Aula 9 - INTRODUÇÃO À ESTRATIGRAFIA

PROF. MÁRIO DE LIMA FILHO

O que é Estratigrafia?
• Para falar em Estratigrafia, é necessário voltar aos mais
revoltos tempos histórico. Uma ciência que estuda a origem e
a evolução da terra, não pode ser desconsiderada da nossa
realidade.
• Antes mesmo que o termo geologia surgisse, os primeiros
pensadores imaginavam como nós seres humanos havíamos
surgido, e como a terra se formou. É interessante notar que
mesmo nos tempos idos a natureza era presença em todas
correntes de pensamento. A geologia só surge no fim do
século XVIII. Porém, desde a Pré-história o homem arranca da
terra seu sustento, suas ferramentas e tenta explicar das
diversas formas possíveis sua formação. Se a geologia é
conhecer a terra e tentar encontrar sua história, então, o
homem primitivo já fazia Geologia.

• A Estratigrafia é a ciência que se relaciona com
todas outras ciências, seja no campo abstrato,
seja no campo científico. A Estratigrafia é o
entendimento da reorganização mecânica dos
objetivos geológicos, desde a interpretação
(fotogeológica ou não) passando pelo
afloramento, pela amostra de mão até o
segmento crustal.

Biologia

Sedimentologia

Geofísica

ESTRATIGRAFIA

Física

Química

Matemática

Paleontologia

Qual a diferença entre uma coisa e a
mesma coisa?

É o Poder da Observação.
Ver é diferente de enxergar.
”A um quilômetro dali havia um morro com grande desbarrancado - a
'barreira", como se dizia no sítio. O Visconde levou-os para lá.
Diante da barreira, parou e sorriu. Os meninos entreolharam-se. Não
compreendiam que o Visconde encontrasse matéria para sorriso num
barranco
feio
como
todos
os
mais.
- Que gosto é esse Visconde? - perguntou Emília.
- Ah, o sorriso que tenho nos lábios é um sorriso geológico o sorriso de quem sabe, olha, vê e compreende. Este barranco é para
mim um livro aberto, uma página da história da terra na qual leio
mil
coisas
interessantíssimas.
Os meninos olharam para o barranco e de novo se entreolharam
com
ar
de
quem
pergunta:
estará
o
Visconde
a
caçoar
conosco?
"
"Que engraçado! - exclamou Pedrinho. Agora compreendo o
riso do Visconde depois que deu para estudar Geologia. Como tudo se
esclarece! Como fica interessante! Aquele barranco e este corte
nunca me fizeram vir à cabeça a menor idéia. Agora já me falam
coisas, contam pedaços da vida da terra. Que engraçado!....
- Pois é isso, Pedrinho. Para o geólogo, o chão, o barranco,
as ravinas, as margens dos rios, os cortes das estradas, tudo são
páginas do livro da natureza, onde ele lê mil coisas que jamais
passaram
pela
cabeça
dos
ignorantes.
Que
gostoso
é
saber,
hein,
Narizinho?
- Nem fale, Pedrinho. Cada vez tenho mais dó dos
analfabetos."
Fonte: Monteiro Lobato, "O Poço do Visconde".

É o Poder da Observação.
Ver é diferente de enxergar.
• Os filósofos gregos, utilizavam o poder de observar, para
explicar a origem da Terra.
• Vamos filosofar a respeito dessas conjecturas, e tentar chegar
nos princípios da Geologia seguindo algumas correntes
filosóficas bastantes pertinentes. A disciplina Estratigrafia se
confunde com a filosofia da ciência. Tentar entender a
Estratigrafia é voltar à época da observação da natureza com
os olhos puros.
• Por outro lado, a observação pode levar também a uma
conclusão que não seja a verdadeira, o que não tira o valor da
observação. Os primeiros filósofos gregos são
freqüentemente chamado de ‘Filósofos da Natureza”, porque
se interessavam sobretudo pela natureza e pelos processos
naturais.

Primeira Fase – Século III ac
Os antigos já tinham reparado nos fósseis marinhos longe da costa a importância
desse precioso achado. Heródoto, o célebre geógrafo (484-420 a.C.), através desses
achados o levaram a fazer do Egito um antigo golfo. Mas como explicar essas antigas
costas?
Estrabão não acreditava que a bacia dos mares fechados tivesse podido ser de
nível mais alto do que é hoje. Para esse autor, o que provocava variações do nível
do mar eram os tremores de terra, as erupções, os soerguimentos dos solos
submarinos, por um lado, e, por outro abatimento.
•Tales de Mileto ( ) considerava a água a origem de todas as coisas, segundo
dizem, Tales teria afirmado que “todas as coisas estão cheia de Deuses”.
•Já Anaximandro achava que nosso mundo era apenas um dos mundos que
surgem de alguma coisa e se dissolvem nesta coisa que ele chamava de infinito.
•Um terceiro filósofo de Mileto, Anaxímenes (550 – a. C), dizia que a substância
básica de todas as coisas era o Ar.

Parmênides (540 – 480 a. C) acreditava que tudo o que existe sempre existiu. “Nada pode surgir do nada, e nada que
existe pode se transformar em nada”, dizia.
Heráclito (540 – 480 a. C) dizia o oposto de Parmênides. Para Heráclito, a Natureza vivia em constantes
transformações, e nada durava para sempre.
Para Empédocles (494 – 434 a. C) a Natureza possuía ao todo quatro elementos básicos, também chamados de
“raízes”. Estes quatro elementos eram a Terra, o Ar, o Fogo e Água. Todas as transformações da Natureza seria a
combinação desses quatro elementos. Porém, uma questão estava em aberto: o que faz com que os elementos se
combinem para dar origem a uma nova vida? Empédocles dizia que na Natureza atuavam duas forças, por ele
chamadas de Amor e Disputa. O que une é o Amor; e o que separa é a disputa.

Anaxágoras (500 – 428 a. C) também não aceitava a idéia de um elemento básico, ele achava que a natureza era
composta por uma infinidade de partículas minúsculas, invisíveis a olho nu e que tudo podia ser dividido em partes
ainda menores, mas mesmo na menor das partes existia um pouco de tudo. Anaxágoras ainda foi mais além, dentre
outras coisas ele disse que o Sol não era um Deus, mas uma massa incandescente; acreditava que todos os corpos
celestes eram feitos da mesma matéria que compunha a Terra, por isto seria de se pensar que em outros planetas
houvesse vida, além disso, explicou que a Lua não possuía luz própria, mas que tirava seu brilho da Terra.

Aristóteles (384 – 322 a. C) que fundou uma escola concorrente a escola de Platão, seu
antigo mestre, à qual chamou Liceu. Aristóteles interessava-se pelas mudanças, por aquilo
que hoje se chama de processos naturais.
Platão também queria encontrar algo de eterno e de imutável em meio a todas as
mudanças. Foi assim que ele chegou às idéias perfeitas, que estão acima do mundo
sensorial. Além disso, Platão considerava essas idéias mais reais do que os próprios
fenômenos da natureza. As conflagrações platônicas são moderadas, no sentido em que, se
destroem o homem. O Mundo não é aniquilado periodicamente, apenas é a humanidade. O
objetivo de Platão é moral, uma vez que os cataclismos são o meio pelo o qual os deuses
purificam a Terra. As catástrofes lavam a humanidade das desordens devido ao abandono
divino. Aristóteles concordava com seu mestre no que era eterno e imutável, por exemplo, o
mundo era eterno e para isso era obrigado a admitir que a Terra devia reparar os efeitos da
degradação dos relevos para se tornar imutável.

Após a morte de Aristóteles, Teofrasto passou a dirigir o Liceu fundando o
pensamento Estóico. As teses da escola Aristotélicas e da escola estóica
são na realidade duas posições opostas acerca da idade do mundo. Para
Aristóteles, o mundo é eterno. Para os estóicos o nosso mundo está
destinado a perecer, no entanto, acham, que ele se regenerará.
Aristóteles e seus discípulos não explicam como é que as montanhas se
reparam constantemente e mantêm então os seus relevos. Os Estóicos,
que optaram pela regeneração periódica do mundo, não explicam a
regeneração nem tão pouco a conflagração.
É em Lucrécio (98 – 55 a. C) que ele explica que o mundo saiu do caos em
que os atómos formavam uma espécie de “reunião tumultuosa de
elementos confundidos”, quando os semelhantes se associaram aos
semelhantes”.

Segunda Fase – Século X


No século X, duas teses se confrontam no mundo árabe, às quais poderemos
chamar neptuniana e plutoniana. A teoria neptuniana faz referência ao Deus do
Mar, Neptuno, e o outro a Plutão, senhor dos Infernos . A teoria neptuniana
atribui a formação dos relevos da terra a uma causa sedimentar, pelos sucessivos
depósitos, enquanto que a teoria plutoniana procura fenômenos internos,
principalmente o vulcanismo.
Para os neptunistas, os continentes, progressivamente aplanados, chegam ao
nível do mar, ao passo que os depósitos marítimos os fazem subir,
periodicamente.
Avicena, no seu “Tratado dos Minerais”, é um dos primeiros filósofos a admitir
forças internas na formação de montanhas, dizia ele: “se um violento tremor de
terra fizer subir o solo ele engendra uma montanha.”

Século XV - XIX
• Leonardo da Vinci (1452 – 1519) compreendeu melhor do que qualquer
outro cientista da época a importância dos fósseis. Ele postulou que as
conchas encontradas nas camadas regulares, pertencem a animais que
viveram e cresceram e que se depositaram sobre um fundo de mar. Com
isso, Leonardo da Vinci derrubou várias teses importantes da época: os
fósseis são antigos seres vivos e não produtos da influência
astral;Estiveram depositados no fundo de um mar e este mar permaneceu
por longo tempo, ou seja, por mais de quarenta dias.
• Estava lançado a idéia da Uniformidade.

UNIFORMITARISMO
• “A estimativa que fazemos do valor de qualquer evidência
geológica depende inteiramente do grau de segurança que
sentimos em relação à constância das leis da natureza.
Somente a sua constância imutável pode nos habilitar a
raciocinar por analogia, pelas regras estritas da indução, a
respeito dos acontecimentos ocorridos em épocas anteriores.
As causas atualmente em ação produziam as antigas
transformações de superfície terrestre.”
Charles Lyell

Ambiente de Praia Recente

Ambiente de Praia Antigo






Gould (1984) agrupou o Uniformitarismo na sua definição original em duas
categorias:
Pressupostos Metodológicos:
Uniformidade da Leis – as leis da natureza são invariáveis;
Uniformidade dos processos terrestres (Atualismo) – os eventos geológicos do
passado envolveram processos de natureza essencialmente igual à dos que
atualmente ocorrem.
Pressupostos Substantivos:
Uniformidade de Velocidades (Gradualismo) – os processos operariam com
idênticas velocidades, ainda que extremamente lentas e quase imperceptíveis
aos sentidos humanos;
Uniformidade de Condições (não-direcionalismo) – os ciclos terrestres seriam
intermináveis e a Terra, um lugar em constante mudança.




Sténon ainda afirmou que sendo as camadas fossilíferas um depósito aquático, a
sua superfície deveria ser horizontal. Sendo assim, Sténon enunciou o primeiro
princípio:
“Todas as camadas, exceto a mais baixa, são contidas em dois planos paralelos ao
horizonte. Por outro lado, as camadas sucessivas são cada vez mais recentes à
medida que se sobe na série”.
Chamamos de Princípio da Superposição das Camadas, a essa regra onde as
camadas mais inferiores são mais antigas que as que estão sobrejacente a ela.
O segundo Princípio enunciado por Sténon é derivado desse primeiro: “as
camadas que estão inclinadas no horizonte foram-lhe paralelas numa outra
época”. O primeiro princípio concerne a estratigrafia, ou seja, a ordem de
deposição das camadas, o segundo princípio, diz respeito a tectônica, a ordem da
disposição das camadas após sua deposição.

CATASTROFISMO

George Cuvier, que viveu nos fins do século XVIII e
início do século XIX, era hostil às teorias fossem estas
científicas, filosóficas ou sociais. Ele acreditava em fatos e
na descrição. É considerado o pai do CATRASTOFISMO
(Teoria da Transição Rápida). Segundo ele, as quebras
abruptas do registro sedimentar justificavam a extinção
das faunas terrestres. Cuvier respeitava a força dos
processos geológicos do vento, água, gelo, vulcanismo,
etc. Ele argüia que o atualismo era necessário, mas
insuficiente para explicar muita coisa. Fundamentava-se
pelos dados paleontológicos, e pelas alterações cíclicas
das formações marinhas e lacustres da Bacia de Paris
expressas por quebras abruptas no registro sedimentar,
para justificar sua teoria de mudanças súbitas provocando
a extinção das faunas terrestres.

O termo catastrofismo foi adotado hoje pela corrente do criacionismo
científico, movimento de natureza religiosa que, baseando-se nos preceitos bíblicos,
nega a evolução e a história da Terra como vista pela maioria geólogos. Por isso,
este termo é rejeitado por uma série de autores que, no entanto aceitam a
concepção não gradualista dos fenômenos da face da Terra.
Hoje, os geólogos modernos estão mais de acordo com o direcionalismo
catastrófico ou o catastrofismo atualista (Hsu, 1983). Dentro dessa concepção
surgiram algumas teorias, tais como: sedimentação episódica (Dott, 1983) e o
pontualismo (Gould & Elderedge, 1977). Porém, a geologia moderna mistura
conceitos uniformitarista e catastrofista.

Princípio das Relações de Corte (Hutton 1792)
Segundo o princípio das relações de corte uma rocha ígnea intrusiva ou falha que
corte uma seqüência de rochas é mais jovem que as rochas por ela cortadas. Esse
princípio permite a datação relativa de eventos em rochas metamórficas, ígneas e
sedimentares, sendo fundamental para o trabalho em terrenos orogênicos jovens
(cinturões orogênicos) e antigos (escudos). Este princípio é válido para qualquer tipo de
rocha cortada por umas das feições acima relacionadas.

Princípio dos Fragmentos Inclusos (Hutton 1792)
Este princípio de datação relativa diz que os fragmentos de rochas inclusas em
corpos ígneos (intrusivos ou não) são mais antigos que as rochas ígneas nas quais
estão inclusos. Este princípio, juntamente com o princípio das relações de corte, é
fundamental em áreas formadas por grandes corpos intrusivos permitindo a datação
relativa não só de rochas estratificadas, mas também de rochas ígneas e metamórficas
(se estas ocorrerem como fragmentos inclusos). Muito importante para a datação
relativa de terrenos pré-cambrianos. Válido para rochas ígneas e aplicável também a
conglomerados. Nas rochas ígneas e conglomerados metamorfizados essa relação
pode estar preservada, pemitindo estabelecer as relações temporais entre as rochas
originais (hospedeira e fragmento incluso) antes do metamorfismo.

Princípio da Sucessão Faunística (Smith 1793)
O Princípio da Sucessão Faunística diz que os grupos de fósseis (animal ou
vegetal) ocorrem no registro geológico segundo uma ordem determinada e invariável,
de modo que, se esta ordem é conhecida, é possível determinar a idade relativa entre
camadas a partir de seu conteúdo fossilífero. Ou seja, pode-se dizer que fóssil = tempo.
Esse princípio, inicialmente utilizado como um instrumento prático, foi posteriormente
explicado pela Teoria da Evolução de Darwin: uma vez que existe uma evolução
biológica irreversível através dos tempos geológicos, os fósseis devem se ordenar no
tempo segundo uma escala evolucionária. Diversos períodos marcados por extinção de
grande parte do conteúdo fossilífero são conhecidos na história da Terra e levaram ao
desenvolvimento da Teoria do Catastrofismo (Cuvier 1796).

Discordâncias (Hutton 1792)
As discordâncias são superfícies de erosão ou não deposição. A presença
de uma discordância indica que houve erosão de parte do registro geológico
naquele local. Assim, as discordâncias constituem uma prova indiscutível de
que o registro geológico não é completo.

CLASSIFICAÇÃO ESTRATIGRÁFICA

Os materiais presentes em uma seção estratigráfica podem ser divididos
em Unidades Estratigráficas de acordo com os critérios de observação:
litologia e conteúdo fóssil (tempo). Quando se tem divisões com base na
litologia se delimitam Unidades Litoestratigráficas. Se a divisão se baseia
no conteúdo fossilífero se delimita as Unidades Bioestratigráficas. Os
limites de ambas em alguns casos podem coincidir, porém na maioria
dos casos não.
As rochas estratificadas podem ser classificadas a partir de diferentes
características ou atributos (litologia, fósseis, magnetismo, tempo,etc). As
Unidades Estratigráficas baseadas em cada um desses atributos, não
coincidem necessariamente, tendo que empregar termos diferentes para
designar cada uma delas.

Dentro das Unidades Estratigráficas se podem diferenciar dois
grandes grupos: unidades observáveis e não observáveis. As
unidades observáveis são um conjunto de estratos que se
pode tocar, medir, rastrear e cartografar, e que se diferenciam
de outros por suas propriedades. Um dos casos mais simples
de unidades observáveis são as Unidades Litoestratigráficas e
as Unidades Bioestratigráficas. Pode-se considerar unidades
não observáveis, aquelas que se reconhece instrumentalmente
como por exemplo: Unidades Magnetoestratigráficas (
Paleomagnetismo),
Unidades
Quimioestratigráficas
(Geoquímica), Unidades Litosísmica ( baseada no estudo
geofísico em especial a sísmica de reflexão).

As unidades não observáveis são estabelecidas convencionalmente a
partir de trabalhos diversos e que respondem a interpretações dos
dados observados. As unidades não observáveis mais característica são
as Unidades Cronoestratigráficas.
Muitas das unidades observáveis podem eventualmente, ter uma
conotação temporal, considerando-se então, como unidades de
referência de tempo convencionais, entre elas podemos destacar:
Unidades Biocronoestratigráficas (baseadas em fósseis característicos),
Unidades Magnetocronoestratigráficas (baseadas em intervalos de
polaridade) e as Unidades Quimioestratigráficas (baseadas nos estudos
isotópicos).
Um tipo relativamente simples de unidades não observável muito aceita
hoje em dia e que constituem a base da chamada estratigrafia de
seqüências, é denominada de Unidade Aloestratigráfica.

LITOESTRATIGRAFIA
Definição
De acordo com o Guia Estratigráfico Internacional (GEI,1980) se define
como Unidade LitoEstratigráfica a um “ um conjunto de estratos que
constituem uma unidade, por estar composto predominantemente por
um certo tipo litológico ou de uma combinação de tipos litológicos, ou
por possuir outras características litológicas em comum, que sirvam
para agrupar os estratos”.
Requisitos fundamentais de uma Unidade Litoestratigráfica:
homogeneidade que facilite sua delimitação. Essa homogeneidade se
refere a litologia em um conjunto da unidade, já que dentro dela pode
haver uma diversidade de litofácies.
Se basear em critérios exclusivamente de observação direta e não em
interpretações genéticas;
A extensão geográfica vem determinada exclusivamente por sua
continuidade e extensão de suas características litológicas
diagnósticas.

UNIDADES FUNDAMENTAIS
O GEI (1980) estabelece como unidade fundamental dentro das Unidades
LitoEstratigráficas a Formação. O GEI também estabelece a possibilidade (não
obrigação) de poder agrupar as formações em lotes de duas ou mais, definido como
Grupo. Quando uma formação se pode diferenciar duas ou mais partes, de acordo com
suas litofácies, se pode estabelecer unidades litoestratigráficas de amplitude menor,
que é chamada de Membro. Quando se pode diferenciar dentro do membro feições de
amplitudes menores, pode ser chamado de Camada.

Relações das Unidades Litoestratigráficas
Relações Laterais
As Unidades Litoestratigráficas podem se relacionar lateralmente de
modo a desaparecer o mudar para outra. Pode se dar de três maneiras:
Acunhamento
É a finalização lateral de uma unidade por perda progressiva de
espessura até seu desaparecimento total. Este tipo de relação lateral se
produz nas bordas de um meio sedimentar para um não deposicional,
por exemplo a borda de uma bacia.
Interdigitação
É a mudança lateral entre unidades em que se produz uma
interpenetração de uma na outra, sugerindo uma mudança de fácies
entre elas.
Variação Lateral
Se refere a passagem lateral de uma unidade a outra de maneira
gradual, ou seja, existindo uma franja com materiais com litofácies
intermediária. Essas mudanças laterais graduais se dão entre materiais
de diferentes partes de um mesmo meio sedimentar (litotipos), em que
se produza sedimentação simultânea com diferentes litofácies, porém
com limites não retos.

Relações Verticais

As relações verticais entre duas Unidades litoestratigráficas
superposta se reflete nas características do intervalo que separa as
duas unidades. A superfície de separação entre duas unidades
litoestratigráficas superposta pode apresentar situações muito
diferentes. De uma parte pode se tratar de uma mudança muito brusca
de litofácies, que separa litologias diferentes, e de outra, de uma
mudança gradual que marque a passagem progressiva de uma
litofacies para outra.

CONTINUIDADE & DESCONTINUIDADE X CONCORDÂNCIA & DISCORDÂNCIA

Chama-se Concordância a relação vertical entre duas unidades
litoestratigráficas superpostas, em que tanto a unidade infrajacente
como a suprajacente apresentam superfícies de estratificação
paralelas a superfície de separação entre ambas. Ao contrário,
chama-se Discordância a relação entre duas unidades superpostas
em que a superfície de separação entre ambas corta a superfície
de estratificação infrajacente, indicando uma fase anterior tectônica
seguida de erosão.
Os conceitos de concordância e discordância são puramentes
geométricos, relativos a relação geométrica entre as superfícies de
estratificação das litologias de duas unidades litoestratigráficas
superpostas. Contrasta com os termos Continuidade e
Descontinuidade que veremos adiante.

Denomina-se Continuidade a relação genética entre duas unidades
litoestratigráfica superpostas entre as quais não tenha havido uma interrupção
sedimentar medível, de maneira que tenha havido só acontecido uma mudança das
condições sedimentares que implica na mudança de litofácies.
Denomina-se Descontinuidade a relação genética entre duas unidades
litoestratigráficas superpostas entre cujo depósito respectivo tenha havido uma
interrupção sedimentar medível.

A – Continuidade de Tempo
B – Descontinuidade com
Concordância;
C – Descontinuidade com
Discordância
D – Discordância Angular
E – Discordância Anular
Erosiva;
F – Discordância Progressiva
G – Paraconformidade ou
Discordância Litológica

Nas mudanças bruscas de
fácies, coincidentes com os
limites de unidades
litoestratigráficas superpostas,
a geometria da superfície de
separação entre ambas podem
ser muito diversas, desde plana
até Erosiva. Um terceiro tipo,
muito menos freqüente pode
acontecer, são das superfícies
convexas, porém não erosivas,
que separam depósitos de
corpos de geometria convexa.

CRITÉRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE HIATOS