvinistas estão corretos em falar sobre “antigas doutrinas da graça de D eus” . Entre Paulo e A gostinho há um a distância de 300 anos de história da igreja. Assim. os dem ais. Rm 11:12. P ara eles (todos os homens) criou o mundo e a eles subm eteu todas as coisas que estão sobre a terra. no tocante a Igreja anterior a A gostinho e posterior a Paulo. E xpiação Lim itada A Epistola de D iogneto (texto antiquíssim o contado entre os “pais apostólicos” ) diz: Se também desejas (é p a ra quem desejar) alcançar esta fé. Logo. o apóstolo. Porém.Z w inglio R odrigues • Irresistible Grace = Graça Irresistível • Perseverance o fth e Saints = Perseverança dos Santos Para dar o tom de antiguidade a essas doutrinas. 15 e U o 2:2). deparam o-nos com um a eleição condicional (R m 8:29. Formou-os (todos os hom ens) à sua imagem. Como não podem os nos alongar dem ais neste texto. A parte em negrito é um arrem ate que nos remete ao sacrifício de Cristo disponibilizando salvação a todos. o que fora dito a respeito dos cinco pontos? Tirando o prim eiro ponto e o quinto. Clem ente foi discípulo de Pedro. . Deus. enviou-lhes (a quem ? a todos os hom ens aos quais Deus amou e deu a razão) o seu Filho unigênito (JOAO 3:16). Desse m odo.] R aabe. Este ensinou os cinco pontos acima.Lcclxu Eis um a com pleta declaração antiquíssim a sobre expiação ilim itada (Jo 1:29. Spurgeon evoca A gostinho e Pauio. 6:33. 13). Ali está tam bém a doutrina da eleição condicional. são negados pelos pais apostólicos e gregos. N a Prim eira Epístola. com efeito. Aqui ocorre um dado digno de nota. se salvou.”ccclxx O autor diz que a causa da salvação de Raabe foi a fé. segundo Irineu de Lion e. que deve ser pensado com o um a perseverança dos santos de modo condiciona]. há uma história anterior a Agostinho. Eleição Incondicional Isto não existe na Epístola aos Coríntios escrita por Clem ente no final do prim eiro século. 3:16. mas conquistando-a apenas para os que creem. Ia Pe 1:2. Citarem os C lem ente de Roma e a Epístola de Diogneto. prim eiro deves obter o conhecim ento do Pai. de acordo com O rígenes e Eusébío de Cesaréia.. anunciou-lhes o reino do céu. até onde tem os podido constatar. D eu-lhes (a todos os hom ens) a palavra e a razão. a prostituta. foi cooperador do apóstolo Paulo (Fp 4:3). e só a eles perm itiu contemplá-lo. 2a Jo 1:1.

Introdução ao A rm inianism o Graça Irresistível Clem ente Rom ano escreveu: “Percorram os todas as gerações e aprendam os que de geração em geração o Senhor deu possibilidade de conversão àqueles que a ele quiseram re to m a r/’ Observe: deu possibilidade de salvação aos que quiseram. Clem ente é antiquíssim o. deve ser pensada de m odo condicional.. m as perseverança condicional. quando li p e la prim eira vez os pais apostólicos. Com esta fala. “Q uerer” sem pre é im portante na soteriologia bíblica. e P. Se Agostinho é um intérprete antigo. portanto. indicando declarações que m ostram que estes escritores N AO acreditavam nos • _ . Para onde poderia algum de nós fugir de Sua m ão forte? Qual m undo receberia alguém que desertou D ele?” Observe o verbo “desertar” .. Note: Clem ente viveu entre 30 a 101 d. Jo 5:40. a m esm a não pode ser atribuída ao 163 . Para Clem ente não existe perseverança incondicional dos santos como propõe o calvinism o. da igreja do prim eiro século. U. f i z anotações nas margens de todas as passagens que contradizem as doutrinas do Calvinismo. Recorram os novam ente ao testem unho antiquíssim o de Clem ente Romano: “Já que vê tudo e ouve tudo. e o dará àqueles que o tiverem am ado” . m as. Spurgeon não pode contar com a antiquissim a tradição dos pais apostólicos e gregos. Por isso que Spurgeon só pode falar “a velha verdade [. óbvio) para depois se converter.C. Lc 7:30. Conclusão Pensam os ter dem onstrado que as doutrinas da eleição incondicional. c c d x x ii cinco pontos. a Epístola de Diogneto tam bém nos conduz à doutrina da graça resistível (M t 23:37. Caso não queira. Perseverança dos Santos E sta é bíblica. 2 Pe 3:9). At 7:51. L. graça irresistível e perseverança incondicional dos santos. Realçam os: prim eiro tem que querer retom ar (isso depois da pregação do Evangelho. apresentadas pelo acrônim o TU LIP carecem de testem unho patrístico antigo mais próxim o dos apóstolos e. “anunciou-lhes o reino do céu. As margens de minha velha edição de L ightfoot estão cheias das letras T. felizm ente. expiação lim itada.] que A gostinho pregava Jack Cottrell diz: Como estudante de teologia. V isto tal dificuldade calvinista.C e foi presbítero entre 90 a 100 d. a possibilidade de salvação não existe. tem am os a Ele e abandonem os os maus desejos das ações desonestas para nos pouparm os por Sua piedade dos futuros juízos. como dissem os acim a. I.

Agostinho é antigo e. I o. a saber: • D eus elege ou reprova com base na Jé ou na incredulidade previstas (eleição condicional). Suas crenças. nosso breve texto não foi escrito para dizer que os calvinistas estão errados em usar a expressão “As A ntigas D outrinas da G raça de D eus”. A intenção foi.Z w inglio R odrigues arm inianism o clássico. ressaltar que só os arm inianos clássicos podem dizer a respeito de suas crenças soteriológicas com o fundadas nas “A n tiq u íssim as D outrinas da G raça de D eus” .12. • Pode-se resistir à g raça divina (graça resistível). cf. Em nossa opinião. Rm 11. destacam os que ela deve ser pensada como condicional. A penas dois “pais” antiquíssim os serviram para dem onstrar isso. e 4 o. portanto. é um a questão que exige m aior investigação (perseverança dos santos). todos eles estão em consonância com os antiquíssim os testem unhos dos pais apostólicos citados. Claro que sua autoridade com o teólogo não se restringe ao fator “antiguidade” . N o 5o artigo. • O hom em é tão depravado que a graça divina é necessária tanto p ara a fé como p a ra as boas obras (depravação total).13. Jo 15. portanto. Porém os arm inianos se dividem nesse ponto. pois está m ais próxim o dos apóstolos que nós. 1 Tm 4.1. Já a soteriologia de A rm ínio apontada nos cinco artigos da Rem onstrance pode ser claram ente observada.4. Lc 9. em perfeita sintonia com os pais gregos. Lc 17. Acim a. encontrada na patrística anterior a Agostinho. a R em onstrance deixa a questão em aberto.12. Porém antes de evocá-lo com o referência de intérprete das doutrinas da graça de Deus. M ediante argum entações apresentadas. ao fazer tal percurso. um a autoridade. Finalm ente. Tam bém inform am os que a perseverança dos santos é escriturística.6. 14. 2 Tm 2. N esse caso.19. 1 Co 9. a perseverança dos santos é condicional. Os dem ais artigos.32. G1 5. foram sintetizadas pela R em onstrance em cinco artigos. é necessário fazer um percurso ascendente .62.dos apóstolos até ele. os ensinos agostinianos que am param a soteriologia calvinista não são encontrados nos cerca de trezentos anos de história do pensam ento cristão anterior a ele. e tom ando com o referência patrística os testem unhos de C lem ente Rom ano. Hb 3:6. conform e dem onstrações feitas por nós e conform e asseverou Cottrell. • Cristo morreu p o r todos e p o r cada homem (expiação ilimitada). 2o. D evem os nos recordar que evocar a “antiguidade” significa apontar “autoridade” .17-21. por exem plo. • Se todos os verdadeiros regenerados perseveram com certeza na fé . com algum fundam ento sólido. . 1 Tm 1. dissem os que a doutrina da depravação total é bíblica e. 12. seguindo Escrituras com o Mt 24.27.

E leição O N ovo Testam ento ensina um a eleição individual (2a Jo 1:1. Tais eleitos são todos aqueles que creem no poder eficaz do sangue de Jesus derram ado na cruz. 1. Os homens devem ceder às convicções do Espírito Santo que objetiva convencê-los do pecado para que sejam salvos.Introdução ao A rm inianism o ^pênbtce 2 (0rbo Salutis. 13) e coletiva ( l aPe 2:9). /. Esses eleitos são os p re d e stin a d o s por presciência. mas de m odo consistente .3. destacam os um a soteriologia particularista do gnosticism o do I século que fazem nossos pensam entos retom arem para a segunda questão sobre a qual falarem os pouco.4. assim . justificação. Iniciam os apresentando a ordem da salvação. em seguida questiono a insistente ideia de um a expiação lim itada denom inada por mim de débil exclusivism o e. por fim. A rrependim ento Deus notifica a todos os hom ens que se arrependam (At 17:30).1. o ato de crer é humano. o hom em a usa para o propósito original caso queira.2. 1. A fé é dada divinam ente e não im posta e. adoção e perseverança. 1. R egeneração 165 . regeneração. Fé A fé salvífíca é um dom de D eus (E f 2:8). Explico tal ordem assim: 1. no entanto. arrependim ento. É necessário lem brar que o arrependim ento sozinho não confirm a a salvação.cremos. fé. ©éíiíl (Excluátbtsmo e <&no£tm£mo Introdução Seguem com entários sobre crenças arm inianas relacionadas à doutrina bíblica da salvação. Ordo Salutis A ordem da salvação na qual acredito é essa: eleição.

Z w inglio R odrigues | É o resultado do genuíno arrependim ento e de um a fé subjetiva que confia a vida a Cristo.em alguns casos. Razão: tanto Paulo com o João oferece-nos referências bíblicas que esm agam a tese de uma soteriologia exclusivista. Ia Pe 1:3). Vejamos. No entanto. tal ordo salutis é apresentada como se fosse dividida em etapas. pois o auxílio do Espírito Santo não é autom ático e nem im posto. visto ter ele se arrependido dos seus pecados e direcionado. São várias as advertências a respeito da apostasia . Tal regeneração não é em hipótese algum a processual. 1 . o hom em tom a-se membro da fam ília de Deus e passa a desfrutar dos direitos e deveres relacionados a este novo relacionam ento familiar. . A doção É um passo além da justificação. Perseverança Tem a ver com a capacitação que o Espírito Santo concede aos crentes para irem perm anecendo fielm ente nos cam inhos de Cristo até o fim. Justificação O hom em é eleito via a predestinação por presciência. a fé dada por D eus. sem pre em graça. No entanto. Este estágio da salvação está intim am ente ligado à vida de santificação. elem ento sem o qual ninguém verá a Deus (Hb 12:14). Salvo. livrem ente. o Pai (Rm 5:1). 2. irreversíveis ( I a Tm 1:19. mas deve ser buscado e adm itido. Hb 6:4-6). Antes de partir para os próxim os tem as. O hom em que experim enta a regeneração nasce de novo e é aquele que fora eleito. é necessário dizer que tudo isso acontece em um único ato. D ébil Exclusivism o A afirm ação de alguns estudiosos de que a salvação é para apenas um grupo de eleitos é considerada por m im com o débil. e C o-H erdeiro de C risto” (Rm 8:17). 2a Co 5:17. A responsabilidade do salvo em perm itir-se ser conduzido pelo Espírito é uma necessidade diária que pode ser preterida. à obra de Cristo. 1. Esta ordo é arm iniana clássica.5. 1.7.6. 4:1. É como diz Paulo: “H erdeiro de Deus. para efeitos didáticos. tal perseverança não significa que um a vez em graça. N este m om ento. Um a perseverança que leva o salvo ao gozo da salvação eterna é fruto da parceria entre ele e o Espírito. Esta obra é im plem entada pelo Espírito Santo que gera o novo hom em no hom em (Jo 3:3. é tom ado ju sto diante de Deus. Eis aí a ordo salutis que consideram os ser a que m ais leva em conta o todo soteriológico do N ovo Testam ento.

depois da palavra “todos”. I aJo ã o 2:2 E ele (Jesus) é a propiciação pelos nossos pecados. Sendo assim . a frase “os eleitos” .l>A pesadíssima pedra que cobria a entrada do túmulo de Jesus. im potentes. segundo o escritor. A ideia de eleição e reprovação prévias. pois nada há de autom ático na aplicação da obra de Jesus Cristo. N enhum intérprete com prom etido com a verdade nega que a palavra “todos” é totalm ente inclusiva. mas ainda pelos do mundo inteiro. O texto afirm a categoricam ente que é vontade de Deus que todos os hom ens se salvem. m esm o sendo a expiação ilim itada. cita. Graças a Deus que as coisas não são assim! E interessante com o os elitistas gostam de incluir nesta referência. não é possível outra conclusão que o “todos os hom ens” do verso 1 é inclusivo e o do verso 4 é exclusivo. ferem m ortalm ente a teoria particularista de alguns. O bservando com cuidado o texto do versículo 1 ao 8. é necessário que o hom em creia. ■. e não som ente pelos nossos próprios. O versículo 3 diz: “Isto é bom e aceitável diante de Deus. N ela estão em foco todos os tipos de pecadores e sanios.2. Quais “todos os hom ens” sâo estes últim os? São os m esm os prim eiros “todos os hom ens” . “deseja que todos os hom ens sejam salvos”.Introdução ao A rm inianism o 2. nosso sa lva d o r”. Isso é evidente e lógico. Se assim for. Aqui o escritor fala da necessidade de orar “em favor de todos os hom ens” . Esse texto é uma golel49 sobre o elitism o salvífico pregado pelos calvinistas. a palavra “todos” . por natureza. ” Essa passagem trata de um universalism o qualificado. por parte de quem tem poder para salvar. tam bém . homem) a si mesm o se deu em resgate p o r todos. I a Tim óteo 2:4 0 qual [D eus] deseja que todos os hom ens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecim ento da verdade. U m desejo com o esse só pode ser procedente se o m esm o tiver condições de ser alcançado. I a Tim óteo 2:4 e seu contexto im ediato. Lem bram os aqui que. de fato. A segunda vez em que tem os a referência a “todos os hom ens” esta no verso 6: “o q ual (Cristo Jesus. 2. Será que o contexto imediato perm ite isso? Não! O contexto bem próxim o a esca referência. O versículo 3 faz essa ponte de m aneira cristalina. Este m esm o Deus que se agrada da intercessão constante por “todos os hom ens” . Que é bom e aceitável para Deus? A oração universal por todos os hom ens referida no verso 1. por m ais três vezes. o que tem os à nossa frente é alguém que brinca consigo m esm o a partir da m iséria eterna de outros seres que sào. determ ina com o sendo sem nenhum a chance de concretização o seu próprio desejo. pois é isso que exige o contexto im ediato. 167 .1. A prim eira está no verso 1.

Ia Tim óteo 2:4 e Ia João 2:2. pois se faz necessário uma apropriação individual de Cristo.Z w inglio R odrigues Q ualquer tentativa de reduzir esta declaração a um grupo de eleitos é um ultraje à Palavra de Deus.C). M as isso não significa que a eficiência é tão am pla quanto.” H á muito m ais nas páginas do N ovo Testam ento que negam a teoria de uma expiação limitada. Já no tem po apostólico. Os calvinistas costum am interpretá-la assim: “pelos pecados do m undo inteiro dos eleitos”. O universalism o qualificado se apresenta novam ente. bispo de Lion. • “M as a in d a pelo m u n d o in te iro ” "Mundo inteiro ” só po d e ser um a referência à hum anidade inteira. Claro que essa interpretação é presum ida. obviamente. Tal “hum anidade inteira” é a m esm a descrita em João 3:16: “ Porque Deus am ou o m undo de tal m aneira. “ p ro p icia ção pelos nossos p ecad o s” “Pelos n o sso s” indica. As referências destacadas no tópico 2. os gnósticos tiveram que enfrentar o gigante írineu (130-200 d. observem os a breve seqüência: • C risto . como categoria. visto que os salvos. que abordam um a soteriologia inclusivista. m as é enfático ao ensinar que Jesus é a “propiciação” pelos pecados do m undo inteiro (todos os hom ens). Seu escopo é de um a redenção universal. mas tenha a vida eterna. João não titubeia. Devido à tam anha objetividade e clareza do texto. A inda nesta m esm a epístola. M as. o gnosticism o foi m uito com batido por Paulo e João. H á um a am pla e suficiente provisão para todo homem . A elevação de tal teoria prescinde da clareza das Escrituras para favorecer apenas a um construto teológico. 3. N este período. . não pereça. mesmo assim . são distinguidos no início do versículo. os salvos. João diz: E nós temos visto e testem unham os que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo. a saber. Gnosticism o O Gnosticism o foi um m ovim ento herético e intricado que perturbou a Igreja tanto no período dos apóstolos como em um determ inado tem po dentro do período patrístico. que deu o seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê. caso algum a dúvida paire. foram escritas exatam ente para com bater um dos ensinos que com punha o sistem a soteriológico dos gnósticos: a salvação exclusivista. O apóstolo enfatiza o inclusivism o novam ente em detrim ento da teoria de um grupo de seletos. não há m uito que dizer para provar que o escritor inclui toda hum anidade em sua afirm ação. O peso de uma redenção potencialm ente universal é sentido no tom joanino.

pois este é exclusivista. que dizia existir um grupo definido de eleitos para a salvação. Para eles. Dizendo isso. exclusivista. N ão tem os dúvidas de que a m aneira enfática com o ambos negam o particularism o gnóstico. O arm inianism o nega. Conclusão Com o dissem os. Os gnósticos tinham criado um ensino particularista. que a expiação seja lim itada e vai na contram ão do calvinism o. Para com bater este ensino. Isso independente de qual pena brote tal ensino. . para toda a hum anidade. judaísm o e cristianism o. claro que esta vinculação não nos im pede de lem brarm os que as prem issas do gnosticism o. João e Paulo afirmam categoricam ente que todo exclusivism o salvífico não procede de um a doutrina da salvação sadia. serve para negar tam bém qualquer elitism o soteriológico pretendido ainda hoje. com base nas Escrituras Ia Tm 2:6 e Ia Jo 2:2. a ordo salutis descrita é arminiana. N o entanto. o grupo gnóstico cham ava-se elquesaítas e ele pregava um mix de filosofia grega. são bem diferentes das prem issas particularistas calvinistas. elitista.| Introdução ao A rm inianism o Provavelm ente. é bom sem pre destacar que o N ovo Testam ento não apoia nem um nem outro. fato que nos leva ao problem a de um a sem elhança entre a soteriologia gnóstica e a calvinista. no tocante a seu elitism o. a salvação é para todos os hom ens.

dizem . M esm o diante de tanta falta de inquirição espiritual. É im portante ter certeza se os receptores da epístola em foco eram pessoas conversas. O autor não esconde sua convicção da necessidade de um a cooperação hum ana na concretização da eleição. Por cerca de trezentas vezes esse título é aplicado aos crentes no N ovo Testam ento. as virtudes 30 Tal sinergismo não é humanista nem para o autor (isso deve ser óbvio) nem para mim. Pedro relaciona a entrada de um cristão no reino eterno de Cristo ao cum prim ento de condições prévias. toda habilidade de cooperação humana no processo salvífíco é um dom divino e nunca algo inato. havia esperança no autor sagrado de que seus “irm ãos” recobrassem os sentidos e passassem à fruição e frutificação espiritual. Esse verso é claram ente sinergista1’0..Z w inglio R odrigues ^pênbtce 3 Conftrmaníio jBtoáôa Cletção Segue a análise de m ais um texto-prova que alicerça a crença da perseverança condicional dos santos. crentes verdadeiros. .. M as. Um a razão para isso é a afirm ação arbitrária de alguns sobre passagens com o essas não fazerem referência a autênticos cristãos nem terem relação com crentes genuínos leitores potenciais de tais textos. O versículo em foco trata de um desses m om entos. os “irm ãos”. aqueles que são dos nossos. Nas Escrituras. Ele diz: “desta m aneira” . 2a Pedro 1 :1 1 o autor escreve: Pois desta maneira é que vos será amplam ente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Em Escrituras que suscitam questões como “possibilidade de queda” e “ segurança eterna” . Escrituras de alertas são dirigidas a pseudo crentes. Ou seja. Como? Confirm ando a “vocação e eleição” (v 10). Esses esquecidos são aqueles que deveriam procurar “diligentem ente fazer firme a [. isso é feito sem o m enor pudor hermenêutico. sua epístola estava sendo escrita para orientar crentes autênticos ou não? No verso 10 o escritor usa o título “irm ãos” . para Pedro.] vocação e eleição” (v 10). O utra prova encontra-se no verso nove: “havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados” . Lam entavelm ente. não deixar dúvidas quanto ao tipo de experiência espiritual dos interlocutores é condição sine qua non. Em inatividade espiritual. nem oculta a crença sobre um a “cham ada” resistível.

em bora tenha esta expectação. em outras palavras. o conhecim ento. Paulo cita a experiência de Israel depois da libertação do Egito. o dom ínio próprio. diz Pedro. m uitos israelitas sucum biram por causa da idolatria. Retom em os a afirm ação de que estamos diante de um texto sinergista. por exem plo) ou definitivo (Hb 6:4-6). caso contrário. a eleição não é confirm ada. Porém. quanto aos irm ãos. a fraternidade e o am or. O fato é que h á um a real possibilidade de queda se não forem cultivadas virtudes próprias à vida de um cristão. a piedade. “Confirm ar” a eleição vivendo a fé.. Por isso os leitores são convocados a serem frutíferos. caso contrário sofreriam o desastre espiritual de conseqüências eternas. não duvida que seus interlocutores são irm ãos de fé genuínos. Sendo conduzidos em graça e sob o favor divino e na com unhão do Senhor. e esse crente não consta. Tal tropeço pode ser tem porário (o filho pródigo. “confirm ar” .] Senhor e Salvador Jesus C risto” .. Esta não pode ser levada às últim as conseqüências caso exista frouxidão moral e espiritual. Isso pode ser percebido na cadeia de declarações enfáticas e intensas com o “procurai” .. tudo foi feito e providenciado para que fosse “am plam ente concedida a entrada no reino eterno do [. Sim ilarm ente. nem constou. ele se dirige às m esm as pessoas contadas com ele nos versículo 3-4 como m em bros da prole divina. N inguém deveria duvidar que Pedro fala a hom ens e m ulheres convertidos. haviam condições a serem observadas de m odo sério e diligente. No que concerne a Deus. respectivam ente: “visto com o o seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida [.. O cristão é instado a “confirm ar” sua eleição. ao usar o pronom e “nos”. no rol dos eleitos. Ao dizer “vós” em 1:5. Expressões bíblicas com o “não apagueis o Espírito” e “sem a santificação ninguém verá ao Senhor” seguem na m esm a linha da intenção petrina. N otam os no versículo 11 e 10 o autor trabalhando com duas frentes: a iniciativa divina e a reação do hom em .]” e “pelos quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssim as prom essas [. . leiamos os versículos 3 e 4. “cada vez m aior”.]” . m urm uração e rebelião. é resguardar-se do tropeço (v 10). R etrocedendo um pouco mais... A nalogam ente. Pedro. Pedro não dá com o questão líquida e certa que seus irmãos perseverarão finalm ente. a perseverança. U m a vez tendo a fé sufocada. Em I a Coríntios 10:1-12 o apóstolo dos gentios exorta os crentes a deixarem o pobre nível de espiritualidade que eles estavam vivendo. “com diligência”. Paulo dialoga com os filipenses de m odo sinergístico (Fp 2:12-13). Esta certeza não m uda no ato do alerta. seus privilégios salvíficos se perderiam . A responsabilidade dos “ irm ãos” . m as sempre tem quem teim e em dizer o contrário.| Introdução ao A rm inianism o elencadas nos versículos 5-7 não fluiriam de form a robusta e a ausência delas im plicaria no esquecim ento do perdão dos pecados com etidos anteriorm ente à conversão. é fundam ental para a contínua revolução m oral da alm a deles.

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Este plano se tom ou um a fonte de dor e tristeza para ele. Se isto foi louvável ou nâo. Ele nunca será pego difam ando. percebeu que estas igrejas estavam dispersas e separadas umas das outras de várias formas. e que. por si só.blogspot. ninguém jam ais discordou deles com tam anha m oderação. Luis Henrique é editor do blog www. Arm ínio.5) que sempre se mostrou indulgente em expressões am argas ou injuriosas. Esta era. sem estas coisas. e cantar um cântico fúnebre sobre as suas inim izades e disputas desnecessárias. de fato. sem dúvida. a m odéstia deste homem piedoso e instruído.30. um arminiano de coração e é graduado em Teologia pela ULBRA. Que os escritos de A rm ínio sejam exam inados e que a m inha afirm ação seja encontrada correta. muito m enos incitando o ódio e caluniand ou injuriando por um a palavra sequer aqueles a quem C apellus cham a de “os reform adores” .com. (F1 4. N a verdade. e que cada um a das partes se conftne dentro destes limites.Introdução ao A rm inianism o jfôlemoriaí a Sfacó A rm ínio . porém . Este era o plano de Arm ínio: que todos os esforços fossem em pregados a fim de se fazer um relato acurado destas doutrinas que são absolutam ente desnecessárias. ”. deixem os que eles se julguem afetados pela com iseração à vista de toda a cristandade dividida em m inúsculos partidos: eu me rio. que os próprios errantes deveriam ser tratados * Agradecemos a Luis Henrique. os quais fariam as lágrim as da Igreja fluírem novam ente.RS. os seus esforços foram usados para induzir as partes contenciosas a pôr de lado a anim osidade. escolheu suportar o ódio e a contradição de toda a hum anidade antes de violar a sua consciência.ü>tmão Cptácópío. A rm ínio era tão grande adm irador e praticante da direção apostólica. recebesse tolerância. especialm ente aqueles que dem onstrou serem injuriosos à piedade. disto ter um propósito piedoso. que considerava que todos os erros. em virtude da resistência obstinada daqueles que deveriam ter se m ostrado mais favoráveis a este plano. e até agora nâo se observou m edida algum a para acabar com estas dissensões. tradutor desse Memorial. 30.personaret. 175 . que a regra da Prudência e Caridade. que. a fim de estar aprovado diante de Deus. Ele hasteou a todo o m undo cristão a insígnia da paz e da concórdia. Armínio persistiu nisto até o fim da sua vida. Sendo um hom em paidente e de espírito brando. em relação a todo o resto. deveriam ser atacados com ousadia e segundo o pensam ento dos seus autores. “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Portanto. 1623* Este servo de Deus. Canoas . fosse suficiente para este propósito. tudo o que fosse tolerável ou que não dificultasse a salvação.br. por ter permitido a inclusão do texto nesse livro. e desejou iniciar isto nas Igrejas Reform adas. a contínua contenda e ódio seriam perpetuados.

Z w inglio R odrigues com brandura e segundo a m ente de Cristo Jesus. pela . Pois bem. exceto um tolo. desde que usem diligentem ente esta capacitação. apto para instruir com m ansidão aqueles que lhe opõem (2Tm 2. Como prova irrefutável disto pode-se declarar que A rm ínio sempre se esforçou para acom odar os seus sentim entos com vários e fortes argum entos da própria Confissão Holandesa. a fim de que possam ser capazes de se libertarem da sua servidão. A rm ínio pensava que estas coisas poderiam ser alteradas com m aior eficiência e segurança. com auxílio da graça recém -concedida. A rm ínio ensina isto. é possível ser gradualm ente curado de sua servidão. um a direção muito m elhor do que dispender trabalho em novas confissões que poderiam servir para fom entar cismas. Para este hom em que nos ensina. deveriam ser corrigidas pela Igreja e dentro dela m esma. Tal foram os seus sentim entos.3).Em nenhum m om ento da sua vida ele afirmou. Pois com o um hom em prudente ele percebeu. seja em secreto ou em público. reconciliada e curada pela satisfação de Cristo.le Ele professou que estava preparado para se retirar do m inistério se em algum m om ento. aqueles que sâo reconciliados ainda estão sob a servidão do pecado.m uito contrária às vergonhosas artes que Capellus emprega! A rm ínio era tão avesso a uma nova Confissão quanto era de um cisma. A rm ínio nunca disse que toda a raça hum ana foi. mas que. gentil para com todos os hom ens. não ser violento. e particularm ente a um bispo. ao m esm o tem po. Ele não esperava um rem édio das novas confissões. não a queiram para si m esm os senão para a graça de Deus. o quão injusto é disciplinar com opróbio aquele que está no erro. Ele era um hom em de grande acurácia para falar algo desse tipo. A rm ínio sem pre negou que os sentim entos os quais com batia eram aqueles da C onfissão. A derir som ente as Escrituras ou tolerar algumas frases im próprias afirm adas em qualquer confissão. quando são cham ados pelo Evangelho. que continha heresias ou que sobejava delas.24). e tam bém reconciliá-las com a Escritura com o beneficio de um a leve interpretação ou corrigi-las com o auxílio de revisões lícitas era. o quão desagradável é falar m al de um hom em piedoso. diria que eles foram curados? A rm ínio apenas ensina que Deus. por causa de Cristo. em sua opinião. Estas coisas que ele considerava com o desiderata (desejáveis) na Igreja. unicam ente por um ódio do cisma. que o artigo sobre a Predestinação nas C onfissões H olandesas era falso ou que apresentava evidentes m arcas de falsidade. concede aqueles que lhe são reconciliados através de Cristo. nesta época frutífera em contendas e disputas. . mas paciente (lT m 3. m uito m enos contestou. Visto ele saber o quão fácil é com eter algum erro. tivesse falado ou escrito qualquer coisa contrária a esta fórmula. a conseqüência mais comum onde novas confissões são escritas. Ele dizia que com batia os sentim entos de alguns teólogos em particular. dos quais ele era perfeitam ente livre para discordar. tal foi a sua conduta . e o quão isto é necessário para um cristão. Porque um a coisa é dar a capacidade para qualquer um. ensina um a doutrina contrária a que C apellus deseja. m uito m enos que ele abundava num a m ultidão de heresias. Ele disse que a hum anidade foi reconciliada pela satisfação de Cristo: Mas quem . temia angústias ainda m ais perigosas. os corações dos hom ens se dividem e se distraem por causa das suas opiniões diferentes. na verdade. um a nova potência (capacidade).

porém outra coisa é sair verdadeiram ente da servidão ou ser curado dela. com eram um saco de sa l em sua com panhia. Capelli . podem dar testem unho da sua sinceridade e integridade. ele não fez nada m ais além do dever de um bom hom em e cristão. Qual seria o desejo mais aberto. Assim sendo. e realm ente fez. que ele abertam ente professou a doutrina a qual acreditava. e que como diz a frase.Exam en Thesium I. Pois quando um hom em m au quer se aparecer com o um hom em bom. A menos que ele tivesse sido estudioso destas virtudes. a fim de que pareça estar na m aior distância possível do mesmo. esta é um a ocorrência comum . n a Conferência de Haia. e que ele nunca divulgou. Capellus sem qualquer causa justa.Introdução ao A rm inianism o qual tal pessoa pode sair da sua servidão. exceto na assem bleia dos Estados e ao seu com ando. lam enta a ausência de sinceridade neste hom em m uito sincero. Se ele ocasionalm ente se usou da prudência. a partir de um grande respeito a sua própria consciência e da paz pública. que segundo a sua própria declaração. ele jam ais teria incorrido na chance de tanto ódio. . A França. o fez com o desejo de se aprovar m ais diante de Deus.quando um hom em percebe ser culpável de algum crim e. com a m esm a franqueza e ingenuidade. as considerações que ele havia sublinhado segundo o decreto do Suprem o M agistrado e a pedido do Sínodo. N a verdade. estas foram certam ente os m em bros destas duas assem bleias. Ele podia fazer isto. ele é então o pior de todos os hom ens. sincero e enérgico do que a Declaração de A rm ínio diante dos estados da H olanda? G ostaria que os seus adversários tivessem . seu país. m elhor ainda. ele sempre espertam ente acreditou que esta doutrina era contrária as fórm ulas das Igrejas. que ele nunca condenou as fórm ulas. ele rapidam ente o descarrega sobre os outros. e m ais recentem ente no Sínodo de Dort! M as se algum a vez estas pessoas foram dissim uladas. nunca produziu um espírito dotado de tão grande integridade. declarado os seus sentim entos sobre a R eprovação. As pessoas que viveram com Arm ínio. sem qualquer desejo de enganar ou. concluo dizendo que A rm ínio agiu em todas as coisas com perfeita boa fé e sinceridade. não se subm etendo ao perigo de tal obstinada contradição. ou se recusaram a revelar os seus sentim entos. o único que sonda o interior dos corações e que sabe que um hipócrita é m ais detestável que um hom em abertam ente ímpio. Portanto.

através dos esforços da natureza. estando assim preparada. ou tão afetada rum o ao que é bom de form a que não seja capaz de fazer o oposto.Z w ínglio R odrigues © efeáa 3&emonsítrante C ontra a glcuáação be jpelagtam ám o e ê>emípeIagtaní£ímo (Entregue ao Üúnobo íie Jiort* M as nós devem os declarar. ou aquilo que um a vez podem os obter em conjunto com a graça. enquanto alguns deles fixam sobre nós o pelagianism o e os outros o sem ipelagianism o. N o entanto. é que não derrogam os nada da graça divina. tradutor dessa defesa remonstrante. Os M assilianos parcialm ente corrigiram e parcialm ente m antiveram o erro de Pelágio. sem elhantem ente. de modo algum eles excluíam o m érito próprio. mas é aperfeiçoada para o m elhor. através das pré-disposições que haviam sido im plantadas em sua natureza. mas reconhecem os seus atos sobrenaturais e im erecidos. e são com um ente intitulados sem ipelagianos. não desejam os nada m ais do que aquilo que pela natureza podem os ter.com. Samuel é editor do site arminiano www. e que a vontade não é com pelida. em bora eles talvez. por outro lado. e. M as nós reconhecem os que. A opinião dos sem ipelagianos era que. o nosso juizo concernente ao sem ipelagianism o. . por vezes. Todos eles tendo escolhido e em pregado esses epítetos apenas para fins de ódio. M as. por isso eles receberam de Prosper a denom inação de relíquias ou restos de Pelágio. h á outros que afirm am que somos quase sem ipelagianos. M as nós negam os que. com o igualm ente. não aquela que tam bém precede o início de fé e de um a boa vontade. de um falso ju ízo que. consequentem ente. dizem os que Deus precede ou vem antes do início da fé e de um a boa vontade. para a nossa perseverança no bem . Eles consentiram com a existência da graça preveniente.deusamouomundo. portanto. são grandes sinais de inconstância e. obtinha a graça com o um a recom pensa. francam ente confessam os que a indiferença ou a liberdade da vontade não é rem ovida pela graça. um a vez que condenam os nos sem ipelagianos aquelas coisas que anteriorm ente a igreja universal havia condenado neles. p o r isso eles criam que o hom em precedia Deus (mas isso não sem pre. por ter permitido o uso do documento em nosso trabalho. o hom em torna-se m erecedor da graça. m as som ente aquela que precede ou vem antes de boas obras. para a preservação da graça do Espírito Santo. N ossa conclusão. a graça especial é tam bém necessária. Os sem ipelagianos afirm avam que o hom em . recusam o uso do term o m érito. C ontrário a isso. e sua absoluta necessidade para o trabalho de conversão. Portanto som os injustam ente acusados de sem ipelagianism o pelos contra-rem onstrantes. e que é da graça tanto a nossa vontade ser excitada para com eçar o bem. mas vez por outra). * Agradecemos a Samuel Coutinho. ela será levada até a benção da regeneração. É um profundo conhecedor do arminianismo.

2014. que o livre arbítrio e a graça tão com pletam ente conspiram juntos. foi refutada pelos patronos da g ra ç a . em 179 fsam m .| Introdução ao A rm inianism o E ste foi tam bém o julgam ento de toda a antiguidade e da igreja universal. não incentivem os a preguiça e indiferença dos hom ens. em sua quadragésim a sexta carta a Valentino. que ficava entre dois precipícios. tire a graça. de forma que não negam os a ele a ajuda de que necessita em cada coisa que ele executa.” Dialog. e os ortodoxos consideraram esta m aneira ser a m ais segura. adversus Pelagium. E Santo A gostinho.” Consideram os am bos. São Jerônim o diz: “N ós. portanto.'1 Biblical and Theological Dictionary. venham os a perder o controle para o orgulho e para a arrogância. e então não haverá nada a partir da qual a salvação pode vir. “ Se não há graça de Deus. a destruição da vontade.coni/arminianismo/remonstrantes-contra-a-acusacao-desemipelagianismo-pelagianismo/ Acesso 01 mar. preservam os o livre-arbítrio. para que. se negarm os a existência da liberdade da vontade. e do outro o dos pelagianos. 899-900. de um lado o dos m aniqueus. sendo um a calúnia inventada pelos Pelagianos. Tradução de Samuel Coutinho. e não haverá nada para ser salvo. neste caso. como ele salva o m undo? E se não há livre-arbítrio. ou sem a existência da graça. que foi em outros tem pos o defensor mais feroz da eleição incondicional. criteriosam ente observa. A partir dessas citações [e outros que eles apresentaram ] é evidente que a opinião dos pais era. como São B ernardo diz no início de seu livro On Grace and F ree Will.. Disponível http://deusamouomundo. e não destruído. pp. com o é que ele ju lg a o m undo?” E. “Tire o livre-arbítrio. que o livre arbítrio é aperfeiçoado pela graça.

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em Vitória da Conquista. . Atualmente cursa Mestrado em Educação na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESfí). Bahia.Zwinglio Rodrigues é ministro da ' Igreja Batista Vida. Tem Especialização em Metodologia do Ensino Superior e Ciências da Religião e êformado em Pedagogia e Teologia.

S • A U u L 1U R A L » . Editor acadêmico e escritor. líderes e estudantes de teologia. pois se trata de um contundente e imprescindível convite ao diálogo sobre um dos temas mais caros e antigos da tradição cristã. enfeixando-se a outras obras que dispõem sobre essa matéria. Até onde sei este é um dos livros mais abrangentes sobre o assunto em língua portuguesa. com vasta referência bíblica e bibliográfica. . Uma das razões para isso é a pequena oferta de literatura especializada no assunto. U B . Por essa razão. fy ilm ir Nascimento Milomem Santos ~ Jurista e teólogo. e certamente se tornorá referência de leitura e pesquisa nos próximos ános. V • t u . Zwinglio Rodrigues nos fornece uma perspectiva sólida das bases da verdadeira teologia arminiana. Pós-graduado em Direito e Teologia. Pr. Professor universitário. 0 livro desse pastor baiano vem oferecer uma importante contribuição para que esse quadro seja mudado. o teólogo holandês mais mal compreendido da história. arminianos ou calvinistas. . a história e as asserções do teólogo holandês Jacó Armínio permanecem sendo injustamente ignoradas e grosseiram ente mal interpretadas por muitos. Fruto de extenso e cuidadoso trabalho de pesquisa. Nesta obra. Zwinglio Rodrigues é muito oportuno e necessário para a teologia brasileira. É bacharel em Teologia e tem especialização em A ovo Testamento. Kleber M tua M inistro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Rio Grande do Norte. Embora a maioria dos evangélicos tupiniquins concorde com a soteriologia arminiana. a obra é indicada para leigos. em português.0 livro do pr. suprindo uma lacuna literária da teologia no âmbito nacional. Colunista do Portal C P IDNezis. a respeito do qual o autor não se acovarda em discutir diante do atual contexto de florescimento do novo calvinismo. o autor fornece ao público brasileiro o panorama histórico e doutrinário da teologia de Jacó Armínio.